– O BOPE como motivador para clubes de Futebol!

 

O Atlético Mineiro, eliminado na Copa Sulamericana ontem, teve como seu motivador um oficial do Batalhão de Operações Especiais da PM-RJ (BOPE). Cuca, treinador do rival Cruzeiro, em seus tempos de Botafogo, chamou um padre para uma palestra motivacional!

 

O que um renomado psicólogo esportivo pensa sobre o assunto?

 

Compartilho texto do brilhante professor João Ricardo Cosac, do CEPPE:

 

ATLÉTICO MINEIRO APELA PARA BOPE MOTIVAR A EQUIPE

 

Amigos, achei que já tivesse visto de tudo em termos de trabalho
motivacional no esporte. Depois que o Cuca chamou um padre para motivar
o Botafogo na época em que dirigia o time carioca, tive a certeza que a
banalização dos aspectos motivacionais estava irremediável e
irreversivelmente concretizada.


Como nesta vida, não há nada de ruim que não possa piorar e o modismo
sempre fala mais alto, o Atlético Mineiro, dirigido pelo treinador
Dorival Junior – à beira do rebaixamento e eliminado da Copa Sul
Americana – convocou um comandante do BOPE (Batalhão de Operações
Policiais Especiais) para ministrar algumas palestras aos atletas.
Prefiro não comentar o resultado desta super operação, uma vez que
palestras motivacionais isoladas e organizadas por outros profissionais
que não sejam formados em Psicologia do Esporte costumam ser desastrosas.


Confesso que fico impressionado com a criatividade ímpar de boa parte
dos dirigentes de futebol. Quando escutei o Samuel Rosa do grupo Skank
comentando o fato, achei que se tratava de uma piada. Até porque, Samuel
é torcedor fanático do Cruzeiro e não perderia a chance de tirar uma
casquinha do rival.


Depois de assistir a entrevista do cantor, fui verificar a notícia e
fiquei perplexo ao constatar que realmente o Galo mineiro está apelando
para este tipo de ação. Para os amigos que estão com a lista em dia –
segue alguns novos profissionais que se valem da crise das equipes para
promover trabalhos isolados, sem base científica e totalmente
desvinculado da Psicologia Esportiva: padres, engenheiros, comandantes
de polícia, animadores culturais, motivadores de plantão, programadores
mentais, pais de santo, ex-atletas de sucesso e vou parando a lista por
aqui para não rasgar o meu diploma.


O Atlético Mineiro – com o futebol que tem demonstrado – pode até
escapar da zona da degola. E se isso ocorrer (anotem), será muito mais
pela ineficiência do Guarani, Avaí e Vitória e menos por conta dos
trabalhos motivacionais apelativos que vem realizando.


A Psicologia do Esporte aplicada ao futebol ainda está muito presa aos
livros. Enquanto não mudar a mentalidade de muita gente por aí, podem
preparar novas listas de motivadores e animadores de auditório. Enquanto
isso, os ares da segunda divisão ficam ouriçados com a possibilidade da
(nova) visita de um grande clube do cenário brasileiro.


O que a torcida do Galo tem a ver com isso?


Nada. Rigorosamente nada.


Psicologia do Esporte: acesse http://www.ceppe.com.br

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