– O desabafo de Gabriel Paulista do Corinthians, o Fair Play Financeiro e a temeridade que se tornou o Santos FC.

A irresponsabilidade dos cartolas dos clubes de futebol acaba deturpando o Campeonato Brasileiro. E como exemplo maior: o não pagamento de contas.

Vide o Santos FC: recebeu 7 transfer bans entre o dia 11 e 13 de outubro (por não pagamento ao ex-técnico Pedro Caixinha, aos membros da Comissão Técnica dele e a repasses de jogadores formadores a outros times). Se o Peixe tivesse saldado suas contas, teria condições de ter o elenco que tem? Mais ainda: teria se recuperado e saído da zona de rebaixamento?

A verdade é: parece que o Alvinegro da Vila Belmiro não teme dever. Deixa a conta vencer! Quem quiser, reclame… E aí vem Neymar (que ainda não tem seus salários pagos na totalidade) contratando jogadores com dinheiro do próprio bolso: Phillipe Coutinho, Rodinei, Arthur e Everton Cebolinha.

Insisto: se não fosse a grana do Menino Ney, em qual posição o Santos FC estaria no Campeonato Brasileiro?

Outro caso emblemático: o jogador corintiano Gabriel Paulista, após a derrota do seu time diante do Palmeiras, desabafou à imprensa escancarando a difícil situação do Corinthians (mas que poderia ser de vários outros clubes brasileiros). Disse ele:

“Em todos clubes que joguei, a diretoria sempre protegeu os atletas de alguma maneira. Eles davam a vida para proteger os jogadores. Aqui no Corinthians eu não vejo isso. Se alguém da diretoria quiser falar comigo, eu volto aqui e falo de novo. Não é besteira o que estou falando. Precisamos de proteção, precisamos que paguem os funcionários, porque isso aí afeta. (…) “Isso de salário atrasado… eu consigo me manter porque eu fiz uma carreira. Deixei muita coisa lá fora para viver meu sonho de vestir a camisa do Corinthians, mas tem jogador da base tenho certeza que está passando dificuldade. Já vivi isso de eu ganhar pouco e a família precisava de mim. Talvez pra vocês da imprensa eu estou falando besteira, mas isso está afetando demais. Que vergonha, cara. Eu chegar e dizer que um atleta está passando dificuldade e outro atleta tem que ajudar. Que vergonha pra um clube que é o Corinthians. Passar para os torcedores que o grupo é muito bom e vamos conseguir os resultados, mas vai ser só a gente. Se tiver que morrer, vai morrer todo mundo junto, mas isso não vai acontecer, e que se foda o resto”.

Após esse duro depoimento, várias coisas a observar:

– Por mais que se diga que “jogador de futebol ganha muito bem”, isso é relativo. Quem ganha muito representa menos de 1% do total de atletas no futebol brasileiro (Segundo a CBF, apenas 0,92% ganha mais de 10 salários mínimos) e esses têm o direito de receber o que foi combinado. Se quem combinou, combinou mal, aí é outro problema.

– Os dirigentes esportivos não dão prioridade em respaldar o elenco. Preferem que os atletas dêem a cara a bater.

– A ausência de Planejamento das contas a pagar.

E aí vem um problema seríssimo: não se respeita o Fair Play Financeiro! Gasta-se mais do que se arrecada, e não se preocupa com as consequências. Vide o próprio Corinthians: tirou Raniele do Cuiabá (que era o melhor jogador do clube naquele momento), não pagou, se manteve na Primeira Divisão e o Cuiabá caiu.

Se houvesse respeito às contas, pense: se Raniele tivesse permanecido no Mato Grosso e não viesse ao Timão, o Cuiabá cairia? Ou, em outra hipótese: se o Corinthians tivesse pago, teria mais grana o clube mato-grossense e brigaria para não cair?

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