– Confidências de um Árbitro

Ainda repercute a conversa risonha do árbitro Stephane Lannoy para com o Luís Fabiano, após o gol polêmico da partida Brasil X Costa do Marfim.

O que teria dito? O que conversavam? Isso é imoral?

Para aqueles que estão fora do mundo da arbitragem, uma revelação: fatos como esse são corriqueiros! É que o francês escancarou a abordagem…

Explico: quando se tem um lance de gol duvidoso, e até então não há mais complicadores no jogo, o árbitro, disfarçadamente, procura o envolvido para se tirar a dúvida. Um exemplo simples: bola cruzada na área e os atletas 7 e 9 cabeceiam a bola. Ambos comemoram o gol como se fossem os marcadores. Depois de um certo tempo (nunca no frescor do lance) o árbitro se aproxima ou do 7 ou do 9 (longe da jogada, desapercebidamente) e pergunta quem finalizou. É claro que a resposta nunca será confiável, mas serve para ajudar o árbitro a decidir para quem vai dar o gol.

No lance de domingo (Luís Fabiano inicia a jogada após um toque da bola na sua mão (não intencional, portanto, legal) e finaliza a jogada com um chute após dominar a bola com o antebraço intencionalmente (mão, no futebolês, quer dizer também braço e antebraço). Lance ilegal e não visto pelo árbitro por ser um ponto cego para ele. Era lance para o bandeira, que pela imagem da TV, vê-se que estava encoberto por um zagueiro da Costa do Marfim.

O movimento do braço de Luís Fabiano leva o árbitro a acreditar que poderia ter sido irregular, embora ele não consiga ver se houve ou não o toque. Como em dúvida a decisão deve ser pró-ataque (e talvez a pintura da jogada tenha inibido uma anulação do lance), o fraco árbitro validou o gol sem ter certeza da legalidade.

É natural que o árbitro, depois de passado um tempo e fora do lance de jogo, se aproximasse do Luís Fabiano e dissesse: “pra mim você dominou no peito, já dei o gol, tudo bem. Mas diga a verdade: foi mão ou não? Não vai mudar nada, não vou dar cartão, mas fale a verdade”.

Parece inacreditável que isso aconteça, e mais incrível que o árbitro espere uma resposta sincera, mas é assim que acontece com árbitros que vacilam e não tem personalidade. Ele sabe que errou, e quer ouvir uma versão contrária do seu erro, a fim de tranqüilizar-se!

Você não veria um Dulcídio W Boschilla na mesma situação (ainda mais com o sorriso do francês), ou ainda um Paulo César de Oliveira. Mas tanto é verdade que Lannoy teve dúvidas, que persistiu em “compensar” seu erro na arbitragem. Cabeça de árbitro fazedor-de-média: “Se eu expulsar alguém da Costa do Marfim, reclamarão que além do gol duvidoso, prejudiquei os marfinenses expulsando-os”. Isso explica a não expulsão em jogadas violentas sobre os brasileiros.

Enfim, lembremo-nos de que o Campeonato Francês não é um primor… Confusões provindas de um árbitro que mostrou falta de personalidade num jogo de Copa do Mundo.

– Fantasia e Miséria na Copa

Não sei de onde veio a coluna original (extrai e menciono a reprodução publicada do site http://sergyovitro.blogspot.com/2010/06/fernando-de-barros-e-silva-fantasia-e.html), mas dou os créditos ao brilhante Fernando de Barros e Silva. Ele tratou com maestria a relação da Fantasia criada pelo futebol da Seleção Brasileira e a Realidade observada. A falsa impressão passada pelos comerciais de TV e a dureza do futebol demonstrado retratam com perfeição o contraste:

 

FANTASIA E MISÉRIA NA COPA

 

O momento mais emocionante do jogo entre Brasil e Coreia do Norte, ontem, aconteceu antes que a bola rolasse. Foi durante a execução do hino do país adversário, quando as câmeras flagraram o atacante Jong Tae-se se debulhando em lágrimas. A expressão de choro permaneceu em seu rosto durante a partida. Se ele jogasse como chora, estaríamos fritos.


Medíocre, sem brilho, apático, previsível. O Brasil fez uma estreia sofrível na Copa do Mundo. Tostão e Paulo Vinícius Coelho saberão explicar mais e melhor as deficiências dessa seleção de gladiadores. Mas mesmo aí, nessa identidade de “guerreiros da pátria” que foi forjada, com a mão de Dunga, para fins de mercado, há um abismo entre o que a propaganda vende e a mercadoria que foi entregue em campo.


A culpa, claro, não é dos atletas que lá estão. Vários deles, meninos assustados, visivelmente no limite das suas capacidades.


A seleção de Dunga é inimiga da fantasia. Isso torna mais flagrante, como ficou claro mais uma vez, o divórcio entre o que acontece dentro de campo e a parafernália de expectativas e entretenimento que se cria em torno dele. O business da Copa pede algo que o jogo não dá. Mas que é preciso arrancar dele ainda assim, nem que seja no gogó.


E ninguém exprime melhor essa necessidade do que Galvão Bueno, dublê de locutor esportivo e animador do país. Mal termina o jogo e a Globo nos oferece uma sequência de imagens tediosamente iguais da massa espremida em praça pública e se acabando ao som de alguma música ruim país afora.


Os clichês da brasilidade então inundam a tela: é o bundalelê do cantor Latino em São Paulo, é “essa coisa gostosa nas areias de Copacabana que contagia o país inteiro”, é “a chuva que não esfria o coração pernambucano”.


Tudo somado, é muita fantasia na TV para um espetáculo tão miserável. Ou muita miséria na TV para tão pouca fantasia em campo. Confundir tudo é a alma do negócio.

– Comprovando ou não a tese: Árbitro Forte surge de Campeonato Forte?

Amigos, nós estamos vendo graves erros de arbitragem na Copa do Mundo. E aí surgem comentários e teorias conspiratórias das mais diversas, tentando explicar pela ótica do torcedor os motivos de péssimas atuações: Fraudes, Incompetência ou Pessoalidades?

 

O fato relevante na Copa é a escolha tecnicamente equivocada de árbitros inexperientes e incompetentes oriundos de países com pouca ou inexpressiva tradição.

 

Mas existe uma tese, que discutiremos se é verdadeira ou não: Os árbitros se equivalem à força dos campeonatos de seus países?

 

Hipoteticamente, isso pode ser até lógico. Mas vamos tentar comprovar?

 

O Campeonato Inglês é forte. Por tabela, os árbitros ingleses são muito bons. Isso não se discute. Idem para a Argentina. Idem para o Brasil.

Faça ainda a mesma analogia para com o Campeonato Italiano; mas não a faça para o Campeonato Espanhol. Historicamente os árbitros da Espanha são os mais fracos da Europa. E daí você perguntará: mas o Campeonato de lá não é forte?

– Claro que não!

Como podemos dizer que é forte um campeonato de 2 times? O jogo que faz o Campeonato forte é Barcelona X Real Madrid, o resto é fácil de apitar. Vide os erros de arbitragem costumeiramente pró-Real ou pró-Barça.

 

Nossa tese de Campeonato Forte & Árbitro Forte está se comprovando… Continuemos?

 

Você poderá questionar: mas num passado bem recente tivemos o húngaro Sandor Puhl (apitando a final da Copa de 94) ou o dinamarquês Kim Nielsen. E atualmente, temos o colombiano Oscar Ruiz. Esses ótimos árbitros são de países que tem Campeonatos Nacionais fortes?

– Evidente que são bons árbitros de competições locais fracas.

A questão não é Campeonato Local, mas Torneio! Vamos ao exemplo do húngaro citado: a quanto tempo um time da Hungria não disputa a Champions League? Assim, um árbitro da Hungria está livre para ser escalado em qualquer partida da Copa Européia, e terá oportunidade de apitar jogos do Manchester United contra Real Madrid, Internazionale, Bayern… é bem diferente apitar Grande X Grande do que Grande X Pequeno. Faça valer o mesmo para Oscar Ruiz: ele não é bom por ter experiência apitando na Colômbia, mas sim pela Libertadores da América.

 

Então, podemos concluir que países que possuem um grande número de times grandes (Inglaterra, Itália, Brasil) naturalmente terão um grande número de bons árbitros, já que há frequência de clássicos locais. E países com poucos grandes clubes (Espanha, França, Uruguai) tem maior dificuldade em ter grandes árbitros, já que há poucos clássicos domésticos. Países periféricos dos centros futebolísticos que não tem grandes clássicos podem ter grandes árbitros pela freqüência de escalas dos árbitros (e por serem neutros num torneio), como Colômbia, Suécia, Dinamarca.

 

Tranquilamente dá para afirmar que Grandes Árbitros surgem de Grandes Torneios (nacionais ou continentais). Dessa forma, podemos também dizer que um árbitro da Guatemala não poderá ser um grande árbitro apitando o campeonato guatemalteco ou a Copa dos Campeões da Concacaf. Vale o mesmo para árbitros de Mali, El Salvador, Benin, Seychelles, Angola ou Nova Zelândia.

 

O curioso é que todos esses países elencados acima têm árbitros na Copa! Claro, o fator competência é irrelevante para a FIFA, vale o fator político. Se a idéia é universalizar a Copa, mostrar que é um evento global, torna-se interessante colocar, se não seleções, árbitros de todos os cantos! O primeiro critério para a escalação na Copa é o de colocar um trio de arbitragem do mesmo país (árbitro e bandeiras italianos, por exemplo). O segundo critério é o de falar a mesma língua (por exemplo, árbitro paraguaio, bandeira espanhol e bandeira chileno). Nessas combinações, sobrarão elementos que foram para a Copa unicamente por política, e aí vem o terceiro critério: o de juntar elementos desparcerados, como por exemplo, o trio de EUA X ESL: árbitro de Mali, bandeira marroquino e bandeira angolano. Deu no que deu…

 

E você, o que está achando da arbitragem na Copa do Mundo?

 

(Isso não quer dizer que exista perfeição na arbitragem de bons árbitros. Veja o erro de ontem, na partida entre GAN X AUS: Rosseti, bom e experiente árbitro italiano, interpretou uma bola que bateu na mão de um australiano como um toque intencional que evitaria o gol, deu pênalti e expulsou o atleta. Ali era um lance para mandar seguir a jogada… não foi infração!)

 

Você também pode acessar esse post e outros no meu blog no Portal da Rede Bom Dia, clique em: http://blog.redebomdia.com.br/blog/rafaelporcari/comentarios.php?codpost=3083&blog=6&nome_colunista=963

– Prejuízos ou Benefícios das Empresas na Parada para a Copa

Eu, particularmente, acho um absurdo a paralisação do trabalho para assistir Copa do Mundo. Coisa de Fanático! Mas respeito quem pensa o contrário. Chega a ser irritante alguns exageros de quem só torce nessa hora: Vuvuzelas, farra, bebida e depois briga. Mas isso é outra história. Vamos para o campo profissional?

Leio na Exame de 16/06/2010, ed 610, pg 120, Coluna Gestão e Ideias, a respeito sobre os executivos que são contra ou a favor à parada para asssitir os jogos da Seleção Brasileira. Libera-se ou não os funcionários?

Dois pesquisadores da Escola de Administração e negócios IMD (Suiça), Willem Smit e Karsten Jonsen, fizeram o seguinte levantamento:

ARGUMENTOS A FAVOR DE PARAR O SERVIÇO PARA ASSISTIR OS JOGOS:

– A Copa movimenta 12 bilhões de dólares e cria 170.000 vagas só no país sede. No mundo, os ganhos são incalculáveis;

– As horas de folga podem ser compensadas em períodos extras;

– Reunir os funcionários para ver os jogos aumenta a união da equipe.

ARGUMENTOS CONTRA PARAR O SERVIÇO PARA ASSISTIR OS JOGOS

– As perdas globais seriam superiores a 10 bilhões de dólares. Só no Brasil, o prejuízo será de 1,2 bilhão de dólares;

– China e Índia, que estão fora da Copa do Mundo, poderão levar vantagem por estarem fora, já que não parariam.

– Fãs de vôlei ou basquete podem, no futuro, também pleitear folgas.

E Você? O que pensa sobre isso? A favor ou contra a parada para assistir os jogos?

– É hoje!

A Estréia do Brasil é daqui a pouco! Será que verdadeiramente estaremos “rumando ao hexacampeonato”?

 

Tomara! Estarei comentando o jogo, mas principalmente a arbitragem, que é a minha praia, pelo Twitter (ou tentarei), salvo imprevisto de última hora. Para seguir, acesse: www.twitter.com/rafaelporcari

 

Espero você!

– A Comédia da Copa do Mundo

Diogo Mainardi é o cara! Admiro sua coragem em escrever e opinar sem se preocupar com os possíveis processos judiciais. Amado e odiado, seu texto é irrepreensivelmente irônico e inteligente. Os lulistas o detestam, lógico, já que boa parte do seu discurso é antipetista.

Mainardi foi contratado recentemente pela Rádio Jovem Pan para comentar a Copa do Mundo. E no rádio se sai tão brilhante quanto na TV ou no papel. Uma de suas crônicas falava sobre como deveria ser o dia de folga da Seleção Brasileira na África do Sul: Luís Fabiano jogando golfe, Elano filosofando sobre pensadores e Robinho tirando músicas clássicas com um violino, entre outros ‘delírios’.

Entretanto, ele se supera na sua coluna semanal na Veja de ontem (www.veja.com/diogomainardi de 12/06/2010), ao retratar a sua identificação com os jogadores. Para ele:

“o jogador do Brasil com o qual me identifico é Felipe Melo. Ele me representa. Vai Felipe Melo! Mostre ao mundo do que é capaz uma pessoa sem talento, sem juízo e sem discernimento”.

Sensacional a tirada, não? Ele faz ainda analogia com Susana Vieira e Lula no Irã. Abaixo:

 

A COMÉDIA DA COPA

 

Susana Vieira e eu na Copa do Mundo. Susana Vieira comentará as partidas na TV. Eu comentarei as partidas no rádio. Por quê? Porque ninguém se interessou em me contratar para comentar a Divina Comédia, de Dante Alighieri. Susana Vieira é minha Beatriz na Cidade do Cabo e em Johannesburgo.

Eu sou um cronista como Nelson Rodrigues. Eu sou um reacionário como Nelson Rodrigues. Eu sou pago para fazer comentários sobre a Copa do Mundo como Nelson Rodrigues. Agora só tenho de me tornar um Nelson Rodrigues.

Eu fui da literatura para a imprensa, da imprensa para o rádio. É por isso que simpatizo com Robinho. Ele tem uma trajetória semelhante à minha: do Real Madrid para o Manchester City, do Manchester City para o Santos. Eu simpatizo também com Kaká. Melhor dizendo: eu o idolatro. Eu gostaria de ganhar um dos maiores salários de todos os tempos para permanecer sentado no banco de reservas, tirando a franja da testa. Eu sou bom em matéria de tirar a franja da testa. Mas o jogador do Brasil com o qual realmente me identifico é Felipe Melo. Sempre que, durante o programa de rádio, Wanderley Nogueira me passa a bola, eu me embanano todo e, como Felipe Melo, acabo recuando para o zagueiro. Na Copa do Mundo, minha torcida será inteirinha para ele. Ele me representa. Vai, Felipe Melo! Mostre ao mundo do que é capaz uma pessoa sem talento, sem juízo e sem discernimento.

O melhor personagem desse time do Brasil, no entanto, é o técnico Dunga. O que me atrai nele – e Nelson Rodrigues seguramente concordaria comigo – é aquele seu aspecto de coronel da Operação Bandeirante. Se Carlos Alberto Parreira, em 2006, perdeu a Copa do Mundo porque convocou apenas jogadores lesados e fora de forma, Dunga, em 2010, resolveu dobrar a aposta, convocando jogadores ainda mais lesados e fora de forma. Num momento como o atual, em que o Brasil é dominado pelo populismo mais ordinário, Dunga ignorou os apelos da arquibancada e repudiou Ganso e Neymar. Ganso e Neymar consagraram-se em partidas contra o Rio Branco e o Guarani. Escalá-los numa Copa do Mundo contra a Espanha e a Inglaterra seria o mesmo que escalar Lula para negociar com o regime genocida iraniano.

Dante Alighieri usou a Divina Comédia para fazer proselitismo contra o papa Bonifácio VIII, colocando-o no Inferno, enterrado num fosso, só com as pernas de fora. Eu uso o rádio para fazer proselitismo contra o PT. Do amistoso com o Zimbábue, um sinal do apoio de Lula a Robert Mugabe, essa mistura de Mussolini com Grande Otelo, aos aloprados da CBF, que se comportam como os aloprados do PT, eu sempre dou um jeito de condenar essa gente ao castigo eterno. Agora só tenho de me tornar um Dante Alighieri. E Susana Vieira me conduzirá à Luz.

– E a Copa começa com Dunga e seus Talibans!

E hoje começa a Copa do Mundo! Não falarei sobre o nível técnico nem projeções, apenas quero reproduzir um artigo de Roberto Pompeu de Toledo, da Revista Veja de 19/05/2010, sobre Dunga, Cerveja, Garra e Guerra.

Irônico e inteligente, extraído de: http://veja.abril.com.br/190510/talibas-chuteiras-p-178.shtml

TALIBANS DE CHUTEIRA

“A Copa do Mundo, na doutrina Dunga, é um calvário que é preciso escalar sem medir prejuízos, físicos ou morais, para fincar lá no alto o pendão verde-amarelo”

A temporada de Copa do Mundo começa mal. Logo de saída, o técnico Dunga nos ameaça com patriotismo. Nada menos do que patriotismo! Um anúncio de cerveja na televisão, no ar faz algumas semanas, já batia na mesma infausta tecla. Um desesperado Dunga, esbravejando iracundas palavras de ordem e gesticulando como um possesso, num cenário cheio de sugestões de verde-amarelismo, pregava que para ganhar no futebol só sendo “guerreiro” – no caso, “guerreiro” como os consumidores da cerveja em questão. Na entrevista em que divulgou a lista dos convocados, na semana passada, o técnico ofereceu novas manifestações de seu ardor cívico. Disse que a mãe, professora de história e geografia, o ensinou a ser patriota. Insistiu em que cada um dos jogadores convocados tem de “mostrar patriotismo”. E tome expressões como “doar-se pelo país”, “comprometimento”, “responsabilidade”. A Copa do Mundo, na doutrina Dunga, é um calvário que é preciso escalar sem medir prejuízos, físicos ou morais, para fincar lá no alto o pendão verde-amarelo.

O anúncio da cerveja, ou antes a série de anúncios, pois se trata de mais de um filme, com variações sobre o mesmo tema, já nos ensinava que Copa do Mundo é “guerra”. Vai-se para um jogo do Mundial, segundo prega uma das peças publicitárias, “como quem vai para uma batalha”. Alguns jogadores aparecem em cena secundando o técnico no ímpeto belicoso. “É o Brasil contra o resto do mundo”, anuncia o locutor. “Vamos para a guerra juntos.” As tomadas épicas exibidas a seguir evidenciam que os atletas estão prontos para a missão sagrada. “Raça”, pede o locutor. Tanto jogadores quanto torcida devem se irmanar na “raça”. Quando o time entra em campo, não é um time. São os marines desembarcando em Bagdá, ainda mais temíveis por se acharem anabolizados pelos teores guerreiros inerentes ao consumo da cerveja. O resto do mundo que se cuide.

O anúncio é a expressão de uma filosofia (decifre-a quem for capaz) que combina os efeitos da cevada fermentada, o nacionalismo e o bom desempenho no esporte. De quebra, explica que a Copa do Mundo não é, como pensariam os mais desavisados a respeito das competições ou dos congressos internacionais, uma oportunidade no mínimo interessante para sair um pouco da própria casca e deparar com outros panoramas, outras gentes e outros costumes, ainda que se tenha de disputar um campeonato. É a arena em que ou se fará correr o sangue do inimigo ou se deixará o próprio sangue.

Tanto o discurso de Dunga como a publicidade da cerveja obedecem à mesma concepção de futebol das torcidas organizadas. Os estádios são hoje o território delas. Os coros, as músicas e as coreografias se sucedem durante os jogos. É bonito de ver, mas é assustador cruzar com elas na rua. A noção que as congrega é a de “nação”. Fala-se na “nação alvinegra”, na “nação tricolor”. A preferência por um clube traveste-se de patriotismo. Como exige todo patriotismo, o passo seguinte é eleger um inimigo. O inimigo é o que veste uma cor diferente e entoa um coro diferente. Que fazer com ele? Ora, inimigo se combate. Estraçalha-se, ao primeiro encontro na estação de metrô. O embate de torcidas organizadas tem causado mortos e feridos, no Brasil e mundo afora. Dunga e a cerveja endossam a mesma lógica nacionalista que as embala. A mensagem que deixam no ar é que as torcidas organizadas estão certas.

O técnico da seleção transmite uma visão sacrificial do futebol. No seu repertório, ao “comprometimento” e à “doação” soma-se a “superação”. (“Superação” é palavra da moda. Por “superação” entende-se até conseguir fazer regime para emagrecer.) Na entrevista da convocação ele disse que não gosta de se pôr como vítima e que seu propósito é ser feliz. O conjunto do discurso, no entanto, aponta para o inverso. Ele é vítima de críticos que não reconhecem o valor de “todo um trabalho”, por ele feito ao longo de três anos e meio com “coerência”. Mas não importa. A infelicidade é o caminho pelo qual se chega ao triunfo. A alegria que pode (e em princípio até deve) haver numa disputa esportiva desaparece sob os imperativos da renúncia e da abnegação. Futebol é jogo, e jogo é brinquedo. Paulo Mendes Campos escreveu uma vez que a bola é o mais perfeito brinquedo jamais inventado. Dunga e a cerveja, com seus arrebatamentos cívicos, seu espírito “guerreiro” e sua busca de inimigos, passam longe das noções de jogo e brinquedo. Sob a inspiração deles, quem entra em campo é o talibã de chuteiras.

– Torcer para a Seleção ou para o Time do Coração?

Como o clima é de Copa do Mundo, vamos a uma enquete (sem muita base científica, apenas uma impressão para saber de que lado o seu coração pende mais no futebol):

Voltemos a Janeiro! O ano do futebol vai começar, e você tem uma das 3 opções para escolher:

O Brasil ganhar o Hexa na Copa do Mundo; ou

O time grande para o qual você torce ganhar a Libertadores, Copa do Brasil ou o Campeonato Brasileiro; ou

O seu time local ganhar o Campeonato Regional ou não cair de divisão!

Por exemplo: você é brasileiro, corinthiano e nascido em Jundiaí. O que você prefere: Seleção Brasileira Hexacampeã; Coringão com a Taça Libertadores ou o Paulista FC não caindo para a Segunda Divisão?

Ao final vamos contabilizar, ok? Aguardo seu voto e não vale o meu…

 

Clique aqui no blog do portal Bom Dia para contabilizar o voto.

– O que Esperar da Arbitragem para a Copa do Mundo?

A Copa do Mundo vai começar, as seleções se aprontam, torcedores gelam suas cervejas, locutores afinam suas gargantas e o clima de festa começa a embalar.

 

Vamos para o campo futebolístico: as equipes ganham entrosamento, fazem amistosos ou jogos-treinos e realizam seus últimos acertos. Mas o calcanhar-de-Aquiles da FIFA, a arbitragem, não está no mesmo nível de preparação.

 

Como não? Alguém dirá: os árbitros estão há 3 anos e meio trabalhando para essa Copa, realizaram simpósios, treinos, preparação física apurada… Mas o essencial, que só pode ser feito na reta final, ficou esquecido: dar aos juízes RITMO DE JOGO.

 

Os árbitros sulamericanos, até por força das competições que ocorriam no período pré-Copa, estão mais preparados para a dinâmica do jogo do que os europeus, cujos campeonatos se encerraram antes.

 

Para quem não é árbitro, é importante fazer a seguinte comparação: se um atleta fica 30 dias parado, lesionado ou de férias, por melhor que seja o seu condicionamento físico, ainda sofrerá para ter ritmo de jogo. Imagine o árbitro! Tempo de bola para se posicionar nas jogadas, rispidez de faltas, reflexo para a marcação dos lances, discernimento para a escolha do cartão a ser aplicado (ou não), além de outras coisas, dependem muito da freqüência de partidas apitadas. Um mês parado é algo sofrível para um juiz, cujos treinos são diferentes dos de jogadores. Aliás, treino de árbitro é o próprio jogo!

 

Os árbitros da Copa apitaram quantos amistosos internacionais nesse período? Eles estão reclusos, quase que incomunicáveis (numa cidadela a 30 km de Petrória), aguardando a competição.

 

Esperemos que a arbitragem vá bem, para o bem do esporte. Mas esqueçam a não-existência de lances e decisões polêmicas. Afinal, elas fazem parte do futebol.

 

E você, o que espera dos árbitros na Copa do Mundo?

– Golpe Norte-Coreano, Contra-Golpe da FIFA

Que não há santos no mundo do futebol, isso é sabido. Então vamos lá: a FIFA exige que as seleções que disputarão a Copa do Mundo inscrevam 23 jogadores, sendo eles 3 goleiros. Mas como a Coréia do Norte é um país fechado, cujos jogadores em sua maioria são ilustres desconhecidos, a Federação Local inscreveu o atleta Kim Myong-won, do Amrokgang de Poyangyang, como o terceiro goleiro. Acontece que ele é centroavante, e como ninguém conhece a fundo os norte-coreanos, só agora a burla veio à tona.

A seleção asiática alega ter inscrito 20 jogadores de linha e 3 goleiros; a FIFA alega que ela inscreveu 21 jogadores de linha e 2 goleiros DE OFÍCIO. Assim, para que a equipe não tire proveito desse golpe, a entidade que organiza a Copa da África tomou uma atitude inusitada, e que vai contra as regras dentro de campo: anunciou que “os 3 jogadores listados como goleiros só poderão jogar nesta posição durante a Copa do Mundo”. Avisou ainda que comunicará aos times no momento de sua chegada à África (nem todas as equipes já estão no continente) e reforçará o aviso no dia do jogo.

 

Tudo seria muito bom se não existisse um enorme problema: tal determinação vai contra a regra do jogo!

 

Entendamos o seguinte: a Regra 3 (Jogadores), fala de 11 atletas em campo (com um mínimo de 7 para se iniciar um jogo – esse mínimo depende de cada país, na Argentina é apenas 3 durante a partida, para se evitar o cai-cai quando há muitos expulsos), sendo que um deles será o goleiro. A Regra 4 (Equipamento dos Atletas) fala que o goleiro deve vestir roupas diferentes dos seus companheiros de linha, dos adversários e dos árbitros, a fim de distingui-lo, pelo fato dele poder usar as mãos em determinadas situações. Fora isso, o goleiro é um jogador como outro qualquer.

 

1) Imaginem a hipotética situação: no Campeonato Brasileiro, o São Paulo FC, por exemplo, conquista o torneio com antecipação, e na última partida no Estádio do Morumbi, após uma vitória parcial de 5 X 0, o treinador resolve homenagear o Rogério Ceni e o manda para a linha: sai o meio-campista Marlos e entra Bosco. Bosco será identificado como novo goleiro (ou seja, atleta com permissão de usar as mãos em determinadas situações) e Rogério perde a possibilidade de usar as mãos (por isso deve vestir uma camisa de linha; senão uma branca, original com o seu número 1, qualquer outra (com aviso que ele continua como número 1 embora não esteja estampado) e o árbitro será avisado que a partir de agora ele não é mais goleiro.

 

2) Imaginem outra situação: por ter queimado as 3 substituições, nesse mesmo jogo hipotético, e querendo homenagear RC, o atleta Richarlysson (acreditemos que tenha facilidade em jogar no gol) troca de posição com o Rogério para que ele jogue na linha. Num momento em que a bola esteja parada, Ricky põe uma camisa diferente dos demais atletas de linha e assume o gol; Rogério veste uma branca (como citado acima, e seus números permanecem iguais para efeito de marcação do árbitro, independendo da alteração) e tudo bem. Rogério não poderá mais usar as mãos e Richarlysson fará uso dessa faculdade, por ser o novo goleiro. E esse troca-e-destroca poderá acontecer ao longo do jogo, pois goleiro é posição, qualquer atleta pode fazê-lo a qualquer instante, desde que se comunique o árbitro (se não o fizer, aplica-se o cartão amarelo, mas a troca continua).

 

3) Imaginem uma terceira situação, mais improvável: Rogério sai da grande área e fica jogando no meio campo, com o mesmo Ricky no gol, mas sem trocarem efetivamente de posição. RC continua sendo o goleiro, embora esteja numa posição do campo não habitual, sendo ele o único do time do SPFC que pode usar as mãos; Richarlysson, embora esteja embaixo da trave, ainda é jogador de linha e não pode usar as mãos. Seus uniformes permanecem os mesmos, e apesar do risco e do inusitado, o jogo segue normalmente.

 

A regra permite tudo isso. Está nas leis do jogo. A decisão da FIFA é equivocada. Lembram-se do goleiro mexicano Jorge Campos, que vestia roupas exóticas? Ele abandonava o gol, o treinador do México colocava o goleiro reserva em campo no lugar do centroavante e Jorge Campos ia para a linha. Com essa determinação anunciada, isso não poderia ocorrer.

 

Não seria melhor que a FIFA excluísse Kim Myong-won da competição, como punição à tentativa de burla, deixando a Coréia com 20 atletas de linha e 2 goleiros de ofício? Seria algo mais sensato e justo, além de não mexer na Regra do Futebol para o evento em que se espera, ela seja cumprida na integridade (afinal, é na Copa que se quer ver conhecimento maior de regras e melhores jogos, já que teoricamente os melhores jogadores e melhores árbitros lá estarão).

 

O que você pensa sobre isso? Alguém tem razão em reclamar? Gostaria da sua opinião.

– Robinho, Seleção e José Simão

Descontração no feriado: para quem gosta de futebol e bom humor (mesmo que não seja politicamente correto), está imperdível a coluna de José Simão na Folha de São Paulo desta última sexta, 04/06/2010, pg E13. Ele fala de futebol, Robinho, Copa do Mundo e Ricardo Teixeira. Com muita irreverência, é claro. Abaixo:

 

ROBINHO É UM SACI DE DUAS PERNAS!

 

BUEMBA! BUEMBA! Macaco Simão Urgente! O esculhambador-geral da República! Direto do País da Piada Pronta!


Feriadão de Corpus Alegres! Repercussões do amistoso com o Zimbábue! Tão dizendo que o Brasil não podia ter jogado com um time que tem um ditador há 30 anos! Eles estão falando do Zimbábue ou do Ricardo Teixeira?! Rarará! Que tá no poder há 30 anos! Jogar com o Brasil é politicamente incorreto! É por isso que o Galvão não transmitiu o jogo. A ONU impediu. O povo do Zimbábue já sofre demais! Rarará!


Adorei a charge do Tacho: “Oba! Adriano convocado. PRA DEPOR!”. Que sacanagem! O Adriano já foi pra Copa. CABANA. E convocado. PRA DEPOR. E aquele sinal que ele fez com as mãos, o CV? Não é Comando Vermelho. É Cerveja e Vermute! Apologia a cerveja e vermute!


E estão suspensas as festinhas com anões, jumentos e drag queens! E adoro quando falam crime organizado. A única coisa organizada no Brasil é o crime!
E agora, Tico e Teco em Duelo: Geisy da Uniban no programa da Lucianta Gimenez! A Geisy tava lançando sua grife: “O vestido é igual ao da polêmica”. “Não, eu PERSONIFIQUEI”. É verdade, aquele vestido dela já sai andando mesmo! Rarará!


E o Zimbábue jogou de verde e amarelo e o Brasil, de azul. Aí uma amiga minha passou 90 minutos torcendo pro Zimbábue sem perceber. E o Robinho é um saci de duas pernas! Talvez de três!!!!


Seleções dos leitores. Continuam chegando sugestões de leitores melhores do que a seleção do Dunga. Ou seja, qualquer uma.


Fala pro Dunga levar o time dos peladeiros de Caucaia, no Ceará: Pança, Pau de Rato, Tripa Seca, Carlinho Mói de Chifre, Chupisco, Zé Mulambo, Arlindo Carniça, Mama na Égua, Cuzão, Homi Morto e Mundiça! Eu queria ver a foto do Mama na Égua. Pra colar no álbum. Rarará. É mole? É mole, mas sobe! Ou como disse aquele outro: é mole, mas trisca pra ver o que acontece!


Antitucanês Reloaded, a Missão. Continuo com a minha heroica e mesopotâmica campanha Morte ao Tucanês. É que no interior da Bahia tem um bar chamado Belisca Teta. Posso levar a Fafá de Belém? Rarará. Mais direto impossível. Viva o antitucanês. Viva o Brasil!
E atenção! Cartilha do Lula. O Orélio do Lula. Acabou. Fechei o botequim. Nóis sofre, mas nóis goza. Hoje só amanhã. Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno!

– Mão na Bola ou Bola na Mão?

Ontem, no jogo Goiás X São Paulo, um pênalti polêmico foi marcado na partida. E tal lance, justamente pela polêmica, nos dá uma bom exemplo de como interpretar os lances que envolvam toque com as mãos na bola numa partida de futebol:

Para marcar uma falta ou pênalti por uso indevido das mãos na bola, o árbitro deverá levar em consideração as seguintes circunstâncias (extraídas da Regra 12):

o movimento da mão em direção à bola, e não da bola em direção à mão (intenção ou não de usar a mão para pegar ou parar a bola);
a distância entre o adversário (dá tempo da mão “desaparecer” da jogada para que ela não bata);
– e a bola que chega de forma inesperada (bateu no susto?).

Portanto, esqueça alguns ditos de que é necessário verificar a posição das mãos ou braços: a posição da mão não pressupõe necessariamente uma infração (braço colado, braço aberto, mão em punho ou riste… tudo bobagem e folclore!). Esqueça também ditos populares de que a bola ía para o gol, impediu um cruzamento, entre outras crendices.

Importante – é a única infração em que vc exclusivamente avalia INTENÇÃO, pois não há a possibilidade de avaliar as outras nuânces da regra, que são a imprudência ou uso de força excessiva.

Assim, vamos falar especificamente do lance do Richarlyson, tão reclamado pelos jogadores sãopaulinos na partida de ontem, válida pelo Campeonato Brasileiro. Caro leitor, perceba o seguinte: o jogador escorrega sozinho na jogada, e como é difícil “cair no chão” de braço fechado, não há tempo de evitar o contato. Ricky, instintivamente, tenta tirar o braço para a bola não bater nele, durante a queda. Não houve intenção nenhuma dele colocar a mão, não dava para marcar pênalti (avalie o desiquilíbrio, a distância e a velocidade da jogada).

Como foi um lance isolado de bola na mão, por conveniência, muitas vezes os árbitros acabam marcando o pênalti simplesmente porque o contato foi claro (sem se preocupar com intenção ou não). Num erro como esse, existem 3 prontas desculpas para a arbitragem justificar uma marcação equivocada (não estou dizendo que o árbitro de ontem as usou, não confunda as coisas). São elas:

– A primeira desculpa é “que a mão foi clara” (não é porque todo mundo viu um contato que deve ser marcar pênalti);

– a segunda desculpa do árbitro será: “acho que ele deixou a bola bater na mão dele, não a tirou de propósito” (como se um braço ou mão desaparecesse de imediato);

– e a terceira desculpa é: “na dúvida temos que marcar o lance pró-ataque“.
 
Nenhuma delas serve caso não exista a intenção clara de colocar a mão na bola para impedir uma jogada.

Depois da explanação, você ainda marcaria o pênalti?

– Entendendo um Impedimento por Lançamento Involuntário

Futebol é apaixonante por certos detalhes. Ontem, no jogo Corinthians X Santos, o atacante santista Marquinhos estava em impedimento a 44 cm. Distância significativa, não dá para reclamar, gol bem anulado.

Mas vejo com surpresa uma reclamação que mostra certo desconhecimento da regra. A de que embora o bandeira Ednilson Corona tenha acertado no impedimento pela posição do jogador, o árbitro Sálvio Spinola houvera errado por não perceber que a bola partiu da zaga corinthiana.

Quem usa desse argumento, reclama por conhecer PARCIALMENTE a Regra 11, que se refere ao impedimento. Essa regra é uma das mais curtinhas do futebol, e justamente por isso você tem que dar muita importância a cada palavra do seu texto.

Vamos usar alguns exemplos simples, comparando com o lance reclamado:

 

1- Zagueiro recua a bola para o goleiro e esta é interceptada por um atacante adversário impedido, que domina a bola (segue o jogo, bola que vem do adversário não tem impedimento).

2- Zagueiro chuta a bola pra frente, bate na cabeça do seu COMPANHEIRO e sobra para o atacante adversário impedido (segue o jogo, o desvio não muda nada, valia o chute no momento da POSSE DE BOLA do zagueiro).

3- Zagueiro chuta a bola pra frente, bate na cabeça do seu ADVERSÁRIO e sobra para o atacante impedido (não segue o jogo; marca-se impedimento, lembrando que o desvio de um atleta da equipe que ataca é diferente do desvio de um atleta que defende; valia o momento do TOQUE/DESVIO NA BOLA do atacante).

 

Poucos se atentaram ao fato de que um jogador não estará em impedimento se a bola é “lançada” pelo seu adversário, mas estará em impedimento se for “lançada ou tocada” por seu companheiro. A palavra “tocada” é desprezada por muitos, mas é ela quem faz a diferença! Na regra, lançar ou tocar tem interpretações diferentes. Ela significa que se a bola for desviada ou resvalada num atacante, e por conta do desvio cair no pé de um atacante que estava em posição de outrora impedimento passivo, imediatamente este mesmo atacante passa a estar em impedimento ativo.

 

Resumindo: uma bola que seja lançada deliberadamente ou tocada sem intenção através de um desvio para o seu companheiro em impedimento, tem o mesmo peso para a sanção técnica.

 

Assim, tanto Sálvio quanto Corona acertaram na marcação e mostraram conhecer bem as regras do jogo, neste lance específico

 

Cá entre nós… será que os jogadores, torcedores, treinadores, jornalistas e até nós, que militamos na arbitragem de futebol, sabemos de todos os detalhes da regra?

– Quando um Grito e uma Cara Feia podem Ganhar um Jogo.

Amigos, gostaria de abordar, às vésperas de um clássico importante do Campeonato Brasileiro (Corinthians X Santos), como se ganha um jogo no grito e na cara feia. Mas não é ganhar por parte dos jogadores, é por parte do árbitro!

 

Veja só: a partida de hoje será a primeira após o chapéu de Neymar em cima do Chicão. Em condições normais, o jogo já seria chamativo. Mas e o que dizer da infeliz frase do Neymar, de que “se der vontade, darei outro chapéu?”.

 

No futebol, dar chapéu em adversário durante o jogo visando um ataque ou objetivamente, pode. Com o jogo parado, é conduta antidesportiva, punível com cartão amarelo.

 

A troco de quê o santista faz tal comentário? Não é por marra ou máscara, é nítido que é por infantilidade, imaturidade. Ele não tem noção do perigo que é, antes da partida, apimentar o jogo de tal forma. Daí se precisa de um bom árbitro no jogo, pois a prevenção será necessária.

 

O que é prevenção para o árbitro? Você certamente já ouviu falar de arbitragem preventiva. Então, vamos lá: Muitos confundem prevenção com o cuidado de não deixar o jogo descambar, com muitas faltas ou pancadas. Nada disso. Prevenção é muito mais que isso, e ao mesmo tempo, quase isso.

 

Arbitrar preventivamente começa antes do jogo, na hora do sorteio de campo/bola. É importante que os adversários sintam firmeza no árbitro, o vejam seguro e concentrado. Nesse momento, ele pode reforçar aos atletas que estará atento a qualquer lance ou ação inconveniente e alertar que vai punir sem perdão! Durante o jogo, é estar onipresente em campo, para que exista a sensação de segurança. Não é picar o jogo com faltas ou cartões (isso, muitas vezes, mostra insegurança do apitador). Ao invés de queimar um cartão (não estou sugerindo deixar de dar cartão se necessário, cito aqui lance de dúvida entre cartão ou não), vale a pena fazer cara feia e dar uma bela bronca (o que chamamos de advertência verbal). Porque não falar com o boleiro na língua do boleiro? Isso ajuda muito.

 

O clima criado pré-jogo não é bom. Teremos a condução do jogo pelo Sálvio Spínola, acompanhado dos assistentes Ednilson Corona e Vicente Romano Neto. Conheço os três e já atuamos juntos. São competentíssimos e terão um belo desafio nessa tarde: coibirem as simulações de Neymar e Dentinho (o primeiro por simular ter sofrido faltas, o segundo por simular agressões), garantirem a tranqüilidade da partida (já viram que nervosismo nos últimos anos esse confronto tem sido?) e poderem sai de campo quase que desapercebidos.

 

Talvez a única certeza do jogo é que quem perder (independente da atuação da arbitragem) vai, como de costume, reclamar.

 

Boa sorte aos amigos!

 

Sugestão: se o Santos gasta milhares de reais com o salário do Neymar, que vale milhões de dólares no mercado futebolístico internacional, por que não gastar alguns trocados com a educação do garoto? Um psicólogo, para o menino suportar a pressão de ganhar muito dinheiro e ser assediado tão jovem; um instrutor de arbitragem, para orientá-lo a não se tornar marcado negativamente para a arbitragem; e, por fim, um professor de boas maneiras, pois talvez os pais do jovem (que se fazem presente no dia-a-dia dele) estejam perdendo as rédeas… Não dá para aceitar que tudo que ele faça seja rotulado simplesmente como molecagem. Há hora para crescer e se firmar, pois ninguém pode ser eternamente moleque.

 

Orientar nunca é demais!

– Futebol e Racismo no Brasil

Amigos, convido aqueles que se interessam pelo Futebol e por temas sociais como o Racismo a lerem a Folha de São Paulo desse domingo (30/05/2010).

Há um caderno especial (Copa 2010 – a África é aqui) de altíssima qualidade, onde há uma matéria sobre como vivem os negros na Bahia (estado mais negro do país) e em Santa Catarina (o mais branco), além de outras temáticas, como: Marias Chuteiras falando que o amor não tem cor; mulheres e discriminação; árbitros e jogadores negros; preconceito de negro por prório negro.

Uma curiosa frase foi destacada: “O jornalista Mario Filho relata uma frase que ouviu de Róbson, então jogador do Fluminense: ‘eu já fui preto e sei o que é isso’ em relação ao preconceito“.

Imperdível.

– O Anti-Carisma de Dunga

Em qualquer seara, um dos pontos para a conquista do público é demonstrar simpatia. Acima da simpatia, é ainda mais necessário o CARISMA.

Mas como definir o que é Carisma?

Até a segunda metade do século XIX, o vocábulo Carisma se referia exclusivamente a um termo religioso. Dizia o apóstolo São Paulo em uma de suas cartas que Carisma é um dom extraordinário de Deus que envolve as pessoas, através do Espírito Santo, e cita-os baseado na sua observação e experiência de fé. Quem mudou o sentido desta palavra foi o eclético alemão Max Weber, que por sua excepcional formação (economista, sociólogo, músico, advogado e teólogo – e defensor ferrenho do capitalismo; sua obra é a contraposição do comunismo de Karl Marx), em um de seus trabalhos (o Socialismo da Burocracia) altera o entendimento “do que é ser carismático”. Para ele, carisma é um dom que Deus dá às pessoas para que elas possam envolver [outrém].

O entendimento é que Carisma sai do contexto religioso e passa para o social. E dentro da sociedade, pessoas carismáticas envolvem, lideram, comandam ou manipulam pessoas e opiniões. Para o bem, ou para o mal. Compare Madre Teresa de Calcutá e Hitler. Ambos são carismáticos. Ambos fascinavam e de modos diferentes: para a prática da solidariedade ou da guerra, do amor ou da força. Ambos encantavam e conquistavam seguidores.

Vemos que pessoas com Carisma conseguem adeptos. Lula e FHC, opositores partidários, são carismáticos. O falecido papa João Paulo II e o sumido terrorista Osama Bin Laden também. Normalmente, os carismáticos contam com inúmeros simpatizantes de suas ações, opiniões e propósitos, sejam legais ou ilegais; morais, amorais e imorais.

Já que definimos o que é Carisma, vai a pergunta: a Seleção Brasileira de Futebol é Carismática hoje?

Sejamos realistas: vivemos um momento diferente de entender o que é Seleção. Outrora, éramos um país chamado de “pátria de chuteiras”. Hoje, o país começa (bem aos poucos) perder a característica de monocultura esportiva e o capitalismo faz com que cada vez mais o time deixe de ser um patrimônio público e assuma a condição de time particular que representa o Brasil em competições internacionais. Isso é condenável? Talvez não. Talvez seja sinal dos novos tempos. A CBF não é uma ONG nem uma entidade filantrópica, é uma entidade privada. No esporte, não soa bem o uso dessa terminologia, mas é assim que funciona.

O problema é que tínhamos jogadores carismáticos em outras copas: Gérson, Pelé, Garrincha, Rivelino, Sócrates, Zico. O carisma desses atletas se confundia com o alto rendimento dentro de campo. Dá para comparar a simpatia e talento de Clodoaldo com a má-educação nas entrevistas e brutuculidade de Felipe Mello? Jogador de antes se desdobrava a atender respeitosamente aos repórteres, e hoje qualquer cabeça-de-bagre só atende a coletiva após filtro do assessor de imprensa.

O fato dos atletas da Seleção não atuarem em sua maioria no Brasil acaba diminuindo o carisma da mesma por parte do torcedor. Os jogadores da Europa apenas chegam, se isolam, jogam e partem logo após o jogo. Não vivem o país, não sentem o calor ou o temor da torcida, não se ambientam com o sentimento nacional, que cada vez mais diminui. São ilustres estrangeiros em seu próprio país. Não ter um número significativo de atletas dos clubes locais impede a torcida de estar mais apaixonada, de se envolver. É a prática do anti-carisma (claro que não estou discutindo ou promovendo escalação de uma seleção nacional com atletas locais, pois talvez não teríamos competitividade suficiente, nem jogador simpático ou sorridente; apenas chegando a uma conclusão lógica da empatia do torcedor com o time).

Torcedores do Flamengo defenderiam a escalação do Léo Moura; os atleticanos do Diego Tardelli, os corinthianos do Roberto Carlos, os gremistas do Victor, os sãopaulinos do Rogério Ceni. E assim os brasileiros torceriam pelos jogadores de seus times, e esses mesmos, por viverem aqui, estariam mais interados da cobrança e investidos de responsabilidade maior.

Confesso que é mais gostoso torcer assim. Torci pela convocação do Victor pelo Dunga e pela (dificílima mas especulada) do Nenê pela seleção espanhola. Passaram por Jundiaí, seriam simpáticas suas convocações a nós daqui. Aumentaria o interesse dos torcedores jundiaienses. Aliás, nosso amigo multienciclopediático Thiago Baptista de Olim (jornalista do Bom Dia e conhecedor profundo do esporte local e nacional – http://blog.redebomdia.com.br/blog/thiagoolim/) poderia nos ajudar: quais jogadores que passaram pelo Paulista FC já jogaram pela Seleção?

Dito (ou escrito) tudo isso, começamos a fechar o pensamento: estamos diante da mais antipática e sem-carisma Seleção Brasileira de Futebol de todos os tempos. E talvez por isso (olha que incrível) tenha tudo para ser um sucesso na Copa do Mundo! Sim, é a grande favorita justamente pelo anticarisma do treinador. Não sorri, não dá entrevista, não agrada e ao mesmo tempo demonstra não ter compromisso com ninguém, a não ser com seu trabalho. Na convocação, Dunga e Jorginho procuravam dar uma patada nos jornalistas a cada pergunta. Mas é inegável: contrariando o dito popular de que “Seleção é momento”, Dunga montou um time com cara de vencedor ao longo dos seus 3 anos e meio de trabalho. Não tem jogadores carismáticos como Ronaldinho Gaúcho ou Neymar (embora alguns contestem o carisma desses atletas), abdicou do futebol-arte pelo de resultado. Conquistou tudo o que disputou em torneios oficiais e convenceu nos números.

Fica claro que a filosofia coerente adotada pelo treinador é a do pragmatismo. A eficácia ao invés da eficiência. A conquista da vitória ao invés do futebol alegre. Está na moda no mundo da administração o termo efetividade. Ser efetivo é ter eficácia e eficiência em plenitude. No futebol, ser efetivo é ganhar e jogar bonito. Dunga não se preocupa com a eficiência (o melhor modo de fazer), mas com a eficácia (alcançar o resultado). Mesmo que isso faça dele o menos carismático dos treineiros.

E o risco é justamente esse: com os carismáticos, há muita tolerância nas derrotas e fracassos. Os antipáticos tem que vencer para convencer. Dunga está sendo ousado a arriscar tanto: isola a seleção, destrata jornalista e se mostra imune às críticas de torcedores. E por mais irônico que possa ser, nesses novos tempos do futebol, esse é um dos caminhos para a conquista do Hexa (não confundamos antipatia com incompetência). É um linha difícil de atuação em qualquer setor de atividade, seja ela esportiva, política ou empresarial. Mas com muita seriedade, pode frutificar em vitória.

Para reforçar o anti-carisma: o uniforme de passeio da Seleção! Amigos, que coisa descaracterizada promovida pela Nike! A camisa de passeio mostrada ontem, na visita do time ao presidente Lula, é semelhante ao extremo com a camisa de jogo da seleção da Nova Zelândia de 4 anos atrás. Curiosamente, são do mesmo fornecedor. Faltou criatividade. Não que eu seja conservador nem saudosista (embora ainda tenha uma grande saudade: a de ver em campo a camisa tricolor do Paulista de 1984, com calções e meias brancas), defendo os terceiros ou quartos uniformes e a livre expressão criativo-poética em material de treino. Mas que dessa vez não tem nada de Brasil na roupa… ah, não tem.

O espaço está aberto. Quer falar sobre o carisma seja da Seleção ou de qualquer outra área? Deixe seu comentário aqui.

 

– Uniforme Feio!

Acabo de ver a foto do uniforme de passeio da Seleção Brasileira para esta Copa do Mundo.

Que feio! Deve ter sido inspirado na camisa de jogo da Nova Zelãndia da copa passada, pois são parecidíssimos!

Para quem não viu: http://esportes.terra.com.br/futebol/copa/2010/noticias/0,,OI4450142-EI14416,00-Selecao+recebe+boa+sorte+de+Lula+antes+da+Copa+do+Mundo.html

– Desequilíbrios Financeiros no Esporte

José Mourinho, técnico campeão pela Internazionale de Milão, pode trocar seu clube pelo espanhol Real Madrid. Comenta-se que a proposta seja próxima de 30 milhões de reais por ano (23,3 mi de salários e cerca de 5 mi em luvas e adicionais)! Numa rápida conta, perto de R$ 100.000,00 / dia.

Um único dia de salário pagaria a folha mensal do Paulista FC e de diversas outras equipes tranquilamente…

É inacreditável que uma empresa possa pagar a uma única pessoa tanto dinheiro! Tudo bem que equipes como Manchester, Milan ou Barcelona arrecadam muito, mas ainda assim tem um elenco todo a pagar, além dos outros custos.

O desequilíbrio financeiro é assustador. No estado de São Paulo, existe um piso de 3 salários mínimos aos jogadores de futebol. Que tal se criar um teto salarial na Europa? Sou a favor do livre mercado, e quem é mais competente deve ganhar mais. Mas deve existir um limite: tais cifras são desrespeitosas à sociedade. Os gastos desses grandes clubes do Velho Continente são maiores do que as receitas de inúmeros países pobres.

E você, o que acha de limitar salários no futebol? Penso que poderia ser até mesmo uma boa medida aqui para o Brasil. Assim, quem sabe, os clubes se tornem mais responsáveis com suas contas.

– O Lance do Gaciba, didaticamente

Caros blogonautas e futebolistas, lance curioso o do árbitro Leonardo Gaciba no jogo de ontem Corinthians X Fluminense, realizado no Pacaembu e válido pelo Brasileirão. Lembrei-me de imediato de um lance parecidíssimo que ocorreu comigo há algum tempo, válido pela A2 do Campeonato Paulista (Guarani X São Bernardo). Felizmente, tanto eu como Gaciba acertamos na decisão em nossos jogos.

 

Vamos falar especificamente do lance de ontem: o Fluminense reclama sem razão desse episódio, já que o árbitro e seu assistente acertaram.

 

O atacante do Fluminense entra na área (em posição de impedimento ativo) e é derrubado pelo goleiro Felipe. O árbitro não percebe de imediato a sinalização do bandeira e marca pênalti, aplicando cartão amarelo para o corinthiano (interpretou ser uma falta para esse tipo de advertência; se entendesse ser situação clara de gol o expulsaria). Após alguns instantes, percebe que o bandeira que está lá firme, com seu instrumento levantado. Como o jogo não foi reiniciado com a cobrança, pode voltar tranquilamente a sua decisão e remarcar qualquer outra coisa. Assim, ele anula o pênalti marcado para os cariocas e remarca o lance confirmando o impedimento, além de cancelar o cartão amarelo aplicado ao Felipe. Tudo certo; quem reclamou desconhece a regra.

 

Mas imaginemos uma outra situação: se o pênalti fosse cometido por um zagueiro com um carrinho violento? O pênalti seria anulado, se reinicia com o tiro livre indireto (afinal, marcou impedimento), mas NÃO CANCELA O CARTÃO, já que este foi aplicado pela violência do lance, estando a jogada valendo ou não (para ser falta, você precisa ter 3 condições: ser dentro de campo, entre os jogadores e com a partida valendo – como o impedimento estava marcado, mesmo o árbitro não vendo o bandeira levantado e confirmando-o posteriomente, não existiu falta, mas sim um lance violento).

 

Imagine ainda se um zagueiro tirasse a bola com a mão, cabeceada pelo atleta impedido e fosse expulso! “Desexpulsa-se” o atleta, já que como estava impedido, sua mão não impediu o gol, mas um lance inválido, já que o gol não valeria caso a bola entrasse.

 

Fantástico, não?

 

Mas a imagem marcante foi a do Muricy Ramalho, flagrado pela câmera dizendo ao correto assistente (perdoem-me não citar o nome dele pois não o tenho de pronto): “Você tá querendo apitar o jogo! Ta louco, etc etc etc.” Ué, mas ele foi perfeito! O Árbitro Assistente fez o serviço que é função dele com exatidão! Muricy pedirá desculpas a ele?

 

Já imaginaram se Muricy estivesse em um jogo já com os novos árbitros de meta, permitidos para teste pela FIFA? Os coitados não poderiam fazer nada, pois, segundo a lógica muricyana, só o árbitro pode mandar em campo e não deve aceitar os assistentes de linha.

 

Para não parecer corporativista: Houve prejuízo ao Fluminense por um gol anulado, mas também houve ao Corinthians prejuízo pelo pênalti não marcado em Defederico. No fiel da balança, ficou elas-por-elas.

 

Em tempo: o presidente Roberto Horcades foi extremamente infeliz ao reclamar do árbitro. Ele não errou nada contra o Fluminense, já que o lance polêmico é de responsabilidade maior do bandeira. É covardia falar sobre a perda do escudo FIFA do Gaciba por incompetência (foi por uma dolorosa não aprovação física no dificílimo FIFA TEST, onde o gaúcho não conseguia terminar a prova, mesmo estando bem fisicamente – um triste bloqueio psicológico).

– Copas do Século XXI, em Evento Gratuito

Amigos, encerra-se o evento “O Brasil nas Copas do Mundo”, elaborado pelo Museu do Futebol e pelo Grupo Literário Memofut, no próximo sábado. Como derradeiro encontro, o tema será: “O Brasil nas Copas do Século XXI”, com debate e mediação promovidos pelos jornalistas Milton Leite e José Roberto Santiago.

A programação do evento está abaixo, com uma bela mensagem de um dos organizadores, o jornalista José R Santiago, citado acima. Aproveite, a entrada é franca e o encontro de alto nível.

 

Ao longo destas semanas, nossa intenção foi apresentar o futebol não somente com discussões sobre a bola dentro do campo, mas também ressaltar a importância deste esporte no contexto social e até mesmo político no Brasil e no Mundo.

 

Contamos com uma grande presença de público, sendo que muitas pessoas comentaram terem ido pela primeira vez em um evento sobre futebol, o que nos fez muito felizes e certos que conseguimos alcançar os nossos objetivos.

 

No próximo sábado, encerramos a série com a presença do Milton Leite, jornalista e narrador do Sportv, e com vasta experiência em Copas do Mundo, que juntamente comigo, apresentará e discutirá algumas questões relativas as diferenças e semelhanças entre as Copas de 2002 e 2006 com relação a Copa de 2010.

 

Acontecerá no próximo sábado, dia 29 de maio, no Museu do Futebol.

 

Ops: Tentarei particiipar desse último encontro. Aproveitarei para tomar um café com os amigos!

– Da Qualidade do Amadorismo Individual ao Profissionalismo Coletivo no Esporte de Jundiaí

Que a cidade de Jundiaí é reconhecida pela qualidade de vida, não se discute. E parte do princípio “do que é qualidade de vida” diz respeito à saúde física e mental. Não apenas dos serviços de saúde, mas sim da prevenção. E uma dessas formas é o incentivo à prática esportiva.

Chegamos nessa lógica para falarmos desde a prática esportivo-amadora na cidade até o futebol cambaleante do nosso Paulista. Então vamos lá: para o pedestrianismo amador, Jundiaí está preparada para essa atividade. Há bons e prazerosos espaços para se correr, como a Avenida Nove de Julho, Ferroviários, Parque da Cidade, Bolão, Estrada da Serra do Japi, entre outros. Ao mesmo tempo, para aqueles que almejam o profissionalismo no esporte, a situação é diferente. Não temos uma pista de atletismo realmente adequada! A do Bolão ainda não é de tartame, e não há outras opções. Como tornarmos uma referência também no esporte profissional se somos ainda principiantes em investimentos mais ousados?

Saiamos do esporte individual e partamos para o coletivo: poderíamos falar do voleibol ou basquetebol, mas vamos de futebol, que é mais apelativo. Como anda a saúde do Paulista Futebol Clube? Vivemos um momento diferente no futebol profissional: temos os tradicionais grandes clubes (São Paulo, Palmeiras, Corinthians e Santos), equipes-empresas que emergem com muita vitalidade e competência administrativa (Red Bull, Desportivo Brasil, Pão de Açúcar) e outras com assistência financeira pública (Santo André, Grêmio Prudente, entre outros). Sobraram os históricos clubes que vivem independente de parceiros, como Guarani e Ponte Preta. Por fim, há outros tão tradicionais como o nosso próprio Paulista, que tem que passar o chapéu para sobreviver.

Pela força econômica e social de Jundiaí, não era momento de termos um time mais forte, com investidores locais? Há cidades de menor importância com clubes de saúde financeira mais estável. Há exemplo piores, claro. Veja Limeira, onde a Inter e o Independente amargam a 4a. divisão de São Paulo. E outros merecendo uma “reinvenção”: Sorocaba, por exemplo. Será que os 2 clubes não poderiam se fundir numa agremiação mais forte? Imagine um clube com a torcida do Bentão e o poderio de dinheiro do Atlético… Em Araraquara, a universidade local, a empresa Lupo e uma gama de pequenos e médios empresários assumiram a Ferroviária, sanaram as contas, arrumaram o time e reconstruiram a Fonte Luminosa.

E aí, forças-vivas da cidade. Que tal um ‘pool’ em prol do renascimento independente do Paulista de Jundiaí, por jundiaienses?

– Cai-cai, Malandragem e Libertinagem em Campo

Olá amigos. Hoje escreverei sobre um tema que sou apaixonado, até pelo fato de ter vivido muito tempo nele: Arbitragem de Futebol. Mas o assunto será especificamente: Árbitros versus Neymar!

O garoto santista é um artista. Da bola e do cinema. Além de jogar muita bola, ele “se joga demais”. Encena como um Tony Ramos dos gramados. É o típico cai-cai. Se ficasse mais tempo em pé, seria ainda mais craque e produtivo para seu time.

Tive a oportunidade de ver Neymar em campo. Dá um trabalhão para a arbitragem, pois você nunca sabe quando ele sofreu a falta ou quando simula ter sofrido infração. E se sofreu falta mesmo, tentar descobrir se as caretas de dor são verdadeiras ou se está exagerando.

Sabe com quem Neymar se parece no jeito de cavar as faltas? Com o atacante Nenê, que nasceu para o futebol no Paulista FC e foi para Santos e Palmeiras, depois Espanha e hoje no Mônaco. Apitei alguns jogos do Nenê no começo da carreira. Era especialista em simulação, além de ser bom jogador. Lá na Europa ele parou de simular e está fazendo sucesso.

Mas algumas coisas importantes devem ser ditas: o espírito da regra de jogo manda proteger o craque. Assim, muita atenção nas faltas cometidas contra o santista. Mas esse tipo de proteção deve ser o cumprimento fiel da regra, ou seja, marcar falta quando realmente for falta. E esse mesmo espírito da regra manda coibir o unfair-play, que é a atitude antidesportiva. E é justamente aí que a arbitragem do Paulistão pecou: não aplicar nenhum cartão amarelo por simulação para o Neymar! Passamos um campeonato inteiro falando do vício negativo do Neymar, mas ele não foi punido nenhuma vez. Claro, nada de caso pensado ou planejado, mas sim pelo furacão que se tornou a tal de Neymarmania. O árbitro vacila em dar cartão para não ser taxado de vilão ou estraga-prazer (o que é um pensamento errado).

Se Neymar não se cuidar, algum adversário vai perder a cabeça e se irritar pra valer com simulações. Aí não terá árbitro que o proteja…

Em tempo: Neymar foi afastado do time ontem, por indisciplina… lamentável. O jovem garoto precisa de orientação!

– Tática-Surpresa é isso aí!

A Coréia do Norte, ditadura que há anos sacrifica sua população, realmente impressiona. Pelo lado negativo, é lógico.

Leio na Revista ESPN, edição de Maio de 210, pg 26, por Marcus Alves, que 2 jogadores norte-coreanos foram para uma entrevista coletiva pelos clubes suiços que defendem. Entraram e saíram calados. Um agente da segurança nacional tentava responder as questões por eles. Sempre as de natureza esportiva, nunca as políticas, é claro.

De quanto é que, respeitosamente, o Brasil os goleiará? Ou poderá acontecer uma nova zebra como naquele fatídico Itália 0 X 1 Coréia do Norte?

– As Mudanças da FIFA darão resultado quanto à Paradinha?

A FIFA divulgou algumas alterações sobre as Regras do Jogo de Futebol, sobre 4 tópicos abordados. Na verdade, após a conclusão dos trabalhos, percebo que elas poderiam ser classificadas como 1 autorização para teste, 1 sugestão futura, 1 recomendação e 1 norteamento da regra. Vamos, didaticamente, pela ordem:

– A AUTORIZAÇÃO: se refere a permissão de que quaisquer campeonatos profissionais possam continuar com a experiência de 2 árbitros de meta. Nada de obrigação, é opção! Afinal, precisaria se definir se esses dois árbitros seriam, caso regularizados, simplesmente árbitros (Regra 5), ou árbitros assistentes adicionais (Regra 6), ou ocasionais (como se faz com 4º ou 5º árbitro – agora até 6º).

– A SUGESTÃO: se revisionará após a Copa do Mundo, através da impressão dos envolvidos no futebol, as faltas e infrações que requerem cartão vermelho. Ou seja, as recomendações da Regra 12 serão rediscutidas. A principal: evitar uma situação clara e manifesta de gol realmente mereceria a expulsão do atleta?

– A RECOMENDAÇÃO: a FIFA fez uma adição ao texto da regra que pede maior participação do quarto árbitro na partida, sendo ele um consultor do árbitro e o árbitro podendo aceitar ou não sua informação. O poder decisivo é do apitador. Ora, isso já acontece (como o poder de assistência dos ‘banderinhas’). Tal medida foi apenas para a melhora redacional do texto da regra.

– O NORTEAMENTO DA REGRA: pela primeira vez, vejo a FIFA usar o termo “paradinha” em documento oficial. Se você acessar o site da FIFA, e comparar o texto em inglês e o português, se vê claramente que a preocupação veio em relação aos cobradores de pênaltis do Brasil. Mas o que de fato foi feito? Veja só: o texto da regra 14 (tiros penais) diz que “o cobrador tem a permissão de realizar fintas durante a cobrança, desde que não sejam excessivas”. Enganar o goleiro com a paradinha pode. O excesso não pode. Mas como nós, árbitros, considerávamos o excesso? É subjetiva a interpretação do que é excessivo ou não. Poderíamos até tentar dar um padrão: parar e passar o pé por cima da bola antes de chutá-la seria um excesso; freiar na corrida e chutar na sequência, não.
O que a FIFA propõe? No novo texto da regra, ela tenta dizer o que é permitido, não o que é excessivo. Ela continua permitindo fintas (não só a paradinha), mas nortei-a, regra-a, disciplina-a com os dizeres: “a finta durante a aproximação para a cobrança do pênalti com o objetivo de confundir o adversário é permitida”. Este é o novo texto da regra. A interpretação é a seguinte: você pode correr, e durante a corrida alternar a velocidade e até parar; mas não pode fazer tudo isso na cobrança. NA APROXIMAÇÃO PODE, MAS NA EXECUÇÃO, NÃO.

Vamos falar de maneira bem clara? O árbitro autorizou, o batedor pode fazer a paradinha durante a corrida, mas não na hora de chutar. Ele está permitido a antecipar a paradinha. Se aproximou da bola, tem que chutar, não pode parar.

Cairemos numa nova subjetividade: qual a aproximação ideal? Teremos e inventaremos desculpas e teorias para as nossas confirmações ou não de cobrança, mas prefiro uma definição que ouvi do jornalista Fernando Sampaio, durante o Programa Esporte Em Discussão, da Rádio Jovem Pan, na última segunda-feira: “quando o atleta firmar o pé-de-apoio para cobrar o pênalti, não vai poder dar a paradinha”.

Perfeito! É isso que a regra pede mas não teve a clareza de delimitar.

Importante lembrar duas coisas: A primeira é que para os campeonatos iniciados antes de 01 de junho deste ano, esse texto não vale. Como o Brasileirão começou em Maio, os batedores podem dar a paradinha abrupta na hora de chutar. Durante a Copa do Mundo, eles estarão limitados a dar a paradinha no trajeto da cobrança. A segunda: algumas dúvidas foram geradas sobre o fato do pênalti ser uma lance que resulta de uma infração. Estariam as faltas fora da área também norteadas pela nova determinação? NÃO! A origem de lance que origina uma infração (dentro ou fora da área) é a Regra 12 (Infrações e indisciplina); a cobrança desses lances pode ser por Tiros Livres Diretos ou Indiretos (Regra 13) ou por Tiro Penal (Regra 14). A determinação se dá exclusivamente para esta última regra citada.

Os efeitos reais e a praticabilidade de tudo isso, creio eu, só teremos com certeza após assistirmos a Copa do Mundo e as Federações afiliadas à FIFA transmitirem as orientações e multiplicarem aos instrutores sua decisão.

– Dupla Paradinha

Amigos, depois do término da minha carreira como árbitro da FPF, este será meu primeiro post envolvendo arbitragem de futebol, sem os constrangimentos éticos e impedimentos que eu poderia incorrer. Confesso não estar bem a vontade; entretanto, não é por isso que a ética ou os cuidados irão faltar!

Gostaria de falar sobre a Dupla Paradinha, criada pelo Neymar no jogo de ontem. Confesso nunca ter visto isso! Veja só: dar paradinha, pode. A regra permite. O que não pode é o excesso da finta. Textualmente, a Regra 14 diz que você “pode utilizar fintas, desde que não sejam excessivas“. Entende-se que você correr, alterar a velocidade da corrida e chutar, é permitido. No Brasil, criou-se o hábito de se parar de vez, e em alguns casos, até passar o pé sobre a bola! Isso não é permitido.

Na partida entre Santos X Ceará, pelo Brasileirão, Neymar correu e… parou. Correu mais um pouco… parou de novo! E chutou. Até pela leitura você vê excesso na paradinha. Aqui não é “paradona”, é dupla paradinha, algo inédito. Talvez o árbitro não tenha anulado a cobrança pelo fato do lance ser inusitado. Eu, particularmente, entendo que a cobrança foi irregular. O goleiro Diego se adiantou, caiu, e ficou perdido no canto do gol. Sabe o que acontece se ele defende? Volta a cobrança! Se o árbitro aceitou a cobrança do Neymar, caso ele entenda que o lance é válido, voltaria a bater o tiro penal pois Diego se adiantou, mesmo sendo por ato reflexo da paradinha.

Coisas da Regra do Jogo. Está fácil voltar um lance como esse. Não sei porque nossos colegas têm vacilado nisso. Concordo que há a rapidez e dinâmica dos lances, além da necessidade de uma imediata tomada de decisão. Mas…

– Campeonato de Apenas 2 Times

Que o Campeonato Espanhol é milionário, atrativo, organizado, lucrativo, entre outros adjetivos, é verdade. Mas que é competitivo, não! Só competem 2 times: Barcelona e Real Madrid. Ontem, o Barcelona se sagrou campeão. Curioso: tanto Barcelona e Real Madrid fizeram a melhor campanha da história do torneio: 87%  e 84% de pontos possíveis conquistados, respectivamente. Para o Real, não serve de consolo, afinal, mesmo com esse aproveitamento, ficou como vice-campeão.

Ambas equipes chegaram à beira dos 100 pontos. Mas os demais ficaram longe desta pontuação. Nisso, nosso Brasileirão dá de 10 a 0.

Agora, verdade seja dita: para eles não adiantou nada, já que o objeto de desejo é a Champions League. Messi, artilheiro do campeonato espanhol, não foi bem nas semis contra a Internazionale. Aí vem o debate: Messi é decisivo?

Deixo para vocês discutirem.

– Que Cara Chato esse tal de Dunga!

Hoje sai a convocação da Seleção Brasileira. Ontem, no RJ, Dunga evitou a imprensa. Aliás, a marra e a má educação do treineiro é brincadeira! Cada pergunta dos jornalistas era um coice como resposta. O cara é uma figura pública, deveria entender esse assédio. Aliás, deveria respeitar o trabalho da imprensa, que é maltratada por ele.

É entendível que Dunga queira calar, mas não é justo dar patadas! Faz parte do seu cargo.

– Os Candidatos Boleiros

Política e Futebol são uma mistura explosiva, não?

Quando Romário se filiou ao PSB e anunciou que seria candidato a alguma coisa, errou o nome do partido, dizendo que era PSDB. Edmundo nem sabia, quando perguntado, qual partido era filiado.

Esses e outros jogadores de futebol serão candidatos nessas próximas eleições. Vale a pena ter atenção…

Extraído de: Revista Época, ed 624, pg 66, por Leopoldo Martins

OS CANDIDATOS BOLEIROS

Que time de futebol não gostaria de ter um trio de ataque formado por Marcelinho Carioca, Marques e Romário? Em 2011, eles poderão estar juntos, mas em outro piso: querem migrar dos gramados para os tapetes das Assembleias Legislativas e do Congresso Nacional. São os boleiros que vão disputar a eleição deste ano.

Filiado ao PSB desde setembro, Romário é pré-candidato a deputado federal no Rio de Janeiro. Sua adesão ao partido socialista ocorreu um mês depois do leilão de sua cobertura na Barra da Tijuca, vendida para pagar dívidas com vizinhos. Correligionários dizem que a entrada na política do ex-atacante do Vasco, do Flamengo e da Seleção Brasileira se deve a seus compromissos com a área social. A principal bandeira de campanha será a atuação de Romário na Penha, bairro pobre da Zona Norte do Rio. Ali, ele já teria atendido mais de 2 mil crianças em cursos profissionalizantes e outras atividades.

A estratégia de campanha de Romário parece estranha para os padrões do marketing político nacional. Convidado para dar uma entrevista sobre sua candidatura, ele enviou a seguinte resposta por meio de seu assessor de imprensa: “Romário não vai dar entrevista porque ele não fala de política”. Provisória ou definitiva, essa decisão tira do candidato a oportunidade de expor suas propostas, mas também pode evitar gafes. Na primeira vez em que se aventurou a falar de política como pré-candidato, Romário fez um gol contra. Era o dia de sua apresentação no PSB. Quando chegou sua vez de falar, errou o nome do próprio partido. “A partir de agora sou filiado ao PSDB”, disse.

Notório rival de Romário dentro de campo, o ex-atacante Edmundo assinou ficha de filiação ao PP. Apesar da adesão a um partido, Edmundo nega qualquer intenção de concorrer nas eleições deste ano. “A filiação foi feita a pedido do Eurico (Miranda, ex-presidente do Vasco), mas não há possibilidade de eu disputar neste ano”, diz. A desistência temporária de Edmundo de entrar na carreira política teria sido resultado de uma campanha doméstica feita por sua mulher.

Outro boleiro disposto a virar parlamentar é Marcelinho Carioca, um dos maiores ídolos da história do Corinthians, pré-candidato a deputado federal também pelo PSB. Sua inspiração é o vereador Gabriel Chalita, de São Paulo. “Quero trabalhar com educação. Admiro muito as ideias do Chalita”, diz. Marcelinho afirma que está estudando política “oito horas por dia” para não decepcionar os eleitores. “Não serei um aventureiro.” A candidatura de Marcelinho é exaltada no PSB. “É ano do centenário do Corinthians. A expectativa é que ele tenha 300 mil votos”, diz o deputado federal Márcio França, presidente do PSB em São Paulo.

Minas Gerais também tem seu candidato boleiro. Marques, um dos maiores ídolos da história do Atlético, quer disputar uma vaga de deputado estadual pelo PTB.“Pretendo retribuir tudo o que Belo Horizonte me deu. A política não é uma obsessão. É um compromisso meu para melhorar a vida do povo mineiro.” Marques amarga o banco de reservas desde a volta ao Atlético, no começo de 2009, e deseja encerrar a carreira no fim do ano. Assim como os colegas, ele repete o clássico discurso de defesa das criancinhas. “Quero tirar a meninada da rua. Estou cansado de ver político guardando o dinheiro do povo no sapato.” Instado a falar de temas como as reformas política ou tributária, Marques exibiu suas habilidades de driblador: “Eu sou a favor do mais carente. Se é bom para o mais carente, eu sou a favor”. Os fundamentos do futebol, às vezes, também podem ser aplicados na política.

– Adidas vem com tudo para brigar pelo Brasil

Um contrato em branco! Imagine só: a Adidas vem para o Brasil, tenta tirar o patrocínio da Nike para com a Seleção Brasileira, e entrega a folha para a CBF preencher os valores. Quanto o Brasil pedir, a Adidas pagará para vestir a amarelinha na Copa de 2014!

Extraído de: Ribeiro, Marili (OESP, Economia, pg 15, 09/05/2010)

ADIDAS VEM COM TUDO PARA BRIGAR PELO BRASIL

Com investimento em marketing no Brasil 30% acima do que foi aplicado na última Copa do Mundo – a de 2006 na Alemanha, que teve verba recorde por abrigar a sede da companhia -, a Adidas do Brasil indica sua disposição de explorar a maior vitrine do futebol no mundo. A Copa da África do Sul, como reconhece Rodrigo Messias, diretor de marketing da empresa, é um bom ensaio para a “guerra” por espaço que será travada com a arquirrival Nike em 2014.

A perspectiva da Adidas do Brasil é dobrar o tamanho do negócio de produtos voltados à prática de futebol no País ainda este ano. Para essa estratégia de crescimento manter o atual ritmo, será fundamental destacar sua presença no ano em que a disputa global será realizada no Brasil, em 2014.

A cada Copa do Mundo as vendas de produtos relacionados ao futebol aumentam entre 20% e 30%, pelas projeções da companhia. Em 2006, a Adidas faturou 1,2 bilhão só com futebol. Vendeu 15 milhões de bolas e 500 mil uniformes da seleção alemã, que segue sendo uma das 12 que patrocina este ano. Com esses indicadores, fica fácil entender porque os fabricantes de artigos esportivos guerreiam pela atenção de consumidores embalados pelo clima de disputa movida pela bandeira nacional, que ocorre a cada quatro anos.

No caso do Brasil, a Adidas tem ficado atrás da sua maior concorrente na hora de chamar a atenção do grande público. Afinal, a Nike é, desde 1997, a patrocinadora oficial da seleção brasileira. O atual contrato só vai expirar em 2014, depois da esperada Copa no País. O último campeonato mundial no País foi em 1950. Embora o valor do contrato da Nike não seja declarado, é sabido que a empresa americana paga por ano à Confederação Brasileira de Futebol (CBF) 47 milhões, fora o fornecimento dos materiais para os atletas.

A seleção do Brasil é um ícone global. Assinar seu uniforme não tem preço – dizem os publicitários, plagiando um conhecido slogan do meio -, e a própria Adidas sabe disso. “No mundo, e especialmente na Europa que é o berço da prática futebolística, a marca Adidas é líder, tanto em faturamento de vendas, como em lembrança da marca”, conta Paulo Ziliotto, gerente de marketing da Adidas no Brasil. “Dados da pesquisa NPD Sports Tracking Europe referentes a junho de 2009, mostram que a Adidas tem 34 % do mercado global e 50% de participação de mercado na Alemanha, onde a empresa nasceu.”

A liderança mundial em vendas, entretanto, não garante a visibilidade que gostariam de ter no País de chuteiras. Assim, como os dois executivos reconhecem, a disputa pelo patrocínio da seleção brasileira segue no portfólio de ambições do marketing da companhia. Ziliotto, por seu lado, sabe que 2010 funcionará como um pré-vestibular, ou uma espécie de treinamento avançado para alavancar a briga pela conquista do mercado nacional em 2014. “A campanha de comunicação desta Copa é a maior e mais longa já realizada pela empresa no Brasil”, diz.

Na primeira semana de junho, uma bola gigante, com 15 metros de diâmetro, será instalada no shopping Eldorado, em São Paulo, para promover a Copa da África do Sul. “Vamos oferecer a experiência de assistir a uma partida de futebol em Johannesburgo. Vamos reproduzir o típico colorido africano e o barulho das “vuvuzelas”, que são longas cornetas sopradas sem parar pelas torcidas para animar os jogos”, explica Ziliotto.

A verba investida não é revelada. Cerca de metade se concentrará na internet. A Adidas aposta nesse canal para cativar público apaixonado por futebol com um farto histórico de participação em Copas da empresa. Em 1954, a Alemanha ganhou o torneio com as chuteiras de travas, que revolucionaram o esporte.

– A Bola Camaleão

Compartilho interessante material do site “Universidade do Futebol”, produzido por Eduardo Fontato, a respeito da tecnologia nos campos de futebol como ferramenta para a arbitragem. A novidade é a “bola camaleão”, que muda de cor ao passar a linha de meta.

Pela conduta da FIFA, provavelmente não será uma ideia aproveitada. Mas por que não pensar na possibilidade?

Extraído de: UNIVERSIDADE DO FUTEBOL

A BOLA CAMALEÃO

Por que uma empresa investe tanto num produto sendo que sua principal vitrine e consumidora, a Fifa, é uma entidade que caminha justamente no sentido oposto à adoção de novas tecnologias?

Olá, amigos!

A ideia desta terça era diversificar o tema, já que nas últimas semanas tratamos de maneira aprofundada das questões relacionadas à tecnologia como ferramenta dos árbitros de futebol.

Pego carona na informação do colega Thiago Lavinas, e apresento a tecnologia desenvolvida por uma empresa mexicana, na qual a bola (CTRUS) é dotada de uma tecnologia baseada no GPS, para mudar de cor quando ultrapassa a linha de jogo.

Sem querer entrar na já debatida aceitação ou recusa por parte do futebol em relação às inovações, refletiremos.

Antes, segue o vídeo de divulgação: http://www.youtube.com/watch?v=vKlzfwm4olQ&feature=player_embedded

Vejam que o tema da divulgação é o Fair Play e a transparência no futebol. Temas que são sempre defendidos por quem é favorável e recebe críticas, sobretudo no quesito de investimento necessário para aqueles que criticam.

Para quem gosta de ver mais detalhes, segue também o vídeo de desenvolvimento e designer da bola, divulgado também pela própria empresa: http://www.youtube.com/watch?v=3qJW3gcMbbw&feature=player_embedded

Muito interessante e bem produzido, porém…

Sempre existem os tais “poréns”, não é verdade?

Por que uma empresa investe tanto num produto sendo que sua principal vitrine e consumidora, a Fifa, é uma entidade que caminha justamente no sentido oposto à adoção de novas tecnologias, inclusive posicionando abertamente desta forma, através de seus presidentes?

Não seria um investimento em um produto com prazo de validade certo, ou melhor, um produto que nem sequer pode ter seu prazo estipulado uma vez que nem entrará em “campo”?

Não posso responder pela empresa, apenas especular. Então vamos lá às hipóteses:

• A empresa tem uma demanda vinculada a importantes órgãos do futebol que lhe garante o retorno de tal investimento;

• A empresa aposta que não tem como o futebol não evoluir para esse caminho;

• A empresa vê outros potenciais mercados independentemente da aceitação ou não da entidade máxima que controla o futebol;

• A empresa utiliza um tema polêmico para se promover frente a um mercado amplo e competitivo que é o mercado tecnológico como um todo;

• Os donos das empresas resolveram desenvolver porque acreditam nas ideias, independente de ter o retorno de investimento (embora eu ache difícil, mas vai saber né?).

E você, o que acha da CTRUS?

O que moveu a empresa a investir nesse projeto?

Fonte:
http://www.destroyafteruse.com/
http://colunas.globoesporte.com/primeiramao/

Para interagir com o autor: fantato@universidadedofutebol.com.br

– Jogador Croata Morre em Campo e recebe Cartão Amarelo

Seria cômico se não fosse trágico: na Croácia, o atacante driblou o primeiro, driblou o segundo, partiu para o gol, encontrou o zagueiro e… desabou na área. O árbitro, atento, mandou que levantasse, esbravejou e lhe deu o cartão amarelo por simulação. E o atacante não reclamou. Nem se mexeu… acontece que ele não tinha simulado! Na hora de chutar para o gol, simplesmente ele teve uma parada cardíaca e morreu.

Extraído de Terra Esportes (clique acima para link)

JOGADOR MORRE E TOMA CARTÃO AMARELO NA CROÁCIA

O defensor Goran Tunjic, da modesta equipe do MK Mladost, integrante da quinta divisão do futebol na Croácia, sofreu um infarto e morreu durante partida disputada contra o Hratski Sokola.

Segundo apurou o jornal espanhol Marca na edição desta quinta-feira, o árbitro da partida acreditou que o atleta simulava uma contusão no momento da queda e lhe aplicou um cartão amarelo antes de perceber a gravidade da situação, iniciando grande polêmica no país.

O atleta era filho de um famoso jogador croata e trabalhava em uma loja da cidade. Segundo fontes de seu clube, ele não havia demonstrado problemas cardíacos antes do ocorrido.

Caído no gramado, Goran Tunjic foi rapidamente atendido pelos médicos e recebeu massagem cardíaca ainda no local. No entanto, o defensor deu entrada em um hospital próximo ao estádio já sem vida. Em seguida, torcedores foram ao campo prestar homenagens ao atleta com velas nas mãos.

Ao serem informados da morte de Tunjic, representantes da Federação Croata de Futebol desmentiram a informação que o zagueiro recebeu cartão amarelo por simulação e classificaram a acusação como “invenção”. Para isentar o apitador, os membros da entidade disseram que o árbitro Marko Maruncek foi o primeiro a socorrer a vítima. Segundo relatos, o atleta já estava inconsciente quando recebeu os primeiros atendimentos.

– Japão não Conhece La Paz…

Leio que a seleção de futebol do Japão levará muito oxigênio para a Copa da África, já que jogará em alturas assustadoras (segundo eles); afinal sua sede terá quase 1000 metros de altitude.

Tão de brincadeira. Isso é café pequeno perto de algumas cidades bolivianas, equatorianas ou colombianas. Imaginem se jogassem em Potosí ou na peruana Cuzco, acima de 4000 metros? Não conseguiriam nem descer do avião…

– O Vídeo Oficial da World Cup 2010

A cantora Shakira teve a honra de gravar a música oficial da Copa do Mundo da África, e o lançou neste domingo (Shakira abrirá a Copa com um show e Andrea Boceli cantará no encerramento). Música empolgante, vibrante, com imagens marcantes e que me chamou a atenção por um detalhe: em determinados momentos, enfatiza David Beckham, Ronaldo e Zidane em ação. Curiosamente, ambos estarão fora da Copa, por diferentes motivos (em plena forma, eles seriam novamente um sucesso).

Assista clicando em: http://www.youtube.com/watch?v=_ztr96RbMW8&feature=related

– Meu Adeus à Função de Árbitro de Futebol

         Amigos, gostaria de agradecer a todos que sempre me apoiaram na minha jornada como árbitro de futebol, ao longo desses anos. Após muito pensar, refletir, discutir com a família e com Deus, resolvi encerrar minha vida dentro dos gramados nessa função. Não deixarei de ser árbitro, pois assumir essa condição é igual ao sacerdócio: um padre, mesmo quando abandona a batina, continua sendo sacerdote, sem exercer sua função eclesiástica; assim, um árbitro, ao “pendurar seu apito”, permanece árbitro, pois as imposições da carreira assim o tornam.

 

Apitando futebol desde 1994, nesses 16 anos de luta, entrei para a Federação Paulista de Futebol em 1996. Ao longo da carreira, foram  várias temporadas, 703 jogos trabalhados (sendo 368 oficiais), 30 testes físicos, algumas comissões de arbitragem, inúmeros monitoramentos, incontáveis reuniões e… uma satisfação muito grande!

 

Em todo esse período, a arbitragem de futebol me permitiu muitas coisas: conheci estádios humildes como o das antigas traves quadradas do Municipal de Amparo ao monumental e belíssimo Morumbi; trabalhei em partidas desde a longínqua Osvaldo Cruz à minha querida casa Jundiaí; dividi gramados com nomes humildes e desconhecidos até os consagrados amigos Paulo César de Oliveira, Wilson Luís Seneme e Cléber Wellington Abade, entre outros. Presenciei gols de canela, de bicicleta, de mão e de barriga; gols de goleiros e de centroavantes natos; gols contras; golaços e frangaços; e até pseudos-gols como o famigerado “gol de gandula” atribuído injustamente à competentíssima e desbravadora força feminina do apito, Sílvia Regina; colecionei amigos “bandeirinhas” aos montes, do folclórico Sílvio Lira aos laureados Marinaldo Silvério, Flávio Lúcio Magalhães, Ednilson Corona, Valter José dos Reis e Ana Paula da Silva Oliveira. Convivi com dois indubitavelmente maiores instrutores de arbitragem do país, Gustavo Caetano Rogério e Roberto Perassi. Tive a honra de ser avaliado algumas vezes por figuras ímpares da história da arbitragem: Milton Caetano e Abel Barroso Sobrinho. Presenciei grandes craques em campo, do final de carreira do Raí até o surgimento da atual geração, como Diego, Kaká, e outros grandes jogadores do futebol nacional. Pude “tomar conta” de muitos treinadores em campo, desde o “desconhecido professor João Paulo”, que se achava no direito de reclamar com o árbitro porque “jogou junto com o Geraldão do Corinthians”, aos emergentes Mancini, Giba e Luis Carlos Ferreira, culminando nos vitoriosos Muricy, Leão, Luxemburgo, Parreira… Vi de craques a cabeças-de-bagre. Dos clássicos, aos botinudos.

 

Apitei jogos entre líderes e entre lanternas. De domingo a domingo (já apitei às segundas-feiras) de jogos às 7:00 até os noturnos das 22:00. Com sol, com frio, com chuva, com iluminação capenga, no escuro e no clarão! Já trabalhei em Atibaia no sábado às 16:00 e no outro dia em Araçatuba às 10:00h. E sempre com alegria, pois todo árbitro quer uma única coisa: ser escalado! Seja na A1 como Quarto Árbitro ou apitando A2, A3, B1, B2, B3, B1-A, B1-B, Feminino 1ª, Feminino 2ª, Sub20, Sub 17, Sub 15, Amistoso, Copa Cingapura e até mesmo Campeonato de Circo. Já passei por tudo isso!

 

Vi racismo e solidariedade em campo; alguns externados, outros encobertos pela mídia. Corri em gramados sem grama e outros como mesa de bilhar; vestiários sem porta e outros como suítes; jogadores empenhados em derrubar seus treineiros e outros que davam o sangue pela bola. Árbitros, árbitros assistentes e árbitros reservas motivados e outros jogando contra os próprios companheiros. Gente chegando no horário do jogo e gente nem chegando. Motoristas da FPF ajudando o árbitro e outros se sacrificando para dupla jornada. Figurantes, protagonistas e antagonistas do futebol. Na maior parte, ouvi vaias. Claro, faz parte do espetáculo e elas são normais e culturais. Mas tive 3 momentos curiosos: aplaudido pela torcida em Catanduva pela 5ª. Divisão, ovacionado em Guarulhos pela 3ª, e premiado como melhor em campo pela rádio local com um pacote de bolachas Dunga em Matão (bons tempos em que se ganhava Motorádio…)

 

Vi de tudo. Convivi com tudo. Respeitei a tudo e a todos. E para não dizer que tudo foram maravilhas, seria hipocrisia não lembrar daqueles que sempre foram um malefício para o futebol: árbitros que tive a oportunidade de conhecer, ficar hospedado com eles em hotéis para jogos e para reuniões, e que posteriormente se envolveram em máfias; árbitros que desprezavam seus companheiros; árbitros que viajavam 500 km sem abrir a boca com o seu então iniciante companheiro de apito… Dirigentes vaidosos e inescrupulosos, de clubes – e diga-se de passagem – de árbitros! Alguns o tempo já incumbiu de afastá-los e a própria sociedade também o fez; outros, ainda persistem nas suas artimanhas. Vide os lobos em pele de cordeiro (talvez um lobo “Sem Sal, Sem Açúcar”, e os honestos sabem disso), que querem atacar os árbitros mediando relações entre clubes, e depois afagam os apitadores. A estes (ou este), sorrirei educadamente apenas como simbólico perdão à sua pobreza de espírito…

 

Por fim, sentirei saudades das aventuras e desventuras dos jogos. As saídas pela porta da frente, por trás, por escolta, por camburão… As situações cômicas, curiosas e até mesmo as tristes que vivi. Talvez um dia as relate em livro, como as sensacionais ofertas pós-jogo da “Toca da Tigresa” ou dos “Caldos de Bode” que aconteceram.

 

Ao longo desde período, sempre fui profissional, cumprindo corretamente minhas escalas, reuniões e convocações. É verdade que não tenho o mesmo condicionamento físico de quando tinha 18 anos (quando emagreci de 92k para 68k, motivado pelo desejo da arbitragem), mas que ainda me permite correr muito pelos campos de futebol!

 

Minha decisão se deve a uma série de fatores, e já descarto que não se deve a nenhuma especulação sobre problemas de relacionamento ou condição física. Simplesmente, preciso pensar na minha qualidade de vida. Tenho trabalhado intensamente em 3 searas, e abdicado em demasia da minha família. Durmo 5 horas por noite, e trabalho de segunda-a-segunda. É hora de repensar, de dar um pouco mais de aconchego à minha esposa (pois carinho não falta) e curtir o crescimento da minha filha Marina. Neste último ano, para cumprir todas as minhas obrigações, sacrifiquei muita coisa. Cá entre nós, é um esforço exagerado que necessita ser repensado, reavaliado… E com dor no coração, abrirei mão de estar apitando futebol, já que as exigências profissionais são cada vez maiores para tal atividade. Neste ano, cheguei a treinar aos domingos pela 5 da matina!

 

Portanto, agradeço a todos os amigos que trabalharam e conviveram comigo.

A Deus pela oportunidade;

ao meu pai, Milton Porcari pelo companherismo;

à minha esposa, Andréia de Melo Porcari pela compreensão;

aos amigos Adilson Freddo (que desprovido de qualquer interesse me ajudou no início da carreira e até hoje o faz – lembro-me como hoje quando eu era ainda estagiário na CEF e ele me convidou a ir à Rádio Cidade) e Luiz Antonio de Oliveira- “Cobrinha” (sempre atuante no futebol amador e grande amigo incentivador, conseguiu muitos bons jogos para eu apitar e aprender com boa prática);

e às comissões de árbitro nas quais fui subordinado, além dos mestres da EAFI que me ensinaram muito (novamente referência ao sr Gustavo e também ao Antonio Cláudio Ventura);

 

Desejando boa sorte ao trabalho árduo do Coronel Marinho, que teve sempre muita disposição em trabalhar e viver a arbitragem (mesmo com a minha sincera ressalva quanto à não abertura pública da pontuação do ranking, que tenho certeza que respeitosa e democraticamente é entendida), e os mesmos votos aos integrantes da CEAF, Arthur Alves Júnior e Roberto Perassi. Sei das dificuldades hercúleas do cargo, já que o alto número de árbitros corresponde ao mesmo alto número de personalidades, interesses e objetivos que se deve administrar e que praticavelmente não se pode contentar.

 

Me afastando do centro do gramado, mas não da arbitragem por definitivo (e muito mesmo do futebol como um todo), agradeço derradeiramente. Não quero perder o vínculo com o esporte bretão, muito menos da nobre atividade que é fazer cumprir as regras do jogo. A isso se resume o árbitro.

 

Só quem esteve dentro de campo, como único elemento a encarar duas equipes, uma plateia e a indisposição pública, tendo como seus instrumentos o apito e as 17 regras, sabe o quão prazeroso é tal desafio. Alguns dirão que é loucura ou masoquismo; prefiro dizer que é paixão pelo futebol correto, pela lealdade e jogo limpo.

 

Indescritível. É isso que contraditoriamente descreve a sensação do árbitro.

 

Foi muito bom. Obrigado a todos e sucesso na carreira e na função de cada integrante da família do futebol.

 

PPPPRRRRIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIII.

Apito Final. Fim de Jogo.

Ou, quem sabe, apito inicial para uma nova jornada…

 

(lembrando, estou estudando algumas propostas que outrora abri mão pela não-compatibilidade com a função de árbitro)

– Para que serve a Libertadores?

Conquistar a Taça Libertadores da América parece ter se tornado uma obsessão aos clubes brasileiros. Fico imaginando como os dirigentes de Botafogo e Santos dos anos 60, se ainda vivos, se remoem de remorso por não darem a atenção devida. O Independiente-ARG, grande detentor de títulos da competição nesse período, aproveitou-se desta época e faturou o caneco. Mas talvez viva só desse passado, pois no presente, sua realidade é outra. Não importa; assim como a Celeste Olímpica Uruguaia (30 e 50) está historicamente na frente da Inglaterra (66) em Copas do Mundo (mesmo sendo no começo da competição), os argentinos são mais vitoriosos do que quaisquer brasileiros. O que entra para a história é a conquista do título, e ponto final.

Mas vamos ao que interessa: o que os clubes buscam ao disputar a Libertadores? Dinheiro? Prestígio? O Título simplesmente?

Lendo hoje o Jornal Lance, numa bela matéria do jornalista Marcelo Damato (coluna De Prima, 23/04/2010, pg 14), me impressionei com os valores citados. Por exemplo: os prêmios acumulados pela conquista da Taça Libertadores totalizam US$ 5,39 milhões. Desconte os custos de viagens e hospedagens, anti-dopings, elenco e outras taxas, e do que sobrar, compare com o prêmio pago, por exemplo, pelo Campeonato Paulista: R$ 7,5 milhões. O Campeão carioca, R$ 6,3 mi e o Mineiro R$ 5 mi.

O prêmio continental está desvalorizado, não?

Compare com a Europa: a Champions League paga para um clube que seja eliminado na primeira fase (qualquer equipe cipriota, polaca, albanesa, eslovaca…) cerca de 8,7 milhões de euro. Mais que o campeão sulamericano! Na prática, a desclassificação do modestíssimo Hapel ainda assim traria mais receita do que uma conquista do Corinthians, Flamengo ou São Paulo.

Pensando cá com meus botões… O Brasileirão com 20 clubes é muito mais difícil de se competir do que a Libertadores com 32! Não imagino equipes como Deportivo Itália (VEN), Blooming (BOL) ou Juan Aurich (PER) conseguindo disputar competitivamente nem na nossa série B do Brasileiro. Como na segunda fase da competição sobra metade das equipes, aí sim começa a valer de fato! Mas se há questionamentos da viabilidade financeira da competição ou questionamentos sobre a qualidade técnica da equipe, por que se diz que ela é muito difícil de se disputar?

A resposta é direta: pelas condições e instalações dos estádios, pelo fanatismo de algumas equipes estrangeiras adversárias que impressionam as equipes brasileiras, o excesso de supervalorização da competição, o estilo de arbitragem da escola sulamericana porção espanhola, e, por fim, pelos esquemas táticos pragmáticos. Esqueça a eficiência, busca-se apenas a eficácia. Trocando em miúdos, ninguém vai jogar o futebol-bailarino um dia propagado por um certo treinador quando assumiu a seleção, mas sim o futebol-brucutú, feio, botinudo e de resultado.

Talvez o ímpeto de possuir a Taça Libertadores seja meramente o da conquista de título e internacionalização da marca, o acesso a um status que aí sim pode trazer resultados financeiros mais concretos: a busca do Mundial de Clubes, agora regido pela FIFA e muito mais organizado e valorizado que outrora, justamente pela chancela da entidade. Embora, cá entre nós, o nível técnico só pode ser considerado quando se chega na fase final, quando se joga a decisão entre Sulamericanos X Europeus (como de praxe, as outras equipes só estão pelo caráter universalista de uma competição dita ‘mundial’).

Por curiosidade e por pertencer a nossa seara:

– um árbitro que apite Boca Juniors X Corinthians numa Libertadores receberá 800 dólares.

– um árbitro que apite Bayern X Lion pela Champions League receberá 8.000 euro.

O futebol daqui pode fazer frente ao de lá dentro de campo, mas no bolso…