– Os Valores a Mais dos Estádios da Copa do Mundo

O custo das arenas do Mundial de 2014 é algo a se discutir. Em 4 anos, os valores extrapolaram, segundo o próprio Ministério dos Esportes (vide Portal da Copa). É dele a planilha que mostra quanto se projetava gastar em 2010 e quanto se gastará/gastou de fato. Abaixo:

Maracanã: de R$ 600 milhões para R$ 1,05 bilhão

Mineirão: de 426 milhões para R$ 696 milhões

Mané Garrincha: de R$ 745 milhões para R$ 1,43 bilhão

Arena Pernambuco: de R$ 529 milhões para R$ 532 milhões

Arena Fonte Nova: de R$ 569 milhões para R$ 1,603 bilhão

Castelão: de R$ 623 milhões para R$ 618 milhões

Itaquerão: de R$ 555 milhões para R$ 820 milhões

Arena Pantanal: de R$ 454 milhões para R$ 570 milhões

Arena da Baixada: de R$ 184 milhões para R$ 326 milhões

Arena da Amazônia: de R$ 515 milhões para R$ 669 milhões

Arena das Dunas: de R$ 350 milhões para R$ 400 milhões

Beira-Rio: de R$ 130 milhões para R$ 330 milhões

Cá entre nós: não seria mais proveitoso investir tanto dinheiro em outras áreas mais importantes, como na construção de escolas, hospitais e melhorias no transporte público?

Eu gosto de futebol, mas não gostei de se realizar a Copa no Brasil desde o início. Hoje, gosto menos ainda dessa idéia que se tornou real.

E você, o que acha disso? Deixe seu comentário:

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– Risco e Coragem na Escala de São Paulo x Coritiba?

A imprensa de Curitiba está repercutindo as reclamações da diretoria do Coxa Branca. Ameaçado de rebaixamento, os dirigentes questionam a escala de Pablo dos Santos Alves, árbitro aspirante do quadro da FIFA, pertencente a Federação Capixaba de Futebol, para o jogo São Paulo x Coritiba.

O motivo da queixa é: Pablo começou na Federação de Futebol do Rio de Janeiro, é carioca e se mudou para o Espírito Santo para tentar novas oportunidades. Nos bastidores da arbitragem, se fala sobre uma briga política entre grupo de cartolas da turma de Jorge Rabello e a de Sérgio Correa da Silva como motivo principal da mudança de estado. Seu pai, Paulo Jorge Alves, foi bandeira da FIFA e esteve em Copa do Mundo. Pertenceu a Comissão de Árbitros da CBF por um bom tempo e hoje é ouvidor da entidade.

Pablo é árbitro razoável, e se especula que estaria entrando no quadro da FIFA em 2014. Para os amantes das teorias conspiratórias, valeria a garantia do escudo internacional uma derrota do Coritiba, salvando Vasco ou Fluminense, contentando os interesses cariocas (é a tese que defende o presidente do Coritiba, por exemplo). Mas eis que Rubens Lopes, presidente da Federação do Estado do Rio de Janeiro, divulgou publicamente seu pensamento oposto a tudo isso: disse literalmente que teme “o que pode acontecer aos seus filiados pois Pablo é um ‘ex-Ferj’”.

Particularmente, entendo como chororô pré-jogo decisivo dos dois lados. Se o Coritiba perder do São Paulo com lance polêmico, dirá que caiu por tal motivo (se esquecendo de todos os outros jogos perdidos ao longo do ano. Se o Coritiba vencer, é o mesmo subterfúgio para os cariocas.

Claro que se fosse escalado outro árbitro, evitaria-se tal queixa. Foi um risco da Comissão de Árbitros, e ao mesmo tempo, coragem em tal escala sem se preocupar com as reclamações. Mas… coragem ou imprudência?

Imagine a cabeça do árbitro como fica para o jogo! E a preparação psicológica? Por melhor que esteja condicionado para a partida (e um árbitro tem que estar preparado para tais situações), tal imbróglio conta sim como um desgaste antes da partida. Se os erros involuntários forem contra o São Paulo, haverá queixa de prejuízo contra os cariocas por aceitar a pressão da diretoria do time paranaense. Se forem contra o Coritiba, dirão que a idéia de premeditação para auxiliar Vasco e Fluminense se comprovou.

Saia justa para o juizão. Dentro desse critério, logo terão que trazer árbitros estrangeiros ou, no mínimo, natos de estados que não possuem clubes na série A, como amapaenses, potiguares, roraimenses…

E você, o que pensa sobre isso? Deixe seu comentário:

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– Enfim a Brazuca chegou aos Gramados. Gostou?

A Adidas, patrocinadora e fornecedora oficial de material esportivo da FIFA e da Copa do Mundo, apresentou a Brazuca, a bola oficial do Mundial 2014. Com mais pompa que a Cafusa (a bola da Copa das Confederações) e aparentemente tão promovida como a Jabulani (da copa anterior), a bola promete polemizar.

Como em outras copas, veremos jogadores que possuem patrocínio pessoal da Adidas a elogiarem, e outros que tem patrocínios diferentes (em especial da Nike) criticarem. É o mundo dos negócios no esporte.

Porém, algo que me desagrada: o texto oficial da FIFA diz que “a bola leva o nome de brazuca, que significa brasileiro”. Ora, brazuca é com s (brasuca) e não com z. Claro que aqui a forma escrita é para ter apelo comercial no exterior. Mas “brasuca” era como os portugueses chamavam ironicamente alguns brasileiros, identicamente como nós chamamos nossos irmãos lusitanos de “portuga”.

E você, gostou da bola?

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– Nada mudou em 1 ano na Arbitragem Brasileira?

Certas coisas impressionam pela vericidade e semelhança, mesmo através do tempo.

Compartilho um artigo escrito exatamente há 1 ano sobre os árbitros no Campeonato Brasileiro. Repare que se trocarmos o texto escrito em 2012 por 2013, tudo poderia ser bem aproveitado! A Comissão de Arbitragem era outra, e a previsão de premiação de um árbitro com atuação irregular como desculpa para eleger um árbitro goiano para a FIFA, se confirmou.

Abaixo, do “Blog do Professor Rafael Porcari”, de 03/12/2012:

UM BRASILEIRÃO SEM DESTAQUE E SEM RENOVAÇÃO NO APITO

O Campeonato Brasileiro 2012 acabou, e as considerações sobre o desempenho dos clubes já foram discutidas amplamente pela imprensa. Mas… e o desempenho dos árbitros?

Para a turma do apito, um ano para se esquecer! Jogos mal arbitrados, árbitros encerrando precocemente a carreira por politicagens, falta de respaldo da Comissão de Árbitros e o pior: sem nenhum grande nome revelado!

Quem foi o destaque da arbitragem nesse ano?

Ninguém.

CBF deu o prêmio de melhor árbitro a Wilton Sampaio. Não foi. Vide a desastrosa atuação do árbitro no primeiro jogo da final da Copa do Brasil (link da análise em:http://www.redebomdia.com.br/blog/detalhe/9624/Analise+da+Arbitragem+de+Palmeiras+X+Coritiba)

Conversando pelas redes sociais com diversos amigos árbitros atuantes e ex-árbitros observadores,ninguém escolheria Wilton. Foram os jornalistas que escolheram?

A frente de Wilton Sampaio, mesmo com os erros normais de um campeonato, temos Seneme, Vuaden, Marcelo de Lima Henrique, Sandro Ricci…

Será que o árbitro locado na Federação Goiana levou o prêmio pelo desejo da CA-CBF em promove-lo à FIFA, e assim justificar uma indevida indicação? Vamos aguardar.

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– Criciúma x São Paulo: Pênalti diferente e legal em lance fácil de decisão surreal

Pênalti polêmico no jogo entre Criciúma x São Paulo. Um clássico lance de má-sorte de jogador após incompetência da arbitragem.

Nos segundos iniciais da partida (não tínhamos nem 1 minuto de jogo), a árbitra assistente Katiuscia Mendonça não viu Sueliton receber a bola em impedimento de quase 2 metros, fácil de ser marcado. A moça estava bem posicionada, e provavelmente sua falha se deu por desatenção de início de jogo. Acreditem: os minutos iniciais de uma partida são ruins para a arbitragem, pois ela tem que estar ligada no jogo na mesma intensidade do que os jogadores. E, como se viu, o Criciúma entrou “pilhado”, “mordendo”, num ritmo intenso, maior do que a atenção da bandeira (no 2o tempo, a dificuldade do árbitro no início da partida é maior, pois ele tem que se desacostumar a marcar lances para o lado do primeiro tempo, já que se muda o campo; e para os bandeiras, mais ainda – repare na quantidade de erros fáceis de arremessos laterais invertidos que acontecem nesse período).

Na sequência, Sueliton é desequilibrado por Lucas Evangelista. E, mesmo sem intenção, é a chamada falta por imprudência, sendo que dentro da área é pênalti. Lucas não quis fazer a falta, mas corre tanto atrás do adversário que tropeça e o atinge. É azar e ao mesmo tempo infração.

Voltei 17 anos no tempo ao assistir esse lance. Me recordei de 1996, uma jogada parecida na partida Cruzeiro x Portuguesa no Mineirão, válido pela semifinal do Brasileirão da época. Duas coisas me marcaram nesse jogo: o árbitro Sidrack Marinho apitou a partida sem aplicar nenhum cartão amarelo (mesmo em lances que deveria dar), poupando jogadores pendurados das duas equipes; a outra, é que um atleta cruzeirense corria para roubar a bola do adversário luso, e com tanta velocidade, caiu, deu uma cambalhota e atropelou o adversário. Falta bem marcada.

Na época, me recordo que o Prof da Escola de Árbitros da FPF, Gustavo Caetano Rogério, chamou a atenção para essa jogada numa reunião que participei com outros árbitros e disse: “se alguém tiver dúvida sobre o que é falta sem intenção e azar ao mesmo tempo, lembre desse lance”.

Lembrei. E anotei no meu caderno, tanto que compartilho com os amigos leitores. E reitero uma idéia antiga: e se tivéssemos a possibilidade de antes da cobrança do pênalti o árbitro tirar a dúvida em um monitor? Já é tempo de discutir mais a tecnologia no futebol…

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– Pelé Revival

Pelé está em evidência nesses dias. Não é nenhum jogo festivo, nem outro gol antológico, muito menos fofocas sobre suas namoradas. O Rei do Futebol está sendo lembrado por diversas personalidades do futebol e dando muitas entrevistas, desde declarações simplórias às contundentes.

No começo da semana, tivemos a polêmica sobre Felipão ironizar Pelé, após ele ter dito que a Alemanha e a Espanha eram favoritas à Copa.

Ué, e não são? Pisada na bola do Scolari…

Na semana passada, muito se falou de Robinho ter superado a marca de gols que Pelé fez contra o Chile pela Seleção Brasileira.

Puxa, é uma marca “tão importante”… Coisa de quem não tem manchete.

Já na semana retrasada, quando se falou sobre uma especulação do ex-jogador corinthiano Jucilei, atualmente no Anzhi (RUS) ser repatriado e jogar no São Paulo, lembrou-se que ele fez o gol que Pelé tentou e não conseguiu, do meio de campo, pelo J.Maluccelli.

Superar Pelé é para poucos, hein? Todo gol do meio campo (e o do Jucilei há anos) vem essa lembrança…

Não nos esqueçamos: Rogério Ceni também superou Edson Arantes do Nascimento nessa semana que passou, com a marca de partidas disputadas por uma só equipe (e aí sim um feito para se destacar).

Ainda nos últimos dias, Pelé declarou que Zidane jogou mais do que Messi. E é uma opinião respeitosa. Sempre que aparece um craque, a mídia de Barcelona tenta torná-lo o melhor de todos os tempos. Ronaldo Nazário e Ronaldinho Gaúcho já foram comparados, no auge de suas fases, como Pelé e questionados se não eram melhores que o Negão.

Pelé está na moda. Imagine quando sair sua cinebiografia, produzida por Hollywood, às vésperas da Copa de 2014?

O pouco que vi sobre aquele que eternizou a camisa 10 (não se esqueça que antes de Pelé, o craque de qualquer time usava a 5), foram vídeos e leituras. Em campo, assisti Brasil x Alemanha na Vila Belmiro pela Copa Pelé de Seniors (in loco) e no jogo festivo de 50 anos no San Ciro, via TV, na primeira vez que matei aula na vida (só por causa desse jogo).

Fico pensando: se Pelé jogasse nos tapetes gramados que temos nas novas arenas e na Europa; se usasse as tecnológicas chuteiras e vestisse os bons uniformes que hoje há, marcaria o dobro de gols! E com as mídias de hoje… quanto não valeria o passe dele?

Não venham esculhambar sua carreira gloriosa dizendo que marcou muitos gols contra equipes fracas como Botafogo-RP, XV de Piracicaba ou Ferroviária. No tempo dele, esses times eram bem melhores que Villareal, Sevilla ou Getafe atuais.

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– Conforto ou Renda para a Conmebol?

O Lanus aceitou jogar contra o Libertad num estádio de 10.500 lugares pela semifinal da Copa Sulamericana. Seria pela política do bom relacionamento, já que o clube paraguaio é a equipe do todo-poderoso presidente emérito da Conmebol Nicolas Leoz, que se licenciou do cargo ocupado a décadas mas que ainda dá seus pitacos?

Contra a Ponte Preta, não haverá a mesma cordialidade e o jogo será no Pacaembu, pois, segundo a entidade, o Moisés Lucarelli não suporta 20.000 pessoas.

Fica o questionamento: qual o argumento para que se exija determinada capacidade de público para os estádios em regulamentos oficiais?

No Paulistão, pede-se 15.000 lugares. Exceto a clubes fundadores, como o Juventus, por exemplo, que pode mandar suas partidas na pequenina e charmosa Rua Javari (Estádio Conde Rodolfo Crespi).

Para mim, pura bobagem. O clube deve mandar no seu estádio, desde que exista segurança, primordial critério para liberar uma praça esportiva.

As arquibancadas de um determinado campo recebem até 18.000 torcedores sentados confortavelmente e com tal contingente é seguro? Ok, jogue lá e se venda o número determinado de entradas. Pra que se exigir capacidade mínima, senão com a justificativa de ganhar dinheiro com a renda?

Em suma: os regulamentos são criados nunca pensando no bem estar do jogador e dos torcedores, mas sempre visando artifícios que favoreçam os organizadores. Ou alguém duvida disso?

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– Os melhores do Brasileirão são realmente os melhores que o Brasil tem?

A CBF divulgou a Seleção dos Melhores Jogadores do Campeonato Brasileiro, escolhida por jornalistas, treinadores e capitães das equipes.

Ela foi escalada com:

Fábio (Cruzeiro), Marcos Rocha (Atlético Mineiro), Dedé (Cruzeiro), Manoel (Atlético Paranaense) e Alex Telles (Grêmio); Nílton (Cruzeiro), Elias (Flamengo), Everton Ribeiro (Cruzeiro) e Paulo Baier (Atlético Paranaense); Walter (Goiás) e Ederson (Atlético Paranaense). Dt: Marcelo Oliveira (Cruzeiro)

A Revelação do Campeonato ficou sendo o atacante Marcelo e o Craque do Brasileirão Everton Ribeiro (Cruzeiro).

Várias observações: (1) nenhum jogador de clube de São Paulo na relação; (2) a CBF não divulgou o melhor trio de arbitragem do Campeonato (não teve votação para esse quesito?) e (3) fora Dedé, nenhum jogador escolhido figura na Seleção Brasileira de Scolari.

Fica a dúvida: como seria o desempenho da Seleção Brasileira se ela fosse representada pela Seleção do Brasileirão, caso a CBF assim desejasse?

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– A Tristeza do Itaquerão

E agora, o que dizer da tragédia do Estádio do Corinthians?

Falha humana, erro técnico, acaso…

É difícil dizer algo. O certo é que a obra deve ser interdita e estará fora da Copa do Mundo. Ou alguém espera fazer festa ali? Vide os prazos, recuperação dos equipamentos danificados, perícias diversas e outras tantas coisas que envolvem um problema desse.

Pense ainda no prejuízo do Corinthians: às vésperas de assinar o tão esperado empréstimo de 400 milhões de reais, querendo vender os naming rights, precisando fazer dinheiro com o estádio, e acima de tudo, passando vexame pelo ocorrido.

Claro, tudo isso citado acima não é pior do que o ápice do acidente: a morte das pessoas inocentes que ali estavam. Não há tristeza maior do que a baixa de vidas…

Agora, um comentário final: há pessoas que fazem piada com isso, com o time do Corinthians, com o próprio acidente… que gente pequena!

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– Ninguém viu ou ouviu o Bom Senso na Última Rodada?

Foram 10 jogos na série A na última rodada. Todos viram os protestos antes das partidas do Brasileirão, ok?

Veja que curioso: somente Luís Flávio de Oliveira (Atlético Mineiro x Goiás) e Ricardo Marques Ribeiro (Bahia x Portuguesa) citaram o ocorrido nas súmulas das partidas. Nas outras 8, nenhum árbitro viu?

Agora entendi porque a CBF não anda dando a devida atenção às reivindicações dos jogadores…

É só conferir no site da entidade o famoso “nada houve de anormal” nas partidas.

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– Análise Pré-Jogo da Arbitragem de Ponte Preta x São Paulo em Mogi Mirim pela Copa Sulamericana

O equatoriano Carlos Vera apitará o jogo de volta entre Ponte Preta x São Paulo pela semifinal da Copa Sulamericana. Não gostei desta escala por vários motivos, sendo os principais: árbitro ruim e ao mesmo tempo, azarado!

Vera costuma ter atuações ruins, e além disso, no linguajar dos boleiros, é juizão “pararraio”! Ele chama a confusão para si. Quer exemplos?

Me lembro da primeira vez que o vi apitando, em um jogo no Peru pela Copa Libertadores: Alianza Lima x Universidad do Chile (talvez a sua estréia em competições internacionais de grande porte). No último minuto, um chute do time chileno de fora da área para o gol dos peruanos; eis que o centroavante do Universidad ficou a frente do goleiro peruano, enquanto outro atleta do seu time retornava ao jogo pela linha de fundo, e a bola entrou no gol. O bandeira marcou impedimento, Carlos Vera ignorou seu assistente e confirmou o gol. O jogo acabou nesse lance, com discussão, empurrão, rabo-de-arraia e tudo o que se tem direito.

Mas mesmo assim Vera continuou sendo o número 1 do Equador. No ano passado, apitou Millonarios da Colômbia x Grêmio-RS, onde conseguiu ser peitado pelos dois times. Foi pressionado o tempo inteiro pelos gremistas, distribuindo cartões amarelos para todos os lados. No final da partida, cedeu a pressão e marcou pênalti em uma simulação de Werley, no último minuto de jogo. Novamente, confusão pós-apito final…

Isso não o impediu de continuar atuando. Vera estava pré-selecionado para o Mundial de Clubes da FIFA em 2012 no Japão, e teve uma péssima arbitragem na partida entre Sunfrecce Hiroshima X Al Ahly. Assisti a esse jogo e me impressionei com várias coisas: o árbitro correu demais, marcou muitas faltas, não deu uma vantagem sequer (poderia ter dado muitas) e se posicionou horrorosamente (por 3 oportunidades a bola bateu nele, sendo que em uma ele armou um contraataque).

Se no seu histórico em jogos de competições importantes ele se dá mal, quando ele vai bem, dá azar de algo ruim acontecer. Nesse ano, assisti a um jogo onde ele apitou direitinho: marcou o que tinha que marcar, deu os cartões no momento certo e se posicionou bem. O problema é que foi San José x Corinthians, em Oruro, o fatídico jogo em que morreu um garoto de 14 anos…

Nessa quarta-feira, torço para uma boa arbitragem (que é possível, mas ao mesmo tempo, levanta dúvidas sobre a competência do árbitro e seu estado de espírito, já que Carlos Vera é irregular no apito e aceita pressão).

A pergunta é: como um árbitro com esse histórico é indicado para um jogo importante como esse?

E a propósito, por quê não escalar árbitro e bandeiras brasileiros para apitar o confronto nacional?

O ponto a favor de árbitros locais é de que conhecem bem as equipes, sabem das manhas e artimanhas dos atletas. O ponto fraco é a pressão pré e pós-jogo, já que o árbitro estrangeiro não tem esse problema: apita e em seguida toma o avião e vai embora.

Fico me questionando: nos confrontos entre times de mesmo país, escala-se árbitros locais. Desde o imbróglio entre Atlético Mineiro e São Paulo, quando o presidente Alexandre Kalil pediu e conseguiu veto a árbitros brasileiros na Libertadores, só árbitros de fora estão apitando aqui. Desprestígio aos nossos apitadores, incompetência ou pura politicagem?

Em tempo: o bandeira do jogo Ponte Preta x São Paulo será Byron Romero. Me lembrei do seu compatriota Byron Moreno, o árbitro banido da FIFA por corrupção na Copa de 2002 na partida que envolveu Itália x Coréia do Sul. Anos depois, Byron Moreno foi preso por tráfico de cocaína.

Que não se confunda o quase homônimo!

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– O Papa, o Apito, os Políticos e a Patotada

O Papa Francisco se reuniu com o presidente da FIFA Joseph Blatter nesta semana. E ao dirigente maior do futebol, pediu que:

O futebol deve enfatizar o papel de agente transformador na educação dos jovens e na promoção da paz mundial.

Me recordei do Papa João Paulo II, que as vésperas da Copa do Mundo de 1990, recebeu o grupo de árbitros que se preparavam para o torneio e disse:

O esporte deve servir para inspirar os valores éticos e cristãos“.

Digo isso pois tudo o que não se viu nesta semana foi o futebol promovendo esses 4 pilares defendidos pelos Pontífices: nem educação, nem paz, nem ética e muito menos valores cristãos. Quer prova desses 4 itens?

  • 1- Tivemos uma acirrada disputa política envolvendo o mando de campo da semifinal da Copa Sulamericana. Dirigentes esportivos usando diversos artifícios para burlar ou tentar cumprir regulamentos. Vence-se ou convence-se aquele clube que for mais forte. Com isso, o torcedor mais apaixonado fica na bronca e os atos de violência se afloram. Na última semana, a Polícia Rodoviária já registrou casos de torcedores sãopaulinos e pontepretanos se enfrentando na Rodovia dos Bandeirantes. Imagine na quarta-feira, independente de onde for o jogo… Cadê a educação que o esporte deve trazer?
  • 2- A FPF divulgou a tabela completa do Campeonato Paulista de 2014, com os jogos e datas pré-determinados. No evento, falou-se muito da luta contra a violência nos estádios. Porém, os 4 grandes clubes de São Paulo se negaram a assinar um acordo que não fomentasse ajuda financeira e logística às torcidas organizadas (que hoje são as principais causadoras de brigas e confrontos). Onde está o princípio da busca da paz?
  • 3- Mais um episódio antiético e de péssimo exemplo de política: a CBF realizou o amistoso da Seleção Brasileira nos EUA, e levou dirigentes de diversos estados, eleitores no próximo pleito, para acompanharem José Maria Marin e Marco Polo Del Nero. E por lá permaneceram, fazendo tour pela América com dinheiro às custas da entidade. Uma mostra de que valerá tudo para 2014: e aqui incluo os jantares, as negociações de escudos do quadro de árbitros da FIFA, as vagas em torneios internacionais para equipes de menor expressão, a luta por poder e outras mazelas que a patota do futebol adora. E isso são ações éticas do futebol?
  • 4- O último tópico: os valores cristãos! O que dizer do Valdívia provocando gratuitamente Vicente, que revida odiosamente, no jogo entre Palmeiras x Ceará? Ou de Júlio Baptista supostamente falando para o adversário “fazer logo o gol” em sua equipe (e tanto faz se ironicamente como desprezo, ou seriamente como favorecimento)? As equipes escalando times reservas, mistos, abandonando o Campeonato Brasileiro, favorecendo ou prejudicando direta ou indiretamente as outras equipes? Pior ainda: os jogadores em corrente, rezando e orando conforme suas crenças e durante o jogo ofendendo a arbitragem, dando odiosos pontapés e carrinhos em seus adversários (viram o que fez Pará, do Grêmio, rodadas passadas?) ou simulando jogadas.

O futebol profissional não pode ser recalcado ao ponto de ser carola. É uma disputa, vale título, taça, dinheiro ou rebaixamento. Mas também não pode ser guerra e luta desenfreada por objetivos pragmáticos. E aí reforço os 4 itens citados: para você, torcedor, o futebol tem promovido a educação, a paz, os valores éticos e cristãos?

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– E quando o jogador força cartão? Sobre Valdívia, Palmeiras e Ceará.

No sábado, Palmeiras x Ceará jogaram pelo Campeonato Brasileiro. No segundo tempo, Valdívia, que estava no banco de reservas, entrou no final do jogo e, na primeira oportunidade, provocou o zagueiro Vicente, que lhe revidou. Muito bate-boca, confusão e num primeiro momento ficou a impressão de ingenuidade do palmeirense, que junto com o adversário, mereciam ser expulsos.

Independente de quem agrediu ou não, particularmente tive a sensação (comum aos árbitros de futebol): Valdívia tentou cavar uma expulsão!

Talvez o torcedor não saiba, mas é mais comum do que se imagina a tentativa de forçar cartões. E alguns jogadores pedem aos árbitros!

Há duas formas de se cavar cartão:

1) Aquela em que o jogador em comum acordo com o clube tentam o Amarelo – e que normalmente faz isso para folgar numa rodada se preparando para um confronto mais difícil à frente. Ele obtém a advertência matando uma jogada com um agarrão de camisa, fazendo cera no jogo ou reclamando com o juizão. O problema é que muitas vezes ele não consegue forçar o amarelo (isso acontece com os menos experientes), e acaba cochichando no ouvido durante o jogo, tipo “ô professor, me dá um amarelo que preciso levar um, tô pendurado e preciso ‘limpar’ ele hoje”.

2) Aquela em que o jogador quer ficar de fora do próximo jogo na marra, prejudicando sua própria equipe – normalmente isso acontece porque o jogo seguinte é longe demais, ou quer forçar uma folga ou simplesmente quer evitar uma animosidade contra um adversário que outrora teve problema. O objetivo é receber o 3o Amarelo (estando com dois) ou até mesmo o Vermelho Direto, caso não esteja pendurado.

Na minha carreira, já vi jogador forçar explicitamente e também disfarçar bem. Me lembro de alguns absurdos: certa vez, apitei na Segunda Divisão a partida Noroeste x Oeste de Itápolis. O jogador do Itápolis disse pra mim ainda no primeiro tempo: “briguei com o time e vou ‘ferrar os caras’“. Disse a ele para não fazer nenhuma bobagem em campo nem agredir companheiro de profissão. Conclusão: fez um pênalti para Amarelo, o adversário foi cobrar e, antes de chutar a bola, o mesmo jogador invadiu a área e deu um bico para longe. Conclusão: Vermelho e o seu time foi prejudicado.

Em outra oportunidade, Votoraty x União de Mogi jogaram pela 3a divisão: o time de Votorantim tinha 4 pendurados, estava classificado para a outra fase e só cumpriria tabela no jogo seguinte. E o que fizeram? Numa cobrança de escanteio, um atleta ajeitava a bola, respirava, e na hora de chutar… parava e chamava outro para cobrar. E incrivelmente assim conseguiram todos os cartões. Simplesmente, sem prejudicar a outro time ou companheiro de trabalho, receberam o Amarelo (embora, a subjetividade da Regra permitiria expulsar alguém pela reincidência coletiva / rodízio de infrações).

A questão é: em toda a rodada, haverá jogador forçando o cartão amarelo, seja para ajudar a sua equipe ou para si próprio. E isso me faz recordar de Renato Gaúcho e o árbitro Márcio Rezende de Freitas. Num jogo no Maracanã, pelo Fluminense, Renato estava nitidamente forçando o Cartão. Márcio sabia disso e não deu Amarelo a ele, deixando-o inconformado. Irritado, no final da partida, ele reclamou: “Pô Márcio, você não vai me dar nenhum cartão?” E Márcio: “claro que vou”. E deu Vermelho…

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– Conmebol e a Politicagem

É de se assustar o que a Conmebol faz: aceita tudo para uns e nada para outros.

Ainda no imbróglio do mando de campo do jogo Ponte Preta x São Paulo, leio que Libertad x Lanus jogaram no Estádio Nicola Leoz (com capacidade de 12.000 lugares e liberado para 10.500) por acordo entre as equipes.

Ué, se o regulamento prega algo, deve ser cumprido, independente de acordo entre os clubes.

Deportivo Pasto (COL) e Velez (ARG) jogaram no Moisés Lucarelli e a Conmebol nada fez. Motivo: ela não foi provocada… ou seja: para fazer o regulamento ser exigido integralmente, os clubes devem formalizar a queixa. Não é a Conmebol quem previamente fiscaliza se tudo está bem; é o clube que reclama se algo está errado, incitando uma diligência!

A verdade é que a Conmebol é uma bagunça: na Libertadores, Santos e Internacional jogaram anos atrás no estádio do Juan Aurich (PER) com grama sintética não reconhecida, e a entidade fez vista grossa.

Aliás… você sabia que no regulamento das competições é exigido aeroporto de grande porte a menos de 100 km dos estádios? Quantos cumprem essa exigência?

Lá nas salas da suntuosa sede da Conmebol, o clima é de juiz fraco num jogo entre time grande contra time pequeno: a camisa do mais importante pesa…

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– Vasco x Cruzeiro, Dedé, Júlio Baptista, Profissionalismo e Facilitação

Nas redes sociais, bombou o tema “entrega”, em referência ao jogo entre o Vascão e a Raposa. O time cruz-maltino lutando contra o rebaixamento; o time mineiro só cumprindo a tabela depois do título conquistado.

Coisas curiosas do jogo: o elenco cruzeirense com o ex-treinador vascaíno, Marcelo Oliveira, e outros atletas do rival, como Fábio e principalmente Dedé.

E Dedé, o zagueiro ídolo do clube carioca que agora joga em MG, disse durante a semana que “amava o Vasco da Gama e, se o Cruzeiro não estivesse precisando dele, preferiria não jogar”.

Foi sincero. Mas foi profissional?

O clube paga o seu jogador e ele demonstra titubeação e sentimentalismo contra sua ex-equipe?

Um mal-estar, sem sombra de dúvida. Mas o problema maior foi o fato do Vasco fazer 2 gols no primeiro tempo e o Cruzeiro demonstrar desconsideração pela partida. Isso deturpa o campeonato!

Quando Criciúma, Ponte Preta e Náutico, times que lutam contra o rebaixamento ou que já caíram, jogaram contra o Cruzeiro, o time mineiro mostrou o mesmo emprenho (ou falta de)?

Azar de quem jogou com o time quando ele ainda disputava o torneio buscando o título, e sorte de quem pegou o Campeão desprezando a competição.

O Vasco da Gama jogou bem, é fato. Mas o que preocupa é: pelo seu mérito única e exclusivamente, ou pelo demérito do Cruzeiro? Mais: a má noite do Campeão de 2013 se deu a um relaxamento natural pós-conquista (ressaca) ou por um proposital mau desempenho (corpo mole)?

Esse último argumento fica reforçado por aqueles que viram pela TV Júlio Baptista dizer ao adversário: “faz logo o terceiro, p…”.

Será que o cruzeirense falou ironicamente provocando o vascaíno ou simplesmente queria que a partida fosse liquidada logo?

Em tempo: o Bahia já anunciou que reclamará formalmente à CBF, pois o Vasco da Gama é seu adversário direto contra o rebaixamento.

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– O Ciclo dos Mitos do Barcelona. E se Messi sair?

Divulgou-se por uma rádio espanhola que Messi está descontente com o Barcelona e poderia sair do time para um novo desafio no Bayern de Munich, do seu ex-treinador e amigo Guardiola. Motivo do descontentamento: salário e patrocinador (o Bayern é patrocinado pela Adidas, a mesma empresa que custeia a Seleção Argentina e patrocina pessoalmente Messi – o Barcelona é um clube que veste Nike).

Já repararam que o atleta que nunca machucava, agora se lesiona facilmente? Que nunca era contestado, passou a ser?

Claro que não está deixando de ser craque, longe disso. Mas é um filme curiosamente visto várias vezes: Rivaldo começou a se machucar bastante e Ronaldinho Gaúcho tornou-se o destaque. Quando o R10 começou a diminuir o rendimento, surgiu Messi, e ele saiu também. Agora, aparece Neymar, e…

Será que Messi não quer dividir as atenções com uma suposta disputa interna de idolatria com o brasileiro?

Hoje Messi é mais craque que Neymar. Mas eu escrevi HOJE. Em carisma, a Catalunha já adotou o brasileiro como queridinho (até porque Messi é muito introvertido fora do campo)

Não me surpreenderia se o suposto boato se torne verdade. E você?

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– O desrespeito no caso Kleina & Palmeiras

É impressionante como Gilson Kleina e Palmeiras numa fase de desrespeito.

Sim, ambos estão faltando ao respeito com uma pessoa em comum: o próprio Kleina. O Palmeiras pelo fato de não valorizar o treinador que aceitou assumir o clube em um momento crítico, a beira do abismo e conseguiu o acesso para o retorno à série A, oferecendo a ele um contrato de renovação pela metade do salário atual. E Gilson se autodesrespeitando, após saber que não era o preferido para continuar no cargo, depois de outros profissionais sendo procurados, aceitando tudo isso passivamente.

Não me convence o argumento de que é preferível ficar no Palmeiras recebendo a metade do que ganha ao procurar novos ares. A premiação pelo seu bom trabalho deve ser a renovação do contrato, e se possível, com aumento.

Fico pensando: demite-se Kleina para trazer Luxemburgo, Abel, ou outro de salário elevadíssimo? A troco de quê?

Paulo Nobre estava indo muito bem na presidência até agora. Nesse episódio, está pisando na bola!

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– Cair para a Segundona é bom pra quem?

Provocou polêmica a declaração do diretor de Marketing da Nissan, Murilo Moreno, em um congresso no RJ. O representante da montadora que patrocina o Vasco da Gama declarou sobre um possível rebaixamento do clube para a 2a divisão:

Se cair, melhor ainda. Ano que vem a gente aparecerá sozinho na série B. Vai dar mais mídia do que ficar pelo meio da tabela na série A“.

Hum… acho que muita gente vai chiar… Discordo totalmente!

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– Rogério Ceni e a marca de Pelé

O goleiro Rogério Ceni iguala hoje a marca de Pelé em número de jogos disputados por uma mesma equipe. Ademir da Guia, Junior, Wladimir, Roberto Dinamite e outros jogadores que fizeram história com fidelidade e identificação às suas agremiações têm algo em comum: não se deixaram levar por empresários e conseguiram uma carreira sólida.

Hoje, qualquer garoto vende a alma para os eu empresário. E muitos deles sugam o máximo do coitado do jovem atleta, que pela baixa intelectualidade nada pode fazer.

Há empresários e empresários. Há aqueles que realmente lutam pelo atleta e outros espertalhões que se tornam donos deles e só querem negociá-lo e renegociá-lo.

Parabéns ao Rogério, um dos últimos românticos do futebol.

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– Quase todo mundo no Brasil em 2014!

Messi, Ribery, Cristiano Ronaldo, Ozil, Neymar… quase todos os grandes craques do mundo estarão na Copa do Mundo em 2014.

Quase, pois sempre teremos excluídos de toda parte. George Weah, excepcional atleta do Milan e natural da Libéria, nunca jogou uma Copa do Mundo devido a fragilidade da sua seleção.

Agora, o craque que ficará de fora será Ibrahimovic, da Suécia. E, marrento, deixou a modéstia de lado e declarou:

Uma Copa sem mim não vale a pena ser vista“.

Prefiro Portugal a Suécia, Cristiano Ronaldo a Ibrahimovic. Aliás, todos os campeões do mundo estarão na Copa. E, pra ser sincero, acho que nenhuma Seleção que ficou de fora fará falta.

E você: qual a Seleção que você queria ver na Copa do Mundo e não se classificou?

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– Os Árbitros Estrangeiros para São Paulo x Ponte Preta na Copa Sulamericana

O argentino Diego Abal e o equatoriano Carlos Vera apitarão respectivamente o jogo de ida e de volta no confronto entre o Tricolor Paulista e a Macaca Campineira.

Farão boas arbitragens?

Claro que cada jogo é uma nova história e só se pode falar em “perspectiva de atuação”, baseada no histórico de seus jogos.

Abal, que apita no Morumbi, é um árbitro comum e que foi amadurecendo e evoluindo já com o escudo internacional. A AFA aposta nele como legítimo sucessor de Horácio Elisondo, o árbitro que encheu os hermanos de orgulho ao apitar a abertura e a final da Copa de 2006. Porém, falta muito talento para igualá-lo. Apesar do começo ruim na carreira como FIFA, cresceu e hoje é um bom árbitro. Não costuma deixar o jogo correr tanto como a maioria dos argentinos (embora, solte a partida mais que a maioria dos seus colegas brasileiros), tem bom condicionamento físico e melhorou na condição técnica, que era seu ponto fraco. Reitero: está evoluindo como árbitro.

Já para a partida de volta, com mando da Ponte Preta, veremos Carlos Vera. Essa sim é uma arbitragem que preocupa, por um simples fato: a competência do árbitro, já que o equatoriano tem péssimo desempenho técnico e disciplinar; corre muito mas se posiciona mal. Não consegue impor respeito em campo, e, na maior parte dos seus jogos, é “enrolado”. O jogo não flui, não sei se é só deficiência ou azar mesmo…

Assisti a algumas partidas dele e sempre me decepcionei com o que vi. Em particular, me recordo de Sunfrecce Hiroshima X Al Ahly, pelo Mundial de Clubes 2012 (acredite: ele foi indicado como árbitro representante da Conmebol nesse importante torneio da FIFA). E num jogo tão fácil, conseguiu se complicar! Na oportunidade deu cartão amarelo a jogador que tentou bater a falta rapidamente; atrapalhou um ataque com a bola batendo em seu “bumbum” e armando o contra-ataque do adversário; não deu vantagem quando devia e deu quando não podia… desastroso, enfim!

Na própria Copa Sulamericana, no ano passado, na partida Millonarios X Grêmio, Carlos Vera também deixou sua marca: não conteve as cotoveladas de ambas equipes, foi xingado e ironizado por atletas e só dava amarelo (aliás, ele gosta de cartão amarelo e pouco de vermelho), se envolveu numa confusão com o bandeira e o Elano, e, no final da partida, marcou um pênalti a favor do Grêmio numa clara simulação de Werley.

A pergunta é: como um árbitro desse ostenta o escudo FIFA e ainda é indicado para um jogo como esse?

A propósito, por quê não escalar brasileiros para apitar o confronto nacional?

O ponto a favor de árbitros locais é de que conhecem bem as equipes, sabem das manhas e artimanhas dos atletas. O ponto fraco é a pressão pré e pós-jogo, já que o árbitro estrangeiro não tem esse problema: apita e em seguida toma o avião e vai embora.

Fico me questionando: nos confrontos entre times de mesmo país, escala-se árbitros locais. Desde o imbróglio entre Atlético Mineiro e São Paulo, quando o presidente Alexandre Kalil pediu e conseguiu veto a árbitros brasileiros na Libertadores, só árbitros de fora estão apitando aqui. Desprestígio aos nossos apitadores, incompetência ou pura politicagem?

Em tempo: o bandeira do jogo Ponte Preta x São Paulo será Byron Romero. Me lembrei do seu compatriota Byron Moreno, o árbitro banido da FIFA por corrupção na Copa de 2002 na partida que envolveu Itália x Coréia do Sul. Anos depois, Byron Moreno foi preso por tráfico de cocaína.

Que não se confunda o quase homônimo!

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– O erro do árbitro que vira acerto do treinador em Fluminense x São Paulo

Na partida disputada no Maracanã neste domingo a tarde, um erro do árbitro gaúcho Márcio Chagas da Silva foi fundamental para a vitória do Fluminense contra o São Paulo. Mas o curioso é que: o erro do árbitro sucedeu um “quase-erro” do treinador que acabou se mostrando indiretamente um acerto! Vamos entender?

O zagueiro Gum (ex-Paulista de Jundiaí e Ponte Preta) havia recebido cartão amarelo aos 58m de jogo por falta em Osvaldo, e eis que, aos 71m, ele pratica um carrinho em Lucas Evangelista (o jogo estava 1 x 1). Lance clássico para Cartão Amarelo, e por ser o segundo, consequentemente o Vermelho, sem dúvida na interpretação. Se você quiser procurar um exemplo de lance para Cartão Amarelo, essa jogada do Gum é o “bê-a-bá” da explicação. Mas o árbitro se equivoca e não aplica a advertência.

E para azar do juizão (e por tabela, do São Paulo), aos 43m o Fluminense desempata e vence a partida, com gol de… Gum!

Observações da situação:

Quando o árbitro sente que perdeu o “timing do cartão” – e foi justamente isso o que aconteceu com Márcio Chagas – ele sente a necessidade de punir o atleta na primeira oportunidade que tiver, a fim de não perpetuar o erro!

Perder o tempo do cartão” significa que houve uma leitura ruim da jogada, que errou na interpretação e após um pequeno período de tempo o árbitro “se manca” que errou. A busca em corrigir a falha começa, e a qualquer jogada faltosa do jogador ele receberá tardiamente o Amarelo de outrora. O problema é que Gum não fez mais nenhuma falta para o árbitro remediar o erro! Dessa forma, o São Paulo que empatava com seu time misto e poderia jogar contra um adversário com 10 jogadores por mais de 20 minutos, foi batido justamente por aquele que deveria ter sido expulso.

O detalhe maior é que: treinador, quando sente que o atleta vai ser expulso, imediatamente substitui o jogador para não ter que terminar a partida com um jogador a menos. Alguns treinadores substituem o atleta assim que ele recebe cartão amarelo, e o mais emblemático nessa prática é o treinador do Vitória, Ney Franco. Porém, Dorival Jr, técnico do Fluminense, a priori errou ao não substituir Gum, que possivelmente seria expulso na primeira oportunidade. Mas o seu erro, por acaso, se tornou um grande acerto para o Tricolor Carioca!

A minha dúvida é: Dorival errou e sem querer se deu bem, ou foi um acerto pois confiava tanto que Gum se comportaria exemplarmente em campo e resolveu deixá-lo no jogo?

Por fim: um jogo em que, na minha opinião, o árbitro interferiu no placar.

E você, o que achou da partida? Deixe seu comentário:

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– O Indevido Perdão às Dívidas dos Clubes

Há certos projetos políticos que, cá entre nós, são claramente para promover benefícios a um grupo específico ao qual o parlamentar é ligado. O melhor e mais triste exemplo disso é o que propõe o deputado federal Vicente Cândido (PT-SP). Ele simplesmente quer dar anistia de todas as dívidas fiscais dos clubes de futebol.

Eu pago meus impostos. De maneira sacrificante, mas pago. Você, leitor, deve pagar os seus também. E por quê os times de futebol, que recebem milhões de reais em patrocínios, cotas de TV e outras receitas diversas, podem se dar ao luxo de não pagar nada?

Algumas agremiações chegam a pagar R$ 700 mil mensais ao treinador; mas se recusam a recolher INSS e outros tributos.

Não tivemos há pouco tempo o Refis do Futebol e a Timemania para ajudá-los? Por quê se é tão benevolente a essa gente e tão cruel e rigoroso com o contribuinte comum?

Em tempo: Vicente Cândido faz parte da “bancada da bola”, que defende os interesses das entidades do futebol, além de ser vice-presidente da Federação Paulista de Futebol. E Marco Polo Del Nero é o atual presidente da FPF, está em campanha para eleição da CBF em 2014 e precisa dos votos dos clubes… Será que seu vice está o ajudando na conquista dos mesmos?

O consultor economico-tributário Pedro Daniel (da BDO Brasil, empresa que realiza auditorias e uma das mais especializadas no mundo), escreveu um artigo no Jornal Lance no último domingo que me assustou: as dívidas dos 24 maiores clubes de futebol do Brasil atingiu R$ 2,5 bilhões somente em tributos!

Quer dizer que o dinheiro dos meus impostos é “dinheiro que vai para o Governo realizar obras para o povo” (descartando-se o desvio em corrupção), portanto, imprescindível. E o dinheiro dos impostos dos clubes, não é tão ou mais importante do que o meu?

Assim é fácil: gasta-se desregradamente, sonega-se impostos e depois arranja-se um deputado-amigo lá em Brasília para perdoar as dívidas.

A pergunta a ser feita ao Deputado Vicente Cândido é: o que o Brasil ganha perdoando R$ 2.500.000.000,00 dos impostos de times de futebol?

Se alguém tiver uma resposta convincente, por favor, responda. Eu não consigo encontrar nada que justifique tal aberração moral.

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– Similaridades dos 3 Títulos dos últimos 7 dias

Cruzeiro Campeão Brasileiro da Série A, Palmeiras Campeão Brasileiro da Série B e o Palmeirinha do Medeiros Campeão Jundiaiense da Série A.

O que esses 3 times têm em comum além da origem italiana e a conquista de título em 2013?

Muita coisa!

Vejamos: os 3 treinadores – Marcelo Oliveira, Gilson Kleina e Mauro Peixoto – ganharam o título mais importante de suas carreiras; são considerados baratos e demonstram sempre muita humildade em suas entrevistas.

Os 3 times Cruzeiro, Palmeiras e Palmeirinha – são de baixo custo e com jogadores que antes do campeonato não se apostava muita coisa, como Willian, Juninho e Morato, respectivamente (em que pese, no caso do Verdão, o “fardo Valdívia” que destoa dos salários dos demais).

Os 3 clubes têm dirigentes de destaques pelo seu ótimo trabalho – Alexandre Mattos, que mudou a política de contratação; Paulo Nobre, presidente que conseguiu apaziguar o inferno político que o clube vive; e Vado Segli, que há décadas organiza o clube com um amor paternal.

Financeiramente, os 3 passaram por reestruturações: o Cruzeiro refez o elenco com jogadores menos caros, o Palmeiras vive de empréstimos e redução de custos, e o Palmeirinha sobrevive com doações de beneméritos do bairro e as rifas que o “Vartinho” vende.

O Brasil da primeirona e da segundona está coroada com clubes das cores que homenageiam a Azurra e a Itália. Jundiaí, idem.

O ano do futebol nacional e regional está quase encerrado. E como será 2014?

Até nisso os 3 times são similares, pois viverão provações: o Cruzeiro terá o desafio em mostrar na Libertadores da América (talvez contra o seu arquirrival Atlético) que a regularidade não foi uma falsa impressão de um único ano bom. O Palmeiras terá que provar que voltou pra valer e seu projeto não servia apenas para se livrar da 2a divisão, mas de voltar a conquistar títulos na 1a. E o Palmeirinha do Vado, do Tião, do Zé Preto e de tanta gente, terá a missão de mostrar que Jundiaí ainda conta com os tradicionais times de bairro, históricos, como o Estrela da Ponte, Engordadouro e tantos outros, em meio aos novatos que surgem cada vez mais rápido e com gastos que beiram equipes profissionais, bancados muitas vezes por mecenas desconhecidos.

Parabéns aos campeões!

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– Comissão Parlamentar para Estudos de… Erros de Arbitragem?

Coisas que poderiam ser evitadas se o Parlamento Brasileiro fosse mais sério: segundo o jornalista Paulo Moreira Leite (extraído de: Revista Isto É, edição 2295, pg 31, Coluna Brasil Confidencial), uma Comissão formada por deputados federais quer que Romário seja o líder de uma CPI que investigue e crie regras punitivas aos erros de árbitros de futebol.

A idéia é: se for provado um erro significativo que esteja catalogado no conjunto de normas a ser criado, o árbitro deva ser punido imediatamente segundo o regimento federal! Não é uma pretensão de evitar fraudes nos jogos, mas de simplesmente não deixar os erros (por interpretação ou por incompetência) ficarem impunes.

Será que em Brasília não há coisa mais importante para se fazer? Erros de árbitros devem ser punidos pelos dirigentes da arbitragem ou por quem entenda do assunto, já que muitos deles são difíceis.

Pensem na seguinte situação: o jogador do Palmeiras dá um carrinho contra um do Corinthians, que cai dentro da área; o árbitro entende que foi na bola e não marca o suposto pênalti. Na segunda-feira, se abre o capítulo específico das normas criadas pelos deputados federais e se determina a punição adequada. Mas quem garantiu que foi erro? E se o árbitro acertou nesse lance duvidoso?

Tenha dó…

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– Os Árbitros e o Movimento Bom Senso na Histórica Noite do Futebol Brasileiro

Na noite dessa quarta-feira, os jogadores de futebol protestaram contra o calendário de jogos do Brasil, somado a uma série de reivindicações propostas anteriormente pelo movimento “Bom Senso”. Os atos foram diversos: em alguns jogos, eles cruzaram os braços antes ou depois do apito inicial, tocaram a bola por algum tempo de lado-a-lado, ou simplesmente ficaram imóveis, numa espécie de “manifestação por 1 minuto”.

Alguns atletas reclamaram que os árbitros foram orientados a “amarelar os rebeldes”, e, para o bem do futebol, os boleiros não se intimidaram. Mas a punição era razoável ou não?

Durante uma partida, se uma equipe demonstrar que não quer jogar (tocando a bola para os lados, evitando embates com o adversário, prendendo a bola com um atleta só, parando o jogo ou nitidamente desconsiderando a busca pela vitória) é atitude ANTIDESPORTIVA segundo a Regra 12 (infrações e indisciplina) e passível de advertência por cartão amarelo.

Mas quem disse que a turma do “Bom Senso” praticou essa dita “atitude antidesportiva”?

Ao contrário, é atitude com o mais alto grau de DESPORTIVIDADE, DEMOCRACIA e SOLIDARIEDADE para quem luta pelo futebol. Cartão Verde a eles!

Os árbitros, no fundo, sabem que precisam apoiar o movimento pelo bem do esporte, mas não tem instrumentos nem força política para isso, já que as entidades sindicais da categoria possuem dirigentes ligados as federações / confederação.

Se o árbitro somente não interferir no protesto, sem ameaça de punição e cruzar o seu braço nesse momento, já será um importante e simpático gesto de apoio a essa nobre e necessária causa.

Uma sugestão: se os Sindicatos dos Árbitros (tanto os estaduais como o nacional) quiserem provar independência de José Maria Marin e Marco Polo Del Nero (portanto, da CBF), que orientem aos árbitros, bandeiras e adicionais, que no momento do protesto dos jogadores, deixem o campo por esse pequeno período de tempo a fim de demonstrar simbolicamente que “os verdadeiros donos da bola” são os atletas que ali estão no gramado; únicos, soberanos!

E depois não querem que digam que a recente lei da profissionalização do árbitro não resultou em nada e era um engodo… Continuam sendo empregados informais e sem registro em carteira da CBF ou das Federações Estaduais, prontos para obedecer sem nunca contestar. Lamentável a declaração de Sérgio Correa da Silva, ex-dirigente sindical e atual responsável pela Escola Nacional de Arbitragem (e que estava como delegado no jogo Botafogo x Portuguesa), confirmando que os árbitros realmente foram orientados para aplicar o cartão amarelo e que jogo de futebol não era lugar para política.

Como esperar independência e apoio aos árbitros com tal pensamento?

Que bom seria se tivéssemos algum Rogério Ceni, Alex ou Paulo André do apito… Mas isso é difícil de acontecer, afinal, os árbitros confiam em pessoas como o dirigente da CBF Sérgio Correia para representá-los, ou em Arthur Alves Júnior, atualmente presidente do Sindicato Paulista e simultaneamente funcionário da FPF, de Marco Polo Del Nero. Para mim, total incompatibilidade de cargos, embora, reconheço, é a vontade das urnas demonstradas por eles.

Com este panorama, não haverá árbitro no movimento Bom Senso. E se tiver, não será escalado por tal motivo. Ou você duvida disso?

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– Brasil garantido na Final do Mundial de Clubes

Na próxima edição da Copa do Mundo de Clubes da FIFA Marrocos-13, certamente o Brasil estará representado no jogo final. Seja na bola ou no apito.

É que a entidade convocou Sandro Meira Ricci, árbitro brasileiro pré-convocado para o Mundial de Seleções de 2014, para ser o representante da Conmebol, num ineditismo até então: nunca foi chamado árbitro do mesmo país que está em disputa pelo título. Já que são poucas equipes, normalmente os árbitros são de países alheios à conquista do troféu.

Nessa nova versão do Mundial de Clubes, costumeiramente o clube da América do Sul enfrenta o clube da Europa após uma fase eliminatória, devido a qualidade técnica entre eles. Exceção feita ao marcante fiasco do Internacional-RS frente ao africano Mazembe, sempre foi assim. E com os árbitros, normalmente também funciona dessa forma: europeu ou sul-americano na final.

Pela relação dos árbitros convocados, custa a crer que, caso o Atlético Mineiro não esteja na final contra o Bayern Munich, Sandro deixe de ser o árbitro da final. Veja a lista, com apenas dois árbitros “top” de linha (o brasileiro já citado e seu colega espanhol):

Ricci (Brasil) – com os bandeiras Marcelo Van Gassen e Emerson Carvalho,

Velasco (Espanha) – com os bandeiras Jimenes e Fernandez,

Albadwawi (Emirados Árabes),

Alioum (Camarões),

Gassama (Gâmbia) e

Geiger (Estados Unidos).

Cá entre nós: está mais do que na cara que, pela qualidade das equipes e dos árbitros, o campeão da Libertadores da América (representante da Conmebol) jogará contra o campeão da Champions League (representante da UEFA), arbitrado pelo árbitro espanhol.

Eu aposto nisso desde já (embora nunca goste de apostas no futebol). E você?

ERRATA: A escala de árbitro de mesmo país e clube não é inédita; aconteceu em 2005 com o árbitro Carlos Eugênio Simon, conforme confirmação do próprio:

“Amigo Rafael,
não é inédito, pois em 2005 quando o SP foi campeão, nós estivemos lá ( Eu, Aristeu e Corona), inclusive trabalhei como 4° na abertura, não permanecemos porque o Aristeu acabou se lesionando.
Simon”.
Tal fato é para se festejar; afinal, só aconteceu com brasileiros.

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– Palestras Campeões nessa semana?

O Cruzeiro, antigo Palestra de MG, poderá se sagrar campeão da Série A do Campeonato Brasileiro nessa noite.

O Palmeiras, antigo Palestra de SP, provavelmente será campeão da Série B no próximo sábado.

Fico pensando: equipes que nos anos 90/00 fizeram grandes duelos por competições da América do Sul, festejarão por motivos diferentes. A Raposa pelo título maior do país, o Verdão pela recuperação do prestígio.

Mas pensando bem, reflita: como será o ano de 2014 para essas duas equipes? Me recordo que os últimos dois campeões nacionais, Corinthians (que é o atual campeão do Mundo) e o Fluminense vivem um inferno astral sem fim. Diante disso, não dá para comemorar e entrar na próxima temporada iludido pelos títulos atuais.

Aliás, título cruzeirense conquistado pela regularidade e conjunto; e título palmeirins conquistado pela fragilidade dos adversários na fraquíssima segundona. Mas, claro, são títulos e ninguém pode tirar os méritos das equipes.

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– Título e Rebaixamento Antagônicos

Algumas competições trazem a falsa sensação de valor quando conquistadas. Claro que toda vitória e título devem ser festejados, mas podem trazer enganos velados.

Quer alguns exemplos?

O Santo André foi Campeão da Copa do Brasil. No ano seguinte, caiu de divisão. Gastou todos os seus esforços na competição e depois naufragou em tudo que disputou. E o que resta do Ramalhão hoje?

Outro caso foi o Paulista de Jundiaí: até hoje, o único clube a vencer a Copa do Brasil jogando somente contra times da Primeira Divisão do Campeonato Brasileiro. Depois da conquista, o Galo da Terra da Uva foi rebaixado para a Série B e C consecutivamente, e amarga uma terrível crise financeira.

O primeiro pequeno clube Campeão do Brasil foi o Juventude-RS, na era Parmalat. Nesse ano, jogou a série D.

Mas veja que curioso: o Figueirense venceu a competição e no ano seguinte foi rebaixado. Mais recentemente, isso aconteceu com o Palmeiras.

O gozado de tudo é que, na Segunda Divisão, essas equipes disputaram a Taça Libertadores da América, a mais nobre das competições interclubes do nosso continente!

Digo isso pois Campinas está em festa. A Ponte Preta jogará a semifinal da Copa Sulamericana contra o São Paulo para tentar o título e assim conquistar a vaga para a Libertadores. E, concomitantemente com a empolgação da Sulamericana, a Macaca sofre com o possível rebaixamento para a série B do Brasileirão.

quem defenda que não se deva permitir times que não estejam na Principal Divisão do seu país joguem a Libertadores. Se a competição é tão importante, há certo sentido, com a justificativa de elevar o nível da disputa internacional. Mas como podemos querer alto nível se temos tantos clubes bolivianos e venezuelanos jogando o torneio?

Respeitosamente, a Ponte Preta na 2a divisão é ainda mais forte que o peruano Juan Aurich, do que o boliviano Oriente Petrolero ou do venezuelano Deportivo Tachira, equipes da 1a divisão dos seus países.

Se a Copa do Brasil e a Sulamericana valem vaga para a Libertadores, independente de que divisão estejam no Campeonato Nacional, paciência, pois, afinal, é o critério determinado. E isso não dá para contestar! Mas é irônico que um clube na 5a ou 6a posição no Brasileirão não esteja classificado, e outro rebaixado no mesmo torneio esteja…

Como sempre, torcerei para as equipes brasileiras. Boa sorte a elas.

Em tempo: já passou da hora de se abolir a regra de que clubes de mesmo país não possam jogar uma final para dar o tom de “internacionalização” da Conmebol. Bobagem. O que deve valer é a competência.

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– Quem foi a Revelação do Apito em 2013?

E estamos chegando quase ao fim do Campeonato Brasileiro e começaram as listas dos destaques: quem foi o melhor jogador; e a revelação do torneio?

As relações sempre trazem polêmicas, pois, afinal, ninguém consegue assistir aos 380 jogos do torneio e fazer comparações e julgamentos de todos. Dito isso, vem uma discussão maior ainda: quem foi o melhor árbitro e a o juiz-revelação de 2013?

Se perguntado a um torcedor fanático, talvez ele responda de bate-pronto: “meu voto é nulo“.

Será que ele não tem um pouquinho de razão?

A arbitragem sempre é a mal vista e rigorosamente avaliada. Mas a fase dos árbitros brasileiros, sejamos justos, não é boa. Culpa do mau trabalho de renovação feito pelos dirigentes, indubitavelmente. Assim, os melhores de 2013 foram Seneme (que apitou pouco no começo/meio do ano), Sandro Meira Ricci (que ficou um período fora do país), Marcelo de Lima Henrique (talvez o mais regular do ano) e Leandro Vuaden (que manteve um alto nível). Heber, outro FIFA, cometeu alguns deslizes e ficou mais abaixo. Paulo César de Oliveira e outros “árbitros de nome” tiveram um ano comum. E os demais do quadro FIFA, como Péricles Bassols, Francisco do Nascimento e Ricardo Marques, poderiam ter ido melhor. Wilton Sampaio, o mais novo árbitro internacional, não teve grandes desafios.

Destaque – não pelas atuações mas pelo número de escalas – ao goiano André Luís Castro, que venceu no sorteio quase 20 jogos. Muitos dizem que isso se deve ao fato do presidente da Comissão de Árbitros, Antonio Pereira da Silva, ser de Goiás. Bobagem. Acho que é uma aposta do Pereirão, que, coincidentemente, escolheu um “compatriota” e o coloca em boa parte dos jogos. O problema é: os outros árbitros têm as mesmas oportunidades?

Alguns falam que o paraense Dewson de Freitas poderia ir para a FIFA e é o “cara”. Discordo totalmente. Acho cedo dar o escudo tão desejado a ele; precisa ganhar a honraria depois de se consagrar num São Paulo x Corinthians ou num FLA x FLU. Apitar jogos de porte médio e já subir meteoricamente não pode.

Assim, considero que não tivemos nenhuma revelação no apito em 2013 (infelizmente) e que os 3 melhores do Brasileirão: Leandro Pedro Vuaden, Marcelo de Lima Henrique e Wilson Luís Seneme.

E você, a quem daria seu voto de melhor árbitro e revelação? Deixe seu comentário:

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– Escolhendo os 5 Craques para o Bola de Ouro

Para a premiação que escolhe os 3 melhores jogadores do planeta, a FIFA e o jornal francês L’Equipè presenteiam os mesmos com a Bola de Ouro, Prata e Bronze, respectivamente ao 1o, 2o e 3o lugar.

Agora o evento mudará: no palco serão apresentados os 5 melhores do ano. A lista divulgada há dias é composta por 23 nomes. São eles:

Gareth Bale (País de Gales), Edinson Cavani (Uruguai), Cristiano Ronaldo (Portugal), Radamel Falcao (Colômbia), Eden Hazard (Bélgica), Zlatan Ibrahimovic (Suécia), Andrés Iniesta (Espanha), Philipp Lahm (Alemanha), Robert Lewandowski (Polônia), Lionel Messi (Argentina), Thomas Müller (Alemanha), Manuel Neuer (Alemanha), Neymar (Brasil), Mesut Özil (Alemanha), Andrea Pirlo (Itália), Franck Ribéry (França), Arjen Robben (Holanda), Bastian Schweinsteiger (Alemanha), Luis Suárez (Uruguai), Thiago Silva (Brasil), Yaya Touré (Costa do Marfim), Robin Van Persie (Holanda) e Xavi (Espanha).

A tarefa é fácil: escolha os nomes que você considera os 5 melhores. Será que eles serão os escolhidos no dia 13 de janeiro de 2014, quando ocorre o evento da entrega dos prêmios?

Meus nomes (pela ordem de melhor desempenho): Cristiano Ronaldo, Ribéry, Messi, Neymar e Scheinsteiger. Acertarei?

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– Cruzeiro será Campeão Domingo?

Será que o Cruzeiro-MG será o grande campeão brasileiro na próxima rodada? O time mineiro jogará contra o Grêmio, com a expectativa de um jogaço, arbitrado pelo excelente Wilson Seneme.

Mas… sem desmerecer o provável título da Raposa, o time não tem estrelas. É bem montado, com jogadores que não são badalados e dirigidos por um humilde e competente Marcelo Oliveira.

Isso mostra que futebol não vive só de medalhões, jogadores de nome e treinadores de grife: há de se ter competência administrativa, não só potencial técnico-financeiro.

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– Dá-lhe Macaca!

E a Ponte Preta venceu o Vélez lá na Argentina, classificando-se para a semifinal da Copa Sulamericana.

Tal fato merece algumas reflexões que poderão ser ótimos temas posteriores para nossas discussões:

  • – Time que cai para a segunda divisão pode disputar competição continental?
  • – Por quê não se pode fazer final com equipes de mesmo país na América do Sul?
  • – Qual a prioridade da Ponte Preta: brigar para não cair à Série B ou se classificar para a Libertadores?
  • – Jorginho Pastor, depois do Ameriquinha Carioca, foi muito criticado como treinador por onde passou. É o seu ressurgimento?

Independente de tudo isso a se discutir, só se pode aplaudir a Ponte Preta. E certamente teremos um brasileiro na final do torneio, já que a Ponte lutará pela vaga à final contra o São Paulo.

E você, o que achou do jogo? Deixe seu comentário:

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– E se é “falta técnica” do jogador contra o árbitro?

Pergunta do amigo Antonio de Pádua Sales, ex-árbitro e excepcional caráter:

“Um jogador da equipe A se encontra na sua área penal, a bola está sendo disputada na área penal da equipe B; porém, este jogador da equipe A, numa atitude antidesportiva, reclama com palavras ofensivas ao árbitro. Este paralisa a partida e concede um tiro livre indireto contra a equipe A. De onde a infração deverá ser cobrada? De onde o jogador infrator estava, ou de onde a bola estava?

Pádua, em faltas dessa natureza, se marca onde a infração originou. Ela surge das ofensas de um zagueiro em sua área. Portanto, é “lá atrás mesmo” que o jogo se reiniciará. Todo mundo terá que atravessar o campo para o tiro indireto (conforme diretrizes da Regra 12).

É diferente de infrações de jogador contra jogador, onde se reinicia no local em que a falta se consome; como, por exemplo, um zagueiro que dá uma cusparada fora da área penal e atinge seu adversário atacante dentro dela (e aí: pênalti).

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– A Vantagem do Pênalti em Goiás x Botafogo

Essa vem do jornalista André Longarini: e a vantagem no pênalti aplicada por Sandro Meira Ricci na partida Goiás x Botafogo?

Respondo: a decisão foi corajosa! Muitos crêem que não existe vantagem em pênalti. É claro que ela existe, mas de tão rara, poucos marcam.

Entenda: um árbitro pode deixar de marcas faltas (dentro e fora da área) para dar mais dinamicidade na partida, levando em conta que a equipe que sofre a infração esteja se beneficiando do lance. Para isso, deve avaliar: o local da falta (na defesa ou no ataque?); a posição da bola (perto do gol; sobrará para alguém que a dominará tranquilamente?); a gravidade da falta (precisa paralisar o jogo pela lesão?) e o ambiente da partida (é prudente parar a partida pelo clima tenso?).

Normalmente, a vantagem é a posse de bola de alguém que domina e continua o jogo. Mas, para equipes que tem bons batedores de falta, se a falta é na entrada da área, muitas vezes a real vantagem é marcar a infração.

No pênalti, normalmente a vantagem é marcar o tiro penal. Mas existe exceções: e se a bola estiver sobrando para um atacante colocá-la para dentro? Paralisa-se o jogo e marca a infração? Claro que não… Nessa situação, o árbitro deve avaliar: qual a chance maior de se fazer o gol – o pênalti ou a conclusão da jogada? Lembre-se que, neste ano, muitos pênaltis foram desperdiçados…

Na partida em Goiânia, o goleiro faz pênalti no botafoguense Elias. Sandro Meira Ricci está muito bem colocado, e tem a sensibilidade de prever a sobra de bola para Rafael Marques (que de fato acontece) e dá a vantagem. Como diria o narrador: “Ele, a bola, o gol e… um só zagueiro em cima da linha”! Mas o atacante do Fogão desperdiça o lance.

Aí não dá para culpar o árbitro, mas sim a péssima finalização do jogador.

Não esqueça: vantagem em pênalti existe, é difícil de se dar, e para resultar em gol, depende da qualidade do jogador.

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