– Abel vs Abel: A Melhor e a Pior Versão.

Eu fico impressionado como o competente treinador Abel Ferreira criou uma legião de admiradores. Em alguns casos, seguidores adoradores!

Beirando religiosidade e fanatismo, ou idolatria política de extremos, dá a impressão que é uma “seita abelista”. Falar mal dele (ou dEle, dependendo da paixão) é pecado, e você receberá o ódio dos haters (não é redundância, é apenas para reforçar o quanto isso não é permitido). E na mesma proporção, a cada elogio, os lovers surgirão.

Ninguém tem direito de julgar ninguém (nem Abel), mas se separássemos as virtudes e os defeitos, teríamos:

ABEL POSITIVO:

  • Foi humilde em receber o trabalho de Luxemburgo / assistente Cebola, e pouco modificá-lo até a final da Libertadores da América;
  • Brigou até o fim com a diretoria por reforços;
  • Soube administrar a carreira dos jovens atletas, promovendo-os ou afastando-os;
  • Montou uma equipe com sua própria cara, vencendo a sua segunda Libertadores.
  • Variou os esquemas de jogo, aprendendo a atacar mais e buscar variações dentro de campo;
  • Defendeu melhores gramados, melhores arbitragens, melhor calendário e outras melhorias.
  • É adepto da Inteligência Emocional e Equilíbrio das Ações.
  • Tem conquistado títulos.

ABEL NEGATIVO:

  • Briga com os jornalistas, pautando as perguntas e censurando-os conforme o interesse (vide o episódio do celular no Mineirão).
  • Intimida nas coletivas (por quê NINGUÉM perguntou no Palmeiras x Fortaleza sobre o pênalti inexistente de Rony?).
  • Reclama da arbitragem, mesmo quando ela está certa. Faz escândalos até em arremessos laterais contrários, e quando tem erros para, de fato, reclamar, extrapola a razão e cria um clima de que é perseguido.
  • Recebe justos cartões amarelos e vermelhos, igualmente com o seu assistente. Mas discorda de todos eles.
  • Costuma se referir negativamente aos problemas do futebol do país como “vocês aqui fazem isso / aquilo”, dando uma impressão de arrogância por sua origem europeia.
  • Criou uma narrativa que só ele defende melhores gramados, melhores arbitragens, melhor calendário e outras melhorias – coisa que historicamente já fazíamos no Brasil.
  • Reclama das arbitragens somente nos erros contrários; nos favoráveis, não toca no assunto, dando a ideia de que só são queixas egocêntricas, não pelo bem do esporte.

Abel não é santo e nem capeta, ele é como qualquer um de nós (diferenciado-se pelo alto salário, claro) – não estando acima do bem e do mal. Mas se endemonia quando acha que está certo e os outros errados. O controle emocional tão pregado (e necessário) em seu livro, não deve ser apenas para situações de jogo, mas para o relacionamento de todos que estão no “negócio futebol”. Quando ele começou com seus chiliques, dava a impressão de que era um personagem como “novo Mourinho“, ou ainda um “novo Felipão“, criando um clima de “nós contra eles”. Mas nada disso: ele é assim mesmo e não será low profile. Mas não quer dizer que devemos, por conta de seus hábitos, aplaudi-lo e não defender correções.

Talvez a questão seja: mais coerência nas causas e mais educação no trato, Abel. Para defender o Palmeiras tão bem como faz, não precisa ultrapassar os limites da razoabilidade, do comportamento e até mesmo da ética. Não se faça vítima de xenofobia ou de qualquer perseguição inexistente. A propósito, as críticas são sempre ao profissional, de maneira respeitosa, e nunca ao pai de família (que desconhecemos a intimidade e não nos interessa).

Aqui, pela enésima vez: se fosse na Espanha, na Inglaterra ou na Alemanha, as multas e punições sofridas seriam muito maiores, e ele não agiria assim. Dá a impressão de que, por estar com moral de campeão, virou (no bolerês) folgado.

Mais respeito não faz mal para ninguém, né?

Imagem: Crédito de César Greco / Palmeiras.

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