Andrés Matias Matonte Cabrera, 35 anos, professor de Educação Física, é um dos árbitros em que a Conmebol mais investiu nos últimos anos. Jovem, já apitou (e muito bem) a final da Copa Sulamericana de 2021 entre Red Bull Bragantino x Athletico Paranaense. Esteve em diversas competições da FIFA e, de emblemático, apitou sem problemas o difícil Boca Juniors x Corinthians pela Libertadores 2022. Também trabalhou na Recopa Sulamericana entre Flamengo x Del Valle, além do Mundial de Clubes 2022, no Al Ahly x Real Madrid.
É chamado por muitos como “o árbitro de 3 copas”, pois, pela idade, terá uma carreira longa pela frente (já participou de 2022 no Catar, fatalmente estará em 2026 na América do Norte e em 2030, na abertura da Copa Multisede em Montevidéu. Aparentemente, segue os caminhos de Oscar Ruiz (colombiano que também entrou cedo para o quadro da FIFA e se tornou um dos principais árbitros da América do Sul)..
Suas características: média de 5,6 Cartões Amarelos e 0,13 Cartão Vermelho por jogo, corre bastante, está sempre perto da jogada, deixa o jogo fluir e não vira refém do VAR (aliás, um dos melhores VARs da Conmebol foi escalado: Leodán Gonzáles). Não assisti nenhum jogo onde ele foi rigoroso demais, e sempre percebo que usa muito bem as advertências verbais.
Que tenhamos uma ótima arbitragem!
Foto: Arte Esporte News Mundo / Esporte News Mundo
Eu critiquei os primeiros jogos do árbitro pernambucano Rodrigo José Pereira na série A pela sua insegurança em campo e excesso de cartões. Mas reconheço que ele tem evoluído.
Em Porto Alegre, num jogo chato, foi contestado sem motivo. Vamos aos 3 lances polêmicos:
06′: Matheus Bidu (SCCP) recebe a bola e tenta protegê-la, dentro da área. João Pedro (GFPA) se aproxima e ele cai. A dúvida é: sofreu uma falta ou simulou? Vendo e revendo, é um lance duvidoso. Eu, com as imagens disponíveis, entendo que ele cavou (quando percebe a aproximação do adversário, força a queda). Não marcaria o pênalti.
08′: Bruno Mendéz (SCCP) dá um carrinho lateral certeiro (desnecessário) em Lucas Besozzi (GFPA). É o típico lance que a FIFA mandou abolir no final dos anos 90… O árbitro erra ao aplicar somente o Amarelo, e o VAR acerta ao sugerir a correção. Vermelho correto.
80′: Bruno Alves (GFPA) dá uma entrada em Fagner (SCCP), com força excessiva. Correto Cartão Vermelho, aplicou o que a regra manda.
O mico da partida: corre pela Web as imagens do gerente de futebol do Corinthians, o ex-jogador Alessandro, invadindo as dependências do estádio para agredir o VAR e precisando ser contido. Mas desde 2022 o VAR é centralizado na CBF… Está todo mundo no RJ! A sala estava vazia.
Dias atrás, Rafinha cometeu duas faltas fortes e poderia ser expulso nas duas oportunidades (Palmeiras x São Paulo). Entretanto, Raphael Claus deu cartão Amarelo duas vezes a ele. O lateral são-paulino disse que Claus era palmeirense… (discordando da expulsão por reincidência).
Naquela oportunidade, “achei que o Claus era são-paulino“, pois “ajudou” Rafinha ficar mais tempo em campo, não aplicando na primeira oportunidade o Vermelho.
Neste domingo, aos 15m do segundo tempo, Marcos Leonardo (SFC) estava disparando para o gol, e Rafinha (SPFC) apela e trava o adversário colocando a perna na frente como último recurso. Claus (de novo ele) corretamente aplica o Cartão Amarelo. Mas…
Rafinha esbravejou, reclamou, levou as mãos ao Céu, chamou seus companheiros, discutiu, abriu os braços ao banco para reclamar, permaneceu “enchendo o saco” do árbitro (ufa), até que foi separado pelos seus companheiros.
Como um cara experiente como ele insiste em ser tão chato em campo? Não o via fazendo isso na Alemanha. Até a mãe do Rafinha lhe daria Amarelo!
Em tempo: Dorival Jr, inteligentemente, o separou.
Sinceramente, não achei que Gabigol merecia ter sido expulso no FlaFlu. Mas, na súmula, o árbitro Wilton Pereira Sampaio justificou: ele (no entender do juizão) interpretou que o flamenguista foi o causador da confusão entre os jogadores, culminando na reação de Nino.
Abaixo, extraído da súmula da partida:
Expulsão de Gabigol: “Expulsei aos 50 minutos do segundo tempo, com o cartão vermelho direto, o atleta sr. Gabriel Barbosa Almeida, da equipe do C.R do Flamengo, por praticar ação ofensiva e abusiva ao ir de encontro ao seu adversário de número 33, sr. Marcilio Florencio Mota Filho, dando uma peitada no mesmo, gerando um ato conflitivo entre eles e os jogadores de ambas as equipes, que foi prontamente controlado. O fato citado ocorreu com o jogo paralisado após a marcação de uma falta a favor da equipe visitante. cabe ressaltar que o referido atleta após o término da partida ingressou o campo de jogo indo ao encontro da equipe de arbitragem proferindo repetidas vezes as seguintes palavras : ‘quero saber por que você me expulsou?’, o mesmo foi contido por seus companheiros e retirado do campo de jogo”.
Expulsão de Nino: “Expulsei aos 50 minutos do segundo tempo, com o cartão vermelho direto, o atleta sr. Marcilio Florencio Mota Filho, da equipe do Fluminense Football Club, por ir de encontro ao seu adversário de número 10 sr. Gabriel Barbosa Almeida, após receber uma peitada do mesmo, segurar com as duas mãos o pescoço do referido adversário, por duas vezes, de forma agressiva e hostil, gerando um ato conflitivo entre eles e os jogadores de ambas as equipes, que foi prontamente controlado. O fato citado ocorreu com o jogo paralisado após a marcação de uma falta a favor de sua equipe”.
Falamos durante nossa jornada esportiva: para os 3 mais importantes jogos da rodada, iriam os 3 melhores árbitros no “Ranking Seneme”: Para o SanSão, Claus; para o Fla-Flu, Wilton; e para Massa Bruta x Fogão, Daronco(afinal havia sido poupado para esse jogo).
E não é que deu exatamente essa lista de nomes?
Os FIFAs, estando bem ou mal, vão sendo a garantia da CBF para “menor erro possível”. Eu ainda sou a favor de trazer árbitros europeus de primeira linha.
Para o confronto entre o Massa Bruta e o Botafogo, a equipe completa que arbitrará a partida:
Árbitro: Anderson Daronco – RS Bandeira 1: Rafael da Silva Alves – RS Bandeira 2: Luanderson Lima dos Santos – BA Quarto-árbitro: Douglas Marques das Flores – SP Assessor de Árbitros: Antonio Pereira da Silva – GO VAR: Wagner Reway – PB AVAR 1: Helton Nunes – SC AVAR 2: Elmo Alves Resende Cunha – GO Observador de VAR: Alício Pena Junior – MG
Daronco apitou vários jogos envolvendo as duas equipes (e até esse mesmo jogo no 1º turno, no Engenhão). Aliás, nos confrontos entre cariocas e paulistas, é o que mais trabalhou nesse ano.
O problema que vejo para essa partida é: a equipe de VAR! São os buscadores de “pelo em ovo”, tanto o árbitro como o AVAR; afinal, em muitos jogos protagonizaram chamados para lances equivocados.
Não estou convencido de que o zagueiro palmeirense foi bem expulso. Falávamos anteriormente que o árbitro costumava ser rigoroso nos cartões. Mas avalie:
– O flamenguista sofreu uma infração em situação clara e manifesta de gol?Não.
– Foi uma “gravata” aplicada que colocou em risco a integridade do jogador? Não.
– Foi conduta violenta / agressão, onde não se disputou a bola? Não.
Não consigo achar argumento para não aplicar o Cartão Amarelo.
Uma boa arbitragem (apesar do erro do bandeira número 2 Miguel Cataneo num impedimento no começo do jogo, mas que não resultou em gol – e a vacilada do próprio juiz no pênalti no finalzinho da partida) na Vila Belmiro.
Flávio Rodrigues de Souza marcou as faltas reais e não entrou na onda das faltas forçadas. Isso foi bom. Mas o primeiro tempo mostrou algo interessante: um Red Bull Bragantino ansioso, sem a posse de bola (que não é a sua característica), cometendo faltas bobas. Tal fato mostra que os garotos acabaram sentindo a pressão. Um número que mostra isso: no primeiro tempo, em faltas, o placar foi SPFC 4 x 16 RBB. A maior parte delas em lances de ataque, onde a afobação fez com que os jogadores de frente cometessem infrações.
Compare: contra o Atlético Mineiro, no jogo inteiro, o Massa Bruta cometeu 13 faltas. Domingo, contra o Corinthians, 12. Contra o Santos, lá mesmo na Vila Belmiro, apenas 8 (e hoje, somente no primeiro tempo, 16).Curiosamente, após as substituições no intervalo, o jogo mudou. Até os 18 minutos do segundo tempo, NENHUMA falta foi cometida.
A bobeada do árbitro (corrigida pelo VAR) foi: o pênalti de Talisson em David. Falamos na transmissão de que o atleta bragantino pega o pé do jogador tricolor e depois ele rebate na bola. Entretanto, Flávio não marcou e precisou de muito tempo discutindo com o VAR para reconsiderar. O lance aconteceu aos 43m do 2º tempo, e o pênalti cobrado aos 47’43”.
Curiosidade: o árbitro deu 8 minutos de acréscimo, depois mais 3.
Algumas anotações do jogo no “lance-a-lance”:
Aos 33m, Alisson (SPFC) comete uma falta em Helinho (RBB) que era para cartão amarelo. O árbitro adverte verbalmente, mas Juan (SPFC) reclama da marcação e recebe o cartão.
Aos 34m, Helinho cometeu sua 3ª falta e recebeu Amarelo. Bem aplicado.
Segundo tempo: Correto o Amarelo ao Lucas Evangelista.
Aos 31m: Gabriel Neves (SPFC) deu uma entrada muto forte em Jadson (RBB) e foi punido corretamente com cartão amarelo. Foi correto o árbitro ao não permitir uma vantagem, pelo clima do jogo.
Aos 36m: David (SPFC) atinge com o cotovelo Matheus Gonçalves (RBB) com o cotovelo após proteger a bola. Não foi uma infração proposital (pois aí seria agressão com Cartão Vermelho), foi um lance imprudente, que fez com que sangrasse bastante o adversário.
Aos 43m, Talisson tenta roubar a bola de David, atingindo pé e bola. Isso e pênalti. Flávio marca escanteio sem demonstrar convicção. E após muita demora, muda sua decisão e corretamente marca pênalti.
Vejo nas escalas que Anderson Daroncoestá poupado. Sendo assim, ele é o “Bola da Vez” para apitar Red Bull Bragantino x Botafogo no próximo domingo (seguindo o critério da CBF de evitar árbitro de jogo importante em escala uma rodada antes; vai que erra…)
Para Flamengo x Palmeiras, uma supresa: Rodrigo José Pereira de Lima – PE. E aqui muitas considerações: ele é o mesmo árbitro que revoltou Felipe Melo em Grêmio x Fluminense (lembremo-nos das postagens do atleta). É um juiz inseguro, que falta autoridade para advertência verbal e que aplica muitos cartões amarelos. O jogo “é maior” do que o árbitro…Mas por quê foi escalado? E a resposta é simples: Tanto Flamengo quanto Palmeiras não têm queixas contra ele (foi ele que apitou Palmeiras x Bahia recentemente, e o mesmo que apitou Flamengo x América, onde o Coelho reclamou dos critérios). Tomara que dê conta do jogo...
Para Corinthians x Atlético Mineiro: Bráulio Machado. O critério? É FIFA, tem que apitar jogo pesado. E para Goiás x Santos, de novo o Paulo Zanovelli(o árbitro FIFA que ganhou o escudo no colo, por ser de MG, e que não consegue se firmar – por isso é constantemente escalado, é para aprender na marra).
Para o confronto entre o Massa Bruta e o Tricolor do Morumbi (na Vila Belmiro) a CBF escalou a seguinte equipe de arbitragem:
Árbitro: Flávio Rodrigues de Souza – SP Bandeira 1: Danilo Ricardo Simon Manis – SP Bandeira 2: Miguel Cataneo Ribeiro da Costa – SP 4º árbitro: Thiago Luís Scarascati – SP Assessor de Arbitragem: Sérgio Cristiano Nascimento – RJ VAR: Herman Brumel Vani – SP AVAR: Fabrício Porfírio de Moura – SP AVAR 2: Márcio Henrique de Góes – SP Observador de VAR: Ricardo Marques Ribeiro – MG
Flávio tem sido discreto nos últimos jogos, não aparecendo em campo e nem se envolvendo em lances polêmicos. Têm histórico de erros em partidas do Bragantino (especialmente no Paulistão), mas está em boa fase.
Neste ano, não apitou nenhum jogo do Red Bull Bragantino. Curiosamente, apitou 6 partidas do líder Botafogo (e apitará uma 7ª: a do jogo remarcado para 23/11 entre Fortaleza x Botafogo).
Entenda esse panorama, e aí você entenderá a escala do Brasileirãopara a próxima rodada:
Na Inglaterra, os árbitros que trabalham na Premier League são profissionais e contratados por temporada. Ao final do seu contrato, podem ser rebaixados ou dispensados, se não forem bem.
Deles, Anthony Tayloré um dos maiores nomes da PGMOL (Professional Game Match Officials Board, a entidade que cuida da arbitragem da PL). Ele apitou a final da Liga Europa, esteve na Copa do Mundo e foi o árbitro no Mundial de Clubes. E por ter se equivocado em Wolverhampton 2×2 Newcastle (marcou um pênalti num contato físico normal de disputa de bola), foi rebaixado para apitar jogos da Championship (a segunda divisão).
Lá, isso é inadmissível. Um árbitro FIFA não pode marcar um pênalti inexistente e deve ser punido exemplarmente. E para o árbitro, é uma vergonha incomensurável.
Aqui no Brasil… vemos tais pênaltis a toda rodada sendo marcados. Árbitros são punidos ou não, afastados ou não, conforme a necessidade das escalas.
E por que isso ocorre?
Porque não temos bons e numerosos árbitros no quadro. Se Wilson Seneme afastar todo mundo que errar (como no erro de Taylor, que lá é exceção e aqui é corriqueiro), não teremos árbitros para apitar a Série A.
Vide: Bráulio Machado, afastado em Vasco x São Paulo, voltou em Botafogo x Palmeiras. E mesmo com todas as queixas, apitará Grêmio x Bahia. Daronco, outro contestado, no Fortaleza x Flamengo.
A estratégia é: afasta um ou outro árbitro por rodada (para dizer que houve punição), e resgata veteranos (Marcelo de Lima Henrique, Leandro Vuaden e Luiz Flávio de Oliveira), que estão quase aposentados, para tentar “segurar o rojão” nas rodadas finais.
Quando se tem um jogo importante, “se guarda” o árbitro uma rodada antes, a fim de ser preservado. É o caso de Raphael Claus, que foi poupado na anterior para estar nessa escala. Provavelmente, o árbitro de Flamengo x Palmeiras esteja descansando no próximo domingo (vou chutar que será Ramon Abel Abatti).
E sobre a escala em Bragança Paulista, toda ela, aqui:
Com Claus no apito nesse ano pelo Brasileirão, o Red Bull Bragantino não perdeu e o Corinthians não venceu. Mas não é culpa do árbitro, mas sim do desempenho natural das equipes.
Já havíamos falado anteriormente: Wilmar Roldán é sempre questionado pelos clubes brasileiros, sejam quais forem. E ele apitará Fluminense x Boca Jrs, a decisão da Libertadores da América.
A estatística dele entre clubes paulistas (de 2018 e 2023), era de 20 jogos por torneios da Conmebol, sendo apenas 7 vitórias (nenhuma em fase de semifinal ou final, o Palmeiras que o diga). Se pegar o histórico de clubes cariocas no mesmo período, em 12 partidas, foram 6 vitórias (números do Transfermarket)
Será a 4ª final de Libertadores da América que Roldan apitará (lembrando: os títulos de Corinthians e do Atlético Mineiro foram apitados por ele). Também será o 8º jogo do colombiano em partidas do Flu. Nas outras 7:
Quando assistimos a Copa do Mundo do Catar 2022, vimos a “Inteligência do Sistema Semi-Automático de Impedimento” mostrar imagens perfeitas e precisas sobre lances de impedimento. Um sonho inimaginável no Brasil?
Aqui, além de não termos esse sistema, nossos árbitros de vídeo são ruins e as imagens péssimas! Pior: nem para a escolha de imagens somos competentes…
Na 5ª feira, 4 lambanças em 3 jogos:
Cuiabá x Vasco da Gama: foram “6 minutos de indecisão” para tomar uma decisão, usando uma imagem não clara, desprezando uma outra (de outro ângulo) cuja impressão era de impedimento. O Dourado reclama com razão.
São Paulo x Cruzeiro: o milimétrico detalhe do gol anulado de Alisson leva a questionar se, com equipamento moderno, o lance não teria sido legal? Se no “Bruto” as imprecisões são nítidas, imagine no “Refinado”?
Goiás x Red Bull Bragantino: o que seria o 2º gol do Massa Bruta (e aí o placar 0x3) foi anulado por uma marcação de linhas muito mal feita. Talisson teve o gol anulado pois antes de receber a bola, o VAR traçou a linha no cotovelo de Vitinho. Não estava impedido, aquela região do corpo não se pode jogar, e a linha deveria ser traçada no ombro. Errou o VAR (vide abaixo o print). O interessante é que, pouco depois, nova trapalhada: o 3º gol do Bragantino (o 2º que valeu), foi validado corretamente – mas no telão mostrou a linha traçada com o jogador errado, levando a uma imagem curiosa no reinício do jogo: os jogadores mostrando que estava escrito “Não Impedimento”, mas congelada em Vitinho, impedido, que não estava no lance! Aí virou o “samba do criolo doido“, como diria o poeta…
Como o VAR não é uma obrigação da Regra do Jogo (e, portanto, você pode optar em utilizá-lo ou não), que tal abandonarmos no próximo Brasileirão o recurso?
Sobre a expulsão de Adryelson: é um lance muito interpretativo. Não foi pela violência, mas por parar um jogador que estava no ataque. Deve-se perguntar: se ele não sofre a falta, estaria livre para uma oportunidade clara e manifesta de gol? Ía para a meta? Alguém o alcançaria? Eu não daria o Cartão Vermelho, mas o Amarelo. Entretanto, não é loucura interpretar (com rigor) e expulsar.
Sobre o pênalti cometido por Roni: a regra mandava expulsar antigamente, pois ali se comete uma infração numa oportunidade clara e manifesta de gol dentro da área. Porém, alegando ser algo muito rigoroso, a IFAB mudou: quando for pênalti, se aplica Amarelo, e não mais o Vermelho (somente se estiver em disputa de bola, pois em casos de mão na bola ou agressão, continua a valer a expulsão).
Me impressiona e me desagrada: o cerimonial do árbitro e do VAR!
A cada ida ao monitor, se faz um rito. A cada marcação de pênalti, um evento. Precisa querer fazer pose e se aparecer? Os atletas são os artistas, não o árbitro.
Para o confronto entre o Esmeraldino e o Massa Bruta, a CBF escalou:
Árbitro: Rodrigo José Pereira de Lima – PE Árbitro Assistente 1: Kleber Lúcio Gil – SC Árbitro Assistente 2: Francisco Chaves Ferreira Jr – PE Quarto Árbitro: Anderson Ribeiro Gonçalves – GO Assessor de Arbitragem: Adriano de Carvalho – TO VAR:Daniel Nobre Bins – RS AVAR1: Eder Alexandre – SC AVAR2: Alexandre Vargas Tavares de Jesus – GO Observador de VAR: Ricardo Marques Ribeiro – MG
Rodrigo tem 36 anos e é Guarda Municipal em Jaboatão de Guararapes / PE. No ano passado, teve a oportunidade de trabalhar na Série A pela 1ª vez. Nesse ano, está tendo mais escalas e atuando com certa regularidade. Entretanto, destoou negativamente em Vasco x Santos (não marcou nenhum lance polêmico, errando especialmente em um pênalti para o time da casa).
Quando trabalhou em seu primeiro jogo do Red Bull Bragantino na Série A, foi contra o Fluminense no Maracanã (vide aqui: https://wp.me/p55Mu0-3hn). Naquela oportunidade, se mostrou bem inseguro e distribuiu bastante cartões.
Aliás, um defeito desse árbitro é o excesso de cartões amarelos, que ele tenta diminuir rodada a rodada (muitas vezes, o uso indevido do cartão amarelo é por conta da falta de autoridade).
Lamentavelmente, Reinaldo foi mal também em Porto Alegre, causando em Grêmio x Fluminense a “revolta de Felipe Melo”, que virou um desabafo folclórico do jogador. Depois foi o mesmo árbitro que deu Amarelo para Pavón, num São Paulo x Atlético, por comemorar chutando a bandeira (e que não deveria ter recebido). Me recordo, ainda, de América x São Paulo, onde ele expulsou Mastriani injustamente e pouco tempo depois “compensou” expulsando também injustamente Arboleda.
Entenda esse panorama, e aí você entenderá a escala do Brasileirãopara a próxima rodada:
Na Inglaterra, os árbitros que trabalham na Premier League são profissionais e contratados por temporada. Ao final do seu contrato, podem ser rebaixados ou dispensados, se não forem bem.
Deles, Anthony Tayloré um dos maiores nomes da PGMOL (Professional Game Match Officials Board, a entidade que cuida da arbitragem da PL). Ele apitou a final da Liga Europa, esteve na Copa do Mundo e foi o árbitro no Mundial de Clubes. E por ter se equivocado em Wolverhampton 2×2 Newcastle (marcou um pênalti num contato físico normal de disputa de bola), foi rebaixado para apitar jogos da Championship (a segunda divisão).
Lá, isso é inadmissível. Um árbitro FIFA não pode marcar um pênalti inexistente e deve ser punido exemplarmente. E para o árbitro, é uma vergonha incomensurável.
Aqui no Brasil… vemos tais pênaltis a toda rodada sendo marcados. Árbitros são punidos ou não, afastados ou não, conforme a necessidade das escalas.
E por que isso ocorre?
Porque não temos bons e numerosos árbitros no quadro. Se Wilson Seneme afastar todo mundo que errar (como no erro de Taylor, que lá é exceção e aqui é corriqueiro), não teremos árbitros para apitar a Série A.
Vide: Bráulio Machado, afastado em Vasco x São Paulo, voltou em Botafogo x Palmeiras. E mesmo com todas as queixas, apitará Grêmio x Bahia. Daronco, outro contestado, no Fortaleza x Flamengo.
A estratégia é: afasta um ou outro árbitro por rodada (para dizer que houve punição), e resgata veteranos (Marcelo de Lima Henrique, Leandro Vuaden e Luiz Flávio de Oliveira), que estão quase aposentados, para tentar “segurar o rojão” nas rodadas finais.
Quando se tem um jogo importante, “se guarda” o árbitro uma rodada antes, a fim de ser preservado. É o caso de Raphael Claus, que foi poupado na anterior para estar nessa escala. Provavelmente, o árbitro de Flamengo x Palmeiras esteja descansando no próximo domingo (vou chutar que será Ramon Abel Abatti).
E sobre a escala em Bragança Paulista, toda ela, aqui:
Com Claus no apito nesse ano pelo Brasileirão, o Red Bull Bragantino não perdeu e o Corinthians não venceu. Mas não é culpa do árbitro, mas sim do desempenho natural das equipes.
Logo no começo dos acréscimos do 1º tempo, o Furacão está no ataque e numa dividida a bola sobra para o goleiro tricolor Rafael. Ele segura a bola, se equilibra e a tem dominada. Quando vai repor, o árbitro paralisa o jogo e permite o atendimento médico de dois jogadores que estão caídos. O reinício se dá através da nova regra do “bola ao chão”, que permite a posse de bola de quem a dominava, com distância de 4m dos demais adversários.
O árbitro Rafael Rodrigo Klein faz o procedimento correto de bola ao chão para o goleiro Rafael (lembrando: ele tinha pleno domínio da bola).O arqueiro deixa a bola rolar no chão, a toca, mantém o domínio com os pés(e a partir daí, não pode mais voltar a pegá-la com as mãos, uma situação que ocorre desde o início dos anos 90). Ao ver a proximidade do atacante do Athletico, ele se agacha, e aí começa aquela situação comum dos anos 80: goleiro se aproxima para agarrá-la, fica ameaçando, enquanto o adversário ameaça dar o bote. E Rafael a agarra (o que não podia). Teria que ser marcado tiro livre indireto dentro da área para o Athletico Paranaense, por uso indevido das mãos do goleiro em momento que não lhe é possível.
Ninguém percebeu, reclamou ou falou. Claro, é um lance atípico e que por anos (se bobear, décadas) não víamos mais no futebol. Mas é a regra… Provavelmente, a paralisação por um bola ao chão fez com que se bobeasse; mas não há dúvida quanto ao domínio de bola antes da paralisação, a continuidade do domínio com os pés depois do reinício e o toque com as mãos irregular a posterior.
Depois de uma horrorosa arbitragem de Wagner Magalhães (FIFA-RJ), que deu motivos para reclamações do Santos FC, reforçou-se uma nova teoria da conspiração: a de que árbitros cariocas querem ajudar os times do Rio de Janeiro na parte de cima e na parte de baixo da tabela.
Infelizmente, escrevi nas últimas avaliações de arbitragem que os erros e o mau condicionamento físico do árbitro carioca Wagner Magalhães o faziam parecer um juiz de campeonato de veteranos.
Há pouco, com o braço colocado no corpo, a bola bate no jogador do Santos (Dodô) e ele marca pênalti.
Pior: tem VAR, e ele confirma!
Como justificar moviendo antinatural? Ou intenção? Ou qualquer coisa que o valha?
Não adianta ter uma ferramenta tão boa. O elemento humano, cada vez mais no Brasil, destrói o VAR.
Está virando rotina por parte de alguns clubes: atinge-se um objetivo, tira-se o pé?
O São Paulo ganhou a Copa do Brasile “largou o Brasileirão“. Outros clubes já fizeram isso: o Grêmio quando priorizava as Copas é outro exemplo. Ou ainda: a situação em que um clube faz 1×0 no começo do jogo e abdica de jogar para segurar o placar.
Fica a pergunta: tal relaxamento foi o culpado pelos 5×0 sofrido diante do Palmeiras, ou nada disso: foi um jogo de esforço mútuo onde o Verdão estava com sangue nos olhos e superou um adversário que queria jogar (mas não conseguiu)?
Em 26 de outubro de 1863, findava em Londres uma vitoriosa campanha encabeçada por universitários e pelo jornalista John Cartwright: a da padronização das diversas práticas de ‘football’.
Como o esporte era jogado sob a orientação dos diversos colégios e associações esportivas, não haviam regras únicas para o futebol. Há mais de um século e meio, na Freemason’s Tavern, dessa união de esforços nasceu a “The Football Association” (a FA é a ‘CBF inglesa’), que visava, como mote maior, divulgar um único conjunto de medidas para que o jogo de futebol fosse disputado uniformemente em toda a Grã-Bretanha.
Nascia assim o livro The Simplest Play, que nada mais eram as Regras do Jogo de Futebol, com 14 capítulos.
Vamos a algumas curiosidades? Selecionei 11 itens, já que em 1870 o futebol passou a ser jogado com esse número de atletas, definido pela regra 3 até hoje.
1) As traves (Regra 1) eram compostas apenas por postes; o travessão (ou seja, a parte de cima da meta) só surgiu 2 anos mais tarde, tamanha era a confusão para se determinar se os chutes muito altos tinham sido gol ou não;
2) Infrações (Regra 12) eram resumidas como: ‘são proibidas rasteiras, caneladas e cotoveladas, bem como golpear ou segurar a bola com a mão’; simples assim!
3) Não existia a figura do árbitro (Regra 5), que só surgiu em 1868, e ficava sentado numa cadeira, na sombra, servindo para tirar as dúvidas dos capitães das equipes (que eram as pessoas que decidiam se havia alguma falta ou não em comum acordo). Somente em 1878 é que surgiu o apito, mas ainda não servia para marcar faltas, mas para avisar sobre o começo e término dos jogos. Em 1881, enfim o árbitro entrou em campo e começou a decidir sobre infrações sem a consulta de capitães, fazendo parte da regra.
4) O tempo de jogo (Regra 7) é definido em 90 minutos (1893), com intervalo e acréscimos. Antes, se desse o tempo, encerrava a partida imediatamente, quer a bola estivesse no ataque ou não.
5) O pênalti (Regra 14) surge em 1891. Até então, nas faltas próximas ao gol, os jogadores se aglomeravam em cima da linha de meta e formavam um muro sobre ela.
6) Diversas infrações poderiam deixar de serem marcadas, caso a equipe que sofresse a falta achasse que não importava a marcação. Ou seja, nascia em 1903 a “lei da vantagem” (não era o árbitro quem determinava se seguia ou não o lance).
7)O goleiro podia segurar a bola com a mão por toda a sua metade do campo. Em 1907, radicalizou-se e o arqueiro só podia colocar as mãos dentro da grande área. Mas somente em 1921 alguém teve a idéia de que eles deveriam usar roupas diferentes dos jogadores de linha, para não confundir as pessoas.
8) Preocupada com a saúde dos atletas, decidiu-se em 1924 que, se o árbitro considerasse que um jogador estivesse contundido, deveria parar o jogo para que ele fosse atendido. Antes, o lesionado deveria se arranjar sozinho para deixar o campo e o jogo não deveria ser interrompido.
9) Uma revolução aconteceu em 1925: o impedimento (Regra 11) passou a exigir que ao menos 2 atletas (antes, eram 3) estivessem dando condição para que o jogo prosseguisse.
10) Em 1938, numa ‘reengenharia’ esportiva, definiu-se as 17 regras do futebol que persistem até hoje, com algumas alterações ao longo do século.
11) Somente em 1970 permitiu-se substituições de atletas universalmente (Regra 3). Antes (desde 1966), eram permitidas somente em partidas que envolvessem clubes. Também temos a adoção dos cartões amarelos e vermelhos (Regra 12).
É claro que ao longo do século XX outras tantas modificações surgiram, como o tempo de 6 segundos da posse do goleiro com a bola nas mãos, mesma linha deixar de ser impedimento, 3ª substituição, área técnica, entre outras. E no século XXI, o VAR.
E você, teria alguma sugestão para mudanças de Regra do Futebol, no dia do seu aniversário de 159 anos?
Ontem, estando de frente para o lance, não viu o pênalti cometido por Leio Ortiz e, se não fosse o VAR, teria errado feio (como errou na oportunidade citada) não marcando a favor do Massa Bruta.
Compensação? Não, não posso pensar nisso. Erro técnico, creio.
Porém, a bola foi tirada do gol pelo braço de Ortiz (ele cai e levanta o braço, movimento intencional), na clássica situação de lance claro de gol. Era para Cartão Vermelho(não para Amarelo – e aí que residem as reclamações do Atlético Mineiro).
AMARELO só é em lance de disputa de bola dentro das condições especificadas na Regra, não pelo uso da mão.
O humorista Antonio Tablet publicou em seu twitter esse trecho da inusitada entrevista de um jogador criticando seu técnico. Hilário! Mas… será que muitos atletas, árbitros e subordinados no futebol não desejavam desabar como ele fez?
Que pena não ter mais detalhes das equipes, só sei que o boleiro se chama Anderson, reclamando que seu time, o Liberdade de Marabá, estava vencendo o jogo por 2×0 contra o Juventus / PA e deixou empatar. Vale assistir, abaixo: https://twitter.com/antoniotabet/status/1453129415395840002
Aquela entrevista que mostra como o treinador domina o vestiário.
Para o confronto entre o Massa Bruta e o Galo, arbitrarão a partida:
Árbitro: Marcelo de Lima Henrique – RJ Bandeira 1: Rodrigo Figueiredo Henrique Correia – RJ Bandeira 2: Márcia Bezerra Lopes Caetano – RO Quarto-árbitro: Douglas Marques das Flores – SP Assessor de Árbitros: Adriano de Carvalho – TO VAR: Rodolpho Toski Marques – PR AVAR 1: Helton Nunes – SC AVAR 2: José Mendonça da Silva Jr – PR Observador de VAR: Rodrigo Pereira Joia – RJ
Apesar dos seus 52 anos de idade (está há 21 anos na Série A do Brasileirão), o militar Marcelo de Lima Henrique (carioca, mas que está apitando pelo Ceará) continua bem fisicamente. Até pela necessidade de renovação no quadro, ele não tem apitado a mesma quantidade de jogos na Primeira Divisão do que outrora, mas nos jogos decisivos das outras divisões, ele se tornou uma atração. Mantém razoavelmente o bom nível técnico de antes. Porém, pisou feio na bola em América vs Red Bull Bragantino(vide aqui sobre o pênalti de queimada marcado, em: https://wp.me/p4RTuC-PSb).
Para o importante jogo entre o Massa Bruta e o Tricolor Carioca, a CBF escalou:
Árbitro:Wilton Pereira Sampaio (GO) Bandeira 1: Nailton Junior de Sousa Oliveira (CE) Bandeira 2: Leone Carvalho Rocha (GO) Quarto Árbitro: Fabiano Monteiro dos Santos (SP) Observador de Campo: Francisco de Assis Almeida Filho (CE) VAR:Daniel Nobre Bins (RS) AVAR: André da Silva Bitencourt (RS) AVAR 2: Jefferson Ferreira de Moraes (GO) Observador de Vídeo: Alicio Pena Jr (MG).
Depois de apitar Corinthians 4×4 Grêmio e não marcar um pênalti claríssimo ao Grêmio, Wilton Sampaio foi para a geladeira (vide aqui: https://wp.me/p4RTuC-PQr). Ele já tinha ido mal no Grêmio x Bahia…
Enfim assistimos uma “arbitragem à Europeia”, sem marcar faltinhas forçadas ou alastrar para jogadores. Claus estava ligadão, correu o tempo todo e mostrou-se respeitado. Apitou, felizmente, com vontade. Apesar do campo molhado, pouquíssimas faltas marcadas em um jogo onde os clubes procuraram o gol a todo momento. Agradabilíssima partida para quem gosta de futebol (ao menos, pelo primeiro tempo, pois no segundo o placar foi logo resolvido).
Nossas anotações abaixo:
O pênalti a favor do Red Bull Bragantino: corretamente marcado, não houve qualquer dúvida.
Pênalti reclamado aos 32m por mão na bola: nada a se marcar, estava bem posicionado o árbitro.
42m: Lucas Braga entra na área, tem a chance do drible e ao perceber o carrinho de Lucas Cândido, cai. Nada marcou Claus, corretamente.
43m: Jean Lucas está partindo para o ataque, sente a proximidade de Luan Patrick e se joga descaradamente. Acertou o árbitro ao marcar simulação e dar cartão amarelo ao santista.
48m: Luan Patrick impede o contra-ataque de Marcos Leonardo e recebe Amarelo. Correto.
65m: Dodi apela e agarra Lucas Evangelista na entrada da área. Cartão Amarelo bem aplicado.
A pergunta é: é tão difícil para os clubes buscarem o jogo de maneira limpa, esquecendo a arbitragem?Quando os árbitros não são pressionados, eles se comportam melhor e os lances duvidosos diminuem.
A Federação Paulista de Futebolconfirmou o desligamento de Ana Paula da Silva Oliveira, que era a presidente da Comissão de Arbitragem.
Em seu lugar, assumirá (ao menos interinamente) Silvia Regina de Oliveira.
Os grandes problemas foram: a dificuldade de relacionamentocom seus pares (como o episódio Edina Alves, no jogo Inter de Limeira e Red Bull Bragantino), a exposição (lembram das fotos no camarote do Morumbi, que precisou de pedido de desculpas?) e os riscos que aceitou correr no processo de renovação da arbitragem (insistência com nomes que não vingavam, árbitro de 23 anos em Derby)…
Dias atrás, jogaram Shaktar x Porto. Eis que a equipe portuguesa estava no ataque, e um defensor ucraniano se contundiu sozinho. O atacante do Porto, percebendo o fato, ao invés de se aproveitar da situação, colocou a bola para fora (abaixo, o lance citado em vídeo).
Tal gesto foi aplaudido por muitos. Por outros… duramente criticado.
Compartilho abaixo um artigo do ex-árbitro FIFA Duarte Gomes, onde ele aborda: no futebol, há ainda o Fair Play que deve ser incentivado, mesmo que isso possa parecer ruim para muitos.
QUANDO O FAIR PLAY DE UNS ESBARRA NA INSANIDADE DE OUTROS
Por Duarte Gomes
Por cada comportamento mais acalorado ou irresponsável, há sempre duas ou três dúzias de exemplos positivos, atitudes nobres e valentes, que sublinham o caráter dos seus autores e a essência do que realmente se espera num desportista de eleição.
Mas… há sempre um mas.
Sempre que somos presenteados com momentos desses, que devemos valorizar e aplaudir insistentemente, logo surge quem tente diminuí-los e ridicularizá-los, como se essa coisa de ter atitudes dignas fosse algo nosense, incompatível com as exigências desportivas e financeiras da alta competição.
A luz quando nasceu, nasceu para todos, mas infelizmente há quem insista em viver na sombra.
Esse padrão, essa forma cinzenta e magoada de estar na vida e no desporto, não tem culpa apenas própria. Provém também de uma determinada formatação cultural, de hábitos incutidos desde cedo, que impede pessoas boas de verem coisas bonitas e elogiáveis. Há quem realmente não tenha capacidade para reconhecer feitos nem elogiar ou aplaudir tudo o que de bom é produzido por outros.
Queria dar-vos apenas três exemplos recentes, entre tantos outros que poderia aqui citar:
1. No jogo da passada 3ª feira entre Shakthar Donetsk e FC Porto, Galeno, jogador da equipa azul e branca, teve um gesto que mereceu até rasgados elogios do clube derrotado (!): ao ver que um defesa contrário estava em evidentes dificuldades físicas, o avançado azul e branco abdicou da jogada de ataque que conduzia (e que era prometedora), colocando a bola fora das quatro linhas, de forma a que lhe fosse prestada assistência médica. Além de alguns jogadores do Shakthar, até o árbitro lhe agradeceu a atitude bonita.
Adivinhem a reação dos mais indefectíveis? ” Se estivesse a perder, não fazia… Eu queria era ver se fosse no início do jogo… Aquilo que ele faz cá é bem pior… São gestos da tanga, não valem nada…”Este é um grande artista”…
Vale a pena dizer mais alguma coisa? Este tipo de comentários não dizem quase nada sobre a atitude fantástica do extremo brasileiro, mas dizem quase tudo sobre quem pensa e fala dela assim. Certo?
2. No dia seguinte, António Silva, jovem central encarnado, reconheceu publicamente que tinha tido opção técnica infeliz no decorrer do jogo com o Salzburgo, penalizando a equipa com a sua expulsão, além do pontapé de penálti que resultou em golo para o adversário.
Querem mesmo ler algumas das reações imediatas a esse mea culpa espontâneo?
” Se fosse um jogo em Portugal, não te deixavam abrir a boca… Não percebo porque é que teve necessidade de falar, calado era um poeta… Estás é com medo de perder o lugar no onze… Se fosse contra X ou Y não abrias a boca, assim é fácil”…
É como é. Poucochinho mas elucidativo.
3. No jogo de abertura desta jornada (Famalicão/Arouca), o avançado arouquense Mujica viu cartão vermelho direto após pisar deliberadamente o corpo de um adversário que estava no solo. O momento foi feio, a sanção foi justa, mas foi a sua reação que ficou na retina: o jogador espanhol acatou a decisão, pediu desculpa, cumprimentou o árbitro e abandonou o terreno de jogo com a resignação de quem sabe ter errado.
Algumas das coisas que se escreveram sobre esse momento foram tão más que nem vale aqui pena citar. Digamos que ficaram na linha dos comentários anteriores.
A capacidade que algumas alminhas têm em transformar ouro em chumbo, só é possível quando há lacunas evidentes nas suas cabecinhas e corações.
A verdade é que cada um de nós, todos nós, devemos aproveitar todos estes bons exemplos para fazer pedagogia, para mostrar o lado melhor que o desporto tem, para contagiar outros atletas e agentes desportivos a fazerem exatamente o mesmo.
Boas práticas nunca são demais, sejam menores ou maiores, venham do norte ou do sul.
Fairplay não tem clube nem rivais. Não entra em campeonatos, não compete nem rivaliza com ninguém. É maior, muito maior do que tudo isso.
É a favor disso e contra pensamentos rasteirinhos que devemos continuar a lutar, não que isso vá mudar quem está demasiado velho para se livrar de raciocínios brejeiros, mas porque pode afetar positivamente a forma como os seus filhos e netos estarão no desporto e na vida.
Por mais e mais gestos como o dos Galenos, Antónios e Mujicas.
Para o importante jogo entre o Peixe e o Massa Bruta, a CBF escalou:
Árbitro: Raphael Claus (SP) Bandeira 1: Alex Ang Ribeiro (SP) Bandeira 2: Daniel Paulo Ziolli (SP) Quarto Árbitro: Thiago Lourenço de Matthos (SP) Observador de Campo: Antonio Pereira da Silva (GO) VAR: Igor Junio Benevenuto de Oliveira (MG) AVAR: Frederico Soares Vilarinho (MG) AVAR 2: André Luís Skettino Policarpo Bento (MG) Observador de Vídeo: Hilton Rodrigues Moutinho (RJ).
Uma escala bem conservadora, afinal é jogo grande: Claus dispensa apresentações, é árbitro de Copa do Mundo, renomado e respeitado. Pelo status alcançado pelo Red Bull Bragantino e pela sua posição na tabela, nada a contestar na escala (enfim, fora de casa, um não-novato escalado, o que é bom). Idem aos seus experientes bandeiras.
Me chama a atenção o AVAR 2: apitou vários jogos da Série A para ganhar experiência, e André Luís Skettino Policarpo Bento vai para o monitor? Não entendo… aliás, nessa rodada temos Leandro Pedro Vuaden, Marcelo de Lima Henrique e Luiz Flávio de Oliveira escalados. Desse jeito, não vai ser fácil renovar o quadro (e talvez a CBF nem saiba fazer isso, pela forma como os jovens árbitros são lançados).
Por fim: não gostei do VAR. Igor Benevenuto, que respeito demais, não está lá na melhor de sua fase, mas quero crer que vá bem nesse jogo.
Desejo boa sorte à equipe de arbitragem e uma ótima partida de futebol!
Com todo respeito, o juizão venezuelano que apitará no Estádio Centenário pelas Eliminatórias é sofrível... Alexis Herreratem 33 anos, natural de Carabobo, com 12 anos de carreira como árbitro e há apenas 6 temporadas no quadro da FIFA.
Quando entreou para o quadro internacional (bem jovem), logo de cara apitou Jr Barranquilla x Flamengo, onde Teo Gutierrez deu uma cotovelada em Felipe Luiz e nem recebeu cartão amarelo. Passou batido.
Com todo respeito, o juizão venezuelano que apitará no Estádio Centenário pelas Eliminatórias é sofrível... Alexis Herreratem 33 anos, natural de Carabobo, com 12 anos de carreira como árbitro e há apenas 6 temporadas no quadro da FIFA.
Quando entreou para o quadro internacional (bem jovem), logo de cara apitou Jr Barranquilla x Flamengo, onde Teo Gutierrez deu uma cotovelada em Felipe Luiz e nem recebeu cartão amarelo. Passou batido.
1- O Santos FC, com o mesmo elenco, começou a jogar um bom futebol com Marcelo Fernandes. Não jogava antes pois era culpa dos treinadores anteriores?
2- O Botafogo venceu o clássico contra o Fluminense. Mérito do técnico Lúcio Flávio, que fez algo que Bruno Lage não fazia: contentar o elenco?
3- O Bahia ganhou do Goiás lá em Goiânia, tendo Rogério Ceni como treinador. Os resultados ruins eram por culpa de Renato Paiva, o ex-treinador, pois é o mesmo elenco que está jogando?
O Vasco da Gamade Ramon Diaz passou por algo parecido, mas diferencia-se pois chegaram novos jogadores. Assim, fica a dúvida: há atletas (ou grupos de jogadores) que rendem menos com determinado treinador, ou são os treinadores que orientam mal?
“Não comemoramos empate, só devemos comemorar a vitória”.
Essa foi a frase de Juninho Capixaba, após o empate do Bragantino na Arena da Baixada, relembrando o que Pedro Caixinha já houvera falado: “no futebol, precisamos buscar os 3 pontos. O empate nunca é um bom resultado”.
Sobre a arbitragem do jogo:
Pelo nível brasileiro dos juízes, o Yuri Elino fez um trabalho aceitável. Mas poderia ser melhor.
Se mostrou mais seguro do que em outras oportunidades, mas ainda um pouco vacilante. Precisa melhorar na advertência verbal. Por exemplo: com o comportamento de Canobbio, que falou o jogo inteiro e só recebeu amarelo nos acréscimos do 2º tempo. Deu 4 vantagens, acertando em três e errando em outra (vide esse lance equivocado nas anotações abaixo).
Enfim, um árbitro jovem tem que saber ganhar experiência, e faltou isso ao Yuri Elino. Explico: aos 8 minutos, Cuello intercepta uma bola com o peito, e o juiz estava exatamente atrás do athelticano, encoberto pelo corpo dele. Eis que ele marca falta, sinalizando que dominou com a mão. E a pergunta é: como ele viu isso, se ele estava sem a visão aberta? Deveria deixar o jogo seguir e, em caso de gol, o VAR o avisar. Errou.
Demais notas aqui:
Aos 9m, Helinho perde o tempo da jogada e acerta Cuello. Cartão Amarelo bem aplicado.
Aos 13m, Juninho Capixaba impede o contra-ataque de Canobbio e corretamente recebe o Cartão Amarelo.
Aos 16m, Vitinho percebe os zagueiros se aproximando dele e, quando poderia ter sofrido uma falta, desaba. Acertou o árbitro ao não marcar.
Gol de empate do Athletico: lance difícil, ajustado, e que precisou do VAR. Acertou a arbitragem ao validá-lo.
Aos 47m: Cartão Amarelo a Fernandinho, por falta em Helinho, bem aplicado.
Aos 51m, Fernandinho empurra seu oponente com as duas mãos, comete falta e arma o contra ataque. Errou o árbitro ao não marcar infração.
Ao longo do 2º tempo, cartões amarelos bem aplicados.
No primeiro tempo, duas vantagens bem aplicadas pelo árbitro Yuri Elino, onde resultaram em ataques promissores. No segundo tempo, errou ao dar vantagem a Nacho, pois sofreu duas faltas e ficou desequilibrado, mas acertou no lance de Canobbio. Foi razoável nesse quesito.