Dias atrás, aconteceu uma manifestação pacífica e importante em frente ao Estádio Jayme Cintra. Pessoas de várias idades (torcedores, sócios, e até ex-presidentes) se manifestaram democraticamente pedindo transparência na gestão do Paulista FC (em relação às contas, contratos que não estavam no clube, prestação de valores dos patrocínios recebidos e outras tantas coisas).
Às vésperas, falamos sobre como ocorreria aqui: https://professorrafaelporcari.com/2023/08/31/o-pacifico-e-democratico-protesto-dos-torcedores-do-paulista-fc/
E posteriormente, abordamos sobre o acontecido nesse link (tendo até o Papai Noel fictício): https://professorrafaelporcari.com/2023/09/12/quatro-momentos-da-manifestacao-pacifica-do-paulista-fc/
Toda e qualquer manifestação ordeira, pacífica e respeitosa, é parte do sagrado princípio democrático. Quando existir ofensa pessoal, contra a família, levantamento de acusações infundadas e outras coisas mentirosas, já não é mais algo desejável, tampouco oportuno. Quem é figura pública sabe o que é isso e precisa entender que a exposição do cargo traz visibilidade e responsabilidade.
Algumas pessoas, jocosamente, disseram que era um protesto de “meia dúzia”. Não foi, foram de muitas pessoas e de importantes segmentos da torcida do Paulista (que obviamente, querem o bem do Galo). O próprio presidente do Paulista FC, Rodrigo P. Alves, em entrevista à TV TEM, declarou que entendia normal e democrático tais protestos, que faziam parte do mundo do futebol.
Pois bem: parece que o protesto incomodou… eis que sócios do Paulista (e até conselheiros) estão sendo suspensos por 18 meses do clube, numa “canetada”, por terem se pronunciado a favor do protesto pacífico (contradizendo a fala do presidente).
Numa dessas punições, como se pode ver na mensagem abaixo, há o aviso de que a decisão foi unânime em reunião com a Diretoria Executiva.
Ora, quantas pessoas compõe a Diretoria Executiva e quem são elas? Há esse poder de punir, sem ao menos ouvir a defesa?
Fico imaginando: se existe um Conselho, ele serve para fiscalizar a Presidência, além de trabalhar em conjunto ou na defesa dos interesses quando pertinentes (é como uma Câmara dos Deputados em relação ao Presidente da República, ou se preferir, o Legislativo com o Executivo). Diante disso: o presidente teria o poder de afastar um conselheiro? É contraditório, pois é o Presidente do Conselho, em tese, que coloca em pauta o afastamento de um Conselheiro ou não.
Falamos de conselheiros, mas estende-se a sócios também: foram ouvidos, antes do processo?
Sem democracia, não há clube que se sustente, lamentavelmente. E o contrário dela é a ditadura.
Espero, sinceramente, que se corrijam os equívocos de punição sem defesa da vítima. Afinal, não são bandidos, são membros do Paulista FC num ato pacífico e democrático.
