– Plataforma Lattes

 

Os docentes do Ensino Superior sabem da importância de atualizar o Curriculum Lattes. Tal ferramenta é de suma importância para a área da Educação e Pesquisa do país, pois, afinal, é um banco de dados da inteligência do Brasil.

 

Leio na Revista Época desta semana (Coluna Vamos Combinar, pg 28, Ed 24/01/2011), que tal modelo será aproveitado por outras nações, devido ao sucesso e bom propósito!

 

Abaixo, compartilho:

 

ESTRANGEIROS OLHAM INOVAÇÃO BRASILEIRA

 

O Brasil segue atrasado no esforço de inovação, mas há boas notícias. Obra de pesquisadores de Santa Catarina, a Plataforma Lattes é uma ferramenta sem par no mundo. Tem mais de 1,7 milhão de currículos de onde o CNPq pode sacar informações precisas, como a lista dos especialistas em nanotecnologia. Interessados em copiar o modelo, pesquisadores americanos e europeus vieram ao país para discutir ideias. Eles também vieram conhecer de perto a tecnologia do Portal Inovação, onde é possível até checar quantas patentes brasileiras existem numa área específica. Estados Unidos e Europa, líderes em tecnologia, não têm nada igual.

– O Engodo das Novas Universidades Federais

 

A Época desta semana trouxe uma matéria denúncia sobre como estão as universidades federais prometidas na última gestão e que praticamente não funcionam. Algumas não foram construídas, outras estão adaptadas, e algumas foram inauguradas sem nunca existirem. Laboratórios vazios e alunos descontentes…

 

Abaixo, extraído de: Revista Época, 24/01/2011, pg 50-56, por Ana Aranha

 

CADÊ A UNIVERSIDADE ANUNCIADA AQUI?

 

O governo anunciou a maior expansão das universidades federais da história. Mas os novos cursos estão funcionando com laboratórios sem equipamento, em lugares improvisados e com professores voluntários. Como a falta de planejamento aliada à pressa eleitoral em expandir o ensino superior está prejudicando a formação de milhares de alunos.

 

O governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi o que mais expandiu o acesso às universidades federais na história do país. Em oito anos, foram anunciadas 14 universidades e 125 campi novos. Juscelino Kubitschek foi o único presidente a se aproximar dessa marca, com 11 universidades em cinco anos. Lula ampliou também o alcance das unidades já existentes no mais ambicioso programa de crescimento do setor: criou mais de 80 mil vagas, 70% de aumento em relação a 2003. Lula foi pessoalmente lançar e inaugurar grande parte dessas universidades, ocasiões em que se vangloriava sobre como o presidente sem diploma foi o que mais trabalhou pelo ensino superior. “De todos os presidentes que o Brasil teve, uma parte foi advogado, outra foi professor. Eu, torneiro mecânico, já sou o presidente que mais fiz universidades”, disse na inauguração da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri, em Minas Gerais. Os números e as imagens foram largamente propagandeados na campanha eleitoral da presidenta Dilma Rousseff, em 2010. Foram citados também no último pronunciamento à nação, quando Lula se despediu em cadeia nacional no rádio e na TV com um discurso de balanço do governo. Nem Dilma nem Lula, porém, revelaram como as universidades conseguiram operar o milagre da multiplicação.

Em um giro rápido pelas novas universidades, não é difícil decifrar a equação. A expansão foi feita na base do improviso. Como a construção de prédios levaria anos, as novas universidades tiveram de recorrer a uma espécie de “puxadinho” para receber as turmas novas. No litoral do Rio de

Janeiro, alunos assistem a aulas em contêineres. No Pará, 1.200 alunos vão estudar no espaço de eventos de um hotel. Algumas universidades recorreram às prefeituras, que “cederam” suas escolas municipais – em uma operação que vira de ponta-cabeça as prioridades do ensino público no país. A solução mais comum foi alugar espaços privados, como prédios comerciais, colégios e faculdades.

A improvisação se transformou na regra das novas universidades porque o motor da expansão parece ter seguido mais o ritmo da política que o da educação. Das 88 mil vagas criadas ao longo dos oito anos de governo, 46 mil foram abertas em 2009 – um ano antes das eleições presidenciais. Mas das 14 novas universidades anunciadas na campanha eleitoral, apenas quatro são realmente novas. As outras dez eram polos de universidades já existentes que ganharam reitoria própria.

O caso que mais chama a atenção é do campus da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) de Osasco, região metropolitana de São Paulo. Em abril de 2008, Lula foi à cidade para lançar a pedra fundamental do campus. No terreno de mais de 200.000 metros quadrados, plantou uma muda de jequitibá. A comitiva reunia, entre outros, o ministro da Educação, Fernando Haddad, o prefeito de Osasco, Emídio de Souza, a então pré-candidata à prefeitura de São Paulo, Marta Suplicy, e o então governador de São Paulo, José Serra. Em seu discurso, Lula fez questão de se referir à presença do deputado federal João Paulo Cunha (PT-SP), um dos réus do processo do mensalão. “Se não fosse ele, essa universidade não sairia. Toda semana ele infernizava a vida do Fernando Haddad”, disse Lula.

Quase três anos depois, o terreno está abandonado. A placa que anunciava as instalações está caída no mato, ao lado de um local que virou despejo de lixo. Não há sinais da muda de jequitibá. Mesmo assim, a federal de Osasco foi motivo de propaganda na eleição. De fato, as aulas vão começar em março, mas serão ministradas no prédio de uma faculdade municipal que foi desalojada pela prefeitura, a Fac-Fito, para dar espaço para a federal. Para abrigar os novos estudantes, os alunos da municipal foram transferidos para salas construídas no fundo do terreno. “É um absurdo. Eles vão tirar alunos de seu espaço sendo que a Unifesp tem um terreno há três anos para seu campus”, diz a professora Márcia Massaini, professora da faculdade municipal, demitida depois de organizar protesto contra a remoção. Dos quatro cursos que a Unifesp vai oferecer em Osasco, três já são oferecidos pela Fac-Fito.

O reitor da Unifesp, Walter Albertoni, diz que o terreno comprado pelo MEC, no qual já foram gastos R$ 15 milhões como pagamento das primeiras parcelas, não foi nem será usado nos próximos anos. Segundo ele, a decisão é não iniciar nenhuma obra enquanto não terminar os outros campi, que estão atrasados. Ele é claro em relação às motivações para a criação da unidade: “A abertura do campus de Osasco tem origem em uma demanda política”, afirma. “A decisão surgiu de um entendimento do prefeito de Osasco com o então presidente da República e o ministro da Educação.”

O projeto de expansão das federais começou em 2005 e ganhou músculo em 2007, com o programa para a Reestruturação e Expansão das Universidades Federais (Reuni). Com o programa, ficou determinado que apenas as universidades que apresentassem um plano de expansão ao Ministério da Educação teriam mais verbas para investimento. Entre o primeiro e o último ano do governo Lula, os investimentos em ensino superior foram de R$ 10 bilhões para R$ 17 bilhões. “Ou você estava dentro ou estava fora. Quem ia perder uma oportunidade dessa?”, diz o vice-reitor da Universidade Federal do Espírito Santo, Reinaldo Centoducatte. Na criação do Reuni, todas as federais aderiram. A exceção foi a Universidade Federal do ABC, criada em São Bernardo do Campo, cidade de Lula, que tem plano de investimento próprio.

Uma das orientações do Reuni é tornar mais eficaz a aplicação dos recursos do ensino superior. O Brasil, hoje, é um dos países que mais gastam por aluno do ensino superior e um dos que menos gastam por aluno da educação básica – uma equação que precisa ser mudada. Para diminuir os s custos do ensino superior, o ministério determinou que a relação de alunos por professor nas universidades deve crescer. Hoje, a média é de um professor para cada 11 alunos. A meta é que todas as universidades cheguem a 18 alunos por professor. Enquanto aumentam a carga de trabalho dos professores, porém, as universidades têm passe livre para gastar no aluguel e na adaptação de espaços provisórios, que serão devolvidos a seus proprietários.

Há dois anos, a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) abriu um campus na cidade de Joinville antes de ter a licença para construir em um terreno cedido pela prefeitura e pelo governo do Estado. As aulas começaram em auditórios alugados na Univille, uma faculdade municipal. Com a entrada da terceira turma, neste ano, o espaço não será mais suficiente. Por isso, a UFSC alugou um terreno dentro da faculdade onde vai construir um pavilhão de 1.000 metros quadrados com salas de aula, auditório e laboratórios. Segundo Acires Dias, diretor do campus de Joinville, o pavilhão será feito de aço para que possa ser removido. O campus vai ficar no local alugado no mínimo mais dois anos.

Os espaços provisórios prejudicam especialmente as turmas que precisam de laboratórios. Em Santos, cidade do Litoral Sul de São Paulo, a Unifesp teve de fazer uma reforma na rede elétrica de um dos prédios alugados, pois não atendia às exigências para a instalação de equipamentos. Os cursos existem desde 2005, mas a reforma só ficou pronta em janeiro. “Ao longo destes anos, ganhamos verba para projetos, mas não conseguimos instalar os equipamentos”, afirma Odair Aguiar Junior, professor da Unifesp em Santos. “Parte deles ficou dentro das caixas.” Segundo o reitor da Unifesp, Walter Albertoni, com a conclusão da reforma do prédio provisório, os equipamentos poderão ser instalados. Mas, em junho deste ano, o campus definitivo da Unifesp em Santos deverá ficar pronto. O que siginifica que os investimentos para adaptação do prédio alugado só servirão por alguns meses.

Problemas de laboratório não são exclusivos de universidades que estão em espaços alugados. No novo campus da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), em São Matheus, os estudantes de farmácia não têm laboratório de farmacologia nem farmácia-escola. Eliana Dias dos Santos, aluna do 4o ano, foi enviada para aprender a prática em drogarias locais. “Não é uma boa escola. Em vez de aprender o procedimento correto, você já começa a conviver com práticas erradas, como vender remédio tarja preta sem prescrição.” Eliana também reclama da falta de professores. Ela está habituada com os “aulões” – quando três turmas ou mais assistem à mesma aula para “aproveitar” o professor.

Para os cursos novos, o modelo incentivado é o que começa com o ciclo básico. Nele, alunos de cursos diferentes estudam as mesmas disciplinas nos dois primeiros anos. Além de ser um modelo elogiado por educadores, reduz a necessidade de contratação de professores, já que, nos primeiros anos, as salas têm de 100 a 200 alunos. Segundo Gilma Correa Coutinho, coordenadora da terapia ocupacional da Ufes, seu curso foi aberto com apenas dois professores das disciplinas específicas. “Enquanto era possível, nós cobrimos, dando mais aulas que o previsto”, afirma. “Mas agora que os alunos saíram do ciclo básico não dá mais, porque as aulas exigem conhecimento específico, como em geriatria e pediatria.”

O aperto é tanto que algumas universidades novas chegaram a usar um recurso bastante questionável: professores voluntários. Eles assumem disciplinas sem passar por concurso e sem receber salário. No início de sua expansão, a Ufes recorreu a esse expediente. Segundo a reitoria, porém, a universidade não usa mais esse tipo de “contrato”. Na Universidade Federal do Amapá, a prática é comum. O curso de medicina, o primeiro curso superior na área do Estado, terminou o ano passado com dois professores voluntários na disciplina de anatomia. Também há casos de voluntários nos cursos de pedagogia, educação física e outros. “Ele não passa por concurso, não recebe salário e não tem obrigação com nada”, diz a professora Marinalva Oliveira, presidente do Sindicato dos Docentes, que vai acionar o Ministério Público para denunciar a situação.

O clima entre os professores da Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa), criada em Santarém, também é de insatisfação. O motivo é a decisão da universidade de criar um curso de graduação “dois em um” para formar professores de educação básica. A ideia é que os formandos do curso sejam capazes de assumir duas disciplinas na escola: matemática e física ou história e geografia. Segundo o pró-reitor de Planejamento da Ufopa, Aldo Gomes Queiroz, a união das graduações responde à urgência da educação básica na região. “Temos 6 mil professores de ensino fundamental e médio sem diploma, e eles dão aula em mais de uma disciplina.” Para o professor do ciclo básico da Ufopa Gilson Costa, o curso, porém, vai formar profissionais que s não dominam nem uma disciplina nem outra. “Sempre trabalhei com a interdisciplinaridade: você tem de ter o pé firme em uma área para dialogar com outras”, afirma Costa, cientista social e engenheiro-agrônomo com pós-graduação em economia. “Mas o que estão fazendo aqui é um Frankenstein.” Costa diz que o curso “dois em um” ganhou um apelido entre os professores: Matafísica. “Mata a matemática e a física.”

Anunciada pelo governo federal como uma das 14 novas universidades, a Ufopa foi criada a partir da fusão de um polo da Universidade Federal do Pará com a Federal Rural da Amazônia. Sem estrutura para os cursos novos, neste ano 1.200 alunos vão assistir às aulas no espaço de eventos de um hotel de Santarém. No interior do Estado, as aulas serão em escolas municipais. Esse mesmo expediente está sendo usado pela Unifesp de Guarulhos, onde alunos de 6 a 11 anos vão dividir um Centro de Educação Unificado (CEU) com universitários.

Procurado, o ministro da Educação, Fernando Haddad, não respondeu aos pedidos de entrevista. Por meio de sua assessoria, disse que os problemas são naturais de um processo que está no início. Alguns dos cursos novos, porém, já formaram turmas sem a estrutura mínima. Na Ufes, o curso de engenharia do petróleo existe há quatro anos e meio e ainda não tem laboratório. Alguns até foram construídos, mas não há equipamento. Neste ano, os primeiros formandos começam a procurar trabalho em empresas como a Petrobras, mas sem a formação necessária. Em Santos, o curso de educação física da Unifesp já formou duas turmas, mas ainda não tem um complexo esportivo próprio. Os alunos usam clubes conveniados para as atividades. “No ano passado, descobrimos que não poderíamos usar as quadras onde treinamos porque o clube vendeu a área”, diz Luana de Oliveira Cândido, aluna do curso. Ela desistiu de um projeto de iniciação científica em natação por falta de piscinas adequadas para medir o tempo e o batimento cardíaco dos nadadores.

Entre os especialistas em educação, há consenso de que a expansão das universidades públicas federais é uma necessidade. Elas são responsáveis hoje por apenas 14% do número de alunos que ingressam no ensino superior. A rede privada responde por 76%. Na média, as instituições públicas continuam a ser as de maior qualidade porque, além de dar aula, os professores fazem pesquisa. Aumentar o acesso à rede pública federal é uma forma, portanto, de atender à necessidade do país de ter um número maior de profissionais qualificados no mercado de trabalho. Mas para atender de fato a essa demanda, é preciso que essa expansão seja feita com planejamento para que a qualidade do ensino superior público seja preservada e os investimentos (caros) deem retorno.

“De nada adianta criar uma universidade por decreto e depois começar a preencher os cargos sem planejamento. Qual é a lógica desses investimentos?”, diz o cientista político Simon Schwartzman, pesquisador especializado em educação e mercado do trabalho do Instituto de Estudos do Trabalho e Sociedade. Para Schwartzman, a ampliação feita nos últimos anos, além de não ter sido planejada, reproduz alguns velhos problemas das universidades brasileiras. “O que mais vemos nas federais é a expansão das carreiras tradicionais. Não há ligação entre a ampliação e os estudos sobre demanda profissional.” Segundo Schwartzman, os cursos novos deveriam ter sido planejados de acordo com a necessidade de profissionais das regiões do país.

Por enquanto, o governo federal alardeia os números do aumento do ingresso nas universidades. As consequências da falta de planejamento podem aparecer no futuro. Uma delas está relacionada aos futuros formandos dos novos cursos: alguns com deficiência de formação, outros com especialização em áreas para as quais não há demanda no mercado de trabalho. Outro problema poderá ser a continuidade do financiamento da expansão. O Reuni prevê investimentos apenas até 2012. Depois disso, o orçamento poderá voltar a cair. “Não há mecanismo institucional de financiamento da expansão”, afirma Roberto Leher, especialista em ensino superior da Universidade Federal do Rio de Janeiro. “Se as universidades não conseguirem fazer tudo até o fim do programa, vamos ficar com estudantes novos, mas sem instalações e professores.” Para Leher, considerando quanto as obras estão atrasadas e todos os outros problemas, o país poderá ter para 2013 uma bomba-relógio armada.

– Índice de Universitários no Brasil e Mensalidades

 

Há 15 anos, minha última mensalidade na minha primeira faculdade foi de exatamente R$ 632,00. Quanto custa a sua faculdade hoje?

 

A concorrência aumentou, sobram vagas e sobram instituições, a qualidade do ensino diminuiu em muitas faculdades e a vantagem competitiva passou a ser meramente o preço.

 

Quer um índice interessante? O instituto Data Popular fez um levantamento dizendo que há 5,8 milhões de universitários. Ou seja, quase 3% da população está na faculdade. Não quer dizer que haverá 3% de formandos ao final dos cursos… Afinal, nem todos que começam um curso, terminam. E esses números são cumulativos (independem da série/ano).

 

Para um país que precisa investir em Educação, tais dados são péssimos!

 

Aqui em Jundiaí, vide o número de cursos de Administração de uma década atrás e quantos existem hoje. Tornamo-nos um polo educacional, e, de coração, espero que de alta qualidade.

 

E você, o que pensa disso? Deixe seu comentário:

 

CLASSES C E D COM AS MÃOS NO DIPLOMA

 

(extraído de isto É Dinheiro, Coluna Dinheiro na Semana, pg 16, Ed 247/11/2010)

 

Uma pesquisa realizada pelo instituto Data popular mostrou que os representantes das Classes C e D ganharam mais espaço no ensino superior brasileiro. No período de 2002 a 2009, o número de universitários subiu de 3,6 milhões para 5,8 milhões e as classes C e D passaram a representar 57,1% e 15,3%dos muniversitários, respectivamente. Confira mais dados:

 

Classe A – 7,3%

Classe B – 19%

Classe C – 57,1%

Classe D – 15,3%

Classe E – 1,2%

 

Variação do preço médio das mensalidades das universidades privadas brasileiras:

Em 1999 – R$ 532,00

Em 2009 – R$ 367,00.

– O Fator Determinante para a Boa Educação nas Escolas

Robert J. Samuelson, Colunista da Newsweek, escreveu em sua coluna mensal (reproduzida no Brasil pela Editora Globo – clique aqui para a citação) a respeito dos motivos da queda na qualidade de ensino dos EUA.

 

Talvez o motivo seja o mesmo dos estudantes brasileiros: falta motivação ao estudante! Nada em relação à formatação dos cursos acadêmicos ou à estrutura das universidades. Muito menos quanto a qualidade dos professores e seus salários (um professor que trabalhe em tempo integral pode ganhar até 100,000.00 dólares anuais – o docente lá é valorizado!). O problema é incentivar os discentes.

 

Compartilho, abaixo:

 

O FIASCO DAS REFORMAS

 

Arne Duncan, ministro da Educação, anunciou a concessão de US$ 4 bilhões em subsídios aos estados dispostos a estimular “graus elevados de excelência” na escola. Para isso, terão de apresentar propostas, segundo Duncan, que demonstrem um “compromisso ousado com a reforma da educação”, além de “criatividade e inovação surpreendentes”. Isso mostra, de fato, que poucos assuntos inspiram mais desonestidade intelectual e extravagância política do que a “reforma da educação”. Desde os anos 60, as sucessivas ondas de “reforma” jamais produziram ganhos significativos de desempenho. Não há dúvida de que houve avanços nas escolas de nível elementar. Mas de que serve isso se o ensino médio anula esse ganho? Melhorou também – pouco, é verdade – a diferença de desempenho entre brancos, negros e hispânicos no ensino médio. Infelizmente essa melhora não foi muito além do final dos anos 80. As teorias convencionais não explicam esse avanço sofrível. Será que há poucos professores? De jeito nenhum. De 1970 a 2008, a população estudantil cresceu 8%, e o número de professores, 61%. Será que os professores ganham pouco? Talvez, mas a coisa não é tão simples assim. Em 2008, um professor comum ganhava US$ 53,2 mil ao ano; dois professores em tempo integral que se casassem e recebessem dentro da média salarial da categoria estariam na faixa de 20% dos lares com maior renda do país (em 2008, esse referencial de renda era de US$ 100,2 mil).

 

A principal causa de fracasso do ensino quase nunca
é mencionada:
motivação escassa dos estudantes


As “reformas” são uma decepção por dois motivos. Primeiro: ninguém descobriu ainda que mudanças realmente fariam diferença no currículo ou na pedagogia. Em 2009, as escolas particulares arregimentaram 3% dos alunos, mas não houve ganhos uniformes de desempenho. A principal causa de fracasso do ensino quase nunca é mencionada: motivação escassa. Afinal, os alunos é que têm de estudar. Se eles não estiverem motivados, nem mesmo os melhores professores serão capazes de mudar alguma coisa. A motivação tem várias fontes: curiosidade e ambição; expectativas dos pais; o desejo de entrar em uma “boa” faculdade; professores que inspiram ou intimidam; pressão dos colegas. Boa parte das propostas de “reforma” pressupõe que se os alunos não têm motivação, a culpa, sem dúvida, é das escolas e dos professores. Na verdade, como o ensino médio tem hoje um público maior, e a cultura adolescente ganhou força, a autoridade dos professores e das escolas entrou em colapso.

A motivação é pífia porque um número maior de estudantes não gosta da escola, não estuda como deveria e por isso seu desempenho é ruim. Em um levantamento feito em 2008 entre professores do ensino médio, 21% apontaram que o absenteísmo era um problema grave entre os alunos; para 29%, o problema era a “apatia dos alunos”. Michael Kirst, pedagogo de Stanford, calcula que 30% dos calouros das faculdades tradicionais precisam de cursos de aperfeiçoamento em leitura e matemática.

 

* Robert J. Samuelson, jornalista americano, é colunista da Revista Newsweek

– De Novo, o Enem…

 

Novamente problemas num ENEM no Brasil. Agora, questões repetidas ou faltantes nos cadernos de questões.

 

Tá feia a coisa. O Ministério da Educação deve rever isso urgente, ao invés de ameaçar processar quem twitta sobre os locais da prova, como ameaçou.

– O “Rodeio das Gordas” e o sentido torto, imbecil e repugnante do ambiente acadêmico.

 

Sempre defendo que as instituições de ensino onde leciono devem incentivar o espírito e ambiente acadêmico. A integração universitária deve ser fundamental para o entrosamento e sucesso dos universitários.

 

Mas o que dizer dos idiotas que ainda insistem em praticar “trotes acadêmicos” a fim de integrar os novatos? Ou ainda o constrangedor episódio ocorrido semana passada na UNESP de Araraquara, chamado de “Rodeio das Gordas”, onde a montaria em cima de alunas obesas era a “brincadeira”?

 

Custa a crer que esses alunos serão a mente pensante da nação…

 

Faço minha as palavras de Ruth de Aquino, na Revista Época dessa semana, Coluna Nossa Antena, de 01 de novembro de 2011, pg 130. Abaixo:

 

O RODEIO DOS IMBECIS

 

Universitários que “montam” à força em colegas gordas, numa competição para ver “qual peão” fica mais tempo sobre as meninas, são o retrato cru de uma sociedade doente e sem noção. O “rodeio das gordas” aconteceu em outubro em jogos oficiais de uma universidade importante, a Unesp, em São Paulo – não em algum rincão remoto. Não envolveu capiau nem analfabeto. Foi a elite brasileira, a que chega à universidade. Estamos no século XXI e assistimos perplexos à globalização da ignorância moral.

 

Mais de 50 rapazes, da Universidade Estadual Paulista, organizaram o ataque às gordas num evento esportivo e cultural com 15 mil universitários. Uma comunidade no Orkut definiu as regras: “Todo peão deve permanecer oito segundos segurando a gorda”; “gordas bandidas são mais valiosas”; “o corpo da gorda tem de ser grande, bem grande”. Os estudantes se aproximavam das meninas como se fossem paquerá-las. Aproveitavam para agarrá-las e montar nelas, e as que mais lutavam contra a agressão eram apelidadas de “gordas bandidas”. Uma referência ao touro Bandido, personagem da novela América. “A cada coice tomado, o peão guerreiro ganha 1 ponto”, anunciava o site de relacionamento.

 

A repercussão assustou os universitários. Roberto Negrini, um dos organizadores do torneio e filho de advogada, chamou tudo de “brincadeira”, mas pediu desculpas à diretoria da Unesp e se disse arrependido. Tentou convencer a todos de que “não houve preconceito”. Sites e blogs foram invadidos por comentários indignados. Mas havia muitos homens aplaudindo “a criatividade” dos estudantes. O internauta Arnaldo César Almeida, de São Paulo, propôs transformar a competição num “esporte olímpico”. Outro, que se identificou como Alexandre, escreveu: “Me divirto vendo esses kibes (sic) humanos dando coice! Vou até instalar uma baleia mecânica para treinar”.

Quem são os pais e as mães desses rapazes? A maior responsabilidade é da família. O que fez ou onde estava quem deveria tê-los educado com valores mínimos de cortesia e respeito ao próximo? Jovens adultos que agem assim foram, de alguma maneira, ignorados por seus pais ou receberam péssimos exemplos em casa e na comunidade onde cresceram.

O “rodeio das gordas”, promovido nos jogos da Unesp, é o retrato de uma sociedade doente

Não foi uma semana edificante. Meninas adolescentes, numa escola paulista em Mogi das Cruzes, trocaram socos. A mais agredida, de 14 anos, disse: “Alguns têm dó, mas outros ficam rindo porque eu apanhei”. Em Brasília, uma estudante usou a lâmina do apontador para navalhar o rosto e o pescoço da colega. No Rio de Janeiro, uma professora foi presa por manter relações sexuais com uma aluna de 13 anos. A loura da Uniban, Geisy Arruda, posou pelada, sem o microvestido rosa-choque, mostrando que tudo acaba na busca de fama e uns trocados.

 

Está na hora de adultos pensarem com cautela se querem colocar um filho no mundo. Se querem cuidar de verdade dessa criança. Ouvir, conversar, beijar, brincar, educar, punir, amparar, dedicar um tempo real para acompanhar seu crescimento, suas dúvidas e inquietações. Descaso, assédio moral e físico contra crianças, brigas entre pai e mãe, separações litigiosas podem levar a tragédias como a que matou a menina Joanna. Submetida a maus-tratos e negligência, Joanna talvez tenha simplesmente desistido de continuar no inferno em que se transformara sua vida aos 5 anos de idade.

 

Não sou moralista. Mas a sociedade mergulhou numa disputa de baixarias. As competições escancaradas na TV aberta, sob a chancela de “entretenimento”, estimulam a humilhação pública e a indignidade humana. Comer pizza de vermes e minhocas vivas, deixar ratos e cobras passear pelo corpo de uma moça de biquíni, resistir a vômitos, como prova de determinação e bravura – isso é exatamente o quê? Expor pessoas ao ridículo, enaltecer o lixo, a escória, em canais abertos a crianças e adolescentes… não seria inaceitável numa sociedade civilizada? Diante de alguns programas televisivos, o “rodeio das gordas” pode parecer brincadeira. Mas não é.

– Universidades Corporativas crescem no Brasil

 

Vejo com bons olhos o crescimento das Universidades bancadas pelas Empresas no Brasil. Tal prática comum nos EUA (em destaque, a universidade Kellog’s – a mesma do “Sucrilhos”), agora se torna mais comum em nosso país.

 

A idéia é de que as grandes empresas criem cursos de graduação voltados para as suas próprias necessidades, bancando o ensino para seus funcionários. A idéia ganhou fôlego com a Motorola e a popularização da prática do Six Sigma.

 

Aqui, destacam-se a Universidade Petrobrás (RJ), Motorola University (Jaguariúna-SP) e Isvor-Fiat (Betim-MG).

 

Abaixo, extraído de:

http://www.istoedinheiro.com.br/noticias/37590_UNIVERSIDADES+SA

 

UNIVERSIDADE S.A.

 

Por Letícia Morelli

 

Grandes empresas já têm seus próprios campi e resolvem internamente um problema crônico da sociedade brasileira: a escassez de mão de obra qualificada

 

Nos próximos quatro anos, a Petrobras investirá US$ 224 bilhões no pré-sal. No balanço da companhia, há outro investimento, que representa pouco mais de 0,1% do volume destinado ao pré-sal, mas que é estratégico. São os US$ 290 milhões aplicados pela Petrobras na sua universidade corporativa. Foi a forma encontrada pela estatal para treinar equipes num país que forma poucos engenheiros e onde há um déficit crônico de mão de obra especializada. 

“Somos parceiros de instituições acadêmicas, mas preferimos oferecer os cursos internamente porque necessitamos de agilidade e temos de aprimorar um grande número de pessoas”, disse à DINHEIRO Ricardo Salomão, gerente-geral da Universidade Petrobras.

Todos os dias, 2,5 mil executivos passam pelo campus da companhia, no Rio de Janeiro, que compreende três unidades: a Escola de Ciências e Tecnologias, voltada para exploração e produção, a Escola de Gestão e Negócios, que desenvolve lideranças, e a Escola Técnica, que oferece aos empregados uma formação específica para cada atividade.

 

“Todos os funcionários da Petrobras são incluídos nos treinamentos e podem participar de cursos de formação até doutorado”, diz Salomão. No mundo, existem cerca de quatro mil universidades corporativas, que formam quatro milhões de profissionais por ano. 

 

A empresa pioneira foi a americana General Electric, que criou sua instituição de ensino em 1956, na cidade de Crotonview. Mas a onda começou a pegar em 1986, quando Bill Smith, um engenheiro sênior da Motorola, criou um método detectar defeitos nos processos de fabricação ao qual deu o nome de Six Sigma. 

 

O método se expandiu por diversas empresas e é a base dos treinamentos ministrados nos campi da Motorola University no mundo. No Brasil desde 1997, ela está no campus industrial e tecnológico da empresa, em Jaguariúna, no interior de São Paulo. 

 

Cada funcionário da empresa recebe uma cartela de cursos obrigatórios e recomendados, de diferentes níveis de complexidade, que envolvem, por exemplo, lições de ética, técnicas de produção e práticas de liderança. 

A cada etapa concluída, recebe-se uma certificação. “O nível mais desejado pelos profissionais da área técnica é o chamado cinturão verde, o green belt”, explica Helena Costa, coordenadora da Motorola University no Brasil. “Um profissional com este título é muito bem reconhecido no mercado de trabalho.” 

 

Segundo a Associação Brasileira de Educação Corporativa, 300 organizações atuantes no País, tanto na esfera pública quanto privada, já implantaram e estão operando sistemas de educação corporativa. 

 

A Faculdade de Economia e Administração da USP revelou que a média de investimentos empresariais em educação corporativa gira em torno de R$ 11 milhões. Tais recursos visam compensar as deficiências do mercado de trabalho. 

 

Muito além dos centros de treinamento, o conceito de universidade corporativa ultrapassa o quadrado da sala de aula e aplica o saber em situações reais de trabalho, solucionando problemas e melhorando performances. 

 

É o que acontece, por exemplo, na Fiat, onde executivos são treinados até a resolver problemas típicos de automóveis, como qualquer mecânico ou motorista. Por ser o maior mercado da Fiat no mundo depois da Itália, o Brasil tem um braço do Isvor, o Istituto per lo Sviluppo Organizzativo, que em português seria Instituto para o Desenvolvimento Organizacional. 

 

“Minas Gerais está em fase de empregabilidade total. As grandes universidades não suprem as demandas do mercado de trabalho, faltam engenheiros e nisso a universidade corporativa entra com a criação de cursos não formais”, diz Márcia Lucia Naves, superintendente do Isvor. 

Funcionando como uma empresa, com CNPJ próprio, a entidade movimenta R$ 20 milhões anualmente, provendo treinamentos e consultorias para empresas de diversos segmentos, não concorrentes do seu cliente majoritário: o grupo Fiat. 

 

Os métodos aplicados são os mais variados: há cursos presenciais, em salas de aula e oficinas, até módulos de ensino a distância disponíveis para plataformas virtuais. É o que faz Marcus Vinicius Aguiar, gerente de normas ténicas da montadora. “Nem sempre é possível conciliar a minha agenda com a dos cursos e por isso essa modalidade a distância é a ideal”, diz ele. 

 

Com perfil semelhante, a Uni Algar, universidade corporativa do Grupo Algar, de Uberlândia (MG), que atua nos setores de tecnologia da informação, telecomunicações, agronegócioe turismo, investe R$ 8,5 milhões ao ano no aprimoramento profissional de seus 18 mil funcionários. “Sempre tivemos foco grande em educação, porque o nosso principal ativo é o capital humano”, diz Elizabeth Oliveira, diretora da Uni Algar.

 

Programas de negociação, planejamento estratégico, técnica de apresentação e até as novas regras ortográficas são ensinadas na instituição. Os treinamentos também melhoram a qualidade de serviços essenciais da companhia. 

 

“No telemarketing, foi possível notar um retorno de R$ 800 mil sobre um investimento de R$ 500 mil, avaliando apenas o nível de reclamações que não tivemos”,diz Elizabeth. Segundo ela, há no grupo casos de atendentes de telemarketing que se transformaram em altos executivos, graças ao esforço pessoal. 

 

A Bematech, líder no segmento de automação para o comércio, também conta com um sistema de educação corporativa, com matriz em Curitiba (PR). “Gestão de conhecimento é vantagem competitiva”, defende Roger Castagno Júnior, gerente da companhia. No entanto, a maioria dos cursos ainda não é reconhecida pelo Ministério da Educação. 

 

“De todo modo, o certificado corporativo já abre oportunidades no mercado”, afirma Gerson Correa, consultor da Talent Solution. “Embora as empresas valorizem mais a competência do que o diploma, a educação corporativa complementa a formação tradicional”, avalia Marisa Eboli, mestre do departamento de economia da USP e autora do livro Educação corporativa no Brasil – mitos e verdades.

– Os malefícios da Geração “Nem-Nem”

 

Você já ouviu falar sobre a geração “nem-nem”?

 

Tal termo deriva do espanhol ni-ni, que quer dizer “nem estudam e nem trabalham”. Quase ¼ dos jovens entre 18 e 20 anos estão nessa situação (segundo a Pesquisa Nacional por Amostras de Domicílio (PNAD – levantamento do pesquisador Naercio Menezes Filho, do Centro de Políticas Públicas do Insper).

 

Quais seriam os efeitos disso para o Brasil? Graves, certamente. Antes, quem não podia estudar trabalhava. E agora, qual a causa desta abstenção?

 

O que fazer com ¼ de uma geração jovem-adulta que nem trabalha e nem estuda? O que esperar dela?

 

Talvez a eleição de Tiririca explique isso… JÁ estaríamos sentindo os efeitos disso?

 

E você, o que acha sobre esse assunto: os jovens que não trabalham e nem estudam fazem isso por quais motivos?

 

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– As Faculdades mais Influentes do Mundo

 

A Times Higher Education publicou o ranking das universidades mais influentes do mundo, ed 2010/2011.

 

Abaixo, a lista, extraída de PORTAL EXAME (clique acima para citação):

 

(Ops: a melhor brasileira é a USP, em 232º Lugar)

 

AS UNIVERSIDADES MAIS INFLUENTES DO MUNDO

 

São Paulo – A revista Times Higher Education (THE), em parceria com o grupo de mîdia Thomson Reuters, publicou este mês o ranking de melhores universidades do mundo de 2010-11.

Foram ouvidos 13.388 acadêmicos pelo planeta. Treze  indicadores de desempenho foram divididos em 5 grandes categorias: ensino (o ambiente de aprendizagem, valendo 30% da nota), o impacto das citações (ou a medida da influência das pesquisas do instituto, valendo 32,5% da nota), pesquisa (quantidade, renda e prestígio, valendo 30% da nota), influência internacional (do corpo docente e discente, valendo 5%) e rendimento industrial (um medidor da transferência do conhecimento, valendo 2,5%).


Os Estados Unidos ficaram na frente do ranking de melhores universidades: 15 das 20 melhores instituições do planeta são americanas. Segundo Ann Mroz, editora da THE, o motivo é o maior investimento que o país dá à educação, em comparação com os outros (3,1% de seu Produto Interno Bruto, comparado com 1,5%  médio do mundo).


A primeira universidade brasileira a aparecer no ranking é a USP, em 232º posição. A THE considera que as colocações de 200 a 400 são uma “posição indicativa”, pois há apenas pequenas diferenças entre as pontuações.

 

Para a citação do original e continuidade do texto, clique AQUI

– Brasil possui Mais da Metade das Faculdades de Direito do Mundo!

No mundo, existem 2.340 faculdades de Direito. No Brasil, um número assustador: possuímos 1240 instituições de ensino, mais do que a metade do resto do mundo!

 

Extraído de Marina Diana, Leis e negócios, no Portal IG (clique aqui para citação)

 

BRASIL , SOZINHO, TEM MAIS FACULDADES DE DIREITO DO QUE O RESTO DO MUNDO

 

O Brasil tem mais faculdades de Direito do que todos os países no mundo, juntos. Existem 1.240 cursos para a formação de advogados em território nacional enquanto no resto do planeta a soma chega a 1.100 universidades. Os números foram informados por Jefferson Kravchychyn, do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

 

“Temos 1.240 faculdades de direito. No restante do mundo, incluindo China, Estados Unidos, Europa e África, temos 1.100 cursos, segundo os últimos dados que tivemos acesso”, disse o conselheiro do CNJ.

Segundo ele, sem o exame de ordem, prova obrigatória para o ingresso no mercado jurídico, o número de advogados no País –que está próximo dos 800 mil— seria muito maior.

 

“Se não tivéssemos a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) teríamos um número maior de advogados do que todo o mundo. Temos um estoque de mais de 3 milhões de bacharéis que não estão inscritos na ordem”, afirmou Kravchychyn.

 

Má qualidade


Na opinião do conselheiro do CNJ, as faculdades de Direito no Brasil deixam a desejar. “Temos mais de 4 milhões de estudantes que estudam em faculdades que não ensinam mediação, arbitragem, conciliação. Ou seja, temos um espírito litigioso. Tudo eu quero litigar [discutir]. Isso é da formação da própria faculdade”, comentou o conselheiro, que citou, ainda, o perfil do brasileiro que entra com ações na Justiça.

 

“Não quero criticar o advogado, mesmo porque sou um. Mas precisamos mudar a consciência social sobre brigas no judiciário. Como todo mundo tem um advogado ou bacharel em direito na família, ou conhecido, qualquer coisa é motivo para entrar na Justiça”, finalizou.

– Professores em Fúria por Alunos e Crise Histérica Latente

Se você é professor, responda: Já teve vontade de…

– morder a própria boca até sangrar?

– arrancou os próprios cílios?

– teve ataque de fúria?

– Chorou durante alguma aula?

Mantenha a calma. Pesquisa revela que 20% dos professores sofrem de histeria e 92 docentes são afastados por dia por crises emocionais!

Extraído de: http://www1.folha.uol.com.br/saber/812928-sp-da-92-licencas-por-dia-para-docente-com-problema-emocional.shtml

SP DÁ 92 LICENÇAS POR DIA PARA PROFESSORES COM PROBLEMAS EMOCIONAIS

Leonor, 58, professora do 3º ano do fundamental, passou a ter crises nervosas durante as aulas. Várias vezes gritou com os alunos e chorou em plena sala. Ficava tão nervosa que arrancava os cílios com as próprias mãos e mordia a boca até sangrar.

Ela procurou ajuda médica e hoje está de licença. Casos como o dela são comuns entre professores.

Recentemente, dois docentes viraram notícia por ataques de fúria na sala de aula: um, de Caraguatatuba (litoral de SP), gritou e xingou alunos e danificou cadeiras da escola. Outro, do Espírito Santo, jogou um notebook durante um debate com estudantes de jornalismo.

Relatos de professores à Folha mostram que a bagunça da sala, somada às vezes a problemas pessoais, leva a reações como batidas de apagadores, gritos, xingamentos e até violência física. Atos que acabam afastando muitos docentes das aulas.

Só na rede estadual de SP, com 220 mil professores, foram dadas, de janeiro a julho, em média 92 licenças por dia a docentes com problemas emocionais. No período, foram 19.500 -o equivalente a 70% do concedido em todo o ano de 2009 por esses motivos, diz a Secretaria de Gestão Pública de SP.

O dado não corresponde ao número exato de professores, pois um mesmo docente pode ter renovado a licença durante este período.

“Batia com força o apagador nos armários. Tive muitas crises de choro durante as aulas, gritei com alunos”, diz a professora Eliane, 64.

Ela está afastada por causa do estresse. “Eu não quero mais voltar para a sala de aula. Parecia que eu estava carregando uma bola daquelas de presidiário nos pés.”

Daniela, 40, também não quer mais voltar. Ela tirou uma licença de 90 dias depois de “explodir” na sala de aula e gritar com os alunos. Foi socorrida por colegas.
Docente do 3º ano do fundamental (alunos com oito anos), diz ter sido ameaçada e agredida pelos estudantes.

As entrevistadas tiveram os nomes trocados.

Casos de “explosão” como esses podem ser sintomas de um distúrbio chamado histeria, segundo Wanderley Codo, do laboratório de psicologia do trabalho da Unb (Universidade de Brasília).

Desde 2000, o professor desenvolve pesquisas com professores e funcionários da área de educação e constatou que 20% dos professores sofrem de histeria.

“O trabalho do professor é um trabalho de cuidado, que exige a necessidade de um vínculo afetivo. Mas um professor que tem 400 alunos não tem como estabelecer esse tipo de vínculo.”

– Novos Critérios para Universidades e Faculdades

Atenção instituições de ensino superior: o MEC está mudando os critérios para classificação de Universidades, Centros Universitários e Faculdades. Em particular, uma certa quantidade de mestres e doutores em seus quadros. No caso de Universidades, terão que ter obrigatoriamente 4 cursos de Mestrado e 2 de Doutorados (todos já reconhecidos).

 

Extraído de OESP (clique acima para citação)

 

MEC TORNA MAIS RÍGIDAS AS REGRAS PARA UNIVERSIDADES

 

Por Luciana Alvarez, Fábio Mazzitelli

 

O ministro da Educação, Fernando Haddad, homologa hoje uma resolução do Conselho Nacional de Educação (CNE) que estabelece regras mais rígidas para que instituições de ensino superior tenham o status de universidade. Passam a ser exigidos pelo menos dois programas de doutorado e quatro de mestrado. As atuais universidades terão até 2016 para se adaptar – atualmente quase a metade delas não conta com esse requisito mínimo.

 

Segundo levantamento feito pelo Estado com base em dados da Coordenação de Aperfeiçoamento Pessoal de Nível Superior (Capes), das 187 universidades federais e particulares do País, 91 não têm os programas de pós-graduação exigidos pela nova norma.

Delas, 12 são federais; as demais são instituições particulares.

 

A resolução não vale para entidades estaduais e municipais, que seguem leis específicas, mas representantes de universidades federais também contestam a validade da medida (mais informações nesta página).

 

São Paulo é o Estado com o maior número de universidades sem o novo nível mínimo obrigatório de pesquisa. São 24, todas particulares. No Sudeste, 43 das 80 universidades terão de se adaptar para não perder o título.

 

O Centro-Oeste é a região com situação mais confortável. Tem 14 universidades e apenas 4 delas ainda não têm os 2 doutorados e 4 mestrados. No Norte, o Amapá tem apenas uma universidade, a Universidade Federal do Amapá (Unifap), e ela ainda não atende a essa nova exigência, pois oferece apenas um curso de doutorado.

 

O ‘rebaixamento’ para centros universitários ou faculdades tira da instituição parte de sua autonomia. ‘Nos anos 1980 e 1990, muita instituição virou universidade só em busca da autonomia, sem dar contrapartida em extensão e pesquisa. Dentro desse novo instrumento, muitas terão dificuldade de sobreviver como universidade’, acredita o reitor da Universidade Nove de Julho (Uninove), Eduardo Storopoli, que classifica a medida do MEC como um ‘avanço na avaliação do ensino superior’. ‘Uma universidade que está mal avaliada desde os anos 1990 pode cair até para faculdade’, diz.

 

Muitas instituições de ensino particular, porém, não concordam com as novas regras e chegaram a entrar com recurso, que foi rejeitado pelo CNE. Roberto Covac, representante legal do Fórum das Entidades Representativas do Ensino Superior Particular, que reúne faculdades, centros universitários e universidades, diz que o grupo argumentou que faltou diálogo com o setor. ‘Outro problema é que a regra é única para um País muito grande, com realidades muito diferentes’, afirmou.

 

‘Sem dúvida é uma conquista, amplamente discutida com a sociedade’, diz Paulo Speller, presidente da Câmara de Educação Superior do CNE. ‘Temos um bom prazo para as universidades se adaptarem. Não acredito que teremos problema com descredenciamentos.’

 

Exigência

 

A norma prevê um prazo de seis anos, até 2016, para que as universidades existentes se adaptem. Em 2013, será necessário comprovar oferta de três cursos de mestrado e um de doutorado.

 

DIFERENÇAS

 

Faculdade

 

Instituto de ensino superior que precisa de aprovação do MEC para ampliar vagas ou cursos; seus diplomas têm de ser registrados por uma universidade.

 

Centro Universitário

 

Pode criar novos cursos e vagas sem pedir aprovação do MEC, mas não novas sedes. Não precisa realizar pesquisa.

 

Universidade

 

Instituição com autonomia para criar novos cursos, sedes, alterar número de vagas, expedir diplomas. Tem de oferecer ensino, pesquisa e extensão.

 

Novas obrigações

Para manter ou conseguir status de universidade, a instituição vai precisar ter, no mínimo, um terço do corpo docente de mestres ou doutores e um terço dos professores em regime de tempo integral; 60% dos cursos de graduação reconhecidos pelo MEC ou em processo de reconhecimento; oferta regular de quatro mestrados e dois doutorados reconhecidos pelo MEC.

– Laurentino Gomes é o cara!

1808, 1822 e 1889: o que essas datas significam para você?

 

Para um bom estudante e para qualquer cidadão atento, são 3 datas históricas cuja resposta é imediata: a da Família Real no Brasil, Independência do País e Proclamação da República, respectivamente.

 

Tais temas são, muitas vezes, contados folcloricamente ou até mesmo marginalizados. De pronto, poucos lembram o significado para a História do Brasil destas datas. E aí temos o escritor Laurentino Gomes: de maneira didática e romancista, escreveu 2 livros sobre as primeiras datas (ambos sucesso de vendas), e se prepara para o seu terceiro (1889).

 

Este post não é promocional, mas um chamamento à boa literatura: entretenimento e ensino somados em best-sellers. Só nos resta ler e louvar sua brilhante forma de retratar os acontecimentos marcantes do país. E aguardar, quem sabe, um próximo livro. Qual data a ser retratada você sugeriria?

– Universidades Brasileiras têm preconceito com Pós Multidisciplinar

Leio uma interessante matéria do mundo acadêmico/científico que nos leva ao seguinte questionamento:  até onde vale a pena investir em muitas áreas de conhecimento nos estudos?

Abaixo, reportagem de Luciano Grütenr Buratto e Sabine Righetti (Folha de São Paulo, Caderno ciência, pg A15, Ed 14/09/2010) fala sobre o crescimento dos Mestrados e Doutorados Multidisciplinares, e a resistência na aceitação desses mesmos cursos por universidades na contratação de docentes.

 

EDITAIS IGNORAM PÓS MULTIDISCLINAR

 

Pesquisadores com formação em múltiplas áreas sofrem para conseguir espaço em universidades brasileiras. Apesar de incentivo do governo para mestrado e doutorado desse tipo, instituições exigem o diploma “tradicional”

 

O advogado Evandro Sathler, mestre em ciências sociais e jurídicas e doutor em geografia, viu-se em uma sinuca de bico quando quis prestar concurso para professor em universidade pública.

“Não me qualifico nos editais para docente de direito porque meu doutorado é em ciência sociais, nem nos de geografia porque meu bacharelado é em direito”, diz.

O caso de Sathler ilustra um problema emergente: o descompasso entre a presença cada vez maior de profissionais multidisciplinares e sua inserção nas universidades, ainda estruturadas em “caixinhas” -departamentos organizados em torno de uma área do conhecimento.

 

EXPLOSÃO

 

O número de programas de mestrado multidisciplinares, como sociologia ambiental, engenharia biomédica ou política científica e tecnológica, subiu de 26 em 1998 para 117 em 2008, segundo dados da Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior).

Os programas de doutorado desse tipo cresceram de quatro para dez no período.

Segundo Maria Paula Dallari Bucci, secretária de educação superior do MEC (Ministério da Educação), a formação na graduação não deve limitar a escolha de candidatos em concursos.

Apesar disso, o publicitário Eduardo Nogueira, com mestrado em administração e experiência em marketing há mais de 15 anos, acabou nem tentando um concurso na UFJF (Universidade Federal de Juiz de Fora).

Isso porque publicidade não estava na lista de cursos de graduação requeridos para inscrição à vaga.

O posto era para tutor de uma disciplina de marketing do curso de administração de empresas. O edital da federal, no entanto, exigia graduação em administração, economia, ciências contábeis e engenharia de produção, mas não publicidade.

“Minha experiência em marketing em instituições privadas e no mercado não me qualifica a dar aula em universidade pública?”, diz.

A secretária do MEC ressalta que, segundo o artigo 69 do decreto 5773/06, candidatos a professor não precisam ter inscrição em órgão de regulamentação profissional, “salvo nos casos em que as atividades docente e profissional se confundem”.

Assim, um candidato a professor de administração não precisa ter registro em conselhos regionais de administração para concorrer.

 

CORPORATIVO

 

Apesar disso, algumas instituições seguem critérios corporativos na elaboração de editais de concursos.

“Na psicologia, a maioria dos concursos para professor exige que o candidato seja psicólogo”, diz Neuza Maria de Fátima Guareschi, professora da PUC-RS e presidente da Anpepp (Associação Nacional de Pesquisa e Pós-graduação em Psicologia).

Para Guareschi, mesmo que o edital seja para vaga de estatística ou psicologia cognitiva -que não envolvem a parte clínica ou testes psicológicos- muitas universidades ainda exigem formação de graduação em psicologia.

“O candidato precisa ser psicólogo para ocupar vagas para cursos na área clínica ou de testes psicológicos. Mas em muitos outros casos ele não precisaria ter graduação na área”, analisa.

– MEC investiga faculdades que burlam o Fies!

A linha de crédito para financiamento estudantil do Governo (Fies) tem sido muito utilizada em nosso país. Algumas instituições até usam o credenciamento no programa como um diferencial para conquistar novos alunos. Entretanto, uma matéria importante da Folha de São Paulo levanta uma grande preocupação: Algumas instituições estariam burlando o sistema? Dentre elas, o jornal cita Unip e Uninove!

 

Abaixo, extraído de: Folha de São Paulo, Caderno Saber, Ed 07/08/2010, Pg 1.

 

MEC INVESTIGA UNIVERSIDADES PARTICULARES DE AUMENTAR DÍVIDAS DE ALUNOS

 

O Ministério da Educação abriu processos para investigar se 11 universidades privadas cometeram irregularidades na cobrança de mensalidades de alunos do Fies (fundo federal de financiamento estudantil). Há suspeita que os valores cobrados estavam acima do regular, informa a reportagem de Fábio Takahashi, publicada na Folha (disponível para assinantes do jornal e do UOL).

Entre as instituições citadas estão a Unip e a Uninove, duas das maiores do país. Ambas afirmam que a pasta ainda não enviou os detalhes dos procedimentos.

Os processos foram abertos após o MEC receber denúncias de que as instituições não concederam aos bolsistas do Fies descontos dados aos demais. A lei exige que os valores devam ser os mesmos aos dois grupos.

Um dos principais abatimentos concedidos é o referente ao pagamento da mensalidade no dia correto, que normalmente resulta em descontos entre 5% e 10%.

Se a dedução não é aplicada, o estudante paga um valor acima tanto da mensalidade (referente ao valor não financiado pelo Fies) quanto do saldo devedor (a ser pago ao Fies após a formatura). Já a universidade recebe recursos acima do previsto.

Segundo o MEC, a maior parte dos processos administrativos refere-se a denúncias recebidas em 2008 e 2009. As universidades têm dez dias para se manifestarem.

“O procedimento é aberto quando a instituição não deu esclarecimentos suficientes”, afirma a diretora do MEC responsável pela área, Simone Horta Andrade.

Os 11 procedimentos foram publicados nesta semana. Os da Unip e da Uninove ocorreram ontem. A pasta deverá abrir outros.

– Cresce o Número de Professores sem Diploma no Brasil

Sem muito o que comentar. Como um país pode investir em Educação se não investe nos seus professores?

 

Extraído de: http://www.estadao.com.br/noticias/geral,cresce-total-de-professor-sem-diploma-no-ensino-basico,580488,0.htm

 

CRESCE TOTAL DE PROFESSORES SEM DIPLOMA NO ENSINO BÁSICO

 

O número de professores que lecionam no ensino básico sem diploma de curso superior aumentou entre 2007 e 2009, segundo o Censo Escolar do Ministério da Educação. Atualmente, os professores sem curso superior somam 636 mil nos ensinos infantil, fundamental e médio – o que representa 32% do total. Em 2007, eram 594 mil.

O crescimento vai na contramão das políticas públicas adotadas nos últimos anos para melhorar a formação dos docentes no País. Pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB), de 1996, o Brasil deveria ter todos os seus professores de ensino fundamental e médio com curso superior – projeto de lei atualmente em tramitação no Congresso Nacional prorroga esse prazo por mais seis anos e estende a obrigatoriedade também para o ensino infantil.

A Bahia é o Estado com o maior número de professores que lecionam sem diploma: eles eram 101 mil em 2009, dois terços do total. Mas mesmo em São Paulo ainda há 2.025 docentes sem diploma atuando no ensino médio – teoricamente, a etapa do ensino com mais conhecimentos específicos, como matemática e física, que mais exige uma formação superior.

Para o governo federal, o principal motivo de os índices de professores com formação superior não terem crescido, apesar dos investimentos públicos na formação, está no grande contingente sem diploma na educação infantil, etapa do ensino cuja oferta teve maior aumento no País nos últimos oito anos. O curso superior não é obrigatório no ensino infantil, mas o Plano Nacional de Educação (PNE), de 2001, tinha como meta que 70% dos professores dessa etapa conseguissem o diploma no prazo de dez anos.

O governo federal, em parceria com Estados e universidades, tem um programa de ensino a distância para professores, além de créditos e bolsas para os docentes que entram na faculdade. Atualmente, a maior aposta do governo federal está no Plano Nacional de Formação dos Professores da Educação Básica. A intenção é formar, nos próximos cinco anos, 330 mil professores que atuam na educação básica e ainda não são graduados. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

– Abril Compra o Anglo!

O Grupo Abril (o mesmo da Editora Abril) comprou o Anglo! Forma-se uma nova rede de ensino…

 

Extraído de: http://economia.estadao.com.br/noticias/not_27129.htm

 

ABRIL COMPRA ANGLO E SE TORNA A SEGUNDA MAIOR EM EDUCAÇÃO

 

SÃO PAULO – Depois de uma disputa acirrada, o Grupo Abril anunciou ontem a compra do Anglo – rede de educação especializada em cursos preparatórios para o vestibular -, tornando-se a segunda maior empresa do setor no País, à frente do Objetivo e atrás apenas da Positivo. O grupo criado a partir dessa aquisição deve faturar este ano cerca de R$ 500 milhões. O valor do negócio não foi divulgado. Único sistema de ensino de grande porte que permanecia sendo controlado integralmente pela família fundadora, o Anglo estava à venda havia dois anos. ?Não porque a empresa passasse por dificuldades, mas porque, com a consolidação do setor, o Anglo só conseguiria crescer se unindo a um grande player?, explica Ryon Braga, da Hoper Consultoria, especializada em educação.

Além do Grupo Abril, por meio da empresa Abril Educação, o Anglo foi disputado por pelo menos outros dois grupos. A britânica Pearson, empresa do segmento editorial e de informação digital, que controla o jornal Financial Times, chegou a fazer uma proposta. Há uma semana, uma reportagem do próprio jornal dizia que a rede brasileira estava sendo avaliada em R$ 600 milhões. Além do Anglo, o Pearson também teria tentado comprar o Sistema Educacional Brasileiro (SEB), que controla escolas, oferece sistemas de educação e tem valor de mercado de R$ 715 milhões. A editora espanhola Santillana, com planos de expansão na América Latina, também estava entre os interessados no Anglo.

O negócio anunciado ontem envolve o Anglo Sistema de Ensino, o Anglo Vestibulares e a SIGA, com cursos preparatórios para concursos públicos. O grupo conta com unidades próprias e parcerias com escolas em todo o País. A empresa fornece o material didático (as tradicionais apostilas) e a metodologia de ensino.

Todo o sistema Anglo foi adquirido pela Abril Educação, uma empresa que integra o Grupo Abril e é controlada exclusivamente pela família Civita. Até dois anos atrás, esse braço da companhia tinha a participação de um sócio estrangeiro – a Naspers, maior empresa de mídia da África do Sul, que adquiriu 30% das ações do Grupo em 2006. A família, no entanto, recomprou as participação acionária na Abril Educação em 2007. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

– As Melhores e as Piores Escolas estão na cidade de…

(Para números da cidade de Jundiaí, clique em: http://blog.redebomdia.com.br/blog/rafaelporcari/comentarios.php?codpost=3222&blog=6&nome_colunista=963)

 

Nesta segunda-feira, a Folha de São Paulo divulgou o ranking das melhores escolas públicas do país. E as 3 melhores pertencem ao município de… Cajuru/SP!

As melhores instituições de ensino são as de pequenas cidades do interior paulista, sempre com poucos alunos em sala de aula e boa base familiar. Nelas, os pais estão acompanhando com mais freqüência os seus alunos. As piores estão no Nordeste Brasileiro.

 

Abaixo, matéria com informações adicionais reproduzidas pela Revista Época (citação no link)

 

Extraído de: http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EMI152574-15228,00-IDEB+DAS+ESCOLAS+PUBLICAS+NAO+ALCANCAM+METAS+NOS+ANOS+FINAIS+DO+ENSINO+FUND.html

 

35% DAS ESCOLAS PÚBLICAS NÃO ALCANÇAM METAS NOS ANOS FINAIS DO ENSINO FUNDAMENTAL

 

Os dados do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) 2009, divulgados pelo Ministério da Educação (MEC), nesta segunda-feira (5), mostram que, apesar do avanço nas médias nacionais, 35% das escolas públicas do país não atingiram a meta estipulada pelo governo federal para cada uma delas nos anos finais do ensino fundamental (6º ao 9º ano). Nos anos iniciais (1º ao 5º ano), ficaram abaixo da meta 26% das escolas.

Dos 5.404 municípios avaliados, 15,1% não atingiram as metas estabelecidas pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) no ano passado, levando em conta as séries iniciais do ensino fundamental das escolas da rede pública.

Em 2009, 50,2% das cidades ficaram acima da média nacional, que foi de 4,6 pontos, em uma escala de 0 a 10. Na avaliação anterior, em 2007, 47% dos municípios conseguiram superar a média, que era de 4,2 pontos.


O Ideb foi criado em 2005 para medir a qualidade do ensino público no país e é calculado a cada dois anos, levando em conta as notas da Prova Brasil e os índices de reprovação. O Inep estabeleceu metas de qualidade que devem ser atingidas pelo país, pelos Estados, municípios e pelas escolas. O objetivo é que a média nacional chegue a 6, em uma escala de 0 a 10, em 2021.


O pior resultado da avaliação realizada no ano passado foi registrado pelo município de Apuarema, com nota 0,5. A cidade fica no sul da Bahia, a 320 quilômetros de Salvador. Procurada pela Agência Brasil, a secretária de Educação do município, Zaira dos Santos, mostrou-se surpresa com o resultado, mas não quis comentar os motivos do baixo desempenho.

 

A nota mais alta foi no município paulista de Cajuru, no nordeste do Estado, a 360 quilômetros da capital. Lá, a média das notas das escolas da rede pública ficou em 8,6.Dos 11 municípios com as piores notas nas séries iniciais do ensino fundamental, seis estão na Bahia, dois no Piauí, dois na Paraíba e um no Pará. Dos 13 municípios com as notas mais altas, sete estão em São Paulo, cinco em Minas Gerais e um no Rio Grande do Sul.

No ranking das médias estaduais, o Pará ficou em último lugar. A nota do Estado, considerando-se a avaliação das escolas urbanas públicas e privadas, foi de 3,6. A maior nota, com os mesmos critérios, foi registrada no Distrito Federal e em Minas Gerais, que ficaram com 5,6.

 


Na avaliação das séries finais, de 5ª à 8ª, o pior desempenho foi o de Alagoas, com nota 2,9, e o estado que se saiu melhor foi Santa Catarina, que obteve a nota 4,5. Para o ensino médio, o pior classificado foi o Piauí, com nota 3 e o melhor colocado foi o Paraná, com 4,2.


Na amostragem por região, o Norte e o Nordeste ficaram com a pior classificação nas séries iniciais: 3,8. No outro extremo está a Região Sudeste, com 5,3. A Região Sul ficou com 5,1 e a Centro-Oeste com 4,9.


Entre as capitais brasileiras, a que obteve a pior média foi Maceió (AL), com nota 3,6 para as séries iniciais e 2,6 para as séries finais do ensino fundamental. Pela segunda vez, Curitiba teve a maior nota para as séries iniciais, com nota 5,7. Na avaliação de 2007, a capital paranaense também obteve o melhor resultado na avaliação, com 5,1. Para as séries finais, Palmas ficou na frente entre as capitais, com nota 4,6.


Para o presidente da União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime), Carlos Eduardo Sanches, a melhora nos resultados, especialmente nas séries iniciais, é reflexo de fatores como o estímulo à frequência na educação infantil, com maior investimentos, e a implantação do ensino fundamental de nove anos, que aumenta o tempo para a alfabetização, garantindo melhor desempenho na trajetória escolar.


Segundo ele, as regiões com melhor desempenho no Ideb são aquelas que contam com uma boa infraestrutura de prédios, biblioteca e acesso à internet, além de melhores salários e carreira adequada. “Quando há esses insumos, é possível colher resultados melhores. Há uma relação direta entre padrão mínimo de qualidade e resultado do Ideb. Isso está comprovado pela terceira vez”, avalia o dirigente.

 

Distância entre as redes pública e privada

 

Apesar da diminuição na distância entre os resultados das redes pública e privada no Ideb, entre 2005 e 2009, ainda é grande a diferença no desempenho dos alunos das escolas particulares em relações às públicas. Reportagem da Folha de S.Paulo desta segunda-feira (5) mostra que um estudante que termina o ensino fundamental em escola partciular sabe mais que um formando do ensino médio público. Ou seja, a comparação das avaliações do Ideb leva à conclusão de que a rede pública está três anos atrás da particular.

– Fapesp e a Internacionalização dos Pesquisadores

A FAPESP (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo) está cada vez mais procurando se internacionalizar. Com bolsas de estudo isentas de impostos (por volta de R$ 5.000,00), minicursos internacionais produzidos em parceria com o LNLS (Laboratório Nacional de Luz Síncrotron) e outras renomadas instituições, além do Projeto “Escola Fapesp”, a entidade procura ganhar cada vez mais renome. Abaixo:

 

Extraído de: http://noticias.bol.uol.com.br/ciencia/2010/06/29/sao-paulo-quer-ser-rota-para-cientistas-estrangeiros.jhtm

 

SÃO PAULO QUER SER ROTA PARA CIENTISTAS ESTRANGEIROS

 

A bióloga Maria Amorim, formada pela Universidade de Chicago e pesquisadora da Universidade da Pensilvânia, nos EUA, vai fazer doutorado no Brasil.


A decisão veio após ela ter participado, em abril, de um minicurso realizado pelo Hospital do Câncer A.C. Camargo, em São Paulo, sobre pesquisas diretamente voltadas à criação de medicamentos e terapias.


“Fiquei impressionada com o nível dos trabalhos apresentados pelos pesquisadores brasileiros”, disse em entrevista à Folha.


O curso foi o primeiro de uma série iniciada pela Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo), que no começo de 2011 trará para Campinas dois “professores” de peso: os prêmios Nobel Ada Yonath (Química, 2009) e Albert Fert (Física, 2007).

“A ideia é ter cem estudantes de doutorado, 50% da América Latina e 50% de outras partes do mundo. Queremos mostrar a eles domínios que avançaram muito nos últimos anos”, diz o físico francês Yves Petroff, diretor científico do LNLS (Laboratório Nacional de Luz Síncrotron), que abrigará o curso.


“TAX-FREE”

Segundo Petroff, o Brasil tem um atrativo insuspeito para estudantes estrangeiros: o valor alto das bolsas. Aqui, diferentemente da Europa, elas são isentas de impostos, afirma.

O valor da bolsa de doutorado paga pela Fapesp começa em R$ 2.053 e termina em R$ 2.541,30.

No pós-doutorado, a bolsa da Fapesp é de R$ 5.028. “O Brasil precisa de pós-doutorandos”, analisou.

NA ROTA


Batizados de “Escola Fapesp”, os minicursos de inverno e verão -sete aprovados até agora- fazem parte de uma política recente da fundação, voltada a atrair estudantes de pós.

Cursos do gênero são uma realidade bem conhecida em países como os EUA. Um exemplo famoso são as escolas de verão do Laboratório de Biologia Marinha, em Massachusetts, que reúne vários prêmios Nobel.


O evento coordenado por Petroff será realizado no LNLS de 16 a 25 de janeiro.

“Radiação é uma área multidisciplinar. É importante que os estudantes, antes de terminarem seu doutorado, tenham contato com estudantes de outras áreas e de outros países”, diz o francês.

O minicurso do A.C.Camargo, que foi decisivo para a bióloga Amorim decidir fazer doutorado no Brasil, também é uma das propostas aprovadas pela Fapesp. O evento reuniu 40 professores, metade estrangeiros.


MULTINACIONAL

Dentre os estudantes participantes, foram 66 brasileiros e 49 de países como Holanda, Japão, Dinamarca, Portugal e Estados Unidos.


“Pesquisamos problemas complexos, como câncer e neurociências. Precisamos de pessoas que tragam novos pontos de vista e temos de criar condições para isso”, disse o coordenador do evento, Emmanuel Dias Neto, do Centro de Pesquisas do Hospital A.C. Camargo.

– Enem dará Certificado e Nota para quem não tem Segundo Grau

Uma novidade interessante: Enem poderá validar o segundo grau para aqueles que não possuem!

 

Extraído de: http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20100624/not_imp571184,0.php

 

Jovens que completam 18 anos até data de realização da primeira prova do Enem 2010, em 6 de novembro, poderão obter um certificado de conclusão sem ter frequentado a escola regular nem a Educação de Jovens e Adultos. Para receber o certificado de conclusão será preciso atingir a pontuação mínima exigida de 400 pontos em cada uma das quatro áreas de conhecimento e 500 pontos na redação. A resolução foi publicada ontem no Diário Oficial da União.

– A Queda das Mensalidades em Universidades

Em minha época de estudante universitário, recordo-me bem, a mensalidade, calculada em valores atuais, beirava R$ 450,00. E já faz quase 2 décadas!

 

Leio hoje que em 10 anos o valor das mensalidades caiu significativamente, graças a concorrência e a queda na qualidade de ensino. Compartilho a seguir:

 

Extraído de: GALLO, Ricardo. Cai valor de Mensalidade em faculdade particular. Folha de São Paulo, Caderno Cotidiano, pg 1, 21/06/2010

 

CAI VALOR DE MENSALIDADE EM FACULDADE PARTICULAR

 

Entre 1999 e 2009, o valor médio cobrado recuou de R$ 532 para R$ 367. Queda, constatada por sindicato da categoria, foi motivada por maior concorrência e menor expansão de matrículas

 

A combinação de concorrência acirrada entre universidades e estagnação na entrada de novos alunos derrubou as mensalidades ao nível mais baixo em dez anos.

De 1999 a 2009, o valor médio caiu 31% -de R$ 532 para R$ 367-, aponta levantamento do Semesp (sindicato das universidades particulares de São Paulo) com 1.084 instituições de todo o país.

 

A redução não leva em conta ainda a inflação do período, que foi de 104,3%, de acordo com o INPC/IBGE.

 

Dados do Ministério da Educação mostram que, de 1999 a 2008, o número de instituições particulares de ensino superior mais que dobrou -foi de 905 para 2.016.

Nos últimos anos, as universidades disputam os estudantes pelo bolso. Os anúncios em jornais e no metrô são um bom termômetro -mais que a qualidade de ensino, o chamariz é quanto se paga. “Mensalidades a partir de R$ 104,14”, diz um deles, da Faculdade Sumaré.

Foi lá que a operadora de telemarketing Bruna Ribeiro, 24, foi parar. Neste ano, ela entrou em pedagogia, que lhe custa ainda menos do que o anúncio propalava -R$ 94 por mês, graças a convênio com uma entidade. “Claro que o preço contou.”

Descontos assim fazem o preço despencar. A UniABC promete 25% de abatimento na

primeira mensalidade.

 

NOCIVO

 

Embora pareça benéfica aos alunos, o fenômeno dos preços baixos é nocivo para o setor, diz o sindicato. Quem pratica os menores preços em geral são instituições de menor porte, que deixam de investir em pesquisa, laboratório, professores etc.

 

“Quando entram em guerra de preços, as empresas acabam esquecendo da sua margem mínima para operar e, com o tempo, vão para o buraco. É um tiro no pé”, disse Rodrigo Capelato, diretor-executivo do Semesp.

 

Principalmente porque o maior alvo da disputa -os estudantes- deixou de crescer. Entre 2007 e 2008, o número de novos alunos avançou apenas 0,6%.

Para se equilibrar, uma instituição deve cobrar mensalidade média de R$ 450, diz Carlos Monteiro, consultor em ensino superior.

 

A mensalidade da FGV (Fundação Getulio Vargas), uma das instituições mais bem avaliadas do país, é de cerca de R$ 2.400. Mackenzie e PUC cobram uma mensalidade média de R$ 1.100.

 

Segundo Capelato, essas universidades não reduziram mensalidades porque têm seus nichos conquistados, já firmaram suas identidades e não precisam disputar alunos no mercado.

Monteiro sugere às instituições alongar os prazos de pagamento para além do curso, em vez de jogar os preços no chão, tática que pode levar à insolvência ou à absorção por grupos maiores, tendência nos últimos anos.

 

Segundo o Ministério da Educação, 29 instituições desapareceram em 2008. Há 2.251 no país, de acordo com o último censo do MEC

– MEC Fechará Curso de Medicina da UNISA

Surpresa para mim. O Ministério da Educação fechará o Curso de Medicina da Universidade de Santo Amaro!

 

MEC FECHARÁ CURSO DE MEDICINA DA UNISA

 

Por Cláudia Colucci

 

Começou o processo de desativação do curso de medicina da Unisa (Universidade de Santo Amaro), uma das mais tradicionais entidades privadas de ensino médico do país, fundada em 1968.

A decisão do Ministério da Educação, publicada ontem no “Diário Oficial da União”, suspende o ingresso de novos alunos; quem já está fazendo o curso na universidade poderá concluí-lo.

A Unisa informa que irá recorrer da medida.

Entre os ex-alunos famosos do curso está o cardiologista Roberto Kalil, médico do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e dos candidatos à Presidência Dilma Rousseff e José Serra, que se formou na universidade em 1985.

Hoje, o curso tem 480 alunos, que pagam mensalidades de R$ 3.424. Na avaliação do Enade (Exame Nacional de Desempenho de Estudantes) de 2007, seu conceito foi 3, considerado mediano.

A crise na Unisa se acirrou no final de 2008, quando 50 dos 150 docentes do curso de medicina foram demitidos.

Em seguida, alegando falta de condições de trabalho e ensino gerada pelas demissões, cerca de 70 residentes paralisaram o atendimento no Hospital do Grajaú e no Hospital Escola Wladimir Arruda, que funciona como hospital de ensino da Unisa.

Surpreendida

No início do ano passado, uma vistoria do Cremesp (Conselho Regional de Medicina) concluiu que havia deficit de preceptores –supervisores de residentes– em todas as clínicas, “com evidentes prejuízos à formação de internos e residentes”.

Segundo a Sesu (Secretaria de Educação Superior), no final de maio de 2009, foi assinado um termo em que a instituição se comprometia a sanar até o final dezembro vários problemas que afetavam a qualidade do ensino.

O acordo previa, entre outros, aumento do total de docentes, plano de capacitação dos professores, ampliação de laboratórios e atualização do acervo bibliográfico.

Neste ano, informa a Sesu, a comissão do MEC fez nova avaliação do curso e concluiu que a Unisa não cumpriu “satisfatoriamente” o acordo; por isso, iniciou-se o processo de desativação.

“Há possibilidade da ocorrência de lesão irreparável ou de difícil reparação ao direito da coletividade representada pelos alunos e possíveis ingressantes no curso”, diz trecho da portaria.

Em nota, a reitoria da Unisa informa ter sido “surpreendida” pela decisão e que recorrerá tão logo receba a nota técnica do MEC.

– Designer Inteligente versus Darwinismo

Ganha cada vez mais força uma teoria nascida nos EUA que é contraponto à Teoria da Origem das Espécies, de Charles Darwin. É o “Designer Inteligente“. Explico: a ideia é de que uma força superior seria responsável por toda a criação. Tal força ou entidade seria extremamente criativa e perfeita, já que a evolução se tornou como ela é hoje graças a inteligência de quem a criou (a desenhou perfeita, por isso o termo: designer inteligente).

Semana passada, o Mackenzie sediu um encontro sobre defensores dessas ideias. Num primeiro momento, não seria uma teoria de cunho religioso, defendida por algum grupo exclusivo (embora fundamentalistas cristãos identifiquem essa força ou entidade como Deus). Seria uma teoria alternativa para a de Charles Darwin (defensor de que a evolução seria uma grande combinação de coisas que deu certo aleatoriamente, sem a mão de um Criador).

Sabe de uma coisa? Eu, particularmente, acredito ser impossível de que se evoluímos e somos inteligentes, Deus não teria participação. É possível conciliar que evoluímos, como disse Darwin, apoiados pela força de Deus.

E viva os defensores dessa ideia ou teoria!

Compartilho abaixo, extraído de: http://www.istoe.com.br/reportagens/69291_DEUS+CHEGA+AS+AULAS+DE+BIOLOGIA?pathImagens=&path=&actualArea=internalPage

DEUS CHEGA AS AULAS DE BIOLOGIA

por Helio Gomes

Escola adota teoria baseada na intervenção de uma inteligência superior na criação da vida, opondo-se às ideias de Darwin

Uma das maiores polêmicas a chacoalhar a sociedade e a comunidade científica dos Estados Unidos nos últimos anos desembarcou no Brasil. Ao longo da semana passada, um ciclo de debates realizado no Colégio Presbiteriano Mackenzie, um dos mais tradicionais da capital paulista, apresentou a teoria do design inteligente a centenas de estudantes. Criada nos Estados Unidos na metade dos anos 80, ela se opõe à teoria da evolução de Charles Darwin – amplamente aceita pela ciência desde a publicação do clássico “A Origem das Espécies” (1859) – e se baseia na ideia de que uma entidade superior seria a responsável pela criação de todas as formas de vida do Universo. Para os cientistas que defendem o conceito, tal força criativa é chamada de “designer inteligente”. Para os cristãos fundamentalistas americanos, ela é Deus.

A grande questão envolvendo o design inteligente (DI) é a sua introdução em algumas escolas americanas durante as aulas de biologia, e não nas de religião, que, a exemplo do Brasil, não fazem parte do currículo escolar no ensino público. Conceitos pseudocientíficos e ainda não aceitos pela maioria da academia, como a chamada complexidade irredutível – que sustenta que certos micro-organismos biológicos são intrincados demais para terem evoluído de formas mais simples de vida –, são usados por biólogos, químicos e filósofos da ciência integrantes do movimento DI em sala de aula como uma alternativa à teoria da evolução. Em 2005, os pais de 11 alunos de uma escola pública de Dover, no Estado da Pensilvânia, entraram na Justiça para tentar impedir o ensino do DI, alegando que, na verdade, ele seria um conceito criacionista e, portanto, religioso. Eles ganharam a disputa judicial e a teoria foi banida da disciplina na escola.

O evento realizado em São Paulo nos últimos dias trouxe ao Brasil dois dos mais célebres defensores do DI nos Estados Unidos. Stephen C. Meyer, doutor em história e em filosofia da ciência, é um dos criadores do movimento e um de seus mais atuantes portavozes. Autor de três livros, entre os quais o recente “Signature in the Cell” (Assinatura na Célula, inédito no Brasil), ele afirma que sua missão em terras brasileiras era simples: “Viemos para suscitar a discussão – nosso trabalho é científico, e não político ou educacional”, diz Meyer, um dos membros mais atuantes do Instituto Discovery, centro de pesquisas sem fins lucrativos ligado a setores conservadores da sociedade americana. “Como eu creio em Deus, acredito que ele é o designer inteligente. Mas existem cientistas ateus que aceitam a teoria de outras formas”, completa o pesquisador.

Não é o caso do bió logo americano Scott A. Minnich, também presente no ciclo de debates para apresentar os conceitos do DI aos estudantes brasileiros. “Sim, eu sou religioso”, afirma Minnich. Ele conta que já sofreu preconceito por fazer parte do movimento. “É assim que as coisas funcionam na ciência. Algumas pessoas tentaram convencer o presidente da universidade na qual leciono de que eu estava incluindo o DI nas minhas aulas de microbiologia, o que não era verdade”, diz o biólogo, que também participou das missões que buscaram indícios da produção de armas bioquímicas no Iraque em 2004.

A confusão gerada por uma teoria que se apropria de conceitos científicos para chegar a conclusões com forte viés religioso despertou a ira da ala ateísta. Entre as vozes mais ácidas contra o DI, destaca-se a do biólogo evolucionista britânico Richard Dawkins. Também chamado de “rottweiler de Darwin”, ele ganhou notoriedade graças ao livro “Deus, um Delírio” (lançado no Brasil em 2007 pela Cia das Letras), também transformado em documentário. “É pertinente ensinar controvérsias científicas às crianças”, disse Dawkins em entrevista ao jornal inglês “The Times”. “Só não podemos dizer: ‘Temos dois conceitos sobre o surgimento da vida – um é a teoria da evolução e o outro é o livro do Gênesis. Se abrirmos esse precedente, também teremos de ensinar a elas a crença nigeriana que diz que o mundo foi criado a partir do excremento de formigas”, provoca o biólogo.

Voltando ao cenário brasileiro, vale lembrar que o colégio Mackenzie é uma instituição particular, com origens americanas e de cunho religioso desde a sua fundação. Portanto, o ensino do DI nas aulas de biologia, que acontece desde 2008, é tão válido quanto as aulas de religião ministradas em instituições de ensino católicas. “Acreditamos que a fé influencia todos os aspectos da nossa vida, inclusive a ciência”, resume Davi Charles Gomes, chanceler em exercício do Mackenzie e pastor presbiteriano.

– MEC pune Uniban após Acusá-la de Alterar Dados

Veja só: a Uniban foi proibida de se expandir devido a alteração de dados no seu quadro de Docentes, segundo o MEC, não possuindo verdadeiramente professores com dedicação exclusiva no percentual exigido, como divulgado pela instituição.

Entidades de Ensino Superior têm que dar o exemplo. Que coisa feia, dona Uniban…

Extraído de: http://www.midiamax.com/view.php?mat_id=712927

MEC PUNE UNIVERSIDADE APÓS ACUSÁ-LA DE ALTERAR DADOS

Apuração do Ministério da Educação apontou que a Uniban, sexta maior instituição superior do país, fornecia ao governo dados “irreais”, que informavam erroneamente que a escola possuía ao menos 33% dos docentes em dedicação integral -uma exigência legal.

A instituição, que possui cerca de 50 mil alunos, disse que mostrará ao MEC que cumpre a legislação.

A exigência de docentes em tempo integral é feita para garantir um mínimo de qualidade às universidades, que possuem liberdade para expandir vagas e abrir cursos sem prévia autorização. As que não cumprem podem perder a autonomia.

Por não atendimento à lei, a Secretaria de Ensino Superior divulgou ontem despacho proibindo a Uniban de se expandir até que as falhas sejam sanadas.

A assessoria de imprensa do ministério afirmou que não poderia informar se o erro nos dados foi proposital. Disse apenas que, após denúncia, uma comissão da pasta visitou a instituição e verificou que os dados fornecidos inicialmente “não condiziam com a realidade”.

Pelo sistema do governo, as próprias instituições preenchem as informações enviadas à pasta. Os dados são utilizados para fiscalização e para análise da situação do setor.

Um ex-funcionário da Uniban falou reservadamente à Folha que a universidade incluía falsamente na lista de docentes de tempo integral pessoas que trabalhavam na biblioteca e na imprensa da instituição, entre outros setores.

O ex-funcionário afirma que a prática foi feita após reportagem da Folha em 2008 informar que a instituição possuía só 6% dos docentes em tempo integral. O governo disse que analisava as instituições para o processo de recredenciamento e que exigiria adequação à lei. O Ministério Público Federal também cobrou a escola.

À época, a escola contestou os dados do MEC, mas disse que estava “redimensionando” seu quadro docente.

Um ano depois, o ministério divulgou uma lista de 35 instituições que descumpriam a lei referente ao corpo docente. A Uniban não estava na relação. O ministério recebeu a denúncia após essa divulgação.

No despacho de ontem, a Secretaria de Ensino Superior disse que a expansão de vagas na Uniban “tornaria ainda mais grave a situação de adequação de seu corpo docente”, considerado “deficiente”.

O professor em período integral possui tempo reservado para fazer pesquisas e atender aos estudantes. Por outro lado, traz mais custos às instituições.

Na última avaliação federal, que considera fatores como conhecimento dos alunos, a Uniban obteve nota 197, numa escala até 500 (o governo reprova as que tiram menos de 195).

– O Fim da Letra Cursiva

Com o advento do computador, muitas crianças deixam de escrever a tradicional “letra de mão”. A letra cursiva está fora de moda, e isso preocupa – e muito – os professores.

Extraído de: http://www.terra.com.br/istoe/edicoes/2074/uma-realidade-nas-escolas-eu-nao-sei-escrever-em-letra-146035-1.htm

EU NÃO SEI ESCREVER LETRA CURSIVA

Por Camila Rabelo

A letra ilegível era uma marca registrada dos médicos e suas receitas indecifráveis. Hoje, rompeu as fronteiras da profissão e se tornou quase uma tendência na sociedade da pressa. A ilegibilidade é uma das consequências da substituição do caderno pelo computador e da pouca ênfase que se dá ao ensino da letra cursiva nas escolas. Em outros tempos, os cadernos de caligrafia moldavam a escrita dos alunos. Até hoje, representam um importante rito de passagem para crianças recém-alfabetizadas que conseguem ultrapassar a barreira da letra de forma e se capacitam na cursiva – aos 6 anos, elas já se dividem em grupos dos que dominam o mundo da “letra corrida” e daqueles que ainda continuam nas “letras separadas”. Mas o entusiasmo é arrefecido com o passar dos anos. Elas precisam fazer pouco uso da técnica, pois até as provas são de múltipla escolha – basta marcar um X nas alternativas propostas e ir para casa sem gastar a caneta. Fora de uso, a letra perdeu a uniformidade e a nova grafia mescla traços cursivos com letras maiúsculas, comprometendo até mesmo os sinais de acentuação, como o til (~), que virou um traço (-). Nem sempre a legibilidade é mantida. E dá-lhe garranchos incompreensíveis.

O impacto da disgrafia – a escrita incompreensível – na vida das pessoas vai além do senso estético. Quem sofre deste distúrbio pode ser tachado de desleixado ou problemático. E não ser compreendido na sociedade da informação é um fardo que poucos podem carregar. A solução? Recorrer aos textos digitais do e-mail e mensagens instantâneas, como MSN e SMS. “A tecnologia pode ser a aliada e a vilã da história”, afirma Marco Arruda, neurologista da infância e da adolescência e diretor do Instituto Glia de Cognição e Desenvolvimento. O excesso de informação, a falta de tempo e o conforto da internet contribuem para a deformidade da letra, que se torna dispensável e, quando utilizada, apressada e incompreensível. “Escrevo muito rápido. Não dá tempo de enfeitar”, afirma Lucas Dias Oliveira, 12 anos, que foi reprovado no ano passado porque os professores não conseguiram corrigir a sua prova. “Não entendi nada”, assinou a professora na avaliação. “Ele é extremamente inteligente e rápido.

Tem uma velocidade incrível no teclado”, afirma a sua avó, Marialva Dias.

“Mas a letra é um garrancho.” Os esforços de Marialva, que comprou dezenas de cadernos de caligrafia e livros para o neto, não foram suficientes para que o menino deixasse o computador e melhorasse a grafia. “Ele é agoniado, ansioso e necessita de acompanhamento psicológico para melhorar a letra”, afirma.

Janice Cabral Falcão, psicóloga e presidente da Sociedade Brasileira de Psicomotricidade, acredita que os cadernos de caligrafia não resolvem o problema. Para ela, a falta de espaço para brincar e a vida sedentária comprometem o tônus muscular das crianças, que ficam sem coordenação motora e destreza para lidar com o lápis.

“Elas precisam participar das atividades domésticas que exijam alguma habilidade manual”, afirma. Para o neurologista Marco Arruda, a escrita está mais relacionada com as funções do cérebro do que com a tonicidade dos músculos e ele alerta que a escrita ilegível pode ser um sinal de enfermidade ou transtorno psicológico, como dislexia, déficit de atenção e hiperatividade.

“É preciso treinamento da letra com sessões de reabilitação”, afirma. O neurologista lembra que brincadeiras fora de moda com bolas de gude e palitinhos, além das aulas de caligrafia, favoreciam o desenvolvimento psicomotor da criança, que não tem os mesmos estímulos nos jogos eletrônicos de hoje.

Não são apenas as crianças as vítimas da disgrafia. A pesquisadora Luciana Moherdaui, 38 anos, especialista em novas mídias e interfaces digitais, trocou os cadernos pelo computador desde que saiu da faculdade. “A minha letra era legível, mas, depois que passei a usar diariamente a rede, perdi a capacidade de escrever”, afirma Luciana, que explica ter o raciocínio igual ao Word – ‘escreve, erra, apaga e refaz’ – impossível no texto à mão. Quando vai a uma palestra em que não pode levar o seu laptop, a pesquisadora também não leva o bloco de anotações. “Decoro tudo”, diz. “Não entendo a minha letra.” Como especialista no tema, Luciana acredita que o futuro do aprendizado caminha em direção às novas tecnologias. “A tendência é que os meninos troquem os cadernos pelos mininotebooks.” Apesar da alternativa da tecnologia, ter letra legível (e bonita) ainda é importante. “Já zerei provas no vestibular porque estavam incompreensíveis”, afirma José Ruy Lozano, corretor de redações dos principais processos seletivos de São Paulo e professor de redação do ensino médio do Colégio Santo Américo. Vale lembrar que as redações de vestibular também podem ser escritas em letras de forma. Mas a cursiva ainda conta pontos, por exemplo, em processos de seleção de emprego.

O ato de escrever teve os seus altos e baixos na história. Sócrates e Platão (séc. V a.C.) eram contra a escrita e defendiam a oralidade. Na Idade Média, ela ganhou visibilidade e subiu ao altar com os monges copistas, que registravam a cultura e as descobertas históricas em pergaminhos, para imortalizá-las ao longo dos séculos.

“Ela passou a ser a escrita própria dos textos cristãos, em oposição aos caracteres romanos dos textos pagãos”, afirma o grafólogo Paulo Sérgio de Camargo, autor do livro “Sua Escrita, Sua Personalidade” (Editora Ágora).

A caligrafia – palavra que tem origem no nome kallos (belo) e grafos (grafia) – surgiu como arte quando o imperador Carlos Magno (742-814) decidiu unificar os textos e documentos da Europa Central com a escrita cursiva, conhecida como ‘letra carolina’, mais rápida que a tipografada. Segundo os grafólogos, a cursiva é um sinônimo de elegância e uniformidade, mas também rigidez e padrão. Por ironia, ela está sendo gradativamente substituída pelo mesmo motivo que a originou – a necessidade de rapidez.

“As escolas não se preocupam mais com a letra”, afirma o neurologista Arruda. “Os cadernos de caligrafia caíram em desuso.” Resta saber se as belas letras trabalhadas em rococós se tornarão um raro tesouro, que sobrevive apenas nos convites de formatura ou casamento.

– A Educação Domiciliar Condenada no Brasil

Nesta semana, uma família do interior de MG foi condenada por abandono intelectual dos filhos. Motivo: resolveram educá-los em casa, ao invés de levá-los à escola.

Tão comum e aceitável nos EUA, a prática de educar em casa é rejeitada pela Justiça Brasileira, que alega que o ambiente escolar é melhor.

Abaixo, extraído da Revista Época desta semana (15/03/2010), Coluna Primeiro Plano, pg 30, por Camila Guimarães, uma matéria sobre os prós e contras da prática do home schooling:

DÁ PARA EDUCAR FILHOS FORA DA ESCOLA?

Insatisfeito com a qualidade do ensino da rede pública de sua cidade, no interior de Minas Gerais, o casal Cléber e Bernadeth Nunes decidiu tirar os filhos mais velhos da escola e educá-los por conta própria. Há quatro anos, Davi, de 16 anos, e Jônatas, de 15, aprendem as disciplinas escolares sem sair de casa. Na semana passada, o Tribunal de Justiça de Timóteo condenou os pais pelo crime de abandono intelectual: a lei brasileira obriga os pais a matricular os filhos na escola. A família também perdeu um processo cível, no ano passado. As multas chegam a R$ 5.600. Os pais se recusam a pagar – ou a matricular os filhos na escola.

A educação domiciliar acontece quando os pais assumem a educação formal dos filhos. Os Estados Unidos aceitam a prática (home schooling): 2,2% da população de 2 a 17 anos é educada em casa. Sem ir à escola, as crianças recebem a mesma carga curricular, fazem as mesmas avaliações e recebem o mesmo diploma dos ensinos fundamental e médio. O atual ensino domiciliar é herdeiro da antiga prática das famílias ricas de educar seus filhos em casa, com governantas e tutores. Um dos melhores presidentes do país, Franklin D. Roosevelt, que governou da Depressão à Segunda Guerra Mundial, foi educado assim.

Os motivos para desistir da escola não mudaram muito: insatisfação com o ensino público, preocupação com o ambiente escolar e princípios religiosos. Ou, mais recentemente, dificuldade de se adequar à rotina normal, no caso de viajantes, artistas e atletas. Por trás dessa questão há um embate de visões de mundo. De um lado, está a posição liberal, segundo a qual as famílias têm amplo direito de escolher como levar a vida. De outro, está a função do Estado como formador e disciplinador dos cidadãos – uma visão preconizada pelo filósofo Platão, que pregava inclusive a retirada dos filhos de casa.

Em países como França, Reino Unido, Canadá e México, a educação domiciliar é aceita. Na Alemanha e na Espanha, é proibida. No Brasil, a lei diz que a educação é responsabilidade do Estado. Daí a decisão da Justiça de punir os pais-educadores. “Até 1988, a legislação dava prioridade à decisão da família”, diz Luciane Ribeiro, pesquisadora da Universidade de São Paulo (USP). “A Constituição de 1988 passou esse poder para o Estado.”

Além dos Nunes, outras famílias tentaram explorar interpretações da legislação para garantir o reconhecimento do ensino em casa, sem sucesso. “A lei é clara. O Estado tem de zelar pela matrícula das crianças em idade escolar e exige a frequência de, no mínimo, 75% das aulas”, afirma João Roberto Alves, presidente do Instituto de Pesquisas Avançadas em Educação.

A proibição tem o apoio de especialistas na área. Eles dizem que o convívio social é fundamental para o processo de aprendizagem, para formar cidadãos capazes de se relacionar entre si. “A educação é uma prática social, os alunos dentro da escola aprendem uns com os outros”, diz Benigna Villas Boas, professora da Faculdade de Educação da Universidade de Brasília (UnB).

– Como se Forma um Bom Aluno

A Revista Época desta semana traz uma oportuna matéria: Como se Forma um Bom Aluno.

São 8 lições interessantes a nós, educadores, pais e estudantes. São elas:

1- O PODER DO INCENTIVO

2- O PRAZER DE APRENDER

3- ORGULHO DOS RESULTADOS

4- RESISTÊNCIA A FRUSTRAÇÕES

5- O GOSTO DA COMPETIÇÃO

6- PENSAMENTO SOLTO

7- A INSPIRAÇÃO DE ALGUÉM

8- PLANOS DE MUDAR O MUNDO

Abaixo, a matéria com os tópicos abordados.

Extraído de: http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EMI125633-15228-1,00-COMO+SE+FORMA+UM+BOM+ALUNO.html

COMO SE FORMA UM BOM ALUNO

por Camila Guimarães, Juliana Arini, Marco Bahé e Nelito Fernandes.

Não há pai ou mãe que não sonhe com isso: que seu filho vá bem na escola, encontre uma vocação e faça sucesso. É por isso que os pais brasileiros, ouvidos em uma pesquisa do Movimento Todos pela Educação, disseram participar com afinco da vida escolar de seus filhos. Essa participação, porém, tem suas falhas – como mostra um detalhamento da pesquisa de 2009, feito com exclusividade para ÉPOCA. Em alguns casos, há falta de tempo (a queixa mais comum de quem tem filho em escola particular). Em outros, o principal obstáculo é o desconhecimento do conteúdo ensinado (para quem tem filho em escola pública).

A pesquisa também detectou conceitos ultrapassados de como impulsionar o conhecimento. A maioria dos pais presta demasiada atenção às notas e preocupa-se menos em estimular a leitura ou acompanhar se a criança está aprendendo.

Em outras palavras: há mais cobrança que incentivo. É como se os pais considerassem que sua tarefa principal é garantir o acesso à escola – a partir daí, a responsabilidade seria dos professores. Isso é pouco, principalmente num país que não tem avançado satisfatoriamente na área da educação. O nível de ensino das escolas brasileiras, mesmo as de elite, é baixo, na comparação com os países mais avançados. Um relatório do Ministério da Educação, ainda incompleto, mostra que atingimos apenas um terço das metas do Plano Nacional de Educação, entre 2001 e 2008. A evasão escolar no ensino médio aumentou de 5% para 13%. Só 14% dos jovens estão na universidade. Menos de um quinto das crianças até 3 anos frequenta creches.

E, no entanto, há ilhas de excelência. Há alunos brilhantes, curiosos, esforçados, interessados, capazes. Não estamos falando de superdotados. São meninos e meninas comuns, de colégios públicos e particulares, pobres ou ricos, que vão para a escola e… aprendem. Mais: formam-se. Estão no caminho de se tornar cidadãos melhores, pessoas melhores, gente de sucesso. Fazer com que uma criança seja assim não está inteiramente ao alcance dos pais. Pesquisas mundiais mostram que o envolvimento paterno responde por, no máximo, 20% da nota final. O restante seria determinado pela qualidade da escola, a relação com os professores, a influência dos colegas e, claro, seu próprio talento. Mas há, em cada um desses fatores, também uma influência dos pais. Cabe a eles analisar a escola, monitorar os professores, perceber o ambiente em que seu filho vive, estimular-lhe os talentos naturais. Talvez não seja possível fabricar bons alunos. Mas, como atestam as experiências dos garotos e das garotas desta reportagem, há boas receitas para ajudá-los a descobrir esse caminho.

1. O  PODER DO INCENTIVO

O menino Pedro Manzaro seria um personagem improvável para uma reportagem sobre bons alunos. Aos 7 anos, ele começava o 3o ano sem saber escrever direito e com falhas de leitura. Em breve iniciaria aulas de reforço, com pouco resultado. Pedro era um retardatário na turma de alfabetização. Naquele momento, a diretora do colégio, de uma rede particular de São Paulo, chamou seus pais para uma conversa. Era preciso agir. Quando estão aprendendo as letras, as crianças têm um “clique”, um momento muito pessoal a partir do qual a escrita e a leitura deslancham. O “clique” de Pedro estava demorando demais.

Que pai não ficaria apreensivo com uma situação dessas? Foi como Andréia e Sidnei Manzaro se sentiram. Mas logo trataram de agir. A estratégia foi usar a leitura – o menino adorava livros, vivia com eles embaixo do braço, apesar da dificuldade de entendê-los. Na casa da família, já havia a tradição de cada criança (Pedro tem dois irmãos mais novos) ter seu “dia de filho único”, quando os pais ficam só com ele. Durante a recuperação de Pedro, que levou um ano, seus dias de filho único eram sempre passados dentro de livrarias. Andréia passou a ler os livros de aventura, gênero favorito de Pedro, para conversar com ele sobre os vaivéns dos heróis das histórias (ela pegou gosto: está lendo agora o segundo livro da série Píppi Meialonga, sobre uma garota que viaja pelo mundo e odeia a escola).

Hoje, Pedro é considerado um aluno acima da média. Não é um colecionador de notas 10. Mas isso não preocupa ninguém. “O principal é ele gostar do que está fazendo”, afirma Andréia. O sucesso foi resultado de um esforço conjunto. A escola lhe deu atenção especial, com correção cuidadosa dos textos. O hábito da leitura fez outro tanto. Ler estimula a capacidade de compreender um texto, é um hábito fundamental na formação de seres pensantes. Está entre os quatro fatores comuns aos melhores alunos, segundo uma pesquisa feita pelo Ministério da Educação em 2007 (os outros são fazer lição de casa, ter atividades extracurriculares e pais engajados).

O terceiro impulso, crucial, para a recuperação de Pedro foi a torcida dos pais. O incentivo e os elogios deles ajudaram a construir autoconfiança e gosto pelo esforço. “A gente vivia dizendo para ele: ‘Filho, olha o que você conseguiu!’”, diz Andréia. O elogio é capaz de transformar. Mas é preciso ter cuidado com ele. Há uma ciência em seu uso. Segundo pesquisas americanas, crianças que recebem congratulações por seu desempenho e seu talento tendem a ficar mais preguiçosas e menos criativas. Aparentemente, ficam com medo de arriscar, porque um fracasso destruiria a imagem que conquistaram. Crianças que recebem elogios por seu trabalho duro, pelo esforço despendido para chegar àquele resultado têm reação inversa. Tornam-se mais persistentes, desenvolvem gosto pelo risco. E, quando fracassam, atribuem isso a um esforço insuficiente, não à incapacidade. Foi o que aconteceu com Pedro. “Mesmo com os sucessivos erros, nunca ouvi o Pedro se recusar a escrever um texto”, diz Beatriz Loureiro, a professora que acompanhou sua recuperação.

Se os pais não sabem reconhecer as paixões naturais dos filhos, inibem o aprendizado, em vez de promovê-lo

2. O PRAZER DE APRENDER

Guilherme Ortolan, de 9 anos, tem dificuldade de passar para a próxima fase. Não na escola. Essa ele tira de letra. O problema de Guilherme é que, quando joga um de seus games preferidos com o pai, esquece o objetivo. “Ele para o jogo para me dizer que a classificação de um dos bichos na tela está errada: aquele dinossauro não pode ser herbívoro e viver naquela parte da floresta se tem dentes tão pontiagudos, típicos dos carnívoros”, diz o pai, também Guilherme. A paixão do menino pelos dinossauros começou cedo. Ele nem era alfabetizado. Os pais souberam estimular seu interesse. Começaram comprando lagartos de brinquedo. Depois vieram os livros. E as pesquisas na internet. E os recortes de jornais e revistas (muitos deles presenteados pelos professores). A família inteira ficou envolvida pela mania, e Guilherme acabou virando “especialista”. Quando vai brincar com seus dinossauros, ele os organiza por período geológico. Ou por hábitos alimentares.

Esse processo mostra como uma paixão ajuda a estimular a criatividade, ensina a pesquisar por conta própria, tirar conclusões, fazer conexões. Se os pais e professores não sabem reconhecer e estimular as paixões naturais das crianças, se insistem para ela “largar de bobagens e se concentrar no que é sério”, inibem o aprendizado, em vez de promovê-lo. Com Guilherme, aconteceu o contrário. “O repertório dele é superior ao dos colegas”, diz Maria Isabel Gaspar, coordenadora pedagógica da escola em que ele estuda, em Ribeirão Preto, interior de São Paulo. “Não são raras as vezes em que ele já tem informações sobre o que está sendo ensinado na sala de aula.”

Esse tipo de aluno – capaz de fazer associações e reflexões mais sofisticadas – as melhores universidades do país procuram. Em seus vestibulares, elas evoluíram da cobrança de acúmulo de informações para a capacidade de solucionar problemas. O Enem, a prova unificada de seleção aplicada pelo Ministério da Educação, segue a mesma linha.

3. ORGULHO DO RESULTADO

Nem sempre o prazer de aprender vem da paixão por algo específico. Muitas vezes, trata-se do prazer de fazer bem feito, uma espécie de orgulho de ter realizado algo. Esse perfeccionismo move Gabriela Vergili, de 13 anos. Na primeira semana de aula, no mês passado, ela e a irmã mais nova, Geovana, chegaram em casa, em São Paulo, com a mesma tarefa (embora estejam em séries diferentes, ambas têm um professor em comum). Elas tinham de descobrir em que data cairia o Carnaval deste ano. Como sempre, as duas sentaram no mesmo horário para fazer o dever (a regra, na casa de dona Mércia, sua mãe, é fazer a lição logo depois do almoço). Geovana, eficiente, descobriu logo a data pedida: 16 de fevereiro. E foi brincar. Gabriela demorou mais. Pesquisou na internet, na enciclopédia Larousse, voltou para a internet. E escreveu um longo texto sobre Quaresma, Equinócio, fases da Lua e concílios religiosos. “A disciplina e a organização da Gabriela a ajudam a ‘aprender a aprender’ qualquer coisa”, afirma Luís Junqueira, professor dela no ano passado. “Por isso ela é tão versátil: tem texto redondo, sabe fazer um documentário em vídeo, vai bem na aula de artes e até na educação física.”

Essa disciplina é um ponto de honra para Mércia. Ela sempre foi rigorosa com os estudos das filhas. Além do horário da lição, à noite ela e o marido chegam do trabalho e tiram dúvidas das crianças. Quando a escola passa uma pesquisa, manda ler um livro, Mércia acompanha por telefone se as obrigações foram cumpridas. Essa rigidez – acompanhada do exemplo, senão o efeito pode ser o oposto – cria comprometimento com o estudo. “Quase sempre a criança vai buscar em casa como ela vai se relacionar com a vida acadêmica”, diz Débora Vaz, pedagoga e diretora de um colégio particular de São Paulo. Gabriela é concentrada para fazer seus deveres, cumpre o combinado com os professores, respeita o sinal da escola, devolve o livro da biblioteca dentro do prazo.

Como mostra a pesquisa do MEC de 2007, o dever de casa é outro ponto em comum entre os bons alunos. Vários estudos comprovam que a lição de casa ajuda a assimilar conteúdos. Também é a forma mais fácil de verificar o aprendizado dos filhos. Por isso, os pais devem se envolver – mas não muito. A lição de casa tem de ser feita apenas pelo aluno. “É quando a criança está sozinha para lidar com todo o conhecimento que adquiriu em sala e vai decidir o que fazer com ele”, diz Harris Cooper, um acadêmico da Universidade Duke, Carolina do Norte, que há mais de 20 anos estuda a relação dos pais com a lição de casa (leia suas recomendações).

4. RESISTÊNCIA A FRUSTRAÇÕES

Outra forma de a disciplina se manifestar é na resiliência. O termo designa a propriedade de um corpo de voltar à forma original depois de sofrer uma deformação. Por extensão, passou a ser usado por psicólogos como a capacidade de uma pessoa se recobrar de episódios ruins ou resistir a dificuldades. Em geral, a resiliência é alimentada pela determinação, uma característica encontrada em grande parte dos bons alunos. Um exemplo é Leandro Siqueira, de 16 anos. Ele acorda às 4h30. Pega um trem em Cosmos, Zona Oeste, a região mais pobre do Rio de Janeiro, rumo ao Centro Federal de Educação Tecnológica Celso Fukow Fonseca (Cefet), uma das melhores escolas técnicas do país. Sai de casa sem tomar café – ou não chegaria a tempo à primeira aula, às 7 horas. Leandro faz a primeira refeição do dia às 12h30, no intervalo do período integral. Chega em casa às 20h30, janta e estuda até as 22 horas. Como seu quarto é pequeno, e a sala geralmente está ocupada, Leandro usa a varanda para ter a concentração de que precisa.

A maratona massacrante se justifica. Quando entrou na escola técnica, numa vaga que disputou com 50 candidatos, Leandro sentiu um baque. Ele sempre havia sido bom aluno, mas o desnível em relação à escola pública de onde vinha era grande demais. Pegar recuperação em três disciplinas não foi o pior. Pelas regras da escola, quem é reprovado duas vezes é expulso. Leandro teve medo de perder sua conquista. “Eu me cobrava muito e ficava pensando no dinheiro que meu pai gasta para eu estar aqui todo dia e almoçar”, afirma, logo depois do almoço num restaurante a quilo, onde gastou R$ 11. Suas notas se estabilizaram acima da média graças à severidade de seu plano de estudos, que inclui mais algumas horas de caderno aos domingos, assistido por uma tia professora de matemática. Os pais de Leandro, um instalador de gás desempregado e uma dona de casa, estudaram até a 8a série. Não conseguem ajudá-lo com os estudos. Mas não poderiam dar lição melhor que o sacrifício que fazem para lhe dar a oportunidade de um bom estudo.

Será possível incutir determinação em alguém? Em termos. A resiliência é, provavelmente, uma característica da personalidade. Mas os pais podem influenciar. Em geral, fazem isso para o lado errado. “Vemos muitos pais lenientes, enchendo seus filhos de facilidades”, afirma Maria Lúcia Sabatella, uma educadora especialista em crianças superdotadas. O resultado são crianças mimadas, com pouca resistência a frustrações. E uma tendência a desistir ante as dificuldades. Por isso, em seu programa dedicado a localizar bons alunos na rede pública, os pais também recebem aulas. Eles aprendem a estimular seus filhos e, especialmente, a não boicotá-los. “Temos de ensiná-los a formar indivíduos autônomos, independentes”, diz Sabatella.

5. O GOSTO DA COMPETIÇÃO

Os trigêmeos Joeverton, Joemerson e Joebert de Oliveira Maia, de 12 anos, foram medalhistas na Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (OBMEP) no ano passado. Joeverton foi medalha de ouro. Joemerson e Joebert ficaram com o bronze. Não é preciso dizer que eles são o orgulho do pai, José Jorge Maia, chefe da família de classe média baixa que vive na periferia de João Pessoa. Professor de matemática da rede pública da Paraíba, tudo o que José conseguiu até hoje foi com esforço: a casa onde mora e ter criado os três filhos só com seu salário, já que sua mulher, Selma, também professora, parou de trabalhar para cuidar dos bebês. “Sobrevivo com tudo o que aprendi na escola. É só isso que eu tenho e é isso que eu quero garantir para meus filhos”, diz.

Não é só discurso. José e Selma dão aos trigêmeos, todos os dias, três horas extras de aula, além da lição de casa. É como um treino de atletismo, com esforço repetitivo. José copia provas de olimpíadas de matemática antigas e dá como treino para os meninos. A vontade de vencer, atingir metas mais altas, destacar-se é um poderoso incentivo para os estudos. “Os melhores alunos não têm medo do desafio”, fiz Suely Druk, diretora da OBMEP.

As aulas, no terraço da casa simples da família, não são apenas de matemática. Incluem ciências, português e história. Os meninos não se incomodam em suar a camisa. “Sempre foi assim aqui em casa”, diz Joemerson. O reforço ajuda a compensar as deficiências da escola municipal onde estão matriculados no 8o ano do ensino fundamental. “Queria que a escola puxasse mais. Estamos sem professor de história e de inglês”, diz Joebert.

A postura de José faz com que os filhos não enxerguem a escola como um fardo, mas como solução. Os três querem se formar em engenharia da computação. Informática passou a ser a paixão dos meninos depois que Joemerson ganhou um computador num concurso de redação, há dois anos. De lá para cá, têm como passatempo navegar em redes de relacionamento, bate-papo e sites de jogos, como qualquer pré-adolescente. A diferença é que eles só fazem isso depois dos estudos.

6. PENSAMENTO SOLTO

Um caminho alternativo, quase oposto ao da persistência dos trigêmeos Joebert, Joemerson e Joeverton, é a aposta na criatividade. Trata-se de, em vez de perseguir notas, liberar a imaginação. Pode-se construir uma argumentação forte contra a ênfase do sistema de ensino nas notas. Quando uma pessoa (criança, jovem ou adulto) se concentra em demasia no grau que receberá por um trabalho, deixa de apreciar o valor intrínseco dele. Em boa medida, a importância dada à nota é subtraída da alegria de aprender.

Por isso é tão revitalizante observar crianças como Larissa Silvestre, de 9 anos, descobrindo o mundo, formulando conceitos, brincando. “A Larissa sempre foi criativa”, afirma sua professora de artes, Maria Luisa de Godoy. “Se eu pedia para ela recortar uma árvore, numa aula sobre contornos, ela me vinha com um varal cheio de roupas. Se eu ensinava a fazer uma peteca de sucata, em cinco minutos a peteca virava outro brinquedo.”

Sua mãe, Arlete de Epifânia, estudou até a 4a série e é cozinheira há 13 anos em uma casa de um bairro nobre de São Paulo. No ano passado, entrou pela primeira vez em um museu, quando a escola de Larissa convidou os pais a acompanhar os filhos numa visita ao Museu de Arte de São Paulo (Masp). “Nunca imaginei que existisse um lugar como aquele e que minha filha fosse capaz de fazer o que ela fez ali”, diz Arlete. De lá para cá, quando tem tempo livre, ela tenta fazer programas que envolvam algum tipo de atividade artística. Se não dá, ajuda a filha a costurar roupinhas para suas bonecas.

Parecem atividades que têm pouco a ver com as disciplinas escolares. Não é assim. A sensibilidade de Larissa para as artes faz dela uma criança observadora – o que a favorece na hora de resolver um problema de matemática ou associar fatos históricos. Segundo Maria Lúcia Sabatella, especialista em crianças superdotadas, gente criativa é extremamente concentrada. “Os grandes inventores, os maiores estrategistas, nos negócios ou na guerra, não fazem a sequência lógica de raciocínio”, diz. “Eles são criativos. Seu caminho para chegar à resposta pode até ser mais longo. Mas é singular.”

Esse argumento é contrário à má imagem dos alunos que ficam “rabiscando o papel” em vez de estudar a sério para a prova. “A produção artística exige do aluno um esforço que pode ser maior do que nas outras disciplinas”, afirma Paulo Portella, coordenador do Serviço Educativo do Masp. “A criatividade das artes exige construção de conhecimento – e não a simples repetição deles.” Uma criança com pendor para as artes pode ter um caminho de sucesso até maior que o de um aluno “certinho”, em áreas menos convencionais. Ou pode levar vantagem no próprio campo do estudo. Larissa, por exemplo, diz que não quer ser artista quando crescer. Ela quer ser veterinária.

7. A INSPIRAÇÃO DE ALGUÉM

Todo mundo tem alguém que admira. Pode ser a mãe, um professor, uma personagem histórica. Essa figura nos faz almejar ser melhor. Isso também é verdade nos estudos. Quase todo bom aluno tem um professor inspirador, um parente que quer imitar, um bom exemplo. Felipe Brum, de 10 anos, morador de Brasília, tem dois: seu avô materno, Ribamar Ferreira, e Bruno, seu irmão mais velho. Ribamar é engenheiro e serve de inspiração para Felipe desde que, numa visita à construção de uma pousada da família na Bahia, mostrou-lhe que a matemática serve para construir coisas. “Quero construir robôs para ajudar a salvar a humanidade do desmatamento”, diz o menino. “Para fazer meu robô, sei que vou ter de estudar engenharia.” Bruno, seu irmão mais velho, também segue a carreira do avô. Passou no vestibular com 16 anos. “Eu também quero passar na UnB”, diz Felipe, sem saber direito o que significa a sigla, da Universidade de Brasília. Seu plano para conseguir a vaga já está em prática. Estuda duas horas todos os dias e tem como meta a nota mínima 8.

A rotina de estudos de Felipe foi organizada pela mãe, Isabella, para que o menino superasse suas dificuldades de aprendizado. Há dois anos, ele foi diagnosticado com transtorno de déficit de atenção (TDA). Isabella, que é médica, mudou seus horários para se dedicar aos estudos do filho. O irmão mais velho também ajuda. “Ele me estimula a aplicar os cálculos em tudo o que faço”, diz Felipe. “Nunca imaginei que para construir computadores a gente usava matemática.”

Ter o avô e o irmão como heróis é a motivação de Felipe. “São muitos os casos em que ter um referencial, um exemplo a ser seguido, é determinante para a motivação do aprendizado”, afirma Quézia Bombonatto, presidente da Associação Brasileira de Psicopedagogia. “Estimular isso é válido, mas com o cuidado de respeitar a individualidade da criança.” Porque pode acontecer o contrário: a criança se sentir intimidada pela figura de sucesso e se frustrar ao não conseguir ser como ela.

Não parece ser o caso de Felipe. No ano passado, ele tirou 9,6 em matemática, disciplina em que tinha ficado em recuperação no ano anterior. “Agora só quero boas notas, sei que isso ajuda a passar rápido no vestibular, como foi com o Bruno.”

8. PLANOS DE MUDAR O MUNDO

Para que serve a escola? Em parte, ela é a instituição conformista por natureza. É lá que aprendemos os meios e modos do mundo, as tradições de nossa cultura, o que devemos fazer para ter sucesso, de acordo com as expectativas da sociedade. Mas ela é, também, o lugar do exercício das possibilidades. É nela que aprendemos a pensar por conta própria. Uma boa educação inclui a capacidade de questionar, experimentar, criar. Um traço comum entre maus alunos é que seus interesses estão fora da escola. Mas esse é também um traço comum entre os bons alunos. A única diferença é que os maus alunos perseguem seus interesses em detrimento do estudo. Os bons mesclam suas atividades ao estudo. Com isso, ganham capacidade crítica, vivência, experiência.

No ano passado, Marcelo Monteiro, de 16 anos, dedicou boa parte de seu tempo livre a um projeto especial: recuperar a imagem do grêmio estudantil do colégio onde cursa o 3o ano do ensino médio, em Porto Alegre. Sua função como primeiro secretário era negociar com a diretoria atividades para os alunos e melhorias na escola, tarefa complicada dada a reputação do grêmio até então. As gestões anteriores deixaram a organização quebrada. Ao assumir, Marcelo e seus colegas de chapa encontraram a sede pichada, sofás depredados, computador quebrado. “Tivemos de reconquistar a confiança do diretor e dos coordenadores para emplacar nossos projetos”, diz ele. Para reformar a sede, arrecadou dinheiro com os alunos (cobrando pelo serviço de fazer carteirinhas de estudantes) e pais de alunos (enviou cerca de 1.500 boletos opcionais no valor de R$ 20 para o endereço residencial dos colegas. Mais da metade dos pais depositou o dinheiro).

Também organizou uma campanha para mobilizar o colégio a participar de uma espécie de gincana. O prêmio, dado para a escola com o maior número de inscritos, era um computador. Levou. No final do ano, já com a sede reformada e o prestígio do grêmio recuperado, Marcelo conseguiu autorização da diretoria para fazer um festival de música. Cada convidado levou 1 quilo de alimento, doado para entidades carentes. “Não sei quanto deu no final, mas lotamos a Kombi que a escola nos emprestou para fazer a entrega.”

Mesmo tão ocupado com articulações estudantis e organização de eventos, Marcelo está no topo das notas de sua turma. Vai tentar o vestibular para Direito. “Ele não tem medo de se meter em encrencas”, diz um de seus professores, Ivanor Reginatto, no colégio há 25 anos. “Nem todo bom aluno questiona tanto quanto Marcelo, mas essa sua capacidade o coloca entre os melhores.” De certa forma, Marcelo segue os passos de seus pais, Marisa e Rui. Ambos participaram de grêmios estudantis no colégio e na faculdade. Durante cinco anos, presidiram a Associação de Pais e Mestres onde Marcelo estuda. “Tentamos passar a ideia de que se engajar em atividades fora da sala de aula daria a ele a base que vai definir seu futuro profissional e pessoal”, diz a mãe. “Eles me ensinaram a priorizar o diálogo, a discutir questões que acho importantes”, diz Marcelo. É para isso que serve a educação. Para atuar no mundo.

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– A Meritocracia aos Professores

Compartilho com os amigos este interessante material da Revista Veja (citação abaixo), sobre os bons resultados de se pagar bônus aos professores que renderem mais.

Não sei o que os colegas pensam sobre o assunto, mas trago aqui algumas ações:

Extraído de: http://veja.abril.com.br/030310/licao-merito-p-106.shtml

PREMIAÇÃO DE BONS PROFESSORES JÁ DÁ RESULTADOS

por Ronaldo França

As primeiras experiências brasileiras de premiar os melhores professores em sala de aula começam a dar resultado — e sinalizam um bom caminho para tirar nossos alunos das últimas colocações nos rankings mundiais

Com 98% das crianças na escola, o Brasil já ombreia com os países mais desenvolvidos no indicador da quantidade — mas figura até hoje entre os piores do mundo na qualidade do ensino. Nesse cenário de flagrante atraso, é bem-vinda a notícia de que um conjunto relevante de colégios públicos brasileiros começa a implantar sistemas baseados na meritocracia, princípio que ajudou, décadas atrás, a empurrar países como Coreia do Sul e Finlândia rumo à excelência acadêmica. O conceito se espelha em prática comum no mundo das empresas privadas: nas redes de ensino, a ideia é distinguir, com base em avaliações, as boas das más escolas, provendo incentivos financeiros e perspectivas à carreira para aqueles professores e diretores à frente dos melhores resultados. A adoção de mecanismos simples para premiar os mais eficientes e talentosos profissionais em escolas merece atenção por sinalizar, antes de tudo, uma mudança numa velha mentalidade ainda arraigada na educação brasileira: a de que todos os professores devem ganhar o mesmo e sempre mais — à revelia do mau desempenho em sala de aula e também do que mostram as pesquisas científicas. Uma das mais detalhadas, conduzida pelo economista Eric Hanushek, da Universidade Stanford, nos Estados Unidos, conclui: “Sem meritocracia, não há como atrair as melhores cabeças de um país para a docência”.

Na educação, os avanços sempre se dão por um conjunto de inovações e políticas — e não por um único fator. Os especialistas concordam, porém, que a implantação da meritocracia numa centena de municípios brasileiros e em estados como São Paulo, Minas Gerais e Pernambuco começa a reverter em favor do ensino. Avalia o economista Cláudio Ferraz, à frente de um estudo sobre o assunto no Banco Mundial: “A adoção desse princípio significa uma mudança de cultura tão radical na condução de uma escola que, apesar de recente, não é exagero afirmar que já está beneficiando a sala de aula”. Os números mais novos que apontam nessa direção, obtidos por VEJA com exclusividade, vêm de São Paulo, um dos primeiros no país a adotar o bônus nas escolas, em 2008. Segundo o Sistema de Avaliação do Rendimento Escolar do Estado de São Paulo (Saresp), ba-sea-do numa prova aplicada aos estudantes, só no último ano 18% dos alunos da 4ª série do ensino fundamental foram alçados, em português, do nível insuficiente para o adequado. Aos 9, eles não conseguiam escrever um bilhete, tampouco compreender o sentido de um texto curto (caso ainda de 22% do total). Em matemática, o grupo dos piores — aquele em que os alunos se paralisam ao tentar resolver um problema envolvendo operações de soma e subtração — encolheu de 39% para 31%. Os últimos dados de Minas Gerais apontam para progresso semelhante na sala de aula (veja os números no quadro).

Bons, porém ainda modestos perto da dimensão do problema a equacionar, os resultados de São Paulo e Minas ajudam a aferir a eficácia de um pacote de boas práticas de gestão que, só agora, passam a ser implantadas em escolas brasileiras. Diz o economista Fernando Ve-loso, especialista em educação: “Os estados e municípios que mais avançam são justamente aqueles que estão conseguindo se livrar da velha cultura corporativista e, pouco a pouco, modernizam a gestão de suas redes de ensino”. No conjunto das 180 000 escolas públicas brasileiras, estima-se que 20% delas começam a se organizar de acordo com metas acadê-micas, estabelecidas com base em avaliações, e já são cobradas e premiadas pelo seu bom cumprimento. É um modelo cuja eficácia foi exaustivamente aferida em outros países e, no Brasil, já se faz notar no dia a dia de colégios como o estadual Leon Renault, de Belo Horizonte. “Sinto pela primeira vez como se estivesse chefiando uma equipe de uma grande empresa privada, tal é a obsessão na escola em relação aos resultados”, resume a diretora Maria de Lourdes Fassy, 50 anos, na função há quatro.

A lição das escolas brasileiras que se modernizam lança luz ainda para a eficácia em ater-se ao básico — e não sair em busca de soluções mirabolantes. Nesse sentido, a experiência reforça a ideia de que poucas medidas têm tanto impacto na qualidade do ensino quanto a formulação de um bom currículo. Um levantamento com base em dados da Prova Brasil, aplicada em escolas públicas pelo Ministério da Educação (MEC), constata que, quando o professor se ancora em roteiros detalhados sobre o que e como ensinar, as notas sempre sobem. Num país como o Brasil, onde o nível geral dos professores é baixo, um currículo se torna imperativo — mas é ainda coisa rara. Apenas seis dos 27 estados contam com um, e isso é recente. Os efeitos já se fazem sentir, ainda que modestamente. Será preciso esperar mais para colher os frutos de outra frente de iniciativas promissoras, estas voltadas para melhorar o nível dos professores — o principal obstáculo ao avanço brasileiro. Na rede estadual paulista, criou-se uma escola com o propósito de dar reforço a professores recém-aprovados nos concursos. Antes de assumir o posto, eles serão treinados a lidar com situações reais da sala de aula, o que não aprendem na faculdade. Os efeitos podem ser imensos. Ao longo de sua vida útil, um único professor atende cerca de 1 000 alunos. A primeira turma dessa escola de professores em São Paulo contará com 10 000 profissionais, com chances, portanto, de ajudar 10 milhões de crianças.

Desde que o nível do ensino começou a ser medido no Brasil, na década de 90, não houve registro de nenhum avanço relevante. Em certos anos, a qualidade chegou até a cair. É verdade que os números pioraram na medida em que mais gente ingressou na escola, mas esse processo de massificação na sala de aula encerrou-se uma década atrás, e nem por isso o Brasil deixou a rabeira nos rankings internacionais de ensino. Enquanto os americanos fazem hoje conversões de unidades e se saem bem em problemas matemáticos de razoável complexidade, os brasileiros se atrapalham ao ler as horas num relógio e penam com a multiplicação — um atraso gritante. O que pode ajudar a mudar isso é o fato de que, pela primeira vez, se vê razoável consenso quanto à direção do caminho a percorrer, independentemente do matiz ideológico. Na semana passada, a meritocracia na educação, que já foi vista com imensa resistência no governo Lula, foi defendida pelo ministro Fernando Haddad: “Ela não desmerece, mas só valoriza os profissionais”. Reconhecer isso é, no mínimo, um bom começo.

– A Popularização das Pós-Graduações

A Revista Veja São Paulo traz uma interessante matéria sobre o crescimento das Pós-Graduações e grande oferta dos MBA’s. Abaixo, quais são os cursos mais procurados e alguns cuidados necessários, além de programas onde a especialização pode variar de R$ 3.100,00 a R$ 112.000,00.

Extraído de: http://vejasp.abril.com.br/revista/edicao-2154/mbas-especializacoes-tornam-se-populares

A FEBRE DAS PÓS-GRADUAÇÕES / MBA’S E ESPECIALIZAÇÕES TORNAM-SE POPULARES

por Giovana Romani

“Como vocês escolhem um supermercado?”, pergunta a professora. Sem acanhamento, os alunos passam a enumerar os fatores: localização, variedade de produtos, preço… Dois deles trabalham exatamente em uma rede do setor, o Carrefour. Outros vêm de empresas como Itaú Unibanco, Nestlé, Gerdau e Google do Brasil. Estamos em uma aula sobre posicionamento de marcas (ou ‘branding’, para os iniciados) no MBA em gestão empresarial da Fundação Instituto de Administração (FIA), no Butantã. Lá, os estudantes-executivos discutem questões de seu dia a dia, quase sempre com um olho na lousa e outro no laptop. Cenas como essa tornaram-se cada vez mais comuns nas chamadas escolas de negócio paulistanas. São, entretanto, apenas parte do universo da pós-graduação, cujo crescimento significativo vem sendo apontado por especialistas em educação, consultores de carreira e docentes.

Não há dados oficiais sobre o número de especializações e MBAs existentes no país. Desde que sigam um conjunto de regras definido pelo Ministério da Educação (MEC), as instituições de ensino podem criar cursos sem necessidade de aprovação prévia. E elas não se fazem de rogadas. Para acompanhar a evolução desse tipo de pós, VEJA SÃO PAULO realizou um levantamento em cinquenta das principais escolas da cidade. Há cinco anos, elas ofereciam 1 014 cursos. Hoje, são 2 000. Um aumento de 97%. Só de MBAs, a Associação Nacional de MBA (Anamba) estima que sejam mais de 1 000. “Mas apenas 100 podem ser considerados relevantes”, diz o professor Armando Dal Colletto, conselheiro da associação. “Alguns, apesar da sigla, que significa master in business administration, nem tratam de administração.” A oferta acompanha o crescimento no número de egressos da graduação. Conforme o censo mais recente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), órgão ligado ao MEC, 88 756 pessoas concluíram a graduação em 2008 na capital. Três anos antes, esse número foi 11% menor.

“Com a chegada de novos profissionais, quem está no mercado há anos sente necessidade de atualização”, afirma José Antônio Rosa, consultor em recursos humanos e professor de pós-graduação da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). Seja para os recém-chegados ao mercado de trabalho, seja para os mais experientes, é preciso ponderação antes de sentar-se novamente em uma carteira escolar. Um mergulho no mundo da pós exige o conhecimento de suas subdivisões. Os programas stricto sensu (do latim, sentido restrito) são recomendados para quem deseja seguir carreira acadêmica. Avaliados pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), englobam os seguintes cursos:

■ Mestrado: é voltado à formação de professores universitários e inicia o aluno na pesquisa acadêmica, além de ser pré-requisito para o início de um doutorado;
■Mestrado profissional: similar ao mestrado acadêmico, mas direcionado ao mercado de trabalho, com conteúdo que mistura teoria e prática, em uma carga horária menos rígida;
■ Doutorado: forma pesquisadores de alto nível. Para concluí-lo, deve-se defender uma tese original e inovadora que colabore para o avanço do conhecimento na área de estudo.

Se a ideia é obter apenas uma formação complementar, que traga novos conhecimentos para a vida profissional (e, consequentemente, uma atualização do currículo), deve-se optar pelos cursos lato sensu (do latim, sentido amplo), categoria em que entram a especialização e o MBA. Em comum, ambos precisam oferecer 360 horas de aula e ter no mínimo 50% dos professores com título de mestre ou doutor em seu quadro. Como é possível notar em qualquer rodinha de executivos, o MBA caiu no gosto da turma do terno e gravata. Deve dar base teórica e treinamento prático a quem deseja administrar uma companhia. Só a Universidade de São Paulo ofereceu 189 especializações nos câmpus da capital em 2009. Na lista atual da Faap constam cerca de 140 opções. É preciso ter cuidado redobrado na hora da escolha (veja dicas no quadro abaixo). “Mas mesmo a má educação é melhor do que nenhuma”, defende o economista Gustavo Ioschpe. “A pós funciona como um diferencial.”

PARA NÃO ERRAR NA ESCOLHA
O que levar em conta antes da matrícula

■É fundamental entender as diferenças entre mestrado, doutorado, mestrado profissional, especialização e MBA para descobrir qual atende melhor a sua necessidade

■Invista em uma instituição reconhecida e com credibilidade

■Tenha uma indicação. Converse com alunos e ex-alunos para ouvir opiniões sobre a dinâmica das aulas e a importância do curso na carreira deles

■Analise o corpo docente. Professores capacitados, com boa formação acadêmica e prática de mercado, quando necessário, são imprescindíveis para o sucesso da pós

■Cheque se o perfil dos alunos matriculados bate com o seu. Um trainee, por exemplo, pode se sentir um peixe fora d’água em uma turma de gestores

■Veja se a grade curricular contempla os assuntos de seu interesse

■Não faça várias especializações muito parecidas. Uma formação eclética amplia os horizontes

■No caso de MBAs, vale consultar os rankings para conhecer os melhores. Há listas baseadas na avaliação de alunos, empregadores e da comunidade acadêmica

■O preço dos cursos pagos também serve como termômetro. Se o valor for muito abaixo do da concorrência, desconfie

■Preste muita atenção às siglas e nomenclaturas. Nem todo curso vendido como MBA cumpre, de fato, o programa de um. Muitas entidades também oferecem cursos livres que não valem como especialização lato sensu

Uma pós-graduação pesa no currículo e influencia no contracheque. Pesquisa publicada em 2008 pela Fundação Getulio Vargas mostrou que cada ano de estudo adicional representa um aumento médio de 15% no salário. Mas essa não deve ser a única razão para alguém voltar aos livros. “O diploma não serve simplesmente para obter um emprego, mas para aprender a pensar”, acredita César Souza, presidente da consultoria Empreenda. Baiana radicada em São Paulo, a advogada Juana Melo Pimentel, de 33 anos, já fez uma especialização em direito empresarial e outra no novo Código Civil brasileiro. Agora, está terminando seu master of laws, espécie de MBA jurídico, em direito societário. “Esse último foi pago pela empresa”, conta a superintendente jurídica da Camargo Corrêa Desenvolvimento Imobiliário. “Como comando uma equipe de dez funcionários, pretendo ainda fazer uma pós em gestão de pessoas.”

Uma das faculdades que aparecem no currículo de Juana, o Insper, antigo Ibmec, ministra seus três MBAs executivos em nove salas com planta semelhante às da Universidade Harvard, nos Estados Unidos. “O formato de ferradura facilita a interação entre professor e alunos”, explica Irineu Gianesi, diretor de pós-graduação lato sensu do Insper. Em março a escola começará uma reforma que ampliará sua área em 80%. Vinte novas salas no padrão Harvard devem ser erguidas. No interior desses centros observa-se a formação de uma grande rede de contatos entre estudantes, professores e palestrantes convidados. Trata-se de uma maneira de conhecer as referências e os jargões daquele nicho, de conviver com profissionais da área e dividir experiências. Dessa convivência, não raro surgem propostas de emprego. “No grupo de e-mails da minha turma trocamos informações e indicações”, diz Leticia Vasconcelos, aluna da FIA. Formada em farmácia, ela atua como chefe da área de planejamento de demanda e abastecimento de uma multinacional. Investiu na pós para consolidar sua mudança para o ramo executivo. Seu curso exige pelo menos três anos de experiência na área gerencial — condição fundamental para a maior parte dos MBAs do tipo. “Quem nunca administrou nada não consegue assimilar o conteúdo”, explica o headhunter Robert Wong.

Na área da saúde, a lógica é oposta. Assim que concluiu a graduação em fisioterapia, em dezembro de 2008, Mariana Artilheiro, de 22 anos, emendou uma especialização de nome complicado: fisioterapia motora hospitalar e ambulatorial aplicada à neurologia, na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Cumpriu horas de prática no Hospital São Paulo e no Lar Escola São Francisco, que promove a reabilitação e a inclusão social de deficientes físicos de baixa renda. “É preciso se especializar para ter sucesso no mercado de trabalho”, afirma. Graduado em artes plásticas, o stylist Marcio Banfi trabalhou, nos anos 90, como assistente do estilista Alexandre Herchcovitch. Só depois partiu para a especialização. “Sentia falta de uma formação teórica em moda”, lembra. Caso raro entre seus colegas do mundinho fashion, ele é mestrando e professor da Faculdade Santa Marcelina.

Com tantas opções no mercado, vale quase tudo para se diferenciar e atrair alunos. Entre os catorze cursos lançados pelo Centro Universitário Senac neste ano, chama atenção o de administração de negócios do vinho. “Uma pesquisa mostrou que a oferta de vinhos no Brasil ainda é muito limitada por falta de conhecimento dos profissionais”, diz Juliana Trombeta Reis, criadora da especialização. “Queremos oferecer um panorama de toda a cadeia: produção, distribuição e venda.” A Faap acaba de formar sua primeira turma de especialistas em estratégia militar para a gestão de negócios. À frente do pelotão estão o general Antonio Burgos e o coronel Edson Rodrigues, ambos da reserva. “A estratégia nasceu na área militar e se aplica completamente à administração empresarial”, afirma Burgos. As relações são mesmo numerosas: liderança, geopolítica, prospectiva, logística e mobilização, inteligência e contrainteligência estão incluídas na grade curricular. Sem falar nas missões externas, como a viagem de sete dias à Amazônia para conferir a organização do Exército brasileiro. “Essa experiência agrega muito à vida executiva”, avalia o general. Seja em um auditório inspirado em Harvard, seja na selva amazônica, é tempo de volta às aulas.

CINCO MBAs BEM-CONCEITUADOS

Gestão de Luxo – FAAP
Pioneiro, traz conceitos de produção, distribuição, venda de produtos e serviços de luxo. Há doze candidatos para cada vaga. 4 semestres, 45 200 reais.

Master in information technology — Fiap
Tem disciplinas bastante específicas destinadas a profissionais com cargos de comando na área de tecnologia da informação. 3 semestres, 25 725 reais.

MBA marketing — FIA
Leva para a sala de aula discussões sobre as estratégias e a gestão de marketing nas empresas brasileiras e estrangeiras. 3 semestres, 35 840 reais.

MBA executivo em finanças — Insper
Com ênfase em finanças corporativas, foi lançado em 1987 e é certificado pela Association of MBAs (Amba). 4 semestres, 54 220 reais.

OneMBA — FGV
Totalmente em inglês, este programa executivo é oferecido em parceria com escolas de negócios dos Estados Unidos, Holanda, México e China. 3 semestres e meio, 112 000 reais.

CINCO ESPECIALIZAÇÕES CURIOSAS

Administração de negócios do vinho — Centro Universitário Senac
Oferece um panorama de toda a cadeia operacional do vinho, da produção à exposição nas gôndolas. Não é focado em degustação. 2 semestres 11 250

Design de interiores náutico esportivo — Centro Universitário Belas Artes
Específico para os interessados em design de embarcações. Há aulas sobre mobiliário, conforto e segurança do meio ambiente. 3 semestres, 22 572 reais.

MBA em gastronomia — Anhembi Morumbi
Administração, tecnologia, direito, economia e marketing, sempre relacionados aos negócios de gastronomia. 3 semestres, 16 803 reais.

Packaging 360º — Faap
Trata-se de um curso sobre embalagem destinado, principalmente, a designers gráficos e de produto. Entre as disciplinas, gestão da marca e inovação da embalagem. 3 semestres, 17 856 reais.

Personal training — Unip
Forma personal trainers, especialistas em programas de atividades físicas individuais. 2 semestres e meio, 3 133 reais.

– O Trote violento em Barretos

Dá para imaginar que existem idiotas, intitulados universitários, praticando trote por aí, em pleno século 21?

Sofri trote como universitário, e na oportunidade entendi que era “cultura da época”. Não apliquei trote. Hoje, boa parte das faculdades proibe ações como essa, condenam a selvageira e incentivam o chamado “trote social”, com ações solidárias adequadas.

Abaixo, olha o que aconteceu com alunos calouros que foram queimados em Barretos. Os veteranos jogaram líquido inflamável nos “bixos”, que começaram as aulas depois do Carnaval. A  foto foi reproduzida pela Agência Estado no momento em que entravam no hospital. Em seguida, a matéria:

Extraído de: http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20100224/not_imp515255,0.php

ALUNOS TÊM PELE QUEIMADA EM TROTE

por Brás Henrique

Sete calouros do Centro Universitário da Fundação Educacional de Barretos (Unifeb), na região de Ribeirão Preto, foram vítimas de trote violento na noite de anteontem, no início das aulas na instituição. Os alunos, todos da cidade vizinha de Jaborandi, desceram de um ônibus em frente ao Unifeb e dois veteranos que estavam no mesmo veículo jogaram nos calouros um líquido, provavelmente creolina. Eles sofreram queimaduras de primeiro grau.As vítimas foram levadas ao Pronto-Socorro da Santa Casa de Barretos e liberadas após o atendimento.

Dos quatro estudantes ouvidos pela reportagem, três afirmaram que preferem esquecer o trote e o outro, levar o caso à Justiça. “Quase fui atingido no olho. Se eu estivesse cego, o que adiantaria o pedido de desculpas dos veteranos?”, perguntou Ronier Jorge Ferreira Silva, de 30 anos, que trabalha como segurança de um banco em Jaborandi e está iniciando o curso de Engenharia Civil.

Um dos agressores procurou o segurança ontem, mas ele não quis conversar. “O (veterano) que levou a creolina trabalha com animais e sabe que esse produto não pode ser jogado puro nem em um cavalo”, afirmou. “Quero que eles sejam punidos e que isso sirva de exemplo.”

Murilo Daniel Fonseca, de 19 anos, calouro de Administração, aceitou o pedido de desculpas e prefere ignorar o caso. O rapaz, que sofreu queimaduras nos braços e nas costas, afirmou que esperava brincadeiras no trote, mas sem violência. “Foi uma brincadeira de mau gosto”, disse.

Rodolfo Henrique Sales de Olivera, de 18 anos, que começa o curso de Administração, foi atingido nas costas e no cotovelo. “Bastou o reconhecimento deles, o arrependimento. Para mim foi suficiente”, disse Oliveira.

Caloura de Matemática, Carla Fernanda Miguel, de 18 anos, ficou ferida no rosto, pescoço, tórax e pernas. Foi um amigo de Carla, apelidado de Toupeira, que jogou o líquido. Segundo ela, o estudante achou que se tratava de perfume. “Ele ficou apavorado, pediu desculpas e ajudou a pagar os medicamentos. Por isso acho melhor não fazer nada”, disse. As outras vítimas são João Mário Henrique da Silva, de 18 anos, Geraldo Pereira, de 23, e Patrick Adriano de Souza, de 23.

REPÚDIO

O reitor Álvaro Fernandez Gomes lamentou o episódio e afirmou que a instituição enviará um comunicado às vítimas repudiando o fato e solicitando a identificação dos agressores. O Conselho Universitário analisará o caso e os responsáveis poderão ser advertidos e até expulsos. A instituição tem 4,5 mil alunos, sendo 1,2 mil calouros.

– Professores a serem reciclados darão aulas antes da capacitação

Que saia justa o governador Serra passou! Houvera afastado os professores temporários da rede estadual de ensino, após baixas notas em avaliação deles, anunciou que era para reciclá-los, e agora confirma que por falta de docentes, eles irão dar aula.

Extraído de: Jornal Bom Dia

SERRA ADMITE CONTRATAÇÃO DE PROFESSORES REPROVADOS

por Fernando Zamelato

O governador de São Paulo, José Serra (PSDB), admitiu nesta quinta-feira, durante visita a Bauru, a contratação de professores temporários reprovados em um teste de avaliação feito no ano passado pelo próprio Estado para dar aulas na rede básica de ensino.

A prova visava justamente tirar das escolas os profissionais que não conseguiram a nota mínima. A melhora na qualidade do ensino é uma das principais metas da gestão Serra, pré-candidato à Presidência da República. A educação é considerada a área mais problemática do governo tucano, há 15 anos no comando do Estado.

“Nós vamos chamar, daqueles que não foram aprovados, os que que tiraram nota mais alta”, tentou minimizar Serra. “Na média, é uma melhora”, disse, durante inauguração do AME (Ambulatório Médico de Especialidades) da cidade.

Segundo a Secretaria Estadual da Educação, 40% dos temporários que já davam aulas no ano passado não tiraram a nota mínima –  acertaram menos de 40 das 80 questões aplicadas.

No total, 182 mil professores prestaram a prova, entre temporários e candidatos que tentavam ingressar na rede de ensino. Desses, 88 mil não estariam aptos, se fosse levado em conta o primeiro critério adotado pelo Estado, a dar aula.

Não é possível saber ainda exatamente quantos docentes reprovados serão convocados a trabalhar. Isso porque os professores efetivos (cerca de 130 mil) têm prioridade na escolha de aulas. As que sobram ficaram para os temporários.

As maiores dificuldades para preenchimento das vagas seriam nas matérias de  física e matemática. Além disso, escolas da periferia –  preteridas pelos efetivos – deverão receber os temporários que tiraram nota vermelha no exame. Em 2009, cerca de 80 mil foram chamados para substituir os efetivos.

A atribuição de aulas é feita de acordo com a nota na prova e o tempo no magistério – antes só a avaliação seria levada em conta, mas houve um recuo após pressão dos sindicatos da categoria.

Mesmo com o resultado ruim, o governador elogiou a iniciativa de avaliar os professores. “Nós fizemos uma coisa nova na história de São Paulo e do Brasil. Nós não íamos diminuir a qualidade do exame só para aprovar mais gente. Não teria sentido. E nem deixar os alunos sem aula.”

Docentes passariam por reciclagem

Quando lançou o programa “Mais Qualidade na Escola”, em maio do ano passado, o governador José Serra e o secretário estadual de Educação, Paulo Renato Souza, enfatizaram que a aprovação no exame obrigatório era pré-requisito para os professores temporários atuarem nas salas de aula.

“Somente serão admitidos para ministrar aulas os professores que forem aprovados na prova anual”, dizia o comunicado da Secretaria Estadual de Ensino na época.

“É um trabalho consistente e corajoso, que vai melhorar a qualidade da nossa educação”, justificou Paulo Renato.

O projeto foi lançado como a grande inovação da rede de ensino paulista um mês após Paulo Renato, ex-ministro da Educação do governo Fernando Henrique Cardoso, ter aceitado trocar o mandato de deputado federal para entrar no governo Serra.

O professor que não passasse no teste iria atuar em atividades auxiliares, nas salas de leitura, infocentros ou em programas de parceria com a comunidade. A ideia é que ele ficasse fora da sala de aula justamente para se aprimorar, o que, na prática, não vai acontecer, já que parte dos docentes que não tirou a nota mínima na prova vai trabalhar diretamente com alunos.

– Financiamento Estudantil agora pelo Banco do Brasil

Boa notícia aos estudantes. O FIES passa a ser oferecido, além da Caixa Econômica Federal, pelo Banco do Brasil.

Informações sobre o Financiamento Estudantil abaixo:

(Extraído de: http://www.portaljj.com.br/interna.asp?Int_IDSecao=1&Int_ID=102599)

BB OFERECE FIES

Os estudantes interessados em recorrer ao Fundo de Financiamento ao Estudante do Ensino Superior (Fies) para pagar a faculdade podem agora aderir ao programa por meio do Banco do Brasil (BB). Este ano o banco começa a operar os recursos do fundo estudantil, informou ontem o BB.Antes, a Caixa Econômica Federal era operadora exclusiva. No financiamento estudantil do Governo Federal, a taxa de juros é limitada a 3,5% ao ano e o valor financiável pode chegar a 100%, conforme mudanças publicadas no Diário Oficial da União de sexta-feira passada. De acordo com o Banco do Brasil, o prazo do financiamento pode chegar a três vezes o período do curso.

As amortizações começam após 18 meses de conclusão da graduação. Para o contrato, o aluno terá de apresentar fiador ou autorizar consignação em folha de pagamento. Inicialmente, preencherá cadastro no portal de internet do Ministério da Educação (www mec.gov.br) e depois deve procurar uma agência para entregar a documentação, do fiador e assinar o contrato. O Fies faz parte do Programa Universidade para Todos (ProUni) e a classificação dos candidatos é feita pelo Ministério da Educação (MEC).

– Sobram Vagas Gratuitas Para Formação de Professores!

Taí algo que não se faz alarde: estão sobrando vagas em instituições federais para cursos gratiuítos de formação de docentes, principalmente em Pedagogia!

Se puderem compartilhar com aqueles que desejam ingressar nos cursos, será uma válida boa ação. Abaixo, mais detalhes:

Extraído de: PINHO, Ângela. 6% das vagas do1º ano não são preenchidas. Folha de São Paulo, 19/01/2010, pg C3.

6% DAS VAGAS DO 1º ANO NÃO SÃO PREENCHIDAS

Em cursos que não são da área de formação de professores, esse percentual cai para 3,5%; situação contrasta com falta de docentes adequados.

Ao mesmo tempo em que faltam professores com formação adequada no ensino básico, estão sobrando vagas oferecidas por instituições públicas em cursos de pedagogia e licenciatura em disciplinas como biologia e matemática.

De acordo com o Censo da Educação Superior de 2008 (o mais recente), naquele ano 4.468 vagas não foram preenchidas nos processos seletivos para cursos de formação de professores em universidades e centros tecnológicos federais e estaduais, principalmente em cidades do interior.

Esse número representa 6% das vagas disponibilizadas para o primeiro ano de pedagogia e licenciaturas dessas instituições. Nas demais áreas, esse percentual cai para 3,5% -ficaram vagos, por exemplo, 14 lugares em cursos de direito. Em medicina, 5.

A sobra de vagas em cursos de formação de professores contrasta com a escassez de profissionais com formação adequada nas escolas públicas.

Segundo estudo do Inep (instituto ligado ao Ministério da Educação) feito com dados de 2007, mais de um em cada quatro professores do ensino básico não tem a habilitação exigida por lei -ensino superior com magistério.

Além disso, grande parte dá aulas em disciplinas diferentes da sua formação, o que ocorre principalmente em ciências. Em física, apenas 25% dos professores são graduados exatamente em física.

Para suprir essa deficiência, instituições públicas têm aberto cada vez mais cursos nessas áreas, mas a resposta tem sido, em muitos casos, desanimadora. É o caso da UFG (Universidade Federal de Goiás). Em 2008, das 40 vagas para licenciatura em física em Jataí, cidade a 327 km de Goiânia, apenas 6 foram ocupadas.

“É desanimador”, diz Henrique Almeida Fernandes, professor e coordenador do curso. “A gente se prepara tanto tempo para dar aula e chega lá e vê uma turma com poucos alunos que já chega desmotivada com a perspectiva profissional”, afirma.

Assim como Fernandes, outros professores e coordenadores de cursos atribuem as vagas ociosas e a baixa concorrência no vestibular à desvalorização do magistério.

A consequência, além da dificuldade de formar profissionais qualificados, é que as instituições acabam não conseguindo atrair os melhores alunos do ensino médio para seus cursos de pedagogia e licenciatura, o que depois vai se refletir na qualidade da educação básica, diz Mozart Neves Ramos, professor da UFPE (Universidade Federal de Pernambuco) e presidente do movimento Todos pela Educação.

Segundo ele, em sua universidade, a nota mínima no vestibular para um aluno de medicina foi de 8,29 pontos, em uma escala de 0 a 10. Para um aspirante a professor de matemática, ficou em apenas 3,29.

Além do desinteresse

Universidades que tiveram vagas de pedagogia e licenciatura não preenchidas apontaram também outros fatores possíveis para explicar o fato, além da pouca valorização da carreira.

Henrique Mongelli, pró-reitor de graduação da UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul), afirma que a instituição terá que analisar se ainda há demanda em cursos em que sobram vagas em cidades pequenas.

A secretária de Educação Superior do Ministério da Educação, Maria Paula Dallari Bucci, concorda que a desvalorização da carreira interfere na sobra de vagas, mas afirma que o quadro irá melhorar com medidas como o piso salarial do professor e a lei que permite ao aluno de universidade particular ter o curso pago pelo Estado em troca de trabalho em escolas públicas depois da formatura.

Ela diz também que a ociosidade de vagas deve diminuir com o novo sistema de seleção implantado a partir de fevereiro, que unifica o vestibular de diversas federais.

– Escola para Gays no Brasil

A iniciativa cidadã e pioneira mostra que os tempos estão mudados. Poderia ser louvável no aspecto de inclusão… entretanto, “separar” gays e heterossexuais (apesar de não ser proibitiva a matrícula de heteros) parace ser por ela própria segregatória.

Extraído de: http://noticias.terra.com.br/educacao/noticias/0,,OI4172952-EI8266,00-Campinas+tera+escola+do+Brasil+voltada+para+publico+gay.html

CAMPINAS ABRIRÁ PRIMEIRA ESCOLA GAY DO BRASIL

A primeira escola voltada para o público gay do Brasil será instalada em Campinas, no interior de São Paulo, e deve entrar em operação em janeiro de 2010. A nova Escola Jovem LGTB (Lésbicas, Gays, Transexuais e Bissexuais) oferecerá aulas de Expressão Literária, Expressão Cênica e Expressão Artística, além de um curso para formação de drag queens.

A grade curricular engloba tópicos artísticos como dança, música, TV, cinema, teatro e criação de revistas. O objetivo da instituição é fazer circular pelo Estado de São Paulo o material produzido pelos alunos – entre eles, CDs, DVDs, livros, revistas, peças de teatro e espetáculos de drag queens.

A unidade escolar surgiu a partir de um convênio entre a ONG E-Jovem, o governo do Estado de São Paulo e o Ministério da Cultura. Os cursos técnicos são gratuitos e têm duração de três anos.

As inscrições serão abertas em janeiro, ainda sem data prevista. Serão aceitOs prioritariamente interessados com idade entre 12 a 18 anos. Outras faixas de idade serão aceitas se houverem vagas. As inscrições também estão abertas ao público heterossexual.

As aulas terão início em março e, a princípio, devem ser criadas três turmas com 20 alunos cada.

De acordo com Deco Ribeiro, diretor da Escola Jovem LGTB, o contrato de convênio, com validade de três anos, foi assinado no último dia 16 de dezembro. Ainda não há um local definitivo para a sua instalação. “Estamos em uma corrida para acertar tudo até o início das atividades”, disse.

Segundo ele, a unidade em Campinas é a primeira do gênero no Brasil e a segunda na América Latina. Nos Estados Unidos existem várias unidades. Ribeiro disse que a intenção também é a de combater a homofobia e colocar em discussão a temática da população gay que, em geral, não é veiculada em currículos de estabelecimentos de ensino tradicional. “Sabemos que muitos alunos deixam de estudar por puro preconceito.” Sendo assim, diz ele, a escola dará um suporte no sentido de auto-aceitação do individuo através de cursos voltados às artes. “Os mais conservadores estão de cabelos em pé, já recebemos muitas mensagens nesse sentido como também muitos incentivos de pessoas querendo lecionar ou serem voluntárias. Acho que vai ser muito bom”, completou.

Os interessados podem entrar em contato com a direção da escola pelo endereço eletrônico escola@e-jovem.com.

– Trainees em Concorrência Desenfreada na área de Administração de Empresas

Ainda neste perído de aulas, comentamos com os formandos em Adm sobre as inúmeras oportunidades em processos de seleção de Trainees. Lembro que citei o famosos processo da Unilever, que atingiu a absurda marca de quase 2000 candidatos por vaga.

Pois bem, a Ambev quebrou esse recorde: 2307 cand/vaga. Cerca de 60.000 inscritos para 26 oportunos formandos e/ou alunos de oitavo semestre!

Para os nossos queridos ex-alunos que estão se preparando (e para aqueles que logo vão encarar tal desafio), veja a maratona (dica- o peso maior se dá aos alunos que conhecem Atualidades e possuem Espírito Crítico sobre temas polêmicos):

Extraído de: http://portalexame.abril.com.br/revista/exame/edicoes/0959/gestao/selecao-mais-concorrida-brasil-521772.html

A SELEÇÃO MAIS CONCORRIDA DO BRASIL

por Lucas Amorin

Um burburinho eufórico tomou conta da sede da AmBev, na zona sul de São Paulo, na manhã de sexta-feira 11 de dezembro. Um grupo de 26 jovens recém-saídos da universidade trocava ideia na área de convivência dos funcionários, um bar com chopeira e máquina de refrigerante instalado numa empresa obcecada por trabalho e pelos resultados que ele deve gerar. E o que essas 26 pessoas mais queriam fazer naquele momento era exatamente isso — trabalhar. O grupo forma a mais nova turma de trainees da AmBev e estava ali para seu primeiro compromisso oficial — um café da manhã com o presidente da companhia, João Castro Neves, e nove diretores. Entre porções de salada de frutas e pães de queijo, eles falaram sobre os rumos da empresa e os desafios que vão enfrentar ao longo de 2010. Nunca foi tão difícil participar desse tradicional ritual de iniciação, que acontece desde o primeiro programa de trainees, em 1990, ainda na antiga Brahma. No ano passado, foram 32 000 candidatos para 19 selecionados. Desta vez, o número de inscritos dobrou para quase 60 000 — o que resultou num recorde de 2 310 candidatos por vaga. Nenhum outro processo de seleção na iniciativa privada ou na esfera pública é tão concorrido no Brasil. A disputa por uma vaga na AmBev supera concursos públicos, como o da Polícia Federal, um dos mais disputados do país, com 192 candidatos por vaga. É também maior do que o vestibular de medicina da Universidade de São Paulo. “Todos que chegaram à etapa final do processo viam a entrevista de seleção como se fosse uma final de Copa do Mundo”, diz Arthur Ourivio Nieckele Massa, de 25 anos, recém-formado em ciências econômicas pela UFRJ e um dos 26 selecionados pela AmBev.

O recorde no número de inscritos ocorreu graças a uma reinvenção do programa. Pela primeira vez em sua história, por exemplo, a AmBev fez um estudo prévio para conhecer o público-alvo de seu programa de trainees — estratégia usada mais na área de marketing do que na de recursos humanos. Entre março e maio de 2009, a companhia reuniu dois grupos de universitários — um em São Paulo e outro no Rio de Janeiro — para uma bateria de entrevistas. Descobriu que, acima de qualquer outra coisa, os jovens dão preferência a empresas que lhes permitam um crescimento profissional rápido — justamente uma das características mais marcantes da AmBev. De posse dessa informação, a companhia optou por usar a possibilidade de ascensão acelerada como mote da campanha de divulgação. Questões que chegaram a ser destacadas em anos anteriores, como ações de sustentabilidade desenvolvidas pela companhia, passaram para segundo plano. “A pesquisa nos mostrou que tínhamos todos os atributos necessários para atrair os universitários, só não estávamos nos vendendo direito”, diz Tiago Porto, gerente de RH da AmBev e responsável pelo programa de trainees em 2009.

Uma vez definido como o programa seria “vendido”, era preciso alcançar o maior número possível de jovens — quanto maior o número de inscrições, maior a chance de encontrar gente boa. Atrair milhares de candidatos, portanto, não era visto como um estorvo, mas como uma oportunidade. Para ampliar o alcance do programa, a AmBev mergulhou na internet e nas redes sociais. Até 2008, os meios de divulgação utilizados eram apenas jornais e revistas. Em junho, porém, a situação começou a mudar. A AmBev enviou kits sobre o programa para 200 blogueiros selecionados e lançou um jogo no Orkut que simulava a distribuição de bebidas. No mesmo mês, um site específico para os candidatos entrou no ar e, em seis meses, teve mais de 300 000 visitantes. Seis trainees da turma de 2008 iniciaram blogs para contar as próprias experiências e responder às perguntas dos candidatos. “A verdade é que nós mesmos nos inscrevemos em 2008 sem saber muito bem qual seria a estrutura do treinamento”, diz Clarissa de Araújo, uma das blogueiras. “Por isso conseguíamos entender bem as dúvidas dos interessados em participar do programa.” Com seu nome divulgado no site, Clarissa passou também a receber convites de amizade e a conversar com candidatos que a encontram no Orkut e no Facebook. Em paralelo, executivos mais experientes ficaram responsáveis por apresentar a empresa e tirar dúvidas dos universitários. Nos anos anteriores, esses executivos participavam apenas de palestras organizadas em 60 universidades de todo o país. Desta vez, também conversaram com os potenciais candidatos em chats que aconteciam todas as sextas-feiras ao longo de dois meses. O mais concorrido deles, com o presidente João Castro Neves, atraiu 1 800 inscritos. “Esse tipo de interação é importante para mostrar que damos realmente valor ao programa”, diz Porto.

A triagem começou com uma prova online de inglês, português e conhecimentos gerais. Todos os candidatos que acertaram pelo menos metade das questões passaram para as fases seguintes, que previam a interação com funcionários da companhia. O primeiro contato foi com os trainees dos anos anteriores, que coordenaram as dinâmicas de grupo. À medida que as etapas avançavam, a graduação dos executivos que interagiam com os jovens também subia. Gerentes de fábrica faziam entrevistas em suas regiões. Diretores e o próprio Castro Neves cuidaram das etapas finais. Com o aumento do número de inscritos, mais executivos tiveram de se envolver no processo, já que a AmBev não terceiriza nenhuma etapa da seleção. Neste ano, 419 deles participaram de alguma fase do recrutamento — ante 300 em 2008.

O funil é tão estreito que dos 60 000 candidatos apenas 59 chegaram à última entrevista. Nessa etapa, eles foram divididos em dez grupos — e cada um deles se sentou frente a frente com Castro Neves e cinco diretores. Antes das conversas, cada executivo recebe uma espécie de dossiê com os pontos fortes e fracos de cada candidato e um relato sobre seu desempenho ao longo do processo. A entrevista dura cerca de 2 horas, e passa pelos mais variados temas. Os executivos perguntam o que cada candidato mudaria na companhia, questionam sobre quais os maiores líderes da atualidade, pedem opinião sobre temas polêmicos, como apagão e privatização. No fim, os aprovados devem ser escolhidos por consenso. “Queremos jovens com raciocínio lógico e brilho nos olhos”, diz Castro Neves.

Ao longo dos últimos 19 anos, o programa de trainees tem sido a principal máquina da fábrica de talentos em que a AmBev se transformou. Das 500 pessoas que já passaram pelo treinamento, 150 ocupam hoje cargos de gerentes seniores e 22 são diretores. Um deles, o carioca Luiz Fernando Edmond, tornou-se presidente em apenas 15 anos e, desde 2008, comanda as operações da ABInBev na América do Norte. Marcio Froes, presidente da Labatt no Canadá, também passou pelo processo. Desde o início os trainees são preparados para assumir cargos dessa importância. Nos primeiros cinco meses do programa, eles migram entre as fábricas, a área de vendas e a administrativa e têm a chance de conhecer cada detalhe do negócio — o que inclui tarefas tão distintas quanto carregar caixas de cervejas morro acima em favelas cariocas e participar de reuniões executivas no exterior. Depois, recebem cinco meses de treinamento na área que escolherem. Em dois anos, a maioria é promovida a gerente e, se cumprir as metas, embolsa até 18 salários extras por ano. A cobrança, como é de imaginar na ultracompetitiva cultura da AmBev, é proporcional às oportunidades. “Entrar no programa é só o primeiro passo”, diz Castro Neves. “Eu costumo dizer a esses jovens que eles precisam começar a entregar resultados logo no primeiro dia.”

Embora recordista em inscrições, a AmBev não é a única empresa que tem experimentado uma explosão no número de interessados em participar de seus programas de trainees. Na Unilever, que até o ano passado tinha o processo seletivo mais disputado do país, o número de candidatos passou de 35 000 para 47 000 no último ano. No Itaú Unibanco, o salto no mesmo período foi de 21 000 para 34 000 inscritos. Parte desse aumento se justifica pelo “congelamento” no número de vagas. Historicamente, a quantidade de companhias que oferecem esse tipo de recrutamento cresce 30% ao ano. Por causa da crise, em 2009 o número ficou estagnado em 200 empresas. Para Sofia Esteves, sócia e fundadora da Companhia de Talentos, consultoria especializada na coordenação de programas de trainees, a importância desse tipo de iniciativa deverá aumentar nos próximos anos. “Ter cada vez mais executivos qualificados vai ser primordial para um cenário de crescimento que deve vir pela frente”, diz ela. Nesse sentido, quebrar o recorde de candidatos é um bom começo — mas não uma garantia de que entre os 26 aprovados pela AmBev estarão os futuros diretores ou presidentes da companhia. “O tempo vai mostrar se essa é a melhor turma de nossa história”, diz Castro Neves.