– O streaming esportivo DAZN é quem bancaria o Daniel Alves no SPFC?

E o jornalista Ricardo Perrone revelou em seu blog que, o parceiro desejado para bancar a contratação de Daniel Alves no São Paulo FC, era a empresa de mídia DAZN.

O problema: o contrato não estava assinado, veio a pandemia e… quem manda fechar negócio sem dinheiro?

Veja que loucura essa péssima ação, extraída de: https://www.uol.com.br/esporte/futebol/colunas/perrone/2021/09/24/o-patrocinio-costurado-mas-nunca-assinado-que-minou-daniel-alves-no-spfc.htm

O patrocínio costurado, mas nunca assinado, que minou Daniel Alves no SPFC

Pouco depois de anunciarem a contratação de Daniel Alves, em 2019, dirigentes do São Paulo davam como praticamente fechado pelo menos um contrato de patrocínio que ajudaria a bancar o projeto. Dois anos se passaram e o acordo não foi assinado. A engenharia financeira montada, que era considerada segura, não segurou as pontas, e o clube acaba de fazer um acordo para pagar cerca de R$ 25 milhões ao lateral e meia em virtude de uma rescisão amigável.

Como um contrato que, segundo o clube, estava em análise jurídica pelo parceiro nunca foi assinado? De que forma uma operação apresentada como dentro da realidade do futebol brasileiro virou uma dívida milionária?

O blog procurou as respostas e a seguir conta a história que começou com festa e certeza de sucesso, mas terminou em ressentimentos entre as duas partes e uma conta indigesta para o clube pagar.

Lugano

A ideia de contratar Daniel Alves começou depois de Lugano encontrar o jogador no estádio do PSG e tocar no assunto.

Em seguida, Raí conversou com o empresário de Dani, Fransérgio Bastos, que, depois de ouvir o atleta, respondeu que ele não descartava defender o São Paulo naquele momento.

Raí, então, acionou sua rede de contatos. Montou um grupo de voluntários, a maioria são-paulina e com experiência em áreas como publicidade e redes sociais para ajudar o clube a elaborar um projeto que viabilizasse os pagamentos a serem feitos para Dani a partir da exploração da sua imagem.

O publicitário Rui Branquinho, diretor de marketing do clube em 2012, e André Barros, criador do canal Desimpedidos, faziam parte da comissão de colaboradores voluntários.

Na avaliação da direção tricolor na ocasião, a participação desses profissionais na elaboração do projeto ajudou Dani a dizer “sim” ao São Paulo.

Tudo certo

Pouco mais de um mês após Daniel ser apresentado, este colunista conversou com dirigentes do São Paulo que detalharam a operação sob a condição de não serem identificados.

Entre outras, foram feitas por eles as seguintes afirmações:

“Tem um parceiro que o contrato [com ele] já foi para a Inglaterra para finalizar a parte jurídica. Já está tudo certo.”

“Não existe a possibilidade de não ter parceiro. Podemos não ter 100% do que imaginamos. Mas parceiro vai ter. Já está chegando um e tem outros bem encaminhados.”

“A gente está garantindo [o pagamento]. Ele vai receber, e a gente pode vender [a imagem do jogador] até o último dia do contrato, até 31 de dezembro de 2022.”

“Ninguém aqui fez uma coisa do outro mundo, uma loucura.”

“Talvez, o Daniel não esteja no top 15 dos jogadores mais caros do futebol brasileiro”.

O modelo

A confiança de que o projeto seria um sucesso vinha não só do patrocinador dado como certo e que não teve seu nome revelado naquele dia.

O modelo escolhido para o pagamento da remuneração do meia e lateral também era usado pelos cartolas para mostrar segurança de que não haveria dificuldade financeira.

Segundo disseram os dirigentes na ocasião, o salário de Daniel registrado em carteira era um pouco inferior a R$ 500 mil. A maior parte de sua remuneração seria paga em direitos de imagem.

O São Paulo se comprometera a pagar um valor fixo, que não foi revelado. O que passasse dessa quantia até um limite ficaria com o Tricolor. Atingido o teto, as partes dividiriam igualmente a verba a mais.

Foram combinadas parcelas semestrais de direitos de imagem. Pensando na possibilidade de os primeiros contratos de patrocínio demorarem para serem fechados, principalmente por causa de detalhes burocráticos, o São Paulo programou o primeiro pagamento para entre o final do primeiro semestre e o começo do segundo de 2020.

De acordo com os cartolas, o risco de não haver patrocinadores até lá era praticamente nulo por causa do contrato que era dado como certo.

Mas, se isso acontecesse não haveria problema porque o orçamento de 2020 já teria previsão para esses pagamentos.

O cálculo feito era de que o São Paulo precisaria gastar menos com reforços em 2020 e ainda deveria vender jogadores. Assim, teria dinheiro para se virar sozinho caso acontecesse uma zebra com os patrocinadores.

A confiança era tanta que os cartolas disseram que estavam descartando interessados em contratos curtos. A preferência era por acordos de pelo menos três anos.

DAZN

O contrato que os dirigentes davam como certo e disseram que teria ido para análise jurídica na Inglaterra era com a plataforma de streaming de esportes ao vivo DAZN, como mostrou o UOL Esporte.

Indagado nesta semana por que a parceria que já era considerada fechada não vingou, uma das fontes ouvidas em 2019 disse que o contrato teve idas e vindas e que no meio do caminho veio a pandemia de covid-19. Segundo o mesmo relato, a empresa desistiu do acordo por causa da crise financeira mundial causada pela pandemia.

O DAZN foi apresentado à oportunidade de fazer um contrato atrelado à imagem de Daniel Alves por André Barros. Na ocasião, além de fazer parte do grupo que ajudou o São Paulo a elaborar o projeto, ele trabalhava na Dentsu, agência de publicidade que tinha a conta do DAZN.

A empresa se interessou pelo projeto, fez reuniões com Daniel Alves e representantes do São Paulo e, de fato, esteve perto de assinar o acordo, que ajudaria o clube a pagar parte da remuneração do atleta.

A ideia era transformar o jogador em embaixador global do DAZN e explorar a imagem dele com uma série para ser exibida pela plataforma. Apesar de não ter sido o fator principal, colaborou para o acordo emperrar o fato de o conteúdo exato da série não estar definido, conforme apurou o blog.

Outros ajustes a serem feitos no acordo impediram a assinatura em 2019. O golpe fatal aconteceu em 2020 com a explosão da pandemia de covid-19.

Contratos assinados pelo DAZN em diversos países foram suspensos. As operações no Brasil também foram atingidas, o que tornou o projeto Daniel Alves inviável. A empresa desmantelou sua equipe no Brasil.

O blog não conseguiu ouvir o DAZN. Guilherme Guimarães, ex-vice-presidente de Marketing do DAZN, disse que não se sentia confortável para falar sobre o tema por não estar mais na empresa. André Barros também preferiu não dar entrevista sobre o assunto.

Sérgio Floris, ex-vice-presidente de conteúdo original do DAZN, não atendeu aos telefonemas do blog nem respondeu às mensagens enviadas, assim como Rui Branquinho.

Além do DAZN, as outras empresas que conversavam com o clube, segundo dirigentes da época, nunca assinaram contrato. A justificativa dos cartolas é o abalo econômico mundial provocado pela pandemia.

O que era considerado impossível por confiantes cartolas envolvidos com o plano Daniel Alves aconteceu. O clube ficou sozinho e, ao contrário do que diziam os cartolas que explicaram a operação ao blog, não conseguiu honrar todos compromissos (os salários registrados em carteira estavam em dia, segundo o clube). Isso em meio a um cenário imprevisível, sem receita de bilheteria por causa do veto ao público nos jogos em função da pandemia.

A dívida chegou a aproximadamente R$ 18 milhões. No acordo para a rescisão do contrato, o São Paulo se comprometeu a pagar cerca de R$ 25 milhões (parte dos valores que o atleta ainda teria a receber entraram na conta). Desse valor, serão descontadas as verbas rescisórias a que o jogador tem direito. O restante deve ser pago em 60 meses.

A atual diretoria do São Paulo atribui o fracasso financeiro da operação Daniel Alves ao fato de o projeto de marketing não ter decolado, aos efeitos da pandemia de covid-19 nas finanças do clube e aos altos valores do contrato.

Hoje no Vasco, Alexandre Pássaro, ex-gerente-executivo do São Paulo e um dos responsáveis pela operação Daniel Alves ao lado de Raí, não atendeu aos telefonemas do blog. Também não respondeu à mensagem enviada. Raí não deu resposta ao pedido para dar uma declaração a respeito do tema.

Daniel Alves em Ceará x SPFC. Foto: Ge.com

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