– O “Rodeio das Gordas” e o sentido torto, imbecil e repugnante do ambiente acadêmico.

 

Sempre defendo que as instituições de ensino onde leciono devem incentivar o espírito e ambiente acadêmico. A integração universitária deve ser fundamental para o entrosamento e sucesso dos universitários.

 

Mas o que dizer dos idiotas que ainda insistem em praticar “trotes acadêmicos” a fim de integrar os novatos? Ou ainda o constrangedor episódio ocorrido semana passada na UNESP de Araraquara, chamado de “Rodeio das Gordas”, onde a montaria em cima de alunas obesas era a “brincadeira”?

 

Custa a crer que esses alunos serão a mente pensante da nação…

 

Faço minha as palavras de Ruth de Aquino, na Revista Época dessa semana, Coluna Nossa Antena, de 01 de novembro de 2011, pg 130. Abaixo:

 

O RODEIO DOS IMBECIS

 

Universitários que “montam” à força em colegas gordas, numa competição para ver “qual peão” fica mais tempo sobre as meninas, são o retrato cru de uma sociedade doente e sem noção. O “rodeio das gordas” aconteceu em outubro em jogos oficiais de uma universidade importante, a Unesp, em São Paulo – não em algum rincão remoto. Não envolveu capiau nem analfabeto. Foi a elite brasileira, a que chega à universidade. Estamos no século XXI e assistimos perplexos à globalização da ignorância moral.

 

Mais de 50 rapazes, da Universidade Estadual Paulista, organizaram o ataque às gordas num evento esportivo e cultural com 15 mil universitários. Uma comunidade no Orkut definiu as regras: “Todo peão deve permanecer oito segundos segurando a gorda”; “gordas bandidas são mais valiosas”; “o corpo da gorda tem de ser grande, bem grande”. Os estudantes se aproximavam das meninas como se fossem paquerá-las. Aproveitavam para agarrá-las e montar nelas, e as que mais lutavam contra a agressão eram apelidadas de “gordas bandidas”. Uma referência ao touro Bandido, personagem da novela América. “A cada coice tomado, o peão guerreiro ganha 1 ponto”, anunciava o site de relacionamento.

 

A repercussão assustou os universitários. Roberto Negrini, um dos organizadores do torneio e filho de advogada, chamou tudo de “brincadeira”, mas pediu desculpas à diretoria da Unesp e se disse arrependido. Tentou convencer a todos de que “não houve preconceito”. Sites e blogs foram invadidos por comentários indignados. Mas havia muitos homens aplaudindo “a criatividade” dos estudantes. O internauta Arnaldo César Almeida, de São Paulo, propôs transformar a competição num “esporte olímpico”. Outro, que se identificou como Alexandre, escreveu: “Me divirto vendo esses kibes (sic) humanos dando coice! Vou até instalar uma baleia mecânica para treinar”.

Quem são os pais e as mães desses rapazes? A maior responsabilidade é da família. O que fez ou onde estava quem deveria tê-los educado com valores mínimos de cortesia e respeito ao próximo? Jovens adultos que agem assim foram, de alguma maneira, ignorados por seus pais ou receberam péssimos exemplos em casa e na comunidade onde cresceram.

O “rodeio das gordas”, promovido nos jogos da Unesp, é o retrato de uma sociedade doente

Não foi uma semana edificante. Meninas adolescentes, numa escola paulista em Mogi das Cruzes, trocaram socos. A mais agredida, de 14 anos, disse: “Alguns têm dó, mas outros ficam rindo porque eu apanhei”. Em Brasília, uma estudante usou a lâmina do apontador para navalhar o rosto e o pescoço da colega. No Rio de Janeiro, uma professora foi presa por manter relações sexuais com uma aluna de 13 anos. A loura da Uniban, Geisy Arruda, posou pelada, sem o microvestido rosa-choque, mostrando que tudo acaba na busca de fama e uns trocados.

 

Está na hora de adultos pensarem com cautela se querem colocar um filho no mundo. Se querem cuidar de verdade dessa criança. Ouvir, conversar, beijar, brincar, educar, punir, amparar, dedicar um tempo real para acompanhar seu crescimento, suas dúvidas e inquietações. Descaso, assédio moral e físico contra crianças, brigas entre pai e mãe, separações litigiosas podem levar a tragédias como a que matou a menina Joanna. Submetida a maus-tratos e negligência, Joanna talvez tenha simplesmente desistido de continuar no inferno em que se transformara sua vida aos 5 anos de idade.

 

Não sou moralista. Mas a sociedade mergulhou numa disputa de baixarias. As competições escancaradas na TV aberta, sob a chancela de “entretenimento”, estimulam a humilhação pública e a indignidade humana. Comer pizza de vermes e minhocas vivas, deixar ratos e cobras passear pelo corpo de uma moça de biquíni, resistir a vômitos, como prova de determinação e bravura – isso é exatamente o quê? Expor pessoas ao ridículo, enaltecer o lixo, a escória, em canais abertos a crianças e adolescentes… não seria inaceitável numa sociedade civilizada? Diante de alguns programas televisivos, o “rodeio das gordas” pode parecer brincadeira. Mas não é.

– A Importância ou não de um Quarto Árbitro

 

Amigos, após a participação ousada e inusitada do quarto-árbitro Francisco Neto na partida entre Internacional X Santos (já publicado no blog quanto a sua oportuna ou inoportuna ação em: O MICO DO 4º. ÁRBITRO), surgiu uma polêmica muito grande: o que faz de verdade um quarto-árbitro? Até onde ele é importante? O árbitro precisa mesmo dele?

 

Vamos em 2 tópicos: na teoria e na prática

 

a) NA TEORIA

 

As Regras de Jogo regulam o trabalho do Quarto Árbitro. Embora ele não esteja entre as 17 regras (Regra 5 – o árbitro, Regra 6 – os árbitros assistentes), ele ganhou há anos um capítulo especial: O Quarto Árbitro. Há quase 2 anos, esse capítulo passou a se chamar: O Quarto Árbitro e o Árbitro Assistente Reserva. Há 4 meses, esse mesmo capítulo sofreu alterações e ganhou importância maior. Vamos lá:

 

– O quarto árbitro é o substituto imediato de qualquer um dos outros membros da equipe de arbitragem; exceto se existir um árbitro assistente reserva (o popular 5º. Árbitro); se este existir, torna-se substituo exclusivo do árbitro.

 

– Ele é o ajudante de todos os trabalhos administrativos do árbitro (confecção de súmula, relatórios, comunicações de penalidades, etc)

 

– Será responsável pelos procedimentos de substituições de atletas; é ele quem confere equipamentos e a permissão dos reservas para entrarem em campo, após sinalizar para o árbitro.

 

– O quarto-árbitro é responsável pelo controle da dinâmica de reposição de bolas (trocando em miúdos: se as bolas são repostas a contento, sem cera dos gandulas e se estão localizadas em pontos estratégicos).

 

– O MAIS IMPORTANTE: antes, o texto dizia que era função do quarto-árbitro indicar ao árbitro se adverte errado um jogador, se há confusão na distribuição dos cartões, se ocorre algum lance fora do campo visual do árbitro e dos árbitros assistentes, se há conduta indevida dos atletas substitutos e comissão técnica. Tal texto questionava a existência de limites ou não para o quarto árbitro. Entretanto, a partir de 01 de junho de 2010, após a reunião de 06 de março do mesmo ano, o texto passou a ser: ‘o quarto-árbitro ajudará o árbitro a dirigir o jogo conforme as Regras do Jogo. Entretanto, o árbitro mantém sua autoridade para decidir sobre qualquer fato relacionado ao jogo’. Essa modificação esclareceu que o quarto-árbitro pode informar o árbitro sobre toda e qualquer ocorrência, sem limites para isso; claro, com a decisão final cabendo ao árbitro (acatar ou não a informação).

 

b) NA PRÁTICA

 

Na prática, o quarto-árbitro é aquele que antes do jogo providencia a súmula e, muitas vezes, já entra em litígio com os treinadores (lembram-se de Corinthians X São Paulo, onde Mano Menezes e Muricy Ramalho liberaram a escalação oficial somente dentro do gramado, sem cumprir os 45 minutos de antecedência exigidos pelo regulamento? Tivemos o absurdo de ter 13 jogadores do Corinthians perfilados para cantar o Hino Nacional, a fim de confundir o adversário). É o mesmo quarto-árbitro que tenta organizar o banco de reservas, fazendo com que os treinadores e atletas se comportem adequadamente; é o fiscal dos gandulas, que usualmente são orientados a trabalhar com desempenho diferente, mediante o resultado da partida. É também o quarto-árbitro uma espécie de “dedo-duro”, fofoqueiro, alcagüete do jogo; pois, afinal, é ele quem denuncia as ofensas e xingamentos que extrapolam a boa educação fora das quatro linhas. Vide os treinadores e reservas expulsos – na sua maioria, a expulsão se dá após o árbitro receber o chamado do quarto-árbitro. Por fim, é ele quem deve ficar atento a lances fora do campo visual do árbitro (uma agressão não vista pelo árbitro; a opinião de um lance duvidoso e que ele tenha convicção, etc). Pode ele estar presente em todos os lugares da periferia do campo, embora sua base seja a equidistância dos bancos (não pode ser estático, senão, ao invés de “árbitro”, “vira mesário”). Também não deve irresponsavelmente abandonar a sua posição a qualquer situação, pois, afinal, a sua maior área de atuação é próxima às comissões técnicas.

 

 

Abaixo, elenco alguns lances interessantes envolvendo decisões relevantes dos quarto-árbitros:

 

Copa das Confederações 2009 – Brasil 4 X 3 Egito: quando o jogo estava 3×3, Lucio chutou para o gol e uma mão na bola do zagueiro egípcio tira a bola em cima da linha do gol. Howard Webb, árbitro inglês, não vê a mão e dá escanteio, mas o quarto-árbitro informa pelo rádio que foi mão intencional. “Desmarcou” o escanteio e marcou o pênalti. (nesse jogo, houve polêmica pois acreditava-se que o quarto-árbitro avisou o árbitro após ver a repetição no telão; FIFA alegou que o telão não tinha replay).

 

Copa do Mundo 2006: Final Itália X França – fora do lance de bola, Matterazzi e Zidane discutem. O atento quarto árbitro vê a forte discussão, e quando ia chamar a atenção deles, Zidane cabeceia a barriga do italiano. Ato contínuo, o quarto-árbitro espanhol Medina Cantalejo avisa Horácio Elizondo que sem titubear expulsa o francês.

 

Corinthians X Barueri: Série B 2008- zagueiro Duílio fez falta na meia lua em Herreira, que caiu dentro da área. Pênalti marcado pelo árbitro Domingos de Jesus Viana Filho. Imediatamente o quarto árbitro avisou ao árbitro que tinha certeza que a falta houvera sido fora da área (detalhe: quarto-árbitro paulista). Árbitro crê no quarto-árbitro, volta atrás e marca tiro livre direto (fora da área).

 

Benfica X Vitória de Guimarães: Campeonato Português 2010/11 (há 1 mês, processo em julgamento): O jogador Romeu do Vitória Guimarães agrediu seu adversário fora do lance de jogo. Na primeira paralisação, o quarto árbitro João Ferreira avisa o árbitro Duarte Gomes do ocorrido. Agressor expulso, e protesto da equipe de Guimarães (o clube pede anulação da partida por erro de direito, alegando que o quarto árbitro, antes de informar ao árbitro, tirou suas dúvidas num monitor da TV que transmitia o jogo).

 

Santa Rita X União de Palmares: Campeonato Alagoano da Segunda Divisão: o árbitro Francisco Carlos do Nascimento (Aspirante à FIFA atualmente e que apitará Corinthians X Avaí nesta quarta-feira), encerra a partida após o quarto árbitro denunciar que a equipe mandante, em vantagem no placar e com 7 atletas em campo, estava orientando o goleiro a simular uma contusão (pelo tempo de jogo, se o goleiro contundido não pudesse continuar na partida e com as 3 substituições já realizadas, a equipe sairia de campo vitoriosa). O goleiro cai e o árbitro não espera o tempo de recuperação (que é de direito nesse caso). Ele encerra a partida imediatamente por atitude inconveniente e antidesportiva (o árbitro considerou a relevante informação do quarto árbitro; assim, ao invés do mandante levar os pontos, o adversário, por causa do quarto árbitro, conseguiu a vitória).

 

Coritiba X Santos: Campeonato Brasileiro 2008: o árbitro recém promovido à FIFA na época, Marcelo de Lima Henrique, se dirige ao treinador do Coritiba, Dorival Júnior, que insistia em reclamar veemente de todas as marcações do árbitro. Após uma advertência verbal de Marcelo de L Henrique, o quarto-árbitro (que era paranaense) diz ao árbitro que Dorival havia extrapolado, que o correto era expulsá-lo. O árbitro aceita a sugestão do quarto-árbitro e o expulsa. Curiosidade: no STJD, a testemunha de defesa do técnico Coxa Branca Dorival Júnior era o então treinador do Santos, Cuca (seu adversário naquela partida).

 

Vasco X Flamengo: (Campeonato Brasileiro 2010, dias atrás) PC Gusmão, descontente com a arbitragem de Gutemberg de Paula, faz gestos incitando a torcida do Vasco a pegar no pé do árbitro. O quarto-árbitro flagra, informa o árbitro que expulsa PC Gusmão. O treinador vascaíno insiste que seria impossível o árbitro ver tais incitações, já que deveria estar prestando atenção no jogo.

 

Botafogo X Boa Vista: Campeonato Carioca 2009 – lateral botafoguense Alessandro chuta para o gol, a bola fura a rede e entra no gol. Árbitro e bandeira dão gol. Mas aí vem o quarto-árbitro e alega ter certeza que foi por fora. Após muito tempo paralisado e o árbitro duvidando da informação do quarto-árbitro, o árbitro resolve voltar atrás e confiar na acertada informação. Foi, inclusive, jogo de TV da Globo, que rendeu elogios do Arnaldo César Coelho à atenção do quarto árbitro.

 

Finalizo repetindo a questão: Até onde o quarto-árbitro é importante? O árbitro precisa mesmo dele? Deixe seu comentário:

(você pode acompanhar este e outros textos no Blog do Rafael Porcari no portal da Rede Bom Dia, em: http://blog.redebomdia.com.br/blog/rafaelporcari/comentarios.php?codpost=3947&blog=6&nome_colunista=963)

– Dia de Finados

Ontem foi “Dia de Todos os Santos”. Hoje, “Dia dos Santos Defuntos”.

Veja a origem, extraído do texto do Mons. Arnaldo Beltrami, vigário responsável pela comunicação da Arquiodiocese de SP:

(http://www.velhosamigos.com.br/DatasEspeciais/diafinados.html )

 

ORIGEM DO DIA DE FINADOS

 

O Dia de Finados é o dia da celebração da vida eterna das pessoas queridas que já faleceram. É o Dia do Amor, porque amar é sentir que o outro não morrerá nunca.

É celebrar essa vida eterna que não vai terminar nunca. Pois, a vida cristã é viver em comunhão íntima com Deus, agora e para sempre.

Desde o século 1º, os cristãos rezam pelos falecidos; costumavam visitar os túmulos dos mártires nas catacumbas para rezar pelos que morreram sem martírio. No século 4º, já encontramos a Memória dos Mortos na celebração da missa. Desde o século 5º, a Igreja dedica um dia por ano para rezar por todos os mortos, pelos quais ninguém rezava e dos quais ninguém se lembrava. Desde o século XI, os Papas Silvestre II (1009), João XVIII (1009) e Leão IX (1015) obrigam a comunidade a dedicar um dia por ano aos mortos. Desde o século XIII, esse dia anual por todos os mortos é comemorado no dia 2 de novembro, porque no dia 1º de novembro é a festa de “Todos os Santos”. O Dia de Todos os Santos celebra todos os que morreram em estado de graça e não foram canonizados. O Dia de Todos os Mortos celebra todos os que morreram e não são lembrados na oração.