E o Arnaldo Cezar Coelho se despediu das cabines. Teria sido mais difícil do que se despedir dos gramados? Não sei. Mas vai curtir a vida (se é que já não consegue fazer isso com a qualidade que deseja).
É inegável que a regra de futebol é obscura e tem inúmeros detalhes, mas o Arnaldo a popularizou com o bordão “A Regra é Clara“. Ele criou esse mito que é mentira. Mas, confesso, é legal! Há os que usam essa pseudo-verdade para os mais diversos memes.
Um profissional do futebol desconhece o conjunto de regras do ofício que exerce. Ou você acha que jogador sabe “de cor e salteado” as 17 Leis dos jogos? Pior: e as observações cabeludas de cada uma delas? Às vezes, nem os árbitros têm segurança de aplicá-las no calor da partida. Imagine explicá-la para milhões de telespectadores em horário nobre.
Arnaldo, como comentarista, muitas vezes brigava com a imagem e te dava a “oportunidade de bater”; mas em outro lance relatava um comentário qualquer que lhe calava a boca e te impressionava. Aí você é quem levava um “tapa de pelica”.
Quem vai a Copa do Mundo, já tem mérito. Mesmo se for via política, sorte, competência ou qualquer outra coisa, ninguém vai sem um mínimo de capacidade. E apitar a final de um Mundial? Dispensa qualquer comentário. É o supra-sumo da carreira, onde raríssimos conseguirão e apenas pessoas especiais conseguiram. Além disso, comentar 8 Copas pela Rede Globo, o que dizer?
Eu não gostava de seu estilo apitando (sim, assisti vídeos). Mas sabia apitar quando queria, e fazia com maestria. Por fim, está na história da arbitragem mundial – e na da TV também.
Se eu fosse o Arnaldo, tirava pelo menos um ano sábatico. Eu não posso fazer isso, mas ele pode (e deveria).
Boa aposentadoria, amigo!

