De maneira bem didática, do lance “mais fácil para se explicar” ao mais difícil:
- A entrada de Barreal (SFC) em Carrascal (CRF): é o clássico “jogo brusco grave”. Ele foi disputar a bola de maneira desproporcional e atinge perigosamente seu adversário com um carrinho. Cartão vermelho não aplicado, e ali o VAR respeitou a decisão de campo do árbitro (ambos erraram, pois é um lance de erro crasso: carrinho naquela altura não é subjetivo).
- O pênalti de Luiz Araújo (CRF) em Gabigol (SFC): para muitos, Gabriel cavou a penalidade. Para outros, há um toque não faltoso e ele valoriza a queda. Eu marcaria pênalti, pois, no campo de jogo, estando em velocidade, o toque (que foi real, ele existiu) realmente desequilibra o atacante. É tiro penal por atitude imprudente (quando não quer fazer a falta mas acaba fazendo), sem cartão amarelo ao adversário
- O lance envolvendo Rony (SFC) e Jorginho (CRF): o goleiro flamenguista Rossi solta “uma bola na fogueira” e Jorginho tenta protegê-la de Rony, que poderia se aproveitar dela. Jorginho a cerca e cai com o corpo sobre ela, batendo a mão sobre a bola e alegando falta. Ali:
A) Falta de Rony em Jorginho (tiro livre direto à defesa do Flamengo)?
B) Simulação de Jorginho e mão antinatural (pênalti com cartão amarelo)?
C) Simulação de Jorginho e mão intencional (pênalti com cartão vermelho)?
D) Outra interpretação diferente?
Veja como a regra é complicada:
- Daronco considerou infração fora da área (falta ao Santos) por mão intencional. Portanto, ele não considerou falta de Rony e nem simulação de Jorginho (isso é representado por ter marcado tiro livre direto e pelo próprio cartão amarelo). Simulação é tiro livre indireto (falta em dois toques, dentro ou fora da área). Quando há mão de movimento antinatural, não se aplica mais cartão amarelo. Se é mão na bola intencional, aí sim se aplica cartão amarelo. Aparentemente, foi isso que Daronco entendeu (equivocadamente).
- Se o VAR chama a arbitragem para conferir um lance de possível penal, ele precisa ser rápido. A FIFA alerta que, se existir demora na decisão de algum lance, para não se perder a dinâmica do jogo, PREVALECE a decisão de campo. E levou-se 10 (DEZ) minutos para avaliar o lance… é um tempo de mesa redonda na TV! Errou de novo… afinal, mudou a decisão para pênalti com cartão vermelho (ou seja, entendeu que foi mão intencional em cima da linha que impediu uma situação clara e manifesta de gol).
- Não foi situação clara e manifesta de gol. Foi uma grande oportunidade, mas não se considera clara e manifesta pela Lei dos 4 D’s: distância do gol (ok), domínio de bola (ok), direção do gol (ok) e disputa de bola (aqui, não ok). Repare que o atacante tem o goleiro Rossi à sua frente e um flamenguista chegando para lhe ajudar (vide imagem abaixo):

- Aqui, esqueceu-se de algo muito importante: Daronco considera que não foi falta de Rony (eu também não), mas desconsidera a simulação de Jorginho (ele entende como queda natural e com mão intencional). Eu entendo como simulação, pois ele tentou cavar a falta se jogando. E simulação é tiro livre indireto (falta em dois toques, dentro da área; ou seja, em cima da linha). O fato de Jorginho tocar a mão na bola é posterior à primeira infração, que é se jogar. Portanto, não vale mais nada dali em diante, a mão é irrelevante.
Eu sei, faz tempo que ninguém vê marcação de simulação (especialmente de zagueiro, pois a regra foi “esquecida” por muitos e/ou falta coragem de aplicá-la). Assim, muitas vezes o árbitro quer marcar algo mais relevante, que é a mão na bola, para “punir com mais rigor quem tenta sacaneá-lo”. Tudo errado! A CBF, tempos atrás, até publicou um documento “lembrando que a simulação existe”. E republico aqui (um print da orientação, pois há vários vídeos), até porque devemos explicar didaticamente a regra e, sem enganar o leitor, mostrar que ela existe:
Resumindo:
- Barreal deveria ser expulso;
- Pênalti em Gabigol foi correto;
- Pênalti de Jorginho e Expulsão com duplo erro.
Em tempo: muitos amigos questionando se a dupla punição (pênalti e cartão vermelho para situação clara e manifesta de gol) não tinha caído no futebol. Isso vale para situações de disputa de bola. O detalhe é que para lances de uso das mãos ou agressão, continua valendo a regra antiga.

