– As diferenças dos processos de desenvolvimento do projeto dos árbitros de vídeo no Mundo e no Brasil.

O VAR (video assistant referee), aportuguesado para AAV (árbitro assistente de vídeo) já é uma realidade nas principais ligas europeias e para as competições FIFA. Claro, é um projeto em teste e que tem tudo para dar certo, desde que seja bem trabalhado.

Na América do Sul, a Conmebol está treinando seus árbitros para as fases finais da Libertadores da América e da Copa Sul-americana. No Brasil, engatinha-se com os primeiros ensaios, capacitando às pressas (mesmo que isso seja negado) pela Comissão de Árbitros.

Na reunião em 5 de março de 2016, em Cardiff, quando o lobby feito por Gianni Infantino (que queria o árbitro de vídeo) obteve êxito, em reunião promovida pela Internacional Board, ficou decidido que, a priori, 4 situações seriam ideais para a intervenção da nova tecnologia:

1- Confirmar ou anular um gol discutível (por exemplo: se o atleta usou a mão na bola para fazer um gol e o árbitro possa ter sido enganado e acreditado que foi de cabeça, como o gol de Jô em Corinthians x Vasco).

2- Confirmar ou anular uma penalidade máxima (por exemplo: o árbitro crê que um atleta tenha sido tocado e na verdade ocorreu uma simulação claríssima de infração, como o “pênalti fantasma” de Lucas Lima em Santos x Avaí, BR-16);

3- Aplicar ou não um cartão vermelho de maneira justa ou injusta (por exemplo: se um árbitro expulsa um atleta por um carrinho violento e na verdade o jogador tenha ido única e exclusivamente na bola e nem punido deveria ser; ou seja, “desexpulsar um jogador”, como Egídio em Chapecoense x Palmeiras);

4- Identificar atletas de maneira correta quando for aplicar uma punição com cartão (por exemplo: um atleta agarra um adversário e deve receber o cartão amarelo, mas o juiz se confunde e não memoriza quem foi o infrator para dar a advertência e dá a outro, como Gabriel no jogo Palmeiras x Corinthians).

A proposta inicial foi a de que o árbitro de vídeo poderia interpelar o árbitro principal ou o árbitro principal procurar o árbitro de vídeo (via rádio). Porém, a decisão final continuaria (como continua sendo) do árbitro principal, aceitando ou não a informação do vídeo-árbitro.

Com o avanço das discussões e de jogos-testes, definiu-se a necessidade de um monitor à beira do gramado para o árbitro rever os lances e a possibilidade de uso do recurso em outras situações. Imagine um árbitro de vídeo dizendo que o árbitro central errou em determinado lance, e este não se convence totalmente? Para isso, antes de refutar ou acatar a dica do AAV, o juiz deve procurar a imagem de TV. Desta forma, não só o AAV teria a permissão do uso das imagens, mas também o árbitro central (a idéia, em si, é que a informação da cabine para o campo não fosse apenas pelo rádio).

Hoje, com Portugal, Itália, Alemanha e Bélgica usando o árbitro de vídeo (a França e a Inglaterra utilizam ainda apenas o sistema eletrônico da linha do gol), e a partir das experiências nos campeonatos amadores, Mundial de Clubes e Copa das Confederações (todos regidos pela FIFA), percebeu-se que alguns erros deveriam ser evitados (como a demora nas decisões e a vulgarização de qualquer chamada em lance comum) e a incrementação de outras situações contempladas além das 4 originais (como uma agressão fora do campo de visão do árbitro, um impedimento clamoroso não observado pelo bandeira ou qualquer participação que seja pertinente).

A priori, a CBF não queria essa “extensão” na tomada de decisões, ficando limitada às 4 situações citadas. Mas deverá se render para atender assim o protocolo oficial.

Portanto, em suma, o árbitro de vídeo desejado IDEAL para a FIFA, até o momento atual das experiências, deve:

Chamar o árbitro central se ver algum lance capital, claro e relevante que o árbitro e os bandeiras não tenham visto, independente do local do campo de jogo (não deve e nem pode interferir em situações interpretativas de infrações ou lances ajustados de impedimento ou não).

–  Estar pronto a atender o árbitro central caso ele tenha dúvida de alguma decisão e queira saber o que o AAV tenha visto.

A ideia, em si, é a interferência mínima e a máxima resolução nos problemas de uma partida de futebol. Claro, sempre com material humano competente para as decisões e independência da geração de imagens. E a isso temos alguns exemplos: a patética expulsão de Kaká na MLS por erro tanto do árbitro e do AAV na interpretação do lance mesmo com o uso do vídeo, e o desejo de aproveitamento da geração da transmissão da Rede Globo para a CBF.

Por fim: esqueçamos o AAV no Brasileirão neste ano, pois não há equipamento adequado, gente especializada para uso, treinamento paulatino e gradual aos árbitros (está sendo feito às pressas) e o fator relevante de que em campeonatos contínuos (não em fases eliminatórias) você só pode usar durante ele inteiro, não em apenas algumas rodadas.

Há certo burburinho de que o Cel Marinho, presidente da CA-CBF, desejaria a criação de um quadro de AAV especialistas, como já ocorre com o de bandeiras. Confesso achar que tal medida seria inédita no mundo, e a grosso modo, me parece interessante.

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