– A incrível história de John Chau: Mártire cristão ou Fanático imprudente?

Viram a história daquele jovem missionário cristão, John Chau, morto por tentar falar de Jesus a uma tribo isolada da Índia numa ilha chamada “Sentinela do Norte”, após frustrada aproximação com os agressivos aborígenes de lá por duas vezes? Impressionante!

Me lembrei na hora sobre o que foi dito aos discípulos: “se alguém não vos receber, nem der ouvidos às vossas palavras, assim que sairdes daquela casa ou cidade, sacudi a poeira dos vossos pés.”

O rapaz fez exatamente o contrário: ao levar uma flechada de um menino na primeira oportunidade de contato (que não o matou naquela vez por ter atingido a Bíblia dele), voltou lá e acabou morto.

Vejam só que história. Seria persistência na evangelização, fanatismo, busca de ser mártire ou desconhecimento dos ensinamentos de Jesus?

Difícil dizer… o desejo ardente de falar do amor de Cristo aos nativos que querem permanecer isolados foi proporcional ao risco de não ser aceito e assassinado por quem não tem contato com a civilização moderna.

Aqui a matéria:
https://g1.globo.com/mundo/noticia/2018/11/23/deus-me-protegeu-escreveu-missionario-antes-de-ser-morto-a-flechadas-em-ilha.ghtml

DEUS ME PROTEGEU, ESCREVEU MISSIONÁRIO MORTO A FLECHADAS EM ILHA ISOLADA

John Chau, atacado por tribo isolada há séculos, deixou anotações sobre a tentativa de aproximação. ‘Vocês podem achar que eu sou maluco, mas acho que vale a pena declarar Jesus para essas pessoas’, escreveu; polícia indiana ainda não sabe como recuperar o corpo.

John Allen Chau, o missionário morto por membros de uma tribo isolada na Ilha Sentinela do Norte, escreveu na véspera que “Deus me protegeu e camuflou”, ao escapar de autoridades e sobreviver a um primeiro ataque.

O jovem de 27 anos pagou a pescadores para que o levassem até o local, em uma viagem proibida. Em anotações que deixou no barco, ele escreveu “Deus me protegeu e me camuflou contra a guarda costeira e a marinha”.

Um dia antes de morrer, Chau esteve na ilha e um menino tentou atingi-lo com uma flecha, que acertou sua Bíblia. Ele então nadou de volta ao barco dos pescadores, e só retornou na manhã seguinte, quando foi atacado por outros aborígenes.

“Por que um garotinho teve que disparar (a flecha) em mim hoje?”, escreveu. “A voz aguda dele ainda ecoa na minha cabeça”.

De acordo com a polícia indiana, as anotações deixadas por ele com os pescadores confirmam que ele sabia que corria o risco de morrer ao tentar contato com a tribo, que vive isolada há séculos e é extremamente agressiva contra qualquer um que se aproxime.

“EU NÃO QUERO MORRER. Seria mais esperto ir embora e deixar outra pessoa continuar. Não, eu acho que não”, diz um trecho do que ele escreveu, divulgado por jornais indianos. A autenticidade foi confirmada pela polícia.

Ao jornal “Washington Post”, Lynda Adams-Chau, mãe do jovem, entregou outras frases do filho. “Eu gritei ‘Meu nome é John, eu amo vocês e Jesus ama vocês’”, ele escreveu, relatando a primeira tentativa de contato, que terminou com a flecha disparada pelo menino.

Em seu último contato com a família, no dia de sua morte, em 16 de novembro, Chau escreveu “vocês podem achar que eu sou maluco com tudo isso, mas eu acho que vale a pena declarar Jesus para essas pessoas”.

Em um de seus últimos registros, o missionário refletiu sobre a morte. “Por que esse lugar lindo tem que ter tanta morte? Espero que esta não seja uma das minhas últimas anotações, mas se for, ‘Glória a Deus’”.

Ainda segundo Lynda, um amigo de seu filho disse a ela que o plano dele era “não contar a ninguém” com antecedência sobre o que iria fazer, para evitar colocar os colegas em risco.

Apesar da confirmação de sua morte pelos pescadores que o levaram ao local e viram o que aconteceu, a mãe disse ao jornal acreditar que Chau está vivo. Questionada porque, ela respondeu “minhas orações”.

O chefe de polícia de Port Blair, Deepak Yadav, diz que Chau pagou a cinco pescadores para que o levassem em um pequeno barco até a ilha, que fica no arquipélago indiano de Andaman e Nicobar, no Oceano Índico.

Mesmo sabendo que a viagem era ilegal, eles concordaram e providenciaram o transporte, e por isso estão presos. Um amigo de Chau e um guia turístico também estão detidos.

Segundo Yadav, eles chegaram à costa por volta da meia-noite de quarta-feira, dia 14. No dia seguinte, Chau usou um caiaque para se aproximar e tentar o primeiro contato. Os pescadores afirmam que o viram com vida pela última vez na sexta-feira.

Eles também contaram ter visto depois o corpo dele sendo arrastado e enterrado na praia.

Depois que os pescadores perceberam que Chau havia sido morto, eles partiram para Port Blair, a capital do arquipélago, onde deram a notícia a um amigo do jovem, que notificou sua família, segundo a France Presse.

A polícia sobrevoou a ilha na terça-feira, e uma equipe de policiais e funcionários do departamento florestal usou um barco da guarda costeira para viajar até lá na quarta-feira. Não ficou claro se eles voltaram desde então.

A polícia está consultando antropólogos, especialistas em bem-estar tribal e estudiosos para descobrir uma maneira de recuperar o corpo, disse Dependera Pathak, diretor-geral da polícia nas Ilhas de Andaman e Nicobar.

Em 21 de outubro, @johnachau postou que estava a caminho da região — Foto: Reprodução/Instagram/ John Chau

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