Durante a Copa do Mundo, não víamos os “bololôs” de atletas em torno dos árbitros. Também ninguém corria até a cabine do VAR, acompanhando o juizão. Raramente víamos várias pessoas de pé na área técnica berrando aos 4 cantos.
Sejamos justos: não víamos também tantos erros bizarros dos árbitros…
Com a volta do Brasileirão, tudo isso retornou. Sem contar a “guerra pelas Redes Sociais” envolvendo Flamengo e Palmeiras (pela própria rivalidade entre eles, além do “incentivo” do STJD em querer reapitar o lance entre Maurício e Cacá, julgando como cartão vermelho um lance em campo que foi para cartão amarelo).
Quer uma situação pior? A Copa do Brasil! Sem muito propósito, tivemos rodada até no domingo. No sábado anterior, foram 3 jogos empatados sem gols (com os acréscimos, quase 300 minutos de 0x0 modorrentos, com pouco tempo de bola rolando, muito chororô e atletas (além de dirigentes) reclamando da arbitragem.
Ninguém aqui está dizendo que os árbitros brasileiros são infalíveis (os erros demonstram isso), mas está um inferno apitar futebol. Tudo é contestado, ninguém quer jogar bola e há muita catimba. E, não podemos omitir um fato relevante: o jogador é esbarrado por outro, e simula que foi atropelado. Qualquer contato mais próximo, desaba simulando agressão… E a passividade dos árbitros em não punir com o Cartão Amarelo, irrita quem gosta do futebol bem jogado.
Não é só um vício temporário. Tudo isso virou cultura, infelizmente. E talvez algo que precisamos discutir: o “poder dos treinadores”!
O Santos de Pelé teve como treinador Lula. O folclore do futebol dizia que ele até dormia em campo. Na Copa de 70, conta-se que os jogadores se reuniram com Zagallo e determinaram como se encaixaria tantos camisas 10. Hoje, a estrela não é mais o jogador, mas o treinador!
Vide como exemplo o Palmeiras: Abel Ferreira é o “destaque”. Não só pelas entrevistas intimidadoras, quantos as polêmicas reclamações contra a arbitragem, jornalistas ou sobre tudo aquilo que ele queria desviar o foco.
Muitos treinadores de futebol têm a vaidade de estarem em um patamar de sapiência acima do demonstrado, e agora, não me refiro apenas à ele. Raramente, vemos treinadores discutindo com seus comandados novas ideias (e isso não deve ser demonstração de fraqueza). Vários “professores” ignoram conversas com atletas, impondo suas ideias. Sampaoli que o diga…
Obviamente, um treinador é o líder de uma equipe à beira do gramado, orientando a parte tática. Entretanto, a liderança não pode ser centralizada, e sim compartilhada. Por isso, muitas vezes, as falas de seus assistentes são levadas em consideração.
Mais do que isso: ouvir os seus comandados (na vida esportiva ou profissional) ajuda no processo de descentralização e de novas ideias.
Roger Machado, quando foi técnico do São Paulo FC, declarou após um jogo contra o Red Bull Bragantino que iria colocar Luan em campo, mas trocou a substituição por sugestão dos seus atletas. Vide:
“Eu preciso deixar um espaço para que eles tenham autonomia dentro de campo. Não tenho vaidade nesse sentido. Em algumas vezes eu vou atender; em outras, eu vou procurar fazer o que está na minha primeira opção (…) O líder sou eu, mas nem sempre eu vou ter razão em tudo”.
A pergunta é: tal atitude ganha o grupo ou fragiliza o comando?
Enfim, a questão maior é: o futebol brasileiro está ficando chato devido aos excessos de reclamações, estrelismo da comissões técnicas e demais particularidades?

