– Oásis Chinês para o Futebol?

O famoso treinador Marcelo Lippi está trabalhando no clube 6º colocado do campeonato de futebol chinês. Ganha mais do que José Mourinho!

Conca, argentino do Fluminense, quando se transferiu para lá, aceitou o convite por ser o 3º maior salário do mundo na ocasião.

Drogba tem proposta da China, com valores irreais.

Detalhe: a China já está eliminada nas Eliminatórias da Copa do Mundo de 2014 no Brasil.

Com o número de manchetes de apostas irregulares na China, a corrupção latente dos árbitros de lá e outros escândalos que vazam (e olha que são muitos, mesmo o regime de ditadura evitando a divulgação), alguém acredita que todas essas transações venham de negociações e torneios honestos?

Não tenho provas, é claro. Mas tenho o direito de duvidar. E você?

– Análise da Arbitragem de Brasil X Argentina. Foi bem o Juizão?

Na partida amistosa entre Brasil 3 X 4 Argentina, o mexicano Jair Marrufo ficou devendo à boa safra dos árbitros do México, bem aproveitados pela Concacaf nos últimos tempos. Quando o jogo foi fácil de se apitar, ele foi bem. Bastou os ânimos se animarem um pouco mais, e ele sentiu a pressão, tecnicamente falando.

Vamos lá: a partida começou com um erro primário logo aos 30 segundos. Gago pula para dividir uma bola que vem pelo alto com Neymar. Ambos caem e Neymar pede a falta inexistente. Mas o árbitro interpreta “cama-de-gato” do argentino. Falta pró-Brasil que não existiu. Cartão de apresentação ruim do juizão… Neymar cavou e o juizão entrou.

Quer outro lance entre Neymar X Gago? No 10º minuto, o argentino dá um tranco legal no brasileiro, que cai. Se o Tranco é legal, nada a marcar. Acertou o árbitro. Mas Neymar pediu a falta.

Aos 11 minutos, Novamente Gago X Neymar (3º confronto): o argentino abandona a jogada e vai no corpo do brasileiro. Falta temerária, que valeu o primeiro cartão amarelo. Acertou o árbitro.

Depois do cartão, trocou-se o marcador de Neymar. Será que se Gago permanecesse na marcação, terminaria o jogo?

Com 12 minutos, Neymar infernizava: após uma sequência de dribles, procurou o corpo do zagueiro adevrsário. Foi nítido que no momento derradeiro da finta, tentou cavar a falta, driblando em cima do adversário, ao invés de evitá-lo. Não precisava fazer isso.

Até esse primeiro terço do primeiro tempo, Neymar infernizou. Mas se procurasse ficar em pé não seria melhor?

Um erro grosseiro ocorreu aos 16 minutos: Hulk ganha a disputa de bola do adversário com um tranco legal, o árbitro deixa o jogo seguir, mas o bandeira assinala a infração. Errou.

Aos 22 minutos, no gol brasileiro de Rômulo, tudo legal. A Argentina faz linha burra, mas apesar do tronco de Rômulo estar à frente dos troncos dos zagueiros argentinos, há um pé portenho que dá condição. Como o conceito de “mesma linha” se refere às partes jogáveis dos atacantes em relação aos defensores, o gol é válido. O erro foi da Argentina ao fazer a linha de impedimento de maneira mal feita.

Tivemos dois lances de pênaltis reclamados: aos 26 minutos, um zagueiro argentino dá um tranco em Neymar de maneira legal. Embora Neymar tenha caído, não foi nada, acertou o árbitro. Mas aos 29 minutos, o mesmo zagueiro empurra Neymar com o braço esquerdo, que se desequilibra e tropeça sozinho. O empurrão é pênalti, não marcado. Errou o árbitro.

No segundo tempo, a catimba apareceu e o árbitro tratou de segurar o jogo. Nos lances de disputa de bola mais ríspidos, começou a marcar faltinhas, a fim de “picar o jogo”. Isso não agrada aos amantes da boa arbitragem, acaba demonstrando uma certa insegurança do árbitro. Mesmo com essa deficiência técnica, disciplinarmente o árbitro se manteve bem criterioso no segundo tempo, em especial ao lance mais forte de Mascherano em Neymar.

Aos 81 minutos, um lance curioso, irregular e que o árbitro não viu: Messi, quando iria cobrar uma falta, mudou o local da cobrança para trás. E isso não pode! Não importa se trouxe a bola para trás, a bola deve ser colocada no local da infração. Portanto, não pode nem pra frente, nem pra trás (e não vale alegar que isso não beneficia ou prejudica; importa é que a falta foi cobrada em local errado – é regra!).

No final da partida, Marcelo tenta agredir Lavezzi, que revida. Ambos expulsos. Correto.

Me chamou a atenção um detalhe: Neymar chamou a atenção pelas faltas sofridas e as que ele “tentou sofrer”. Messi chamou a atenção pelos gols. Os dois são craques, mas o hermano é mais decisivo, discreto e menos firulento que o brazuca. E não cai, nem reclama de falta. Só joga bola (e muito!).

Enfim, árbitro regular para uma partida bacana de se assistir. Pena, para os brasileiros, que o resultado foi adverso.

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Abaixo, o lance-a-lance da partida:

·          35 segundos: dividida normal entre o 5 da argentina, Gago e Neymar. Nada. O juizão dá a falta… (cavou na inteligência)

·          3 minutos: Neymar chama o jogo e Messi não pegou na bola. Pegará na hora certa?

·          10 minutos: brasileiro perde a bola para argentino através de um tranco. Jogada normal.

·          11 minutos: Neymar sofre falta de Gago, que vai no corpo dele. Cartão Amarelo bem aplicado. (apanhou no lance)

·          12 minutos: após bela sequência de dribles, Neymar tenta se enfiar “por dentro do corpo” do zagueiro. Aí não dá. Perdeu a bola e caiu (tentou simular).

·          16 minutos: tranco de Hulk, que domina a bola, mas bandeira levanta o instrumento. Errou, é tranco legal.

·          20 minutos: Neymar faz bela jogada, toca-recebe, mas fica em posição de impedimento. Se fosse o Luís Fabiano, já tinha reclamado e cavado um amarelo.

·          22 minutos: Brasil cobra falta, Argentina faz linha burra e erra; Rômulo, que estava em posição legal na hora da cobrança, recebe sozinho e faz 1X0.

·          26 minutos: zagueiro argentino dá tranco legal em Neymar na disputa de bola, que cai. Não foi pênalti.

·          29 minutos: zagueiro argentino empurra Neymar com o braço esquerdo na corrida. Mesmo se mantendo de pé com a bola, não há vantagem percebida. Errou (na sequência, Neymar tropeça sozinho).

·          34 minutos: eu disse aos 3 minutos- “Neymar chama o jogo e Messi não pegou na bola. Pegará na hora certa”. RESPOSTA: Pegou…

·          37 minutos: Rafael não consegue segurar adversário e o segura, evitando contra-ataque. Amarelo bem aplicado.

·          38 minutos: algum zagueiro brasileiro agarrou sem bola um argentino. Galvão deixou passar batido e não houve replay. Era para amarelo.

·          48 minutos: Higuain, infantilmente, reclama da marcação do árbitro. Amarelo bem aplicado.

·          50 minutos: Higuain disputa a bola com Juan. Normal. Mas o árbitro marca falta de ataque. Não foi nada. Errou.

·          58 minutos: Mascherano faz falta dura em Neymar. Cartão Amarelo bem aplicado.

·          61 minutos: Sandro pega a bola e argentino cai. Não foi nada. Juizão sentiu a pressão…  

·          70 minutos: no primeiro lance, Pato empurra o adversário com as duas mãos. Apelou. Falta bem marcada.

·          71 minutos: Gol de Hulk, tudo ok, legal.

·          73 minutos: Gol da argentina. Tb legal.

·          81 minutos: falta de Danilo em Messi, na entrada da área. Amarelo bem aplicado.

·          Na cobrança de falta, Messi muda a bola para um local mais para trás, distanciando da barreira. Não pode mudar nem pra frente, nem pra trás.

·          84 minutos: Messi faz um golaço. Caramba.

·          90 minutos: Marcelo agride Lavezzi, que chuta, bate e puxa o cabelo de Marcelo. Expulsos, corretamente.

– Os Cartões de Luís Fabiano e a Faixa de Capitão

Luís Fabiano é costumeiro recebedor de cartões amarelos. O assunto que veio à tona após o 3º cartão amarelo em 3 jogos seguidos, é na verdade, mais antigo do que parece.

Para aqueles que buscarem o histórico do atleta antes da sua ida ao Porto (Portugal), ele costumeiramente era advertido por 2 motivos: reclamação à arbitragem e atitude inconveniente, que são situações específicas de indisciplina para o meio da arbitragem. A diferença do histórico do Fabuloso, como ele é chamado, é que agora ele não está recebendo cartões vermelhos, como antes recebia.

Uma observação importante: Luís Fabuloso faz parte daqueles atletas que, quando coloca a faixa de capitão, acredita ter maior liberdade para conversar com o árbitro. E aí vem uma curiosidade: muitos pensam que o capitão pode conversar ou reclamar com o juiz. Nada disso!

Sabe para que serve o capitão, diante da Regra do Jogo e para a Arbitragem? Para simplesmente ser o representante da equipe para o sorteio que decide o lado do campo e quem fica com a bola no chute inicial, além de ser o elemento que será informado de alguma excepcionalidade na partida.

Embora muitos pensem o contrário, o capitão não tem direito extra ou privilégio dentro do jogo. Ele está submetido ao mesmo comportamento que os demais atletas.

Porém, analise o seguinte: se o jogador já recebe cartões amarelos por reclamar com a arbitragem, imagine se ele usar a braçadeira de capitão (acreditando poder falar com o árbitro)?

Vai receber cartão amarelo todo jogo mesmo…

– Analisando a Escala da Libertadores da América: Jogos das Semifinais Brasileiras

A Conmebol divulgou que para o jogo Santos X Corinthians, na Vila Belmiro (13/06), teremos arbitragem do carioca Marcelo de Lima Henrique. Para Corinthians X Santos, no Pacaembu (20/06), teremos o gaúcho Leandro Pedro Vuaden (neste jogo, teremos a repetição da escala de Corinthians X Vasco).

Claro que torcedores das duas equipes perguntarão: boa ou má indicação?

Sem dúvida, boa para os dois nos seus respectivos mandos!

Nos bastidores, é sabido que tanto Corinthians e Santos não queriam arbitragem estrangeira.

Para o time do Parque São Jorge, um árbitro local é bom por “respeitar a grandeza do time”. Sabe aquele discurso intramuros de que um árbitro brasileiro poderia sentir a pressão do Corinthians? A uns, esse pensamento funciona; a outros, pura bobagem…

Para o time praiano, um árbitro local é bom por ser “mais técnico nas marcações de faltas cometidas sobre Neymar”. Aqui, o discurso intramuros é de que um árbitro brasileiro preservaria mais o craque.

Na verdade, os dois times estão satisfeitos. Vamos a cada jogo:

1)No jogo de ida, em Santos, teremos Marcelo de Lima Henrique que está em boa fase, mas que se equivocou em lance de pênalti na partida Grêmio/RS X Palmeiras/SP, dias atrás. Hoje ele apita Atlético-MG X Bahia/BA. O FIFA-RJ costuma não tolerar muito o contato físico; seus jogos costumam ter muitas faltas marcadas por não aceitar o rodízio de infrações e jogadas mais ríspidas. Bom para o Santos FC, se considerarmos que Neymar sofre muitas faltas e procura receber outras tantas (aqui o velho dilema: interpretar quando o garoto recebe, busca ou simula faltas).

2)No jogo de volta, em São Paulo, teremos Leandro Pedro Vuaden. O FIFA-RS está numa eloquente sequência de escalas, sendo que apitará no próximo domingo Uruguai X Peru. Apitou Corinthians/SP X Vasco/RJ pela Libertadores e apita hoje Sport/PE X Palmeiras/SP. O árbitro com estilo mais argentino do futebol brasileiro costuma deixar o jogo correr, não marca muitas faltas e nem tolera artimanhas. Tem pecado no aspecto disciplinar: às vezes, vulgariza o cartão amarelo; em outras, vira algo sagrado! Bom para o Corinthians, pelos mesmos inversos motivos do jogo de ida. Embora, Jorge Henrique, que é extremamente polêmico para o apito, possa ser inibido com o estilo Vuaden.

Apesar de serem bons nomes para os jogos, fico surpreso pela ausência de Wilson Seneme para um dos confrontos. Junto com Carlos Amarilla, são os dois melhores árbitros sulamericanos da temporada. Seneme apitará Equador X Colômbia no próximo domingo.

Vuaden vem sendo nome constante nas escalas, sempre com os bandeiras Altemir Hausmann e Alessandro Matos (entrosamento não faltará para o trio). Já Marcelo de Lima Henrique tem sido deixado de lado pela Sulamericana (vide baixíssimo número de escalas como árbitro principal em torneios da Conmebol). Foram preferidos deixando de lado nomes como Heber, Roman, Ricci, PC e o próprio Seneme. Além do que, mostra o desprestígio de outros nomes como Péricles, Chicão de Alagoas e Ricardo Marques Ribeiro (estes últimos, nunca utilizados como árbitros centrais – e nunca ao pé-da-letra mesmo).

Se o árbitro é FIFA, teoricamente, pode apitar em qualquer lugar do mundo. Então, porque não escalá-los?

Infelizmente, banalizaram o escudo…

Tudo isso ainda mostra algo problemático: a universalização de critérios, sempre defendida, é algo utópico.

– Juízes com Ciúmes dos Árbitros Modelos?

A mídia divulgou hoje que o Programa “A Fazenda 5”, da TV Record, terá o árbitro de futebol baiano Diego Pombo, da CBF.

Muitos criticam o moço por dividir a sua carreira de arbitragem com a de modelo. Ora, a atividade é profissional, digna como qualquer outra. Além do que, o árbitro não consegue viver exclusivamente das suas taxas de arbitragem.

Os críticos dirão que a atividade de “modelo” atrai holofotes e expõe demais o árbitro. Guilherme Ceretta de Lima, aspirante a FIFA por São Paulo, é outro que costuma ser criticado por também ser modelo.

Se o árbitro desempenhar bem sua função em seus jogos, que mal há? Não vale dizer que a carreira de modelo é incompatível, pois tal justificativa parece ser mais ciúme do que preocupação alheia.

Caso Diego Pombo esteja no programa, surgirão os defensores da ética da arbitragem, querendo crucificar o moço. Bobagem.

Boa sorte ao árbitro na Record, mas não contará com minha audiência, por um motivo bem simples: DETESTO Big Brothers e Fazendas da vida…

– Árbitros 100% Nada Consta

Leio no site Voz do Apito (www.vozdoapito.com.br) que o Dr Edson Rezende, Corregedor de Arbitragem da CBF, pede aos árbitros para que assinem um documento liberando a investigação da vida pessoal deles, além dos tradicionais documentos de nada consta na Justiça e nos órgão comerciais (Serasa / SPC), entre outros.

Claro que o assunto é delicado. Os árbitros devem ter uma vida imaculada para não serem questionados. Se o árbitro estiver com dívidas, por exemplo, os mais críticos poderão dizer que está mais suscetível a propostas indecorosas. Se sofre ou move algum processo, questionará se uma escala contra determinado clube implicará em interesse pessoal ou não. O que fazer?

Por mais antipática que seja, entendo que a decisão seja acertada. Se o árbitro não tem nada a esconder, não há problemas. O único inconveniente (e aí será algo de foro pessoal) é o questionamento da perda de privacidade.

Até onde o árbitro aceita ter sua vida pessoal invadida por um dirigente? Isso é muito particular para cada um.

Para quem nada deve, sem dificuldade para a aceitação. Lamentavelmente, o árbitro além de ser honesto “tem que parecer ser honesto”!

E você? Concorda ou discorda de tal medida?

Caso tenha curiosidade, os documentos exigidos pela CBF aos árbitros poderão ser acessados no seguinte PDF: http://www.vozdoapito.com.br/noticias/img/cbf_3.pdf

– Brasileirão até Agora: o que Vi da Arbitragem?

Duas rodadas do Brasileirão da Série A e já podemos observar algumas coisas em relação ao apito. Vamos lá:

1- Alguns árbitros estão tendo dificuldade de se posicionar com a implantação dos árbitros adicionais. Apenas uma questão de costume, mesmo não existindo necessidade de mudança radical na sua corrida dentro de campo.

2- Arbitragens com jogos sem dificuldades, com equívocos pontuais. Talvez, devido ao início do torneio, as partidas estão fáceis para se apitar. Momento propício para se renovar o quadro, lançando jovens a campo.

3- Erros de entrosamento: devido à miscigenação de estados e estilos, muitos erros por falta de entrosamento entre os árbitros, assistentes e adicionais. Alguns mais significativos, outros não.

4 – Ponto forte: a questão disciplinar. Os árbitros estão bem criteriosos na aplicação dos cartões (claro que um ou outro erro aconteceu, em proporção menor do que em outras oportunidades). Mas algo que preocupa: muitos cartões por indisciplina, já que o número de reclamações e atitudes inconvenientes tem sido alto, e punidos corretamente. Os exemplos da semana: André (Atlético Mineiro), Fábio Santos (Corinthians) e Luís Fabiano (São Paulo). Será que os clubes aceitam cartões tão bobos recebidos por seus atletas e não os orientam corretamente?

Muitas suspensões por cartões poderiam ser evitadas com instruções de arbitragem aos jogadores. Mas, infelizmente, os clubes nada investem nesse tipo de orientação.

– Antidoping para Árbitros?

O jornalista Wanderley Nogueira, da Rádio Jovem Pan e da TV Gazeta, informa em seu blog que a FIFA cogita realizar o exame antidoping em árbitros de futebol. O texto pode ser acessado no link abaixo, e repare que ele questiona o leitor com a indagação: você aprova ou não?

Pois bem, aqui vai uma resposta ao questionamento e alguns dados interessantes.

O árbitro, hoje, é um dos elementos do jogo que mais corre em uma partida de futebol: cerca de 9,5 a 13 km/h, segundo os dados da Federação Paulista de Futebol. Tal número mostra que ele corre mais que muitos atletas em campo. O Prof Sérgio Cunha, do Departamento de Biomecânica da Unicamp, em recente estudo mostrou que os atletas correm até 11 km por jogo, dependendo da posição (vide: http://www.youtube.com/watch?v=htUVsmzy-B0)

Sendo assim, vale refletir: como o árbitro, com sua preparação amadora, sem os profissionais que os grandes clubes de futebol possuem, podem ser mais exigidos em campo do que os atletas?

São alguns fatores motivacionais que o ajudam: a carreira em si (necessidade de desempenhar o máximo para o sucesso profissional) e o doping psicológico (a busca em vencer desafios de grande monta). Fora o motivacional, vem o físico (cuidados com o corpo, nutricionista e treino a exaustão).

Em 15 anos de carreira (em jogos, mais de 700), nunca vi doping explícito ou ouvi relatos de árbitros que usavam substâncias ilegais para melhorar a performance; tudo que observei era dentro da normalidade, como vitaminas ou outros suplementos. Mas vi alguns colegas fazerem uso de drogas ilícitas e alguns de drogas lícitas, no pré-jogo e no jogo. Explico os momentos de uso:

Muitos árbitros, quando lesionados, relutam em pedir dispensa de escalas, preocupados com o prejuízo na carreira ou com o desgosto da Comissão que o escalou. Estes costumam fazer infiltrações, usarem drogas farmacológicas via oral ou até mesmo apelarem para uma arbitragem “menos corrida”, posicionando-se no meio do campo, apitando todas as faltas, a fim de não sentirem dor. Poucos ousam abrir mão dos jogos em que estão escalados.

O problema em si, durante o jogo, é o doping contra a dor de uma lesão, pela automedicação. Mas há algo mais grave: o doping pré-jogo, que não tem ligação alguma à preocupação em maior rendimento no gramado, mas que se constitui em descuido do corpo, falta de profissionalismo e um pouco de descomprometimento. E, claro, uma realidade social: o alcoolismo e o uso de narcóticos. Estes árbitros que usam são minoria, mas existem e estão nos gramados, conduzindo jogos.

Em jogos em que há pernoite, esses árbitros (normalmente mais jovens ou deslumbrados com um início financeiro rentável), abdicam do descanso e aproveitam a noite. E, longe de casa, muitas vezes no rico interior do estado, excedem nas bebidas alcoólicas. E, na “curtição”, como qualquer outro profissional/cidadão descuidado, pode cair nas drogas das mais leves como a maconha às mais pesadas como êcstasi. Já vi situações delicadas de colegas que quase perdem uma carreira por uso de tais substâncias, ao invés de se concentrarem para a partida.

Evidentemente que aqui o consumo é para o chamado “uso social”, não para o aumento de rendimento, pois os efeitos indesejáveis: cansaço, ressaca, larica e desconcentração o atrapalham nos jogos.

Importante: ambos os árbitros (que fazem uso do doping para o jogo com medicamentos e os que sofrem com o doping pré-jogo) entram em campo, de uma maneira ou de outra, fora das condições normais. Não são logicamente a maioria, mas existem e devem ter a atenção.

Àqueles que nada devem, em nome da responsabilidade, nada devem temer. Portanto, eu aprovo o doping surpresa nos árbitros.

Abaixo, o artigo de Wanderley Nogueira, extraído de: http://wanderleynogueira.blog.terra.com.br/2012/05/24/o-arbitro-e-o-doping/

O ÁRBITRO E O DOPING

O Congresso Médico da Fifa cogita fazer exames antidoping em árbitros.

Os responsáveis pelo setor afirmam que o “juiz é um atleta no campo e diante disso deveria ser submetido às mesmas regras”.

O assunto já começou a provocar opiniões favoráveis e contrárias.

Sou favorável.

E aqui, no Brasil, onde a profissão de árbitros vai passar a ser reconhecida como “profissional”, é o momento oportuno para sua implantação.

É de se esperar que todos os árbitros aplaudam a iniciativa.

Também considero árbitro de futebol um atleta.

E para evitar a suspeição de que alguns apitam “turbinados”, o controle virá em boa hora.

E você, aprova ou não ?

– Análise da Arbitragem de Corinthians X Vasco da Gama. O árbitro foi bem?

Boa arbitragem de Leandro Pedro Vuaden no Pacaembu, ontem a noite, na partida válida pelo jogo de volta da Libertadores da América, entre Corinthians X Vasco.

O jogo começou com um cartão de visitas mostrado pelo árbitro: aos 2 minutos, forte (mas legal) tranco em Jorge Henrique, que cai e fica pedindo falta; Vuaden manda seguir. No minuto seguinte, lance idêntico em atleta do Vasco, com mesma decisão da arbitragem. Claro sinal de que não toleraria quedas quaisquer.

Na parte disciplinar, Vuaden foi coerente na aplicação dos cartões. Tecnicamente, acertou na marcação das faltas e na não marcação de faltas forçadas. Se todas as faltas pedidas pelos atletas fossem marcadas, não teríamos bola rolando. Arbitragem típica de Libertadores da América, com o jogo fluindo, sendo que a exceção foi observada na volta do segundo tempo. No recomeço do jogo, Vuaden começou a picar o jogo, fazendo uma leitura diferente do que foi o seu primeiro tempo. Quando retomou o critério adotado, após escorregão de Paulinho, aos 56m, Tite reclamou excessivamente e foi expulso. Ali, uma dura advertência verbal do 4º árbitro resolveria a situação.

Fisicamente, Vuaden esteve bem. Ele, que não é reconhecidamente um velocista, prima por se posicionar melhor do que correr excessivamente. Porém, uma falha repetida ao longo da partida: nas retomadas de bola das equipes na defesa, costumava estar no meio de campo e ficar de costas para a jogada, aguardando um ataque. Por 2 vezes, houve a roubada de bola do adversário e o árbitro ficou atrasado nos lances de contra-ataque, pois não esperava tal situação. Felizmente, nada de polêmico nessas situações.

Agora, em caso de classificação do Santos nesta quinta-feira, esperaremos a provável escala de Seneme e Heber no confronto brasileiro, duas lógicas pelo momento que vivem e pelos critérios da Conmebol.

Caso o Velez se classifique, um desses brasileiros deve aguardar a oportunidade de eliminação do Corinthians para uma possível final, juntando-se a Carlos Amarilla (crendo que o Libertad sai da competição).

– A Geopolítica do Apito no BR-12

Presidente novo, vida nova! Ao menos, é o que parece estar acontecendo na CBF em relação à arbitragem.

Mesmo já dito declaradamente que não apoia a implantação de árbitros adicionais atrás da meta, pelo motivo de não acreditar em resultados significativos para a melhora da arbitragem, o presidente da Comissão de Árbitros da CBF, Sérgio Correia da Silva, a pedido do presidente da CBF, José Maria Marin, teve que implantá-los nesse ano.

Vale a máxima: manda quem pode, obedece quem tem juízo…

Mas um dado curioso: antes, muitas críticas se referiam às escalas de estados fracos futebolisticamente no cenário nacional em jogos do Brasileirão da Série A. Por diversas rodadas, só tínhamos 1 único árbitro paulista sendo escalado, gerando críticas em SP. Mas havia uma justificativa: a preocupação em integrar os estados da federação com árbitros de todas as localidades, permitindo intercâmbio e, segundo a Comissão, gerando desenvolvimento local.

Claro que é uma política discutível, pois, na teoria, sacrificavam-se os melhores árbitros. Agora, parece que a gestão de Marin mudou a filosofia.

Para os 10 jogos da Rodada 01 do Brasileirão, o estado de São Paulo terá o maior número de oficiais escalados: 10 árbitros (16,6%, somando-se árbitros centrais, bandeiras, adicionais e 4os árbitros), seguido do Rio de Janeiro (10%) e Rio Grande do Sul (10%).

Curiosamente, Minas Gerais terá apenas um único quarto-árbitro escalado na rodada (0,01%). E se avaliarmos apenas o critério “árbitro central”, veremos que SP tem 2 árbitros na escala, RJ 1, RS 1, PE 1, ES 1, PR 1, BA 1, SC 1 e AL 1.

O que esses números representam?

Que os estados mais fortes no apito (tecnica e politicamente) estão tendo oportunidade em número de escalas, além do fato do sorteio privilegiar possíveis reclamantes de outras federações, agradando a todos.

Isso é bom! Ganha a competência e ao mesmo tempo se amarra as arestas da administração política, principalmente a da vaidade.

O que não pode é dirigente declarar publicamente que há suspeitas na escala, como fez o dr Rubens Lopes, da FERJ, demagogicamente criticando o árbitro Sandro Meira Ricci e deixando no ar a dúvida das escalas entre paulistas e cariocas. Parece mais uma queixa com interesse terceiro do que uma séria reclamação.

Vale o chororô preventivo. Dirigentes adoram fazer isso! O certo é que o esforço conciliatório de José Maria Marin com essa influência nas escalas é notória.

– Brasileirão 2012 começa. Com ou sem emoção? O que esperar da Arbitragem?

O Campeonato Brasileiro começa nesse final de semana. Ao invés de poucos clássicos como nos regionais, em toda rodada sempre teremos ao menos um grande jogo!

Nesta 10ª edição desde a fórmula dos pontos corridos, alguns ainda vacilam na disputa, jogando as rodadas iniciais sem sua força máxima. Três pontos na Rodada 01 valem a mesma coisa do que três pontos da Rodada 38. Aí, veremos clubes chorando a perda do título por 1 ou 2 pontos. Não levaram todas as rodadas a sério…

Obs: Ao contrário da Série A, a série B começa sem glamour. O que dizer de São Caetano X ASA de Arapiraca num sábado às 21h? A diferença de condição técnica entre as divisões é muito grande…

Sobre a arbitragem do torneio: a Comissão de Árbitros da CBF adotará a experiência dos Árbitros Adicionais (aqueles que se posicionam na linha de meta). Isso é bom para o espetáculo, pois a presença deles diminui bastante as situações de agarra-agarra dentro da grande área, além de auxiliar ao árbitro em situações de dúvidas.

Algumas importantes orientações aos árbitros foram passadas pela CA-CBF: evitar marcar a “faltinha boba” (aquela falta leve, duvidosa e que pára constantemente o jogo); coibir simulações (jogadores cai-cai que se cuidem!) e maior cuidado com jogadas violentas (coibir carrinhos desnecessários).

Claro que as medidas são boas. Mas teremos algumas situações novas: o desentrosamento e a falta de treino dos sextetos de arbitragem, pois muitas vezes o árbitro, bandeiras e demais membros são de estados diferentes e nunca trabalharam juntos!

Outro problema: a dificuldade de renovação do quadro de árbitros, pois fatalmente nem todas as equipes têm tolerância para erros de novatos que precisam ser colocados à prova.

Torçamos para um bom campeonato sem polêmicas dentro e fora de campo.

– O Engodo da Semana: a Lei que Profissionaliza a Arbitragem

Com pesar, lamento o passo em falso na Câmara dos Deputados, do projeto de lei do deputado André Figueiredo (PDT-CE) que profissionaliza a arbitragem, apresentado nessa semana.

Embora para muitos a lei tenha sido uma vitória, a proposta nada mais é que uma demagoga, falsa e incoerente profissionalização dos árbitros de futebol.

A lei visa referendar a existência da atividade de árbitro profissional de futebol. E como ela se dará?

Através de 4 pontos:

1- Reconhecer a profissão de Árbitro de Futebol;

Ora, dentro do futebol, todos são profissionais, apenas o árbitro, embora tivesse que agir como tal, não era reconhecido perante a lei. Mudou apenas o status no papel.

2- Criminalizar a manipulação de resultados;

Muitos entendiam que manipular um resultado era uma falta moral, mas não é crime. Com boa vontade, poder-se-ia entender que o crime de estelionato (171) enquadrasse tal item. Precisamos de nova lei?

3- Permitir que Árbitros e Associações criem escolas de formação de arbitragem;

Ué, isso já existe! A mudança se daria se o MEC tivesse uma comissão reguladora para reconhecer ou não a qualidade dos cursos, como qualquer outra atividade profissional. Nada mudou…

4- Proibir vínculo empregatício com as federações.

Viva o patronato! Antes, o árbitro deveria assinar um documento dizendo que era prestador autônomo de serviços, dizendo que não teria vínculo empregatício com a Federação/Confederação. Agora, as entidades não precisam exigir mais isso. A desvinculação é automática.

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Ora, dentro do futebol, todos são profissionais, apenas o árbitro, embora tivesse que agir como tal, não era reconhecido perante a lei. Mudou apenas o status no papel. Tal lei não ajuda em nada o árbitro, mas somente aqueles que exploram o trabalho dele.

Não é um desrespeito dizer que com a lei o árbitro se torna profissional, se ele tem que pagar o seu INSS do próprio bolso, não tem FGTS, 13º, Férias e outros benefícios, tudo isso porque a lei exige?

As Federações continuarão a exigir a presença de árbitros em enfadonhas reuniões não-produtivas, cobrar treinos, testes físicos e testes escritos dos árbitros, exigir uma série de condutas e simplesmente se isentar de pagar os encargos sociais! Para muitos, isso tudo é feito para apenas uma ou duas escalas no mês… E nos meses em que não há tantos jogos de futebol? E quando se lesiona? Pior: ela pagar o árbitro através de Cooperativas e Sindicatos, como se essas entidades fossem as fiéis representantes das vontades dos árbitros! E estas, descontam seus percentuais das taxas para que o árbitro possa receber…

O deputado André Figueiredo, através do projeto apresentado, isentou as Federações de qualquer responsabilidade sobre os árbitros (lembrei-me do caso Edilson Pereira de Carvalho: a FPF não teria incômodo algum perante a lei se isso já valesse), além de permitir que as Cooperativas e Sindicatos possam agir como empresas de arbitragem, com o diferencial de que não pagariam os impostos equivalentes aos de quaisquer outras empresas constituídas.

Não demorará para que tais entidades lancem franquias e “escolinhas de arbitragem” Brasil afora, imitando os clubes de futebol e remunerando os seus cofres. Seria esse o propósito de Cooperativas e Sindicatos?

O nobre parlamentar deveria se preocupar em regular a incompatibilidade de cargos, pois esses mesmos sindicatos e cooperativas são administrados em vários estados brasileiros por funcionários das federações, numa clara incompatibilidade moral de funções.

Árbitro profissional é: ter contrato de trabalho por período/campeonato; carteira assinada e dedicação exclusiva, como no modelo atual da Inglaterra (com número de profissionais reduzido). Ou, ainda, o modelo semi-profissional da Argentina, com uma remuneração fixa mensal.

Aqui, o árbitro vive com medo do sorteio e dos vetos dos clubes. Isso é puro amadorismo,e  anova lei nada melhorará.

E você, o que pensa sobre isso? Deixe seu comentário:

– Hangout de futebol pelo Google+: Confira!

Amigos, sobre o nosso HangOut de Futebol no Google+ (evento 100hangout), já disponível pelo YouTube!

Em: http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=OKjoXWsYW2s

Experiência muito bancana!

– Chiadeira Vascaína com Discurso Defasado

Muitas vezes, dirigentes de futebol utilizam de reclamações preventivas para pressionar a arbitragem. No começo de outubro do ano passado, com o Corinthians disputando a ponta da tabela do Brasileirão 2011 contra o Vasco da Gama, às vésperas do confronto direto entre as equipes (líder e vice-líder naquele momento), Roberto Dinamite, presidente vascaíno, reclamou da escalação Sandro Meira Ricci, alegando que o árbitro tinha um histórico negativo, tendo ajudado o Corinthians numa partida contra o Cruzeiro, em 2010 (lance polêmico onde Ronaldo sofreu um pênalti). O lance citado, de extrema dificuldade, era muito duvidoso, e errar ou acertar na marcação não seria sinal de má-fé.

Porém, a partida entre Vasco X Corinthians ocorreu dentro da normalidade, o placar foi de 2 X 2 e Ricci fez uma excepcional arbitragem. Após o jogo, quem reclamou da arbitragem foi o Corinthians, no lance de uma mão na bola de Fagner, onde pediu pênalti. Foi “Bola na Mão”, involuntária, com acerto do árbitro.

Para esta quarta-feira, Sandro Meira Ricci foi escalado para apitar o novo confronto entre Vasco X Corinthians, válido pela Libertadores. E, em atitude extremamente anti-desportiva, Daniel Freitas (diretor de futebol) e Roberto Dinamite (presidente) alegaram que o árbitro não é a escolha ideal devido ao lance de Corinthians X Cruzeiro.

Ué, repetiu-se o chororô, como se não tivesse existido a partida entre ambos no ano passado?

Será que os dirigentes vascaínos esqueceram-se do jogo?

Embora a escala tenha sido divulgada desde 5ª feira passada, por que só reclamaram agora?

Confesso não entender tais queixas. Só são explicadas por desconhecimento dos cartolas ou pressão pré-jogo. E aposto nessas duas hipóteses!

E essa reclamação preventiva é perigosa, visto que o confronto dessas equipes tem sido marcado por violência entre torcidas. Para que tornar mais tenso o jogo? Irresponsabilidade total.

Sandro Meira Ricci é ótima escolha para o confronto. Boa sorte ao árbitro.

– O Microfone do Juizão de Basquetebol. E se fosse no futebol?

Nas partidas de basquete da NBB, o campeonato brasileiro da modalidade, a SPORTV, emissora que transmite a competição, resolveu inovar: colocou microfone na camisa do árbitro, a fim de permitir que o público ouça o diálogo entre árbitros e jogadores. E não é que a ideia vingou?

Claro que os jogadores sabem que o microfone está aberto e se policiam no que falam (e isso inclui o árbitro, que toma cuidado com o seu vocabulário). Mas ouvimos bate-papos, brincadeiras e broncas durante a partida, deixando o espetáculo mais irreverente.

E se fosse no futebol?

Um dia, José Roberto Wright, a convite da TV Globo, apitou um clássico no Maracanã com um microfone a paisana. Foi interessante, pois os atletas, sem conhecimento de que estavam sendo gravados, falavam com total sinceridade. Claro, se soubessem, mudariam algumas palavras.

Mas e hoje? Será que se fosse permitido, os jogadores e árbitros se sentiriam incomodados com tal equipamento durante a partida?

Creio que sim: mais (muito mais) os atletas do que os árbitros. Mas que seria bacana, ô se seria…

– Árbitro: o Ator Maldito

Por diversas vezes, citei um livro o qual estou relendo (A Dança dos Deusesprof Hilário Franco Júnior), onde enviei algumas impressões e pequenos textos que se referiram à arbitragem. Porém, não resisto ao ler (pg 309) a procura do autor em desmistificar a figura do árbitro. É interessante, curto, e compartilho:

O masoquismo do árbitro transparece ainda no fato de seu bom trabalho merecer apenas o silêncio, segundo a máxima ‘que o bom árbitro é aquele que passa desapercebido’. Em teoria ele é o elemento neutro em campo, na prática é alvo a priori das desconfianças dos dois lados que disputam a partida. Ele desperta pouca simpatia. É o ator maldito do espetáculo futebolístico. Pode arruiná-lo, e será criticado, ofendido, talvez agredido. Pode contribuir para seu sucesso, porém não terá a glória e a remuneração de seus colegas de palco (…) No árbitro projetam-se a frustração e a raiva dos perdedores, a indiferença dos vencedores.”

Texto atualíssimo, não?

– Fase Ruim de um Grande Árbitro que perdura… Bola na Mão ou Mão na Bola?

Paulo César de Oliveira é um daqueles árbitros que, pela idade, apesar dos inúmeros clássicos apitados mundo afora, infelizmente ficará sem o ápice: apitar uma Copa do Mundo.

Dois motivos: a idade (já tem 38 anos e estaria com 44 para a Copa da Rússia, número indesejado para a FIFA) e a pouca sequência de jogos na carreira no exterior.

PC deveria ter ido em 2002 ou 2006 para uma Copa do Mundo. Estava no topo da carreira, com inquestionável respeito pelos jogadores, imprensa e torcedores. Era o seu momento.

Entretanto, nas últimas apresentações Paulo César tem sido infeliz. Apita muito bem os jogos, mas sempre há algum problema ou “senão” nas suas partidas. Além de azar: vide a suspensão que levou pelo jogo Grêmio Prudente X Palmeiras no ano passado, em lance de extrema dificuldade no Paulistão.

Suas escalas minguaram em 2011, pois o universo não conspirou a ele para que sua bolinha caísse com muita frequência no último Brasileirão. E quando atuou, teve certas infelicidades, como o fatídico lance do jogador Bolivar (Internacional) em que machucou gravemente seu adversário do Bahia e PC se equivocou não o expulsando.

Na última rodada da Copa do Brasil, no jogo Botafogo x Vitória, Loco Abreu disputa a bola com um zagueiro bahiano, simula a falta (PC entra na do uruguaio) e a bola sobra em vantagem aplicada para um atacante botafoguense, que marca o gol. Lance de erro crasso, que certamente Paulo César deve ter se lamentado ao ver no VT, em casa. Ainda bem que não decidiu o jogo, pois o erro nada ajudou o Fogão que foi eliminado da competição.

Neste domingo, novo erro, não determinante para o título paulista, que já estava praticamente decidido em favor do Santos: o lance do pênalti que resultou no segundo gol santista. Não foi nada, a bola bate involuntariamente no peito do adversário.

Para marcar uma falta ou pênalti por uso indevido das mãos na bola, o árbitro deverá levar em consideração as seguintes circunstâncias (extraídas da Regra 12):

o movimento da mão em direção à bola, e não da bola em direção à mão (intenção ou não de usar a mão para pegar ou parar a bola);

a distância entre o adversário (dá tempo da mão “desaparecer” da jogada para que ela não bata);

e a bola que chega de forma inesperada (bateu no susto?).

Portanto, esqueça alguns ditos de que é necessário verificar a posição das mãos ou braços: a posição da mão não pressupõe necessariamente uma infração (braço colado, braço aberto, mão em punho ou riste… tudo bobagem e folclore!). Esqueça também ditos populares de que a bola ía para o gol ou impediu um cruzamento, entre outras crendices (Importante – é a única infração em que você exclusivamente avalia INTENÇÃO, pois não há a possibilidade de avaliar as outras nuânces da regra, que são a imprudência, temeridade ou uso de força excessiva).

Paulo César de Oliveira talvez tenha sido o melhor árbitro brasileiro da década passada. Além de sempre estar bem fisicamente, tecnicamente ter uma qualidade apurada, seu ponto forte sempre foi a disciplina. Seu caráter e carisma entre os árbitros são indiscutíveis. PC é um daqueles cidadãos exemplares, sujeito que orgulha qualquer um de ser seu amigo. Poucos sabem das atitudes dignas dele fora de campo, pois nunca quis se promover por elas. Porém, como qualquer atleta, também pode viver fases ruins ou de azar.

Com 18 anos de sucesso na carreira, que esse período passe logo, a fim de que ninguém crucifique injustamente um árbitro de qualidades incontestáveis e acima da média dos demais.

– Final do Paulistão?

Em pleno dia das mães, com a partida praticamente já decidida, confesso: pouquíssimo interesse no jogo.

Apenas desejo boa sorte ao amigo Paulo César de Oliveira e seus companheiros, e que a festa seja de paz, numa partida leal, sem polêmicas e sem violência.

– A Lista “Engana que eu Gosto”

Muitas vezes, a gente acaba acreditando em fábulas. Eis uma delas:

Antes das finais do Paulistão, em coletiva de imprensa, a Comissão de Árbitros da Federação Paulista de Futebol divulgou 6 nomes que apitariam as finais. Eram eles: Guilherme Ceretta, Luiz Flávio de Oliveira, Marcelo Aparecido Ribeiro, Raphael Claus, Rodrigo Braguetto e Wilson Luís Seneme.

No primeiro jogo, a sorte conspirou para Seneme. E para o próximo jogo (Santos X Guarani), a sorte foi para Paulo César de Oliveira.

Pois é. Foi sorteado um 7º nome que não fazia parte da lista divulgada para a imprensa!

Sem explicação, os nomes elencados publicamente foram desprezados, e justamente o árbitro que não estava na relação foi sorteado! Lembrando, PC apitou o último Sansão (vide análise do jogo em http://is.gd/d9pPYV)

Em tempo: ao invés da lista dos nomes divulgados para as duas finais, a que figurou neste sorteio derradeiro do Paulistão foi composta por Flávio Rodrigues Guerra, Luiz Flávio de Oliveira, Paulo César de Oliveira, Raphael Claus, Marcelo Aparecido Ribeiro de Souza e Rodrigo Braghetto.

Para terminar a série “Lista que me ilude”, para a Final do Interior (Mogi Mirim X Bragantino) foi escolhido José Cláudio da Rocha Filho, o árbitro punido pela própria Comissão pelo jogo Palmeiras X Comercial, na última rodada da Fase 1.

É por estas e outras que a Comissão de Árbitros da CBF se gaba por ter recebido a certificação ISO 9001…

Fico pensando em Ceretta ou Claus, jovens árbitros que se iludiram em ter chances de apitar uma final, já que ambos perderam os jogos para os dois árbitros FIFAs do quadro.

A pergunta que instiga: por quê se mudou a lista?

– Franzino Neymar X Brucutu Domingos? Surpreenda-se sobre quem é mais faltoso!

Veja o porte físico do jogador Neymar (Santos) e de um dos seus adversários da final do Paulistão, Domingos (Guarani). Ambos tem fama diferente sobre suas qualidades técnicas. Ambos duelarão decidindo o título nos próximos dois domingos. Ambos são respeitados por suas equipes. Ambos rendem boas matérias. E ambos, acreditem, não são faltosos em excesso.

Veja tais números, segundo o conceituado Footstats: Neymar, em 14 jogos, cometeu 30 faltas. Domingos, em 15 jogos, cometeu 27. Ou seja, o santista faz 2,1 faltas/jogo e o bugrino 1,8 falta/jogo.

Precisamos entender a natureza dessas faltas. As de Domingos são para defender seu time. As de Neymar são de excesso de vontade no ataque (típica de atacante que não sabe marcar e faz falta quando tenta usar o corpo para roubar a bola). Aqui, descartamos os cartões de simulação e de indisciplina por motivo óbvio: apesar de algumas quedas para cavar pênaltis, nenhuma advertência com cartão amarelo foi aplicada no Paulistão por tal motivo!

Façamos justiça: Neymar melhorou muito na questão disciplinar nos últimos tempos. Claro que foi orientado por profissionais capacitados, se policiou mais, aprendeu a falar e se expressar melhor, entre tantas coisas. Mas isso ocorreu após uma progressão indisciplinar. Recorde:

  1. – Neymar se jogando na Arena Red Bull, na inauguração do estádio, onde o juiz colombiano disse em determinado momento: “You? You, no!”, fazendo-se entender que não marcaria faltas como aquela;
  2. – Neymar cavando cartão amarelo ao adversário holandês em Goiânia, num amistoso da Seleção Brasileira. Na sequência, o árbitro Carlos Amarilla, percebendo que caiu no conto da “cara de dor” da Jóia Santista, nada marcou em lance que foi faltoso sobre Neymar. Nítida desforra…
  3. – Neymar e Renê Santana: a frase “estão criando um monstro” foi providencial, não? Ou será que o Santos não tomou providências para reeducar o menino? É evidente que tomou…

Sobre Domingos, a virilidade do atleta no início da carreira foi fundamental para que fosse rotulado como violento. Sem a mesma fama de Neymar e sem os holofotes, Domingos também evoluiu. O jogador realmente entrava com força excessiva nos adversários, e aprendeu (custosamente) a se segurar. Aqui um testemunho: Domingos é extremamente educado em campo, contrastando com a imagem que passa pelo futebol duro. Mas não confundamos dureza com deslealdade.

Já que falamos das faltas cometidas, aqui vai outro número bacana: o de faltas sofridas! Aí sim vemos a diferença: Neymar 7 X 1,4 Domingos. O quíntuplo é lógico e nem precisa de comentários.

O mais importante de tudo isso é questionar: Neymar realmente apanha ou não?

Sim e não.

Sim, pois o atleta é muito visado. Seus dribles desconcertantes sobre zagueiros menos técnicos só são parados na base da pancada. E as firulas, ora debochadas ou improdutivas, ajudam a aumentar o número dos seus perseguidores.

Não, pois o atleta simula muito. Simulava ainda mais, mas diminuiu o número de quedas (principalmente na grande área). Hoje, mais calejado, sabe o momento correto de simular. Aprendeu a arte! Muitas vezes suas caras e bocas de dor não correspondem com a infração cometida.

E é esse o grande desafio aos árbitros em jogos do Neymar: saber quando uma queda é falta, simulação ou mera casualidade. E o problema é que ele não ajuda o árbitro, pois numa mesma partida ele pode receber uma falta dura de verdade, e depois de minutos ludibriar a arbitragem com uma malícia impressionante… E é justamente por esse motivo que árbitros novatos NÃO DEVEM SER ESCALADOS em jogos dele, pelo simples fato de, após tanta queda, o carismático atleta ter sido blindado pelos admiradores.

Imagine um jogo 0 X 0, 45m do 2º tempo, onde Neymar divide na área penal, cai, faz uma careta de dor e pede pênalti? O estádio vem abaixo, e na pequena dúvida de um jovem árbitro, o que ele fará???

Carecemos de ter atenção à marcação de faltas a favor do Neymar com a mesma atenção, rigor e disposição do que qualquer outro atleta. Craque ou cabeça-de-bagre estão sujeitos à mesma regra de jogo. Se o menino sofrer inúmeras faltas para cartão vermelho dos adversários, que se expulsem todos! E que se cair na mesma proporção, seja punido da mesma forma. O que não vale é privilégio pela sua qualidade, nem vista grossa pela sua fama e tampouco medo de aplicar a regra.

É para isso que o excelente Wilson Luís Seneme está escalado: para usar sua experiência e técnica a fim de evitar injustiças tanto a favor como contra. Aliás, dois grandes jogos para nosso representante da World Cup 14: Guarani X Santos no domingo e Fluminense X Internacional na quarta-feira. Aliás, grandes árbitros para grandes jogos da Libertadores. Destoa apenas a escala de Corinthians X Emelec, que será apitado pelo uruguaio Dario Ubriaco, árbitro que não figura na elite da Conmebol, mas que trabalhou em jogos importantes.

Boa sorte a todos!

– Mário Gobbi afirma que Paulistão é maior que a Libertadores?

O presidente do Corinthians, Mário Gobbi, irritado com a arbitragem contra o Emelec e com as condições receptivas ao seu time no Equador, esbravejou e soltou o verbo!

Em um momento mais áspero, desprezou a Libertadores da América, afirmando que:

O [Campeoanto] Paulista é muito maior do que a Libertadores”.

Claro que suas palavras foram ditas durante um estado grande de tensão. Mas será que ele sustentaria a afirmação, horas depois, mais calmo?

Se sim, fica a questão: ele realmente acha o Paulistão mais importante para o clube, ou foi mero menosprezo a Libertadores como possível desculpa futura, em caso de eliminação?

Abaixo, extraído de: http://is.gd/6p0EcQ

GOBBI CRITICA A ARBITRAGEM E CONSIDERA PAULISTÃO MAIOR QUE A LIBERTADORES

O presidente do Corinthians, Mário Gobbi, fez duras críticas ao árbitro José Buitrago (COL) e também à recepção do Emelec no duelo no Equador, pelas oitavas. Revoltado, o dirigente disse que o Paulistão é mais importante que a Libertadores, minimizando o fato de o clube não ter conquistado título da competição continental.

O Brasileiro é muito maior do que a Libertadores. O Paulista é muito maior do que a Libertadores. O Corinthians não vai ser mais roubado aqui na Libertadores”, esbravejou Gobbi à rádio Globo.

A bronca de Gobbi começou antes do jogo, quando o elenco foi impedido de treinar no campo em Guayaquil. O Corinthians acabou treinando em um CT cujo gramado estava em péssimas condições.

Apesar da irritação, Gobbi avisou que não preparará recepção hostil no duelo de volta, no Pacaembu.

Já durante a partida em Guayaquil, Gobbi  criticou o árbitro José Buitrago (COL), que teria ter prejudicado o time paulista no empate por 0 a 0 contra o Emelec. O dirigente não especificou algum lance em que o juiz teria errado, mas criticou os cartões distribuídos aos atletas corintianos.

“Como podem botar um incompetente aqui?”, declarou Gobbi à rádio Globo. “Eu quero uma arbitragem séria e que ganhe o melhor. Foi um desrespeito ao desporto mundial”.

– A Sugestão dos Gandulas

Observamos muita confusão nas partidas de futebol no último final de semana, promovidas por ações dos gandulas. No Rio de Janeiro, a menina que agilizou a cobrança num jogo do Botafogo (onde o gol saiu na sequência da jogada) já colhe frutos: participou de reportagens e até fez matéria especial num quadro da TV Globo!

No Sul, imitando algo visto numa partida da Colômbia, o Internacional usou a estratégia de colocar a bola no local de cobrança do escanteio para o batedor agilizar seu chute. Só não deu certo pois o árbitro anulou o lance (pela Regra 17 – tiro de canto, ele errou!).

Independente dos árbitros terem acertado ou não nas suas decisões de permitir ou paralisar a sequência dos lances, vale a crítica: que baixeza, unfair-play e antidesportividade das equipes!

Será que para uma equipe vencer tal método é válido? Não vejo grandes clubes usando desse expediente. É uma pena que os ditos “importantes” clubes apelem para tal artimanha.

Uma sugestão: os gandulas deveriam ser alunos das escolas de árbitros! Dessa forma, não haveria parcialidade, os futuros árbitros vivenciariam a experiência de verem grandes árbitros e grandes jogadores in loco e todos sairiam ganhando.

Por quê não fazer isso?

– Árbitros da Final do Paulistão. Alguma Novidade?

A FPF divulgou os nomes de 6 árbitros para as finais do Paulistão. Para os leitores do Bom Dia / Diário de São Paulo, nenhuma novidade. No último dia 26 de abril, divulgamos sobre o título “Façam suas apostas” os nomes deles.

Calma! Nenhuma sabotagem ou informação privilegiada. Apenas com exercício de lógica, foi possível chegar na lista dos sorteáveis.

Para isso, considere:

– árbitros que trabalharam ou não em grandes jogos;

– posicionamento no ranking;

– vetos e afastamento de árbitros;

– repetição de escalas;

– confiança / desconfiança dos nomes,

– contusões; e,

– simpatia da Comissão.

A lista, conforme divulgada e analisada no Portal do Bom Dia / Diário de São Paulo (clique aqui para o oportuno post ou aqui para o Blog Pessoal do Professor Rafael Porcari) confere com os nomes selecionados pela Federação Paulista. Serão eles: Wilson Luiz Seneme, Luiz Flávio de Oliveira, Raphael Claus, Guilherme Ceretta de Lima, Marcelo Aparecido de Souza e Rodrigo Braghetto.

Sobre eles, são bons árbitros e antecipadamente desejo boa sorte aos que serão sorteados.

– Ah… se o Juizão Pudesse Falar…

Fizemos a análise da arbitragem de São Paulo X Santos (para quem não leu, click aqui no link do BOM DIA/ DIÁRIO DE SP ou no PERGUNTE AO ÁRBITRO). Nela, a dúvida permaneceu sobre a suposta falta de ataque de Edu Dracena sobre Paulo Miranda, que anulou o gol santista.

Eu não daria aquela infração e confirmaria o gol. Mas como as imagens de TV não ajudam, valeria a palavra do árbitro, a fim de elucidar a marcação. Porém, sabemos que no Brasil o árbitro é marginalizado e não pode falar, pois é proibido pelos seus superiores.

Assim, compartilho a sugestão de matéria publicada dias atrás aqui no Blog: “A Proposta de Beretta” (link AQUI), na qual consiste em que o árbitro explique duas ou três marcações polêmicas após a partida.

Eu gosto da ideia, e você?

Esse e outros temas podem ser visitados no Blog do Bom Dia / Diário de SP, em: http://www.redebomdia.com.br/blog/detalhe/7217/preview

– O Árbitro de Futebol e o Melão Tentador

Uma crônica precisa sobre quem é o árbitro de futebol e sua sina, nesse texto bem elaborado de Roberto Pompeu de Toledo. Abaixo:

O MELÃO TENTADOR E OUTRAS HISTÓRIAS

por Roberto Pompeu de Toledo, Revista Veja (http://veja.abril.com.br/051005/pompeu.html).

Variações em torno desse singular exemplar do gênero humano que é o juiz de futebol

Antes, eles só se vestiam de preto. Já no uniforme se denunciavam como figuras cavernosas, urubus azarentos, anjos maus do luto e do agouro. Depois, assim como os padres, foram liberados do traje funéreo. E os juízes de futebol passaram a se apresentar com camisas e calções de outras cores. Numa outra e mais revolucionária mudança, e ao contrário do que acontece entre os padres, mulheres passaram a ser admitidas em seu meio. Uma coisa, porém, não mudou por mais que as camisas sejam azuis ou amarelas, em vez de pretas, e as coxas sejam roliças e suaves, em vez de ásperas e peludas. O juiz é um salafrário. Todo juiz é culpado até prova em contrário. Pensando bem, é culpado mesmo com prova em contrário.

Já quando ele entra no gramado, é recebido com vaia. Não há caso similar, em nenhuma outra atividade humana. É a “vaia preventiva”, como bem chamou o colunista Luiz Zanin, no Estado de S. Paulo . Os minutos que antecedem o jogo são festivos. Ninguém ainda tem motivo para queixa. As torcidas cantam. Paira no ar aquela eletricidade em parte feita de alegria, em parte de tensa expectativa. Então desponta em campo “sua senhoria”, como era chamado, ou talvez ainda seja, pela crônica esportiva, e desaba sobre ela, bem como sobre os bandeirinhas, que a escoltam, uma vaia estrondosa, avassaladora, acachapante. É o único momento em que o estádio todo se une. Durante o jogo o juiz será vaiado por uma ou outra torcida, mas agora são as duas juntas, e mesmo os eventuais neutros, e talvez até os estrangeiros presentes sem outro propósito senão fazer turismo, que se irmanam num desmoralizante uníssono. Trata-se de um dos mais antigos e mais sagrados rituais do futebol. Ele não fez nada ainda, nem de certo nem de errado. Por isso mesmo, merece vaia.

A quadrilha dos gramados denunciada na última edição desta revista pôs em evidência essa extraordinária variante do gênero humano que é o juiz de futebol. Que culpas, que necessidade de expiações colossais leva alguém a abraçar tal profissão? Um comercial de televisão de pouco tempo atrás mostrava Ronaldinho Gaúcho, ainda menino, metido num uniforme de juiz e de apito na boca. “Eu não queria ser jogador, queria ser juiz”, dizia ele. Até que um dia chutou uma lata de refrigerante e descobriu sua verdadeira vocação. O comercial provocava pasmo e hilaridade, menos pelo paradoxo de um craque, e um craque do calibre de Ronaldinho Gaúcho, estar a apregoar que queria mesmo era ser juiz, mas, mais ainda, pelo fato de um garoto dizer que queria ser juiz. Não há isso. Juiz de futebol é profissão com a qual não se sonha na infância.

Um juiz pode ser honestíssimo, a grande maioria deles sem dúvida é honesta, mas o protótipo da classe, irremediavelmente, é o juiz ladrão. Sobre esse personagem correm, desde os primórdios do futebol, lendas espantosas. Há a história do juiz tão ladrão, mas tão ladrão, que se vendeu para os dois lados, e passou o jogo todo roubando descaradamente, ora para um time, ora para o outro. Aparentada a essa é a do juiz tão ladrão, mas tão ladrão, que os times costumavam juntar-se e pagar-lhe um contra-suborno, para que não roubasse.

No atual escândalo, dignos de entrar no repertório são os casos em que o juiz Edilson Pereira de Carvalho confessa que não conseguiu roubar como queria. No jogo Juventude x Figueirense, ele devia fazer o Juventude ganhar, mas ganhou o Figueirense – 4 a 1. “O Edmundo jogou demais”, desculpou-se. No jogo Santos x Corinthians, o serviço devia ser feito para o Corinthians, mas ganhou o Santos – 4 a 2. As escutas telefônicas revelam um Edilson abatido com o fracasso e ansioso por se recuperar no jogo seguinte. Estava em jogo sua reputação. Ele não podia suportar o vexame da inépcia na prática da ladroagem.

O juiz desonesto, nos tempos heróicos do futebol, era chamado pelo romântico qualificativo de “gaveteiro”. No futebol de São Paulo, fama de gaveteiro por excelência coube durante muitos anos a um personagem célebre em seu tempo, João Etzel Filho. É atribuída a ele uma história aproveitada no filme Boleiros, de Ugo Giorgetti, aquela em que o juiz cansa de mandar repetir um pênalti, batido por um jogador inepto, e decide, ele próprio, impedir aquele jogador de tentar de novo. Que o time arrumasse outro cobrador. Etzel não chegou a admitir que roubava, mas se vangloriava de saber apitar “politicamente”. Seja lá isso o que for, não deve ser boa coisa.

Uma vez, durante um jogo Palmeiras x Portuguesa, um torcedor junto do alambrado insistia em chamar a atenção de Etzel para um melão que tinha na mão. O juiz olhava para o torcedor e este lhe apontava o melão. Olhava, e lá vinha o melão. Terminado o jogo, Etzel foi perguntar ao homem que diabos significava aquilo. O torcedor explicou: dentro do melão estava escondido um dinheiro para sua senhoria. Etzel, ao contar essa história, dizia que reagiu indignado e denunciou o caso à federação, mas sabe-se como é – melão, assim como mensalão, só se oferece a quem se sabe de antemão que tende a apreciá-los.

– Análise da Arbitragem de São Paulo X Santos, 29/04/2012, Morumbi

Jogo chato para a equipe de arbitragem nesta tarde, e os motivos são muitos: campo escorregadio, muitos jogadores rápidos, alguns boleiros experientes, treinadores marotos…

Vamos lá: Paulo César de Oliveira, fisicamente, correu muito na partida, sempre próximo aos lances e bem posicionado em campo. Perfeito na diagonal, saiu dela quando necessário e se mostrou onipresente em campo. Tecnicamente, cometeu alguns erros acima do que um árbitro de sua categoria faz (deixou de marcar algumas faltas ocorridas e marcou outras inexistentes); entretanto, tais erros não foram numerosos (vale lembrar que o pênalti pró-Santos foi marcado com correção, sem qualquer contestação). Disciplinarmente, aplicou corretamente os cartões, tanto os motivados por indisciplina (reclamação e retardamento), quanto por jogadas mais fortes. Mas faltou uma advertência: Cícero, por simulação, no começo do jogo. Claramente o atacante sãopaulino se joga, acreditando numa “compensação” pelo pênalti do início da partida.

Dois lances de erros mais relevantes:

1- O gol anulado do Santos: Edu Dracena e Paulo Miranda vão disputar uma bola alçada na área. O santista e o são paulino ameaçam se agarrar, durante o lance chegam a ter contato físico, mas ninguém faz falta. Porém, Paulo Miranda cai na frente do adicional. Paulo César de Oliveira marca convictamente falta de ataque. Pelas imagens da TV, Edu Dracena não puxa com força suficiente seu adversário, sendo que o gol é legal e a anulação incorreta. Por estar a frente do árbitro adicional e pela convicção do árbitro central, ou viram algo fora das imagens televisivas ou erraram juntos…

2- O gol confirmado do São Paulo: Willian José recebe a bola estando a frente do penúltimo adversário, o que é impedimento. Emerson Luís Augusto, excepcional assistente, falha nesse lance rápido e difícil. Gol irregular num jogada de erro aceitável pela rapidez e posicionamento.

Outras Observações:

Como a partida transcorreu debaixo de chuva, é natural que as quedas ocorram em maior número. Também aumenta proporcionalmente o número de carrinhos. Nesse quesito, os atletas colaboraram para que não ocorresse violência.

Destaque para dois atletas: um que se cuidou para evitar a expulsão, outro que abusou da experiência: respectivamente Paulo Miranda e Léo.

-Paulo Miranda se preocupou em se manter em campo: após receber corretamente o cartão amarelo pelo pênalti em Alan Kardec (1o tempo), no segundo gol santista ameaçou segurar Neymar e recolheu o braço. Trocou a falta e a lógica expulsão pelo 2º Cartão Amarelo pela continuidade em campo. E a troca custou caro: na sequência da jogada, Neymar fez o gol do Santos. Em outro lance, no segundo tempo, situação idêntica, em lance de ataque na lateral direita sãopaulina.

-Léo, nas divididas mais fortes, soube cair. Cavou duas ou três faltas. Na experiência, ganhou lances duvidosos preciosos. No último, reclamou de uma queda após uma dividida legal (pé-de-ferro) com Lucas, não marcada acertadamente por Paulo César.

Por fim: chega a ser covardia o árbitro não poder usar os meios tecnológicos para tirar suas dúvidas e os clubes poderem usá-los para reclamar. A TV Globo comprovou o impedimento de William José no lance do gol do São Paulo, e em questões de segundos Muricy Ramalho se virou ao bandeira para reclamar, sabedor da informação. Ora, a arbitragem não tem esse expediente para utilizar; por que os times podem então?

Sem esquecer dele: Neymar! Comportou-se bem, não cavou faltas mas as buscou nos momentos corretos. Visivelmente é um jogador mais maduro e melhor orientado. Claro que o criticarão pelo excesso de firulas em alguns lances (como os 4 dribles seguidos em Piris). Mas… se ele não foi objetivo/produtivo na jogada, ao menos não pendurou Piris, que foi substituído para evitar expulsão? Sinceramente, não dá para criticar quanto ao comportamento disciplinar nessa tarde. Tecnicamente, o que dizer, se fez 3 gols?

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Aos que se interessarem, abaixo vai o comentário lance-a-lance via twitter (@rafaelporcari)

PC, Emerson Carvalho e Vicente Romano são bons nomes para o comando efetivo da partida. Boa sorte a eles.

Falta a 1 minuto em Willian José, bem marcada.

Paulo Miranda atinge Alan Kardec. Carrinho em campo molhado… PC bobeou, mas o atento Vinícius Furlan (AAA) avisa. Pênalti bem marcado. Parabéns!

5m: falta de ataque de Elano. Se não segurasse o adversário, poderia ter dominado a bola mesmo assim. Bobeou…

7m: Zagueiro do Santos tira a bola limpamente, embora Willian José tenha pedido falta. Não foi nada.

PC tem preparo físico profissional, possui Personal Training, etc. Mas hoje está correndo acima da média. Tomara que o erro inicial não o atrapalhe.

9m: jogador do SP se joga em lance de ataque. Claramente simulação, jogando a torcida contra o árbitro. Acertou em não marcar nada, mas errou ao não dar amarelo.

CORREÇÃO: DISSE QUE V FURLAN AVISOU PC PELO COMENTÁRIO DO GACIBA (GLOBO),MAS NA IMAGEM NÃO DÁ PARA AFIRMAR. PORTANTO, ESQUEÇAM “bobeada”.

13m: falta de Maranhão matando o contra ataque sãopaulino. PC estava em cima da jogada! Cartão bem aplicado.

Ainda sobre o pênalti: pela TV, não vejo V Furlan informando; acho que foi o PC quem marcou. Irrelevante… O AAA avisaria, caso PC não marcasse.

Goleiro Rafael está caído. Curiosidade: pode ser atendido no campo sem reclamação dos adversários. Lógico! Sem goleiro não tem jogo. Dãããã.

Leão queria que o carrinho da maca retirasse o goeliro para atendimento? KKK que          “miguezão”… É pura pressão.

Maranhão tromba com Cortês. Não foi nada, mas em qualquer lance haverá pressão para o segundo amarelo e consequente expulsão.

22m: Léo comete tranco legal em Lucas, que cai. Lance normal. Mesmo se fosse falta, ficou com a vantagem.

23m: Elano rebate a bola no peito e voluntariamente toca com o braço; isso é falta. Errou PC. Leão, que não gosta do PC, vai chiar…

25m: Casemiro tromba com Rafael, falta no goleiro, que fica com a vantagem. Acertou PC.

26m: tranco de Willian José em Léo. Esse tranco julgo normal, não marcaria falta; Léo estava correndo em campo desequilibrado e aproveitou… (…) Eu não marcaria, mas respeito a interpretação do PC.

27m: Neymar dá uma solada em Piris, foi falta, não marcada.

Muitos lances de contato físico c/ interpretação no jogo, não? Campo molhado, grande, e com equipes rápidas, dá nisso. Mas nada de desleal.

30m: Cícero divide com Elano no ataque, cai, mas reclama sem razão. Santista foi na bola.

Detalhe do 2º gol do Santos: P Miranda abre o braço e resiste à vontade de parar Neymar c/ falta. Se o faz, 2oAmarelo e Vermelho.

Ao pé da letra, Paulo Miranda trocou receber um gol contra sua equipe para o time ficar com 11 atletas. Foi opção. Gol ou expulsão.

Kkk Gaciba repetiu meu comentário, mas escrevi bem antes dele observar isso. Foi engraçado! Valeu por observar @antlopes

Neymar X Piris: falta com cartão bem marcado. Piris apelou depois de ter tomado um baile. Mas pergunto: eram necessárias tantas firulas?

Defendo o craque: mas driblar pelo futebol-arte e em busca do jogo bonito é uma coisa; fazê-lo por graça é complicado. É pedir p/ apanhar.

38m: 3ª falta de ataque do Neymar, perceberam? Percebam também que Neymar vai jogar todas em Piris, p/ cavar Vermelho.

39m: Falta em Lucas, bem marcada. PC vai ter trabalho. Tem que segurar o jogo e não querer dar vantagem, senão descamba!

46m: falta em Léo. O lateral santista é experiente, sabe receber a falta no momento certo.

48m: Cícero abdica de tentar continuar no ataque e procura cavar a falta. Não foi, acertou PC.

Fim de 1º tempo: jogo corrido, difícil para a arbitragem. PC não teve nenhuma influência no jogo. Poucos e irrelevantes erros (citados ao longo dos tuites).

Neymar é craque, não há dúvida. Amadureceu demais. Mas me preocupa algo: de vez em quando, erra no momento de fazer graça (…)

(…) Foi bonito ver 4 fintas seguidas no Piris; mas isso é produtivo ao time? Dizem que Garrincha humilhava o adversário desse jeito (…)

(…) claro que pela minha idade só vi Mané Garrincha por vídeos; mas em 90 minutos, ele fazia esse tipo de firula? (…)

(…) só sei que Neymar, se bem orientado (e está), só tende a evoluir. Corrigindo esses errinhos, será o melhor do mundo.

Começa segundo tempo. Boa sorte a todos!

46m: jogador do Santos ficou com medo de dividir c/ adversário. Será que pensa que o PC vai “compensar” c/ pênalti? Compensar o quê??? Pára c/ isso…

49m: falta em Lucas, marcada com certo atraso. Faltinha boba, mas foi.

50m: com todo respeito, mas até árbitro torceu pelo 3º gol do Neymar… que pecado! De novo Paulo Miranda ameaça fazer falta e não faz.

51m: Rodrigo Caio faz falta normal, mas a bola bate no gogó do Neymar. Lá é complicado… Bater no pomo-de-Adão é perigoso! Fica sem ar na hora!

56m: falta de Fernandinho. Na sequência, sai o gol santista.

57m: Gol anulado do Santos. Não vi irregularidade.

59m: Lucas divide com Léo, que cai e pede falta. Nada, foi pé-de-ferro.

60m: falta em Casemiro, não marcada. Errou PC.

Puxa… a Globo sempre faz ótimas transmissões, mas não há replay do gol anulado do Santos. O que aconteceu?

Bela jogada de Fernandinho com belo gol de Willian José. ENTRETANTO, o ótimo bandeira Emerson Carvalho errou. Pouca coisa impedido…

65m: falta de Arouca em Casemiro, bem marcado.

Globo marca o replay do gol anulado do Santos. Para mim, não há falta de ninguém. Parece que errou. Gostaria de rever p/ tentar achar algo.

67m: Fernandinho corre mais do que pode, tropeça e cai. Não foi falta/pênalti. Acertou a arbitragem.

Nessas horas, sou a favor da coletiva dos árbitros. Até agora não entendi o gol anulado do Santos. Depois do jogo, árbitro poderia esclarecer.

Comentário de observador: esse Fernandinho é típico jogador de 2º tempo. Incendeia quando é reserva. Se titular, nada.

Revendo o gol anulado do Santos: Paulo César marcou uma infração convictamente, em lance em que não vejo falta. Gol legal, anulado.

Covardia: aos 73m, Globo mostra que o gol do Willian José estava impedido. Instantaneamente Muricy se vira e reclama ao bandeira.

Sobre o gol anulado do Santos: não considero falta de ataque de Dracena em Paulo Miranda. Se foi por aquele lance, errou.

77m: Cortês faz falta em Elano, bem marcada.

Caramba. Neymar fez o 3º dele. Gol legal. Quem não achou legal foi o Dênis…

83m: Cícero toma segundo amarelo por falta em Neymar. Correto. Como tomou amarelo infantil no 1º tempo, foi expulso.

87m: falta em Fernandinho, corretamente marcada.

89m: Rodrigo Caio faz falta em Neymar. Uma “encoxada” mais forte. Amarelo aplicado corretamente.

92m: Aranha cava um amarelo por cera…

Fim de jogo. PC não teve influência num jogo difícil de apitar, apesar de alguns erros. Também: c/ 3 X 1… Se os erros fossem corrigíveis e lineares: 4X0 .

– Erro de Árbitro muda Acesso para a 1ª Divisão no Paulistão

Em São Paulo, Audax X Ferroviária jogavam simultaneamente a Atlético Sorocaba X União Barbarense. Para subir, o time paulistano precisava vencer seu jogo e torcer para que não houvesse empate na partida de Sorocaba, pois com tal placar, tanto o Atlético e União subiriam.

Entretanto…

O Audax venceu o time de Araraquara por 3X1. Mas quando acabou a partida, o jogo em Sorocaba ainda estava em andamento, com o placar apontando Atlético 1 X 2 União. Nos acréscimos, a equipe do União Barbarense perdeu 2 jogadores por expulsão e sofreu um pênalti marcado erroneamente pelo árbitro (aos 52 minutos do 2º tempo!). Conclusão: gol do Atlético Sorocaba.

Para quem não viu o pênalti, veja o lance em: http://is.gd/VO6T6E

É esse o erro decisivo que pode mudar um campeonato. O árbitro Luciano Alves de Lima se equivoca totalmente e marca mão intencional na bola em um lance onde claramente a bola bate no peito do atleta. Mesmo se batesse na mão, ali seria lance involuntário.

Aqueles que não assistiram a partida poderão entender que houve uma arbitragem ruim. Nada disso, a arbitragem foi normal/aceitável até os 97 minutos (acréscimos necessários devido as paralisações), mas com um erro absurdo e relevante no final. Para quem acha que a equipe de Santa Bárbara do Oeste entregou o jogo, vai se enganar também, pois é nítido que os lances de cartões e expulsões foram nitidamente por desequilíbrio emocional e merecidamente aplicados. Assim, resta crer que o árbitro sentiu o peso de uma decisão. O Atlético Sorocaba foi completamente ofensivo nos minutos finais, pressionou o adversário e se aproveitou do momento derradeiro com o pênalti inexistente. Como não tem nada a ver com o erro dos outros, cumpriu o seu papel!

Placar bom para os times do Atlético Sorocaba e União Barbarense, mas péssimo para o Audax, que não subiu para a 1ª divisão devido a um erro de arbitragem num jogo que nem era dele!

Por fim: erro da Federação Paulista ao escalar um árbitro sem tanta experiência para tal jogo importante (reveja que o árbitro pouco apitou na série A2); ponto positivo para o bandeira João Boungaber, que nos momentos de pressão e tumulto entre atletas não se omitiu e informou ao árbitro de agressões e invasão do campo.

Toda reclamação do Audax será bem fundamentada, disso não resta dúvida. Perder o acesso em jogo alheio com gol aos 54 minutos do segundo tempo, em pênalti mal marcado, deve doer!

– FIFA explica o GLT

A FIFA, ontem, permitiu a continuidade da experiência da tecnologia para a confirmação ou não de gols duvidosos. E para isso, mostrou em vídeo publicado em seu site sobre como funcionará o GLT (Goal Line Technology), com detalhes dos equipamentos e como será a nova etapa.

Veja a matéria no link original, em: http://is.gd/fifaGLT

– Árbitros da Final do Paulistão: Façam Suas Apostas

Dos quase 40 árbitros categoria 1, não sendo todos eles liberados para apitar as finais do Paulistão, já que a FPF entende que somente os “Especiais” poderão atuar nessa reta final, e descartando a repetição de nomes que já trabalharam com clubes nessa fase, teremos para os dois jogos derradeiros, “5 nomes e meio” para sorteio. Serão eles: Ceretta, Luiz Flávio, Marcelo Aparecido Ribeiro, Raphael Claus, Braguetto e Wilson Luís Seneme (Seneme somente no caso do São Paulo FC não esteja na final).

Questões a se debater:

– Por que Leandro Bizzio Marinho, Leonardo Ferreira Lima e Marcelo Rogério, ambos Especiais, não foram ao sorteio até agora?

– Luiz Flávio apita hoje São Paulo X Ponte Preta. Seria escalado normalmente se na sequência estivesse sorteado para o jogo São Paulo X Santos? (pelo critério de repetição…)

– Por que o sorteio não sai da sede da FPF, e como promoção e demonstração de lisura, vai às rádios, tvs ou em algum lugar público?

Palpite: Dos 5 ½ nomes, aposto em Ceretta, Luiz Flávio e Claus como árbitros das 2 finais. E você?

– Champions League, Barça X Chelsea, Tecnologia e Arbitragem

Ontem a tarde vimos porque o futebol é um esporte fascinante. O favorito, encantador e melhor do mundo Barcelona sucumbiu ao pragmático, rico e eficaz Chelsea.

Ora, poucos esportes permitem que “o teoricamente mais competente” fracasse. E o futebol é um deles. Não pelo fato do Chelsea ser um time fraco e a classificação uma surpresa, ao contrário: o combate se resumia num Barcelona Fortíssimo e Favoritíssimo X Chelsea Forte; mas pelo momento dos catalães. Enfim: jogo de alto nível e fim de conversa.

Sobre a arbitragem de ontem, dois lances que 20 anos atrás não seriam percebidos: a agressão de Terry e a infração de Drogba.

John Terry atingiu com uma joelhada as costas de seu adversário Alexis Sanches, fora do lance. O árbitro flagrou e o expulsou. Correto. Mas será que em outros tempos (principalmente na Libertadores da América) tais lances não seriam “esquecidos”? Com poucas câmeras, fora do lance, os árbitros costumavam não se comprometer. Como justificar uma expulsão em lance que só ele viu? As mesmas câmeras que dificultam a vida dos árbitros, por serem numerosas e flagrarem além do campo de visão dos árbitros, acabam por ajudá-los, em lances específicos como esses. Basta coragem de aplicar a regra. No Camp Nou, com o mundo vendo, foi fácil. Mas sem TV, no interiorzão…

Drogba tentou um carrinho na bola e atingiu Fábregas. Reparem que o jogador do time londrino atinge o adversário no pé direito, estando do lado direito de ataque da equipe catalã. O que isso significa? Que o corpo do atleta costamarfinense, durante o lance, provavelmente encobriu o toque ocorrido. E observando a posição do árbitro naquele momento, não tenho dúvida de que não viu a infração. É um lado cego, sem possibilidade do árbitro tomar a decisão correta. Ali, só um adicional ou bandeira poderiam ter visto (e foi o que aconteceu).

Assim, fica a reflexão: num jogo de alto nível, de tamanha importância e audiência mundial, por quê não incrementar ainda mais o uso da tecnologia no futebol?

Àqueles que reclamam do conservadorismo do futebol, vale lembrar: a inovação sempre aconteceu no futebol; lenta, mas perene. A introdução dos árbitros, do apito, dos cartões, dos 6 segundos, do impedimento com 2 atletas, das substituições… tudo isso é evolução! Aceitar a tecnologia e maior número de árbitros também é. As Regras do Jogo não são (e nem devem ser) imutáveis; mas devem se inovar como os esquemas táticos, materiais de jogo, equipamentos, e outras tantas coisas. É só comparar as regras e sistemas de jogo de 100 anos e os de hoje, para vermos o quão serão diferentes.

Ficaremos no dilema: se a tecnologia diminuir as injustiças, diminuiriam-se as polêmicas? Talvez. Embora a essência do futebol possa ser a discussão (e os erros dos árbitros são fundamentais para gerar debates), teremos que escolher: jogos mais justos ou jogos mais polêmicos? O que é melhor para os clubes, para os torcedores e para os demais envolvidos (imprensa, patrocinadores, federações)? Junte isso a questão: qual será a dosagem ideal da tecnologia no futebol (como, em que momento, em quais jogos…)?

Por fim: um pitaco sobre a paixão do torcedor – Messi, em Londres, perdeu bisonhamente uma bola no meio de campo e desse lance veio o lançamento a Ramires e a conclusão de Drogba. Em Barcelona, Messi perdeu um pênalti decisivo. Dois jogos e duas falhas… Jogos em que um craque teve momentos de cabeça de bagre. Mas meu funcionário, após o jogo, disse: “sempre falei que esse argentino era um jogador muito bom, mas que nunca dava para compará-lo com Maradona, muito menos com Pelé.”

Lionel Messi cai de número 1 do mundo para o inferno em dois jogos. Como o torcedor não perdoa mesmo…

– Ranking de Árbitros a 3 domingos do Fim?

Coisas incríveis do futebol: para os torneios que serão disputados em 2012, a Federação Paulista de Futebol divulgou o ranking de árbitros, que deverá nortear o sorteio para o Paulistão.

Legal. Se já não estivéssemos na rodada 21…

Por que divulga quando acaba? Insensatez total e desrespeito aos árbitros, equipes e torcedores.

Para quem gosta, está em:

http://www.futebolpaulista.com.br/arquivos/Ranking_Arb2012.pdf

– Felipão, o treinador Zen!

Palavras de Maurício Ramos, zagueiro do Palmeiras:

Felipão é um cara muito calmo, amigo, tranquilo”.

Caramba! Os árbitros e jornalistas podem observar e sentir essa tranquilidade…

– Derby, de fato, acontecerá! Perguntas e impressões inquietantes:

Aqueles que esperavam o Derby Corinthians X Palmeiras numa das semifinais do Paulistão, terão que se contentar com o Derby Campineiro. E são essas coisas que fazem o futebol surpreendente:

– O Corinthians Reserva ganha da Ponte Preta em Campinas. A Ponte vem a São Paulo e elimina o Corinthians Titular.

– O oitavo colocado elimina o primeiro!

– A vantagem de jogo único não é uma grande desvantagem? A chance do Corinthians ser eliminado em 2 jogos é menor do que em 1; idem ao Palmeiras.

– Vadão que nunca reclama de nada elimina o Felipão, que reclama de tudo e ganha muito mais.

– Segunda eliminação seguida no Paulistão em que os atletas palestrinos reclama da arbitragem. Nos últimos tempos, o clube teve como treinadores: Leão, Luxemburgo, Muricy, Jorginho, Scolari… e a culpa é do juiz?

– Campinas, com a cidade dividida pelos 2 times, já tem assegurado ao menos o título de vice-campeã estadual. E se houvesse uma fusão de Ponte Preta + Guarani?

– Deola e Júlio César são pessoas boníssimas. Mas nas partidas decisivas, os torcedores não querem nem saber dos seus boa-praças.

– Já que não veremos a tão cantada semifinal paulista, que as zebras não passeiem na Europa: quero ver Real Madrid X Barcelona na final da Champions League.

Por tudo isso, o futebol é apaixonante… Por mais que se procure lógicas nele, a única lógica é que ele é ilógico…

– Corinthians 2 x 3 Ponte Preta: o lance de Douglas X Cajá

Uma jogada importante, curiosa e discutível precedeu o primeiro gol do Corinthians neste domingo a tarde: um lance de vantagem à Ponte Preta que acabou virando desvantagem!

O Corinthians estava no ataque, a defesa pontepretana tenta tirar a bola do seu campo, e Douglas divide com Renato Cajá, mas acaba cometendo infração contra seu adversário, cometendo uma carga com força desproporcional, atingindo as costas do jogador da Ponte Preta, derrubando-o. Na sequência, a bola sobra para o time campineiro. Rodrigo Braguetto observa muito bem a vantagem, não marca a falta e deixa o jogo seguir. A Ponte Preta arma um contra ataque e acaba perdendo a posse de bola, próximo da linha de fundo corinthiana.

Nesse ínterim, Renato Cajá ainda está caído no seu campo de defesa. O time do Corinthians retoma o toque de bola, avança, arma uma jogada de ataque, e o jogador permanece no chão. Eis que sai o gol e o time da Ponte Preta reclama da arbitragem.

Com razão ou sem razão?

Para responder, vamos entender “o que é” e “quando devemos” dar vantagem:

A Regra diz que você deve avaliar as seguintes condições para deixar de marcar uma falta e deixar o jogo seguir:

– O local da falta (se a bola está na defesa, o zagueiro sofre uma falta e seu companheiro, rodeado por muitos atacantes fica com a posse de bola, não deve dar vantagem, pois, afinal, nem sempre ter posse de bola é ter vantagem).

– O local onde se encontrava a bola no momento da falta (nem sempre a bola está na jogada em que ocorre a falta. Por exemplo: a bola está pingando na pequena área, não tem goleiro, ela está pedindo para ser chutada e um jogador da equipe que ataca sofre falta no bico da grande área. Entretanto, havia um atacante próximo da bola com chance de chutá-la. Tem que dar a vantagem!)

– A intensidade da falta (A bola sobrou livre para o companheiro do jogador que sofreu a falta, mas ele levou um chute tão forte que precisa de atendimento médico urgente; não é prudente parar o lance?)

– O clima do jogo no momento da falta (está todo mundo batendo em todo mundo? Cuidado ao não marcar faltas…)

Portanto, Rodrigo Braguetto acertou ao dar a vantagem no lance. Mas valem algumas considerações:

1.Na hora em que o jogador está caído por ter sofrido a falta, os atletas não tem a noção da gravidade ou não da lesão. É o árbitro quem deverá decidir se paralisa ou não a partida para um atendimento emergencial. Se considera grave, não deve dar a vantagem e marcar de imediato a falta.

2.Deixando a partida seguir, o árbitro tem duas possibilidades:

   2.1- Rever sua decisão anterior, pois entende que o jogador lesionou-se num grau maior do que julgava anteriormente (lembrando que o árbitro não é médico) e paralisar a partida o quanto antes (a fim de evitar situações como um contra ataque que passe pelo atleta que esteja caído).

   2.2- Aplicar o cartão amarelo ao jogador que caiu após a conclusão da jogada, pois entende que este simula uma contusão mais grave do que é, e comete atitude antidesportiva, mantendo-se no chão, ludibriando árbitro, adversários e torcedores, sendo que poderia ter levantado e continuado no jogo.

Nesta tarde, entendo que, após a bola atravessar quase 100 metros, num lance onde a infração de fato existiu, e permitir que o adversário retome a bola, reatravesse o campo por mais 100 metros, com o jogador caído, foi uma falha da equipe da arbitragem. Os atletas não têm obrigação pela Regra do Jogo de colocar a bola para fora, caberia ao árbitro paralisar a partida para a retirada do atleta lesionado. E para isso, o árbitro adicional mais próximo poderia ter informado ao árbitro central que o atleta permanecia deitado no chão após ter recebido a falta.

A Regra da Vantagem foi cumprida corretamente. Porém, faltou a experiência (que Braguetto tem) para tomar a decisão correta na sequência do lance: ou seja, na retomada de bola, após cessar a vantagem pontepretana, paralisar o lance.

O mais incrível de tudo isso para a Ponte Preta: a vantagem da possibilidade de um ataque originada com a falta, se transformou em uma desvantagem (afinal, defendeu com um atleta a menos) e resultou num gol contra si própria.

Coisas do futebol…

Em tempo: não assisti Guarani X Palmeiras, mas vejo uma confusão no final da partida. Por dois anos seguidos, o Palmeiras é eliminado nas semifinais do Paulistão, e jogadores mais Comissão Técnica creditam a desclassificação à arbitragem?

Este e outros post podem ser acessados no Portal Bom Dia / Diário de São Paulo, em: http://www.redebomdia.com.br/blog/lista/109

– Proselitismo Ofensivo no Futebol?

Coisas do futebol brasileiro: O Botafogo-RJ tem a primeira torcida organizada “da paz”: a Fogospel, que, teoricamente, é formada por torcedores evangélicos que se recusam a falar “palavrão” nas arquibancadas e não brigam nas ruas.

Porém, na partida contra o Guarani, no meio de semana, a organizada evangélica gritava ao árbitro:

 ei, juiz, vai se converter!”

Ué, no conceito, o árbitro não está sendo ofendido de qualquer jeito? Se converter por quê?

Se já não bastasse o fanatismo exagerado de alguns atletas, agora, corremos o risco de proselitismo de torcida!

Nada contra qualquer forma de religião ou crença. Tudo contra o fanatismo, proselitismo e a hipocrisia.

Viste também esse post no Blog do Portal Bom Dia / Diário de SP:

http://www.redebomdia.com.br/blog/detalhe/6911/preview