– Detalhes técnicos e táticos de Paulista 0x1 São Bernardo pela Copa São Paulo

Falamos ontem sobre a arbitragem (erros e acertos – muito mais erros do que acertos) do jogo entre o Galo da Japi x Tigre do ABC pela abertura da Copinha 2022. Caso não tenha lido, disponível aqui: https://professorrafaelporcari.com/2022/01/05/analise-da-arbitragem-de-paulista-0x1-sao-bernardo-copa-sao-paulo-de-futebol-jr/

Pois bem: gostaria de abordar os detalhes técnicos e táticos das equipes, dando uma pincelada com mais observações do que falamos durante a transmissão pela Rádio Difusora.

Sobre a qualidade técnica dos jogadores: o Paulista tem a popular “espinha dorsal” necessária a um time: goleiro bom (Gabriel), um zagueiro seguro (Matheus Hilário), um volante firme (Lucas Morungaba) e um armador de qualidade (Bruninho).

Viana e Berguer deram conta do recado nas laterais. Pela esquerda, Berguer foi mais exigido pois o adversário insistiu naquele lado por mais vezes. Na zaga, Guilherme deu algumas vaciladas no começo do jogo (aliás, me pareceu ter “sentido a estreia”), e curiosamente, depois da saída de seu colega de defesa Matheus Hilário por contusão (que fez uma excelente partida), cresceu de produção! No meio, Wesley não conseguiu ganhar uma dividida sequer dos seus oponentes (a diferença física foi notória, além da má qualidade técnica do meio-campista nesta oportunidade). Mas Lucas Morungaba deu conta do recado, embora sobrecarregado pelo esquema de jogo.

Aqui, uma observação: Morungaba é o “jogador moderno” desejado pelos clubes da Europa: um volante onipresente. Repare que ele precisou ajudar a proteger a zaga como um líbero, já que Wesley não conseguia dar o primeiro combate e o São Bernardo descia com 3 atacantes: Guilherme Carioca pelo meio (como um centroavante que vinha um pouco mais recuado buscar a bola), Felipe Diogo e Gabriel Moyses pelas pontas. E esse posicionamento do Tigre “matou o Galo”: 3-4-3, ora como um 3-4-2-1 (o time do ABC tem um senso se colocação muito forte em campo, mostrou ser muito bem treinado e com jogadores conscientes do que deveriam fazer e onde se posicionarem). Baiano, o treinador do Paulista, não conseguiu conter esse domínio tático (já que ele perdeu o meio campo, que ficou distanciado entre defesa e ataque).

Voltemos a falar de Morungaba? Ao mesmo tempo que ele teve todo esse trabalho na zaga, descia como elemento surpresa para arremates de longa distância. No segundo tempo, foram 3 chutes: um para o alto do gol, outro bem rente ao travessão e um último espalmado pelo goleiro. Rafael Mainini, o locutor da Difusora, naquele momento disse: “tá chegando, tá tentando e tá cada vez mais perto”. Pena que faltou um 4o chute…

O “cara do time” é o meia-armador Bruninho, um camisa 10 legítimo, das antigas. E por ser habilidoso demais, pasmem, não funcionou. Calma, explico: Bruninho desequilibrava no meio de campo, pois quando dominava a bola, carregava ela de cabeça erguida e achava algum companheiro. Porém, franzino em comparação com seus marcadores, ficou em desvantagem e tentava sofrer a falta (foi inteligente nesse aspecto). O problema é que ele tentava lançar para Enzo, seu companheiro de meio-campo mais avançado, que quando tentava finalizar… se atrapalhava. Aliás, Enzo mostrou potencial, mas esteve numa tarde infeliz, especialmente nos arremates. Não acertou uma bola no gol, quando teve a oportunidade.

Destoou negativamente Mateus Lima, substituído no intervalo. Não tocou na bola! E Klismann, por mais esforçado que fosse, não conseguiu jogar nem por ele e nem pelo seu companheiro no ataque.

Aqui entrará um dos motivos do Paulista ter perdido o jogo: com os volantes não conseguindo dominar o meio campo, o pessoal da frente ficou sem receber a bola com qualidade (só na base do chutão). Bruninho veio buscar o jogo, e aqui, falo pela experiência dos gramados: o cara que joga na frente buscando o gol, não sabe fazer falta nem ajudar a defesa com qualidade (tem que aprender com o tempo). E quando o camisa 10 do Paulista recuou para tentar roubar uma bola, teve que ajudar a zaga e fez uma falta totalmente desnecessária. Recebeu o cartão amarelo, e dessa falta saiu o gol do São Bernardo.

Importante: ouço e leio algumas críticas ao goleiro Gabriel nesse gol sofrido e discordo: a falta foi cobrada rápida, rasteira, e Ruan, zagueiro, veio como elemento surpresa e chutou no canto. A bola veloz, por baixo, chovendo e com gramado liso, matou o arqueiro. E com outro detalhe: havia muitos atletas encobrindo sua visão.

Por fim: foi perceptível que o São Bernardo tinha um time melhor do que o Paulista (um dos investidores, segundo se especula, é a Magnum – a mesma empresa dos bons tempos do Guarani, de Luizão e Amoroso – com o gerenciamento do filho do ex-presidente do mesmo time campineiro, Beto Zini). Mas o Paulista equilibrou o jogo em alguns momentos e mostrou que tinha condições de tentar o empate. Insisto: a “desarmonia em campo” (alguns jogadores bons como os citados, com um desnível de outros inoperantes) atrapalhou demais o rendimento, em um esquema onde o treinador Baiano não conseguiu modificar, nem ao menos aproximar o ataque e a defesa para ganhar o meio campo – já que as substituições não surtiram tanto efeito (especialmente com a saída, não se sabe porquê, de Bruninho).

Lógico que estando ganhando, o São Bernardo soube usar de malandragem e travou o jogo – sem deslealdade com pancadas, mas com cera permitida equivocadamente pelo árbitro (mas já falamos sobre isso ontem). E fica o recado: como são garotos, o emocional é muito forte nesse momento da competição. Dar apoio psicológico a eles (eu sei que o dinheiro é curto e o Paulista não tem psicólogo na Comissão Técnica), escalar melhor a equipe e melhorar o esquema de jogo são condições necessárias ao Galo para sonhar com a próxima fase (já que os demais adversários empataram, beneficiando o Paulista).

Ops: não posso deixar de comentar, vi algo inédito ontem: em uma cobrança de falta frontal a favor do São Bernardo próximo à grande área (segundo tempo), não tivemos barreira mas sim um “bololô” de atletas na pequena área. Um posicionamento maluco (certamente não treinado e que surgiu por acaso), e com todo mundo na frente do goleirão. Ali, é necessário alguém bater no peito e organizar aquela confusão. Ou seja: o time precisa de um líder em campo (ou fora dele).

Imagem extraída da Internet

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