Os domingos posteriores a Festa da Páscoa são conhecidos como “Domingo da Misericórdia”; dia de perdão, caridade e serviço. A data foi instituída pelo saudoso Papa João Paulo II, hoje santo da Igreja Católica.
Cá com meus botões: o mundo não seria diferente se todos os dias tivéssemos esse propósito?
Está desanimado? Dias atrás, numa das leituras da Missa, ouviu-se uma Palavra confortante sobre “confiar em Deus em meio ao sofrimento”. Leia abaixo, é de Isaías, Capítulo 50, 4-9a:
“4O Senhor Deus deu-me língua adestrada, para que eu saiba dizer palavras de conforto à pessoa abatida; ele me desperta cada manhã e me excita o ouvido, para prestar atenção como um discípulo. 5O Senhor abriu-me os ouvidos; não lhe resisti nem voltei atrás. 6Ofereci as costas para me baterem e as faces para me arrancarem a barba: não desviei o rosto de bofetões e cusparadas. 7Mas o Senhor Deus é o meu Auxiliador, por isso não me deixei abater o ânimo, conservei o rosto impassível como pedra, porque sei que não sairei humilhado. 8A meu lado está quem me justifica; alguém me fará objeções? Vejamos. Quem é meu adversário? Aproxime-se. 9aSim, o Senhor Deus é meu Auxiliador;quem é que me vai condenar?”
Pois é: se Deus está comigo, quem poderá ser contra mim? Se Ele está conosco, quem poderá ser maior que nós na batalha espiritual?
Imagem de Nossa Senhora das Dores da catedral Nossa Senhora do Desterro, Jundiaí/SP. Autoria Pessoal.
Gosto muito quando as igrejas não “competem entre si” e deixam as diferenças de lado para irmanarem-se no que tem em comum. Isso é Ecumenismo, crer e agir no que têm de iguais, respeitando-se no que se têm de diferente.
Digo isso pois em Outubro de 2017 se lembrará dos 500 anos da Reforma Protestante de Martinho Lutero, a tanto o Protestantismo quanto o Catolicismo buscarão se unir nas reflexões e orações, ambos suscitados pelo Espírito Santo. O próprio Papa Francisco participou dessas orações em conjunto.
Compartilho um maravilhoso artigo do Bispo da Diocese de Jundiaí, Dom Vicente Costa, sobre Divergências e Concordâncias. Abaixo, extraído do Jornal “O Verbo”:
DO CONFLITO À COMUNHÃO
“Que todos sejam um, como tu, Pai, estás em mim, e eu em ti. Que eles estejam em nós, a fim de que o mundo creia que tu me enviaste”
(Jo 17,21).
Prezados irmãos da Igreja de Deus que se faz presente na Diocese de Jundiaí:
Na história da Igreja Católica sempre houve divergências, conflitos, tensões; alguns muito sérios que causaram rupturas profundas no seio da Igreja. Nem sempre, nós, cristãos vivemos os apelos que o Senhor Jesus fez aos seus discípulos na Última Ceia: “Que todos sejam um” (Jo 17,21). A primeira grande ruptura aconteceu no Oriente, quando, em 1054, formalizou-se a separação entre Roma e Constantinopla devido a tensões políticas e teológicas. A segunda grande ruptura aconteceu no Ocidente, quando Martinho Lutero afixou, em 31 de outubro de 1517, as 95 teses na porta da Igreja do Castelo de Wittenberg, na Alemanha. Este gesto de Lutero marcou o início da Reforma. Infelizmente, as primeiras reações às propostas de Lutero não foram nada amistosas. De ambas as partes, não houve possibilidade de acordo e o conflito foi se tornando cada vez mais tenso. Causas de natureza política, além de causas culturais, provenientes de uma nova visão de mundo, fruto do pensamento de separar a razão e a fé, contribuíram para acerbar o conflito. Nos anos seguintes, a Reforma ocasionou o surgimento de muitas igrejas cristãs evangélicas de diversas origens e convicções em matéria de doutrina e na prática da vida cristã, fenômeno este que vem aumentando muito, no Brasil, nos últimos anos.
Após séculos de incompreensão, posições fixas, preconceitos, profundas divergências, e até o recurso a meios violentos, o Espírito Santo suscitou na Igreja de Jesus Cristo um movimento ecumênico que procurou estabelecer o diálogo e o mútuo entendimento entre as Igrejas Cristãs.
A resposta da Igreja Católica ao movimento ecumênico iniciou-se no ano de 1960, quando São João XXIII criou o Secretariado para a Unidade dos Cristãos. Logo após, com a abertura da Igreja Católica aos novos sinais dos tempos e com a realização do Concílio Ecumênico Vaticano II (1962-1965), as barreiras da separação foram sendo superadas, e admitindo, inclusive, a contribuição do testemunho dos irmãos separados na evangelização.
Dentro deste espírito ecumênico e com o objetivo de comemorar os 500 anos da Reforma Luterana, o Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos e a Federação Luterana Mundial publicaram um subsídio muito importante com o título: Do conflito à comunhão. Comemoração conjunta Católica-Luterana da Reforma em 2017 (Editora Sinodal e Edições CNBB). É a primeira tentativa histórica no âmbito ecumênico de descrever a história da Reforma conjuntamente; de analisar, com serenidade, realismo e espírito crítico os argumentos teológicos que estavam em jogo; de identificar a convergência alcançada entre ambas as partes e as diferenças ainda persistentes, como também apontar alguns caminhos na busca da comunhão. Neste sentido, reconhecendo que no Batismo somos todos irmãos em Cristo Jesus e que a unidade do Corpo de Cristo exige de todos nós oração e uma contínua conversão do coração, católicos e luteranos oferecem “cinco imperativos ecumênicos” na busca desta comunhão: (1) Reforçar o que existe de comum e não aquilo que nos divide; (2) O testemunho mútuo da fé; (3) O compromisso na busca da unidade visível; (4) Redescobrir a força do Evangelho de Jesus Cristo para o nosso tempo; (5) Testemunhar juntos a graça de Deus.
O Papa Francisco tem sempre incentivado o diálogo ecumênico com as Igrejas Cristãs. Particularmente, em relação aos luteranos, entre os dias 31 de outubro e 1º de novembro do ano passado, realizou uma viagem apostólica à Suécia por ocasião da comemoração comum luterano-católica da Reforma. Na oração ecumênica na Catedral Luterana de Lund, ele afirmou: “Também nós devemos olhar, com amor e honestidade, para o nosso passado e reconhecer o erro e pedir perdão, só Deus é o juiz”. E concluiu: “Nós, luteranos e católicos, rezamos juntos nesta Catedral e estamos conscientes de que, sem Deus, nada podemos fazer; pedimos o seu auxílio para sermos membros vivos unidos a Ele, sempre carecidos da sua graça para podermos levar, juntos, a sua Palavra ao mundo, que tem necessidade da sua ternura e misericórdia” (31 de outubro de 2016).
Queridos irmãos diocesanos: acreditemos na força do movimento ecumênico capaz de suscitar em nós um processo de purificação da memória do passado para superarmos as divisões ocorridas na história do Cristianismo. Também a Igreja Católica precisa reconhecer que necessita de uma contínua reforma e renovação, pois somos santos e pecadores. Desde a minha chegada à Diocese de Jundiaí procurei incentivar os encontros periódicos entre católicos e cristãos de outras Igrejas Cristãs. Continuando o maravilhoso trabalho assumido por Dom Amaury Castanho, o 3º Bispo Diocesano, que tanto incentivou o Movimento de Fraternidade de Igrejas Cristãs (MOFIC), eu e um grupo de Presbíteros e Diáconos Permanentes da nossa Igreja temos nos reunido periodicamente com pastores e pastoras do CONPAS (Conselho dos Pastores de Jundiaí). O primeiro encontro desse grupo aconteceu no dia 2 de agosto de 2013 e desde então nos reunimos, alternadamente, em locais de ambas as partes, para orar e refletir sobre a Palavra de Deus, buscando sempre a nossa comunhão. Padre Antônio Ferreira da Silva, Pároco da Paróquia Santa Luzia, em Campo Limpo Paulista, e o Pastor Isaías Rezende Guimarães, Presidente do CONPAS, têm ajudado muito a coordenar o grupo. Fruto dessa união, foi organizada a Capelania Cristã Hospitalar no Hospital de Caridade São Vicente de Paulo. Realizamos também celebrações cristãs, como: o Encontro de Oração na Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos (18 de maio de 2015); a “Celebração pela Vida” com o gesto: “Abrace o São Vicente” (18 de dezembro de 2015), e mais recentemente, a Celebração Cristã pela Vida: “Abrace o Rio Tietê!”, em Pirapora do Bom Jesus (6 de junho de 2016). Para comemorar a Reforma Luterana, o grupo programou uma série de eventos (cf. pág. 6 desta edição do Jornal O Verbo).
O Decreto do Concílio sobre o Ecumenismo (“Unitatis Redintegratio” – “A reintegração da unidade”) termina afirmando que nesta busca de comunhão entre as Igrejas Cristãs, não devemos “por obstáculos aos caminhos da Providência; e que não se prejudiquem os futuros impulsos do Espírito Santo”. Pois a tarefa de “reconciliar todos os cristãos na unidade de uma só e única Igreja de Cristo excede as forças e a capacidade humana”. Por isso, coloquemos inteiramente a nossa esperança “na oração de Cristo pela Igreja, no amor do Pai para conosco e na virtude do Espírito Santo. ‘E a esperança não será confundida, pois o amor de Deus se derramou em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado’ (Rm 5,5)” (n. 24b). De fato, para quem crê no amor e na misericórdia de Deus, nada é impossível.
Pura maldade! Às vésperas da chegada do Papa Francisco ao Egito, os terroristas do ISIS (Estado Islâmico) atacaram naquela região 2 igrejas nas quais se celebrava a Missa de Domingo de Ramos (a Igreja de São Jorge em Tanta e a Igreja de São Marcos em Alexandria, ambas da profissão Copta), matando 44 pessoas e ferindo 100.
A culpa desses coitados?
Adorar a Jesus e não a Maomé.
Intolerância, fanatismo, idiotice… um mundo onde não se respeita o diferente.
Compartilho com os amigos um belíssimo e rico texto de Sandro Arquejada, a respeito da alegria de viver! Àqueles que tem se deixado abater na caminhada diária, vale como reflexão e incentivo.
A proposta divina do pensar e do agir conjuntamente com o Senhor
Quem ama cuida. Amar é desejar o bem. Cuidar é promover esse bem, é a ação efetiva da manifestação do amor. Deus ama o ser humano, por isso cuida dele. E a forma concreta de esse amor ser expresso e de nos conduzir é conhecido como Divina Providência. É a proposta divina do pensarmos e do agirmos conjuntamente com o Senhor, pois o Pai tem o controle do que não podemos perceber nem enxergar e quer nos dar sustento e ensinar, mas, principalmente, quer participar das nossas vidas.
Para que possamos viver essa experiência precisamos aprender a olhar todos os fatos segundo a luz divina. Nada acontece por acaso. Deus lhe diz algo, direciona e constrói em todas as ocasiões, sejam estas pequenas ou grandes, alegres ou tristes, de encontros ou desencontros.
É necessário que nunca deixemos de acreditar nesse amor/cuidado, ainda que tudo pareça contrário ao que interpretamos como bondade divina. Assim como necessitamos ter sempre em mente que o Altíssimo é poderoso o bastante para tirar algo melhor, mesmo dos males que venhamos a sofrer. Lembremo-nos de que oportunidades também surgem de situações contrárias.
Não desista diante das frustrações. Persevere! É natural sofrer numa situação de perda ou resultado diferente aos nossos sonhos e pretensões; mas não pare nisso. É preciso levantar a cabeça e continuar sempre, contando com a força de Deus em você, a qual se faz presente através da Eucaritia, do contato com a Palavra e nos fatos comuns do dia-a-dia. Pois contrariedade nenhuma é eterna. Em algum momento o Senhor irá mostrar onde está o amor nessa adversidade.
Não se revolte com os fatos e com a vida nem culpe o céu. Mesmo aquilo que parece bom, pode ser ruim se não servir como crescimento humano e espiritual. Tudo tem que servir para nos impulsionar para o Alto. Que tudo seja para a salvação de almas. Pode ser também que não se esteja preparado para usufruir de um bem corretamente, segundo o verdadeiro propósito para o qual foi criado, nisso lhe seria nocivo.
Embora a Providência Divina seja um abandono aos cuidados de Deus, não podemos cruzar os braços esperando que tudo provenha do céu. Trabalho é fundamental. O divino não depende do esforço de nossas mãos, mas também por intermédio dele quer agraciar o ser humano com Sua benevolência. Dê matéria-prima, tanto para o plano material quanto para o sobrenatural para agir em seu favor.
Por fim, o anseio de viver segundo a Divina Providência nos aproxima d’Aquele que é o Autor supremo de todas as coisas. O mais bonito disso tudo é que cria um relacionamento de intimidade do Todo-poderoso com o ser humano e realiza verdadeiramente o significado do nome como O conhecemos: Deus Conosco, Emanuel. Ele está no meio de nós fazendo sempre o melhor.
Deus provê, Deus proverá, Sua misericórdia não faltará.
Assustou com o título? Eu também. Mas não tem nada demais. Você entenderá essa matéria ao saber a história do padre de União da Serra, a cidade mais católica do Brasil, e que espera que Francisco dê mais chances ao surgimento de mais sacerdotes como ele!
PAPA É SÁBIO AO ACEITAR CASADOS, DIZ PADRE GAÚCHO QUE TEVE MATRIMÔNIO ANULADO
A avenida Monsenhor Paulo Chiaramont percorre por quatro quadras o centro de União da Serra (a 214 km de Porto Alegre). Nenhuma delas, no entanto, tem o poder concentrado na região da praça central. De um lado, a prefeitura do pequeno município. De outro, a Paróquia Santo Antônio.
União da Serra (RS) é o município mais católico do Brasil, segundo o IBGE (99,4% da população). Apenas 12 pessoas se declararam evangélicas em 2010, ano do último Censo, entre seus 1.620 habitantes. Seu pároco, Osmar Burille, 51, também tem um título único: o brasileiro que conseguiu a anulação do casamento para exercer o sacerdócio. Por dez anos ele viveu com uma mulher e tem uma filha, Samara, 24.
Essa autorização do Vaticano, de certa forma, antecedeu uma declaração do papa Francisco dada há duas semanas. O sumo pontífice, na ocasião, disse cogitar permitir que homens mais velhos casados sejam transformados em padres em comunidades isoladas. “Temos que pensar se os ‘viri probati’ [homens casados, de fé comprovada, que podem se tornar padres] são uma possibilidade. Então depois precisamos determinar quais tarefas eles poderiam assumir, como em áreas isoladas, por exemplo”, disse ao jornal alemão “Die Zeit”. O papa, no entanto, descartou abrir o sacerdócio a todos os homens casados ou acabar com o compromisso do celibato entre os padres.
A cidade gaúcha passou pela dificuldade citada pelo argentino. Mesmo em um universo que contempla quase que só católicos, as duas paróquias do município (além da de Santo Antônio, a de Nossa Senhora do Rosário, no distrito de Pulador) estavam vacantes. O padre adoeceu, e outro representante era enviado às igrejas apenas em casos de morte ou de festa de padroeiros.
Burille, separado da mulher desde 1999, só pôde ser ordenado padre dez anos depois da decisão, quando o Tribunal Eclesiástico da Santa Sé declarou nulo seu casamento, o que o deixou livre para o sacerdócio –homens casados podem celebrar rituais da Igreja Católica, mas apenas como diáconos, o que os impedem de celebrar missas e consagrar hóstias.
“O papa Francisco é um sábio”, afirma o pároco de União da Serra. “Portanto, não descarta essa possibilidade. Sou a favor de padres casados por se tratar de uma vocação. Atualmente há uma grande necessidade de sacerdotes no Brasil e no mundo. A igreja não tem de ter medo de correr risco em ordenar homens casados. Somos humanos, e tanto o padre celibatário quanto o padre casado são formados homens de Deus, mas que vivem as circunstâncias do mundo em evolução.”
Samara, recém-formada em políticas públicas pela UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul), compartilha da opinião do pai. “Acho interessante dar oportunidade aos padres casados e espero que, apesar de a Igreja Católica ser conservadora, a adesão das mulheres seja o próximo passo. Acredito que a orientação dele seria a mesma, independentemente de ser padre, pois ele sempre foi muito católico. O que influencia são as pessoas que me caracterizam como a filha do padre, como se eu tivesse feito os mesmos votos que ele, e isso me incomoda um pouco.”
Sou a favor de padres casados por se tratar de uma vocação. A Igreja Católica não tem de ter medo de correr risco em ordenar homens casados. Somos humanos
O pároco é de uma família de 13 irmãos. Dois deles optaram pelo sacerdócio. “No tempo de minha infância, o padre vinha uma vez por mês rezar missa e eu gostava de sentar sempre no primeiro banco da frente para escutar o momento da consagração [da hóstia]. Havia decorado o rito”, diz.
Antes de casar, aos 22 anos, Burille trabalhou em uma fábrica de vitrais para igrejas, em outra de calçados, lavou carros e atendeu em um mercadinho. Em 1985, passou a fazer parte formalmente da igreja, ao ser convidado para ser ministro da Comunhão Eucarística, cujo mandato estendeu até 2008, ano em que recebeu a ordenação diaconal, anterior à consagração como padre.
Depois de separação, foi orientado a habilitar o processo de nulidade do matrimônio –pedido que passou pelo bispo da diocese de Passo Fundo, que atende as paróquias de União da Serra.
“Tenho muito respeito e sou feliz porque ela me deu uma filha. É pena que muitos matrimônios possam ser declarados nulos [e], pela falta de interesses e de orientação por parte da igreja, não utilizem essa possibilidade de recomeçar uma relação com a bênção e o acompanhamento espiritual. O casamento é um sacramento e sempre terá seu valor reconhecido. Nem Deus quer que os casais vivam de aparências sociais. É preciso encontrar um caminho menos penoso para cada situação.”
“Vocês estão na minha agenda”
Na outra ponta do país, em São Luís (MA), o português João Tavares, 76, diz nunca ter deixado de ser padre, embora esteja casado desde abril de 1979 e tenha duas filhas –de 32 e 33 anos– e uma neta, de 10.
“Não abandonamos o sacerdócio que, segundo a teologia católica, é um sacramento que imprime caráter, como o batismo e o crisma e, portanto, é para sempre. Os que decidimos casar deixamos o ministério, o exercício clerical. Não por nossa vontade, mas porque essa era a condição para podermos casar na igreja. Infelizmente, a Igreja Católica do Ocidente ainda liga ministério sacerdotal com o celibato obrigatório. Mas isso vai mudar. Não sei quando, mas vai.”
Membro e ex-presidente do Movimento das Famílias dos Padres Casados do Brasil, Tavares tem mantido contato permanente com os setores da igreja. “Pelo que sei, de fontes oficiais e oficiosas, inclusive de nossos colegas em Buenos Aires, [o papa] Francisco sabe da existência dos grupos de padres casados. E tem mandado recados: ‘Fiquem unidos, vocês estão na minha agenda, mas ainda tenho assuntos muito grandes urgentes a tratar’.”
Segundo o sacerdote, o papa visitou em Roma um grupo de famílias de padres casados e respondeu, em carta manuscrita, a um colega argentino sobre a “sensação de abandono por parte da hierarquia”. “Essa carta deu origem a um livro com mais uma dúzia de cartas de padres casados argentinos ao papa: ‘Querido Hermano'”, diz.
Tavares permaneceu 11 anos celebrando missas, até decidir pelo matrimônio, em 1979. “Sofri por deixar o ministério. Gostava do que fazia. Mas a decisão foi muito bem amadurecida, por dois anos. Aceitei deixar o ministério, não porque não gostasse do sacerdócio e do meu trabalho na pastoral, mas porque o Vaticano, quando dá a dispensa para casar, obriga o padre a deixar o ministério.”
O papa Francisco sabe da existência dos grupos de padres casados. E tem mandado recados: ‘Fiquem unidos, vocês estão na minha agenda’
A Prelazia do Xingu é a maior do país. A área ocupada pela região diocesana é de 368.092 km², equivalente ao território da Alemanha. O tamanho não é a única dificuldade encontrada pela religião na região: é uma área de floresta amazônica, de garimpo, rios de difícil travessia e aldeias indígenas.
Segundo apurou a reportagem, o pedido para que o papa Francisco intercedesse para que homens casados pudessem celebrar missas partiu da prelazia, que passou o recado para o arcebispo emérito de São Paulo, dom Claudio Hummes, que o fez chegar até o Vaticano. A reportagem contatou Hummes e o bispo emérito do Xingu, dom Erwin Krautler, com quem conversou por telefone e enviou, a seu pedido, as perguntas por e-mail, não respondidas até a publicação deste texto.
Membros da prelazia queixaram-se com o papa da falta de padres para cuidarem das inúmeras comunidades e solicitaram a autorização para ordenar homens casados. A resposta foi a de que o assunto seria estudado e que dependeria da pressão dos bispos.
“Infelizmente poucos bispos do Brasil e do mundo se interessam pelos padres casados das suas dioceses. Salvo poucas e honrosas exceções”, diz Tavares, do Movimento das Famílias dos Padres Casados.
“Antes de permitir o casamento dos atuais padres ou o casamento dos que vão se ordenar nestes próximos anos, haveria outras possibilidades mais fáceis e imediatas: readmitir padres que casaram e que estivessem dispostos a voltar ao ministério, ordenar homens casados de boa vivência humana e cristã e bem aceitos em suas comunidades e ordenar padres os diáconos casados. Nossa luta é por um celibato opcional: antes da ordenação, quem quiser casa. Quem não fica solteiro.”
Tenho medo de políticos radicais, sejam eles de esquerda ou de direita. E assisti a uma fala de Jair Bolsonaro no programa de entrevistas do Danilo Gentili, no SBT. Disse ele em determinado momento que:
“Violência se combate com violência”.
Discordo, chega da lei do “Olho por Olho”. A violência só gera violência. Violência se combate com Educação e Valores Morais às crianças, oportunidade de emprego aos jovens, cumprimento das leis pelos adultos, autoridade do Estado (não autoritarismo).
Aliás, Jair Bolsonaro que é do Partido Social Cristão, e que professa a fé evangélica, deveria se lembrar que Jesus pede tolerância, misericórdia e amor, que deveria ser tratado nos dias atuais, para esses casos, como reinclusão social.
Aliás, nesta 3a feira, o Evangelho fala na liturgia católica de que Cristo orientava a perdoar 70×7…
Meio incoerente com o discurso do “Bolsamito”, não?
Repito: não gosto de fanatismos ou radicalismos, nem de esquerda e nem de direita.
A Revista Veja trouxe à tona uma matéria sobre o Big Bang e debates sobre a criação do Universo. E aqui fica novamente o embate entre ateus e religiosos. Duas observações de dois entendidos.
Sobre o Universo, por um cético:
“Somos apenas uma raça avançada de macacos em um planeta menor que uma estrela média. Mas podemos compreender o universo e isso nos faz especiais”.
Stephen Hawking, físico.
Sobre antes do Universo, por um religioso:
“Deus não fazia nada. Mas isso não significava que Ele ficava o tempo todo ocioso. Ele não havia ainda criado o tempo”.
Santo Agostinho, filósofo
Nessas discussões, lembro-me sempre do papa João Paulo II: “Fé e Razão, duas asas que nos elevam para o Céu!”
Jesus exalta os discípulos a serem servidores, humildes e não terem ciúmes um dos outros.
Nós agimos de tal forma no dia-a-dia?
Somosmuito tentados com as coisas mundanas e desviamo-nos dessas virtudes. O Inimigo de Deus, que muitos até duvidam da sua existência, nos atazana às escondidas e muitas vezes nos leva à depressão, descrença e falta de fé. Sobre o Diabo, dias atrás ouvimos na Missa: “Há demônios que só podem ser expulsos com a força da oração”, disse Jesus aos discípulos, quando eles não conseguiram ajudar um garoto possesso.
Que tenhamos a fé como sustento para expulsar os demônios de nossa vida – sejam eles espirituais, materiais ou mentais. Que tenhamos resiliência!
E sobre isso, a Primeira Leitura (Eclo 2,1-13) da semana passada:
Leitura do Livro do Eclesiástico:
1Filho, se decidires servir ao Senhor, permanece na justiça e no temor e prepara a tua alma para a provação. 2Mantém o teu coração firme e sê constante, inclina teu ouvido e acolhe as palavras de inteligência, e não te assustes no momento da contrariedade. 3Suporta as demoras de Deus, agarra-te a ele e não o deixes, para que sejas sábio em teus caminhos. 4Tudo o que te acontecer, aceita-o, e sê constante na dor; e nas contrariedades de tua pobre condição, sê paciente. 5Pois é no fogo que o ouro e a prata são provados e, no cadinho da humilhação, os homens agradáveis a Deus.
6Crê em Deus, e ele cuidará de ti; endireita os teus caminhos e espera nele. Conserva o seu temor, e nele envelhecerás. 7Vós que temeis o Senhor, contai com a sua misericórdia e não vos desvieis, para não cair. 8Vós, que temeis o Senhor, confiai nele, e a recompensa não vos faltará. 9Vós, que temeis o Senhor, esperai coisas boas: alegria duradoura e misericórdia. 10Vós, que temeis o Senhor, amai-o, e vossos corações ficarão iluminados.
11Considerai, filhos, as gerações passadas e vede: Quem confiou no Senhor e ficou desiludido? 12Quem permaneceu nos seus mandamentos e foi abandonado? Quem o invocou e foi por ele desprezado? 13Pois o Senhor é compassivo e misericordioso, perdoa os pecados no tempo da tribulação, e protege a todos os que o procuram com sinceridade.
Hoje começa a Quaresma, tempo forte, de conversão, destinado a práticas de jejum, caridade e oração. E esse novo tempo litúrgico temos como início a Celebração das Cinzas.
Veja que interessante sentido tem tal costume (extraído de: http://is.gd/BdBBKX )
QUARTA-FEIRA DE CINZAS
Na Bíblia, encontramos relatos no Antigo Testamento, e também na época de Jesus, de pecadores públicos se que vestiam com panos de saco e colocavam cinzas na cabeça e no corpo como sinal de arrependimento. Era um sinal visível de mudança de vida. O pecador reconhecia suas ofensas a Deus e passava a fazer jejum e penitência.
Lá pelo século X, tornou-se costume na Igreja, que todos os fiéis recebessem cinzas em suas frontes. Isso acontecia no primeiro dia da Quaresma. Surgia então a Quarta-feira de Cinzas. Desde aquela época até os dias atuais, esse costume é mantido. Abre-se o tempo da Quaresma com a recepção das cinzas, sinal exterior de que a Igreja, Povo de Deus, manifesta claramente a disposição em submeter-se à penitencia. Como Povo de Deus, todos nós damos sinal ao mundo de que somos pecadores e a penitência é o remédio eficaz no combate ao pecado em busca da conversão.
Somos peregrinos neste mundo em busca da Casa do Pai. Somos caminheiros rumo ao Reino definitivo. Nesta caminhada tropeçamos, erramos, pecamos e, a Igreja, Mãe e Mestra, nos indica a Quaresma como tempo apropriado para a penitência. Mas o que é penitência? Temos consciência do que essa palavra significa? A tendência comum é de nivelarmos a penitência às práticas do jejum e abstinência. Sem dúvida essas duas práticas são realmente manifestações de penitência. São salutares e devem ser exercidas não apenas nos quarenta dias que antecedem a Páscoa, mas no decorrer de nossa vida. Procuremos então, aprofundar um pouco mais no significado cristão de penitência.
Tanto no Antigo como no Novo Testamento, penitência é sinônimo de conversão, de mudança do coração, de mudança de mentalidade, de correção de rumo, de volta para Deus por meio de Cristo, nosso Salvador. Fazer penitência implica mudança interior, exige oposição ao pecado, abandono de tudo o que era empecilho em nossas vidas e que nos afastava de Deus. Exercer a penitência é mergulhar no mais profundo de cada um de nós, é atingir a essência do nosso ser e reorientar nossa vida para Cristo, nosso Senhor.
Na Quarta-feira de Cinzas, no momento em que recebemos as cinzas em nossas frontes, ouviremos o seguinte apelo da Igreja: “Convertei-vos e crede no Evangelho!” Esse apelo deve atingir o âmago de cada cristão para que ocorra a mudança do coração. É Deus quem nos chama à conversão. Abstinência, jejum e oração pela graça da conversão são instrumentos para esse fim.
Na maioria das vezes, a conversão é lenta e vai acontecendo aos poucos em nossa vida. O Senhor está sempre nos chamando, não cessa de nos convidar a mudar de vida. Por isso, a conversão é um processo gradativo, desde que nosso sim a esse chamado seja uma constante em nosso peregrinar.
Porque somos pecadores, necessitamos da graça de Deus para que a penitência ou conversão seja eficaz. Necessitamos dela o tempo todo, não apenas na Quaresma. A conversão nunca é total, sempre fica em nós uma resistência ao Evangelho e à graça: a dificuldade de oferecer o perdão a quem nos ofendeu profundamente, colocar em prática o amar ao próximo como a nós mesmos, as vezes o indiferentismo diante do sofrimento de tantos marginalizados. Enfim, resistências à graça de Deus que nos afastam do Senhor e nos tornamos necessitados de sua misericórdia. Por Cristo, o Pai está sempre disposto a nos conceder misericórdia e a graça da conversão. Mas é preciso responder à essa graça sem demora. O convite de Deus ao arrependimento é constante e insistente. Por isso a partir da Quarta-feira de Cinzas e em toda a época da Quaresma, o Povo de Deus é chamado à penitência e conversão.
Ouçamos a voz de Deus e façamos o nosso mergulho no mais íntimo do nosso ser para a conversão do coração, pois: “No tempo favorável, eu te ouvi; e no dia da salvação, vim em teu auxílio. Eis agora o tempo favorável, o dia da salvação.” (2 Cor 6, 2).
Um dos momentos mais participativos para o católico é o seu envolvimento na Campanha da Fraternidade.
Sabe qual o tema deste ano?
Direto do site oficial (www.campanhadafraternidade2017.com.br), compartilho abaixo:
Hino, Cartaz, Texto-base, Músicas
Você sabe o que é a Campanha da Fraternidade 2017? Ainda não? Bom, a Campanha da Fraternidade 2017 – CF 2017, é realizada todos os anos pela Igreja Católica no Brasil. A CF 2017 nada mais é do que uma campanha que envolve a comunidade com diversas ações pastorais em todas as regiões do Brasil.
A Campanha da Fraternidade é marcada pelo empenho de todos em favor da solidariedade e fraternidade, sempre abordando temas atuais, que a cada ano propõe uma transformação social e comunitária, seja ela em desafios sociais, econômicos, culturais e até mesmo religiosos, onde toda a população envolvida na Campanha da Fraternidade é convidada a ver, julgar e agir.
Campanha da Fraternidade 2017 Datas
Muitas pessoas se perguntam, “Mas quando a Campanha da Fraternidade começa?”. A Campanha da Fraternidade sempre começa na quarta-feira de cinzas e acontece durante o ano todo! Muitas pessoas acham que ela termina depois da Páscoa, mas não, como dissemos, ela dura até o fim do ano, junto com o Ano Litúrgico, onde são desenvolvidas diversas atividades pastorais.
Podemos citar alguns exemplos de como a Campanha da Fraternidade 2017 é trabalhada, debatida e refletida com a comunidade, são eles: Cartazes, desenhos, músicas, texto-base, textos voltados para cada pastoral, vídeos e muito mais!
01 – Louvado seja, ó Senhor, pela mãe terra,
que nos acolhe, nos alegra e dá o pão (cf. LS, n.1)
Queremos ser os teus parceiros na tarefa
de “cultivar e bem guardar a criação.”
Refrão:
Da Amazônia até os Pampas,
do Cerrado aos Manguezais,
chegue a ti o nosso canto
pela vida e pela paz (2x)
02 – Vendo a riqueza dos biomas que criaste,
feliz disseste: tudo é belo, tudo é bom!
E pra cuidar a tua obra nos chamaste
a preservar e cultivar tão grande dom (cf. Gn 1-2).
03 – Por toda a costa do país espalhas vida;
São muitos rostos – da Caatinga ao Pantanal:
Negros e índios, camponeses: gente linda,
lutando juntos por um mundo mais igual.
04 – Senhor, agora nos conduzes ao deserto
e, então nos falas, com carinho, ao coração (cf. Os 2.16),
pra nos mostrar que somos povos tão diversos,
mas um só Deus nos faz pulsar o coração.
05 – Se contemplamos essa “mãe” com reverência,
não com olhares de ganância ou ambição,
o consumismo, o desperdício, a indiferença
se tornam luta, compromisso e proteção (cf LS, n.207).
06 – Que entre nós cresça uma nova ecologia (cf LS, cap.IV),
onde a pessoa, a natureza, a vida, enfim,
possam cantar na mais perfeita sinfonia
ao Criador que faz da terra o seu jardim.
Deus, nosso Pai e Senhor,
nós vos louvamos e bendizemos,
por vossa infinita bondade.
Criastes o universo com sabedoria
e o entregastes em nossas frágeis mãos
para que dele cuidemos com carinho e amor.
Ajudai-nos a ser responsáveis e zelosos pela
Casa Comum.
Cresça, em nosso imenso Brasil,
o desejo e o empenho de cuidar mais e mais
da vida das pessoas,
e da beleza e riqueza da criação,
alimentando o sonho do novo céu e da nova terra
que prometestes.
01 – Hino da Campanha da Fraternidade de 2017
02 – Em nossa casa, Fraternidade
03 – Eu ordenei os céus e a terra
04 – E Deus viu que era bom
05 – O vosso coração de pedra
06 – Volta meu povo, ao teu Senhor
07 – Senhor, tende compaixão
08 – Rejubila-te, cidade santa
09 – Glória a vós ó, Cristo
10 – Bendito és, Tu
11 – Aceita Senhor
12 – Agora o tempo se cumpriu
13 – Nós vivemos de toda palavra
14 – Jesus, Filho amado!
15 – Se conhecesses o dom de Deus
16 – Dizei aos cativos: sai!
17 – Eu vim para que todos tenham vida
18 – Vem, meu povo, ao banquete da vida
19 – Ato penitencial
20 – Santo
21 – Aclamações oração eucarística
22 – Eis o mistério da fé
23 – Amém!
24 – Cordeiro de Deus
Campanha da Fraternidade Ecumênica
A Campanha da Fraternidade 2016 foi Ecumênica, mas você sabe o que é isso? Como falamos anteriormente, todos os anos a Campanha da Fraternidade é realizada pela Igreja Católica, porém ela já acontece de forma ecumênica, ou seja, ela envolve outras igrejas cristãs, que é realizada a cada 5 anos por diversas outras igrejas, sempre valorizando o que a igreja tem de bom. A primeira Campanha da Fraternidade Ecumênica foi realizada em 2000, a segunda em 2005, a terceira em 2010.
Coleta da Solidariedade
A Coleta da Solidariedade é sempre realizada no Domingo de Ramos, onde nesta ocasião todo o dinheiro que é arrecadado nas missas desse dia é dividido entre o Fundo Diocesano de Solidariedade (FDS) e o Fundo Nacional de Solidariedade (FNS), onde o FDS fica com 60% dos recursos, que são destinados a todos os projetos sociais da própria comunidade diocesana, já os outros 40%, o FNS reverte no fortalecimento da solidariedade entre as diversas regiões do país. É um belo gesto da comunidade, podemos chamar de um gesto generoso, onde todo o valor arrecadado com essas doações, a comunidade envolvida ajuda a igreja a desenvolver projetos de proteção humana e também a sustentar a ação pastoral.
Acabei de ler e achei fantástico. É sobre momentos de tribulação:
“Após uma conversa íntima com Cristo, tudo fica melhor“.
Autor Desconhecido.
Perfeito. Quantas vezes estamos sofrendo de ansiedade, tristeza, incertezas ou em desespero? Nessas horas, precisamos principalmente de apoio espiritual.E quem nunca precisou… não?
Para os que veneram Maria sob o poderosíssimo título de Nossa Senhora de Lourdes, hoje é dia de festa: comemora-se o dia da sua memória (além disso, é o “Dia dos Enfermos”).
Já pediu a Mãe de Deus por saúde, pela família e por paz, junto ao Cristo Jesus?
ORAÇÃO DE NOSSA SENHORA DE LOURDES
Nossa Senhora de Lourdes, quando aparecestes à menina Bernardette, disseste-lhe: “Eu sou a imaculada Conceição”. Fostes concebida no ventre de Vossa Mãe, a Senhora de Sant’Ana, isenta da mancha do pecado original.
Rogo-vos, pois, sede a minha advogada perante o Vosso Amado Filho. Protegei-me com o vosso manto puríssimo, mais alvo do que neve. Dá-nos que possamos viver em paz e que a concórdia reine entre todos os povos.
Ó Maria concebida sem pecado, rogai por nós que recorremos a Vós (3X).
A Depressão é um dos grandes males da sociedade moderna. E acompanhamos recentemente o processo de emagrecimento do Padre Marcelo Rossi, vítima dessa doença (não reconhecida por muitos).
O sacerdote disse que, contra ela, além dos medicamentos, se apegava a esta passagem bíblica em Eclesiásticos, cap. 30, vers. 22 e 24:
“Não entregues tua alma à tristeza, não atormentes a ti mesmo em teus pensamentos. Tem compaixão de tua alma, torna-te agradável a Deus, e se firme; concentra teu coração na santidade, e afasta a tristeza para longe de ti”.
Palavras bonitas e que nos remetem à busca da felicidade, tentando afastar da nossa mente os pensamentos que nos machucam.
Jesus era um grande comunicador, e levava de viva-voz sua palavra bondosa a todos os cantos. Depois de sua ascensão ao Céu, deixou seu legado aos discípulos, que visitavam os povoados e escreviam cartas.
Certamente, se Jesus não tivesse vindo há aproximadamente 2000 anos mas sim hoje, usaria os recursos modernos de interação. E dentro desse espírito evangelizador, o Papa Francisco criou o “WhatsApphomilia”, um projeto de envio das reflexões que ele costuma fazer aos fiéis.
A Diocese de Pádova, por exemplo, já aderiu à campanha, intitulada “Um Momento de Paz”, onde todos os sermões serão enviados à quem se cadastrar. Você escolhe a Capela e o horário da Missa, e recebe o arquivo com a homilia da celebração.
Há pessoas que têm inteligência acima da média. O famoso físico britânico Hawking é um deles. Mas às vezes tanto conhecimento científico cega algumas pessoas à Luz da Fé.
Infelizmente, para muitos, há uma dificuldade de se conciliar Fé e Razão.
Leiam esse artigo sobre a criação do universo, recentemente publicado sobre o pesquisador tão renomado:
“NÃO É PRECISO UM DEUS PARA CRIAR O UNIVERSO”, DIZ HAWKING
Cientista britânico polemiza papel da religião na criação do universo em seu novo livro
Em seu mais recente livro, “The Grand Design” (O Grande Projeto, em tradução livre), o cientista britânico Stephen Hawking, afirma que “não é preciso um Deus para criar o Universo”, pois o Big Bang seria “uma consequência” de leis da Física.
“O fato de que nosso Universo pareça milagrosamente ajustado em suas leis físicas, para que possa haver vida, não seria uma demonstração conclusiva de que foi criado por Deus com a intenção de que a vida exista, mas um resultado do acaso”, explicou um dos tradutores da obra, o professor de Física da Matéria Condensada David Jou, da Universidade Autônoma de Barcelona.
Há 22 anos, em seu livro “Uma Nova História do Tempo”, Hawking via na racionalidade das leis cósmicas uma “mente de Deus”. O cientista inglês acredita agora que as próprias leis físicas produzem universos sem necessidade de que um Deus exterior a elas “ateie fogo” às equações e faça com que suas soluções matemáticas adquiram existência material.
Assim, aquela “mente que regia nosso mundo” se perde na distância dessa multiplicidade cósmica, segundo o tradutor.
Hawking admite a existência das equações como fundamento da realidade, mas despreza se perguntar se tais equações poderiam ser obras de um Deus que as superasse e que transcendesse todos os universos.
Uma pausa nas atividades do dia para fazer coisas do bem: preparando a catequese da Crisma, hoje para falar sobre a Vida Pública de Jesusaos nossos crismando da Paróquia São João Bosco.
Independente da sua fé, do que você crê ou não, vale sempre lembrar: a messe é grande e poucos são os operários. Divulgar a mensagem de pazque traz o Evangelho do Amor é importante! E nossos jovens são ávidos por boas palavras.
A VIDA PÚBLICA DE NOSSO SENHOR JESUS CRISTO
O nome de Jesus significa que o próprio nome de Deus está presente na pessoa do seu Filho feito homem para a redenção universal e definitiva dos pecados. É o único nome divino que traz a salvação, e agora pode ser invocado por todos, pois se uniu a todos os homens pela Encarnação, de sorte que “não existe debaixo do Céu outro nome dado aos homens pelo qual devamos ser salvos” (At 4,12).>
Catecismo da Igreja Católica, § 432
Veremos neste tópico o Cristo iniciando sua missão, revelando-se publicamente Filho do Altíssimo. Após a pregação de João Batista para que o povo estivesse preparado para acolher o Messias, Jesus prega às comunidades o amor, a misericórdia, a vida em plenitude. Pela remissão dos pecados do mundo todo, Ele aceita vir como homem para morrer na cruz.
– Reflexão 1: Você acreditaria em alguém nascido do seu meio, e que depois de adulto formado começasse a pregar? E que fosse o Messias esperado?
Judeus esperavam um Salvador de diversas formas: (sicários, zelotas, anawins, essênios).
– Reflexão 2: Hoje, a Igreja espera Cristo nos diversos movimentos: quais são eles?
Em Mateus 3, 13-17 vemos Jesus Cristo iniciando sua vida pública ao ser batizado por João Batista. O Batismo, antes por água, passa a ser com o Espírito Santo. Jesus, mesmo cheio do Espírito Santo, quer ser batizado para iniciar sua pregação.
– Reflexão 3: Por que Jesus quis ser batizado?
Jesus, então com 30 anos, se retira ao deserto para jejuar. É um sacrifício e ao mesmo tempo uma preparação para sua missão. No deserto, vemos o relato em Lucas 4, 1-14 do diabo tentando impedir que Jesus cumprisse sua missão.
– Reflexão 4: Hoje, o que nos leva a ser tentados?
Em Lucas 4, 14-21 vemos que se cumpria a profecia de Isaías, pois nela Cristo se declara o Filho de Deus. É importante ver que depois de 700 anos tudo se cumpria em Jesus, o que caracteriza ainda mais a divindade dele
Será que se Cristo viesse ao mundo em nossos dias, encontraria um povo até certo ponto incrédulo como daquela época? – Com certeza, seria muito maior a incredulidade nossa. Se naquele tempo, com as profecias na mão, com os milagres que aconteciam por Jesus, o povo muitas vezes vacilava, imagine no nosso tempo, onde muitas pessoas exploram a necessidade de outras, há falsas religiões e charlatães em diversos lugares… Repare que somos privilegiados de vivermos neste tempo, pois vimos que o Messias veio e ressuscitou, e nos deixou aberto o caminho para a nossa vitória sobre o pecado. Basta aceitá-lo ou não.
– Reflexão 5: há gente que explora comercialmente o nome de Jesus nos dias atuais?
No Evangelho de São Mateus 4, 17-22 podemos ver Cristo chamando seus apóstolos, formando com eles uma comunidade. Aos apóstolos, Jesus costumava dizer: “Não foram vocês que me escolheram, mas Deus que os escolheu”.
– Reflexão 6: Na nossa vida, deparamos ou depararemos com muitos desafios. Como você reage às dificuldade: fica com medo; fica com medo e depois confia em Deus; demora para confiar; ou confia de imediato?
A partir daqui, veremos a pregação de Jesus: as bem-aventuranças, em Mateus 5, 1-12, onde ele mostra que é o consolador e que serão felizes aqueles que morrerem em prol do seu próximo ou de Deus.
– Reflexão 7: Você aceita tranquilamente a ideia de que Deus nos recompensará com a Vida Eterna aos que sofrem e aos que lutam, ou é preferível receber tudo agora em vida? Por que pessoas de bem, muitas vezes, sofrem? Ex: dona Zilda Arns.
Cristo mostra seu poder em diversas curas, como podemos ver em Mateus 8, 1-13 e Marcos 5, 21-43.
– Reflexão 8: No seu dia-a-dia, você procura o “Deus dos milagres” ou os “milagres de Deus?”
Jesus ensinava ao povo por parábolas. Parábolas são algumas estórias contadas comparando-as com os dias de hoje, usandomodelos simples de fatos e de fácil compreensão para as pessoas entenderem como age Deus. Veja algumas parábolas em Mateus 21, 28-32 e Mateus 13, 24-30.
– Reflexão 9: Jesus resolveu utilizar parábolas para evangelizar. E você, quando vai explicar algo sobre a fé: consegue evangelizar com facilidade ou tem dificuldade para falar de Deus?
Nós veremos que Jesus Cristo ainda realiza muitos outros fatos em sua vida pública (vida de pregação) para não deixar dúvida que ele era (e é) Deus e também que possuía (e possui) autoridade sobre o Céu, a Terra e o inferno. Prova disso, são os relatos em Mateus 8, 28-34, onde Jesus Cristo expulsa (exorciza) satanás.
– Reflexão 10: e aí: você tem medo do diabo, receio ou não se preocupa com ele? Aproveite e responda: no mundo, o bem e o mal se confrontam, numa terra onde há equilíbrio entre essas forças?
Também em Mateus 16, 24-28 podemos ver a realeza de Cristo quando ele se transfigura (dá uma amostra aos discípulos da vida Eterna) e em Marcos 6, 30-44 onde ele realiza o nosso conhecido milagre da multiplicação dos peixes.
Jesus, na verdade, não veio mudar a Lei de Moisés, que era a Lei que Deus deixou ao povo, mas pelo contrário, ele aperfeiçoa a Lei, explica na Verdade o que é vontade de Deus, e um exemplo disso é o ensinamento do maior mandamento que Deus dá aos homens: o mandamento do amor, em Mateus 22, 34-40.
Cristo ainda facilita a comunicação entre o Céu e a Terra ensinando-nos a orar: É a oração do Pai Nosso, contida em Mateus 6, 1-15. No Pai Nosso, vemos uma série de pedidos: súplica, louvor, perdão, proteção!
– Reflexão 11: rezar é se comunicar com Deus. Você tem conseguido arranjar tempo para rezar todos os dias? Em que horários e em que situações você faz suas orações?
Finalizando, podemos ver que Cristo é o Senhor, um Senhor bondoso, misericordioso e paciente. Ele não veio para condenar, mas para ensinar. Ele é aquele próprio que nos julgará no dia do juízo final, como vemos relatado em João 5, 19-29 e João 6, 35-40.
DINÂMICA: Cristo veio nos salvar, ensinou-nos diversas coisas, curou, fez coisas milagrosas e revolucionou o mundo. O que mais lhe toca após o encontro sobre a “Vida Pública de Jesus?
Há dias que nada dá certo: tristeza, problemas, dificuldades de saúde e discussões pessoais.
Em outros, mesmo quando tudo parece errado,a paz prevalece! Hoje é um desses dias: menisco arrebentado, princípio de labirintite, crises diversas, mas… as pessoas que amo estão ao lado.
Graças ao bom e querido Deus. Tudo passa. Tudo há de passar. Em meio à crise, estar em harmonia com os entes queridos é fundamental.
Hoje é dia de Santa Prisca, conhecida também como SANTA PRISCILA, mártir cristã!
Por defender Jesus, foi levada ao Coliseu. Mas diante do público, o leão que a devoraria (para a diversão do povo romano), refugou e se curvou aos seus pés. Por tal fato, foi presa e decapitada. Seguidora de São Paulo, foi a grande mulher que evangelizou na Europa.
Também se chama Santa Priscila. Desde muito antigamente se tributa culto em Roma a esta jovem romana. No século IX, mediante excavações arqueológicas, foi descoberto que estava enterrada en Aventine com o nome de Priscila, mulher de Aquila, um judeo cristão.
Segundo a tradição, Prisca foi batizada aos treze anos de idade por São Pedro e se tornou a primeira mulher do Ocidente a testemunhar com o martírio, sua fé em Cristo. Ela morreu decapitada durante a perseguição do imperador Cláudio, na metade do século I, em Roma.
As Atas, escritas no Século X, quando falam dela, dizem que era uma adolescente que foi levada ao anfiteatro para divertir as pessoas e chegando lá soltaram um leão em cima dela, mas invés de destrossar-la em pedaços, o felino se curvou aos seus pés. Depois disso foi encarcerada e no dia da sua morte uma águia velava seu corpo, até que foi enterrada na hoje conhecida como Catacumbas de Priscila. Esta ultima esta aberta ao público e é uma das mais antigas e interessantes catacumbas de Roma. Na atualidade há uma igreja dedicada a seu nome desde o século IV.
No que diz respeito a arte os pintores a imortalizaram com o leão domado ou domesticado a seus pés, que também significa a queda do paganismo, e com uma águia e uma espada perto dela. Seus resto ainda se veneram em Roma.
As “Atas de Santa Prisca” registram, de fato, que ela foi martirizada durante o governo desse tirano e seu corpo sepultado na Via Ostiense, nas catacumbas de Priscila, as mais antigas de Roma. Depois foi transladado para a igreja do monte Aventino.
Uma igreja construída sobre os alicerces de uma grande casa romana do primeiro século, como atestam as mais recentes descobertas arqueológicas, muito importante para os cristãos. Ainda hoje, mantém uma cripta que guarda uma preciosa relíquia: a concha com que São Pedro apóstolo batizou seus seguidores e discípulos.
Mas, a partir do século VIII, alguns dados vieram à tona dando total veracidade da
existência dessa mártir romana, como mulher evangelizadora atuante, descrita numa carta escrita por São Paulo, em que falou: “Saúdem Prisca e Áquila, meus colaboradores em Jesus Cristo, os quais expuseram suas cabeças para me salvar a vida. À isso devo render graças não somente eu, mas também todas as igrejas dos gentios” (Rm 16,3).
Desta maneira, se soube que Prisca não morreu logo apos seu batizado, mas alguns anos depois, ainda durante aquela perseguição. No Sínodo Romano de 499, se determinou que os dados fossem acrescentados às “Atas de Prisca”, confirmando ainda mais a sua valorosa contribuição à Igreja dos primeiros tempos.
***
Prisca, é um nome que nos soa um pouco estranho, significa: “a primeira”. Mas evoca uma grande Santa, que se impôs à admiração de todos nos primeiros tempos do Cristianismo. Ela foi considerada a mais antiga santa romana e se tornou uma das mulheres mais veneradas na Igreja.
Sabem como é difícil praticar a fé em um lugar intolerante religiosamente?
Compartilho os detalhes de como é viver o Cristianismo em locais dominados pelo Estado Islâmico. Há importantes e impressionantes relatos de Padres e Diáconos que lá vivem e/ou sobrevivem.
Abaixo, extraído de Revista Época, ed 09/01/2017
O NOVO MARTÍRIO DOS CRISTÃOS
Por Yan Boachat
As grandes marcas vermelhas na parede sem reboco mostram que aqui o sangue jorrou sob pressão. Há uma trilha de gotas que vão do piso ao teto. Sobre a mesa da antessala, uma mancha escura, quase negra, indica onde as degolas eram realizadas. Espalhadas pelo chão estão latas de feijão, embalagens de biscoitos e caixas de chá que os militantes do Estado Islâmico (EI) consumiam nesta casa em construção até há pouco mais de dois meses. Num canto, um rolo de barbante indica como as vítimas eram imobilizadas. “Aqui perto encontraram várias cabeças, mas os corpos nunca foram achados, devem estar enterrados no deserto”, diz Arkan Adnan Matti, um comerciante de 39 anos, ao observar mais uma vez o centro de execuções que o Estado Islâmico montou na casa que ele construía com um tio, bem ao lado do sobrado em que vivia com a mulher e três filhos, na cidade Qaraqosh, a 20 quilômetros de Mossul. As duas construções estão interligadas por buracos nas paredes feitos pelos extremistas.
A cozinha de Adnan foi transformada em uma espécie de restaurante de campanha para os soldados do EI. Sobre o fogão, os militantes escreveram um menu nos azulejos. “Temos kebab, frango com arroz e falafel.” O preço de cada prato está cotado em balas do rifle AK-47. Quase todos custam dez projéteis. Na sala principal da espaçosa casa construída pelo bisavô de Adnan ainda na década de 1940, uma seta desenhada mostra a direção de Meca e números revelam a frequência de rádio usada pelos combatentes. Sobre a parede branca, ameaças escritas com uma caneta preta: “Vocês ainda não viram do que somos capazes, vocês todos morrerão no inferno”, diz uma frase. Outra, avisa: “Nós vamos persegui-los e vamos matá-los, com a permissão de Deus. Nós vamos matá-los em qualquer lugar do mundo, porque Deus está conosco”. Adnan já leu essas frases várias vezes. Sempre que entra em sua casa, ele faz questão de lê-las. E toda vez chora. É um choro contido, de raiva. “Nunca mais será o mesmo, nunca mais nós vamos viver com eles”, diz.
Adnan faz parte da comunidade cristã que foi duramente perseguida pelo Estado Islâmico no norte do Iraque. Após séculos de convivência nem sempre pacífica, a relação de confiança, frágil, rompeu-se de vez. “Muitos dos que destruíram minha casa, minha cidade, minha vida moravam aqui ou nas vilas próximas”, conta. “Eram nossos amigos e vizinhos por décadas. Quando o Estado Islâmico chegou, tudo isso não importava mais. Eu só quero ir embora do Iraque e, se possível, nunca mais precisar falar com um muçulmano, eles são o câncer que tudo destrói”, diz ele.
Em 2003 estima-se que havia por volta de 1,5 milhão a 2 milhões de cristãos no iraque. Hoje eles não passariam de 200 mil
Foi na noite do dia 6 de agosto de 2014 que tudo mudou. Com os militantes do Estado Islâmico a poucos quilômetros da entrada de Qaraqosh, Adnan, como milhares de outros cristãos, teve apenas tempo para pegar os três filhos, a mulher e alguns pertences pessoais. “Saímos com os morteiros caindo. Largamos tudo para trás e fomos embora. Passamos quase uma semana morando na rua em Erbil”, conta, se referindo à capital da Região Autônoma do Curdistão, distante 50 quilômetros. Sua casa, como quase tudo em Qaraqosh, está parcialmente destruída. “Os americanos a bombardearam porque sabiam que eles estavam aqui”, conta, ao lado de um enorme buraco na laje, resultado de um ataque aéreo de precisão.
Hoje ele vive com a família em um contêiner em um campo de refugiados em Erbil. Voltou a Qaraqosh no final de dezembro para ver como as coisas estavam após dois anos e meio afastado. Diante da destruição, fez questão de reforçar sua decisão. “Acabou, não quero mais viver aqui, não há mais futuro para os cristãos no Iraque. Chegou a hora de partirmos para sempre.”
Enfraquecida após quase década e meia de perseguições e pouco lembrada no Ocidente, a comunidade cristã do Iraque é uma das mais antigas do mundo. Seu início remonta às viagens evangelizadoras de São Tomé, ainda no século I d.C., quando o apóstolo conseguiu converter parte dos assírios. Até hoje ser cristão no Iraque não se trata apenas de uma questão religiosa, mas sim, e principalmente, de uma identificação étnica. Os assírios, em sua maioria, não se converteram ao islã e permanecem um grupo minoritário no norte do Iraque, distintos tanto dos curdos quanto dos árabes, majoritários nessa região de fronteira com a Síria, a Turquia e o Irã. Até hoje é crime no Iraque tentar converter um muçulmano árabe ao cristianismo.
O enclave cristão iraquiano nasceu e se expandiu em torno de Mossul, a antiga capital do Império Assírio e hoje a maior cidade do autoproclamado califado do Estado Islâmico. Conhecida na antiguidade como Níneve, Mossul é uma cidade citada diversas vezes na Bíblia e palco de eventos importantes tanto para o cristianismo como para o judaísmo. Crê-se que o corpo do profeta Jonas, aquele que, segundo a Bíblia, passou três dias dentro da barriga de uma baleia, esteja enterrado nas ruínas da cidade antiga. Há relatos sobre Mossul nos livros de Gênesis, Isaías, Jonas, Reis, entre outros.
Mulheres cristãs eram vendidas como escravas sexuais pelo Estado Islâmico. O valor variava de US$ 35 para uma mulher adulta até US$ 120 para adolescentes
Tanto por questões sectárias quanto pela avassaladora chegada do islamismo à região que hoje é conhecida como Iraque, no século VII d.C., o cristianismo nunca conseguiu se expandir por aqui. Nos últimos anos, no entanto, as comunidades cristãs têm diminuído de forma acelerada e há o risco concreto de que desapareçam a médio prazo. Até a década de 1950 estimava-se que havia cerca de 4,5 milhões de cristãos no Iraque. Sucessivas guerras e golpes de estado foram reduzindo a população. Mas a diáspora cristã iraquiana se acentuou após a queda de Saddam Hussein, que, de certa forma, mantinha um governo secular e protegia as minorias religiosas que não ameaçavam seu poder. Em 2003, estima-se que existia algo entre 1,5 milhão e 2 milhões de cristãos no Iraque. Cerca de dez anos depois, esse número já havia caído para menos de 500 mil pessoas. Após dois anos e meio de perseguição brutal do Estado Islâmico, os números mais otimistas falam em 350 mil cristãos no país. Estimativas mais pessimistas dão conta de que não existem mais que 200 mil cristãos vivendo no Iraque hoje.
Salwen Salim, um motorista de 40 anos que faz as vezes de taxista pirata nas congestionadas ruas de Erbil, também quer partir. Ele, como a vasta maioria dos cristãos que mora nos campos de refugiados na capital do Curdistão, não acredita mais ser possível viver no Iraque. “Não há futuro aqui para nós. Tenho três filhos e não quero que eles passem o que nós estamos passando”, conta ele, na sala enfeitada com pôsteres baratos de Papai Noel e uma pequena árvore de Natal. “Isso já aconteceu antes, sempre fomos perseguidos, e vai acontecer de novo.”
Salim foi um dos últimos cristãos a abandonar Mossul no verão de 2014. As pressões sobre a comunidade estiveram crescendo desde a queda de Saddam Hussein. Elas se acentuaram com a chegada da al-Qaeda e depois haviam melhorado com o enfraquecimento do grupo terrorista, no início da década. “Mas com o surgimento do Estado Islâmico as coisas voltaram a piorar. Passamos a ser ameaçados cada vez mais. As ameaças vinham por telefone, bilhetes, diziam que Mossul não era para nós”, conta ele, ao lado dos três filhos e da mulher. “E então começaram a nos cobrar para ficarmos lá, porque éramos cristãos. Por muito tempo eu paguei, não havia escolha.”
Nos meses que antecederam a tomada da cidade pelo Estado Islâmico, conta Salim, a situação passou a ficar insustentável. O número de assassinatos contra cristãos e outras minorias crescia e as ameaças deixaram de ser veladas. Salim diz que os rumores de que militantes do Estado Islâmico estavam entrando em Mossul pelo oeste criou um frenesi na cidade. As forças iraquianas, compostas basicamente de soldados xiitas, abandonaram a cidade e as pessoas tomaram as ruas comemorando a chegada dos combatentes sunitas. Para muitos moradores de Mossul, o Estado Islâmico era uma força libertadora dos abusos cometidos pelos soldados do Exército iraquiano.
“Decidi ir embora quando um de nossos vizinhos, nosso amigo de infância, matou meu primo e levou sua nora para ser vendida como escrava sexual”, conta Salim. “Naquela noite ele foi até a casa do meu primo e disse a ele que queria sua nora. Meu primo contestou, disse que aquilo era um absurdo, que eram amigos de infância, que seus pais eram amigos, que seus avós eram amigos”, afirma Salim. “Nosso vizinho apenas respondeu: ‘Me desculpe, mas essa é a nossa noite’”, conta o taxista. O primo, diz ele, recusou a exigência. O homem voltou menos de uma hora depois, armado com uma pistola e na companhia de homens com AKs-47. “Ele o matou ali, na porta de casa, e levou embora sua nora. Nunca mais a vimos.” Naquela noite Salim deixou Mossul para, espera ele, nunca mais voltar.
Em março de 2016, a ordem católica Cavaleiro de Colombo enviou à ONU um relatório listando mais de 1.000 cristãos mortos por sua fé entre 2003 e 2014
Relações tensas entre cristãos e muçulmanos são profundas, antigas e complexas nesta parte do mundo. “O cristianismo sempre foi perseguido aqui, o que vemos agora não é uma novidade”, diz Bashar Warda, o arcebispo da Igreja Católica Caldeia de Erbil, umas das diversas denominações cristãs que permaneceram ligadas ao Vaticano após o Grande Cisma de 1054, quando as igrejas do Ocidente e do Oriente se separaram em definitivo. “Essa também é nossa terra e os cristãos não vão desaparecer do Iraque”, diz ele, que afirma entender a raiva, a frustração e o desejo de partir de boa parte de sua comunidade. “É compreensível, mas conheço minha gente, nós somos cristãos, somos capazes de perdoar e esquecer.”
Apesar de serem considerados “povos do livro”, o que teoricamente lhes garantiria alguns benefícios, os cristãos foram duramente perseguidos pelo Estado Islâmico, em especial nas áreas onde muçulmanos sunitas e cristãos assírios conviviam havia muitos anos. Em regiões onde o cristianismo não tinha comunidades bem estabelecidas, o EI permitia que os seguidores de Cristo se convertessem ou pagassem taxas extras para continuar vivendo nas áreas ocupadas, ao contrário do que aconteceu com outra minoria religiosa da região, os yazidis. Mas no enclave cristão iraquiano foi diferente. “Aqui houve a tentativa de genocídio, essa é a palavra”, diz Salim Kako, ex-deputado do Parlamento do Curdistão, que defende ativamente a criação de províncias autônomas para os cristãos. “Eles tentaram nos exterminar, e não estou apenas falando do Daesh (acrônimo árabe derrogativo para Estado Islâmico), estou falando dos muçulmanos como um todo, em especial os sunitas.
A ordem católica Cavaleiros de Colombo tenta provar que houve um genocídio cristão no Iraque. Em um relatório enviado em março de 2016 ao então secretário de Estado americano, John Kerry, e para a ONU, a ordem listava em mais de 1.000 o número de cristãos mortos no Iraque deliberadamente por causa de sua fé, entre 2003 e 2014. De acordo com o mesmo documento, apenas na tomada de Mossul e das vilas em seu entorno, ao menos outros 500 teriam sido assassinados. Todas as igrejas da região foram destruídas ou queimadas. As peças religiosas vandalizadas. Praticamente todas as figuras de santos católicos tiveram suas cabeças destruídas.
Além disso, mulheres cristãs sequestradas estavam sendo vendidas nos mercados de escravas sexuais mantidos pelo Estado Islâmico por todo o califado. As cristãs eram comercializadas pelo mesmo preço das mulheres yazidis. O valor variava de US$ 35 para uma mulher com idade entre 40 e 50 anos até US$ 120 para meninas entre 10 e 20 anos. “É fácil para os políticos ou os líderes religiosos dizerem que a reconciliação é possível, mas para a maior parte dessas pessoas, tanto os cristãos como os yazidis, um laço de confiança foi quebrado de forma muito profunda com os muçulmanos e serão preciso gerações para que as coisas voltem a ser como antes”, diz Soran Qurbani, um pesquisador curdo, de origem sunita, que estuda os impactos da violência sofrida pelos grupos religiosos minoritários nestes últimos anos. “Nesse momento, não há espaço para reconciliação.”
O diácono Basim al Wakil, de 52 anos, dedicou sua vida à igreja e aos ensinamentos cristãos. Sua família era a responsável por administrar uma das mais importantes igrejas de Bartella, uma importante cidade cristã a 14 quilômetros de Mossul, há um século e meio. Ele nasceu e viveu até a noite de 6 de agosto de 2014 na casa contígua à Igreja de São Jorge. “Saí de lá às 3 da manhã, quando os soldados curdos começaram a recuar. As batalhas já estavam ocorrendo na cidade e percebi que, se eu ficasse, morreria.” Al Wakil fez uma mochila com uma calça, duas camisas, dois pares de meia e duas cuecas, além de algo para comer. Desistiu de levar a Bíblia quando se lembrou que um fiel havia instalado o livro sagrado dos cristãos em seu celular recém-adquirido. “Eu trouxe apenas o terço.” Caminhou por horas, até conseguir uma carona. Quando voltou à igreja, em dezembro, teve um acesso de choro. “Eu apenas me pergunto a razão disso, o que os motivou a destruir nossas igrejas, eu não entendo”, diz ele, hoje vivendo em um shopping center abandonado de Erbil que serve como lar para 400 famílias de cristãos que, como ele, fugiram do Estado Islâmico.
Al Wakil é um exemplo concreto da fissura que se estabeleceu entre a comunidade cristã e os muçulmanos sunitas, mesmo aqueles que não tiveram relação alguma com o Estado Islâmico e o combateram, como a maior parte dos curdos, por exemplo. Al Wakil diz não querer a reconciliação, não ser mais capaz de viver em paz com os islâmicos. “O som que sai das mesquitas chamando para as rezas é como o latido de um cão de rua. Eu não consigo perdoá-los, Deus sabe que não tenho forças para isso.”
É o que diz também o padre George Jahula, de 51 anos, que tem se dedicado a mapear a destruição de Qaraqosh. “Eu sei que nós, homens de Deus, deveríamos perdoar e lutar para que haja integração e não separação”, diz ele. “Mas eu não consigo, o perdão a essas pessoas precisará vir de Deus, não de nós”, conta ele. As afirmações do diácono Al Wakil e do padre Jahula são duras, mas não encontram respaldo entre a elite da comunidade cristã no Iraque. Younadem Kana, membro da minoria cristã no Parlamento iraquiano, diz que o momento é de união e não há razão para mais tensão com os muçulmanos. “Nós somos todos iraquianos, devemos exigir proteção a todos, independentemente da religião. O Estado Islâmico não é o islã, e o islã não tem nada a ver com o Estado Islâmico”, diz ele, um forte opositor da ideia de criação de uma província autônoma para os cristãos iraquianos.
Febronia Stalen, uma senhora de 76 anos, que nasceu e viveu toda a sua vida em Qaraqosh, é uma das poucas moradoras do campo de refugiados cristão de Erbil que pretendem retornar à cidade quando ela for reconstruída. Seus motivos, no entanto, estão mais ligados ao passado que ao futuro. Febronia quer morrer e ser enterrada na cidade em que sua família está desde sempre, segundo ela. “Durante todo esse tempo em que estamos aqui no campo, esse era meu maior medo, não poder ser enterrada junto a meus familiares, na Igreja da Imaculada Conceição.” Ela vive com duas filhas e duas netas em um contêiner e as vê se preparar para deixar o Iraque em breve. Um de seus filhos já vive na Austrália e prepara os trâmites para o resto da família seguir o mesmo caminho. Febronia, no entanto, diz que não sairá. “Eles têm um longo futuro pela frente, mas eu não. Minha vida está em Qaraqosh. Comecei lá, terminarei lá.”
O padre George Jahula visita uma igreja atacada em Qaraqosh. Ele documenta a destruição na região (Foto: João Castellano)
Hoje é quinta-feira, dia de adorar Jesus Eucarístico, como pede a Igreja Católica.
Que tal uma prece ao Senhor, que está presente na Hóstia Sagrada?
ORAÇÃO AO CRISTO SACRAMENTADO
Meu Jesus Cristo, Filho de Deus vivo, eis-me aqui em companhia da Santíssima Virgem, dos Anjos, dos Santos do Céu e dos justos da Terra, para visitar-Vos e adorar-Vos nesta Hóstia Consagrada. Creio firmemente que estais tão presente, poderoso e glorioso como estais no Céu; e pelos Vossos méritos, espero alcançar a glória eterna, seguindo em tudo Vossas divinas inspirações; e em agradecimento de Vosso divino amor, quero amar-Vos com todo o meu coração e minha alma, potências e sentidos.
Suplico-Vos, Salvador de minha alma, pelo Sangue precioso que derramastes em Vossa circuncisão e em Vossa Santíssima Paixão, que exerciteis comigo este ofício de Salvador, dando-me, pela intercessão de Vossa Santíssima Mãe, os dons da oração juntamente com a perseverança, para que, quando deixar esta vida, me guieis à glória eterna que gozais no Céu.
Exposição do Santíssimo Sacramento na Igreja Nossa Senhora do Rosário, em Jundiaí – SP. Arquivo pessoal.
Para o editor da Revista Superinteressante, nas entrelinhas, se Nossa Senhora vivesse em nosso tempo, abortaria. Aliás, um perfil polêmico da Mãe de Jesus foi trazido pela publicação.
Compartilho um interessante artigo do Pe Paulo Ricardo, tirando dúvidas sobre o que a revista trouxe e sobre a fé cristã,
Nem verdadeira, nem interessante. Assim é a Virgem Maria apresentada pela revista “Superinteressante”, em sua última edição.
Uma capa sensacionalista e nada mais. Assim pode ser resumida a reportagem sobre a Virgem Maria, publicada pela revista cujo nome não faz jus ao seu conteúdo. Na primeira edição de 2017, Superinteressante resolveu revelar ao público brasileiro aquela que seria a “verdadeira” Maria. Ocorre que a revista não traz nada de novo nem de interessante. Apenas repete a velha cantilena de que Nossa Senhora teve outros filhos, que era uma mulher qualquer, rica e independente.
Desde as primeiras formulações da fé, a Igreja “encontrou viva oposição, troça ou incompreensão por parte dos não-crentes, judeus e pagãos” a respeito da concepção virginal de Jesus [1]. Por isso, não é espantoso que, mesmo após tantos séculos, essa oposição ainda se encontre viva no contexto social, sobretudo agora quando a virgindade já não é vista como um dom a ser preservado. Ora, o próprio Catecismo da Igreja Católica esclarece que o “sentido deste acontecimento”, isto é, da concepção virginal de Jesus, “só é acessível à fé, que o vê no ‘nexo que liga os mistérios entre si’, no conjunto dos mistérios de Cristo, da Encarnação até à Páscoa” [2].
É claro, portanto, que uma mente fechada à graça de Deus não compreenderá o porquê das glórias de Maria, concedidas a Ela pelo próprio Deus, e buscará qualquer pedaço de pau para espancar a doutrina católica. Mais: a virgindade perpétua da Virgem Santíssima é um testemunho contra uma mentalidade secularizada e pagã, que defende o sexo como passatempo e diversão promíscua. Neste sentido, é preferível acreditar em uma Maria “poderosa e atrevida”, do que reconhecer suas virtudes heroicas, sua virgindade e sua santidade. Uma Maria “dona de si”, “independente” e “rica” não exige de ninguém uma conversão interior.
Não é coincidência, a propósito, que na mesma capa em que Nossa Senhora é retratada dessa maneira espúria, Superinteressante também apresente um perfil muito semelhante das mulheres que abortam. A armadilha é sutil: se Maria fosse uma mulher do século XXI, sugere maliciosamente a revista, ela também abortaria. Na sua famosa trilogia sobre Jesus de Nazaré, Bento XVI analisa os perfis de Cristo defendidos pelos teólogos modernos e percebe como são parecidos com as opções ideológicas de cada autor. “Quem lê várias destas reconstruções, umas ao lado das outras, pode rapidamente verificar que elas são muito mais fotografias dos autores e dos seus ideais do que reposição de um ícone”, escreve [3]. Aqui se verifica o mesmo problema. A “verdadeira” Maria de Superinteressante nada mais é que uma fotografia do ideal de mulher para os tempos modernos.
Mas quem é, afinal, a Virgem Maria?
É preciso reconhecer, antes de tudo, que o “que a fé católica crê, a respeito de Maria, funda-se no que crê a respeito de Cristo”, e que “o que a mesma fé ensina sobre Maria esclarece, por sua vez, a sua fé em Cristo” [4]. Jesus e Maria estão intimamente ligados na economia da salvação. Por isso, não se pode fazer silêncio quando as verdades de fé sobre Nossa Senhora são negadas, uma vez que elas estão na base de outras verdades fundamentais da cristologia, como a doutrina sobre as naturezas divina e humana de Jesus. Quem nega aquelas, ipso facto, também nega estas. Como recorda o Catecismo, já no primeiro século os cristãos reconheciam o nexo existente entre Maria e Jesus, tal qual se pode ler neste escrito de Santo Inácio de Antioquia: “O príncipe deste mundo não teve conhecimento da virgindade de Maria e do seu parto, tal como da morte do Senhor: três mistérios extraordinários, que se efetuaram no silêncio de Deus” [5].
Em 1927, foi descoberto, no Egito, um fragmento de papiro datado do século III, no qual se podia ler a seguinte prece: “À vossa proteção recorremos Santa Mãe de Deus. Não desprezeis as nossas súplicas em nossas necessidades, mas livrai-nos sempre de todos os perigos, ó Virgem gloriosa e bendita”. Trata-se da mais antiga oração cristã à Virgem Maria de que se tem notícia, depois, é claro, do louvor do anjo Gabriel e de Isabel (cf. Lc 1, 28; 42-45). Como se pode notar, os cristãos já se reportavam à sempre Virgem Maria como Mãe de Deus muito antes da definição do dogma, no Concílio de Éfeso. Não faz nenhum sentido, destarte, dizer que os dogmas católicos são adaptações à mentalidade pagã. De fato, a doutrina sobre a Virgem Maria é, sim, de origem apostólica.
Santo Irineu de Lião, cuja doutrina remonta diretamente ao apóstolo São João, escreve que, “assim como Eva, desobedecendo, se tornou causa de morte para si mesma e para todo o gênero humano, assim também Maria se tornou, pela sua obediência, causa de salvação para si mesma e para todo o gênero humano” [6]. Com essa sentença, Santo Irineu já explicava aquilo que seria definido séculos mais tarde no Concílio Vaticano II, sobre a mediação de Maria na obra da salvação. Notem: Santo Irineu é um autor do século II, que bebeu diretamente da fonte dos Apóstolos. Como não confiar no testemunho fidedigno desses santos, que derramaram o próprio sangue pela fé cristã?
A própria Sagrada Escritura dá testemunho de que Maria é mãe apenas de Jesus. Como já explicamos em outra oportunidade, “Tiago, irmão do Senhor”, tinha outro pai e outra mãe: Maria, irmã de Nossa Senhora, e Alfeu, ou Cléofas em outras traduções. Além disso, as Sagradas Escrituras nunca dizem que esses “irmãos de Jesus” são filhos de Maria. Também Jesus não a teria confiado a João, na hora derradeira, se ela tivesse outros filhos (cf. Jo 19, 25-27).
Se mesmo os anjos se espantam e dizem “Quem é essa?” e os santos confirmam unanimemente: De Maria nunquam satis, “Sobre Maria jamais se dirá o bastante”, parece muito pretensioso por parte de Superinteressante querer apresentar aos seus leitores a “verdadeira” Virgem Maria. É bom que deixem esse trabalho a quem, ao longo dos séculos, foi mais enaltecido pela obediência e humildade dessa mulher; Àquele que, pela boca de Isabel, proclamou: “Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre” (Lc 1, 42); Àquele que é, enfim, seu esposo e nosso vivificador, o Espírito Santo.
Por Equipe Christo Nihil Praeponere
Referências
Catecismo da Igreja Católica, n. 498.
Ibidem.
Joseph Ratzinger, Jesus de Nazaré (trad. de José Jacinto Ferreira de Farias). São Paulo: Editora Planeta do Brasil, 2007, p. 10.
Catecismo da Igreja Católica, n. 487.
Santo Inácio de Antioquia, Epístola aos Efésios, 19, 1.
Santo Irineu de Lião, Contra as Heresias, III, 22.
— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Mateus.
— Glória a vós, Senhor.
1Tendo nascido Jesus na cidade de Belém, na Judeia, no tempo do rei Herodes, eis que alguns magos do Oriente chegaram a Jerusalém, 2perguntando: “Onde está o rei dos judeus, que acaba de nascer? Nós vimos a sua estrela no Oriente e viemos adorá-lo”.
3Ao saber disso, o rei Herodes ficou perturbado, assim como toda a cidade de Jerusalém.
4Reunindo todos os sumos sacerdotes e os mestres da Lei, perguntava-lhes onde o Messias deveria nascer. 5Eles responderam: “Em Belém, na Judeia, pois assim foi escrito pelo profeta: 6E tu, Belém, terra de Judá, de modo algum és a menor entre as principais cidades de Judá, porque de ti sairá um chefe que vai ser o pastor de Israel, o meu povo”.
7Então Herodes chamou em segredo os magos e procurou saber deles cuidadosamente quando a estrela tinha aparecido. 8Depois os enviou a Belém, dizendo: “Ide e procurai obter informações exatas sobre o menino. E, quando o encontrardes, avisai-me, para que também eu vá adorá-lo”.
9Depois que ouviram o rei, eles partiram. E a estrela, que tinham visto no Oriente, ia adiante deles, até parar sobre o lugar onde estava o menino. 10Ao verem de novo a estrela, os magos sentiram uma alegria muito grande.
11Quando entraram na casa, viram o menino com Maria, sua mãe. Ajoelharam-se diante dele, e o adoraram. Depois abriram seus cofres e lhe ofereceram presentes: ouro, incenso e mirra.
12Avisados em sonho para não voltarem a Herodes, retornaram para a sua terra, seguindo outro caminho.
Hoje, 06 de janeiro, o povo celebra os Santos Reis. A Bíblia não fala que eram reis, nem que eram três. Mas o povo sabe dar nomes a eles: Gaspar, Melquior e Baltasar. Talvez fossem sábios, estudiosos das Escrituras e das estrelas. Astrônomos, não astrólogos. Tendo visto uma estrela, de brilho diferente, confrontaram-na com o relato da Bíblia no livro dos Números (24,17): “Eu vejo, mas não é agora; eu avisto, mas não de perto: uma estrela sai de Jacó; um cetro surge de Israel. Oráculo de Balaão”.
Os magos viram naquela estrela o sinal da chegada do Messias e saíram à procura do pequeno rei, guiados por ela. Sua fé foi recompensada. Chegando, adoraram o Menino Deus e deram presentes de ouro, incenso e mirra, como era costume entre os reis.
E o povo rompe em folias, cantando em versos toda a peripécia dos santos reis. A poesia que envolve o ambiente natalino, favorece e cria toda uma epopéia, revestida de respeito e piedade. Viva os santos reis magos!
BOAS FESTAS. Que a Luz do Cristo nos ilumine e aqueça nossos corações. Que todo dia seja Natal, para que o espírito de solidariedade seja cotidianamente vivido!
Uma das pessoas que eu considerava SANTO já nesse mundo era a Dona Zilda Arns, que à frente da Pastoral do Menor salvou milhares de vidas de crianças carentes que nasciam desnutridas. Faleceu vítima do terremoto do Haiti, onde levava uma palavra de esperança ao pobre povo daquele local.
Ontem, 14 de dezembro (Dia de São João da Cruz) veio a óbito seu irmão, Dom Paulo Evaristo Arns, um religioso de coragem e muita ação social. Uma das figuras mais relevantes do nosso Brasil, tão santo quanto sua saudosa irmã.
Para os mais jovens que não o conheceram, um relato bem fiel sobre esse ilustre brasileiro, extraído do Portal “Klick Educação”:
DOM PAULO EVARISTO ARNS, “O CARDEAL DA ESPERANÇA”
Vinte e oito anos à frente da segunda maior comunidade católica do mundo, a Arquidiocese de São Paulo, com cerca de 7,8 milhões de fiéis, perdendo apenas para a da Cidade do México, dom Paulo Evaristo Arns foi uma das mais expressivas lideranças religiosas do Brasil. Logo que assumiu o cargo de arcebispo da cidade, em 1970, vendeu o Palácio Episcopal por 5 milhões de doláres e empregou o dinheiro na construção de 1.200 centros comunitários na periferia. Impressionou o país e o mundo pelas suas atividades em defesa dos direitos humanos durante o período da ditadura militar, quando combateu a intransigência do regime militar e agiu em favor das vítimas da repressão. Defendeu também os líderes sindicais nas greves, apoiou a campanha contra o desemprego e o movimento pelas eleições diretas. Sua luta em defesa dos direitos dos pobres e pelo fim da desigualdade social lhe valeu dezenas de prêmios no mundo: título de doutor honoris causa em universidades dos Estados Unidos, Alemanha, Canadá e Holanda; prêmio do Alto-Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (1985), do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), entre outros. Filho de pequenos agricultores, nasceu em Forquilhinha, interior de Santa Satarina, e ordenou-se padre em 1945. Religioso com formação erudita e ligado ao setor progressista da Igreja, doutorou-se com o mais alto grau acadêmico, três “honorable”, em Letras pela Universidade de Sorbonne, em Paris, na França, com a tese A Técnica do Livro de São Jerônimo, em 1952. De volta a Petrópolis, trabalhou como professor de Teologia, como jornalista e como vigário nos subúrbios da cidade. Foi promovido à condição de bispo em 1966. Quatro anos depois, o papa Paulo VI nomeou-o arcebispo de São Paulo, e, em 1973, cardeal. Pediu demissão do cargo de cardeal-arcebispo em 1998, como determinam as normas da Igreja. Incentivando a integração entre padres, religiosos e leigos, criou 43 paróquias e apoiou a criação de mais de 2 mil Comunidades Eclesiais de Base (CEBs) nas periferias da metrópole.