– Botafogo 0x2 Internacional: sobrou para o equipamento eletrônico?

O goleiro botafoguense Gatito Fernández ficou bravo no Engenhão, não? Nervoso com as marcações da arbitragem e a anulação de dois gols da sua equipe, “desforrou” na cabine do VAR.

Mas ele estava com a razão?

NÃO! Vamos aos lances reclamados: Matheus Babi e Bruno Nazário tiveram seus gols anulados. Sobre eles,

1- O de Matheus Babi, por impedimento difícil. Acertou a arbitragem após informação do VAR.

2 – O de Bruno Nazário, após infração em lance anterior ao gol, também com acerto da equipe de arbitragem. E sobre ele, vale uma explanação didática:

Uma bola que estava com Patrick (SCI) é disputada com infração por Matheus Babi (BFR). Existe a falta, mas o árbitro Thiago Duarte Peixoto a ignora e permite a sequência do lance. Não existe nenhuma paralisação neste interim, e eis que a bola sobra para o próprio infrator cruzar para o tento de Bruno Nazário. Na revisão, o árbitro é avisado pelo VAR da existência da falta e o gol não é validado.

Cadê o erro aqui? Nenhum, a não ser da qualidade técnica do árbitro que não estava atento à infração. Por mais que se possa dizer que ele interpretou como “normal a jogada”, nem isso lhe é permitido, pois há clareza da infração e, além disso, as duas coisas mais relevantes:

A – Sem a bola ter saído de jogo e com ato contínuo, o VAR tem a OBRIGAÇÃO de rever o lance todo. É protocolo.

B – Justamente o infrator é quem tem participação direta no gol!

O VAR, que merece os aplausos, é o árbitro José Cláudio da Rocha Filho, o mesmo que corretamente chamou a responsabilidade para ele na informação relevante da mão na bola de Alison na semana passada, em Palmeiras 2×1 Santos. Portanto, em duas rodadas, duas participações certeiras de cumprimento do protocolo do árbitro de vídeo e comprometimento à Regra do Jogo.

Por fim, duas observações:

– Thiago já foi infeliz em muitas partidas nos últimos tempos, assim como a vida tem sido infeliz com ele em contrapartida. Mas é necessário separar as coisas e entender que o árbitro – bom sujeito, mas tecnicamente comum – tem inúmeras chances na carreira e sempre há um contratempo. Me parece um “Léo Feldman do século 21″… (e isso não é ofensa, mas mera comparação respeitosa, pois o bom Léo Feldman era azarado dentro de campo; se um dia caísse um urubu na hora do gol e a ave impedisse a bola de entrar na meta, seria, certamente, no jogo dele – quem é árbitro da década de 90 entende bem isso).

– Muita gente está confundindo a orientação de “imediatez na confirmação de um gol quando bate na mão do atacante”, crendo que “o VAR só vale para lances de falta na imediatez da jogada”. Nada disso, são coisas diferentes! Por duas oportunidades, árbitros do futebol amador me questionaram de “imediatez de infrações avaliadas pelo árbitro de vídeo”, acreditando que em lances mais longe da meta, pelo tempo da chegada ao gol, não deveriam ser revistos. Árbitro do Campeonato Brasileiro não pode fazer essa confusão: o VAR avalia os gols até o retrocesso da última paralisação / derradeiro reinício da jogada. O lance de Matheus Babi foi preponderante na construção do gol.

Mesmo se os dois gols estivessem errados, nada disso justifica o vandalismo ao equipamento eletrônico, não é verdade?

Gatito, do Botafogo, derruba equipamento do VAR após partida contra o Internacional — Foto: Reprodução

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