– Carrefour Pratica Benchmarking Interessante

O Carrefour imita uma estratégia cada vez mais comum: a compra de redes de supermercados em dificuldades, pagando pouco para revitalizá-las:

Extraído de: http://portalexame.abril.com.br/ae/economia/carrefour-oferece-r-55-milhoes-pela-rede-gimenes-380147.shtml

O Carrefour oficializou hoje proposta para a compra da rede de supermercados Gimenes S.A., durante a assembleia de credores no processo de recuperação judicial da companhia. A rede francesa de supermercados fez duas propostas. Ela ofereceu R$ 55 milhões por 22 das 23 unidades Gimenes, ou R$ 46 milhões por 12 lojas da rede com sede em Sertãozinho (SP), de acordo com credores que participaram da reunião na cidade paulista. Pela proposta do Carrefour, o valor, pago à vista, seria menor que os R$ 80 milhões já oferecidos, em 19 de fevereiro passado, pela rede de supermercados Ricoy por todas as 23 lojas. No entanto, a Ricoy propôs o pagamento em oito anos. Como não houve acordo dos credores, uma nova assembleia está prevista para sexta-feira, às 10h30, também em Sertãozinho. “Há a possibilidade de a Ricoy cobrir a proposta do Carrefour e exercer o direito de preferência, já que o entendimento é que os dois valores (à vista e a prazo) são semelhantes com a correção futura”, disse Luiz Gilberto Bittar, advogado que representou o Banco Safra, um dos credores do Gimenes. A investida do Carrefour já trouxe uma reviravolta no processo de recuperação judicial da rede de supermercados com 23 unidades em 17 cidades do interior paulista e que é administrada pelo fundo Governança & Gestão, o qual tem entre os sócios o ex-ministro do Planejamento Antônio Kandir. Caso os credores aceitem a proposta do Carrefour, o valor seria insuficiente para quitar a dívida declarada na recuperação judicial, de R$ 75 milhões. Isso irritou credores sem garantias reais que participaram da reunião de hoje e que não teriam como receber toda a dívida, caso aceitem a proposta. Ao mesmo tempo, caso rejeitem a proposta, o processo segue na Justiça, que pode até decretar a falência do Gimenes e os valores só seriam pagos em caso de leilões de bens. “A situação é muito delicada e não se resume só ao pagamento pelos ativos da companhia, já que há várias categorias de credores”, afirmou à Agência Estado um executivo de uma instituição financeira credora do Gimenes. Com a compra do Gimenes, a rede Ricoy espera saltar de 59 para 82 unidades e sair do sexto para o quarto lugar no ranking do setor no Estado de São Paulo. Já o Carrefour, que tem 117 lojas com várias bandeiras no País, poderia chegar até a 139 unidades. O Carrefour informou, por meio de sua assessoria de imprensa, que não comenta a operação. Já a Ricoy informou, anteriormente, que tinha intenção de manter a maior parte dos 1.700 funcionários demitidos pelo Gimenes e que previa novas contratações, pois avaliava a reabertura dos seis supermercados fechados no início da recuperação judicial, no final de 2008, quando foram demitidos 313 funcionários. Sem crédito para capital de giro e impossibilitada de rolar a dívida estimada, o Gimenes S.A. tentou, inicialmente, negociar suas lojas com o Grupo Savegnago, também de Sertãozinho (SP), que se tornaria o maior do interior paulista caso o acordo fosse firmado. Com o fracasso das conversas, a direção do Gimenes demitiu funcionários, fechou lojas e protocolou o pedido de recuperação judicial no dia 19 de dezembro de 2008, que foi deferido pelo juiz da 3ª Vara Cível de Sertãozinho, Nemércio Rodrigues Marques. Procurada pela reportagem da Agência Estado, a assessoria de comunicação do Gimenes informou que deveria divulgar uma nota oficial sobre o assunto, o que não ocorreu até o início da noite.

– Empresas que se Adaptam ao Consumidor

Muitas vezes, o produto é modificado tendo em vista o aceite do cliente. Voluntariamente ou involuntariamente, algumas ações são pertinentes. Veja que material interessante, extraído da revista Exame:

O marketing que vem das ruas

 http://portalexame.abril.com.br/revista/exame/edicoes/0929/marketing/marketing-vem-ruas-391506.html

Por diversas vezes já se decretou o aparecimento de um novo consumidor – exigente e imune aos apelos do marketing. Os membros dessa nova geração seriam quase inatingíveis pelas campanhas tradicionais e representariam o desafio do século para os marqueteiros de grandes corporações. Um livro recentemente lançado nos Estados Unidos chama a atenção por levantar um argumento quase oposto. Escrito pelo jornalista Rob Walker, Buying In (algo como “Comprando a idéia”, numa tradução livre) defende que os consumidores de hoje nunca estiveram tão predispostos ao consumo nem se engajaram de maneira tão intensa na construção das marcas. Walker explica que algumas marcas souberam perceber o novo comportamento e seguir essa tendência adotando duas táticas: tornando-se mais atentas às reações que vinham das ruas e optando por mensagens mais sutis em suas estratégias de persuasão. O jornalista criou um neologismo para nomear o novo relacionamento entre empresas e consumidores – “murketing”, união das palavras marketing e murky (nebuloso, em inglês). O termo, segundo o autor, sintetiza uma relação em que as marcas se dedicam a construir uma relação de cumplicidade com o consumidor – em que as armas mais eficazes passam longe de campanhas convencionais na TV.
Walker constrói a maior parte de seus argumentos com base em entrevistas e observações realizadas para a coluna semanal sobre consumo que assina há mais de quatro anos na revista semanal do jornal The New York Times. Ele dedica boa parte da obra a dar exemplos de marcas que ganharam “vida própria” nas ruas, ao adquirir características que as empresas que as criaram nunca planejaram. É o caso da Converse, fabricante dos tênis All Star, símbolos de rebeldia para uma legião de consumidores. A empresa ganhou fama no começo do século 20, quando um jogador profissional de basquete chamado Chuck Taylor tornou-se um dos primeiros atletas a fazer propaganda de um produto. Taylor foi contratado para visitar clínicas de basquete em todo o país e promover os tênis All Star junto aos atletas. Logo a Converse se tornou líder em calçados esportivos – e durante décadas reforçou sua imagem com a contratação de novos astros do esporte. Nos anos 80, porém, quando concorrentes como a Nike inundaram as lojas com modelos de tecnologia mais avançada, a velha fabricante entrou numa espiral de decadência que quase a levou à falência. O que salvou a Converse (e, mais tarde, motivou a própria Nike a adquiri-la em 2003) foi o fato de, aos poucos, os próprios consumidores começarem a associar o All Star a uma aura de contestação e descompromisso. À revelia da empresa, a imagem foi cristalizando de tal maneira que os tênis chegaram aos pés de roqueiros e artistas que nunca pisaram numa quadra de basquete. Com a fama de “descolada”, a Converse alcançou novos públicos e se manteve no mercado. Hoje, a própria empresa se vale desta imagem em suas campanhas, com a contratação de ídolos como Julian Casablancas, vocalista da banda Strokes.
Segundo Walker, as empresas precisam estar atentas aos grupos de consumidores que inesperadamente podem dar sentido a um produto – ou, para seguir a metáfora do autor, “criar uma narrativa”. Um dos melhores exemplos disso é o da cerveja Pabst Blue Ribbon, uma marca quase desconhecida, consumida durante décadas por pais de famílias dos subúrbios americanos. Para surpresa dos executivos da cervejaria, o produto caiu no gosto dos universitários de grandes cidades e passou a ser vendido em bares freqüentados por um público que os próprios representantes de venda da empresa classificavam de “aquela gente alternativa”. Com o reposicionamento forçado, a Pabst entrou na mesma sintonia e começou a patrocinar rádios de rock pouco conhecidas e viu suas vendas dobrar, entre 2001 e 2006, ao se tornar uma espécie de hit da contracultura.
O autor também demonstra o poder do marketing das ruas ao descrever os efeitos do “marketing do buchicho”, realizado por empresas especializadas que instruem centenas de voluntários a divulgar no boca-a- boca um determinado produto. Detalhe: os agentes devem tentar convencer inclusive amigos e parentes, em geral sem contar que estão recebendo algo em troca (como amostras do produto) pela indicação. Segundo Walker, a tática costuma dar bons resultados e já atraiu empresas como a UPN, dona do canal de TV responsável pelo reality show America’s Next Top Model. O canal contratou uma empresa para rastrear na internet centenas de adolescentes fãs do programa e distribuiu “kits de festa” às garotas, com a condição de que elas reunissem suas amigas em casa para assistir ao show. A gigante Procter&Gamble criou sua agência de propaganda boca a boca e diz contar com um cadastro de mais de 500 000 mães, dispostas a divulgar de fraldas a pasta de dente. A eficiência dessa estratégia vem do fato de que, quanto mais genuína parece a mensagem do produto, mais rapidamente ele será aceito pelas pessoas. A conclusão, segundo Walker, é que ainda estamos bem longe de ser imunes – ou pelo menos existem artimanhas eficientes para driblar a exaustão da publicidade de massa. A figura do “superconsumidor” que não se deixa influenciar por ninguém, para ele, não passa de um personagem de ficção.

 

 

 

 

– Empreendedorismo: o sucesso do ex-caseiro gaúcho

Compartilho um case interessante, onde um ex-caseiro gaúcho tornou-se um empresário de sucesso, através de práticas empreendedoras.

Extraído do “Blog das Pequenas e Médias Empresas”

(http://portalexame.abril.com.br/revista/pme/edicoes/0018/ele-esta-sempre-alerta-451505.html)

Ele está sempre alerta

O ex-caseiro Cesar Folle enxergou espaço para crescer com uma empresa de serviços para condomínios, a Top Service. Ele vendeu o negócio – e já montou um novo, que tem a própria Top Service como cliente

Por Arlete Lorini – Portal EXAME  

Grande parte do patrimônio inicial da Top Service, empresa gaúcha de manutenção predial, se esvaiu apenas dez dias após sua inauguração, em dezembro de 1995. O fundador, Cesar Folle, hoje com 35 anos, estava fora quando dois ladrões entraram na sede da empresa – que era também sua casa. Eles trancaram seu irmão e seu sócio no banheiro e levaram um computador, um fax e um telefone. Pode parecer pouco para muitas empresas, mesmo as pequenas. Mas não para a Top Service. Folle havia deixado um emprego de auxiliar administrativo e os bicos de caseiro e apostado todas as economias – 2 500 reais – na criação do negócio com um amigo de infância. “Meu sócio quase desistiu”, diz Folle. “Eu insisti para continuarmos. Já tinha pedido demissão, era tudo ou nada.”

Aos poucos, a persistência deu resultado. Em 2007, a Top Service faturava 60 milhões de reais ao ano, empregava 2 700 pessoas e atendia grandes clientes, como GM e Gerdau. O negócio despertou o interesse do fundo de investimento GP, ao qual Folle e seu sócio acabaram vendendo a empresa.

Ao deixar o comando da Top Service, Folle ouviu mãe, tios e amigos dizerem que devia se aposentar. “Eles falavam que era hora de relaxar e curtir a vida”, diz. Folle ignorou as recomendações e continuou a empreender. Ainda em 2007, pegou parte do dinheiro da venda da Top Service e começou outro negócio – a BR Supply, que fornece suprimentos a empresas, como computadores, material de escritório e produtos de limpeza.

Empreender é um impulso antigo para Folle. “Meu sonho de infância era ter uma empresa com 100 funcionários”, diz. Nascido em Iraí, no interior gaúcho, filho de uma auxiliar de limpeza e de um vigilante bancário, Folle começou a trabalhar cedo, comprando maçãs na praça central e revendendo-as pelo dobro do preço de porta em porta. Também fazia cobranças para lojas e farmácias.

Aos 18 anos, foi para Porto Alegre prestar serviço militar. Ganhava dois salários mínimos, quatro vezes o que tirava antes. Com a morte do pai, abandonou o Exército e voltou para perto da família. Meses depois, conseguiu trabalho de auxiliar administrativo numa empresa de São Leopoldo, na região metropolitana da capital. Achou que era a hora, novamente, de deixar a casa da mãe.


Outros números, mesmos clientes

Nos fins de semana, fazia bicos de caseiro. Folle reparou que os proprietários se descuidavam de seus quintais e que, embora às vezes até contratassem jardineiros, não tinham quem fizesse uma manutenção regular. A partir daí, a Top Service foi tomando forma. “Achei que poderia dar um jeito naquelas plantas e ganhar um bom dinheiro com isso”, diz Folle. Para ele, a ideia tinha a vantagem de ser muito simples – não exigia estudo acadêmico, conhecimentos aprofundados nem grandes investimentos. Para criar a empresa, convidou um amigo, Eduardo Fleischhauer, hoje com 34 anos.

O começo foi difícil. “Às vezes, minha mãe me mandava dinheiro para comprar comida”, diz. A situação só melhorou seis meses depois, quando a Top Service foi contratada para fazer a limpeza de um grande condomínio. Mas a chance de crescer para valer apareceu em 1997. Um dia, o telefone tocou. Era um funcionário da filial gaúcha da GM, que precisava de alguém para aparar a grama dos arredores da fábrica e servir cafezinho nas reuniões. Embora a Top Service nunca tivesse servido cafezinho na vida, Folle topou na hora a proposta. Ele soube depois que a GM havia chegado à Top Service pela lista telefônica. “Publiquei o maior anúncio possível para parecer que éramos grandes”, diz.

Três anos depois, a GM abriu uma licitação para limpeza fabril. “Não sabia nem que tipo de limpeza era aquela, mas queria fazer”, diz Folle, que contratou um executivo de uma multinacional que prestava serviços para grandes empresas. Ele ensinou a Folle os métodos usados naquele tipo de tarefa e o ajudou a montar uma proposta. A Top Service venceu a concorrência. Trabalhar para a GM atraiu outros clientes grandes. Naquele ano, as receitas cresceram 300%. 

Em 2007, quando a Top Service faturava 60 milhões de reais ao ano, o GP fez a proposta de compra. Segundo Folle, a empresa estava bem financeiramente, mas enfrentava um dilema – os sócios tinham estilos diferentes. “Folle sempre gostou de correr mais riscos que eu”, diz Fleischhauer, que achava que a Top Service não tinha fôlego para deixar de ser uma empresa regional. Já Folle queria acelerar a expansão para outros estados. “Ou crescíamos e acompanhávamos as necessidades dos clientes ou no médio prazo não conseguiríamos nem sobreviver”, diz Folle. Os dois concluíram que era melhor vender.

A negociação com o GP levou oito meses. Folle vacilou em alguns momentos. Ele e seu sócio chegaram a precisar de orientação de um coaching, que os ajudou a se desprender psicologicamente da empresa. O negócio foi fechado em 38,5 milhões de reais, bem mais que a proposta inicial. Folle ficou com os imóveis, que foram alugados à própria Top Service. Ficou ainda com a estrutura do departamento de vendas de produtos da empresa, que daria origem à BR Supply.

A partir de então, os amigos tomaram rumos diferentes. Fleischhauer adquiriu franquias da lavanderia 5àSec, da rede de enxoval MMartan e da operadora de celular TIM. Folle guardou parte do dinheiro e investiu um terço dele na criação da BR Supply.

O modelo de negócios da BR Supply consiste em fornecer o maior número possível de suprimentos às empresas – são 4 000 itens, que vão de material de escritório e produtos de limpeza a notebooks, automóveis e lanches. A companhia também monta lojas nas instalações de alguns clientes, que pagam apenas pelo consumo. Como a BR Supply nasceu do departamento de vendas de produtos da Top Service, ela partiu de uma carteira de 40 clientes. Por isso, em 2008, a empresa já faturou 15 milhões de reais. Hoje a lista tem, além da Top Service, outros velhos conhecidos, como Gerdau e Marcopolo.

Na nova empreitada, Folle tem desafios pela frente. Um dos mais importantes é a concorrência. “O setor de suprimentos está saturado”, diz Ernani Araujo, sócio da AnFreixo, de São Paulo, que fornece adesivos, ferramentas e equipamentos de segurança a grandes empresas. Folle acredita que a chave para superar esse obstáculo é sua ampla oferta de produtos e serviços. “Poupamos o cliente do trabalho de lidar com muitos fornecedores”, diz. “Se alguém precisar de um trator, eu compro um e alugo para ele.” Ocorre que essa aposta na variedade também pode trazer problemas. “O grande risco é perder o foco”, diz Marcus Regueira, do fundo de investimento Fir Capital. Folle acha que vai dar tudo certo, e prevê faturamento de 150 milhões de reais em cinco anos. Para alcançar essa meta, está negociando um aporte de capital com dois fundos.

Folle está tendo de conciliar toda essa rotina empresarial com compromissos pessoais também intensos. Nos últimos tempos, tem alimentado a expectativa de como vai ser a vida com sua primeira filha, Julia. Também continua próximo dos amigos do interior – já pagou até a faculdade de um deles. Para a mãe, comprou um apartamento no único edifício com elevador da cidade de Iraí. Para ele próprio, comprou uma cobertura que enfeitou com algumas plantas – nada que lembre os jardins que a Top Service cuidava. “Nunca gostei de cortar gramas”

– Mudanças no Comércio Local

Mudanças a vista: segundo Ricardo Diniz, presidente da Associação Comercial de Jundiaí, o horário do comércio da cidade mudará. Durante a semana, das 09:00 às 18:00h, e aos sábados, das 09:00 às 16:00h. Nos sábados posteriores ao dia 05, o horário se estenderá até as 18:00h.

São mudanças que visam uma melhora no comércio para aumento de vendas. Mas… será que é o horário que assusta muitas vezes o consumidor do Centro, ou outras causas? A primeira: falta de vagas para estacionar em ruas estreitas e estacionamentos pagos caros; a segunda: roubo de veículos. Se assalta todo dia, em diversos (e conhecidos) trechos, e ninguém faz nada!

De repente, o problema não é o horário: é a insegurança.

– Cervejas Especiais premiando Brasileiros

Compartilho material enviado pelo aluno Alex Branco, a respeito da premiação glamourosa da Cervejaria Schincariol e a conquista de novos consumidores em novo mercado, segundo reportagem da Gazeta Mercantil.

Primeiramente, vemos o esforço em cervejas “especiais” (que são diferentes das “premium”). Tal segmento vem ganhando destaque no mercado cervejeiro nos últimos tempos, e parece ser uma investida certeira das cervejarias nacionais, criando não só marcas, mas bares e possíveis franquias temáticas. A seguir, outras ações (abaixo):

Cervejas especiais elevam vendas da Schincariol

O crescimento do mercado de cervejas especiais já levou cervejarias a entrar no segmento. A Schincariol a adquirir, em 2008, três grandes nomes entre as especiais: Baden Baden, de Campos de Jordão (SP); Eisenbahn, de Santa Catarina, e Devassa, do Rio de Janeiro. E o motivo está nos números deste segmento. Enquanto o mercado de cervejas como um todo cresceu 5% no último ano, as bebidas especiais registram um percentual três vezes maior.

 No entanto, o diretor de marketing da Schincariol, Marcel Sacco, afirma que ainda há muita confusão sobre este segmento e aquelas tradicionais cervejas chamadas “premium” pela indústria tradicional. As especiais seguem outras regras de elaboração e escolha dos ingredientes, muito diferente da elaboração da cerveja em escala”, diz.

 Segundo o executivo, mesmo sendo um mercado bem menor, ele é muito promissor por causa das margens. Além disso, o executivo avalia que, sendo um mercado de nicho, não deve sofrer tanta oscilação, principalmente se a renda continuar se mantendo.

Para manter a pureza e a individualidade das empresas adquiridas, a Schincariol mantém as operações independentes. “O grupo contribui na ampliação da distribuição”, explica. As três marcas hoje já chegam a Belo Horizonte, Porto Alegre e outras grandes capitais do Nordeste.

 A manutenção do trabalho diferenciado das cervejarias, independente do Grupo Schincariol, deu bons resultados. Juntas, as três marcas já somam 12 medalhas no Australian International Beer Awards 2009, um dos grandes prêmios do setor de cervejaria, segundo a beer sommelier Cilene Saorin.

De acordo com Sacco, a empresa ganhou, individualmente, o mesmo número de medalhas que todas as cervejarias da América do Sul juntas, concorrendo em pé de igualdade, com grandes e tradicionais marcas do mundo inteiro. “Isso demonstra lá fora que o Brasil sabe fazer mais do que a ‘loura gelada do dia-a-dia’”

O executivo admite que esse reconhecimento, de alguma maneira, mostra que a empresa, conhecida inicialmente por fazer produtos populares, agora também oferece produtos premium. “Hoje detemos as três marcas líderes desse mercado de cervejas especiais e conquistamos o reconhecimento”, diz.

O trabalho diferenciado com as marcas chega até o varejo, onde o Grupo Schincariol mantém franquia de bares, sendo quatro lojas no aeroporto de Cumbica, em São Paulo, com as marcas Devassa e Eisenbahn; uma loja também da Devassa no bairro dos Jardins, também na capital paulista, e 15 lojas da marca carioca no Rio de Janeiro. “As franquias são canais excelentes, tanto em volume de vendas como em retorno de imagem”, explica Sacco.

Além disso, o grupo ainda registra um crescimento de 20% das vendas através do supermercados, o que antes não chegava a representar 14%. “Claro que o preço é diferenciado, mas estas não são cervejas para se tomar em quantidade e sim para degustação”, explica o diretor.

Novos negócios

Mesmo se definindo com uma cervejaria na essência, o Schincariol está trabalhando para entrar em novos segmentos. Atualmente, o mix de produtos é dividido entre 75% de cervejas e 25% não-alcóolicos. Os números vêm mudando nos últimos dois anos, quando a relação era de 82% para 18%. “As chamadas bebidas saudáveis ganham espaço em todo o mundo e no Brasil não será diferente. Por isso, queremos ter um portfólio completo e a estratégia é chegar até o final do ano com uma divisão de 70% para cerveja e 30% não alcóolicos”, acrescenta.

A Schincariol tem capacidade para produzir 4 bilhões de litros por ano e projeta um faturamento de R$ 5 bilhões para este ano.

Veículo: Gazeta Mercantil 22/04/2009

– A Reestruturação da Empresa Familiar

Já debatemos em sala de aula como o termo “Empresa Familiar” é erroneamente tratado de maneira pejorativa no Brasil. Vemos agora, segundo a Revista Exame (citação abaixo), como a Schincariol, exemplo de Administração Familiar, após uma conturbada saída de Adriano Schincariol e um processo de “desfamiliarização” da empresa, volta ao princípio anterior (o que pode ser positivo), através de uma reestruturação no quadro executivo.

Extraído de: http://portalexame.abril.com.br/negocios/cinco-diretores-deixaram-schincariol-neste-ano-451690.html

Cinco diretores deixaram a Schincariol neste ano

Em quatro meses, a fabricante de bebidas praticamente desfez o quadro de diretores que levou dois anos para montar com a ajuda de headhunters

 

Por Cristiane Mano

A saída do executivo Fernando Terni da presidência da fabricante de bebidas Schincariol, substituído em dezembro pelo seu antecessor Adriano Schincariol, mostrou-se apenas o primeiro movimento de uma reação em cadeia. Neste ano, outros cinco diretores deixaram a empresa.

A baixa mais recente é a de Marcos Cominato, ex-diretor de recursos humanos da Schincariol, que assumiu nesta semana o mesmo posto na fabricante de eletrônicos LG para a América Latina. Os demais são Álvaro Mello, ex-diretor de tecnologia, Alexandre Romualdo, ex-diretor financeiro, Rudinei Kalil, ex-diretor de vendas para a região Norte, e Fernando Salazar, ex-diretor de vendas para a região sul.

O resultado é que, entre janeiro e abril deste ano, a Schincariol praticamente desfez o quadro de diretores que levou dois anos para montar com a ajuda da empresa de headhunting Egon Zehnder. Nesse período, a companhia contratou pelo menos oito diretores de companhias como Unilever e Telefônica. Hoje restam na função apenas três dos novos contratados – o diretor de marketing Marcel Sacco, ex-Cadbury, o diretor de estratégia Johnny Wei, ex-Nestlé, e o diretor jurídico Robin Castelo.

Gino Di Domenico, diretor de operações, tornou-se subordinado de Gilberto Schincariol, vice-presidente de operações da empresa. Assim como o primo Adriano Schincariol, Gilberto retornou ao cargo que ocupava antes da contratação de executivos de mercado para posições-chave na companhia. Em quase todos os casos, os executivos que saíram foram substituídos com promoções internas.

A cervejaria não confirma oficialmente, mas as saídas se devem em boa parte a uma medida de corte de custos. De acordo com o balanço publicado ontem, 23 de abril, a Schincariol registrou prejuízo de 132 milhões de reais em 2008 – embora as vendas tenham crescido 7,4% e chegado a cerca de 5 bilhões de reais e a participação de mercado de cervejas tenha passado de 11% para 13,2% no período.

Na época do afastamento de Terni, após dois anos no cargo, Adriano Schincariol enviou um comunicado dizendo: “A economia e o mercado enfrentam um momento de grande volatilidade. Por isso resolvemos estar mais próximos do dia-a-dia do negócio.”

– Sobre Caborés e Francileudos

Cada vez mais me impressiono com a capacidade produtiva do futebol brasileiro e o potencial de exportação do seu principal produto: o jovem atleta.
O atual homem-gol da Europa vem da Croácia, joga na Inglaterra e se chama Eduardo da Silva. Croata chamado “Da Silva”? Sim, o jovem Da Silva foi “importado” pelos croatas após ser observado durante o 1º Campeonato Brasileiro de Futebol de Favelas, quando tinha 16 anos. De um morro carioca para a artilharia da Premier League, pelo londrino Arsenal.
Mas não é um caso isolado. O centroavante titular absoluto da Tunísia é o maranhense Francileudo. No alemão Sttutgar, temos o carioca Kevin Kurany, que também é centroavante da Alemanha. Tivemos a pouco tempo, pela Seleção Japonesa, o centroavante Wagner Santos. Ou o camisa 10 belga Oliveira, que nasceu em São Luís-MA mas se notabilizou com o nome de Oliverrá. Ou o volante Marcos Senna, pela Fúria Espanhola. E paremos por aqui, pois a lista é grande e o tempo curto.
Nossos craques vão cedo ao exterior. Fazem bem, pois pode ser uma oportunidade ímpar para tentarem a estabilidade financeira. Mas se para o pobre boleiro a situação é sensacional, para os clubes isso pode ser terrível. E para a seleção? Na próxima Copa, teremos quase um time de brasileiros espalhados por outras nações com a condição de naturalizados.
Se a FIFA não tomar providências, logo veremos a mesma situação do Futsal no Futebol, onde a seleção espanhola e a seleção italiana não falam suas línguas nativas, mas jogam sobre a fala do português com sotaque brasileiro.
Por fim, não falei do Caboré. O jovem atleta nascido na Rondônia foi naturalizado coreano e é o artilheiro da K-League, e pode ser transferido por US$ 3 mi para o Japão! Já imaginaram? Descendente indígena coreano Caboré marcando gols contra a seleção canarinho?

– Schincariol derruba Ronaldo e Bhrama

Em tempos de propaganda politicamente correta, a Schincariol alegou que o jogador Ronaldo (garoto propaganda da Ambev) é um ídolo das crianças, e ao fazer publicidade para sua cervejaria concorrente, a Bhrama, estava prestando um desserviço a sociedade, associando álcool com o sucesso. Conclusão: Ronaldo não poderá mais ostentar um copo de cerveja nas telas da TV.

Extraído de: http://br.invertia.com/noticias/noticia.aspx?idNoticia=200904231335_RED_78014935

 

 

O Conselho Nacional de Auto-regulamentação Publicitária (Conar) aceitou na última segunda-feira uma denúncia feita pela cervejaria Schincariol contra propaganda veiculada pela rival Brahma com o atacante Ronaldo, que iria contra o código de ética do mercado publicitário brasileiro.

De acordo com a denúncia, a campanha vincularia o sucesso do jogador ao consumo de cerveja e o forte apelo de Ronaldo com o público infantil impossibilitaria sua aparição em anúncios deste tipo. Além disso, o código do Conar veta associação de atletas com uniforme de esportes olímpicos em propagandas de bebidas alcoólicas.

Segundo informações do órgão regulador, os representantes do conselho de ética devem julgar o caso em 20 ou 30 dias. O criador da campanha, Eduardo Martins, da agência África, é membro do conselho, mas não poderá votar neste caso, por ser uma das partes interessadas.

A assessoria da Ambev, grupo da marca Brahma, afirmou nesta quinta-feira que ainda não foi notificada da denúncia. No entanto, alguns ajustes já foram feitos no comercial, como a substituição da fala de Ronaldo “eu sou brahmeiro” por “eu sou guerreiro”. A nova peça é veiculada desde o último domingo. 

– A Ressureição de uma Marca

A Topper mudou sua logomarca e estratégia. Assim, a Revista Exame montou um case interessantíssimo sobre as novas ações da marca, e a felicidade do seu executivo Fernando Beer, ao ver o centroavante Kléber Pereira, do Santos FC, agarrado a bola na primeira página de todos os jornais, na segunda-feira após a vitória histórica da equipe contra a Ponte Preta. A publicidade nessas mídias foi sensacional

Extraído de: http://portalexame.abril.com.br/revista/exame/edicoes/0941/marketing/ressurreicao-marca-449169.html

A ressurreição de uma marca

Uma das marcas mais conhecidas de artigos esportivos do país, a Topper envelheceu frente à agressividade dos concorrentes. Agora tenta se reinventar para recuperar o terreno perdido

 

Por Daniel Hessel Teich

 

Apaixonado por futebol, o executivo Fernando Beer, diretor da área de artigos esportivos da São Paulo Alpargatas, é um corintiano fanático. Mas no último dia 6 de abril, uma segunda-feira, Beer acordou santista. A súbita mudança se deveu às espetaculares fotos do jogo Santos e Ponte Preta que estamparam as primeiras páginas dos principais jornais de São Paulo. Nelas, o artilheiro santista Kleber Pereira aparecia comemorando seu primeiro gol na sofrida partida, marcado aos 39 minutos do primeiro tempo, levantando a bola para o céu. A bola em questão, da Topper, é uma das peças-chave na estratégia de marketing que Beer está desenvolvendo para trazer de volta o brilho da marca. “Eu literalmente estou me sentindo o dono da bola”, diz Beer. Pertencente à Alpargatas e antiga patrocinadora da Seleção Brasileira de Futebol em duas copas do mundo, a Topper nos últimos anos se transformou numa marca de pouca expressão, ofuscada pelas grandes grifes esportivas globais e mesmo pelas rivais brasileiras mais agressivas. De janeiro para cá, a Topper tem passado pelo mais radical processo de reformulação de sua história, desde que foi lançada no país, em 1975. A marca foi redesenhada e novos produtos foram lançados – entre eles a bola de futebol exibida pelo jogador do Santos. E, no início de maio, a empresa se prepara para lançar uma campanha publicitária – a maior desde 2003, quando a marca contratou Pelé como garoto-propaganda.

Apesar de o futebol continuar sendo um pilar essencial dos negócios da Topper – líder na venda de tênis e chuteiras para o esporte, com 20% de participação de mercado -, o objetivo é expandir a marca para outros segmentos. O motivo é simples: os tênis para futebol significam apenas 5% das vendas do mercado de calçados esportivos no Brasil, que movimentou 2,2 bilhões de reais em 2008. Ao mesmo tempo, o segmento de corrida, o que mais cresce no país, responde por 35%. “Não podíamos ficar restritos a um nicho de mercado, precisávamos crescer em direção a outros esportes”, diz Beer. Para avançar, era necessário desconstruir a velha marca, calcada num logotipo com um T estilizado, desenhado na década de 80. “A Topper era uma marca antiga, com pé no passado e que não passava a ideia de inovação, atributo fundamental para o esporte”, diz Ana Couto, designer responsável pelo novo desenho do logo e pela tipologia do nome. A marca passou a investir também em produtos mais tecnológicos, como a chuteira One Professional, feita de couro de canguru, usada pelo goleiro Marcos, do Palmeiras, e o tênis Royal, do tenista Thomaz Belucci, primeiro colocado no ranking brasileiro. Em sua primeira loja em São Paulo, inaugurada recentemente, a Topper vende também roupas para ginástica e tênis femininos.

Reformular uma marca com décadas de tradição é um movimento que exige certos cuidados – um dos maiores riscos, por exemplo, é perder os antigos consumidores sem conquistar os novos. Na década de 90, a marca alemã Puma, espremida por uma dívida de 100 milhões de dólares, quase dez anos de prejuízos e contínuas perdas de participação de mercado, estabeleceu uma espécie de modelo para outras empresas que tentavam se aventurar nesse caminho. A marca adotou uma estratégia que misturava esporte com moda. Ao mesmo tempo que encomendava suas coleções a estilistas de vanguarda, como os britânicos Alexander McQueen e Hussei Chalayan, a Puma estreitou laços com equipes de futebol, atletismo e outros esportes, como automobilismo, desenvolvendo produtos exclusivos e de alto desempenho – entre os patrocinados pela Puma estão a Seleção Italiana de Futebol e a equipe Ferrari de Fórmula 1. A bem-sucedida fórmula rendeu à Puma a terceira colocação entre as maiores marcas globais de artigos esportivos, atrás apenas de Nike e Adidas. “Uma mudança de posicionamento radical leva tempo e inclui variações de percepção e imagem, que devem ser acompanhadas de uma série de ações muito coerentes”, diz Alejandro Pinedo, diretor do escritório brasileiro da consultoria internacional de avaliação de marcas Interbrand.

Assim como a Puma fez no passado, a Topper tenta realizar as mudanças sem, no entanto, abrir mão de suas qualidades e dos consumidores tradicionais. O que não significa que o novo posicionamento da marca esteja sendo bem-aceito por todos. Logo que foi anunciada, no início do ano, a mudança de seu logotipo provocou uma chuva de protestos na internet – um deles, postado em um blog de colecionadores de camisas de times de futebol, diz que a nova marca “é boa para uma loja de sungas”. Especialistas em reestruturação de marcas, porém, alegam que esse tipo de reação é natural e que mudanças como as adotadas pela Alpargatas demoram pelo menos cinco anos para se consolidar e render resultados. No caso da Topper, a experiência faz parte de um movimento abrangente, que tem como objetivo criar uma marca internacional com atuação na América Latina, gerida a partir do Brasil. O projeto de reformulação da marca surgiu em meio ao processo de fusão entre as operações da Alpargatas no Brasil e na Argentina, em 2007. As duas empresas, que tiveram um passado remoto comum, cresceram e se desenvolveram isoladamente em seus mercados e, ao atuar juntas, apresentavam perfis distintos. Ambas tinham, por exemplo, a marca Topper. No entanto, enquanto no Brasil a marca era focada basicamente em futebol, na Argentina tinha uma vasta linha de calçados destinados a vários esportes (há até modelos para rúgbi, por exemplo). Líder em seu país, a Topper argentina tem hoje 32% de participação de mercado e forte presença no Chile. “Decidimos aproveitar essa vantagem e unificar as operações em torno de uma única marca, modernizada e com apelo regional para a América Latina”, diz Beer.

Em sua nova encarnação no mercado brasileiro, a Topper enfrentará um duplo confronto. Por um lado, terá de crescer em segmentos dominados por grandes marcas globais. Por outro, precisará enfrentar um concorrente nacional robusto, a Olympikus, que tem contrato de patrocínio com o Comitê Olímpico Brasileiro. A estratégia da Alpargatas – dona também das marcas esportivas Mizuno, Timberland e Rainha – é posicionar a marca um degrau abaixo das marcas de alta performance, com preços agressivos. Com isso, sua chuteira mais sofisticada, a de couro de canguru, custa 299 reais, de 200 a 300 reais menos do que as concorrentes. Os tênis de corrida, por sua vez, estão numa faixa de 150 a 170 reais, cerca de 100 reais menos do que os similares de outras marcas. Para atrair novos consumidores, a empresa está investindo numa agressiva campanha viral com blogueiros na internet e nas academias de ginástica das principais capitais brasileiras. “Mais do que apostar em patrocínios caros e contratação de celebridades, queremos atrair a atenção dos consumidores nos lugares onde eles estão”, diz José Eustachio, sócio da agência Talent, responsável pela campanha. A sorte também tem dado sua contribuição – basta conferir a foto de Kleber Pereira com a bola. 

– Contra a Pepsico, lojas da Pringles!

A Procter & Gamble anunciou que quer dobrar sua participação no mercado de batatas fritas no Brasil. Hoje ela detem 8,7%, através da batata em lata Pringles, contra 72% da Rufles + batata em lata da Elma Chips. Para isso, ela abrirá lojas temáticas Pringles Shop, onde haverá games, brincadeiras, espaço de degustação e uma gama muito grande de produtos.

Para os “gulosos”, essa loja deve ser um perigo!

 

– A Crise dos Parques de Diversão no Brasil

Há tempos o Hopi Hari vem utilizando de alternativas para solucionar seus problemas financeiros. A propósito, problemas financeiros transformaram a maior parte dos parques de diversão do Brasil em péssimos negócios. Veja como eles estão, e quanto dão de prejuízo:

Extraído de: http://br.invertia.com/noticias/noticia.aspx?idNoticia=200904221102_GZM_78011193&idtel=

Parques de diversão viram “mico” entre investidores no Brasil

 

Maria Luíza Filgueiras (Gazeta Mercantil)

Parques de diversões, tidos como máquinas de fazer dinheiro nos Estados Unidos, transformaram-se num “mico” sem precedentes entre experientes investidores brasileiros. Playcenter, Terra Encantada, Water Park e Hopi Hari são exemplos de empreendimentos que desafiaram a lógica de fundos de private equity e de pensão: o investimento feito não retornou em dobro. Em poucos casos, aliás, retornou em alguma dimensão.

O mais curioso é que investidores e administradores continuam sem saber o que deu errado. Alguns culpam a estratégia de marketing, outros culpam os próprios investidores que não quiseram dar um pouquinho mais para fazer o negócio funcionar. Há quem acuse o brasileiro por suas opções de entretenimento, trocando um dia no parque por um passeio no shopping center ou um dia inteiro na frente da TV.

Independente da causa, muitos desses fundos continuam na composição societária de parques de diversões, seja por falta de comprador ou expectativa de reverter parte do prejuízo. No caso do Wet’n Wild, as duas versões são válidas. A Fundação dos Economiários Federais (Funcef), fundo de pensão dos funcionários da Caixa Econômica Federal, pode estar perto de receber, pela primeira vez, retorno financeiro de um investimento que fez há quase 13 anos – e só lhe rendeu dor de cabeça.

O fundo entrou como o maior debenturista da sociedade Serra Azul, controladora do parque Wet’n Wild, na cidade paulista de Itupeva, na distribuição feita em 1996. À época, bancos e fundos adquiriram os papéis de dívida perpétua, total de R$ 54 milhões, parte da estrutura de financiamento para construção do complexo de lazer.

O restante foi distribuído entre Unibanco AIG, Fundação Philips de Seguridade Social, Fundação Francisco Bastos Martins (fundo de pensão da Companhia Ipiranga de Petróleo) e a Método Engenharia (construtora e operadora do parque) – composição que pouco tem a ver com a atual.

A proposta da Funcef foi transformar as debêntures em ações e ter de fato a figura de sócios. Na nova composição, os acionistas são a Funcef, a Método e os executivos Alain Baldacci e Fernando Furriela – ambos tinha créditos a receber da Wet”n Wild International, que foram trocados por participação na Serra Azul.

Os antigos contratos de royalties e administração foram rescindidos e as novas cláusulas adaptadas ao interesse do parque – a remuneração de operação será baseada em resultado, e não mais em faturamento, e o contrato de royalty fixo em reais, já que o antigo era variável e em dólar.

Debenturistas, operadora e franqueadora levaram dois anos para chegar num consenso sobre o plano de reestruturação. Em boa medida porque a operadora e a franqueadora não queriam passar de prestadoras de serviço à acionistas de uma empresa quebrada. “Mas se ninguém abrisse mão, chegaríamos à total insustentabilidade do parque, com disputa por ativos restantes, como terreno e equipamentos”, explica Carlos Rosa, diretor de participações da Funcef.

A conclusão é que o parque pode iniciar uma nova fase já que, segundo Rosa, tem visitantes e receita suficiente para custeio e sobra de recursos para investimento. Na simulação dos investidores, com o faturamento bruto atual de R$ 18 milhões, o complexo poder gerar R$ 1,2 milhão de Ebitda.

A situação é semelhante à do Hopi Hari, na avaliação de Nelson de Sampaio Bastos, à frente da Íntegra, consultoria especializada em reestruturação de companhias em dificuldade que fez proposta para assumir o parque de diversões. “O Hopi Hari é operacionalmente viável, mas tem o peso da dívida, por isso estamos planejando uma reestruturação financeira em entendimento com o BNDES, que é credor, e os sócios”, diz o executivo.

O complexo de lazer, que mantém público anual de 1,5 milhão de pessoas, mantém uma geração de caixa entre 15% e 18% sobre a receita – mas a Íntegra depende de um acordo com o BNDES para deságio da dívida, que torne seu plano de reestruturação viável. A estimativa de Bastos é que o processo leve até 50 dias para ser concluído. O parque também está na carteira da Funcef, além de Previ, Petros e GP Investimentos.

Venda com deságio ou perdão de dívida são as alternativas encontradas pelos investidores para minimizar danos. A Funcef, após provisionar uma perda de R$ 20 milhões em 2003 com o Wet’n Wild, chegou a avaliar a venda de sua participação. “Mas achamos que seria mal negócio, por estar vendendo um crédito, e não a participação de uma empresa, de debêntures cuja remuneração é zero. Não tem mercado secundário para isso”, explica Rosa, lembrando que os investidores iniciais saíram do negócio com venda dos papéis entre 3% e 5% do valor de face.

“Preferimos fazer uma nova tentativa e recuperar parte do valor. A idéia da Funcef é vender a totalidade ou parte das ações”, afirma. O fundo de pensão precisa enquadrar o investimento à resolução 3.456, que limita participação acionária desses investidores em 20% – com a reestrutu-ração, a Funcef passou a deter 56% das ações.

Em 2008, a dívida do parque rondava R$ 120 milhões, incapaz de fazer pagamento das obrigações iniciais, com patrimônio líquido negativo desde 2003. No caso do Hopi Hari, a dívida é estimada em R$ 500 milhões.

Segundo ‘round’
A avaliação desses agentes é que o segmento é viável, mas foi iniciado em bases equivocadas. “Vários negócios, como parques de diversão ou transporte ferroviário, exigem investimento significativo, mas o custo de capital torna a viabilidade difícil”, avalia Bastos.

“É relativamente usual encontrar situações em que a expectativa de retorno não se preenche porque o custo de capital é maior do que o negócio poderia permitir. A consequência é um ajuste na estrutura para que ela seja adequada à dívida e à geração de caixa.”

O desenho de reestruturação feito pela Íntegra para o Hopi Hari é de médio e longo prazo, para que o fluxo de caixa resulte na otimização operacional do parque e amortize a dívida. “Acredito que teremos um segundo ‘round’ no segmento, como aconteceu na hotelaria”, diz Rosa.

– A Primeira Empresa Brasileira Patrocinadora da FIFA

Ser gigante no mundo dos negócios não é para qualquer um. Depois da megafusão Itaú-Unibanco, o conglomerado financeiro anuncia uma ação mercadológica inédita: será, pela primeira vez, uma empresa legitimamente brasileira a patrocinar uma Copa do Mundo. A parceria coma FIFA visa a tornar o banco uma instituição mundial!

Extraído de: http://portalexame.abril.com.br/negocios/itau-fecha-patrocinio-oficial-copa-mundo-2014-450202.html

Itaú fecha patrocínio oficial da Copa do Mundo de 2014

 

Banco é o primeiro grupo nacional a assinar contrato com a Fifa para a Copa no Brasil

O banco Itaú assinou o contrato com a Fifa (Federação Internacional de Futebol) para patrocinar oficialmente a Copa do Mundo de 2014, que será realizada no Brasil. Este é o primeiro grupo nacional a formalizar seu apoio ao evento. O valor do contrato não foi divulgado.

Em comunicado, o Itaú destacou o potencial de investimentos que o torneio trará para o país. Para que o evento se realize, serão necessários importantes investimentos em infraestrutura. Participamos dessa parceria porque entendemos que somos parte desse compromisso com o país, afirmou Fernando Chacon, diretor executivo de Marketing do Itaú.

O acordo pemitirá ao banco ações promocionais específicas durante a competição, inclusive dentro dos estádios. Além disso, a instituição vai poder vincular todos os seus serviços ao mascote, logomarca e emblemas oficiais do torneio.

O Itaú já havia assinado contrato com a CBF (Confederação Brasileira de Futebol), em setembro de 2007, de apoio à candidatura do Brasil como sede da Copa. Entre os eventos que já patrocina, estão a Copa de 2010 juntamente com a Visa, e as transmissões televisivas dos jogos do Campeonato Brasileiro, Libertadores, e das Eliminatórias da Copa.

A seleção canarinho conta com o patrocínio do banco desde outubro do ano passado, cuja marca é estampada em todas as categorias masculinas e femininas da seleção. Esse contrato tem duração de seis anos, incluindo o período da Copa do Mundo no Brasil.

Para o presidente da Fifa, Ricardo Teixeira, a parceria confirma a importância da participação privada num evento deste porte, impulsionada, ainda mais, por ser realizada entre um dos maiores bancos do mundo e pela seleção que mais venceu a Copa na história.

– A Queda da General Motors

Símbolo incontestável da indústria automobilística dos últimos anos, tornando-se a maior do mundo, a GM, salvando-se da crise, será provavelmente a 10a. do ranking, segundo especialistas.

Há décadas brigando com a Ford pelo reconhecimento de patrimônio maior da indústria americana, seu fundador, Alfred Sloan, que mais tarde foi louvado pelo guru em Administração Peter Drucker, jamais ousara pensar em tamanha dificuldade.

Extraído de: http://portalexame.abril.uol.com.br/negocios/gm-sera-apenas-decima-maior-montadora-450180.html

“A GM será apenas a décima maior montadora”

Dan Neil, badalado crítico do setor automotivo do jornal “Los Angeles Times”, aponta os erros das montadoras americanas e afirma que os carros chineses não são uma ameaça, exceto por sua falta de qualidade

 

Por Tiago Maranhão

Divertido, sarcástico e muito polêmico, o jornalista americano Dan Neil conversou com EXAME por telefone, de sua mesa na redação do jornal “Los Angeles Times”, na Califórnia, e compartilhou um pouco de sua visão sobre a atual crise que atravessa o setor automotivo, em particular nos Estados Unidos, onde a (ainda) gigante General Motors e a combalida Chrysler lutam pela sobrevivência, lidam com a perspectiva de entrar em processo de concordata e agora dividem o mercado com montadoras chinesas e indianas.

Neil apontou as falhas de gestão da GM, mas acredita que marcas como Chevrolet e Cadillac vão sobreviver. “Os Estados Unidos nunca mais vão ter a maior montadora do mundo, mas ainda vão ter um espaço de destaque”.

Em 1994, Dan Neil deixou muitos colegas de nariz torcido ao receber o Prêmio Pulitzer, glória máxima do jornalismo nos Estados Unidos, por suas resenhas sobre lançamentos de carros. Além de 10 000 dólares, Neil ganhou a inveja dos críticos de ópera, literatura, cinema e outras artes refinadas. “Carros são apenas utensílios, assim como os de cozinha”, disse à época John Simon, crítico de teatro da New York Magazine. “Escrever sobre carros não é crítica, é reportagem”, continuou.

Antes disso, Neil, que construiu sua carreira no The New York Times, chegou a ficar desempregado após publicar o artigo intitulado “Relações Extraconjugais na Caçamba de um Ford”. Leia a seguir um pouco das opiniões do que o conselho do Pulitzer chamou de um jornalista “com críticas de estilo inconfundível, que transborda conhecimento técnico com um humor inabalável”.

EXAME – É correto afirmar que está se desenhando uma nova ordem mundial da indústria automotiva?

Neil – Sem dúvida. Os Estados Unidos sempre foram o centro mundial dessa indústria, que agora ficou multipolarizada. Era apenas inevitável que as imensas General Motors e Ford começassem a dividir espaço com a concorrência.

EXAME – Qual o tamanho do impacto da General Motors?

Neil – Por sete décadas seguidas a GM foi a maior do mundo, daqui dez anos ela será apenas a décima maior.

EXAME – Onde foi que a GM errou?

Neil – Foi uma série de pequenos erros. A começar com as seguidas concessões aos sindicados, depois vieram os investimentos em novos projetos, como em carros elétricos, que acabaram abandonados na hora do lançamento, e a GM teria saído na frente nessa corrida. Outro grande erro ocorreu em 1999, quando (o presidente afastado por Barack Obama no final de março) Rick Wagoner decidiu apoiar a eleição do (republicano George W.) Bush ao invés do (democrata) Al Gore, que iria investir num plano de saúde público, o que iria aliviar demais os encargos trabalhistas da GM e talvez a empresa não se encontrasse hoje em tantas dificuldades.

EXAME – A GM e a Chrysler conseguirão se reerguer se passarem por processos de concordata, no Chapter 11 do Código de Falência?

Neil – A Chrysler tem menos chances, corre sério risco de liquidação caso o acordo com a Fiat não aconteça. Mas a GM tem tudo para se reerguer novamente. Muito menor, é claro, mas vai sobreviver com a Chevrolet e o Cadillac. Marcas menores da empresa, como Saturn, tendem a desaparecer. Vai funcionar, mas com muito sangue derramado pelo caminho.

EXAME – Como funcionará a separação dessas marcas, a chamada “Boa GM” e a “GM Ruim”?

Neil – A “Boa GM” continuará sendo gerida de Detroit, continuará sendo uma companhia de capital aberto, mas terá que prestar contas ao governo, cada passo será acompanhado de perto pelo governo. A GM estava grande demais, com obrigações trabalhistas pesadas demais e os carros não estavam vendendo bem, porque não eram aquilo que os consumidores queriam. Por outro lado, a GM está indo muito bem em mercados emergentes como o Brasil e a China. Ou seja, existe essa GM improdutiva, que não dá lucro e carrega encargos pesadíssimos. Mas por outro lado a GM estava indo no caminho certo, mas não com a velocidade necessária que o momento do mercado exigia e exige cada vez mais.

EXAME – E a GM Ruim?

Neil – A GM Ruim vai ter muita dificuldade em encontrar alguém para financiar a empresa. Algumas de suas marcas serão compradas e essas marcas vão permanecer. Mas outras serão liquidadas, o que vai aliviar a GM.

EXAME – Como o senhor vê o avanço das marcas chinesas?

Neil – Eu não tenho medo do avanço das montadoras chinesas, essa é a regra do mercado. Mas existe um grande problema aí ao qual ninguém está se atentando. As linhas de montagem chinesas não atendem aos padrões de qualidade americanos ou europeus. Se há um problema na linha de produção, o gerente vai deixar passar porque ele não é incentivado a corrigir problemas, a função dele é apenas cumprir cotas. Sem democracia é impossível que a China consiga corrigir essas questões, o que é uma pena.

EXAME – O que o senhor dirige?

Neil – Tenho um carro de família que é uma minivan japonesa, da Honda. Mas o meu carro mesmo é um MGA 1960 que eu cuido com todo o carinho. Procure aí uma foto dele, porque é lindo.

EXAME – E sobre o que será o seu próximo artigo?

Neil – Estou escrevendo agora sobre o novo Chevy Camaro. Eu confesso que estava pronto para fazer uma crítica cheia de ironias e sarcasmo, mas a verdade é que é um carro lindo e delicioso de se dirigir. Se esse for o último esportivo fabricado na história da General Motors, a montadora pode sentir orgulho de ter fechado as portas com um belo carro. 

– Net Virtua e Bradesco sofrem ataques de Crackers

No último domingo, a empresa Net Virtua foi surpreendida por ataques virtuais. Os assinantes da empresa, quando acessavam o link do Bradesco pela página da cia, eram redirecionados para uma página “clonada”, onde forneciam seus dados pessoais e senhas para os bandidos virtuais.

Nem através de páginas oficiais de empresas idôneas têm-se segurança na internet… lamentável. Já não bastasse os inúmeros e-mails com golpes de redirecionamento (do próprio Bradesco, Unibanco, Itaú, MPF, Receita, Casa Bahia, TAM, CEF… ), agora mais essa!

Extraído de: http://www.bemparana.com.br/index.php?n=104218&t=servidor-do-virtua-vira-alvo-de-ataques

Servidor do Vírtua vira alvo de ataques

Um servidor da banda larga da Net (Vírtua) localizado em São Paulo foi vítima de ataque virtual. A informação, que surgiu primeiramente na internet no domingo, acabou confirmada nesta segunda-feira pela assessoria de imprensa da companhia.
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–>Um servidor da banda larga da Net (Vírtua) localizado em São Paulo foi vítima de ataque virtual. A informação, que surgiu primeiramente na internet no domingo, acabou confirmada nesta segunda-feira pela assessoria de imprensa da companhia.
Piratas virtuais direcionaram usuários que acessavam o site do banco Bradesco para uma página falsa. O site apócrifo roubava dados e senhas dos internautas.
“Ocorreu um fato isolado em um servidor de DNS (Domain Name System) que afetou menos de 1% de sua base de clientes de São Paulo e apenas os usuários que acessaram a página de um site bancário. O problema foi imediatamente identificado e corrigido”, informou a Net. “Temos recebido relatos desse mesmo problema de usuários do Vírtua que o sistema desse provedor está sendo abusado (sic) para ataque a nossa instituição. Já acionamos nossos colegas da NET para que solucionem o problema o quanto antes”, diz o e-mail.

– Gigante Varejista Testando o Mercado até Acertar!

Muito bacana a matéria da Revista Isto É Dinheiro, na sua última edição, sobre o teste da Telhanorte, gigante do ramo de materiais para construção, pertencente ao grupo francês Saint Gobain: Eles estão testando “qual o melhor consumidor”:

Extraído de: IstoÉDinheiro

O laboratório da Telhanorte

A varejista testa três conceitos de lojas para consumidores das classes B e C. O melhor será estendido para outras unidades

“Atendíamos apenas as classes A e B. A classe C ainda é um mistério para nós”
Ney Galvão, diretor-geral

No final de abril, ao entrar em uma das quatro lojas de material de construção Center Líder, os consumidores vão se deparar com ambientes diferentes. Por fora, todos os locais apresentarão a mesma identidade visual, com a marca renovada depois da aquisição pela Telhanorte, em julho do ano passado. Por dentro, cada uma delas terá particularidades que não serão encontradas nas outras unidades. A loja do bairro Aricanduva, por exemplo, terá produtos voltados para profissionais do setor de construção e disponibilizará um serviço de corte de madeira. As de Campo Limpo e Sumaré reunirão uma gama maior de itens de autosserviços, para quem precisa fazer compras emergenciais. Já a unidade de Guarulhos, na Grande São Paulo, terá mais variedade de insumos básicos, como cimento e areia. Todas continuarão focadas nos públicos B e C, mas elas serão uma espécie de laboratório de testes para avaliar qual dos três conceitos de varejo trará um melhor retorno. O modelo que apresentar os melhores resultados será replicado para todas as lojas. Foi a forma encontrada pela companhia para entender os anseios desse tipo de consumidor, até então desconhecido da Telhanorte. “Atendíamos apenas as classes A e B. A classe C ainda é um mistério para nós”, afirma Ney Bretanha Galvão, diretor-geral da Telhanorte. “Esse público busca produtos de autoconstrução.”

Das dez lojas Center Líder adquiridas, seis deram espaço a novas unidades da Telhanorte. Para gerenciar melhor esse novo segmento de negócios, a companhia dividiu os ramos de atuação em três bandeiras: Center Líder, Telhanorte e Telhanorte Pró, voltada para engenheiros e arquitetos. Apesar de terem áreas e estratégias desenhadas para cada uma das marcas, todas serão controladas pelo grupo francês Saint-Gobain.”O intuito é manter as marcas independentes e avaliá-las separadamente”, afirma o diretor. A incorporação da antiga concorrente ao portfólio, aliada à abertura de 15 lojas Telhanorte no último ano, turbinou a receita da companhia em 40%. As vendas nas 41 unidades do grupo resultaram no faturamento de mais de R$ 1,5 bilhão nos 12 meses encerrados em março último. A meta é crescer mais 30% no próximo período. Ainda no primeiro semestre deste ano, a empresa deve estrear no comércio eletrônico, sem pretensão de aumentar demais as vendas por causa disso. “As pessoas que já conhecem os produtos farão compras por ali, mas a grande maioria continuará preferindo ir até as lojas ver e tocar os materiais”, acredita o executivo.

Galvão é engenheiro e passou a dirigir a empresa em janeiro deste ano, após 26 anos de atuação no braço industrial da Saint-Gobain, com atuação na fabricação de vidros, embalagens e outros produtos. O processo de transição de Galvão para a liderança do único negócio de varejo da gigante francesa durou dois anos. “Meu primeiro desafio foi entender o varejo”, diz ele. Há quatro meses, Galvão analisa os clientes das lojas por meio de seis câmeras instaladas na entrada da principal loja da Telhanorte, na Marginal Tietê, em São Paulo. Por meio dos equipamentos é possível analisar os reflexos das mudanças na composição da loja. “Estudos mostram que 90% dos consumidores, em qualquer varejo, vão para o lado direito dos comércios. Descobrimos maneiras de atrair a atenção deles para o outro lado, trocando a exposição dos produtos”, explica Galvão, sem esconder o fascínio que o mundo do varejo está lhe proporcionando.

– O Paraíso da Indústria Automobilística

Fechado o 1ºTrimestre, a indústria automobilísitca brasileira ri a toa. Enquanto no mundo a crise mundial ameaça fechar as portas de diversas montadoras, um recorde histórico é quebrado no Brasil: 670.000 veículos vendidos até 31 de março.

Na prática, isso quer dizer que a redução do IPI para os carros funcionou, que a economia girou, e que as montadoras brasileiras podem, quem sabe, estar até mesmo sustentando suas matrizes com o oásis que se tornou o mercado brasileiro.

– Como foi concebido o Nano, o carro de 2 mil dólares

Provavelmente, esse carro da indiana Tata Motors, o Nano, alardeado todos os dias, poderá ser a nova revolução automobilística, comparada apenas a do Ford T.

Veja como foi concebido:

Extraído de:

http://portalexame.abril.com.br/revista/exame/edicoes/0940/negocios/genese-carro-mais-barato-mundo-432332.html

A GÊNESE DO CARRO MAIS BARATO DO MUNDO

Segundo uma das lendas mais conhecidas a respeito do poder da colaboração, um frade pobre e faminto, depois de pedir pouso numa casa, tirou do bolso uma pedra lisa, colocou-a numa panela com água e começou a cozinhar uma sopa. Sensibilizados com a cena, um a um, os habitantes da residência começaram a contribuir com ingredientes para engrossar o caldo, acabando por transformar o prato numa iguaria saborosa. Na Índia, durante a concepção do Nano, um processo semelhante se repetiu, mas com a lógica invertida. Durante meses, funcionários graduados da Tata Motors, montadora responsável pelo projeto, eram chamados a olhar os protótipos do modelo e opinar sobre quais peças e processos poderiam ser subtraídos, como medida de economia. Paralelamente, uma equipe de 500 engenheiros tentava encontrar outras ideias viáveis para eliminar peso ou redundâncias no automóvel. Cada uma das sugestões era inicialmente testada no computador antes de ser validada com protótipos nas pistas de teste. Ao final, o esforço conjunto foi fundamental para chegar à meta estabelecida pela empresa – criar o carro mais barato do mundo.

No final do mês passado, durante o lançamento comercial do Nano, no palco do Parsi Gynkhana, centro de eventos no coração de Mumbai, duas pessoas estavam especialmente exultantes com o resultado do trabalho. Uma delas era o empresário Ratan Tata, dono do conglomerado industrial com quase uma centena de empresas e faturamento anual perto de 50 bilhões de dólares. Entre as companhias do grupo está a Tata Motors, maior montadora de automóveis da Índia. Ao som dos primeiros acordes do poema sinfônico Assim Falou Zaratustra, de Richard Strauss, foi apresentada no evento a versão pronta e acabada do Nano, que chega aos consumidores pelo preço de 2 000 dólares. “Muita gente achou que nossa proposta de fazer um automóvel de boa qualidade por esse preço era um blefe”, afirmou Tata, no evento. Perto do palco, uma figura bigoduda e de estatura mediana deixava um pouco de lado a habitual modéstia e discrição para se comportar como um pai sorridente e orgulhoso ao lado do filho na maternidade. Era Girish Wagh, o engenheiro responsável pelo Nano. “Nossa maior dificuldade foi a falta de parâmetros”, disse ele a EXAME. “Não havia no mercado nenhum produto semelhante.”

Quando começou a ser concebido, em 2003, o modelo indiano só chegava a 60 quilômetros por hora, não vinha com portas e tinha o teto de plástico. A ideia foi uma das primeiras a ser vetadas por Ratan Tata. “Ficou claro que não poderíamos pensar numa solução que entregasse aos clientes um meio-carro”, afirma Wagh. Em seis anos de trabalho, os engenheiros quebraram a cabeça para reduzir drasticamente os custos do modelo sem comprometer o desempenho e o design. O resultado foi uma minivan com lanternas e faróis estilosos, pouco mais de 3 metros de comprimento, espaço interno para acomodar até quatro adultos e capacidade para atingir 105 quilômetros por hora. Com preço equivalente a 4 600 reais, ele custa 20% do valor do modelo mais barato vendido no mercado brasileiro, o chinês Effa M 1000. Seu desempenho na cidade é de 23,6 quilômetros por litro, mais que o dobro da média do Uno Mille. E a taxa de emissão de poluentes, segundo a montadora, é de 101 gramas de gás carbônico por quilômetro rodado, muito próxima da marca do Toyota Prius, um dos modelos queridinhos dos ecologistas.

Na busca de alternativas para economizar em tudo o que fosse possível, os profissionais da Tata Motors e os fornecedores da montadora desenvolveram mais de 30 patentes para o projeto (veja quadro ao lado). Algumas soluções de economia foram fáceis, como a que eliminou a tampa do reservatório de combustível (que geraria custo de trabalho e instalação) simplesmente instalando-o sob o capô. Ou a que descartou um dos parafusos de sustentação das rodas – no Nano são apenas três parafusos. Outras medidas para eliminar redundâncias demandaram maior grau de engenhosidade, como o esguicho que lava o vidro para-brisa, que ficou integrado à palheta do limpador. Um novo mecanismo para ajustar o ângulo dos faróis em função do peso do carro ajudou a economizar 10 dólares por carro produzido.

Pelo menos duas vezes por semana, eram realizadas reuniões com os líderes de cada grupo de trabalho do Nano para discutir onde a montadora poderia avançar mais em termos de economia. Ratan Tata aparecia com frequência a esses encontros. Por inspiração do empresário, um homenzarrão de 1,90 metro de altura, o espaço entre eixos, parâmetro fundamental para um automóvel confortável, cresceu razoáveis 10 centímetros em comparação com as dimensões do primeiro protótipo. Também foi por “sugestão” de Tata que os engenheiros decidiram dar mais potência ao motor de 2 cilindros. O propulsor teve de ser desenhado três vezes até ganhar sua versão definitiva. Na contabilidade final para chegar ao carro de 2 000 dólares, pesou ainda o custo baixo de mão-de-obra local. Um operário de linha de montagem na Índia ganha pouco mais de 200 dólares por mês, um dos salários mais baixos da categoria no mundo.

Ratan Tata teve outra função indispensável no projeto: amansar os fornecedores, muitos deles céticos sobre a viabilidade do carro que propunha. “Ele nos convenceu argumentando que, se o carro desse certo, faria parte da história e nós estaríamos nela”, disse a EXAME Harish Lakshman, diretor da Rane, que trabalhou no sistema de direção. Qual foi a sua missão? Para variar, desenvolver um sistema que reduzisse custos e peso. “Integramos o trabalho de duas peças em uma, sem perder a confiabilidade.”

Mas nem toda a boa educação e os argumentos de Ratan Tata foram capazes de reverter um contratempo que fulminou sua intenção de construir o Nano em uma linha de montagem novinha em folha em Singur, na região de Bengala do Oeste. Quando a fábrica já estava prestes a entrar em operação, ela foi alvo de protestos de agricultores insatisfeitos com o preço que haviam recebido do governo pela desapropriação de suas terras para a construção da nova unidade da Tata Motors. A situação chegou a tal ponto crítico que Ratan Tata decidiu abandonar o local no final do ano passado, transferindo parte das máquinas para a província do Gujarat, a cerca de 2 000 quilômetros do local. Estima-se que só em Bengala do Oeste foram 300 milhões de dólares desperdiçados, e outros 400 milhões para montar às pressas as instalações em Sanand, na província do Gujarat, do outro lado do país. “O conceito em Singur era ter por perto 55 dos fornecedores de peças e partes do Nano para reduzir despesas com transporte e economizar prazos de entrega”, diz David Hudson, chefe de engenharia do Nano. “Ou seja, dá para imaginar o tamanho da encrenca ao ter de transferi-los para o outro lado da Índia.”

Essa novela envolvendo a fábrica explica por que o carro chegará ao mercado apenas em junho, ou seja, nove meses depois do planejamento inicial. Para evitar um atraso maior, as primeiras unidades do automóvel serão feitas na cidade de Pantnaghar, onde há uma fábrica da Tata Motors com capacidade de produção de 100 000 unidades anuais. Isso até que a nova unidade de Gujarat esteja operando a pleno vapor, coisa que deve ocorrer no primeiro semestre de 2010. Os primeiros modelos já começaram a ser vendidos, por uma espécie de loteria. Cada interessado deve preencher um formulário e fazer um depósito equivalente a 6 dólares. Espera-se que 2,5 milhões de indianos entrem na corrida para se tornar os primeiros proprietários do Nano. Quem for sorteado só precisará complementar o pagamento. E quem ficar na fila poderá manter a opção de compra ou pegar o dinheiro de volta daqui a um ano, corrigido a uma taxa de 8,5%.

Segundo algumas consultorias, o modelo tem potencial para vender, apenas na Índia, de 500 000 a 1 milhão de unidades anuais. “Se tudo der certo, em três anos as contas da produção do modelo devem passar do vermelho para o azul, quando o carro vender 350 000 unidades por ano e a procura por ele estiver ainda em expansão”, afirmou a EXAME o analista financeiro indiano Vaishali Jajoo, da sucursal da consultoria Angel Broking, em Mumbai. A saúde financeira da Tata Motors ficou mais atrelada a esse projeto depois que suas receitas com vendas de caminhões caíram 34,4% em 2008. Houve uma recuperação parcial desses números nos primeiros meses de 2009, mas a montadora tem ainda outro problema grave a resolver: a rolagem de uma dívida de 2 bilhões de dólares, dinheiro usado para comprar as marcas Land Rover e Jaguar no ano passado.

Um dos trunfos da Tata Motors para virar esse jogo com o Nano é que, em meio à crise financeira mundial, ele parece o veículo perfeito para os consumidores que estão com o dinheiro cada vez mais curto no bolso. Uma versão europeia e outra americana do modelo já estão sendo concebidas na montadora. Seu desempenho será acompanhado de perto pelas concorrentes, sobretudo as que já têm projetos nessa linha. O mesmo Carlos Ghosn, presidente da Renault e da Nissan, que foi um dos artífices da ideia de colocar dinheiro na antiga linha de produção da romena Dacia – e com base nela criar o Logan, que se transformou num sucesso mundial – associou-se à Bajaj, fabricante de motocicletas indianas. Sua intenção: produzir até 2011 um automóvel com preço estimado em 3 000 dólares, também de olho nos consumidores da Índia. A Toyota está tentando chegar a um modelo de 6 500 dólares, e a GM, em parceria com a coreana Daewoo, tenta desenvolver um projeto similar. É a prova de que o Nano já provocou impacto considerável e pode entrar para a lista dos modelos que mudaram para sempre a cara da indústria automobilística (veja quadro abaixo). “Após a demonstração de corte de custos de produção feita pelo Nano, pode apostar que nenhuma outra montadora fará seus carros da mesma forma”, diz Daryl Holley, chefe de operações da empresa de TI californiana Ariba, que forneceu softwares de gerenciamento para o processo de produção do carro da Tata.

– O Crescimento dos Estudantes Classe C Brasileiros

Com o crescimento da Classe C brasileira, estimada em 80 milhões de pessoas, houve um “boom” no número de estudantes. Consequentemente, os cursos de ensino superior e tecnológico dispararam. Assim, grupos estrangeiros estão adquirindo universidades no Brasil e novas escolas profissionalizantes surgem. Entenda esse fenômeno:

 

Extraído de: http://portalexame.abril.com.br/revista/exame/

edicoes/0940/economia/nunca-estudamos-tanto-432219.html

 

Nós nunca estudamos tanto

 

O ingresso de uma nova geração de consumidores quintuplicou o bilionário mercado brasileiro de ensino superior – que hoje movimenta 25 bilhões de reais por ano – e está mudando o perfil das instituições do país

 

No dia 9 de março, os executivos do grupo americano de ensino DeVry, com sede em Chicago e faturamento de 1 bilhão de dólares em 2008, encerraram uma busca que levou dois anos. Após pesquisar uma centena de países, eles encontraram no Nordeste brasileiro o destino para dar seu primeiro passo fora da América do Norte. Com investimento de 55 milhões de reais, o grupo arrematou 70% da Faculdades Nordeste (Fanor), com 10 000 alunos em cinco campi, no Ceará e na Bahia. O movimento do DeVry é a mais recente demonstração do interesse de investidores estrangeiros pelo mercado brasileiro de educação. O pioneiro foi o também americano Laureate, em 2005, com a compra do controle da rede de faculdades Anhembi Morumbi, de São Paulo. Um ano mais tarde, a americana Whitney International University adquiriu participação majoritária na Faculdades Jorge Amado, de Salvador. Representantes do Apollo, o maior grupo de educação do mundo, com receita de 3 bilhões de dólares em 2008, também vêm visitando o país em busca de oportunidades. “O mercado brasileiro ainda possui um grande número de estudantes potenciais para graduação, e a consolidação deverá continuar mesmo em meio à crise”, diz Carlos Alberto Guerra Filgueiras, atual presidente e um dos fundadores da Fanor, criada em 2001 por um grupo de investidores interessados nas altas taxas de crescimento do setor.

Assim como Filgueiras, os estrangeiros foram atraídos por uma massa crescente de novos consumidores de educação no Brasil. Na última década, o número de alunos de graduação em escolas privadas no país passou de 1 milhão para cerca de 4 milhões (veja quadro na pág. 45). Na última década, o mercado quintuplicou seu valor e deverá movimentar neste ano 24 bilhões de reais. Boa parte desse crescimento pode ser creditada à ascensão da classe C – parcela da população com renda familiar mensal entre 1 000 e 4 600 reais, segundo o Ipea, e que até pouco tempo atrás era praticamente excluída do ensino superior. “Hoje os alunos da classe C representam a maior parte dos novos estudantes dos cursos de ensino superior no país”, afirma Renato Souza Neto, diretor da PRS, empresa de consultoria educacional que mantém com o pai, o ex-ministro da Educação Paulo Renato Souza. O ingresso desses consumidores não apenas possibilitou a criação de grandes grupos de educação no país como também tem exigido uma transformação do modelo de negócios das universidades. “Até pouco tempo atrás, esses grupos ofereciam apenas cursos de graduação tradicionais”, diz Ryon Braga, diretor da consultoria especializada em educação Hoper. “Agora, eles estão criando modelos de negócios para atender às demandas dos novos alunos.” Na prática, isso significa que as instituições precisam sanar três necessidades básicas ao oferecer um curso: que ele ajude o aluno a progredir na carreira, que seja próximo de casa ou do trabalho e que caiba em seu bolso.

Uma das tendências que despontam nesse contexto é a expansão dos cursos tecnológicos, com nível de graduação e duração de dois a três anos. Hoje existem cerca de 400 000 alunos desses cursos no país – menos de 10% do total de graduandos. Ainda se trata de uma participação pequena, sobretudo se comparada à média americana, em que 56% dos alunos de graduação frequentam cursos de curta duração. Mas o percentual brasileiro vem progredindo num ritmo acelerado. A consultoria Hoper projeta que o número total de alunos chegue a 490 000 até o final deste ano. Uma das instituições que investem nesse mercado é a Fanor, que desde 2008 oferece cinco cursos tecnológicos, como construção de edifícios e produção de eventos. “Devemos investir cada vez mais na expansão desse modelo”, diz Filgueiras, que já programou a abertura de 30 novos cursos desse tipo nos próximos dois anos.

Alguns grupos fizeram um movimento de adaptação à nova demanda de forma ainda mais radical, como o Anhanguera, um dos maiores do país, com receita de 630 milhões de reais entre janeiro e setembro de 2008. Fundado em 1994, o grupo seguiu até recentemente apenas com cursos de graduação. O movimento mais relevante para mudar seu perfil ocorreu em julho, com a aquisição de 30% da rede de ensino profissionalizante Microlins, com sede em Valinhos, no interior de São Paulo, por 25 milhões de reais. Hoje o grupo possui 220 000 alunos na graduação e mais de 500 000 matriculados na Microlins, que oferece cursos técnicos específicos, como formação para garçons e operadores de telemarketing, com mensalidades de 75 a 120 reais. “Ter clareza sobre o perfil de nosso consumidor ajudou a direcionar a estratégia de investimentos”, diz Antonio Carbonari Netto, presidente da Anhanguera, que investiu 300 milhões de reais em aquisições só em 2008.

Para atender aos quesitos de conveniência e preço exigidos pelos novos consumidores, boa parte dos grupos brasileiros planeja sustentar sua expansão por meio da educação a distância. De acordo com projeções da consultoria Hoper, trata-se de um modelo com potencial de crescimento de 230% nos próximos três anos, quando deverá atingir
2 milhões de alunos no Brasil. Além de permitir a expansão rápida para o interior, a educação a distância torna o ensino mais acessível à população de baixa renda. Um curso de graduação a distância custa em média 168 reais por mês, ante 457 reais de um tradicional. A expansão da educação a distância também deve ajudar no crescimento dos cursos de pós-graduação no país. Essa é a aposta, por exemplo, da Anhanguera, que comprou a paulista LFG no ano passado. A escola oferece cursos a distância que vão da preparação para exames da OAB a MBAs.

Segundo especialistas, a expansão da pós-graduação é também uma consequência natural do crescimento do número de formandos. Em alguns grupos, o aumento de matrículas já é maior no caso dos cursos de pós-graduação do que na graduação. É o caso do paranaense Positivo, que faturou cerca de 1,3 bilhão de reais em 2008. Neste ano, o Positivo abriu 36 novos cursos de pós-graduação, dobrando a oferta. “Muitos deles são voltados para mercados que se expandiram recentemente, como no caso da pós-graduação voltada para o mercado de etanol”, afirma Oriovisto Guimarães, fundador e presidente do conselho de administração do grupo. Estimativas indicam que o número de alunos de cursos de pós-graduação passe dos atuais 600 000 para 2 milhões em três anos.

Para que boa parte dessas projeções de crescimento se concretize, será fundamental que o crédito educacional decole no país. Por enquanto, apenas 3,7% dos alunos matriculados usam esse sistema para financiar seus estudos, mas especialistas estimam que esse índice pode chegar a 30% até 2012 – nos Estados Unidos, mais de 70% dos graduandos financiam seus cursos. Recentemente, a Ideal Invest, primeira empresa criada no mercado brasileiro para crédito educativo, traçou um perfil dos estudantes que já financiam seus estudos. Em geral, eles ganham menos de dois salários mínimos por mês, a maioria – 63% – trabalha e 78% compõem a primeira geração de sua família num curso de graduação. Diante dos números do mercado potencial, aos poucos as próprias universidades começam a facilitar o crédito. Um exemplo é o grupo Kroton, que tem entre os fundadores o ex-ministro Walfrido dos Mares Guia. O Kroton já oferece hoje o Pravaler, da Ideal Invest, e está elaborando outro produto com o Unibanco. Atualmente, apenas 15% dos alunos do Kroton possuem financiamento. “Numa de nossas unidades, 65% dos alunos que ingressam nos cursos indicam que querem financiamento estudantil. Fizemos uma análise com uma instituição financeira e quase 70% desses alunos interessados já têm o crédito pré-aprovado”, diz Walter Luiz Diniz Braga, presidente do grupo Kroton.

A consolidação do setor, tanto com a chegada de grupos estrangeiros como com o avanço dos grupos nacionais, deverá continuar aquecida neste ano. As possibilidades para fusões e aquisições são enormes – hoje, cerca de 70% do mercado de graduação está nas mãos de pequenas instituições de ensino. Segundo Luciano Campos, analista da Itaú Corretora especializado em educação, muitas escolas que abriram as portas na onda da expansão do setor – mais de 1 300 novas instituições surgiram entre 1997 e 2007, numa média de duas escolas por semana – deverão ser engolidas por outras mais fortes. A expectativa é que essa expansão melhore a posição do Brasil no ranking mundial de presença do ensino superior, elaborado pela Unesco. Hoje o percentual de brasileiros em cursos de graduação é um dos menores do mundo – apenas 20% da população que poderia estar na universidade de fato frequenta os bancos escolares. Países vizinhos, como Argentina e Chile, estão muito à frente, com 61% e 43%, respectivamente. “Temos um longo caminho a percorrer, mas estamos na direção certa”, diz Braga, da consultoria Hoper.

– Como os Postos de Combustíveis Desonestos Driblam a Fiscalização

Há golpes de toda a sorte para o mercado de combustíveis. Desde o “batismo” de gasolina com álcool ou solvente, até o “álcool molhado”. Entretanto, a picaretagem não tem limites! Não bastasse o fato de combustíveis duvidosos, outros golpes surgem com frequência: o de bombas desreguladas (abastecendo menor quantidade do que o cliente paga) e o de “tanques postiços”.

Ontem, em São Paulo, flagrou-se um posto que continha um “minitanque” com combustível legalizado, que por controles eletrônicos abastecia as bombas quando a fiscalização aparecia nos postos. Além disso, havia uma “boqueta postiça” escondendo a boca principal, onde o combustível irregular entrava nos tanques.

É por isso que em determinadas situações, por mais que se saiba que o posto vende produtos irregulares, é difícil provar. Além, é claro, da concorrência desleal. Como o comerciante pode fazer milagres, se num mercado onde a diferença é de poucos centavos, alguém vende (teoricamente) o mesmo produto com até R$ 0,20 de diferença?

Abaixo, extraído de: http://noticias.terra.com.br/brasil/interna/0,,OI3693253-EI5030,00.html

Descoberta fraude com minitanque de gasolina em SP

A força tarefa de Combate ao Combustível Adulterado descobriu, nesta quarta-feira, uma fraude inédita em São Paulo. Uma perícia foi realizada no setor de obras da Subprefeitura da Lapa para constatar que um tanque de 30 mil l continha um minitanque de 400 l que era utilizado para burlar a fiscalização.

O reservatório foi retirado na segunda-feira do Posto Portal do Jaguaré, na Lapa, na zona oeste da cidade. O local havia sido interditado no dia 21 de março pela Secretaria Municipal de Controle Urbano. Até então, a fiscalização nunca havia retirado um tanque de um posto por causa de irregularidades.

Segundo o Secretário Municipal de Controle Urbano, Orlando Almeida, o reservatório maior estava abastecido de gasolina com 47% de álcool. Já o reservatório menor, utilizado para burlar a fiscalização, apresentava gasolina com 25% de álcool, ou seja, dentro do padrão estabelecido pela Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). O prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, participou da força tarefa.

Almeida declarou que a descoberta foi feita por uma casualidade. Durante a vistoria ao posto, foi coletado combustível de seis tanques. Essa gasolina era devolvida pelo canal principal para apenas um deles, que começou a transbordar, apesar do indicador eletrônico demonstrar que ainda era possível colocar mais de 20 mil l.

A partir dessa divergência, os técnicos do Departamento de Controle de Uso de Imóveis (Contru), ligado à Secretaria Municipal de Controle Urbano, suspeitaram do funcionamento da fraude, que foi confirmado após a perícia.

– O Brasil descobre a Rússia

O eldorado dos empresários brasileiros tem sido, para muitos, a China. Porém, as multinacionais brasileiras descobriram a Rússia. Veja que bacana as particularidades em se administrar lá, e o que os brasileiros têm encontrado:

 

exame/edicoes/0924/gestaoepessoas/m0165410.html

Por Cristiane Mano, de Kaliningrado

Duas coisas chamam a atenção de quem olha pela ampla janela de vidro do prédio de três andares que abriga a nova fábrica da Sadia em Kaliningrado, na Rússia. A primeira delas é o imenso descampado nos arredores, uma extensa planície à margem do mar Báltico. A outra é a série de guindastes que pontua o horizonte. Ali está o sinal do surgimento de uma das mais prósperas áreas industriais da Rússia. Até pouco tempo atrás, o enclave do território russo entre a Polônia e a Lituânia, com tamanho semelhante ao do estado de São Paulo, não passava de uma base militar quase abandonada. Mantida por sua estratégica proximidade da Europa, a área é o único ponto do território russo que não congela no inverno. Nos últimos cinco anos, uma série de incentivos fiscais e o espantoso crescimento do país atraíram 56 indústrias de diversos países para Kaliningrado. O terreno onde a Sadia ergueu sua fábrica estava há tanto tempo abandonado que os operários encontraram, a menos de 2 metros de profundidade, armas, cintos e capacetes deixados ali por soldados durante a Segunda Guerra Mundial. Em janeiro deste ano, além da Sadia, outra empresa brasileira iniciou operações a poucos quilômetros dali — a fabricante paulista de freezers comerciais Metalfrio. As duas passaram a compor, junto com a fabricante de ônibus gaúcha Marcopolo, o time das primeiras empresas brasileiras que decidiram desbravar o território russo e montar fábricas no país. (…) “As multinacionais brasileiras com ambições globais primeiro se concentraram na China e na Índia. Agora, a Rússia entrou nesse circuito obrigatório”, diz o especialista Álvaro Cyrino, da Fundação Dom Cabral, de Belo Horizonte.
Uma das características mais evidentes do ambiente de negócios russo é sua monumental burocracia, capaz de fazer com que as repartições e os cartórios brasileiros pareçam brincadeira de criança. O olhar do governo de Moscou paira até sobre detalhes, como o local de hospedagem de estrangeiros no país. Há um mês, em sua última visita à Rússia, Ruben Bisi, diretor de operações internacionais da Marcopolo, foi barrado no embarque do aeroporto de Pavlovo, a cerca de 400 quilômetros ao leste de Moscou. O policial abriu o passaporte e perguntou onde estava o recibo carimbado pelo hotel — uma das maneiras de o governo russo controlar o trânsito de estrangeiros. Como o documento havia ficado na casa que a Marcopolo mantém em Pavlovo para funcionários brasileiros, Bisi ficou numa saia-justa. “Paguei 150 dólares de multa para que o burocrata me desse o tal carimbo no papel e me dissesse que eu podia ir embora.”
A burocracia russa já resultou em conseqüências mais sérias. “Tudo é mais difícil do que imaginávamos e tivemos de atrasar em cerca de seis meses a operação”, diz o catarinense Hugo Gauer, ex-diretor do escritório alemão da Sadia e principal executivo da nova operação em Kaliningrado desde janeiro deste ano. Durante a obra, sucessivos problemas para obter a autorização de uso de energia elétrica no local fizeram com que a construção fosse iniciada sem luz. Com equipamentos movidos a geradores, os operários usaram capacetes com lanternas (similares aos de mineradores) para enfrentar a escuridão durante meses, até que a situação se normalizasse. Devido à lentidão do governo, por enquanto apenas as linhas de produção de hambúrgueres e de nuggets estão em operação em Kaliningrado. As outras duas (de massas congeladas e de embutidos) aguardam autorização do governo local e devem ser iniciadas no segundo semestre. A Sadia já juntou cerca de 40 páginas de documentos apenas para a aprovação de um dos sistemas de aquecedores de uma dessas linhas e já passou por duas inspeções de fiscais russos. A Marcopolo também enfrentou situações difíceis para desembaraçar produtos nos portos. “Já tivemos cargas retidas por 60 dias no porto russo”, diz Bisi.
As peculiaridades do mercado local explicam por que Sadia e Marcopolo optaram por um sócio russo. “Achamos mais simples começar com alguém que já soubesse as regras do jogo”, diz Gilberto Tomazoni, presidente da Sadia. (…) Além de experts em burocracia, as empresas brasileiras instaladas na Rússia já perceberam a necessidade de ter outro profissional, digamos, incomum: um chefe de investigação. Responsável pelo patrulhamento ostensivo de funcionários, clientes e fornecedores, esse funcionário se reporta diretamente ao principal executivo da operação no país. Sua função é proteger a empresa da ação do crime organizado russo, que costuma criar sofisticados esquemas de desvio de dinheiro dentro das companhias. Para o cargo, a Sadia contratou o ex-funcionário da KGB Sergey Karpa. “Já aconteceu de não fazermos negócios com determinada empresa por indicação dele”, afirma Gauer.
Encontrar mecanismos para motivar os funcionários tem se mostrado um dos maiores desafios para as empresas brasileiras. Num país que viveu décadas sob um regime comunista, a meritocracia não surte muito efeito. Os russos, em geral, se motivam mais para evitar uma penalidade do que pela chance de ganhar um bônus. Para seguir a cultura local, Sadia e Metalfrio adaptaram a política que conduzem em suas matrizes e estipularam não apenas um bônus para bons resultados como também um desconto na remuneração caso as metas não se cumpram. “Chamo de modelo Dostoiévski, à base de crime e castigo”, diz Eduardo Nogueira, diretor da Metalfrio na Rússia, que possui 200 funcionários em sua unidade em Kaliningrado. Nogueira também teve de se adaptar à maneira como se comunica com os subordinados. “Para ser levado a sério, o chefe tem de bancar o general de vez em quando”, diz ele, um dos poucos executivos brasileiros capazes de se comunicar em russo com seus subordinados. “Tive de aprender o idioma porque os executivos daqui não falavam uma única palavra em inglês”, afirma. A comunicação é uma das dificuldades mais prosaicas — e ao mesmo tempo mais constantes — das empresas instaladas no país. O idioma, que usa o alfabeto cirílico, é uma barreira quase intransponível, diferentemente do que acontece em países europeus ou na América Latina. Na Sadia, as reuniões entre executivos russos e brasileiros são conduzidas em inglês e acompanhadas por um dos três intérpretes contratados pela empresa. Na Marcopolo, a saída foi mais radical. A empresa decidiu conduzir as reuniões com cada participante falando em seu idioma nativo e com tradução simultânea. Os brasileiros tiveram até aulas de russo, mas chegaram à conclusão de que seria mais produtivo seguir na língua-mãe. “É muito difícil. As aulas serviram mais para a gente conseguir dizer o básico”, diz Bisi, que estudou o idioma por dois meses consecutivos.
Transpor barreiras como a língua será essencial para que esse grupo de companhias brasileiras consiga atingir seus nada modestos objetivos. A Marcopolo hoje produz 500 ônibus na Rússia e espera chegar a 2 000 unidades por ano em, no máximo, cinco anos. A Metalfrio tem planos de transformar a operação em Kaliningrado, que hoje produz 375 freezers por dia, numa base de exportação para países vizinhos, como Lituânia e Cazaquistão, e outros países da Europa. Para a Sadia, a meta é construir uma operação do mesmo tamanho da brasileira em uma década — de seu faturamento total de 9,8 bilhões de reais no ano passado, quase metade vem do Brasil. Para quem achava a China complicada, a Rússia pode ser um desafio ainda maior.

 

 

– O Comércio Justo

Amigos, um assunto novo no meio da administração é o dito “Comércio Justo”. Abaixo, material da Folha de São Paulo, edição de sábado, sobre o assunto (veja que tópico interessante para debate):

Um ilustre desconhecido por aqui, o dito “comércio justo” começa a pingar nas gôndolas do país

por CYRUS AFSHAR, da REPORTAGEM LOCAL

Você topa pagar um pouco mais por um produto feito sem danos à natureza ou exploração desumana do trabalho, sabendo que sua compra ajuda a desenvolver comunidades pobres? Milhares de consumidores no mundo topam. São a base do dito “comércio justo”.

Muito mais conhecido na Europa, o “comércio justo”, ou “solidário”, ou ainda “ético” é um movimento social e um sistema internacional de comércio, que busca atenuar desigualdades nos países pobres, por meio da venda de produtos feitos em padrões sustentáveis.

No Brasil, produtos com o certificado do comércio justo ainda são raros em supermercados. Mas isso pode mudar a partir desta semana, quando serão lançadas as normas nacionais desse comércio.

Por aqui, o sistema começou a ganhar algum espaço no final dos anos 90 e só se tornou mais estruturado a partir de 2003. A proposta para normatizar o comércio justo no Brasil, que será levada agora, no dia 19, a um encontro internacional sobre o tema, no Rio, dá a ONGs e empresas a competência de certificar produtos, orientadas pelo Inmetro. Ela foi desenvolvida por Senaes (Secretaria Nacional de Economia Solidária), Sebrae (Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas) e outras entidades da sociedade civil. Surge quase dois anos depois da criação de suas linhas gerais.

“Quando a coisa é muito “democrática”, feita a 20 mãos, o processo se arrasta”, diz Vanucia Nogueira, 47, superintendente do Centro de Excelência de Café do Sul de Minas, que trabalha com pequenos agricultores na região de Varginha.

Enquanto não vão para as gôndolas daqui, produtos nacionais de comércio justo já certificados internacionalmente são exportados para a Europa, como manga, suco de laranja e café. Essas mercadorias são vendidas pelo “preço justo”, isto é, suficiente para que pequenos produtores consigam manter tanto um padrão de vida digno quanto os modos tradicionais de produção.

Um exemplo é o café. Em Minas Gerais, uma saca (60 kg) comum custa por volta de R$ 250, de acordo com o Centro de Excelência de Café do Sul de Minas. Já uma saca da produção “justa” rende ao pequeno produtor R$ 310, quase 25% a mais que o preço de mercado.

Isso é financiado na outra ponta da cadeia, pelo consumidor. A diferença entre o preço comum e o “justo” varia segundo o país e o produto.

Em São Paulo, o Sam”s Club vende o café de comércio justo por R$ 7,38 (250 g), 17,6% mais barato que um café gourmet (R$ 8,96). Mas bem mais caro que um café comum (R$ 2,30). Apesar dos preços altos, o mercado ético mundial cresceu a uma taxa anual média de 40% nos últimos cinco anos. Em 2007, cresceu 47% e movimentou 2,3 bilhões de euros, segundo a Fairtrade, entidade que reúne 23 certificadoras internacionais e produtores da América Latina, Ásia e África. As certificadoras atestam para o consumidor que os produtos seguem os padrões do sistema.

“O comércio justo oferece aos consumidores uma poderosa oportunidade para assumir a responsabilidade pelo que compram. Cada vez mais pessoas se preocupam com a procedência da mercadoria e querem saber se os produtores envolvidos obtêm remuneração justa”, diz Verónica Sueiro, coordenadora da Fairtrade.

 

 

– Apagão parcial do Speedy, e mesmo assim a Telefonica nega

Se você é usuário de banda larga pelo Speedy da Telefonica, percebeu que apagões parciais no sistema ocorreram nesses dias. Particularmente, fiquei a tarde toda sem o Speedy no meu local de trabalho, e os telefones de suportes todos congestionados. Quando consegui um atendente, ouvi a informação de que era uma falha momentânea, devido a manutenção na linha. Pois bem: era mais um apagão como o ocorrido no ano passado. Para variar, a Telefonica mente… 

E os prejuízos de quem é obrigado a ter Speedy para se conectar, como ficam?

Extraído de: http://portalimprensa.uol.com.br/portal/ultimas_noticias/2009/04/07/imprensa27294.shtml

Speedy apresenta problemas de conexão e navegação; Telefónica nega

Redação Portal IMPRENSA

O serviço de Internet de banda larga Speedy, da Telefónica, apresenta problema de conexão e navegação na capital e diversas regiões do estado de São Paulo desde a noite da última segunda-feira (6). Cerca de 170 mil usuários do serviço foram afetados, de acordo com dados da àrea de relacionamento de empresas da Telefónica.

Segundo informa o Portal UOL, que entrou em contato com o serviço de atendimento ao assinante Speedy, a assessoria de imprensa da Telefónica informou através de nota que não existe problema generalizado para o acesso ao serviço. “Existe a possibilidade da ocorrência de anormalidades pontuais, que podem ser consideradas normais no dia-a-dia do serviço de banda larga da Telefônica”, diz o comunicado.

No último dia 5 do mês março, o serviço sofreu uma falha técnica e tanto a navegação, quanto o acesso foram afetados. Diante dos protestos, a Telefónica informou que faria os reparos necessários para sanar o problema.

O portal UOL informa que usuários ainda registram queixas de dificuldade de acesso.

E até o nosso vizinho itupevense, o Izzo do Jornal, está sofrendo com o Speedy. Olha o desabafo:

Telefonica deixa cliente 6 dias sem Speedy

por Helio Lunardi

O jornalista Luiz Carlos Izzo registrou, nesta segunda-feira, queixa da empresa Telefonica pelo fato de estar, há 6 dias, sem conexão Speedy. A reclamação foi feita no site reclame aqui (www.reclameaqui.com.br) e segundo relato vem causando inúmeros problemas, principalmente na questão de atualização de endereço eletrônico.Segundo histórico, devidamente apresentado por meio de ‘protocolos’ o profissional explana sua total indignação com a empresa, por estar sem o serviço Speedy já há 6 dias, sem que haja solução por parte da Telefonica. Acompanhe sua reclamação.

‘Há 6 dias fiquei sem conexão speedy (Telefonica) e fiz uma solicitação de reparo, por parte da empresa responsável. Após todos os testes possíveis, realizados pelo suporte técnico deles, a resposta do atendente foi que o problema era externo e que eu teria que aguardar até 72 horas para que um técnico comparecesse ao local para reparo.

Fato é que hoje, passados 6 dias, esse tal de técnico ainda não chegou. Nesse período, muito descaso, horas e horas de espera na linha para falar com muitos atendentes: João, Luiz, Marcelo, Andréia, Cristina, Rafael, etc, etc, etc… Muitos foram os atendentes que me atenderam, porém, meu problema até o momento não foi solucionado. A promessa foi que ontem (domingo) o técnico chegaria. Ficamos no local, perdemos o domingo e o tal técnico não veio. Um absurdo.

Percebendo que o técnico, mais uma vez, não viria, solicitei ao atendente que me encaminhasse à Supervisão. Falei com Cristina que me atendeu muito bem. Mais uma vez, promessas!! “O tal técnico viria na segunda (HOJE)… e mais uma vez ele não apareceu!! Um absurdo!

Só promessas!!! Tenho vários números de protocolos de atendimento e, segundo a própria empresa, toda ligação é gravada. Então, basta dar um replay para ver que essa minha reclamação procede! é mesmo um absurdo,… descaso com o cliente!!! O que será que vou precisar fazer para que a Telefonica resolva meu problema???? Acorda Telefonica!!! Estou esperando contatos e, principalmente, SOLUÇÃO para meu problema! Vou reclamar em todos os sites que eu encontrar, e também meios de comunicação, pois não podemos nos calar frente a tamanha falta de respeito para com o consumidor!!! Estou aguardando!!!!’

 

– Quando uma publicidade pode ser desagrável

Certas promoções e publicidades podem ser desagradáveis e apelativas. Um bar na Inglaterra usou a imagem do falecido Papa João Paulo II, segurando uma garrafa de cerveja na mão e abraçado a uma garota. Após protestos, a campanha foi retirada.

Em: http://noticias.terra.com.br/mundo/interna/0,,OI3676451-EI8142,00-Banido+anuncio+britanico+que+mostra+Joao+Paulo+II+com+garota.html

Banido anúncio britânico que mostra João Paulo II com garota

Uma organização responsável pela padronização de anúncios publicitários do Reino Unido classificou de ofensivo um flyer (espécie de panfleto) de uma casa noturna de Ipswich no qual o papa João Paulo II aparece com uma garrafa de bebida na mão e acompanhado de uma garota dançando com um vestido curto.

Segundo o jornal The Telegraph, o material causou manifestações de raiva entre as comunidades católica e polonesa. O flyer da festa “Berserk” foi distribuído pela boate Club Fire. Sheila Soltysik, secretária do clube polonês de Ipswich, se manifestou contra o material. “Foi extremamente ofensivo”, disse.

“Infelizmente essas ações baseadas em idéias insensatas de marketing deixaram a comunidade polonesa e católica consternadas. Talvez para algumas pessoas a desconstrução dos padrões morais tenha uma conotação inocente, mas para a maioria das pessoas sensíveis foi lamentável”, acrescentou.

“Eles não estão autorizados a fazer coisas desse tipo. Eu penso que o material foi retirado a tempo”. Para o diretor do Conselho de Sulfolk para a Igualdade Racial, Jane Basham, a descrição de João Paulo II na foto foi claramente ofensiva. “Eu tenho esperança que a condenação do flyer seja uma mensagem importante para a comunidade”.

– Como a Puma se transformou de Marca Esportiva em Grife de luxo

Abaixo, como a Puma se reinventou. Desde o seu sucesso com Pelé usando a “Puma King” na Copa de 70, até a baixa concorrencial nos anos 90 e seu ressurgimento. Um belo case a ser discutido:

Extraído de: IstoÉ Dinheiro

O homem que reinventou a Puma
Como o alemão Jochen Zeitz transformou a marca esportiva em sinônimo de estilo

O jamaicano Usain Bolt se agacha, olha para a frente concentrado na linha final e dispara ao som do tiro de largada. Nove segundos e 69 centésimos depois, o atleta de 22 anos abre os braços e se consagra como o homem mais rápido do mundo – mais de um metro à frente dos rivais. Antes mesmo de comemorar, saca a bandeira da Jamaica e, como se estivesse segurando um troféu, carrega suas sapatilhas douradas, uma em cada mão, e as alça para o alto.

A cena, acompanhada por 1,2 bilhão de pessoas em todo o mundo, aconteceu no dia 16 de agosto de 2008, durante os Jogos Olímpicos de Pequim, e ainda traz dividendos para a empresa, que ganhou tanto quanto Bolt – dono de três medalhas de ouro nos jogos. “Apostamos no atleta bem antes de ele ser conhecido”, disse à DINHEIRO Jochen Zeitz, o CEO da Puma. Agora, a marca alemã colhe os louros. Aos 45 anos de idade, o executivo parece estar acostumado a apostar com precisão. Desde 1993, quando assumiu a Puma, com a imagem combalida e dívidas de US$ 100 milhões, ele bate recordes atrás de recordes. “Nós reinventamos a empresa e criamos um novo segmento de mercado”, diz Zeitz (acompanhe entrevista abaixo).

A Puma nasceu, em 1948, da briga entre os Irmãos Rudolf e Ari, que possuíam uma pequena fábrica de calçados na cidade de Herzogenaurach, na Alemanha. Rudolf criou a Puma e Ari fundou a Adidas. Até hoje as empresas são rivais e as sedes de ambas ficam na mesma rua, frente a frente, separadas por alguns metros de distância. Durante décadas, a Puma inovou e esteve associada às maiores estrelas do esporte. Pelé foi garoto-propaganda da grife, Maradona disputou sua primeira Copa do Mundo, em 1982, com chuteiras da marca e, em 1985, Boris Becker venceu Wimbledon com tênis da marca. No fim da década de 90, ela já não era mais a mesma. “Não tínhamos mais impacto no mercado porque havíamos perdido apelo junto ao consumidor e estávamos fora de forma”, diz Zeitz.

O executivo, então com 30 anos e recém- nomeado presidente da empresa, iniciou um grande processo de reestruturação e, depois de deixar a companhia no azul, partiu para a estratégia que, definitivamente, reconstruiu a imagem da Puma. “Apresentamos a Puma do modo mais poderoso aos consumidores, mas fizemos isso basicamente mudando as tradicionais fórmulas de sucesso usadas por nossos rivais”, explica Zeitz. O que ela fez de diferente? Inaugurou o casamento entre a moda e o esporte, criando a imagem de grife de lifestyle, e inaugurou lojas próprias que identificassem o universo Puma. “Para os atacadistas vendemos produtos ligados ao esporte e nas nossas lojas temos mais o lado fashion”, diz João de Castro, presidente da Puma no Brasil – subsidiária que faturou R$ 200 milhões em 2008, R$ 60 milhões a mais do que em 2007.

– O Ouro Verde da Cana Paulista

Cada vez mais a cana-de-açúcar demonstra ser o Ouro Verde (fazendo uma analogia ao petróleo, chamado outrora de Ouro Negro) no mercado agrícola e energético brasileiro. Da cana se produz o álcool, o açúcar, a garapa, a cachaça; do seu bagaço a energia elétrica, também biodiesel, e… pasmem… até água potável.

A Dedini, gigante do setor, está desenvolvendo um equipamento que explora simultaneamente 6 riquezas da cana-de-açúcar. Abaixo, extraído de;

http://www.terra.com.br/istoedinheiro/edicoes/599/a-usina-seis-em-um-dedini-desenvolve-um-equipamento-que-129820-1.htm

A USINA 6 EM 1

A HISTÓRIA DA DEDINI Indústrias de Base é marcada por altos e baixos. Em 1987, a companhia quase fechou as portas por conta da forte retração do setor sucroalcooleiro. De uma hora para outra praticamente todas as encomendas foram canceladas e a direção da Dedini se viu sem recursos para honrar os compromissos. Para escapar da falência, foi preciso vender terrenos e até a divisão siderúrgica, repassada à Belgo Mineira. No final de 2008, o cenário pelo lado da demanda praticamente se repetiu. A crise econômica global fez com que os clientes se retraíssem, causando uma redução de R$ 600 milhões na carteira de pedidos da fabricante de equipamentos, caindo para R$ 2,1 bilhões. A diferença é que a Dedini de hoje em nada lembra a de dez anos atrás. A começar pela estratégia de produção, fortemente diversificada na qual as usinas de etanol respondem por cerca de 45% das vendas totais. Na década de 1980 esse percentual era o dobro. Além disso, em breve sairá do forno um produto que a própria empresa classifica como a usina do futuro. Batizado de Usina Sustentável Dedini, será a arma da companhia para enfrentar uma eventual retração do mercado. Hoje, uma unidade padrão é capaz de gerar produtos como açúcar, etanol, biodiesel (extraído da palha e das folhas da planta) e energia (por meio da queima do bagaço). A Usina Sustentável produzirá também fertilizante (da mistura de resíduos do processamento) e água para uso industrial e consumo humano. Hoje, este insumo é desperdiçado apesar de cada tonelada de cana ser composta de 70% de água. “A usina do futuro será praticamente autossustentável, com impacto ambiental próximo de zero”, diz Sérgio Leme dos Santos, presidente da Dedini, que assumiu o cargo em janeiro deste ano. O novo modelo de usina está em fase de testes e chegará ao mercado até o final de 2010. Para ampliar a receita, a empresa criou ainda uma divisão de automação. Ela é responsável pela montagem de equipamentos da marca e de outros fabricantes, uma tarefa que antes era entregue a terceiros e que já colabora com uma parcela expressiva do faturamento da Dedini.

Santos, porém, não acredita numa crise profunda para o setor. “A agroindústria vive um período de consolidação e deverá emergir desse processo ainda mais forte”, aposta. “A pressão global para o uso de tecnologias limpas deverá continuar favorecendo os investimentos em combustíveis renováveis, como o etanol.” Além disso, cerca de 95% dos pedidos estão em fase de produção nas cinco fábricas da Dedini e serão entregues até o final do ano. Com isso, a receita deverá se manter no patamar dos R$ 2 bilhões obtidos em 2008. Para especialistas, as perspectivas para o setor são realmente positivas. “O momento atual é delicado mas a expectativa é de que haja uma retomada no médio prazo”, opina Estefan Haddad, sócio- diretor da BDO Trevisan.

Mesmo que as previsões otimistas não se confirmem, a Dedini conta com a diversificação para superar possíveis dificuldades. Sua lista de produtos inclui esteiras para mineração, laminadoras para siderúrgicas, processadoras de biodiesel, usinas para tratamento de água e esgoto, tanques para cerveja e pequenas centrais hidrelétricas (PCHs). A diversificação é resultado de um robusto plano de investimentos que consumiu R$ 300 milhões no período 2005/2008. A tecnologia da Usina Sustentável foi desenvolvida pela equipe composta pelos 20 pesquisadores “da casa”, todos com título de mestre ou doutor, que tiveram o reforço de técnicos ligados a universidades de São Paulo e parceiros globais como a alemã Siemens, a sul-africana Bosch Projects e a americana Rohm and Haas. “Agregamos à nossa linha produtos para os segmentos nos quais poderíamos ser competitivos no cenário brasileiro e internacional”, explica o presidente da Dedini. Mas isso não significa dizer, no entanto, que a área de açúcar e álcool será abandonada. Ao contrário. Esse nicho faz parte do DNA da empresa fundada em Piracicaba (SP) em 1920.

– Homens de Negócio e Empresários de Muita Fé

Cada vez mais, o tema “Empreendedorismo X Religiosidade” tem estado em discussão. Nas nossas atividades acadêmicas, vemos um despertar maior dos alunos para esta temática na realização dos seus trabalhos de conclusão de curso (TCC). Seja a questão harmoniosa no ambiente de trabalho, seja nas práticas condizentes entre a religião e os negócios, ou ainda simplesmente a realização profissional associada com a paz de espírito, muitos têm se interessado pelo assunto.

Na década de 90, o autor em administração Deep Chopra popularizou o tema, após lançar o livro “7 leis espirituais do Sucesso”, entre outros tantos livros de consultoria espiritual – a maior parte com linhagem hinduísta. Hoje, o ressurgimento do tema está baseado no ecumenismo e em princípios da religião e espirtualidade.

Diferentemente do que se pode pensar, alguém religioso não necessariamente pode ser considerado um bom praticante da sua crença. A religiosidade pode estar atrelada à ortodoxia e até mesmo à pratica de ações quase que ritualizadas ao extremo, beirando a superstição. Em todas as crenças, a boa prática se deve à vivência na fé em que se agrega, seja católica, evangélica, islâmica… sem, é claro, o fanatismo, pois o mesmo cega suas corretas intervenções. É o que o falecido papa João Paulo II escreveu sobre “Fé e Razão”, que pode ser considerado um texto ecumênico e pertinente à todos os povos, até mesmo aos não-cristãos.

Assim, na última edição da Revista Exame (ed 939 de 25/03/2009, entre as páginas 58 e 59, 80 e 85, escritas pelas jornalistas Melina Costa e Cristiane Correa, há duas interessantíssimas entrevistas neste mesmo sentido: o de conciliar práticas de fé e ser bem sucedido no mundo dos negócios, sem proselitismo religioso e com grande senso de responsabilidade social.

Nestes artigos, vemos Enrique Coppel, 3o. homem mais rico do México e dono das “Casas Bahia” versão mexicana, católico praticante e adepto da Opus Dei, movimento de São José Maria Escrivá, que é reconhecido por suas volumosas doações de dinherio à causas humanitárias, construção de igrejas e ajuda a seminários religiosos, falando sobre sua possível chegada ao Brasil. Também temos Elie Horn, dono da Cyrella Brasil, maior encorporada do país, judeu praticante e figurante da lista de bilionários da Forbes, avesso a entrevista mas que resolveu abordar sua rotina de trabalho, somente interrompida para o Sabbath e retomada em reuniões de negócios aos domingos às 5h da matina.

Creio que o tema é de muito interesse. Abaixo, os dois materiais:

Sobreviva – e ganhe depois

Em sua primeira entrevista à imprensa brasileira,Elie Horn, dono da Cyrela, fala sobre como encara a crise e o que é possível aprender com ela

O”mito” se transformou em homem de carne e osso na última Quarta-Feira de Cinzas. Às 19h30 de uma noite chuvosa em São Paulo, o empresário Elie Horn, presidente e controlador da Cyrela Brazil Realty, a maior incorporadora de imóveis do país, entrou numa das salas de reunião da sede da empresa para conceder sua primeira entrevista a um jornalista brasileiro. Aos 64 anos de idade, 46 deles à frente de sua companhia, Horn forjou ao longo da carreira a fama de empreendedor arguto e discreto. Aproveitou como ninguém o recente boom imobiliário brasileiro e a onda de aberturas de capital. Com o IPO da Cyrela, em 2005, levantou 900 milhões de reais e ingressou no reduzido grupo de bilionários brasileiros. Praticante fervoroso do judaísmo, Horn sempre evitou qualquer exposição pública – em grande medida porque os ensinamentos religiosos pregam a humildade.A crise mundial colocou fim a um período de exuberância do mercado imobiliário brasileiro – e a Cyrela não foi poupada. Nos últimos seis meses, suas ações perderam quase 60% do valor, queda muito mais acentuada que os 25% do Ibovespa. A turbulência, assim como a fortuna, parece não ter abalado a fé de Horn. Numa entrevista pontuada por citações religiosas, ele fala sobre crise, pressão do mercado de ações, filantropia, sucessão e, seu assunto preferido, Deus. Horn é um daqueles raros homens de negócios que não foram treinados para o discurso corporativo. Não parece preocupado em impressionar. E, por isso mesmo, impressiona. Nas próximas páginas, os principais trechos da entrevista.
 
O mundo está enfrentando uma das piores crises da história. Qual é a melhor coisa a fazer diante dela?
A chance de quebrar a cara numa época de crise é muito maior do que a de ganhar com ela. Por uma questão de sensatez, o melhor é ficar quieto. Aprendi que a melhor maneira de lidar com esse tipo de situação é se recolher, esperar as coisas acontecerem e sobreviver. Se você sobrevive, consegue ganhar depois. Se não sobrevive, não vai ganhar nunca. O negócio é pensar que o melhor lucro será o lucro futuro, e não o presente.
Como o senhor aprendeu isso?
Vivendo. Tenho 46 anos de trabalho, já passei por vários ciclos, e esta crise para nós não é a pior. Eu já vi coisa muito mais feia antes.

Quando?
Quando vivemos a época de congelamento de preços, por exemplo, foi uma catástrofe. Mas aprendi a apanhar, calar a boca e não ter orgulho. Talvez seja a maior lição que esta crise traz para todos nós. Em geral a humanidade é arrogante. Mas esta crise fez todo mundo pagar o preço. Teve gente que pagou muito, teve gente que pagou pouco, mas todo mundo pagou. Desde que a crise começou, já ouvi palestras e conversei com uns 100 especialistas. A verdade é que ninguém consegue prever nada. Para mim, é uma lição divina para a humanidade: “Fique mais quieto, não seja arrogante, seja mais humilde, não pense só no lucro”.O senhor disse que todo mundo pagou pela crise. Quanto o senhor pagou?
Paguei como todo mundo. (Depois de figurar por três anos na lista dos bilionários da revista americana Forbes, Horn foi excluído do recém-divulgado ranking de 2009. No ano passado, sua fortuna havia sido estimada em 2,1 bilhões de dólares.)

O mercado imobiliário brasileiro viveu um boom nos últimos anos e a crise interrompeu essa euforia. Quanto tempo vai demorar para o mercado voltar a crescer?
No mínimo um ano. Em 2009 o mundo assenta. Em 2010 o mundo se regenera e volta a crescer.
E como será o mercado imobiliário pós-crise?
O setor não terá a pujança dos últimos anos. Mas é preciso explicar uma coisa. No Brasil não tivemos subprime, em consequência disso não tivemos loucura. Tivemos um boom de crescimento, mas não de preços. Até uns dois, três anos atrás, as empresas do mercado imobiliário não viam a cor do dinheiro. Elas só viram dinheiro grosso com a onda de IPOs. O problema é que esse dinheiro grosso, dos IPOs da vida, acabou. Não tivemos tempo de fazer megaimpérios ou meganegócios. No Brasil não houve mega para nada.
Qual o maior temor que o setor imobiliário tem em 2009? O desemprego?
Sim. Porque o desemprego pode derrubar a demanda. Se bem que a impressão que eu tenho é que a crise aqui será menor que no exterior. Aliás, não se pode comparar o Brasil com o que acontece lá fora. Pela primeira vez, o país está pagando o preço pelos erros dos outros. Em razão de nossa solidez financeira e bancária, o Brasil vai pagar um preço muito menor que outros países. Quanto vai custar, eu não sei dizer.Que tipo de mudança vocês estão fazendo para se adaptar a esse novo cenário?
É preciso cortar custos, aprender a trabalhar com menos metas de crescimento – aliás, muito menos. Vou falar um negócio estranho: se você lançar muito (prédio) pode quebrar a cara. Nosso negócio tem fluxo de caixa negativo por definição. Se amanhã faço um prédio e vendo tudo, mesmo assim o fluxo de caixa será negativo. Terei de comprar um terreno, fazer o lançamento, arcar com despesas comerciais, tocar a obra e no começo o dinheiro que recebo é menor do que o dinheiro que gasto.

O senhor mudou sua postura em relação ao controle do caixa?
Monitoro o caixa o tempo todo. Mas a crise chegou muito rápido e ninguém estava preparado para uma parada tão brusca nas vendas. Em agosto do ano passado tivemos o melhor mês de vendas na nossa história. Foram 550 milhões de reais, um número absurdo. De repente, em setembro, vem a crise e as vendas caem pela metade de um dia para o outro. Desde então, a queda nas vendas tem sido constante. A meta é que as vendas futuras se mantenham nos níveis atuais e parem de cair. Aí a gente volta a acelerar. Quando tem crise, a gente para, fica bonzinho. Quando tem boom, acelera. Não quero ir contra a crise, não quero ser herói de causas perdidas. Não adianta falar agora: “Vou vender de qualquer maneira”. Quem diz isso é ignorante ou estúpido. Falta dinheiro, falta demanda. Fazer o quê? Minha prioridade, neste momento, é preservar o nome, a honradez, a empresa.

E as pessoas que trabalham com o senhor na Cyrela entenderam isso de cara?
Foi muito difícil, um inferno. A luta interna foi muito pior do que a externa. As pessoas não conseguem entender o cenário macro. Lá fora havia sintomas da crise desde julho de 2007. Os sintomas americanos estavam muito claros, e o fato de mantermos contato contínuo com economistas, analistas e banqueiros que vêm todo dia aqui fez com que percebêssemos o que ia acontecer. Não sabíamos com que intensidade nem com que rapidez, mas sabíamos que a tempestade chegaria. Quanto mais perto a crise chegava, mais eu me dedicava a entendê-la. Mas valeu a pena. Se amanhã ficar claro que erramos um pouco nas previsões, podemos até perder um pouco de participação de mercado. Mas é melhor perder mercado do que perder as calças.

Seu horizonte, então, é de longo prazo?
Tudo o que a empresa faz hoje tem relação com o conceito de perenidade. Estou com 64 anos. Trabalho para que a empresa sobreviva 1 000 anos. Hoje mesmo tivemos uma reunião estratégica na qual discutimos como a empresa vai sobreviver às crises que virão no futuro.

O senhor já pensa em sucessão?
Sim, é óbvio que eu penso. Com minha idade, seria irresponsável se não pensasse. Comecei a refletir seriamente sobre o assunto há uns cinco, seis anos. Estamos num processo de transição lento.

A empresa ainda é muito dependente do senhor, não é? O senhor é conhecido por acompanhar todos os detalhes, todos os projetos…
Qual é o problema? É pecado? Tenho prazer em olhar a parte estética dos prédios que construímos. É pecado? É melhor fazer isso do que ficar em casa apodrecendo. Assim ajudo a empresa a melhorar. Ou você trabalha direito ou não trabalha. Não tem um terreno que eu não veja, não tem um prédio pronto que eu não veja. Para fazer este prédio onde estamos agora, foram necessárias 20 maquetes. Vi todas.

Alguns analistas disseram que a Cyrela foi uma das empresas mais afetadas na bolsa porque concentra suas atividades em imóveis para a alta renda. O senhor concorda?
Não é verdade. A Cyrela é uma empresa flexível, com dois terços do faturamento vindos da média renda e um terço da baixa renda. Agora estamos tentando reverter isso. Vamos aumentar muito nossa porcentagem em imóveis populares. A Cyrela não é estática, é uma empresa viva. Acredito que nos próximos 12 meses teremos aumentado em 50% nossa participação na baixa renda. E se o mercado exigir mais vou fazer mais. Hoje a moda é popular, então vamos fazer o popular.

Recentemente a Cyrela divulgou a previsão do resultado do quarto trimestre. O mercado reagiu mal e as ações caíram 5% em apenas um dia. Como é que o senhor lida com esse tipo de pressão?
Você é casada?

Sou.
A primeira vez em que seu marido pegou na sua mão, como você se sentiu?
Na segunda vez, aposto que não foi a mesma coisa… E hoje deve ser diferente… Com os analistas é a mesma coisa. Na primeira vez em que eles falam sobre sua empresa você vai atrás. Hoje já não presto muita atenção nisso, caso contrário mataria a empresa. É preciso olhar as reações do mercado com bom senso para que a companhia se preserve. Os números de vendas caíram – e era natural que isso ocorresse. Quero saber quem é o herói que consegue vender mais na crise. Eu não sei como se faz isso. Quero aprender. Se você me ensinar, agradeço.

Pessoas que trabalham ou trabalharam com o senhor o definem como workaholic…
Trabalho seis dias por semana, numa média de 15, 16 horas por dia. Durmo 5, 6 horas e acabou. O resto é trabalho. Isso tem sido minha rotina há 46 anos. Aos sábados, eu paro. É uma bênção, porque é o único dia em que sou obrigado a parar. Aos sábados, leio, me espiritualizo, converso e passo meu tempo em casa. É o único dia em que estou livre, em que não sou escravo. Nos outros dias da semana sou escravo, no bom sentido.

E aos domingos o senhor continua marcando reuniões a partir das 5 e meia, 6 horas da manhã?
Domingo é dia de produção normal.

Qual seu maior erro nos negócios?
Não vou revelar meu ponto fraco. Não posso. O importante é não repetir nossos erros. Errar é humano, perseverar no erro é diabólico. Se você repete um erro, você é burro.

Como o senhor reage quando um negócio não dá certo, como a associação com a Agra (desfeita recentemente) ou a tentativa de compra da Klabin Segall no passado?
Calo a boca, tento aprender com os erros e faço outra coisa. Estou acostumado a perder e seguir em frente. Se não for humilde, vou apanhar mais. O humilde sofre menos porque está acostumado a apanhar. Tive uma aula (de religião) muito boa ontem. O que é este mundo? Por que Deus o criou? A resposta é: teste. Sou testado o tempo todo como homem, pai, marido, empresário, construtor. O teste consiste em evoluir, cada um na sua profissão, e deixar o mundo um pouco melhor do que quando chegamos a ele. Deus criou o homem imperfeito de propósito, para que ele possa melhorar o mundo. Se você acerta mais do que erra, você já evoluiu. Se for o contrário, você é um desastre.

Que tipo de executivo o senhor gosta de ter trabalhando ao seu redor?
Primeiro tem de ser honesto. Depois tem de ter boa índole e ser trabalhador. O mais importante é o caráter. A inteligência vem depois. E tem de vestir a camisa da empresa.

O senhor é muito religioso. Como essa característica se manifesta na condução dos negócios?
Deus cria seres diferentes, com credos diferentes, para cada um, no fim, chegar a Ele à sua maneira. Acredito em Deus e na missão humana. Qual a minha missão nesta Terra? Primeiro, fazer o bem. Grande parte do meu patrimônio, não vou dizer quanto, irá para a caridade. Meu pai doou 100% do que tinha. Como isso dá um significado ao trabalho? Eu posso transformar o produto do trabalho em dinheiro e depois usar o dinheiro para ajudar pessoas menos favorecidas. O dinheiro pode ser santificado, quando ajuda a salvar pessoas.

Mas em alguns momentos o lado empresário e o lado religioso devem entrar em conflito…
Não. Estamos aqui com a missão de ligar o espiritual ao material. Na hora em que você ganhou um tostão e esse tostão ajuda a salvar uma criança, você santificou e dignificou o dinheiro fruto de seu trabalho. Nessa hora, tudo o que parece ser egoísta deixa de ser.

O senhor pensa em deixar sua fortuna para uma fundação, como Bill Gates?
Hoje, Bill Gates e Warren Buffett são os maiores heróis do empresariado e da filantropia. Eles deram o exemplo de como as coisas têm de ser e conseguiram unir as duas coisas. Ainda não está claro o que eu vou fazer. Parte da minha missão é fazer com que o homem se aproxime mais de Deus. Hoje ser crente está um pouco fora de moda, mas isso está errado. A gente não pode ter vergonha de acreditar em Deus. Se todos os homens fossem mais religiosos e respeitassem a ética e o bem, não haveria tanta violência no mundo, nem maldade nem pobreza. O que precisamos é fazer com que isso aconteça. Não é tão fácil, não é tão óbvio e não está na moda também. Mas essa é a nossa missão.
 
Não vai ser por falta de fé

Enrique Coppel, empresário que já foi condecorado pelo papa por sua dedicação à Igreja, criou um império no México e agora quer crescer no Brasil

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

No clube de magnatas mexicanos, Carlos Slim é o mais rico, Ricardo Salinas é o mais polêmico – e Enrique Coppel, o mais religioso. Aos 61 anos, Coppel é responsável por ter transformado a pequena rede de varejo regional herdada de seu pai numa das maiores empresas do país. Com mais de 750 lojas, a rede Coppel, que vende móveis, eletrodomésticos, roupas e calçados, faturou o equivalente a 5,7 bilhões de reais no ano passado. Enrique Coppel tempera seu sucesso nos negócios com altas doses de fé. Ele constrói igrejas, contribui para programas de formação de padres e financia uma escola da Opus Dei, uma das vertentes mais conservadoras do catolicismo. Nos últimos anos, empenhou-se em erguer uma cidade privada. Entre os critérios para fazer parte dessa comunidade estão os fortes vínculos familiares e a dedicação à religião. Diante de tamanha devoção, Coppel recebeu do papa João Paulo II a ordem de Cavaleiro de São Gregório Magno – uma das maiores homenagens concedidas pelo Vaticano, que dá a seu beneficiário o direito de andar a cavalo dentro da Basílica de São Pedro. Nos últimos meses, Enrique Coppel passou a canalizar sua fé para um novo projeto: a expansão de sua empresa no Brasil. Segundo EXAME apurou, nos próximos 12 meses a rede abrirá até cinco lojas em Curitiba, no Paraná. Numa segunda fase, seu objetivo é comprar uma cadeia de varejo local. “Já discutimos com a Coppel a possibilidade de aquisição de quatro varejistas”, diz Olavo Guimarães Filho, sócio-diretor do banco de investimento State Capital.

 

 

Que tipo de mudança vocês estão fazendo para se adaptar a esse novo cenário?
É preciso cortar custos, aprender a trabalhar com menos metas de crescimento – aliás, muito menos. Vou falar um negócio estranho: se você lançar muito (prédio) pode quebrar a cara. Nosso negócio tem fluxo de caixa negativo por definição. Se amanhã faço um prédio e vendo tudo, mesmo assim o fluxo de caixa será negativo. Terei de comprar um terreno, fazer o lançamento, arcar com despesas comerciais, tocar a obra e no começo o dinheiro que recebo é menor do que o dinheiro que gasto.

O senhor mudou sua postura em relação ao controle do caixa?
Monitoro o caixa o tempo todo. Mas a crise chegou muito rápido e ninguém estava preparado para uma parada tão brusca nas vendas. Em agosto do ano passado tivemos o melhor mês de vendas na nossa história. Foram 550 milhões de reais, um número absurdo. De repente, em setembro, vem a crise e as vendas caem pela metade de um dia para o outro. Desde então, a queda nas vendas tem sido constante. A meta é que as vendas futuras se mantenham nos níveis atuais e parem de cair. Aí a gente volta a acelerar. Quando tem crise, a gente para, fica bonzinho. Quando tem boom, acelera. Não quero ir contra a crise, não quero ser herói de causas perdidas. Não adianta falar agora: “Vou vender de qualquer maneira”. Quem diz isso é ignorante ou estúpido. Falta dinheiro, falta demanda. Fazer o quê? Minha prioridade, neste momento, é preservar o nome, a honradez, a empresa.

E as pessoas que trabalham com o senhor na Cyrela entenderam isso de cara?
Foi muito difícil, um inferno. A luta interna foi muito pior do que a externa. As pessoas não conseguem entender o cenário macro. Lá fora havia sintomas da crise desde julho de 2007. Os sintomas americanos estavam muito claros, e o fato de mantermos contato contínuo com economistas, analistas e banqueiros que vêm todo dia aqui fez com que percebêssemos o que ia acontecer. Não sabíamos com que intensidade nem com que rapidez, mas sabíamos que a tempestade chegaria. Quanto mais perto a crise chegava, mais eu me dedicava a entendê-la. Mas valeu a pena. Se amanhã ficar claro que erramos um pouco nas previsões, podemos até perder um pouco de participação de mercado. Mas é melhor perder mercado do que perder as calças.

Seu horizonte, então, é de longo prazo?
Tudo o que a empresa faz hoje tem relação com o conceito de perenidade. Estou com 64 anos. Trabalho para que a empresa sobreviva 1 000 anos. Hoje mesmo tivemos uma reunião estratégica na qual discutimos como a empresa vai sobreviver às crises que virão no futuro.

O senhor já pensa em sucessão?
Sim, é óbvio que eu penso. Com minha idade, seria irresponsável se não pensasse. Comecei a refletir seriamente sobre o assunto há uns cinco, seis anos. Estamos num processo de transição lento.

A empresa ainda é muito dependente do senhor, não é? O senhor é conhecido por acompanhar todos os detalhes, todos os projetos…
Qual é o problema? É pecado? Tenho prazer em olhar a parte estética dos prédios que construímos. É pecado? É melhor fazer isso do que ficar em casa apodrecendo. Assim ajudo a empresa a melhorar. Ou você trabalha direito ou não trabalha. Não tem um terreno que eu não veja, não tem um prédio pronto que eu não veja. Para fazer este prédio onde estamos agora, foram necessárias 20 maquetes. Vi todas.

Alguns analistas disseram que a Cyrela foi uma das empresas mais afetadas na bolsa porque concentra suas atividades em imóveis para a alta renda. O senhor concorda?
Não é verdade. A Cyrela é uma empresa flexível, com dois terços do faturamento vindos da média renda e um terço da baixa renda. Agora estamos tentando reverter isso. Vamos aumentar muito nossa porcentagem em imóveis populares. A Cyrela não é estática, é uma empresa viva. Acredito que nos próximos 12 meses teremos aumentado em 50% nossa participação na baixa renda. E se o mercado exigir mais vou fazer mais. Hoje a moda é popular, então vamos fazer o popular.

Recentemente a Cyrela divulgou a previsão do resultado do quarto trimestre. O mercado reagiu mal e as ações caíram 5% em apenas um dia. Como é que o senhor lida com esse tipo de pressão?
Você é casada?

Sou.
A primeira vez em que seu marido pegou na sua mão, como você se sentiu?
Na segunda vez, aposto que não foi a mesma coisa… E hoje deve ser diferente… Com os analistas é a mesma coisa. Na primeira vez em que eles falam sobre sua empresa você vai atrás. Hoje já não presto muita atenção nisso, caso contrário mataria a empresa. É preciso olhar as reações do mercado com bom senso para que a companhia se preserve. Os números de vendas caíram – e era natural que isso ocorresse. Quero saber quem é o herói que consegue vender mais na crise. Eu não sei como se faz isso. Quero aprender. Se você me ensinar, agradeço.

Pessoas que trabalham ou trabalharam com o senhor o definem como workaholic…
Trabalho seis dias por semana, numa média de 15, 16 horas por dia. Durmo 5, 6 horas e acabou. O resto é trabalho. Isso tem sido minha rotina há 46 anos. Aos sábados, eu paro. É uma bênção, porque é o único dia em que sou obrigado a parar. Aos sábados, leio, me espiritualizo, converso e passo meu tempo em casa. É o único dia em que estou livre, em que não sou escravo. Nos outros dias da semana sou escravo, no bom sentido.

E aos domingos o senhor continua marcando reuniões a partir das 5 e meia, 6 horas da manhã?
Domingo é dia de produção normal.

Qual seu maior erro nos negócios?
Não vou revelar meu ponto fraco. Não posso. O importante é não repetir nossos erros. Errar é humano, perseverar no erro é diabólico. Se você repete um erro, você é burro.

Como o senhor reage quando um negócio não dá certo, como a associação com a Agra (desfeita recentemente) ou a tentativa de compra da Klabin Segall no passado?
Calo a boca, tento aprender com os erros e faço outra coisa. Estou acostumado a perder e seguir em frente. Se não for humilde, vou apanhar mais. O humilde sofre menos porque está acostumado a apanhar. Tive uma aula (de religião) muito boa ontem. O que é este mundo? Por que Deus o criou? A resposta é: teste. Sou testado o tempo todo como homem, pai, marido, empresário, construtor. O teste consiste em evoluir, cada um na sua profissão, e deixar o mundo um pouco melhor do que quando chegamos a ele. Deus criou o homem imperfeito de propósito, para que ele possa melhorar o mundo. Se você acerta mais do que erra, você já evoluiu. Se for o contrário, você é um desastre.

Que tipo de executivo o senhor gosta de ter trabalhando ao seu redor?
Primeiro tem de ser honesto. Depois tem de ter boa índole e ser trabalhador. O mais importante é o caráter. A inteligência vem depois. E tem de vestir a camisa da empresa.

O senhor é muito religioso. Como essa característica se manifesta na condução dos negócios?
Deus cria seres diferentes, com credos diferentes, para cada um, no fim, chegar a Ele à sua maneira. Acredito em Deus e na missão humana. Qual a minha missão nesta Terra? Primeiro, fazer o bem. Grande parte do meu patrimônio, não vou dizer quanto, irá para a caridade. Meu pai doou 100% do que tinha. Como isso dá um significado ao trabalho? Eu posso transformar o produto do trabalho em dinheiro e depois usar o dinheiro para ajudar pessoas menos favorecidas. O dinheiro pode ser santificado, quando ajuda a salvar pessoas.

Mas em alguns momentos o lado empresário e o lado religioso devem entrar em conflito…
Não. Estamos aqui com a missão de ligar o espiritual ao material. Na hora em que você ganhou um tostão e esse tostão ajuda a salvar uma criança, você santificou e dignificou o dinheiro fruto de seu trabalho. Nessa hora, tudo o que parece ser egoísta deixa de ser.

O senhor pensa em deixar sua fortuna para uma fundação, como Bill Gates?
Hoje, Bill Gates e Warren Buffett são os maiores heróis do empresariado e da filantropia. Eles deram o exemplo de como as coisas têm de ser e conseguiram unir as duas coisas. Ainda não está claro o que eu vou fazer. Parte da minha missão é fazer com que o homem se aproxime mais de Deus. Hoje ser crente está um pouco fora de moda, mas isso está errado. A gente não pode ter vergonha de acreditar em Deus. Se todos os homens fossem mais religiosos e respeitassem a ética e o bem, não haveria tanta violência no mundo, nem maldade nem pobreza. O que precisamos é fazer com que isso aconteça. Não é tão fácil, não é tão óbvio e não está na moda também. Mas essa é a nossa missão.
 
Não vai ser por falta de fé

Enrique Coppel, empresário que já foi condecorado pelo papa por sua dedicação à Igreja, criou um império no México e agora quer crescer no Brasil

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

No clube de magnatas mexicanos, Carlos Slim é o mais rico, Ricardo Salinas é o mais polêmico – e Enrique Coppel, o mais religioso. Aos 61 anos, Coppel é responsável por ter transformado a pequena rede de varejo regional herdada de seu pai numa das maiores empresas do país. Com mais de 750 lojas, a rede Coppel, que vende móveis, eletrodomésticos, roupas e calçados, faturou o equivalente a 5,7 bilhões de reais no ano passado. Enrique Coppel tempera seu sucesso nos negócios com altas doses de fé. Ele constrói igrejas, contribui para programas de formação de padres e financia uma escola da Opus Dei, uma das vertentes mais conservadoras do catolicismo. Nos últimos anos, empenhou-se em erguer uma cidade privada. Entre os critérios para fazer parte dessa comunidade estão os fortes vínculos familiares e a dedicação à religião. Diante de tamanha devoção, Coppel recebeu do papa João Paulo II a ordem de Cavaleiro de São Gregório Magno – uma das maiores homenagens concedidas pelo Vaticano, que dá a seu beneficiário o direito de andar a cavalo dentro da Basílica de São Pedro. Nos últimos meses, Enrique Coppel passou a canalizar sua fé para um novo projeto: a expansão de sua empresa no Brasil. Segundo EXAME apurou, nos próximos 12 meses a rede abrirá até cinco lojas em Curitiba, no Paraná. Numa segunda fase, seu objetivo é comprar uma cadeia de varejo local. “Já discutimos com a Coppel a possibilidade de aquisição de quatro varejistas”, diz Olavo Guimarães Filho, sócio-diretor do banco de investimento State Capital.

 

 

 

 

Oficialmente, Enrique Coppel ainda não se manifestou sobre seu projeto no Brasil, mas as primeiras iniciativas já saíram do papel. A empresa contratou cerca de 70 brasileiros. A maioria está sendo treinada no México e deve voltar ao Brasil até o fim do ano. A preparação desse grupo consiste, basicamente, em participar do dia-a-dia da empresa. Portanto, todos os empregados têm de realizar tarefas como ajudar a cobrar consumidores inadimplentes e carregar os caminhões de entrega da rede. Ao mesmo tempo, uma equipe de executivos busca pontos-de-venda para instalar as primeiras lojas em Curitiba. Em uma terceira frente, a empresa tem se esforçado para trazer ao Brasil o Bancoppel, instituição financeira criada há dois anos para fornecer crédito aos clientes de sua rede de varejo. Em fevereiro, a Coppel fez seu primeiro contato com o Banco Central para informar suas intenções. O maior problema enfrentado pela empresa até agora é o registro de sua marca no Brasil. A varejista paulista de colchões Copel está tentando impedir o uso do nome Coppel pelos mexicanos. O caso está sendo analisado pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial.

(…) continua no sitio eletrônico. Por favor, informe seus dados na caixa à direita para ler o restante do texto.

– Empresas que administram responsavelmente

Ecologica , Social ou Politicamente corretas, algumas empresas devem ser louvadas. Olha um elenco de boas iniciativas empresariais, que servem de exemplo às demais organizações:

 

Extraído de: http://www.terra.com.br/istoedinheiro/edicoes/588/empresas-do-bem-122544-1.htm

 

 

MEIO AMBIENTE, Parceria privada

O projeto de despoluição da Baía de Guanabara (RJ) acaba de ganhar um aliado de peso. É que a Petrobras vai bancar integralmente o custo para despoluição dos canais do Cunha e do Fundão. A obra, orçada em R$ 185 milhões, prevê a retirada de metais pesados e material sólido (pneus, carcaças de automóvel, por exemplo). A dragagem facilitará a circulação da água, além de diminuir o número de poluentes que chegam à baia.

 

TECNOLOGIA , Fábrica verde da Volvo

A sueca Volvo espera transformar sua fábrica de caminhões, situada em Ghent (Bélgica), no primeiro complexo do tipo totalmente livre de emissão de dióxido de carbono (CO2). Para isso, a direção da montadora encomendou um estudo à Electrabel, do setor elétrico. A ideia é dotar a unidade de tecnologias que viabilizem, por exemplo, o reúso de água e a geração mais eficiente de energia e resíduos.

 

INVESTIMENTO, Oportunidades sustentáveis

Os projetos relacionados à sustentabilidade devem movimentar globalmente ? 2,2 trilhões em todo o mundo até 2020, segundo a consultoria Roland Berger. De olho nesse número a Câmara Brasil-Alemanha espera sensibilizar as empresas dos dois países a firmarem parcerias nesta área. Para unir as duas pontas, a câmara promove em março em São Paulo a Ecogerma, feira e congresso de tecnologias sustentáveis. A expectativa é que sejam fechados R$ 200 milhões em negócios nos setores de saneamento básico e recuperação de aterros sanitários, por exemplo.

 

MICROCRÉDITO I , Financiamento solidário

Acaba de sair do forno uma pesquisa do Deutsch Bank que mostra o impacto do microcrédito. Segundo um estudo do banco alemão, esse instrumento já beneficia 152 milhões de pessoas em todo o mundo. Em 2006, ano que serviu de base para o levantamento, as operações de microcrédito somaram US$ 25 bilhões. Trata-se de um volume cinco vezes maior em relação ao apurado em 2001.

MICROCRÉDITO I I, Luz e cidadania

O indiano Muhamad Yunnus, prêmio Nobel e criador da mais exitosa experiência de microfinanças do mundo, está envolvido em uma nova causa. Desta vez, ele quer levar energia para as vilas mais remotas da Índia. Para bancar o projeto ele criou um sistema de venda subsidiada de painéis solares. A meta é atender um milhão de residências até 2015.

 

TURISMO, Desenvolvimento com preservação

Apesar de contar com belas paisagens, como os rios e lagoas (foto) de Bonito (MS), o Brasil não figura entre os principais destinos turísticos do mundo. Para ajudar a mudar essa realidade o Grupo Santander Brasil e o International Trade Centre, órgão ligado à ONU, assinaram um acordo de cooperação técnica. A ideia é patrocinar iniciativas que aliem turismo com redução da pobreza e preservação da biodiversidade.

– O que vale é a estreia

 

 

Olha que interessante: para os produtores de cinema, o que vale é a primeira semana de exibição dos seus filmes! Se eles vingarem, ótimo. A arrecadação vai ser boa. Se nos 3 dias iniciais não der bilheteria desejada… Veja o que acontece:(Extraído de: IstoÉ Dinheiro

 

 
 
A maldição das 72 horas
Como Hollywood usa a bilheteria do primeiro final de semana de exibição para determinar o futuro de um filme

por ROBERTA NAMOUR
O FILME WATCHMEN ACABA DE bater o recorde de bilheteria do ano em estreias no mercado americano. No primeiro final de semana, a versão cinematográfica da famosa história em quadrinhos arrecadou US$ 55,7 milhões. Pode não parecer muita coisa, já que 2009 está apenas começando. Porém, os primeiros dias de cartaz de um filme são tão cruciais para a indústria cinematográfica que os cineastas costumam chamá-los de a “maldição das 72 horas”. É esse período que determina o desempenho de arrecadação do filme ao longo de sua carreira e se o plano de negócios será mantido. Quando o filme é lançado na sexta-feira à noite nos EUA, no domingo o mercado já sabe como ele irá se comportar no resto do mundo. “Esses primeiros dias passam a ser fundamentais porque mostram se a trama foi ou não comprada pelo consumidor”, explica o cineasta Paulo Sérgio Almeida, diretor do site Filme B. A matemática é simples. Para saber a faixa de arrecadação total de um filme americano, Almeida explica que basta multiplicar o resultado da estreia por 5 ou 6 , e por 8 a 10 para filmes nacionais.Quase 90% da verba destinada à divulgação do filme é usada antes de sua estreia. Se o filme não tiver uma boa aceitação na primeira semana, no entanto, os gastos para mantê-lo em cartaz podem ser reduzidos. “Dependendo de sua performance, ele poderá ir para uma sala menor, ter suas cópias reduzidas ou mesmo sair do circuito”, afirma Valmir Fernandes, presidente da Cinemark Internacional. O filme pode até chegar às locadoras mais cedo, caso não emplaque nas telas, para fazer caixa. Já os títulos que conquistam recordes de bilheteria na estreia costumam ganhar uma preciosa fonte de receita a mais, com licenciamento de seus personagens. E, neste quesito, a “maldição das 72 horas” pode reservar surpresas. No filme Batman (o primeiro da série), as pesquisas com os espectadores na estreia revelaram que o personagem Coringa, interpretado por Jack Nicholson, provocou mais empatia com o público do que o próprio Homem- Morcego. Foi o que bastou para que o licenciamento de produtos inspirados no vilão fosse reforçado.
 

– China: Liberdade nem Política, Muito Menos Comercial

Muito se alardeia e se propaga sobre os possíveis bons negócios a se realizar na China. Claro, quanto maior a população, maior a possibilidade de ganhar clientes.

Entretanto, as nações desenvolvidas que tanto reclamam dos regimes totalitários no Oriente Médio, a fim de negociar com os chineses, “esquecem-se” das violações aos direitos humanos naquele país e da forte interferência do governo na economia.

Pois bem: a Coca-Cola tentou comprar por US$ 2,4 bi a maior fabricante de sucos na China, a Huiyuan. O governo local barrou, dizendo que era ruim para a competitividade (mesmo a concentração de mercado não ocorrendo).

Isso é livre mercado? Ou protecionismo velado?

Abaixo, o Case da Coca-Cola e a Huiyuan:

Extraído de Exame (clique aqui para link)

 

China rejeita oferta de US$2,4 bi da Coca pela Huiyuan Juice

Por Michael Wei e Tony Munroe

PEQUIM/HONG KONG (Reuters) – A China rejeitou a proposta da Coca-Cola para aquisição da fabricante de sucos Huiyuan Juice por 2,4 bilhões de dólares, afirmando que a transação seria ruim para competitividade.

A aquisição pela Coca-Cola seria a maior compra de uma companhia chinesa por uma concorrente estrangeira, e a rejeição deverá ser considerada como outro sinal de protecionismo em meio à recessão global.

Observadores disseram que a decisão da China pode afetar os dois lados, já que companhias chinesas que têm feito aquisições de alto nível no exterior podem enfrentar problemas.

O Conselho de Revisão de Investimento Estrangeiro da Austrália está avaliando três grandes investimentos em seu setor de mineração propostos por companhias estatais chinesas.

Em particular, a oposição política à aliança de 19,5 bilhões de dólares da Rio Tinto com a estatal chinesa Chinalco tem se intensificado, e nesta quarta-feira o Senado australiano disse que abrirá seu próprio inquérito sobre o investimento estrangeiro.

“Isso indica que aquisições estrangeiras de companhias chinesas, particularmente aquelas com marcas proeminentes, não serão acatadas pelo Ministério do Comércio”, disse Lester Ross, sócio administrativo da WilmerHale, em Pequim.

“E isso, reciprocamente, indica que as companhias chinesas em busca de aquisições estrangeiras podem encontrar uma reação adversa nesses mercados, se as companhias estrangeiras forem essencialmente retiradas do mercado chinês em termos de expansão por meio de aquisições”, disse ele.

Ross acrescentou que é muito improvável que o ministério chinês tenha tomado a decisão sem alta clareza política e, se este for o caso, “é completamente natural prever que outros países vão considerar as aquisições por companhias chinesas de forma muito semelhante”.

COMPETIÇÃO

O Ministério de Comércio da China afirmou em um comunicado que a compra pela Coca-Cola seria ruim para a competição e que as alterações na operação propostas pela norte-americana foram insuficientes para tranquilizar as preocupações. Com isso, o ministério rejeitou a operação sob a lei de defesa da concorrência decretada no ano passado.

“Se a Coca adquirisse a Huiyuan, ela dominaria o mercado de refrigerantes da China, o que afeta não apenas os consumidores, mas também outros setores participantes”, explicou Selina Sia, analista da JP Morgan.

A Huiyuan controla mais de um décimo do mercado chinês de sucos, que cresceu 15 por cento no ano passado, para 2 bilhões de dólares. Já a Coca-Cola detêm uma fatia de 9,7 por cento do mercado e domina o segmento de sucos diluídos.

O presidente-executivo da Coca-Cola, Muhtar Kent, afirmou que a empresa não prosseguirá com a aquisição planejada e que está “decepcionada, mas que respeitará a decisão do ministério”.

Jeffery Lau, analista da Polaris Capital em Hong Kong, disse que a decisão confirma que a China permanece relutante em autorizar a aquisição de uma marca nacional.

“Mas isso não é exatamente uma enorme surpresa. O protecionismo tem aumentado em todo lugar neste ano”, afirmou ele.

A China é o quarto maior mercado da Coca-Cola e um importante campo de batalha da empresa contra a rival Pepsico.

A Sucessão na Votorantim

Em todas e quaisquer empresas familiares, a sucessão no comando é um assunto delicado. O que dizer das megacorporações, como a Votorantim? A seguir, como os herdeiros estão assumindo e quem são eles:

 Extraído de: http://portalexame.abril.com.br/revista/exame/edicoes/0936/negocios/prova-fogo-herdeiros-419399.html

 

A prova de fogo dos herdeiros

Uma sucessão de movimentos do grupo Votorantim coloca em evidência a terceira geração da família Ermírio de Moraes – e a maneira como comanda o quinto maior conglomerado privado do país

Por Melina Costa e Carolina Meyer

Por sua própria natureza, colossos industriais com ramificações por vários setores da economia costumam se mover de forma lenta. Pois o Votorantim, quinto maior conglomerado privado brasileiro, tem contrariado essa percepção. Nos últimos três meses, o gigante de 30 bilhões de reais de faturamento esteve no epicentro de diversas negociações, ora como comprador, ora como vendedor. As alterações no portfólio do grupo começaram em novembro do ano passado e, até agora, movimentaram 10 bilhões de reais. Nesse curtíssimo espaço de tempo, foram vendidas duas empresas de biotecnologia – a Alellyx e a Canavialis -, 49,99% do Banco Votorantim, negócio de maior crescimento do conglomerado nos últimos cinco anos, e a participação na CPFL, uma das maiores distribuidoras de energia do país. Ao mesmo tempo que vendia segmentos de sua miríade de empresas, o Votorantim finalizou a aquisição da Aracruz, um negócio de 2,7 bilhões de reais.

Surpreendentemente rápida para uma organização com as dimensões do grupo da família Ermírio de Moraes, essa sequência de movimentos causou muitas especulações e uma certeza. As especulações se concentraram sobre sua saúde financeira. Todos os anúncios aconteceram depois que o Votorantim reconheceu perdas de 2,2 bilhões de reais em operações com derivativos, uma surpresa para todos aqueles que viam no grupo o símbolo máximo do conservadorismo empresarial no país. “Posso assegurar que não temos mais nenhuma exposição em derivativos”, disse a EXAME o executivo Raul Calfat, diretor-geral da Votorantim Industrial, uma das holdings do grupo, e homem de confiança dos Ermírio de Moraes. A certeza é que, depois de décadas representado por Antônio Ermírio de Moraes, face pública do Votorantim, o grupo tem, de fato, um novo comando: a terceira geração de herdeiros, dona de um estilo próprio de administrar. São os membros dessa terceira geração os arquitetos dos últimos movimentos do Votorantim – e também serão eles os responsáveis por dirigi-lo em um ano que promete grandes desafios.

E os desafios não são triviais. Um dos critérios que permearam a reestruturação dos últimos meses foi a separação entre negócios prioritários e os que não faziam mais parte da estratégia do grupo. O resultado final do processo foi uma maior concentração do faturamento em commodities – uma área que não vive seu melhor momento. A previsão dos analistas é que o preço da celulose no mercado internacional, por exemplo, caia 20% até o final do ano. Diante desse cenário, a VCP, empresa de papel e celulose do Votorantim, adiou a expansão de uma fábrica no Rio Grande do Sul e demitiu 118 pessoas. Por outro lado, o grupo ganhou musculatura nesse setor com a compra da Aracruz, anunciada em agosto e só concretizada semanas atrás. (Em outubro do ano passado, vieram a público as perdas de mais de 2 bilhões de dólares sofridas pela Aracruz com operações de derivativos. O negócio só voltou a caminhar após a Aracruz renegociar suas dívidas com os bancos. O Votorantim se comprometeu, então, a pagar os 2,7 bilhões de reais anteriormente acertados. O rompimento do negócio acarretaria aos Ermírio de Moraes uma multa de 1 bilhão de reais.) No caso dos metais, a área mais relevante dentro do conglomerado, a situação é parecida. Como consequência da retração da demanda, produtos como zinco, níquel e alumínio atingiram a menor cotação dos últimos cinco anos. A favor do Votorantim pesa o fato de que suas empresas estão entre as líderes de seus setores e, portanto, devem sofrer menos que a concorrência. “Temos um portfólio diversificado e saudável. Em momentos de crise, alguns negócios vão melhor e outros não vão tão bem. Mas no final a nossa geração de caixa varia muito pouco”, afirma José Roberto Ermírio de Moraes, um dos herdeiros do clã e presidente da Votorantim Industrial.

A perspectiva de um ano difícil se dá exatamente no momento em que a Votorantim coloca em prática um ambicioso plano de expansão. O grupo pretende investir cerca de 25 bilhões de reais até 2012, uma das mais agressivas estratégias entre os conglomerados brasileiros. Nos últimos anos, o Votorantim tem aumentado de forma considerável seus investimentos. Em 2001, o total investido foi 1 bilhão de reais. No ano passado, foram 7,5 bilhões. Neste ano, apesar da crise internacional, estão previstos cerca de 4 bilhões de reais. O efeito colateral desse plano foi uma elevação do endividamento do grupo a um nível atípico. Segundo o último relatório da agência de risco Moody’s, até setembro do ano passado, a alavancagem do conglomerado, medida pela relação entre a dívida total e a geração de caixa, era de 4,9 vezes – ante 2,8 vezes no final de 2007. O aumento do índice levou a Moody’s a alterar a classificação do Votorantim de “positiva” para “estável” em dezembro. Em conversa com a reportagem de EXAME, executivos e acionistas do grupo garantiram que a alavancagem já começou a cair. Em dezembro, essa relação teria baixado para 3,5 vezes. “No nosso negócio, ter uma alavancagem entre duas e quatro vezes a geração de caixa é absolutamente normal”, diz José Roberto.

A terceira geração dos Ermírio de Moraes

Conduzir o Votorantim neste momento é a missão de José Roberto e de outros seis membros da terceira geração da família Ermírio de Moraes. Desde 2001, o conselho de administração da Votorantim Participações tem atuação decisiva nas aquisições, nas vendas e nos planos de expansão de cada uma das áreas do grupo. Até recentemente, esse grupo tinha o auxílio de Antônio Ermírio nos momentos mais cruciais, e as decisões do conselho eram sempre submetidas a ele. Nos últimos episódios, porém, a figura-símbolo do Votorantim, hoje com 80 anos de idade, tem sido poupada e o conselho tornou-se, de uma vez por todas, a instância máxima nas decisões. O funcionamento desse conselho é resultado de um modelo de gestão que demorou dez anos para ficar pronto. O desafio era acomodar os herdeiros em uma estrutura que permitisse sua interferência direta nas empresas e que, ao mesmo tempo, os mantivesse em posições hierárquicas iguais. Apesar de os sete herdeiros contarem com o mesmo poder dentro da Votorantim Participações, existem três figuras que, pelas funções e responsabilidades, sobressaem. São eles: Carlos Ermírio, filho de Antônio Ermírio de Moraes e presidente do conselho, e os irmãos José Roberto Ermírio de Moraes e José Ermírio de Moraes Neto, responsáveis pelo controle da área industrial e pelo da financeira, respectivamente.

O peso da Votorantin

Há várias razões que explicam o status diferente desses herdeiros. Pesa a favor de Carlos o fato de ele ter acumulado ao longo de sua carreira experiência no setor de metais, o mais importante do conglomerado. No caso de José Roberto, é ele quem comanda a área industrial da Votorantim, que engloba empresas com porte internacional, como a Votoran, de cimentos, e a VCP, de celulose. José Neto, além da senioridade (ele é o mais velho entre os integrantes do conselho), é respeitado, sobretudo, pelo crescimento vertiginoso apresentado pelo Banco Votorantim na última década. Sob sua gestão, o braço financeiro do grupo tornou-se o quinto maior banco privado do país. Além disso, os dois irmãos são os maiores acionistas individuais no conselho, uma vez que seu pai, José Ermírio de Moraes Filho, deixou apenas três herdeiros. (Todos os demais integrantes da segunda geração tiveram mais do que cinco filhos.) Questionada pela reportagem de EXAME, a Votorantim nega que alguns integrantes do conselho tenham mais poder de influência do que outros.

No conselho executivo da Votorantim, as decisões são tomadas por consenso. A necessidade de aprovação de todos não tem significado, até agora, lentidão no processo decisório. Seus integrantes dão expediente diariamente no prédio em que funciona a sofisticada sede da Votorantim Industrial, no bairro Itaim Bibi, na zona sul de São Paulo, e reúnem-se mais de uma vez por dia se necessário. Essa agilidade tem sido colocada à prova continuamente nos últimos meses. No começo de outubro, começaram a surgir rumores de mercado de que as perdas da Votorantim com derivativos chegariam a 10 bilhões de reais. Em menos de uma semana, o conselho decidiu liquidar sua exposição aos derivativos para acalmar o mercado e comunicar às agências de risco as reais perdas com as operações. Mais recentemente, os Ermírio de Moraes decidiram contratar um executivo para a função de diretor de riscos corporativos do grupo, uma área que será crucial nos próximos meses. Nem todos os conselheiros participaram diretamente do processo. O executivo que acaba de assumir o posto, Wang Wei Chang, recém-saído da Perdigão, foi sabatinado por apenas quatro dos sete herdeiros. Os demais aprovaram a contratação com base nas informações repassadas.

O modelo de comando da Votorantim é praticamente uma exceção quando se leva em conta conglomerados de mesmo porte e diversidade de negócios. Um recente levantamento realizado pela Universidade Northeastern, nos Estados Unidos, aponta que apenas uma em cada dez empresas familiares americanas permanece sob o controle do clã fundador quando o bastão é passado para a terceira geração. Isso porque, com um número maior de herdeiros disputando espaço dentro de uma companhia, fica cada vez mais difícil acomodar interesses – e egos – distintos. “Para qualquer empresa familiar, a questão envolvendo a troca de comando entre diferentes gerações é uma das mais delicadas”, afirma Betânia Tanure, pesquisadora da Fundação Dom Cabral. “É nesse período que surgem tensões e brigas de poder que podem, em última instância, corroer a participação da família no negócio.” Para superar essa espécie de vaticínio, a família Ermírio de Moraes já começou a preparar os cerca de 60 integrantes de sua quarta geração para o dia em que eventualmente venham a substituir o atual grupo no comando do Votorantim – mesmo que isso só deva ocorrer daqui a duas décadas. Os jovens, com idade entre 15 e 18 anos, são estimulados a participar de atividades sociais e culturais promovidas pela família como forma de ampliar o convívio. Quando e como se dará a próxima passagem ainda é uma incógnita até mesmo para os Ermírio de Moraes. Afinal de contas, não é exagero dizer que a real transição para a terceira geração está se dando agora. 

As dificuldades da Sadia

 Talvez o melhor caso de empresa brasileira vivendo situação instável verdadeiramente determinada pela crise mundial seja o da Sadia. Há dois anos, ela tentou comprar a Perdigão por duas vezes, com ofertas financeiras espetaculares. Seu lucro e solidez eram exemplares. No ano passado, surgiu o boato de que a Nestlé poderia adquirir o seu controle acionário. Agora, a empresa está numa crise muito grande. Entenda o que aconteceu:

Extraído de: http://portalexame.abril.com.br/revista/exame/edicoes/0936/negocios/sadia-virou-geni-419398.html

“A Sadia virou Geni”


Apesar da crise financeira que atinge a empresa, Luiz Fernando Furlan mantém o tom confiante e dispara: “Estão querendo comprar a Sadia a preço de banana, mas não vão conseguir”


Quando assumiu o comando da Sadia, em outubro, Luiz Fernando Furlan se desdobrou para tranquilizar os funcionários, os fornecedores e, principalmente, os investidores. Poucas semanas antes, a empresa, uma das maiores fabricantes de alimentos do país, havia anunciado um prejuízo de 760 milhões de reais causado por uma desastrada operação com derivativos cambiais. O mercado respondeu de forma rápida e drástica. Em três dias, as ações da companhia perderam metade de seu valor. “O pior já passou”, disse Furlan, ao tomar posse como presidente do conselho de administração da Sadia, cargo que já havia exercido entre 1993 e 2002. O que se seguiu, porém, mostrou que o pior estava por vir. Nos últimos meses, Furlan e seus executivos corriam para obter um aporte de aproximadamente 1 bilhão de reais para a empresa. O mais provável candidato é o BNDES, que vem assumindo com ímpeto renovado as funções de hospital de negócios em crise. Até o fechamento desta edição, um acordo ainda não havia sido concluído.
Os problemas financeiros levaram os analistas a traçar cenários sombrios para o futuro da Sadia. O Bank of America Merrill Lynch foi categórico: caso não receba uma injeção de 2 bilhões de reais, a empresa pode parar até junho de 2009 por falta de caixa. “Estamos sendo apedrejados”, disse Furlan a EXAME, num dos intervalos do Fórum Econômico Mundial, realizado em Davos, na Suíça, e em meio a um frio de 2 graus abaixo de zero. “A Sadia virou a Geni da vez.”
Ao afirmar isso, o ex-ministro Furlan volta-se para uma Sadia que continua a ser dona de uma das marcas mais reconhecidas do país, opera 18 fábricas e cresceu a uma média de 16% ao ano no período de 2003 a 2007. A Sadia é uma operação que, para onde quer que se olhe, vai bem. O que Furlan não nega é que essa situação não passa pelo front financeiro. O dinheiro que a empresa tomou emprestado para pagar o rombo de 760 milhões de reais provocado pela crise dos derivativos vem custando caro. Segundo a corretora Ativa, a Sadia tem uma dívida de 1 bilhão de reais com vencimento no prazo de até um ano. Essa dívida, captada às pressas no fim do ano passado, custa o equivalente a 125% do CDI, pelo menos 10 pontos percentuais a mais do que as empresas do porte da Sadia costumam pagar em períodos sem crise – da í a necessidade de obter o mais rápido possível um aporte de capital. Ainda não se sabe, com precisão, o tamanho final do prejuízo que será causado pelos contratos de derivativos não liquidados em setembro do ano passado. O banco Brascan estima que o prejuízo financeiro da Sadia em 2008 tenha somado 2,5 bilhões de reais (ou seja, 1,75 bilhão de reais a mais do que o buraco anunciado antes da posse de Furlan). Caso esses números sejam reais, a dívida total da companhia chegaria a 4,7 bilhões de reais, o equivalente a quase quatro vezes sua geração de caixa – nível muito acima da média histórica da empresa, de uma a duas vezes a geração de caixa.

 

A Garrafa da Discórdia

Que confusão está ocorrendo envolvendo a Secretaria de Defesa Econômica (SDE), a Ambev e a Associação Brasileira de Bebidas. E tudo devido à nova garrafa retornável da Cervejaria belgo-brasileira, de 630ml, com a marca AMBEV em relevo no vidro. As demais cervejarias alegaram que tal uso de garrafa seria concorrência desleal, já que seria impossível usar o vasilhame AMBEV com rótulo de outra marca (daria a entender que a Ambev seria dona da Schincariol, Sol, Kaiser, por exemplo, se comprada por aqueles mais desinformados). Já a Ambev alega que está ajudando os consumidores, pois teria um custo menor, além de assegurar a qualidade única de seus cascos.
A briga promete novos rounds. No momento, o uso desta garrafa está proibido pelo CADE.

80 anos de Fordlândia

Poucos se lembraram da data, afinal, ela não é tão significativa. Exceto para a Ford e seus envolvidos. Num ímpeto empreendedorista, a empresa decidiu, há 80 anos, aceitar uma propriedade de terra doada pelo Governo do Pará no meio da Floresta Amazônica, a fim de construir uma cidade industrial, tendo como objetivo maior, produzir borracha para sua produção automobilística. Entretanto, por diversos motivos, a empreitada fracassou e o que era para ser uma cidade planejada na mata, tornou-se o vilarejo de Belmonte.

 

Extraído de: http://blogriobranco.wordpress.com/2008/06/

 

Artigo escrito por Ali Chams, Camila guirado Abolis, Cintia Almeida, Flávia Araújo e Domingos Vela, 5ª etapa do curso de Relações Internacionais das Faculdades Integradas Rio Branco para a matéria Comércio Exterior II.

FORDLÂNDIA

Como parte de seus projetos, Henry iniciou a chamada Integração Vertical, que consistia no controle de todos os recursos necessários à construção de um bem. Para se libertar do monopólio inglês do látex e suprir a necessidade de borracha, matéria-prima complementar para a fabricação de automóveis, Ford decidiu ele mesmo produzir a tão essencial matéria prima e assim começou a prospecção de locais para a produção de látex e para isso contratou o brasileiro Jorge Dumont Villares e William L. Schurtz que negociaram com o governo do Pará para que lhes doasse uma área de um milhão de hectares nas margens do Rio Tapajós para a construção do empreendimento e eles em seguida a venderam para Ford pelo valor de US$125 mil dólares, ou seja, a aventura de Ford já mostrava indícios de um fracasso. Em 1927, foi estabelecido um vilarejo chamado Fordlândia.
Fordlândia contava com uma excelente estrutura: hospital de primeira linha (onde foi realizado o primeiro transplante de pele do país), luz elétrica, água encanada e filtrada, sistema de hidrantes, cinema, um porto, entre outros, lá ele construiu a maior serraria da América Latina que a princípio tentou vender a madeira, vinda do desmatamento, para os EUA e Europa para tentar obter algum retorno do seu investimento, mas o negócio logo se mostrou inviável. Ford tentou construir uma comunidade “American-as-apple-pie”, uma representação do “american way of life”. No vilarejo havia mais de 3 mil funcionários, onde mais de 20 diferentes línguas eram faladas, na cidade havia desde padeiros e açougueiros a uma pequena fábrica de calçados, vários americanos foram chamados para a cidade e foram eles os únicos a ocupar os cargos de chefia.
O empreendimento de Ford tomou como modelo o empreendimento inglês nas suas colônias na Malásia. Mas em 1876, o inglês Henry Alexander Wickham do Royal Botanical Garden em Londres, que morou em Santarém durante dois anos, colheu 70 mil sementes de seringueira (Hevea brasiliensis), originárias de uma região denominada Boim, no Vale do Tapajós, e as transformou em mudas que plantou em colônias britânicas na Malásia, formando extensos seringais de cultivo que apresentavam alta produtividade de borracha seca por hectare.
Se de meados do século XIX até quase meados do século XX praticamente toda borracha natural consumida no mundo era originária da Amazônia brasileira, levando o produto a competir com o café na formação do PIB do Brasil, em pouco mais de cinqüenta anos os ingleses desbancaram a Amazônia e transformaram-se nos maiores produtores de borracha do mundo, com efeitos desastrosos para a economia da região amazonense que continuava assentada no extrativismo predatório dos seringais nativos, e assim continuou por mais meio século.
Esse fato teve reflexos também em Dearborn, – fábrica de Ford onde eram produzidos 1.200 automóveis por dia e eram empregados 100.000 trabalhadores – pois os ingleses a fim de manterem o preço da borracha em alta, passaram a controlar a produção asiática, obrigando Henry Ford a pensar em produzir sua própria matéria prima se quisesse ter garantia no abastecimento de látex para a fabricação dos pneus dos seus automóveis.
Assim surgiu a idéia de Ford produzir borracha na Amazônia, a escolha do Vale do Tapajós para sede do seringal racional deveu-se ao fato de lá ter saído as 70 mil sementes que Henry A. Wickham levou para Londres e de onde até pouco tempo atrás era produzida quase a totalidade do látex usado no mundo.
Apesar do investimento de Ford se justificar por criar uma segurança no fornecimento de látex a sua implementação sofreu de sérios problemas e principalmente de erros. Em primeiro lugar a escolha do terreno, os um milhão de hectares “concedidos” pelo governo do Pará nas margens do Rio Tapajós era de uma topografia montanhosa e solo predominantemente arenoso que dificultavam o cultivo com máquinas, elevando o custo de produção da borracha. Aliado ao clima com umidade relativa do ar elevada, que favorecia o ataque do inimigo número um da seringueira na Amazônia, o “Mal das Folhas”, doença causada pelo fungo Microcyclus ulei, até então desconhecido dos americanos de Fordlândia que não estavam preparados para combatê-lo. Em segundo lugar, foi a equipe mandada para realizar a tarefa, na equipe mandada por Ford para a criação da cidade e da plantation de seringueiras era constituída por engenheiros, médicos, contabilistas, eletricistas, desenhistas, mas nenhum agrônomo, botânico ou fitotecnista fazia parte da equipe inicial, ou seja para Ford uma vez que sua plantation seria feita na região nativa da seringueira não haveria problemas com sua implementação. O terceiro erro foi resultado do segundo, uma vez que na equipe técnica não havia ninguém especializado no cultivo de seringueiras e com a idéia de que por estarem na área nativa da seringueira a forma como elas seriam plantadas não traria problema algum, assim com o objetivo de “industrializar” a produção de látex as seringueiras foram plantadas em fileiras, 200 mudas por acre num total de 1.5 milhão de seringueiras – dentro da floresta as seringueiras eram encontras numa área de 3 seringueiras por acre- e poucas mudas vingarem exatamente por estarem umas muito próxima das outras, onde cada uma inibia o crescimento da outra, e por estarem em um solo pobre e montanhoso.O quarto ponto foi que uma vez que o terreno era úmido demais, as seringueiras ficaram mais vulneráveis a ocorrência de fungos e foi exatamente isso que dizimou o resto da plantação, o fungo Mycrocyclus ulei, popularmente conhecido como “mal das folhas”. O quinto e último problema foi exatamente o choque cultural, ao conceber a idéia de plantation Ford queria também exportar o estilo de vida e os valores americanos, o “healthy lifestile”, então construiu casas no estilo americano, o regime de trabalho era próprio americano de “nine-to-five shifts” ao contrário do eu os caboclos eram acostumados (antes do sol nascer com pausa até o sol se pôr para evitar o sol amazonense), o próprio entretenimento era “importado”, os trabalhadores eram obrigados a celebrar as festividades americanas, nos finais de semana eles eram chamados a reuniões onde liam poesia, dançavam e cantavam canções típicas americanas, outro ponto foi que Ford proibira o consumo e venda de bebidas alcoólicas na cidade, obrigando o caboclo a irem para outras cidades para se saciarem. O ponto de ebulição desse choque foi quando Ford trocou a refeição comum aos caboclos, peixe e farinha, por comidas americanas, como hambúrguer, espinafre e outro. Isso tudo eclodiu na “revolta das panelas”, revolta essa que perdurou por 3 dias até que o exército brasileiro viesse para intervir na região.
A aventura de Henry Ford durou menos de 20 anos, exatamente pelos problemas citados acima. Logo após que a Fordlândia não vingaria exatamente pela sua topografia, Ford tentou mudar o empreendimento para a cidade de Belterra, contratando o especialista James R. Weir para diagnosticar e implementar a nova plantação, mas a mesma foi também dizimada pelo “Mal das Folhas”. No entanto, a aventura de Ford foi abandonada com o surgimento da borracha sintética, derivada do petróleo e gás que tornou a obtenção do látex de seringueira economicamente inviável. Em 1945 a filial amazônica da Ford Motor Company fechou as portas, levando consigo um prejuízo de mais de US$ 100 milhões em valores atualizados.

O Homem do Dinheiro e da Cerveja

Compartilho texto com os alunos referente ao presidente mundial da Inbev, Carlos Brito, e a possibilidade da cervejaria se tornar a maior do mundo!

Abaixo, texto e referência:

Ele quer dominar o mundo*

Nas últimas semanas, o nome de um discreto e quase desconhecido executivo brasileiro tomou as páginas dos mais importantes jornais e revistas de economia do mundo. Presidente da cervejaria belga Inbev, o carioca Carlos Brito tornou-se o protagonista de uma negociação que pode mudar radicalmente o mercado global de bebidas e de produtos de consumo de massa. No dia 11 de junho, a InBev fez uma oferta pública para comprar a americana Anheuser-Busch — um negócio de mais de 47 bilhões de dólares. Caso a oferta seja aceita e o negócio se concretize, seu resultado criará a quarta maior companhia de consumo do mundo em valor econômico, atrás apenas de Procter&Gamble, Nestlé e Coca-Cola. Em grande medida, cabe a Brito, de 48 anos de idade, a tarefa de convencer os acionistas da Anheuser-Busch a vender uma companhia ícone do capitalismo americano, o governo dos Estados Unidos a não barrar a investida belga e a população da cidade de St. Louis, onde fica a sede da cervejaria, de que uma possível aquisição não vai significar fechamento de fábricas e demissão em massa. Diante disso, Brito, um homem das finanças e da operação, teve de se transformar numa espécie de relações-públicas — uma missão aparentemente difícil para alguém que habitualmente se recusa a dar entrevistas e que construiu sua carreira quase no anonimato. (Procurado por EXAME, ele não atendeu à reportagem.)
Casado e pai de quatro filhos, Brito é o homem de confiança de Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles e Carlos Alberto Sicupira, ex-controladores do banco Garantia e hoje os maiores acionistas individuais da InBev. Ao comprar a combalida Brahma, em 1989, os três financistas deram início a um arrojado plano de expansão que se estenderia por anos e pegaria de surpresa o mercado em vários momentos. A primeira grande tacada foi a compra da Antarctica, anunciada em 1999. Considerada inicialmente impossível, devido à profunda rivalidade e às diferenças culturais das duas companhias, a união entre as duas empresas deu origem à AmBev. Quatro anos depois, a AmBev foi vendida à belga Interbrew, formando a InBev. De acordo com o modelo proposto por Lemann, Sicupira e Telles, apesar de o controle acionário ser belga, a gestão da cervejaria ficaria nas mãos de executivos brasileiros, todos imbuídos da cultura de risco e da agressividade forjada no velho Garantia. Depois de promover um intenso choque de gestão na sede da InBev, em Leuven, chegou o momento de dar a tacada mais esperada: comprar a fabricante da Budweiser e formar a maior cervejaria do mundo em produção e faturamento — um sonho acalentado pelo trio há quase duas décadas. Sem a concretização da compra, o plano forjado no passado não será completado. Eis a responsabilidade que Brito tem hoje nas mãos.
Ele participou desse sonho desde o início. Seu primeiro contato com Jorge Paulo Lemann aconteceu em meados da década de 80. Egresso de uma família de classe média, Brito estudou no tradicional colégio Santo Inácio, um dos pontos de encontro da nascente elite intelectual carioca. “Desde criança ele sempre foi muito determinado”, diz o ex-colega de classe Ricardo Reisen de Pinho, hoje pesquisador sênior da Universidade Harvard. Depois de se formar em engenharia na Universidade Federal do Rio de Janeiro, Brito foi aprovado em Stanford, uma das mais tradicionais escolas de negócios dos Estados Unidos, para fazer um MBA. Só faltava a ele o dinheiro para bancar o curso. Um amigo de seu pai sugeriu que Brito procurasse Lemann, na época já um banqueiro de sucesso, para pedir ajuda. Depois de analisar seu histórico escolar, Lemann decidiu financiar o curso. A contrapartida seria que Brito lhe enviasse regularmente informações sobre o que acontecia lá fora e, no futuro, se dispusesse a ajudar algum jovem talento que precisasse de apoio financeiro. (…)
Ao voltar de Stanford, Brito quitou parte de sua dívida moral com Lemann ingressando no Garantia. Meses depois de sua chegada, a Brahma foi comprada. Para comandar a virada na empresa, foram destacados quatro profissionais: o próprio Marcel Telles, o ex-diretor-geral da Lacta Magim Rodrigues, Luiz Claudio Nascimento, que trabalhava no Garantia e viria a ser presidente da Gafisa, e Brito. Em pouco tempo, o jovem engenheiro tornou-se um dos melhores exemplos da cultura baseada em meritocracia e busca obsessiva por resultados. “Ele sempre foi obstinado e ganhava os bônus máximos todos os anos”, afirma Alberto Cerqueira Lima, ex-diretor de marketing da Brahma e hoje presidente da operação brasileira da consultoria Copernicus.
Para alcançar as metas, Brito desenvolveu um estilo peculiar. Seus colegas e ex-colegas o descrevem como um sujeito absolutamente pragmático. Foi ele, por exemplo, quem desenvolveu o primeiro sistema formal de controle do desempenho das fábricas, no início dos anos 90. Na mesma época, criou processos que passariam a reger o trabalho dos vendedores da cervejaria — até então apoiados mais em relacionamentos pessoais que em um método organizado. Em reuniões, é comum que Brito interrompa os interlocutores e pergunte: “Qual é o gabarito?” Quem trabalha com ele sabe exatamente o que isso significa — é hora de encurtar o papo e ir direto ao ponto. O jeitão agressivo fez com que ele se tornasse um sujeito respeitado — e não exatamente amado — dentro da companhia. “Quem depende de elogios constantes para se sentir motivado não pode trabalhar com o Brito”, diz um ex-executivo da AmBev. Alguns episódios ajudaram a cristalizar a imagem do executivo durão. Um deles aconteceu há cerca de uma década — mas até hoje é conhecido de muitos funcionários da cervejaria. Durante um evento da Brahma, um dos gerentes da companhia tomou uma lata de Coca-Cola — como na época o contrato de distribuição da Pepsi pela Brahma havia acabado, o executivo não viu problema em beber o refrigerante da marca concorrente. Ao saber, Brito se enfureceu. Chamou a atenção do subordinado pela “infração” cometida. Coincidência ou não, dali por diante a carreira do gerente, até então em ascensão, estagnou.
(…) Embora fosse um nome forte dentro da AmBev, Brito só começou a ganhar visibilidade fora da companhia ao assumir o cargo de diretor-geral, em 2004. A comparação com seu antecessor, Magim Rodrigues, era inevitável — e, no quesito carisma, Brito perdia feio. “O Magim era um líder nato”, diz um fornecedor da cervejaria. “O Brito não se destaca pela gestão de pessoas, mas pela incrível capacidade de execução.” Foi justamente essa capacidade que o alçou ao posto de presidente mundial da InBev, em janeiro de 2006. Para transformar a secular fabricante de bebidas belga numa máquina de eficiência, era preciso dar um doloroso choque de gestão. Para Lemann, Telles e Sicupira, ninguém era tão indicado quanto Brito. Ao lado de outros executivos formados na AmBev — dos 13 da cúpula da InBev, nove são brasileiros —, Brito deu início a um programa de corte de custos jamais visto em Leuven, cidadezinha de menos de 100 000 habitantes. Mordomias como carros e telefones celulares para executivos foram banidas. Nas fábricas, a ordem era — sempre — fazer mais com menos. Num ambiente em que os funcionários estavam acostumados a muitas regalias, os conflitos foram inevitáveis. (…) O período turbulento vivido no início de sua gestão na Bélgica forneceu a Brito algumas lições. Uma das mais importantes: é melhor tentar ganhar a confiança dos stakeholders (funcionários, consumidores, comunidades etc.) do que partir para embates. Vem daí seu enorme esforço nos últimos dias para convencer políticos americanos e trabalhadores da Anheuser-Busch de que a aquisição não vai implicar em demissões — um ponto delicado, sobretudo num momento em que a economia dos Estados Unidos atravessa uma fase de desaceleração. Se conseguir dobrar essa resistência e fechar a compra da cervejaria americana, Brito automaticamente transformará a InBev em uma potência.(…)

*CORREA, Cristiane. Revista Exame, edição 0921, seção Negócios, 26/06/2008, pg 41-44 (com adaptações)

Google e MPF

 

Agora sim uma ação de responsabilidade social do Google. Demorou, mas a pressão das autoridades fez com que o grupo americano colaborasse com as investigações:

 

Extraído de: http://www1.folha.uol.com.br/folha/informatica/ult124u418061.shtml

 

 

O Google, dono do Orkut, deve assinar nesta quarta-feira (2) o TAC (termo de ajustamento de conduta) com o Ministério Público Federal, para agilizar a liberação e a manutenção de dados para investigações sobre crimes cibernéticos. O acordo deve ser fechado durante audiência da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) da Pedofilia no Senado.

A assinatura do termo é uma das principais reivindicações do Ministério Público para facilitar a investigação de crimes como a pedofilia, principalmente no Orkut. O Google, dono da rede social, já havia se comprometido perante a CPI a adotar uma série de medidas para combater essas práticas, mas as partes não chegavam a um acordo sobre o TAC.

De acordo com o MPF, o Google aceitou os termos do acordo. O órgão informa que, para assinar TAC, o Google exigia receber imunidade civil e criminal nesses casos –não queria ser responsabilizada criminalmente caso deixasse de enviar às autoridades os dados de usuários do Orkut que permitam a identificação de criminosos.

Agora, ficou acertado que a imunidade será dada apenas nos casos em que houver erro no envio das provas, em que não houver má-fé: ao comunicar, por exemplo, que uma página do Orkut contém pedofilia, quando não houver. Com isso, a empresa fica resguardada de ser enquadrada no crime de comunicação falsa.

“Queríamos garantir que funcionários cumprissem sua função, sem risco de ser responsabilizados criminalmente “, afirma Félix Ximenes, diretor de comunicação do Google. “Da nossa parte, está tudo pronto para assinar”.

O Google informa que começa a cumprir a partir desta terça-feira (1º) os compromissos assumidos na CPI.

Entre eles estão manter os registros de acessos e os números IP (protocolo de internet) dos usuários do Orkut por 180 dias; disponibilizar com mais agilidade evidências relacionadas a crimes contra crianças e adolescentes para as autoridades brasileiras, mediante ordens judiciais; a criação de um sistema de filtro para remover e prevenir material comprovadamente ilícito no Orkut e o desenvolvimento de uma ferramenta de cooperação com a SaferNet, ONG que fiscaliza crimes na rede.