Muitas vezes, deixamos o descanso de lado. Porém, ele é necessário para que recuperemos a energia e continuemos a labuta.
Sem o descanso, a qualidade de vida decai, a produtividade se torna menor e todos perdem.
Enfim: descanso não é luxo, é sobrevivência. Mas você sabe descansar?
DESCANSO PRODUTIVO
por Ravi Resck
Vivemos em uma época em que o tempo não é mais apenas medido… ele é gerenciado, otimizado e monetizado.
Não basta descansar: é preciso descansar bem, com propósito, com disciplina, com eficiência.
O descanso deixa de ser um direito ou uma experiência e vira uma estratégia de performance.
O problema não está só nas empresas ou na cultura de trabalho — ele se infiltra na maneira como pensamos sobre nós mesmos.
Foucault chamaria isso de governamentalidade: um tipo de poder que opera não pela repressão, mas pela indução, fazendo com que nos vigiemos, nos regulemos, nos cobremos. O “descanso produtivo” é um sintoma disso.
A promessa de equilíbrio entre vida pessoal e trabalho funciona como válvula de escape, mas também como disfarce: não resolve o problema, apenas o torna mais palatável.
A ideia de que basta ajustar a agenda para alcançar bem-estar individual esconde que a própria lógica produtiva continua intocada.
Não se trata de organizar melhor o tempo, mas de questionar que tipo de vida estamos sendo induzidos a desejar. Por que é tão difícil simplesmente não fazer nada? Por que o ócio nos causa angústia?
Talvez a verdadeira subversão não esteja em trabalhar menos, nem em descansar melhor — mas em descansar de um modo que não sirva a nada. Um tempo não capturado. Um tempo sem função.

