O ator Edgar Vivar, que viveu o Senhor Barriga no seriado Chaves, tão conhecido entre nós, dá uma entrevista bacana à Veja SP. Duas coisas marcantes: diz que o sucesso é seguir à risca os planejamentos e nunca improvisar; e fala sobre sua preferência no Brasil: ir à churrascarias… (lógico, não?)
ExtraÃdo de: abr.io/senhor-barriga
SENHOR BARRIGA: APRENDI A AMAR O BRASIL COM MEU AVÃ
Por Catarina Cicarelli
Conhecido por viver o Senhor Barriga e seu filho, Nhono, no seriado âChavesâ, Edgar Vivar, 66 anos, vem pela quinta vez ao paÃs como principal atração do #4FunFest!, programado para o dia 18 de setembro, no Carioca Club. No ano em que a série mexicana completa 40 anos, ele promete mostrar imagens e fotos inéditas do programa que pertencem a seu acervo pessoal.
Em entrevista a VEJA SÃO PAULO, ele fala sobre a relação que tem com o Brasil, que começou quando ainda era pequeno por causa de seu avô, e diz o que faria se pudesse se vingar do Seu Madruga, seu eterno inquilino na série exibida pelo SBT e pelo Cartoon Network.
VEJA SÃO PAULO â O senhor já esteve várias vezes no Brasil. O que te faz voltar tanto para cá?
EDGAR VIVAR â Essa será a quinta vez que visito seu paÃs e espero visitá-lo ainda muitas outras vezes. Perguntar por que gosto do Brasil implica recordar a minha infância. Meu avô paterno escreveu um livro de poemas cujo tÃtulo era ‘Saudades’ e, quando eu perguntei o significado dessa palavra [que não existe em espanhol], ele me respondeu algo assim: ‘Você ainda é muito pequeno para compreender, mas, quando eu não estiver mais aqui, certamente entenderá o que significa’. Ele era um homem bom e sábio, estudioso de Machado de Assis.
VEJA SÃO PAULO â Em São Paulo, quais os lugares o senhor mais gostou de conhecer?
EDGAR VIVAR â São Paulo me faz sentir como se estivesse em casa. Gostos dos contrastes. De um lado, vida cultural rica, churrascarias e outras opções gastronômicas e multiétnicas, o lado colonial rico em histórias e os grandes edifÃcios modernos. Do outro, regiões não tão privilegiadas economicamente. Assim como no México.
VEJA SÃO PAULO â Aqui no Brasil a série continua sendo um sucesso. à assim também em outros paÃses?
EDGAR VIVAR â Em maior ou menor escala, o mesmo acontece em todos os lugares em que até hoje os episódios são veiculados. São mais de 25 paÃses.
VEJA SÃO PAULO â Em algum momento, já houve irritação por apenas ser lembrado como o personagem Senhor Barriga?
EDGAR VIVAR â No começo me incomodava, porque eu não tinha ideia da força que a figura do Senhor Barriga possui. Mesmo depois de 40 anos, o programa âChavesâ segue forte e, em alguns lugares, é uma espécie de objeto de culto. Hoje, isso não me incomoda. Talvez fique preocupado no dia em que as pessoas não me chamarem mais assim.
VEJA SÃO PAULO â Como eram os bastidores da série? Vocês se divertiam com as piadas e situações engraçadas?
EDGAR VIVAR â Mesmo o programa se passando em um ambiente descontraÃdo, durante a gravação final nunca improvisamos nenhuma brincadeira ou piada que não tivesse sido ensaiada anteriormente. Acho que isso colaborou com o sucesso do programa.
VEJA SÃO PAULO â Qual foi o episódio da série que mais marcou o senhor?
EDGAR VIVAR â Tenho dois programas favoritos e inesquecÃveis: quando o Senhor Barriga leva o Chaves para passar as férias em Acapulco e um dos programas de Natal.
VEJA SÃO PAULO â Seus personagens sempre sofriam nas brincadeiras da série. O senhor encarava tranquilamente situações cômicas como pancadas e tortas na cara?
EDGAR VIVAR â Acho que sempre existirá um sentimento de compaixão maior pela vÃtima, do que pelo que faz dos outros a sua vÃtima. E isso se aplica no caso do Senhor Barriga, nem tanto no do Nhonho. Todas as vezes que o Senhor Barriga chegava à vizinhança, Chaves o recebia com uma bolada ou algo do tipo. O público começava a rir antes que a própria cena acontecesse. Nunca levei para o lado pessoal.
VEJA SÃO PAULO â Se o senhor pudesse se vingar de todas as encrencas em que o Seu Madruga meteu o seu personagem, o que faria?
EDGAR VIVAR â O obrigaria a trabalhar muito. E estipularia um horário de trabalho em que ele tivesse de acordar muito cedo.
VEJA SÃO PAULO â O que o senhor fez depois de âChavesâ?
EDGAR VIVAR â Busquei me diversificar. Comecei fazendo teatro clássico. Depois, produzi peças e trabalhei em outros projetos de televisão, como âVila Sésamoâ, e no cinema. Tudo isso no México. Depois me mudei para a Argentina, onde também produzi uma minissérie e trabalhei em outra telenovela. Pouco depois fui convidado pelo diretor Guillermo Del Toro para trabalhar em âO Orfanatoâ, rodado na Espanha. Voltei para o México e, recentemente, participei de uma telenovela e de vários filmes que espero que o público brasileiro possa ver.

