– Existe Impedimento em Bola ao Chão?

 

Uma interessante pergunta sobre Impedimento e Bola ao Chão. Vamos lá:

 

“Estivemos em uma roda de debate sobre regras de jogo e chegamos em uma pergunta que não obtivemos um consenso na resposta, peço a sua opinião sobre o lance e se possível uma explicação pois não encontramos nada no livro. Aliás, onde encontramos está na página 27 regra 11 impedimento item infração, mas nos deixou sem entendimento no fato que relato agora:
A pergunta foi feita neste modo:

O jogo foi reiniciado através de um bola ao chão. A bola entra em jogo e é tocada pela primeira vez por atacante que se encontrava em posição de impedimento. Qual deverá ser a decisão do árbitro?
A) paralisar a partida e reiniciá-la com um tiro livre indireto (impedimento).
B) paralisar a partida e repetir a execução do bola ao chão. 
C) deixará a partida prosseguir.
D) nenhuma das alternativas está correta.

Att

Marcelo Rottoli”

 

Olá Marcelo, bela pergunta. Mas aqui ocorre nitidamente uma “pegadinha”. A resposta é alternativa C, pois, lembre-se: “estar em posição de impedimento” não é necessariamente “estar impedido”. O jogador pode estar lá na frente, sozinho, à frente dos adversários e mais próximo da linha de fundo do que a bola. Qual o problema, se a bola não for lançada por um companheiro?

O Bola ao Chão é um reinício do jogo, onde acontece quando a bola cai ao solo por iniciativa do árbitro. Se o jogador que “está em posição de impedimento” disputá-la ou for o primeiro a tocá-la, “não há confirmação do impedimento”, pois ele não a recebe de nenhum jogador da sua equipe. Ela não é passada por ninguém! Portanto, não existe infração.

 

Qualquer interpretação diferente, vale deixá-la em “Comentários”, a fim de crescer o debate e reafirmar o entendimento.

– Atlético Paranaense X Corinthians: Vantagem em Pênalti existe?

 

Claro que sim. Mas aplicá-la é complicado…

 

Hoje, na partida Atlético Paranaense X Corinthians, Paulinho, em cima da marca penal, é empurrado pelo zagueiro adversário (não foi calçado, afinal, por baixo o atleta foi legalmente na bola; ele foi empurrado pelas costas). O goleiro estava caído e a bola morreria no gol.

 

O árbitro imediatamente marca pênalti. Mas ele poderia retardar a sua marcação para esperar a concretização da jogada (verificar se a bola entraria no gol ou não, mesmo após a infração)? Claro que sim, seria a aplicação da Lei da Vantagem.

 

Porém, costumeiramente não se aplica vantagem em lances de pênalti, simplesmente pelo risco da vantagem não se efetivar como tal. Ou seja: se o atacante sofre pênalti e a bola sobra para seu companheiro que está na cara do gol; e se ele desperdiçar? POSSE DE BOLA não deve ser entendida como vantagem. Assim, na maciça maioria das vezes, a grande vantagem é ter o pênalti a ser cobrado do que continuar a jogada. Embora, tenhamos a atenção que nem todo pênalti é sinônimo de gol…

 

Na partida de hoje, 2 erros:

1) se o árbitro marcou pênalti, era para cartão vermelho. A infração foi por trás e impediu uma situação clara de gol.

2) na cobrança, jogador corinthiano invade a área. Deveria se repetir a cobrança. Se a bola fosse chutada para fora, segue o jogo. Se o invasor for do time infrator, confirme o gol. Se o invasor é infrator e a cobrança desperdiçada, volta o lance. E se ambos invadem, independe de gol ou não, cobra-se novamente.

Ops: caso fosse confirmado o gol de Paulinho sem a marcação do pênalti, o jogador do Atlético Paranaense deveria receber CARTÃO AMARELO, por tentar impedir uma oportunidade clara de gol e não conseguir.

– Jogador tem um Pé Dentro e outro Fora da Área e é tocado. Marca-se o quê?

 

Pênalti ou Falta, dependendo de qual pé é atingido.

 

Ontem, no jogo Flamengo X Coritiba, um lance complicado: atacante do Coxa Branco é tocado pelo flamenguista Willian e ficou a dúvida: dentro ou fora da área? Pênalti ou falta?

 

Vi o lance à noitinha. Estava na estrada e ouvia a Rádio Globo carioca. Na hora, o repórter de campo disse: “Um pé estava dentro e outro fora, portanto, acertou o árbitro, foi falta, tem que estar dentro da área por inteiro.”

 

Ôpa, errou feio o amigo jornalista! Trocou ‘alhos por bugalhos’, deve ter confundido a questão de bola entrar por inteiro dentro do gol para confirmar um tento.

 

Vamos lá: se um jogador está com um pé dentro e outro fora da área, vale o pé em que ele é tocado. Tem que ser no local do ato, onde atingiu. Se estiver em cima da linha, não esqueça, ela faz parte da grande área, portanto é pênalti.

 

Uma curiosidade da regra: todas as infrações devem ser marcadas no local da infração, em especial as “faltas continuadas”. Ou seja: se o jogador tem a camisa puxada fora da área mas consegue entrar na grande área, e lá é desequilibrado, deve se dar o pênalti. O ato começou fora mas terminou dentro. É a consumação da infração que deve ser levada em conta.

 

É como cusparadas: se um zagueiro está na grande área e cospe no adversário que está fora, é falta. Se está fora e cospe dentro, é pênalti.

 

Tal ponto, esquecido por muitos está nas “Diretrizes da Regra de Jogo 2009-2010, Regra 12 – Faltas e Infrações, pg 92, e o texto é claríssimo, redigido da seguinte forma:

 

Se um defensor começar a segurar um atacante fora da área penal e continuar segurando dentro dessa área, o árbitro deverá conceder um tiro penal”.

 

Ontem, no jogo Flamengo X Coritiba, o jogador estava dentro da área, com os dois pés. Errou o árbitro, que deu falta, e o jornalista, que deve ter achado que pé sobre a linha fosse fora da área.

– “Mão na Bola e Bola na Mão” no Jogo São Paulo X Bahia. Acertou o Árbitro?

 

Sim, nos dois lances polêmicos de pedidos de pênalti no 1º tempo o árbitro acertou.

 

Rogério Ceni cobra a falta, e algo muito comum no futebol ocorre: o zagueiro adversário que está na barreira leva a mão ao rosto para proteção. Não há problema que a bola bata na mão de qualquer atleta desde que ela esteja sendo usada para proteção: partes íntimas e rosto são as regiões mais freqüentes. Porém, o zagueiro bahiano ergue o braço não para que sua mão proteja o rosto, mas para desviar a trajetória da bola. Nenhuma dúvida: pênalti. Ele se aproveita do pulo na hora da cobrança de falta e a mão no rosto para deliberadamente tocar a bola. Confesso que vi um cartão amarelo para Fael, supostamente por reclamação, mas não vi se foi ele quem colocou a mão na bola. O infrator deveria ter recebido o amarelo no lance.

 

Durante a cobrança de pênalti, uma curiosidade: na hora que Rogério Ceni chuta a bola, dois adversários estão a pelo menos 1 metro dentro da grande área, e isso é invasão. Se o pênalti vai para fora ou o goleiro defende, deve-se repetir a cobrança.

 

Pouco depois, o time do Bahia vai ao ataque, cruza e a bola bate na mão de Rodrigo Caio. Perceba: bater é tocar involuntariamente. O atleta iria chutar a bola, espanando-a da área, e fura bisonhamente. Todo desengonçado, a bola bate no dorso de sua mão, pois, afinal, está desequilibrado. Alguém ousaria dizer que tal lance foi propositalmente pensado para cortar o cruzamento com a mão?

 

Pontos positivos do árbitro Márcio Chagas: discerniu muito bem tranco legal e carga (isso é típico da escola gaúcha), interpretou bem os lances capitais, expulsou corretamente Piris, deu vantagem nos momentos corretos e, principalmente, vibrou. É o que falta para muitos árbitros: vibração! No pênalti pró-São Paulo, sinalizou claramente o lance mostrando com o próprio braço a infração (coisa que muitos instrutores de arbitragem abominam: alegam que árbitro não deve “justificar marcação nem dar satisfação”, o que discordo). No lance do pênalti pró-Bahia, advertiu os atletas que tentaram o cercar.

 

Apenas dois detalhes:

1-Dagoberto sofreu uma falta de jogo um pouco mais forte, mas exagerou na queda, simulando um verdadeiro atropelamento e seu adversário foi punido com cartão amarelo. Jobson, no final do primeiro tempo, também sofreu uma falta de intensidade igual e exagerou na queda identicamente, mas seu adversário não levou cartão.

2-Lucas fez 3 faltas no 1º tempo: uma no ataque, outra no meio de campo e outra na defesa (polivalente o garoto, não?). No início do 2º tempo, fez outra! Caberia o cartão pelas reincidências (nada de violência, apenas repetição de faltas).

 

E você, o que achou dos lances polêmicos da partida? Deixe seu comentário:

– Corinthians/SP X América/MG: o Paulinho fez o Gol Decisivo em Impedimento?

 

Talvez. Depende da câmera… Para mim, estava impedido.

 

Faço essa brincadeira para falar sobre a polêmica criada após o comentário do analista da Sportv, após dizer que não havia dúvidas para o gol de Paulinho, o segundo do Corinthians na vitória contra o América Mineiro (falou mesmo, após ver o replay).

 

Quando ele justifica que “o atleta está na mesma linha, não há dúvida de que o gol de Paulinho foi legal”, respirei fundo. Peraí, com todo respeito, mas… a câmera não ajudava ali! Ou confia demais no taco, ou deu uma bobeada com um detalhe da regra. Explico:

 

No momento em que a bola foi chutada ao gol, Paulinho é o atacante corinthiano mais avançado. O goleiro está embaixo da trave e alguns jogadores do time americano “mais ou menos em linha” com Paulinho. Pairou a dúvida: estaria ou não em impedimento? Paulinho estava na EXATA mesma linha?

 

No lance rápido, tive sensação de impedimento, como o comentarista da TV também teve dúvida inicial. Depois de algum tempo, no replay (slow), ele mudou de opinião. A imagem que ele foi convencido não está exatamente numa paralela que permita ver o zagueiro e o atacante, ela está em diagonal! Tentando trazê-la para um “enquadramento retilíneo” continuo com a impressão de impedimento, pois a cabeça de Paulinho está a frente do zagueiro.

 

Eis o detalhe: o que é estar em mesma linha? Anatomicamente, o homem não é reto e simétrico. E no esporte, ele está em movimento, há dinâmica!

 

Paulinho não estaria em impedimento se as partes do corpo permitidas para o jogo de futebol de um atleta na linha (portanto: não vale mão, braço e antebraço) estivessem em perfeita linha ou antes da linha do seu penúltimo adversário (lembrando que o ‘último homem’ não é o zagueiro, mas o goleiro).

 

Para mim, Paulinho estava com a cabeça à frente dessa linha imaginária. Se alguém julgou impedimento a análise “tronco-a-tronco”, errou.

 

Agora, cá entre nós: o lance é difícil, rápido. Se a equipe de arbitragem errou ou acertou, não dá para condenar.

 

E você, o que achou do lance? Deixe seu comentário:

 

(mesmo que apareça uma câmera perfeita na linha, vale a observação da polêmica até a descoberta dessa imagem maravilhosa…)

– Relaxar em Amistoso Pode? Guangzhou X Real Madrid: descuidos da arbitragem

 

Claro que o clima competitivo é menor em amistosos. Assisti partes do jogo entre Guangzhou X Real Madrid. Algumas coisas me chamaram a atenção:

 

1) No meio do gramado, inscrição em chinês. Não sei se é propaganda, anúncio, promoção ou saudação (afinal, estava em mandarim). Mas você não pode escrever nada no campo de jogo (e nem usar a desculpa de recortar a grama em formatos de letra). Errou a organização do evento em não deixar o campo limpo, conforme a Regra 1.

 

2) Por 3 vezes, Özil cobrou escanteio “a lá várzea”. Ops, desculpem os amantes do futebol amador… lá isso não ocorreria. A bola foi colocada por 3 vezes fora do quarto de círculo que delimita a área de cobrança permitida para o tiro de canto. E se fez vista grossa! Pôxa, 3 vezes? Numa delas, a bola estava quase a 1 palmo de distância.

 

3) O time se chama Guangzhou, mas o locutor e a geração o chamava de Evergrande. Deve ser mais ou menos como o caso do vôlei. Ao invés de Rexona, se chamava de Osasco…

 

4) Os craques estrangeiros titulares do time chinês: Muriqui, Conca e Paulão (no banco, Renato Cajá). E Kaká no banco merengue, com Higuain, Di Maria e Fábio Coentrão. A propósito, Neymar jogaria no lugar de quem? Do Cristiano Ronaldo?

 

5) Treinador Loo do Guangzhou passou o jogo fumando. Tenha dó… Cigarro deve ser aboido no esporte.

 

Até 5X0 a TV ficou ligada. Que me desculpe a grande torcida chinesa, mas o time deles é muiiiiito ruim.

– Xingar de Safado pode?

Claro que não. Mas Felipão não se importa…

 

O treinador Luiz Felipe Scolari foi expulso na última rodada (tratamos da conduta rotineira de Felipão no ‘Blog do Professor Rafael Porcari’ no post “Enésima Expulsão…”, clique aqui para acessá-lo, caso tenha interesse do histórico). Sandro Meira Ricci, árbitro da partida envolvendo Palmeiras X Atlético Mineiro, relatou que:

 

Expulsei o técnico do Palmeiras (…) por, após já ter sido advertido por mim de forma verbal anteriormente, ter se manifestado, em razão da discordância da decisão da arbitragem, com as seguintes palavras: ‘Isso não foi falta? Isso não foi falta’ (…) Então gritou para seus jogadores, batendo o dorso de uma mão contra a palma da outra mão: ‘Podem chegar o pau! Cheguem o pau! Eles não dão nada mesmo’”.


E depois de expulso, veja o que o árbitro escreveu sobre o treinador:

 

Após a expulsão, enquanto se dirigia ao vestiário, parou atrás do árbitro assistente nº01 Roberto Braatz e disse a ele: ‘Além de ser gaúcho, você é safado!’. Todas essas palavras foram ouvidas em alto e bom tom pelo árbitro assistente nº01 e o 4º árbitro.

 

São 3 momentos:

 

1- reclamar da arbitragem,

2- incitar a conduta antidesportiva com ironia e

3- ofender o bandeira.

 

Sinceramente, parece que Scolari faz tudo isso com a certeza da impunidade e garantia de que tudo acabará em cestas básicas…

 

E você, o que pensa sobre isso? Deixe seu comentário:

– Atirar a Bola contra o Árbitro é para Amarelo ou Vermelho?

 

Vermelho, claro.

 

Ontem, jogaram pela série B Vitória X BOA no Barradão. E não é que temos uma situação inusitada: jogador atira a bola com as mãos contra o árbitro!

 

Vejam só: Rildo, do Vitória, avança para o ataque com a bola. Um adversário o tranca e ganha a jogada. Rildo cai pedindo falta; árbitro quase dá a falta mas manda seguir. Bandeira confirma que não foi nada, levanta o instrumento como se alertasse o árbitro que ele realmente não sofreu falta e simulou. Árbitro para o lance. Rildo joga a bola contra o árbitro, reclamando. O árbitro Cláudio Francisco Lima dá cartão amarelo ao jogador, que o ofende e aí recebe o Vermelho. Na sequência, atleta tenta um chute contra o árbitro.

 

Ora, já não se deveria expulsar o atleta no primeiro lance (quando atira a bola)? Arremessar a bola contra o árbitro em sinal de protesto, atingindo-o ou não, é para expulsão. Parece exagerado, mas é uma atitude grave, indigna de atleta profissional.

 

Ele reclama de uma falta que não houve, atira a bola contra o árbitro, xinga e tenta agredi-lo com um chute. Quantos jogos pegará de suspensão?

 

O lance está em: http://www.youtube.com/watch?v=A6j-FUOvCCA

 

A propósito, Rildo gosta de provocações e fortes emoções… veja o jogador do Vitória provocando a torcida do Bahia neste outro vídeo (que perigo incitar descaradamente a torcida organizada adversária…). Em: http://www.youtube.com/watch?v=Rt8pn4R4i8s&feature=related

– Enésima Expulsão de Felipão…

 

Várias vezes abordamos o tema: “Felipão e seu relacionamento com os outros setores do futebol”, em especial à jornalistas e arbitragem.

 

Ontem, mais uma expulsão de Luiz Felipe Scolari. E ele certamente tem seus motivos para justificar a “injustiça cometida por mais um árbitro”. Sim, pois já que ele está acima do bem e do mal, achando que pode apitar a partida do banco de reservas e pressionar acima de qualquer limite a arbitragem, sempre o culpado é o árbitro (seria por não ceder às suas queixas?)

 

Me lembro da primeira oportunidade em que vi Luiz Felipe Scolari. Estava iniciando a carreira como árbitro e trabalhava numa partida Sub15 do Campeonato Paulista da categoria, onde o Palmeiras jogava num dos campos da Academia de Futebol. Salvo engano, o árbitro da partida seguinte (Sub17) era Robério Pereira Pires. Deve ter sido em 97 ou 98. O treino da equipe profissional havia se encerrado, e num jogo de garotos apitado por um trio também de “garotos”, lá estava Felipão, à beira do gramado, gritando, esbravejando e xingando. Numa partida comum, sem nenhuma polêmica. Será que era para “educar” os garotos do Sub15 e sub 17?

 

Minha segunda vez: em 1999 ou 2000, bem mais experiente, apitei uma preliminar de Palmeiras X União Barbarense. Equipe profissional se aquecia ao fundo do gol e o jogo entre Aspirantes transcorria normalmente. Depois de um lance duvidoso… não é que o professor Felipão, atrás de uma placa publicitária, xingando? (quantas vezes você vê treinador acompanhando aquecimento?).

 

Fico com a pergunta: Para quê tanta antipatia? Scolari é competente, não precisa disso…

– Simular Faltas é Para Cartão Amarelo, mesmo quando o Jogador é Canastrão?

 

É. A antidesportividade deve ser coibida. Às vezes, o árbitro falha e não dá cartão para simulação.

 

Mas veja esse canastrão, hoje à tarde, na Supercopa da Holanda: depois da dividida, ele anda e resolve pular para cima para cavar a falta. Juizão nem deu cartão… ficou com dó!

 

Em: http://uolesporte.blogosfera.uol.com.br/2011/07/31/jogador-do-twente-revela-lado-canastrao-ao-tentar-cavar-falta/

– Promotoria denuncia Kleber por… falta de Fair Play?

 

Há certas coisas que irritam no futebol. Não é que o promotor do STJD, Paulo Schmidit, denunciou Kleber por incitar confusão devido a uma bola não devolvida por Fair Play?

 

Na partida da semana passada entre Palmeiras X Flamengo, Junior Cesar se contundiu e o jogo foi paralisado. Para reinício, tem que ser com bola ao chão. Jogadores do Flamengo achavam que o Palmeiras deveria permitir que a bola ficasse de posse do time carioca, já que o jogador machucado era rubro-negro. Mas quando a bola caiu ao solo, Kleber Gladiador a dominou e partiu para o ataque. Jogadores flamenguistas não gostaram e houve discussão.

 

A gentileza, aqui, é relativa. Se você for educado, devolve a bola permitindo a posse ao adversário. Se for pragmático, disputa-a normalmente. No “bola ao chão”, a única condição exigida é que a bola toque ao solo para entrar no jogo, não precisa ter nenhum jogador próximo da bola. Ali faltou diálogo, fair play ou mesmo orientação?

 

Não existe na Regra do Jogo nada que obrigue uma bola a ser devolvida. É pura disposição em ser sensível, justo ou até mesmo honesto no jogo limpo. Esperar que a bola seja devolvida pelo adversário e isso não concretizar não infringe as regras; apenas o espírito esportivo.

 

Sendo assim, por quê o promotor tem que se manifestar? A promotoria não se manifesta pelo presidente da CBF, que organiza o Campeonato, em dizer que está “cagando” para nós, mas se preocupa com relativo unfair-play que nem está nas Leis do Jogo?

 

E você, o que pensa sobre isso? O Promotor quer aparecer ou o indiciamento de Kleber é justo? Deixe seu comentário:

– Árbitro de Futebol pode tecer comentários sobre atletas como um simples mortal?

 

Claro que não.

 

Infelizmente, a cultura futebolística não permite que o árbitro possa agir como qualquer cidadão. Se ele criticar a postura de Neymar ou Kleber Gladiador, torcedores mais exaltados dirão que os árbitros perseguem esses atletas. E se elogiar a conduta de qualquer jogador, alegarão favorecimento.

 

É triste, mas é assim que funciona.

 

Bem diferente do tênis. Por exemplo: o árbitro brasileiro Carlos Bernardes foi escalado para a final do torneio de Wimbledon, dias atrás (compare com a Copa do Mundo de futebol). Além de ter competência, Carlos Bernardes esbanja simpatia. Lá, ele falou sobre a conduta dos atletas sem nenhum constrangimento ou problema. E com esse jeito, conquistou tenistas, conviveu com eles e é aplaudido e respeitado por onde passa por torcedores!

 

Aqui, se o árbitro erra um lance, no outro dia não pode sair à rua…

 

Compartilho bela matéria do OESP sobre a vida do árbitro de tênis Carlos Bernardes, bem diferente da dos árbitros de futebol. Abaixo, extraído de: http://www.estadao.com.br/noticias/suplementos,o-juizo-da-final,742894,0.htm

 

O JUÍZO DA FINAL

 

Da cadeira de 2 metros de altura, Carlos Bernardes foi o árbitro da decisão de Wimbledon entre Nadal e Djokovic

 

Por Flávia Tavares

 

A 9.530 quilômetros da quadra onde Björn Borg e John McEnroe disputavam a final – que ganhou a fama de ter sido a melhor de todos os tempos – do torneio de Wimbledon, em 5 de julho de 1980, Carlinhos assistia ao espetáculo embasbacado. Ali, na nem tão glamourosa São Caetano do Sul, o rapazote, filho de pai bombeiro e mãe nutricionista, se encantava irremediavelmente com o tênis. Mas hoje é incapaz de lembrar quem era o árbitro da partida.

Pois quase exatos 31 anos mais tarde, o juiz da final de Wimbledon, em seu uniforme de R$ 6 mil, imponente em sua cadeira a dois metros de altura, era Carlinhos, agora Carlos Bernardes. No domingo passado ele arbitrou a decisão entre Rafael Nadal e Novak Djokovic, com vitória do sérvio por 3 sets a 1. Recebeu uma moeda comemorativa, foi convidado para o baile de gala pós-jogo e, desde então, não para de dar autógrafos, acomodar os tapinhas nas costas e sorrir.

Foi longo, mas até natural, o caminho até a grama inglesa. Ainda nos anos 80, um vizinho tinha umas raquetes encostadas e os dois decidiram aprender por conta a técnica dos voleios, saques, backhands, forehands, etc. Pulavam o muro do que hoje é o ginásio Milton Feijão para treinar e acabaram convidados a jogar de fato. Com a morte do pai, um dos heróis do incêndio do Joelma, num ataque cardíaco fulminante, Carlinhos teve de se tornar Carlos Alberto Bernardes Júnior e, aos 15 anos, passou a dar aulas. “Eu era muito quieto, tímido. O tênis mudou isso e minha vida”, diz, serenamente, na sala do departamento de tênis do São Caetano Esporte Clube.

Num torneio internacional no Clube Pinheiros, em 1985 ou 1986, não se lembra bem, foi convocado a atuar como juiz de linha e recebeu um treinamento vapt-vupt para isso. Aos poucos, deixou a raquete e passou a arbitrar cada vez mais, até chegar ao posto de juiz de cadeira, o senhor das regras nas quadras de tênis. O fato de ser negro num ambiente predominantemente branco nunca atrapalhou. E hoje ele é um dos 12 golden badge da Associação dos Tenistas Profissionais (ATP), mais alto posto da categoria, com um salário que pode variar de US$ 50 mil a US$ 100 mil – sem direito a “bicho” por chegar à final.

Entre suas atribuições está o controle da plateia, que não pode se exceder para não desconcentrar os jogadores. Aquela voz que pede silêncio com um “thank you” durante a disputa é dele. “Uma vez tive de dar um pito no Maradona, num jogo entre Potito Starace e David Nalbandian, na Argentina, porque ele torcia como se estivesse num estádio de futebol”, conta Bernardes. “Depois da partida, ficamos amigos.” Ele também fez amizade, por outros motivos, com personalidades como o golfista Tiger Woods.

Mas o que torna um juiz de cadeira realmente bom é a capacidade de aplicar as regras sem tirar os tenistas do sério. Quando aquela bola esbarra na linha por milímetros e o jogador recorre ao desafio (um replay do lance no telão) e está errado, é comum que se frustre. “Há estatísticas que provam que o árbitro está certo em 70% dos casos de desafio”, garante. “Minha tarefa é conversar com o jogador de forma que ele se conforme e consiga voltar sem que isso afete o resultado final da partida.” Por isso, muitas vezes a comunicação se restringe a um aceno com a cabeça, para conter os ânimos. Bernardes não se incomoda com o recurso tecnológico que pode desmentir suas decisões. Apenas acha injusto que ele não esteja disponível para todos. Em Wimbledon, das 19 quadras, apenas 4 dispunham do recurso. “É como se os demais jogadores participassem de outra competição na prática.”

Nem só de contestações se compõem as relações entre o juiz e os tenistas. Depois de uma jogada espetacular, é comum que ele troque um olhar de espanto e admiração com um deles ou com os juízes de linha, discreto o suficiente para que não seja captado pelas câmeras de TV. A partida mais sensacional que “apitou” não foi a primeira final de um juiz um sul-americano no US Open, de 2006, mas o jogo entre Andre Agassi e James Blake naquele mesmo ano. “Era noite e foi um jogo inesquecível, muito bem jogado.”

Bernardes se sente confortável para contar que gosta de arbitrar jogos do suíço Roger Federer. “Ele é pura técnica, impecável. Nadal é mais força. E Djokovic vem numa evolução surpreendente.” A final do último domingo foi tranquila, sem grandes pressões: apenas dois desafios e uma correção, que é quando o juiz tem de rever uma decisão de um juiz de linha. Na definição do brasileiro, “um jogo bonito”.

O que o abalou mesmo foram as manifestações de carinho que recebeu depois que seu nome foi selecionado para ser o primeiro brasileiro a comandar uma final do tradicional torneio, em sua 125ª edição. Como a do tenista sueco Jonas Björkman, que gritou “Brasil! Brasil!” nos corredores entre as quadras de Wimbledon. Ou da namorada Francesca, também juíza, com quem mora em Bérgamo, na Itália. Ou da filha Anna Luiza, de 12 anos, diretamente de São Caetano. “Não esperava repercussão tão grande. Recebi e-mails de pessoas que não via há anos.” Na salinha de tênis do São Caetano Esporte Clube, autografou bolinhas felpudas como se fosse o campeão. E quem dirá que não é?

– Corinthians X Cruzeiro: Pular com a Mão Estendida- Se bater na mão é Pênalti?

 

Calma. Vamos entender o lance para uma boa resposta.

 

Ontem, na partida entre Corinthians X Cruzeiro, apitada por Leandro Pedro Vuaden (no mesmo Pacaembu onde ele apitou na última 5ª feira Palmeiras X Flamengo), um lance polêmico: jogador cruzeirense cruza uma bola à pequena área e é interceptada pela mão do defensor corinthiano. Bola na mão (lance normal) ou mão na bola (pênalti)?

 

Para marcar uma falta ou pênalti por uso indevido das mãos na bola, o árbitro deverá levar em consideração as seguintes circunstâncias (extraídas da Regra 12):

 

o movimento da mão em direção à bola, e não da bola em direção à mão (intenção ou não de usar a mão para pegar ou parar a bola);

 

a distância entre o adversário (dá tempo da mão “desaparecer” da jogada para que ela não bata);

e a bola que chega de forma inesperada (bateu no susto?).

 

Portanto, esqueça alguns ditos de que é necessário verificar a posição das mãos ou braços: a posição da mão não pressupõe necessariamente uma infração (braço colado, braço aberto, mão em punho ou riste… tudo bobagem e folclore!). Esqueça também ditos populares de que a bola ía para o gol, impediu um cruzamento, entre outras crendices (Importante – é a única infração em que você exclusivamente avalia INTENÇÃO, pois não há a possibilidade de avaliar as outras nuânces da regra, que são a imprudência ou uso de força excessiva).

 

No lance de ontem: o jogador do Corinthians pula com o braço aberto, e há tempo hábil para tentar evitar que a bola batesse em seu braço. Ele nem fez menção de evitar o toque ou de retirar o braço. Deixou o braço para que a bola esbarrasse nele e a jogada não fosse concluída. Portanto: pênalti, e errou o árbitro.

 

Depois do polêmico jogo de 2010, onde Zezé Perrela falou poucas e boas do árbitro Sandro Meira Ricci e ofendeu publicamente Sérgio Corrêa da Silva, presidente da CA-CBF, questionando sua honra e honestidade, fico imaginando o fuzuê que o dirigente do Cruzeiro faria caso o jogo tivesse terminado 0X0. Sorte do árbitro.

 

A propósito, Vuaden acertou em não marcar falta no lance reclamado pelo treinador Tite, onde uma bola foi disputada no ar e que precedeu o gol cruzeirense. Não foi falta, foi lance normal. Talvez algum árbitro mais caseiro marcasse, mas teria errado.

 

Aproveitando:

 

1) lance difícil com visão encoberta no pênalti cometido por Ortigoza, do Paraguai, onde ele evitou um gol tirando a bola com a mão. Lance chato, muita gente na área e o árbitro Sávio Spínola ficou vendido no lance. Nada a fazer, quem ali poderia ajudar era o árbitro assistente no. 02 (Paraguai com 5 empates, 1 derrota e levou o título de Vice-Campeão da América!).

 

2) Fluminense X Palmeiras: gol mal anulado, Marquinhos estava em condição de jogo, e, se você observar, o árbitro assistente estava atrasado no lance. Errou pelo mau posicionamento (aliás: ‘grama nada cidadã’ no estádio da Cidadania).

– O Gol Anulado da Venezuela: o Bandeira Errou ou Acertou? (Venezuela X Paraguai, Copa América, 20/07/2011)

 

O bandeira errou!

 

A dúvida não veio a mim, mas a extrai pela didática e importância do lance (a retirei do Blog do Fernando Sampaio, questão do internauta Marcelo e vi que há resposta do também nosso leitor e professor “Rubão”).

 

O internauta Marcelo diz:

 

“Sobre o gol da Venezuela: pra mim foi gol legal mal anulado. No momento do lançamento o jogador recebe a bola em posição legal, ele parte depois do lançamento, cabeceia pra trás e o jogador que toca pra rede de cabeça está em posição legal”.

(Link: http://www.youtube.com/watch?v=WKPXpxfqV6g)

 

A resposta do Rubão é:

 

“Olá Marcelo, valeu pelo link. Veja só: tenho certeza de que ele anulou o gol pelo fato do atacante venezuelano estar na frente do goleiro paraguaio.
O lance aconteceu como você narrou. Mas veja à frente: repare que o bandeira está na linha do penúltimo homem do time que defende (que é o último zagueiro). Entre ele e o goleiro, há um jogador da equipe que ataca. Portanto, ele está em posição de impedto.
Ele não está em impedimento ativo, pois não participa da jogada. Entretanto, se o bandeira entendeu que ele atrapalhou a visão do goleiro, impedindo-o de tentar a defesa, o venezuelano passa a estar em impdto ativo (é como se fosse um jogador que puxa a marcação do adversário para abrir espaço, só que ao contrário-> ele elimina espaço do adversário).
Eu daria o gol (e lamento que o árbitro nem faz menção de ir ao bandeira confirmar o que marcou). Mas respeito quem interprete que ali estava impedido.
Analise: se o jogador sumisse instantaneamente, o goleiro teria + chance de defesa?”

 

Confesso que ao ver o lance, pensei que se tratava do fato do jogador venezuelano no. 4 estar numa possível posição de impedimento (vi assim durante o jogo). Procurei alguma falta de ataque que pudesse justificar a marcação e não encontrei. Mas, ao ler essa resposta do Rubão, entendo claramente que foi erro do árbitro assistente.

 

Para se marcar um impedimento, há 3 condições necessárias para o árbitro e o árbitro assistente analisarem no lance. São elas (impostas pela Regra 11 – Impedimento aqui resumidamente):

 

O jogador estará impedido se estiver mais próximo da linha de fundo do que a bola exceto se tiver 2 ou mais atletas entre eles ou em mesma linha- não valendo impedimento para lances de escanteio, arremesso lateral ou tiro de meta (quando lançada por companheiro).

Ele estará em impedimento ativo quando:

 

1-    Interferir ativamente no lance, tocando-a;

2-    Interferir contra um adversário;

3-    Interferir por tirar proveito da sua posição.”

 

No lance de quarta-feira pela semifinal da Copa América, a bola é lançada e o atacante que a recebe (em posição legal) a cabeceia para um companheiro (e aqui nem importa se ele está em mesma linha ou a bola foi para trás/frente, já que há outros atletas que dão condição à ele) que finaliza ao gol. Jogadores comemoram. O bandeira está no lugar que realmente ele deveria estar (na linha do penúltimo defensor). Na hora do gol, a imagem mostra que ele até desvia a cabeça para ver melhor a bola entrar, e imediatamente marca o impedimento.

 

No momento do arremate, havia um atleta da Venezuela à frente do goleiro paraguaio. E este atleta, que nem toca a bola, estava em posição de impedimento.

Se ele atrapalhou o goleiro encobrindo a sua visão, então está em impedimento ativo; o lance é irregular e deve se anular o gol.

Se ele em nada atrapalhou o goleiro paraguaio, então está em impedimento passivo e o gol deve ser validado.

 

Vendo e revendo o lance, entendo que o gol deva ser válido. Mas sabe o que ajudaria ali? O árbitro assistente adicional. É, aquele que ficava atrás do gol. Ele poderia ajudar (pela proximidade) a dizer se o venezuelano atrapalhou ou não o goleiro.

– Vale Pênalti cobrado com o Calcanhar?

 

Essa pergunta eu extraí de um quiz do site Refnews (www.refnews.com.br)

 

E a resposta é…Sim! Vale pênalti de calcanhar, de cabeça, de barriga, de joelho… e até de pé! Com qualquer parte do corpo que seja permitido jogar.

 

A regra diz que a bola tem que ser chutada para frente (aqui, o termo “chutada” se estende a “cobrada”, e cobrar é fazê-la se mexer, rolar). Também exige que o jogador que irá cobrar o tiro penal seja identificado.

 

Qual o problema então?

 

O problema é: haja coragem do cobrador… será achincalhado por todos!

 

Detalhe: chutar pra frente quer dizer que ela pode ser passada para um companheiro; ou seja, pênalti em dois lances! Me recordo que o jogador Euller, o “filho-do-vento”, no final de sua carreira, tocava a bola para um companheiro que vinha na corrida a fim de fazer o gol. Bobagem, não?

– Pênaltis e Não Pênaltis em um Mundo Justo. Existe?

 

Talvez. Utopia ou o sonho, esse post surge da pergunta de Dênis Garcia. Abaixo:

 

“Caro, Prof. Porcari.
Vamos imaginar um mundo onde só exista honestidade..rss  E nesse mundo, graças a Deus também tenha futebol.
Vamos ao lance…
O Árbitro apita penalidade máxima porque viu o jogador da defesa colocar o braço na bola. Mas viu por engano. Não foi mão nem braço. Foi ombro! As imagens são claras. E lá nesse mundo honesto, o atacante que terá direito a bater o pênalti diz ao árbitro: ‘putz juizão, eu vi. O defensor está certo em reclamar. Não foi mesmo braço. Nem tenho vontade de marcar o gol porque seria uma injustiça’. A pergunta é: o árbitro pode voltar atrás? Eu imagino que sim. O que você me diz? Grande abraço e bom domingão!”

 

Dênis, o lance que você citou já ocorreu de maneira parecida! E, pasme, o ‘atacante justo’ se deu mal…

Na Premier League (não me recordo do ano nem dos clubes, mas sim do lance), em uma disputa legal na grande área, o zagueiro colocou a bola para escanteio. O árbitro entendeu que o zagueiro pegou o pé do atacante e marcou pênalti. Reclamações à parte da defesa, na hora da cobrança, o atacante fez questão de dizer ao árbitro que não foi atingido e que ele poderia desmarcar o tiro penal! Incrível, não? E, ato contínuo, o árbitro disse que ele, atleta, estava equivocado e que fora pênalti sim! Na insistência do justo atacante, recebeu cartão amarelo por reclamar da arbitragem. Houve a cobrança, com bola “cantada” para o goleiro defender.

 

Tanto no lance em que você pergunta como no acontecido na Inglaterra, ficam as observações:

O árbitro pode voltar atrás na marcação se sentir convencido de que errou e não ter reiniciado a partida. Isso pode ocorrer se um árbitro assistente disser a ele que o lance foi legal e houve equívoco. Quando jogador atacante diz não ter sido pênalti, fica a ressalva: “ele é confiável ao árbitro; afinal, é uma situação raríssima e inusitada?”; ou, ainda uma outra ressalva: “ele sabe interpretar tão bem o lance que o árbitro?”. Dificilmente o árbitro vai acreditar no atleta (e pela regra, nem deve, pois ele tem assistentes e quarto árbitro para isso).

No lance em que cito, o amarelo foi um exagero; uma forma do árbitro dizer: “eu sou do ramo e já marquei; quem manda aqui sou eu”.

 

Detalhe: se a bola saiu para escanteio e o árbitro marcou o pênalti e voltou atrás, reinicia-se o jogo com o escanteio. No lance em que você cita, se o árbitro voltou atrás se reinicia com bola ao chão, no local onde a bola se encontrava na grande área na hora do apito. Se estava na pequena área, o bola ao chão deverá ocorrer sobre a linha da pequena área paralela à linha de meta (ou seja, 5,50 metros do gol).

 

Abraços, é sempre um prazer responder!

– Árbitro Campineiro pode apitar Derby Campineiro?

 

Claro que pode. O que não pode é gente sem credibilidade atiçar os ânimos de gente inculta a respeito da honestidade do árbitro.

 

Digo isso em respeito a Antonio Rogério Batista do Prado, árbitro escalado pela CBF para o clássico dessa próxima rodada da série B envolvendo Ponte Preta X Guarani. Torcedores apaixonados colocaram em dúvida o árbitro, alegando que nosso amigo Pradinho (seu nome simpático entre os conhecidos) fosse bugrino.

 

Bobagem pura. Árbitro não tem camisa.

 

Digo isso por conhecimento de causa. Árbitro pouco se lixa para o time que torceu quando criança. Quando se torna árbitro, a racionalidade fala mais alto. Quando chega ao futebol profissional, nem lembra que um dia torceu para o Vila Xurupita ou Xiririca FC. O árbitro pensa na sua carreira. Um árbitro pode ter os mais diversos defeitos que se possa imaginar, mas o menos provável é: ser torcedor.

 

Sei que o amigo Antonio Rogério é leitor do blog. E talvez se lembre de uma das várias conversas que tivemos em viagens de jogos que trabalhamos juntos – e em especial uma a Guaratinguetá – onde falamos sobre o fato de não sermos escalados na cidade de origem. Por exemplo, eu, como jundiaiense, dificilmente seria escalado para jogos profissionais do Paulista FC. Não que eu entrasse de má fé, mas única e exclusivamente como prevenção à reclamações do adversário. Ele, como campineiro, dificilmente seria escalado para jogos do Guarani ou da Ponte Preta, por ser de Campinas. A excessão, lógica, seria o Derby.

 

É uma grande tolice creditar camisa de time a árbitro. Sua preocupação com a carreira é infinitamente maior do que a (inexistente) torcida para alguém.

 

Sobre o time do Antonio Rogério? É claro que eu sei! Um dia ele foi… Assim como um dia o Simon foi… o Seneme foi… o Heber Roberto Lopes foi… o Sandro Ricci foi… E hoje todos torcem para o mesmo time: o do jogo limpo!

 

Boa sorte ao amigo amanhã. Lamento que pessoas pobres de espírito queiram tumultuar o belo jogo antes do apito inicial. Temo apenas por uma coisa: se errar gravemente (involuntariamente, claro) a favor do Guarani, dirão que é essa uma prova da má intenção; se errar para a Ponte, dirão que cedeu a pressão…

– Vereador Mineiro quer mudar as Regras do Futebol

 

José Tarcísio Furtado é um revolucionário. Ele é vereador pelo PTC de Juiz de Fora, e sem noção alguma do exercício das suas funções e da inconstitucionalidade da sua proposta, está tentando legislar em cima da Regra de Jogo de Futebol!

 

Querendo passar por cima da Internacional Board e FIFA (que são as únicas que podem mudar as regras de jogo), ele quer mudar a questão das expulsões de jogadores, pois entende que o consumidor paga para assistir uma partida com 22 jogadores!

 

Além do argumento esdrúxulo, declarou que:

 

Muitas vezes o árbitro é injusto. O jogo começa com 22 jogadores [11 em cada time] e acaba com 19. Uma falta grave tudo bem, o jogador deve ser expulso, mas um segundo cartão amarelo bobo deveria fazer o jogador ser substituído (…) Os árbitros sempre arranjam um jeito de favorecer o Cruzeiro ou o Atlético-MG contra o Tupi. Toda partida inventam de expulsar um jogador. Fica difícil.” (declaração à Folha de São Paulo – citação em: http://is.gd/eOl1Ij)

 

Entrando no espírito folclórico do vereador, por que ele não propõe a proibição de que atletas machuquem seus adversários para que eles não saiam de campo; número ilimitado de substituições; proibição de atleta se cansarem em campo... Assim, sempre teremos 22 jogadores ao término dos jogos.

 

Com salário acima de R$ 10.000,00 por mês para jornada de 5 horas semanais, talvez o nobre vereador deva ser mais produtivo… Já ganhou seus minutinhos de notoriedade!

 

E você, o que pensa sobre isso? O vereador tem boa intenção com a proposta ou é uma grande brincadeira de mau gosto para com os seus eleitores e a população em geral? Deixe seu comentário:

– Quem dá mais trabalho para o árbitro? Teves ou Neymar?

 

Neymar. Sem dúvida.

 

Carlitos Teves em campo parece um tourinho Miúra. Ele abaixa a cabeça; corre; não cai no tranco; agüenta a pancada e continua a jogada. Quando faz bobagem, faz de maneira explícita. Ou já se esqueceram das ofensas à senhora mãe do árbitro Anselmo da Costa? Para azar do argentino, Anselmo era um dos mais cultos do quadro e falava muito bem espanhol…

 

Neymar simula demais, joga a torcida (e as vezes a imprensa) contra o árbitro. Molecão, com potencial mas muito irresponsável com as regras (já levou cartão amarelo por diversas atitudes antidesportivas).

 

Ambos são ótimos atletas. Mas Teves dá muito menos trabalho em campo. Entretanto, se eu fosse cartola, compraria Neymar. Renderia bem tecnicamente e financeiramente seria um belo negócio…

– Quando uma Decisão Demonstra a Incerteza de um Árbitro?

 

Quando falha no complemento de uma decisão duvidosa, esteja errada ou certa!

 

Por falta de tempo, não deu para comentar muita coisa sobre a última rodada do Brasileirão. Aliás, vi pouca coisa de futebol, mas pude observar a boa atuação do Luiz Flávio de Oliveira no clássico, a vacilada do árbitro de Brasil X Venezuela ao não expulsar Jadson e o brilhante acerto do árbitro assistente no jogo Atlético-GO X Corinthians.

 

Um lance me chamou a atenção: a não-marcação de um pênalti do goleiro Fábio em cima do atacante Dagoberto, em São Paulo X Cruzeiro. O lance foi claro, mas o árbitro não entendeu assim. Dagoberto esbravejou e reclamou, mas nada mudou.

 

Se o árbitro entendeu que não foi pênalti mas sim simulação, por que não deu cartão amarelo ao jogador, como fez minutos antes com o cruzeirense Everton?

 

Não vale dizer que entendeu simplesmente ser uma jogada normal, queda acidental sem simulação, pois, afinal, a reclamação foi geral. Ou dá o pênalti (que foi), com cartão amarelo ao goleiro, ou marca simulação com cartão amarelo ao atacante. O que não podia era mandar o jogo seguir sem dar nada.

– Existe ou não Vantagem em Pênalti?

 

A pergunta vem do internauta Dênis Garcia, mas poderia ser de qualquer torcedor, jogador ou árbitro. Vale a pena por ser interessante:

 

No jogo da Argentina aconteceu um lance difícil. O jogador Colombiano iria fazer o gol e foi derrubado (pênalti), mas a bola sobrou livre-livre para o outro atacante da Colômbia marcar. Pergunto: tem ou não tem vantagem neste caso a penalidade?

E pra não causar confusão, não importa se alguém achou que foi ou não falta. Vamos supor que a falta foi ABSURDA, dentro da área. Um lance onde ninguém tivesse dúvida. E a bola teria sobrado livre, pingando dentro da pequena área. O árbitro tem que marcar neste caso ou vale a ética de “gol feito”? Vamos aproveitar esse lance da Argentina, inclusive imaginando um gol mais feito ainda..rss…até pq o atacante errou!!!!!!..rss Queria muito te ouvir a esse respeito.”

 

Dênis, bela pergunta e vamos lá:

 

Derrubar um adversário é cometer infração. Seja no meio do campo, na lateral ou na frente do gol, é falta. E se estiver dentro da grande área, logicamente é pênalti. E toda infração PODE DEIXAR DE SER MARCADA caso exista alguma vantagem para quem sofra a infração.

 

Se o jogador colombiano fosse bater no gol, sofresse o pênalti e a bola pingasse sozinha na cara do gol para ser chutada por um companheiro, deve-se dar a vantagem.

 

O árbitro, para tomar a decisão, deve pensar (claro que em fração de segundos): o que dará maior vantagem à equipe que sofre a infração: bater um pênalti (onde há o risco de chutar para fora ou o goleiro defender; mas com maior chance de marcar um gol), ou deixar o jogo seguir, já que o gol está aberto e haverá maior possibilidade de gol?

 

Você já deve ter ouvido a máxima: “Pênalti não tem vantagem”. Mentira. Tem sim. Mas é que normalmente, na maioria dos lances, a grande vantagem para o atleta é abdicar da posse de bola e cobrar um tiro penal, pois haverá mais chances de um gol acontecer.

 

Isso vale para qualquer falta. Precisamos desmistificar a idéia de que vantagem é posse de bola. Se um jogador do São Paulo ou Palmeiras está na entrada da área tentando lançar uma bola para o atacante e sofre uma falta, a vantagem seria deixar seu companheiro ficar com a posse da bola e terminar o lançamento ou marcar a falta para o Rogério Ceni ou o Marcos Assunção cobrar?

 

Percebeu como “dar vantagem” é subjetivo? A Regra diz que você deve avaliar as seguintes condições para deixar de marcar uma falta e deixar o jogo seguir:

 

O local da falta (se a bola está na defesa, o zagueiro sofre uma falta e seu companheiro, rodeado por muitos atacantes, fica com a posse de bola, não deve dar vantagem).

O local onde se encontrava a bola no momento da falta (nem sempre a bola está na jogada em que ocorre a falta. Por exemplo: a bola está pingando, pingando, pingando na pequena área, não tem goleiro, ela está pedindo para ser chutada e um jogador da equipe que ataca sofre falta no bico da grande área. Entretanto, havia um atacante próximo da bola com chance de chutá-la. Tem que dar a vantagem!)

A intensidade da falta (A bola sobrou livre para o companheiro do jogador que sofreu a falta, mas ele levou um chute tão forte que precisa de atendimento médico urgente; não é prudente parar o lance?)

O clima do Jogo no momento da falta (tá todo mundo batendo em todo mundo? Cuidado ao não marcar faltas…)

 

Mas não se esqueça: se você der uma vantagem, na primeira paralisação tem que aplicar o cartão caso o infrator mereça. Você pode deixar de marcar a falta, mas não pode deixar de puní-la.

 

Abraços, e qualquer dúvida, escreva novamente.

– Zagueiro Thiago Heleno recebe Cartão Amarelo no Intervalo. Exagero ou Correção?

 

Correção!

 

Ontem, no intervalo da partida América X Palmeiras, válida pelo Brasileirão 2011, um lance pouco comum. O camisa 4 palmeirense Thiago Heleno recebeu cartão amarelo por excesso de reclamações contra a arbitragem no intervalo.

 

Tal situação é rara, e, convenhamos, um jogador precisa ‘caprichar’ para ser advertido com o cartão no intervalo. Para quem não viu o lance, o vídeo está disponível em: http://is.gd/j9jjRn

 

Há alguns anos, a Regra de Jogo estendeu o poder de aplicação dos Cartões Amarelos e Vermelhos para todo instante em que o árbitro se encontrar dentro do campo, seja antes do jogo, no intervalo ou depois da partida. Apenas não pode fazer uso dos cartões no vestiário / túneis (FIFA Trívia, pg 67, q 277 – ali, ele deve comunicar verbalmente o atleta). Tal medida surgiu, principalmente, para evitar que atletas se aglomerassem no intervalo ou final de jogo, pressionando o árbitro.

 

Perceba que na partida ocorrida em Sete Lagoas-MG (para apenas 1500 pagantes; brincadeira, hein?) vários jogadores vão reclamar ao árbitro Pablo dos Santos Alves-ES (filho do competente ex-bandeira da Copa de 94 Paulo Jorge Alves-RJ), e Thiago se exalta. Em determinado momento, ele é até retirado por um dos seus companheiros por exceder nas reclamações. O árbitro reage a algum insulto e corretamente lhe aplica o cartão.

 

Claro que tal lance inusitado geraria polêmica para quem gosta de disparar contra a arbitragem ou buscar subterfúgios. O treinador Luiz Felipe Scolari, após a partida, reclamou que:

 

Houve exagero [no cartão para Heleno]. Ele estava dizendo ao árbitro que cinco vezes ele foi na área e foi seguro, mas o árbitro nesse momento mostra grande autoridade, mostra amarelo para quem tem dois e não fez falta, e tira do jogo contra o Santos”,

 

Uau. Quer dizer que o árbitro esperava o momento adequado para tirar Thiago Heleno da próxima partida contra o Santos e ainda por cima não deu 5 pênaltis no 1º tempo para o Palmeiras (Cinco vezes agarrado na área durante o jogo resulta em 5 pênaltis…)?

 

Talvez exagerada foi a reclamação de Felipão e ingênua (ou desinteligente) a atitude do jogador em reclamar acintosamente no intervalo. Desconhecia ele a regra?

 

Por fim: Thiago Heleno reclamou aidna que o árbitro o ameaçou de expulsão. Isso é bobagem, é a prática da advertência verbal, a fim do atleta se comportar melhor em campo, evitando um possível cartão vermelho. Quem pratica futebol e /ou apita sabe disso.

 

E você, o que achou do cartão amarelo recebido pelo palmeirense? Correção ou exagero? Deixe seu comentário:

– Gol de Lateral Vale? Na série B, com sorte (ou azar) valeu.

 

Claro que não vale. Mas esse valeu por não ter sido bem “de lateral”.

 

O lance foi visto e comentado a exaustão há dias, está no YouTube em:

http://www.youtube.com/watch?v=2Ksmq4NRwe4

 

Mas uma curiosidade: o (bom) árbitro potiguar Ítalo Medeiros (que validou corretamente o gol) participou comigo de um curso para novos árbitros promovido pela CBF, na Granja do Comary. Na época, o dr Edson Rezende estava à frente da CA, e muito se discutiu sobre lances de cobrança de arremessos laterais. Coincidências, mas daquelas que são providenciais!

 

O lance de arremesso lateral que vai para dentro da meta é fácil: se um arremesso lateral entrar direto num gol, se tiver partido do próprio time que defende, é escanteio; se for de quem ataca, será tiro de meta.

 

Mas o do gol de Salgueiro X Ponte Preta foi confirmado pelo fato de bater no goleiro. Se entrar direto não vale (vide acima), mas tocando em alguém pode. No encontro na G. Comary citado, discutimos sobre arremessos lançados contra alguém propositalmente! Isso pode?

 

Se o jogador cobrar um arremesso lateral no próprio adversário para “tabelar” com ele, vale! É esperteza, a boa malandragem. Não pode usar a bola como instrumento de agressão, mas para tirar essa vantagem, pode!

 

Não foi o caso do lateral do Salgueiro, ali foi tudo involuntário. Mas se ele jogasse a bola com força contra o goleiro, para de propósito ele se atrapalhar? O gol é válido?

 

Sim. Apenas vale conhecer a regra de jogo.

 

(Acesse esse post também no Blog “Pergunte ao Árbitro” – CLIQUE AQUI)

– Pergunte ao Árbitro

Caros Amigos,

 

Há tempos venho sendo convidado a escrever em um espaço exclusivo sobre a Arbitragem de Futebol. Já surgiram idéias para tudo: falar sobre bastidores, análises, comentários, coluna sobre regras e outras coisas mais; de parceiros confiáveis e até de pares ‘suspeitos’.

 

Entretanto, não tenho a ambição de envolver política e bastidores nesse novo espaço. Então, sugerido por grandes amigos, criei de maneira independente um espaço didático para a discussão das Regras de Jogo, interpretação e análises de jogos. Um blog tira-dúvidas sobre assuntos pertinentes à Arbitragem.

 

Esse sítio será simples, sem recursos tecnológicos avançados nem patrocinado. Mas com a busca da boa elucidação de questões de interesse da Regra de Jogo e da intenção de aprendizado.

 

Assim, é com prazer que apresento o blog

Pergunte ao Árbitro” – http://pergunteaoarbitro.blog.terra.com.br/ ,

o qual terei satisfação em receber uma visita de vocês.

 

Fiquem a vontade para enviar dúvidas e interagir! E, claro, se puderem divulgar aos amigos, de antemão agradeço!

 

Att

 

Rafael Porcari

 

PERGUNTE AO ÁRBITRO – http://pergunteaoarbitro.blog.terra.com.br

Email- pergunteaoarbitro@terra.com.br

 

(obs: outros artigos continuarão ser desenvolvidos no blog pessoal (http://professorrafaelporcari.blog.terra.com.br/) e no blog da Rede Bom Dia (http://blog.redebomdia.com.br/blog/rafaelporcari/index.php)

– CBF dá aos Árbitros Nota Alta a mais de 98% dos Jogos. Estamos Beirando a Perfeição na Arbitragem Nacional?

 

Estamos a frente do resto do mundo e beirando a excelência na arbitragem brasileira? Claro que não!

 

Mas para a CBF, a arbitragem nacional está em momento excepcional. Clubes não reclamam dos árbitros; os juízes dão conta do recado; torcida os aplaudem na mais perfeita harmonia.

 

Utopia?

 

Não. É o Relatório Nacional de Notas dos Árbitros da CBF.

 

Vejam que números interessantes: segundo a entidade, na Copa do Brasil deste ano, vencida pelo Vasco da Gama, as notas em todos os jogos trouxe o seguinte resultado:

 

Ruim – 0,00%

Regular – 3,60%

Boa – 25,23%

Ótima – 54,05%

Excelente – 17,12%

 

Será critério não-rigoroso ou árbitros acima (e bota acima) da média? Será que nenhum jogo do torneio inteiro teve ao menos uma única arbitragem ruim?

 

Mas se você acha que a Copa do Brasil deste ano já faz parte do passado, leve em conta os números do Brasileirão-2011 até a última rodada:

 

Ruim – 1,56%

Regular – 0,00%

Boa – 26,56%

Ótima – 60,94%

Excelente – 10,94%

 

Quer dizer que em quase 70 jogos, temos 98,44% de partidas bem apitadas e apenas 1,56% ruins?

 

Uau. Estamos acima de qualquer bom campeonato do planeta!

 

E a sua sensação sobre esses números? Batem com o que você percebe nos jogos ou não?

 

Obs: Artigo escrito após pergunta via Twitter de @arbitXXXXX (endereço preservado e com a mesma grafia do twitteiro): Porcari viu as notas malucas dos árbitros da CBF. oLowco daki a poco daum 10 pra todo mudno. (Na sequência, um link encurtado redirecionando ao Blog do Marçal, do site Apito Nacional – www.apitonacional.com.br). Todos esses dados são do próprio site sugerido, pois não foi possível localizá-los no site da CBF. O link ao site é: http://is.gd/fHcyuq

– Análise da Arbitragem: Brasil X Venezuela. Como foi o juizão?

 

Raul Orosco apitou a estréia do Brasil na Copa América contra a Venezuela. Apenas regular. Se o jogo apertasse…

 

Nada de influência na partida, jogo fácil de apitar. Mas tenho a sensação de que se o jogo fosse difícil (um Brasil X Argentina, por exemplo), o árbitro espanava. Dentro de suas limitações e da qualidade do jogo, deu conta do recado. Ficou com 6, na média de 0 a 10 e com nota de corte 6.

 

O árbitro acertou em lances que eram simples. Apitou o feijão com arroz. No lance mais exigido, acertou num chute do ataque brasileiro onde o zagueiro salvou a bola caindo com o ombro (quase que com o antebraço). Não foi espalhafatoso na marcação e foi discreto.

 

Observações sobre erros:

 

– No final do primeiro tempo, Neymar recebeu uma bola lançada após roubada de bola do Ganso na defesa. Dominou, chutou para o gol e… fora. Mas Neymar estava impedido, e o bandeira não deu. Acrescente o fato do adversário venezuelano ter ficado caído na área e o adversário ter pedido para chutar a bola para fora, como fair play. Pensaram se sai o gol?

 

Deixou jogadores falarem a vontade. Robinho gesticulou duas vezes da sua marcação ironizando o apitador. Nem uma advertência verbal.

 

– Houve um contra-ataque precioso à Venezuela, onde o meio campista sofreu falta mas mesmo assim lançou uma bola que deixou o centroavante sozinho na cara do gol. Ao invés de dar a vantagem, marcou a falta e deu amarelo ao atleta brasileiro. Ora, dê a vantagem e depois aplique o cartão, na primeira saída de bola que ocorrer.

 

O pior defeito: se posiciona mal. Atrapalhou algumas jogadas por estar em cima delas. Num ataque da Seleção Brasileira, por estar próximo demais, marcou uma falta de ataque em cima do zagueiro venezuelano que nada foi. Nitidamente, a excessiva proximidade trouxe uma sensação enganosa. Errou feio nesse lance.

 

– Por fim… 3 minutos de acréscimo com tantas paralisações? Pára com isso…

 

E você, o que achou do árbitro e da estréia da Seleção Brasileira? Deixe seu comentário:

 

Ops:

 

1- A observação é inevitável: Neymar tem que parar de ‘jogar para ele’ e sim ‘jogar para o time’. É sempre uma firula a mais que atrapalha os companheiros. Ao mesmo tempo que é o craque do time, acaba sendo aquele que tem necessidade de se exibir.

 

2- Marta, pelo bolão que jogou nesta tarde (Brasil 3 x 0 Venezuela, sendo 2 gols de Marta e 1 assistência preciosa), caberia bem no time do Mano, não?

 

3- A Conmebol é generosa com Brasil e Argentina. Foram 2 fracos adversários para os dois gigantes vencerem bem. E negaram fogo. Ninguém pode dizer que a Argentina de Messi é melhor do que o Brasil de Neymar. Aliás, nessa rodada inaugural, os craques se nivelaram por baixo.

4- Presidente do Barcelona no ônibus da Seleção Brasileira? Ê Ricardo Teixeira… você é bom mesmo, hein?

– O Lance da Piadinha “Chuteira do Atacante” e “Luva do Goleiro”

 

Existe uma piadinha manjada sobre futebol, mas que por ser inusitada virou dúvida de regra.

 

A brincadeira é a seguinte:

 

“O jogo acontecia, jogador dividiu na área, a bola ficou pingando, pingando, pingando… em frente ao gol. O atacante pegou a chuteira e a acertou na bola, para tentar marcar o gol”

 

O amigo pergunta: “E o que aconteceu?”

 

“Nada. Pois o goleiro estava caído, pegou sua luva e a jogou na bola, evitando o gol”.

 

Saiba que desta piadinha surgiram questões de regras de jogo! E se isso acontecesse de verdade?

 

Vamos lá: se um jogador arrancar sua chuteira e arremessá-la na bola, a chuteira é considerada extensão do seu braço. Portanto, se a brincadeira se tornar realidade, tem que se marcar tiro livre direto para a defesa, no local onde a bola foi atingida dentro da grande área (e se foi na pequena área, pode cobrar em qualquer local).

 

E, digamos, que só tenha acontecido a parte da “luva do goleiro arremessada”? Aí se marca tiro livre indireto à equipe que ataca, a ser cobrado no local onde a bola foi atingida (e se foi na pequena área, no ponto mais próximo da infração em cima da linha da pequena área paralela á área de meta).

 

E se fosse um zagueiro que salvasse o gol?

Aí você marca pênalti. No caso do goleiro, ele pode usar as mãos, mas fez de um artifício para tirar vantagem. O zagueiro não pode usar as mãos, e como a chuteira é uma extensão da mão, nesse caso faz-se valer tiro penal.

 

Nos 2 primeiros casos, aplica-se o cartão amarelo. No zagueiro que evita o gol, vermelho. E aí você pode chamar de atitude inconveniente, antidesportiva…

– A Insensível Manifestação de Benjamin Back em relação ao término da carreira de Gaciba. Manteria hoje?

 

Leonardo Gaciba encerrou a carreira como árbitro de futebol em Outubro de 2010. Hoje é comentarista da Sportv, e está se saindo muito bem.

 

Ótimo árbitro, acabou se vitimando pelo exagerado, rigorosíssimo e desnecessário FIFA TEST, onde o fator psicológico fala mais alto do que o fôlego. Seria irônico duvidar da sua condição física.

 

Entretanto, não me esqueço da inoportuna declaração do jornalista Benjamim Back, no Jornal Lance da época:

 

“BOA IDEIA

 

Leonardo Gaciba resolveu abandonar prematuramente a carreira de árbitro para ser comentarista de arbitragem. Excelente ideia! Que outros ainda em atividade, hoje no Brasil, façam o mesmo…”

 

Respeito a opinião do jornalista, mas achei infeliz, insensível, insensata e preconceituosa a declaração. Poderia ficar quieto e respeitar aquele momento que é de dor a um árbitro. E Gaciba hoje se destaca pela excepcional competência como comentarista (tanto quanto a que possuía como árbitro).

 

Parabéns, Gaciba.

– O treinador que mais reclama no Brasileirão-2011 é…

 

Mauro Fernandes, do América-MG.

 

Você já reparou como ele gesticula, reclama, manda jogador reclamar e tumultua?

 

Contra o Cruzeiro, em clássico doméstico, ele fez um fuzuê à beira do gramado! Típico daqueles que ele fazia no interior paulista. Mas não foi exclusividade dessa partida. É costumeiro em todo o jogo e não tem sido diferente no Campeonato Brasileiro de 2011.

 

Agora, na última rodada, jogou a culpa pela derrota ao Flamengo no árbitro matogrossense Wagner Reway. E assim, lançou o primeiro DVD da série “erros de arbitragem” dessa temporada. É só fazer uma busca rápida na Internet que se acha as declarações culpando o árbitro, além de dizer que o América-MG é sistematicamente prejudicado.

 

Por que a CBF perseguiria o Coelho mineiro?

 

Em tempo: o DVD do América de Mauro Fernandes é apenas o primeiro de 2011. Quantos surgirão até a última rodada? Deixe seu comentário:

 

(Imagine se o Neymar estivesse em campo, hoje, no jogo do América contra o Santos? Aí que as reclamações seriam ainda maiores…)

 

No link, mais uma matéria de reclamações do treinador: http://www.mg.superesportes.com.br/app/noticias/futebol/america-mg/2011/06/29/noticia_america_mg,188350/mauro-fernandes-critica-arbitragem-houve-dois-pesos-e-duas-medidas.shtml

– UEFA contra Cartões Amarelos Forçados!

 

A luta contra o unfair-play no futebol ganha um novo capítulo na Europa.

 

Em 2010, Milos Krasic, meia da Juventus-ITA, foi punido por 2 jogos de suspensão pela Federação Italiana (FIGC) por simular ter sofrido um pênalti contra o Bologna (imagine tal jurisprudência por aqui…) Outras federações declararam gostar da medida.

 

Por volta de 15 dias atrás, uma declaração que não repercutiu tanto como deveria aconteceu na UEFA. Gianni Infantino, secretário-geral da entidade declarou (no site da UEFA, 16/06/2011) que coibirão os cartões “forçados” dos jogadores:

 

“Normalmente, este tipo de comportamento é punido com uma multa, mas agora passará a ser sancionado com um jogo de suspensão a mais do que o aplicado automaticamente no caso de acumulação de cartões amarelos”.

 

Ou seja, jogador forçou o 3º cartão amarelo para “limpar seus cartões” para uma nova fase, ou simplesmente para folgar num próximo jogo mais fácil, será punido, além da suspensão automática, com mais 1 partida! Claro que a aplicação será muito subjetiva, pois uma comissão avaliará se o cartão foi forçado ou não.

 

Nesta luta pelo jogo limpo, fico pensando: e se o Brasil adotasse medidas como essa?

– Simulou pênalti e o juizão entrou: 2 jogos de suspensão.

– Cavou o 3º amarelo, mais 1 jogo extra de punição.

 

O que você pensa sobre isso? Teríamos mais disciplina e menos cai-cai? Você gosta da idéia? Deixe seu comentário:

Análise da Arbitragem: Corinthians X São Paulo, 26 de Junho, Pacaembu

 

Quando o placar é 5 X 0, o perdedor não pode reclamar muito. Incontestável. Mas é importante fazer algumas considerações sobre a arbitragem da partida.

 

O jogo começou 4 minutos atrasado. Será que houve relato disso na súmula? Tudo bem, esqueçamos esse desrespeito ao público e vamos ao jogo em si.

 

Com 20 segundos, já tínhamos falta. E nos minutos iniciais, mais faltinhas de “matar jogo”. Nada desleal. Rodrigo Braguetto as deu, não sendo muito o seu estilo, pois costuma deixar o jogo correr e aplicar poucos cartões.

 

Aos 10 minutos, o jogo ficou fácil, se soltou mais; foi bom ao público e para a arbitragem. Tudo ía bem, comentei aos 15 minutos que o jogo estava tranqüilo (fiz o lance-a-lance pelo Twitter).

 

Mas, aos 17m50s, uma falta de Castán onde os ânimos se animaram. Ele parou o ataque sãopaulino com falta em Dagoberto (e o árbitro perdeu uma vantagem). Lance para cartão amarelo, não pela violência, mas pelo fato de evitar um importante ataque. O atleta tricolor reclamou bastante, mas como parecia que Braguetto voltava ao seu estilo de poucos cartões, é entendível a não aplicação da advertência.

 

Aos 22m, um bate-boca entre Carlinhos Paraíba e Paulinho. Disputa de bola onde o atleta de maneira imprudente deixou a mão bater no rosto. Nada de cartão amarelo ou agressão, simplesmente falta. Na discussão, valeria uma boa advertência verbal para intimidar os atletas. Mas Braguetto não deu, pois afinal, os atletas resolveram logo.

 

Na sequência (23m), Jorge Henrique deu uma rasteira em Marlos. Falta para amarelo. Braguetto novamente não deu o cartão e, Dagoberto foi lá reclamar com o árbitro e “jantou” o apitador. O jogo começou a ficar difícil.

 

Aos 32m, Marlos tenta disputar uma bola no ataque. Castán abre os braços, impede a disputa da bola com o braço esticado e Braguetto inverte a falta. Novamente Dagoberto reclamou. Ânimos do São Paulo começam a se exaltar. O Corinthians, naquele momento, era mais faltoso (nada de anti-jogo explícito), e soube aproveitar o critério estabelecido naquele momento.

 

32m50s – 1o lance capital. Carlinhos Paraíba e Paulinho discutem. Se na primeira situação o bate-boca morreu ali, rapidamente, e nem advertência verbal deu, por que dar amarelo aos dois atletas agora? Agora é a hora da bronca, de se impor! Preferiu amarelar os dois. Tudo bem, se fosse esse o critério estabelecido no começo.

 

Willian pediu um pênalti, na disputa de bola com Uvini, aos 34m. Nada, bem como a tentativa de cavar pênalti do Fábio Santos aos 24m. Acertou Braguetto nas duas oportunidades. Mas Willian esbravejou contra a arbitragem, novamente sem uma advertência verbal.

 

Aos 40m, o 2o lance capital. Carlinhos Paraíba fez falta em Weldinho. Tão forte (ou mais) quanto a de Jorge Henrique no Marlos citada aos 23m, onde não houve o amarelo. Mas agora houve… consequentemente, por ser o segundo amarelo, veio a expulsão com o vermelho. Aí Braguetto se perdeu por inteiro disciplinarmente. Carlinhos Paraíba foi ingênuo em cometer tal falta, pois ela poderia ter sido punida com amarelo ou não (é a interpretação da intensidade: foi no meio campo, Weldinho caiu e pôs a mão na canela, levantando-se sorrindo…) Foi descriterioso.

 

Se você analisar os lances com a proposta de jogo apresentada pelo árbitro nos outros lances da partida, os dois cartões do Carlinhos Paraíba são discutíveis. Não são absurdos se analisados isoladamente do jogo; mas equivocados dentro do critério demonstrado pelo árbitro, no contexto da partida.

 

No segundo tempo, nada de relevante sobre a arbitragem. Braguetto foi bem tecnicamente (acertou nas tentativas de cavar pênaltis), mas disciplinarmente foi ruim no critério adotado.

 

E você, o que achou do jogo? Deixe seu comentário:

 

Abaixo, os comentários sobre a partida no lance-a-lance (com opiniões sobre outros lances do jogo) feitos no Twitter on-line.

 

Amigos, estou no Twitter para falarmos e discutirmos sobre o clássico. Comentários on-line da arbitragem de Corinthians X São Paulo.

 

Começou com 4 minutos de atraso e com 20 segundos já tínhamos uma falta sobre Carlinhos Paraíba. Prenúncio?

 

1m45s: nada de mão intencional, e na sequência, 1m53s, nova falta do Corinthians. Aos 2m39s, falta do SPFC.

 

Aos 03m59, Marlos ‘teria sofrido falta leve’. Teria; pois a bola estava fora de campo, ele adiantou-a na jogada. Bola fora de campo não é falta.

 

Aos 10 minutos, nervosismo das equipes passou e jogou ficou fácil ao árbitro.

 

10m36s, Jorge Henrique cai na área em disputa de bola. Torcida pede pênalti. Tudo normal.

 

13m53s: Braguetto se posiciona mal, quase na meia lua entre atacantes e zagueiros, atrapalhando lançamento de Xandão.

 

15m: Braguetto está bem. Jogo ajuda.

 

17m50s: Castán faz falta em Dagoberto. Árbitro matou um contra-ataque. Poderia dar vantagem e depois amarelo, mas não é um absurdo não dá-lo, pelo critério que adota. Ao pé-da-regra, cartão amarelo.

 

22m33s: Carlinhos Paraíba pula com Paulinho em disputa de bola e a mão bate no rosto, com empurrão no ar. Falta simples.

 

23m: Jorge Henrique dá uma rasteira em Marlos, falta clara para cartão amarelo. Braguetto não dá e Dagoberto dá bronca no árbitro.

 

24m: Fábio Santos cai na área. Nada, tudo normal. Segue o jogo.

 

27m: falta em Paulinho. Acertou.

 

29m – Marlos pede falta e fica caído fora do gramado. Lance viril, mas legal. Não foi falta.

 

30m46s – Falta de Wellington em Danilo. Correto.

 

32m14s: zagueiro do Corinthians estica a mão impedindo que Marlos dispute a bola. Braguetto não dá. Errou, isso não pode. Na sequência, Marlos segura a mão e Braguetto dá falta ao SCCP. Árbitro errou.

 

32m50s – Paulinho e Carlinhos Paraíba de novo! Bate-boca que mereceu cartão amarelo para ambos. Não valeria a adv verbal?

 

34m19s – Zagueiro sãopaulino disputa bola com Willian. Corinthiano entra na área e dobra as pernas. Nada de reclamar de empurrão, ele cai antes ao sentir a aproximação. Merecia advertência verbal, que Braguetto preferiu não dar. Acertou em não dar pênalti, mas era bom se impor.

 

39m – falta sobre Marlos, bem marcada.

 

40m – Carlinhos Paraíba faz falta em Weldinho e Braguetto dá amarelo. Acertou no segundo amarelo e vermelho. Weldinho fantasiou um pouco, é verdade. Mas árbitro acertou. EMBORA FUGIU DO SEU CRITÉRIO.

 

Na reclamação de Rogério Ceni sobre a expulsão do Paraíba, goleiro quase bateu no Braguetto. Corretamente, levou o amarelo.

 

Se eu fosse o Tite, tirava o Paulinho. Todo mundo vai forçar lances nele.

 

43m- Liedson erra na dose e acerta uma “piuvada” no sãopaulino. Amarelo correto.

 

44m – falta de Castán. Mas eu não daria o amarelo… “Efeito Rogério Ceni”?

 

Fim de 1º tempo. Os sãopaulinos poderiam reclamar de uma falta aos 17m do Castán no Dagoberto, onde não houve aplicação de amarelo. (lembre-se de que Castán só tomou o amarelo no final do 1º tempo, e se já tivesse, seria o vermelho).

 

Enfim: Braguetto vinha bem, nada desastroso, jogador Carlinhos Paraíba foi imprudente e bem expulso. Mas era bom o árbitro tomar cuidado no critério, pois esse detalhe de “não-cartão no começo” e “cartões em todo lance no final” é decisivo.

 

45m40s: gol do Corinthians legal. Zagueirão caiu duro no chão…

 

53m: Gol legal, Liedson, depois do toque de cabeça do companheiro, parte por detrás da linha de um zagueiro sãopaulino, ficando cara-a-cara com Rogério.

 

54m: falta em Wellington no meio campo, Braguetto não dá. Cuidado…

 

59m: solada de Willian Durant eo ataque, tiro livre indireto bem marcado.

 

60m: gol de Liedson, o 3º do Corinthians. Repararam que o centroavante passa na frente do Xandão, que tem a cara-de-pau de pedir impedimento?

 

65m: falta de Chicão em Fernandinho. Marcado corretamente.

 

70m: Falta bem marcada em Jorge Henrique.

 

Jogo praticamente inexiste, não? Os 2 times não querem mais nada.

 

80m: Gostaria de ver e repetição do lance sobre o Henrique. Não foi pênalti não? A Sportv não mostrou.

 

81m: Amarelo bem aplicado no Wellington, entrou duro!

 

82m: Após o frango do Ceni, o @mafcelotricolPW está gritando: “Rogério Ceni, pede pra sair”. Torcedor é passional, não? Há dias festejavam o 100º…

 

87m: o Emerson reclamou uma falta que não foi, depois fez uma graça e sofreu uma falta normal. Depois criou caso…

 

Fim de jogo, logo após escrevo sobre a arbitragem do jogo no Blog. Até mais!

– WO da Arbitragem no Amador de Jundiaí?

 

Neste domingo, houve um “WO dos árbitros” no Campeonato Amador de Jundiaí.

 

E como funciona se quem falta na partida é o próprio árbitro?

 

Vamos lá: árbitro e bandeira são elementos da Regra do Jogo (regra 5: árbitro e regra 6: árbitro assistente). Eles são como a bola: sem eles, não há jogo.

 

E o que acontece se um deles faltar?

 

Funciona assim: obrigatoriamente, você tem que começar uma partida com árbitro e dois bandeiras. A FIFA orienta que os campeonatos possuam um quarto árbitro (não obriga; apenas sugere!), a fim de substituir um dos integrantes, caso ocorra algum imprevisto (dentre outras funções que realiza).

 

Se quem faltar no jogo for o árbitro, o regulamento da competição é quem dirá se o quarto árbitro substitui o árbitro, ou se o bandeira 1 o substituirá e o quarto árbitro virá bandeira.

 

E se não tiver quarto árbitro e faltar bandeira ou árbitro?

 

Aí, qualquer um dos integrantes da equipe de arbitragem que estiver no campo deve apitar o jogo e tomar as providências para substituir os demais. Ele escolhe (veja que curioso) qualquer pessoa presente (da comissão técnica dos próprios times, jornalistas ou até torcedores!) e a entrevista, a fim de saber se ela tem competência de atuar na partida.

 

Parece estranho, mas uma partida não pode começar sem o árbitro e os dois bandeiras, seja eles quem forem!

 

Escolhido o novo bandeira, ele nem precisa estar uniformizado para ir a campo (tem que estar apenas diferenciado dos atletas). Nestas circunstâncias, acontecem duas situações:

 

1) Se o substituto for alguém que entenda de regra de futebol, você permite que ele trabalhe e oriente o que deseja dele dentro de campo (o que marcar; como se portar; passa o plano de jogo).

 

2) Se não for encontrado substituto competente, você coloca alguém representando o bandeira, inicia a partida e dispensa o mesmo. Pois é, manda ele embora, e o árbitro assume as marcações de laterais e impedimentos naquela metade de campo. Isso evita que o bandeira-substituto atrapalhe o jogo com marcações erradas ou até mesmo tende a fazer marcações equivocadas propositalmente.

 

O árbitro é obrigado a começar o jogo com bandeiras, mas não é obrigado a teminar a partida com eles. Se um elemento da equipe de arbitragem estiver no campo de jogo, deve tomar essas providências (encontrar substitutos para iniciar a partida, mesmo que os dispense no primeiro tempo), a fim de que a partida se realizar. O que não pode é deixar de fazer a partida por falta de árbitros!

 

E você, o que pensa sobre tal situação? Deixe seu comentário:

– Análise Pré-Jogo da Arbitragem de Corinthians X São Paulo

 

O que você diria se para goleiro da Seleção Brasileira fosse escalado Bosco, reserva do São Paulo FC? Certamente concordaria que é bom goleiro, mas está sem ritmo de jogo e não era um nome esperado. Poderia ser Júlio César (Internazionale) ou Rogério Ceni (SPFC) pela experiência, ou Victor (Grêmio) ou Rafael (Santos) pela renovação.

 

Agora substitua os nomes de Bosco por Rodrigo Braguetto, Júlio César e Rogério Ceni por Seneme e PC Oliveira, além de Victor e Rafael por Guilherme Ceretta e Raphael Claus. Faz sentido, se considerarmos os nomes como árbitros possíveis para o Majestoso do próximo domingo?

 

Braguetto foi sorteado na última terça para o clássico entre Corinthians X São Paulo. É bom árbitro, mas não a melhor indicação (e não venha com a história que a culpa foi do sorteio – para as demais partidas, os outros nomes foram colocados no globinho a exaustão até cair o escolhido; para o Majestoso, Braguetto foi em sorteio único – vide site da CBF).

 

–1o.: sua escolha foi uma grande surpresa! Apesar de veterano e com grande experiência, Braguetto pouco trabalhou em jogos da Série A do Campeonato Brasileiro. Você conta nos dedos as partidas em que foi escalado. Faça uma breve pesquisa e se surpreenderá ainda mais com os jogos (ou a falta de jogos) desse árbitro na 1ª divisão nacional.

 

A não-imposição de vetos a esse nome seria a justificativa?

 

–2o.: a falta de ritmo de jogo é preocupante. Sua escala na última terça-feira pela série B (Bragantino X Guarani) mostrou um pouco disso: tentou levar a partida ao máximo sem aplicação de cartões (que é uma característica dele) mas quase se perdeu em determinado momento. A má interpretação de alguns lances de falta também.

 

Teria sido sorteado para a série B no meio de semana para treinar?

–3o.: A linha da Comissão de Árbitros da CBF é clara: ou são apitadores extremamente experientes ou muitos jovens árbitros para a renovação (mesmo que com nomes contestados – já viram como tem pouco paulista e muito árbitro de centros futebolísticos mais distantes e sem tradição? É a “integração nacional”, que pode ser entendida como “política da compensação”). Árbitros como Braguetto, que já estouraram a idade para almejar a FIFA e não se firmaram como TOPs nacionais, foram descartados.

 

Seria algum critério não manifestado?

 

Mas como foi sorteio, levemos a crer que o universo conspirou ao seu favor. Sobre as características do árbitro: Corre bastante e se posiciona bem. Magrelão, está sempre próximo da jogada. Não dá falta cavada, e, às vezes, quando há simulação, vira as costas e não dá bola para o infrator (mas costuma se omitir na aplicação de cartões nessas jogadas). Evita ao máximo aplicar advertências durante o jogo. Tem razoável qualidade em discernir e avaliar divididas. Como todo árbitro, erra dentro da média aceitável. O ritmo de jogo preocupa, apesar de ter apitado na 3ª feira.

 

Como pessoa, é gente da melhor qualidade. Mas isso muitas vezes não se leva ao campo…

 

Boa sorte ao Rodrigo Braguetto, aos bandeiras Vicente Romano Neto e Marcelo van Gassen, além do quarto árbitro Guarizzo e ao amigo observador (esse é dos bons – enfim um do ramo!) Nilson Monção.

 

IMPORTANTE – Mas em particular, gostei demais da escala de Van Gassen. Explico: em meados dos anos 2000, ele estava literalmente voando como bandeira, a caminho do escudo FIFA. E, na época, as escalas da Copa do Brasil tinham bandeiras locais. Jogava Corinthians X Cianorte, com Roger e outras estrelas da MSI de Kia Jorabichian, cujo presidente era Alberto Dualib e o diretor de futebol Andrés Sanches.

Durante o jogo, Van Gassen, que era o bandeira, não pipocou e fez uma ótima atuação. Mesmo pressionado por Andrés, ele não foi caseiro e o dirigente corinthiano não gostou. Invadiu vestiário, ameaçou e cumpriu a promessa: ligou ao Armando Marques que afastou por um bom tempo Van Gassen das escalas, retardando e muito a carreira do bandeira, QUE CAIU NO OSTRACISMO. Com competência, continuou e conseguiu POR MÉRITOS PRÓPRIOS o escudo FIFA.

Domingo, Andrés e Van Gassen se reencontrarão, o primeiro como Presidente do clube; o segundo, como assistente FIFA. É claro que Andrés nem deve se lembrar disso, pois é useiro desses pedidos de veto contra a arbitragem, e, cá entre nós, ninguém lembra de bandeira. Mas quem ‘apanha’ se lembra bem…

– Pezotta, Santos X Peñarol: Considerações sobre a Atuação do Árbitro.

 

Sabe quando um craque perde um gol feito e todos dizem: “equivocou-se”, e quando o mesmo gol é perdido por um cabeça de bagre e dizemos “perdeu porque ele é ruim”?

 

Diante dessa analogia, trago ao mundo da arbitragem uma constatação: Sérgio Pezzota cometeu equívocos ou foi ruim de fato? Sim, pois algumas considerações devem ser feitas sobre sua atuação ontem na decisão da Libertadores da América.

 

Sempre tive o argentino como um bom árbitro. A verdade é que Pezzota surgiu na carreira internacional com destaque há pouco tempo. Lembro-me de em 2009, até então não tão conhecido, ter apitado a partida São Paulo X Cruzeiro e ter visto uma excepcional atuação. Porém, não o vi apitando no Campeonato Argentino (até mesmo pela visibilidade do torneio em nosso país). Até o final de 2010, tinha-o como: “bom árbitro, disciplinador, deixava o jogo correr, não se intimidava com jogador e regular tecnicamente”.

 

Em 2011, confesso que não o vi como grande árbitro. Ouvi, por exemplo, Sálvio Spínola Fagundes Filho, após o jogo de despedida de Ronaldo Fenômeno (apitado por Pezzota, com vários erros bobos na partida – irrelevantes, por ser amistoso, mas incluindo um pênalti não marcado no começo do jogo) dizer ao jornalista da Rádio Jovem Pan Wanderley Nogueira que “Pezzota era o número 1 da Argentina e houvera apitado um importante jogo envolvendo o líder contra o vice-líder do campeonato local”. Tudo bem, está gabaritado por lá, mas mesmo assim fica a dever na Libertadores neste ano, nas diversas partidas que apitou.

 

Vamos a análise da atuação?

 

Antes da partida, Pezzota atrasou o jogo se preocupando com os jornalistas que estavam de colete amarelo a beira do gramado, pois tal roupa poderia atrapalhar o bandeira 2 na marcação de impedimentos; afinal, as cores seriam parecidas com a do Penãrol. Fez certo, mas a crítica é: com tal experiência do árbitro, não era para ter visto isso antes de entrar em campo, durante a vistoria?

 

Iniciado o jogo, vimos algumas inversões de falta e não aplicações de cartões. Ganso foi atropelado logo no começo, e o adversário uruguaio não recebeu amarelo. Arouca, na sequência, matou um contra-ataque e não recebeu nada também. Pensei: “está querendo apitar uma final de Libertadores sem aplicar cartão; é um risco altíssimo”. E assim prosseguiu pelo primeiro tempo. Se posicionou mal (repare que ele corria de área-a-área, sem diagonal – e sem velocidade!) e interpretou equivocadamente alguns lances de falta ou não falta (que era o seu ponto forte até o ano passado).

 

Vejam como apitar jogo do Neymar é difícil: aos 23m, ele sofreu uma falta normal. Mas a queda dele é típica de quem simula! Explico: ao perceber que será atingido, ele já começa a fazer caretas de dor. Há uma imagem perfeita da Sportv nesse lance: ele vai ser tocado, mas se antecipa à queda. Por quê isso? Só traz animosidade a quem gosta do seu bom futebol. Dois ou três minutos depois, Neymar sofre uma faltinha boba e o juizão não dá. Logo após (34m), meteu a sola do pé na canela de um uruguaio e foi advertido corretamente (chamamos aquele lance típico de cartão amarelo de ‘ação temerária’). Nesse momento, Zé Love cansava de perder gol (desculpem-me, mas como é grosso esse cara… se for titular no Gênova será gozação) e Ganso tocava a bola como jogador de sinuca: milimetricamente ao companheiro. Dá gosto vê-lo jogar.

 

No segundo tempo, Arouca foi atingido ‘na correntinha num contra-ataque’. Cartão Vermelho para o adversário, que não recebeu! Na sequência, Neymar divide a bola com o goleiro Sousa, e “quase deixa o pé”. Se ele atinge o goleiro, teria que receber o segundo amarelo (não atingiu porque o goleiro tirou a mão a tempo). É dessas irresponsabilidades que Neymar deve tomar cuidado, pois, se expulso, o Santos jogaria com 10 atletas boa parte do jogo.

 

Aos 57m, Zé Love não fez nada e foi advertido com cartão amarelo por suposta falta não cometida. Pagou o preço por jogar excessivamente pilhado e reclamar o jogo todo?

 

Por fim, festa santista em atuação fraquinha do árbitro, que não comprometeu pois não foi tão exigido.

 

Algumas observações:

 

– Quanto teríamos de renda se o jogo fosse no Morumbi?

 

– Camarote com Kassab, Marco Polo, Serra e outros políticos de diversos partidos e interesses… não queria estar por lá. Devia estar cheirando mal.

 

– Leroy Merlin deve estar vibrando com a exposição na roupa do Muricy. O que os santistas deixaram de expor as marcas dos patrocinadores na comemoração, Muricy o fez na sua.

 

– Ridículas brigas envolvendo as equipes após o apito final. Não merece comentários.

 

– Quantos bicos durante a festa do Santos, não? Era ‘Robert’ para todo lado!

 

– Como é sem graça a premiação ao vice. Poderia ter sido dispensada tal formalidade. Não tinha clima para isso.

 

E você, quer comentar? Deixe sua mensagem:

 

Ops: assisti pedaços da derrota do River Plate contra o Belgrano, na repescagem argentina para a permanência na primeirona. Teve 20 minutos de paralisação por invasão de torcedores do River, lances polêmicos e um baile sofrido pelo tradicional time. Mas detesto dizer o que escreverei: mesmo com 2X0 para o Belgrano, GARFARAM o time da casa. A arbitragem fez de tudo para ajudar o River. O juizão dava tudo a favor do River Plate e nada ao Belgrano, descaradamente. Um bandeira com cabelo “a lá Xororó” via o time do Belgrano no ataque e dava impedimento em todo lance! Pavoroso. Sem contar que o treinador tirou o melhor do time, um camisa 7 que era o craque do jogo, e pôs um cabeça de bagre… Suspeito.

 

Ops2: alguém sabe o público de São Caetano 4 x 2 Duque de Caxias? Remarcar simultaneamente à final da Libertadores é gozação…

– Amador de Jundiaí: os Lances Inusitados

 

Este ano a bruxa está solta no Campeonato Amador de Jundiaí. Jogos realizados sem regulamento, alambrado destruído por torcidas e paralisações. E, se não bastasse tudo isso, duas situações atípicas: jogador expulso antes da partida e substituto que “faz que sai e não sai” (na partida Vila Marlene X Cruzeiro). Que tal aprender com esses fatos atípicos?

 

Até para quem gosta do assunto, vale entender:

 

SOBRE JOGADOR EXPULSO ANTES DO APITO INICIAL:

 

– Se um jogador titular for expulso antes do início da partida, pode-se fazer uma substituição para a equipe não jogar inicialmente com 10. O atleta que recebeu cartão vermelho abandona o campo, e um dos reservas entra em seu lugar (e se conta como substituição efetuada). É um detalhe da regra.

 

– Se o jogador expulso for um reserva, simplesmente ele sai de campo e nenhum outro atleta pode figurar como reserva. O banco fica desfalcado.

 

Nas duas situações, obrigatoriamente o atleta tem que cumprir a suspensão automática na próxima partida.

 

SOBRE ATLETA QUE É SUBSTITUÍDO E PERMANECE EM CAMPO:

 

É solicitada uma substituição. O atleta que é substituído disfarça e permanece em campo, enganando o árbitro (como ocorrido no último domingo). O que fazer?

 

– Se o árbitro perceber que o jogador substituído está em campo, deve parar o jogo, aplicar o cartão amarelo (eu, particularmente, acho que por tal unfair-play valeria o vermelho, mas  a regra manda amarelo…) e ordenar a sua saída do campo de jogo. A partida se reinicia com um tiro livre indireto a favor da equipe adversária, no local onde a bola se encontrava.

 

E se saísse um gol?

 

Se o gol foi marcado pelo time que tinha o jogador irregular, vale o gol, desde que não tenha sido marcado por ele. Se ele marcou o gol e o árbitro reiniciou a partida, vale o gol também! Só não vale se o gol for marcado pelo jogador irregular e o árbitro, antes de reiniciar a partida, perceber.

 

Já imaginaram se saísse um gol desse atleta? As equipes do Vila Marlene e do Cruzeiro estariam lá no Centro Esportivo até agora… com o árbitro e seus assistentes, claro.

 

Para se evitar tal desagradável situação, vale lembrar: uma substituição só é consumada quando o atleta substituído atravessa toda a linha do campo e, a partir desse momento, o substituído pode entrar em campo. SEMPRE SUPERVISIONADO PELO ÁRBITRO RESERVA, OU, QUANDO NÃO EXISTIR UM ÁRBITRO RESERVA (4º.ÁRBITRO), PELO BANDEIRA No.1.

 

E você, o que achou dessas situações? Deixe seu comentário: