– Afinal, quem são os greco-católicos ucranianos?

Na Ucrânia, os católicos sofreram diversas perseguições ao longo da história, especialmente nos tempos da União Soviética. Os comunistas queriam uma igreja ortodoxa russa como dominante, e controlada por Moscou.

Houve resistência, e hoje aproximadamente 1/10 da população professa a fé católica, sendo 1% de católicos apostólicos romanos e 9% de greco-católicos ucranianos (que usam o rito bizantino e estão ligados ao Vaticano, não sendo uma igreja à parte).

Entendendo a “geografia da fé” na Ucrânia e o sofrimento do povo local, neste texto extraído de: https://www.acidigital.com/noticias/catolicos-da-ucrania-sao-poucos-e-muito-perseguidos-33309

CATÓLICOS DA UCRÂNIA SÃO POUCOS E MUITO PERSEGUIDOS

Militares russos entraram na Ucrânia em vários pontos ontem precedidos por ataques de mísseis contra alvos militares e cidades.

Embora a maioria da população da Ucrânia seja ortodoxa oriental, os católicos estão entre os que sofrem com a invasão russa do país. Abaixo, algumas informações sobre a população católica da Ucrânia:

Igreja Greco-Católica Ucraniana

Cerca de 9% dos ucranianos são greco-católicos, o que significa que são católicos, mas usam o rito bizantino. A grande maioria deles faz parte da Igreja Greco-Católica Ucraniana, liderada pelo arcebispo-mor Sviatoslav Shevchuck da arquieparquia ucraniana de Kiev-Halych.

O rito bizantino celebra a liturgia na forma usada pelas Igrejas Ortodoxas Orientais, usando regularmente a Divina Liturgia de São João Crisóstomo.

Os greco-católicos ucranianos estão concentrados no ocidente do país, perto da fronteira com a Polônia, especialmente em Lviv. Existem, no entanto, 16 eparquias ou exarcados (equivalentes a dioceses ou vicariatos) da Igreja em todo o país, inclusive na Criméia, tomada pelos russos em 2014, Luhansk e Donetsk.

A Igreja Greco-Católica Ucraniana está enraizada na cristianização do século X da Rus’ de Kiev, um Estado cuja herança a Ucrânia, a Rússia e a Bielorrússia reivindicam. Esse evento também forma as raízes da Igreja Ortodoxa Russa, da Igreja Ortodoxa Ucraniana (Patriarcado de Moscou) e da Igreja Ortodoxa na Ucrânia.

Essa Igreja também tem uma presença considerável no Brasil, nos EUA, no Canadá e na Polônia, além comunidades menores em outros lugares da Europa, Argentina e Austrália.

Católicos de rito latino

Há também uma hierarquia de ritos latinos ou romanos na Ucrânia, à qual pertence cerca de 1% da população. Também concentrada no oeste do país, essa comunidade tem seis dioceses sufragâneas da arquidiocese de Lviv, e tem laços culturais com a Polônia e a Hungria.

Outras

A Ucrânia também abriga a Eparquia Católica Rutena de Mukachevo e a Arqueparquia Católica Armênia de Lviv.

A Igreja Católica Rutena também usa o rito bizantino, e se concentra na fronteira com quatro vizinhos ocidentais da Ucrânia. Há cerca de 320 mil católicos na eparquia de Mukachevo, que são servidos por cerca de 300 padres.

Há uma Arqueparquia Católica Armênia em Lviv, embora esteja vacante desde a Segunda Guerra Mundial. Os armênios católicos na Ucrânia são poucos e muitas vezes confiados aos cuidados pastorais de sacerdotes de outras Igrejas católicas.

Perseguição

As igrejas católicas foram severamente perseguidas na Ucrânia quando o país era parte da União Soviética.

A Igreja Greco-Católica Ucraniana foi proibida sob o domínio soviético, de 1946 a 1989, e a Igreja Católica Rutena foi suprimida em 1949.

O conflito entre a Rússia e a Ucrânia na década de 2010 trouxe novos temores de perseguição.

Em 2014, após a anexação russa da Crimeia e conflitos armados em outras regiões fronteiriças entre militares ucranianos, rebeldes pró-russos e soldados russos, o então núncio apostólico na Ucrânia alertou para um retorno da perseguição.

“O perigo de repressão da Igreja Greco-Católica existe em qualquer parte da Ucrânia que a Rússia possa estabelecer sua predominância ou continuar por meio de atos de terrorismo para avançar com sua agressão”, disse o arcebispo Thomas Gullickson em 23 de setembro de 2014.

Gullickson foi núncio na Ucrânia de 2011 a 2015 e se aposentou em 2020, aos 70 anos.

“Muitas declarações vindas do Kremlin nos últimos tempos deixam poucas dúvidas sobre a hostilidade e intolerância ortodoxa russa em relação aos greco-católicos ucranianos”, disse ele em setembro de 2014 aos diretores da fundação pontifícia Ajuda à Igreja que Sofre.

“Não há razão para excluir a possibilidade de outra repressão generalizada à Igreja Greco-Católica Ucraniana, como ocorreu em 1946 com a cumplicidade dos irmãos ortodoxos e a bênção de Moscou”, afirmou.

Muitos clérigos católicos romanos e gregos foram forçados a deixar a Crimeia após sua anexação. Tanto os católicos romanos quanto os gregos enfrentaram dificuldades para registrar adequadamente a propriedade da propriedade da igreja e garantir a residência legal para seu clero.

Sob a União Soviética, 128 padres, bispos e freiras da Igreja Católica Rutena foram presos ou enviados para o exílio na Sibéria. A eparquia de Mukachevo teve 36 sacerdotes mortos durante a perseguição.

O beato Theodore Romzha foi bispo ruteno de Mukachevo por três anos antes de ser morto em 1947 pelo NKVD por ordem de Nikita Khrushchev, então chefe do Partido Comunista da Ucrânia.

O beato Romzha é um dos mais de 20 mártires ucranianos do século XX beatificados por são João Paulo II durante sua visita à Ucrânia em 2001.

Militar ucraniano reza com vela na mão / Cortesia ACN

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