– Quando um Jogador pode “jantar” um Árbitro? Atlético-PR X São Paulo, Brasileirão.

Na linguagem do futebol, as expressões “jantar, engolir, ganhar, dominar, anular” um juiz de futebol, se referem ao fato de um atleta usar de malícia e sabedoria para ludibriar a arbitragem.

Nesta quarta-feira, na Arena da Baixada, Paulo Baier jogou muito bem e “jantou” o árbitro Pablo dos Santos Alves.

O carioca, que atualmente é aspirante à FIFA e está locado na Federação Capixaba, é um bom árbitro. Nada de excepcional. Mas algo tem sido um pecado: a inexperiência. E isso é fácil observar, basta responder a seguinte pergunta: Paulo Baier, com quase 40 anos de idade, tem quanto tempo de futebol (desde as categorias amadoras?). Não duvido que o tempo de jogador de futebol do atleta seja maior do que a idade do árbitro. E isso foi preponderante!

Nas inúmeras faltas marcadas a favor do Atlético, o jogador ía lá, conversava com o árbitro; pressionava, dava sua sugestão, pedia um cartão, e… demorava para reiniciar a partida. Nas faltas contrárias, Paulo Baier também conversava com o árbitro, questionando as marcações!

Pablo dos Santos Alves não pode sucumbir à pressão. É difícil apitar na Arena da Baixada. Diferentemente do Morumbi, onde o árbitro nada sente, alguém inexperiente pode sentir lá no estádio atleticano, mesmo o jogo não tendo lances polêmicos. Pressão pode acontecer até em jogo fácil, como este. E Antonio Lopes, treinador esperto, malaco, rodado, soube tirar proveito de tudo isso.

Lopes de um lado, Leão do outro? Coitado do 4º árbitro…

Um jogador pode “jantar” um árbitro quando sente fragilidade nele. O erro de Pablo foi não vibrar com o jogo, ser passivo, permitir a fala contra ele. Deixou Antonio Lopes reclamar e gesticular a vontade, sendo que por 4 vezes no 1º tempo o Quarto Árbitro teve que conter os ânimos. Paulo Baier, com toda a sua experiência, ficou ao pé do ouvido do árbitro na partida inteira.

Ainda sobre o jogo, 3 observações importantes:

1- Excessivo retardamento na reposição de bolas por parte do Atlético (se fosse Futsal, onde o cronômetro pára, estaríamos até agora jogando). A ‘cera’ só foi coibida com o cartão ao Paulo Baier (quantas vezes eu o citei, hein?) quase no apito final! Retarda o jogo inteiro e o adverte próximo do término?

2- A inexistência de Advertências Verbais. Ou era cartão, ou não era nada. A ‘bronca do árbitro’ não apareceu.

3- Pênalti no Rivaldo, no segundo tempo. Titubeou o árbitro.

E você, o que achou da partida? Deixe seu comentário:

Ops: não posso deixar de observar: que jogaço no Engenhão, não? E lá, o árbitro Francisco Carlos Nascimento – AL, deu um pênalti ao Fluminense que resultou no quarto gol, que certamente invejaria o lance dele próprio na partida Santos X Atlético-PR, no Pacaembu. Se não foi nada o tranco de Cleber Santana em Neymar (jogo apitado também pelo Francisco), o lance de Fluminense X Grêmio menos ainda! Nenhum árbitro marcaria aquele ‘pênalti’ para o Flu; talvez nem o próprio atleta… Lamentável!

– Cooperações do Apito: Você traria árbitros estrangeiros para a reta final do Brasileirão?

Yoshiro Imamura e Massaki Toma.

Guarde esses nomes.

Em 131 anos de história da Federação Inglesa, na principal entidade do “país que regulamentou o futebol moderno”, nunca árbitros estrangeiros apitaram jogos oficias entre clubes ingleses. E, devido a um programa de cooperação entre federações, os conhecidos e respeitados árbitros ingleses Howard Webb e Martin Atkinson irão apitar a J-League, enquanto os dois japoneses citados apitarão na FA Cup e talvez na Premier League.

A idéia atiça outros propósitos: o programa inglês-nipônico visa troca de experiências, com evidente aprendizado para os japoneses. Não há preocupação em contratar árbitros estrangeiros para jogos na Inglaterra. Chiadeiras e chororôs por lá são punidos (vide caso André Villas-Boas, do Chelsea – clique no link para o assunto: http://professorrafaelporcari.blog.terra.com.br/2011/11/12/a-grande-diferenca-do-tratamento-aos-arbitros-na-inglaterra-e-no-brasil/ ).

Mas no momento em que há muita reclamação sobre erros de arbitragem no Campeonato Brasileiro, onde todos se sentem prejudicados pelos árbitros mas ninguém se sente ajudado (curioso, não?), fica a pergunta:

O que você pensa de árbitros estrangeiros nas últimas rodadas do Campeonato Brasileiro?

Em São Paulo, na virada dos anos 90/2000, Eduardo José Farah, presidente da FPF na época, fez a experiência de chamar árbitros de outros estados para o Paulistão e trazia também estrangeiros (os árbitros de outros países eram os ditos “primeira linha da FIFA”). Claro que a medida também era promocional, mas ficou marcada pelas reclamações dos árbitros paulistas pela vinda deles.

Penso o seguinte: árbitro de fora só em extremo caso, na falta de competência para o torneio. Não acho necessário, a não ser que a medida fosse para alguma situação de marketing (e ainda assim com algumas restrições para a escolha do jogo).

E você, o que pensa sobre isso? Deixe seu comentário:

Abaixo, da BBC: http://news.bbc.co.uk/sport2/hi/football/15695408.stm

(não dá para deixar de comentar: vejam o “abre o olho, japonês – na expressão de Rooney, num amistoso apitado por Toma)

Masaaki Toma

JAPANESE REFEREE MASAAKI TOMA IN CHARGE OF BRENTFORD TIE

Masaaki Toma will make history when he becomes the first non-British referee to take charge of an FA Cup fixture.

The Japanese official will handle the first round tie between Brentford and Basingstoke on Saturday as part of a referee exchange programme.

“His appointment shows that the FA Cup really does hold global appeal,” said David Elleray, chairman of the Football Association’s referees committee.

Toma was referee when England defeated Mexico 3-1 at Wembley in May 2010.

In that friendly, England’s final home match before the World Cup, Toma booked three players – all Mexican.

Toma, 38, is in England along with another J-League referee Yoshiro Imamura as part of a programme between Professional Game Match Officials and the Japan Football Association.

As part of the programme, Premier League referees Howard Webb and Martin Atkinson visited Japan in June.

A PGMO spokesman said there were no plans for Japanese officials to take charge of Premier League games.

“This is about understanding different methods of refereeing around the world,” he said.

“It’s a useful experience and the two referees from Japan will return home before the end of the month.”

– Brasileirão da Irregularidade, no Campo e no Apito

O Campeonato Brasileiro sem dúvida é empolgante e disputadíssimo, tanto para o título quanto para o rebaixamento. Não quer dizer que é o de mais alto nível técnico, mas sim que é competitivo.

Veja o Corinthians: passou quase o torneio inteiro como líder e está em constante crise. Pode?

E o Fluminense, que no segundo tempo fez uma campanha espetacular? Só que ontem perdeu para o lanterninha e virtual rebaixado América-MG, que ganhou do líder na semana passada!

Mesmo torneio onde o favoritíssimo Cruzeiro amarga a zona do Z4 e o “inapostável” Figueirense na G4.

No apito também: o sumido Evandro Roman, de escudo FIFA quase invalidado se tornou a bola da vez, com excepcionais atuações. Na reta final do torneio, vitórias seguidas em sorteio permitiram que mostrasse uma competência impressionante; mesma sorte que não acompanhou a possível revelação (em perspectiva nacional, pois gaúcha já é em realidade) Márcio Chagas, que por culpa do teste físico ficou alijado do torneio.

Empolgante, sem dúvida. É bom ver jogo emocionante com árbitro de qualidade.

– A Grande Diferença do Tratamento aos Árbitros na Inglaterra e no Brasil

Vejam só que curioso: aqui no Brasil, há treinadores que passam o jogo inteiro fazendo caras e bocas contra as marcações dos árbitros, reclamam gesticulando o tempo inteiro, desviam a incompetência das suas equipes em entrevistas coletivas acusatórias contra o árbitro, e quase nunca são punidos.

Na Inglaterra, André Villas-Boas, treinador do Chelsea, reclamou que na partida entre Queens Park Rangers 0 X 1 Chelsea, o árbitro Chris Foy teve um desempenho muito, muito pobre, pois deve ter sentido a pressão da torcida presente no estádio”.

Por essas palavras, a Federação Inglesa o julgará por conduta imprópria, seguida de comentários indevidos à figura do árbitro para a imprensa”.

Perceberam que lá, jogar a culpa no árbitro e difamá-lo pelos microfones dá gancho? Já aqui no Brasil…

Imagine se os treinadores daqui fizessem o que fazem na Premier League? Sorte do Felipão que quando passou por lá não reclamava em inglês…

E você, o que pensa sobre isso? Deixe seu comentário:

– Pé Alto no Futebol? Como definir? O gol de Gabão X Brasil

Nesta tarde, na partida Gabão 0 X 2 Brasil, o primeiro gol, marcado por Sandro, foi reclamado por alguns como “Pé Alto”.

Mas o que é “pé alto” no futebol? Teoricamente, na regra isso não existe. E tenhamos cuidado com a terminologia: ergueu o pé ou estar com o pé alto é falta? Claro que não.

O que existe é erguer o pé numa altura em que exista risco de lesão em outro atleta, e que se costuma chamar de “Jogo perigoso” (inclua-se a chamada Sola nessa categoria). Para isso, o atleta adversário deve estar envolvido no lance, correndo reais riscos.

Imagine só: um jogador ergue a perna na altura do rosto do seu adversário, em disputa de bola. Se não tiver cuidado, atinge-o. Isso é o popular “Pé Alto”.

Importante: se não atingiu o atleta, marca-se tiro livre indireto. Se atingiu, marca-se tiro livre direto.

Hoje, Sandro vê a bola no alto e levanta o pé para tocá-la ao gol antes do adversário. O jogador gabonês está parado, perdido na jogada, longe de ter atenção para disputá-la (até por que quase ter feito um gol contra nessa mesma jogada). O jogador brasileiro toca a bola onde não havia uma proximidade e nem agilidade suficiente para existir um jogo perigoso. Ali, não houve perigo/risco de lesão. Portanto, gol legal.

Se o atleta estivesse envolvido com atenção na jogada, e tentasse disputá-la erguendo o pé (a meia altura, por exemplo), aí sim deveria se marcar tiro livre indireto.

Aproveitando o espaço: que vexame do Brasil, não? Vitória com gosto de mico e de hipocrisia. Ganhamos 2 milhões de reais para na partida número 1000 da Seleção jogar em um país de ditadores, onde os políticos tiraram proveito total da estada da equipe brasileira, jogando num pasto encharcado construído por comunistas chineses (os operários foram presidiários da China, segundo a Folha de SP de ontem), contra uma seleção de atletas da segunda divisão francesa.

E o risco de lesão, de exposição inadequada e de servir ao pão-e-circo ditatorial?

Times ruins em estádio ruim com arbitragem ruim. ‘Perfeito’ para comemorar o jogo 1000…

– Bolsa Filtro Solar já!

Ouço, agora, uma entrevista com uma dermatologista chamada Dra Valéria. Ela lembra que o filtro solar é importantíssimo no dia-a-dia, não só àqueles que trabalham debaixo de sol, mas a qualquer instante. Fez diferenciação de raios UVA e UVB (basicamente, um produz queimaduras e outro provoca câncer de pele), alertou sobre os filtros solares de baixa qualidade no mercado, e sugeriu: BOLSA FILTRO SOLAR para o brasileiro.

Carteiros já recebem tal produto; por quê outras categorias também não?

E aí vem a sugestão: que tal as ricas federações de futebol fornecerem filtro solar a seus árbitros? Ou mesmo as cooperativas e sindicatos que os representam?

E aí, o que achou da idéia? Deixe seu comentário:

– Demorou a decisão em Cogitar a Paralisação do Brasileirão

Ufa! A ANAF, segundo a ESPN, se manifestou sobre a agressão do árbitro Jean Pierre. Demorou, mas o fez!

Mas… você acredita em paralisação?

Extraído de: http://ht.ly/7omcB

ASSOCIAÇÃO DE ÁRBITROS AMEAÇA PARALISAR O CAMPEONATO CASO OCORRA MAIS AGRESSÕES

Depois da agressão de torcedores do Corinthians aos árbitros que apitaram a partida contra o América-MG, a Associação Naconal dos Árbitros de Futebol (Anaf) se reuniu na sede da CBF e cobrou do STJD uma punição aos agressores. Mais do que isso, após o encontro, a entidade definiu que, caso haja uma nova agressão, os árbitros paralisarão o campeonato.

No entanto, esse ainda não é um posicionamento oficial da Anaf. Sérgio Corrêa, presidente da Comissão Nacional de Arbitragem de Futebol preferiu se esquivar e não confirmou uma possível paralisação. Ainda assim, o tesoureiro da Associação, Salmo Valentim, foi taxativo:

“Apesar de o Corinthians ter divulgado uma nota repudiando a atitude, é preciso que as autoridades e, principalmente, o tribunal (STJD) se posicione em relação a isso. É preciso que esses canalhas, esses torcedores bandidos sejam presos”, disse Valentim, em entrevista à Rádio Itatiaia.

“Agrediram os jogadores e agora estão agredindo a arbitragem. Na próxima agressão, sem duvida, nós vamos paralisar o campeonato de qualquer forma”, continuou.

No episódio ocorrido na segunda-feira, no aeroporto de Congonhas, o auxiliar de arbitragem Altemir Hausmann foi agredido por quatro torcedores do Corinthians, que acabaram detidos pela Polícia, mas foram soltos no mesmo dia.

– Mais uma Covarde Agressão no Futebol…

Gosto de fuçar situações curiosas da arbitragem e de estudar o assunto. Afinal, quem milita ou militou na área se apaixona por ela. Mas há certas coisas que impressionam negativamente.

Com pesar, achei um vídeo de um jogo da Liga Campineira de Futebol, que pelo YouTube dá para saber que era a final da divisão “Veteranos”, envolvendo Ajax X Família Unida.

A covardia que fazem nesse jogo com a arbitragem é caso de polícia. Um bandeira (se o nome estiver errado, alguém, por gentileza, corrija), José Fidélis ou José Nelito, um senhor de cabelos grisalhos, que provavelmente perdeu a trade de sábado por míseros R$ 30,00 ou R$ 40,00, foi massacrado em campo por imbecis!

Nesse momento em que se discute a vexatória agressão de torcedores do Corinthians em um aeroporto contra os árbitros de América X Corinthians (cadê as autoridades da arbitragem e representações de classe para se manifestarem… estão omissas!), mais um triste vídeo sobre o assunto…

Reparem a idiotice: o vídeo que está no link:

http://www.youtube.com/watch?v=VGtzyck7CNs&feature=youtu.be

Se você assisti-lo a partir dos 3 minutos, verá cenas violentas, grosseiras, ao ritmo de “Mortal Kombat”! São três idiotas que covardemente agridem o bandeira, com chutes no chão e ódio estampado no rosto. Um cara (parece o treinador) vestido com a camisa do São Paulo, está completamente alterado e ameaça e parte para as vias de fato. Outro, sem camisa, tem que ser contido pela namorada. Um terceiro, de calça, bate, chuta, agride, tranquilamente, como se fosse um bicho no chão…

Gente, isso é futebol; deveria ser lazer!

Uma observação: não há um policial, guarda municipal ou segurança! Cadê a proteção aos árbitros?

As imagens são claras e empolgam a bandidagem. Está fácil identificar esses imbecis.

Quero crer que a Liga Campineira puna essa gente perigosa. Sim, perigosa, pois quem agride com tamanha violência e determinação, demonstra que não pode estar no meio do futebol.

Claro, espero também que tenha sido feito boletim de ocorrência. Ali tem que ter ação policial contra os meliantes. Pois, pelas cenas, não é gente de bem…

Se alguém for da região de Campinas e tiver informações sobre o assunto, deixe sua mensagem nos comentários!

– Agressões no Futebol: A Culpa é de Quem?

Dias atrás, quando o atleta da S.E. Palmeiras João Vitor foi agredido por torcedores, vários jogadores e dirigentes se manifestaram publicamente. Andrés Sanches, presidente do arquirrival Corinthians, disse que numa situação dessa, a equipe não deveria entrar em campo e que deveria-se paralisar o campeonato!

Ontem, o árbitro gaúcho Jean Pierre, que havia apitado América X Corinthians, foi agredido (com seus auxiliares) durante conexão em São Paulo. Fizeram o boletim de ocorrência, onde se registrou que eram torcedores do Corinthians. E depois de meia-hora, a PF os liberou!

– Nesse episódio, houve o mesmo impacto de manifestações e a mesma indignação como a do caso João Vitor?

– Andrés Sanches sugeriu que os árbitros não entrassem em campo, como no episódio do jogador palmeirense? Deixará de fazer reclamação formal contra o árbitro, em compaixão?

(Interessante que reclamará do pênalti mal marcado contra; o pênalti a favor, se esqueceu…)

A ANAF – Associação Nacional dos Árbitros de Futebol – está se mobilizando para que a CBF tome providências, ou essas entidades não gostam de entrar em atrito?

– Os árbitros se manifestaram em conjunto?

Amigos, fica a observação: futebol é esporte! E quando agressões começam a acontecer com frequência, algo está errado. Daqui a pouco, o alvo pode ser até mesmo jornalistas que defendam algo contrário ao desejo dos dirigentes (lembram-se do episódio do Milton leite com o Vasco da Gama e seu dirigente imperador?)

Aí vemos com o conceito de que o futebol é business, negócio, evento. Ok. Que providências devem ser tomadas quando o agredido é o único elemento não-profissional desse futebol-empreendimento comercial? E que com frequência acaba sendo ele- o trabalhador amador do sistema – a levar a responsabilidade da incompetência das equipes em campo?

Claro que a arbitragem brasileira está num momento crítico e os dirigentes não dão a devida atenção, mas é de uma tamanha irresponsabilidade ouvir discursos OFICIAIS de que o Corinthians tem DVD de erros da arbitragem“, ou da fala de Luiz Felipe Scolari jogando a culpa pelos resultados na arbitragem, como foi dito contra o Coritiba, de que não consigo entender o critério do Alício, o jogador que sofreu a falta estava 5 segundos depois em pé, apesar dela ter sido por trás, e ainda assim expulsou meu atleta“.

É fácil jogar os erros nas costas de quem já está cambaleando. O problema é: uma hora ou outra, algum torcedor fanático, iludido por chororôs descabidos e persistentes, fará alguma bobagem maior. E a culpa será de quem?

Zezé Perrela pintou e bordou no  final de 2010. Qual a punição por chamar o presidente da CA/CBF de ladrão e dizer abertamente que havia esquema?

Escrevo esse texto neste final de segunda-feira. Até agora, não há uma linha no site da CBF ou da ANAF sobre o episódio. Os primeiros que deveriam se manifestar, nada fizeram. Parece que nada aconteceu ou isso é algo corriqueiro ou um fato desprezível.

Por fim: Já que a CBF obriga os árbitros a comprarem suas passagens aéreas pela Pallas Eventos Esportivos, por que não sorteia árbitros de mesmos estados e os faz ir de vôo direto, sem escala na terra dos torcedores das equipes envolvidas (já que ela se preocupa tanto com o bem-estar dos árbitros)?

E o pior é acreditar que os agressores já estão impunes e pronto para agirem na próxima semana. E a cada rodada do término do Brasileirão, mais dirigentes, treinadores e jogadores incentivam tais atos, inconscientemente fometando a violência contra os árbitros.

Triste ver que isso ainda acontece justo no país da Copa, no celeiro de craques e terra de cartolas vitalícios. Imagino que ontem, no luxuoso hotel onde se encontraram Ricardo Teixeira, Marco Polo Del Nero, Jeromè Valcke e o nobre deputado da bancada da bola, Vicente Cândido, tenham discutido tal problema.

Ou será que isso não é problema?

Antes, a preocupação era quando o árbitro saía do estádio, com a meia dúzia de bêbados que ficavam no portão dos vestiários.  Hoje, temos que nos preocupar inclusive no aeroporto. Evoluímos…

Gente, não vamos esperar outro “Escobar”, jogador colombiano morto por um torcedor. Façamos algo! Ou será que vão tomar providências somente quando um dirigente de Federação for agredido? Ah, mas eles só andam com segurança…

– 2012 do Apito será diferente de 2011?

Há certas coisas que impressionam. O descaso a certas categorias é uma delas, com o perfeito exemplo à arbitragem.

Li dias atrás que, apesar de estarmos quase em 2012, não temos no site da CBF a lista de árbitros para 2011 (pode ser coloquem agora, depois desse ‘toque’…). E não é que é verdade?

À beira do ano novo vemos que a lista é de 2010. Sandro Meira Ricci é ainda aspirante a FIFA, junto com Gutemberg de Paula! Péricles Bassols ainda apita como árbitro internacional, e outros erros mais.

Puxa… Com tanto dinheiro para a Copa e com tanta riqueza da CBF, e os Árbitros são tão esquecidos assim? Não tem uns trocados para atualizar o site? Será que o presidente Ricardo Teixeira tem tantos afazeres que esqueceu dos apitadores? Ou eles não interessam às preocupações maiores da casa?

Para quem quiser acessar, o caminho é: http://www.cbf.com.br/institucional/arbitragem

Depois clique em “Renaf” (Relação Nacional dos Árbitros).

(o link direto é: http://www.cbf.com.br/media/75321/renaf_2010.pdf)

Talvez seja por isso que muitos criticam algumas situações. A bola da vez é o Chicão de Alagoas. Sem cornetar esse ou aquele árbitro, mas como ex-árbitro e observador de futebol, leio e escuto assuntos da área. Dizem (não sou eu que digo, mas é só ligar o rádio ou ler jornal) que estão forçando a barra para um escudo FIFA à ele. A julgar pelas atuações e sequência de escalas, por quê não?

Mas quem sairia? A lista atual é:

ÁRBITROS FIFA

Evandro Rogério Roman – PR

Gutemberg de Paula Fonseca – RJ

Heber Roberto Lopes – PR

Leandro Pedro Vuaden – RS

Marcelo de Lima Henrique – RJ

Paulo César de Oliveira – SP

Ricardo Marques Ribeiro – MG

Sálvio Spínola Fagundes Filho – SP

Sandro Meira Ricci – DF

Wilson Luís Seneme – SP

Roman voltou com tudo, não perde sorteio algum e, para quem passa só pela série A e se assusta com a sorte inacabável, esquece-se de ver as escalas na série B. Como diria o amigo Zé-Boca-de-Grade, “ele ganha na Mega toda a semana e na Quina quando joga”.

Gutemberg atuou mal nesse ano. Mas perderia o escudo para alguém de outro estado? Assim como os paulistas, RJ troca por RJ e SP troca por SP. Assim, por exemplo, duvido que o amigo e bom árbitro Luiz Flávio (aspirante) integre o quadro no ano que vem.

Sobraram Heber (que está bem), Ricci (sem chances de sair do quadro, ótimo campeonato) Vuaden e Ricardo Marques Ribeiro. O gaúcho Vuaden reprovou no teste físico e voltou magrinho. É bom árbitro. A região Sul ficaria sem ninguém? Creio que não.

Por lógica, sobraria Ricardo Marques, que nunca foi tido como Top pelos próprios árbitros. Talvez… teve mais baixos do que altos no ano.

Entretanto, temos o ‘fator teste físico’: na maluquice em tornar árbitro de futebol um corredor, muita gente acaba sofrendo overtraining. Ou seja: estoura! Penso que quem reprovar, dançou!

E quem entra? A lista de aspirantes conta com Wagner Reway (MT), que é muito jovem além de ser o primeiro ano dele; tem o Luiz Flávio já citado; o brasiliense Wilton Sampaio (mas teríamos 2 do DF?) ou André Luís de Castro (GO), que faz um excelente campeonato.

Em que eu apostaria? No Célio Amorim, de SC? Não, falta comer mais feijão (ou você lembra algum clássico que ele apitou para ser FIFA?). Pablo dos Santos Alves (ES)? Fez um bom campeonato, mas aquele pênalti que ele marcou no Cruzeiro X Corinthians manchou o ano (não deveria apagar o restante do seu trabalho). Ou o Francisco-Chicão Carlos do Nascimento? Talvez… afinal os melhores jogos e a sequência maior foi para ele, sem dúvidas.

Ôpa: quantos aspirantes à FIFA de estados que não serão sedes da Copa! Que coisa… Coincidência, pois afinal, aqui vem a história de que se precisa de árbitros neutros, de centros não desenvolvidos no Futebol para poderem apitar equipes de qualquer estado (um árbitro da Roraima não teria problemas em apitar jogos de equipes cariocas, paulistas, gaúchas…)

E para você, quem vai virar o ano passando de Aspirante à FIFA?

Ei, quase esqueci: Será que os jogadores gozarão realmente de 30 dias de férias e pelo menos terão duas semanas de pré-temporada? Salvo engano, temos 60 dias para a divulgação da Tabela do Paulistão A1, de acordo com o Estatuto do Torcedor. Então dá.

E já quem entramos no assunto… quem serão os novos árbitros Ouro para 2012?

Xi… teremos de novo a angústia dos árbitros Prata esperando, esperando, e nada sai. O ranking paulista é gozado: no Regulamento se fala em divulgação em Dezembro, só é divulgado de fato no ano seguinte, mas os árbitros que serão aprovados já treinam desde Outubro deste ano. Ué? Calendário às avessas?

Claro que a resposta a essa contestação está pronta: os nomes que constam no “Informações aos Árbitros” (link da FPF) não são os Ouro 2012, mas aqueles que trabalharão não necessariamente na A1. Ah bom… e todos aqueles tem chances independentes de zerar ou não nas últimas provas. Gozado!

Também, alguém já viu a fórmula do ranking? É mirabolante:

Pf = [Pm*2 – Pe*1 / _ (pesos)] + Pb

Sendo Pm = pontuação média dos Relatórios de Avaliação;

Sendo Pe = penalizações em função dos testes escritos, físicos e sanções disciplinares;

Sendo Pb = pontos de bonificação.

(está em: http://futebolpaulista.com.br/arquivos/an1nmclassarb10.pdf)

Procure RESULTADO DO COMPONENTE FÍSICO ESPECÍFICO, na página 2 do link acima. Tem de tudo! Albert Einstein penou, mas conseguiu decifrá-lo.

Sinceramente? Faça algo mais claro, se quer criar ranking. Datas claras, divulgações claras, notas claras. Se existe ranking, é porque é um campeonato de árbitros. Ou então se abomine e crie algo diferente.

No final do Paulistão, depois daquelas polêmicas do sorteio, o presidente Marco Polo Del Nero disse que “Ouro é Ouro, e que em 2012 vai todo mundo para o globinho. Vai?

Era melhor não criar coisas que compliquem a si próprio… De tanto reformar os critérios adotados, deveriam aboli-los e recomeçar de novo. Por que não nova gente, mas não no apito, mas na administração?

Fica aí a sugestão: por quê não evitar que pessoas ligadas a entidades de defesa aos árbitros trabalhe como dirigentes da Federação, envolvendo desde a escalação nas Comissões até as punições na Ouvidoria? A independência seria melhor.

Pelo jeito, os árbitros devem gostar do sistema atual. Afinal, alguém reclama?

Boa sorte em 2012.

– E a Culpa é do… Placar Eletrônico???

Já ouvimos as mais esfarrapadas desculpas no futebol: ‘perdemos por culpa do juiz, falhamos nos minutos finais, faltou atenção para a equipe, o campo estava ruim…’ Mas Dedé, zagueiro do Vasco da Gama, se superou: a culpa do empate com o São Paulo, no último domingo, foi do… Placar Eletrônico!

É. Ele disse que quando o time viu anunciado no placar de São Januário que o Avaí ganhava do Corinthians por 2X1 (na verdade, seria o contrário), os jogadores mudaram o comportamento para garantir o empate em 0X0!

Ué, independente do placar no Pacaembu, o Vasco não deveria tentar a vitória em casa?

Uma coisa é certa: o funcionário que cuida do placar eletrônico no estádio deve ter ouvido poucas e boas… Aliás, placares falsos para motivar equipes é comum no futebol, principalmente em reta final. Nesse caso, o tiro saiu pela culatra.

A propósito, gostaria de saber (e pergunto a quem saiba): por quê Arnaldo César Coelho disse que “Dedé era um mascarado de salto alto” durante o jogo? Confesso não saber de polêmicas do atleta.

Abaixo, extraído do Uol Esporte: http://esporte.uol.com.br/futebol/campeonatos/brasileiro/serie-a/ultimas-noticias/2011/11/03/dede-culpa-placar-de-sao-januario-por-empate-com-sao-paulo-no-ultimo-domingo.htm

DEDÉ CULPA PLACAR DE SÃO JANUÁRIO POR EMPATE

Erro do árbitro, dos auxiliares, falta de atenção deste ou daquele jogador, azar. Estas e muitas outras são justificativas normais para um mau resultado em um jogo de futebol. O zagueiro Dedé, do Vasco, porém, inovou ao explicar o empate em 0 a 0 contra o São Paulo, domingo, no estádio de São Januário.

“No fim da partida, quando apareceu no placar que o Avaí vencia o Corinthians por 2 a 1 em São Paulo, mudamos nosso estilo de jogo. Seguramos mais para não levar gol e garantir o empate”, disse o jogador.

Caso a informação no placar fosse correta, uma derrota do Corinthians e um empate do Vasco faria com que o clube de São Januário terminasse a 32ª rodada com três pontos à frente do clube paulistano. Os placares “reais” fizeram com que o Timão reassumisse a liderança do Brasileiro, pelo critério de número de vitórias.

“Só descobrimos o real placar do jogo do Corinthians no vestiário. Saímos de campo acreditando que o Avaí é quem tinha feito o segundo gol”, informou, em entrevista ao programa Arena SporTv.

O Vasco volta a campo neste domingo, para enfrentar o Santos, na Vila Belmiro. Vice-líder, torce por um tropeço do Timão para voltar à liderança do Brasileirão.

– Listas Indicam a Real Qualidade?

Estamos no final de 2011, e surgem as mais diversas listas: melhores jogadores, melhores treinadores, melhores árbitros (tanto em âmbito nacional quanto internacional).

Mas será que a composição das listas reflete a verdadeira condição?

Um exemplo: hoje, Alemanha, Brasil, Itália e México são a elite da arbitragem mundial, com o maior número de oficiais de arbitragem da FIFA: 20. A França e a Argentina possuem 19; Espanha 18 e, pasmem, a Inglaterra tem 17 (mesmo número que a Polônia e a Áustria!).

Será que a poderosíssima Áustria está no mesmo patamar técnico e de importância do que a Inglaterra? Ou que os árbitros brasileiros são melhores do que os argentinos?

Qual o critério para criação de rankings, vagas e escolhas?

Neymar figura entre os 23 nomes do Bola de Ouro da FIFA. Ok. Deverá ganhar todos os prêmios aqui no Brasil, mas em âmbito internacional, pela forte influência européia, talvez leve mais tempo para erguer troféus. Poderá levar na categoria FIFA U-21 (se é que a premiação ainda existe).

Mas aí vem a dificuldade das listas: se Neymar é unanimidade como craque do Brasileirão, como escolher a revelação do campeonato? Próximo do término do Brasileirão (mais ou menos 1 mês), quem é a surpresa? Difícil dar um nome “na lata”. A safra é fraca.

Refaço a pergunta ao árbitro: quem é o árbitro-revelação? Também é difícil compor a lista. Quem é o melhor do ano? Aí teremos Seneme, Ricci, Roman na sensacional sequência nesta reta final (e olha que só observamos os jogos seguidos da Série A, sem contar os jogos da série B, os quais também vence nos sorteios), entre outros.

Creio que se preocupar em escolher as revelações são tão importantes quanto premiar as realidades. Revelações são promessas, personagens que poderão representar o país no futuro. Se não temos revelações de jogadores e de árbitros, quem nos representará com boa qualidade em breve?

É inevitável: se temos preocupações para daqui praticamente 2 anos, com a Copa de 2014, com dificuldade em repor posições para Kaká e Ronaldinho (com Jadsons e Fernandinhos ostentando a camisa 10), quiçá 2018?

Na arbitragem, por exemplo, quem serão os nomes para a Copa da Rússia? Como aspirantes, temos Célio Amorim, Francisco Carlos do Nascimento, Wagner Reway… estariam eles daqui 6 anos aptos para uma Copa do Mundo?

Por fim: se o Brasil tem hoje 20 oficiais no quadro FIFA, sendo 10 árbitros e 10 bandeiras, fica a curiosidade: Paulo César de Oliveira é o mais antigo da relação, o único desde o ‘século passado’ (1999). E 2014 está logo ali. Mas e a questão sobre a meritocracia: por que ele nunca teve sua chance, nos melhores momentos de sua carreira? Por que repetimos consecutivamente 3 vezes o mesmo árbitro nas Copas do século XXI?

Será que teremos PC em 2018 e 2022?

E para você, quais as revelações deste ano: jogador, treinador e árbitro?

(Encerro com um sábio comentário que ouvi: ‘você acha que com os bilhões que custarão a Copa do Mundo, Ricardo Teixeira está preocupado com a arbitragem do Brasileirão?’)

Deixe seu comentário:

– Árbitro pedir camisa de jogador. Pode?

Claro que não. Por motivos óbvios e exemplo práticos, explico:

Normalmente, as grandes equipes costumam entregar kits aos árbitros. Calma, nada de tentativa de suborno, mas souvenirs, lembranças da sua passagem por aquele estádio. Chaveiros, canetas ou camisas. Brindes, em geral.

Pequenas e médias equipes também fazem isso eventualmente, dependo da condição financeira. Certa vez, em Lençóis Paulista, tanto a equipe de arbitragem e os adversários ganharam cestas de chocolates do patrocinador local, que era o fabricante das guloseimas. Em outra oportunidade, em Americana (a equipe do Rio Branco sempre fazia isso), cortes de tecido (a cidade é conhecida como “tecelã”). Em São Carlos você ganhava toalhas. E por aí vai.

Até esse ponto, do oferecimento ser souvenir, tudo bem. Ou algum árbitro se venderá por uma camisa de clube? Claro que não.

Dar uma lembrança e aceitar/ou não, independente do placar, é até mesmo uma questão educacional.

O problema passa a ser o seguinte: PEDIR.

Vi muitas vezes colegas de arbitragem pedirem camisas. Nunca o fiz, pois sempre achei deselegante, e confesso que nunca tive motivos para pedir também. Ganhei, e confesso também, camisas de todos os grandes clubes de São Paulo, que foram por mim doadas. Sempre as recebi com os demais integrantes e nunca sozinho.

Em algumas situações como quarto árbitro, já passei pela delicada situação de árbitro me pedir para solicitar aos dirigentes camisas. Não o fiz por achar apelativo.

Quando a partida foi disputada sem problemas, se não houve polêmica, se tudo ocorreu bem, se por ventura o árbitro sacar da sua mala uma camisa para ser autografada pelo craque do time à um amigo torcedor, penso que tudo bem (embora não faria isso). Já presenciei isso também.

Algo complicado: árbitros que recebem camisas de brinde e as revendem. Isso também já aconteceu. Faturar em cima da gentileza de alguém. É mercenarismo.

O problema em pedir é a contrapartida da equipe em caso de derrota. Já vi dirigente levando camisas antes do jogo e reclamando ao término da partida: “assalta o time e ainda leva camisa”. Difícil…

A FPF proíbe seus árbitros de receberem qualquer coisa em seus vestiários. Presentes e agrados nem pensar.

A CBF, por sua vez, regulou a proibição de aceite em 2004, após a polêmica do dirigente do Vitória, Paulo Carneiro, ter acusado o árbitro Edilson Soares da Silva (lembram-se dele, o famoso Michael Jackson do apito?) de pedir camisas do Santos, após o término da partida Vitória 1 X 2 Santos.

No último sábado, Francisco Carlos Nascimento supostamente teria pedido a camisa de Neymar no jogo entre Santos 4X1 Atlético Paranaense. Repito: para quem ganha taxas de arbitragem num valor considerável e apita uma grande sequência de jogos, o valor de uma camisa é irrisório… Porém, o valor de estima é de ser “a” camisa do Neymar, a roupa em que ele vestia numa atuação de gala, onde a loja não possui; só quem esteve no espetáculo poderia obtê-la com maior facilidade.

O árbitro negou em entrevista, dizendo que foi Durval quem pediu seu par de cartões como lembrança. Mas mesmo se Chicão tivesse pedido, pelos lances polêmicos, seria indevido. Em outras situações, poderia ser estranho, mas aceitável. Antonio Lopes, treinador adversário do Santos, pediu afastamento sumário do árbitro (em: http://ht.ly/7drX5)

É uma questão de cultura. Mas e você, o que pensa sobre isso? Deixe seu comentário:

Sobre o jogo entre Santos X Atlético Paranaense, você pode ver a análise da arbitragem no site “Pergunte ao Árbitro”( http://pergunteaoarbitro.blog.terra.com.br/2011/10/30/o-lance-de-alan-kardec-de-impedimento-passivo-como-defini-lo-analise-da-arbitragem-de-santos-x-atletico-paranaense/) ou no Blog do Professor Rafael Porcari (http://professorrafaelporcari.blog.terra.com.br/2011/10/30/analise-de-arbitragem-santos-x-atletico-paranaense-brasileirao-2011-29102011-pacaembu/)

– Análise de Arbitragem: Santos X Atlético Paranaense, Brasileirão 2011, 29/10/2011, Pacaembu.

Na partida envolvendo Santos X Atlético Paranaense, realizada, ontem, sábado, lances polêmicos de diversas naturezas.

Erro 1: Logo de início, Neymar disputa uma bola com Cleber Santana e é trancado. Lance normal. Entretanto, o árbitro Francisco Carlos do Nascimento/AL marca infração, e por estar dentro da área, pênalti.

Não havia ninguém atrapalhando sua visão, marcação convicta e bandeira Fábio Pereira/TO corre à linha de fundo. Impressiona a firmeza de um lance tão mal assinalado.

Nem todo tranco é legal. A regra 12 nos lembra que:

Será concedido um tiro livre direto para a equipe adversária se um adversário (…) dar um tranco em um adversário de maneira imprudente, temerária ou com força excessiva”.

Houve algumas das condições infracionais no tranco de Cleber Santana? Não. Ele dá o tranco disputando legalmente a bola, consciente, sem imprudência (não levando certo perigo por descuido), nem temerária (sem querer lesionar o jogador por risco), muito menos com força excessiva (sem usar força desproporcional que certamente o machucaria).

Assim, interpretou com total equívoco o lance. Começou a perder o jogo ali. Tanto que Antonio Lopes, experiente treinador atleticano, reclamou a partida inteira e nada fez para coibir isso.

Erro 2: Aos 42m, uma jogada bacana para se explicar aos jovens árbitros e curiosos. A bola é lançada, Alan Kardec está em posição de impedimento e resolve nem tentar dominá-la, mostrando que está consciente de que está na posição citada. A bola sobra para Neymar, que em posição legal faz o gol. Muitas reclamações dos paranaenses, e, para surpresa geral, o árbitro volta atrás e marca impedimento!

Para quem não viu o lance, em: http://globoesporte.globo.com/temporeal/futebol/29-10-2011/santos-atletico-pr/#topolances

Para se marcar um impedimento, há 3 condições necessárias para o árbitro e o árbitro assistente analisarem no lance. São elas (impostas pela Regra 11 – Impedimento –  aqui resumidamente):

O jogador estará impedido se estiver mais próximo da linha de fundo do que a bola exceto se tiver 2 ou mais atletas entre eles ou em mesma linha- não valendo impedimento para lances de escanteio, arremesso lateral ou tiro de meta (quando lançada por companheiro)”.

Ele estará em impedimento ativo quando:

1-    Interferir ativamente no lance, tocando-a;

2-    Interferir contra um adversário;

3-    Interferir por tirar proveito da sua posição.”

Alan Kardec não toca a bola no lance; nem atrapalha um adversário tentando dominá-la; muito menos interfere no jogo pela sua posição, já que abdica da jogada. Por quê foi marcado o impedimento então?

Novo grave equívoco. Vendo a imagem, chego a pensar se houve algum toque em Alan Kardec para tal decisão. Mas o que me deixa com a pulga atrás da orelha é: o que motivou tal decisão (a de voltar atrás), após dois minutos ou mais? Tanto o bandeira e o árbitro haviam dado o gol.

Erro 3: aos 54 minutos, Cleber Santana e Edu Dracena disputam um lance pelo alto. Ambos com o braço aberto. Dracena pula com o braço sobre Cleber, que aparentemente empurra Dracena. O árbitro (mal posicionado, revejam o lance, ele não tinha visão aberta da jogada, não estava paralelo aos atletas, uma espécie de “lado cego” para verificar os braços) dá pênalti. Nesse lance, respeito, mas não marcaria nada. Já imaginaram tal lance numa Libertadores da América? Seguiria normalmente. Percebo que Francisco entendeu que Cleber foi faltoso e entendeu empurrão. Se foi empurrão, deveria dar então falta de ataque pelo braço do Dracena, para mostrar coerência de critério. Esse erro é mais aceitável do que os demais.

Agora, o 4º erro: se ele entendeu que foi pênalti, deveria ter dado cartão amarelo, pela posição de Dracena, que teria o cabeceio evitado. Não o fez. Já no primeiro pênalti, marcado equivocadamente, ele deu amarelo!

O 5º erro grave (perceberam que não citamos erros bobos, como faltas invertidas ou cartões indevidamente aplicados ou não) foi o pedido de troca de camisas. Ora, com tanta coisa no jogo, por quê arranjar tal constrangimento? Pedir a camisa para o filho? Ora, compre uma, afinal, a taxa é boa e a sequência de escalas também. Importante: Neymar, que se comportou adequadamente na partida, mostrou amadurecimento como atleta, não foi pivô de polêmicas negativas e jogou muita bola. Assim, imaginaram que alguém poderia levantar a dúvida: “deu o primeiro pênalti para lhe pedir a camisa?” Vexatório tal ato e imoral.

Uma ressalva: fico preocupado com a “necessidade” da CA-CBF em abranger todo o país com as escalas. Nada contra a origem nordestina do árbitro e nortista do assistente, mas sim com a meritocracia.

Reflita: o bandeira 2 era de Tocantins; o árbitro de Alagoas, o bandeira 1 de Sergipe, o 4º árbitro de Mato Grosso do Sul. Teriam eles experiência suficiente para tal jogo? Estariam entrosados?

– Pênalti mal marcado entra sim!

E a polêmica do jogo Santos X Atlético Paranaense? (Leia a análise da arbitragem aqui: http://is.gd/1UsZ41).

Quem disse que pênalti mal marcado não entra? Entra sim. Ontem, foi prova disso…

– Comentários sobre Emerson Leão, Vasco da Gama X Estrela da Ponte e São Cristóvão X São Paulo

Rápidos pitacos da Rodada da Sulamericana de ontem:

O Vasco da Gama ganhou ontem do boliviano Aurora, por 8 X 3. Tudo bem que jogou com 1 atleta a mais boa parte do jogo, mas o time de Cochabamba é sofrível. Não dá para imaginar como os cariocas perderam no jogo de ida. Respeitosamente, se o time da Bolívia jogasse o Campeonato Amador de Jundiaí, apanharia do Vila Marlene, do Engordadouro, do União da Vila e do Palmeirinha do Medeiros. Certamente, o Estrelinha da Ponte São João, com 3 X 1 a favor, não perderia de 8 do Vasco.

Justiça seja feita: na década de 90, com o time cruz-maltino sendo comandado por Eurico Miranda e Antonio Lopes, a imagem do Vasco se tornou sinônimo de antipatia. A gestão do Roberto Dinamite, associada a finess do educadíssimo (e competente) Ricardo Gomes, trouxe uma simpatia muito grande à agremiação. Será que o Vascão vai levar, além da Copa do Brasil, o Brasileirão e a Sulamericana?

E o São Paulo? Perdeu para o Libertad, time que na década de 20 era grande, sucumbiu ao marasmo e com o seu patrono Nicolas Leós, presidente da Conmebol, retomou ao sucesso. A história do clube retoma a do São Cristóvão, do RJ. Mas impulsionado por política… capacitou-se para ganhar também na bola.

Sempre disse, enquanto árbitro: os cartões mais fáceis de se aplicar são de atacantes que voltam à defesa para marcar. Atacante tem que jogar do meio pra frente, recebendo falta, e não fazendo! Lucas e Luís Fabiano, no começo do jogo, fizeram bobas faltas quando estavam no campo de defesa. Aliás, que ironia: Luís Fabiano deu vantagem ao São Paulo no jogo de ida, e tirou a mesma vantagem no jogo de volta, cometendo infantil pênalti. E deveria receber Cartão Amarelo, não pela falta, mas pela excessiva reclamação. Rogério Ceni catimbou, reclamou, mas não adiantou.

Tudo bem que os bandeiras foram mal em lances de impediemnto e supostamente prejudicaram o São Paulo. Mas não dá para culpá-los pela desclassificação. Faltou bola no Morumbi e em Assunção.

Aliás… Juan reclamando que foi chamado de macaco pelo árbitro? Mico-leão-branco? Sem ser politicamente incorreto, mas perceberam que sempre há um culpado ou um motivo para a derrota? O lateral sãopaulino está em péssima fase e ainda vai sustentar a tese do racismo? Tenha dó…

Hoje, dizem que a Sulamericana não vale nada. Ué, mas e a vaga à Libertadores? Daqui a 20 anos, será que os campeões da Sulamericana omitirão do seu curriculum de conquistas tal título? Claro que não. Só não vale para quem perde.

Por fim: histórias de Leão, novo treinador tricolor. Trabalhei em jogos dele em partidas dos 4 grandes paulistas. E ele sempre me impressionou nos confrontos que estive: pela inteligência, pelo estudo, pela arrogância e pelo desprezo.

Quando era ainda principiante, me lembro que havia um temor sobre Leão. Diziam que ele era muito forte na FPF, pois era sócio do então presidente, Eduardo José Farah. Correção: não do Farah, mas de sua esposa, Josefina Farah, em negócios de gado.

Se era ou não, ou certo que ele sempre foi temido pelos árbitros, até mesmo pela sua forte personalidade.

Me recordo dele na Vila Belmiro, com o emergente time de Diego & Robinho. O jovem camisa 10 caia quase tanto quanto Neymar faz hoje, e a cada queda não marcada, Leão urrava! Ía ao limite com o time, e talvez por isso foi campeão brasileiro na época.

No Palmeiras, me lembro de um clássico Portuguesa X Palmeiras, no Canindé. O árbitro era PC de Oliveira, e quando fui ao vestiário palestrino, Leão de cara já disse que “não queria perseguição contra ele, que hoje ele estava de mau humor e que não era para encher o saco”. Pressãozinha pré-jogo, normal (Leão sempre se sentiu ‘prejudicado’ pelo Paulo César). Embora, verdade seja dita, o treinador estivesse com a cabeça a prêmio, caso perdesse aquela partida. Durante o jogo, PC simplesmente ignorou Leão. Havia 9 palmeirenses para cada torcedor luso. Aí saiu o gol da Portuguesa, do angolano Johson. Metade do estádio gritava “Fora Leão, fora Leão”. Na sequência, gol do Palmeiras. A outra metade gritou: “Leão, Leão”. Amado e odiado…

No São Paulo, em duas oportunidades seguidas, o treinador me questionou sobre como usar a Regra do Jogo a seu favor. Ele estudava o adversário e queria o minar usando de detalhes da regra. Poucas vezes vi isso. Mas na mesma proporção da astúcia, vinha o desrespeito. Contrariado, perdia a noção da boa educação. Uma pena.

Boa sorte a ele. Espero que o período sabático de resguardo que passou tenha trazido mais equilíbrio emocional.

– Dia de Comemoração: Em 1863, nascia o Futebol Moderno. Você mudaria algo hoje?

Em 26 de outubro de 1863, findava em Londres uma vitoriosa campanha encabeçada por universitários e pelo jornalista John Cartwright: a da padronização das diversas práticas de ‘football’.

Como o esporte era jogado sob a orientação dos diversos colégios e associações esportivas, não havia regra única para o futebol. Há exatos 148 anos, na Freemason’s Tavern, dessa união de esforços nasceu a “The Football Association” (a F.A. é a ‘CBF inglesa’), que visava, como mote maior, divulgar um único conjunto de medidas para que o jogo de futebol fosse disputado uniformemente em toda a Grã-Bretanha.

Nascia assim o livro The Simplest Play, que nada mais eram as Regras do Jogo de Futebol, com 14 regras.

Curiosidades (11 itens, já que em 1870 passou a ser jogado com esse número de atletas definido pela regra 3):

1) As traves (Regra 1) eram compostas apenas por postes; o travessão só surgiu 2 anos mais tarde, tamanha era a confusão para se determinar se os chutes muito altos tinham sido gol ou não;

2) Infrações (Regra 12) eram resumidas como: ‘são proibidas rasteiras, caneladas e cotoveladas, bem como golpear ou segurar a bola com a mão’;

3) Não existia a figura do árbitro (Regra 5), que só surgiu em 1868, e ficava sentado numa cadeira, na sombra, servindo para tirar as dúvidas dos capitães das equipes (que eram as pessoas que decidiam se havia alguma falta ou não em comum acordo). Somente em 1878 é que surgiu o apito, mas ainda não servia para marcar faltas, mas para avisar sobre o começo e término dos jogos. Em 1881, enfim o árbitro entra em campo, decide sofre infrações sem a consulta de capitães e passa a fazer parte da regra.

4) O tempo de jogo (Regra 7) é definido em 90 minutos (1893), com intervalo e sem acréscimos. Deu o tempo, encerra a partida imediatamente, quer a bola esteja no ataque ou não.

5) O pênalti (Regra 14) surge em 1891. Até então, nas faltas próximas ao gol, os jogadores se aglomeravam em cima da linha de meta e formavam uma barreira.

6) Diversas infrações poderiam deixar de serem marcadas, caso a equipe que sofresse a falta achasse que não importava a marcação. Ou seja, nascia em 1903 a “lei da vantagem” (não era o árbitro quem determinava se seguia ou não o lance).

7) O goleiro podia segurar a bola com a mão por toda a sua metade do campo. Em 1907, radicalizou-se e o arqueiro só podia colocar as mãos dentro da grande área. Mas somente em 1921 alguém teve a idéia de que eles deveriam usar roupas diferentes dos jogadores de linha, para não confundir as pessoas.

8) Preocupada com a saúde dos atletas, decidiu-se em 1924 que, se o árbitro considerasse que um jogador estivesse contundido, deveria parar o jogo para que ele fosse atendido. Antes, o lesionado deveria se arranjar sozinho para deixar o campo, e o jogo não deveria ser interrompido.

9) Uma revolução acontece em 1925: o impedimento (Regra 11) passou a exigir que ao menos 2 atletas (antes, eram 3) estivessem dando condição para que o jogo prosseguisse.

10) Em 1938, numa ‘reengenharia’ esportiva, definiu-se as 17 regras do futebol que persistem até hoje, com algumas alterações ao longo do século.

11) Somente em 1970 permitiu-se substituições de atletas universalmente (Regra 3). Antes (desde 1966), eram permitidas somente em partidas que envolvessem clubes. Também temos a adoção dos cartões amarelos ou vermelhos (Regra 12).

É claro que ao longo do século XX outras tantas modificações surgiram, como o tempo de 6 segundos da posse do goleiro com a bola nas mãos, mesma linha deixar de ser impedimento, 3ª substituição, acréscimos na partida, área técnica, entre outras.

Importante – Nesta semana, o grupo criado pela FIFA chamado “FIFA TASK FORCE 2014”, uma espécie de força tarefa da entidade, formado por personalidades do futebol e em especial pessoas ligadas à chamada “família FIFA”, estarão discutindo propostas inovadoras para a Copa do Mundo do Brasil.

Entre elas,

1) proposta de tornar mais clara a Regra 11 (impedimento), sugerida por Beckenbauer, tornando mais objetiva a questão do que é impedimento passivo e impedimento ativo;

2) uso da tecnologia em favor do árbitro, sugerida por Sunil Gulati, da Federação de Futebol dos EUA;

3) regulação e diminuição do uso do cartão vermelho (somente em situações gravíssimas no meio de campo – como agressão- ou em pênaltis que impediriam gols), sugerida pelo ex-jogador Lupescu (representando os atletas da UEFA);

4) cobrança de arremessos laterais com os pés, sugerida por Pelé.

E você, teria alguma sugestão para mudanças de Regra do Futebol, no dia do seu aniversário de 148 anos? Deixe seu comentário:

– Quem tem Razão: Ronaldo ou Luxemburgo?

Após a partida contra o Santos no último domingo, Wanderley Luxemburgo esquivou-se de algumas perguntas sobre a arbitragem, mas foi enfático numa das respostas:

O problema é que a arbitragem está protegendo demais Neymar; caiu é falta”.

Na última segunda-feira, Ronaldo comentou sobre o craque santista:

O problema é que os árbitros precisam proteger mais o Neymar; eu apanhei muito que nem ele”.

E aí quem tem razão? Luxemburgo ou Ronaldo? Deixe seu comentário:

– Análise da Arbitragem de Internacional X Corinthians. Foi bem o árbitro?

Evandro Rogério Roman, árbitro do jogo no Beira Rio nesta tarde, fez uma das melhores (senão a melhor) arbitragem de todo o Brasileirão.

 

Seguro, vindo de inúmeras escalas consecutivas, mostrou que está com ótimo ritmo de jogo. Se posicionou excepcionalmente bem durante a partida, correu bastante, e, principalmente, transmitiu segurança aos atletas.

 

A equipe gaúcha começou muito nervosa, reclamando a todo instante dos lances de falta. A discordância das marcações foi nitidamente para pressioná-lo, pois acertou em quase tudo.

 

Nos lances de bola na mão (foram 3), acertou em todas as marcações ao não dar infração. Acertou no cartão amarelo para o argentino D’Alessandro no primeiro tempo, visto que suas reclamações eram fora do contexto. No final da partida, fez uma evitável falta em Alex e levou, com justiça o segundo amarelo e consequentemente a expulsão.

 

Quanto a expulsão do corinthiano Alessandro, é fácil analisar: Carrinho por cima, nas pernas, com força excessiva. Quer ficar em campo? O que me chama a atenção é que Alessandro já deve ter sido expulso duas ou três vezes nesse ano por lances idênticos. Não aprendeu ainda? O mais preocupante é que, se os atletas atingidos nesses jogos estivessem com o pé preso no chão, as pernas deles poderiam estar quebradas.

 

Bom trabalho ao Evandro no restante do campeonato. Fez péssimas partidas no pouco que apitou no ano, teve um 2010 para ser esquecido, reprovou no teste físico e nas últimas 3 partidas vem indo bem. A sorte virou?

Para encerrar: e o lance bisonho do bandeira? Se Roman foi bem, o assistente…

– A FPF e a Reinscrição de seus Árbitros

A FPF liberou a relação de documentos e de procedimentos para os árbitros que pertencem ao quadro atual, a fim de que permaneçam trabalhando para a entidade em 2012.

Como todo ano, para os árbitros que já apitaram ou bandeiraram pela casa, tem que ocorrer a aprovação nos testes físicos e escritos, além de exames cardiológicos e oftalmológicos.

Até aí tudo bem.

Mas outros documentos exigidos são curiosos: as certidões negativas do Serasa e do SPC, além das declarações cível e criminal de que na Justiça nada consta. Não questiono; a justificativa é que árbitro endividado e sofrendo processo não estaria apto para apitar.

Ok, entendo tal situação. Mas se exigisse tais documentos aos dirigentes envolvidos… aí sim teríamos a perfeição no relacionamento.

Porém, é nos seguintes itens que a coisa pega:

A exigência de declaração de próprio punho de que o árbitro é um prestador de serviço autônomo, sem vínculo algum com a Federação Paulista de Futebol, recebendo as taxas dos clubes filiados à FPF, CBF, Conmebol e FIFA. E, claro, com a assinatura de dois árbitros do quadro atual como testemunhas. Um modelo dela pode ser encontrado no próprio site da FPF

(aqui, o último modelo que tiver que redigir, enquanto árbitro: http://futebolpaulista.com.br/arquivos/CartaModelo2009.pdf ).

Perceba que as taxas são pagas via Cooperativa dos Árbitros PELOS CLUBES. Mas , na verdade, o depósito é feito pela FPF… Sensacional, né?

Em suma: se você não for cooperado, não há como receber as taxas. A Cooperativa de Árbitros não é administrada nos cargos executivos pelos árbitros propriamente ditos, mas por ex-árbitros (através de eleição dos cooperados). Hoje, tem como seu presidente Silas Santana, Ouvidor da própria FPF, e o tesoureiro Arthur Alves Júnior, também funcionário da FPF (trabalha na Comissão de Árbitros).

Alguém tem dúvida que tal exigência é uma forma da FPF não se responsabilizar pelos árbitros? Tira-se toda a responsabilidade de pagamento de FGTS, INSS, ou qualquer vínculo empregatício. 

No final de 2008, Marco Polo Del Nero baixou uma resolução que OBRIGAVA os árbitros a se filiarem à Cooperativa e ao Sindicato (pagando taxas em dobro!). O documento era o de número 27/08. Porém, após a matéria-denúncia da Folha de São Paulo, Ed 22/01/2009, por Ricardo Perrone e Gustavo Alves, a resolução caiu.

Na matéria, há a afirmação do presidente da CEAF-SP, Coronel Marcos Marinho, que tais medidas eram permitidas, já que a FPF tem o direito de se resguardar (a velha história de que é uma entidade de direito privado…)

Hoje, o que mudou é que os árbitros não precisam mais ser sindicalizados. Entretanto, curiosamente, o Sindicato é presidido por Arthur Alves Júnior, vinculado à Cooperativa dos Árbitros e membro da Comissão de Árbitros da FPF.

E aí fica a questão: por quanto tempo os árbitros terão que aceitar a promiscuidade de tal situaçãoa da afirmação do amadorismo e de abrir mão dos direitos trabalhistas para continuar apitando?

Assim como eu também passei por tal constrangedora situação, 100% dos árbitros que lá estão também terão que aceitar. Quem discordar, está fora.

Tudo isso não aconteceria se tivéssemos Sindicato ou Cooperativa realmente forte e independente para defender a categoria. Sozinho, o árbitro não tem como fazer oposição ou manifestar sua insatisfação.

Já imaginaram um movimento com os principais árbitros da categoria (os nomes fortes, conhecidos e necessários para os campeonatos) pedindo profissionalização e independência já?

Utopia. Eles também seriam retirados dos seus jogos de destaque. E assim a arbitragem segue no Brasil, sem defesa, ao Deus-dará, desunida e, sobretudo, amedrontada pelo sistema.

Quem quiser acessar a matéria citada da Folha de São Paulo, abaixo:

FPF É ACUSADA NO MINISTÉRIO PÚBLICO

Para árbitros, federação fere Constituição ao obrigá-los a se filiar a sindicato e a cooperativa; outra queixa é a de pagamentos defasados

POR GUSTAVO ALVES (COLABORAÇÃO PARA A FOLHA) e RICARDO PERRONE 

O Paulista-2009 começou em meio a uma silenciosa crise entre Federação Paulista de Futebol e árbitros. Os juízes reclamam de que a entidade fere a constituição ao obrigá-los a se filiar a uma cooperativa e a um sindicato para atuarem.

Com medo de sofrerem retaliações, eles não falam publicamente sobre o assunto, mas uma denúncia anônima já foi feita ao Ministério Público do Trabalho de São Paulo.

Os árbitros se baseiam no artigo 5º da Constituição, que determina que ninguém poderá ser compelido a associar-se ou a permanecer associado a um sindicato ou entidade.

A principal queixa é a de que os juízes gastam mais, pois pagam taxas ao Safesp (Sindicato dos Árbitros de Futebol de SP) e à Coafesp (Cooperativa dos Árbitros de SP). A cooperativa ainda fica com 5% do que o árbitro recebe por partida.

“A federação colocou essa condição para o árbitro poder apitar. E ela tem esse direito. Mas não obrigamos ninguém a nada”, afirma o presidente da Comissão de Arbitragem da FPF, Marcos Marinho.

Marcílio Krieger, especialista em direito esportivo ouvido pela Folha, diz que “obrigar os árbitros à filiação é ilegal e inconstitucional”. A anuidade do sindicato é de R$ 220, pagos em até duas parcelas. É cobrada ainda taxa de readmissão no início do ano no valor de R$ 75.

Já para a cooperativa a contribuição é de R$ 20 mensais, mais R$ 80 por ano.

Até julho de 2008 só existia o sindicato, que cuidava dos pagamentos aos árbitros. Mas foi criada a Coafesp, presidida por Silas Santana, ouvidor da FPF para a arbitragem.

Ele conta no site da cooperativa que Marco Polo Del Nero, presidente da federação, sugeriu a criação da Coafesp como “conquista na busca da excelência na prestação de serviço de arbitragem de futebol”.

Na ocasião, a Comissão de Arbitragem da FPF estava em rota de colisão com Sérgio Corrêa da Silva, presidente da comissão nacional. Muitos juízes se desfiliaram do sindicato.

Com a nova entidade, o dinheiro (5%) que era descontado do pagamento dos juízes e era repassado ao sindicato passou a ir para a cooperativa.

Em julho, Del Nero assinou a resolução 27/08 determinando que “o árbitro que não for sócio da Coafesp e não for filiado ao Safesp estará impossibilitado de trabalhar no ano seguinte”.

A FPF mantém em seu site lista com as resoluções, mas a que obriga a dupla filiação não está mais lá. “Não há necessidade de ficar na lista porque está no regulamento geral das competições”, diz Marinho.

Os juízes também reclamam do congelamento no valor das taxas pagas a eles.

Conforme tabela da cooperativa, árbitros Fifa ganham R$ 2.200 por jogo no Paulista. Os demais recebem R$ 1.700.

As taxas reduzem conforme a divisão do torneio. Quem mais critica são os que apitam fora da elite. É para eles que a filiação dobrada pesa mais.

ENTIDADE CRIA MEDIDA CONTRA AÇÃO TRABALHISTA

Na lista de documentos exigida pela Federação Paulista de Futebol para a readmissão em 2009, consta que deve ser entregue também uma declaração, feita de próprio punho pelo árbitro, relatando que são remunerados pelos clubes, sem vínculo com a federação.

“É uma medida para nos resguardar”, afirma o presidente da Comissão de Arbitragem da FPF, Marcos Marinho. “Tivemos muitos problemas no passado com árbitros que assinavam uma declaração semelhante à essa, só que feita no computador. Eles entravam na justiça do trabalho, diziam que tinham vínculo empregatício com a FPF e que assinaram o documento sem conhecer o conteúdo”, explicou Marinho.

A medida, porém, fere o Estatuto do Torcedor, que traz no Artigo 30, parágrafo único, a informação que “a remuneração do trio de arbitragem é de responsabilidade da entidade de administraçãodo desporto ou da liga organizadora do evento”. Para Marcílio Krieger, advogado especialista em direito esportivo, a exigência do documento pela FPF já indica o vínculo com o árbitro.Em juízo, o documento pode ser anulado, pois demostra pressão da Federação sobre os árbitros“, disse Krieger.

– Simon e o Cartão Vermelho contra a Corrupção

A partir da próxima 5ª, o Ministério Público do Rio Grande do Sul estará promovendo um simpósio de incentivo ao combate à corrupção. Muitos serão os palestrantes, e um deles me chamou a atenção: Carlos Eugênio Simon, ex-árbitro de futebol com participação em 3 Copas do Mundo participará do evento; agora, como Coordenador Executivo do Comitê Gaúcho Gestor da Copa do Mundo FIFA 2014. Sua intervenção ocorrerá no painel “CORRUPÇÃO: o que o ESPORTE tem a ver com isso?”.

Assunto difícil: em tempos em que o Ministro do Esporte está em situação delicadíssima, e num momento em que assuntos financeiros da Copa do Mundo não nos trazem bom presságio, desejo boa sorte!

Há pouco, em seu twitter, Simon disse que para a campanha ao combate à corrupção (envolvendo todos os setores da sociedade), sua imagem será usada com o tema: “Cartão Vermelho para a Corrupção”.

– Tanto na Europa como na Sulamérica, árbitros erram…

Assisti a Napoli 1 x1 Bayern, com um árbitro português cujo nome não me recordo.

Que lambança!

O zagueiro napolitano Canavarro pula de costas em um lance, e a bola bate na mão dele (e ele está completamente virado para trás, sem intenção nenhuma, deveria mandar seguir o jogo). Típica jogada de bola na mão e não mão na bola. Mas juizão marcou o tiro penal mesmo assim.

Após muita reclamação, o time alemão cobrou, goleiro se adiantou 2 metros (e defendeu o pênalti) e zagueiro da casa invadiu a área na mesma distância. Dupla infração do Napoli, deveria voltar a cobrança.

Voltou?

Que nada. Deveria estar com a consciência pesada. Foi lance nítido. Acho que o próprio árbitro deve ter torcido para errar o chute.

Certamente, ao ver na TV, nosso colega de Portugal vai se arrepender da marcação do lance

Por mais que queiramos enaltecer a Europa, nossos árbitros têm a mesma qualidade dos de lá. Ou somos melhores ainda, pois aqui é muito mais difícil apitar.

– Chororô Preventivo ou Alerta Pertinente?

Tite, treinador do Corinthians, foi expulso na última rodada após reclamar (justamente) de um pênalti mal marcado. E pediu “atenção à arbitragem nas últimas rodadas”.

Wanderley Luxemburgo, também na última rodada, reclamou da arbitragem após a expulsão (correta) de Ronaldinho Gaúcho, alegando que falta à arbitragem “bom senso para certas decisões”.

Ambos venceram suas partidas, e ambos reclamaram.

E para você: nesta reta final do Campeonato Brasileiro, os treinadores estão superdimensionando a questão da arbitragem, com alertas importantes à questão, ou é apenas chiadeira preventiva?

– Análise da Arbitragem do Trio de Ferro na Última Rodada do Brasileirão

Vamos começar pela partida Palmeiras X Fluminense, apitada pelo aspirante à FIFA de Alagoas, Francisco Carlos Nascimento.

“Chicão”, como é conhecido, tem ótima estatura, boa postura, velocidade excepcional, mas… tecnicamente, precisa evoluir. Dias atrás, fez uma das maiores lambanças do ano na partida Atlético Mineiro X Ceará. Mas sempre está escalado, sua bolinha é incrível.

Ontem, observei que, quando tem dúvidas, prefere marcar a falta. Deco, por exemplo, divide uma bola e cai. Não foi nada, mas ele deu falta. Outro lance idêntico em dúvida com Fred. E assim vai.

O lance capital foi o pênalti de Martinuccio em Luan. Não foi nada, o palmeirense cavou e ele entrou.

Muitos sites de arbitragem crêem que Chicão de Alagoas é o ‘bola da vez’ para integrar o quadro da FIFA, devido a necessidade de dar um escudo politicamente ao Nordeste. Acredito neles. Entretanto, nada contra o Nordeste mas tudo a favor da competência. Se os 10 melhores árbitros brasileiros forem do Maranhão, que assim seja. Se metade for paulista e metade gaúcha, ok. O que não pode é fazer política. Chicão precisa comer muito arroz e feijão para ser comparado tecnicamente à Seneme ou Paulo César de Oliveira, entre outros.

Agora, Atlético Goianiense X São Paulo, apitada pelo FIFA Sandro Meira Ricci-DF.

Boa atuação no jogo em geral, exceto em um único lance: o pênalti de Xandão por suposta mão na bola (já descarto a polêmica do gol anulado por impedimento, pois o lance é dificílimo, só com TV e olha lá, depois de vários replays).

Xandão, zagueiro sãopaulino, todo estabanado, tenta desviar da bola e se atrapalha com o movimento do próprio corpo, batendo a mão na bola de cima para baixo. Claramente não quis tocá-la para dominá-la, ele abaixou a mão errando o tempo da bola para que ela não batesse nela, e acabou virando um tapa na própria bola.

Alguém poderia questionar: mas não é imprudência do jogador? E imprudência não é pênalti?

Sim, é imprudência, mas nos lances de mão se avalia exclusivamente INTENÇÃO. Lance bisonho, mas não é pênalti.

Chegamos ao mais polêmico: Cruzeiro X Corinthians, apitado pelo aspirante da FIFA, Pablo dos Santos Alves, carioca mas locado na federação capixaba.

Uma observação é importante: mesmo já tendo jogado neste ano contra o Corinthians, o Cruzeiro insiste em relembrar todo jogo como revanche, devido as reclamações de 2010. Bobagem eternizar tal pendenga, o time entra pilhado e nervoso à toa, atrapalhando seu futebol.

Ontem, na Arena do Jacaré, muitas faltas bobas. E, cauteloso, Pablo preferiu o excesso de prudência e amarrou o jogo apitando tudo: das faltas reais, fortes ou leves, passando pelas cavadas e pelas simulações. Entrou no clima das equipes, que preferiam a forte marcação e o jogo picado.

No lance mais significativo, errou ao marcar pênalti ao Cruzeiro, em jogada que envolveu Edenilson e Élber. Ali foi disputa leal, não faltosa. Apesar da bola não entrar, sobrou para Tite, que pressionando o árbitro com suas reclamações pelo lance, acabou expulso. Vale registrar: Tite não foi expulso por xingamentos, mas por contrariar insistentemente a marcação do árbitro. Ok, Tite tinha razão, mas não pode se comportar dessa forma no banco. Imagine se o treinador fosse o Luxemburgo? Aliás, como Luxa está judiando da arbitragem nesse Brasileirão…

No final da partida, Wellington Paulista poderia ter evitado o pisão no goleiro Júlio César. Para mim, houve intenção, maldade e deveria ser expulso. Errou o árbitro.

Nos 3 jogos do trio de ferro, 3 pênaltis mal marcados. Entretanto, a arbitragem não foi decisiva nas 3 partidas.

A cada rodada, vão sobrando menos árbitros para as escalas. Isso é ruim…

– Árbitro pode Processar por Calúnia? Aplausos para Simon e Vaias para Ricci…

Para quem gosta de superstição e polêmica, a próxima rodada deste Brasileirão será a ideal!

Palmeiras X Fluminense e Cruzeiro X Corinthians jogarão no domingo. Não dá para não lembrar de Fluminense X Palmeiras (2009) e Corinthians X Cruzeiro (2010). 

Em 2009, no Maracanã, Simon apitou FLU X PAL, e a equipe paulista chiou, reclamou do lance polêmico que envolveu Obina, e Luís Gonzaga Beluzzo, presidente na época, chamou Carlos Eugênio Simon de “safado, ladrão”, além de ameaçá-lo em entrevista de agressão.

Simon estava prestes a embarcar ao Mundial de Clubes da FIFA 2009 e escolhido para o Mundial de Seleções 2010. Curiosamente, Toninho Cecílio, diretor da equipe, rasgou elogios pré-jogo, falando sobre as virtudes de Simon e a confiança numa boa arbitragem.

Simon, corretamente, processou o dirigente palmeirense.

Em 2010, no Pacaembu, um pênalti polêmico sobre Ronaldo foi determinante para que Sandro Meira Ricci fosse escolhido como o culpado pelo resultado negativo do Cruzeiro. Lance que primeiramente poderia ser duvidoso, mas que pela exaustão na TV se percebia o acerto do árbitro e infantilidade do zagueiro, mas que não foi considerado por Zezé Perrela.

O presidente cruzeirense usou um leque grande de adjetivos pejorativos ao árbitro e para Sérgio Correa da Silva, presidente da CA-CBF. Para todos ouvirem, disse que havia esquema de manipulação e favorecimento ao Corinthians, ligando isso a Ricci e a Sérgio Correa.

Ricci, infelizmente, deixou barato. Correa não se manifestou. 

Aí fica a questão: Me lembro de Cláudio Vinícius Cerdeira processando Luxemburgo pelos irresponsáveis chororôs e infundadas reclamações. Exemplar. Simon também agiu. Fizeram com que os envolvidos provassem o que disseram, e como não era possível, tiveram que assumir a responsabilidade das falsas acusações.

Por quê os caluniados do jogo do Pacaembu aceitaram tudo passivamente?

Como é que alguém que é ofendido, estando certo, não reage? Princípio cristão à flor da pele em oferecer a outra face, tão defendido por São Francisco de Assis? Medo de represálias? Preocupação em perder escalas? Indisposição em entrar em relacionamentos políticos?

Enfim… qual a causa? Espero (e creio) que não seja a questão de “quem cala, consente”. 

Boa sorte aos árbitros na próxima escala. 

Quase esqueci: Ceará X Flamengo jogarão no Presidente Vargas. Há três rodadas, a equipe cearense reclamou da péssima arbitragem de Francisco Carlos do Nascimento, questionando pênalti contra sua equipe e as expulsões de 2 jogadores. E não é que na penúltima rodada, em casa, o Ceará viu seu adversário ter também 2 adversários expulsos e ainda assim não ganhou?

Para os dirigentes cearenses, sua equipe é a mais prejudicada do torneio. Já o Flamengo, pelos erros na última rodada, é aclamado pelos seus adversários como o mais beneficiado. Todo mundo tem uma certa razão… Qualquer erro certamente terá repercussão…

– Ética e Moral do Árbitro, publicação no “Voz do Apito”

Compartilho com os amigos a minha coluna no site “Voz do Apito”: a Ética e a Moral do Árbitro de Futebol, em: http://www.vozdoapito.com.br/coluna_porcari.php

Assunto pertinente em nossos dias… Visite e prestigie!

– Atlético Mineiro X Santos: Análise da Arbitragem e Detalhes sobre o Comportamento de Neymar

Partida quente em Sete Lagoas na noite de ontem. Arbitragem ruim, comportamento ruim de jogadores e lições de desportividade e/ou falta da mesma.

Nesse campeonato de pontos perdidos (pois, afinal, algumas equipes estão empacadas na classificação), Atlético Mineiro e Santos fizeram uma partida com inúmeras faltas chamadas de “anti-jogo”: aquelas que servem única e exclusivamente para parar a partida. Somada a uma arbitragem conivente, a confusão era esperada.

A partida estava 1×0 para o Atlético, quando o Santos desceu para o ataque. Bola cruzada da lateral para a grande área, e o árbitro paralisa a jogada. Ninguém entendeu. Borges, atacante santista, corria para pequena área disputando o espaço com Leonardo Silva, que segurou sua camisa. A bola não estava ainda em disputa, estava sendo cruzada. Ao sentir a mão na camisa, Borges se atira. Não houve puxão com força suficiente para derrubá-lo, mas espertamente o atacante procura cavar o pênalti e o juizão entra. Errou, não foi pênalti. Os próprios jogadores do Santos não haviam entendido de pronto o que o árbitro havia marcado.

No final do jogo, com a partida já empatada, Rever se aventura no ataque, a bola vem cruzada um pouco mais alta do que a ideal para o cabeceio, santistas Crystian e Henrique se esforçam o máximo para alcançá-la, saltando junto com Rever. Ambos caem por desequilíbrio de tentar pular mais do que conseguem. Ninguém empurra ou puxa ninguém. Lance normal. E não é que o árbitro Wilton Pereira Sampaio marca pênalti? Difícil saber prontamente se ele deu infração de Henrique ou de Crystian, pois tudo correu limpamente. Ao sacar o cartão para Crystian, que já tinha Amarelo, teve que expulsá-lo. Um erro com prejuízo duplo ao Santos: pênalti que não foi (resultando em gol) e expulsão de atleta que nada fez.

Ainda no final da partida, Neymar sofre falta e nitidamente pede cartão amarelo ao adversário. Árbitro não dá e não deveria, naquele lance específico, amarelar o atleticano. Pela insistência nas reclamações, dá o cartão amarelo ao próprio Neymar, que reage com aplausos irônicos. Incontinente, o árbitro o expulsa.

Cartão manjado, infantil e, infelizmente, que tem sido comum nas últimas rodadas. Vimos tal lance por parte de Cleber Santana sobre Marcelo de Lima Henrique, Emerson Sheik sobre Evandro Rogério Roman e agora Neymar sobre Wilton Sampaio. Jogador não sabe que vai ser punido? Não viu tal lance em outros jogos? Não é orientado a se controlar?

Sobre Neymar na partida de ontem, alguns pontos devem ser observados: o jogador sofreu um claro rodízio de faltas, não coibido pela arbitragem. Normalmente, se você faz 3 ou 4 faltas num atleta, mesmo sem violência e que sejam bobinhas, no meio de campo, você deve ser punido com Cartão Amarelo por reincidência. Uma estratégia comum é praticar o Rodízio de Faltas, variando os jogadores que batem, a fim de disfarçar a infração e inibir a advertência. Nesses casos, você tem que dar o cartão amarelo, mesmo que seja a primeira falta do faltoso (é como se fosse uma advertência para a equipe, uma espécie de cartão por “falta coletiva”).

No começo da partida, Pierre bateu a vontade em Neymar. Por dar cartão muito cedo, talvez o árbitro se sentiu inibido para mostrar outro cartão ao atleta. Espertamente, ainda no primeiro tempo, o treinador Cuca mudou o marcador do santista. E, no segundo tempo, havia o revezamento de atletas na falta.

Neymar sempre foi polemizado pelas faltas. No começo da carreira, no Paulistão, onde debutava, cansava de se jogar. Pelo “advento Neymar”, árbitros mais jovens não o puniam por simulação; ao contrário, caiam nas suas tentativas de engodo e marcavam faltas que não eram. Árbitros mais rodados acabavam por ignorar as faltas, mas ainda assim não advertiam o garoto por simular. Em seu primeiro Campeonato Brasileiro, Neymar começou a sofrer com a fama que estava construindo: árbitros de outros estados, que assistiam ao Paulistão, estavam sedentos em não entrar no golpe do menino, e no afair de não se iludirem com simulações, acabavam até mesmo não marcando algumas faltas reais (pelo motivo das inúmeras tentativas de quedas).

Os próprios jogadores começaram a intimidar o menino pelo seu comportamento. A lembrança emblemática é do zagueiro cearense João Marcos ganhando limpamente os lances de Neymar e o garoto chiando e querendo arranjar briga por se sentir intimidado.

O tempo passou, Neymar começou a amadurecer (custosamente) e começou a se jogar menos e com ‘mais qualidade’. Ou seja, aprendeu a “se jogar melhor” e em menos quantidade. Os adversários e a arbitragem aprenderam a lidar melhor com ele também. Portanto, tem sido um desafio enfrentar Neymar por parte do jogador adversário e apitar Neymar por parte do árbitro. Pará-lo, muitas vezes, só com faltas. Entretanto, na mesma proporção, a evolução das suas simulações passou a ser uma arma tão letal quanto seus dribles.

Ontem, em Minas Gerais, Neymar apanhou. E, por falta de equilíbrio emocional, foi expulso. Não dá para admitir que um jogador tão aclamado, bem remunerado, paparicado e talentoso, tenha um despreparo psicológico tão grande para ter reações que prejudiquem a ele próprio em campo.

Psicólogo e professor de arbitragem à Jóia Santista, urgente! Esses elementos só farão Neymar crescer e capacitá-lo dentro de campo, agregando mais qualidade ao seu dom indiscutível.

Dois pontos finais:

1- Muricy Ramalho repreendeu positivamente seu atleta pela infantil expulsão. Porém, já fez o alerta preventivo:

Árbitros têm vergonha de dar tanta falta no Neymar”.

Pelo exposto acima, não é bem assim…

2- Torcida atleticana reuniu as principais organizadas e criou o movimento #DeOlhoNoApito , com faixas e site na Internet, visando protestar contra os erros de arbitragem contra a equipe mineira. Já perceberam que todo time se sente o mais prejudicado pelos árbitros?

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– Dia da Patrona dos Árbitros de Futebol

Poucos sabem, mas na década de 90, em eleição entre os árbitros de futebol, Nossa Senhora da Conceição Aparecida foi escolhida como padroeira da categoria. Motivo: sendo que a Maria é Mãe de Cristo, necessária seria sua benção e invocação para que fosse eleita também a Mãe dos Árbitros (tão lembrada nos gramados).

Há quase 9 anos, por indicação do Padre Ton Ferreira, o então bispo de Jundiaí, Dom Amaury Castanho (que se tornou conhecido nacionalmente por suas cartas à imprensa defendendo radicalmente os valores cristãos), aprovou e reconheceu oficialmente a Oração do Árbitro de Futebol, que não existia até então, direcionada ao Filho de Deus por invocação de Nossa Senhora Aparecida.

Abaixo, reconhecida pelo Vaticano, a oração aos árbitros de futebol devotos de Maria, neste dia onde ela é lembrada não só por ser padroeira do Brasil, mas também como patrona dos Árbitros de Futebol.

ORAÇÃO DO ÁRBITRO DE FUTEBOL

Senhor Jesus Cristo,

Tu, que conheces o íntimo de cada um de nós, tem piedade de todo o teu povo.

Pedimos tuas bênçãos para todas as pessoas que estão envolvidas na prática esportiva: árbitros e jogadores, torcedores e policiais, gandulas e jornalistas, fiscais e dirigentes das nossas federações.

Nós te amamos, mas sabemos de nossas fraquezas. Humildemente, te suplicamos a proteção, visando não as vitórias ou honrarias humanas, mas a um bom, honesto e seguro trabalho. Acima de tudo, que seja feita a tua santa e bendita vontade.

Tudo isso te pedimos por intercessão de Maria Santíssima, a quem carinhosamente temos por mãe, invocada como Nossa Senhora Aparecida, Padroeira do Brasil e Patrona dos Árbitros de Futebol.

Amém.

COM APROVAÇÃO ECLESIÁSTICA DO SR BISPO DA DIOCESE DE JUNDIAÍ, DOM AMAURY CASTANHO, EM 04/12/2002

– Quem é a Revelação da Arbitragem Brasileira em 2011?

O trabalho de renovação da arbitragem é difícil. Muitas vezes, peca-se pela falta de coragem em lançar novos nomes, e em outras, por lançá-los precocemente.

Algumas federações optam por abrir muitos e muitos cursos de arbitragem. E formam-se números elevados… sobrevivem poucos homens capacitados…

Como o árbitro terá ritmo de jogo se é pouco escalado?

Como o árbitro descansará o corpo se é escalado toda a rodada?

Qual a motivação daquele que “mata um leão por jogo” mas não consegue o objetivo maior: a primeira divisão?

Assim, nesse penúltimo mês de Campeonato Brasileiro, onde todos começaram a discutir: “quem foi o jogador revelação”, desafio:

– “Quem é o árbitro revelação do Campeonato Brasileiro até agora?

Deixe sua opinião:

– O Recuo de Bola no jogo Santos X Palmeiras

Quem inventou que o goleiro não pode colocar a mão na bola, depois de tocada por um companheiro?

Ops: parece que já leu essa introdução? Sim, ela é repetida, pois no último dia 25, no jogo São Paulo X Botafogo, também houve um equivocado recuo de bola na partida. Não era para se marcar tiro livre indireto, mas se marcou.

Hoje, na partida entre Santos X Palmeiras, zagueiro palmeirense se atrapalha e o goleiro Deola segura a bola. É recuo?

Não. Entenda o que a Regra 12 diz (Infrações e Indisciplina):

 

será concedido um tiro livre indireto para a equipe adversária se um goleiro (…) tocar a bola com as mãos, depois de ela lhe ter sido intencionalmente passada com o pé por um jogador de sua equipe (…) ou depois de tê-la recebido diretamente de um arremesso lateral executado pelo companheiro”.

 

Para marcar a falta, é necessário avaliar: o jogador intencionalmente recuou a bola para o seu goleiro com o pé?  

Não. Tanto que Ceretta titubeou claramente na marcação. Não deveria marcar. Errou.

Pior do que a marcação, foi a cobrança! Ao dar o tiro livre indireto, se ele acontece na pequena área, a bola deve ser colocada no ponto mais próximo da infração em cima da linha paralela à linha de meta. Em qualquer falta, a distância deve ser de 9,15m; mas ali, excepcionalmente por não ser possível tal distância, os jogadores adversários devem estar em cima da linha de meta (que é a distância máxima – se em linha reta, vai dar 5,50m). O que menos se observou foi palmeirense em cima da linha, pois na hora do chute, tinha jogador a menos de 2 metros!). Deveria voltar o lance, aplicar o amarelo para quem avançou e repetir o tiro.

No restante, boa atuação do Ceretta em jogo no qual os times ajudaram e sem muita polêmica. Só um grande equívoco: aos 10 minutos, Léo cavou descaradamente uma falta na entrada da área e Ceretta acabou dando. Não foi nada; e se fosse, era para Cartão Amarelo.

Outros temas sobre arbitragem? Visite: http://pergunteaoarbitro.blog.terra.com.br/2011/10/09/o-recuo-de-bola-no-jogo-santos-x-palmeiras/

– O que buscam os Sites de Arbitragem?

Costumo receber muitas mensagens anônimas em meus blogs, e normalmente, quando são ofensivas, falsas ou mal-intencionadas, a moderação barra.

Uma delas, também anônima, trouxe a baila uma questão bacana para se discutir, e outra bem delicada. A primeira parte da pergunta:

 Porcari, parabéns pelo seu site do Pergunte para o árbitro, e queria saber o que você acha dos sites do Apito Nacional e do Voz do Apito, em quem dá para confiar?

Caro anônimo, há pouca coisa sobre arbitragem no Brasil. Como em todo segmento, o que há na Internet deve ser peneirado, pois existe muita coisa ruim e pouca boa.

Agradeço aos elogios ao “Pergunte ao Árbitro” – http://pergunteaoarbitro.blog.terra.com.br, tal elogio é motivador.

Mas ele é apenas um blog de tira-dúvidas de regras e algumas curiosidades sobre os bastidores da arbitragem “propriamente apitada”, nada de política.

Sobre assuntos extra-campo, costumo postá-los em outros blogs, em particular o “Blog do Professor Rafael Porcari”, onde outros temas são abordados. É um blog sobre contemporaneidades, onde entra Administração de Empresas, Globalização, Ética, Comportamento, Religião, e, claro, Futebol & Arbitragem. Ele não tem características informativas, apenas discursivas e de busca do sadio debate e desenvolvimento do espírito crítico (idéia originalmente utilizada em minhas atividades acadêmicas). Mas, lembremos: BLOG é um diário pessoal virtual.

Os sites que trazem relevantes informações sobre bastidores e outras coisas importantes do mundo do apito (e, claro, muitas vezes também podem fomentar a discussão democrática) são os citados: Voz do Apito e Apito Nacional. O primeiro, do jornalista Pedro Paulo de Jesus; o segundo, do ex-árbitro Marcelo Marçal, que mantém o Blog do Marçal.

Sobre quem confiar? Ué, nos dois. São pessoas que dão a cara a bater. Se divulgam uma informação, o fazem com o espírito jornalístico. Se buscam a troca de idéias e conhecimentos, o fazem com o desejo de contribuir. E, evidentemente, respondem pela responsabilidade do que publicam.

Agora, a segunda parte:

 Uma hora um defende algumas pessoas e outra hora defende outras. Tem alguma coisa a ver com rabo preso? Os caras buscam algum interesse pessoal?

Bobagem. É gente que quer o bem da arbitragem. Mas é claro que existe também o fator “infelicidade”. Todo mundo erra. E, às vezes, o erro toma proporções desagradáveis. No mundo das vaidades, se um terceiro fica de mal com o outro, ganha a simpatia de outrem. E vice-versa. E se o assunto é delicado, as proporções aumentam. E se os erros aumentam, idem proporcionalmente. Tudo porque muitas pessoas gostam que apenas se fale bem. Criticou? Surge a vaidade citada nesse mesmo parágrafo.

Todos tem sua linha de trabalho. Respeito-os. Escrevo uma coluna desde há pouco tempo no Voz do Apito do Pedro Paulo; conheço o Marcelo Marçal desde antes do Apitonacional. Ambos são respeitosos; ambos são responsáveis; ambos lutam pela a arbitragem.

Sobre tudo isso, fica uma questão que extrapola a arbitragem: Prazer, Independência e Responsabilidade. Qualquer site, blogueiro ou formador de opinião, se estiver preso a qualquer associação, cooperativa, ou entidade que permita contestação, tem que se policiar. Aí é que vem o crédito e/ou descrédito: a possibilidade de viés!

E quem não tiver competência, formação, profissionalismo… que agüente os elogios, críticas e/ou imagem amarrada a chapabranquismo ou não.

– Números Curiosos do Mundo do Futebol nesta 3ª feira:

Aqui, 4 Números interessantes do futebol nesta terça-feira:

NÚMERO 1: 24 pagantes dá lucro a algum time? Na partida válida pela série B do Brasileirão, Duque de Caxias 0X0 Paraná, em Volta Redonda, esse foi o espetacular número da platéia. Enquanto que a 2ª Divisão da Inglaterra tem seus direitos de transmissão vendidos por valores acima de muitos campeonatos da primeira divisão europeus, e taxa de ocupação nas arquibancadas beirando 80%, aqui temos mais gente dentro do gramado do que na arquibancada.

Será que não temos clubes demais? Não era hora de repensar a série A para fortalecer a série B?

Hoje, as duas divisões somam 40 clubes. Se a série A e a B tivessem 16 clubes, o total seria de 32. Provavelmente, na segundona teríamos todo ano alguns times grandes, e clubes de aluguel não teriam tanto espaço. Que tal a idéia?

NÚMERO 2: Maiores torcidas segundo o IBOPE nesta terça-feira: 13% Flamengo, 13% Corinthians, 8% São Paulo e 6% Palmeiras.

No ano passado, o mesmo IBOPE dava 17,3% ao Flamengo, após recém-conquista de 2009.

Sempre tenho o pé atrás nesse tipo de pesquisa. Se o DataFolha fizer um levantamento, os números seriam idênticos? Claro que não. Aqui vai a questão do torcedor pós-vitória, dos torcedores ocasionais e os que não torcem mas nutrem certa simpatia. E dos que não gostam de futebol! Números complicados… Vale como base, não como verdade absoluta.

NÚMERO 3: Sabem qual é o 1º. Lugar em downloads nos aplicativos de smartphones na última semana? Um joguinho chamado Extreme Kick – você é o jogador. Se recebeu Cartão Vermelho tem direito a um super chute nos fundilhos do juiz. Ao receber Amarelo você pode xingar, e a cada marcação do árbitro, uma ação de desaprovação do jogador. Sucesso entre boleiros e talvez entre não boleiros. Educativo, né?

NÚMERO 4: O número de escalas de Francisco Carlos Nascimento, conhecido como Chicão de Alagoas! Mesmo após atuações ruins (vide Atlético/MG X Ceará/CE), estará na partida Botafogo X Bahia no próximo domingo. Sujeito de sorte, não? A bola dele no Globinho é boa, persistente!

Guilherme Ceretta de Lima no Santos X Palmeiras. Se estiver focado, ótima escala. Está no momento de deixar o rótulo de promessa e se tornar realidade. E novamente o amigo Rodrigo Guarizzo Ferreira do Amaral como 4º árbitro. Não estaria na hora de dar uma chance a esse bom árbitro na série A?

Jean Pierre, gaúcho, estará no jogo do Corinthians X Atlético-GO. Depois do RS ter tido 3 FIFAs (Simon, Gaúcho, Vuaden), hoje tem apenas 1, reprovado no teste físico; aspirante lesionado e a necessidade de novos nomes. Domingo, no Morumbi, experimentaram Fabrício Neves Correa em um grande jogo. Agora, numa partida de expressão menor, outra tentativa de firmar um gaúcho. Boa sorte ao árbitro.

E você, o que acha disso? Deixe seu comentário:

– Atletas de Futebol ensinam: Como ganhar e como perder dinheiro!

Boa matéria da Revista Exame (citação abaixo), onde temos exemplos impressionantes de como ganhar muito dinheiro e perder na mesma proporção.

Abaixo, extraído de: http://exame.abril.com.br/seu-dinheiro/noticias/o-que-aprender-com-os-craques-em-esbanjar-dinheiro

O QUE APRENDER COM OS CRAQUES EM ESBANJAR DINHEIRO

Gastos milionários e falta de planejamento financeiro estão entre os erros dos atletas que chegaram a perder todo o patrimônio acumulado ao longo da carreira

São Paulo – Com poucos anos de trabalho, muito dinheiro no bolso. Na trajetória de craques do futebol descobertos na adolescência, salários polpudos costumam se somar a generosos contratos de publicidade com cada vez mais frequência. Mas se a ascensão dentro e fora dos gramados é meteórica, a queda – pelo menos financeira – também pode ser.

“Via de regra esses profissionais ganham muito dinheiro em um prazo curto de tempo. A fartura pode dar a impressão que os recursos nunca vão acabar”, afirma o educador financeiro Mauro Calil. Para ele, a rápida mudança no padrão de vida facilmente pode se converter em descontrole. “Muitos esticam o salário e gastam em excesso com coisas que não tinham, como carros importados, viagens caras e roupas de marca.”

Segundo Calil, qualquer aumento é motivador – mas por apenas três meses. “A partir daí você já se acostuma a fazer gastos mais altos, achando que o ideal seria que você ganhasse um pouco mais”, alerta. A lição que fica é a mesma para qualquer pessoa, independente de demonstrar ou não habilidade com a bola: saber dizer não às tentadoras possibilidades de consumo, poupando no mínimo 10% salário é imprescindível para viver com conforto no futuro.

Dívida e prisão=

Marcada por tumultuados episódios financeiros, a vida pessoal do ex-jogador Romário ganhou as páginas dos jornais em 2009. Na época, o baixinho perdeu sua cobertura na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, e chegou a passar um dia atrás das grades. O motivo? Dívidas e não pagamento de pensão alimentícia. 

Em pelo menos duas ocasiões a informalidade do craque em lidar com suas pendências lhe custou caro. Seu vizinho de baixo o processou por uma infiltração em 2003. O dano teria sido causado por obras feitas no apartamento de Romário. Inicialmente, o ex-jogador teria tentado resolver o impasse com um mal sucedido acordo verbal. Desde o início da pendenga, o processo exigiu o ressarcimento pelo reparo, além do valor que o vizinho deixou de embolsar com o aluguel do imóvel.

Com o impasse, os anos passaram e o prejuízo só cresceu. “Não tem jeito, quanto mais rápido você resolver problemas que envolvem dinheiro, menor será a dor de cabeça, já que juros e correção monetária devem aumentar significativamente o tamanho do rombo”, alerta o educador financeiro Mauro Calil. No caso de Romário, a indenização estipulada em 2009 passou de 5,5 milhões de reais. 

Para arcar com o pagamento, a justiça determinou que o craque leiloasse seu apartamento de 776m², vendido por 8 milhões de reais. O dinheiro foi usado para quitar outras dívidas deixadas pelo caminho, como parcelas de condomínio atrasadas e débitos com a Receita Federal.

Romário também emprestou recursos ao Vasco e até abriu mão dos seus direitos de imagem. A camaradagem, contudo, não foi reconhecida pela nova diretoria do clube, que não assumiu a dívida de 22 milhões reais feita com o craque. Como não há recibos formais de depósitos, mas apenas lançamentos no balanço do Vasco e uma confissão assinada pela antiga diretoria em 2004, o baixinho ficou a ver navios em uma querela que pode se estender por anos a fio. 

Para Mauro Calil, não importa quais forem os laços de amizade ou família. Antes de emprestar dinheiro, qualquer pessoa deve se cercar de garantias. “Registre uma nota promissória ou um termo de confissão de dívida no cartório de títulos”, aconselha.

A maré da sorte pode ter mudado para o baixinho depois de ele ter assumido o mandato de deputado federal. Para Müller, seu companheiro na conquista do tetracampeonato mundial de futebol, 2011 foi o ano de assumir os erros do passado. Recentemente o ex-jogador veio a público dizer que embora tenha acumulado rios de dinheiro enquanto jovem, a fortuna foi torrada em gastos “desnecessários” e “vaidades pessoais”. 

Morando na casa de um amigo e sem nenhum dos vários carros e imóveis que chegou a ter, o ex-jogador chegou inclusive a vender a igreja da qual foi pastor. “O erro foi a falta de planejamento financeiro”, diz Calil. “O ideal para qualquer pessoa é aplicar a regra dos 70/30. Viva com 70% da sua renda e guarde 30% dos recursos todos os meses, sendo que o comprometimento com prestações pode tomar no máximo 20% do salário.”

Embora com consequências menos drásticas, a história do ex-jogador Zé Elias também costuma se repetir com muitos outros craques. Preso por um mês por não pagar pensão alimentícia aos dois filhos, o ex-corinthiano ganhou a liberdade no fim de agosto. 

A dívida foi estimada em quase 1 milhão de reais. “Pesquisando os hábitos do pai, um advogado hábil sempre poderá provar que o relógio caro, os ternos bem cortados, as grifes e os carrões são uma prova de que o jogador pode sim arcar com pensões altas”, afirma Mauro Calil. “Mas a carreira pode acabar rápido e o jogador descer de 300.000 reais por mês para muito menos que isso. Se ele mantiver o mesmo nível de gastos, entretanto, este será o parâmetro para o pagamento da pensão.”

Depois da experiência, Zé Elias alegou não conseguir mais dormir e chegou a sugerir que os casos como o seu poderiam receber pena alternativa. O jogador também fez um alerta aos mais jovens, afirmando que a falta de instrução e o reconhecimento da noite para o dia poderiam abrir caminho para que muitos aproveitadores, homens e mulheres, pegassem carona na fama dos atletas.

– Quando se pode ou não trancar um adversário? O cartão equivocado do sãopaulino Lucas e a Análise da Arbitragem de São Paulo X Flamengo

Um lance me chamou a atenção nessa tarde no Morumbi, na partida entre São Paulo X Flamengo: um tranco punido com cartão amarelo cometido pelo atleta Lucas.

Vamos lá: o tranco é válido no futebol. E as diretrizes da regra 12 definem tranco como:

O ato de dar um tranco em um adversário representa uma disputa por espaço, usando o contato físico, mas sem usar braços ou cotovelos, e com a bola a uma distância de jogo. É uma infração dar um tranco de maneira imprudente, temerária ou com uso de força excessiva”.

1-Lucas, ao dar o tranco em seu adversário flamenguista Júnior César no primeiro tempo, usa os braços ou cotovelos para empurrá-lo? R: Não.

2-Há a busca da disputa pelo domínio da bola ou a jogada é fora do lance? R: Existe disputa leal.

3-O tranco foi imprudente (poderia ter machucado o adversário por descuido de Lucas, e assim seria falta sem aplicação de cartão), temerário (empurra com tal força que seria impossível manter-se de pé, e assim seria falta com aplicação de cartão amarelo) ou com força excessiva para machucá-lo (propositalmente, e assim seria falta com cartão vermelho)? R: Nada disso. Há a disputa por espaço usando o contato físico sem uso de braços ou cotovelos, buscando a posse de bola. Assim, errou o árbitro ao marcar infração.

Algo importante que os árbitros costumam (e devem sempre) observar: uma bola dominada através de um tranco pode resultar em queda do adversário, e que muitas vezes leva o torcedor a entender o lance como faltoso. Lembremos: o futebol tem contato físico, a queda é resultante de uma disputa legal, respaldada pela regra, e o jogo deve seguir.

Nesta tarde, no Morumbi, Fabrício Correa-RS, que ganhou de Evandro Roman-PR no sorteio desta rodada, por tal erro infeliz, acabou tendo que expulsar o atacante sãopaulino que infantilmente, tendo já recebido o cartão amarelo, calçou o seu adversário Willians no 2º tempo numa jogada típica de amarelo. Por conseqüência disso, Vermelho.

Respeitosamente, mas… quantos jogos da série A o árbitro já apitou? Ôpa, respondo: 9 partidas, sendo a média de 0,1 vermelho por jogo em partidas menos complicadas – 1 cartãozinho vermelho solitário em 9 jogos). Sinceramente, o jogo era maior do que ele.

Sabemos que a Escola Gaúcha de Arbitragem é menos rigorosa em relação às jogadas ríspidas. Não tem essa de “encostou, é falta”. Fabrício acabou não sendo tão gaúcho nessa hora. Talvez pelo campo molhado, quís segurar o jogo de maneira equivocada. Ao invés de se impor com a autoridade, se impôs permitindo paralisações. Seria para recuperar o fôlego, já que no segundo tempo ficou vendido em algumas jogadas pelo nítido cansaço?

Um árbitro se impõe pela palavra e postura. Dias atrás, no Majestoso, Seneme, só de olhar feio para o atleta, já ganhava o jogo. E quando dava uma bronca, não era tripudiado. Luís Fabiano colocou o dedo em riste no árbitro que nada fez. Ronaldinho Gaúcho? Carta Branca para pintar, bordar, reclamar, apitar…

Os retardamentos por cera foram explícitos. Nenhuma bronca, nenhum cartão por tal ato.

Um acerto: Dagoberto arrancar a camisa na comemoração do gol e receber o amarelo. Tudo bem, o cara está na euforia, empolgado por um gol importante naquele momento, mas… jogador profissional não sabe que vai receber amarelo ali? Pareceu um cartão muito cavado. Na sequência, no linguajar bem popular, “passou o rodo” no flamenguista (seria o Gualhardo?), na frente do árbitro, e não foi expulso.

Compare: o primeiro cartão amarelo de Lucas e o não-cartão de Dagoberto nesse lance citado. Não é desproporcional?

Luxemburgo foi esperto. Airton estava louquinho para receber o segundo amarelo, e logo após a expulsão de Lucas, o sacou para não ficar com um a menos, pois temendo a fragilidade do árbitro, se preocupou com a chamada “média” – que, entenda aqui, fraqueza e aceite de pressão psicológica por compensação. Aí, Willians se encarregou de em 10 minutos receber 2 amarelos bobinhos (bem bobos mesmo) e ser o ‘homem a ser expulso’.

O jogador de futebol percebe quando o árbitro está fragilizado ou sentiu a pressão do jogo. E jogador experiente tira proveito disso. Ronaldinho Gaúcho sabia que não seria expulso nem advertido e ficou buzinando na orelha do árbitro. Luís Fabiano até tentou fazer a mesma coisa, mas teve que ser sacrificado pelo erro de Lucas. Ponto positivo para o Dentuço, ponto negativo para o árbitro gaúcho.

E você, o que achou do jogo? Deixe seu comentário:

(esse texto pode ser acessado no blog PERGUNTE AO ÁRBITRO, visite: http://is.gd/JpKcUe)

– A Decisão do STJD mostra: o Que Pode e o que Não Pode em Campo!

Fortaleza X CRB jogaram de maneira estranha, semana passada. Os observadores mais atentos do futebol colocaram a partida sob suspeita, numa possível combinação de resultados para que o clube cearense não fosse rebaixado. Até mesmo Galvão Bueno, no.1 do Esporte da Globo, condenou publicamente na sua última edição do “Bem Amigos”, da Sportv, pedindo severas punições à ambas equipes.

Os lances condenáveis estão em: http://is.gd/dW1nKO

O absurdo erro aos 49m do 2º tempo, por parte da arbitragem, em: http://www.youtube.com/watch?v=D5GogsDQMBE&feature=player_embedded

Pois bem: ontem, o STJD julgou a partida. E sabe o que aconteceu? Quase nada!

1-Fortaleza e CRB foram considerados inocentes, pois os auditores não entenderam que houve ‘combinação’.

2-Carlinhos Bala levou multa de R$ 10.000,00 + 6 jogos de suspensão por atitudes antideportivas.

3-O árbitro Gutemberg de Paula foi absolvido.

Assim, podemos, por analogia, dizer que: Se houver combinação, puna-se o jogador que combinou; não a equipe. E se o relato do árbitro não for claro e nem necessariamente ter sido correto nas marcações, tudo bem. Quem vai punir será a CA-CBF. Ou não?

Para coroar o julgamento, olha que irônico: Anapolina/GO X Tocantinópolis foi anulado por… suspeita de combinação de resultados! Aqui: http://justicadesportiva.uol.com.br/gmsonline/index.asp?idtribunal=1

VOTOS DOS AUDITORES, EXTRAÍDO DE: http://is.gd/iel40X

– Francisco de Assis Pessanha: Absolve o Fortaleza da possibilidade de exclusão do campeonato; multa Fortaleza e CRB em R$ 20 mil pelo atraso no retorno ao gramado; absolve o árbitro Gutemberg de Paula Fonseca; aplica um jogo ao jogador Paulo Rodrigues, do CRB; aplica dois jogos ao goleiro Cristiano, também do CRB; absolve o jogador Maizena, do CRB; suspende Carlinhos Bala, do Fortaleza, por seis partidas, e ainda o multa em R$ 10 mil.

– Otacílio Araújo: Diverge em relação à multa aplicada, estipulando em R$ 15 mil pelo atraso a multa ao Fortaleza e R$ 10 mil ao CRB. E mais R$ 5 mil ao Fortaleza por uma garrafa arremessada. E absolveu Carlinhos Bala.

– Marcelo Tavares: Aplica multa de R$ 10 mil e 12 partidas de suspensão ao atacante Carlinhos Bala; mantém a pena de R$ 20 mil aos clubes pelo atraso. Absolve o Fortaleza da exclusão do campeonato. E acompanha Otacílio para multar o Fortaleza em R$ 5 mil pelo arremesso da garrafa. Também absolve o árbitro. Acompanho o relator na punição aos jogadores Paulo Rodrigues, Cristiano e Maisena.

– Jonas Lopes: Acompanha a multa de R$ 20 mil para os dois clubes pelo atraso. Multa o Fortaleza em R$ 5 mil pela garrafa arremessada. Absolve também o Fortaleza quanto à exclusão do campeonato. Acompanhou os outros auditores na punição aos expulsos e na absolvição de Maizena. Condenou o jogador Carlinhos Bala à multa de R$ 10 mil e seis partidas de suspensão.

– Paulo Valed Perry: Acompanha o relator na multa aos clubes, e pune o Fortaleza em R$ 5 mil pela garrafa alterada. Suspende o árbitro por 30 dias. Quanto aos jogadores, mantém a pena do relator. Já sobre o Carlinhos Bala, aplica multa de R$ 10 mil e 12 jogos de suspensão.