– A Burra Expulsão do Jogador do Paulista

Há situações que poderiam ser evitadas no futebol. Cartões Amarelos e Vermelhos aos milhares que não precisavam ser aplicados, caso os jogadores se controlassem melhor. Basta que alguns clubes orientem melhor seus atletas, e que estes aprendam (ou pelo menos se interessem um pouco) sobre Regras de Futebol.

Quer mostra disso? Na última rodada da Copa Paulista, entre União Barbarense x Paulista, Deivid Macedo foi expulso por reclamação ainda no primeiro tempo (ele já tinha cartão amarelo e recebeu o segundo). O jogador jundiaiense desafiou o juiz “pedindo” ironicamente o cartão. Na súmula, há o relato redigido pelo árbitro Emiliano Costa em letras garrafais:

EXPULSO POR HAVER, DEPOIS DE ADVERTIDO COM UM CARTÃO AMARELO, PERSISTIR NA RECLAMAÇÃO ACINTOSA, PROFERINDO EM MINHA DIREÇÃO AS SEGUINTES PALAVRAS:

“- DÁ O SEGUNDO CARTÃO, FODA-SE”.

APÓS A EXPULSÃO, O MESMO VEIO ATE MIM, COM DEDO EM RISTE, ENCOSTANDO-O NO MEU ROSTO, EMPURRANDO-ME PARA TRÁS. APÓS ESTE FATO, FOI RETIRADO DE CAMPO POR SEUS COMPANHEIROS DE EQUIPE.

Cá entre nós: o jogador fala isso para o juizão e ainda quer ficar em campo? Expulsão infantil, evitável e que prejudicou o Galo da Terra da Uva. O atleta deveria ser multado pela atitude antiprofissional.

O curioso é que no site da Federação Paulista de Futebol há um comunicado recente que pede aos árbitros para que coíbam com rigor tal comportamento indisciplinado de jogadores. Veja a orientação:

“item 21: A CA/FPF DETERMINA que os senhores Árbitros adotem medidas enérgicascontra os jogadores e oficiais das equipes que reclamarem da arbitragem, expulsando os que atuarem de maneira desrespeitosa, acintosa ou grosseira.”

Será que ninguém viu ou ninguém sabia?

Aqui, outra consideração a ser feita: além dos clubes capacitarem os atletas com essas informações, não deveria a própria FPF mandar gente da Comissão de Árbitros orientar os jogadores?

Fica a reflexão final: os jogadores não deveriam aprender melhor as regras do próprio ofício que praticam (ao mesmo tempo que não as dominam)?

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– Baderneiros querem fazer Policias de Réus?

De novo manifestantes promoveram confusão na Paulista. Se o cara está mascarado, é por que seu intuito não é dos mais louváveis. Se se pede pelo fim da corrupção  se se contesta os governadores, por que vestir máscara e esconder sua identidade?

A resposta está nos noticiários: quebraram novamente agências bancárias, pararam o centro da cidade, saquearam pessoas e incitaram a violência. Tentaram depredar uma farmácia!

Sem dúvida, bandidos e imbecis que não sabem o que é democracia e que estão a fim de promover arruaça.

O pior de tudo é que se a PM reprime, vem aquele discurso demagogo de violência policial.

Caramba… o cara pode quebrar a cidade, cometer crimes, afrontar a Polícia e ainda se passa de coitado?

Tenha dó! Parece o julgamento do Carandiru. É nítido que ocorreram excessos, mas parece que a PM invadiu um orfanato de anjos inocentes.

Precisamos ser mais justos, menos hipócritas e lutar por uma sociedade mais organizada. Isso sim é democracia.

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– A Crise de Empregos na Mídia?

Que triste e que engraçado!

Dias atrás tanto Folha de São Paulo e Estadão demitiram jornalistas para enxugar as despesas. As rádios têm promovido isso. Mas agora, até gente incontestável foi para o olho da rua.

Ao ler, pensei que era alguma notícia falsa: Mauro Betting foi demitido da Rádio Bandeirantes!

Puxa! Enquanto isso, alguns picaretas continuam no dial. Dá para entender?

Certamente, da mais humilde à mais gloriosa das emissoras, Mauro Betting teria espaço onde quisesse.

Teria! Porque hoje a tarde ele foi recontratado pela emissora, após vários protestos de ouvintes e do apresentador Neto, da Tv Bandeirantes, pedir demissão ao vivo em solidariedade a ele.

Olha a despedida dele no Twitter (que agora, fica sem efeito).

Extraído de: http://blogs.lancenet.com.br/maurobeting/2013/08/02/voltamos-depois-do-intervalo/

MAURO BETTING

“Alô, ouvintes do Brasil” – há quase 10 anos escuto José Silvério sem precisar do fone de ouvido do Douglas, do Abrãozinho, do Jair, de tantos nas cabines e estúdios da rádio Bandeirantes.

“Abrem-se as cortinas e começa o espetáculo” – há 40 anos ouvi pela primeira vez Fiori Gigliotti começar os jogos que eu sonhava ver. Delirava ouvir. Imaginava sentir na emissora que passei a frequentar quando eu tinha nove anos, em 1975. Quando meu pai foi contratado pela TV Bandeirantes, saindo da Record. Corredores e estúdios da rádio onde meu pai virou comentarista econômico depois de três anos de Jovem Pan, e dois de Gazeta, em 1977.

Sou filho do rádio. Seu Joelmir e dona Lucila se conheceram na 9 de Julho, onde apresentavam “Bombons de Música para a Petizada”. Talvez o pior nome da história do rádio. Mas foi lá que nasceu o amor entre eles. Foi desse amor no dial e dialético que nasceu Gianfranco, meu irmão, meu ídolo, em 1964. Foi nesse amor no éter e eterno que nasceu Mauro, em 1966.

Eu.

Que desde o berço queria ser jornalista por esporte. Ainda mais quando meu pai entrava no estúdio do segundo andar lá pelas 18h para falar alguns minutinhos de economia depois de Fiori, Ênio Rodrigues, Mauro Pinheiro, Luís Augusto Maltoni, Roberto Silva, Paulo Edson, Alexandre Santos e outras feras falarem aos microfones da “Marcha do Esporte”. Era o que eu queria ouvir. Era onde um dia eu gostaria de falar desde aquele 1977 na Cadeia Verde e Amarela.

Em fevereiro de 1999, José Carlos Carboni me deu a chance de realizar um sonho. Ser comentarista esportivo do AM 840, FM 90,9. Mas eu tive de dizer um dos “nãos” mais difíceis e doídos em 23 anos como jornalista esportivo de rádio, TV, jornal, revista, internet, livros, filmes e videogames. Meu Luca tinha cinco meses e não podia ficar sem o pai todos os dias da semana sem folga por causa dos empregos do pai em TV, jornal e internet. Tive de dizer não. Não tinha como conciliar escala. Não tinha como largar o salário maior da televisão. Eu tive de dizer não ao veículo que me dá prazer. Jornal é prestígio. Televisão é popularidade. Rádio é prazer. Por que ele vai com a gente ao banheiro, à escola, ao ônibus, pra cama, pra cima, pra baixo.

O rádio fala. Mas também ouve.

É o melhor amigo do homem. Vai ver que por isso também morde.

Em 2002 quase vim para a rádio Bandeirantes. Era eu ou o querido Roberto Avallone. Reticências… Não fui. Exclamação!

O “não” de 1999 e o “quase” de 2002 virou “sim” em novembro de 2003. O fratello Sergio Patrick teve a ideia. O chefe Carboni reiterou o convite. O diretor Fernando Vieira de Mello assinou. Em 1o. de dezembro de 2003 eu estreei na Bandeirantes. Exatos 12 anos depois da minha estreia em rádio esportivo pela Gazeta.

A primeira transmissão na cabine do Morumbi foi São Paulo x River Plate. Quando Carboni me ligou ao final dela para dizer que eu “acabara” de ganhar o prêmio Ford-Aceesp de 2004 um ano depois. E ele acertou. Desde então, com toda a equipe mais técnica do rádio, com os narradores, comentaristas, repórteres, apresentadores e produtores que temos, só não ganhei um ano o mais cobiçado prêmio do jornalismo esportivo paulista. São oito troféus em casa. Pelo meu lar radiofônico. Desde 1984, nenhum outro comentarista de rádio ganhou tantos como aquele filho do Joelmir Beting que, a partir de 2004, pela primeira vez em 17 anos de carreira, tinha a alegria de trabalhar com o pai na mesma emissora.

A felicidade de comentar futebol enquanto narraram José Silvério, Ulisses Costa, José Maia, Dirceu Maravilha, Hugo Botelho, Odinei Edson. Enquanto comentaram Claudio Zaidan, Estevan Ciccone, Neto, Paulo Calçade, Fábio Sormani, Flávio Gomes, Fábio Seixas, Fábio Piperno, Erich Beting. Enquanto reportaram jLeandro Quesada, Alexandre Praetzel, Eduardo Affonso, Alex Muller, Frank Fortes, PH Dragani, Ariane Rocha, Kamilla Malynowski, Antonio Petrin, Carlos Lima, Dirceu Cabral. Enquanto apresentaram Sergio Patrick, Ricardo Capriotti, Milton Neves, Beto Hora, Lélio Teixeira, Zé Paulo da Glória, Marcelo Duarte, Zancopé Simões. Enquanto produziram Vinicius Mendes, Guilherme Fagundes, Kelly Ferreira, Joãozinho, Vinicius Volpi, Claudia Oliveira, Mario Mendes, Bruno Almeida. Enquanto João Bicev comandava uma seleção de muita técnica. Com Ricardo Garcia, Davi Duarte, Aílton Dias, Nelson Wolter, Zé Pereira, Fabiano Villasboas, Arthur Figueiroa.

Mais que um timaço de colegas, meus amigos. Alguns mais que amigos. Irmãos.

Campeões da Copa Nike-2004 de futebol. Com o Fred, com o Veras, com amigos que falavam e faziam futebol. Com ouvintes que eram ouvidos. Eram nossos. Não tinha como errar.

Pela rádio Bandeirantes eu deixei de fazer programa com Nasi e Ronaldo Giovanelli na Kiss FM. Pela rádio Bandeirantes eu deixei de ser o comentarista principal da Band em 2007 por priorizar a rádio.

Pela rádio Bandeirantes eu posso ter deixado outras propostas profissionais de lado. Por amor ao rádio. Por prazer de ofício de trabalhar em casa. No meu lar. Como se eu estivesse no meu quarto. Como várias transmissões fiz descalço. Derrubando café na mesa. Assustando Milton Neves no estúdio ao lado. Rindo da desgraça própria. Chorando da emoção alheia. Comentando. Reportando. Analisando. Jornalistando.

Apenas jornalistando. O que é nosso ofício. Por vezes nosso sacrifício nessa marcha sem merchan.

Falando bobagens involuntárias ou mesmo com a intenção de produzir coliformes orais nas miltonlices da madrugadas. As mauradas que não tinham hora para acabar.

Mas que desde 17h de 1o de agosto de 2013 acabaram.

A mídia está mudando. Eu estou mudo no AM 840. Perdi a voz. Mas não a fala. Quem perdeu a voz foi a rádio que cala Walker Blaz – o Sinatra da Bandeirantes. Quem perdeu a vez foi a rádio que encerra 19 anos de Adriana Cury, filha de 57 anos de Muybo no AM. No amor que os Cury como os Beting têm pela Bandeirantes. Paixão que levamos no peito um crachá que não tem RH que arranhe e que arranque.

Rádio não tem cargo hereditário. Mas alguns filhos de radialistas têm pela Bandeirantes uma herança que não tem conta que não fecha que encerre o que guardamos aqui dentro. É contar e mandar a nossa gravação para ficar no Cedom da rádio que amamos.

Era preciso cortar números. Meu nome foi cortado da rádio Bandeirantes.

Sabia que haveria um dia em que não conseguiria mais acordar nossa equipe nas madrugadas de Munique tocando a Pamonha de Piracicaba com o Patrick na Copa de 2006. Sabia que um dia não berraria Master Bernard pelas ruas de Johanesburgo numa Copa como a de 2010. Sabia que podia contar com um irmão quando a vida separou meus filhos que amo cada vez mais na mesma semana em o que o mundo do meu fratello se separou. Sabia que nós iríamos reencontrar o amor que abençoa a ele e a mim logo depois. Com a agilidade do rádio. Com a paixão do rádio.

Sei que um dia teria de desligar o microfone que tantas vezes apertei o botão errado para abrir, que tantas vezes derrubei no chão, que tantas vezes não acreditei conversar, dialogar, tabelar com Silvério, Milton, Zaidan, Patrick, Ciccone, Capriotti, Quesada, Praetzel, Alex e tantos que continuam ou não na emissora.

Sei que um dia a Bandeirantes sairia de minha vida como os últimos sons do meu pai na vida foram pela rádio quando ele tentou voltar ao ar, nos 10 dias em que retornou do hospital. Quando um fiapo de voz pela T-Line instalada pelo João Bicev não o deixou voltar ao ar antes de retornar “em definitivo” para o hospital onde saiu do ar em 29 de novembro de 2012.

Quando no começo da madrugada de quinta-feira eu estava entrevistando Rogério Ceni até meu irmão dar a a notícia esperada desde o domingo pela manhã.

Meu pai morrera.

Eu estava saindo do ar. Eu estava fora do ar. Mas alguém precisava dizer que Joelmir Beting havia morrido. Eu mesmo disse. Li o texto que havia preparado para este blog na véspera. Li no ar a morte do meu pai.

Não era para isso que havia sido contratado. Mas é para isso que se é jornalista. Como foi meu pai de 1977 a 1985 na rádio Bandeirantes. Como ele foi de 2004 até morrer em 2012.

Eu fui rádio Bandeirantes do primeiro dia de dezembro de 2003 ao primeiro dia de agosto de 2013. Vou continuar sendo sempre aquilo que não pude mais ser. Com o mesmo prazer e honra que tive agora ao me tornar o quinto trading topic do twitter no mundo por ter sido demitido.

(A todos, todas as palavras que significam obrigado. Desculpem o cabotinismo. Mas estou precisando. Oferecimento: Mauro Beting Ltda.)

Como disse o Johnny Saad no velório do meu pai: “o Alemão é insubstituível”. E meu pai é mesmo. Posso garantir.

Como posso dizer a vocês que leem este blog e não precisavam ficar até o final deste longo texto: “o Mauro Beting é substituível”.

Não foi isso que me foi dito pela minha chefia a quem só posso agradecer pelos 10 anos de rádio.

Ao contrário.

Eles deixaram tão claro a mim como reitero a eles e a todos: as portas e microfones da rádio seguem tão abertas para mim como o amor que tenho pela casa, pelo prefixo, pelas pessoas, pelos colegas, pelos amigos.

Pela minha casa. Pela Bandeirantes.

Saio da rádio. Mas ela não sai de mim.

Assim é a vida. Assim é o rádio. Assim é a crise. Assim é a mídia.

São 2h28 de uma madrugada de sexta-feira. Estou acostumado pelo rádio e pelo Milton a sair tão tarde da emissora. A sair tão tarde de estádios onde já tive de pular muro ou pedir ao vivo que reabrissem os portões para que eu pudesse sair com nosso operador. Desde 2003 sou o jornalista que mais tarde sai de uma cabine e de um estádio. Sou o cara que normalmente apaga a luz. Sou o cara que hoje estou meio que fora do ar. Só não estou em off por ter a mulher que tenho, os filhos que tenho, a mãe que tenho, irmãos, primos, tios, madrinha e a família que me conforta. Me ama. Me Silvana.

Minha ultima jornada acabou 1h15 desta mesma quinta no Pacaembu. Saí por último como sempre. Peguei um táxi como poucas vezes. Rádio do taxista ligado em Milton. Na Bandeirantes. Em mim.

Voltei pra casa nos escutando. Sem saber que não voltaria mals a estar do outro lado do microfone.

Desde esta madrugada vou poder dormir mais horas. Só não digo que vou poder dormir melhor.

Obrigado, Bandeirantes, pelo melhor ambiente em 26 anos de Jornalismo.

Obrigado, família Bandeirantes, por continuar na Band e no Bandsports.

Voltamos depois do intervalo comercial.

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