Cada vez mais começo a repensar sobre a importância do sorteio de árbitros.
Quando a imposição começou, perdi 13 rodadas seguidas, e depois venci 6. Poderia reclamar da sorte, da oportunidade, disso, daquilo…
Mas, quando criado, a ideia do legislador é de que o sorteio evitasse esquemas de corrupção, pois, escalado pela sorte, não existiria possibilidade de que o árbitro fosse previamente “vendido”.
Crendo-se que 100% dos árbitros de futebol sejam honestos, tal sorteio é uma rotulação desnecessária de preocupação com corrupção. E, enfim, o sorteio limitaria a capacidade de desenvolvimento das carreiras de jovens árbitros.
Duas observações:
1) De nada impedirá um dirigente corrupto em escalar árbitros passíveis de pressão. Ou as formas e modalidades de sorteio espalhadas pelo Brasil afora não permitem isso? A criatividade para elaborar o sorteio é assustadora!
2) Dirigente ADORA SORTEIO! É uma forma de justificar a má escala. Se o árbitro vai mal: “Pois é, é culpa do sorteio…” Já viu treinador de futebol dizer: “Perdemos por minha culpa porque montei errado o time?” Não, é claro. Tampouco cartola do apito dizer: “Escalei mal ou elaborei mal o sorteio da rodada”.
A não-normatização padrão de sorteios permite tudo isso. Se a CBF, a FPF, a FERJ e outras tantas são entidades de direito privado, não deveriam dar satisfação de como escolhem seus árbitros. Mas ao mesmo tempo em que elas recebem tantos benefícios governamentais, geram tantos recursos financeiros e estão envolvidas até em Loterias, deixam de ter tanta liberdade.
A frouxidão do sistema permite que o árbitro seja passivo e aceite tudo isso. Ele não é empregado das Federações, é um prestador autônomo de serviço. Quanto mais escala, melhor para ele!
Um amigo (que não importa o nome) comentou sabiamente sobre os escândalos de arbitragem mundo afora, onde propinas milionárias são gastas (mais ou menos com essas palavras):
“Aqui, a gente não vê isso; quem sabe no Brasil a corrupção é mais barata, pois ao invés de dinheiro se contentem com mais jogos nas escalas”.
Não acredito em corrupção (até, claro, se prove o contrário). Mas acontece que também não acredito em categoria 100% idônea. Certa vez, ouvi do excepcional Cláudio Carsughi:
“Se Deus não poupou nem a própria Igreja, por que houvera de poupar justamente a categoria dos árbitros de futebol [e seus dirigentes]”.
Enfim: com ou sem sorteio, se o dirigente quiser, pelas inúmeras metodologias, escala quem quer e dentro da lei! O problema é: se tivéssemos bem definidos e gabaritados igualmente árbitros de 1ª, 2ª, 3as divisões, e por aí em diante, nada disso aconteceria.
Qual o problema em se sortear, se teoricamente Ouro é Ouro, 1 é 1, A é A?
Ou não é bem assim?
Se não existe árbitro de nível suficiente para atender as divisões de elite, aí é outro problema… ou isso também não é problema?
É muito cômodo atacar sorteio do que defender a meritocracia em rankings que, ao invés de serem objetivos, são subjetivos e com fórmulas confusas.
Na Administração de Empresas, utilizamos o termo “Destruição Criativa” para repensarmos novos métodos. Entretanto, de nada adianta novas práticas gerenciais se os que atuam não abandonam costumes/hábitos anteriores.
Aliás… tal assunto é tão cansativo que se torna repetitivo, não? O futebol, infelizmente, está tão mal dirigido; os clubes em nível técnico tão baixo; a alegria das arquibancadas tão ameaçada pela violência e intolerância, que, falar de futebol, cansa. E de dirigente, mais ainda!

Li atentamente seu post sobre o sorteio de árbitros, todavia fiquei sem entender sua opinião sobre o sistema.
Está claro que nem todos são iguais em lugar algum. Temos padres bons e padres nem tão bons na atividade. Isto vale para professores de árbitros, médcos, engenheiros, jogadores, dirigentes, escritores, enfim nada é igual, nem mesmo o ser humano.
Por que o dirigente de arbitragem ou o árbitro sempre são taxados de potenciais corruptos?
Pelo que tenho lido, a CBF e a maioria das Federações não recebe dinheiro público e após a constituição brasileira de 1988 as define claramente, bem como permite as consecutivas reeleições. Ou muda a constituição feita por aqueles que foram votados pelo povo brasileiro (eu, vc e os que escrevem aqui e ali) ou continua-se a exigir mudanças.
Ao colocar tantas interrogações, o professor fica em cima do muro.
Por exemplo, sou favoravel ao sorteio por um motivo simples. Eles tem que realizar o mesmo ao vivo e a cores. Aqueles que não o fazem de forma direta tem em seus sites as datas e horários.
Lendo as atas das Federações o sistema está definido. Fui pesquisar os sites das entidades e observei que nos estados da Bahia, Goiás, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Rio Grande do Norte, etc o sistema é o mesmo adotado pela CBF, ou seja, se der uma bolinha par, a coluna correspondente apita. Se der impar, a outra coluna de apitadores é que vai para os jogos.
Em Santa Catarina, São Paulo e Espirito Santo notei que eles fazem jogo por jogo, inclusive, no Espirito Santo a comissão local coloca de 4 a 5 árbitros por partida.
Em SC, o modelo apresenta bolas pretas e vermelhas. Antes do sorteio, o presidente da comissão local que, por sinal, é o ex-juiz Dionizio Roberto Domingues, cuja origem é o estado de SP fala os nomes dos árbitros e outro faz o sorteio. Se der bola preta, o árbitro indicado com esta cor vence.
Lendo o Estatuto do Sorteio, o artigo diz que deve ser feito sorteio (não diz como) entre os pré-selecionados e divulgados antecipadamente.
No site da CBF, os termos trazem o ranking, os pré-selecionados e no último trouxe até uma simulação do ranking para 2012, ao contrário do que ocorre em São Paulo e que vc já comentou em seus posts aqui. Lá também li o regulamento de como se chega a pontuação final e sinceramente não achei complexo.
Fui árbitro de futebol há muitos anos, fiz um curso numa cidade do interior do estado do Paraná. Trabalhei com arbitragem durante anos e gosto muito do assunto. Acompanho os sites do setor (Apito Nacional, Apito do Bicudo, Voz do Apito, o seu blog) e outros que dizem respeito a arbitragem.
É um tema a ser discutido e quero ouvir os que entendem do assunto postanto por aqui, num grande fórum.
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Caro Pedro,
não fiquei em cima do muro: SOU A FAVOR DO SORTEIO, por todas as ponderações que fiz.
Não rotulo a categoria de árbitros ou de dirigentes como corrupta, mas a coloco no mesmo pé de igualdade de qualquer outra, ou seja, utópica em ser imaculada.
O que critico é a falta de regulação da lei. Isso sim é problemática.
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Desculpe o extenso comentário sobre sorteio, mas tenho que completar e dizer que o sistema adotado pela FPF pode ser prejudicial ao árbitro como um todo. O professor que atuou em S Paulo poderia dizer como um árbitro consegue se estabelecer na primeira divisão, ou seja, vamos imaginar o mundo ideal, o que a meritocracia prevalece.
Ele se forma com bons instrutores e SP deve ter.
Atua nas competições menores e SP tem muitas.
Vai sendo promovido e chega na primeira divisão.
Quanto tempo ele leva para se firmar e deixar seu nome conhecido pelas boas atuações?
Quantos jogos é necessário?
Se ele atua em alguns jogos, isto ocorre?
Os mais velhos, pelo sistema adotado acaba sendo preservado ou desmotivado?
É crível que a transparência (isto estou convencido que é) colabore para a arbitragem no futuro, com o método atual?
Muitas perguntas para o Fórum!
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