– Imitem as meninas do Brasil, rapazes!

Ontem falamos sobre a coragem das jogadoras da Seleção Brasileira de futebol feminino, que protestaram contra o assédio sexual – em clara resposta ao chefe delas na CBF, Rogério Caboclo.

As meninas divulgaram um manifesto (vide aqui: https://wp.me/p4RTuC-vpX) e entraram em campo com uma faixa (abaixo).

Será que neste domingo, na abertura da Copa América 2021 (que deverá ter bastante audiência) os jogadores da Seleção de futebol masculino, que tanto agitaram na semana mas se omitiram quanto a isso, se pronunciarão também?

Seria digno imitarem o gesto das suas colegas e fazerem o mesmo. Mais ainda: se fizerem tal ato por altruísmo / cidadania, não por demagogia / marketing!

– Que pisada na bola, Alberto Fernández!

O presidente argentino Alberto Fernández cometeu uma tremenda gafe hoje, não?

Em encontro com o primeiro ministro espanhol Pedro Sanchez, quis se gabar das raizes argentinas e disse:

“Os mexicanos vieram dos indígenas; os brasileiros, da selva; e nós, chegamos em barcos. E eram barcos que vinham da Europa”.

Depois ele pediu desculpas. Mas o vacilo mostra como está enraizada a questão do racismo e do orgulho da origem europeia dentro do povo argentino. E olha que ele é da patota da Esquerda mais inclusiva do país vizinho…

Extraído de: https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2021/06/fernandez-diz-que-brasileiros-vieram-da-selva-e-argentinos-chegaram-de-barcos-da-europa.shtml

FERNÁNDEZ DIZ QUE BRASILEIROS VIERAM DA SELVA E ARGENTINOS CHEGARAM DE BARCO DA EUROPA

Presidente da Argentina deu declaração racista durante visita de Pedro Sánchez, premiê da Espanha, a Buenos Aires

Em encontro na manhã desta quarta (9) com o premiê da Espanha, em Buenos Aires, o presidente argentino, Alberto Fernández, disse que “os mexicanos vieram dos indígenas, os brasileiros, da selva, e nós, chegamos em barcos”. “Eram barcos que vinham da Europa”, afirmou, apontando para Pedro Sánchez. Depois, referendou: “O meu [sobrenome] Fernández é uma prova disso”.

O líder argentino acreditava fazer menção a uma frase incorretamente atribuída ao escritor mexicano Octavio Paz (1914-1998), Nobel de literatura em 1990, em que ele teria discorrido sobre a raiz asteca dos mexicanos e a origem inca dos peruanos. Fernández, porém, confundiu-se, e a frase é na verdade parte de uma canção do compositor Litto Nebbia.

Após a repercussão da declaração, o presidente argentino publicou uma mensagem no Twitter na qual diz que “nossa diversidade é um orgulho”. “Mais de uma vez foi dito que ‘os argentinos descendemos dos barcos’. Na primeira metade do século 20 recebemos mais de 5 milhões de imigrantes que conviveram com os nossos povos originários. Nossa diversidade é um orgulho.” Na sequência, acrescentou que “não quis ofender ninguém” e pediu desculpas “a quem tenha se sentido ofendido ou invisibilizado”.

A oposição também reagiu por meio de redes sociais. O deputado Facundo Suárez Lastra, da União Cívica Radical, afirmou que “sempre há um nível mais baixo para que o presidente desça na escada do ridículo e da vergonha”. “Ofende países irmãos e aparece como um ignorante. Nem professor nem acadêmico.”

Também da UCR, partido que fazia parte da base de apoio do ex-presidente Mauricio Macri, Karina Banfi pediu que Fernández se desculpasse por sua ignorância e discriminação com os povos originários, com os países da região e com todos os argentinos e argentinas”.

Figuras públicas argentinas com frequência cometem o que a imprensa local costuma chamar de “gafe”. A frase racista, no entanto, revela um traço cultural profundo que minimiza ou mesmo nega a raiz mestiça da população, pensamento presente desde o século 19 entre intelectuais e governantes importantes. Obviamente não se trata de uma postura de toda a sociedade, mas muito marcada na elite.

O ex-presidente Domingo Faustino Sarmiento (1811-1888), autor de “Conflicto y Armonías de las Razas en América” (conflito e harmonia das raças na América), por exemplo, falava da necessidade de “embranquecer a Argentina” para o desenvolvimento do país. Em seu mandato, estimulou a imigração de europeus com essa finalidade.

A teoria de Sarmiento influenciou seu sucessor na Presidência, Julio Argentino Roca (1843-1914), responsável por iniciar a Campanha do Deserto, em que, sob a justificativa de “levar civilização aos rincões do país”, o Exército argentino assassinou comunidades inteiras de índios ranqueles e araucanos, entre outros. Não há consenso quanto ao número de mortes provocadas pela campanha, mas historiadores renomados falam em genocídio ou em “impulso genocida”.

Essas etnias, porém, não foram totalmente exterminadas, tanto que a população do interior da Argentina guarda traços desses povos, e há pequenos grupos que mantêm os idiomas originários.

O maior fluxo de imigrantes europeus na Argentina ocorreu entre 1850 e 1950, quando cerca de 7 milhões entraram no país. Já os africanos vieram em maior escala entre os séculos 16 e 19, como escravos.

Embora a população de negros tenha diminuído no país, ela permanece grande. Em 1778, africanos e afro-descendentes eram 37% dos habitantes do país, de acordo com documentos oficiais espanhóis.

Em Buenos Aires, nas primeiras décadas após a independência (1810), eles representavam 30% da população. Hoje, segundo o censo mais recente, 9% são afro-argentinos em todo o território. A Argentina tinha, de acordo com o Banco Mundial, 44,94 milhões de habitantes em 2019.

Declarações do tipo também já foram feitas por membros de diferentes partidos e classes sociais do país. O escritor argentino Jorge Luis Borges, por exemplo, dizia que “os argentinos são europeus nascidos no exterior”. No futebol, algumas demonstrações racistas marcam o passado da relação entre Brasil e Argentina. Na primeira metade do século passado, torcedores argentinos imitavam macacos nas arquibancadas, o que chegou a provocar a saída dos jogadores brasileiros do gramado.

Em 1996, quando soube-se que a seleção argentina enfrentaria Brasil ou Nigéria na Olimpíada de Atlanta, o diário esportivo Olé estampou a manchete “Que venham os macacos”. Depois, a publicação se retratou.

No campo político, o ex-presidente Macri afirmou, na abertura de seu discurso no Fórum Econômico de Davos, em 2018, como forma de cumprimentar a plateia, que “somos todos descendentes da Europa”.

Em 9 de julho de 2016, data em que a independência argentina é celebrada, Macri disse que os “independentistas argentinos devem ter sentido uma grande angústia por terem de se separar da Espanha”. A declaração foi dada na presença do hoje rei emérito Juan Carlos, chamado na ocasião de “querido rei” pelo ex-presidente argentino.

Já o peronista Carlos Menem, também ex-presidente, negou em um discurso na Universidade de Maastricht, na Holanda, em 1993, que o país tivesse negros. No mesmo evento, ao ser questionado sobre a escravidão na Argentina, disse que, em 1813, ano da abolição, os poucos negros já haviam morrido, e que, então, aquilo era “um problema brasileiro”.

Agora foi a vez de Fernández, que se apresenta como um nome de centro-esquerda e tem vínculos com organizações que defendem as minorias e os indígenas.

– Que infeliz fala, Chú! Ainda bem que se desculpou…

O futebol feminino é um meio que sofre com o preconceito: lesbianismo, pobreza, crenças diversas e outras nuances nas quais as atletas envolvidas não conseguem ter paz.

E não é que uma jogadora do Palmeiras deu uma declaração infeliz e precisou se desculpar?

Conheça “o rolo que se meteu” Chú Santos, extraído de: https://www.uol.com.br/esporte/colunas/danilo-lavieri/2021/05/10/fala-preconceituosa-de-atleta-do-palmeiras-irrita-time-diretor-e-parceiros.htm

FALA PRECONCEITUOSA DE ATLETA DO PALMEIRAS IRRITA TIME, CÚPULA E PARCEIROS.

Chú Santos, atleta do time feminino do Palmeiras e da seleção brasileira, incomodou a todos com a sua fala preconceituosa sobre o ator Paulo Gustavo, que morreu na semana passada vítima do covid-19.

De acordo com apuração do blog, a diretoria recebeu reclamações de outras jogadoras do elenco e até de pessoas ligadas a parceiros como a Puma. A cúpula do departamento também se irritou com a situação e aplicou multa no salário dela.

Apesar disso, ela foi escalada no fim de semana para enfrentar o Corinthianspelo Brasileirão feminino, no dérbi em que as corintianas fizeram manifestação a favor do amor, como forma de resposta ao ato de Chú.

A reação pública já havia sido amplamente negativa para a atacante e para o clube, que soltou nota repudiando a atitude, mas disse que tomaria medidas apenas internamente. Durante o fim de semana, jogadoras de todos os times e até as palmeirenses usaram suas redes sociais para rebater Chú.

Dentro do vestiário, a jogadora recebeu duras críticas de suas companheiras, especialmente pelo futebol feminino lutar diariamente contra preconceitos em geral da sociedade e até mesmo de pessoas do esporte. O trabalho é para que ela volte a ter ambiente para continuar defendendo o Alviverde. Ela, inclusive, se desculpou perante a todos.

Já a Puma também tem trabalhado em suas campanhas o fim das desigualdades e do preconceito de forma geral e tem tomado medidas para incentivar também o futebol feminino, como colocar na renovação de contrato premiação por títulos para as mulheres.

O comentário foi feito em uma publicação de outra pessoa, que falava sobre as diferenças entre o vereador evangélico Irmão Lazaro (PL) e Paulo Gustavo, homossexual e umbandista. Ambos foram vítimas da covid-19.

“Morreram pelo mesmo vírus, a diferença é que Lazaro foi para o céu, e Paulo Gustavo, para o inferno”, disse a palmeirense. Após toda a repercussão, ela usou as redes sociais para pedir desculpas.

Como já mostrou o UOL Esporte, intolerância religiosa é crime e prevê reclusão de dois a cinco anos a quem cometer “crimes resultantes de discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional”.

Chú Santos, jogadora do Palmeiras e da seleção brasileira, em campo pelo Brasileirão Feminino - Rebeca Reis/AGIF

Imagem: Rebeca Reis/AGIF

– Existe ciúme entre Árbitro e Árbitra na carreira e nas escalas no futebol?

Ontem, participei como ouvinte do “Seleção JP”, no pré-jogo de Corinthians x São Paulo, com o Wanderley Nogueira na Rádio Jovem Pan (ops: acertei o palpite do Majestoso: empate, justificado pelo estilo de arbitragem). Na oportunidade, falando sobre o caso Edina, Leandro e Ana Paula (sobre a expulsão do 4o árbitro da bolha sanitária, vide aqui: https://wp.me/p4RTuC-uCc). Após pergunta do jornalista Bruno Prado, o Wanderley interpelou com uma EXCELENTE questão: “Nos bastidores, existe ciúme entre ‘os moços, os árbitros’, com ‘as moças, as árbitras'”?

E a resposta não poderia ser outra: sim! E expliquei alguns tipos de “queixas” que os árbitros, na surdina, faziam e fazem. Compartilho, desenvolvendo melhor o pensamento:

Desde os tempos de Léa Campos (a pioneira mulher a apitar jogos importantes no Brasil e no Mundo e impedida pela Ditadura Militar de arbitrar jogos “por ser mulher”) existe preconceito. A novidade, nos dias atuais, é o ciúme, que deu o seu braço de inveja para o preconceito e caminham de mãos dadas.

Na virada dos anos 90/2000, Eduardo José Farah resolveu dar oportunidades às mulheres na arbitragem e no futebol feminino em geral. Criou o “Paulistana” com a TV Bandeirantes e deu muitas chances aos talentos femininos (Farah teve inúmeros e condenáveis pecados, mas uma justiça deve ser feita: com ele, surgiram mais árbitros negros e árbitras no futebol paulista – e que abraçaram o sucesso ou não dependendo das suas atuações, sempre muito bem avaliadas pelo Prof Gustavo Caetano Rogério, que tinha um incrível olho clínico para revelar talentos no apito).

A isso se dá o nome de “equidade” (diferente de “igualdade”), ou seja, chances para quem estava esquecido ou era mal visto (mulheres, como Sílvia Regina e outras; negros, como João Paulo Araújo, Paulo César de Oliveira, entre outros). Aliás, quantos árbitros negros e árbitras tivemos antes desse período? E treinadores negros, hoje?

No período citado, ao ver Sílvia Regina apitando e moças bem jovens bandeirando (Ana Paula Oliveira, Aline Lambert e Maria Elisa Correa Barbosa), a queixa dos árbitros enciumados era: “só apita porquê é mulher”, ou: “reparou que não tem bandeirinha feia”? E por aí vai. Aqui, minha consideração: Sílvia era uma árbitra comum – nenhum talento acima da média como Paulo César de Oliveira no auge de sua carreira, tampouco uma tragédia dentro das 4 linhas. Sua qualidade era aceitável, e os erros, normais a todos os outros árbitros. Já as bandeiras eram realmente muito boas: as 3 que citei, e que trabalhei em várias oportunidades, sempre tiveram qualidade acima de muitos homens. Talvez, justamente por serem mulheres e conseguirem maior concentração, focavam muito bem nos impedimentos.

Naquele período “o que pegou” foi: “Teste físico”. Um árbitro precisava correr 2700m em 12 minutos para apitar um jogo profissional da A1. Uma árbitra, 2400m no mesmo tempo. Assim, o homem não poderia apitar se corresse 2699m, mas a mulher que corresse 2401m, sim. E aqui Tite foi incompreendido certa vez, quando disse num Corinthians x São Paulo que a Sílvia Regina apitou mal pois ficou longe dos lances no final da partida, pois não tinha condição física igual a dos homens (o treinador foi criticado por isso na época e chamado de “machista”).

Mais tarde, surgiu um segundo novo momento da arbitragem feminina: a da exigência de tempos iguais para árbitros e árbitras para apitarem os jogos. E aqui destacaram-se pelo bom condicionamento físico algumas bandeiras (Renata Ruel, hoje comentarista na ESPN; Tatiane Sacilotto, na CEAF-SP) e a árbitra Regildênia de Holanda, cotada para entrar na vaga de Nadine Bastos na Globo – fez um teste piloto, segundo o UOL – e que vive uma situação complicada no Sindicato dos Árbitros, pois é vice-presidente lá mas trabalha como observadora na FPF, o que tem sido criticado por colegas.

Essas árbitras e assistentes não ficavam devendo em desempenho quanto aos homens. As bandeiras, foram igualmente competentes acima da média quanto as citadas anteriormente. Regildênia, absurdamente veloz nos testes físicos (ela voava nas pistas de atletismo!), com o mesmo desempenho técnico de Sílvia – ou seja, normal (isso não é demérito, que não se interprete errado). Aqui, do preconceito passou para o ciúme, com queixas do tipo: “tem que escalar por que é mulher”; ou: “estão tirando escala dos homens competentes somente para fazer média com as mulheres”. Havia também o fato de Marco Polo Del Nero estar no cargo e criar cursos exclusivos para árbitras, levando a outras interpretações muito contestadas por aí (que não valem a pena ser discutidas, pela figura nefasta que ele foi para o futebol paulista).

Por fim: chegamos ao advento “Edina Alves”, uma árbitra FIFA de melhor qualidade do que as árbitras centrais citadas (não sendo um fenômeno, mas sim, repito, de qualidade muito boa). Edina provoca ciúmes reais nos seus companheiros: ela vai às Olimpíadas de Tóquio, foi pioneira como mulher no Mundo Árabe no Mundial de Clubes da FIFA e passou a ser uma “ameaça” à vaga como representante da Copa de 2022 a Raphael Claus e Wilton Sampaio (ops: não se entenda que eles sejam os ciumentos ou torçam contra). Acrescento também o nome da árbitra assistente Neuza Back, de qualidades idênticas em sua função.

Como Edina está em vários jogos e aparecendo mais, os erros dela serão logicamente mais notados. E os árbitros que a criticam, criticam “com a boca cheia” quando os vêem. Pessoas que não são adeptas de mulheres no futebol feminino, deleitam-se nesses equívocos. A desculpa aqui é: “vivemos na era da diversidade, do politicamente correto, só por isso ela está escalada”.

Enfim: respeito todas as opiniões contrárias, mas hoje, deixo claro, defendo a meritocracia, a equitativa oportunidade e a igualdade de deveres e direitos independente do gênero. Aliás, falando em gênero, se com a Edina temos preconceito, imagine se tivéssemos um transsexual na elite, como o caso que aqui falamos em Israel, dias atrás? Vide aqui: https://wp.me/p4RTuC-uwy.

Feliz dia das Mulheres – Árbitras no Futebol | Refnews - Arbitragem de futebol em foco
Foto: Refnews.

– Há 2 anos: Márcio Chagas da Silva: mais uma vítima de racismo entre tantos, infelizmente!

Um tema que não pode ser esquecido: há 2 anos, o árbitro Márcio Chagas sofria com o racismo. Relembrando:

Corajoso! Palmas para Márcio Chagas, o ex-árbitro gaúcho que contou sobre as ofensas racistas que sofreu e que sofre, em entrevista ao UOL.

Felizmente, há alguém para testemunhar e alertar a sociedade. Infelizmente, Márcio é somente mais uma das inúmeras vítimas de racismo.

Somente existe uma raça: a raça humana. E a cor da pele? Nada importa.

Força Márcio!

Extraído de: https://esporte.uol.com.br/reportagens-especiais/marcio-chagas-denuncia-racismo?fbclid=IwAR3xEU-SMcly7TMi8OFCp_FdnMK4andKN3XakXes6T4fg1Bg-dW4LzloO24#matar-negro-e-adubar-a-terra

MATAR NEGRO É ADUBAR A TERRA

Comentarista de arbitragem da Globo denuncia agressões racistas que ouviu no campo e na cabine

Por Tiago Coelho

Um dia meu filho de cinco anos me perguntou por que os pretos dormem na rua e são pobres. Expliquei que é um resquício da escravatura, que estamos tentando mudar isso, mas que é difícil. Não sei se ele entendeu. Às vezes nem eu entendo. Sendo negro em um estado racista como o Rio Grande do Sul, eu me acostumei a ser o único da minha cor nos lugares que frequento.

Fui o único negro na escola, o único namorado negro a frequentar a casa de meninas brancas e, como árbitro, o único negro apitando jogos no Campeonato Gaúcho. Hoje sou o único negro comentando esses jogos na TV local. Durante muito tempo, me calei ao ouvir alguma frase racista. Engolia, como se não fosse comigo. Mas era comigo. A verdade é que estou puto com os racistas. Todo fim de semana escuto gente me chamando de preto filho da puta, macaco, favelado. “Matar negro não é crime, é adubar a terra”, eles dizem. Estou de saco cheio dessa história.

A galera saiu do armário total, não tem vergonha nenhuma. As manifestações racistas estão vindo cada vez mais ferozes e explícitas. O fato de eu estar na TV agride muito mais as pessoas do que quando eu apitava. O racista não aceita que você ocupe um espaço que você não deveria ocupar.

Dá vontade de sair na mão com esses caras, mas sei que se eu fizer isso vou perder a razão.

Em um Avenida x Internacional, em Santa Cruz do Sul, o juiz marcou um pênalti que não aconteceu e eu comentei no ar que o pênalti não aconteceu. Um torcedor foi no meu Instagram e escreveu: “Não gosta de ser chamado de preto, mas tá fazendo o quê aí?” O que tem a ver a minha cor com o meu comentário? Outro cara me chamou de “crioulo burro” e um terceiro disse que, se pudesse, me enfiaria uma banana no rabo. Os caras escrevem isso em público, com nome e sobrenome. Já acionei o Ministério Público.

Caxias do Sul, para mim, é uma das cidades mais terríveis para trabalhar. Há algumas semanas, fui transmitir um jogo no estádio Alfredo Jaconi e passei uma tarde inteira ouvindo xingamentos. Tive que ouvir que era um preto ladrão, que estaria morrendo de fome se a RBS, a Globo local, não tivesse me contratado, que eles tinham trazido banana pra mim. A cada cagada que o árbitro fazia em campo, eles se voltavam contra mim na cabine e xingavam. Eu virei um para-raios pro ódio deles.

Um dia, em um Juventude x Internacional, a arbitragem estava tendo uma péssima atuação. Houve um pênalti não marcado para o Juventude, e uns torcedores que ficavam perto da cabine se viraram para mim dizendo coisas como: “E aí, preto safado, vai falar o quê agora?” Eu já tinha dito no ar que o juiz tinha errado ao não marcar o pênalti. O clima já estava pesado desde o começo, e eu me segurava para não descer lá e ir pro soco com os caras, mas é tudo que eles querem, não é?

Uma mulher com uma criança de colo se virou para mim e começou a xingar: “Negro de merda, macaco, fala alguma coisa”. Ela veio em minha direção, achei que ia me dar uma bofetada ou cuspir na minha cara, que é uma coisa que eles costumam fazer na serra gaúcha.

“O que eu fiz para você”, perguntei quando ela se aproximou.

“Você não está vendo que ele está roubando, que não marcou o pênalti?”, perguntou de volta, apontando ao árbitro em campo.

“Moça, tudo que você está falando eu disse na transmissão. Por que você está dizendo essas coisas para MIM?”

“É que você colocou ele lá”, ela respondeu. E eu tive que explicar que quem escala os árbitros é a Federação Gaúcha e que eu não tenho nenhuma influência sobre ela.

No intervalo, um rapaz que estava com a namorada virou e disse: “Aprendeu direitinho como roubar o Juventude, né, preto de merda? Se não fosse a RBS, estaria na Restinga roubando ou morrendo de fome.” Os racistas costumam usar o bairro periférico e violento da Restinga, em Porto Alegre, para me atacar. Quando essas coisas acontecem, os colegas brancos dizem para eu deixar pra lá, que eu sou maior que isso, que estamos juntos, que bola pra frente. Juntos no quê? Deixar pra lá como? Quem sente a raiva e o constrangimento sou eu. Como “estamos juntos”?

Depois de muito tempo ouvindo esse tipo de coisa, eu desenvolvi uma forma de defesa, que também é uma forma de ataque. No final do jogo, quando um cara disse que tinha trazido uma banana (“porque eu sei que tu gosta”), eu falei que gostava mesmo. “Já brinquei muito de banana com tua mãe.” Os amigos dele riram, e o cara saiu com o rabo no meio das pernas.

Tem um motivo de eles sempre se referirem a bananas quando querem me agredir.

No dia 5 de março de 2014, o Esportivo jogou contra o Veranópolis, em Bento Gonçalves, uma cidade perto de Caxias, também na serra gaúcha. Essa é a região mais racista do estado. Logo que saí do vestiário já fui chamado de macaco, negro de merda, volta pra África, ladrão. Falei pros meus colegas:

“Se nem começou o jogo os caras já estão assim, imagina no final.”

Acabou a partida. Jogando em casa, o Esportivo venceu por 3 a 2, e não teve nada anormal no jogo: nenhuma expulsão, nenhum pênalti polêmico, lance de impedimento controverso, nada. Mesmo assim os torcedores se postaram na saída do vestiário para me xingar.

A uma distância de uns dez metros, questionei um senhor que estava com o filho:

“É isso que você está ensinando pro seu filho?”

“Vai se foder, macaco de merda.”

“Uma ótima semana pro senhor também”, respondi e desci ao vestiário. A polícia não fez menção de interpelar os torcedores, mas registrei os xingamentos na súmula.

Tomei meu banho, esperei meus colegas e saí do vestiário pra pegar meu carro, que estava em um estacionamento de acesso restrito à arbitragem e funcionários dos clubes. Encontrei as portas do carro amassadas e algumas cascas de banana em cima.

Ao dar partida no carro, ele engasgou duas vezes. Na terceira tentativa, caíram duas bananas do cano de escapamento. Alguém colocou duas bananas no cano do escapamento. Meu colega Marcelo Barison ficou horrorizado.

Caminhei revoltado para o vestiário. O atacante do Esportivo Adriano Chuva, negro, me pegou pela mão e me levou um pouco mais afastado. Ele disse que ali aquilo era normal. “Você tem que ver o que eles fazem com a gente no centro da cidade.” Ele dizia que os negros do time preferiam jogar fora de casa para não ser chamados de macaco em seu próprio estádio.

Ao chegar em Porto Alegre, refleti sobre o que deveria fazer. Encaminhei um texto para uns jornalistas que eu conhecia, e o caso veio a público. Francisco Novelletto, o presidente da Federação Gaúcha, me ligou, dizendo que eu deveria tê-lo procurado antes de falar com a imprensa, porque a denúncia estava prejudicando a imagem do campeonato. Ele disse que poderia pagar para consertar meu carro.

“Não quero seu dinheiro, quero respeito”, eu lembro de ter dito. Novelletto também sugeriu que se eu continuasse com a denúncia, isso poderia prejudicar a minha carreira. Eles fazem essa chantagem emocional. Eu continuei com a denúncia.

No Superior Tribunal de Justiça Desportiva, o Esportivo perdeu três pontos por causa desse jogo e acabou rebaixado naquele campeonato. Até hoje, quando querem me atacar, os racistas dizem que fui eu quem rebaixei o clube. Mas eu não rebaixei ninguém. O que eu fiz foi denunciar o ataque absurdo que sofri. O clube nunca entregou a pessoa que colocou as bananas no meu carro.

Tiago Coelho/UOL

Ao longo do processo, me senti desamparado e desvalorizado pela federação. Eu tinha 37 anos e era aspirante à Fifa, imaginava que ainda podia ter uma carreira internacional. Mas, por causa desse episódio, fiquei tão de saco cheio que resolvi largar o apito. Apitei a final do campeonato e parei. Até hoje não posso pisar na federação. A federação nunca mais teve um árbitro negro.

Na esfera cível, processei o Esportivo por danos morais. Durante o julgamento, o advogado deles debochou do racismo que sofri no estádio. “Chamar negro de macaco não é ofensivo”, ele disse. “Ofensivo é amassar o carro porque, como diz a propaganda do posto Ipiranga, todo brasileiro é apaixonado por carro.” Essa frase me fez decidir abandonar o futebol. Em janeiro deste ano, o Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul condenou o clube a me pagar R$ 15 mil. Até hoje não pagaram.

Eu refleti muito antes de vir aqui contar tudo isso. No futebol, existe uma tendência ao silenciamento quando o assunto é racismo. Muito jogador negro que passa por isso prefere ignorar os ataques temendo ter problemas na carreira se abrir a boca. Outro dia um jogador saiu de campo na Bolívia. Todos deviam fazer o mesmo, principalmente os medalhões.

Eu posso até me prejudicar no trabalho, mas resolvi comprar a briga porque nos fóruns que reúnem negros, costumamos dizer que os racistas podem nos fazer duas coisas: ou eles nos matam ou eles nos adoecem.

Eu me recuso a morrer ou adoecer. Prefiro lutar. Quando esses ataques acontecem, minha mulher, que é negra, me dá a força que ela consegue. Ela sabe muito bem o que é isso. Meus filhos ainda não sabem. Eu fortaleci a consciência da minha negritude principalmente pelo rap, ouvindo aquela música, analisando aquela letra e me identificando com aquela situação retratada.

Os racistas não sabem, mas eles só fortaleceram minha consciência racial. Eu falo pro meu menino que ele é lindo. Enalteço o nariz e o cabelo “black power” dele, digo para ele sempre valorizar a negritude que ele tem. Minha filha tem dois anos e vou procurar fazê-la ter orgulho de si mesma, assim como eu tenho da nossa raça.

Minha briga é por mim, mas também por eles. Os racistas não vão nos matar.

Procurado pela reportagem para comentar a declaração de Márcio Chagas da Silva, o presidente da Federação Gaúcha de Futebol, Francisco Novelletto, afirmou que as críticas do ex-árbitro são injustas e que não deixou de apoiá-lo no episódio de racismo em 2014.

“O Márcio está faltando com a verdade”, afirmou Novelletto. “Quando soube do fato, liguei para ele em um gesto de grandeza para saber o que tinha acontecido. Ele me narrou uma versão ‘super light’ dos fatos e tirou toda a culpa do Esportivo. No dia seguinte, para minha surpresa, apareceu dando entrevista chorando na TV e se dizendo indignado. Achei isso estranho.”

Segundo Novelletto, a federação lançou uma nota de repúdio contra o comportamento do Esportivo e iniciou uma campanha no seu site de combate ao racismo. De acordo com o cartola, as ofensas que Márcio Chagas sofre são consequência da briga que ele comprou contra o Esportivo. “Eu se fosse patrão dele, não mandava ele para trabalhar nessas cidades, você sabe como torcedor é.”

Para o cartola, não é papel da federação defender o árbitro porque “ele é um prestador de serviço”. “E os donos da federação são os clubes”, disse ele.

Esportivo diz que assunto ficou no passado

Presidente do Esportivo desde 2017, Anderson Vanela afirmou que o clube não faria maiores comentários sobre o episódio das bananas em 2014 porque “o assunto ficou no passado.”

“O clube acata a decisão judicial, mas não concorda. A cidade se machucou muito, a comunidade inteira sentiu. Bento Gonçalves é uma cidade turística, que acolhe a todos e não tem em seu histórico qualquer tipo de ato racial”, afirmou Vanela.

O Esportivo já fez o depósito dos R$ 15 mil a título de reparação a Márcio Chagas. “Aqui no clube ninguém mais fala do assunto.”

– E se tivéssemos árbitro transgênero 🏳️‍⚧️ no Brasileirão? Imagine a polêmica… (e o preconceito)!

Pense na repercussão: imagine se um árbitro de futebol da elite do Brasileirão, que estivesse nos principais jogos dos grandes clubes, viesse a público e declarasse: “farei minha cirurgia de redesignação sexual” – e contasse com apoio irrestrito da CBF!

Foi o que aconteceu com o juiz de futebol Sagi Berman, um dos melhores de Israel (sabidamente um país de costumes conservadores), que terá seu nome feminino de Sapir Berman a partir de agora e continuará apitando por lá.

Abaixo, desejando boa sorte a ela (sem preconceito por minha parte, respeito todas as opções), extraído de: https://www.uol.com.br/esporte/futebol/ultimas-noticias/2021/04/27/arbitra-da-elite-do-futebol-israelense-declara-ser-transexual.amp.htm

ÁRBITRA DA ELITE ISRAELENSE DECLARA SER TRANSEXUAL

Um árbitro da elite do futebol israelense declarou hoje, em uma entrevista coletiva, que se identifica como transexual. Durante o anúncio divulgado pelo jornal The Times of Israel, Sagi Berman, 26, disse aos repórteres que postergou a declaração por medo de que a sociedade não a aceitasse e manifestou o desejo de ser chamada de Sapir — seu novo nome social.

“Sempre me vi como mulher, desde muito jovem. No começo eu não sabia como nomear, não sabia como chamar, mas sempre houve uma atração pelo lado feminino [das coisas], e havia uma inveja de outras mulheres, e eu morava com isso, (…) enquanto projetava uma persona muito masculina “, explicou Sapir.

“Como homem, tive sucesso. Seja na associação de árbitros, seja na escola ou mesmo com as meninas. Para a família, eu também era um homem, mas quando estava sozinha, era uma mulher “, continuou ela. “Dividi esses mundos porque entendi que a sociedade não me aceitaria, não estaria ao meu lado. Então continuei vivendo assim por 26 anos.”

Apesar do medo de se declarar como a primeira árbitra transexual do país, Sapi diz que decidiu “mostrar ao mundo” quem ela é. Questionada se temia por uma possível perseguição transfóbica nos gramados, a árbitra afirmou estar acostumada com insultos de torcedores e comentários sexistas no meio futebolístico.

“Espero sinceramente que nossa sociedade melhore e seja tão boa e inclusiva quanto possível para todos os setores e gêneros”, afirmou.

Considerada uma das melhores árbitras do país pela imprensa local, Sapir passou os últimos meses sem apitar pois estava passando por um tratamento hormonal. Ela contou com o apoio da Federação Israelense para assumir sua identidade publicamente.

Segundo o The Times of Israel, a entidade futebolística consultou a UEFA e a FIFA para saber como acomodar adequadamente árbitros transgêneros.

Imagem extraída da Internet, autoria desconhecida. Quem conhecer, favor informar para crédito na postagem.

– A árbitra assistente boicotada pelo Irã.

Dia 11, jogaram Tottenham x Manchester United. Os times ingleses são muito populares no Oriente Médio, e as TVs abertas de lá costumam transmitir suas partidas.

No Irã, o jogo passou pela TV Estatal, e a transmissão era cortada toda vez que a bandeirinha Sian Massey-Ellis era filmada. Um horror de geração de imagens.

Tal fato aconteceu igualmente no sorteio dos grupos da Copa do Mundo de 2014, no Brasil. A cada close mostrando o decote da modelo Fernanda Lima, a imagem era cortada.

As mulheres iranianas se notabilizaram nos últimos anos por reivindicar seus direitos. Até pouco tempo, eram proibidas de ir aos estádios de futebol pelo fato de serem… mulheres!

Para minha surpresa, ontem, 22/04, a ONU delegou ao Irã a escolha do dirigente que chefiará a Comissão dos Direitos da Mulher (em 2010, isso quase ocorreu, mas o país foi retirado da gestão do órgão antes da escolha).

Que mundo maluco e contraditório vivemos em pleno 2021, não?

– V P S, o “bonzão” racista do prédio!

REVOLTANTE! Veja só que ridículo o papelão que esse senhor racista promoveu, humilhando uma correta e humilde porteira negra.

Abaixo, extraído de: https://br.noticias.yahoo.com/morador-ameaca-porteira-em-predio-de-goiania-e-faz-ofensas-racistas-chimpanze-voce-nao-presta-185750241.html

MORADOR AMEAÇA PORTEIRA

Um homem ameaçou e fez ofensas racistas contra uma porteira de um prédio residencial do Jardim Goiás, em Goiânia (GO), neste domingo (18). Segundo a vítima, o homem, identicado como Vinícius Pereira da Silva, é morador do prédio e alegou ser policial.

Em uma gravação, feita pela própria vítima, divulgada pelo G1, o homem aparece disparando as ofensas. Mesmo com a câmera do celular ligada, Vinícius Pereira não se intimida e xinga a mulher de “macaca”. “Grava, macaca. Chimpanzé. Chipanga. Me encara, desgraça”, esbrabeja.

De acordo com a porteira, que preferiu não ter a identidade divulgada, a discussão começou porque o morador chegou de carro em frente ao portão da garagem e piscou os faróis, querendo entrar sem se identificar.

A funcionária, por sua vez, explicou que não poderia abrir para qualquer um que fizesse um sinal e que precisava que o homem se identificasse. Segundo o G1, isso teria irritado o morador.

Após as ofensas racistas, o homem subiu ao apartamento onde mora. Em seguida, ligou na portaria e continuou com a discussão. A porteira relatou ao G1 que perguntava a todo momento o motivo de estar sendo ofendida, mas Vinícius Pereira continuava com as injúrias raciais.

“Porque você não presta, desgraça. Você é uma merda, abaixo de zero”, teria dito ele.

Por fim, o homem ameaçou a porteira, dizendo ser policial e que iria descer armado. “Vou meter minha arma na cintura e vou aí resolver”.

A reportagem do Yahoo! Notícias não encontrou Vinícius Pereira da Silva, que aparece nas imagens, para pedir uma posição sobre a situação.

A Polícia Civil também não o encontrou para conduzi-lo à delegacia e colher depoimento. A corporação informou que ainda não levantou se o morador realmente é um policial, conforme se identificou à porteira. O nome do agressor também não consta na lista de pagamentos da policia civil de Goiás.

– O caso de racismo envolvendo Diakhaby e Juan Cala.

Pelo Campeonato Espanhol, o francês Diakhaby, do Valência, deixou o campo após discutir com o espanhol Juan Cala, do Cádiz, alegando ter sido vítima de racismo.

O time do Valência, na sequência, deixou o campo, em solidariedade ao seu jogador, mas voltou ao jogo sem ele para evitar punições.

O árbitro não puniu ninguém pois não ouviu xingamentos nem pode comprová-los, mas relatou em súmula que Diakhaby reclamou ter sido chamado de “negro de merda”.

Eu tenho muito cuidado com injustiças. Toda a minha solidariedade ao atleta vítima de racismo, mas reservo-me a uma preocupação: há imagem / áudio comprovando a ofensa? 

Digo isso, pois, sabemos, no futebol acontecem várias coisas: acusações, brigas, discussões e… até mesmo invenciones (ressalto: não estou dizendo que é invenção do atleta francês, mas apenas tendo a preocupação de não acusar alguém injustamente – lembre-se, guardadas as proporções, do episódio Najla e Neymar).

RACISMO – seja no esporte ou na sociedade, é algo INTOLERÁVEL!

Extraído de: https://www.uol.com.br/esporte/futebol/ultimas-noticias/2021/04/05/jornal-marca-racismo-diakhaby.htm

RACISMO: JORNAL SE SOLIDARIZA COM DIAKHABY

O jornal espanhol Marca se solidarizou com o jogador Mouctar Diakhaby, do Valencia, que foi vítima de racismo por parte de um adversário durante jogo contra o Cádiz, ontem (4), pelo Campeonato Espanhol.

Na edição de hoje do jornal, o Marca fez uma capa preta com a foto de Diakhaby fora do gramado após o caso de racismo e escreveu: “Não está sozinho”.

“Intolerável episódio racista no futebol espanhol”, publicou o jornal.

Com meia hora do jogo, Diakhaby discutiu com o espanhol Juan Cala e se irritou com algo dito pelo adversário. Alegando racismo, o zagueiro e seus companheiros decidiram ir para o vestiário, mas mudaram de ideia pouco depois por temer uma punição.

O Valencia voltou a campo sem Diakhaby, que se trocou e foi para a arquibancada. Juan Cala, por outro lado, continuou jogando normalmente.

As, Sport e Mundo Deportivo, outros dos principais jornais esportivos da Espanha além do Marca, não deram muito destaque ao episódio de racismo nas capas da edição de hoje.

– A reportagem sobre Morgado, o folclórico árbitro paulista.

Que baita matéria de Adriano Wilkson pelo UOL! Ele escreveu sobre o folclórico “Morgadinho“.

Tenho muito respeito por ele. Não o conheci pessoalmente, mas me lembro das partidas por ele apitadas. E me recordo que, no início da minha carreira, árbitros me avisaram: “Aqui no nosso meio, cuidado se te chamarem de ‘sobrinho’, pois é uma forma de sacanear alguém. É que ‘sobrinho’ era como o Morgado chamava os namorados dele, quando os levava ao vestiário”.

Se a discriminação sexual ocorre hoje, imagine naquele tempo!

Extraído de: https://www.uol.com.br/esporte/futebol/ultimas-noticias/2021/03/28/pantera-cor-de-rosa-famoso-juiz-dos-anos-80-morreu-esquecido-com-hiv.htm

“PANTERA COR-DE-ROSA”: FAMOSO JUIZ DOS ANOS 80 MORREU ESQUECIDO COM HIV

O árbitro Roberto Nunes Morgado marcou época no futebol brasileiro dos anos 80. Parecia um personagem tirado da ficção. O bom nível técnico de sua arbitragem era, às vezes, ofuscado por certas decisões controversas, como a de expulsar quatro jogadores do Palmeiras no mesmo jogo em 1987 ou dar cartão vermelho para soldados da Polícia Militar que patrulhavam um Ferroviário x Vasco em 1983.

As extravagâncias levaram a comissão de arbitragem da Federação Paulista a exigir um exame de sanidade mental ao juiz, que costumava se gabar: “Agora, sou o único juiz da praça que tem atestado de sanidade mental.” As pernas esguias e o estilo um tanto espalhafatoso fizeram Morgado ser conhecido como a “Pantera de Cor-de-Rosa”.

Homossexual assumido e praticante de religião de matriz africana, ostentava um vasto bigode que cobria parcialmente os lábios. Costumava frequentar a Boca do Lixo, tradicional ponto de produção de cinema, farra e prostituição do centro de São Paulo, onde andava liderando um séquito de amigos.

“Todo mundo abandonou o Morgado quando ele adoeceu”, lembra Luciano, que tinha 8 anos quando o pai morreu em um leito do hospital Emílio Ribas em São Paulo em 1989. Um ano antes, o árbitro tinha descoberto que havia contraído o HIV, vírus que nos anos 80 era considerado mortal.

“Ele tinha muitos amigos, pagava a conta de todo mundo nas baladas, mas quando descobriu que tava com a doença, todos se afastaram”, conta o filho. Luciano recebeu o sobrenome do árbitro quando Morgado se casou com Lígia, mãe biológica de Luciano, que hoje trabalha vendendo lanches na zona leste da capital.

“Quando ele era vivo, a Federação ajudava a nossa família, mas depois que ele morreu, minha mãe casou de novo e a ajuda foi encerrada. Passamos muita dificuldade”, conta o filho do juiz. Morgado tinha dificuldade para manter seu dinheiro consigo. Segundo a imprensa da época, costumava proferir uma frase clássica que servia de chamariz para os amigos se juntarem: “Eu assino o cheque porque a letra mais bonita daqui é minha.”

O descontrole financeiro levou alguns de seus amigos mais próximos a administrar os rendimentos de Morgado. Segundo o filho Luciano, era José Astolphi, presidente da comissão de árbitros paulista, quem cuidava do dinheiro do pai. O único bem que Morgado, aspirante ao quadro da Fifa, conseguiu adquirir foi um apartamento na Praia Grande, litoral paulista.

Seus últimos dias foram vividos praticamente sozinho no hospital, de acordo com uma reportagem intitulada “O drama de um aidético” da Revista Placar, de dezembro de 1988. Morreu meses depois.

“O Morgado é um juiz que em várias oportunidades demonstrou um desequilíbrio psicológico muito grande”, afirmava Galvão Bueno, narrador de São Paulo 3 x 1 Palmeiras, a segunda semifinal do Paulista de 1987.

“Ele se mostra excessivamente nervoso, gesticula demais, faz muita confusão no jogo, às vezes irrita o jogador. Eu vi uma vez o Morgado apitar o jogo fora de campo, que nem um maluco. E mostrou cartão vermelho pra polícia, pra gandula, ficou com o cartão na mão correndo fora de campo.” A expulsão de quatro palmeirenses e a confusão que se armou no final da partida decretaram o fim da carreira do árbitro.

A personalidade excêntrica do juiz, sempre enfatizada pela crônica esportiva dos anos 80, contrastava com seu lado doce e apegado à família, segundo o filho Luciano. Um momento desses ficou registrado nas páginas da “Placar”.

Em 1979, o juiz, aos 33 anos, posou ao lado da mãe, Nair, com um uniforme preto engomado por ela. Os pais, imigrantes portugueses de origem pobre, eram sustentados pelo dinheiro que o filho fazia no futebol e nos outros empregos que teve.

Reportagem da Placar de dezembro de 1988 sobre o árbitro Roberto Nunes Morgado
Imagem: Reprodução

Da esquerda para a direita, Dirceu Fernandes (Escola de Árbitros da Federação), Alberto Ferreira, Roberto Nunes Morgado, Adriano Tito Correa e Leonerte dos Santos Imagem: Que fim levou/3º tempo

– Exaltemos a Ferroviária de Araraquara, bicampeã feminina da Libertadores da América 2020.

Com tristeza, vejo que a repercussão do grande feito das meninas do time da Ferroviária é muito pequena, devido a pouca atratividade do futebol feminino nos dias atuais no Brasil. Que seja diferente no futuro.

Pois bem: a equipe de Araraquara venceu a Libertadores da América pela 2a vez, sagrando-se bicampeã ao bater as colombianas do América de Cali na Argentina. E uma curiosidade: Lindsay Camila, a treinadora do time grená, foi a 1a mulher a conquistar uma Libertadores nesta função.

Parabéns a essas moças aguerridas e às pessoas que investiram com seriedade no futebol feminino!

Abaixo, as 12 decisões da Taça Libertadores da América Feminina realizadas até agora, com os campeões e vices (repare que são 9 títulos brasileiros, 1 chileno, 1 paraguaio e 1 colombiano). 

2009: Santos (BRA) contra o Universidad Autónoma (PAR)
2010: Santos (BRA) contra o Everton (CHI)
2011: São José – SP (BRA) contra o Colo-Colo (CHI)
2012: Colo-Colo (CHI) contra o Foz Cataratas (BRA)
2013: São José – SP (BRA) contra o Formas Íntimas (COL)
2014: São José – SP (BRA) contra o Caracas (VEN)
2015: Ferroviária – SP (BRA) contra o Colo-Colo (CHI)
2016: Sportivo Limpeño (PAR) contra o Estudiantes e Guárico (VEN)
2017: Corinthians/Audax (BRA) contra o Colo-Colo (CHI)
2018: Atlético Huila (COL) contra o Santos (BRA)
2019: Corinthians (BRA) contra a Ferroviária – SP (BRA)
2020: Ferroviária – SP (BRA) contra o América de Cali (COL)

Quando outros “grandões do continente“, como Flamengo, Boca Jrs e demais, investirão nas garotas também?

Imagem extraída da Internet, autoria desconhecida.

– Árbitras brasileiras em campo: o simbolismo da escala de um trio feminino em competição masculina da FIFA.

Quando selecionadas as brasileiras Edna Alves e Neuza Back pela FIFA para o Mundial de Clubes do Catar 2020, tal fato causou muita surpresa para muitos – devido ao ineditismo. Também houve ciúmes e, lamentavelmente, até torcida contra. Abordamos isso em: https://wp.me/p4RTuC-sLt.   

Agora, finalmente, as juízes brasileiras são escaladas para a disputa do 5o x 6o lugar entre Al Duhail (Catar) vs Ulsan Hyundai (Coreia do Sul). Uma vitória!
Alguns amigos acham que é uma medida apenas para “fazer média”, devido a insignificância da importância do jogo (cá entre nós, jogo que vale o “título de 5o colocado” é realmente sem graça), dizendo que, se é para quebrar tabu, que seja em algo que tenha maior valor (como uma semifinal ou final).
Respeito tais pontos de vista, mas penso e reforço: é uma vitória para elas

Quando foi que a FIFA escalou num torneio global um trio inteiramente feminino em evento mundial masculino entre profissionais? É uma “primeira vez”, uma quebra de paradigmas – que, tomara, seja “pra valer” – onde a meritocracia independerá de gênero.

O simbolismo disso é mais amplo: estarão em campo num local machista culturalmente, onde as mulheres daquela região do mundo são marginalizadas em boa parte das atividades.

Torcerei por elas, representando as mulheres competentes e um novo momento da própria FIFA.

Se corresponderem à altura, não terá sido relevante a ideia de “fazer média”, pois a demonstração de competência terá falado mais alto e aberto uma porta que não se fechará.

A equipe de arbitragem será composta por:

ARB: Edna Alves Batista (BRA).
Bd1: Neuza Back (BRA).
Bd2: Marianna de Almeida (ARG).
4ºArb: Abdelkader Zitouni (TUN).
5ºArb: Humberto Panjoj (GUA).
VAR: Nicollas Gallo (COL).
AVAR: Julio Bascunan (CHI).

Boa sorte a elas!

– O Radicalismo da Fé (ou da falta de) na Indústria do “Cancelamento”!

A falta de respeito ao próximo é um ato não-cristão, isso não se discute. Jesus combateu o proselitismo (vide quando ele não forçava a conversão de ninguém, respeitando o livre-arbítrio), sentou-se com marginalizados (foi muito criticado por isso em seu tempo) e separava o materialismo mundano da espiritualidade (a César o que é de César, a Deus o que é de Deus).

Pois bem: recentemente, o Papa Francisco foi criticado por negacionistas após dizer que não se vacinar ou ir contra a Ciência era um ato egoísta. Passou a ser chamado de “comunista” e outros adjetivos críticos por parte, acredite, de quem se diz cristão (incluindo alguns católicos) e que apoiam o boicote às vacinas.

Agora, não sei por quê, volta à Internet uma matéria do Padre Fábio de Melo, na qual ele posa para foto ao lado de um travesti que lhe pediu a lembrança. O fato foi em 2015, mas as postagens recentes dão a impressão de que é algo novo – e acompanhado por reclamações, nas quais taxam de pecado o ato do sacerdote.

Caramba, se Jesus Cristo cansou de dizer que não veio para os que têm saúde, mas sim para os que precisam da palavra de Deus, e por isso justificou quando comia juntamente à mesa com bandidos, prostitutas, pecadores e outros tantos rotulados pelas pessoas de sua época, não faz o mesmo o Padre Fábio (sendo que isso já foi dito e repetido na ocasião)?

Vivemos tempos de intolerância religiosa e de Cristofobia, é sabido. Mas ao mesmo tempo, contraditoriamente, de intolerância ao… tolerante!

Na dúvida, pense: o que Jesus faria em tal situação? É muito melhor discernir assim, do que seguir conselho de políticos que se rotulam como cristão (católico ou evangélico) e agem de maneira contra a vida.

A reportagem dita acima em: https://extra.globo.com/famosos/travesti-que-ficou-famosa-por-foto-com-padre-fabio-de-melo-morre-aos-56-anos-21304768.html

Jesus Cristo veio acolher a todos, não se duvide disso.

Pin em Jesus Misericordioso

Imagem extraída da Internet, autoria desconhecida.

– Precisamos de um dia da Consciência Negra?

Sou contra certas datas festivas: Todo dia é dia das mães; dos pais; das mulheres; dos homens ou dos negros.

Muitas vezes, temos datas comerciais: o dia dos namorados, por exemplo. Ou outras demagógicas: não seria a de hoje um exemplo disso?

Detesto rotulações: raça branca, negra, amarela… Ora, somos todos uma única raça, a RAÇA HUMANA! Não importa a cor da pele, a preferência sexual ou a religião: todos somos iguais em direitos e deveres.

Perceberam que o “dia de reflexão” virou descanso para uns e aproveitamento político para outros? Pior: o fato das cidades determinarem feriado municipal ou não acaba desacreditando no dia como feriado em si. Ou é para todos os municípios, nacionalizando a data, ou não.

Mais grave do que isso é tratar o dia como se fossem os negros gente inferior que precisassem de piedade. Nada disso. A história de cotas ou privilégios não pode ser uma caridade de gente subestimada, pois para ser inteligente ou competente não há cor (diferente das cotas sociais – por pobreza – as quais defendo).

Que o Dia da Consciência Negra sirva para refletir a igualdade, não aumentar discussões discriminatórias ou comparações de raças; coisas que são bobagens abomináveis nos dias atuais.

– Cristofobia e Islamofobia: o discurso e a “real”.

Vivemos num mundo multicultural. Existem democracias (Brasil, EUA, Itália, França), ditaduras (Venezuela, Cuba, China, Coreia do Norte) e teocracias (Irã, Arábia Saudita, Vaticano). Mas independente de que ideologia político-governamental as nações sejam, todas têm algo em comum no mundo moderno: a discussão do convívio harmonioso e a existência de tolerância ou intolerância religiosa – se deve existir o aceite ou não da liberdade de crença.

Enquanto a Europa vai ficando cada vez mais descrente, envelhece sua população e tem cada vez um número menor de crianças por casal, o Mundo Árabe expande-se com uma taxa de natalidade muito alta, trazendo ao mundo novos seguidores do islamismo. Portanto, os muçulmanos (pela matemática) serão a grande parcela religiosa do planeta dentro em breve.

Diante de todo isso, com a migração de povos árabes da África e da Ásia para outros continentes (especialmente à Europa), começa ocorrer a chamada Islamofobia (a discriminação por ser do Islã).

Infelizmente, é comum que isso ocorra a estrangeiros que habitam uma terra que não é sua (esse é um dos fatores), somada às ações de grupos radicais, como observados em ações de terrorismo (que não representam o Islamismo na sua integralidade), deixando muita gente com aversão desse povo. Portanto, tornou-se uma variável específica de xenofobia.

A Cristofobia, a variante de fobia contra cristãos, existia na perseguição do Império Romano aos convertidos. Tanto que as catacumbas eram o local de celebração das primeiras missas, em decorrência da necessidade de se esconder. Nos dias atuais, vê-se não mais um ataque contra os católicos em si (ou seja: por ser praticante), mas pelo fato de existirem cristãos que se fanatizam e deturpam a fé, onde ocorre a generalização equivocada. Outros, de maneira charlatã, explorando a crença alheia. Por fim, outros ainda usando o nome de Cristo como bandeira mas defendendo contraditoriamente causas como armamento e aborto. O cristão (evangélico ou católico) que vive corretamente sua fé, tende a sofrer a Cristofobia justamente daqueles que nada creem e concomitantemente desdenham de quem crê por conta destes que não vivem corretamente como cristãos (exceção feita às regiões que proíbem o Cristianismo radicalmente, como China e outras ditaduras).

O católico verdadeiro não prática a Islamofobia ou qualquer prática de discriminação. Ele ama o seu próximo e não pratica proselitismo (Jesus nos ensina isso à exaustão nos Evangelhos). Sabe conviver com quem pensa ou crê diferente. Não violenta o direito do outro, e espera a reciprocidade, mas de maneira franciscana (que saibamos amar e perdoar do que ser amados e perdoados, dando sem esperar receber).

Independente da profissão de fé, sejamos lembrados pela acolhida, inclusão, respeito e paciência com outros povos de cultura diferente – não caindo no erro de enxergar em atos de fanatismo violento (sejam eles de muçulmanos, judeus, cristãos ou ateus), uma maneira incorreta de colocar a culpa numa generalizada população.

Por fim: nada tem a ver com Cristofobia a queima de igrejas no Chile, pois ali foi vandalismo de anárquicos travestidos de manifestantes políticos, onde procuraram depredar símbolos que remetiam às origens dos colonizadores, com a desculpa de era necessária uma “nova constituição”. Dessa forma, as “Casas de Deus” sofreram pelos pecados dos outros.

Como cristãos, façamos sempre a nossa parte, imitando os ensinamentos do nosso Salvador.

Imagem extraída da Web, autoria desconhecida.

– O Futebol da Inglaterra contra o Racismo!

Louvável iniciativa da Premier League. Segundo o twitter de PL Brasil:

“Em reunião com os capitães das equipes, foi acordado que os jogadores usarão, ao longo da temporada 2020/21, um distintivo na manga escrito ‘Não há espaço para o racismo’ “.

Claro, será meritória essa ação se nós não observarmos nenhum caso de injúria racial ao longo do certame. Felizmente, parece que casos de racismo no futebol aqui no Brasil diminuíram no pós-pandemia.

Lembremo-nos que só existe uma raça: a raça humana. Todos somos iguais, independente da cor da pele.

Imagem: divulgação PL

– O que o Papa Francisco falou sobre os homossexuais não pode ser deturpado.

Li as manchetes envolvendo Francisco e os homossexuais nas páginas da Globo, da Folha e até da Record: a impressão, para o desavisado, é que o Papa iria liberar o casamento gay nas Igrejas. E não era nada disso…

O Papa Francisco declarou num documentário o que sempre vem pregando: acolhimento às pessoas que se descobrem LGBTs, evangelização e respeito à diversidade. Para isso, pregou cidadania e reconhecimento de direitos civis, como a união legal (algo que ele próprio já havia dito).

Não se deturpe uma notícia sensacionalista com um consciente apelo papal como dito por Francisco. Entenda abaixo, sem fake news ou fanatismo,

extraído de: https://www.acidigital.com/noticias/papa-incentiva-uniao-civil-para-casais-homossexuais-uma-mudanca-na-postura-do-vaticano-99893

PAPA INCENTIVA UNIÃO CIVIL PARA CASAIS HOMOSSEXUAIS, UMA MUDANÇA NA POSTURA DO VATICANO

Em um documentário que estreou nesta quarta-feira em Roma, o Papa Francisco se mostrou favorável à aprovação de leis de união civil para casais do mesmo sexo, tomando assim distância da atual posição do Vaticano e dos seus predecessores em relação ao tema.

Os comentários surgiram em meio a uma parte do documentário que reflete, entre outros temas, sobre a pastoral dedicada a pessoas que se identificam como LGBT.

“Os homossexuais têm o direito de fazer parte da família. Eles são filhos de Deus e têm direito a uma família. Ninguém deve ser expulso ou ter uma vida miserável por causa disso”, disse o Papa Francisco no filme ao comentar o trabalho desta pastoral.

Após essas observações, e em comentários que provavelmente causarão controvérsia entre os católicos, o Papa Francisco emitiu uma opinião pessoal sobre o tema das uniões civis para casais do mesmo sexo.

“O que precisamos é criar uma lei da união civil. Dessa forma, eles estarão cobertos pela lei”, disse o Papa. “Eu defendi isso,” asseverou.

Os comentários são expostos no novo documentário sobre o Papa chamado, “Francesco”, que fala sobre a vida e o ministério do Papa Francisco que estreou hoje, 21, no Festival de Cinema de Roma, e está programado para fazer sua estreia na América do Norte este domingo.

O filme narra a abordagem do Papa Francisco às questões sociais urgentes e ao ministério pastoral entre aqueles que vivem, nas palavras do pontífice, “nas periferias existenciais”.

Apresentando entrevistas com personalidades do Vaticano, incluindo o cardeal filipino Luis Tagle e outros colaboradores do papa, “Francesco” analisa a defesa que o Papa faz dos migrantes e refugiados, dos pobres, seu trabalho no tema dos abusos sexuais do clero, o papel das mulheres na sociedade e aqueles que se identificam como LGBT.

O filme aborda o alcance pastoral do Papa Francisco àqueles que se identificam como LGBT, incluindo uma história do pontífice encorajando dois homens italianos a manter um relacionamento do mesmo sexo a criarem seus filhos em sua igreja paroquial, que, segundo um dos homens, era muito benéfico para seus filhos.

“Ele não mencionou qual era a sua opinião sobre a minha família. Provavelmente ele está seguindo a doutrina sobre este ponto”, disse o homem, enquanto elogiava o Papa por sua disposição e atitude de boas-vindas e encorajamento.

Os comentários do Papa sobre as uniões civis aparecem precisamente nesta parte do documentário. O cineasta Evgeny Afineevsky disse à CNA, a agência em inglês do grupo ACI, que o Papa expressou o pedido por uniões civis na entrevista que o produtor conduziu com o pontífice.

O apelo direto do Papa por leis de união civil representa uma mudança da perspectiva de seus antecessores e de suas próprias posições a respeito das uniões civis no passado.

Em 2010, enquanto era arcebispo de Buenos Aires, o Papa Francisco se opôs aos esforços para legalizar o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Entretanto, Sergio Rubin, futuro biógrafo do Papa, sugeriu que Francisco apoiava a ideia de uniões civis como uma forma de evitar que crianças fossem dadas em adoção massivamente a estes casais, Miguel Woites, que trabalhou diretamente com a Conferência Episcopal da Argentina e a Arquidiocese de Buenos Aires dizia que esta afirmação era falsa.

Porém, o fato do próprio Papa afirmar no documentário ter “defendido” anteriormente as uniões civis homossexuais parece confirmar os relatos de Rubin e outros que afirmavam que, de forma reservada, o então cardeal Bergoglio apoiava a ideia.

No livro “No Céu e na Terra”, de 2013, o Papa Francisco não descarta por completo a possibilidade das uniões civis, mas afirma que as leis que “assimilam” ao casamento as práticas homossexuais eram “uma regressão antropológica”. Ele expressou ainda preocupação de que casais do mesmo sexo “tenham direito a adotar filhos, pois isto poderia afetar as crianças”. “Cada pessoa precisa de um pai e uma mãe que possam ajudá-los a formar sua identidade”, afirmava.

Em 2014, Pe. Thomas Rosica, que então trabalhava na assessoria de imprensa da Santa Sé, disse à CNA que o Papa Francisco não expressou apoio às uniões civis de pessoas do mesmo sexo, depois que alguns jornalistas relataram que ele o teria feito durante uma entrevista. Naquela altura, uma proposta de união civil era debatida na Itália e Pe. Rosica enfatizou que Francisco não iria opinar no debate, mas que ele daria ênfase à doutrina católica sobre o casamento.

Em 2003, sob a liderança do Cardeal Joseph Ratzinger e sob a direção do Papa João Paulo II, a Congregação para a Doutrina da Fé do Vaticano ensinou que “o respeito pelos homossexuais não pode levar de forma alguma à aprovação do comportamento homossexual ou ao reconhecimento legal de uniões homossexuais. O bem comum exige que as leis reconheçam, promovam e protejam o casamento como a base da família, a unidade primária da sociedade”.

“O reconhecimento legal das uniões homossexuais ou colocá-las no mesmo patamar do casamento significaria não só a aprovação do comportamento desviante, com a consequência de torná-lo modelo na sociedade atual, mas também obscureceria valores básicos que pertencem à comum herança da humanidade. A Igreja não pode deixar de defender esses valores, para o bem de homens e mulheres e para o bem da própria sociedade”, acrescentou a CDF, chamando estas uniões de “gravemente imorais”.

“Nem mesmo em um análogo sentido remoto, as uniões homossexuais cumprem o propósito pelo qual o casamento e a família merecem reconhecimento categórico específico. Pelo contrário, existem boas razões para sustentar que tais uniões são prejudiciais ao bom desenvolvimento da sociedade humana”, afirma o documento.

A assessoria de imprensa do Vaticano não respondeu às perguntas da CNA sobre os comentários do Papa no filme.

Enquanto os bispos em alguns países não se opuseram às propostas de união civil do mesmo sexo e tentaram diferenciá-las do casamento civil, os oponentes das uniões civis há muito alertam que elas servem como ponte legislativa e cultural para iniciativas de casamento entre pessoas do mesmo sexo, alegando ainda que a sociedade não deve aprovar a imoralidade nem podem deixar de proteger o direito das crianças de serem educadas por um pai e uma mãe.

Afineevsky disse à EWTN News este mês que tentou em “Francesco” apresentar o Papa como ele o viu, e que o filme pode não agradar a todos os católicos. Ele disse à CNA na quarta-feira que, em sua opinião, o filme não é “sobre” o apelo do papa a favor de uniões civis, mas “sobre muitas outras questões globais”.

“Não estou olhando para ele como o Papa, estou olhando para ele como um ser humano humilde, um grande modelo para a geração mais jovem, um líder para a geração mais velha, um líder para muitas pessoas, não no sentido católico , mas no sentido de liderança pura, no terreno, nas ruas ”, acrescentou Afineevsky.

O cineasta disse que começou a trabalhar com o Vaticano para produzir um filme sobre o Papa Francisco em 2018 e teve acesso sem precedentes ao Papa até a conclusão das filmagens em junho, em meio aos bloqueios devido à pandemia na Itália.

Afineevsky, é um cineasta russo que mora nos EUA e que em 2015 foi indicado ao Oscar e ao Emmy pela obra “Winter on Fire”, um documentário que narra os protestos Euromaidan de 2013 e 2014 na Ucrânia. Seu filme de 2017, “Cries from Syria”, foi indicado a quatro prêmios Emmy de notícias e documentários e a três prêmios de escolha da crítica.

Na quinta-feira, Afineevsky receberá nos Jardins do Vaticano o prestigioso Prêmio Kineo Movie for Humanity, que reconhece cineastas que apresentam questões sociais e humanitárias em documentários. O prêmio foi criado em 2002 pelo Ministério da Cultura da Itália.

Rosetta Sannelli, a criadora dos Prêmios Kineo, observou que “cada viagem do Papa Francisco a várias partes do mundo está documentada na obra de Afineevsky, em imagens e notícias, e se revela como um olhar autêntico dos acontecimentos de nosso tempo, uma obra histórica em todos os aspectos”.

– Estamos contigo, Bibiana!

Bibiana Steinhaus é hoje a principal árbitra de futebol da Alemanha (e talvez seja do mundo também). Tem trabalhado com competência e regularidade nos diversos campeonatos que apita. Sua última atuação foi a decisão da Supercopa da Alemanha, no jogo entre Bayern Munich 3×2 Borussia Dortmund.

Porém, um fato curioso: a TV estatal do Irã, que transmitiria a partida, cancelou o evento pois, de acordo, com as leis islâmicas (o Irã é uma teocracia) não se pode mostrar partes do corpo das mulheres publicamente (e não é a primeira vez, em fevereiro isso já aconteceu também).

Lembrei-me de Fernanda Lima apresentando o sorteio da Copa de 2014 e a polêmica criada pelas modificações estéticas na imagem da moça, feitas pelas autoridades iranianas nas imagens que chegaram por lá. É mole?

Mais detalhes sobre o jogo anteriormente citado em: https://www.dw.com/pt-br/tv-iraniana-censura-jogo-da-bundesliga-por-árbitra-ser-mulher/a-47556534

– Marinho e a consciência coletiva

Muitos tratam o jogador Marinho, do Santos FC, com ironia e desdém, devido as brincadeiras e memes surgidos de suas falas. Mas repare que são simples brincadeiras, sem maldade ou prejuízo para alguém. Folclore de um cara espirituoso!

Entretanto, Marinho tem falado ultimamente de cidadania, respeito, combate à discriminação e inclusão. Inclusive, disse no programa “Bem Amigos” da Sportv sobre o ativismo de atletas importantes como Lebron James ou Louis Hamilton:

“Quando o Hamilton faz isso, o Lebron faz isso lá nos EUA, eles têm muito respeito. Se no Brasil você vai fazer é muito mimimi, ‘Nutella’, isso e aquilo. Mas eu vou defender a bandeira porque muita gente passa por isso e não tem voz ativa. Não ligo para o que vão falar de mim. O importante é eu saber, olhar para o próximo, pessoas que passam por isso diariamente, sofrem com isso nos empregos e não podem falar, senão vão ser mandadas embora.”

É isso mesmo: ter empatia faz a diferença na dignidade de alguém. Parabéns, Marinho!

– Garota de 14 anos Ameaçada de Morte por querer… Estudar!

Aparece no meu Feed essa publicação que tem 8 anos, mas acho importante o repost dela: sobre Malala, a menina que se tornou símbolo da luta pelo direito das meninas poderem estudar! Para mim, de maior significância do que a garota Greta, que tem sido manchete em defesa do clima mas parece ter sido uma adolescente usada politicamente.

Abaixo:

MALALA YOUSUFZAI SERÁ UM SÍMBOLO?

Por mais que reclamemos das condições e acesso do Ensino no Brasil, ainda assim vivemos em condição privilegiada, se compararmos com alguns países.

No Paquistão, por exemplo, uma menina de 14 anos que criou um blog para defender o Acesso Universal das Mulheres nos Estudos foi baleada e continua sendo ameaçada de morte pelos Talebãs. Para eles, mulher ir para a escola é, acima de um crime, pecado!

Triste conduta de fanáticos terroristas…

Extraído de: http://is.gd/GWKpyg

MENINA PAQUISTANESA BALEADA PELO TALIBÃ ERA AMEAÇADA HÁ ANOS

A estudante paquistanesa de 14 anos baleada pelo Talibã desafiou ameaças contra ela durante anos, acreditando que o trabalho que fazia pela comunidade era a melhor proteção, afirmou o pai da jovem nesta quarta-feira. Malala Yousufzai foi baleada e ferida com gravidade na terça-feira, enquanto saía da escola em sua cidade natal no vale do Swat, a noroeste da capital Islamabad.

O Talibã reivindicou a responsabilidade pelo ataque, dizendo que a campanha da menina pela educação de moças era pró-ocidental. O ataque provocou a indignação da população em um país aparentemente acostumado com a extrema violência desde o aumento na militância islâmica após os ataques de 11 de setembro de 2001 contra os Estados Unidos.

“Ela é uma vela de paz que eles tentaram apagar”, disse o paquistanês Abdul Majid Mehsud, 45 anos, a respeito da violência que afligiu a região do Waziristão do Sul.

No vale do Swat, que já foi uma lugar turístico mas acabou infiltrado por militantes vindos de bases na fronteira afegã há mais de cinco anos, a família da menina e a comunidade local rezam para que ela sobreviva. O pai da menina, Ziauddin Yousufzai, que dirigia uma escola de meninas, afirmou que a filha queria entrar para a política. Ele disse que, de todas as coisas que ele ama nela, o que mais gosta nela são os ideais democráticos e de justiça da filha.

Histórico de ameaças

Malala ficou famosa aos 11 anos, quando escreveu um blog sob um nome falso para a BBC sobre como era viver sob o governo do Talibã paquistanês. Os militantes, liderados por um jovem pregador radical do Talibã, tomaram o vale por meio de uma mistura de violência, intimidação e com o fracasso das autoridades em fazer frente.

Mesmo depois que os militares finalmente agiram, com uma ofensiva em 2009 que expulsou a maioria dos militantes do vale, o local permaneceu sendo perigoso. Malala não se calou. Ela fez campanha pela educação de meninas e depois recebeu a mais alta condecoração civil do Paquistão. A proeminência dela teve um custo.

“Estávamos sendo ameaçados. Algumas vezes, cartas eram jogadas em nossa casa, dizendo que Malala deveria parar de fazer o que fazia ou o resultado seria muito ruim”, disse o pai dela. Nesta quarta-feira, médicos paquistaneses retiraram uma bala alojada no corpo da menina, que continuava em estado crítico. Duas outras meninas também ficaram feridas.

– A língua neutra e o exagero do argumento defendido

Ganhou muita repercussão nos últimos dias a questão da “linguagem neutra”, procurando modificar o “português sexista”. Seria um exagero do Politicamente Correto?

É sabido que não cabe mais nenhuma forma de discriminação sexual ou questão de gênero no mundo. A opção sexual é de questão particular de cada indivíduo, respeitando-se cada pessoa.

Porém, existem alguns defensores da causa LGTBQ+ que insistem na necessidade de criar vocábulos inclusivos na Língua Portuguesa, como o “x” ao final das palavras. Por exemplo: ao invés de dizer que “todos os homens e mulheres têm direitos iguais”, usar-se-ia o “todxs têm direitos iguais”. Antes, quando escrevíamos alguma coisa para chamar a atenção de gêneros masculino e feminino, citávamos “todos (as)”.

Agora, surgiu um vídeo (no link abaixo) criando praticamente outra língua: “ele” ou “ela” viram “ile”, igualmente “daquele” ou “daquela” viram “daquile” e outras tantas variações para indicar “neutralidade de gênero”.

Cá entre nós: quem inventou isso, não ajudou em nada a causa gay, mas fez com esse exagero que chacotas fossem criadas desnecessariamente.

Para um homem ou mulher hetero ou homo serem dignamente tratados, não é necessário mudar a língua falada com tantas invencionices. É só ter respeito.

Em: https://www.youtube.com/watch?v=vcVX1EXNSwc

– Magazine Luiza e as vagas para trainees negros: nada de racismo reverso, amigos!

Queridos leitores, me sinto a vontade para escrever este post de tema tão polêmico por ser um defensor costumeiro da meritocracia em todos os setores. E o assunto em questão (a abertura de vagas exclusivas para pessoas de cor negra para trainees na Magalu) é o que “bombou” nos últimos dias.

Leio gente boa escrevendo sobre racismo reverso (e me surpreendo com isso, não tem nada a ver com esse caso). Outros, de privilégios desmedidos à uma minoria (também discordo). Por fim, uso da ação de contratação como marketing (e qual seria o problema?).

A empresa é privada e deseja contratar funcionários de uma maioria populacional (afinal, o Brasil, país mestiço, tem segundo o IBGE uma quantidade levemente maior de negros do que de brancos). O negro torna-se minoria na questão educacional e em outros índices sociais. Contratar essa parcela fora do mercado de trabalho é inclusão social (e se for usado como publicidade, não tem problema nenhum, pois é uma ação positiva).

Talvez, se não existisse uma grande quantidade de desempregados no país, muitas pessoas não dariam nem bola para o fato. Parece-me queixas de concorrência de candidatos.

O único questionamento pode ser: em condições normais de trabalho, o Magazine Luiza não contrataria negros com exclusividade?

Por fim: contratar negros foi uma ação louvável. É esperado que em outras situações, contrate-se também outros desempregados com dificuldade em entrar no mercado de trabalho, como, por exemplo, pessoas em condições de vulnerabilidades / miséria / moradores de ruas para cargos que possibilitem sua inclusão.

– #RacismNO! Força, PC.

O amigo Paulo César de Oliveira foi vítima de racismo, só porquê um indivíduo discordou da sua opinião sobre um lance de pênalti no Fluminense x Corinthians.

O mundo está intolerante desse jeito? Por causa de uma avaliação de futebol, o sujeito acha que pode inferiorizar o seu semelhante chamando-o de macaco?

Força, Paulo César de Oliveira – você é maior do que isso. Xô, racismo.

– O preço da fama: Neymar não pode ser uma vítima? Assustador…

Ganhar “fama” é algo complicado em qualquer setor da sociedade. Veja a situação de Neymar Jr:

Antes, ele tinha a fama de driblador e muitos jogadores tentavam parar ele cometendo faltas. Aí, começou a pular delas (para fugir da pancada e algumas vezes para simular) e a fama mudou para “cai-cai”. Tentou corrigir isso, mas como tinha ganho esse rótulo, até quando apanhava de verdade em campo, muitas faltas não eram marcadas. Na dúvida, o árbitro lembrava “da fama”.

Depois veio a fase da fama de “irresponsável”. Mesmo treinando e sendo pontual em seu clube na rotina diária, a cada foto em balada ele era criticado. Mas aí veio a história de estar machucado e pulando carnaval, Anitta, festas e… a fama aumentou.

Quando uma moça tentou extorquir dinheiro dele em Paris (assim entendeu a Justiça), muita gente cravou que Neymar era agressor de mulher! Foi o preço da fama…

Agora, fico impressionado com o episódio envolvendo Álvaro González, que é acusado de prática racista contra ele (vide em: https://wp.me/p4RTuC-rte), onde surgem teorias de que “como não apareceram imagens da fala, poderia ser jogada de marketing”.

Caramba, mesmo se ele for vítima, a primeira impressão é a de culpa? É o preço da fama?

Lógico, deve-se tomar cuidado em não acusar injustamente o espanhol, mas diante disso acusar preliminarmente o brasileiro, é uma sacanagem! 

Sabe qual o problema de Neymar hoje? A fama de “estourado”. Todo mundo quer provocar ele. Se em seu lugar a vítima de racismo fosse Gabriel Jesus, Rodrygo ou outro jovem bem comportado, ninguém estaria comentando com dúvidas.

Em tempo: o racismo é algo a ser abolido da humanidade, urgentemente. 

– Acredite: o VAR não poderia interferir no caso do racismo sofrido por Neymar

Álvaro González, zagueiro espanhol do Olympique, no jogo contra o PSG, supostamente ofendeu o brasileiro Neymar com o ato racista de chamá-lo de Macaco “Filho da Puta”. O árbitro não viu e nada fez. No final do jogo, Neymar perdeu a cabeça, o agrediu e foi expulso.

Mas e o VAR?

Acredite: o árbitro de vídeo não pode interferir em questões de ÁUDIO! Somente nas de imagem. Portanto, caso o VAR tenha visto, ele não pode interferir pelo protocolo oficial.

Fora essa explicação, é insuportável ver (caso se confirme) mais uma manifestação racista).

– Convivência Sadia e Necessária. Viva a Tolerância!

Todos nós temos virtudes e fraquezas.

Todos nós somos iguais em respeito, mas diferentes quanto a opiniões.

Todos nós temos (ou não) um partido, uma religião, um time de futebol, uma preferência ou gosto diferente.

E principalmente, todos nós vivemos e dependemos de um mesmo planeta.

Por quê não respeitar a diferença do próximo?

Há aqueles que não conseguem viver ao lado do seu semelhante justamente por ter uma opinião política ou um comportamento diferente. Pra quê?

Somos todos humanos. Iguais e diferentes ao mesmo tempo. Assim, reflitamos tal verdade!

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Imagem extraída da Web, autoria desconhecida.

– Benedetti sobre Marinho: vale um pedido de desculpas, não?

Rapaz, que infelicidade do comentarista Fabio Benedetti, da Rádio Energia FM (97,7). Ele foi deselegante e usou termos que deveria-se evitar a um jogador negro, como fez com Marinho, na derrota do Santos para a Ponte Preta.

A revolta de Marinho foi de arrepiar. E convida à nossa reflexão: que mundo pilhado, não?

Compartilho, extraído do GloboEsporte.com (link com vídeo): https://globoesporte.globo.com/sp/santos-e-regiao/futebol/times/santos/noticia/noticias-santos-marinho-racismo.ghtml

CNTTL e FESTTT apoiam Condutores do Vale do Paraíba e repudiam ...

Atualizando: a Rádio Energia se manifestou, abaixo: 

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– Sobre a campanha da Natura com Thammy Miranda, um pai transgênero.

Thammy Miranda está no noticiário, juntamente com a Natura pela propaganda do Dia dos Pais da marca de cosméticos. Vamos fazer algumas consideracões sobre esse delicadíssimo tema?

Para não ficar arestas no entendimento: Thammy era conhecida pela alcunha artística de “Thammy Gretchen”, filha da conhecida cantora do “Melô do Piripiri”. Ela estampou algumas capas de revistas masculinas, como a Sexy.

Anos atrás, Thammy revelou que era lésbica, o que revoltou sua mãe Gretchen e sua tia, a cantora Sula Miranda – e trouxe surpresa para seus admiradores. Mais tarde, se descobriu transgênero e resolveu fazer a mudança de sexo, adotando seu nome e sobrenome de nascimento (Thammy Miranda). Hoje, Gretchen e Thammy vivem uma boa relação, incluindo a esposa da mesma e o filho desta relação.

Aí que surge a polêmica atual: Thammy Miranda e esposa tiveram um bebê, e a Natura resolveu fazer sua propaganda do Dia dos Pais homenageando os mesmos com… Thammy, um pai transgênero, ao lado do seu filho Bento.

É óbvio que o departamento de marketing desejou a repercussão sobre a escolha de um “pai não convencional aos padrões” do que um pai heterossexual (ou, como li numa postagem de Rede Social, um pai “homem de verdade”). Empresas deste porte calculam muito bem quanto vale uma ação promocional inclusiva (mesmo que tenha gente contrária) versus aumento / queda nas vendas, rejeição na mídia e aumento do valor de imagem.

Não pensemos que uma organização (comércio ou indústria) queira apenas o “ser politicamente correto” e abra mão das vendas. Sem lucro, retorno ou divulgação da marca, nada adianta. É falácia achar que ela, Natura, está preocupada com as campanhas de boicote, pois previu o retorno que tem sido positivo. Prova disso é que as ações da Natura subiram somente num dia 6,73% com esta campanha dos Dias do Pais (a maior alta da Ibovespa).

Resumindo: ao apostar num tipo de pai que representa a minoria (é uma questão de lógica: a maior parte dos pais são homens heterossexuais, não pais transgêneros ou gays), a Natura desagradou muita gente. Mas ganhou dinheiro e valor de mercado com tal atitude.

Agora, sobre “gostar ou não da campanha”, aí é questão de foro íntimo de cada um. Compre ou não da Natura, é um direito seu. Não condeno quem se desagradou com ela, pois é algo intrínseco de cada um. Idem a quem gostou.

– Relembrando os 3 passos para o protocolo FIFA contra a Discriminação no Futebol!

Desde 15 de julho de 2019, a FIFA ampliou como norma mundial um procedimento em 3 etapas que adotou como “Protocolo contra a Discriminação”. Entenda isso com os exemplos de: Imitar Macaco / Jogar Banana (Racismo), Gritar “Bicha” / “Puto” no Tiro de Meta (Homofobia), Fazer gestos sexistas (ironizar uma atleta / oficial de arbitragem por ser mulher), cantar música que possa fazer alusão a jingles políticos ou gestos (cantos neonazistas) e ou manifestação religiosa preconceituosa (atos anti-semitas).

Se isso acontecer, 3 passos a serem providenciados pela arbitragem:

  1. Interromper o jogo, com o sistema de som e imagens do estádio advertindo a conduta. Se possível, identificar quem iniciou. Reiniciar em seguida.
  2. Interromper o jogo novamente por minutos, com a permissão de que se crie um intervalo e os atletas possam deixar o campo, ir aos vestiários e voltarem com tudo controlado / mais calmo. Somente aí o jogo é reiniciado.
  3. Interromper o jogo, anunciar o motivo que será comunicado pelo árbitro às pessoas responsáveis pela informação aos torcedores e encerrar definidamente a partida.

Claro que tudo isso depende de qual ato e como tem sido feito. Mas é uma forma de advertir em 3 momentos uma torcida que não se comporta bem para o clube não perder os pontos do jogo por conta da conduta discriminatória dos seus aficcionados. 

Reforçando: isso já valia para jogos FIFA desde 2017, mas desde o dia 15 passou a valer mundialmente em qualquer tipo de jogo, de Copa do Mundo até a 4a divisão regional.

Na imagem abaixo, o quadro que relata os 61 casos de discriminação oficialmente contabilizados no futebol brasileiro em 2017:

Resultado de imagem para discriminação ao futebol

– A aceitação de um árbitro assumidamente gay no futebol brasileiro masculino: o caso Max Sousa

Li a publicação sobre esse delicado assunto no site ApitoNacional, e vi que o tema, originalmente publicado na página Brazilian Times, merecia uma abordagem opinativa. Vamos lá:

Max Sousa (homônimo do cantor de sertanejo universitário da grudenta “O Amor Vai Triunfar”), um estudante de Educação Física e modelo, é homossexual assumido e casado com o prefeito da cidade de Lins (Edgar de Souza – PSDB/SP). Ele quer ser árbitro da FPF e a matéria fala sobre seu desejo de levantar o fim do preconceito no futebol masculino.

Porém, diferente do que a matéria do site Brazilian Times trouxe abaixo (de que há décadas os “gays assumidos” apitam), o homossexualismo no futebol masculino, especialmente no Brasil, é um tabu! Nem jogadores e tampouco árbitros se assumiram LGBTs durante a carreira ou entrando nela. Jorge Emiliano, o “1o Margarida”, um dos poucos no RJ. Roberto Nunes Morgado e Armando Marques eram outros “marcados” e nunca falaram abertamente sobre isso. E, por fim: qual árbitro ou jogador da Série A do Brasileirão você sabe que é assumidamente homossexual?

No futebol feminino, é sabido que algumas árbitras e muitas jogadoras não escondem isso (e tal fato não se deve ter relevância na competência ou dignidade delas – se são lésbicas ou bissexuais é problema delas). No masculino, existe o preconceito.

Sabemos que a FIFA e alguns clubes fazem campanha para a inclusão (existe o protocolo contra o preconceito que paralisa as partidas em manifestações homofóbicas, racistas e de outras naturezas preconceituosas). Mas a aceitação social, racionalmente falando, é lenta.

Numa sociedade ideal, questões sobre preferência sexual estariam num segundo plano, pois a cidadania faria que o respeito fosse natural. Enfim, boa sorte ao jovem árbitro neste desafio e que sua condição não seja empecilho (por discriminação) e nem privilégio (por uso de marketing dos organizadores de torneios) para as futuras escalas. Que vença na carreira por competência.

Abaixo, extraído de: https://www.braziliantimes.com/esportes/2020/06/22/arbitro-gay-marido-de-prefeito-paulista-max-sousa-treina-para-entrar-na-escola-de-arbitros-na-fpf.html

ÁRBITRO GAY: MARIDO DE PREFEITO PAULISTA, MAX SOUSA, TREINA PATA ENTRAR NA ESCOLA DE ÁRBITROS NA FPF

A presença de homossexuais assumidos apitando jogos de futebol já acontece há muitas décadas e os relatos de preconceito contra esses profissionais não é mais empecilho para Max Souza seguir um sonho antigo: entrar para escola de árbitros na Federação Paulista de Futebol. “Eu já deixei de correr atrás de mais informações sobre como fazer o curso porque ficava abalado com alguns comentários sobre árbitros gays, mas isso já não me atinge mais”, declarou.

Estudante de Educação Física e casado com o prefeito de Lins (SP), Edgar de Souza, Max vê uma nova oportunidade de profissão, além de atuar como modelo. “Agora é um bom momento para eu correr atrás dos meus sonhos, eu sempre admirei aqueles que entram em campo para ser justo com os times, agora eu quero ser essa pessoa”.

Max disse que perdeu o último edital de inscrição que aconteceu em agosto do ano passado para a turma de 2020, e agora está de olho nos comunicados da FPF para entrar na próxima turma. “Acredito que a minha entrada como árbitro pode ajudar a acabar com o preconceito dentro do futebol. Homofobia ainda é um problema, mas as coisas estão melhorando o tempo todo”, disse.

(Fotos: Divulgação | CO Assessoria)

– Que pisada na bola, Homem Elástico. Tuítes racistas?

Triste. Hartley Sawyer, o ator da série THE FLASH, da DC Comics, e que interpreta Ralf Dibny (o herói desajustado Homem Elástico), foi demitido da série pela descoberta de publicações antigas de cunho racista e sexista

Diante de tudo isso, Sawyer disse que eram apenas piadas…

Lamentável. Algumas delas:

A matéria completa em: https://observatoriodocinema.uol.com.br/series-e-tv/2020/06/estes-são-os-tuites-nojentos-que-fizeram-ator-de-the-flash-ser-demitido

 

– Haverá preconceito (ou já há) por se aproximar de quem teve Covid-19?

Perguntas para se fazer brevemente:

Quem está imunizado, tem que usar máscara para evitar o preconceito? Refletindo sobre tal situação, se você não transmite mais o novo coronavírus não teria o porquê das máscaras. Apenas deve-se usá-la para tranquilizar a pessoa do lado.

– Há medo de se aproximar de quem já teve Covid-19? Não deveria se ter… Teremos que ter cuidado para não confundir as coisas: uma pessoa curada é a mesma pessoa de sempre.

– Quem sofreu com a recuperação, teve todo o apoio psicológico para estar reintegrado na sociedade?

A grande preocupação, e que não podemos deixar de pensar é: haverá por algum tempo PRECONCEITO sobre quem foi exposto ao Novo Coronavírus?

– A questão racial dos EUA é diferente da do Brasil, embora o problema do racismo exista nos dois países!

Gostei muito do post do blog Dricaribas – Uma observadora do cotidiano, a respeito das diferenças do Racismo nos EUA e no Brasil, a partir da visão de quem viveu nos dois países e pelo aspecto social e cultural dessas nações.

O Racismo é entendido e praticado diferente nos EUA. Não que ele inexista em nosso país, mas a abordagem de como ele é, diverge.

Vale a pena tal leitura!

Abaixo, extraído de: https://dricaribas.com/2020/06/04/racismo-nos-estados-unidos-um-problema-longe-de-ser-resolvido/

RACISMO NOS EUA: UM PROBLEMA LONGE DE SER RESOLVIDO

por Adriana Ribasmayer

Os europeus observam a situação de protestos nos Estados Unidos, com muita preocupação desde da morte de George Floyd. Desde de então, milhares de pessoas saem às ruas para protestar, as vezes de forma pacífica, outras vezes com direito a tumulto e quebradeira.

A questão racial no Estados Unidos é bem complexa. Já não é o primeiro caso, com o excesso de força de policiais brancos contra a população afro-americana. Um caso bem conhecido aconteceu em 1992, quando quatro policiais brancos foram declarados inocentes após a agressão contra o afro-americano Rodney King. Toda a ação foi filmada. Depois de seis dias de protestos violentos, o Corpo de Fuzileiros Navais junto com a Guarda Nacional foram chamados para acalmar a situação.

Desde então, outras situações violentas aconteceram e foram devidamente filmadas, especialmente em tempos de celulares inteligentes, os smartphones. George Floyd foi filmado sendo morto por asfixia pelos policiais. Esses já foram colocados em presídios de segurança máxima.

Além da indignação justa pela morte de Floyd, aliou-se a insatisfação com a crise econômica. Até agora, por conta da pandemia da Covid19, mais de 40 milhões de pessoas estão desempregadas. Boa parte delas são justamente de afro-americanos.

Se por um lado, governadores apoiam os protestos, por outro ficam sem ação ao pedir à população que permaneçam em casa, justamente para evitar a propagação do vírus. Os Estados Unidos está em primeiro lugar, seja em número de infectados, com mais de um milhão e meio de infectados e com mais de cem mil mortos, dados da Universidade de John Hopkins. As autoridades norte-americanas alertam que número de casos podem aumentar consideravelmente devido aos protestos. E mais uma vez, a população afro-americana é a maior afetada.

Por outro, o Presidente Donald Trump também não contribui para a uma possível pacificação dos protestos. Pelo contrário, Trump pretende colocar os militares nas ruas para conter os mesmos. Em tempos de campanha eleitoral, isso pode ser uma verdadeira bomba atômica e dividir ainda mais, uma sociedade racialmente dividida.

Sim, essa é principal diferença entre o Brasil e os Estados Unidos. Aí a sociedade é racialmente divida. O DricaRibas viveu em Washington entre 1995 e 1997 e observou isso. Mesmo com o primeiro Presidente Barack Obama, esse quadro não alterou. Na leitura DricaRibas, esse processo será longo e haverá a necessidade de um longo e dolorido diálogo entre ambas partes, além de uma política de integração da população afro-americana. Infelizmente, os atores políticos aí não dão esse sinal.

No caso do Brasil, a questão do racismo funciona diferente. Não há como classificar como melhor ou pior. Somos uma sociedade mestiça, se comparada com a norte-americana, mas isso não significa que a população afro-brasileira esteja em melhores condições. Mesmo após a abolição da escravatura, em 1888, não houve nenhuma política de inserção da população afro-brasileira.

No último fim de semana houveram protestos no Rio de Janeiro pela morte do menino João Pedro Mattos. João morreu depois de uma ação da polícia em São Gonçalo, no último dia 19 de maio. Importante que a polícia seja questionada, mas ao mesmo tempo, que os casos de Covid19 estejam foram de controle.

Por fim, para concluir esse post, no caso do Brasil, a questão de integração da população afro-brasileira deve ser levada a sério e com propostas concretas. Não pode ser instrumentalizada por um setor da esquerda que pretende usar a pauta, para dividir ainda mais uma sociedade já rachada. Verdade também que o governo Bolsonaro não ajuda em nada nesse sentido, muito pelo contrário só coloca lenha na fogueira.

Fonte: Número de infectados pela Covid19 da Univerdade John Hopkins nos Estados Unidos. Esse site também coloca a disposição o número de infectados no Brasil: http://www.jhu.edu.com

Nike se posiciona contra o racismo após assassinato de George ...

– A crueldade cometida por Derek Chauvin contra George Floyd: é “só” Racismo? Claro que não…

Que loucura o que aconteceu em Mineápolis, EUA! George Floyd, um negro, foi morto por Derek Chauvin, um policial branco que nas cenas gravadas o asfixiou mesmo quando imobilizado e implorando para respirar.

Racismo, despreparo do policial, falta de sensibilidade e desumanidade. Tudo junto nesse episódio!

Entenda, extraído de: https://glo.bo/2Xfz7gA

NÃO CONSIGO RESPIRAR

“O racismo não está piorando, só está sendo gravado agora.”

Com essas palavras o ator americano Will Smith explicou anos atrás como as câmeras de celulares estavam permitindo gravar a violência policial contra negros nos Estados Unidos.

Isso voltou a acontecer na segunda-feira passada, e pela terceira noite consecutiva, a cidade de Minneapolis, no noroeste dos EUA, voltou a ser tomada por protestos e confrontos violentos com a polícia por causa da morte de George Floyd, um cidadão negro de 46 anos.

O QUE ACONTECEU?

Darnella Frazier, que passava pela rua, sacou seu celular enquanto assistia horrorizada à cena em que Floyd, no chão de uma rua, algemado e desarmado, fica inconsciente sob a pressão do joelho de um dos policiais brancos que o haviam detido.

Ao que parece, pouco antes, Floyd, que trabalhava como segurança em um restaurante, tentou fazer uma compra com uma cédula falsa de US$ 20.

“Todos temos os nossos defeitos. Todos cometemos erros. Ninguém é perfeito.”

“A forma como ele morreu é cruel”, disse a mãe de sua filha de 6 anos, Roxie Washington, ao jornal Houston Chronicle. “Eles o roubaram da minha filha.”

Nascido em Houston, George Floyd se dedicou em sua cidade natal ao basquete e ao futebol. Ele também atuou na cena local de hip-hop, onde era relativamente conhecido.

Mas quando se mudou para Minneapolis começou uma nova vida como segurança do restaurante latino-americano Conga Latin Bistro, no centro da cidade.

FORTE, MAS ‘SUPER DOCE’

O segurança ganhou rapidamente o apelido dos colegas de “Big Floyd” (Grande Floyd).

“Era alto e musculoso”, descreve um colega de trabalho, Vernon Sawyerr. “Era simplesmente amável. Quando nos deparamos com alguém desse tamanho, pode parecer imponente, mas era super doce.”

Em 2017 e 2018, Floyd havia sido segurança particular de um abrigo de emergência para pessoas sem teto ligado à organização beneficente Exército da Salvação, em Minneapolis. “Que trágico e triste é isso tudo”, afirmou Brian Molohon, diretor-executivo da entidade.

“Para trabalhar em um abrigo de emergência é preciso ser um tipo especial de pessoa. É realmente muito difícil ver essa angústia todos os dias”, disse Molohon. “Não tenho dúvidas de que George, como muitos outros trabalhadores de abrigos na nossa comunidade, tinha um coração que se preocupava com as pessoas e nossa comunidade.”

A ex-estrela da NBA Stephen Jackson publicou em seu perfil no Instagram o lamento de ter perdido alguém que considerava um irmão. Ambos eram muito próximos e se apelidaram de “gêmeos”.

“Me enfurece tanto que, depois de todas as coisas pelas quais você passou e se comportou da melhor maneira possível, eles o levaram dessa maneira”, escreveu o ex-jogador de basquete.

No vídeo de 10 minutos, Derek Chauvin, policial branco de 44 anos que imobiliza Floyd, ignora as reclamações tanto do detido quanto das testemunhas sobre sua violência extrema.

Seu colega de patrulha, o corpulento Tou Thao, observa a cena impassível e trata de obstruir a visão das pessoas que transitam pela rua. Os dois policiais foram demitidos.

Darnella Frazier decidiu publicar seu vídeo nas redes sociais e as ruas de Minneapolis viraram palco de uma onda de protestos que se espalhou pelos Estados Unidos.

As palavras “Eu não consigo respirar”, que Floyd repetia ao policial que o mantinha imobilizado no chão, se multiplicaram em cartazes e camisetas de manifestantes em protestos em Minneapolis como um lema contra a violência policial no tratamento a negros nos EUA.

FICHA CORRIDA DO POLICIAL DEREK CHAUVIN

Esta não foi a primeira vez que o policial Derek Chauvin se envolve em episódios violentos, segundo registros do departamento de polícia.

Segundo a agência de notícias Associated Press, ao longo de 19 anos de carreira, Chauvin foi alvo de quase 20 queixas formais e duas cartas de reprimenda. A maioria foi arquivada.

Em 2006, ele foi um dos seis policiais que dispararam contra Wayne Reyes, que segundo os agentes apontou uma escopeta de cano serrado para eles depois de esfaquear duas pessoas. O júri decidiu que o uso da força havia sido justificado contra Reyes, de ascendência indígena.

Dois anos depois, Chauvin atirou duas vezes contra um homem negro depois que o policial e seu parceiro atenderam a uma denúncia de violência doméstica.

Os agentes afirmaram que Ira Latrell Toles tentou pegar a arma de Chauvin, e, na por isso foi atingido. Por outro lado, Toles afirmou ao site Daily Beast que foi agredido por Chauvin mesmo sem ter reagido à ação policial.

De ascendência asiática, Tou Thao, dupla de Chauvin que estava presente no momento em que George Floyd morreu sufocado, também já havia respondido a queixas por atos violentos.

Em 2014, um homem negro, Lamar Ferguson, denunciou Thao e outro agente sob acusação de ter sido agredido sem motivo enquanto caminhava em direção à casa de sua namorada. Três anos depois, foi firmado um acordo de US$ 25 mil para encerrar o caso.

– Abolição da Escravatura: E aí?

Hoje se recorda a Abolição da Escravatura do Brasil. Mas muitas teorias absurdas de pseudo-intelectuais ainda ganhavam coro na Europa, como a do iluminista escocês David Hume, que no longíquo 1770 dizia:

Que negros sejam naturalmente inferiores aos brancos”.

Idiotice da época. A cor da pele nada faz para que se mude a dignidade das pessoas. Mundo afora tivemos racismos históricos. A escravidão no Brasil é exemplo clássico.

Porém, em 13 de maio de 1888 a Princesa Isabel aboliu a escravatura. Foi a salvação para os negros?

Nada disso. Foi uma demagoga lei. No dia 12, eles dormiam em Senzalas e se alimentavam muito mal. No dia 13, foram livres e ficaram sem casa e sem comida.

Claro, o acerto foi a proibição da exploração. O grande erro foi a falta de assistencialismo da Lei, que deixou os pobres escravos ao Deus-dará.

Fica a histórica indagação: a Princesa Isabel bobeou e não pensou no futuro dos ex-escravos, ou simplesmente fez politicagem para ganhar os louros da fama?

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