– Novos Membros da Cúpula da Arbitragem

José Maria Marin escolheu duas ótimas pessoas para trabalharem em conjunto com Sérgio Correa da Silva: Aristeu Tavares e Dr Edson Rezende. Mas uma tendência fica: a do militarismo na arbitragem. Assim como a FPF, os envolvidos na condução da arbitragem da CBF provém da Polícia ou do Exército.

Não temos civis competentes; o ofício de árbitro exige tais supervisores ou apenas uma coincidência?

Extraído de: http://www.vozdoapito.com.br/os_novos_chefes_do_apito_brasileiro.php

MUDANÇAS NA ARBITRAGEM NACIONAL

Edson Rezende de Oliveira (Corregedor) e Aristeu Leonardo Tavares (Ouvidor) serão os chefes do apito brasileiro, afirmou José Maria Marin

Por Pedro Paulo de Jesus

Na tarde desta sexta (20), em entrevista coletiva, o Presidente da Cbf José Maria Marin, apresentou os dois novos profissionais que mandarão efetivamente na arbitragem brasileira. Figuras conhecidas na arbitragem nacional, Edson Rezende de Oliveira foi árbitro aspirante Fifa por Brasília e Aristeu Leonardo Tavares foi árbitro assistente internacional, indicado pelo Brasil para representar seus companheiros de apito na Copa do Mundo de 2006.

Edson Rezende de Oliveira já foi Presidente da Comissão de Árbitros de Brasília e também chefe do apito brasileiro no departamento de árbitros da Cbf. Em 2007 Rezende pediu desligamento da Conaf por problemas de saúde. Cinco anos depois, o homem forte da arbitragem nacional volta à Cbf e assume um dos cargos mais importantes dentro da entidade: Corregedor. Delegado aposentado da Polícia Federal, Dr. Edson será o responsável por investigar os árbitros de um modo geral.

Aristeu Leonardo Tavares foi comandante de Polícia no Rio de Janeiro e árbitro assistente Fifa. Participou de diversas decisões no futebol nacional e internacional. Figura respeitada na arbitragem brasileira, Leonardo é um dos instrutores mais badalados do país, desempenhando um papel fundamental na arbitragem brasileira. Agora como dirigente da Cbf, o militar do apito desempenhará o papel de ouvidor de arbitragem.

O nome do ex-árbitro da Fifa José Roberto Wright, havia sido ventilado dias atrás para o cargo de corregedor, porém como não houve sucesso nas conversas, Edson Rezende assumiu em seu lugar.

– Restrições Irrestritas ou Irrisórias?

A Federação Paulista de Futebol divulgou os árbitros sorteados para as Quartas-de-Final do Paulistão 2012. E uma escala certamente fará a alegria dos trollers e dos adeptos da Teoria da Conspiração: Rodrigo Braguetto apitará Corinthians X Ponte Preta.

Em Fevereiro, o jornalista Daniel Lian trouxe a público que Braguetto prestou serviços ao Corinthians através de sua empresa de eventos e arbitragem. Na oportunidade, discutiu-se a questão ética e implicações da relação comercial entre árbitros e clubes (para relembrar o caso, acesse o link: http://is.gd/profissionalpoderia).

Durante o restante do Paulistão, Rodrigo Braguetto não foi sorteado para jogos importantes do Corinthians, tendo trabalhado apenas no jogo contra o time da Catanduvense, no Pacaembu.

Agora, na fase eliminatória do Campeonato Paulista, os árbitros da Categoria Especial foram sorteados, excluindo Paulo César de Oliveira (por restrição ‘judicial’, já que processa o treinador palmeirense Luís Felipe Scolari) e Antonio Rogério Batista do Prado (por restrição ‘natalícia’, já que é campineiro e quer evitar Guarani e Ponte Preta). Braguetto não deveria ser excluído por restrição ‘comercial’?

Confio no ótimo trabalho de Rodrigo Braguetto, mas não podemos nos esquecer que, na última rodada, no Estádio Moisés Lucarelli (após o jogo que encerrou a primeira fase, coincidentemente Ponte Preta X Corinthians), o treinador pontepretano Gilson Kleina alardeou que a Ponte Preta, segundo ele, estaria sendo perseguida pela arbitragem e o Corinthians favorecido. Após indagação do jornalista Renato Otranto sobre possível má fé dos árbitros, o treinador policiou-se e disse que não “acreditava em ‘esquema’, mas equívocos, e que os torcedores deveriam ficar atentos”.

Claro que o Corinthians é favorito pelo futebol apresentado até agora (afinal, com o time reserva já ganhou da Ponte Preta em Campinas). Mas se tivermos erros involuntários no próximo confronto, imaginaram o fuzuê que será criado pelos mais críticos?

Boa sorte ao árbitro Rodrigo Braguetto e seus companheiros de arbitragem.

Sobre o tema discutido na oportunidade, está em:

http://professorrafaelporcari.blog.terra.com.br/2012/02/03/o-caso-braguetto-corinthians-arbitro-pode-ou-nao-ter-relacao-comercial-com-clube/

O CASO BRAGUETTO & CORINTHIANS: ÁRBITRO PODE OU NÃO TER RELAÇÃO COMERCIAL COM CLUBE? (03/02/2012)

Ontem, na matéria de Daniel Lian, o árbitro da FPF e da CBF Rodrigo Braguetto declarou que sua empresa de arbitragem prestou serviços ao Corinthians no último final de semana. Sua entrevista está disponível no link http://is.gd/arbitro.

A questão discutida ficou sendo: o árbitro de futebol pode ter relação comercial com um clube, cujo time pode estar envolvido nas competições que apita? É legal? É moral? Há alguma consideração contrária?

Vamos lá: no exercício da arbitragem de futebol, o indivíduo se torna um verdadeiro sacerdote na função- tem regramentos exclusivos, necessidade de se policiar e cuidados extremados que talvez nenhum outro elemento envolvido no futebol tenha que ter.

O árbitro não deve apenas ser honesto; deve parecer ser honesto! Como ficarão as explicações para os demais envolvidos no futebol sobre a relação comercial entre árbitro e clube (aqui, independe se é Braguetto e Corinthians, mas poderia ser qualquer outro árbitro e qualquer outro clube)? Torcedor enfurecido não quer saber se a ação comercial foi profissional e independente, ele mistura a coisa. E não adianta fazer vistas grossas, pois a repercussão sempre é grande. Sendo assim, para quê o desgaste?

Imaginem 2 jogos envolvendo Corinthians X Palmeiras:

1) na semifinal do último campeonato paulista, Paulo César de Oliveira foi criticado por sua atuação, mesmo fazendo uma grande arbitragem em jogo difícil. A expulsão de Scolari é lembrada até hoje. E se o árbitro fosse Braguetto? Infelizmente, alegariam que o vínculo da sua empresa de arbitragem teria influência na sua atuação.

2) no último jogo entre ambos, pelo Campeonato Brasileiro: Seneme expulsou Valdívia em lance sobre Jorge Henrique. E se tivesse sido Braguetto?

Diante de tudo isso, não há como negar que é um desgaste impreciso. Concordo que o árbitro é um prestador de serviços autônomo, que não tem sua atividade reconhecida profissionalmente, que não é considerado funcionário da Federação Paulista de Futebol, e, por isso, todo trabalho honesto realizado fora dos campeonatos oficiais não deva ser contestado. Mas dentro da sua atividade, moral e eticamente, muitos cuidados devem ser tomados. E se manter longe de vínculos mais próximos com os clubes se faz necessário.

Lembro fato semelhante ocorrido anos anteriores, já na gestão da atual Comissão de Árbitros: o árbitro Anselmo da Costa foi contratado pelo Instituto Wanderley Luxemburgo para lecionar aulas de arbitragem em seus cursos. O Cel Marinho, presidente da CEAF-SP, não escalou mais o árbitro em partidas nas quais o treinador estivesse envolvido, como que se rotulasse Anselmo a um subordinado de Luxemburgo, mesmo como árbitro.

E agora, nesse episódio?

Se escalar Braguetto em jogos do Corinthians, terá sido uma decisão contraditória à tomada no episódio Anselmo.

Se não escalar, acaba aceitando o argumento que o árbitro está envolvido com o clube e impedido de atuar em jogos da equipe.

Um problema a mais para a Comissão de Árbitros. Nessa próxima rodada, na qual alguns árbitros TOPs enfim estrearão (terá sido pelo excesso de reclamações das primeiras rodadas?), mais um assunto para ser discutido…

Um detalhe: Braguetto afirmou na entrevista que se isso for um problema, se aposentará.

E você, o que pensa sobre isso? Deixe seu comentário:

Visite esse post e outros no Blog do Portal Bom Dia / Diário de São Paulo, em:

http://www.redebomdia.com.br/blog/lista/109/Rafael+Porcari

 

– O que Muda na Arbitragem da FPF com a saída da Sílvia Regina?

Sílvia Regina de Oliveira, ícone da arbitragem feminina sulamericana, excepcional caráter, foi retirada de suas funções da Escola de Árbitros Flávio Iazzetti, entidade de formação dos novos árbitros da Federação Paulista de Futebol. Para o seu lugar, entrará o ex-assistente FIFA, Cel Nilson de Souza Monção, também de ótima índole e conhecimento profundo do futebol.

– Vamos a algumas considerações?

Monção foi um dos melhores com que trabalhei. Salvo engano, o último jogo em que tive a oportunidade de trabalhar com ele foi Guarani X São Bernardo, onde ele bandeirou para mim na A2. Mas isso não importa. Importa sim o fato dele assumir um cargo de tamanha responsabilidade, no qual grandes nomes como Gustavo Caetano Rogério, Antonio Cláudio Ventura, Roberto Perassi e Sílvia Regina atuaram nos últimos 20 anos.

Formar árbitros é difícil. Moldar a universalização dos critérios mais ainda. Segurar a empolgação do jovem apitador, então… Quem entra na Escola de Árbitros para se formar é seguramente um entusiasmado estudante. O jovem se orgulha em dizer que está na FPF! E aí é o momento delicado: respeitar a individualidade do futuro árbitro (suas características pessoais que estarão presentes no seu desempenho), mostrar a necessidade de respeitar critérios de arbitragem e não deixá-lo querer ser maior que o próprio espetáculo.

Por isso, desejo boa sorte ao Nilson Monção. E é impossível não questionar: por que a Sílvia Regina saiu?

Até agora, não há uma nota sequer oficial no site da FPF sobre a saída.

Sílvia é instrutora FIFA e assessora de árbitros da Conmebol. Claro, tal acúmulo de atividades poderia ser dificultoso a ela na EAFI-FPF. Perde a escola uma ótima professora, já que a didática dela (além de conhecimento e simpatia) é muito boa. Aqui, faz-se um adentro: ser um docente do ensino de arbitragem, não necessariamente, tem a ver com suas qualidades enquanto profissional dentro de campo, ou seja, a competência dela como professora não está atrelada a atuação que teve como árbitra (Roberto Perassi, Gustavo Caetano ou Ventura foram árbitros extremamente excepcionais? Claro que não, mas conheciam bem o meio). Se assim fosse, os comentaristas de futebol virariam treinadores e os treinadores virariam jornalistas. Portanto, cada um na sua.

O problema é: dirigentes do apito creditam a sua saída à mudanças profundas na arbitragem paulista! Disse o presidente Marco Polo Del Nero, sobre o fato de ter demitido a Sílvia:

A decisão é minha. Precisava ser feito algo. O treinamento precisa ser contínuo. Não estou feliz e os clubes também não

Balela. Pura bobagem. O presidente da FPF quer imputar a má atuação dos árbitros no Paulistão a ela? Demiti-la seria uma satisfação demagógica às reclamações dos clubes?

Ora, não é Sílvia quem escala os árbitros. Não é ela quem promoveu a absurda e forçada renovação de 70% do quadro de bandeiras da 1ª divisão! Na Escola de Árbitros, ela ensina regras àqueles que entravam no curso. Administrar o quadro, orientá-los dentro de campo é de responsabilidade da Comissão de Árbitros, não da Escola! A função deve ser exercida pelos administradores do departamento, Cel Marcos Marinho e seu assessor, Arthur Alves Júnior. Na hora do sorteio dos árbitros e das orientações, são eles que tem a função. Na hora de punir os árbitros, são eles que determinam as penas. Quando é para dar entrevistas, eles aparecem em público. E a culpa é da Sílvia, segundo Marco Polo?

Se você considera ótimo o trabalho dos árbitros no Paulistão, elogie a eles da Comissão. Se você considera ruim, se reporte aos próprios. Mas Sílvia é a menos culpada de tudo isso.

Na ânsia em dizer que o trabalho é bom, galgam jovens inexperientes à Categoria A1. E como fica toda a história do Ranking, de que o árbitro deveria passar por diversas etapas até chegar a elite? “Foi pro saco”, junto com as denominações Ouro, Prata e Bronze, substituídas por Especial/1,2,3,4 e estagiários?

Faço uma analogia com clube de futebol: é como se a campanha ruim do Flamengo não fosse culpa dos dirigentes ou dos jogadores, mas do treinador da categoria de base…

Atitude demagógica, no mínimo.

E o que dizer da punição ao árbitro José Cláudio da Rocha Filho e do bandeira João Boulgauber? A Comissão de Árbitros os suspenderam, devido a atuação no jogo Palmeiras X Comercial. A quem eles recorrerão? Ao Sindicato, cujo presidente Arthur Alves Júnior faz parte da Comissão que os puniu? Ou à Cooperativa, cujo tesoureiro (ele próprio) faz parte da mesma Comissão e o presidente Silas Santana trabalha na Ouvidoria da FPF?

Os árbitros estão desamparados ao extremo. E depois não querem que diga que há incompatibilidade de cargos nas entidades de defesa dos árbitros…

Uma pena.

E você, o que pensa sobre a medida do Marco Polo Del Nero? Demitir a Sílvia Regina resolve os problemas da arbitragem?

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– A Copa do Mundo começou para o Apito Brasileiro!

Se a Seleção de Mano Menezes ainda não convenceu de que estará afinada para o Mundial de 2014, ao menos teremos por quem torcer: Wilson Luís Seneme está na eminência de ser o árbitro brasileiro na próxima Copa do Mundo.

Segundo o comentarista da Rede Globo, o ex-árbitro Leonardo Gaciba, fonte fidedigna lhe confidenciou a lista de 10 nomes que a CONMEBOL entregou a FIFA. Para 2014, 5 dos árbitros abaixo trabalharão na competição:

DIEGO ABAL (ARG)

RAUL OROSCO (BOL)

WILSON SENEME (BRA)

ENRIQUE OSSES (CHI)

WILMAR ROLDAN (COL)

CARLOS VERA (ECU)

ANTONIO ARIAS (PAR)

VICTOR CARRILLO (PER)

ROBERTO SILVERA (URU)

JUAN SOTO (VEN)

Pela relação, as especulações de que o Brasil poderia ter 2 representantes se encerram. Em 2002, a briga era entre Carlos Eugênio Simon e Paulo César de Oliveira, e deu Simon. Em 2006, repetiu-se as mesmas especulações. Paulo César estava em melhor fase, mas deu Simon novamente. Em 2010, a briga ficou entre Simon, Sálvio e Gaciba, e Simon fez a trinca.

Para 2014, os nomes pré-selecionados eram Wilson Seneme, Paulo César e Heber Roberto Lopes. Corriam por fora Vuaden, Sandro Ricci e até mesmo Marcelo de Lima Henrique.

Pelas atuações nas competições internacionais, o nome não poderia ser outro: Seneme tem sido escalado com mais frequência nas competições promovidas pela Conmebol. O competente árbitro de São Carlos/SP era a bola da vez e parece confirmar seu favoritismo.

Agora, fica a questão: quem serão os 5 representantes sulamericanos para a Copa do Mundo 2014?

O uruguaio Roberto Silveira e o brasileiro Wilson Luís Senemes são os 2 tops da relação, indiscutíveis. Orosco (da Bolívia), Osses (do Chile) e Roldan (da Colômbia) estão bem cotados, se o Mundial fosse hoje (vide o número de escalas e suas boas atuações). Carlos Vera também tem o nome bem apreciado. O peruano Carrillo, o venezuelano Soto e o paraguaio Arias não seriam unanimidades. E, para surpresa geral, sobraria o argentino Alba, ilustre novato em competições internacionais.

Pelos critérios técnicos, surpreendentemente, poderemos ter uma Copa do mundo sem árbitro da Argentina! Claro que nossos hermanos tem força política. Será ela suficiente para levar seu representante para o Mundial?

Apostem suas fichas! A Copa está a todo vapor no apito…

– O Que é Tranco Legal?

Objetiva na regra, mas subjetiva na aplicação, a questão do “Tranco Legal” se torna cada vez mais discutível nos gramados.

Na Europa, crê-se que os árbitros têm mais tolerância para jogadas de contato físico, como o tranco. Mas será que tem?

Considere:

1- O berço do futebol moderno é a Inglaterra; foi de lá que o futebol moderno e o rúgbi, irmãos, tiveram o cordão umbilical cortado das diversas práticas de football do século XIX. Portanto, é entendível que se admita maior força física no jogo de futebol.

2- Os atletas europeus costumam lutar pela posse de bola com mais virilidade do que os brasileiros; só desistem quando recebem a falta. Aqui, nossos jogadores abdicam da contínua tentativa da disputa pela bola, tentando trocar o último empenho pela falta cavada. Culturalmente, os árbitros daqui entendem que um primeiro lance supostamente faltoso já seja suficiente para sancionar a infração. Os de lá, esperam até o último momento da disputa de bola para decidirem se o atleta realmente sofreu uma falta decisiva para a posse de bola (trocando em miúdos: os brazucas tentam cavar faltas ao primeiro contato físico).

3- Na Libertadores da América, vemos que o tranco viril é mais aceito. De fato, argentinos e uruguaios fazem valer essa verdade. Mas repare que são atletas eurodescendentes, e carregam arraigada essa cultura futebolística. Os brasileiros, miscigenados, com atletas afrodescendentes e de outras etnias, possuem outra cultura: a da fuga do contato físico. Portanto, é natural que não aceitem o tranco e caiam com mais frequência; afinal, tendem a tentar mais o drible.

4- Repare que, se em sua cultura há mais predisposição em usar o tranco e se em outra não há, teremos uma questão comportamental decisiva para ajudar (ou atrapalhar) os árbitros em suas decisões: o “saber disputar um tranco”. Explico: na Bundesliga, PremierLeague ou outra importante Liga Européia, numa bola que está sendo disputada entre zagueiro e centroavante, ambos estão prontos para trancar e conquistar o domínio da bola. No Brasil (pela questão cultura citada), no Peru ou na Bolívia (com descendentes indígenas), o zagueiro é o único que está pronto para trancar, já que o centroavante quer ganhar a bola pela velocidade e não pela força física. Repare que a quantidade de trancos numa partida europeia é muito maior que nos jogos brasileiros. E estes, quando aqui ocorrem, sempre mostram zagueiros que ganham a bola trancando centroavantes, que normalmente caem e pedem falta (e as vezes a conquistam). O problema é: atacante brasileiro não costuma usar o tranco, pois quer velocidade e drible, e acha que sofreu infração ao ser trancado.

Portanto, é válido responder a indagação inicial desse artigo em 2 partes:

SIM, árbitros europeus interpretam mais corretamente o tranco; árbitros argentinos e uruguaios também, e árbitros brasileiros, quando em partidas continentais, fazem valer a certeira aplicação da regra.

– Porém, a diferença dos árbitros brasileiros em competições domésticas é que, sabedores da busca de faltas cavadas em trancos sofridos por centroavantes, da impopularidade do tranco na cultura nacional, por acomodação costumam apitar esses lances.

Fica aqui o mea culpa da nossa arbitragem. Um dia, Wilson de Souza Mendonça começou a aceitar o tranco, mas se perdeu ao longo dos jogos por outras questões técnicas (e até folclóricas). Recentemente, tivemos o efeito Vuaden, onde foi criticado pois alguns entendiam que ele não marcava faltas reais (e que depois mudou visivelmente seu estilo).

Enfim: alguns amigos sempre perguntam, nos bate-papos e nas rodas, o que é tranco. Ora, a Regra explica claramente o que pode num tranco ou não, mas deixa no ar alguma subjetividade.

Vamos lá:

Em “Diretrizes das Regras do Jogo”, na regra 12, nos é dito que:

O ato de dar um tranco em um adversário representa uma disputa por espaço, usando o contato físico, mas sem usar braços ou cotovelos, e com a bola a uma distância de jogo.

É uma infração dar um tranco em um adversário:

– de maneira imprudente (significa que o jogador mostra desatenção ou desconsideração na disputa de um adversário, ou atua sem precaução). Não será necessária punição disciplinar se a falta for imprudente;

– de maneira temerária (significa que o jogador age sem levar em consideração o risco ou as consequências para seu adversário). Deverá ser punido disciplinarmente com cartão amarelo.

– com uso de força excessiva (significa que o jogador excedeu na força empregada, correndo o risco de lesionar gravemente seu adversário). Deverá ser punido disciplinarmente com cartão vermelho.”

Imagine a situação hipotética entre o forte zagueiro da equipe do Linense Fabão, com mais de 2 metros de altura, trancando o centroavante Liedson, apelidado de “Levezinho”. O tranco legal é ombro a ombro, conforme a regra. Qualquer tentativa de trancar Liedson, pela diferença física, o levará a um risco de queda.

A Regra de Jogo seria discriminatória aos mais fortes ou mais fracos?

Não. Fabão não pode ser punido por ser mais viril, nem Liedson beneficiado por ser mais franzino. A queda é algo natural do jogo de futebol, pois há contato físico (permitido pelo tranco, como as diretrizes retratam). Na disputa de espaço, se Liedson não estiver pronto para receber a falta, sempre cairá. O que deve ser sancionado é o fato do zagueiro usar força acima do que se considera necessário para disputar a bola, caso o faça. E é aí o grande problema: como mensurar até onde a força foi desproporcional? É muita subjetividade.

Finalizando: o tranco é válido e usual no futebol; jogador cair em tranco não é indicador de falta; o limite do tranco é relativo, caberá à boa vontade do árbitro, que pode desconsiderar falta ou até marcá-la, dependendo da intensidade, com expulsão!

– A Vergonha da FERJ nos Cartões Vermelhos de Vasco X Flamengo

Um episódio lamentável, condenável e repugnante no futebol carioca: na última rodada, no “Clássico dos Milhões” (Vasco da Gama X Flamengo), Wagner dos Santos Rosa expulsou 5 jogadores vascaínos após o término da partida. Pelas brigas e confusões naquele momento, não pode mostrar o Cartão Vermelho e relatou na súmula. Tudo ok.

O árbitro pode expulsar atletas antes, durante, no intervalo e após o término de um jogo. Mostrar o cartão vermelho é uma sinalização/convenção para que todos entendam o ocorrido. Quando acontece a impossibilidade de mostrar o cartão (seja ele amarelo ou vermelho) por um fator complicador (tumulto generalizado), o árbitro deve relatar na súmula o acontecido, e a equipe informada na Comunicação de Penalidades (é o documento que contém o relato dos cartões do jogo, assinado pelo árbitro e pelos capitães após a partida).

Sendo assim, se houve uma briga no término da partida e o árbitro não pode mostrar o Cartão Vermelho, deve proceder como acima relatado: ou seja, comunicar a penalidade no documento.

Fico pasmo ao saber que no Rio de Janeiro os documentos ainda são manuais, e as penalidades / súmulas / demais documentos estão marcados em papel, não-informatizados.

Assusto mais ainda ao saber que, após a discussão das expulsões, a FERJ rasurou por conta própria a súmula e apagou com corretivo as marcações do árbitro!

Para quem não viu, eis a súmula entregue pelo árbitro (no site da FERJ):

 

E a mesma súmula “corrigida” pela FERJ: (Repare que os cartões veremlhos foram apagados!)

 

O que dá para dizer? Se a súmula estava lá dentro da FERJ, quem a adulterou?

No modelo original, vê-se que os atletas foram expulsos e que devem cumprir a suspensão automática. Se o adulterador foi membro da CEAF-RJ, diretor, supervisor, seja lá quem for, deve ser punido seriamente!

Triste. Justo na Capital da Copa 2014!

– O que Influencia um Árbitro na Tomada de Decisão?

Vejam só: estupendo trabalho de pesquisa, publicado pelo ótimo site da Universidade do Futebol (citação abaixo), mostra: numa partida de futebol, o árbitro é influenciado por:

1) Presença de barulho da multidão condicionando a marcação de infrações (um árbitro inexperiente deixa de marcar faltas do time da casa, mas continua marcando as do time visitante).

2) desvantagem do time anfitrião no marcador (a intimidação à agressão levaria um árbitro a ser mais caseiro),

3) tempo de acréscimo (menor ou maior conforme o controle do árbitro na partida) e

4) pagamentos sociais, que têm relação direta com a atuação (o reconhecimento à sua atuação, valorização da carreira e do nome).

Além disso, há outras explicações sobre motivação e desmotivação da carreira.

Abaixo, extraído da Universidade do Futebol, em: http://is.gd/ZMc7Y1

Importante: o trabalho não levou em conta Influência de Dirigentes / Clubes / Federações.

E você, o que acha dos dados acima e das explicações que estão abaixo?

FATORES QUE PODEM INTERFERIR NA TOMADA DE DECISÃO DO ÁRBITRO DE FUTEBOL

Por Alberto Inácio da Silva* e Mario Cesar Oliveira**

Os árbitros de futebol são preparados para interpretar as regras do futebol de forma imparcial durante uma partida. Porém, eles podem mostrar um poder discricionário considerável, em particular ao acrescentar tempo extra, marcar penalidades, usar os cartões amarelos ou vermelhos e decidir os tiros livres ou impedimentos. Como consequência, os árbitros têm uma influência muito importante no resultado final de uma partida de futebol.

Vários estudos publicados em revistas científicas demonstraram uma gama de fatores que podem interferir na toma de decisão do árbitro no transcorrer de uma partida. Portanto, o objetivo deste trabalho foi fazer um levantamento destes estudos e apresentar de forma resumida suas conclusões.

Recentemente o técnico de futebol Vanderlei Luxemburgo comentou em várias emissoras de televisão que ele havia observado e tinha gravado em uma fita de vídeo uma partida de futebol sem a presença de torcedores. Nesta partida o árbitro apresentou menos cartões e várias faltas sinalizadas pelos árbitros quando o estádio esta cheio de torcedores lá não foram marcadas. Ou seja, na prática ele observou que o comportamento do árbitro durante uma partida sem torcida era totalmente diferente do seu comportamento quando o estádio estava tomado por uma multidão. Esta observação foi objeto de alguns estudos.

A presença do barulho da multidão tem efeito dramático nas decisões tomadas pelos árbitros. Nevill et al. (2002) forneceram evidência experimental de que os árbitros de futebol são afetados pelo barulho da torcida. Eles mostraram algumas disputas de bola ocorridas em jogos da Primeira Liga Inglesa, gravadas em vídeo, para dois grupos de árbitros qualificados que tiveram que decidir se marcariam ou não uma falta. Um grupo assistiu o videoteipe sem o barulho da torcida, enquanto o outro grupo ouviu o barulho. Aqueles que enfrentavam os desafios com o barulho da multidão de fundo ficavam mais inseguros no momento de tomar a decisão e marcaram significativamente menos faltas (15,5%) contra o time da casa, quando comparado com os que assistiram em silêncio. É notável que as decisões tomadas pelo grupo de árbitros que ouviu o barulho estejam significativamente mais de acordo com as decisões tomadas pelo árbitro original da partida do que as decisões tomadas pelo grupo que assistiu as entradas silenciosamente.

Com respeito a um julgamento tendencioso em potencial na tomada de decisão, o árbitro pode colocar importância igual na informação audível da torcida e na informação visual, levando a desequilíbrio de decisões a favor do time da casa. Pesquisas anteriores sugerem que a experiência pode ajudar a reduzir potencialmente efeitos negativos de estresse no desempenho (Janelle et al., 1999; Williams e Elliott, 1999). Árbitros experientes provavelmente teriam maior controle sobre suas emoções (Hardy et al., 1996) e bases de conhecimento de tarefa específica ampliadas que facilitam a tomada de decisão com habilidade em ambientes com alto nível de estresse (Williams et al., 1999).

De forma interessante, o estudo de Nevill et al. (2002) indicou que o efeito dominante do barulho da torcida era para reduzir significativamente o número de infrações marcadas contra o time da casa, em lugar de aumentar o número de infrações contra o time visitante.

Dado que fazer uma marcação ruim e o barulho da torcida elevarão os níveis de tensão nos árbitros do grupo exposto ao barulho, de modo semelhante ao do árbitro da partida (fontes de tensão percebidas como difíceis de controlar), a estratégia para lidar com isso é provavelmente evitá-la. Como é provável que a torcida deixe claro que eles sentem que a decisão foi ‘errada’, evitar isso poderia ser interpretado como simplesmente não tomar a decisão impopular para penalizar o time da casa ao avaliar os desafios menos claros ou contenciosos. Sempre que um jogador da casa comete uma infração, a reação da torcida é capaz de ativar uma tensão potente de fazer marcação ruim, assim aumentando o nível de incerteza ou indecisão dos árbitros, resultando em nenhuma decisão (evitar) e menos infrações contra o time de casa (Nevill et al., 2002).

Observa-se constantemente na imprensa algumas pessoas palpitando que seria prudente interromper o jogo em determinados lances para que uma equipe decidisse o lance. Desta forma, seria prudente que, se os corpos administrativos, como a Fédération Internationale de Football Association (FIFA), considerarem empregar o replay do vídeo para ajudar os árbitros em campo, fosse empregado mais de um árbitro para ajudar a julgar tais replays contenciosos e, mais importante: os árbitros deveriam julgar em uma cabine à prova de som, evitando a influência da torcida.

Nos estudos apresentados acima, houve um desequilíbrio significativo nas decisões tomadas, por árbitros experientes, com e sem barulho da torcida, demonstrando que árbitros mais experientes são menos afetados pelas vaias da torcida. Os anos de experiência tiveram efeito significativo no número de infrações marcadas pelos árbitros contra os jogadores do time da casa, aumentando com os anos de experiência até um pico aos 16 anos de experiência (aproximadamente) e, depois disso, foi observado um declínio (Nevill et al., 2002). O outro efeito principal da experiência do árbitro foi aumentar significativamente o número de decisões incertas pelos árbitros experientes, ou seja, mais velhos.

Dohmen (2008) afirma que sociólogos e psicólogos sociais reconhecem que as decisões dos indivíduos não só são governadas pelos pagamentos materiais (dinheiro), mas também por pagamentos sociais (reconhecimento) não-materiais que surgem no ambiente social dos tomadores de decisão; por exemplo, na forma de aprovação social ou de sanções sociais. Este tipo de pressão social pode fazer com que os árbitros tomem decisões que acomodem as preferências de um grupo social (torcida) até mesmo se eles não estiverem de acordo com os próprios interesses do tomador de decisões (árbitro). Dohmen (2008) se refere a este ponto de vista como a “hipótese da pressão social”.

Em uma partida de futebol, é de interesse particular do árbitro ser imparcial, enquanto os torcedores querem o sucesso de seu time e, portanto, deveriam ter interesse em trabalhar por um objetivo comum, entretanto contestam as decisões do árbitro que não favorecem seu time e aprovando somente as decisões favoráveis, em uma atitude totalmente parcial e irracional.

Dohmen (2008) desenvolveu estudo que forneceu evidência complementar do comportamento tendencioso do árbitro com base nos dados de 3.519 jogos da Primeira Bundesliga (Campeonato Alemão), que apóia a visão de que o ambiente social pode afetar as decisões do árbitro. A análise empírica que confirma que árbitros profissionais que são designados e pagos pela Associação de Futebol Alemão (DFB) e de quem se espera que sejam imparciais, na realidade sistematicamente favorecem o time da casa. O favoritismo é manifestado no tempo de acréscimo, marcação de gols e cobranças de pênalti. Os dados também forneceram evidências de que características da torcida, tais como a composição da torcida e a distância do campo de futebol que esta se posiciona, prejudicam as decisões dos árbitros, de forma que é consistente com a hipótese de pressão social; quer dizer, que as forças sociais influenciam o comportamento do árbitro.

Dohmen (2008) relata que a extensão do comportamento tendencioso depende da composição da torcida: a parcialidade da casa tende a ser menor quando mais partidários do time visitante assistem à partida. Isto é consistente com a ideia de que a aprovação social e as sanções sociais têm efeito de valor contrário em recompensas sociais líquidas. Os partidários de cada time, que têm o interesse comum, que o time preferido deles alcance sucesso, trabalham para este objetivo aclamando decisões favoráveis do árbitro e expressando descontentamento com as decisões desfavoráveis. Os julgamentos dos árbitros evocam a aprovação social dos torcedores do time favorecido e sanções sociais do time oposto. Espera-se que um árbitro que não é influenciado, quer dizer, que não deriva utilidade intrínseca de uma determinada partida e valoriza pagamentos sociais, pense nos custos e benefícios sociais do acontecimento esportivo.

Outro dado importante desta pesquisa foi perceber que o favoritismo do time da casa é mais forte quando a partida acontece em um estádio sem pista de atletismo ao seu redor, ou seja, quando a torcida fica fisicamente mais próxima do campo e do árbitro – nesse caso há uma intensidade da pressão social indiscutivelmente maior. Essa descoberta empresta suporte para a conjetura que forças sociais influenciam a decisão dos árbitros, seja por causa da pressão social da torcida, diretamente acionando o julgamento parcial da arbitragem, ou por um canal mais oblíquo, no qual, por exemplo, a torcida cria uma atmosfera que encoraja os jogadores no campo para exercer pressão sobre o árbitro. Portanto, times da casa que jogam em estádios com uma pista de atletismo são afetados de forma diferente do que os times que jogam em estádios sem uma pista ao redor do campo (Dohmen, 2008).

O árbitro acrescenta mais tempo na partida se o time da casa está perdendo (Dohmen, 2008). De forma interessante, torcedores têm incentivos muito mais fracos para influenciar o árbitro em partidas decididas na qual o último resultado da partida é improvável que mude durante o tempo de acréscimo. Analisando dados de duas temporadas da Primeira Liga de Futebol Espanhol, Garicano, Palacios-Huerta e Prendergast (2005) perceberam que os árbitros espanhóis favoreciam o time da casa prolongando o tempo da partida em quase 2 minutos quando o time da casa estava perdendo por um gol, quando comparado à situação na qual o time da casa está ganhando por um gol. Eles também investigaram se o tamanho da torcida e a proporção de frequência-capacidade fazia diferença e descobriram que o aumento no desvio padrão na frequência aumenta a parcialidade em cerca de 20%, enquanto uma proporção de frequência-capacidade mais alta reduz a tendência à parcialidade. Eles concluíram que incentivos não monetários, em particular a pressão social da multidão, provocam o tratamento preferencial.

Sutter e Kocher (2004) destacam que, como são os árbitros que decidem a quantidade de tempo extra a favor ou não do time da casa, não há nenhuma razão pela qual os árbitros deveriam acrescentar mais tempo extra quando o time da casa está perdendo por um gol depois dos primeiros 45 min, porque ainda há o segundo tempo a ser jogado. Em vez disso, os árbitros poderiam ficar tentados a acrescentar menos tempo extra se o time da casa estiver perdendo por um gol no primeiro tempo para evitar mais danos (o time visitante poderia marcar mais um gol) e dar ao time da casa a oportunidade de se reorganizar o mais rápido possível durante o intervalo.

Outra informação a ser destacada no estudo de Dohmen (2008) diz respeito à marcação de faltas. Este autor observou diferença estatisticamente significativa, que implica que times da casa tiveram mais gols marcados incorretamente ou discutíveis a seu favor, em relação aos times visitantes. Notavelmente, é menos provável que gols concedidos sejam corretamente marcados quando um time está perdendo, especialmente quando o time da casa está perdendo. É particularmente provável que o time da casa receba a marcação de gol com base em uma decisão errada ou discutível se estiver perdendo por um ou dois gols.

Os árbitros também parecem favorecer os times da casa em decisões de cobrança de pênalti. Os dados brutos revelam que uma fração menor de pênaltis para o time da casa é corretamente marcada (65,20% vs 72,57%). Diferenças observadas nas frequências de decisões injustas, corretas e discutíveis foram estatisticamente significativas. Novamente, a fração de decisões erradas ou discutíveis a favor do time da casa é maior quando o time da casa está perdendo. Porém, deve ser notado que os árbitros também tomam mais decisões discutíveis a favor do time visitante, quando o time visitante está perdendo por apenas um gol. Foi constatado que o time da casa recebe significativamente mais gols ilegítimos do que o time visitante. Também foi observado que é mais provável que os times visitantes tenham negados um gol ou uma cobrança de pênalti legítimos ou discutíveis, pois o time visitante teve um pênalti legítimo injustamente negado em 35,75% dos casos; mas com o time da casa isso só aconteceu em 29,59% dos casos. No caso de decisões a respeito de pênaltis discutíveis, a evidência do favoritismo do time da casa é ainda mais pronunciada: os times da casa têm 28,67% dos pênaltis discutíveis marcados, mas os times visitantes têm apenas 20,27%. Portanto, os dados indicaram que é significativamente mais provável que os times da casa recebam uma cobrança de pênalti quando esta deveria objetivamente ser marcada e quando uma marcação de pênalti é discutível. As estimativas também mostram que os árbitros tendem a marcar menos cobranças de pênalti discutíveis e injustificadas quando a torcida está separada do campo por uma pista de atletismo.

Outra diferença ocorre quando a análise envolve situações ambiguas, em que até mesmo a subsequente análise do vídeo não pôde determinar claramente se esta situação deve ser punida com penâlti. Nestas situações ambíguas, a equipe da casa teve frequentemente mais pênaltis marcados do que a equipe adversária (Dohmen, 2008). Esta é uma prova de que o árbitro, em situações ambíguas, não decide casualmente, mas contraditoriamente. No caso da vantagem da equipe da casa, poderiam os gritos da plateia ter estimulado o árbitro a realizar esta sinalização. Askins (1978) sustentou que durante o curso de qualquer competição há muitos incidentes que parecem ambíguos, até mesmo para os árbitros mais veteranos. Quando isto acontece, os árbitros fazem o que todos os humanos fazem, basicamente, em tal situação: eles buscam esclarecer a situação por qualquer meio disponível. A reação da torcida às vezes pode fornecer a dica que incita a decisão.

Dohmen (2008) afirma ter ficado evidenciado que os árbitros mais experientes tendem a ser menos parciais, o que sugere que os indivíduos podem aprender a resistir à pressão social.

Na ampla literatura sobre a vantagem do time da casa em esportes nos quais ocorre o enfretamento entre duas equipes, a pressão social exercida pela torcida mostrou ser de grande importância (Courneya e Carron, 1992; Nevill e Holder, 1999). Há dois canais principais pelos quais o fator torcida se torna efetivo. Primeiro, as torcidas podem estimular o time da casa a se desempenhar melhor. Embora a literatura não seja conclusiva nesse aspecto, um recente estudo realizado por Neave e Wolfson (2003) pôde unir a composição da torcida à reação fisiológica dos jogadores. Mais especificamente, eles mostram que os jogadores têm um nível de testosterona significativamente mais alto nos jogos realizados em casa do que quando jogam fora de casa, o que poderia ser causado por um desejo natural de defender seu próprio território. Em segundo lugar, o barulho criado pela torcida pode influenciar o árbitro para, subconscientemente, favorecer o time da casa. As torcidas liberam sua raiva em grande parte e bastante depressa nos árbitros por causa de decisões que não favorecem seu time (Sutter e Kocher, 2004).

Exames estatísticos de registros de jogo indicam que os times da casa ganham mais frequentemente que os times de fora; os times da casa recebem mais penalidades favoráveis e recebem menos cartões (Nevill et al., 1996). Por exemplo, em um estudo sobre o número de penalidades marcadas a favor dos times da casa nas ligas inglesas e escocesas, os resultados mostraram evidências claras de que os times da casa com grandes torcidas recebem mais penalidades a seu favor, enquanto os times de fora recebem mais penalidades contra, com mais jogadores sendo expulsos (Nevill et al., 1996).

Folkesson et al. (2002) mostraram que a concentração e o desempenho dos árbitros, particularmente dos mais jovens, foram influenciados pelas ameaças e agressões dos jogadores, dos treinadores e do público. Reforçando esta afirmação, McMahon e Ste-Marie (2002) mostraram que as decisões dos árbitros de rúgbi eram tomadas em função da experiência – e não tanto pela descoberta de infrações decorrentes de fatores que não estavam presentes na jogada, ou seja, de informações extracampo.

Coulomb-Cabagno et al. (2005) publicaram um estudo que teve como objetivo examinar a agressão exibida pelos jogadores e analisar as decisões dos árbitros sobre estes comportamentos como uma função do gênero dos jogadores no futebol francês. Foi percebido que os jogadores do sexo masculino praticaram atos agressivos mais violentos que os jogadores do sexo feminino. Não obstante, em relação ao número total de punições aos atos agressivos cometidos, os árbitros penalizaram mais as mulheres do que os homens. Estereótipos de gênero poderiam ser uma explicação pertinente para estes resultados, uma vez que o futebol geralmente é percebido como um esporte do tipo masculino, particularmente na França, e a agressão como uma característica tipicamente masculina, afirmam os autores.

No contexto desportivo, há também uma evidência crescente de que os homens são mais agressivos ou percebem a agressão como sendo mais legítima do que as mulheres o fazem (Conroy et al., 2001; Tucker e Parks, 2001). Este fato poderia justificar o porque das mulheres serem mais penalizadas por infrações às regras em faltas similares cometidas pelos homens durante uma partida de futebol.

Apesar da falta de consenso na definição do que é agressão no esporte, uma que é frequentemente aceita é o comportamento que transgride as regras da atividade considerada com a intenção de prejudicar ou ferir alguém (Tenenbaum et al., 1996). Os árbitros estão diretamente preocupados com a agressão porque eles são responsáveis por fazer com que as regras sejam cumpridas adequadamente, pois o risco de um jogador sofrer ferimento é cerca de 1.000 vezes maior do que o encontrado na maioria de outras profissões (Fuller et al., 2004).

Investigações de atos de agressão do espectador e observações de torcedores demonstram uma relação entre a agressão do torcedor e as atividades dos jogadores no campo. Smith (1983) sugerem que quando o desempenho dos jogadores no campo for percebido como violento, os espectadores e os partidários do esporte tendem a agir ambos violentamente durante e após a partida.

As regras do jogo instruem os árbitros em como eles deveriam responder quando jogadores, substitutos, substituídos ou oficiais de equipe se utilizam de um linguajar abusivo e/ou gestos no sentido de contrariar a sua decisão. Um estudo, que teve como objetivo verificar a relação da aplicação dos cartões amarelo e vermelho, frente a uma agressão verbal, levando em consideração o disposto no item que trata de faltas e incorreção do caderno de regras da FIFA, mostrou que somente 55,7% dos árbitros teriam tomado uma atitude correta relacionada à ofensa verbal ocorrida no transcurso de uma partida (Praschinger et al., 2011), apesar da literatura mostrar que o abuso verbal dos jogadores nos árbitros é percebido como uma das situações mais embaraçosas em um jogo (Kaissidis e Anshel, 1993). Em outras palavras, a regra 12 não estaria sendo cumprida em sua plenitude.

O estudo desenvolvido por Praschinger et al. (2011) demonstrou que os árbitros são inconsistentes em suas aplicações das regras em relação a ofensas verbais, vindas de dentro ou de fora do campo de jogo. A mesma palavra sendo dita para dois árbitros diferentes pode desencadear reações diferentes, embora as regras do jogo sejam idênticas em relação à situação de agressão verbal.

Entretanto, de um lado temos as regras do jogo, as quais os árbitros devem seguir, do outro lado, nós temos uma situação altamente complexa e dinâmica: uma partida de futebol. Os árbitros parecem resolver este dilema aplicando a “administração do jogo” (Praschinger et al., 2011). Eles balanceiam suas decisões através da sua sensibilidade a várias influências, por exemplo: tempo de jogo, nível de agressividade dos jogadores dentro da partida, tamanho da torcida presente no estádio, se a partida está sendo televisionada, se há policiamento no campo de jogo, os antecedentes do jogador etc. A administração do jogo parece ser um pré-requisito necessário para a aplicação das regras do jogo, apesar de, em algumas situações, contrariar o que esta escrito nas regras, sendo aplicada de maneira diferente em situações específicas durante uma partida.

Folkesson et al. (2002) examinaram as circunstâncias pertinentes a ameaças e agressão (físicas ou verbais) durante as partidas de futebol que foram vivenciadas por 107 árbitros da Associação de Futebol da Província de Värmland (região ocidental da Suécia). Foram identificadas três fontes de agressão: (1) jogadores de futebol, (2) técnicos/treinadores e (3) espectadores. A incidência de ameaças e agressão teve efeito na concentração, no desempenho e na motivação, inclusive nas preocupações antes da partida. Além disso, descobriu-se que os resultados foram afetados pela idade, pelo grau de experiência e pela orientação de vida dos árbitros. Percebeu-se que os árbitros mais jovens eram os mais sujeitos a ameaças e agressão. Com relação à motivação para arbitrar uma partida, este estudo concluiu que os árbitros com orientação geralmente pessimista experimentaram menos motivação, desempenho pior e maiores problemas para enfrentarem o comportamento agressivo dos torcedores, quando comparados com árbitros com orientação geralmente otimista.

Rainey (1994, 1995) examinou fontes de tensão entre 782 árbitros qualificados (certificados) de beisebol e de softboll. Foram revelados quatro fatores correlacionados: medo de fracasso, medo de dano físico, pressão do tempo e conflito interpessoal. O estudo sugeriu que esses fatores podem ser fontes comuns de tensão entre os árbitros e que há necessidade de se pesquisar as fontes de tensão em árbitros de outros jogos esportivos.

Andersson (1983) examinou os motivos que levam os árbitros de futebol a continuarem arbitrando partidas de futebol apesar de ser um trabalho aparentemente ingrato. Este estudo incluiu 36 árbitros de futebol da Associação da região de Göteborg, Suécia, para os quais foi pedido que respondessem perguntas organizadas na forma de um questionário. Os resultados indicaram que dois terços dos árbitros tiveram intenção de desistir do seu trabalho como árbitro. A razão mais comum para isto era que arbitrar ocupava muito de seu tempo e que eles tinham se cansado de toda a crítica que eles tiveram que aceitar no papel de árbitro. Geralmente, eles também percebiam as exigências feitas a eles como sendo irracionais. Vinte por cento dos respondentes (7 entre 36) tinham ficado tão chateados por causa das críticas que consideraram a possibilidade de renunciar ao trabalho. Vários árbitros (aproximadamente 30%) queriam que os jogadores e os treinadores recebessem uma formação melhor e ensinamentos a respeito das regras e regulamentos do jogo. A razão principal pela qual os árbitros continuaram arbitrando, apesar de tudo, foi o amor que tinham pelo jogo.

Em um estudo que examinou as razões dos árbitros de futebol e seus motivos para atuar como árbitro (Isberg, 1978); 80 árbitros de associação e de distrito participaram do estudo. Os resultados mostraram que a razão mais importante para se tornar um árbitro de futebol era manter o contato com o esporte depois de uma carreira ativa como um jogador de futebol. Um forte interesse pelo jogo também foi um fator crítico. O desejo contínuo de se tornar um árbitro melhor era um dos motivos para eles continuarem atuando como árbitros de futebol. Foram listadas oportunidades de contato humano e chances de melhoria na função de árbitro entre as experiências positivas deles. Entre as experiências negativas deles figurou o nível elevado de crítica gerada pela mídia e pelos técnicos.

Os resultados do estudo de Friman et al. (2004) descrevem as percepções de ameaças e agressões vivenciadas pelos árbitros. Apesar disto, e de certa forma surpreendentemente, muitos deles declararam que é divertido ser árbitro de futebol. Por exemplo, em comunidades pequenas o valor do sucesso é muito importante. Da mesma forma, uma decisão que não favorece o time da casa foi relacionada a reações emocionais fortes (irritação e agressão) entre o público que assiste ao jogo. Uma possível explicação para as ameaças e as agressões que os espectadores dirigiram ao árbitro pode ser por falta de conhecimento sobre as regras do jogo. Por exemplo, vários participantes validam a raiva que os jogadores, os técnicos e a torcida expressaram em situações quando eles não estavam completamente certos das regras ou da mais recente interpretação das regras (Friman et al., 2004). Segundo Mack (1980), pode-se garantir que menos de um porcento da população brasileira leu uma regra de futebol – e isto, sem dúvida nenhuma, dificulta a atuação do árbitro durante uma partida, tendo em vista os fatos mencionados anteriormente.

A atenção é um aspecto importante do comportamento do árbitro. Quando o árbitro não corre no campo como se espera que faça, os jogadores ficam obviamente aborrecidos. Se o árbitro frequentemente perder situações importantes, os jogadores eventualmente perderão a confiança no árbitro e começarão a agir agressivamente e ameaçadoramente.

Friman et al. (2004) afirmam que há esperança de que um treinamento mais extensivo de jogadores e técnicos sobre as regras e os regulamentos do jogo reduziriam as experiências negativas causadas por ameaças e agressões. Além disso, os resultados realçam a importância de se espaçar as partidas. Muitos jogos por semana parecem afetar a atenção dos árbitros.

Todos estes resultados apóiam a evidência de que atitudes tendenciosas podem estar presentes no processo de tomada de decisão dos árbitros. Este fato também é confirmado por outros estudos que incluíram variáveis como a cor dos uniformes, a reputação dos times ou as decisões anteriores dos árbitros. Assim, Frank e Gilovich (1988) indicaram que os árbitros de futebol e hóquei no gelo percebiam os jogadores com uniformes pretos como sendo mais agressivos. Por conseguinte, eles também tenderam a penalizar mais esses jogadores, talvez porque a cor preta seja associada com agressividade. Jones et al. (2002) estudaram o impacto da reputação agressiva de um time nas decisões tomadas por árbitros de futebol. Cinquenta incidentes, divididos entre cinco categorias – faltas manifestas cometidas pelo time; faltas ambíguas cometidas pelo time; faltas manifestas cometidas contra o time; faltas ambíguas cometidas contra o time. e nenhuma falta cometida –, foram mostrados a 38 árbitros, primeiro com informação explícita sobre reputação agressiva do time, depois sem qualquer informação a respeito da reputação do time. O último grupo apenas teve que julgar cada incidente em seu próprio mérito. Os resultados revelaram que a informação sobre a reputação agressiva do time afetou o número de cartões amarelos e vermelhos (a severidade da sanção), mas não o número total de decisões marcadas. O time com reputação agressiva foi penalizado mais severamente do que o outro time. Finalmente, Plessner e Betsch (2001) informaram que as decisões também podem ser influenciadas por decisões anteriores; era menos provável que os árbitros marcassem uma penalidade para um time se eles tivessem marcado uma penalidade para o mesmo time antes, e era mais provável que marcassem uma penalidade para um time se eles tivessem marcado para o outro time antes. Ou seja, uma vez que o árbitro concedeu um pênalti a uma equipe, ele supostamente muda seu critério de conceder pênalti ao mesmo time para um nível mais alto em situações subsequentes.

Na ótica de Buther (2000), o estado emocional influencia o comportamento de técnicos, atletas, torcedores, árbitro e assistentes durante o desenvolvimento de um jogo. Ninguém tem a noção exata da natureza, extensão e profundidade dos impactos dos fenômenos sociológicos e psicológicos sobre o comportamento dos indivíduos dentro dos estádios de futebol.

Os árbitros mais jovens estão mais expostos e são mais vulneráveis à ameaça e à agressão. Uma possível explicação para esta situação pode ser que os árbitros mais jovens tenham frequentemente menos experiência em arbitragem de partidas de futebol (Folkesson et al., 2002).

Poderia se especular que um tipo diferente de experiência seja relevante, alguma maneira de “experiência de vida” que permite que o árbitro mais velho apresente maior eficácia para desarmar as tendências à ameaça e à agressão em uma fase inicial. Outra explicação pode ser que os jogadores de futebol, os técnicos e o público podem perceber um árbitro mais velho como sendo mais merecedor de respeito que um árbitro mais jovem, i.e., sugerindo a existência de algum mecanismo “patriarcal” (Folkesson et al., 2002).

Por outro lado, o fator idade não parece influenciar a motivação e o desempenho dos árbitros. Ambos os árbitros com orientação pessimista e orientação otimista se sentiram expostos à ameaça e à agressão a um grau equivalente, mas os árbitros pessimistas sofreram mais com os efeitos. Os árbitros com orientação pessimista tiveram maiores problemas de motivação – e o seu desempenho tendeu a se deteriorar quando comparado com árbitro com orientação otimista. Além disso, os árbitros pessimistas tiveram maiores problemas para lidar com o comportamento agressivo dos espectadores. Parece ser o caso de que uma perspectiva de vida otimista pode afetar em grande parte a forma como a pessoa lida com as tensões e as exigências dos jogos esportivos fisicamente e psicologicamente (Folkesson et al., 2002).

Na Suíça existem duas comunidades, divididas em língua francesa e língua alemã (Messner e Schmid (2007). Estes autores desenvolveram um estudo com o intuito de verificar se uma equipe possui alguma vantagem quando se trata da mesma cultura do árbitro. Foram analisados 1.033 jogos do campeonato da primeira divisão de futebol suíço (masculino). Verificou-se que uma equipe tem vantagem quando se trata da mesma cultura do árbitro. O benefício foi evidente no número de vitórias, a quantidade de pontos ganhos, o número de cartões amarelos e o número de expulsões.

Outra característica especial do árbitro é o poder discricionário entre diferentes punições. No uso da advertência verbal ou do cartão amarelo ou do cartão vermelho é necessário o critério do árbitro. Contudo, espera-se que a equipe defensiva seja com mais frequência punida. Uma equipe visitante tem jogo defensivo mais do que uma equipe da casa. Por isso, espera-se que uma equipe visitante seja penalizada com mais frequência do que a equipe da casa (Courneya & Carron, 1992; Pollard, 2006). E, portanto, recebe a equipe da casa menor número de cartões amarelos e menos expulsões do que a equipe visitante (Sutter & Kocher, 2004).

A vantagem de uma equipe numa partida pela proximidadade cultural não é bem clara. Neste ponto a pesquisa difere de um estudo no futebol australiano. Mohr e Larsen (1998) encontraram maior número de jogos do campeonato australiano nos quais os tiros livres diretos eram favoraveis às equipes de regiões tradicionais do futebol australiano do que em comparação com as equipes das regiões em que o esporte foi introduzido mais tarde. Eles explicam este efeito pela condição social do árbitro, pois os árbitros provêm, na maioria das vezes, de áreas tradicionais.

Outros fatores podem influenciar na atenção concentrada, conforme análises resultantes dos estudos de Maughan e Leiper (2006), os quais relatam que houve interferência na performance em testes de função cognitiva quando o nível de desidratação alcançou 2% do peso corporal inicial. A desidratação dos árbitros durante a partida foi estudada no Brasil. No primeiro estudo constatou-se que a perda total de água corporal pelo árbitro durante a partida era equivalente a 2,05% do seu peso corporal (Da Silva e Fernández, 2003). Já, em outro estudo, foi constatado que a perda hídrica estimada do árbitro foi de 2,16% do peso corporal (Roman et al., 2004). Entretanto, estes dois estudos foram desenvolvidos na região sul do Brasil, mais especificamente no Paraná. Na literatura consta que a perda hídrica média do árbitro de futebol atuando no Estado de São Paulo é, de 3,20% do peso corporal (Da Silva et al., 2010).

As regras do jogo constituem a base de cada esporte. Os jogadores poderiam conhecê-las e os árbitros deveriam apenas supervisioná-las durante o jogo, pronunciar julgamentos com o intuito de apenas sancionar as ações permissivas. Contudo, uma vez que o árbitro sofre influência intra e extracampo, o que inclui jogadores, treinadores e torcida, ele deve apresentar um nível de tolerância para a condução de uma partida. A tarefa dos árbitros é de difícil execução, pelo fato de que cada decisão tomada não pode ser explicitada por escrito. Os árbitros devem controlar a partida, a qual inclui interações sociais e psicológicas (fatores como dinâmica de grupo e liderança) (Praschinger et al., 2011). Possivelmente, porque um jogo de futebol requer administração do jogo ao invés de uma simples aplicação das regras pelo árbitro.

Apesar da regra 5 estabelecer que o árbitro fará cumprir a regra do jogo durante uma partida de futebol, Mascarenhas et al. (2002) discutem que os árbitros aplicam certo tipo de administração do jogo. Isto significa que os árbitros em geral estão dispostos a aplicar as regras de jogo, mas durante uma partida eles têm de ser sensíveis para com a fluência do jogo. Isto os leva a situações nas quais não aplicam as regras de acordo com o propósito que estas indicam. Segundo Praschinger et al. (2011), os árbitros se consideram como os administradores do jogo, ao invés de se considerarem como administradores das regras do jogo.

Como foi possível observar nesta revisão, são inúmeros os fatores que podem interferir no momento da formulação da decisão de um árbitro de futebol no instante que ele tem que interferir na partida. Estas informações são importantíssimas para os profissionais que trabalham com psicologia do esporte, pois há necessidade de se desenvolver metodologias de trabalho para minimizar a influência destes fatores, para que as decisões dos árbitros sejam cada vez mais imparciais e, desta forma, se reduzindo a responsabilidade do árbitro no resultado da partida.

Durante este estudo, não foram abordados tema com corrupção, suborno, que envolve constantemente dirigentes de clubes e federações, membros de Comissão de Arbitragem, e árbitros de futebol. Estes temas são encontrados freqüência em jornais, revistas e telejornais. Como inúmeras vezes denunciado, a decisão de um árbitro de futebol pode também sofrer influencia de suborno, recomendações, e interesse de subir na carreira, já que os critérios para que um árbitro de futebol saia do nível regional para o nível internacional são obscuros, sendo constantemente denunciado que para este avanço na carreira alguns árbitros, conduzem uma partida de futebol de acordo com interesses pessoais ou de terceiros. Para uma melhor compreensão sobre o tema corrupção, suborno no meio futebolístico, recomendasse a leitura dos artigos intitulados “Árbitro de futebol e legislação esportiva aplicável” e “Ética no futebol: será possível?”.

*Professor do Departamento de Educação Física da Universidade Estadual de Ponta Grossa – UEPG, Paraná
**Prof. Universidade Federal de São Paulo, Programa de Pós-Graduação, Centro de Estudos em Medicina da Atividade Física e do Esporte – CEMAFE

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Pollard, R. Home Advantage in Soccer: Variations in its Magnitude and a Literature Review of the Inter-related Factors Associated with its Existence. Journal of Sport Behavior, 29, 169–189, 2006.

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Roman, E. R., Arruda, M., Gasparin, C. E. B., Fernadez, R. P., & Da Silva, A. I. Estudo da desidratação, intensidade da atividade física do árbitro de futebol durante a partida. Rev Brasileira de Fisiologia do Exer. 3(2), 161-171, 2004.

Smith, M. Violence and sport. Toronto, Canada: Butterworths. 1983.

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Tenenbaum, G., Stewart, E., Singer, R. N., & Duda, J. Agresión and violence in sport: An ISSP position stand. Internacional Journal of Sport Psychology, 27, 229–236, 1996.

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– CBF oficializa Listas com os Árbitros 2012

A CA-CBF divulgou a relação de árbitros para as competições 2012, com os FIFAs, os aspirantes a FIFA, CBF 1 e CBF 2, além dos quadros especial e feminino.

Se restringíssemos aos árbitros de São Paulo, poderíamos dissertar sobre os nomes, como a boa novidade Guilherme Ceretta de Lima entrando no quadro de aspirantes, ou a surpreendente saída da FIFA da assistente Maria Elisa Correa Barbosa. Mas não é esse o propósito desse artigo, e sim de questionar a tal “integração nacional” alardeada.

A CBF entende que deve promover a integração do país. Assim, todos os cantos do Brasil devem estar representados no futebol nacional. Ok, é uma linha de pensamento. Mas não podemos fazer como nos tempos da ditadura: integrar para ter apoio político, sem se ter merecimento para tal. Ou esquecemos dos tempos quando “onde a Arena vai mal, mais um time no Nacional?”

Integrar é manter em contato; mas se deve fazer com PROPORCIONALIDADE adequada. Na lista divulgada (link em: http://is.gd/ARBITROS2012), vemos que estados de pouca representatividade tem um grande percentual na arbitragem. E aqui temos que ser justos – sem demagogia (e que não venham com discursos de discriminação): mas estados mais fortes futebolisticamente, economicamente, estruturalmente, não devem ter maior proporcionalidade do que outros? Alguns estados acabam sendo generosamente alavancados sem ter clubes ou árbitros de boa qualidade (sempre falando em números relativos / proporcionais).

Carece-se urgentemente repensarmos o cenário e critérios da arbitragem nacional. Pesa-me ver que o critério político pode atrapalhar o critério meritocrático. Para isso, deve-se responder: os 10 árbitros FIFA do quadro, são verdadeiramente os 10 melhores do Brasil? Os aspirantes que o seguem, são pela sequência o 11º, 12º, 13º melhores?

 

RENAF MASCULINA 2011/12

CNA ÁRBITROS – FIFA  UF  DT_NASC  OBS

1  HEBER ROBERTO LOPES  PR  13/07/72  

2  PAULO CESAR OLIVEIRA  SP  16/12/73

3  WILSON LUIZ SENEME  SP  28/08/70

4  MARCELO DE LIMA HENRIQUE  RJ  26/08/71

5  SANDRO MEIRA RICCI  PE  19/11/74

6  LEANDRO PEDRO VUADEN  RS  29/06/75

7  EVANDRO ROGERIO ROMAN   PR  03/03/73

8  RICARDO MARQUES RIBEIRO  MG 18/06/79  

9  PERICLES BASSOLS PEGADO CORTEZ  RJ  03/07/75

10  FRANCISCO CARLOS DO NASCIMENTO  AL  09/10/77

 

CNA ÁRBITROS ESPECIAL – 1  UF  DT_NASC  OBS

1  ALICIO PENA JUNIOR  MG 01/02/68  

       

CNA ÁRBITROS ASPIRANTES-FIFA  UF  DT_NASC  OBS

1  WILTON PEREIRA SAMPAIO  GO  21/12/81  

2  LUIZ FLAVIO DE OLIVEIRA  SP  13/06/77

3  WAGNER REWAY  MT  14/05/81

4  CELIO AMORIM  SC  08/02/79

5  MARCIO CHAGAS DA SILVA  RS  05/07/76

6  PABLO DOS SANTOS ALVES  ES  03/06/76

7  CLAUDIO LUCIANO MERCANTE JUNIOR  PE  19/02/76

8  FELIPE GOMES DA SILVA  RJ  16/03/79

9  GUILHERME CERETA DE LIMA  SP  25/11/83

10  CLAUDIO FRANCISCO LIMA E SILVA  SE  26/04/80

       

CNA ÁRBITROS ESPECIAL-2  UF  DT_NASC  OBS

1  ANDRE LUIZ DE FREITAS CASTRO  GO  08/06/74  

2  NIELSON NOGUEIRA DIAS  PE  14/09/74

3  JAILSON MACEDO FREITAS  BA  09/01/71

4  ARILSON BISPO DA ANUNCIAÇAO  BA  08/02/73

5  ELMO ALVES RESENDE CUNHA  GO  18/12/74

6  FRANCISCO DE ASSIS ALMEIDA FILHO  CE  25/05/78

7  JOSE HENRIQUE DE CARVALHO  SP  13/03/74

       

CNA ÁRBITROS CBF-1 (UM TERÇO: 1/3)  UF  DT_NASC  OBS

1  PAULO H DE GODOY BEZERRA  SC  27/01/69  

2  RODRIGO NUNES DE SA  RJ  28/03/79  (*)

3  EDIVALDO ELIAS DA SILVA   PR  30/06/73  

4  FABRICIO NEVES CORREA  RS  08/05/74

5  DEVARLY LIRA DO ROSARIO  ES  28/06/76  (*)

6  MARCOS ANDRE GOMES DA PENHA  ES  10/01/75  

7  MARCOS MATEUS PEREIRA  MS  10/09/79  (*)

8  ANTONIO F DE CARVALHO SCHNEIDER  RJ  28/08/76  (*)

9  RENATO CARDOSO DA CONCEIÇAO  MG 18/09/72  

*  JOSE DE CALDAS SOUZA  DF  01/09/67

10  RODRIGO BRAGHETTO  SP  30/06/75

11  MARCELO APA RIBEIRO DE SOUZA  SP  20/10/72

12  JEAN PIERRE GONÇALVES LIMA  RS  13/07/79  (*)

13  ANTONIO HORA FILHO  SE  23/07/68  

14  ANDERSON DARONCO  RS  05/01/81  (*)

15  JEFFERSON SCHMIDT  SC  07/10/69  

16  EMERSON DE ALMEIDA FERREIRA  MG 25/08/78  (*)

17  ROGERIO LIMA DA ROCHA   SE  05/12/70  

18  ANTONIO DENIVAL DE MORAIS  PR  03/07/70

19  JOAO BATISTA DE ARRUDA  RJ  24/06/74

20  CHARLES H CAVALCANTE FERREIRA  AL  19/07/79  (*)

21  JOAO BOSCO SATIRO NOBREGA  PB  22/08/79  (*) CA-CBF

22  WAGNER DOS SANTOS ROSA  RJ  18/04/69  

23  RAPHAEL CLAUS  SP  06/09/79  (*)

24  EDUARDO TOMAZ VALADAO  GO  22/02/78  (*)

25  CLEISSON VELOSO PEREIRA  MG 13/07/79  (*)

26  MANOEL NUNES LOPO GARRIDO  BA  01/10/69  

27  WLADYERISSON SILVA OLIVEIRA   CE  17/10/76  (*)

28  SUELSON DIOGENES DE FRANÇA MEDEIROS  RN  21/02/78  (*)

29  MARIELSON ALVES SILVA  BA  14/05/82  (*)

30  WAGNER DO NASCIMENTO MAGALHAES  RJ  22/06/79  (*)

31  ANDREY DA SILVA E SILVA  PA  24/06/78  (*)

32  ARNOLDO VASCONCELO FIGARELA  RO  13/07/69  

*  VINICIUS COSTA DA COSTA  RS  19/09/67

33  EDMUNDO ALVES DO NASCIMENTO  SC  19/05/69

34  EMERSON LUIZ SOBRAL  PE  23/06/74

35  RODRIGO MARTINS CINTRA  SD  04/10/76  (*)

36  PATHRICE W CORREIA MAIA  RJ  21/04/84  (*)

37  ADRIANO MILCZVSKI  PR  29/07/75  

38  ANTONIO R BATISTA DO PRADO  SP  04/06/71

39  JANIO PIRES GONÇALVES   TO  16/01/77  (*)

40  RODRIGO G FERREIRA DO AMARAL  SP  25/10/76  (*)

42  GLEIDSON SANTOS OLIVEIRA  BA  19/03/72  

42  ITALO MEDEIROS DE AZEVEDO  RN  19/02/75

43  ALINOR SILVA PAIXAO  MT  31/12/79  (*)

44  JOSE ACACIO DA ROCHA  SC  17/03/72  

45  MAYRON F DOS REIS NOVAES  MA 23/08/77  (*)

46  WELLINGTON BRANQUINHO  GO  23/04/77  (*)

47  ROBSON MARTINS FERREIRA  MA 06/11/72  

48  LUCIO JOSE SILVA ARAUJO   BA  26/04/70

49  NILO NEVES DE SOUZA JUNIOR  PR  18/10/74

50  JOSE R ALBUQUERQUE SOARES  PB  03/10/69

51  JOAO LUPATO  MS  12/04/78  (*)

52  EDMAR CAMPOS ENCARNAÇAO  AM 02/01/74  

53  MARCELO ALVES DOS SANTOS  MT  19/07/75

       

CNA ÁRBITROS CBF-2 (DOIS TERÇOS: 2/3)  UF  DT_NASC  OBS

1  CARLOS RONNE CASAS DE PAIVA  AC  06/03/73  

2  FLAVIO FEIJO DE OMENA  AL  01/09/69

3  DEWSON FERNANDO F. DA SILVA   PA  27/02/81

4  FABRICIO NERY TRINDADE  GO  04/08/77

5  DIEGO POMBO LOPEZ  BA  07/08/86

6  SEBASTIAO RUFINO NETO  PE  02/09/78

7  FLAVIO RODRIGUES GUERRA  SP  30/06/79

8  RODRIGO BATISTA RAPOSO  DF  22/07/79

9  JOAQUIM WEBESTHER F MARTINS  CE  03/01/73

10  JOSE CLEUTON DE SOUZA LIMA  CE  03/12/76

11  LEONARDO GARCIA CAVALEIRO  RJ  28/10/74

12  MARCIO C BRUM CORUJA  RS  05/08/72

13  CLAUDIONOR DOS SANTOS JUNIOR  SE  18/04/75

*  FRANCISCO LEONE DE OLIVEIRA  TO  14/01/67

14  PAULO SERGIO SANTOS MOREIRA   MA 28/01/76  

15  FRANCISCO SANTOS SILVA NETO  RS  01/12/71

16  CARLOS EDUARDO VIEIRA AREAS  SC  16/06/76

17  ELIVALDO CASSIO DOS SANTOS  AP  10/07/75

18  VINICIUS FURLAN  SP  15/12/79

19  LUIZ APARECIDO DA SILVA   MS  10/03/69

20  JOSE ANTONIO DE ALMEIDA PINHEIRO  AC  26/07/72

21  GLEYDSON FERREIRA LEITE  PE  31/07/76

22  COSME IRAN SABINO DE ARAUJO  BA  08/11/72

23  CLAUBER JOSE MIRANDA  PA  26/06/70

24  OSIMAR MOREIRA DA SILVA JR  GO  27/03/81 CA-CBF

25  FABIUS FILIPUS  PR  09/04/80  

26  LEANDRO S DANTAS DE OLIVEIRA  RN  26/03/83

27  ANTONIO N DO REGO COSTA  AC  14/12/76

28  JOSE MARIO DE S DA COSTA  AP  19/07/77

29  FLEDES RODRIGUES SANTOS  RO  16/11/79

30  ROGERIO JOSE BUENO  DF  07/03/76

31  JOSIMAR SOUZA DE ALMEIDA  AC  12/05/70

32  EDUARDO CORDEIRO GUIMARAES  RJ  16/12/81

33  ANTONIO C PEQUENO FRUTUOSO  AM 17/09/80  

34  EVANDRO TIAGO BENDER  SC  05/12/83

35  CLEBER VAZ DA SILVA  GO  05/03/79

36  EDER CAXIAS MENEZES  PB  08/12/81

37  GLEYSTO GONÇALVES DA SILVA  CE  07/11/78

38  WALES MARTINS DE SOUZA  DF  25/03/79

39  ANTONIO J L TRINDADE DE SOUZA  PI  17/02/73

40  JOSE E ARAUJO ALCANTARA  PE  07/07/76

41  CARLOS EDUARDO NUNES BRAGA  RJ  19/02/80

42  RODRIGO CARVALHAES DE MIRANDA  RJ  19/01/80

43  GILBERTO R CASTRO JUNIOR  PE  29/05/80

44  FELIPE DUARTE VAREJAO  ES  11/06/83

45  CLIZALDO L M DI PACE FRANÇA  PB  30/06/83

46  FLAVIO H COUTINHO FERREIRA  MG 25/05/80  

47  LEANDRO BIZZIO MARINHO  SP  26/09/78

48  AVELAR RODRIGO DA SILVA  CE  24/03/74

49  LUIZ CARLOS PEREIRA   SC  20/03/78

50  MARCOS VINICIUS DE SA DOS SANTOS  MG 21/05/79  

51  JOHNN HERBERT ALVES BISPO  BA  23/11/73

52  LUCIANO OLIVEIRA DOS SANTOS  TO  24/03/74

53  GERVALIO TAIGO DE CARVALHO LIRA  RR  18/11/70

54  RENAN ROBERTO DE SOUZA  PB  14/08/86

55  CLAUDINEI FORATI DA SILVA  SP  08/01/82

56  DYORGENES J PADOVANI DE ANDRADE  ES  24/10/79

57  FLAVIO RODRIGUES DE SOUZA  SP  29/07/80

58  ELVIS SIQUEIRA DE ALMEIDA  ES  30/01/80

59  RONAN MARQUES DA ROSA  SC  08/07/85

60  LEANDRO JUNIOR HERMES  PR  30/07/79

61  PABLO RAMON GONÇALVES PINHEIRO  RN  12/11/86

62  PHILIP GEORG BENNETT   RJ  10/02/86

63  PAULO H SCHLEICH VOLKOPF  MS  07/04/85

64  ANTONIO DIB MORAES DE SOUZA  PI  15/08/82

65  JOAO BATISTA CUNHA BRITO  AM 16/07/80  

66  GILBERTO FREIRE DE FARIAS  PE  23/09/78

67  JOSEVALDO BISARRIA DE MELO  AL  20/10/83

68  ANTONIO SANTOS NUNES  PI  17/11/72

69  ENEIAS FERREIRA LEITE OLIVEIRA  PE  02/11/81

70  FRANCISCO PEREIRA DE LIMA JR  PI  26/02/82

71  RAFAEL ODILIO RAMOS DOS SANTOS  MT  16/03/83

72  ANTONIO M BELMONTE VIEIRA  BA  03/06/73

73  ARNILDO PEREIRA OLIVEIRA  RO  10/08/75

74  WASLEY DO COUTO LEON  PA  01/02/84

75  GRAZIANNI MACIEL ROCHA  RJ  17/12/82

76  DANIEL DE SOUSA MACEDO   RJ  04/10/82

77  DANIEL MARTINS DOS SANTOS  MT  08/09/77

78  JOAQUIM RIBEIRO DE SOUZA JR  MT  03/11/85

79  ROBERTO GIOVANNY OLIVEIRA SILVA  GO  05/05/78

80  EMANUEL DINIZ DE ARAUJO  PB  20/01/79

81  ROGER GOULART  RS  03/06/82

82  JOSE CLAUDIO ROCHA FILHO  SP  03/04/78

– Atlético/PR 1 X 1 Criciúma: o Gol da Posse de Bola Perdida?

O lance pastelão protagonizado na Copa do Brasil no meio dessa semana, na partida entre Atlético X Criciúma, nos mostra que até os árbitros têm dificuldade em interpretar “Posse de Bola” dos goleiros.

No jogo, o goleiro está quicando a bola e o atacante a rouba, de cabeça, fazendo o gol. O bandeira avisa o árbitro do ocorrido, mas este entende que o gol é legal e valida. Para quem não viu o lance, clique no link abaixo:

http://www.youtube.com/watch?v=Al4ZKa3gZC8&feature=relmfu

Qual é a irregularidade da jogada?

O erro é: quando o goleiro tem a posse de bola com as mãos, ele tem 6 segundos para a repor em jogo. Entende-se, pela Regra do Jogo, que essa posse compreende também o ato de quicar a bola para lançá-la. Sendo assim, estando o goleiro com a posse de bola com as mãos (com o pé é diferente), ela não pode ser disputada até ser efetivamente colocada em jogo.

Portanto, é infração o fato do atacante cabecear a bola durante o quicar da mesma, já que ela estava na posse do goleiro.

Se o goleiro a colocasse no chão, aí a bola estaria em condição de disputa. Ele estaria com a posse de bola (e não tem mais a preocupação dos seis segundos, pois já a repôs ao jogo), sendo que nada haveria de irregular em roubá-la (o goleiro não poderia mais segurá-la com as mãos a partir desse momento). Um exemplo de tal lance: a famosa roubada de bola de Ronaldo (Cruzeiro) em cima de Rodolfo Rodriguez (Bahia), em 1994.

Errou o árbitro, acertou o bandeira, que acabou sido desprezado.

– Análise da Arbitragem de Internacional X Santos, Libertadores 2012

Antes do jogo, uma consideração importante: muito se questionou sobre a escala de Sandro Meira Ricci para esta partida, que hoje atua como FIFA-PE. Ótimo árbitro, bom caráter e que um dia processou na Justiça (e venceu) Neymar por ofensas pós-jogo contra sua pessoa, via Twitter. Num país democrático e civilizado, tudo bem. Seria normal, mas… falamos do futebol, um mundo a parte, onde se apela de todas as formas. Assim, o Santos chiou, através de Muricy Ramalho, por um “desafeto de Neymar” em ser escalado. Já o Internacional devolveu a crítica também reclamando através do seu diretor Fernandão, pois o árbitro escalado era um “sujeito pressionado pelo Santos”.

Ora, a Sulamericana poderia ter evitado tal escala, sabedora que a cultura do futebol utiliza tais fatos para pressionar a arbitragem.

Cabeça de árbitro: se errar a favor do Santos, dirão que a pressão funcionou; se errar contra, foi revanchismo. E aí?

Como a desculpa oficial é de que não temos tantos árbitros disponíveis, fica a questão: tirando os FIFAs de SP e RS (que não podem apitar tal confronto), não há ninguém competente para um confronto doméstico? Então, que estes árbitros devolvam o escudo, já que a razão de ser de um árbitro FIFA é apitar qualquer jogo internacional mundo afora.

Vamos ao jogo!

Com 30 segundos, já vimos que o Internacional estava ligado. Num escanteio a favor do Inter, o gandula (que sempre é funcionário do time da casa) colocou a bola na marca do tiro de canto imediatamente a saída da bola pela linha de meta. Incrível, a bola saiu e 2 segundos após ela estava posicionada pelo gandula e com 5 segundos foi rapidamente cobrada (não precisa esperar o apito do árbitro). Por curiosidade: o primeiro escanteio a favor do Santos, por volta dos 10 minutos, teve a bola posicionada em 12 segundos e cobrada com 26s após sua saída (tal artimanha foi copiada do jogo Once Caldas X Internacional, pela Pré-Libertadores, onde os gaúchos sofreram tal estratégia na Colômbia)

Logo aos 3 minutos, houve a primeira advertência verbal, que não foi a um jogador, mas ao treinador colorado Dorival Júnior. Jogo pegado e pesado, o árbitro quer manter o controle da partida e mostrar que ele está atento na primeira oportunidade. Foi nítida a imagem do treinador dizendo ao quarto-árbitro Péricles Bassols que não reclamara com o árbitro, mas com Tinga, seu atleta. Desculpa esfarrapada e comum pós-bronca…

O primeiro erro de Sandro Ricci ocorreu aos 5 minutos, numa falta clara sobre Leandro Damião, que avançava ao ataque. O erro só aconteceu pois o árbitro estava encoberto exatamente pelos dois jogadores santistas que estavam no lance da falta. Certamente, pelo seu posicionamento, viu a queda mas não o ato faltoso. Errou.

Como atletas experientes sabem explorar possíveis fragilidades de um árbitro (e a pressão pré-jogo era o problema na partida), aos 7 minutos Dagoberto avança no ataque e Durval o para obstruindo (sendo a falta que originou o gol). Nada de violência, nem de dizer que matou o contra-ataque. Falta normal, sem cartão. Porém, Dagoberto dá uma cambalhota forçada na queda e já se vira pedindo cartão amarelo ao zagueiro santista. Não era para tal, acertou o árbitro. Neste momento, 5 jogadores rodeiam o árbitro com o típico sinal de “pedir cartão”. Que coisa! Parecia ensaiado.

Aos 20 minutos, grande acerto técnico do árbitro e exemplo de falta de fair play: Juan levanta demais a perna em disputa de bola com Leandro Damião (portanto, tiro livre indireto). Damião não é atingido mas cai simulando ter sido acertado no rosto. Ricci nem deu bola. Porém, se houve acerto técnico, houve erro disciplinar: teria que dar cartão amarelo para Leandro Damião pela descarada simulação de agressão, já que tentou iludir o árbitro e consequentemente jogar um estádio todo contra ele.

A sequência de faltas/cartões perfeita de Ricci: aos 23m, Sandro Silva faz falta e leva advertência verbal, e exatamente 1 minuto depois, repete a mesma falta, agora em Ganso. Cartão amarelo bem aplicado. Aos 25m, Nei apela e “desce o sarrafo” em Neymar. Amarelo clássico, sem contestação. Isso é clara intimidação pela violência. Aos 29m, no meio de campo, Neymar dá um carrinho desnecessário em Sandro Silva e recebe amarelo. Acertou o árbitro novamente, e fica a observação: Neymar já não é experiente o suficiente para saber que atacante não pode cometer tal infração desnecessariamente, pois corre o risco de receber cartão?

Erro do bandeira goiano Fabrício Vilarinho: Após cobrança-relâmpago de escanteio pelo Internacional, bate e rebate onde Damião recebe a bola em posição legal e o assistente, num erro grosseiro, impugna a jogada.

Dos 30 minutos até o final do primeiro tempo, os atletas se comportaram melhor (ou seja, afrouxaram a marcação e reduziram as faltinhas anti-jogo) e visivelmente o jogo fluiu melhor. O árbitro, consequentemente, soltou mais o jogo (que no linguajar da arbitragem é: deixou correr um pouco mais).

Sem pecados capitais, a primeira etapa se encerrou tranquilamente para a arbitragem.

Após o intervalo…

Como no primeiro tempo, o segundo começou também pegado, com muito contato físico e Sandro Ricci voltando a apitar tudo (estratégia correta nos momentos iniciais). Elton, logo no início, fez falta forte em Neymar e levou correto cartão amarelo.

Por 15 minutos, o jogo ficou fácil para a arbitragem, com jogadores se respeitando e nenhuma jogada ríspida, embora 2 ou 3 lances de lesões por lances involuntários, sem reclamações ao árbitro.

Porém, aos 65 minutos, após o gol do Santos, o Internacional respondeu com pressão no ataque. Nos minutos 66 e 67, em dois ataques, jogadores colorados caem na área penal. No primeiro, queda por força da jogada; no segundo, o atacante gaúcho fica no chão tentando cavar.

Neste ínterim, um lance onde a bola supostamente bate na mão do zagueiro Edu Dracena, dentro da área. Se pegou ou não, nem importa, pois o lance é totalmente involuntário. Jogador está no chão, sem intenção de tocá-la. Portanto, irrelevante.

O lance mais polêmico ocorreu aos 84 minutos: lance para cartão vermelho, onde o colorado Rodrigo dá um carrinho com o pé erguido em Neymar, que pula. Na frente do banco santista, muita reclamação, pois o jogador do Internacional recebe apenas o Amarelo. Importante: é regra – carrinho não precisa atingir o atleta, é dar ou tentar  – e a punição deve ser feita com expulsão do atleta.

Aos 87 minutos, o mesmo Rodrigo Moledo atinge Neymar com um pontapé nas pernas, em disputa de bola. Novo amarelo, e consequentemente Vermelho.

Em suma: excelente arbitragem de Sandro Meira Ricci em jogo que entrou muito pressionado. Foi competente em campo, equilibrado emocionalmente, e nos poucos erros que cometeu, nada que comprometesse, contando até mesmo com a sorte para corrigir equívocos. A única queixa: o jogo parou muito no segundo tempo; e os acréscimos (que foram poucos: 2 minutos) duraram apenas 1m27s…

Ricci segurou a pressão por 90 minutos, mas como existe um ditado no futebol que ‘acréscimo não consagra árbitro…’ fazer o quê!

– A Difícil Missão em ser “Comentarista de Arbitragem”

Cada vez mais vemos a figura do Analista de Árbitros nas transmissões esportivas. Missão ingrata para quem exerceu a profissão; inglória para quem nunca apitou.

Gosto do Godói, sempre taxativo. Gostava dos comentários do Cerdeira, em tom professoral e didático. Hoje, admiro Gaciba no seu trabalho, embora, ressalto, acho que o quadro que ele mantém no programa pós-jogo na Sportv é excepcional e melhor que a sua própria participação durante as partidas. Já Arnaldo, Marsiglia e Wright, experientes em Copas do Mundo, com conhecimento muito grande, em alguns momentos ousam “brigar com a imagem”. Fazer mea culpa é difícil para o ser humano…

Sem desrespeitar qualquer um deles, mas o comentário do Arnaldo César Coelho no primeiro pênalti de Barcelona X Milan (jogo de volta da Liga dos Campeões da Europa), é daqueles que atrapalham o aprendizado do torcedor. O jogador milanista perde o tempo da bola e toca imprudentemente o pé de Messi (não é casualidade de jogada, mas imprudência do zagueiro); dentro da área, tiro penal sem aplicação de cartão amarelo. Mas o comentarista alegou que Messi pulou antes, mesmo com os replays mostrando que com a bola dominada, Messi foi tocado no pé de apoio (detalhe – tudo isso se Messi estava em condição legal de jogo na hora do lançamento a ele).

O torcedor, em geral, não conhece Regra de Futebol. E nem deve ser obrigado a conhecer, já que o futebol deve ser algo lúdico a ele. Mas se é um lance decisivo de título num Flamengo X Corinthians, imaginaram os mais fanáticos? Influenciados por um comentário descuidado, pode trazer confusões.

Tenho acompanhado grandes jogadores de futebol, como Neto e Muller. Ficam devendo quando comentam arbitragem. Excepcionais dentro de campo, escorregam quando falam de algo que não são especialistas. E aí, logo após as partidas, temos aqueles comentários mais estapafúrdios. Poucos são aqueles que buscam conhecer o assunto: na TV a cabo, temos Paulo Calçade. Nas rádios, Mauro Betting, Flávio Prado, Fernando Sampaio, Rogério Assis, entre outros. Nos jornais, quase não há ninguém especialista no assunto. Pior: nos “minuto a minuto” da Internet, nada!

Fica uma sugestão: que tal quadros / esquetes de poucos minutos, numa linguagem rápida e didática, do tipo: “Conheça a Regra”? Muitos torcedores desconhecem que o futebol tem 17 regras, não sabem que vale gol direto de um chute no bola ao chão (não é “bola ao ar”) ou que quem pode exigir barreira é o cobrador de faltas, não o goleiro.

A propósito: cheia de detalhes que a Regra do Jogo é, que tal elaborar uma prova de conhecimentos básicos aos jogadores sobre as 17 regras? Certamente, ficaríamos decepcionados ao vermos que muitos desconhecem detalhes fundamentais do próprio ofício que exercem…

– Mudança de Mando que prejudica o Campeonato

A equipe do Oeste de Itápolis (não importa os motivos) mandou sua partida no Paulistão 2012 contra o São Paulo na cidade de Presidente Prudente. Fará o mesmo no próximo domingo contra o Corinthians.

É claro que na partida já realizada, tanto quanto a que se irá realizar, a torcida do time grande será maior. O estádio Farahzão é excepcional para a equipe visitante.

Já apitei jogos tanto em Itápolis quanto em Presidente Prudente. Não há comparação. No Estádio dos Amaros, as condições são precárias, e a equipe adversária sente muito a pressão. O campo pequeno provoca muitas faltas, o que é ruim para o árbitro. Bem como a qualidade dos vestiários e acomodações gerais ficam a desejar. Já no “Farahzão”, o campo é neutro. Ótimas dimensões, gramado bom, segurança aos times e a arbitragem.

Fica a dúvida: não é inversão de mando?

Querem um exemplo? O Paulista de Jundiaí jogou contra o Oeste em Itápolis: o jogo ficou paralisado por falta de energia; o campo diminuto provocou muito contato físico, levando a excessivas faltas e expulsão de atletas; as dependências estavam em péssimo estado. Até a imprensa sofreu.

Qual seria o resultado da partida caso o Oeste jogasse em Prudente contra o Galo de Jundiaí?

Qual seria o resultado da partida caso o Oeste jogasse em Itápolis contra o São Paulo FC?

São essas coisas que a Federação Paulista precisa explicar…

– Brasileirão-2012 terá Árbitros Adicionais e Outras Novidades

Teremos 3 novidades para o Campeonato Brasileiro 2012 em relação à arbitragem:

– Prometido aos clubes de futebol a criação da Corregedoria da Arbitragem, a fim de investigar a conduta dos árbitros dentro e fora de campo;

– Prometido aos Torcedores a Criação de uma Ouvidoria de Arbitragem, para analisar as atuações;

– Anunciada a experiência de 2 árbitros de meta no torneio.

Incrível. José Maria Marin repete na CBF exatamente o que Marco Polo Del Nero fez na FPF no episódio “Máfia do Apito”. Na ocasião, criou a Corregedoria com o Dr Bento da Cunha, implantou a Ouvidoria com Silas Santana (que curiosamente é presidente da Cooperativa dos Árbitros) e, recentemente, adotou a experiência de dois árbitros no Paulistão.

Em São Paulo, publicamente o Cel Marcos Marinho disse que já comunicou à FIFA o fracasso da ideia. Na CBF, Sérgio Correa sempre fez questão em dizer que o ganho com os Árbitros Adicionais é irrelevante e que não gosta da experiência.

Gostando ou não, a ideia é ótima pelos motivos que já escrevi, em: http://is.gd/BomDiaeDiario

– Quando a Incompatibilidade de Cargos faz Vítimas!

Mateus 6:24 – Ninguém pode servir a dois senhores; porque ou há de odiar um e amar o outro, ou se dedicará a um e desprezará o outro.”

Não gosto de usar palavras sagradas em meio a ocasiões profanas indevidas. Mas é curioso como em algumas situações a incompatibilidade de funções/ações gera vítimas.

Digo isso pois o amigo Marcelo Marçal foi destituído de suas funções como responsável do site da Cooperativa de Árbitros de Futebol do Estado de São Paulo. Em nota, disse que a decisão foi dos cooperados.

Ué, eram quantos cooperados? Numerosos?

Marcelo Marçal possui há anos o site Apitonacional.com , onde o foco são notícias do mundo da arbitragem de futebol. Evidentemente, não seria espantoso imaginar que em alguma oportunidade, caso seu site abordasse algum tema que desagradasse a Cooperativa de Árbitros, fosse questionado. Seria exagero imaginar que as críticas a um árbitro sul-matogrossense que vem trabalhando em SP motivaram a sua demissão? Talvez. Não importa. É de direito da Cooperativa dos Árbitros, que é uma empresa privada, e ela não deve nenhuma satisfação à sociedade (mas aos seus cooperados). E como os cooperados gostam e participam da instituição, deve estar tudo bem.

E aqui vai a observação: por mais que o site Apitonacional.com buscasse a isenção, o comprometimento com a outra empresa poderia ser nocivo, pelo fato do site não poder blindar alguém (e nem deve!). Uma hora ou outra, isso poderia acontecer. E se aconteceu, é porque quís mostrar independência.

Marçal é um trabalhador, sujeito esforçado e inteligente. E aqui, nada de solidariedade ou caridade pois ele não precisaria disso, graças a sua competência, mas sim uma palavra de quem entende tais incompatibilidades: pensar pelo lado positivo– agora, não há impedimento algum para a discussão sobre outros temas, como a necessidade de tantas entidades de árbitros (custosas a eles próprios), como descontos de Cooperativas e Sindicatos, além de, quando ocorrerem, possíveis casos de subserviência à FPF poderem ser abordados com maior profundidade.

Boa sorte nesse momento novo. Tenho certeza de que não fará falta aquele trabalho.

– O time perdeu. A Culpa é de Quem?

São 12 desculpas que você ouvirá de treinadores. E 6 que nunca ouvirá.

Àqueles que gostam de futebol, é inegável dizer que Paulo Cézar Caju foi uma figura ímpar na história do futebol brasileiro. É público o seu depoimento que, depois do término da sua carreira, afundou-se nas drogas lícitas e ilícitas. Há pouco tempo, amparado por amigos, recuperou-se e hoje presta relevante serviço como palestrante inveterado contra o uso de drogas. Louvável iniciativa. Tão louvável são suas colunas escritas no “Jornal da Tarde”.

Em uma delas, ele procurou abordar as desculpas dos treinadores frente as derrotas.  Eis um pequeno trecho para uma grande reflexão:

Em gerações passadas, jogávamos com uma bola chamada G18, que significa 18 gomos. Era de couro duro e dava um trabalho danado para os roupeiros durante a semana de treinos e após os jogos. Passar sebo, reforçar costuras e colocar no sol era a rotina diária. Talvez seja por isso que fazíamos questão de tratá-la com tanto carinho. E hoje ainda tenho que escutar treinadores reclamando da bola! Depois de reclamar do plantel, das arbitragens e dos gramados, agora sobrou para a bola, que hoje é desenvolvida com a melhor das tecnologias do planeta (…) Os “professores” deveriam, isso sim, ir pra campo, sem descanso, e aprimorar fundamentos e corrigir os defeitos de seus jogadores. Só assim eles vão aprender a passar, dominar e finalizar, e aí, deixar a bola feliz!

Pois bem, rápidas considerações sobre esse trecho:

Quando o time perde, segundo Caju, é porque:

– O plantel é reduzido e limitado;

– A arbitragem prejudicou;

– O gramado é ruim;

– A bola não é boa.

Poderia, caro Caju, lembrar de outros aspectos citados pelos treineiros nas derrotas, como:

– A maratona de jogos atrapalhou o time;

– Não havia boas condições no estádio, atirou-se de tudo no campo;

– A comida do hotel trouxe indisposição alimentar;

– O frio demasiado;

– O forte calor;

– A tabela que prejudicou a seqüência de jogos;

– Os desfalques por cartões;

– Ou desfalques por convocações à Seleção.

Ufa! Cansou tanta desculpa. Mas certamente você NÃO OUVIRÁ as seguintes colocações:

– Meu time perdeu porque escalei mal;

– Meu esquema de jogo foi mal elaborado;

– Jogamos na retranca porque não queria deixar os alas avançarem;

– Errei redondamente na preleção;

– Substimei o adversário;

– Desmontei o time nas substituições.

É claro que há muita ironia neste texto. E nem podemos generalizar as reclamações dos treinadores, pois, afinal das contas, eles querem ganhar os jogos para sua sobrevivência no cargo. E estão “fazendo a parte deles”. Os jogadores, idem. Os árbitros idem, a imprensa idem. O problema é a irresponsabilidade de acusar os outros para salvar a própria pele. Se pegar os jornais de segunda-feira, qual seja ele, haverá muitas dessas reclamações em diversas páginas de diversos jogos.

Gostaria de saber sua opinião: de quem é a culpa, afinal das contas? De certo, nunca dos treinadores, segundo eles próprios.

– Pré-Análise da arbitragem de Paulista X Palmeiras

Após tantas reclamações da arbitragem nos jogos do Galo no Paulistão, foi sorteado para o confronto contra o Palmeiras o árbitro Demétrius Pinto Candançan!

Conheço-o do tempo em que ele fazia jogos como quarto-árbitro. Está com 39 anos, trabalha como professor de Educação Física. É boa pessoa, tem bom porte físico e é razoável tecnicamente. Não costuma correr muito, mas se posiciona bem em campo. Marca muitas faltas e costuma segurar o jogo.

No Paulistão 2012, estreou apenas na última rodada (São Caetano 0 X 1 Catanduvense).

Um detalhe: nesta partida, o árbitro adicional será novamente Flávio Rodrigues Guerra, que esteve na partida contra o XV de Piracicaba e que não auxiliou Rodrigo Braguetto no polêmico pênalti daquela tarde/noite (já que o lance foi em sua frente).

Sobre o fato do árbitro ser um ilustre desconhecido para a grande mídia: aos mais otimistas, dirão que o árbitro pode sentir pressão em Jayme Cintra, supondo que pela inexperiência sinta a pressão do time em casa. Já os mais pessimistas dirão que justamente pelo noviciado em jogos de maior dificuldade tenderá a aceitar pressão do time grande e de seu treinador, Scolari.

Que tenhamos uma boa partida nessa quarta à noite, e que a arbitragem não influencie no placar.

– O que Acontece na Relação “Galo X Arbitragem”?

O Paulista FC está vivendo um claro litígio com a Arbitragem no Paulistão. Acompanhando as partidas, fica nítido que a causa se deve a 3 fatores:

1)- Atuações ruins dos árbitros escalados: o experiente Rodrigo Braguetto equivocou-se num absurdo pênalti na semana passada, onde o atleta do XV de Piracicaba tropeçou nas próprias pernas. Ontem, em Itápolis, visivelmente o árbitro Edson Reis Pavani sentiu a pressão no Estádio dos Amaros, em especial no pênalti a favor do Oeste.

2)- Falta de zelo por parte da Comissão de Árbitros na confecção das escalas: No Jayme Cintra, árbitros mais rigorosos e experientes são escolhidos (e que não aceitam pressão). Na condição de visitante, árbitros jovens e mais suscetíveis à pressão acabam apitando. A desculpa dos nomes escalados será a do sorteio; mas já que o sorteio também pode ser direcionado (vide escala de clássicos), por que não ter um pouco mais de carinho com o Galo e colocar no “globinho da sorte” árbitros mais renomados também em jogos fora de Jundiaí? Afinal, vale vaga para a série D do Brasileirão!

3)- Vacilos dos jogadores do próprio Paulista. Perceberam que alguns cartões “bobos” são recebidos por falta de equilíbrio emocional? Muitas faltas são evitáveis, além de reclamações abusivas dos atletas. Carece-se de que nossos jogadores aprendam um pouquinho mais de Regra do Jogo para evitar Cartões Amarelos/Vermelhos desnecessários, bem como tirar proveito de detalhes a seu favor.

Estamos a quatro rodadas do final da 1ª fase. Cada ponto perdido, cartão recebido ou pênalti indevido podem custar muito caro.

– Análise da Arbitragem de Corinthians X Palmeiras, Paulistão, 25/02/2012

Antes de falar sobre o jogo, uma breve análise sobre a guerra dos torcedores organizados: De que adianta o Corinthians promover campanha contra motoristas embriagados e o Palmeiras homenagear Chico Anísio, se lá fora do estádio as suas torcidas se matam e os dirigentes dessas equipes nada fazem? Vestir a camisa por uma causa é fácil. Praticar a verdadeira ação de responsabilidade social é outra história.

Vamos ao jogo:

Jogo cansativo para a arbitragem. Desgastante, e explico: a atenção exigida e a tensão a ser disfarçada é grande.

Atenção pelas dificuldades que um importante jogo como esse ocasionam. Tensão pelo cansaço emocional e pela preocupação para que todos vejam nele o mais centrado, tranquilo e equilibrado do jogo.

A partida de hoje contrariou o que um torcedor apreciador de futebol-arte gostaria de ver: não tivemos lances de beleza, tampouco de “jogo limpo”. Digo isso pelo excessivo número de faltas na partida: no 1º tempo, equilíbrio de faltas cometidas e absurdas 24 infrações em 45 minutos. No segundo tempo, o número de infrações praticadas pelo Palmeiras disparou! Certamente, tivemos muito mais tempo de bola parada do que de bola rolando. Em 3 faltas do jogo, demorou-se praticamente 2 minutos para a cobrança de cada uma delas! Numa delas, aos 43m, Valdívia recebeu uma falta boba e o jogo foi retomado aos 45m15s. Muita demora… Em outra situação, aos 63m, ocorreram 3 faltas no mesmo minuto de jogo!

No lance polêmico de Liedson aos 23 minutos, impedido, ele prossegue a jogada, o bandeira atrasa um pouco a marcação, e o corinthiano, com o pé erguido, atinge o goleiro palmeirense Deola. Eu entendi como lance imprudente (onde não se quer fazer a falta mas acaba fazendo, sem aplicação de cartão amarelo), apesar de plasticamente a imagem ser violenta. O árbitro entendeu como ação temerária (quando o atleta sabe que pode fazer a falta e corre o risco, com aplicação de cartão amarelo), e tal interpretação não seria um exagero. O que não poderia era expulsar, como reclamado pelo Corinthians, pois aí seria força excessiva (quis atingir o adversário propositalmente, levando a uma possível lesão). E vale o lembrete: ali, não foi falta, pois o jogo já estava parado (falta só existe com a bola rolando). Reiniciou-se com o tiro livre indireto pelo motivo de Liedson estar impedido. Nestas situações, vale a sanção disciplinar, mas não se pune tecnicamente.

No tumulto citado acima, Cicinho e Jorge Henrique se empurraram, fora da visão da arbitragem, e deveriam ter recebido o Amarelo.

Em suma: Marcelo Rogério esteve muito bem tecnicamente, e pelo número absurdamente alto de faltas, deve ter quebrado o recorde de infrações corretamente marcadas. Disciplinarmente, aplicou bem os cartões amarelos nas faltas cometidas, e soube adverter verbalmente quando necessário porém, a desejar em 3 situações de indisciplina: A intimidação de Ralph após faltas cometidas (reclamou em excesso, além de faltas reincidentes); simulação de Valdívia (em determinado lance, abdicou do jogo para cavar faltas a Assunção) e uso das mãos de Emerson em disputa de bola empurrando Cicinho (onde Cicinho simulou ter recebido um golpe de MMA, talvez o motivo de Emerson não ter sido punido)- ali, deveriam ter levado o amarelo. Fisicamente, esteve muito bem no jogo.

Àqueles que gostam de aprender sobre arbitragem, uma observação bacana: aos 63 minutos, num dos raros lances de boa qualidade técnica da partida, o Corinthians fez uma rápida troca de passes no campo de defesa do Palmeiras, virando o jogo com muita constância. O árbitro, posicionando-se bem, esquivou-se perfeitamente de possíveis trombadas e se recolocava muito bem! Uma aula aos jovens árbitros sobre noção de espaço em campo.

E você, o que achou do jogo? Deixe seu comentário:

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Abaixo, os comentários lance-a-lance realizados durante a partida no Twitter (twitter.com/rafaelporcari):

4segundos – primeira falta. O que esperaremos desse jogo? Muita pegada, é claro.

2minutos – pelas demoras, não tivemos 30 seg de bola rolando. As broncas nos agarra-agarra mostra que os AAA estão atentos.

2m30s – segunda falta. A média é boa: 1 falta por minuto.

5m – jogo amarradíssimo, quando começarão a jogar?

6m – escanteio para o Corinthians, mas nem AAA, nem bandeira e nem árbitro viram o resvaçlão em Barcos.

7m- nova falta, bem marcada. Nada de violência, mas de marcação anti-jogo.

8m – lance difícil do ataque palmeirense, corinthianos pedem impedimento de Barcos, mas a bandeira Tatiane Sacilotti acerta.

10m- Castan empurra Valdívia. Nova falta. Jogo chato pra jogador e árbitro.

11m – Depois de quase 1 minuto para se cobrar a falta, a barreira anda e o atento Marcelo Rogério chama a atenção. Acertou.

12m – falta no meio campo para o Corinthians. O jogo não rende! A bola rola um pouquinho, fazem falta e fica meia hora parado.

13m – enésima falta. Se eu sou torcedor, devolvo o ingresso.

14m – idem ao 13º, idem ao 12º, idem ao 10º… nova falta!

15m – adivinha? Nova falta, agora me Emerson. Se reincidência é amarelo, o que vemos é anti-jogo puro.

16m- falta de novo. Ficou repetitivo.

17m – no primeiro lance de futebol mesmo, Marcos Assunção chuta e a bola desvia. Gol legal, matou o goleiro.

Marcos Assunção imitando o Prof Raimundo (e o salário, ó…) tudo bem. Mas e o Fred ontem? Ganha 700 mil por mês e reclama do salário? rsrs

18m20s – voltamos à normalidade. Falta. Só é cobrada aos 19m20s. De novo Marcelo Rogério chama a atenção na área. Trauma de SCCP X Linense?

19m50s – outra falta!

22m – Estamos quebrando um recorde. Quase 2 minutos sem falta!

23m – Liedson impedido, tenta o domínio da bola, ela escapa e a sola atinge no alto o peito do goleiro Deola. Lance plasticamente feio, mas nada de violência explícita. Falta por imprudência. Tumulto, e na sequência, Jorge Henrique e Cicinho se estranham e a arbitragem não vê.

Cartão amarelo para Jorge Henrique (eu não aplicaria), e nada para Jorge Henrique e Cicinho (mereciam amarelo).

25m- jogo recomeça com falta (pra variar)

26m – é rotina: falta.

28m – falta normal de ataque do Barcos, Castán fica bravo mas não é pra tanto.

30m – estou cansando de escrever: foi falta. E foi cobrada somente aos 30m41seg…

33m – falta para o Corinthians, mas o árbitro observa ótima vantagem e manda seguir.

35m – falta dura de Chicão em Barcos. Cartão amarelo bem aplicado. Nem visou a bola, era para parar o lance.

Lembra da falta aos 35m? Foi cobrada aos 37m05seg! incrível, não tem jogo.

39m – no ataque, Emerson empurra o peito de Cicinho, que põe a mão no rosto simulando ter recebido um golpe de MMA. Cara-de-pau…

40m – nova falta, agora em Jorge Henrique. No chão, JH tenta devolver. Árbitro não vê o primeiro lance e corrige corretamente a marcação.

41m – falta de Márcio Araújo em Danilo. Jogo horrível.

42m – replay: idêntica falta de Márcio Araújo em Danilo. Acertou ao aplicar amarelo.

43m – falta de Paulinho em Valdívia. O chileno poderia continuar o lance, mas abdicou para ter o direito de bater falta. Acertou o árbitro.

Lembra da falta aos 43m? Foi cobrada aos 45m15s!

47m – Emerson cai na área, ameaça reclamar e se segura. Se pede pênalti, tem que dar amarelo por simulação.

48m – Ufa! A tortura acabou, jogo feio, faltoso, onde a bola não rolou.

Se não errei nenhuma marcação: 24 faltas em 45 minutos. Muita demora, a bola não rola. Várias faltas tiveram quase 2 minutos de demora para serem cobradas! Isso é futebol?

Árbitro está bem na partida: não demonstra nervosismo, é senhor do jogo. Corre e se posiciona bem. E, espertamente, não faz questão de acelerar as cobranças de falta. Prefere que os ânimos esfriem.

O problema agora é: ter que assistir ao segundo tempo… Sofrível. Não se tem fair play, é a tática do anti-jogo. Sem violência, mas não tem bola rolando.

Começa o segundo tempo. Com 46m, falta de Barcos em Edenilson. Repetiremos o primeiro tempo faltoso?

48m- falta pró-Corinthians, que resulta no gol de Paulinho.

50m – Outra falta, Marcelo Rogério adverte o faltoso verbalmente. E nessa nova falta, nasce o segundo gol do Corinthians, de desvio palmeirense. Gol contra de Márcio Araújo.

Bom, já que o Palmeiras está inferiorizado no placar, é de se esperar que o Felipão comece a cornetar o árbitro.

54m – nova falta para o Corinthians. Perceberam que o Palmeiras é líder absoluto em faltas nesse 2º tempo?

55m – leitura labial: Marcos Assunção nitidamente encarou Chicão, chamou-o por nomes deselegantes e chamou pra briga na rua! Ô louco… O que será que ele fez?

57m – Palmeiras comete outra falta normal, de jogo. Mas pela enésima reincidência em falta, só tem 1 amarelo. Incrível, né? 

59m – Amadorismo do futebol brasileiro: gandula (que é do Corinthians) retarda propositalmente o jogo. Isso ainda existe…

Lembram de um gol olímpico do Roberto Carlos contra a Portuguesa? A favor, os gandulas são rapidíssimos na reposição.

61m: falta pró-Palmeiras 2 X no mesmo minuto. Na cobrança, João Vitor fez outra. Foram 3 faltas num mesmo minuto.

Só pra lembrar: cadê a bombinha do Felipão, prometida no último sábado? Ele disse que denunciaria algo contra a arbitragem.

Aos 63m, numa troca rápida de passes do SCCP, fica claro o ótimo posicionamento do Marcelo Rogério. Ele se esquiva muito bem! Parabéns.

65m – Henrique deu um pontapé (com gosto) em Jorge Henrique. Árbitro deu a vantagem e posteriormente o Amarelo. Acertou de novo.

66m: falta pró-Palmeiras na frente do Scolari. Adivinha se não pediu cartão?

69m: Palmeiras no ataque, Valdívia cai no lance, dentro da área. Segue o jogo.

71m: Marcos Assunção desceu o sarrafo em Danilo e levou amarelo. Acertou.

73m: Falta de Henrique em Paulinho. Jogadores pedem novo amarelo (claro, querem vermelho). Nada, acertou o árbitro.

77m: jogador do Palmeiras recua de peito a Deola, e a torcida pede recuo de bola. De peito, vale.

77m: outra falta no jogo. Apesar de tantas, Marcelo Rogério acertou todas. Deve ser o maior número de faltas corretas marcadas numa partida.

80m: Ricardo Bueno faz falta dura e recebe Amarelo. Acertou.

82m: nova falta do Palmeiras. Caramba!

87m: falta ao Palmeiras, bem marcada. Momentos decisivos.

89m: falta dura em Douglas, bem marcada. Partida sem polêmicas, não?

92 e 93m: adivinha o que vou escrever? Falta, lógico!

93m: última falta do jogo? Saiu um amarelinho, não consegui visualizar. Na sequencia, fim de jogo.

– Hoje é dia de Corinthians X Palmeiras. O que esperar?

No Derby de hoje a tarde, com os dois rivais bem pontuados, é de se esperar um grande jogo. Muitas emoções, e penso que a partida acabará com expulsões.

Motivo?

Jogadores que provocam muito (Valdívia e Jorge Henrique), técnico com grande desequilíbrio emocional (Felipão) e árbitro de boa qualidade em campo (Marcelo Rogério).

Para quem gosta de jogo disputado, vale a pena assistir. Destaque para o ótimo assistente FIFA Marcelo Van Gassen (que vem atuando muito bem), e para a assistente Tatiane Sacilotti (talvez o maior jogo da competente moça em sua carreira).

Boa sorte a todos!

– Democracia do Apito! Participe!

Na próxima segunda-feira à tarde (26/03), os árbitros de futebol de São Paulo terão a oportunidade de discutir uma importante pauta da sede da Cooperativa dos Árbitros, onde se deseja que o encontro de relevantes assuntos termine em produtivos resultados.

Espera-se que a Assembleia seja de 544 cooperados (que corresponde aos árbitros filiados), mas com apenas 10 cooperados, de acordo com a terceira chamada, já será possível debater e manifestar a vontade da categoria.

E é isso que vale em ambientes democráticos: ampla discussão sobre temas notórios. Por isso que a representatividade é algo importante. Pró-labore dos executivos, taxas a serem descontadas dos árbitros e outros tantos temas (como novos árbitros / conselheiros fiscais) serão colocados na pauta.

Participe! O princípio do Cooperativismo é esse: lutar pela categoria.

A pauta (disponível em: http://www.coafesp.org.br/documentos/edital100312.htm) será:

a) Leitura e Aprovação da Ata da AGO anterior;

b) Prestação de contas do órgão de administração, compreendendo Balanço Geral do exercício de 2011;

c) Deliberação sobre plano de trabalho formulado pela Diretoria Executiva para o próximo exercício.

d) Pró-labore da diretoria executiva e reembolso dos membros do Conselho Fiscal

e) Reajuste de mensalidades e quota-parte

f) Incidência tributária do PIS e CONFINS na Cooperativa

g) Eleição dos membros do Conselho Fiscal

Após, serão deliberados os assuntos da Assembléia Geral Extraordinária para tratar das seguintes ordens do dia:

a) Leitura e Aprovação da Ata da Assembléia anterior;

b) Ratificação das admissões, exclusões e demissões de cooperados.

Poucas categorias tem a oportunidade de gozar de duas entidades de defesa- Tanto RJ e SP possuem esse privilégio: Cooperativa e Sindicato. É por isso que são estados fortes no apito.

E viva La Revolución! Com Marin na CBF e Marco Polo na FIFA, certamente os ares do sangue novo dessas entidades será percebido.

Ou não?

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– Quando “Pular” pode Valer uma Falta a favor?

Ontem, na partida realizada no Pacaembu entre Santos X Juan Aurich, pela Libertadores da América, Neymar declarou, em relação às faltas violentas do adversário:

Se não pulo, estaria no hospital.”

É nesse ponto que devemos ter atenção quanto às marcações das faltas: Quando é que o fato do atleta “Pular” invalida ou não uma infração?

A Regra 12 (Infrações e indisciplinas) diz que todo ato faltoso (dar um pontapé, agredir, cuspir) independe se atingiu ou não o atleta. O jogador que DAR ou TENTAR praticar a infração deve ser punido.

Se na disputa de bola, um zagueiro pratica um carrinho e, na iminência de atingir as pernas do seu adversário, este atacante pula para não se machucar, deve-se considerar falta (a mesma marcação de como se tivesse atingido), por essa condição da regra. A Regra do Jogo permite isso, pois, logicamente, se o atleta permanecesse esperando as travas de uma chuteira, fatalmente se lesionaria gravemente.

Portanto, pular para não ser atingido pode; e ainda ganha a falta ao seu favor.

O que não pode:

– Pular depois de perder uma disputa de bola, simulando a infração, tentando ludibriar a arbitragem/torcedores.

– Pular antes da disputa de bola se efetivar, abdicando da tentativa de domínio, deixando de jogar para tentar cavar uma falta.

A primeira situação, a da simulação, é um problema cultural brasileiro, onde os jogadores preferem enganar a arbitragem do que disputar lealmente o jogo, fato que não ocorre em torneios como a europeia Champions League

A segunda situação, a da abdicação do jogo, é outro problema tupiniquim, o de achar que “tudo é falta”, onde “encostou tem que parar o jogo”. Remete até mesmo a uma certa frouxidão, não obervada em torneios como a sulamericana Libertadores da América.

Portanto, pular para se preservar no momento de ser atingido, pode. Antes ou depois, não.

Claro, os jogadores agem aqui no Brasil dessa forma, e nas partidas internacionais, mudam de comportamento. É visível. Também os árbitros procedem da mesma forma, diferenciando o comportamento em partidas domésticas e internacionais. Um dia, Leandro Pedro Vuaden ousou mudar esse mesmo comportamento. Parece que não deu certo…

– Árbitro de Futebol só viaja de…

avião, quando o jogo é longe!

Ora, qual a surpresa?

Aliás, nada de surpreendente sobre a matéria de Rodrigo Mattos na Folha de São Paulo dessa 3ª feira, 20/03/2012, pg D2. Nela, vemos que a agência de turismo recomendada pela CBF, a Pallas, é denunciada por esquemas suspeitos com Ricardo Teixeira.

Que os árbitros só poderiam viajar de avião pela Pallas, nenhuma novidade. A novidade é que a verba de viagem do brasileiro da Série B foi empenhada como garantia em contrato vantajoso para a Copa!

Aliás… da construção de estádios à venda de passagens, ouve-se falar de corrupção. Para que se quer a Copa então, se não for para desfalcar os bolsos dos cidadãos?

EMPRESA LEVA SÉRIE B PARA LEVAR A COPA

Verba de viagem da Segundona foi dada como garantia em contrato

por Rodrigo Matos
Carente de recursos, o Brasileiro da Série B serviu para viabilizar um contrato milionário da Copa-14 para agência de viagens de empresário ligado a Ricardo Teixeira, ex-presidente da CBF e do COL (Comitê Organizador Local).

O dinheiro das viagens da Segundona foi usado como garantia para o acordo.

Como a Folha revelou, Claudio Abrahão é dono da Top Service, que obteve os direitos de comercializar os pacotes VIP do Mundial. Antes de ganhar esse contrato, ele havia vendido um apartamento por um terço do preço de mercado para Teixeira.

Sob a gestão do ex-cartola, a CBF deu ajuda para que a Top Service ganhasse, juntamente com a Traffic, esse contrato de hospitalidade do Mundial, que inclui serviços de turismo e ingressos.

Fez isso usando o contrato da Série B como garantia.

Explica-se: para ganhar esse direito, era preciso que as duas empresas apresentassem garantias financeiras de US$ 40 milhões (R$ 72 milhões) à Match Hospitality, parceira comercial da Fifa.

A Top Service tem capital social de apenas R$ 100 mil, 0,14% desse valor.

Então, a empresa fez um empréstimo de valor não revelado com o Banco Safra, como mostra documento da empresa de maio de 2011.

Era o período em que ocorria a concorrência da Match.

A garantia do empréstimo foi dada pela Pallas Operadora Turística, que, como a Top Service, faz parte do Grupo Águia, cujo dono é Wagner Abrahão, amigo de Teixeira.

Documento da Pallas diz que a garantia são “direitos creditórios […] relativos à logística do transporte dos jogadores do Campeonato Brasileiro da segunda divisão”.

A Série B é organizada pela CBF. A confederação negocia, diretamente ou indiretamente, os direitos comerciais do torneio. Depois, paga clubes e despesas. As rendas são de direitos de transmissão de TV e placas publicitárias.

Boa parte do dinheiro é usada para pagar passagens e diárias em hotéis para os times. Quem presta os serviços na competição é a Pallas.

“Recebemos 28 passagens e acomodações que são feitas diretamente pela Pallas. Não pagamos nem participamos de nada”, contou o presidente do Vitória, Alexei Portela, que disputa a Série B.

Ou seja, os clubes não têm nenhum domínio sobre quanto é pago por suas viagens. Quem pode controlar isso é a Pallas e a CBF.

Após o pagamento das despesas de viagens, o dinheiro que sobra é distribuído para os clubes. Assim, cada um deles recebe R$ 180 mil de cota mensal -cerca de R$ 1,8 milhão por toda a competição.

“Acho que é pouco. A Série B tem crescido muito”, reclamou o presidente do Sport, Gustavo Dubeux. “Essa cota mensal não dá nem para pagar três jogadores.”

Clubes da Série A, como Flamengo e Corinthians, ganham até R$ 100 milhões.

– Qual seria a Bombinha do Felipão?

Responda rápido: quem foi o culpado da última derrota do seu clube?

1) O técnico que escalou mal o time,

2) Os jogadores que não foram bem, ou,

3) O árbitro que ‘roubou’?

Digo isso pois nessa última semana tivemos episódios fantásticos de lamúrias no futebol. Em Ribeirão Preto, jogadores do Comercial culparam o árbitro Alessandro Darcie pelo empate nos acréscimos contra o Corinthians; Felipão, após vitória do Palmeiras, fez campanha para que Valdívia tivesse o mesmo “critério de preservação dos árbitros” destinado a Neymar. O Santos reclamou de pênalti sobre Luís Fabiano, e o São Paulo, adversário do time praiano que venceu, reclamou da expulsão de Rodrigo Caio.

Ganhando, empatando ou perdendo, sempre é mais fácil colocar a culpa no árbitro. E chama a atenção um alerta de Luís Felipe Scolari no último sábado: disse que revelaria à imprensa uma bombinha sobre a arbitragem.

Sinceramente, Felipão deve ter apelado quando sugestiona corrupção e justamente ele (que tanto reclama, maltrata e critica os árbitros) quer ser o denunciante, e de algo que ficou no ar sem explicação!

Terá credibilidade?

Dirigentes, treinadores e jogadores precisam ser mais cautelosos em acusar a arbitragem de tudo. Que a arbitragem erra, isso é lógico! Mas não é a culpada de todos os males do futebol brasileiro. Os reclamantes precisam ter consciência de que, se esse discurso anti-arbitragem é insistentemente martelado na cabeça de um torcedor mais fanático, desastres podem acontecer. E isso é real! Vide o exemplo do próprio Palmeiras nesse final de semana: o time B deve ter levado a sério as acusações de Felipão de que o time é perseguido e o jogo acabou na delegacia. Motivo: chiadeira com a arbitragem. Um time inteiro na Polícia e o árbitro acusado pelos atletas palmeirenses de dizer que era corinthiano (partida União Barbarense X Palmeiras B)!

Esse é o profissionalismo que tanto desejamos?

A matéria ganhou destaque no próprio site do Palmeiras, onde, parece, as reclamações do time A e do time B trabalham em sinergia!

Veja o artigo da página oficial da S.E. Palmeiras (extraído de: http://is.gd/WkoZvX), e diga: Felipão ameaçar “bombinha” e não dizer; site reclamar amadoristicamente; e chororô preventivo toda rodada, não são elementos vexatórios para uma equipe tão importante como o Palmeiras?

ARBITRAGEM PREJUDICA PALMEIRAS B E JOGO TERMINA NA DELEGACIA

O jogo entre Palmeiras B e União Barbarense, realizado na manhã de domingo (18), na cidade de Santa Barbára D’Oeste, válido pela décima sexta rodada do Campeonato Paulista foi marcado pela péssima e danosa atuação do trio de arbitragem que comandou a partida.

Leomar Oliveira Neves, árbitro do jogo, e seus auxiliares, Marcelo Zamian de Barros e Luiz Alberto Andrini Nogueira, tiveram um comportamento, no mínimo, tendencioso e conduziram a partida para que a mesma terminasse numa grande confusão.

Com intimidação constante aos atletas e comissão técnica palmeirense, o trio anotou a marcação de uma penalidade máxima inexistente e uma falta nos acréscimos indicada em local irregular em relação aonde a infração havia sido cometida. Ambas as jogadas foram capitais e originaram os gols da Barbarense. Além disso, o juiz da partida expulsou 5 atletas do Palmeiras B (Pegorari, Luiz Gustavo, Marcos Paulo, Marcos Vinícius e Thalles).

“O próprio juiz da partida disse que era torcedor do Corinthians para os nossos atletas e que estaríamos ferrados. Foi isso durante o jogo todo, segundo o relato dos atletas. Fomos claramente lesados nos nossos interesses pelo desequilíbrio de um árbitro despreparado e que agiu de má fé. Vamos protestar contra ele junto a Federação Paulista de Futebol”, disse Jair Jussio, diretor de futebol de base do Palmeiras. 

Para justificar o seu descontrole, o juiz da partida, Leomar Oliveira Neves, alegou que os atletas do Palmeiras B haviam lhe agredido e se dirigiu à delegacia de polícia da cidade para registrar um Boletim de Ocorrência. Após o exame de corpo de delito ao qual passou Leomar, a delegação palmeirense foi liberada e retornou para São Paulo.

– Análise da Arbitragem de São Paulo X Santos, Paulistão 2012, Morumbi

Um Sansão com lances discutíveis nesta tarde. O árbitro Marcelo Aparecido Ribeiro correu bastante, esteve sempre próximo aos lances e se posicionou bem. Manteve ótima interação com seus bandeiras e assistentes de meta. Em lances de interpretações/marcações, tecnicamente foi bem; Disciplinarmente, razoável.

Em especial, três situações polêmicas:

1 – Comecemos com o embate entre Rodrigo Caio X Neymar. No começo do jogo, o marcador fez falta boba em Neymar, que não era para advertência com cartão amarelo, mas sim verbal. No final do primeiro tempo, novamente Rodrigo Caio atinge Neymar, agora com muita força e por trás: lance típico para cartão amarelo, não aplicado! Aqui, o árbitro pecou no critério: se deu no primeiro lance, menos viril, por que não deu no seguinte? Na 3ª disputa de bola entre eles, Neymar busca receber a falta e consegue. Novo cartão amarelo para Rodrigo Caio, que consequentemente é expulso.

2- O pênalti marcado em Luís Fabiano: o atacante recebe a bola e dispara para o gol. Entra na área, adianta a bola em uma distância ainda possível de domínio e Rafael sai aplicando um carrinho, que não atinge o adversário nas pernas, mas onde o pé do Luís Fabiano, desequilibrado, bate em seu peito. O camisa 9 do São Paulo pula para não ser atingido. E este é o pênalti por “infração devido a ação temerária”, ou seja, cometer uma ação onde pode lesionar um adversário. Como a regra faculta “atingir ou não o adversário”, portanto, é pênalti. Imagine a situação: onde os pés de Rafael atingiriam caso o atacante não pulasse? Se o goleiro acerta as pernas, dependendo da força, poderia até ser vermelho (configurando infração por força excessiva). Faz-se necessário entender que os carrinhos devem exclusivamente atingir a bola, sem levar riscos ao adversário. E a Regra exige a punição, independente se o atleta receber o pontapé, pular, simular ou continuar. Não importa a consequência do lance, se marca o risco que um carrinho provoca, dentro ou fora da área.

3- O 3º Gol do São Paulo FC. Na minha opinião, em lance extremamente difícil: gol irregular. Veja o vídeo do gol aos 41m do 2º tempo e repare quando der 7,5 segundos da gravação (em: http://is.gd/sansao). Perceba o seguinte: Lucas recebe a bola em boa condição (Arouca dá condição no meio do campo, quando a bola é lançada ao sãopaulino que está na lateral). Ele avança e cruza para Cortês, em condição legal. A bola bate na trave e sobra para Lucas. É justamente nesse momento que surge o questionamento: Lucas estava à frente da linha da bola quando Cortês chuta. Portanto, só poderia jogar, caso pegasse um rebote, se existisse dois atletas adversários entre ele e a linha da bola nesse momento (para evitar a condição de impedimento classificada como “tirar proveito de estar em posição de impedimento”). E Lucas pega o rebote e ainda faz o gol! Responda: além do goleiro, o último zagueiro está na mesma linha do Lucas, atrás ou a frente? Considere que você não deve avaliar apenas os pés, mas a cabeça e o tronco, desconsiderando as mãos, já que não se pode jogar com elas sendo jogador de linha. Na imagem, fico na dúvida: Lucas não está, minimamente, à frente do último zagueiro?

Para mim, sim. Mas respeito outras considerações, já que não há uma câmera na linha da jogada.

Tire suas conclusões. Caso a equipe de arbitragem tenha errado, este é um erro aceitável pela velocidade da jogada, dificuldade do lance e tempo de jogo (já que todos estão mais cansados e suscetíveis a erro).

E você, o que achou do jogo? Deixe seu comentário:

 

 

– Sobre o Árbitro “Bêbado” em Batatais

As aspas são propositais. Sem querer defender ou acusar o árbitro José Roberto Marques, que ganhou notoriedade pelo episódio de que estaria bêbado às vésperas de um jogo no Paulistão A3 e que suas peripécias teriam afetado seu desempenho em campo, mas ficam algumas dúvidas:

1- O árbitro foi ouvido? Muitos o ironizaram, mas não ouvi nenhuma entrevista dele. Só do acusador.

2- Palavra de dirigente vale mais do que a do árbitro?

3- O que o relatório do observador da partida relatou sobre o árbitro?

4- Qual a palavra da entidade de classe (sindicato e cooperativa) que devem defender o árbitro até o fim?

Tomara que os dirigentes sindicais/cooperados lutem pelo árbitro, pois a FPF o puniu. Mas será que terá defesa? Quem são os que o pune, e quem são os que o defendem?

Hum… vale a pesquisa. Coitado do árbitro. Sem corporativismo, pois se errou, tem que haver punição e paciência. Mas as pessoas envolvidas no seu julgamento dentro das Federações / Entidades de Classe são quem?

– Santos FC e a Grama Sintética Peruana

Há coisas inexplicáveis na América do Sul. Na partida Cruz Azul X Corinthians, exemplos de selvageria com a ridícula cena de policiais com escudos para proteger um jogador que queria apenas cobrar um mero escanteio… e nada da Conmebol punir, como se tal fato fosse normal e aceitável.

Mas há outras aberrações. Ontem, na partida entre Juan Aurich X Santos, no estádio Elias Aguirre, a partida válida pela Libertadores da América foi disputada em um estádio de grama sintética NÃO AUTORIZADA PELA FIFA, mas que, por motivo desconhecido, houve permissão da Conmebol para a realização.

O jornal Lance esteve horas antes do jogo no estádio e verificou tal irregularidade, veja o link em: http://is.gd/VRErSV

Aquela arena foi certificada até o Mundial sub 17 em 2005, mas perdeu o selo FIFA por falta de manutenção/ adequação às novas normas. E, simplesmente, continuou a receber partidas de futebol. Hoje, a FIFA reconhece apenas 14 estádios na América do Sul para jogar na Grama Sintética. A regulação e os estádios estão no link da própria entidade, no seguinte endereço: http://is.gd/qLONcr

Cá entre nós: visivelmente a bola parecia uma bexiga! Voava, pulava, batia e não parava. Tipicamente um esporte que não era o futebol, algo como o Showball. Só faltava a mudança de regra… Na grama sintética autorizada, a bola não salta tanto e a grama não é tão rala, tampouco o piso duro. O gramado do estádio Juan Aurich, pela TV, lembrava os carpetes sintéticos de quadras de society, nada parecido como os gramados autorizados.

Àqueles que já tiveram a oportunidade de trabalhar em gramados sintéticos FIFA, perceberão que o futebol praticado se assemelha ao que conhecemos. Mas ainda há uma observação: tido por muitos como o “piso do futuro” nos estádios de futebol, ainda não vemos grandes estádios, como Wembley, San Ciro, Allianz Arena, Maracanã, Azteca, Monumental de Nunes ou outros importantes locais desejosos por tal grama. Será mesmo uma tendência ou apenas um lobby?

E você, o que pensa sobre os pisos sintéticos no futebol? Deixe seu comentário:

– A Mercantilização do Apito e o desprestígio aos árbitros locais

Algo novo, que ao mesmo tempo não deixa de ser velho: árbitros trocando de estado e levando seus escudos FIFA para as novas praças.

Calma, não estamos falando de fidelidade partidária, onde você perde o cargo por mudar de legenda. Então, vamos trocar algumas ideias sobre o tema?

Sandro Meira Ricci apitará por Pernambuco. Se no ano passado a luta era para um escudo FIFA ao Nordeste em 2012, situação prioritária para muitos, agora teremos 2 árbitros internacionais: Francisco Carlos do Nascimento (o Chicão de Alagoas) e Sandro Meira Ricci, que sai da Federação Brasiliense e vai para a Federação Pernambucana.

Antes de debatermos, algo importante: sem preconceito ao NE ou coisa que o valha, mas aqui o assunto será COMPETÊNCIA.

Em 2011, Francisco C do Nascimento não teve um bom ano na arbitragem. Está fresca na memória a recordação de atuações ruins (nada contra a pessoa do árbitro). Mesmo assim, galgou o objetivo maior, que era virar FIFA. Já a Federação de Pernambuco, costumeiramente recebe (e aceita) críticas dos clubes grandes. É público que lá a geladeira (o ato de tirar de escala o árbitro) é costumeira. Para resolver a situação, trouxeram Sandro Meira Ricci.

Tudo bem, o árbitro troca de estado sem problemas, pois, teoricamente, o escudo FIFA é dele, não do seu estado de origem. Mas fica uma dúvida: a troco de quê?

Sandro Meira Ricci deixou o DF pelos problemas políticos que ocorrem por lá, ou por convite para contribuir com o crescimento do futebol de PE? Se a resposta é a contribuição, surge outra pergunta: o fará por simpatia, por remuneração ou por compartilhar competência?

E, se for por remuneração, que mal haverá? Vivemos um período de mercantilização, negócios ou neoliberalismo das relações (lembrei os mais auspiciosos tempos de FHC), não importa o nome que você deseje chamar. O que não vale é negociata, ou seja, negociação suja, irregular, criminosa.

Se eu sou FIFA, e um estado me oferecer melhores condições de trabalho, qual é o problema? Ao menos, o estado contratante reconhece o árbitro como uma figura competente. Márcio Rezende de Freitas, Carlos Elias Pimentel, Oscar Roberto Godoy fizeram essa transferência para SC, anos atrás.

O problema passa a ser outro: e o prestígio aos árbitros locais?

Imagino que os árbitros pernambucanos devem estar chateados com tal situação; afinal, ao invés de investir nos árbitros natos de lá, “importa-se” um nome gabaritado. Quando alguma empresa não tem competência, contrata-se no mercado um executivo competente! Mas não seria melhor formar os competentes?

Fazer intercâmbios, trazer gente de fora para orientar ou reciclar, é algo saudável! Não desenvolver competências locais torna-se problemático.

Lembro-me do episódio em que o então presidente da Federação Paulista de Futebol, Eduardo José Farah, começou a trazer árbitros estrangeiros para o Paulistão. Na época, a seção “cartas à redação” do jornal “A Gazeta Esportiva” trazia um email de Edilson Pereira de Carvalho, fazendo inúmeras críticas a tal fato, dizendo que

enquanto descascamos o abacaxi, nas finais vem gente de fora para comer o filet mignón”.

Edilson, para não ser punido, jurou de pé junto que um gaiato usou o seu nome (eram tempos primórdios da Internet…). Anos mais tarde, durante uma pré-temporada da FPF, perguntei a ele sobre o episódio e ele me confirmou:

claro que fui eu; não é uma vergonha um estado como SP importar árbitro?

E aí fica a questão: tal prática (a de importar árbitros de nome de outros estados) é salutar ou não para a arbitragem local?

Deixe seu comentário:

– Domingos e o “Tô de Olho em Você”. Pode?

No último sábado, o jogador do Guarani, Domingos, zagueiro com passagens por Santos e Portuguesa, reclamou de uma possível perseguição do árbitro José Cláudio Rocha na partida Corinthians X Guarani. Disse mais: que gostaria de sair do Brasil pois os árbitros não o deixam jogar!

Precisamos tomar cuidado em duas coisas para analisar se as reclamações procedem ou não:

1- o excesso de força de alguns lances de Domingos,

2- a preocupação dos árbitros em não deixar de puni-lo.

Domingos joga duro; não amolece em divididas; mostra virilidade ao extremo. Vez ou outra, faz por merecer expulsões. Mas precisamos tomar cuidado para, sabedores do histórico do zagueiro, não marcar infrações ou aplicar cartões injustos pré-condicionados pelo histórico e fama criada pelo atleta.

Imagine a seguinte situação: em lance duvidoso de pênalti, numa disputa de bola onde o atacante cai – se for Neymar, por tudo o que já simulou, o árbitro tende, na dúvida, a acreditar que se jogou. Mas se for Messi, que quase nunca cai, acreditará que o atleta sofreu a falta. Idem se fizermos a analogia a zagueiros com históricos diferentes> Miranda, extremamente técnico X Domingos, extremamente faltoso!

Assim é a interpretação do árbitro sobre Domingos: inconscientemente, o juiz já o vê como o “cara que é violento”. Problemas de excesso de rigor, de fato, podem acontecer, justamente pelos inúmeros lances já protagonizados pelo atleta – inclusive em treino!

Sobre a queixa de que o árbitro o perseguira quando supostamente disse: “estou de olho em você”: nada de anormal! Coisa comum no futebol. Quando um atleta faz por merecer uma advertência, entretanto a aplicação do rigor do cartão é questionada, o árbitro deve adverti-lo verbalmente para que mude o seu comportamento, a fim de não receber um cartão que poderia ser evitado. Quando o árbitro diz ao atleta que está atento (‘de olho’), serve de alerta para ele se cuidar e se preservar mais em campo. O jogador deveria agradecer ao árbitro de ser informado que na próxima será punido com cartão e de ter a oportunidade de evitar uma admoestação maior.

E você, o que pensa sobre Domingos? Um incompreendido ou chororô?

– As Novas Denúncias de Entradas Irregulares na CBF

Novas denúncias de árbitros que entraram irregularmente no quadro da CBF. Agora, o site Apitonacional traz uma relação de árbitros cariocas que teriam entrado sem as condições exigidas no quadro nacional. Nomes e matéria podem ser acessados em:

http://www.apitonacional.com.br/noticias/formairregular.htm

Já escrevi sobre tal tema em outra oportunidade e repito: se passarmos um pente-fino, de repente, encontraremos um número absurdo de indicações indevidas.

Mas fica a questão debatida outrora no Blog do Bom Dia / Diário de São Paulo: As federações devem satisfação sobre a escolha de seus árbitros? Não são entidades de direito privado?

Dirigentes se merecem, pessoal…

O texto irônico, para quem não leu e que pode ser repetido neste episódio, está em:

http://www.redebomdia.com.br/blog/lista/109

Publico-o novamente abaixo, pois serve para essa oportunidade:

PATHRICE MAIA DENUNCIADO. SOMADO A SANDRO RICCI, QUE LIÇÕES TEMOS?

Dias atrás, o site Voz do Apito denunciou a entrada irregular de Sandro Meira Ricci ao quadro da CBF, pelo DF (comentamos em: http://is.gd/ricci). Agora, o site Apito Nacional traz outra suposta entrada irregular, dessa vez de Pathrice Maia, árbitro do RJ.

Se fizermos uma devassa nos processos de indicação das federações estaduais, provavelmente encontraremos outras! E se todos os casos forem confirmados, veremos que tal prática é um vício desassociado da meritocracia mas preso aos interesses de quem indicou e/ou quem aceita.

E o que a sociedade tem a ver com isso?

Vou ser bem sincero: nada.

Estranhou tal posição minha?

Claro, levemos em conta os seguintes fatores:

1-as federações de futebol são instituições privadas. Coronel Marinho, Jorge Rabelo, Sérgio Correa ou qualquer outro dirigente dessa categoria de organização, nada mais são do que empregados do “patrão”, que nesse caso, é o presidente, CEO, executivo-mor ou título que o valha. Por quê dar satisfação à população (ou aos próprios árbitros, já que nem empregados das federações eles são)?

2-em qualquer empresa comercial, o objetivo maior será a sua sobrevivência. E no mundo dos negócios, todas as agências de veículos vendem o melhor carro; todos os bancos têm o melhor atendimento; todas as lojas de móveis têm o sofá mais barato; e, nas federações, todos os árbitros indicados são os melhores. Na teoria, é isso, mesmo que na prática não seja.

3-os rankings de arbitragem procuram ser instrumentos de regulação, mas obscuros e ininteligíveis, acabam sendo subjetivos na sua pontuação (e alguns, pasmem, nem pontos têm!).

4-na era do futebol-business, mais vale o atacante nascido no society do empresário viajado, do que o ponta-de-lança banguela oriundo da várzea. Ambos podem fazer gol, mas a repercussão deles difere. Por quê na arbitragem seria diferente?

5-assim, como todos esperam que os escudos não sejam devolvidos e os árbitros que lá chegaram (por mérito ou não) sabem que precisam apitar muito bem para não serem questionados e lembrados sobre isso (embora, escudo se ganhe em campo e não na politicagem), por que a empresa privada não pode galgar alguém pela simpatia a outro, tempo de experiência, perspectiva ou simplesmente por querer arriscar um novo nome? Ela não deve satisfação aos outros, é privada!

Amigos, claro que tal artigo está carregado de ironias, embora em muitos momentos deixo nas entrelinhas reflexões que são duras realidades: as federações, se quiserem, acabam indicando quem elas desejarem. Se há meritocracia ou não, privilégio desregrado ou até mesmo desonestidade, fica a cargos das instituições representativas interessadas: as cooperativas, sindicatos e associações de defesa dos árbitros.

Tonto é o torcedor que vai ao estádio achando que os atletas do seu clube jogam por amor e não pelo salário. Tão tonto é o jovem árbitro que acredita que única e exclusivamente na carreira subirá pelos seus méritos, sem nunca ter recebido pressão. Tontos somos nós, que aqui escrevemos e acreditamos em mudar algo. Somos pequeninas pedrinhas, que momentaneamente irritam os dirigentes em suas sandálias; mas estes, suportados pelos donos de federações e confederações, logo se ajeitam.

Sandros, Pathrices, Ciclanos, Fulanos ou Beltranos (as). Não importa. Se competentes, fiquem com seus escudos. Se incompetentes, que saiam. E sobre como entraram? Os descontentes, reclamem aos seus representantes de classe. Ou eles não são independentes?

Que bom seria se as pedras diminutas citadas acima resolvessem se juntar… Formariam um pedregulho e tanto!

Aceitemos: as federações são empresas privadas, endinheiradas, movidas pela vaidade do poder e sem romantismo. Gostemos ou não, é o futebol de hoje. E o árbitro, diante de tudo isso, é apenas um elemento a margem nelas.

Não gostou? Então que tal, em caso de atual mesmice, virar uma pedrinha? Se muitas se juntarem…

– Chivas critica Simulação de pênalti do seu Atleta. Mudaremos o conceito?

Jorge Vergara é presidente e dono do Chivas Guadalajara, equipe tradicional e rica do futebol mexicano. E o executivo surpreendeu aos futebolistas locais por criticar a atitude do seu próprio atleta, Erick Torres, que simulou ter sofrido uma infração que resultou no pênalti decisivo à sua equipe (Chivas 2X1 Puebla). Disse Vergara:

Sou totalmente contra esse tipo de atitude, isso não é fair-play, não é correto. Não se deve ganhar um jogo de futebol fazendo trapaças, nem muito menos na vida nem no futebol

Na última semana, o 3º vídeo do Youtube mais assistido no mundo foi o de Lionel Messi, intitulado: Messi never dives (Messi nunca mergulha), mostrando lances em que o argentino apanha, sofre faltas, mas insiste em continuar a jogada e não cair.

Fico pensando se um dia nós, brasileiros, abandonaremos a estúpida ideia de levar vantagem em tudo, parando de promover a falta do espírito esportivo, onde lamentavelmente exaltamos culturalmente o malandro que prejudica alguém.

Seria utopia encarnar em Vergara os dirigentes tupiniquins? Andrés Sanches, ex-presidente do Corinthians; Eurico Miranda, do Vasco; ou qualquer outro cartola daqui: falariam e pregariam contra tais atitudes se cometidas por seus atletas?

Cabe ao árbitro a hercúlea missão em definir o que é realmente falta ou não. Infelizmente, os jogadores dificilmente colaboram, e quando saem do país, precisam mudar o comportamento, pois sucumbem às culturas locais para sobreviverem.

Mudança de comportamento dos jogadores? Utopia a ser esperada pelos árbitros de futebol?

– Pênalti de calcanhar: aconteceu, e o jogador foi punido!

Em um amistoso no Líbano, envolvendo a equipe local contra os Emirados Árabes, o atacante emir Awana Diab foi cobrar um pênalti para sua equipe: correu, virou e… cobrou de calcanhar! E fez o gol! (pelas regras do jogo, tudo bem; o lance é válido).

Porém, a ousadia custou caro: o executivo da Federação de Futebol dos EAU, Esmaeel Rashed, disse que o atleta será punido por desrespeitar o goleiro adversário.

Veja o curioso lance:

http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=zzarGNw4Q0g

E para você: é desrespeito ou não? Deixe seu comentário:

– Palmeiras pode ter patrocínio de Bandana de site de Infidelidade. Pode jogar com ela?

Não há dúvidas que as bandanas (aquela fita de tecido para segurar o cabelo, que pode ser um mero enfeite) são permitidas no futebol. Desde, claro, não levem perigo a outros atletas e nem a si próprio (e se enquadrem na questão de não fazer publicidade comercial, mensagem religiosa ou política).

Abordamos isso pois a canadense Ashley Madison.com ofereceu um curioso patrocínio: 4 milhões de reais para que os atletas usem bandanas para a sua empresa, que é um site de infidelidade!

Talvez a empresa não tenha ciência de que só poderão fazer uso de tais bandanas em treino, pois durante a partida, não pode usar marca comercial.

O site prega “escapadinhas” entre seus usuários, e na bandana palmeirense estaria escrito:

A vida é curta. Curta um caso! Ashleymadison.com

E aí, inusitado ou não?

– A Pressão de Muricy sobre a Arbitragem desta 4ª feira

Para vencer a Libertadores da América, vale tudo. Até declarações pré-jogo de pressão contra a arbitragem.

Muricy Ramalho, técnico do Santos (que enfrenta o Internacional-RS pelo torneio continental), criticou ontem a escolha de Evandro Rogério Roman, árbitro FIFA da Federação Paranaense de Futebol, já que o apitador nasceu no Rio Grande do Sul. Disse o treinador:

Não tenho nada contra o Roman, que já apitou vários jogos nossos. Só que tem coisas no futebol que podem ser evitadas. Essa é uma delas (…) Existem outros duzentos mil árbitros para apitar”.

Ora, Evandro Roman nasceu em Erval Grande, interior do RS, e cresceu no Paraná (foi goleiro em Céu Azul-PR na adolescência). Mais tarde, fez Mestrado e Doutorado em Campinas-SP, vivendo um período na Unicamp.

Sendo assim, Roman que nasceu gaúcho, cresceu paranaense e estudou como paulista, é o que, de fato?

Pela lógica de Muricy, ele próprio estaria sob suspeita num confronto entre São Paulo X Santos por ter nascido futebolisticamente no Morumbi.

A verdade é: árbitro se preocupa só com sua carreira. Principalmente no nível FIFA alcançado, ele nem se lembra do time que torcia na infância.

Em 2009, Evandro Roman foi desastroso nos jogos que apitou pelo Brasileirão. No segundo semestre de 2011, a má fase passou (más atuações e reprovação nos testes físicos cessaram) e fez arbitragens excepcionais no Campeonato Brasileiro. Está em ótimo momento!

Assim como o descabido argumento de Muricy (por quê não o fez em outra oportunidade?), o Internacional poderia questionar: E se Roman fosse gremista?

E você, o que pensa sobre isso: Muricy tem razão ou é apenas mais uma das formas de pressão sobre a arbitragem? Deixe seu comentário:

 

– Pathrice Maia denunciado. Somado a Sandro Ricci, que lições temos?

Dias atrás, o site Voz do Apito denunciou a entrada irregular de Sandro Meira Ricci ao quadro da CBF, pelo DF (comentamos em: http://is.gd/ricci). Agora, o site Apito Nacional traz outra suposta entrada irregular, dessa vez de Pathrice Maia, árbitro do RJ.

Se fizermos uma devassa nos processos de indicação das federações estaduais, provavelmente encontraremos outras! E se todos os casos forem confirmados, veremos que tal prática é um vício desassociado da meritocracia mas preso aos interesses de quem indicou e/ou quem aceita.

E o que a sociedade tem a ver com isso?

Vou ser bem sincero: nada.

Estranhou tal posição minha?

Claro, levemos em conta os seguintes fatores:

1-as federações de futebol são instituições privadas. Coronel Marinho, Jorge Rabelo, Sérgio Correa ou qualquer outro dirigente dessa categoria de organização, nada mais são do que empregados do “patrão”, que nesse caso, é o presidente, CEO, executivo-mor ou título que o valha. Por quê dar satisfação à população (ou aos próprios árbitros, já que nem empregados das federações eles são)?

2-em qualquer empresa comercial, o objetivo maior será a sua sobrevivência. E no mundo dos negócios, todas as agências de veículos vendem o melhor carro; todos os bancos têm o melhor atendimento; todas as lojas de móveis têm o sofá mais barato; e, nas federações, todos os árbitros indicados são os melhores. Na teoria, é isso, mesmo que na prática não seja.

3-os rankings de arbitragem procuram ser instrumentos de regulação, mas obscuros e ininteligíveis, acabam sendo subjetivos na sua pontuação (e alguns, pasmem, nem pontos têm!).

4-na era do futebol-business, mais vale o atacante nascido no society do empresário viajado, do que o ponta-de-lança banguela oriundo da várzea. Ambos podem fazer gol, mas a repercussão deles difere. Por quê na arbitragem seria diferente?

5-assim, como todos esperam que os escudos não sejam devolvidos e os árbitros que lá chegaram (por mérito ou não) sabem que precisam apitar muito bem para não serem questionados e lembrados sobre isso (embora, escudo se ganhe em campo e não na politicagem), por que a empresa privada não pode galgar alguém pela simpatia a outro, tempo de experiência, perspectiva ou simplesmente por querer arriscar um novo nome? Ela não deve satisfação aos outros, é privada!

Amigos, claro que tal artigo está carregado de ironias, embora em muitos momentos deixo nas entrelinhas reflexões que são duras realidades: as federações, se quiserem, acabam indicando quem elas desejarem. Se há meritocracia ou não, privilégio desregrado ou até mesmo desonestidade, fica a cargos das instituições representativas interessadas: as cooperativas, sindicatos e associações de defesa dos árbitros.

Tonto é o torcedor que vai ao estádio achando que os atletas do seu clube jogam por amor e não pelo salário. Tão tonto é o jovem árbitro que acredita que única e exclusivamente na carreira subirá pelos seus méritos, sem nunca ter recebido pressão. Tontos somos nós, que aqui escrevemos e acreditamos em mudar algo. Somos pequeninas pedrinhas, que momentaneamente irritam os dirigentes em suas sandálias; mas estes, suportados pelos donos de federações e confederações, logo se ajeitam.

Sandros, Pathrices, Ciclanos, Fulanos ou Beltranos (as). Não importa. Se competentes, fiquem com seus escudos. Se incompetentes, que saiam. E sobre como entraram? Os descontentes, reclamem aos seus representantes de classe. Ou eles não são independentes?

Que bom seria se as pedras diminutas citadas acima resolvessem se juntar… Formariam um pedregulho e tanto!

Aceitemos: as federações são empresas privadas, endinheiradas, movidas pela vaidade do poder e sem romantismo. Gostemos ou não, é o futebol de hoje. E o árbitro, diante de tudo isso, é apenas um elemento a margem nelas.

Não gostou? Então que tal, em caso de atual mesmice, virar uma pedrinha? Se muitas se juntarem…

– Tite falou o que não devia…

E o treinador Tite? Inteligente, ponderado, líder do Paulistão, mas…

Aquele que institucionalizou o bordão “Fala Muito” àqueles que reclamam demais, teve sua noite de chororô. Calma, nenhum pecado capital, mas uma infeliz reclamação da regra.

No pênalti a favor ao Corinthians, ontem, houve invasão de área. O árbitro Rodrigo Braguetto, atendendo a marcação do árbitro assistente, anulou o gol e ordenou nova cobrança. Na nova cobrança, também houve invasão de área, e não houve ordem para que se cobrasse de novo (pois, afinal, o gol não aconteceu).

Diante disso, Tite disse ao repórter Fábio Seródio da Rádio Jovem Pan:

Pau que bate em Chico deveria bater também em Francisco”,

Tal frase do treinador era em alusão a não-repetição da segunda cobrança, já que estava inconformado com a decisão do árbitro, que mandou voltar o pênalti que houvera sido concluído em gol e não ordenou a volta do pênalti desperdiçado. Mas um inconformismo desnecessário, já que a reclamação é improcedente. Puro desconhecimento da regra.

Quando o batedor cobra o pênalti e conclui em gol, se há invasão do companheiro do batedor, repete-se a cobrança;

Quando o batedor cobra o pênalti e não conclui em gol, se há invasão do companheiro do batedor, não repete a cobrança (já que você não pode beneficiar o infrator); e o maior detalhe: marca-se Tiro Livre Indireto ao Adversário no Local da Infração.

Quando o batedor cobra o pênalti e conclui em gol, se há invasão do companheiro do defensor, não repete a cobrança (já que o infrator é quem sofreu o gol);

Quando o batedor cobra o pênalti e não conclui em gol, se há invasão do companheiro do defensor, repete a cobrança;

Quando há invasão de área de jogadores das duas equipes, independente de gol ou não, repete-se a cobrança.

Portanto, tanto Tite e Rodrigo Braguetto erraram. Tite, por querer repetir a cobrança; Braguetto, por não ter marcado o tiro livre indireto a favor do Catanduvense, embora tal erro seja insignificante, pois o reinício do jogo se deu por meio de tiro de meta à equipe de Catanduva.