– Quilombo Rio dos Macacos revelado pelo povo que sofre!

E se no meio de uma reunião de bispos da CNBB uma mulher do povo invadisse a sala e, de posse (mesmo proibida) do microfone, fizesse importantes denúncias contra opressores de pobres famílias?

Isso aconteceu na semana passada. Abaixo:

MULHER DENUNCIA VIOLÊNCIA CONTRA 67 FAMÍLIAS NA BAHIA

Por Reinaldo Oliveira

Uma mulher, Rose Meire dos Santos Silva, participante do Seminário Nacional da 5ª Semana Social Brasileira, realizado de 02 a 05 de setembro no Centro Cultural de Brasília, durante um ato solene realizado no dia 3, pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), na sede da entidade, para o lançamento da Coalizão Democrática pela Política e Eleições Limpas, “ocupou” o espaço onde concentrava as autoridades presentes no evento, para denunciar a violência e crueldade praticada pela Marinha de Guerra do Brasil, contra 67 famílias do Quilombo Rio dos Macacos.

De início ela dialogou com o cerimonial para ter direito ao uso da palavra. Como lhe foi negado este pedido, com coragem ela entrou no espaço onde autoridades faziam uso da palavra, e mesmo sendo negado o uso do microfone ela elevou sua voz e denunciou a situação de violações que há anos vem acontecendo na comunidade Quilombo Rio dos Macacos, em Simões Filho – Estado da Bahia, onde moram 67 famílias. As violações são praticadas pelo efetivo da Base Naval de Aratu da Marinha de Guerra do Brasil, instalada em área remanescente do Quilombo.

“Vim pedir para os Bispos e autoridades aqui presente para ajudar a comunidade, pois sei que ela está morrendo. Eu sei que vou morrer, mas não quero que minha filha viva deste jeito” Segundo ela, mais de 70 famílias já foram expulsas da comunidade, desde a década de 70, para dar lugar à construção de casas dos militares. Ela afirma: “A comunidade está na área há mais de 200 anos, mas já destruíram parte do nosso território e da nossa cultura. Somos impedidos de plantar e o que temos plantado, o cultivo de mangas, está morrendo. Somos perseguidos dia e noite, estamos isolados e não é permitido o recebimento de visitas, existe um toque de recolher e quando saímos para alguma atividade fora, se não retornamos dentro do horário previsto, temos que dormir na rua. Nem mesmo representantes de religiões podem entrar”.

Rose explicou que resolveu fazer esta intervenção, mesmo sem permissão do cerimonial, … ‘porque a comunidade não tem nem escola, nem acesso a saúde e outras políticas públicas. Já vi muitos moradores da comunidade morrer, por falta de assistência médica”. Com 34 anos, a quilombola denunciou ainda a ameaça freqüente dos militares contra os moradores, inclusive apontando armas para a cabeça das pessoas, seja criança ou idoso.

A área em questão é composta de 301 hectares e o Quilombo Rio dos Macacos é reconhecido pela Fundação Palmares e, embora o Instituto Nacional de Reforma Agrária (INCRA), tenha feito o Relatório Técnico de Identificação e Delimitação (RTD), que reconhece o território como remanescente do Quilombo, o documento ainda não foi publicado no Diário Oficial da União. Durante os dias do Seminário da 5ª SSB, em outros momentos Rose ainda falou da violência e crueldade praticada pelo efetivo da Marinha de Guerra do Brasil, bem como exibiu vídeo da invasão e destruição de construção do Quilombo pelos soldados.

“Existe ordens de despejo contra os moradores da comunidade, mas vamos resistindo. Continuamos pedindo a titulação de nossas terras à presidente Dilma”, disse Rose. Para mais informações sobre a violência praticada contra o Quilombo Rio dos Macacos acesse o http://www.google.com.br.

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