Números assustadores: no jogo Corinthians 0x0 Palmeiras, tivemos oficialmente uma partida de 102 minutos (5 e 7 minutos de acréscimos respectivamente no 1º e no 2º tempo). Porém, apenas 45’47” de tempo de bola rolando.
Não é preciso ser expert em matemática para perceber que jogou-se futebol de verdade num período de tempo menor do que a metade do que foi proposto. E por que isso ocorre?
Chelsea x Manchester, jogaço na Premiere League, teve 57’33“, com 100 minutos de jogo.
Eu me recordo muito bem que em 1998, a FPF estava preocupada demais com o tempo de bola rolando no Campeonato Paulista, e determinou que os árbitros agilizassem a partida, coibissem a cera e tomassem providências para que o tempo de bola rolando aumentasse. Criou-se até mesmo uma cartilha de uniformização de critérios (jogador não poderia ser atendido em campo, quem demorasse para sair na substituição receberia amarelo e os quarto-árbitros deveriam conversar com os gandulas para agilizar a reposição).
Deu certo: pulamos de 56m para 58m, e em muitas partidas da Série A1 extrapolando 60 minutos. Com louvor, atingiu-se 64 minutos de bola rolando em algumas ocasiões. Mas ficou para trás…
Por que decaiu tanto o tempo de bola rolando?
Por vários motivos:
- Muitos atendimentos médicos em campo. Supostamente, jogadores fingem muitas lesões e precisam ser atendidos. Pior: os goleiros caem toda hora, e não podem ser retirados de maca. Os tempos perdidos não são recuperados suficientemente nos acréscimos dos árbitros.
- O aumento no número de substituições: com 5 substituições, há mais demora para reinício dos jogos.
- As paradas para reidratação: também não há recuperação adequada de tempo.
- As conversas durante os jogos: nesse ambiente de excelência física do futebol, muitos árbitros acabam paralisando demais as partidas (com faltas ou discussões que paralisam a dinâmica do jogo) a fim de recuperar o fôlego).
- E aqui talvez o maior problema: os reinícios de jogo! Da marcação de um pênalti à sua efetiva cobrança, perdem-se minutos! Idem às faltas, laterais, escanteios, tiros-de-meta e decisões do VAR. O jogo fica interrompido como nunca foi!
E o que fazer?
A FIFA tem um pacote de medidas que começará a ser aplicado na Copa do Mundo 2026, que se resume a:
- 10 segundos para substituição de atletas,
- 5 segundos para cobrança de laterais,
- 5 segundos para cobrança de tiro de meta,
- 1 minuto fora de campo quem sair para ser atendido por médico.
Some-se, é claro, ao fato de que já temos a regra dos 8 segundos ao goleiro para a reposição de bola, quando ele a defende com a mão.
A própria FIFA já sugeriu (sem sucesso) dois tempos de 50 minutos e a utilização de cronômetro paralisado em algumas situações. Isso de nada adianta, se você não atacar o problema maior: a falta de dinâmica nas partidas devido às paralisações ocasionadas pelo VAR, reclamações e indisciplinas.
Em tempo: no GreNal, sábado passado, tivemos tempo de bola rolando na casa dos 44 minutos, somente.
Parece-me que o grande desafio dos gestores do esporte é: como fazer o torcedor prestar atenção num espetáculo de 90 minutos, sendo que metade dele fica paralisado com queixas, revisões do VAR e perdas de tempo diversas…

