É impressionante a matéria da Revista Época desta semana. Sob o título “ROUBO, LOGO OSTENTO”, em uma belíssima matéria dos jornalistas Aline Ribeiro e Helena Fonseca, conta-se um pouco a rotina de adolescentes e jovens em favelas e que vivem no mundo da ostentação.
Garotos roubam carros, celulares e tênis caros de pessoas descuidadas ou que se aproximam das suas comunidades, sem pudor algum, apenas para poderem desfilar nos locais de “fluxo” (lugares onde se encontram ao som de música alta e muita droga). Um dos alvos preferidos é a passagem de mulheres, que segundo os criminosos, são menos resistentes.
Os meninos, sem carteira de habilitação, praticam um ritual de andar a baixa velocidade com o braço para fora, chamando as meninas para um “rolê”. Meninas só querem sair com garotos motorizados (quem não tem carro, precisa roubar um). Aliás, a matéria conta a história de uma garota de 17 anos, que já tem um filho de 1 ano, e que relata ser “o máximo” sair sem calcinha, dançar funk e transar com um “menino de carrão”. O mais doloroso: ela diz que toda garota quer ser chamada de “novinha” e sentir os garotos soltando fumaça de maconha em sua boca.
O atual “kit ostentação” de sucesso nas periferias paulistanas é: boné Cyclone, camisa Lacoste, bermuda Rip Curl ou Quicksilver e tênis Mizuno Prophecy ou Adidas “escama de peixe” (de R$ 1.000,00). Junto dessas marcas, carregam uma espécie de lança perfume, em sabores de coco, menta e chiclete, que custa R$ 5,00 o frasco e deve ser consumido sem moderação.
Desses jovens, 57% não vão à escola. Cerca de 42% nunca soube quem é o pai. Diante desses números, fica a questão: a relação de “falta de família e escolaridade” (valores fundamentais para a educação) é perceptível ou não?
Foto: R7.com, de “Funkeiros Ostentação”.
