Jogo típico de Libertadores da América na Arena de Itaquera. E foram dois lances polêmicos: a anulação do gol do Once Caldas e a expulsão de Paolo Guerrero. Vamos a eles?
1- GOL CONTRA DE RALF
A grosso modo, falar que um gol contra foi anulado por impedimento parece heresia. Mas não é bem assim. Entenda:
Na cobrança de uma falta, havia dois jogadores do Once Caldas em posição de impedimento e um terceiro atleta partindo de trás, em boa posição. A bola vai em direção ao primeiro atleta (o atacante Penco), e é interceptada por Ralf antes que o colombiano tocasse na bola, que marca um gol contra.
O gol deveria ser anulado ou não?
– SIM, DEVERIA E FOI ANULADO BEM. Ralf só tenta interceptar a bola pois seu adversário fatalmente iria dominá-la, e o atleta não tem condições de saber se ele está em impedimento ou não. Pelo fato do jogador do Once Caldas participar do lance interferindo contra um adversário (o motivo da participação do corinthiano na jogada foi evitar o domínio iminente dele), lance bem anulado.
Porém, se Ralf estivesse longe dos colombianos, distante do jogador que estava em posição de impedimento e a interceptasse sem ter o propósito de evitar o domínio adversário (imagine que estivesse entre o local da falta e de Penco) e desejasse colocá-la para fora simplesmente para evitar que chegasse à grande área, o gol deveria ser válido pois os adversários estariam em impedimento passivo. E aqui outro detalhe da regra: se nessa hipotética situação a bola batesse na trave e sobrasse para Penco, ele passaria de passivo para ativo por “ganhar vantagem de sua posição” e o gol já não seria mais válido (diferente do que aconteceu, pois o impedimento marcado foi por “interferir contra um adversário”).
2- CARTÃO VERMELHO PARA PAOLO GUERRERO
Patricio Loustau expulsou Guerrero aos 26 minutos do 1o tempo. Para mim, decisão difícil, certeira e corajosa. Camillo Pérez disputou uma bola com Guerrero de maneira viril, forte, típica de Libertadores. O colombiano estava “fungando em seu cangote” e a reação de Guerrero é desproporcional durante o revide. É nítido que ele tenta dar um tapa no rosto do adversário e o acerta. Aqui, é irrelevante se o colombiano fingiu ter sido nocauteado ou não, já que a regra diz que se deve expulsar um atleta por “agredir ou tentar agredir” um adversário. O tapa desferido por Guerrero foi intencional, embora pareça não ter sido tão forte. O azar do atacante peruano é que o árbitro estava muito bem colocado no lance e interpretou com retidão (e insisto: com coragem). Penso que se fosse um árbitro mais fraco expulsaria os dois atletas a fim de fazer a maldita “média”. Ou, se quisesse administrar o jogo, daria dois cartões amarelos. Para mim, correta expulsão por agressão, errou o corinthiano ao perder a cabeça.

