Já havíamos explicado a escala de Anderson Daronco para esse importante jogo de volta da Copa do Brasil (aqui: https://wp.me/p4RTuC-Zop), e até mesmo falamos das taxas de arbitragem (nesse link: https://wp.me/p4RTuC-Zr4).
Como esperado, muita polêmica pós-jogo (e seria assim qualquer que fosse o placar). Vamos aos lances polêmicos?
1- Aos 8m, a bola é cruzada para Vítor Reis que faz o gol. A bandeira 2 Maria Mastella Moreira marcou impedimento. Errou. Após revisão do VAR, as linhas foram traçadas e o gol confirmado, pois Varella dava condição. Acertou o VAR ao corrigir o erro da assistente.
2- Ainda no primeiro tempo, o lance entre Vitor Reis e Gerson: o flamenguista está tentando o domínio da bola e vai pisar nela, mas o palmeirense chega e acaba (na minha impressão) dando um leve encostão. No meio do campo, não tenha dúvida, se marcaria falta por imprudência (sem intenção, sem cartão, tiro livre direto). Na área, é pênalti.
Aqui, as imagens não são tão claras. Daronco teria entendido que esse encostão entre as pernas não teve força para desequilibrar o adversário? Pode ser. E é isso que justifica o VAR não ter chamado: a proximidade de Anderson Daronco, o gestual dele de que foi jogo limpo (ele não entendeu como simulação, mas casualidade) e a imagem não ser tão clara (assim, na cabeça do VAR, não era um lance de erro crasso e sim interpretativo, deve respeitar a decisão de campo). Eu marcaria o pênalti, pela leitura que fiz, mas entendo os motivos de omissão do VAR.
3- Aos 45’+ 6’do 1º tempo, o lance de Caio Paulista: repare que o zagueiro flamenguista perdeu o tempo da bola e toca no adversário, que já tinha adiantado a própria bola e perdido o domínio. No meio-de-campo, no estilo Daronco, marcaria a falta. Dentro da área… pênalti, sem cartão.
O que acontece: frequentemente, quando um jogador adianta a bola e perde seu domínio, ele procura o pé do zagueiro e tenta cavar. É essa a leitura de Daronco no jogo! Mas não foi o que aconteceu: apesar de ter adiantado a bola, o defensor perdeu o tempo de disputa e toca o palmeirense (e isso é infração – infantil, bobinha, mas real). É a chamada “falta imprudente”.
Aqui, o VAR também não chamou o árbitro pelo mesmo motivo do lance de Gerson: interpretação. Também eu daria o pênalti, pelo motivo justificado.
4 – Aos 7 minutos do segundo tempo, a encarada de Tite e João Martins: profissionais da magnitude deles, deveriam se portar muito melhor. É jogo de futebol profissional, não uma guerra. É esporte-business. Tal comportamento mereceu corretamente Cartão Amarelo para o treinador flamenguista e o assistente palmeirense.
5 – Aos 20′ do 2º tempo, lance de mão de Murilo: óbvio que ele não teve intenção, não se pode marcar falta por esse motivo, pois o jogador não quer tocar deliberadamente a bola. Mas… e por movimento antinatural? Aí vale uma boa discussão:
Pedro e Murilo estão com os braços abertos, levantados, tentando ocupar espaço e olhando para a bola que vem pelo alto (um tentando ganhá-la antes do outro). Ao estarem nessa ação (braços esticados, querendo ganhar espaço propositalmente), ampliam infracionalmente o espaço de contato! É natural disputar uma bola com os braços estendidos? É legal evitar a aproximação do adversário fazendo uso das mãos e braços?
A resposta é: Não. Se a bola bate no braço de qualquer um desses jogadores, o árbitro pode interpretar movimento antinatural (já que você não pode estar com o braço aberto, levantado, tentando empurrar ou distanciar o adversário na disputa de bola). É interpretativo, e o VAR pode ou não ser acionado nesse caso. Eu marcaria pênalti, justamente pelo movimento antinatural.
Ops: aqui não vale questionar se “a bola passaria, seria dominada, bloqueada, etc”, pois a questão é: intenção ou não, movimento natural ou antinatural de braço estendido. Repare que Murilo tenta retirar o braço, depois que a bola já está caindo. Aí é tarde…
Lembrando: se a bola bate na mão de um atacante e na sequência sai o gol, ele deve ser anulado, pela mudança recente na regra em relação a mão de atacante.
6 – 26m do 2º tempo, o gol anulado de Flaco López: dificílimo, pois as imagens daqui não são nítidas. Estamos na era analógica em nossos torneios… O assistente técnico João Martins reclamou em coletiva do frame, o que é algo a considerar, mas só com a tecnologia de IA da FIFA para impedimentos poderemos afirmar. Aparentemente, houve o impedimento milimétrico (e aqui não existe “mulher meio grávida”: ou está a frente ou não). Acertou a arbitragem, em lance difícil.
7- Aos 37’do 2º tempo, a expulsão de Abel Ferreira. Há 3 tipos de agressão no futebol (lembrando que qualquer agressão é para Cartão Vermelho): a física (dar um soco), a verbal (xingar com um palavrão) e a gestual (um gesto obsceno). O que o treinador fez foi juvenil, “de 5ª série”). E dentro do protocolo do VAR, Wagner Reway, o árbitro de vídeo, achou esse lance e cumpriu o seu papel. Repare que Daronco foi “com gosto” na corridinha ao monitor…
Com tantas câmeras, Abel achava que não seria flagrado? Aliás, Abel e Zubeldía (bem como seus assistentes) continuam dando péssimos exemplos comportamentais (falamos sobre isso aqui: https://wp.me/p55Mu0-3vz).
Considerações finais:
A – No segundo tempo, Daronco não quis jogo. A cada paralisação, respirava, tomava fôlego e não agilizava a partida. A falta de dinamismo em jogos que ele apita é irritante. Mas consideremos: o jogo foi muito chato e com lances dúbios.
B – Ninguém ainda questionou João Martins e Abel Ferreira sobre o lance de Veiga no jogo de ida? Insisto, e vale para Flamengo, São Paulo, Atlético e demais clubes: só se reclama erros contrários, nos a favor, escondem-se e “curtem” a falha intramuros. É muita hipocrisia o mundo do futebol.
C – A ironia do destino: o Palmeiras vetava Paulo César de Oliveira em seus jogos e a torcida o ofendia dos piores palavrões quando ele era escalado. Hoje, recebo prints e vídeos de torcedores palmeirenses com o PC dizendo no Sportv: “Não foi pênalti em Gerson e não foi pênalti de Murilo”! Ué, agora o Paulo César é bom? O que é a paixão do mais aficcionado…
