– Violência se Combate Minando a Pobreza?

Interessante uma recente entrevista do ex-prefeito nova-iorquino Rudolf Giulliani à Revista Veja, páginas amarelas, ed 19/06/09. Nela, Giulliani, que se notabilizou em acabar com a violência em Nova Iorque, declarou que a primeira coisa a fazer era acabar com os moradores de rua. E justifica: se nós temos abrigos, acolhimento e assistência, o que justifica o fato de pessoas quererem viver nas ruas? Ou tem problemas psicológicos, ou são drogados ou querem se esconder neste anonimato.

Sinceramente, não sei se concordo. Mas violência não escolhe renda, embora, tal exemplo, é forte.

– Hipocrisias à parte…

1) Ontem o Cruzeiro jogou a primeira partida na final da Copa Libertadores da América, na Argentina. O São Paulo se recusou, nas Oitavas de Final, de jogar no México devido a Gripe Suína. Na oportunidade, a Conmebol não deu garantias aos brasileiros. Atualmente, a situação no território argentino é pior do que a dos mexicanos na oportunidade. Como a entidade se manifestou agora?

2) Sarney continua intocável. A Petrobrás doou R$ 1,3 milhão à Fundação Sarney, sem investigação do destinatário. Será que há tantos políticos com o rabo preso, que ninguém consegue tirar o homem de lá?

3) Lula apoiou nesta semana Kadaffi, o ditador líbio, alegando que ele aderiu a democracia. Que planeta o homem está vivendo?

4) Anteontem, Michael Jackson foi enterrado (se é que foi) como um herói. Nestes dias, os casos de pedofilia foram todos esquecidos. É a santificação após a morte. Respeito seu trabalho musical, mas não misturemos “alhos com bugalhos”…

5) Véspera de feriado e os usineiros aumentaram significativamente o preço do álcool, alegando que é devido a exportação de açúcar. Mas repare: feriado pós-dia de pagamento, data emendada, o preço estava baixo… Coincidências, não?

6) EUA e Rússia chegaram a um acordo sobre ogivas nucleares. Quer dizer que o  mundo está mais seguro e as armas em destruição em massa serão descartadas, ok?

7) Por fim, o COB alegou que o RJ é mais seguro que Chicago, Madrid e Tóquio. URGENTE: antidopping nesses caras!

– A Intolerância no Futebol: Brasileiros no Exterior

Muito interessante uma série apresentada pela Rádio CBN na semana passada. Nela, se abordou o racismo frente a jogadores de futebol brasileiros.

Os temas foram divididos em:

– A DISCRIMINAÇÃO NO DIA-A-DIA FORA DE CAMPO;

– TORCEDORES NACIONALISTAS;

– RACISMO CONTRA BRASILEIROS;

– PROBLEMAS CAUSADOS POR COSTUMES BRASILEIROS;

– POR DINHEIRO, CALA-SE MESMO SENDO VÍTIMA DE RACISMO.

Em destaque, um atleta que foi atingido por um cacho de bananas na Polônia; outro que foi preso por sambar no seu apartamento. Um depoimento do Zé Elias (ex-Corinthians), alegando que nosso país é visto como terra de “Futebol, Samba e Prostitutas“. Outro atleta aceita a discriminação, pois no exterior ganha dinheiro. Ainda, jogadores brancos discriminados por negros. Por fim, sociólogos debatem: o que o jogador de futebol brasileiro tem feito para ser aceito no exterior?

O acesso para a série está disponível em áudio, no link: http://cbn.globoradio.globo.com/series/PRECONCEITO-A-INTOLERANCIA-NO-FUTEBOL.htm

– Passagem Aérea Gratuíta Só Para Quem Quebra Estádio

Incrível o desrespeito contra o cidadão de bem que paga seus impostos! O Ministro dos Esportes Orlando Silva organizou um forum com líderes de torcidas organizadas, com representantes dos principais pontos do país, e os trouxe de graça, dando hospedagem e passagem aérea!

Eu trabalho em 3 atividades, pago todos os meus impostos e respeito o meu próximo nos estádios de futebol; nunca ganhei passagem aérea para evento educacional algum. Já eles que causam arruaças em praças esportivas..

Nada contra a Organização de Torcidas. Mas os ali presentes são todo conhecidos, principalmente pela polícia. Ao invés de cadeia… Hotel e Avião???

tsts…

– A FIFA e a Manifestação Religiosa no Futebol Brasileiro

No livro das “Regras do Jogo de Futebol”, há uma observação de que estão vetadas manifestações políticas e religiosas em campo, e que o organizador deverá tomar as providências, caso isso aconteça.

 

Basicamente, elas ocorriam nas comemorações de gol, cujo momento de atenção ao marcador era maior, e sua imagem atrelada. Na própria Regra 12 (Infrações…), em “Diretrizes aos Árbitros”,  há um alerta para excessos em comemorações de gol e descaracterização do uniforme. Ora, o fato de tirar a camisa e mostrar “I Love Jesus” é fato para cartão amarelo.

É claro que o espírito da regra não é “caçar” pregadores, mas nortear a ordem. Imagine o patrocinador que paga milhões para aparecer em campo, e na hora do gol, o centroavante artilheiro arranca a camisa e ninguém vê sua publicidade?

 

Considerações a parte, reproduzo 2 textos que ajudam nesse debate: O primeiro, uma matéria da BBC falando sobre o fanatismo religioso dos jogadores de futebol brasileiro, onde ele mostra uma grande indignação aos créditos da vitória a Deus. O segundo, uma matéria informando que a FIFA solicita ao Brasil cautela nessas comemorações, pois a Federação Dinamarquesa não gostou do proselitismo proporcionado pelos brazucas em campo.

Claro, dentro de uma democracia, temos que respeitar a convicção religiosa de todos. Mas o amigo leitor há de concordar com algo indiscutível: se os dois times rezam pela vitória, como Deus atenderá as preces de ambos?

Já lembraria a sabedoria popular de um velho pensamento já batido: “se macumba ganhasse jogo (Macumbaria também é prática religiosa), o Ba-Vi na Bahia sempre terminaria empatado.”

Abaixo, os dois links:

1-(texto em vermelho) -BBC (campo como templo religioso): TÍTULO: DIVINO FUTEBOL: http://www.bbc.co.uk/blogs/portuguese/2009/06/religiao.shtml

2- (texto em azul) -IG/FIFA (Dinamarca reclama e FIFA pede atenção): TÍTULO : FIFA REPREENDE COMEMORAÇÃO RELIGIOSA DO BRASIL: http://esporte.ig.com.br/futebol/2009/07/01/fifa+repreende+comemoracao+religiosa+do+brasil+na+africa+7068924.html

1- DIVINO FUTEBOL

A conquista da terceira Copa das Confederações pela seleção brasileira foi intensamente comemorada pelos jogadores e comissão técnica. Afinal, o título veio com uma vitória de virada, conquistada com muita determinação por um time que se por um lado não tem o brilhantismo de outras seleções brasileiras, por outro mostra espírito coletivo e grande união.

A vitória do Brasil sobre o esforçado time dos Estados Unidos era esperada e portanto não chegou a surpreender.  

Os comentaristas da BBC que acompanharam a final também não estavam preparados para a reza coletiva, com todos ajoelhados, de mãos dadas, num círculo feito em pleno gramado que incluiu até a comissão técnica. 

Num lugar como a Grã-Bretanha, onde o povo está acostumado a conviver respeitosamente com diferentes religiões, surpreende o fato de atletas usarem a combinação entre um veículo de grande penetração como a televisão e a enorme capacidade de marketing da seleção brasileira, para divulgar mensagens ligadas a crenças, seitas ou religiões.

Se arriscam a serem confundidos com emissários de pregadores dispostos a aumentar o número de ovelhas de seus rebanhos às custas do escrete canarinho, como emissários evangélicos em missão.

Para os críticos deste tipo de atitude, isso soa oportunismo inadequado e surpreende ver que a Fifa não se opõe a que jogadores se descubram do “manto sagrado” que os consagrou para exibir suas preferências religiosas.

Será que a tolerância da entidade teria sido a mesma se ao final do jogo algum jogador mostrasse uma camiseta dizendo “Eu não acredito em Deus” ? Ou se outro fosse um pouco além e gravasse no peito algo como “Essa vitória foi obtida graças ao esforço dos jogadores sem nenhuma interferência divina ou sobrenatural”?

É comum ver atletas fazendo sinal da cruz ao entrar em campo, beijando anéis, medalhas de santos, cruzes e patuás que trazem pendurados em cordões e apontando aos céus como a agradecer pelo gol marcado. Ninguém tem nada a ver com manifestações individuais. Mas uma manifestação coletiva, explícita e organizada como um ritual religioso pode dar margem a críticas ao ser associada a um bem público, a uma instituição tão democrática como a seleção brasileira.

A religiosidade de cada um seja ela qual for merece respeito, da mesma forma como merece ser respeitada a falta de religiosidade daqueles que assim optaram a seguir a vida.
Se a moda pega, a Fifa corre o risco de ter a Copa do Mundo do ano que vem cheia de manifestações religiosas, com missas, cultos e pregações diversas após cada partida.

O povo merece continuar torcendo pelo futebol de sua seleção, independente da reza, sessão espírita, ponto, ritual de sacrifício, sermão ou pregação.

Afinal, futebol é bola na rede, o resto é conversa.

2- FIFA REPREENDE COMEMORAÇÃO RELIGIOSA DO BRASIL NA ÁFRICA

Queixa é de que a seleção brasileira estaria usando o futebol como palco para a religião; entidade pede moderação aos jogadores

RIO DE JANEIRO – A comemoração do Brasil pelo título da Copa das Confederações, na África do Sul, e o comportamento dos jogadores após a vitória sobre os Estados Unidos causaram polêmica na Europa. A queixa é de que a seleção estaria usando o futebol como palco para a religião.

A Fifa confirmou à Agência Estado que mandou um alerta à CBF pedindo moderação na atitude dos jogadores mais religiosos, mas indicou que por enquanto não puniria os atletas, já que a manifestação ocorreu após o apito final.

Ao final do jogo contra os EUA, os jogadores da seleção brasileira fizeram uma roda no centro do campo e rezaram. A Associação Dinamarquesa de Futebol é uma das que não estão satisfeitas com a Fifa e quer posição mais firme. Pede punições para evitar que isso volte a ocorrer.

Com centenas de jogadores africanos, vários países europeus temem que a falta de uma punição por parte da Fifa abra caminho para extremismos religiosos e que o comportamento dos brasileiros seja repetido por muçulmanos que estão em vários clubes da Europa. Tanto a Fifa quanto os europeus concordam que não querem que o futebol se transforme em um palco para disputas religiosas, um tema sensível em várias partes do mundo. Mas, por enquanto, a Fifa não ousa punir o Brasil.

A religião não tem lugar no futebol“, afirmou Jim Stjerne Hansen, diretor da Associação Dinamarquesa. Para ele, a oração promovida pelos brasileiros em campo foi “exagerada”. “Misturar religião e esporte daquela maneira foi quase criar um evento religioso em si. Da mesma forma que não podemos deixar a política entrar no futebol, a religião também precisa ficar fora“, disse o dirigente ao jornal Politiken, da Dinamarca. À Agência Estado, a entidade confirmou que espera que a Fifa tome “providências” e que busca apoio de outras associações.

As regras da Fifa de fato impedem mensagens políticas ou religiosas em campo. A entidade prevê punições em casos de descumprimento. Por enquanto, a Fifa não tomou nenhuma decisão e insiste que a manifestação religiosa apenas ocorreu após a partida. Essa não é a primeira vez que o tema causa polêmica. Ao fim da Copa do Mundo de 2002, a comemoração do pentacampeonato brasileiro foi repleta de mensagens religiosas.

A Fifa mostrou seu desagrado na época. Mas disse que não teria como impedir a equipe que acabara de se sagrar campeã do mundo de comemorar à sua maneira. A entidade diz que está “monitorando” a situação. E confirma que “alertou a CBF sobre os procedimentos relevantes sobre o assunto”. A Fifa alega que, no caso da final da Copa das Confederações, o ato dos brasileiros de se reunir para rezar ocorreu só após o apito final. E as leis apenas falam da situação em jogo. 

 

 

Após tantas considerações, gostaria da sua argumentação sobre o difícil tema: O que você pensa da mistura “Religião X Futebol”?

 

– Bye Bye, Bagdá

Hoje se inicia a primeira ação de retirada das tropas americanas no Iraque. Os soldados deixarão de patrulhar as ruas e apenas se manterão em bases militares.

Muda algo?

Paz não é o fim de uma guerra simplesmente. É muito mais. É a convivência harmônica e respeitável. Não adianta alardear que há paz, se nas ruas ainda se enxerga o ódio. Isso não é paz, é trégua.

– Os Reféns da Tecnologia

Compartilho interessante material sobre a tecnologia e o seu uso no dia-a-dia. O tema nos convida à seguinte reflexão: Somos escravos da Tecnologia?

É claro que falamos da tecnologia moderna. Todos nós nos tornamos dependentes dela, e as vezes queremos fugir totalmente dessa servidão ocasionada pelas máquinas. Mas isso é possível? Quanto tempo conseguimos ficar longe dos equipamentos com tecnologia de ponta?

O grau de dependência varia para cada indivíduo. E o seu, qual é?

Extraído de: http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EMI79096-15224,00-ESTAMOS+FICANDO+ESCRAVOS+DAS+MAQUINAS.html

ESTAMOS FICANDO ESCRAVOS DAS MÁQUINAS?

Os aparelhos modernos facilitam tanto nossa vida que rapidamente se tornam indispensáveis. Como o avanço tecnológico está alterando nosso comportamento e nosso modo de raciocinar

A mente humana possui uma capacidade prodigiosa de memorização. Dizia-se que Matteo Ricci, um jesuíta italiano que viveu na China no século XVI, sabia de cor o texto de 150 livros. Dois milênios antes, os bardos gregos se valiam da memória para transmitir de pai a filho os 15.693 versos da Ilíada, poema posto no pergaminho 400 anos após a morte de seu lendário autor, Homero. A educação dos cidadãos incluía o exercício de decorar os textos homéricos. Hoje, isso parece uma capacidade tão prodigiosa quanto inútil. Afinal, os livros estão aí, nas bibliotecas (ou na internet). Basta consultá-los. No mundo atual, prezamos mais o raciocínio que a decoreba – um termo pejorativo que não à toa é aplicado ao processo de memorização.

Transformações similares a essa estão acontecendo agora, no século XXI: a tecnologia, mais uma vez, está mudando nossa forma de pensar. Um exemplo é o GPS, o sistema de localização por satélite. Tóquio, a maior cidade do mundo, tem dezenas de milhares de ruas e avenidas, a maioria delas sem nome. As casas e os edifícios têm numeração, mas ela é aleatória, ou melhor, histórica: a casa mais antiga da rua em geral é a número 1, não importa em que altura esteja. A habilidade de localizar-se na cidade assombra os estrangeiros – e concede status especial a carteiros e taxistas.

Os candidatos a taxista, assim como em Londres, devem passar por um teste dificílimo para provar que sabem de cor o mapa da cidade. Isso exige anos de treinamento e memorização. Há alguns anos, depois do advento do GPS, a prova passou a aferir também se o candidato sabe usar o aparelho. O GPS tornou-se um equipamento-padrão nas frotas de táxi. Mas os motoristas mais velhos pouco o usam. Eles mantêm a malha viária viva na memória.

Os taxistas mais jovens recorrem bem mais ao aparelho. Ainda decoram o mapa da cidade, mas provavelmente começam a esquecê-lo assim que são aprovados no exame. O GPS representa um óbvio avanço para o cotidiano dos japoneses. O curioso é como um sistema inexistente há poucos anos caminha rapidamente para se tornar imprescindível.

Algo parecido aconteceu nos últimos meses em São Paulo. Acostumados às facilidades da internet para pesquisar serviços, trabalhar, conversar com amigos ou informar-se, centenas de milhares de clientes do serviço Speedy de banda larga da Telefônica sentiram-se frustrados com as constantes quedas do sistema. O mesmo tipo de sentimento nos assalta quando um vírus invade o computador, o celular perde a conexão ou o carro quebra.

Os mais afetados pela súbita privação da tecnologia são, em geral, os mais jovens. Eles nasceram imersos num mundo digital – e são mais dependentes dele. Segundo uma pesquisa feita em 2009, em Hong Kong, com 1.800 jovens de 18 a 25 anos, um em cada sete diz não ver sentido na vida sem a internet.

“Angústia, ansiedade e perda de concentração são sintomas da síndrome de abstinência em qualquer dependência. Não é diferente com a tecnologia”, diz a pesquisadora russa Nada Kakabadse, da Faculdade de Administração de Northampton, na Inglaterra, especializada em dependência tecnológica. “A tecnologia deveria ser uma ferramenta. Virou uma sobrecarga,” diz Kakabadse. “É a dependência da tecnologia portátil, que se leva consigo ao cinema, ao teatro, a um jantar e praticamente para a cama.

Há jovens que passam 16 horas por dia no videogame. Eles não se exercitam, comem mal, estão ficando doentes”, afirma. “A cultura do trabalho 24 horas por dia, sete dias por semana, também está ligada às novas possibilidades tecnológicas.” Kakabadse acredita que nossa entrega à tecnologia terá consequências. “A capacidade de julgamento é afetada. A tomada de decisões fica comprometida”, diz. “Em 20 anos, haverá leis restringindo o uso abusivo de eletrônicos, como ocorre com o tabaco e as drogas.”

Essa previsão parece exagerada. Mas já há, hoje, gente preocupada com nossa dependência tecnológica. Como sabe qualquer pessoa que tenha celular com agenda eletrônica, a espécie humana está perdendo a capacidade de decorar telefones – até o da própria casa. “Talvez o único meio de evitar os efeitos nocivos da dependência tecnológica seja conservar habilidades que não dependam do computador”, diz o historiador da tecnologia Edward Tenner, da Universidade Princeton, nos Estados Unidos. Ele prega o uso do telefone, de vez em quando, no lugar do e-mail, ou fazer cálculos com lápis e papel, em vez de usar a calculadora.

Há gente mais radical. Em Vauban, um subúrbio de Freiburg, na Alemanha, a maioria dos 5.500 moradores largou o automóvel. O subúrbio não tem vagas para estacionar. Os 30% de moradores que têm carros são obrigados a deixá-los numa garagem perto da estação de trem. Cada vaga custa US$ 40 mil. Para fazer viagens, os moradores alugam carros comunitários. O abandono do mundo sobre quatro rodas nem sempre é fácil. “Algumas pessoas se mudam para cá e desistem rápido – sentem falta do carro”, diz Heidrun Walter, uma moradora. Vauban é a experiência mais avançada de um bairro “car free” na Europa. Trata-se de uma medida contra as emissões de poluentes que provocam o efeito estufa.

O mesmo motivo – tentar salvar o planeta do aquecimento global – inspirou um sacrifício ainda maior: desligar a geladeira. Foi o que fez a canadense Rachel Muston, representante de uma parcela ínfima, porém crescente, da população dos países ricos. “Estamos bem sem a geladeira,” disse Rachel ao jornal The New York Times. “Quando estava ligada, comprávamos muita comida pronta.” Hoje, Rachel vai mais ao mercado, compra quantidades menores e cozinha mais. Em outras palavras, gasta mais gasolina e descarta mais embalagens, o que torna discutível sua contribuição para conter o aquecimento global. Mas isso é outra história. O que chama a atenção, em pessoas como Rachel ou em subúrbios como Vauban, é a resistência à tecnologia, a tentativa de voltar a um estágio em que éramos mais “puros”, talvez mais humanos. O mais célebre desses movimentos foi dos luditas, no início do século XIX. Inconformados com o desemprego trazido pelas máquinas da Revolução Industrial, eles pregavam (muitas vezes com uso da violência) a volta ao sistema artesanal.

“Acho que as pessoas antitecnologia subestimam a capacidade do cérebro de se adaptar a novos desafios”, diz o neurocientista suíço Fred Mast, da Universidade de Lausanne. “Estudos mostram que o uso intensivo da tecnologia pode levar à melhora das habilidades cognitivas, pelo processamento de mais informações ao mesmo tempo.” Talvez percamos algumas habilidades, mas ganharemos outras. E, provavelmente, nossa vida ficará mais fácil. A não ser quando houver uma pane na internet.

– A Diversidade Religiosa dos Jovens Brasileiros

Muito interessante a matéria de capa da Revista Época, na sua última edição (por Nelito Fernandes), intitulada “Deus é Pop”. Nela, é traçado um perfil do jovem brasileiro e sua religiosidade. Questionados pelo IBGE sobre: “Qual é a sua religião?, o instituto obteve 35.000 respostas. A reportagem ainda destaca o crescimento de jovens de comunidades independentes de uma igreja, dos jovens da Igreja Bola de Neve, e dos movimentos católicos.

Extraído de: http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EMI77084-15228-3,00-DEUS+E+POP.html

Deus é pop

Como os jovens brasileiros – que estão entre os mais religiosos do mundo – expressam sua fé em novos ritos, novas igrejas e até na internet

Com mais de 20 tatuagens estampadas no corpo, dois piercings no nariz e um alargador de orelha, a paulistana Fernanda Soares Mariana, de 19 anos, parece estar montada para um show de rock. Apenas a Bíblia que ela carrega nos braços sugere outro destino. E Fernanda, a despeito do visual, está pronta mesmo é para encontrar Jesus. “A igreja não pode julgar. Ela tem de estar lá para transformar sua vida, e não sua aparência”, afirma. A igreja que Fernanda escolheu não a julga pelo figurino. Numa noite de domingo, no templo da Bola de Neve Church do Rio de Janeiro, o que se vê são fiéis vestindo bermudas e camisetas com estampas de surfe. Boa parte exibe tatuagens como as de Fernanda. No altar, uma banda toca música gospel, enquanto a vocalista grita o refrão “Jesus é meu Senhor, sem Ele nada sou”. Na plateia, cerca de 300 pessoas acompanham o show em catarse, balançando fervorosamente ao som da música. A diaconisa Julia Braz, de 18 anos, sobe ao palco de cabelo escovado e roupa fashion. Põe a Bíblia sobre uma prancha de surfe no púlpito e anuncia: “O evangelismo tá bombando!”. Amém.

Cultos voltados para os jovens, como a igreja da Bola de Neve, revelam um fenômeno: mostram que o jovem brasileiro busca formas inovadoras de expressar sua religiosidade. Em 1882, o filósofo alemão Friedrich Nietzsche assinou a certidão de óbito divina com a célebre afirmativa: “Deus está morto”. Para ele, os homens não precisariam mais viver a ilusão do sobrenatural. Nietzsche não foi o único. O anacronismo da fé religiosa era uma premissa do socialismo. “A religião é o ópio do povo” está entre as frases mais conhecidas de Karl Marx. Para Sigmund Freud, a necessidade que o homem tem de religião decorreria de incapacidade de conceber um mundo sem pais – daí a invenção de um Deus. A influência de Marx e de Freud no pensamento do século XX afastou gerações de jovens da fé. Mas a derrocada do socialismo e as críticas à psicanálise freudiana parecem ter deixado espaço para a religiosidade se manifestar, sobretudo entre os jovens. “Aquilo que muitos acreditavam que destruiria a religião – a tecnologia, a ciência, a democracia, a razão e os mercados –, tudo isso está se combinando para fazê-la ficar mais forte”, escreveram John Micklethwait e Adrian Wooldridge, ambos jornalistas da revista britânica The Economist, no livro God is back. Para os jovens, como diz o título do livro, Deus está de volta. Ou, nas palavras da diaconisa Julia, “está bombando”.

Uma pesquisa inédita do instituto alemão Bertelsmann Stifung, realizada em 21 países, revela que esse renascimento da religião está mais presente no Brasil que na maioria dos países. O estudo mostra que o jovem brasileiro é o terceiro mais religioso do mundo, atrás apenas dos nigerianos e dos guatemaltecos. Segundo a pesquisa, 95% dos brasileiros entre 18 e 29 anos se dizem religiosos e 65% afirmam que são “profundamente religiosos”. Noventa por cento afirmam acreditar em Deus. Milhões de jovens recorrem à internet para resolver seus problemas espirituais. Na rede de computadores, a diversidade de crenças se propaga como vírus. “Na minha geração só sabia o que era budismo quem viajava para o exterior”, diz a antropóloga Regina Novaes, da Universidade de São Paulo e ex-presidente do Conselho Nacional de Juventude. “Hoje, com a internet, o jovem conversa com todo o mundo e conhece novas religiões. A internet virou um templo.” Mais talvez do que isso, ela se converteu no veículo ideal de uma religião contemporânea e desregulada, que pode ser exercida coletivamente sem sair de casa e sem submeter-se a qualquer disciplina.

Até o século XIX, o Brasil tinha uma religião oficial: a católica. Quem não era católico não podia trabalhar para o Estado. Os outros cultos eram permitidos, mas desde que não fossem praticados dentro de edificações cuja arquitetura lembrasse uma igreja. Hoje, quase metade dos jovens brasileiros diz professar outras religiões – e essa talvez seja uma das características mais marcantes da nova religiosidade do jovem brasileiro. “É um salto muito grande, em muito pouco tempo”, diz o antropólogo Roberto DaMatta. Parte da explicação para a transformação de uma sociedade baseada numa só fé para a era das múltiplas escolhas está na disposição do jovem para experimentar. Ele pode aderir a seitas exóticas, viver aquele momento e depois voltar para a tradição sem grandes dilemas. “O jovem não decide ser católico só para seguir a religião dos pais. Ele quer distância disso”, diz o teólogo Rubem Alves.

A experiência de Alves com jovens mostra que eles querem seguir os próprios caminhos. Os jovens, diz ele, adotam religiões minoritárias por achar que estão vivendo uma grande missão: querem mostrar ao mundo que, apesar da pouca idade, já encontraram sua “verdade”. Seria quase um ato de afirmação juvenil. Na religião, como na política e nos costumes, há rebeldia. Assim como os pais religiosos já não transmitem sua crença aos filhos, os pais ateus também não influenciam os filhos a adotar o ateísmo. Uma pesquisa feita com famílias do Rio de Janeiro revela que 60% dos filhos de pais ateus acreditam em Deus e adotam alguma religião. Alguns, motivados por questões íntimas, empreendem verdadeiras peregrinações em busca de respostas a suas inquietações.

Tome a história do ator Gabriel Anésio, de 19 anos. Ele já foi evangélico, católico e frequentou terreiros de umbanda. Gabriel dava aulas de teatro para crianças numa igreja católica quando disse a um padre que era gay. Foi aconselhado a esconder sua condição. Não concordou e procurou uma igreja evangélica. Lá, foi encaminhado para uma “corrente de libertação”, uma espécie de workshop para “curar” os gays. Também não funcionou. Ele então recorreu ao candomblé. Procurou uma pombajira com um pedido: queria deixar de ser gay. A entidade teria respondido o seguinte: “Pede outra coisa, porque isso aí não vai ter jeito não, meu filho”. Hoje, Gabriel frequenta a Igreja Cristã Contemporânea, na Lapa, reduto de travestis no Rio. Fundada pelo pastor Marcos Gladstone, também saído de uma igreja que não aceitava homossexuais, a Contemporânea virou um refúgio para jovens gays que querem ser evangélicos, mas não são acolhidos noutros lugares. “O amor de Deus é para todos, sem discriminação”, diz o pastor Gladstone. Na Contemporânea, 80% dos fiéis têm menos de 30 anos. O comerciário Estevam Januário, de 20, está entre eles. Ele conta que era obreiro da Igreja Universal, mas teve de sair de lá depois que os amigos passaram a insistir em lhe arrumar um casamento. “Para eles, ser gay é errado. Eu não posso escolher minha opção sexual, mas a religião eu posso”, diz Estevam.

É entre os evangélicos que surgem mais propostas de igrejas flexíveis. Eles têm igrejas para metaleiros, para garotas de programa e até para lutadores de jiu-jítsu. Em Fortaleza, a Igreja Evangélica Congregacional abriga um núcleo chamado “Lutadores de Cristo”. Cerca de 80 jovens rezam, assistem à pregação do pastor e depois sobem no tatame para trocar socos e pontapés. Por fim, dão as mãos e cantam juntos o louvor. “Pregamos o Evangelho para jovens que jamais entrariam numa igreja. Ninguém aqui se envolveu em briga na rua”, diz o coordenador do projeto, lutador e pastor Elder Pinto. “Aqui pregamos a paz.”

Em Minas, desde 1992 existe a Caverna de Adulão, que não usa o termo “evangélico” e se autodenomina uma “comunidade cristã alternativa”. Assim como a Bola de Neve, ela recebe metaleiros, jovens tatuados e com piercing na língua, além de promover shows de heavy metal. “Enquanto os pastores falam que rock pesado é do diabo, aqui mostramos que ele é de Deus”, diz o pastor Geraldo Luiz da Silva. “As igrejas aceitam esses jovens, mas têm a expectativa de que eles mudem e troquem a jaqueta de couro pela camisa social de manga comprida. Aqui, não é assim.”

A capacidade de se adaptar ao espírito do tempo para responder aos anseios dos jovens parece ser um trunfo dos evangélicos – que, em termos estatísticos, avançam sobre as demais religiões no Brasil. “Sem dúvida, um dos principais fatores que explicam a explosão evangélica no país é essa característica de se ajustar aos valores da sociedade. O neopentecostal aceita coisas que eram impossíveis há três décadas”, diz a antropóloga Cristina Vital, do Instituto de Estudos da Religião, do Rio de Janeiro. Cristina lembra que o catolicismo também passa por uma transformação, muito menos radical. “Temos a renovação carismática, os padres cantores, algo que também não se via.”

Embora exista uma tentativa de fazer frente ao apelo pop dos evangélicos, a imagem da Igreja Católica parece velha para boa parte dos jovens. Quando um bispo tenta impedir que uma menina de apenas 9 anos possa fazer aborto após ter sido estuprada, contrariando uma garantia legal e uma recomendação médica, ele contribui indiretamente para afastar do catolicismo até jovens fervorosos. A assistente social Renata Carvalho da Silva, de 28 anos, foi secretária estadual da Pastoral da Juventude de São Paulo. Renata trabalhava pela formação de jovens. Quando coordenou um serviço de mulheres vítimas de violência em Guaianases, na Zona Leste, deparou com o que lhe pareceu uma contradição do catolicismo: “Os argumentos em defesa da vida são contraditórios. Se você tem relações sexuais sem camisinha corre risco. Que defesa da vida é essa?”. Renata acabou se afastando do dia a dia da igreja. “Continuo católica, minha fé não mudou, mas quase não vou mais às missas. A fé não depende da Igreja para existir”, diz ela.

A socióloga Dulce Xavier, do grupo Católicas pelo Direito de Decidir, diz que as posições intransigentes da Igreja afastam os jovens. “A Igreja Católica está parada no tempo na questão das liberdades individuais. O jovem é contestador, não aceita isso”, diz Dulce. O teólogo Fernando Altmeyer, professor da PUC de São Paulo, diz que a igreja acredita e quer, sim, que seus fiéis sigam os preceitos. Ele diz que o papa Bento XVI tem seguido uma linha coerente: prefere um cristianismo de qualidade, mesmo que minoritário. “Essa tem sido uma discussão na Igreja ao longo dos séculos. Até agora, tem prevalecido que Igreja não vai barganhar seus valores em busca de popularidade”, diz Altmeyer. “Questões como a defesa da vida e o sexo com amor, para reprodução, são eternas.” Altmeyer acredita que o jovem tem dificuldade de seguir os preceitos religiosos por fatores que vão além da rigidez. Para ele, o grande desafio dos católicos é contextualizar seus valores e explicá-los aos jovens de uma forma que eles entendam. “Embora o tema seja o mesmo, o discurso não pode ser”, afirma.

Um sinal da dificuldade da Igreja Católica – e não só dela – em atrair os fiéis jovens é dado por uma característica intrigante dessa nova religiosidade. “Comparado a outras sociedades, o Brasil tem um grande número de jovens que se dizem religiosos, mas a intensidade com que eles vivem a religião é menor que a dos mais velhos”, diz Matthias Jäger, diretor do instituto alemão Bertelsmann Stifung. Quando a pesquisa feita pelo instituto perguntou sobre a prática da fé, somente 35% dos jovens brasileiros disseram viver de acordo com os preceitos religiosos. Esse porcentual foi de 84% na Nigéria, de 53% em Israel e de 52% na Itália. O índice brasileiro de coerência religiosa é, portanto, dos mais baixos.

Há uma explicação para isso? “O jovem tem fé, mas não aceita o pacote pronto institucional”, diz a antropóloga Regina Novaes. Para seu estudo Os jovens sem religião, Regina levantou com o IBGE um dado revelador. Segundo ela, no Censo de 2000 houve 35 mil respostas diferentes para a pergunta “Qual é a sua religião?”. Em 2010, o número poderá ser ainda maior. “A religião, para o jovem brasileiro, é mais declarada do que vivida”, diz Regina. Seria essa uma forma de dizer que os jovens são religiosos apenas da boca para fora? Ou seria o caso de afirmar que as práticas religiosas, tal como se apresentam, não correspondem às necessidades deles? Um bom exemplo dessa ambiguidade é Rafael Lins, de 19 anos, o criador da comunidade “Mais Deus, menos religião”, que reúne 6.200 participantes na rede de relacionamentos Orkut. “Não vou a igreja nenhuma, porque não concordo com muitas coisas que são ditas lá”, afirma. Filho de pais evangélicos, Rafael não seguiu a crença deles. “Não preciso estar em algum lugar para ficar junto de Deus.” Uma coisa, porém, seu caso deixa clara: os jovens brasileiros parecem ter deixado de lado as fés mais populares no século passado – na revolução socialista, na libertação dos desejos ou na certeza científica – para acreditar naquilo que julgam ser seu verdadeiro Deus.

– Os Boçais do Futebol

Se você também se preocupa com a paz no futebol e lamenta a presença de gangues travestidas de “torcedores” nos estádios, aqui vai um Raio X das Torcidas Organizadas, publicada na Revista Veja, em seu suplemento “Veja SP” desta semana. É assustador!

Extraído de: http://vejasaopaulo.abril.com.br/revista/vejasp/2117.html

MARGINAIS DA ARQUIBANCADA

Por Fábio Soares, Filipe Vilicic e Sara Duarte

O clima nos estádios paulistanos costuma ser de tensão. Muitas vezes sem darem a mínima ao que acontece no gramado, hordas de torcedores organizados trocam xingamentos e ameaças. É uma violência que afugenta das partidas as pessoas que simplesmente gostam de futebol e hoje têm medo – totalmente justificado – de se aproximar do Morumbi, do Pacaembu ou do Parque Antártica em dias de jogo. Quando as quadrilhas uniformizadas se encontram na rua, é grande o risco de uma batalha com consequências imprevisíveis. Foi o caso das arruaças entre vascaínos e corintianos no último dia 3. Por volta das 21h30, um comboio de quinze ônibus com seguidores do Vasco encontrou, na Marginal Tietê, um ônibus e ao menos quatro carros com cerca de sessenta membros do Movimento Rua São Jorge, dissidência da corintiana Gaviões da Fiel. A escolta policial que acompanhava o grupo carioca, com vinte motos e duas viaturas, não foi suficiente para conter os ânimos. Durante quinze minutos, os dois bandos se digladiaram, armados de paus, pedras e barras de ferro, além de ao menos uma espingarda calibre 12 e uma pistola automática. O corintiano Clayton de Souza, de 27 anos, foi espancado até a morte. 

“Há fortes indícios de que a São Jorge tentou armar uma emboscada”, afirma a delegada Margarette Barreto, titular da Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi). De acordo com a Polícia Militar, 450 pessoas se envolveram no tumulto. O Ministério Público Estadual fala em 700. “Não armamos a briga”, defende-se o empreiteiro Douglas Deungaro, conhecido como Metaleiro, ex-presidente da Gaviões e o principal líder da São Jorge. “Se quiséssemos fazer algo do tipo, teríamos reunido mais torcedores, em vez de mandar só um pequeno grupo para apanhar.” Em represália à morte de Souza, dois rapazes incendiaram com um coquetel molotov um ônibus vazio da torcida vascaína que estava estacionado no entorno do Estádio do Pacaembu. A polícia deteve 27 corintianos. Desses, dezenove foram indiciados. Todos acabaram liberados e estão livres para aterrorizar as próximas partidas do Timão. “A falta de punição encoraja esses indivíduos”, afirma o promotor Paulo Castilho, idealizador de um projeto de lei que tem como objetivo criminalizar atos de violência dos torcedores.

Investigações do Decradi mostram que os líderes das torcidas usam olheiros para monitorar onde estão os veículos rivais e então planejar ataques. “O criminoso se sente protegido em meio ao seu bando, pela sensação de anonimato”, explica o coronel da reserva Marcos Marinho de Moura, que desde 2006 tenta organizar um cadastro com os nomes e fotos de todos os membros das torcidas organizadas para a Federação Paulista de Futebol. Não tratar os marginais como tais é o principal estopim das brigas. Restringir o consumo de álcool nas redondezas dos estádios e criar uma polícia específica para agir em eventos esportivos, além de manter preso e banido dos estádios quem se mete em confusão, são algumas das soluções apontadas por especialistas ouvidos por VEJA SÃO PAULO (confira no quadro).

Nem sempre as torcidas foram sinônimo de baderna. De acordo com a pesquisadora Tarcyanie Cajueiro, autora de uma dissertação de mestrado sobre o assunto, as primeiras torcidas organizadas do estado, com sedes fixas e grande número de integrantes, foram a Gaviões da Fiel e a Torcida Jovem do Santos, ambas fundadas em 1969. Em 1971, surgiu a Camisa 12, também do Corinthians. No ano seguinte vieram a Torcida Tricolor Independente, do São Paulo, e a Leões da Fabulosa, da Portuguesa. “Muitos iam ao estádio torcer, mas os líderes, só para brigar mesmo”, conta o coronel da reserva Silvio Villar Dias, autor do estudo “Atos violentos derivados de praças desportivas”. Um dos confrontos mais marcantes ocorreu em um jogo entre Santos e Portuguesa, no Canindé, em 1978. “O estádio estava em reforma e os torcedores pegaram paus e pedras para se enfrentar”, lembra o jornalista esportivo Paulo Vinicius Coelho, o PVC. Atualmente, existem treze organizadas de expressão dos quatro principais times da capital (Corinthians, Palmeiras, Portuguesa e São Paulo), que reúnem mais de 200 000 membros.

Nos anos 80, a violência aumentou, em grande parte devido à inspiração nos hooligans ingleses. Foi a época em que as torcidas começaram a armar confusão a caminho dos estádios. O primeiro confronto com morte data de outubro de 1988. Cleo Sóstenes, então presidente da palmeirense Mancha Verde, foi assassinado a tiros próximo à sede de sua torcida. Quatro anos depois, uma bomba de fabricação caseira matou o corintiano Rodrigo de Gásperi, de 13 anos, no Estádio Nicolau Alayon, do Nacional Atlético Clube, durante uma partida entre São Paulo e Corinthians. Em agosto de 1995, outro adolescente, o são-paulino Márcio Gasparin da Silva, de 16 anos, foi morto a pauladas em um confronto entre as torcidas do Palmeiras e do São Paulo na final da Supercopa de Juniores. Após esse incidente, o Ministério Público Estadual pediu a extinção da Mancha Verde e da Independente. “Tentamos inúmeras vezes fechar as organizadas, mas elas sempre deram um jeito de voltar à ativa”, afirma o deputado estadual Fernando Capez, procurador de Justiça licenciado. Em 1997, ex-integrantes da Mancha Verde formaram a Mancha Alviverde. A Independente, na prática, só mudou sua estrutura.

Hoje, dissidências das organizadas protagonizam a maior parte dos confrontos. O tal Movimento Rua São Jorge, que se envolveu na encrenca com os vascaínos, é um exemplo. Fundado em 2007, o bando surgiu depois de discussões internas na Gaviões da Fiel. De acordo com a Decradi, reúne 800 integrantes. Mas, segundo os líderes do agrupamento, esse número é superior a 2 000. “Nós nos separamos porque achamos que a torcida deve ter foco no time e no clube, sem desviar a atenção para outros assuntos, como o Carnaval”, diz o presidente Metaleiro. Membros do grupo costumam travar discussões nas arquibancadas até com outros corintianos. “Os mais jovens têm o hábito de brigar para mostrar força e se afirmar. Já fui assim.”

Dissidências dão dor de cabeça em outras grandes torcidas paulistanas. “Sempre expulsamos maus elementos”, diz o diretor da são-paulina Independente, Valter Luiz Costa, o Magrão. “No ano passado, alguns excluídos tentaram montar um grupo violento, mas o desmantelamos.” No Palmeiras, a rixa é entre duas organizadas, a Mancha Alviverde e a TUP, que costumam se enfrentar na Rua Turiaçu antes e depois dos jogos. “As brigas eram encabeçadas por uma galera do ABC que foi excluída da Mancha”, afirma o presidente da torcida, André Guerra. Apesar do discurso, o Ministério Público Estadual não considera esses líderes tão inocentes assim. “Sempre que surge algum problema, eles culpam os outros para que sua organização saia ilesa”, acredita o promotor Castilho. “Mas muitas vezes propagam a violência com falas ofensivas.” Um dos cantos da Independente, por exemplo, prega o seguinte: “Bonde do mal, eu sou da Independente, o terror da capital/ Levanta a galera, faz tremer a arquibancada e dá porrada na galinhada.” É ingenuidade achar que gritos assim não incentivam os confrontos. Ou imaginar que esses bandidos fantasiados de torcedores são apenas fanáticos que de vez em quando se excedem. Eles são criminosos – e o lugar deles é na cadeia. 

PROPOSTAS PARA COMBATER A VIOLÊNCIA

1- Prender e manter presos os vândalos
A grande maioria dos torcedores envolvidos em brigas, mesmo quando vai parar nas delegacias, não fica presa. Deve ir a votação no Senado nos próximos dias o relatório final do projeto de revisão do Estatuto do Torcedor. O documento prevê prisão e banimento dos estádios dos responsáveis por tumultos e venda ilegal de ingressos. “Temos de acelerar a criação de mecanismos de punição”, diz o senador Sérgio Zambiasi (PTB-RS), relator do projeto. 

 

2- Monitorar efetivamente os estádios
Os três principais estádios da capital (Morumbi, Pacaembu e Parque Antártica) têm, juntos, 196 câmeras de vigilância. “Mas não há pessoal treinado para interpretar as imagens e assim identificar os arruaceiros”, conta Marco Aurélio Klein, presidente da comissão de ingressos da Federação Paulista de Futebol. Na Inglaterra, agentes da Scotland Yard, a polícia londrina, fazem esse serviço.

3- Criar uma polícia exclusiva para o futebol
Garantir a segurança dentro e no entorno dos estádios em dias de jogo é apenas mais uma entre as muitas funções da Polícia Militar. Com efetivo exclusivo para eventos esportivos, seria possível melhorar a preparação desses profissionais. O 23º Batalhão, por exemplo, responsável pelos arredores do Pacaembu e do Parque Antártica, tem 1 000 policiais. “Em dia de jogos importantes, precisamos deslocar 450 PMs para os estádios”, afirma o major Walmir Martini, subcomandante da área. 

4- Fazer jogos com torcida única
Nas partidas entre os quatro principais clubes do estado (Corinthians, Palmeiras, Santos e São Paulo), a torcida da equipe visitante já recebe, no máximo, 10% do total de ingressos. Mas há uma proposta mais radical: a torcida única. “O ideal seria não ter nenhum torcedor do time visitante em clássicos”, diz o promotor Paulo Castilho. “Assim, não haveria confusão.”

5- Identificar os torcedores
O cadastramento dos membros das organizadas na Federação Paulista de Futebol ainda não funcionou como esperado. Desde 2006, foram identificadas 29 900 pessoas. Calcula-se que seria preciso cadastrar pelo menos 200 000. O Ministério Público defende que todo espectador tenha de fazer um cadastro para comprar ingresso. Além de garantir a identificação, acabaria com a evasão de renda.

6- Proibir a venda de bebidas alcoólicas
Dentro dos estádios de São Paulo não é permitido o consumo de álcool. O Ministério Público propõe ampliar a restrição às redondezas das praças esportivas. Outro desafio é tornar mais rigorosa a revista, para evitar a entrada de drogas.

A INGLATERRA COMO MODELO

A origem de leis específicas de combate à violência em eventos esportivos está ligada ao episódio conhecido como “tragédia de Heysel”. No dia 29 de maio de 1985, um tumulto causado por hooligans, como são chamados os torcedores ingleses que vão aos estádios para provocar, entrar em confronto com os adversários e praticar vandalismo, causou 39 mortes no Heysel Park, na Bélgica, pouco antes do início da partida final da Copa dos Campeões da Europa, entre Liverpool, da Inglaterra, e Juventus, da Itália. Como punição, a própria federação inglesa baniu seus clubes das competições europeias por cinco anos. A partir daquela data, seis leis foram implantadas para tentar conter os hooligans. A mais recente, de 2000, prevê, além de prisão, banimento dos estádios por até dez anos, inclusive fora do Reino Unido, para quem se envolver em alguma confusão. Só no ano passado foram emitidas 1 072 ordens de expulsão. Atualmente, 3 172 estão em vigor. Em caso de reincidência, há previsão de afastamento perpétuo dos campos. Torcedores ingleses podem ser punidos até por um xingamento ou tatuagem considerada ofensiva. Vigilância por câmeras é obrigatória nos estádios. “A polícia inglesa prefere banir a prender por pouco tempo”, explica Marco Aurélio Klein, presidente da comissão de ingressos da Federação Paulista de Futebol. “O fato de ter sido preso vira um troféu entre esses fanáticos. Longe dos estádios, eles perdem força.” Klein coordenou em 2005 a Comissão Paz no Esporte, criada pelo governo federal para estudar ações de combate à violência no futebol. Na Espanha também há um modelo eficaz de controle. Multas de até 650 000 euros por infrações consideradas muito graves inibem o vandalismo. Uma invasão de campo, ocorrência rotineira nos campos de futebol paulistas, custa 60 000 euros. Além disso, o país tem penas de prisão de até quatro anos por delitos cometidos em praças esportivas. 

– Dia dos Namorados no Brasil

Hoje é Dia dos Namorados, data criada pelo publicitário João Dória para alavancar as vendas que andavam paradas no mês de junho. Enquanto que no exterior o Dia dos Namorados é no Dia de São Valentino (Valentino’s day), aqui é na véspera de Santo Antonio (primeiro se comemora o namoro, depois o “casamenteiro”).
Olha só como comercialmente surgiu a data:

Nosso Dia dos Namorados (12 de junho) foi criado para ser uma data comercial, contrariando o tradicional Dia dos Namorados mundo afora (14 de fevereiro). Seu idealizador foi João Dória (pai do apresentador João Dória Jr,), que trabalhava na agência de publicidade Standard, e teve como missão bolar um evento comercial para a rede de lojas Cliper, grande varejista da época, que sempre se queixava das poucas vendas do mês de junho. Aproveitando a véspera do dia de Santo Antonio em 13 de junho, (que tem a fama de ser casamenteiro no Brasil, muito embora não exista essa fama no exterior), criou o slogan: “não é só de beijos que os namorados vivem”. Tal bordão se popularizou, e outras empresas passaram a comercializar com base no dia dos namorados.
A propósito de São Valentino, ele foi um bispo que viveu em Roma e morreu como mártir, pois durante o império de Claudius II, o governante impôs uma lei proibindo o casamento, já que acreditava que soldados solteiros eram mais despojados em combate, pois os casados acabavam pensando em seus familiares e não “renderiam” como desejado. E Valentino, ocultamente, ajudava os casais a celebrarem o Matrimônio. Foi preso e morto cruelmente.
Nesta data, na Inglaterra, é costume os casais trocarem doces. Na Itália, ocorrem jantares românticos. Na Dinamarca, os homens empastam rosas e pétalas e dão um buquê de flores conhecido como “flocos de pétalas”. No Japão, são as mulheres que presenteiam seus parceiros com chocolate. Opa, quero comemorar a data no melhor estilo japônes!!!!!