– Voltamos aos tempos de outrora?

Taubaté x Votuporanguense voltaram aos tempos dourados do futebol interiorano. Decidindo a 3a decisão paulista, ambos tiveram lotação máxima em seus estádios. Na Ida, 3×0 para a Votu; na Volta, 4×0 para o Burro da Central.

Ao mesmo tempo em que o glamour de antes é redescoberto, as ações condenáveis: pneus de ônibus furado, rojão na porta do estádio, e outras coisas condenáveis, persistem em conviver…

Isso é ruim demais para o futebol!

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– Dois clássicos, dualidades de dificuldade!

No Itaquerão e no Maracanã, dois jogos importantíssimos e dois tipos de posturas de arbitragens diferentes, com graus de dificuldade diversos. Vamos falar sobre eles?

1) Em São Paulo, no Corinthians 0x2 Palmeiras, tivemos uma atuação muito boa de Vinícius Dias Gonçalves Araújo. Neste ano, durante o Paulistão, quando apitou o empate entre Corinthians x Santos, Vinícius teve ótima participação em um jogo sem lances polêmicos. O roteiro se repetiu: nenhum lance difícil para interpretação, jogadores preocupados em jogar apenas futebol e faço o mesmo comentário daquela feita: o árbitro foi bem, apitou o be-a-bá e deixo uma ressalva: o policiamento em não se “destacar” com trejeitos, ou seja: ser mais discreto na aplicação de cartões e marcação de faltas. Do restante, está indo bem – com sorte e competência.

2) No Rio de Janeiro, no Flamengo 2×3 Fluminense, jogo chato para Sandro Meira Ricci. E aqui fazemos o breve histórico: quando era aspirante à FIFA, Sandro foi o melhor do Brasil por 2 anos. Se tornando FIFA, diminuiu um pouco o ritmo em jogos nacionais, mas nas partidas internacionais manteve-se muito bem. No pré-Copa, mal. Durante a Copa, bem. No pós-Copa… a fase ruim não passa nunca! Vide o pênalti de Pará (FLA) em Vinícius (FLU), no começo da partida: Pará dá um tranco legal em disputa de bola e o adversário valoriza a queda ou o flamenguista empurrou e desequilibrou com os braços o atacante tricolor?

Para mim: lance limpo, onde há viril mas legal disputa de bola e de espaço. Lembremo-nos que o tranco físico nessas condições é permitido.

Quanto a expulsão de Giovanni em Marcelo Cirino, Sandro estava longe da jogada e repare que quem de pronto o avisa é o bandeira 2. Não tenho dúvida de que o Cartão Vermelho surgiu durante a conversa entre bandeira e árbitro quando Sandro se aproximava da jogava.

Se era para Vermelho?

Imagine o bico da chuteira em chute frontal em sua canela… Dói ou não? Nesta, estou com Ricci!

A verdade é: por enquanto, o Campeonato Brasileiro não tem apresentado jogos de grande grau de dificuldade. Aguardemos as próximas rodadas.
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– A desistência do Príncipe é o chute inicial para as mudanças!

Ali bin Hussein era um ilustre figurante no mundo do futebol há alguns dias. O único candidato de oposição na eleição da FIFA.

Seu histórico? Príncipe da Jordânia, irmão do atual rei do país (Abdulla II), amante dos esportes, criador de uma liga paralela de futebol na Ásia e que posteriormente (e em comum acordo com os cartolas) foi fundida com a atual Confederação Asiática de Futebol. Recentemente, conseguiu convencer a International Board e fez lobby para liberar os “turbantes e véus para atletas muçulmanos” (as vestimentas de cabeça) em jogos profissionais. Estudou em colégios ocidentais e tem promovido programas de integração pela “Paz no Esporte” no Oriente Médio, incentivando a prática do Futebol Feminino com finalidade de diminuir a discriminação contra as mulheres árabes. Com apenas 39 anos, abandonou o 2o turno das eleições por se sentir ofendido ao perceber que os votos prometidos por pares do colégio eleitoral da FIFA migraram para Blatter.

O que pode parecer uma derrota para o mundo do futebol – o 5o mandato do Suíço – pode, ao mesmo tempo, alimentar uma cisão. Platini ameaçou convocar os países europeus a boicotarem a Copa da Rússia (algo duvidoso). Mas por quê não um levante contra o atual status quo?

A FA (A “CBF” da Inglaterra) sempre se levantou contra a FIFA, tanto que nos primórdios da história relutou em se associar com a entidade. Por quê não defender a bandeira de uma nova Associação, paralela e concorrente da FIFA?

O Futebol é um esporte popular e a FIFA é uma empresa particular. Não seria maravilhoso um movimento de formação de grandes outras Federações, mais abertas, transparentes e honestas?

O grande problema é que os atuais mandatários mundo afora estão amarrados nesse esquema hostil e corrupto. Mas a bola está pingando: quem será o príncipe, o cartola ou o libertador do futebol no século XXI, a fim de trazer esperança a quem gosta realmente do esporte?

Tudo o que escrevo aqui em relação à FIFA e seus associados, serve integralmente à CBF e suas federações estaduais. E dentro dela, seus pares e estruturas arcaicos, viciados e eternos diretores-funcionários que mamam nas tetas do futebol.

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– Na Rodada 4, haverá melhor comportamento dos jogadores com os árbitros?

Nas 3 primeiras rodadas do Campeonato Brasileiro de 2014, tivemos 8 Cartões Amarelos por reclamações contra a arbitragem no total dos 30 jogos.

Nessas 3 primeiras em 2015, com mesmo número de jogos, tivemos 33 cartões amarelos. Mais que o QUÁDRUPLO!

A busca pelo bom comportamento dos jogadores em relação à arbitragem é justa. Mas chamo a atenção: cuidado para os abusos dos juízes!

Aliás, se a Regra não mudou e sempre foi a mesma, por quê os árbitros não a cumpriram em 2014 e deixaram as reclamações ocorrerem a vontade? O comandante da arbitragem é ainda o mesmo, os nomes dos árbitros idem, e os cartolas que o chefiam, quase os mesmos (afinal, já há 1 na cadeia).

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– A Profecia de Novo Rei do Século XXI completa 2 anos.

Há exatamente dois anos, o Barcelona (via Twitter) anunciava Neymar como contratação e dava as boas vindas ao “Novo Rei do século XXI”.

A profecia de 2013 se concretizará?

Republico um interessante texto sobre aquele dia publicado neste blog, com uma afirmação curiosa na matéria: “Neymar é o maior jogador brasileiro depois de Pelé”.

Já é mesmo?

Abaixo:

NOVO REI DO SÉCULO XXI: PROFECIA OU MARKETING?

Por Rafael Porcari, 29/03/2013, Jornal Bom Dia Jundiaí, Caderno de Esportes, pg 06.

Neymar finalmente concretizou sua transferência ao futebol europeu. E o departamento de marketing do seu novo clube, o Barcelona, caprichou. Via Twitter, deu as boas-vindas ao “Novo Rei do Século XXI”.

Ora, no futebol sabidamente o título de Rei pertence ao Pelé, atleta do século. É evidente que se faz alusão ao fato do jogador ser oriundo do Santos e ser uma promessa valiosa, com possibilidades de ser eleito o melhor do mundo.

Mas fica a instigante questão: no século XXI, o atual “Rei do Futebol” é o argentino Lionel Messi (pelos números e prêmios recebidos). Neymar o desbancará, sendo o título dado pelo clube catalão uma visão profética do sucesso da Jóia Santista, ou apenas uma bela e otimista recepção?

Em tempo: das diversas homenagens recebidas neste final semana, ouvimos rasgados e justos elogios. Mas um me pareceu ufanista e exagerado: ao término de Santos x Flamengo, Cleber Machado citou Neymar como “maior jogador brasileiro depois de Pelé”.

No Santos, pode realmente ser. Mas e dos brasileiros: Neymar já superou Romário, Ronaldo Nazário e Ronaldinho Gaúcho?

Aliás, taí um exercício dificílimo: comparar atletas! Minha memória futebolística remete a Zico. Antes dele, não assisti os craques que conheço. Pelé, só em vídeo (e cada vídeo…). Hoje, a tecnologia e a globalização permitem maiores possibilidades e mais gente vê os craques atuais. Fico perguntando: e se Zizinho, Arthur Friedenreich, Leônidas da Silva e tantos outros tivessem as mesmas mídias que Messi e Cristiano Ronaldo tem hoje? Estendo a Puskas, Di Stefano…

Enfim: Neymar destronará Messi ou não? Como não tenho bola de cristal, não ousarei palpitar.

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– O substituto de Del Nero e A Fuga de Quem perdeu o Respeito

Marco Polo Del Nero abandonou o Congresso da FIFA, fez check-out no Hotel e… escafedeu-se! Abdicou de votar na Eleição da entidade e sumiu.

Fugiu para não ser preso?

Que baita solidariedade ao seu comparsa, ou melhor, sócio, digo, vice-presidente, José Maria Marin.

Quem tem medo, teme… Ou não?

Com que moral esse homem voltará ao Brasil para presidir a CBF? Que rumos ele tem a dar para o Futebol Brasileiro?

Diante disso, tudo o que provém dele passa a ser, no mínimo, suspeito – incluindo Seleção Brasileira, campeonatos, etc..

Perguntar não ofende: não dá um frio na espinha em saber que, no lugar de Del Nero e Marin, entra Delfim Peixoto, aquele que revela as mais belas bandeirinhas catarinenses e expulsou a exuberante Fernanda Colombo do quadro, além de se vangloriar de há anos estar no poder?

Continuaremos na mesma… quem poderá salvar o futebol brasileiro?

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– Escolha a #Hastag que melhor representa a relação “Futebol e Honestidade” pós escândalo da FIFA

Escolha, abaixo, a #Hastag que lhe dá sensação de honestidade:

  • #FPF
    #CBF
    #CONMEBOL
    #FIFA
    #UEFA
    #CONCACAF
    #PT
    #PSDB
    #UFC
    #FBI

Tá fácil, né?

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– Os Corruptos da FIFA e as Reações Pós Prisão

Muitos se assustaram com a prisão de José Maria Marin e outros dirigentes da Conmebol e da Concacaf. Susto pela prisão (coisa que não acontece no Brasil), mas nenhuma surpresa quanto ao seu envolvimento com corrupção. Aliás, malandro foi o Grondona (da AFA), que morreu antes de ir para a cadeia!

A verdade é: pense em algum nome de cartola do esporte, independente do cargo que ele exerça.

– Pensou?

No senso-comum (a impressão popular), ele pode ser ligado ao termo “corrupto”?

– Para a maioria, qualquer nome, sim!

A verdade é que todos sempre suspeitaram de Marco Polo, Marin, Ricardo Teixeira. Mas e provas e ação popular?

Havelange e Ricardo Teixeira foram pegos na Suíça. Não estão na cadeia pois trocaram as penas pela confissão e pagamento de multa (por isso estão soltos). NÃO NOS ESQUEÇAMOS: CONFESSARAM QUE COMETERAM CRIMES.

O azar de Marin é que ele não foi preso pela Suíça, mas por policiais suíços em colaboração com o FBI. Nos EUA, é cadeia mesmo! Ou delação premiada, como “Jota” Hawilla fez pagando milhões de dólares de devolução por crimes. As acusações envolvem corrupção, propina e outros atos ilegais que passaram pelo território americano, e é por isso que a Polícia Americana entrou na história. Aparece agora a informação de que o dinheiro sujo a ser lavado por Marin passou pelo Banco Itaú de Nova Iorque.

E o cenário “pós esteja preso” é sempre igual: os amigos somem! Me recordo que quando estourou o caso da Máfia do Apito, os amigos do Vale do Paraíba de Edilson Pereira de Carvalho desapareceram (mas estão até hoje no comando do futebol em várias searas…). Idem aos colegas de Paulo Danelon. Tem cara que jurava de pé junto que nunca trabalhou em jogo algum com eles… Vide Marco Polo, dizendo que os acordos eram do tempo de Ricardo Teixeira (sendo que Marin É O VICE ATUAL de Marco Polo), ou Walter Feldman alegando que tudo isso era coisa do passado. E assinam a nota no (pasmem) Edifício José Maria Marin, a nova sede da CBF!

Já a FIFA é cara de pau mesmo. Está suja como pau de galinheiro, mas Blatter alegou que está feliz pois em seu mandato a corrupção começou a ser passada a limpo. Pena que nada sabia para cortar essa navalha tão doida antes…

Você conhece algum chefe de empresa ou de estado que se diz vangloriado da mesma forma e cita os amigos e companheiros de traidores?

Marin é octagenário e rico. Poderia estar curtindo a velhice com os netinhos, em paz, não na cadeia. A ganância o cegou.

Tomara que tudo isso seja só o começo de um novo momento no futebol.

Ah, e quase esqueci – se por uma medalhinha dos garotos da Copa SP Marin se sujou, o que não faria com tanta grana fácil?
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– Árbitros do mesmo estado é para arranjar confusão!

Há tempos que estamos falando sobre a iniciativa da CBF em escalar árbitros nascidos em mesmos estados dos times em que estão apitando, mudando o critério de neutralidade de hoje. Por exemplo: em um jogo entre Paulistas x Cariocas, um Gaúcho apita, nos moldes atuais.

Com o intuito de demonstrar a honestidade do árbitro, deixando de considerar os árbitros como regionais, e sim nacionais, Sérgio Correa da Silva resolveu fazer testes: colocou árbitros nascidos em mesmo estado do clube que apita: na Rodada 1, o carioca Marcelo de Lima Henrique apitou São Paulo x Flamengo, sendo que o juiz está trabalhando pela Federação Pernambucana. Heber Roberto Lopes, paranaense, em um jogo do Atlético Paranaense, sendo que ele apita pela Federação Catarinense. Em ambos casos os bandeiras eram do estado do outro time.

Agora, na rodada 4, ampliará a experiência com FIFAS que apitam no mesmo estado: Vuaden e Daronco, ambos da Federação Gaúcha, apitarão respectivamente Internacional x São Paulo e Goiás x Grêmio.

A idéia é mostrar que não existem árbitros de federações, mas todos da confederação. Num mundo ideal, ótimo! Mas é nesse momento de turbulência do futebol brasileiro (vide as reclamações das equipes, prisão de José Maria Marin, reclamações formais do Santos FC à CA-CBF, e tantos outros poréns), que se fará tal teste de credibilidade?

É claro que os árbitros são honestos. Mas há certos complicadores: imagine no Beira-Rio, se aos 49 minutos do 2o tempo o gaúcho Vuaden dá um pênalti duvidoso pró-Inter? Ou se o bandeira paulista Marcelo Van Gassen (que será o assistente 1) anula um gol colorado no fim do jogo? A discussão será grande!

PARA QUÊ POLEMIZAR?

Quando existia a experiência dos AAA (árbitros adicionais assistentes), eles eram do mesmo estado do clube mandante, e foi preciso trocar o critério de escala pois os clubes em unanimidade reclamavam de tal fato e chamavam esse tipo de coisa como “economia burra”, pois gastava-se menos com passagens aéreas.

É incrível que a CBF promova tal coisa em algo tão sério como o Campeonato Brasileiro. Estou imaginando no Itaquerão, com 5 minutos de acréscimo, numa suposta partida entre Corinthians x Flamengo, um árbitro carioca marcar aqueles “pênaltis de queimada” ridículos que vez ou outra ainda vemos. Teremos assunto para uma semana inteira!

Se a proposta de tais escalas como “prova de que o árbitro é honesto”, como relatada em algumas mídias, partiu do presidente Marco Polo Del Nero, deveria ele vir a público esclarecer porque não demonstra apreço maior e profissionaliza o quadro de árbitros!

Detestei tal idéia. E você?

Aliás, leio no Lance.net que Roberto Perassi, instrutor de árbitros da FPF, esteve no Morumbi com o Cel Monção dando palestra sobre Regras aos jogadores do São Paulo FC. Curiosamente, é o próprio Perassi quem será o delegado do jogo entre Internacional x São Paulo.

Boa sorte ao Vuaden e aos bandeiras. Creio na lisura de todos esses citados, mas critico veementemente a falta de preservação e prudência das escalas, ou melhor, do sorteio.

No futebol, quanto menos burburinho e menor desconfiança, melhor para todos! A honestidade começa por aí.
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– Osório poderá enviar seus bilhetinhos no SPFC?

Juan Carlos Osório, colombiano, é o novo treinador do São Paulo FC. Respeitado por ser um estudioso, costuma ser flagrado anotando e passando informações aos seus jogadores em bilhetinhos do seu caderno de rascunhos.

E aí está algo curioso que os árbitros não poderão questionar: a comunicação escrita de informações advindas internamente ao campo de jogo e área técnica!

Aliás, a questão sobre “como jogador e treinador se comunicam” tem sido discutida há algum tempo: tudo começou com Vanderlei Luxemburgo, então treinador do Corinthians, na final do Campeonato Paulista de 2001: Corinthians x Santos jogaram e descobriu-se que Luxemburgo orientava o meia Ricardinho através de um ponto eletrônico escondido em seu ouvido. Era permitido ou proibido?

Ninguém sabia se podia, pois a Regra nada dizia. Dias depois, em uma reunião da International Board (o Organismo que é “dono” das Regras do Futebol) determinou-se que seria proibida a comunicação eletrônica entre treinador e jogadores durante a partida.

Recentemente, passou a ser fato comum a comunicação via celular entre treinadores e seus assistentes via celular. O próprio Luxemburgo, certa feita, assistia o 1o tempo das partidas nas arquibancadas, conversava com seu assistente via rádio e depois dirigia a equipe no 2o tempo no banco de reservas.

Após os estudos de uma equipe de força-tarefa da FIFA em 2011 (grupo formado por ex-atletas e estudiosos do futebol, que visa trazer sugestões), reforçou-se textualmente com a redação da orientação na Regra 4 (Equipamento dos Jogadores):

Os árbitros proibirão o uso de radiocomunicação entre jogadores e o corpo técnico”.

Mas aí veio uma nova modificação. Para 2013/2014, houve alteração do mesmo texto:

Os árbitros proibirão o uso de sistemas eletrônicos de comunicação entre os jogadores e/ou o corpo técnico”.

Aqui a alteração é mais profunda: a comunicação eletrônica por celulares ou rádios era proibida (portanto, a comunicação FALADA), mas nada impedia que a comunicação fosse REDIGIDA através de outro equipamento eletrônico “não sonoro” exceto os citados, como, por exemplo, via tablets ou notebooks. Onde estaria a proibição de que um treinador não poderia se comunicar com os atletas mostrando imagens e informações em um iPad com estatísticas em tempo real? Ou com informações de fora via email?

Agora, a proibição é EXTENSIVA A QUALQUER SISTEMA ELETRÔNICO DE COMUNICAÇÃO e não mais somente entre jogadores e treinadores, mas AMPLIADA ENTRE OS PRÓPRIOS INTEGRANTES DA COMISSÃO TÉCNICA. E um grande exemplo disso: José Mourinho costumava receber informações estatísticas on-line das partidas de seu assistente técnico via tablet, e as repassava através de bilhetinhos escritos a mão para seus jogadores. Isso (informação de fora), agora, não pode! Mas se o treinador quiser passar suas instruções por escrito em uma tecnologia rudimentar, como papel, somente com suas impressões pessoais, PODE!

Na sua última circular antes do início do Paulistão 2014, a FPF reforçou esse lembrete no capítulo 20 das suas orientações:

É PROIBIDO o uso de sistemas eletrônicos de comunicação entre jogadores e/ou comissão técnica. Exemplo: treinador para assistente fora do campo, conforme alt Regra 4, pg 29 do Livro de Regras.[Lembro que não é só fora do campo, mas dentro também].

Sendo assim, fique tranquilo, Osório! Se alguém te expulsar por dar um bilhetinho das informações que você colheu das suas próprias observações de jogo (portanto, sem informação externa ou por meio eletrônico falado ou ilustrativo), será abuso de autoridade

Já imaginaram a Comissão de Árbitros baixar uma norma contra isso? Seria totalmente tupiniquim!!!

Eu, particularmente, acho um retrocesso proibir a comunicação externa. Se o clube tem uma equipe técnica profissional e que se atenta a detalhes do jogo para ajudar o treinador, isso deveria ser uma evolução bem vinda ao futebol. Porém, entendo também o que os legisladores da Regra pretendem: se um árbitro não tem um celular para ligar a alguém com imagens e perguntar se foi pênalti ou não, seria desproporcional que treinadores tivessem essa informação privilegiada.

Resta aos mais espertos utilizarem alternativas. Imaginaram bolinhas de papel voando das arquibancadas com informação ao banco? E nas arenas européias, onde torcedores e comissões técnicas estão próximas: que tal a comunicação boca-a-boca, onde um torcedor assiste o jogo em tempo real via Web em som alto e “sem querer” o treinador escuta?

Alternativas criativas devem surgir! Ou você acha que não?

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– Como interpretar CORRETAMENTE os casos de “mão na bola” e “bola na mão”

Uma mudança na orientação de marcação de infrações em jogadas de “Mão na Bola” e “Bola na Mão” foi colocada em prática a partir da Copa das Confederações-13, bem aceita no restante no mundo e um pouco confusa no Brasil. Não foi uma mudança na Regra do Jogo, mas Massimo Bussaca, o atual comandante da arbitragem mundial, alegou na época ser uma nova interpretação aos árbitros sobre lances duvidosos dessa natureza.

Hoje, só se deve marcar infração por uso indevido das mãos na bola (entenda-se por mãos: a mão, o braço e o antebraçose for uma ação deliberada (proposital/intencional). É uma das poucas infrações onde o árbitro não deve avaliar imprudência, nem força excessiva (lembrando que em qualquer outra falta deve se considerar ação imprudente, temerária ou brutalidade). A Regra 12 (infrações e Indisciplinas) diz que:

Uma das faltas punidas com tiro livre direto é: tocar a bola com as mãos intencionalmente (exceto o goleiro dentro de sua área penal).

Tocar a bola com a mão implica na ação deliberada de um jogador fazer contato na bola com as mãos ou com os braços. O árbitro deverá considerar as seguintes circunstâncias:

– O movimento da mão em direção a bola (e não da bola em direção a mão);

– A distância entre o adversário e a bola (bola que chega de forma inesperada);

– A posição da mão não pressupõe necessariamente uma infração;

– Tocar a bola com um objeto segurado com a mão (roupa, caneleira etc.) constitui uma infração;

– Atingir a bola com um objeto arremessado (chuteira, caneleira etc.) constitui uma infração.

A novidade, desde julho/2013, é: o árbitro deve avaliar se em determinados lances não houve movimento antinatural dos braços no momento do toque (uma intencionalidade disfarçada de falsa imprudência) ou um risco mal calculado do atleta em que a bola possa bater nos braços, em jogada que se poderia evitar. Trocando em miúdos:  pular/ se jogar na bola de maneira a qual a bola possa bater em seu braço, não se cuidando para evitar o contato).

Para muitos, tal orientação ajudou a justificar alguns pênaltis mal marcados. Foi o que aconteceu por aqui.

Vimos lances bizarros de pênaltis mal marcados: em um clássico entre São Paulo x Corinthians no Morumbi, o zagueiro Gil tenta tirar o braço da direção da bola em um chute a queima-roupa e ela bate em seu cotovelo. Nenhuma intenção clara, tampouco subjetiva de colocar a mão na bola. Mas virou, equivocadamente, pênalti… Vimos também uma barreira pulando e o jogador saltando com os dois braços erguidos. Se a bola bate neles, aí sim seria “movimento antinatural“, pois fisiologicamente, você não pula com os braços totalmente esticados e eretos para o alto.

Enfim, essa história de: “nova orientação” não tem segredo. Talvez todo o imbroglio tenha nascido única e exclusivamente da tradução/interpretação do texto, potencializada negativamente por má orientação.

Do jeito que está, é só chutar na mão que vira infração. Parece brincadeira de “Queimada”…

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– Como Reeducar o Futebol Brasileiro?

A última rodada do Campeonato Brasileiro foi perfeita para a discussão de novas reflexões sobre diversos atores do futebol. Vamos a elas?

1) REEDUCANDO JOGADORES PELA ARBITRAGEM

O número de cartões amarelos neste sábado e domingo foram impressionantes. Mas repare: a maioria por reclamação!

Sim, há um processo de busca do respeito ao árbitro implantado pela CBF em sua última circular divulgada pela Comissão de Árbitros antes do início do Brasileirão, em que se pede punição ao jogador que abusa das reclamações e atrapalha a arbitragem. Na verdade, jogador brasileiro é muito “nhenhenhém”! Cai em qualquer tranco, chia por qualquer lateral e quer ganhar muito no grito. Aí, quando vai para a Europa, se dá mal por achar que seu comportamento aqui era o normal e precisa se adaptar.

Não tem nada de “Regra Nova”, é simplesmente “cumprir a Regra não cumprida”. Ou seja: atleta tem que jogar bola e falar menos com o juiz. Dessa vez, aplaudo a iniciativa tomada pelo chefe dos árbitros, Sérgio Correa da Silva, e pelo fato de avisar a todos os treinadores da Série A sobre o rigor em tal fato.

No jogo entre Palmeiras 0x1 Goiás, Robinho, Valdívia e Leandro Pereira criticaram a “nova regra em que o jogador tem que ficar mudo”. Bobagem, é discurso de quem jogou mal e preferiu arranjar subterfúgio. Aliás, o próprio treinador Oswaldo de Oliveira condenou a chiadeira de seus jogadores dizendo que “os atletas foram avisados até por escrito que não deveriam reclamar, estavam cientes da orientação da CBF e são lembrados do comportamento adequado antes do jogo. Parabéns ao Oswaldinho, que não jogou a culpa da derrota na arbitragem.

2) REEDUCANDO A AUTO-SUFICIÊNCIA E A CULTURA

Em 1954, na Copa da Suíça, dois pecados aconteceram: a “sova” que o Brasil levou humilhantemente dentro de campo pela Hungria (na bola e na porrada) no episódio conhecido como a “Batalha de Berna”, além da conquista do vice campeonato húngaro.

Puskas, excepcional craque daquele período, entrou para a história por não ter vencido uma Copa do Mundo. Os húngaros eram conhecidos como tecnicamente muito bons, estudiosos e disciplinados. Um dos fatos mais marcantes foi a quebra da invencibilidade da Inglaterra em Wembley. O English Team nunca havia sido derrotado na história do futebol em sua casa, e, para surpreendê-los, estudiosos húngaros sugeriram que os atletas se aquecessem antes dos jogos. Ironizados pela torcida, os jogadores entraram antes do horário para o 1o aquecimento da história e… venceram por 6×3 os ingleses no jogo emblemático de Londres (em 1953).

Naquele período, o Brasil vivia o Complexo de Vira-lata, um trauma de incapacidade muito grande que destoa da arrogância e auto-suficiência de hoje. Em 1957, o húngaro Bela Guttmann chegou ao Brasil para treinar o São Paulo, radicalizando esquemas táticos e conceitos, e estes foram incorporados pelo seu assistente técnico, Vicente Feola, que os utilizou na Seleção Brasileira de 1958, trazendo o título mundial pela 1a vez ao nosso país, findando a história da inferioridade.

Nos dias atuais, o futebol húngaro é um mero figurante. Claro, tudo é fase, tudo passa. E nessa má fase do futebol brasileiro, onde ainda acreditamos que somos os melhores mesmo sem sermos e insistentemente não nos reeducamos nem nos reciclamos após o vexatório 7×1 da Alemanha em pleno território nacional, o São Paulo ousa em contratar um técnico estrangeiro. Sim, “ousa” em contratar Juan Carlos Osorio, colombiano e – aqui seu pecado maiorestudioso do futebol!

Ora, para alguns, vale o “marketing do malandro”: falar a língua do boleiro, deixar o último botão da camisa aberto para mostrar o umbigo na beira do gramado e gritar alguns palavrões sem sentido na área técnica. Parece ser depreciativo dizer que se estudou futebol, como se o teórico certamente fosse ruim na prática. E aí eu penso: xenofobia, cultura da ode à ignorância ou simplesmente arrogância e falta de humildade para admitirmos que não somos tão protagonistas como achamos que somos?

Torço para que Osório dê certo, a fim de que mais treinadores estrangeiros venham para cá e que eles façam o mesmo rebuliço que Bela Guttmann fez há quase 60 anos por aqui – no mesmo São Paulo FC.

3) REEDUCANDO O CONCEITO DE GRANDEZA

Na última rodada, dos 7 grandes clubes históricos do eixo Rio-SP que disputam a série A, (Corinthians, Palmeiras, São Paulo, Santos, Flamengo, Fluminense e Vasco da Gama), apenas o Tricolor Paulista venceu o seu jogo. Será que os grandes não estão apenas se “achando grandes”? Falta jogar bola como grande.

4) REEDUCANDO A PACIÊNCIA E O PARÂMETRO

Oswaldo Oliveira, treinador do Palmeiras, foi aplaudido quando mudou completamente o jogo no 2o tempo de Corinthians x Palmeiras no Itaquerão e eliminou o rival. Também fez um bom trabalho nas finais contra o Santos, em que pese a derrota nos pênaltis. Mas foi perder novamente para o Goiás (mesmo com um bom 1o tempo), que a “batata começa a assar”.

Tite, treinador do Corinthians, foi aclamado quando venceu o São Paulo na Libertadores e em determinado momento creditava as atuações do Corinthians ao fim dos rachões em dia de treino e a intensidade de jogo. Depois do jogo contra o Fluminense, voltou-se a criticá-lo pela sonolência da equipe e da “empatite” e “Titebilidade” das explicações. E está invicto no Brasileirão!

Tudo isso – dos aplausos a vaias a Oswaldo e a Adenor Tite – tem o período exato de apenas um mês! Como o torcedor é passional…

Em suma: o apaixonado e o cartola precisam ver, sentir e sofrer “um choque de gestão no futebol”. Mais gente de fora para palpitar mudanças, oxigenação, reeducação, readaptação e tempo para a implantação de novas idéias. E os jogadores, mais profissionalismo dentro e fora do gramado. Se não dá para se reeducar pelo amor, parece que será pela dor! Para isso, algumas quebras de paradigmas – por bem ou por mal – são necessárias, além de muita paciência.

E você, o que pensa sobre tudo isso? Deixe seu comentário:

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– São Paulo 3 x 0 Joinville e o Gol irregular de Dória!

Para quem gosta de detalhes da Regra do Jogo, vale chamar a atenção: na partida entre São Paulo 3 x 0 Joinville, o 1o gol, marcado pelo zagueiro Dória, foi irregular. Explico:

Bruno cruzou a bola para a Grande Área. Ela viaja, passa por Luís Fabiano que estava em posição de impedimento mas sobra para Dória que saiu de trás e estava em posição permitida. A priori, gol legal, pois o zagueiro surgiu como surpresa por trás dos marcadores adversários.

Entretanto, perceba que quando a bola passa por Luís Fabiano, ele busca o cabeceio e se esforça para alcançá-la. Portanto, passou de impedimento passivo para impedimento ativo. Lembremo-nos que são 3 condições para sancionar o “offside”:

1- participar ativamente da jogada;

2- interferir contra um adversário;

3- tirar a vantagem da posição.

Aparentemente Luís Fabiano não tocou na bola (se tocasse, era a condição 1), mas ele levou a marcação junto dele, que automaticamente deixa a passagem livre para Dória surgir sozinho (condição 2). Assim, por manifestar interesse em dominar a bola e por tabela confundir o adversário, mesmo sem tocar na bola, o gol foi ilegal.

É claro que com o resultado de 3×0 e a falta de esboço na reclamação do Joinville, o lance passou batido. Mas vale a consideração! Para melhor ilustrar, vamos lembrar de Robinho, nas semifinais do Paulistão entre Palmeiras x Santos: o jogador que deu um corta luz o fez como drible (participando do lance) ou como forma de demonstrar não querer participar do lance? Aqui, LF demonstra claramente querer jogar.

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– A Copa América e seus árbitros! Bons nomes escolhidos?

A Copa América do Chile está prestes a começar, e a Conmebol divulgou “seus homens de preto”.

Para a competição, foram escolhidos os melhores árbitros (sempre o número 1) de cada país do continente (exceto o país-sede, Chile, com 3 nomes), além de convidados da Concacaf. Sendo assim, Sandro Meira Ricci será o nosso representante.

Gostou do nome?

Aqui vai a relação completa:

PAÍS ÁRBITROS                       FUNÇÃO
ARGENTINA  NESTOR PITANA Árbitro
HERNÁN MAIDANA Árbitro Assistente
JUAN PABLO BELATTI Árbitro Assistente
BOLÍVIA RAUL OROSCO Árbitro
JAVIER BUSTILLOS Árbitro Assistente
JUAN P. MONTAÑO Árbitro Assistente
BRASIL  SANDRO RICCI Arbitro
EMERSON DE CARVALHO Árbitro Assistente
FABIO PEREIRA Árbitro Assistente
CHILE ENRIQUE OSSES Árbitro
JULIO BASCUÑAN Árbitro
JORGE OSORIO Árbitro
CARLOS ASTROZA Árbitro Assistente
MARCELO BARRAZA Árbitro Assistente
RAUL ORELLANA Árbitro Assistente
COLÔMBIA WILMAR ROLDÁN Árbitro
ALEXANDER GUZMÁN Árbitro Assistente
CRISTIAN DE LA CRUZ Árbitro Assistente
EQUADOR CARLOS VERA Árbitro
CHRISTIAN LESCANO Árbitro Assistente
BYRON ROMERO Árbitro Assistente
PARAGUAI  ENRIQUE CÁCERES Árbitro
RODNEY AQUINO Árbitro Assistente
CARLOS CÁCERES Árbitro Assistente
PERU VICTOR H. CARRILLO Árbitro
CESAR ESCANO Árbitro Assistente
JONNY BOSSIO Árbitro Assistente
URUGUAI *DARIO UBRIACO

*Apresentar provas físicas no dia 25/05/15

Árbitro
MAURICIO ESPINOSA Árbitro Assistente
CARLOS PASTORINO Árbitro Assistente
VENEZUELA JOSÉ ARGOTE Árbitro
JORGE URREGO Árbitro Assistente
JAIRO ROMERO Árbitro Assistente
CONCACAF A confirmar os 2 trios arbitrais

– O Contrato Secreto da CBF!

E não é que, o que todos desconfiavam, realmente é verdade?

Na Seleção Brasileira, há ingerência de terceiros na convocação dos boleiros, provada pela matéria do premiado jornalista Jamil Chade, no Estadão do último sábado.

Ele trouxe os detalhes do “contrato secreto” com os árabes da Kentaro/ISE e provou a venda da autonomia da convocação do Escrete Canarinho.

Primeiramente Ricardo Teixeira, depois Marco Polo Del Nero, ganharam muito dinheiro permitindo cláusulas aos compradores dos direitos de comercialização dos jogos da Seleção de refutarem jogadores que não fossem midiáticos ou que não atendessem interesses de marketing. Dependendo da ausência de alguns nomes, as taxas pagas poderiam ser reduzidas a 50% como “penalidade”. 

Quer mais prova do que esse escândalo de que a Seleção Brasileira não é e nunca foi do povo, nem composta dos melhores? É uma Seleção Privada!

Com a palavra Mano Meneses, Felipão e Dunga, treinadores presentes nesse período do contrato. 

O pior é que os clubes ficam sem os seus atletas “para servirem” a CBF.

Não deveriam mais liberar os jogadores!

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– Boca Jrs x River e a Lei do Mais Forte

Ainda estamos no tempo em que o “mais bandido” ganha – ou ao menos tenta ganhar – no futebol sulamericano. Vide o último e lamentável episódio protagonizado pelos barrabravas argentinos, hooligans da pior espécie travestidos de torcedores de futebol.

Os membros da “La 12”, a maior e mais violenta torcida organizada do Boca Júniors, conseguiram atingir com uma mistura de gás pimenta e ácido muriático os adversários do River Plate. Sabidamente, os dirigentes argentinos  têm ciência que esses organizados são ligados ao narcotráfico e nada fazem. Pior: conseguem ingressos e benefícios junto a diretoria boquista (alguma semelhança com a relação entre as grandes torcidas organizadas do Brasil e seus cartolas?).

Duas pisadas de bola dos atletas do Boca Júniors:

1) Aplaudiram a torcida após o incidente;

2) Apoiaram o depoimento do ítalo-argentino Osvaldo, atacante do time, que declarou que “5 mafiosos gordos de terno eliminaram o Boca”, se referindo à Comissão da Conmebol que excluiu o time devido ao incidente.

A verdade é que os jogadores parecem não ter se sensibilizado de tudo isso. Para mim, a pena (eliminação do Boca Jrs na Libertadores-15 e multa de 200 mil dólares) é branda demais! Mas ainda assim há gente que defende a violência, a malandragem e o vale-tudo no esporte.
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– As Boas Idéias Propostas por Sálvio Spínola e Carlos Simon

Sempre aprendi: pior que não ler um jornal, é ler apenas um único! Assim, gosto de ouvir sempre várias opiniões sobre os assuntos que me interesso, filtrando o joio do trigo e com os bons conhecimentos solidificar uma opinião.

Para tanto, ouço e leio das coisas boas às ruins, sempre tomando o cuidado de não me empolgar com aqueles que sou fã e admiro e, ao contrário, respeitando até mesmo àqueles que sei que escrevem com desprezo ou chapa-branquismo.

Pois bem: Sálvio Spinola escreveu (como sempre faz em seus bons textos na ESPN.com) algumas medidas para a melhora do futebol. Paralelamente, vejo algumas boas idéias semelhantes às que Carlos Eugênio Simon também escreveu em seu blog do canal concorrente, no FOXSports.com.

Vi nas páginas virtuais desses dois comentaristas de arbitragem que existem críticas sobre a posição deles, como as de Marco Antonio Martins (presidente da ANAF) e a de Marcelo Marçal (editor do ApitoNacional.com.br, em seu próprio site) que, em suma, discordam de que a CBF seja a responsável pelo patronato dos árbitros e tecem tênues críticas aos mesmos por terem sido, no caso de Simon, influente membro da vida sindical gaúcha, e no caso de Sálvio, ex-cartola da Conmebol.

Eu, na minha humilde opinião, SOU TOTALMENTE FAVORÁVEL ao conjunto de idéias desses dois ex-árbitros da FIFA.

Em especial, defendo incontestavelmente quanto a urgente profissionalização da arbitragem, que deveria ser assumida pela milionária CBF, pagando FGTS, 13o, INSS e assinando um contrato de médio prazo com os chamados “árbitros de elite”. E na mesma importância, sou crítico ao modelo adotado de mistura entre dirigentes sindicais e cartolas das comissões de arbitragens / vedores / observadores ou seja lá como for. Afinal, como o cara pode ser defensor do árbitro presidindo o Sindicato e ao mesmo tempo trabalhando para o patrão (CBF / Federações Estaduais)? E junte-se a eles a opinião do ex-árbitro Alfredo dos Santos Loebeling, que em recente entrevista à Rádio Jovem Pan criticou o fato de que gente incapacitada há muito comanda a arbitragem, citando, em especial o Coronel Marcos Marinho. Euclydes Zamperetti Fiori, ex-árbitro, escreve toda semana essa realidade no Blog do Paulinho.

O que mais me deixa indignado é que a cartolagem do apito, ao invés de receber humildemente as críticas, solta as mais manjadas pérolas e desculpas para a fuga do mea culpa, como: “quando estava lá não dizia isso”; “este que critica nunca fez nada”; “reclama mas é frustrado por não estar / ter chegado lá”, e outros subterfúgios de arrogância.

O certo é: há 10 anos são as mesmas pessoas que comandam a arbitragem paulista e ela perdeu em dignidade, sem revelar ninguém! E no cenário nacional, o mesmo grupo vive e sobrevive há perder de anos, nada fazendo de diferente ou revolucionário!

Para quem gosta do assunto, compartilho os dois textos que, confesso, gostaria de tê-los escrito tamanha a precisão nas feridas tocadas!

Abaixo, compartilho:

            A) Carlos Eugênio Simon

O APITO NO BRASILEIRÃO 2015

Extraído de: http://www.foxsports.com.br/blogs/view/199912-o-apito-no-brasileirao-2015

A bola começou a rolar nos gramados brasileiros no final de semana em mais uma edição do Campeonato Nacional, o Brasileirão. É certo que juntamente com a competição também retornarão as críticas e as polêmicas em relação ao trabalho de árbitros e assistentes, que este ano não mais poderão contar com a presença dos  árbitros assistentes adicionais, aqueles que ficavam atrás da meta, do gol.

É natural que ocorram reclamações contra a atuação dos homens e das mulheres do apito e das bandeiras, visto que o futebol é um esporte que envolve paixões intensas. Porém, é possível adotar algumas providências capazes de diminuir a ocorrência de erros e, também, preservar a autoridade e a integridade moral do árbitro. 

Em primeiro lugar, não pode ocorrer o que aconteceu no ano passado, quando a confusa orientação de bola na mão ou mão na bola acarretou várias penalidades marcadas equivocadamente. Também é imprescindível que a Comissão Nacional de Arbitragem da CBF dê respaldo total aos árbitros, posicionando-se a favor do profissional sempre que o mesmo for alvo de agressões e avaliações que vilipendiem a sua honra. Num mundo ideal, o árbitro deveria se preocupar apenas em apitar o jogo, e para que isto ocorra é preciso ter tranquilidade, apitar com alegria e gostar do que se está fazendo, (depois de 5 anos longe dos gramados, as vezes me imagino correndo na diagonal…). Assim sendo, é também no sentido de garantir minimamente esta tranquilidade que a Comissão de Arbitragem deve atuar. E não apenas ela. Igualmente a Associação Nacional dos Árbitros de Futebol (Anaf) tem por obrigação ser mais atuante, presente e incisiva na defesa dos interesses da categoria. Entendo que sendo membro, diretor, secretário ou presidente da Anaf os mesmos não deveriam ter nenhum tipo de vínculo, como por exemplo delegado, observador, etc… da CBF – assim sendo teriam mais independência para encaminhar as reivindicações dos seus associados.

Buenas, amigos, apesar da fragilidade das condições favoráveis para que a arbitragem exerça o seu ofício com serenidade, torço para que os árbitros e assistentes realizem um bom trabalho no Brasileirão. A bola está rolando, boa sorte aos que estão no campo de jogo.

            B) Sálvio Spinola Fagundes Filho

17 MEDIDAS SIMPLES QUE A CBF PODE ADOTAR PARA MELHORAR A ARBITRAGEM BRASILEIRA

Extraído de: http://espn.uol.com.br/post/507343_17-medidas-simples-que-a-cbf-pode-adotar-para-melhorar-a-arbitragem-brasileira

São 17 as regras do futebol, e, por analogia, elenquei 17 ações de simples aplicabilidade que a CBF pode adotar para melhorar a arbitragem brasileira.

Dizer que está tudo bem na arbitragem é fugir do problema, é se esconder ou viver em outro mundo. Usar de dados estatísticos para mostrar eficiência na arbitragem é enganar a si mesmo.

A arbitragem precisa melhorar, se fortalecer e ganhar credibilidade do mundo do futebol.Erros acontecerão em qualquer lugar que tenha jogo de futebol, aliás, eu cometi muitos, não falo do árbitro e sim da instituição arbitragem.

Durante mais de 20 anos estive nos campos apitando jogos e hoje convivo com jornalistas, jogadores, treinadores e dirigentes, e, em todos os segmentos tem unanimidade: A arbitragem não está bem.

O futebol mudou, está mais veloz. A tecnologia evoluiu com muito mais câmeras e melhor resolução, e a arbitragem ficou estagnada.

Sim, ficou estagnada, nada foi feito nos últimos 20 anos, apenas mais cobrança aos árbitros, rigor no teste físico, alguns cursinhos, mas na estrutura nada foi feito.

Vamos às propostas, lembrando que sempre que uso o termo árbitro, serve para os assistentes e para as mulheres:

1) EXCLUIR DA RESPONSABILIDADE DO ÁRBITRO AS ROTINAS ADMINISTRATIVAS

A CBF tem que atribuir ao Delegado do Jogo as responsabilidades administrativas do evento, deixando o árbitro com a única função (que já é muita) de cumprir as regras, apitar o jogo. Funções administrativas com gandulas, mascotes, imprensa, câmeras, hino, minuto de silêncio, horário de entrada das equipes, faixas de protesto e muito mais, tem que ser da entidade e não do árbitro, como fez a FIFA na Copa do Mundo.

2) ARBITRAGEM COMANDADA POR PROFISSIONAIS COM CAPACITAÇÃO EM GESTÃO DE PESSOAS

A arbitragem brasileira deve ser comandada por profissionais com dedicação exclusiva, profissionais estes com capacitação em gestão e principalmente na gestão de pessoas, não priorizando as técnicas militares, como se usa hoje. Atualmente a arbitragem brasileira é comandada por 2 ou 3 pessoas com dedicação exclusiva para gerenciar mais de 500 árbitros. Algumas federações estaduais tem a estrutura organizacional da arbitragem muito superior a da CBF.

3) CONTRATAR UM INSTRUTOR TÉCNICO POR UNIDADE DA FEDERAÇÃO PARA QUALIFICAÇÃO E CORREÇÕES TÉCNICAS

São tantos Instrutores técnicos no Brasil e nenhum com definição oficial para instruir e fazer correções diretamente com o árbitro. Com a definição do instrutor técnico chancelado pela CBF o árbitro vai ficar mais confortável para receber a informação e se empenhar para corrigir.

4) CONTRATAR UM PREPARADOR FÍSICO POR UNIDADE DA FEDERAÇÃO PARA MONITORAMENTO DA CAPACITAÇÃO FÍSICA DO ÁRBITRO

Cada vez mais o árbitro precisa ser atleta, estando com o preparo físico em dia. Com o monitoramento pela CBF, ela terá informações diárias das atividades realizadas por cada árbitro e a Comissão de Arbitragem terá subsídios para escalar o árbitro. O modelo atual de apenas fazer testes físico já está ultrapassado, a entidade tem que estar presente no dia a dia do árbitro e parar de pensar que o árbitro tem que ser auto didático, na sua cidade, no seu estado se preparando, isso não acontece.

5) A CBF ASSUMIR A RESPONSABILIDADE PELO ÁRBITRO

É a principal mudança e mais urgente. Desde 2003 o calendário do futebol brasileiro mudou drasticamente com o Estatuto do Torcedor. A CBF passou a ter campeonatos de abril a dezembro, e nada mudou na arbitragem brasileira, os árbitros continuam sendo formados pelas Federações e são “emprestados” para a CBF, para atuarem em jogos organizados pela entidade nacional. Passou da hora de inverter isso, os árbitros tem que ser da CBF e quando as Federações precisarem pede “emprestado”. A CBF precisa ter seus árbitros de janeiro a dezembro e passar a formar árbitro, não apenas qualificar.

6) DEFINIÇÃO NOMINAL DOS ÁRBITROS QUE ATUARÃO POR SÉRIE

O árbitro não sabe que campeonato vai apitar e o mundo do futebol não sabe quais árbitros vão atuar no campeonato. No ano passado, em 38 rodadas, na série A, 15 árbitros apitaram 1 jogo e, na série B, 23 apitaram somente 1. Por quê? Não tiveram boa atuação? Ninguém sabe. E pior, o árbitro que foi bem fica mais revoltado, porque fica esperando nova escala e ela não vem.

A CBF pode definir 50 árbitros e 100 Assistentes para Séries A e B. Utiliza-se 2/5 por rodada, sendo possível fazer rodízio e não repetir árbitros nas equipes.

Define-se outro grupo para séries C e D, e outro grupo para jogos Amadores.

7) MERITOCRACIA

É o melhor modelo, escala e acesso de divisão por mérito, capacidade, bom desempenho. Estando os árbitros sobre a responsabilidade da CBF, a entidade deixa de cumprir pedidos das federações para escalar seus árbitros e premia somente os melhores, com critério técnico, sem divisões por estados.

8) RODÍZIO NA ESCALA DOS ÁRBITROS

Definir o critério de escalas com ampla divulgação, onde o árbitro não pode atuar em jogos da mesma equipe, no máximo dois jogos na casa da equipe e outros dois fora.

9) FEEDBACK PÓS-RODADA COM TODOS OS ÁRBITROS USANDO SISTEMA DE CONFERÊNCIA

O modelo é adotado no México, país também com grande extensão territorial. Não adianta enviar e-mail exclusivo para o árbitro do jogo ou no grupo de watsapp, todos os árbitros precisam saber o que pensa a comissão e os instrutores.

10) TECNOLOGIA DA LINHA DO GOL

Já comprovado sua eficiência. São 20 estádios para Série A e a tecnologia não será utilizada. A justificativa para não implantar é o custo. Conversei com alguns profissionais de publicidade e todos falaram que várias empresas de tecnologia tem interesse em patrocinar este projeto, é apenas uma questão de querer, e colocar o departamento de marketing para trabalhar. Em conversa com o assistente da Copa Marcelo Van Gasse, primeiro árbitro assistente a ter gol validado com uso da tecnologia, no jogo França x Honduras, ele deu uma declaração muito importante: “A tecnologia não ajuda somente para validar ou não o gol, ajuda muito no impedimento e nas demais atribuições, porque tiramos das nossas costas a responsabilidade de ver se a bola entra ou não, ficamos mais leve e isso ajuda a acertar.” Por que não implantar?

11) ALTERAR A FORMA DE REMUNERAÇÃO DOS ÁRBITROS

O Brasil é o país que mais paga para um árbitro por jogo, mas é o que menos paga por ano. Para se ter uma ideia, um árbitro FIFA na série A ganha por jogo R$ 3.800,00, e este mesmo árbitro para apitar a Copa Libertadores ganha US$ 800,00, aproximadamente R$ 2.400,00. O árbitro precisa de segurança financeira para se organizar na vida. No mundo tem vários modelos de remuneração muito melhor que o adotado no Brasil. A CBF pode copiar, por exemplo, a AFA. Lá, os árbitros argentinos tem uma remuneração mensal e mais uma pequena taxa por jogo. Esse modelo dá mais tranquilidade aos homens do apito e da bandeira e permite a CBF adotar mais cobranças, mais eficiência, mais dedicação.

Pode-se também implantar remuneração indireta, como: pacote de tv por assinatura, academia de ginástica, suplemente alimentar, e outros. A vantagem desta remuneração é o retorno para o próprio futebol, porque qualifica o árbitro e melhora as atuações. Na dificuldade financeira o árbitro não assiste seu jogo porque não tem dinheiro para pagar tv por assinatura, não treina porque não paga academia, economiza onde pode. Este tipo de remuneração pode gerar economia de impostos, onde toda taxa do árbitro é tributada.

12) PRONUNCIAMENTO DA COMISSÃO DE ARBITRAGEM NO PÓS-RODADA


Um dos principais problemas da arbitragem brasileira é a credibilidade, todos desconfiam. A arbitragem brasileira é composta de pessoas honestas e a forma de mostrar esta credibilidade é acabar com a “caixa-preta”. A Comissão de Arbitragem deve se pronunciar oficialmente ou com habitualidade ou nos momentos críticos, nos grandes erros, nas grandes polêmicas. A FIFA utilizou deste expediente na Copa do Mundo, o Presidente da Comissão de Arbitragem deu pronunciamentos e respondeu perguntas dos jornalistas. Esta é a única forma de falar com o torcedor e conquistar a credibilidade e não atendendo a um veículo ou outro.

13) BUSCA DE TALENTOS

Sendo a CBF responsável por formar e capacitar, a entidade tem que ter “experts” em arbitragem para identificar talentos e desenvolver estes árbitros. Ninguém chega a ser árbitro de alto nível só por querer, depende da sequência nas escalas e crescimento na carreira. Não é aceitável que a CBF emita circular dizendo que não aceitará árbitros “fracos”, o árbitro não é um prestador de serviço que está na sociedade à disposição da entidade, o árbitro tem apenas um empregador: a CBF. E é a entidade que dá as oportunidades para o desenvolvimento do árbitro, se tem árbitro “fraco” é porque a escola, o instrutor e a comissão erraram.

14) DESENVOLVIMENTO DE SOFTWARE PARA GERENCIAMENTO DE ESCALAS

Dizem que tem. Nunca vi. E, se tem, está parametrizado com erros. Como pode o árbitro mineiro Claysson Veloso apitar a final do Campeonato Mineiro (jogo tenso) no dia 26 de abril, dois dias depois estava em Juiz de Fora como quarto árbitro no jogo Tupi x Atlético PR e dois dias depois no interior da Bahia apitando Jacupiense x Náutico (3 jogos em 5 dias), ou o caso do também mineiro Igor Benevenuto que apitou no dia 14 de abril, em Florianópolis Avaí x Operário MT e no dia seguinte estava em São José dos Campos, interior paulista, apitando Santos x Londrina, e o paulista Vinicius Furlan que no domingo apitou a final do Campeonato Paulista Palmeiras x Santos, com muitos questionamentos, e na quarta feira estava em Capivari, interior paulista, como quarto árbitro no jogo Capivariano x Botafogo (escala desproporcional, depois de apitar a final foi escalado como quarto árbitro em momento inoportuno). São muitos os exemplos que um software resolveria, fica a impressão que o controle é feito em um papel ou em um caderno, vai ter erro.

15) RESGATAR A ALEGRIA DE APITAR UM JOGO DE FUTEBOL

Cada vez mais o árbitro está tenso, apreensivo e com medo, e isso é o preâmbulo para o erro. Como sempre dizia o sábio Armando Marques: “o árbitro precisa gostar de ser árbitro” ou “apitar um jogo de futebol é desfrutar do que você gosta de fazer”. Para resgatar a alegria de apitar um jogo de futebol é necessário o fortalecimento dos árbitros, com apoio e não com temor ou ameaças, onde alguns instrutores se colocam mais importantes que os árbitros, causando medo antes dos jogos.

16) DEPARTAMENTO DE ARBITRAGEM COM INDEPENDÊNCIA E ISENÇÃO

A escala do árbitro tem que ser técnica, por mérito e a comissão de arbitragem não pode atender a favores ou pedidos de nomes para apitar jogos de determinadas equipes. Atuar com isenção, sem favores políticos.

17) TRANSPARÊNCIA NOS CONTRATOS DE PUBLICIDADE QUE ENVOLVA OS ÁRBITROS

Sim, a CBF é uma entidade privada, mas negociar o “corpo”, a “imagem” do árbitro e não trazer o árbitro para participar destas negociações ou deixa-los cientes dos valores pactuados é no mínimo exploração. O árbitro não fala nada porque teme retaliações, e as entidades representativas dos árbitros são fracas e comprometidas com a CBF, mas é um item de total desmotivação que cria uma relação de antipatia do árbitro com a CBF.

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– Deus x Diabo jogaram pela Libertadores?

Corinthians e São Paulo foram eliminados na Copa Libertadores da América. O Timão justifica mal futebol e alguns dizem que a culpa é no atraso do pagamento dos salários. Já o Tricolor não manteve o ritmo do jogo de ida e sucumbiu nos tiros penais.

E quem classificou? Deu mérito a quem?

O Guaraní paraguaio, algoz corinthiano, creditou ao conjunto e desenho tático do seu treinador espanhol. Mas o Cruzeiro…

Em entrevista à Fox Sports, o goleiro Fábio, capitão da equipe mineira, em toda e qualquer pergunta repetia que a vitória foi do Senhor, dizendo incansavelmente “Glória a Deus que me curou a todo o questionamento. Chegou a ser hilário o repórter perguntar derradeiramente o que ele achava da vitória cruzeirense marcar a despedida do seu colega de ofício Rogério Ceni e ele não responder a questão, entoando um discurso religioso e louvores ao Céu.

RESPEITO TODA E QUALQUER RELIGIÃO, mas se você ouvir a fala de Fábio, se assusta com tamanho fanatismo e se questiona: Quer dizer que “quem rezou mais ganhou”? Esqueça os esquemas táticos, treinos físicos ou capacitações: o que valeu foi a fé?

Repito: respeito toda e qualquer religião, mas tal discurso leva-se a entender que Deus é quem marca gols ou defende os chutes no futebol, em demérito ao “maldito, diabólico e inimigo” adversário.

Ora, esse deus é o Deus do amor ou um deus de conveniência?

O discurso proselitista do goleiro Fábio impressiona pelo fanatismo que cega: se Deus faz um time ganhar o jogo, ele menospreza e faz perder seus filhos que rezaram/ oraram a ele do outro time?

O futebol está ficando chato nas entrevistas. Parece que Deus abençoou Fábio e amaldiçoou Lucão, Luís Fabiano e Souza.

Fiz 4 anos de teologia no Centro Catequético da Diocese de Jundiaí. E um dos nossos professores, Padre Lucas, sempre correlacionava os 10 Mandamentos com o Pai Nosso, trazendo o questionamento:

Se eu rezo ‘santificado seja o vosso nome’ e sei que ‘não devo tomar o Santo Nome de Deus em vão’, tenho que tomar cuidado para não se atribuir ou proclamar equivocadamente um falso Deus ou um Senhor manipulável, avacalhando a sagrada fé.”.

Será que com tanta guerra, pobreza, discórdia e intolerância, Deus (tão bondoso e generoso), agirá para que um time de futebol perca em campo? Certamente ele se preocupa muito mais com coisas necessárias do que as fúteis como o futebol.

Talvez, na lógica de Fábio, seja por isso que nenhum clube hinduísta, muçulmano, budista ou até mesmo ateu tenha vencido uma importante competição. E viva Salvador /BA, onde todo BaVi (em tese) termina empatado. Ou não termina?

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– Atrasar salário não é estar bem!

Historicamente, o São Paulo FC se gaba – e com razão – de ser um clube organizado, profissional e com ótima infraestrutura.

Entretanto, às vésperas do importante jogo contra o Cruzeiro pela Libertadores da América, soube-se que os jogadores estão com os salários atrasados em 45 dias.

Mas a resposta da diretoria soa com um pouco de arrogância (como a maioria dos times que devem salários), pois, segundo ela, “são apenas os direitos de imagem atrasados em 45 dias por culpa do fluxo de caixa”.

Ora, atrasado um dia, atrasado de fato! Salário é algo sagrado e custa-me crer que, em pleno século XXI, alguns clubes tenham como diferencial o pagamento em dia. Qualquer atraso deve ser condenável.

Com altíssimos salários pagos e gastos muitas vezes indevidos, incluindo-se neles as comissões legais mas imorais pagas a empresários, os 4 grandes clubes paulistas dão um tiro no pé em suas gestões. Hoje, os noticiários falam de “meses de atraso no direito de imagem” de Santos e Corinthians, além do palmeirense Cleiton Xavier reclamar de não-pagamento. MESES! E, sabemos, o Direito de Imagem é na maior parte das vezes o verdadeiro salário dos atletas.

Negocia-se mal e depois a torneira seca. De onde pingar mais dinheiro?
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– Árbitros de Corinthians x Guaraní (PAR) e Cruzeiro x São Paulo

Imagine só: se você tem um árbitro muito jovem e outro veterano, sendo o primeiro inexperiente e o outro muito rodado, tendo um clássico e um jogo de grande contra pequeno, em qual jogo você os escalaria?

Pois bem: para Corinthians x Guaraní do Paraguai, no Itaquerão, teremos o experientíssimo chileno Enrique Ósses, de inúmeras decisões internacionais e clássicos da América do Sul. Já para Cruzeiro x São Paulo, no Mineirão, teremos o novatíssimo uruguaio Andrés Cunha, jovem e desconhecido para a maioria.

Cá entre nós: a lógica e o bom senso não mandariam a inversão desses árbitros? No clássico brasileiro, árbitro habituado a tal jogo. No jogo entre grande e pequeno, árbitro mais jovem.

E você, o que acha dessas escalas?

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– O assassinato da Série A

Acompanho em gênero, número e grau as idéias do jornalista Heitor Freddo sobre o Brasileirão e a importância que a CBF deu (ou melhor, não deu) a ele.

Segue texto e link para o post e blog de Heitor (abaixo):

Avatar de Heitor FreddoHeitor freddo

Grandes clubes dependem de ídolos. A torcida precisa para se animar e a história exige, para fazer jus ao peso daquela camisa.

Grandes jogadores formam as seleções nacionais. Logo, se o seu time tem um ídolo, nada mais natural do que torcer para que ele dispute os principais torneios entre países.

O problema é que no Brasil isso significa a morte do Campeonato Brasileiro.

Vem aí a Copa América. Ontem foi o último dia para os técnicos entregarem as listas dos convocados. Última chance de dar uma facada no peito do torcedor de grandes clubes brasileiros.

A seleção de Dunga já era conhecida e o torcedor do Santoa já sabe o peso de ter Robinho entre os convocados. P Peixe vai perder seu melhor jogador, o cara que ganhou o Paulistão, por 8 jogos. E veja quais são os adversários: Sport, São Paulo, Ponte Preta, Atlético-MG, Corinthians, Internacional, Fluminense e…

Ver o post original 220 mais palavras

– Times Paulistas Ciganos versus Magnatas Europeus

É sabido que grandes investidores – empreendedores, malucos ou mafiosos – gastam muito dinheiro no futebol da Europa.

O francês PSG se agigantou com os petroeuros de um príncipe catari; o inglês Manchester City cresceu com os dólares de um emir; diga-se o mesmo do seu co-irmão Chelsea (antes, uma “Portuguesa da Inglaterra”) com o bilionário russo Abramovich; e por aí vai.

Aqui o cenário é diferente: empresários compram pequenos times do futebol para fazer negócios. Vide o mineiro Tombense, de Eduardo Uram. Lembram do Iraty de Juan Figger?

Agora, vemos tal fenômeno no Estado de São Paulo: tivemos o Guaratinguetá virando Americana FC, saindo do Ninho da Garça no Vale do Paraíba e pousando na Princesa Tecelã. Depois assistimos o Grêmio Barueri se transformar em Grêmio Prudente e do ABC migrar para o Noroeste Paulista. E, em breve, outra situação inusitada: o Oeste da quente e agrícola Itápolis se tornará mais um time da Região Metropolitana de São Paulo, trocando a terra da laranja e da goiaba por Osasco.

Mário Teixeira, executivo de sucesso do Bradesco e apaixonado por futebol, tentou fazer outrora uma parceria com a Portuguesa de Desportos. Não deu certo. Findado o Paulistão e sem possibilidade de manter ativo o seu clube, o Audax de Osasco (ex-Pão de Açúcar Esporte Clube) por culpa de falta de campeonato (não pense no sacrilégio de acreditar que fosse por falta de dinheiro), resolveu encerrar o vínculo com seus atletas e dissolver sua equipe até o ano que vem. Dessa forma, arrendou o time do Interior para disputar a Série B do Brasileirão, remontando o Oeste, agora em Osasco.

O interessante é que tudo isso é feito, felizmente, de maneira honesta e dentro da lei. Claro, com dinheiro.

Enquanto isso, nenhum magnata, mecenas apaixonado ou árabe afortunado resolve brincar de futebol com outros times… nosso Paulista de Jundiaí que o diga, tentando arranjar fundos e boas idéias para a disputa da Copa Paulista com as forças vivas da cidade.
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– Os 3 pontos da Rodada 1 valem tanto quanto os da 38

No Campeonato Brasileiro de pontos corridos, há alguns detalhes que passam despercebidos. Um deles é a questão das vitórias nas primeiras rodadas, quando o torneio “ainda não pegou” e podem “acumular gordura”.

Vide São Paulo e Corinthians: arriscaram com seus times reservas/ mistos e conseguiram 3 pontos. E é inevitável não refletir a decisão do Cruzeiro em levar o jogo para Cuiabá. Entenda: mesmo jogando em casa (com time reserva), perdeu para o Corinthians e levou um pequeno número de torcedores cruzeirenses. Marcelo Oliveira, o treinador, reclamou que havia mais torcedores do Timão na Arena Pantanal do que do time mandante.

Já imaginaram se na Rodada 38 do Brasileirão estiverem empatados na liderança o Cruzeiro e o Corinthians? Os 3 pontos necessários para um título na última rodada valerão a mesma coisa dos 3 pontos da Rodada Inicial. Aí vai doer no coração ter jogado com time reserva e ter vendido o mando de jogo…

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– Quase dois anos de Mudanças nas Orientações na Regra de Futebol…

1- Vanderley Luxemburgo discutiu com o gandula no Morumbi, no jogo entre São Paulo x Flamengo, pois a bola não foi dada na mão do seu jogador (ela foi rolada pelo chão).

2- Rafael Silva comemorou um gol no Maracanã subindo as escadarias que levavam à arquibancada e não foi punido.

3- As dúvidas entre bola na mão e mão na bola continuam agitando os programas esportivos, graças ao tal do “movimento anti-natural” que apareceu numa recomendação e aqui se entendeu tudo errado!

4- Na final do Mineirão, Jô recebe em impedimento uma boa desviada e a polemica nasce. Tirou ou não a condição ilegal? E tantas outras discussões ocorreram nos últimos dias…

Tudo isso por um único problema: a COMUNICAÇÃO da FIFA!

Entenda: em 01 de julho de 2013, um “pacotão” de alterações foi promovido no futebol, mas pouco foi debatido sobre elas. Jogadores, treinadores, jornalistas e até árbitros demoraram um pouco para assimilação (alguns, até hoje não assimilaram).

São 9 destaques que resumo abaixo:

1- Está proibido que atletas zombem da torcida adversária em comemorações de gol; bem como nos estádios em que não há alambrados separando a torcida e do campo (onde existem as escadas de segurança) ocorram comemorações exaltadas (como a proibição, por exemplo, de um jogador que sai do campo de jogo e vai comemorar na torcida). Para essas situações: cartão amarelo

2- Há tempos a FIFA autorizou a permanência de até 12 reservas no banco de suplentes, mas somente em 2014 o Brasil adotou a medida. Nos estádios da 1a divisão do Brasileirão, há as adaptações pertinentes pois os espaços eram diminutosMas e no interior do Brasil? Convocar 23 atletas para uma partida muitas vezes não tem sido tarefa fácil. No Paulistão, continuou-se com 18.

3- Numa circular da FPF de 22/07/13, uma curiosidade: a Comissão de Árbitros sugere cuidados com os acréscimos, pois “5 ou 10 segundos em excesso podem modificar o jogoOra, quando se aponta 3 minutos de acréscimos, significa que não se pode acabar a partida antes desse tempo, e que o jogo vai ter NO MÍNIMO 3. Acabar o jogo entre 3’00 e 3’59” é o correto. Se precisar de mais 10 segundos, avise ao quarto-árbitro que terá mais um minuto de acréscimo, para que seja possível acabar o jogo entre 4’00 e 4’59”.

4- No mesmo documento citado no item acima, está avisado que os árbitros estão PROIBIDOS de pedir a bola para encerrar o jogo. Deve-se apitar o final a partida, simplesmente. Para mim, pura bobagem tal orientação.

5- Qualquer faixa ofensiva (racista, homofóbica, religiosa, xenófoba, política, que faça apologia à violência ou que cause constrangimento) deve ser retirada pelo policiamento. Se não for possível, a partida deverá ser interrompida. Fica a pergunta: e se existir uma faixa escrita: “Fora Marco Polo”, e o torcedor insistir com ela, não terá jogo?

6- Antes dos jogos, os árbitros deverão se reunir com os gandulas, que agora têm um procedimento padrão: devem rolar a bola somente pelo solo aos atletas. Os gandulas estão proibidos de jogar a bola pelo alto ou de colocar ela no local do reinício do jogo.

7- Uma das mais importantes modificações: está proibido rádio ou telefone celular em campo. Acabou a comunicação eletrônica entre treinador fora de campo e assistente técnico no banco de reservas. Se um treinador for expulso, não poderá se comunicar com aparelho junto com seu auxiliar (e em qualquer situação, treinador expulso ou que dê preferência por assistir ao jogo na arquibancada, não poderá se comunicar por qualquer modalidade: seja por telefone, por email, por bilhete ou gritando com seus atletas); mas… e se for na Rua Javari ou na Comendador Souza, onde os bancos de reservas ficam ao lado dos alambrados? Fernando Diniz, pelo Audax, dirigiu sua equipe aos berros na arquibancada em 2013, após ser expulso nesse ano num jogo pelo Paulistão da A2. Recentemente, um assistente técnico do Palmeiras foi expulso pelo árbitro Ricardo Marques Ribeiro na partida contra o Atlético Paranaense em Curitiba, pela Copa do Brasil, por fazer uso do rádio. Sem contar que Osvaldo de Oliveira, expulso no Paulistão, deu orientações aos seus jogadores que se aproximavam dele na arquibancada, contra o Santos.

8- A mudança da interpretação de mão na bola: lances de atletas que pulem com os braços extremamente abertos propositalmente e que a bola bata neles não devem ser considerados involuntários. A idéia, segundo uma corrente, é de: quem “se faz por descuidado” tende a querer interferir na jogada. Sendo assim, não seria um acidente de trabalho ou casualidade, mas sim uma intenção faltosa disfarçada. Portanto, deve-se avaliar o movimento anti-natural dos braços que vise ludibriar o árbitro. NÃO CONFUNDA COM IMPRUDÊNCIA (mão na bola continua valendo somente a intenção). Aqui, não mudou a Regra, mas sim acrescentou-se o alerta para que o árbitro fique atento ao jogador malicioso, que deixa o braço bater na bola ao invés de tirá-lo ou ainda que, por exemplo, numa barreira pule com eles erguidos tentando bloquear a bola (lembrando que bola que bate na mão que protege o rosto ou partes íntimas, incluindo-se os seios no futebol feminino, NÃO É INFRAÇÃO). Infelizmente, no Brasil a orientação foi confusa e creditada a um suposto erro de entendimento do instrutor Jorge Larrionda, que houvera dito que a maioria dos lances de mãos seria pênalti. No final de 2014, em um simpósio da CBF, tentou-se minimizar tais situações. Os erros diminuíram, mas não acabaram.

9- O novo entendimento de “impedimento ou não” em lances desviados em adversários: Se um atacante chutasse para o gol e a bola desviasse num adversário, mas sobrasse para seu companheiro que estivesse do outro lado do campo, ele estava impedido por tirar vantagem de uma posição. Agora, bola desviada que sobre para um atleta que não participava originalmente da jogada, mesmo ele estando mais próximo da linha de fundo do que dois adversários e a bola (a definição clássica de impedimento), é lance legal. Mas atenção: aqui, a bola foi desviada e caiu para alguém que não participava do lance, sendo diferente da situação na qual um jogador esteja sozinho e receba uma bola de rebote de goleiro, ou ainda quando lhe é lançada uma bola e ela bate no zagueiro (pois, afinal, a bola era para ele e ele a recebeu mesmo após bater no adversário). Para ambas situações continua sendo impedimento. Continua valendo a máxima: desvio não tira impedimento (com exceção ao lance modificado).

E aí, há quase dois meses com tais modificações, você já sentiu muitas diferenças? Tem visto dificuldade em interpretá-las?

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– Hoje não era dia para ter a Abertura do Brasileirão!

Em um calendário utópico e ideal, hoje não era para ter “Rodada de Abertura” do Brasileirão.

Justo no Dia das Mães?

Pense: Quantas pessoas estariam indispostas a deixar o convívio do seu lar para ir a uma partida de futebol?

Almoço mais tarde, confraternização mais longa, tudo levando à diminuição de público. Mais: logo na Rodada 1, por culpa da Libertadores, São Paulo, Corinthians; Cruzeiro; Atlético Mineiro e Internacional jogando com equipes reservas.

A Primeira Rodada deveria ser com festa, pompa, com todos os clubes mostrando força máxima e em dia ideal. Nunca hoje!
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– O Departamento de Ética do Futebol Brasileiro!

Cruz-Credo… A CBF criou uma diretoria de Ética e Transparência. Para chefiá-la, convidou o deputado federal Marcelo Aro.

E ele é um bom nome?

Avalie: Marcelo é filho do José Guilherme Ferreira e sobrinho de Elmer Guilherme, cartolas que reinaram na Federação Mineira de Futebol por muitos anos.

O detalhe é que seu pai e seu tio foram afastados de seus cargos em 2003 pelo Ministério Público, que pediu prisão preventiva a eles, denunciados então por formação de quadrilha, falsificação de documentos e apropriação indébita.

Pelo parentesco, parece que as referências não são boas. Aliás, é mais um da bancada da bola a assumir cargo na CBF.
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– Planejamento é com a CBF! Gallo que o diga…

E não é para criticar?

Marco Polo Del Nero bancou Alexandre Gallo na Seleção Sub20. O fortaleceu ainda na gestão Marin. Disse que ele estava garantido no cargo quando balançou no final do ano e, justo agora que o treinador convocou a equipe para o Mundial da Categoria, às vésperas da competição, demitiu-o.

Isso é planejamento?

O gozado é que o novo técnico (seja ele quem for) vai para a Copa do Mundo Sub 20 com jogadores que ele não convocou.

Fica valendo o sentimento: #GER7x1BRA.
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– Sem salário mas ganha; sem salário mas perde?

Há coisas no futebol que merecem semanas de discussão.

Santos e Corinthians estão com salários atrasados – e não é de “só” um mês.

O Peixe jogou muito, se doou em campo e conquistou o Paulistão.

O Timão deixou de ser vibrante, se acomodou e jogou sonolento na Libertadores.

1) Será que os fatores “final de campeonato”, “bom papo da diretoria” e “clima do vestiário” ajudaram o time da Vila Belmiro, fazendo com que o atraso do pagamento fosse deixado de lado nesse momento?

2) Ao mesmo tempo, será que o imbróglio da renovação de Guerrero, o estádio a pagar e conflitos com a diretoria do time do Parque São Jorge estão sendo determinantes para que o atraso no pagamento fosse levado à discussão nesse momento?

Em tese, pode ser isso. E será que é?

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– O Paradigma das escalas será quebrado?

Se der problema, a fumaça vai ser grande…

Sempre defendi que nas escalas do Campeonato Brasileiro devem estar os melhores, sejam de onde for. A CBF pensa diferente: busca talentos de estados não tão importantes para o cenário da 1a divisão, a fim de permitir maior quantidade de árbitros “neutros”. Vide Sidrack Marinho, juiz do Sergipe que, pelo fato de morar em um estado em que não tínhamos times na elite, podia apitar qualquer confronto que não existiria crítica.

Pois bem: quando começaram a fazer a experiência dos Adicionais (AAA), eles eram do mesmo estado do clube mandante. As críticas surgiram por ser uma “economia burra”. Até que, após algumas contestações, eles passaram a ser de estados vizinhos dos clubes mandantes.

Agora, logo na Rodada 1, no Morumbi, teremos uma surpresa: para São Paulo x Flamengo, teremos como árbitro Marcelo de Lima Henrique (Carioca e que hoje apita pelas Federação Pernambucana) e como bandeira o paulista Marcelo Van Gassen.

Nada que os desabone, ao contrário, eles são competentíssimos! A questão é: essa quebra de paradigma será por toda a competição? É um teste ou é pra valer?

Tomara que não tenhamos lances polêmicos. Já imaginaram se dá um azar e há um pênalti pró-Flamengo ou um gol impedido pró-SPFC?

Confio na honestidade e na qualidade da arbitragem de ambos. Mas que tal fato é curioso, ô se é!

Em tempo: nas redes sociais, já ressuscitaram uma fotomontagem ridícula em que o Marcelo está vestindo uma camisa do Mengão. NÃO É FOTO REAL, esqueçam isso. Infelizmente, mais um troll aprontando por aí…

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– Surpresa? Quem pediu Amarilla no São Paulo x Cruzeiro?

Falamos dias atrás sobre o fato de ser muito difícil escalar dois árbitros brasileiros para os confrontos de ida e volta entre o Tricolor e a Raposa pela Libertadores da América. Habilitados, teríamos apenas Héber, Péricles e Wilton Sampaio (vide tal assunto em: http://wp.me/p4RTuC-ctg).

Porém, surpreendentemente, a Conmebol escalou o paraguaio Carlos Amarilla para o confronto no Morumbi. Ele é o mesmo árbitro que apitou Corinthians x Boca Jrs, no momento em que as relações políticas entre Andrés Sanches & CBF eram péssimas, além do imbróglio que envolveu o próprio Timão e a Confederação Sulamericana em decorrência da morte do garoto Kevin Spada em Oruro e a perda de mandos de jogo. Na oportunidade, Amarilla era constantemente escalado nos amistosos da Seleção Brasileira com trânsito constante no Brasil (ele é casado com uma brasileira). Sua atuação foi absurdamente desastrosa, principalmente em lances capitais que um árbitro do seu gabarito não costuma errar, prejudicando e eliminando a equipe brasileira com dois gols anulados e dois pênaltis não marcados (relembre a análise da arbitragem daquela partida contra o Boca Juniors em: http://wp.me/p4RTuC-b0).

Entretanto, ontem, à Rádio Bandeirantes em seu programa esportivo noturno, o presidente Carlos Miguel Aidar, ao vivo, disse que em conjunto com o Cruzeiro, acordaram em pedir à Conmebol um árbitro estrangeiro, já que:

Um árbitro de fora é melhor pois não sente a pressão de ter apitado jogos aqui. Antes a Conmebol era pobre e precisa colocar árbitros do mesmo país; agora, ela é rica e não tem mais esse problema. Inclusive estará no Regulamento da Libertadores no ano que vem que em confronto de equipes do mesmo país a arbitragem será estrangeira.

Mas por quê justamente o Amarilla, malquisto aos olhos dos torcedores? Será que a Conmebol, pressionada e criticada pelas equipes anteriormente, quis demonstrar força e escalar justo o paraguaio (que nunca mais apitou por aqui desde aquele dia) como provocação?

Fica a dúvida: será que teremos Wilmar Roldán, o chamado “Castrilli da Colômbia” no jogo de volta, de tantas boas arbitragens na América do Sul mas de azares e má atuações em jogos envolvendo brasileiros?

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– “Salário” dos Árbitros para o Brasileirão 2015. Justo ou não?

Boa notícia aos juízes de futebol: a CBF determinou novas taxas para os jogos apitados. Avalie se “vale o quanto paga”:

Para apitar a Série A do Brasileirão, independente se Fla-Flu ou jogo de time pequeno, um árbitro do atual quadro da FIFA (ou ex-pertencente ao quadro) receberá R$ 3.450,00. Se for da série B, R$ 2.700,00. Série C: R$ 2.100,00 e, se for na última divisão (FIFA odeia apitar série D…): R$ 1.850,00.

Se for árbitro CBF 1 (os melhores do quadro nacional mas que não foram à FIFA), receberão por apitar a série A, B, C e D, respectivamente: R$ 2.350,00, R$ 1.700,00, R$ 750,00 e R$ 600,00.

Lembrando: se o jogo for fora do seu estado, adicione R$ 500,00.

Pode parecer muito, mas e se o árbitro apitar 1 partida por mês? Se ele se machucar, vai para o INSS ou que use seu plano de saúde. FGTS e Férias, esqueça! Ainda: é ele, recebendo o que ganha, que decidirá se um centroavante como Luís Fabiano (que recebe R$ 450.000,00/ mês sofreu ou não pênalti de um zagueiro qualquer que ganhe R$ 200.000,00.

Pela responsabilidade, atribuições do cargo e dificuldades da carreira, ganha pouco ou ganha muito?

Algo a mais: os observadores, delegados, tutores (aquele pessoal que fica engravatado, sentadinho, assistindo o jogo e que as vezes são membros das Comissões de Arbitragem), receberão… R$ 500,00! Se o jogo for em SP e ele vier do RJ, pula para R$ 1.000,00!

É mole?
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– Análise da Arbitragem de Caldense 1×2 Atlético Mineiro

Um erro do bandeira foi determinante para o título do Galo sobre a Veterana em Minas Gerais. Mas o pior é que ele foi justificado como correto por um erro de comentário de arbitragem!

Entenda: Luan cruza a bola para Jô, que está em posição de impedimento. O zagueiro número 3 da Caldense tenta desviar a bola e consegue tocá-la; porém, mesmo resvalada, chega a Jô que a coloca para dentro da meta. Gol irregular.

Roger Flores, comentarista da Sportv, disse que o gol foi legal pois houve o desvio do adversário, e isso é uma recente mudança da Regra do Jogo, na qual soube após um curso de atualização promovido pela Rede Globo ao pessoal de esportes. Roger se equivocou…

O que mudou foi o seguinte: no pacotão de novas orientações da FIFA em julho de 2013 (no qual entrou a história da intenção subjetiva da mão na bola, movimento antinatural e outras coisas), surgiu um novo entendimento de “impedimento ou não” em lances desviados em adversários. Entenda:

ANTES, se um atacante chutasse para o gol e a bola desviasse num adversário, mas sobrasse para seu companheiro que estivesse do outro lado do campo, ele estava impedido por “tirar vantagem de uma posição.

AGORA, a bola desviada que sobre para um atleta que não participava originalmente da jogada, mesmo ele estando mais próximo da linha de fundo do que dois adversários e a bola (a definição clássica de impedimento), é lance legal. Mas atenção: é bola que foi desviada e caiu para alguém que não participava do lance, sendo diferente da situação na qual um jogador esteja sozinho e receba uma bola de rebote de goleiro, ou ainda quando lhe é lançada uma bola e ela bate no zagueiro (pois, afinal, a bola era para ele e ele a recebeu mesmo após bater no adversário). Para ambas situações continua sendo impedimento. Continua valendo a máxima: desvio não tira impedimento (com exceção ao lance modificado).

Para quem tem o livro Trívia FIFA (o conjunto de perguntas e respostas oficial e complementar às Regras do Jogo), esse lance era a questão 238, que hoje foi alterado. Há quatro anos, tivemos no Campeonato Paulista no jogo Americana x Santos (no Décio Vita) um lance similar.

PORTANTO, Jô estava em impedimento ativo e o Gol foi mal confirmado pelo bandeira Guilherme Dias Camilo, sendo lance difícil para o árbitro Emerson de Almeida Ferreira chamar a responsabilidade para ele. Mas imagine: se Lucas Pratto estivesse na ponta-esquerda, adiantado, sozinho, próximo da bandeira de escanteio, sem expectativa de receber o cruzamento de Luan, em impedimento passivo, e recebesse a bola por culpa de uma força maior do desvio do zagueiro, ele poderia continuar a jogada, já que é esse tal novo entendimento.

Eu penso numa seguinte situação: e se numa cobrança de falta, um jogador ficar adiantado, e um bom cobrador de faltas tentar tabelar com a barreira a fim de que disfarçadamente a bola sobre sozinha por um desvio? Como provar a intenção de lançar a bola através de uma burla da regra ou de uma inocente desviada?

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– Análise da Arbitragem de Santos 2×1 Palmeiras

Jogo muito difícil de se apitar na Vila Belmiro. Em cartões amarelos, Santos 2×5 Palmeiras. Em cartões vermelhos, Santos 1×2 Palmeiras. Em gols com a bola rolando, Santos 2×1 Palmeiras. Na decisão por tiros penais, Santos 4×2 Palmeiras.

No começo do 1o tempo, existiu um reclamação muito tímida de um suposto pênalti de Werley empurrando, fora do lance de bola, Vitor Hugo. Não foi, acertou o árbitro em ignorar. No começo do 2o tempo, Valdívia sofre um empurrão por trás de Chiquinho, dentro da área, estando em posição de impedimento. Também acertou em não marcar nada.

Claro, existiram muitas faltas no jogo e isso proporcionou muitos cartões. As advertências corretas foram: Dudu (4m, corretamente por cama de gato), Valdívia se estranhando com Chiquinho (9m, mas Chiquinho também deveria ter sido advertido), Valência (15m) por matar o contra-ataque em Valdívia, Gabriel por matar o contra-ataque de Robinho (24m), Victor Ramos aos 59m por segurar Ricardo Oliveira pela camisa e posteriormente o 2o Amarelo e consequentemente o Vermelho por dar uma sola em Valência, David Braz (86m) por falta em Rafael Marques e (ufa) Lucas aos 88m por carrinho desnecessário.

Porém, existiram alguns erros como: Dudu que simulou uma falta aos 17m alegando ter sido empurrado por Werley e Ceretta “caiu” na dele, bem como uma falta por ação temerária de Ricardo Oliveira em Leandro Pereira no final do 1o tempo. Mas me chamou a atenção o carrinho de Gabriel em Lucas Lima aos 68m, que era para Amarelo (ele já tinha) e consequentemente a expulsão. Osvaldo de Oliveira percebeu o vacilo do árbitro e tirou de campo seu jogador.

O grande questionamento aconteceu no final do 1o tempo: em uma cobrança de falta, fora do lance de bola e antes do chute, Dudu e Geuvânio estão se agarrando. No desfecho do agarra-agarra, Dudu segura Geuvânio e ambos caem. Ceretta resolve expulsar os dois. Para mim, ERROU. Exagero total! Será que a pilhagem de torcedores nas redes sociais que ora o acusavam de santista/ ora de palmeirense no pré-jogo ali lhe influenciou?

Enfim, entre erros e acertos no difícil trabalho da tarde de domingo, o destaque positivíssimo foi o bandeira Emerson Augusto Carvalho, que soube discernir muito bem o lance do 1o gol santista: Valência lança a bola para o ataque e havia dois atletas em impedimento passivo e que não participam da jogada (inclusive David Braz). Robinho, que vinha de trás, a domina em condição de jogo, avança e cruza para trás da linha da bola a David Braz, que finaliza ao gol, agora em condição legal. Acrescente ao mesmo árbitro assistente o acerto no difícil lance de anulação por impedimento do gol do palmeirense Amaral.

Parabéns ao Santos Futebol Clube, campeão, e à Sociedade Esportiva Palmeiras, pois, afinal, o vice-campeonato significa ser o 2o melhor da competição!

(em tempo: já imaginaram se na injusta expulsão de Geuvânio o árbitro estivesse ainda com a camisa patrocinada pela Crefisa? Pipocariam teorias da conspiração a là “Era Parmalat”…)

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Abaixo, o lance a lance da partida:

– 4 minutos, Amarelo ao Dudu por cama de gato em Valência e reclamação.

– 9 minutos, Chiquinho e Valdívia dividem uma jogada, Valdívia vai um pouco mais forte por baixo e Chiquinho devolve soltando o braço. Só Valdívia leva Cartão Amarelo, faltou dar ao santista.

– 15 minutos, Valência leva Cartão Amarelo por falta em Valdívia, matando o contra-ataque.

– 16 minutos, ataque palmeirense entra na área, dupla santista rouba a bola limpamente mas palmeirense pede pênalti. Ceretta nada deu, acertadamente.

– 17 minutos, Werley e Dudu dividem, Dudu se joga e Ceretta marca falta, não foi.

– 24 minutos, Gabriel faz falta pra matar o ataque de Robinho e recebe Amarelo. Correto.

– GOL do Santos: excelente trabalho do bandeira Emerson Carvalho. Valência lança a bola para o ataque e havia dois atletas em impedimento passivo e que não participam da jogada (inclusive David Braz). Robinho, que vinha de trás, a domina em condição de jogo, avança e cruza para trás da linha da bola a David Braz, que finaliza ao gol.

– Após o gol, no reinício do jogo, aos 44m, Ricardo Oliveira tenta roubar a bola e pratica uma falta temerária por trás em Leandro Banana, que se revolta. Era para Cartão Amarelo. Ceretta não deu e errou.

– 45 minutos: em uma cobrança de falta, fora do lance de bola e antes do chute, Dudu e Geuvânio estão se agarrando. No desfecho do agarra-agarra, Dudu segura Geuvânio e ambos caem. Ceretta resolve expulsar os dois. Para mim, errou.

– 59 minutos: Victor Ramos segura Ricardo Oliveira pela camisa derrubando-o. Cartão Amarelo bem aplicado.

– 68 minutos: Gabriel (que já tinha Cartão Amarelo) dá um clássico carrinho para cartão amarelo em Lucas Lima, o qual não foi mostrado. Se Lucas Lima não pula, é atingido me cheio e se machuca. Errou Ceretta, tem que aplicar e seria expulsão do Palmeirense. Em seguida, Osvaldo Oliveira o substitui…

– 69 minutos: Mais uma falta do Valdívia, e mais um sorriso irônico e expressões desrespeitosas à arbitragem. Se o chileno jogasse na Europa, já teria sido advertido.

– 71 minutos: Victor Ramos vai com o pé alto e atinge com a sola o jogador Valência. Já tinha Cartão Amarelo, e recebe outro por ação temerária. Expulso corretamente.

– 86 minutos: Cartão Amarelo para David Braz após falta em Rafael Marques. Correto.

– 87 minutos: Emerson Carvalho novamente acerta um lance difícil, agora a anulação do gol de Amaral, em impedimento.

– 88 minutos: Lucas faz falta desnecessária na lateral do campo. Correto.
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– Análise da Arbitragem de Paulista 1 x 4 São Caetano

Boa arbitragem do trio formado por Maurício Fioretti, Marcos Gonzaga e Gustavo Chacon. Claro, o jogo não exigiu. Partida fácil de se apitar e fez o be-a-bá do apito corretamente.

Aplicou na medida certa os cartões (26 faltas no jogo, 10×16 no placar), os poucos impedimentos foram assinalados e/ou não marcados e nenhum lance violento. Foi bem coibindo a cera.

A se destacar: Luiz Eduardo (SCA) e Jader (PAU) trocaram empurrões, após falta do jogador do Azulão. Ambos levaram Cartão Amarelo, corretamente. Se Jader, quando empurrado, não revidasse, só o adversário ficaria amarelado. Valeu para o jogador ganhar experiência.

Resultado ruim para o Galo em jogo morno de se assistir. Público de 661 pagantes e, na arrecadação final: prejuízo de R$ 10.210,00.

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– Juiz de Futebol tem time do Coração?

Não tem; ou melhor, teve no passado.

Tinha. Tivera. Não tem mais.

A qualquer árbitro de futebol que lhe for perguntado sobre o seu time de coração, teremos uma mesma resposta: “Eu tinha um time quando era criança, hoje meu time é a arbitragem”.

E é bem por aí mesmo. Juiz não torce para time X ou Y, torce para ele mesmo, a fim de que seu trabalho o ajude em vôos mais altos, que se resumem em chegar a FIFA e a Copa do Mundo.

Claro, no imaginário do torcedor mais exaltado (e entenda por “exaltado” o termo “fanático”) passam coisas pré-jogo como:

– “o árbitro é flamenguista e vai entrar em campo para prejudicar o time vascaíno”;

ou, pós-jogo:

– “ele só deu pênalti para o Internacional-RS pois é colorado”.

Digo isso pois alguns trolls (aquele tipo de internauta que cria situações, factoides ou tumultos) colocaram nas redes sociais imagens antigas de Guilherme Ceretta de Lima (árbitro da final entre Santos x Palmeiras) no Instagram, em um bate papo com Rafael Cabral, ex-goleiro santista, falando de uma “comemoração” (em publicação de anos atrás).

Pronto! Criou-se o vínculo de que Ceretta supostamente é torcedor do Santos. Uma das comunidades palmeirenses criou um meme com a manchete “Santista Ceretta apitará Santos x Palmeiras”. Há outros mais afoitos dizendo que esta mensagem foi após se divulgar a escala de domingo!

Ora, tenha a santa paciência, não vale a polêmica. Ceretta é de Votorantim, cidade vizinha de Sorocaba, terra de Rafael Cabral, hoje no Nápole. São interioranos que se conhecem, e a foto que circula é de 2010 ou 2011 (repare que não há data), remetendo a um bate papo do aniversário de familiares…

O problema é que, sem querer, o árbitro (que é uma pessoa pública) ganha a fama, involuntariamente, de santista; coisa que ele não é, nem foi.

Quem milita no meio da arbitragem (e eu militei como árbitro por 16 anos), ri da preocupação de torcedores em saber qual time o árbitro torce, como se ele, árbitro, fosse torcedor também!

É inevitável e inegável que todo juiz de futebol, quando criança, torcia por algum time. Mas você não consegue levar isso aos gramados! O “encanto” se quebra na primeira falta reclamada do time que outrora foi o seu.

Há 21 anos, quando pela 1a vez trabalhei em um jogo Sub 15 da equipe que eu torcia na infância, tinha a preocupação de saber se eu separaria as coisas. E me assustei! É como tratar um amigo de longa data como desconhecido nos primeiros minutos. Depois você não se impressiona mais com ele. E, ao término do jogo, você está “batizado” dessa situação, incólume.

Como você vai torcer para um time que reclama das suas marcações? Um chute no ar de Valdívia, um gol de Guerreiro, uma falta cobrada por Rogério Ceni ou uma pedalada de Robinho não lhe dão mais prazer algum; o que vale é apitar corretamente o pênalti, amarelar uma simulação, expulsar um botinudo!

REPITO e INSISTO: a menor das preocupações de torcedores é com a cor da camisa que o árbitro torcia quando criança.

E por que Ceretta, Claus, Luiz Flávio ou outro qualquer não divulgam para quem torciam? Por motivos óbvios, ué! Vide os jornalistas que assumem serem torcedores de alguém: mesmo sendo profissionais em seu ofício, são obrigados a aguentar a trollagem e a desconfiança de fanáticos – e isso enche o saco! Se sem se assumirem os árbitros já são vítimas disso, imagine declarando? Além disso, em um Brasil de educação tão pobre, veríamos os bandidos que se travestem de “torcedores” e que aterrorizam estações de metrô, ruas e praças públicas ameaçando a vida de árbitros, desnecessariamente.

Uso o exemplo do meu humilde blog: quando comento um lance de erro de arbitragem a favor do Corinthians, sou chamado de palmeirense; se a favor do Palmeiras, viro são-paulino; assim como já virei corinthiano, santista…

É por isso que admiro os EUA: lá o cara se assume democrata ou republicano e nem por isso tem a vida contestada. Nem sofre com fanáticos pseudo-torcedores…

O meu medo é que aconteça a mesma pressão ocorrida com o árbitro Thiago Duarte Peixoto, que às vésperas do Derby Paulistano teve uma foto de doação de camisa do Corinthians ao Hospital do Câncer de Barretos exposta como se fosse um torcedor apaixonado. Se Ceretta errar a favor do Santos, a foto seria a prova de quem o acusa! Se errar a favor do Palmeiras, será porque quis provar que não era!

Durma-se com um barulho desse. Ô vida de árbitro… se já não bastasse a patrulha que fazem sobre suas atividades profissionais fora da arbitragem alegando incompatibilidade (Ceretta é modelo fotográfico e tem uma confecção), ainda essa!

Desejo boa sorte a ele, já elogiado e criticado nesse espaço. A propósito, sobre sua escala falamos nesse post: http://wp.me/p55Mu0-qt .

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