Cada vez mais vemos a figura do Analista de Árbitros nas transmissões esportivas. Missão ingrata para quem exerceu a profissão; inglória para quem nunca apitou.
Gosto do Godói, sempre taxativo. Gostava dos comentários do Cerdeira, em tom professoral e didático. Hoje, admiro Gaciba no seu trabalho, embora, ressalto, acho que o quadro que ele mantém no programa pós-jogo na Sportv é excepcional e melhor que a sua própria participação durante as partidas. Já Arnaldo, Marsiglia e Wright, experientes em Copas do Mundo, com conhecimento muito grande, em alguns momentos ousam “brigar com a imagem”. Fazer mea culpa é difícil para o ser humano…
Sem desrespeitar qualquer um deles, mas o comentário do Arnaldo César Coelho no primeiro pênalti de Barcelona X Milan (jogo de volta da Liga dos Campeões da Europa), é daqueles que atrapalham o aprendizado do torcedor. O jogador milanista perde o tempo da bola e toca imprudentemente o pé de Messi (não é casualidade de jogada, mas imprudência do zagueiro); dentro da área, tiro penal sem aplicação de cartão amarelo. Mas o comentarista alegou que Messi pulou antes, mesmo com os replays mostrando que com a bola dominada, Messi foi tocado no pé de apoio (detalhe – tudo isso se Messi estava em condição legal de jogo na hora do lançamento a ele).
O torcedor, em geral, não conhece Regra de Futebol. E nem deve ser obrigado a conhecer, já que o futebol deve ser algo lúdico a ele. Mas se é um lance decisivo de título num Flamengo X Corinthians, imaginaram os mais fanáticos? Influenciados por um comentário descuidado, pode trazer confusões.
Tenho acompanhado grandes jogadores de futebol, como Neto e Muller. Ficam devendo quando comentam arbitragem. Excepcionais dentro de campo, escorregam quando falam de algo que não são especialistas. E aí, logo após as partidas, temos aqueles comentários mais estapafúrdios. Poucos são aqueles que buscam conhecer o assunto: na TV a cabo, temos Paulo Calçade. Nas rádios, Mauro Betting, Flávio Prado, Fernando Sampaio, Rogério Assis, entre outros. Nos jornais, quase não há ninguém especialista no assunto. Pior: nos “minuto a minuto” da Internet, nada!
Fica uma sugestão: que tal quadros / esquetes de poucos minutos, numa linguagem rápida e didática, do tipo: “Conheça a Regra”? Muitos torcedores desconhecem que o futebol tem 17 regras, não sabem que vale gol direto de um chute no bola ao chão (não é “bola ao ar”) ou que quem pode exigir barreira é o cobrador de faltas, não o goleiro.
A propósito: cheia de detalhes que a Regra do Jogo é, que tal elaborar uma prova de conhecimentos básicos aos jogadores sobre as 17 regras? Certamente, ficaríamos decepcionados ao vermos que muitos desconhecem detalhes fundamentais do próprio ofício que exercem…