– O Exemplo que vem do Tennessee: Sexualidade, Homofobia e Crianças

 

O Tennessee (EUA) aprovou uma lei estadual curiosa e interessante: lá, fica proibido a discussão de temas sobre homossexualidade até o ensino médio.

Motivo- temas relacionados a sexualidade devem ser explorados pelos pais, e somente quando forem mais crescidos, abordados nas escolas.

 

A justificativa da lei é que muitas vezes está se despertando a precoce sexualidade das crianças, confundindo a cabeça deles antes mesmo de estarem preparados para entender questões sexuais.

 

Concordo!

 

Aqui o MEC divulga cartilhas infantis abordando homofobia, mas beirando a pedofilia (lamentavelmente). Confundem respeito aos gays com demagogia aos mesmos. Pior: constrangem a sociedade…

 

E você: o que pensa sobre isso? Deixe seu comentário:

– Negros e Negras na Administração de Empresas

 

Uma coincidência interessante: Tanto a Folha de São Paulo quanto a Revista Veja trazem matérias que envolvem negros no trabalho.

 

No Brasil, apenas 5% dos cargos diretivos / chefia nas organizações têm um negro à frente! (FSP). Já na Veja, há a interessante entrevista de Úrsula Burns, a primeira mulher negra a ser presidente de uma corporação importante nos EUA (a Xerox), falando sobre o tema e de outro tão interessante quanto: a capacidade inovadora do povo americano.

 

Vale a pena dar uma lida.

– Racismo que Persiste: Obama e o Chimpanzé

 

Nos EUA, há uma polêmica sobre onde o presidente Barack Obama houvera nascido. Ele é do Hawaii, posse dos americanos no Pacífico. Mas levantou-se a dúvida se ele realmente era americano (já que estrangeiros não podem exercer o cargo), e a certidão de nascimento foi cobrada. Uma das maiores opositoras, a republicana Marylin Davenport chegou a enviar emails aos correligionários pedindo a apresentação da certidão (que ocorreu nessa quarta).

 

Entretanto, o pedido foi deselegante: Macacos ao lado de Obama com corpo de Chimpazé. Veja:

 

Triste. O que se pode falar? Nada, apenas lamentar.

 

A dirigente política pediu desculpas públicas hoje. Mas o estrago já estava feito.

– O Câncer de Mama Masculino

 

Relendo algumas coisas antigas, vejo uma infeliz declaração de 2009 do então Governador do Paraná, Roberto Requião – PMDB. Ele disse que “os índices de câncer de mama em homens no Brasil devem estar aumentando em decorrência do número de passeatas gays”!

 

Sem graça a brincadeira. É provado que homens também sofrem desse mal. Sou homem, heterossexual, e pelos fatores genéticos da minha família pertenço ao grupo de risco de pessoas que podem desenvolver a doença no futuro. Fui aconselhado a me prevenir do câncer de mama desde 1997, pelo Prof Dr Sérgio Daniel Simon, renomado oncologista do Hospital Abert Einstein (um dos “papas” da Oncologia no mundo).

 

Talvez o governador não deva ter tido a infelicidade de ter pessoas queridas com esse mal na família.

 

Para ver e ouvir a infeliz declaração, clique aqui.

 

Para saber mais sobre câncer de mama em homens, clique aqui.

 

O CÂNCER DE MAMA EM HOMENS CRESCE NO BRASIL (citações acima)

 

Pouca gente sabe, mas os homens também desenvolvem o tumor de mama como as mulheres. Embora a incidência da doença ainda seja considerada baixa – equivalente a 1% dos cânceres malignos –, ela vem aumentado a cada ano. Os índices de cura estão diretamente relacionados ao diagnóstico, ou seja, as chances de cura crescem à medida que o tumor é descoberto precocemente. “Quanto antes for diagnosticado, melhor o prognóstico. Pois, como na mulher, os índices de cura para o diagnóstico precoce são de cerca de 80% a 90%, enquanto que, se descoberto tardiamente, este índice cai brutalmente, atingindo apenas 10% a 20% dos casos”, revela o cirurgião oncológico do Hospital e Maternidade São Luiz (São Paulo), Renato Santos.Geralmente, este tipo de câncer acomete o homem de idade mais avançada, sendo mais freqüente na faixa etária de 50, 60 anos de idade. Segundo Santos, a estimativa do Instituto Nacional do Câncer, órgão ligado ao Ministério da Saúde, é de que surjam cerca de 250 casos novos em todo Brasil, a cada ano, baseado nos números de 2002.

Diferentemente do que acontece com a mulher, que já possui o hábito de realizar o auto-exame, o homem, por desconhecimento deste tipo de doença, não se previne e não realiza este tipo de “acompanhamento”, o que dificulta o diagnóstico, prejudicando conseqüentemente o tratamento e a cura do tumor. “É muito comum o diagnóstico tardio no homem, quando a doença já se encontra evoluída. Para reverter este quadro, é necessário chamar atenção da população masculina para os primeiros indícios da doença e fazer um alerta para que estes homens procurem um oncologista ao notarem qualquer alteração na mama. Isto é fundamental”, alerta o especialista.

– Bolsanaro está Rendendo…

 

Semana passada, o deputado conservador Bolsanaro e Preta Gil tomaram conta dos noticiários por suposta manifestação racista. O parlamentar houvera dito que não gostaria que seu filho fosse gay (primeiramente, houve uma certa confusão com a pergunta, que foi sobre negros e ele entendeu nitidamente errado. Tanto que Marcelo Tas, do CQC, programa que o abordou, percebeu isso de imediato).

 

Eu estou ouvindo as manifestações diversas, e os grupos homossexuais mais radicais estão detonando o deputado. Mas, embora eu não seja eleitor nem defensor de Bolsanaro, acho que ele está sendo vítima de uma grande injustiça: desde quando não-desejar que o filho seja homossexual, por exemplo, é ato discriminatório?

 

Há uma certa confusão em defesa dos direitos e apologia da causa. Respeito todas as manifestações religiosas, culturais, raciais, tribais ou sexuais. Entretanto, não quer dizer que eu deva promovê-las. Por exemplo: se sou católico, devo mesmo assim respeitar as pessoas que seguem o candomblé. Isso não quer dizer que eu pregue a prática religiosa dessa crença.

 

Qual o problema que há de um pai querer que seu filho seja heterossexual, se case com uma mulher e tenha filhos?

 

Claro que os homossexuais moderados estão entendendo perfeitamente meu ponto de vista. Respeitar não é fazer apologia. Se o cara é gay, tudo bem. Mas, dentro do conjunto de crenças pessoais e educacionais tal preferência sexual não seja a ideal para o indivíduo, qual o problema em dizer?

 

Se se pode dizer que é gay, não há pecado algum em dizer que não há. Assim, se se pode pregar valores homossexuais, por que não os heterossexuais?

 

Infelizmente, a hipocrisia e o excesso de regras politicamente corretas fazem com que crie-se antipatia por todos os lados. Tanto quanto o deputado Bolsanaro, desejo que meus filhos sejam heterossexuais e pregarei a eles os valores éticos e morais que aprendi; assim como tenho certeza que cada família prega o seu conjunto de valores aos seus filhos – até mesmo os de uma sociedade gay.

 

O que não podemos fazer é disseminar o radicalismo, a intolerância e a ridícula discriminação ao avesso. Do jeito que abordaram a coisa, parece que ser heterossexual é um crime contra a sociedade. Proselitismo e demagogia barata sobre o assunto não cabem mais.

 

E você, o que acha do assunto: de tanto defender o respeito à causa homossexual, pode se correr o risco de praticar a discriminação contra a causa heterossexual? Deixe seu comentário:

– A Única Profissional do Sexo Reconhecida Pela Justiça

 

Um jargão popular é de que a Prostituição é a Atividade Profissional mais antiga do mundo. Claro que, nas leis trabalhistas, não é reconhecida.

 

Mas leio que a travesti Lilith Prado teve, em última instância, seu direito de exercer a prostituição reconhecido! Mais: o de contribuir ao INSS como tal. Desde 2002, o Ministério do Trabalho deu a ela o direito de recolher os impostos junto à Previdência Social como “profissional do sexo”. Será a única pessoa entre os 6,1 milhões de contribuintes do Brasil a se enquadrar nesta categoria.

 

E você, o que acha disso: Prostituição deveria ser reconhecida como trabalho ou não? Deixe seus comentários: 

(A propósito, em Jundiaí, nos últimos dias, a prostituição no Centro está absurda. Sábado, fui com a família numa tradicional Cantina da Rua Zacarias de Góes, e às 19:30h, as esquinas próximas estavam infestadas de travestis semi-nus. Constrangedor…).

– Duda Teixeira e a Irmandade Muçulmana

 

Sensacional a entrevista do repórter da Revista Veja Duda Teixeira (pg 82-83 de 30/03/2011) com Esam El-Erian, porta-voz da Irmandade Muçulmana, movimento Revolucionário do Egito e de alguns países árabes.

 

Sobre a transição política egípcia, o jornalista acabou colocando pontos do radicalismo islâmico em questão. E o radical, evidentemente, se deliciou em mostrar algumas “loucuras contra ocidentais”. Por exemplo: para ele, os americanos e israelenses incentivam disputas religiosas pois não queriam a saída de Mubarak do poder; se diz entristecido pois os cristãos da Igreja Ortodoxa Copta se declaram seguidores de Cristo (ele acha que não se deve manifestar religião contrária ao regime) e que o clérigo Yusuf AL Qaradawi é um sábio, pois declarou que “o marido tem o direito de bater na mulher (…) de que os países árabes têm que desenvolver bombas nucleares (…) e que ataques suicidas são válidos”.

 

O pior é que ele acha esse clérigo moderado… E o cara é um dos maiores influenciadores no momento, naquele pedaço de mundo.

 

Santa paciência…

– Gays na Eurocopa 2012

 

O portal de futebol KiGol traz uma interessante matéria sobre a vontade de grupos gays desejarem assentos especiais na Eurocopa 2012 a ser realizada na Ucrânia e na Polônia.

 

Ao ler sobre o assunto, fico pensando: será que é necessária tal ‘regalia’? Tal medida não seria mais discriminatória do que inclusiva? Fico na dúvida.

 

Aqui no Brasil, lembro-me da Torcida Organizada Fla-Gay, do Flamengo, que ficava num cantinho do Maracanã. Não me recordo de ações preconceituosas contra ela.

 

O que você acha de tal pedido: exagero ou necessidade dos grupos gays poloneses? Deixe seu comentário:

 

Extraído de: http://kigol.com.br/blog/view/post/coloridos-grupo-de-torcedores-gays-pede-tratamento-especial-na-eurocopa-2012

 

GRUPO DE TORCEDORES GAYS PEDE TRATAMENTO ESPECIAL NA EUROCOPA 2012

 

Um grupo de torcedores poloneses está causando polêmica no país que sediará a Eurocopa, em 2012. Formado por gays, a turma exige que sejam colocados assentos exclusivos para acompanhar os jogos da competição que acontecerá na Polônia.

 

Caracterizados como a primeira torcida formada por gays na Polônia, o grupo teme agressões, caso fiquem espalhados nas arquibancadas. Chamados de Teczowa Trybuna 2012 (“Tribuna Arco-Íris 2012” em polonês), eles acreditam que com essa medida a violência contra os gays diminua no país. 

 

“Durante viagens para jogos de nossos clubes, infelizmente sofremos frequentemente com o assédio, violência e outras coisas desagradáveis destes ‘torcedores reais’. Sonhamos em relaxar nos estádios, nas arquibancadas, e não imaginamos que isso seja possível na Euro-2012, que será disputada em nosso país”, afirmou o grupo em comunicado oficial.

 

Porém, a ideia já foi negada por algumas sedes dos jogos. Em Gdansk, uma das sedes da competição, alegaram que a medida só faria com que o preconceito ficasse mais evidente. 

 

Gregory Czarnecki, um dos membros da Campanha contra a homofobia, em Varsóvia, também não concorda com a ideia.

 

“Não acredito que muitas pessoas tenham coragem suficiente não apenas para ir como também para se sentar neste setor especial”, comentou.

– Mais um Programa Assistencialista no Brasil? Vem aí a Bolsa Dona-de-Casa!

 

A deputada Alice Portugal (PT-SC) quer criar um regime especial de aposentadoria para as mulheres, a chamada “Bolsa Cor de Rosa”.  A idéia é dar um salário extra mensal às mulheres donas-de-casa, como complemento à renda. Justifica que muitas mulheres trabalham a vida inteira para o seu marido e são abandonadas.

 

A questão é polêmica: pagar uma bolsa—dona-de-casa é algo exagerado ou necessário no país? Deixe seu comentário:

 

Abaixo, extraído de: http://elbigodonmardiiito.blogspot.com/2011/03/bolsa-rosa-contas-no-vermelho.html (que reproduziu de Exame).

 

BOLSA ROSA, CONTA NO VERMELHO

 

Não fosse por um detalhe crucial – de onde tirar o dinheiro -, a criação de um regime de aposentadoria para milhões de donas de casa brasileiras de baixa renda até poderia fazer sentido. Há diversos projetos de lei em tramitação na Câmara para reconhecer os direitos das mulheres dedicadas integralmente às tarefas domésticas. Mas eles ignoram o impacto econômico que isso teria nas contas públicas. A deputada Alice Portugal (PT-SC), defensora da criação dessa espécie de bolsa cor-de-rosa, afirma que “muitas vezes, após 35 anos de casamento, o marido vai embora e ela (a mulher), que prestou serviços a vida inteira, não tem amparo”. Caso a bondade seja aprovada, haverá custo adicional de 5,4 bilhões de reais por ano. No ano passado, só a previdência voltada para os empregados do setor privado fechou com déficit de 44 bilhões de reais. A dos servidores públicos teve rombo de 50 bilhões.

– Beleza e Poder: Competência e Discriminação no Ambiente de Trabalho

 

Beleza e competência têm juntas algumas relação?

 

O Poder deve ter algumas restrições com a aparência?

 

Pois bem: a oportuna e pertinente matéria da Revista Isto É Dinheiro (de 20/10/2010, ed 680, pg 68-74, por Paulo Brito) traz interessante matéria sobre Mulheres Bonitas em cargos executivos. Na reportagem, diferenças entre postura, salário, relação e discriminação entre mulheres “feias e bonitas” (se é que existe mulher feia… particularmente, beleza é algo relativo e subjetivo).

 

Abaixo, compartilho:

 

BELEZA E PODER

 

Até que ponto o visual de uma presidente influi no sucesso de sua empresa? Algumas líderes revelam o que enfrentam pelo fato de serem bonitas

Uma das obras-primas de Vinicius de Moraes é um poema chamado Receita de mulher. O primeiro verso diz: “As muito feias que me perdoem, mas beleza é fundamental.” Há quem enxergue na frase cunhada pelo poetinha uma certa dose de machismo, mas, no mundo corporativo, ela tem se tornado decisiva. 

Executivas em cargos elevados e de beleza indiscutivelmente fora do comum parecem saber disso muito bem. E nenhuma nega que capricha em cada detalhe de seu visual para comparecer de modo atraente às reuniões nas quais representa sua empresa. Em outras palavras, elas vão vestidas para vender. 

O capricho delas é, na verdade, um complexo conjunto de escolhas que inclui roupas, penteado, maquiagem, postura, perfume, gestos, linguagem e muito mais. Isso, queiram elas ou não, vai despertar os sentidos de cada um dos presentes às reuniões. 

 

E a expectativa, sem sombra de dúvida, é de que todo esse cuidado as ajude a atingir as metas de suas companhias. Nessa discussão, que é quase um tabu entre as executivas, não há um consenso. 

 

Patrícia Gaia, 43 anos, a presidente do grupo Armani no Brasil, tem certeza absoluta de que, no setor em que trabalha, o da moda e do luxo, a aparência é, sim, fundamental. “A beleza ajuda muito, sim. Não no fechamento de um negócio, mas ajuda”, afirma ela. 

 

Já a empresária Gisela Mac Laren, 42 anos, presidente do estaleiro Mac Laren Oil, empresa com faturamento de US$ 50 milhões, tem uma visão oposta. “Beleza é algo que desprezo”, diz, com uma voz ríspida, para deixar claro que não quer ter essa imagem associada à sua empresa. 

 

O fato é que, independentemente da crença de cada uma, a aparência tem um papel importante tanto para o bem como para o mal. “A beleza tem, sim, influência”, diz à DINHEIRO o economista americano Daniel Hamermesh, professor da Universidade do Texas e da Universidade de Maastrich, na Holanda. 

Ele estuda isso há décadas e publicou seu primeiro trabalho sobre o assunto especialmente para o governo americano. A pesquisa contou com a ajuda de um grupo, formado por quatro pessoas, que classificou as fotos de 4.400 recém-formados de uma faculdade de direito em cinco categorias que iam do feio ao belíssimo. 

 

Periodicamente, esses ex-alunos informavam seu nível salarial à faculdade e, a partir dessa base, foi possível determinar uma forte correlação entre beleza e rendimentos. “Esse fato já está cientificamente comprovado: gente bonita ganha melhor. O que estamos estudando, agora, é como isso está ocorrendo em diferentes profissões e o que produz esses efeitos.” 

 

Se por um lado pode abrir portas, por outro a beleza cria situações constrangedoras. É o que relata Mônica Ferro, 43 anos, dona da loja de iluminação Wall Lamps, no bairro dos Jardins, em São Paulo. Bonita e dona de um negócio que este ano pode faturar R$ 12 milhões, Mônica já apareceu em várias reportagens. 

 

Em uma delas, foi fotografada de saia. Pouco tempo depois, foi procurada por um cliente que disse ter lido o texto e pedia uma reunião. “Eu o atendi junto com outra pessoa e, minutos depois, concluí que ele não estava totalmente interessado nos produtos”, conta ela, rindo. “Pelo teor da conversa, notei que aquilo não ia terminar num negócio. 

 

Mesmo assim, continuei a reunião, mas houve uma hora em que ele não resistiu e falou ‘mas a senhora tem umas pernas…’ e continuou a conversa. Curiosamente, nesse dia eu usava calça comprida.

Eu, polidamente, agradeci, e felizmente ele nunca mais voltou. Mas essas coisas são assim: os homens jogam. Se colar, colou”, completa. Para não ter de enfrentar essas situações, a dona da Kapeh Cosméticos, Vanessa Vilela, 32 anos, toma certos cuidados no seu dia a dia de executiva. O primeiro é vestir-se com discrição: decotes sempre abreviados, às vezes uma echarpe no pescoço, tailleurs e calça comprida de corte social.

 

Outro recurso: sempre que possível, leva sua sócia e o marido dessa sócia para as reuniões. “Um homem que tenha quase ultrapassado os limites dos assuntos comerciais comigo deve ter sido muito sutil. 

 

Em geral, são muito bem-comportados e educados”, diz Vanessa. Para reforçar sua blindagem ao assédio, ela deixa claro que o assunto tratado é exclusivamente aquele que motivou a reunião. “O objetivo de nossas pautas é sempre atingir as metas de qualidade e vendas da Kapeh, que este ano deve faturar R$ 1 milhão”, diz Vanessa. 

 

A dona da rede Spa Mais Vida, a ex- triatleta Renata de Abreu, 32 anos, uma loira de 1,79 m de altura, nunca se sentiu assediada: “Acho que até pela minha postura, pela minha maneira discreta de vestir, pela seriedade nas conversas”, conta. 

 

Mas ela sabe que corre esse risco. “Acho que dei sorte”, diz. E sabe como se desvencilhar de uma brincadeira de mau gosto. “Se isso acontecer, não acho que será difícil contornar. É o caso de interromper a reunião na mesma hora, pedir licença, desconversar, adiar tudo”, completa. 

Pode parecer mero detalhe, mas a questão da beleza feminina no universo executivo, predominantemente tomado por homens, ajuda a forjar o comportamento de algumas empresárias. Gisela Mac Laren, que desde 2000 comanda o Estaleiro Mac Laren Oil, de Niterói, é uma delas. 

 

Considerada a “diva” do setor naval brasileiro, é igualmente bonita e discreta, mas quem a conhece das reuniões de negócios sabe que nem de longe sua imagem deve ser associada a falta de conhecimento do setor naval ou a fragilidade. 

 

Para deixar claro qual é sua posição, ela age com firmeza nas negociações e é conhecida por seu aperto de mão ao estilo “quebra ossos”, como descreve um empresário dessa área. Com o tom de voz beirando a rispidez, ela afirma que sua beleza não é vantagem alguma.

 

Mas, evidentemente, sabe o poder que a aparência tem sobre os interlocutores. Tanto é que, como atua em um setor machista, criou algumas regras de conduta dentro da sua empresa. Sempre vestida com terninhos pretos da marca americana Theory, ela instituiu tanto a cor preta quanto as roupas discretas como obrigatórias para todas as mulheres da empresa. 

Em poucas palavras, Gisela não quer nenhuma ousadia. Apesar disso, não abre mão de detalhes pessoais, como maquiagem, joias reluzentes e tilintantes e, às vezes, um toque do Sensuelle, da Chanel. “Não acho que a beleza traga qualquer vantagem nos negócios nem para quem trabalha”, diz a empresária. “A elegância, a vestimenta, o comportamento, a qualidade da comunicação, o respeito, isso sim. Tudo isso ajuda a compor a imagem pública de cada pessoa”, completa. 

 

Uma funcionária como a porto-riquenha Debrahlee Lorenzana, que até agosto do ano passado trabalhava numa agência do Citibank, em Nova York, dificilmente teria espaço na empresa de Gisela. 

 

A voluptuosa moça usava roupas curtas no ambiente de trabalho. Seus trajes incluíam decotes generosos para valorizar um busto tamanho 46, construído com duas cirurgias plásticas, e curvas realçadas por duas lipoaspirações. Foi demitida sem explicações e, por isso, abriu um processo contra o banco. 

 

O verdadeiro motivo, alega seu advogado, foi o “ambiente de trabalho hostil criado por causa do seu estilo de vestir”. O caso de Debrahlee reflete o outro lado da moeda: entre os efeitos que a boa aparência de uma executiva pode provocar está a incredulidade de certos homens na competência delas.

Vanessa Vilela, da Kapeh, já viu um cliente quase virar as costas por não a reconhecer, num evento, como a dona da empresa. “Ele queria mais informações sobre os produtos e pediu para falar com alguém ‘superior’, embora eu já estivesse ali”, conta. 

 

A situação é idêntica à enfrentada por Mônica Ferro em uma reunião com um arquiteto: “Ele achou que eu era um bibelô, que estava na reunião só de enfeite, e disse à minha vendedora que queria falar com alguém mais graduado. Bem, aí eu tive de dizer quem eu era. Na hora ele abaixou a cabeça e ficou bem sem-graça”, comenta. “Em certos casos, acho que os homens querem passar por cima da gente”, diz. 

 

A consultora de  etiqueta e comportamento Cláudia Matarazzo faz questão de salientar que, num primeiro momento, a beleza ou a ausência dela são cruciais. “Você leva apenas 20 segundos para formar sua impressão sobre uma pessoa. Dentro dessa impressão, a imagem representa 60%. Depois, vem o tom de voz, com mais uns 30%. Nos 10% que faltam está o restante dos aspectos”, diz a consultora. “E, quando essa primeira impressão é boa, pode até mascarar qualidades ruins da pessoa.” Mas não por muito tempo. 

De acordo com Patrícia Gaia, da Armani, o resultado pode ser desastroso. “Uma pessoa que não seja bonita e também não seja capacitada é perdoada. Mas uma pessoa bonita e não capacitada é considerada uma ‘boba’”, afirma. É mais ou menos o que pensa a psicóloga Adriana Gomes, coordenadora de pós-graduação da faculdade ESPM, de São Paulo. “A beleza não permeia a decisão. Pode ser um facilitador no início das negociações, mas não no seu final. E a competência da pessoa deve ser consistente”, afirma. 

 

Renata de Abreu, do Spa Mais Vida, sabe disso e usa sua aparência como um cartão de visita. “Como vendo, tenho de ser o exemplo”, admite. “Do mesmo modo, ninguém iria se animar com um personal trainer fora do peso.” Ela tem resultados para mostrar: este ano, seus spas vão faturar R$ 6 milhões, em sete endereços, e até 2012 ela deve abrir outras 27 filiais. “É inegável que a beleza de uma mulher influencia o mundo do trabalho.

Não quer dizer que essa beleza torne as coisas mais fáceis. Mas a verdade é que aspectos subjetivos como esse têm um peso muito maior do que os executivos gostariam de reconhecer”, garante o consultor Boanerges Freire, da Boanerges & Cia. “Todos falam de objetividade nos negócios e nas reuniões, mas as relações comerciais acontecem entre as pessoas. Somos influenciados por aspectos subjetivos.” 

 

O cirurgião plástico Alexandre Senra, de São Paulo, que diariamente atende executivos de ambos os sexos, revela quanto essa questão aflige as pessoas. Uma de suas pacientes, executiva bonita que se aproximava dos 40 anos, resolveu investir numa plástica para defender sua posição na empresa. 

 

“Ela estava em uma companhia que iria ser absorvida por outra. Pelo que me contou, ela corria o risco de ser demitida por causa da idade assim que isso acontecesse”, diz Senra. Afinal de contas, profissionais mais jovens estavam a caminho. “O que a moça fez: veio ao meu consultório e optou por uma plástica. Até onde eu sei, depois da fusão ela continuou na equipe, não foi dispensada”, afirma.

– Goleiro Gay e Cabra-Macho

 

A discriminação sexual é um problema no esporte. Mas revirando algumas coisas aleatoriamente, achei um texto da Revista ESPN (citação abaixo), a respeito de Messi, um goleiro nordestino que confidenciou sua homossexualidade.

 

Não entraremos no mérito se está certo ou não (é a moral de cada um que julga a aceitação da prática homossexual; entretanto, o cidadão deve ser respeitado por toda a sociedade, independente da preferência). O que é curioso é que o clube em que ele joga sugeriu a divulgação, a fim de fazer publicidade do fato.

 

O nome do corajoso goleiro que saiu do armário?

 

Messi, em alusão ao argentino do Barcelona.

 

Parabéns pela coragem e ousadia.

 

Extraído de: http://espnbrasil.terra.com.br/revistaespn/noticia/153876_CABRA+MACHO

 

CABRA-MACHO

 

Por Luís Augusto Simon

 

Ranielli Mazzilli, nome de ex-presidente, é narrador de futebol e preparou um novo bordão que estreará junto com o Campeonato Potiguar da segunda divisão. “Sai pra lá bola, aqui no gol tem cabra-macho”, é o que gritará a todo pulmão quando o goleiro do Palmeira, time de Goianinha, cidade a 50 km de Natal, defender faltas ou mandar para longe bolas que, vindas de cobranças de escanteio, passarem com perigo pela área. Há boas chances de que a frase se transforme em sucesso no Agreste do Rio Grande do Norte. O goleiro Jamerson Michel da Costa, o Merci, e que agora virou Messi, é um dos ídolos do time e da cidade. E agora, às vésperas do campeonato, resolveu contar a todos o que falou, em conversa tensa, ao pai e à mãe, há cinco anos. É gay.


Pois é. Para os tradicionalistas e aqueles que detestam a Argentina, é o inferno na terra. Nosso Messi é goleiro e gay. “Não tenho vergonha da minha vida e resolvi que não tenho nada para esconder. Para ser feliz, a gente não pode ficar escondendo nada. Quem sabe o preconceito não acaba?”, diz o goleiro de 1,78 metro e 24 anos. Um grito contra o preconceito vindo do interior do Rio Grande do Norte, através de um goleiro desconhecido, é realmente algo surpreendente. Mas não é bem assim. Messi é desconhecido no sul maravilha e mesmo em Natal, mas, na região do Agreste, é muito mais que um bom goleiro. É uma lenda.
 

Primeiro, por ser filho de Zé Roberto, que, “quando não fazia quatro gols em um jogo, é porque não tinha entrado em campo”, como dizem muitos torcedores de Goianinha. E depois, por suas qualidades. Há pelo menos cinco anos, é o grande goleiro da Copa Robinson Faria, que reúne times amadores da região. “No último torneio, foram 76 times e ele foi o goleiro menos vazado. Eu sempre quis contar com ele e consegui isso há dois anos”, diz Cláudio José Freire, o Cal, presidente do Palmeira e vereador há cinco mandatos em Goianinha.Então, não foi um desconhecido que chegou ao Palmeira (que tem esse nome por causa de um erro de digitação na ata de fundação, que tirou o “s” e descaracterizou a homenagem ao Palmeiras de São Paulo). Foi um craque, de quem já se desconfiava da opção sexual, apesar de ele ainda não haver assumido. Por isso, não é de admirar que Zig Zig, Pedro Pancada e Josicley, companheiros de quarto de Messi, sejam pródigos em elogios ao companheiro. “Ele é respeitador e treina muito. Não fica de brincadeira com a gente”, dizem os três, que chegaram depois do goleiro ao time e possuem muito menos identificação com a torcida.

“Para mim, não interessa nada disso. Eu queria é contar com esse craque no meu time”, conta Cal. Por suas palavras, é possível ver que a aceitação de Messi não tem a ver com um surto de boa vontade e solidariedade do povo de Goianinha. É só comparar com os comentários machistas com que expressam a admiração que todos demonstram pelo deputado Fábio Faria, filho do também deputado Robinson Faria, que patrocina o campeonato onde Messi se destaca. “O Fábio namora a Sabrina Sato”, dizem todos, mesmo sem ser perguntados. “E já pegou a Galisteu” é o complemento inevitável da frase.

Fábio Faria se enquadra também no tipo masculino que faz a cabeça de Messi. “Adoro homem alto e que tenha corpo malhado”, afirma o goleiro, deitado no sofá da casa dos pais, na rua da Esperança, em Passagem, cidade natal, ainda menor que Goianinha. “Se pudesse, passava o dia todo no salão. Adoro fazer luzes no cabelo e usar estilo moicano. Além disso, depilo o corpo todo. A moça do salão me ajuda. Tira tudo com a máquina.” O corpo todo, Messi? “Quase todo. O restinho, eu mesmo depilo em casa.”

– Cidadãos de Categoria Diferente? A Frente Parlamentar Gay vem aí!

 

Ouço que o Congresso cria a Frente Parlamentar Gay, visando aprovar projetos em defesa da causa homossexual.

 

Acho justo. Vivemos um país livre e democrático, onde todos são iguais frente à Constituição.

 

Agora, IGUAIS não quer dizer diferentes em alguns aspectos.

 

Detesto o termo “minorias”, usado tentando defender alguma categoria ou classe. Isso soa como discriminação, embora o propósito seja o contrário. Mas vou dar um exemplo: Dom Dimas, da CNBB, disse que a Igreja Católica respeita tais projetos da FPG (liderada pelo deputado Jean Willys, PSOL-BA – outrora BBB), desde que não criem “super-categorias”. Ou seja, privilegiem cidadãos em detrimento de outros.

 

E ele não está coberto de razão?

 

Nesta semana, uma das revistas (Veja ou Época ou IstoÉ), traz a entrevista de um líder ativista negro americano, que detona a política de cotas brasileiras, desvirtuando o propósito de busca ao respeito ao negro. Idem aos gays, às mulheres ou qualquer outra categoria.

 

Respeitar não quer dizer fazer apologia. Este é o problema e a confusão d emuitos ativistas! Qualquer raça ou grupo sexual deve ter os mesmos direitos, desde que não firam os direitos dos outros, nem sejam considerados melhores. É a democracia.

 

Por fim, lembremo-nos que não existem raças, apenas uma raça humana! E respeitar a individualidade de cada membro é fundamental para uma sociedade melhor.

 

(Ontem, o Papa Bento 16 divulgou um documento falando sobre o Sacramento do Matrimônio, a ser ministrado entre homens e mulheres exclusivamente. Tudo bem, não se falou de Código Cível mas de questão de fé. Infelizmente já há críticos exercendo o patrulhamento. Ora, não falamos em respeitar a individualidade e a expressão de cada um? Se se pede ao respeito a causa homossexual, por que a Igreja não pode fazer o mesmo á causa hetero?)

– Sexo sem Preconceito entre Deficientes Intelectuais

Amigos, assunto de difícil trato: o sexo entre deficientes intelectuais.

Com um pouco mais de autonomia e liberdade para fazer as próprias escolhas, os deficientes intelectuais colocam uma nova questão para o país: a quem cabe decidir se eles podem fazer sexo e ter filhos? – por Solange Azevedo.

Compartilho interessante matéria publicada pela Revista Época dias atrás:

Extraído de: http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EMI96551-15228,00-A+SEXUALIDADE+DOS+DEFICIENTES+INTELECTUAIS.html

SEXO SEM PRECONCEITO

Deitada no leito do consultório médico, Cíntia Carvalho Bento tira os óculos para enxugar as lágrimas. Era 6 de março. Ela acabara de ouvir, pela primeira vez, os batimentos cardíacos de seu bebê. “Graças a Deus, tem um neném na minha barriga.” Cíntia, de 38 anos, traz no rosto os sinais da síndrome de Down: olhos pequenos e amendoados, boca em forma de arco, bochechas proeminentes. E, na alma, desejos semelhantes aos das mulheres comuns: trabalhar, namorar, casar, ser mãe. Todos realizados. Cíntia nasceu numa família que aprendeu a dialogar e a respeitar, quando possível, suas escolhas. E que não encarou sua deficiência intelectual – característica dos Downs – como um obstáculo incontornável.

“Aceitamos bem os namoros e o casamento da Cíntia. Meu marido e eu sempre achamos que nossa filha deveria levar uma vida próxima do normal”, afirma Jane Carvalho. “A gravidez é que foi um susto. Tivemos medo de que a criança viesse com problemas de saúde. Mas logo descobrimos que não.” Augusto está com 3 meses. “Estou muito feliz. Pego ele no colo, mudo (as fraldas), dou banho”, diz Cíntia. A gestação não foi planejada. Mas Cíntia sempre quis ter um filho. Ela conheceu o marido, Miguel Egídio Bento, na Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais de Florianópolis. Cíntia era aluna. Miguel, hoje com 42 anos, funcionário. A amizade virou namoro bem depois, numa colônia de férias. O casamento, em junho de 2006, foi como nos sonhos dela: vestido de noiva, igreja, festa e lua de mel.

A vida de Cíntia é uma exceção. As relações afetivas e sexuais são o tema mais controverso e cercado de preconceitos no universo da deficiência intelectual – um assunto que mexe com valores morais e culturais. “É necessário derrubar o mito de que as pessoas com deficiência intelectual são assexuadas ou têm a sexualidade exacerbada”, afirma Fernanda Sodelli, diretora do Núcleo de Estudos e Temas em Psicologia. “Elas não são anjos nem feras que precisam ser domadas. E têm o direito de viver a sexualidade.” Isso quer dizer não apenas o direito de transar, mas o de conhecer o próprio corpo e aprender como se comportar na intimidade: saber se cuidar, estabelecer relações, lidar com as emoções, construir a própria identidade.

Entre os deficientes intelectuais é comum querer namorar apenas para ter o prazer de beijar na boca. Ou de andar de mãos dadas. Manifestações normais da sexualidade ainda hoje são interpretadas como problema. Foi o que a psicóloga Fernanda viu no consultório quando um pai a procurou preocupado com o filho de 18 anos, que se masturbava pela casa. O pai contou que tentara explicar que aquele comportamento seria aceitável apenas quando o filho estivesse sozinho. “Pai, o que é sozinho?”, perguntou o rapaz. Ninguém lhe ensinara a diferença entre o público e o privado, e o que é adequado ou inadequado em cada um desses espaços. Na infância, o garoto era obrigado a usar o banheiro de porta aberta. O quarto nem porta tinha. Ele cresceu sendo espionado o tempo todo, sem noção de privacidade.

No caso de Cíntia, seus pais se deram conta de que era hora de o relacionamento com Miguel evoluir para o casamento quando ela pediu permissão para o namorado dormir na casa da família. No final da adolescência, Cíntia já sentia vontade de namorar. Abraçava árvores e fingia beijá-las como se fossem um príncipe. Viveu o primeiro romance no início da década de 1990, aos 21 anos, numa época em que os direitos sexuais e reprodutivos dos deficientes intelectuais nem sequer eram cogitados. A discussão é recente no país. O movimento de inclusão deu visibilidade aos deficientes e abriu frestas nas portas das escolas e do trabalho.

Pela lei brasileira, os direitos sexuais e reprodutivos dos deficientes intelectuais são os mesmos de qualquer outro cidadão. A garantia desses direitos, no entanto, vai além da capacidade do Estado. Depende do bom senso e da disposição das famílias – a maioria marginalizada durante toda a existência e sem o conhecimento necessário para lidar com a complexidade da questão. A principal dificuldade dos deficientes intelectuais é o pensamento abstrato. Como ensiná-los que atos idênticos podem ter intenções e significados diferentes? E que, por isso, alguns seriam permitidos e outros não? Se o namorado bota a mão no seio da garota, é carinho; quando a mão é do tio ou do vizinho, é abuso sexual. Se a mão é do ginecologista, trata-se de um exame de rotina.

Na dúvida, grande parte das famílias encara a superproteção e a repressão da sexualidade como o único caminho para afastar os filhos dos riscos. Deixar de pensar e decidir por eles é uma tarefa custosa e que exige desprendimento. E, se algo der errado, conseguirei conviver com a culpa? Qual é a medida certa da autonomia? A dependência, às vezes mútua, prejudica o desenvolvimento do deficiente. “Os pais precisam ser trabalhados para enxergar primeiro o filho e depois a deficiência”, diz a assistente social Mina Regen, coautora do livro Sexualidade e deficiência: rompendo o silêncio. “É fundamental que as pessoas com deficiência intelectual sejam ouvidas e aprendam a fazer escolhas desde a infância, por mais simples que sejam.” Isso inclui da roupa a vestir até o que comer.

Segundo especialistas, entre todas as deficiências, a intelectual é a mais temida pelas famílias e a mais discriminada pela sociedade. “Somos educados para acreditar que existe uma hierarquia entre condições humanas”, diz Claudia Werneck, superintendente da Escola de Gente, uma ONG baseada no Rio de Janeiro que desenvolve projetos de inclusão social. “No colégio, as boas notas fazem a alegria dos pais. A felicidade do filho fica em segundo plano.” A Escola de Gente mediu os níveis de intolerância aos deficientes intelectuais em mais de 300 oficinas feitas em dez países. Num determinado momento da exposição, uma pergunta é feita à plateia: “Quem daqui é gente?”. O palestrante segue fazendo questionamentos que provocam o público. “Pelo menos 90% dos presentes dizem que é humano quem tem o intelecto funcionando bem”, afirma Claudia.

No Brasil, de acordo com o Ministério da Saúde, há 3 milhões de deficientes intelectuais. São pessoas com “dificuldades ou limitações associadas a duas ou mais áreas, como aprendizagem, comunicação, cuidados pessoais, com a saúde e a segurança”. Não há um ranking das causas da deficiência no país. Mas há diversos fatores de risco: síndromes genéticas (como de Down e de Williams, que afeta as áreas cognitiva, comportamental e motora), doenças infecciosas como rubéola e sífilis, abuso de álcool ou drogas na gestação, desnutrição (da mãe ou da criança) e falta de oxigenação no cérebro.

“Crianças com deficiência criadas em ambientes que favorecem o desenvolvimento e a autonomia podem ser capazes de namorar e constituir família”, afirma Mina Regen. “Cada caso deve ser analisado de acordo com suas singularidades.” Cíntia, de Florianópolis, mora com o marido e o filho na casa dos pais. Em Socorro, São Paulo, cidade de 33 mil habitantes, o arranjo mais conveniente para um casal de deficientes e suas famílias foi diferente. Maria Gabriela Andrade Demate e Fábio Marcheti de Moraes, ambos de 29 anos, vivem com a mãe dele. A filha do casal, Valentina, mora com a avó materna. Todas as manhãs, Gabriela pula da cama e corre para ajudar a cuidar da menina. “Mamãe”, diz a falante Valentina, de 1 ano e meio, ao escutar o barulho da porta.

Quando Gabriela deu à luz, sua história repercutiu pelo Brasil. Na Associação Carpe Diem, na Zona Sul de São Paulo, uma das raras instituições para deficientes intelectuais que lidam com a sexualidade e os direitos reprodutivos, o assunto reacendeu discussões diversas: gravidez, métodos contraceptivos, doenças sexualmente transmissíveis. “Tenho vontade de transar um dia. Mas tenho de estar preparada”, diz Mariana Amato, de 30 anos. “Eu queria engravidar. Gostaria de ser mãe.”

A abordagem da Carpe Diem é a do Projeto Pipa: Prevenção Especial, criado pelas psicólogas Lilian Galvão e Fernanda Sodelli. Conceitos sobre a manifestação da sexualidade são transmitidos, principalmente, em rodas de conversa. Os “jovens Pipa” aprendem, por exemplo, a identificar abuso sexual com o uso de bonecos. A pedagogia ajuda a transformar abstrações em ideias concretas. “Antes do Projeto Pipa, eu tinha um medo danado e ficava confusa”, afirma Ana Beatriz Pierre Paiva, de 32 anos. “O que é sexualidade? O que é namorar? O que é gostar de alguém?” Bia revela que descobriu o próprio corpo, que tem desejos e que os atos de uma pessoa têm consequências – algumas agradáveis, outras não. Também conseguiu se aproximar dos pais e dizer o que pensa. “A vontade de ter um compromisso sério é grande. Mas meus pais acham que sou nova.” A mãe de Bia, Ana Maria Pierre Paiva, reconhece que é “superprotetora” e que teria dificuldades de aceitar um relacionamento da filha.

Bia é de uma geração de deficientes intelectuais brasileiros que começou agora a se engajar num movimento de autodefesa. Junto com Mariana Amato e Thiago Rodrigues, de 22 anos, ela dá palestras sobre direitos sexuais e reprodutivos pelo país. Em agosto, os três estiveram num evento em João Pessoa, Paraíba. “Tem gente que olha para a nossa cara e pensa: ‘Esses garotos não sabem de nada, não crescem’”, diz Thiago. “Geralmente, a gente não pode viver a sexualidade por causa da falta de compreensão das pessoas.”

Certa vez, Mariana e o namorado foram ao cinema e tiveram de trocar de sala porque um casal se sentiu incomodado e chamou o segurança. “O segurança me disse que os dois estavam apenas se beijando”, afirma Glória Moreira Salles, mãe de Mariana. Agora, Mariana e o namorado só se comunicam por internet e telefone. Ela se mudou temporariamente para Lucena, na Paraíba. Durante seis meses, vai morar com a amiga Lilian Galvão, uma das criadoras do Projeto Pipa, e trabalhar numa ONG. “Chegou a minha hora. Vou conviver no mundo lá fora e seguir o meu projeto de vida”, diz Mariana. A mãe, Glória, afirma que, com o decorrer do tempo, passou a enxergar a filha de maneira diferente. “Aprendi que quem põe os limites é ela.”

O sucesso do Pipa é possível porque envolve as famílias. “Se o Pipa tivesse chegado antes, não teria levado minha filha para fazer laqueadura”, afirma uma mãe. A cirurgia seria evitada se a jovem já conhecesse os métodos contraceptivos e soubesse como se proteger de abusos. Ainda há famílias que recorrem à esterilização. “Não é crime. Mas é uma violação de direitos proibida pela convenção da ONU, ratificada pelo Brasil em 2008”, diz Izabel Maior, chefe da Coordenadoria Nacional para a Integração da Pessoa Portadora de Deficiência, ligada à Secretaria Especial dos Direitos Humanos.

“A gente tem condições de aprender a se proteger”, diz Mariana, “e, com o suporte da família, a gente pode ter autonomia.” Mariana demonstra ser uma mulher determinada. Bia é doce, fala sorrindo com os olhos. Suas palavras, pronunciadas de maneira calma e fluida, não são menos assertivas que as da amiga Mariana: “Somos seres humanos e nos sentimos como seres humanos, como todos vocês”.

– Um País de Mulheres no Poder

 

Ontem, algo interessante em nosso país: as mulheres mandaram na Presidência, Senado e Câmara.

 

– Dilma Roussef na Presidência da República;

– Marta Suplicy assumiu provisoriamente a Presidência do senado, no lugar de Sarney;

– Rose de Freitas na Presidência do Congresso.

 

Vale ressaltar que enfim as mulheres têm vez. Mas, lembremo-nos: SEXO NÃO DEFINE COMPETÊNCIA.

– Preconceito & Futebol: Árbitro Travesti é Sucesso no Ceará!

 

O homossexualismo no futebol é um grande tabu. E, talvez, por muito tempo ainda será.

 

Mas uma matéria da Folha de São Paulo do último sábado (FSP, 22/01/2011, pg D6, por Adriano Fernandes) me chamou a atenção: um árbitro de futebol do Ceará, Valério Gama, além de exercer o ofício do apito, se transforma á noite como travesti Laleska. E faz sucesso dentro e fora de campo!

 

O árbitro-travesti, assumido e bem resolvido, diz que nunca sofreu preconceito (curioso, já que o nosso país – e o futebol em particular – é taxado de machista e preconceituoso). Antigamente, tínhamos o assumido Jorge Emiliano (imortalizado como Margarida) e seus trejeitos (aliás, recentemente apareceu um Margarida 2, catarinense, que é casado e pai de 3 filhos). Hoje, fico curioso o que aconteceria se na FPF ou CBF um árbitro de ponta se declarasse homossexual.

 

E você, o que pensa sobre o assunto: quanto a homossexualidade no futebol – existe ou não preconceito? Deixe seu comentário.

 

Abaixo, a história do árbitro Valério Gama, ou, se preferir, da travesti Laleska:

 

AUTORIDADE – árbitro cearense que se traveste à noite já apitou mais de cem partidas

 

Por Adriano Fernandes

 

Eu descobri que era gay aos dez anos. Fui percebendo que não gostava de mulher. Brincava com meninos e sentia interesse por eles. Nunca contei para a minha família. Minha mãe já percebeu, meu pai até hoje é contra.


Comecei a me interessar por futebol assistindo aos jogos da Copa de 1994, nos EUA. Eu tinha 15 anos. Entrei no futebol pra ser goleiro. Eu era o terceiro goleiro de um time aqui da minha cidade.


Na época, faltou juiz e o meu treinador pediu pra eu apitar. Eu apitei e gostei. Não sabia as regras, aprendi dentro do futebol, na marra. Não sou formado [em arbitragem], mas já marquei o curso com o Dacildo Mourão, um juiz daqui. Ele me chamou.


Já apitei mais de cem jogos: campeonatos e amistosos entre times locais. Mas não estou no quadro de árbitros da federação cearense.


SEM PRECONCEITO


Toda a equipe de árbitro só tem homem, e eu sou o único homossexual. Nunca me envolvi com eles, eles nunca me cantaram, me respeitam como se eu fosse uma mulher mesmo. Porque o que eles sabem fazer eu também sei.


Eu bandeiro e tudo. Gosto mais de apitar, mas eu bandeiro quando é feito sorteio.
No futebol, eu não sofro preconceito, nunca sofri.


Quando eu chego ao campo, as pessoas acham que eu sou mulher. Vêm conversar comigo e perguntam: “E aí, mulher?”. Eu digo: “Gente, eu não sou o que vocês estão pensando. Eu ainda não sou mulher. Sou homem”.


Aí, quando descobrem, ficam passados, caem pra trás, se assustam. Mas nunca fizeram nada que me ofendesse. Pelo contrário, sou um dos mais chamados para apitar os jogos, todo sábado e domingo eu apito uma partida.


Eles chamam os héteros de veado, de baitola, mas a mim só chamam de ladrão, dizem que estou roubando. De veado ninguém chama porque todos já me conhecem.


LALESKA

Meu nome de mulher é Laleska. Quando eu estou de Laleska, gosto de ser chamado assim. Mas só à noite, quando eu saio para baladas.


O time do Ferroviário [clube cearense] me reconheceu uma vez. Eu fui pra praça de vestido, de salto, de bolsa.


Eles me olharam e falaram: “Olha a juíza!”. Só que eles não sabiam que eu era homem. Uma amiga deles conversou [com eles] e contou. Aí eles me chamaram e disseram: “Você me desculpa por eu chamar você de moça no campo”.


No campo, achavam que eu era mulher. Quando eu falava [durante o jogo], eles estranhavam por causa da voz, mas não descobriram. Se os jogadores acham que sou mulher, são mais educados.


Nós conversamos. Eles disseram que me viram de biquíni na praia, mas não acreditavam que eu era homem.


Eu falei que me transformava à noite em mulher. Eles gostaram, disseram que era muita coragem minha apitar um jogo profissional. Me deram parabéns. Fiquei feliz.


Vou te contar uma coisa que vai te deixar de queixo caído. Você está sentado?
Na minha casa somos oito irmãos e quatro homossexuais, dois em forma de homem e dois travestis.


“BICHA-HOMEM”

Só metade de nós são “normais” [héteros], como diz o povo daqui. Estou acostumado a não ser aceito. Meu pai disse que vai morrer e não vai aceitar. Não admite o filho ter peito, querer ser mulher.


Meus amigos travestis dizem que eu quero ser homem por gostar de futebol. Eles me chamam de “bicha-homem”. Dizem: “Olha essa bicha que quer ser homem”, “Essa bicha fala de futebol como se fosse homem”. Eles não entendem nada de futebol. Eu sou totalmente diferente deles. Eles ficam passados.


Tem muito homossexual no futebol, mas são incubados, não se assumem. Eu não. Eu rasguei logo. De que adianta eu viver a vida dos outros? Tenho que viver a minha, não vou mostrar para as pessoas uma coisa que não sou. Se perguntam, assumo.


“O” ERRO, “O” JOGO


O maior erro da minha carreira foi uma falta fora da área que eu marquei pênalti.
Logo depois, eu percebi que tinha sido fora, mas não dava para voltar atrás. Os jogadores puxaram meu cabelo. Já levei tapas, empurrão.


Meu jogo mais importante foi Ferroviário contra a seleção de Beberibe [no último dia 8]. O Ferroviário joga a primeira divisão daqui. Me chamaram e fiquei empolgado. Encarei da forma que encaro qualquer briga na vida.


Quando entrei no jogo, parece que incorporou um espírito na minha pessoa, um espírito de homem. Eu não tenho aqueles trejeitos do [ex-árbitro] Margarida, por exemplo. Faço os gestos todos direitinho, mas, depois que eu saio de campo, ninguém mais me segura.


RESUMO

Valério Fernandes Gama tem 32 anos e é juiz de futebol desde os 23.


Homossexual, à noite vira Laleska. Como travesti, sai para as boates de Beberibe, sua cidade natal, no interior do Ceará. Nunca sofreu preconceito nos gramados. Seus amigos travestis estranham seu interesse por futebol. Dizem que Valério é um gay “que quer ser homem”.

– Arbitragem: O Desempenho dos AAA e as Mulheres do Paulistão

 

Amigos, estamos no meio da Rodada 03 do Campeonato Paulista. E a experiência com os AAA (os dois novos integrantes da equipe de arbitragem, localizados atrás do gol) tem sido proveitosa.

 

Vamos para algumas considerações:

 

Nenhuma reclamação desses árbitros até agora; aliás, escrevo no domingo de manhã,  portanto antes dos jogos da tarde e depois dos de sábado; e as queixas contra a arbitragem são praticamente inexistentes;

 

– Efeito da implantação dos AAA: acabou o agarra-agarra dentro da grande área. Lógico, com mais olhos para fiscalizar o comportamento dos atletas, zagueiros e centroavantes ficam intimidados em cometer infrações e se policiam mais.

 

Concordância total entre árbitro e os árbitros atrás do gol: não sei se isso é bom; afinal, poderia-se levar a crer que estes estariam intimidados a falar com o árbitro principal, cuja decisão prevalece. Aguardemos um jogo mais polêmico para saber se haverá poder de correção de uma decisão ou não.

 

– Cá entre nós: o Paulistão ainda está morno e os jogos têm sido fáceis de se apitar…

 

A não-uniformidade dos AAA: assisti in loco PAU X ITU: praticamente, esses AAA criaram raízes no chão, já que não foram exigidos e nem se movimentaram. Assisti pela TV SÃO X PON: um dos AAA correu que nem um maluco da intersecção da linha de meta com a pequena área até a grande área! E ia pra frente e pra trás! Não precisa fazer isso para mostrar que está atento… Cuidado não só com a pasmaceira, mas com o excesso de vibração também!

 

Uma sugestão interessante: que tal se esses AAA fossem árbitros que estouraram o limite de idade? Eles não precisam do mesmo condicionamento físico do árbitro principal (poderiam ser senhores barrigudos… rsrs) e, devido a experiência de tanto tempo de carreira, agregariam muito à partida. Sempre questionei isso: com 45 anos, onde o árbitro transborda vivência e discerne muito melhor os lances de dúvida de uma partida, ele é obrigado a parar. Que tal aproveitá-los nessa função?

 

Aproveito esse post para falar sobre a matéria da Folha de São Paulo de hoje sobre as Mulheres no Campeonato Paulista. Bela abordagem da carreira das moças, falando ‘com e sobre’ as colegas e amigas Maria Elisa Correia e Regildênia de Holanda e suas trajetórias na primeira divisão. A matéria abordou ainda a árbitra Graziele Criisol (que, curiosamente, apesar de competente, bonita, inteligente e bem condicionada fisicamente, não tem tido oportunidades na A1 – o que acontece?). Pena que não destacaram as árbitras assistentes Renata Ruel e Maísa Teles, que estrearam nesse ano, nem abordaram as árbitras-ícones dessa geração: Sílvia Regina e Ana Paula de Oliveira.

– Racismo de Novo nos Campos de Futebol?

 

Lembram-se do Desabato, argentino que supostamente ofendeu Grafite num jogo no Morumbi e fora preso?

 

Na época, criou-se uma grande discussão sobre o que seria racismo ou não (importante – toda forma de racismo e discriminação devem ser veemente combatidas, em minha opinião particular). Há meses, numa partida do Grêmio-RS, outro jogador passou a noite na delegacia por ofender seu adversário.

 

Mas agora vemos uma situação diferente: ao invés dos torcedores ofenderem os jogadores, como infelizmente se tornou comum na Europa, ontem, em Uberlândia, um jogador ofendeu ao torcedor e foi preso, na Partida entre Uberaba X Defensor-URU.

 

Pelas boas regras da educação, ninguém deve ofender ninguém. Mas o futebol é um mundo a parte e a cultura futebolística não tende a mudar: o torcedor xinga o árbitro, o torcedor de outra equipe e, claro, o jogador adversário.

 

Agora, cá entre nós: se o torcedor xingou o jogador, e o jogador revida a ofensa (como ocorrido ontem), por quê somente ele deve ser preso por injúria?

 

Sinceramente, acho que nestes casos, ninguém deveria ser preso. São xingamentos de natureza específica em ambiente diferente do resto da sociedade. Ou é muita frescura, ou tem autoridade querendo aparecer…

 

Respeito a opinião de todos os amigos, mas, pense no seguinte princípio: se fosse caso de prisão, PRENDAM TODOS OS TORCEDORES QUE XINGAREM O ÁRBITRO DE SAFADO, LADRÃO OU FIZEREM MÁ MENÇÃO DA MAMÃE DE CADA APITADOR…

 

No futebol, essa regra não vale.

 

Em: http://esporte.ig.com.br/futebol/jogador+uruguaio+e+acusado+de+racismo+em+minas+gerais/n1237963284906.html

 

JOGADOR URUGUAIO É ACUSADO DE RACISMO EM MINAS GERAIS

 

Atacante do Defensor, que disputou amistoso contra o Uberaba no interior do estado, passou a noite na delegacia

Após o empate por 2 a 2 em partida amistosa realizada na noite desta quarta-feira (19), contra o Uberaba, o atacante Brahian Aleman, do Defensor-URU, foi conduzido por policiais à Aisp (Área Integrada de Segurança Pública), do bairro de Olinda, em Uberaba-MG, sob acusação de racismo.

Durante a partida, o jogador teria se envolvido em uma discussão com um torcedor do Uberaba e o teria ofendido com palavras e gestos de cunho racista. O torcedor ofendido, acompanhado por testemunhas, procurou os policiais e fez a acusação.

Logo após o término do amistoso, Aleman e Carlos Henrique Teixeira, o torcedor ofendido, foram encaminhados à delegacia para que fosse feito o boletim de ocorrência. Depois, eles prestaram depoimento ao delegado de plantão. O jogador do Uruguai passou a noite na delegacia e depois foi liberado.

– O “Legal” é ser Big Brother? Conteúdo e Inteligência versus Banalidade e Entretenimento

 

Amigos, muito boa a matéria do Terra Magazine sobre o programa Big Brother Brasil e seus participantes. Nela, um professor da Universidade Federal da Bahia falou sobre a idolatria e o sucesso instantâneo desses “artistas” frente a labuta de professores, críticos e outros segmentos da cultura ou do estudo. Ainda, aborda a exploração do mundo gay no programa da Rede Globo (a propósito, há 2 ex-alunos dele no BBB).

 

Confira, extraído de: http://terramagazine.terra.com.br/interna/0,,OI4884786-EI6581,00-Professor+Com+subcelebridades+ficou+chato+ser+inteligente.html

 

COM SUBCELEBRIDADES, SER INTELIGENTE FICOU CHATO

 

Por Cláudia Leal

 

A nova edição do Big Brother Brasil (BBB) despejará na mídia 17 subcelebridades que, daqui a alguns meses, lutarão por flashes em tentativas de sexo na praia, em desquites estrepitosos e nas visitas de praxe às padarias do Leblon.

Observador desse Olimpo de deuses afobados, o professor de comunicação da Universidade Federal da Bahia, Maurício Tavares, doutor pela PUC-SP, já se vacinou para sobreviver à temporada.

– Hoje em dia, a pessoa ser inteligente é até ofensivo em alguns meios, em alguns veículos. Ser inteligente ficou chato. Você tem que ser superficial, bonito e engraçado. … Uma mulher loira, mais ou menos bonita, vira uma pessoa mais importante que João Ubaldo Ribeiro – ironiza.

Crítico do “mundinho” de celebridades, Maurício Tavares aponta a “audiência massacrante” da Rede Globo e as artimanhas do diretor Boninho como os dois principais motivos da sobrevivência do BBB em onze edições. Estudioso do universo gay, Tavares avalia o uso de homossexuais na fórmula dos reality shows:

– Os gays são elementos ligados ao mundo da fofoca, embora Jean Wyllys tenha feito o papel da “boazinha”. Os gays vivem num mundo em que eles precisam muito estar lidando com coisas que envolvem a traição, um mundo menos “normal”.

O raio caiu duas vezes sobre o professor da Ufba. Ele é ex-professor do BBB Jean Wyllys, eleito deputado federal pelo Rio de Janeiro, e integrou a banca de conclusão de concurso do novo gladiador de Pedro Bial, o jornalista Lucival França.

Confira a entrevista.

Terra Magazine – Como o mundo de subcelebridades é alimentado pelos reality shows? Qual o efeito das últimas dez edições do BBB sobre a mídia?
Maurício Tavares – Você acompanha um fenômeno engraçado: o aumento do número de revistas que tratam de subcelebridades, “Contigo” e não sei o quê mais. Essas revistas, mais do que o jornalismo “normal”, têm falta de assunto. O BBB é um pouco uma fábrica dessas pequenas celebridades, para alimentar durante algum tempo essa rodinha. Até porque são pessoas ávidas pela fama, aquela fama imediata, não é aquela que você vai conseguir com o trabalho. Eu me incomodo muito, de maneira radical, com quem está trepando com não sei quem…

Por que se incomoda? Mais pela exposição ou pelo vazio da exposição?
Pelo vazio da exposição e pela desimportância de quem está comendo quem, quem está chupando quem. E daí, cara? Gostaria que essa imprensa de subcelebridades fosse mais atrevida: quem tá bebendo urina, coisas assim mais bizarras (risos).

E perversas…
Perversas. Mundo cão. Mas, pô, quem tá comendo quem? E a gente sabe que muitas dessas fofoquinhas são inventadas para alimentar essa mídia. É um processo circular: você inventa uma história porque vai sair na mídia, a mídia compra a história porque sempre tem alguém interessado em ler. Fico impressionado quando vou ao supermercado e tem aquela fila de revistas. Fico olhando quais as revistas que as pessoas pegam para olhar pelo menos a capa. Quase sempre são essas revistas. Lá tem Veja, Istoé, Época – uma vez ou outra alguém pega. Mas as revistas ligadas às novelas todo mundo pega. E o Leblon virou assim a Hollywood brasileira. Aquela coisa dos paparazzi lá na praia, no restaurante… E os próprios artistas que querem aparecer, outros não.

Outro dia saiu Caetano Veloso comprando mamão num supermercado do Leblon.
Tem umas coisas assim de um ridículo atroz.

Isso não cria um problema para as celebridades mais ligadas ao talento, à produção artística? Para aparecer, não vão ter mais dificuldade?
Claro que sim, claro que tem. É um problema de queda de valores. Hoje em dia, a pessoa ser inteligente é até ofensivo em alguns meios, em alguns veículos. Ser inteligente ficou chato. Você tem que ser superficial, bonito e engraçado. E alguns professores até caem nisso. As pessoas loiras que estão aparecendo… Uma mulher loira, mais ou menos bonita, vira uma pessoa mais importante que João Ubaldo Ribeiro. (risos) Há esses critérios meio malucos.

Por que, apesar de estar na 11ª edição, a fórmula do BBB não se esgotou totalmente?
Achei que no terceiro, no quarto, se esgotaria. É impressionante. Mas tem também um pouco das artimanhas desse Boninho (diretor do BBB). Ele é diabólico, inventa coisas. Li alguns textos sobre o BBB e, numa época, até escrevi sacaneando um pouco com Pedro Bial: há o fascínio de ver as pessoas no dia-a-dia. É insuportável. No ano passado, tentei ver uns pedaços, mas não deu. Foi uma artimanha dele botar dois gays, aquelas pintosas lá pra animar o negócio. E eu: meu Deus, como é que pode, é de uma banalidade, é de um nada total. Agora ele vai inventar sabotadores. Primeiro, a estrutura do BBB é de uma novela. Tem o vilão, caracteriza as pessoas. Depois, tem pessoas reais e uma parte dos espectadores gostaria de estar ali. Uma boa parte, aliás, mandou vídeos e nunca conseguiu.

Você tem dois ex-alunos no BBB…
É, o segundo agora, fui da banca dele, Lucival (França). Era da faculdade Jorge Amado. Ele fez um trabalho de conclusão de curso sobre um pai-de-santo gay que matou a garota que era namorada do namorado dele. O livro reportagem é interessante. Depois ficamos amigos.

Como avalia essa tendência de ter gays nos reality shows?
É fundamental. Tem um fascínio da ambiguidade sexual de alguns, porque os gays são assumidos. E os gays são elementos ligados ao mundo da fofoca, embora Jean Wyllys tenha feito o papel da “boazinha”. Os gays vivem num mundo em que eles precisam muito estar lidando com coisas que envolvem a traição, um mundo menos “normal”. Não tem “mundo normal”, mas eles carregam um pouco isso. Até o comportamento do gay Serginho, do outro BBB, tinha essa facilidade de transitar de um lado para outro, não se envolver muito. Tem elementos fortes.

Nesse segmento de reality show, há mais abertura para homossexuais do que nas novelas. Por quê?
Porque é ficção. Paradoxo maluco. Até agora, não teve beijo, só teve bitoca, não teve ainda um romance gay. Não sei se Lucival vai proporcionar isso… Ele já falou que só debaixo dos edredons. Às vezes tem uma linguagem que numa novela não sairia. Isso tem um dedo de Boninho. Não é ele que jogava ovo nas pessoas?

Você acompanha o fenômeno das subcelebridades em outros países?
Tive recentemente na Argentina. A televisão de lá consegue ser pior do que a daqui e tem esse mundinho de celebridades. O modelo português (Renato Seabra, ex-participante de reality show) que matou o amante dele (nos Estados Unidos) é um fenômeno mundial. Mas, no Brasil, algumas coisas ganham uma dimensão que é desproporcional. Garanto que alguns lugares devem ter, de alguma maneira. Nos Estados Unidos, a quantidade de reality show é muito maior do que aqui, nas tevês a cabo. Você tem de cabeleireiros a top models, uma quantidade gigantesca. Por que aqui ainda é tão desproporcional? A Globo tem uma audiência massacrante em relação ao resto dos canais. O buchicho que “A Fazenda” provoca é muito pequeno em relação ao BBB. E “A Fazenda” usa até o recurso das semicelebridades. As pessoas não vão se tornar subcelebridades, elas já são e tentam sair do limbo.

– Pio XII: de pró-Nazista a pró-Judeu

 

A figura do papa Pio XII sempre foi contestada. Seu papado ocorreu em meio a Segunda Guerra Mundial, e a acusação mais freqüente foi a de omissão frente os crimes de Hittler. A comunidade judaica sempre fez ressalvas à sua figura.

 

Agora, livros apontam que Pio XII, na verdade, foi um herói que salvou milhares de judeus.

 

Justa correção histórica!

 

Em: http://www.istoe.com.br/reportagens/114896_A+ABSOLVICAO+DE+PIO+XII

 

A ABSOLVIÇÃO DE PIO XII

 

Por Rodrigo Cardoso

 

No mesmo livro em que se revela mais flexível sobre o uso do preservativo, “Luz do Mundo: O Papa, a Igreja e os Sinais dos Tempos”, lançado no mês passado, Bento XVI toca em uma ferida que não cicatriza há mais de meio século. A autoridade máxima da Santa Sé conta que uma investigação sobre a vida de Pio XII (1876-1958) confirmou “aspectos positivos” daquele papa durante o período marcado pelo extermínio de seis milhões de judeus nas mãos de nazistas. Sumo Pontífice entre 1939 e 1958 e responsável, portanto, por conduzir a Igreja Católica durante a Segunda Guerra, Pio XII ganhou a pecha de Papa de Hitler por, supostamente, se omitir enquanto os judeus eram levados aos fornos de Auschwitz sob as ordens do Führer. Mas, além do próprio Joseph Ratzinger, livros e uma associação de judeus saem em defesa do controverso religioso de origem italiana.


No mês passado, Bento XVI reuniu-se no Vaticano com o judeu Gary Krupp, fundador da Pave the Way Foundation (Ptwf). Essa organização, que trabalha para eliminar os entraves entre religiões, havia conseguido, no início do ano, uma autorização para digitalizar e publicar cinco mil documentos dos arquivos secretos do Vaticano, datados entre 1939 e 1945. Até agora, a fundação já disponibilizou 40 mil páginas de documentos, artigos e vídeos com testemunhos de pessoas que contam como elas ou seus familiares teriam sido salvos por intervenção de Pio XII.

 

Um dos depoimentos foi feito pelo americano Robert Adler, membro da Comissão do Alabama para o Holocausto. De acordo com ele, seu pai, Hugo Adler, passou entre cinco e seis semanas escondido no Vaticano, em 1941, onde teria se encontrado com o papa Pio XII em várias ocasiões. Chegara até lá vindo de Viena, na Áustria, graças a uma rede da Santa Sé que atuava discretamente na Europa. “Meu pai teria morrido não fosse a intervenção de Pio XII”, diz Robert em vídeo disponível no site da Ptwf. Ao todo, Eugenio Maria Giuseppe Giovanni Pacelli, membro da nobreza italiana que mais tarde viria a se tornar Pio XII, “salvou pelo menos 700 mil judeus da morte certa pelas mãos dos nazistas”, segundo escreve o ex-cônsul de Israel em Milão Pinchas Lapide em seu livro “Três Papas e os Judeus”.


Apesar de famosos como o físico Albert Einstein e a ex-primeira-ministra israelense Golda Meir terem manifestado a sua gratidão pelos feitos de Pio XII durante a Segunda Guerra, muitos judeus tacham de covarde sua postura. “Pesa contra ele o fato de não ter sido ousado em desafiar o nazismo publicamente”, afirma o sociólogo Luiz Alberto Gomes de Souza, da Universidade Cândido Mendes. “Ele era diplomático, foi prudente em excesso. Ao passo que seu antecessor, Pio XI, fez críticas agudas ao nazismo e ao fascismo.”
Católicos defensores de Pio XII argumentam que ele agiu nos bastidores e preferiu não provocar Hitler para que judeus e católicos não sofressem retaliações maiores. Alguns dos documentos disponíveis no site da Ptwf mostram a atuação do bispo de Campagna, na Itália, Giuseppe Palatucci. Ele e dois irmãos teriam salvado cerca de mil judeus, seguindo instruções de Pio XII. Em Roma, 155 conventos e mosteiros abrigaram cinco mil judeus.

 

Faz um ano que Bento XVI proclamou venerável Pio XII, cujo processo de beatificação se arrasta desde 1965 – a controvérsia sobre sua atuação no período do Holocausto prejudicou o trajeto rumo à santidade. Das mãos de Krupp, da Ptwf, Bento XVI recebeu um exemplar de “Hitler, a Guerra e o Papa”, de Ronald Rychlak. Foi presenteado, também, com “O Contexto do Papa Pio XII”, ainda não publicado, escrito por Rychlak e pelo general Ion Mihai Pacepa. Ex-membro da inteligência que desertou do bloco soviético, Pacepa foi recrutado para pintar Pio XII como colaborador do nazismo. Ele conta no livro que o Kremlin queria difamar a Igreja por sua postura anticomunista. Em 1960, Nikita Kruchev aprovou um plano secreto para destruir a moral da Santa Sé.


Escolhido como alvo, o Papa Pio XII, que servira como núncio papal em Munique e em Berlin entre 1917 e 1929, época em que os nazistas ascendiam, deveria ser tachado de antis­semita. Sob o disfarce de um agente romeno, Pacepa negociou um acordo que promovia a retomada das relações entre o Vaticano e a Romênia em troca do acesso aos arquivos da Igreja. Trono-12 era o nome dessa operação, que resultou, segundo ele, na peça “O Vigário”, de 1963. Traduzida para 20 idiomas, a obra retrata Pio XII como uma pessoa distante das mazelas da guerra, mais preocupada com as finanças da Santa Sé.

Neste ano, o Vaticano informou que a totalidade dos arquivos secretos sobre o pontificado de Pio XII – aproximadamente 16 milhões de textos – estará disponível em até cinco anos. Será a hora de descobrir se, nesse extenso roteiro, Pio XII encontrará a tão almejada absolvição, já cantada por muitos judeus.

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– O Tolo Preconceito aos Nordestinos no Twitter

 

Lembram-se que na noite da apuração dos votos à Presidência, começaram a pipocar no Twitter frases racistas contra nordestinos, devido a votação maciça de Dilma naquela região?

 

Pois é: uma estudante de direito foi quem começou tudo isso e a febre, infelizmente, pegou. A moça foi demitida do seu emprego.

 

Independente da escolha do candidato,é uma tremenda burrice, desrespeito, crime e soberba discriminar nossos irmãos do Nordeste. Abaixo, postei um artigo sobre o tolo preconceito contra Monteiro Lobato. Agora, outro tolo preconceito.

 

Que raio de sociedade estamos nos tornando?

 

Abaixo, a origem dos tweets preconceituosos:

 

Em: http://blogs.estadao.com.br/pedro-doria/tag/eleicoes/, por Pedro Dória

 

#orgulhodesernordestino: Twitter, racismo e estupidez

 

Os computadores do TSE ainda estavam quentes de tanto processar voto na segunda-feira passada, quando a estudante de Direito paulistana Mayara Petruso achou por bem navegar pela rede social. “Nordestino não é gente”, escreveu no Twitter. “Faça um favor a SP, mate um nordestino afogado!” Não satisfeita, de lá pulou para o Facebook – “Deem direito de voto pros nordestinos e afundem o País de quem trabalha para sustentar os vagabundos que fazem filho para ganhar o bolsa 171.”

Estupidez pura.

Mayara não foi a única a atacar nordestinos naquela segunda-feira. Uma parcela de eleitores insatisfeitos com o resultado do pleito tomou o caminho do preconceito. É como se dissessem: quem vota contra minha opção algum defeito há de ter. Há um equívoco essencial aí: Dilma não venceu apenas no Nordeste. Também teve maioria em Estados do Sudeste, como Rio e Minas. Mas não importa. Aos preconceituosos, qualquer estereótipo é irresistível.

Mayara não é um caso isolado embora talvez tenha sido a mais agressiva. Também não dá para dizer que a reação racista ao resultado do pleito tenha sido generalizada. Foi pontual.

Mais impressionante do que a estupidez dos comentários, no entanto, foi o tamanho da repercussão na rede. Na terça-feira, a hashtag que dominou o Twitter foi #orgulhodesernordestino. Era gente contando histórias pessoais, prestando solidariedade, desabafando. Perante o ódio, a internet serviu a um levante contra o preconceito.

E a uma surra sem precedentes na moça. Ela apagou seu perfil no Twitter, no Facebook, desapareceu. Terminou demitida do escritório de advocacia onde fazia estágio e tem uma ameaça de processo por crime de racismo movida pela OAB de Pernambuco. Há quem peça sua prisão. Advogados, como jornalistas, têm a obrigação de medir o que escrevem. Que lhe sirva de lição.

Na forte reação aos comentários de Mayara, é importante entender que lições ficam para nós. A principal está na resposta para uma pergunta fundamenta: São Paulo é tão preconceituosa quanto a moça fez parecer?

A resposta pode estar escondida no Google Insights for Search, a ferramenta do serviço que nos permite compreender que padrão uma busca específica segue. Buscas pelo nome “Mayara Petruso” começaram a pipocar no dia primeiro, tiveram queda ligeira no feriado de Finados e deram um salto ainda maior no dia 3. Tudo faz sentido: a notícia de que a internet tinha uma nova vilã corria e teve gente indo ao Google procurando detalhes da história.

O mais interessante, no entanto, é saber quem estava buscando por Mayara. E não eram nordestinos. Eram, principalmente, paulistas.

Buscas pela palavra “nordestino” também cresceram nos três primeiros dias de novembro. E, novamente, foram buscas realizadas de dentro de São Paulo, não no resto do País. “Preconceito” e “racismo” foram outras palavras cuja frequência de buscas aumentou. Nestes casos, a Bahia dividiu com São Paulo o interesse.

Segundo o TrendsMap.com, ferramenta que acumula a história dos assuntos mais populares do Twitter e os divide geograficamente, gente de São Paulo se engajou ativamente na campanha #orgulhodesernordestino. Mais do que gente do Rio Grande do Norte e no mínimo tanto quanto baianos, cearenses e pernambucanos.

Há racismo em São Paulo, mas São Paulo não é racista. Os números do Google mostram que nenhum lugar do Brasil se mobilizou mais por conta das declarações de Mayara do que São Paulo. E a ampla população paulista no Twitter se entregou de alma no movimento de resposta, encampando o mote do orgulho geográfico.

Estereótipos não são tentadores apenas para os preconceituosos. Estão aí para que qualquer um lance mão deles quando busca um argumento fácil. As declarações de Mayara Petruso não circularam apenas no Brasil. Ela apareceu na imprensa britânica, na americana, na espanhola.

A notícia que circulou pouco foi a notícia melhor. Perante uma estupidez, o Brasil inteiro, independentemente de geografia, se incomodou e respondeu. Somos todos muito melhores do que isso. Ainda bem.

– Interessexualidade no Esporte

 

Que caso curioso. As agências desportivas discutem até onde “mulheres realmente são femininas” para poder liberar a disputa desses casos considerados extraordinários em competições mundiais.

 

Extraído de: http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EMI89198-15228,00-CASTER+SEMENYA+ELA+E+MINHA+MENINA+DIZ+PAI.html

 

Caster Semenya: “Ela é minha menina”, diz pai.

 

Por André Fontenelle

 

O caso da corredora acusada de ser homem mostra que o esporte aprendeu a lidar com a intersexualidade

 

Homens e mulheres competem separadamente na maioria dos esportes, salvo aqueles em que a superioridade física masculina não é decisiva para o resultado, como a equitação e o automobilismo. Casos como o da sul-africana Caster Semenya mostram, porém, que mesmo uma divisão tão natural tem limites. Desconhecida até em seu país apenas semanas atrás, Semenya, de 18 anos, chocou o mundo do esporte ao vencer facilmente a prova feminina de 800 metros no Campeonato Mundial de Atletismo, em Berlim. Sua história roubou um pouco da atenção em torno do fenomenal Usain Bolt, que quebrou os recordes masculinos dos 100 e dos 200 metros (leia texto).

A ambiguidade sexual de Semenya é evidente – voz grave, rosto masculino, pelos no rosto. Nascida em um vilarejo miserável do norte da África do Sul, ela passou a infância enfrentando gozações dos colegas de escola. O esporte foi uma forma de se vingar das humilhações. Ironicamente, seu sucesso levou a uma exposição pública igualmente vexatória. O público alemão reagiu à sua vitória com um silêncio constrangido. As adversárias murmuraram palavras de descrédito.

 

Semenya tem voz grave e pelos no rosto. Passou a infância
ouvindo gozações por sua masculinidade

 

O pai de Semenya saiu em defesa da filha. “Ela é minha menininha. Sei disso porque a criei.” Outras corredoras disseram já tê-la visto nua no vestiário e confirmaram ser uma mulher. Mas do ponto de vista atlético a evidência visual não é suficiente. Há diversas formas de intersexualidade, e atletas que se sentem mulheres, mas produzem testosterona como homens. Nessas raras situações, cabe às entidades que governam o esporte decidir.

Até o momento, a Federação Internacional de Atletismo (Iaaf) agiu de forma corretíssima. Primeiro, ao não tratar o caso como uma possível trapaça. É evidente que Semenya não é um homem que se faz passar por mulher. Segundo, ao evitar alarde. Só quando foi provocado pelos jornalistas o secretário-geral da Iaaf abordou a controvérsia. “Precisamos protegê-la”, explicou Pierre Weiss. Por fim, ao ressalvar que mesmo que Semenya seja desclassificada isso não faz dela um homem: “Testes genéticos são complexos”, disse Weiss. A decisão deverá levar algumas semanas.

A polonesa Stella Walsh, campeã olímpica dos 100 metros em 1932, tinha genitália masculina – descobriu-se quando de sua morte –, mas viveu toda a vida como mulher. Por casos como esse, e outros de pura e simples fraude, até a década passada toda atleta olímpica precisava comprovar a feminilidade, por um teste de cromossomo. Isso era humilhante para as mulheres. Por isso hoje o teste só é feito em casos específicos. Ficou famoso no Brasil o da judoca Edinanci Silva, cuja participação nos Jogos Olímpicos de Atlanta, em 1996, foi posta em dúvida. Pouco antes da competição, Edinanci foi submetida a uma cirurgia reparatória, mas a dúvida sobre sua feminilidade permanecia. O Comitê Olímpico Internacional decidiu mesmo assim autorizá-la a competir: acima da questão esportiva, estava o lado humano. Eliminar Edinanci – que viria a disputar quatro olimpíadas – destruiria tudo por que ela lutara. Esse parece ser o mesmo caso de Caster Semenya.

– Jundiaí: uma cidade racista ou não? A origem do termo ‘Macaquitos’ utilizado pelos Argentinos.

Para chegarmos ao contexto local, vale o global-histórico. E falaremos de uma personagem importante. Antonio Palacio Zino: eis o culpado!

Quem é ele?

Zino foi jornalista do periódico A Crônica, de Buenos Aires. Em 1920, quando a Seleção Brasileira de Futebol foi se apresentar na Argentina, ele destilou todo o seu racismo e desconsideração ao Brasil. Chamou nossos atletas de macaquitos e ironizou a conduta moral de nossas mulheres. Eis o artigo:

E estão os macaquinhos em terras argentinas. Hoje temos de acender a luz às 4h da tarde, pois os temos visto passeando pelas ruas, aos saltos (…) No carnaval, os maridos se abrem e as mulheres vão para a festa, como lhes dá vontade. Por isso que, cada vez que nasce uma criança, o casal tenta descobrir com qual vizinho se parece (…) A uma hora e meia da bela capital brasileira, gente inocente é degolada, se assalta sem medo e é latente a escravidão em suas nuances selvagens”.

Dá para imaginar um artigo desse em jornal atual? Seria incidente diplomático na certa.

Ridículo imaginar que se julgam as pessoas pela cor da pele. Não só no século passado, mas ainda hoje.

Mas, justiça seja feita: ele levou o termo racista macaquitos ao futebol, resgatando uma antiga ofensa portenha aos negros brasileiros. Durante a Guerra do Paraguai, no século XIX, o exército de soldados puramente brancos da Argentina se uniu a uma tropa brasileira formada por escravos negros, que garantiriam sua plena liberdade em caso de vitória na Guerra. Revoltados por serem oficiais unidos a escravos, os nossos hermanos, a cada desentendimento, ofendiam-os com o termo racista.

Século XXI: o racismo persiste em todas as áreas e em todos os povos, lamentavelmente. Alguns lugares mais tolerantes, outros menos. E preconceito no quesito raça, sexo e religião. Assim, que tal dar sua opinião: na sua comunidade/cidade, o racismo/preconceito para quaisquer grupos é perceptível?

Ops: creio que nossa Jundiaí é uma cidade mais tolerante do que muitas por aí, mas ainda não ideal.

(Informações extraídas de: Revista ESPN, edição 11, setembro / 2010, Coluna Página2 , pg 16).

– Futebol e Racismo no Brasil

Amigos, convido aqueles que se interessam pelo Futebol e por temas sociais como o Racismo a lerem a Folha de São Paulo desse domingo (30/05/2010).

Há um caderno especial (Copa 2010 – a África é aqui) de altíssima qualidade, onde há uma matéria sobre como vivem os negros na Bahia (estado mais negro do país) e em Santa Catarina (o mais branco), além de outras temáticas, como: Marias Chuteiras falando que o amor não tem cor; mulheres e discriminação; árbitros e jogadores negros; preconceito de negro por prório negro.

Uma curiosa frase foi destacada: “O jornalista Mario Filho relata uma frase que ouviu de Róbson, então jogador do Fluminense: ‘eu já fui preto e sei o que é isso’ em relação ao preconceito“.

Imperdível.

– Comemorar o quê? (Negros na Administração de Empresas)

Reproduzo texto de 2 anos atrás, por achar pertinente a data:

Hoje se recorda a abolição da escravatura no Brasil. A grosso modo, a Princesa Isabel (e esta é uma opinião bem particular) fez um DESSERVIÇO à nação. Calma, não é um comentário racista, muito pelo contrário (novamente, lembro que só deve existir uma raça, a raça humana). O questionamento se dá pelo fato de, demagogicamente, assinar uma lei libertando os negros da escravidão, e… e o quê? Simplesmente, o escravo que vivia nas senzalas estava livre, e a partir daquele momento, estava solto, sem casa, sem comida, sem dinheiro, e com alguns trapos no corpo! Não houve nenhum programa de inserção do negro à sociedade. E, até hoje, os negros pagam o preço de tal medida sem planejamento futuro nem preocupação social: Qual o percentual de negros em Universidades? Na Política? Nas artes?
Recentemente, a ONG AfroBrasil divulgou um levantamento da CNT-Sensus: no Brasil, apenas 3,3 % dos negros chegam a cargos de comando na Administração de Empresas.

– Sí, nuestro povo és tutti americans!

A brincadeira com palavras do dicionário espanhol, português, italiano e inglês remete a situação vivida no Arizona, nos EUA. Lá, o governo local criou uma medida em que os policias podem abordar e prender imediatamente imigrantes que estiverem suspeitos de permanência legal ou atitude duvidosa.

A lei deveria valer para todos os cidadãos, mas tem característica xenófoba (segundo os imigrantes) pois os únicos a serem detidos serão os estrangeiros. Assim, os imigrantes saem as ruas com bandeiras americanas cobrando por respeito, querendo demonstrar que se sentem americanos de coração.

Para os americanos natos, a imigração tem sido um problema grande, devido a falta de empregos. Mesmo assim, a imigração ilegal sempre cresce! Aliás, é um problema sério vivido na Europa em relação aos árabes e africanos, levando ao surgimento, infelizmente, de grupos neonazistas que cobram “Europa para europeus”.

– Jogadores, Homens ou Imbecis?

Lamentável o episódio ocorrido ontem no Parque Antártica, envolvendo os atletas Danilo e Manoel. Não me alongarei, a polêmica pode ser entendida neste link: PALMEIRAS x ATLÉTICO. Entretanto, algumas reflexões são extremamente necessárias:

– Um homem que dá uma cabeçada em outro para intimidá-lo, é, verdadeiramente, um cidadão?

– Um homem que dá uma cusparada no rosto de outro é realmente homem?

– Um homem que distingue pessoas pela cor da pele pode ser respeitado (já que existe apenas uma raça: a raça humana. Cor da pele não quer dizer nada…)?

– Um homem que agride com pisões seu semelhante é justo?

Pior de tudo: esses ‘homens’ são atletas, jogadores de futebol de clubes de expressão, que ganham muito bem financeiramente, pessoas públicas e que deveriam dar o exemplo em suas condutas, principalmente pelas crianças.

Tudo bem que o futebol é viril, tem contato físico. Mas é esporte simplesmente. Os dois imbecis estão errados. Agredir seu semelhante física ou moralmente por idiotice é clássico exemplo de falta de educação e cidadania.

Aliás, racismo é crime. Agressão também! AMBOS TÊM QUE PEDIR DESCULPAS PÚBLICAS À SOCIEDADE.

– O Futebol Brasileiro Contra o Apartheid

É dessas coisas que nos orgulhamos!

Extraído de: http://colunas.epoca.globo.com/matamata/2009/06/22/como-a-selecao-brasileira-ajudou-a-derrotar-o-apartheid/

Como a Seleção Brasileira ajudou a derrotar o apartheid

PRETÓRIA – Nós, brasileiros, nunca pensamos nisso, mas Pelé – e a seleção brasileira – tiveram um pequeno, mas importante papel na derrubada do apartheid. Além de inspirarem o futebol sul-africano (a ponto de um de seus principais times, o Mamelodi Sundowns, usar camisa amarela e calção azul em homenagem à seleção), os multi-raciais times brasileiros “davam um tapa na cara do apartheid” cada vez que ganhavam uma Copa do Mundo. É o que diz na entrevista abaixo o principal historiador do futebol sul-africano, Peter Alegi. Como professor da Eastern Kentucky University, Alegi escreveu Laduma!, o melhor livro sobre o tema. “Laduma” é o grito dos locutores, em zulu, quando acontece um gol. Hoje professor da Michigan State University, Alegi explicou os conflitos que prejudicam tanto o “soccer” na África do Sul (na foto acima, os Johannesburg Highlanders, um bem-sucedido time das ligas negras sul-africanas da década de 30).

ÉPOCA – De que forma o futebol ajudou a derrotar o apartheid?
Peter Alegi – O futebol humanizou a vida de pessoas que tinham muito pouco motivo para comemorar nas condições impiedosas e punitivas da segregação e do apartheid. O esporte também criou um espaço cultural que deixava evidente um desejo geral de integração racial e direitos iguais. Internacionalmente, o futebol desempenhou um papel crucial no movimento de boicote esportivo. O isolamento da África do Sul branca entre 1961 e 1992, com exceção de um breve período em 1963, mostrou-se um estímulo significativo à luta pela libertação, pois mostrou que o apartheid era inaceitável e que o resto do mundo não estava disposto a jogar com racistas.

ÉPOCA – O sucesso do multi-racial time brasileiro, e em particular o de Pelé, era visto como um exemplo pelos negros sul-africanos?
Alegi – Não há dados sobre até que ponto as seleções brasileiras dos anos 60 e 70 inspiraram jogadores, torcedores e organizadores das comunidades negras. Há evidências circunstanciais em favor dessa ideia de um papel “inspirador”. O time dos Mamelodi Sundowns, fundado no início dos anos 60 no bairro misto de Marabastad, em Pretória, adotou camisa amarela e calção azul em homenagem à seleção. É bom lembrar que a televisão só chegou à África do Sul em 1976, e que a primeira Copa do Mundo só foi transmitida em 1990, depois da libertação de Nelson Mandela. Então, os torcedores devem ter visto poucos filmes do Brasil de 1958-70 e de Pelé. Certamente nunca partidas inteiras. No entanto, é certo que o sucesso de um time de brasileiros brancos, negros e mestiços era um tapa na cara da ideologia do apartheid. Nos anos 70, Pelé foi um símbolo do poder negro nas townships (as favelas habitadas por negros na periferia das grandes cidades sul-africanas).

ÉPOCA – Seu livro menciona o caso da Portuguesa Santista, que quase aceitou jogar uma partida apenas com jogadores brancos, na Cidade do Cabo, em 1959 – um telegrama do presidente Juscelino Kubitschek impediu que isso acontecesse. O que ocorreu ali, exatamente?
Alegi – A Portuguesa Santista, segundo o que se publicou na época, teria aceitado barrar vários jogadores negros e escalar um time só de brancos contra um combinado branco da Província Ocidental, na Cidade do Cabo. A South African Sports Association (Sasa), uma entidade anti-apartheid, ao saber dessa aceitação do racismo, imediatamente disparou um protesto oficial ao cônsul do Brasil na Cidade do Cabo. O cônsul, aparentemente depois de comunicar-se com o presidente Juscelino Kubitschek, ordenou que a Portuguesa Santista não entrasse em campo.

ÉPOCA – Depois do fim do apartheid, a África do Sul ainda parece buscar sua identidade. A Copa do Mundo terá alguma importância nesse sentido?
Alegi – O governo sul-africano tem usado a Copa do Mundo para estimular o orgulho nacional e a unidade e aumentar o prestígio do Estado e de seus líderes. Esse projeto enormemente dispendioso e importante, porém, chega num momento delicado para o país. A África do Sul ainda é profundamente dividida em linhas de raça e classe, e ainda luta com enormes problemas sociais, incluindo pobreza, racismo, violência, HIV e a crescente xenofobia. No geral, acredito que uma Copa bem organizada e memorável vai gerar algum sentimento de comunhão e patriotismo e pode desafiar os estereótipos negativos sobre os africanos. Mas qualquer nova identidade sul-africano será provavelmente efêmera e frágil se não for acompanhada por reformas estruturais mais amplas na sociedade.

– Futilidade em Utilidade

Detesto programas como Big Brother Brasil. Mas confesso que uma futil discussão (comentei isso a amigos na última segunda-feira) está tomando um rumo interessante.

Um dos participantes desse programa, Marcelo Dourado, foi acusado de ser homofóbico. Ao mesmo tempo, ele reclama ser vítima de heterofobia.

E não é que isso é algo a ser discutido? Fazer apologia ao homossexualismo não é crime; mas à heterossexualidade é (para alguns) ?

Ser heterossexual não é ser contra o homossexual. São coisas diferentes. E, infelizmente, para alguns, prevalece a “competição da opção sexual”. Que bobagem… Defender a opção heterossexual não implica em desrespeitar os que não a tem; e vice-versa. O problema é um só: INTOLERÂNCIA. E das duas partes!

– Dia da Visibilidade dos Travestis e Campanha contra a Aids

Respeito todos os credos e gostos, mas me chama a atenção tal data: hoje é Dia da Visibilidade dos Travestis. Tal comemoração, talvez até inusitada, é marcada pelo lançamento de campanhas de prevenção da Aids e de pedidos de dignidade aos mesmos. Os anúncios foram criados por profissionais de marketing, da saúde e da administração- todos travestis!

Em: http://www1.folha.uol.com.br/folha/equilibrio/noticias/ult263u686488.shtml

TRAVESTIS GANHAM CAMPANHA ANTIPRECONCEITO E ATENDIMENTO ESPECIAL

Uma campanha pensada e produzida por travestis para o Ministério da Saúde marca o Dia da Visibilidade das Travestis, nesta sexta-feira.

Cartazes, folhetos, telas de descanso, vídeos e toques de celular foram desenvolvidos por participantes de todo o país para o combate ao preconceito e a prevenção à Aids.

O slogan da campanha é “Sou travesti. Tenho direito de ser quem eu sou”. O material está disponível no site www.aids.gov.br/travestis. O projeto foi coordenado pelo Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais do ministério.

A data é celebrada desde 2004. Em 29 de janeiro daquele ano, um grupo de 27 travestis entrou no Congresso Nacional para lançar a campanha “Travesti e Respeito”. Como os materiais lançados hoje, a ação de 2004 foi de iniciativa do Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde.

Saúde

Em São Paulo, foi definido o primeiro protocolo para o atendimento em saúde de travestis do país. A iniciativa é do Ambulatório de Saúde Integral para Travestis e Transexuais do Centro de Referência e Treinamento DST/Aids, da Secretaria de Estado da Saúde.

Um dos destaques do protocolo, espécie de guia de procedimentos, é a avaliação endocrinológica, com orientação sobre os efeitos colaterais provenientes do uso de hormônios. Há ainda acompanhamento fonoaudiológico para adequação da modulação vocal e procedimentos estéticos reparadores.

O ambulatório está aberto de segunda a sexta, das 14h às 20h. O endereço é rua Santa Cruz, 81, Vila Mariana, São Paulo.

– Preconceito ou Garantia sobre o atentado contra Togo?

Angola está sediando a Copa Africana de Nações. E é de conheciemnto público que a seleção de futebol de Togo sofreu um atentado terrorista, tendo seu ônibus sido metralhado durante uma viagem. Morreram 2 pessoas da Comissão Técnica e 1 assessor de imprensa.

A Copa continua confirmada, e a seleção togolesa jogará a competição mesmo assim. Mas… uma vida é uma vida. Algumas valem mais do que outras, para alguns. Se fosse Adebayor, craque togolês que joga na Inglaterra que tivesse sido morto, ao invés do anônimo assessor de imprensa, a repercussão seria a mesma?

Mas um exemplo da mesma linha me chamou a atenção neste domingo: o jornalista Flávio Prado, na Rádio Jovem Pan, convidou à seguinte reflexão: “Já imaginaram se fosse o Real Madrid ou o Barcelona que sofresse o atentado, o que aconteceria?”

É uma triste realidade… Duvido que dariam prosseguimento à competição. Como disse acima, infelizmente, uma vida vale mais para uns do que para outros. Ou menos!

– Escola para Gays no Brasil

A iniciativa cidadã e pioneira mostra que os tempos estão mudados. Poderia ser louvável no aspecto de inclusão… entretanto, “separar” gays e heterossexuais (apesar de não ser proibitiva a matrícula de heteros) parace ser por ela própria segregatória.

Extraído de: http://noticias.terra.com.br/educacao/noticias/0,,OI4172952-EI8266,00-Campinas+tera+escola+do+Brasil+voltada+para+publico+gay.html

CAMPINAS ABRIRÁ PRIMEIRA ESCOLA GAY DO BRASIL

A primeira escola voltada para o público gay do Brasil será instalada em Campinas, no interior de São Paulo, e deve entrar em operação em janeiro de 2010. A nova Escola Jovem LGTB (Lésbicas, Gays, Transexuais e Bissexuais) oferecerá aulas de Expressão Literária, Expressão Cênica e Expressão Artística, além de um curso para formação de drag queens.

A grade curricular engloba tópicos artísticos como dança, música, TV, cinema, teatro e criação de revistas. O objetivo da instituição é fazer circular pelo Estado de São Paulo o material produzido pelos alunos – entre eles, CDs, DVDs, livros, revistas, peças de teatro e espetáculos de drag queens.

A unidade escolar surgiu a partir de um convênio entre a ONG E-Jovem, o governo do Estado de São Paulo e o Ministério da Cultura. Os cursos técnicos são gratuitos e têm duração de três anos.

As inscrições serão abertas em janeiro, ainda sem data prevista. Serão aceitOs prioritariamente interessados com idade entre 12 a 18 anos. Outras faixas de idade serão aceitas se houverem vagas. As inscrições também estão abertas ao público heterossexual.

As aulas terão início em março e, a princípio, devem ser criadas três turmas com 20 alunos cada.

De acordo com Deco Ribeiro, diretor da Escola Jovem LGTB, o contrato de convênio, com validade de três anos, foi assinado no último dia 16 de dezembro. Ainda não há um local definitivo para a sua instalação. “Estamos em uma corrida para acertar tudo até o início das atividades”, disse.

Segundo ele, a unidade em Campinas é a primeira do gênero no Brasil e a segunda na América Latina. Nos Estados Unidos existem várias unidades. Ribeiro disse que a intenção também é a de combater a homofobia e colocar em discussão a temática da população gay que, em geral, não é veiculada em currículos de estabelecimentos de ensino tradicional. “Sabemos que muitos alunos deixam de estudar por puro preconceito.” Sendo assim, diz ele, a escola dará um suporte no sentido de auto-aceitação do individuo através de cursos voltados às artes. “Os mais conservadores estão de cabelos em pé, já recebemos muitas mensagens nesse sentido como também muitos incentivos de pessoas querendo lecionar ou serem voluntárias. Acho que vai ser muito bom”, completou.

Os interessados podem entrar em contato com a direção da escola pelo endereço eletrônico escola@e-jovem.com.

– Quando a Deficiência traz Boas Experiências

Compartilho o rico material do Jornal de Jundiaí, extraído da edição desta segunda-feira 04/01, por Paula Mestrinel, sobre Defificentes e Mercado de Trabalho. Nela, há ótimos relatos da experiência positiva da contratação de pessoas com deficiência, a preocupação com a inclusão social e o bom retorno obtido para o contratante e o contratado.

O maior problema de alguns executivos em relutar na política de contratação de deficientes, se as vagas são compatíveis com a deficiência, se resume a um mal humano: o preconceito!

Inclusão promove nova vida aos deficientes

Em abril deste ano, o jovem Peterson Willian da Silva, 18 anos, conquistou o seu primeiro emprego. Após passar pelo Centro de Treinamento Profissionalizante (CTP), da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae), ele foi contratado pela empresa Araymond Brasil Ltda., uma multinacional francesa e alemã instalada em Vinhedo.Peterson havia acabado de completar 18 anos e a empresa buscava alguém com o perfil dele, com deficiência mental leve, para trabalhar no setor de seleção de peças. Conforme explica a coordenadora de Recursos Humanos, Antônia Zampoli Matias, Peterson é o único com este perfil na empresa. “A experiência tem sido muito boa e estamos pensando em contratar mais pessoas com deficiências no próximo ano”, destacou.

Ela ainda acrescenta que Peterson teve bom desempenho durante o ano. “Ele é bastante ansioso e queria trabalhar de dia e noite. Mas vamos conduzindo a situação, pois ele é um jovem muito bom e percebe a necessidade de trabalho em sua vida”, salienta Antônia. Peterson contou que separa várias peças diferentes e está gostando bastante do trabalho.

“Com o meu salário consigo ajudar meu pai e minha mãe, e às vezes dá pra comprar uma roupa ou tênis para mim”. O jovem relata que o treinamento profissionalizante que recebeu na Apae de Jundiaí ajudou bastante a conquistar o emprego. “Aprendi muita coisa: a ter postura e como trabalhar”, diz. A partir do momento em que o jovem passa pelo CTP da Apae e é contratado, tem uma espécie de ´alta´ dos atendimentos na entidade.

No entanto, a Apae supervisiona à distância essa nova fase do jovem. Dos 135 funcionários da Araymond Brasil, Peterson é o único com deficiência e se integrou muito bem. A coordenadora do RH comenta que ele participa de todos os eventos e tem bastante independência. “Tratamos ele da mesma forma que todos os outros funcionários”.

Em Jundiaí – Na Parmalat Brasil S.A. Indústria de Alimentos, Claudinei Siqueira, 36 anos, portador de um distúrbio mental leve, trabalha desde 2002. Ele começou como auxiliar de produção, no setor de biscoitos, e em 2007 foi promovido a operador de produção. “Ele se sai muito bem na função e mostra bastante conhecimento na máquina que opera.

O coordenador dele sempre diz que Claudinei é um exemplo dentro da fábrica, pois com ele não tem tempo ruim. É muito esforçado, dedicado e, inclusive, incentiva outras pessoas a trabalharem”, afirma o coordenador de RH da empresa, Minoru Kitamura. Claudinei explicou que trabalha moendo açúcar e gosta muito da função.

“Com o dinheiro que ganho compro roupas e alimento. Tenho mais dois irmãos e moro com meus pais, em Várzea Paulista”.  O sonho do operador é ter uma casa própria. “Já tenho um terreno”, adiantou. Esforçado, Claudinei também já trabalhou sete anos em outra empresa, após ter passado pelo CTP da Apae.

 

– Ídolo do Rúgbi assume Homossexualidade

O que você diria se um ídolo do futebol assumisse ser gay? Imagine se ele fosse ícone como Cristiano Ronaldo, Messi, Kaká ou Drogba?

Veja o caso do jogador Richarlysson, do São Paulo FC, que “acusado” de ser homossexual, mesmo não se assumindo (nem sabemos se é ou não, e isso pouco importa), é perseguido por parte de sua torcida.

No rúgbi, um esporte tão viril quanto o futebol, o galês Gareth Thomas assumiu ser gay, e, pelo jeito, o mundo desse esporte mudou!

Corajoso! Nada contra sua opção sexual, muito menos apologia. Apenas um caso a mais para se discutir se o futebol está ou estará preparado para uma situação como essa.

Extraído de: http://globoesporte.globo.com/Esportes/Noticias/Mais_Esportes/0,,MUL1423728-16317,00-IDOLO+DO+RUGBI+ASSUME+HOMOSSEXUALIDADE+E+CAUSA+POLEMICA+NA+GRABRETANHA.html

Ídolo do rúgbi assume homossexualidade e causa polêmica na Grã-Bretanha

Em entrevista a jornal e TV inglesa, galês Gareth Thomas quebra tabus

Em um esporte cercado de machismo e que prima pela força bruta, o galês Gareth Thomas resolveu quebrar tabus. Em entrevista ao jornal britânico “Daily Mail”, o jogador de rúgbi assumiu ser homossexual e causou polêmica entre os torcedores do esporte. Ele afirmou que tomou a decisão de ir a público para encorajar meninos de 17 e 18 anos que tenham descoberto que são gays e queiram seguir competindo.

– Eu não quero ser conhecido como um jogador de rúgbi gay. Sou primeiro – e antes de mais nada – um jogador de rúgbi. Sou um homem – disse.

Defensor do Cardiff Blues, da Inglaterra, Thomas disse à BBC que “os atletas são normalmente esteriotipados”.

– Tudo bem ser ator, cantor, bombeiro, político ou jornalista gay. É aceitável, porque seus estereótipos (heterossexuais) já foram quebrados, eles já foram aceitos sendo gays. Mas até agora ninguém rompeu com o estereótipo no esporte, ou melhor, num esporte de ação como o rúgbi, por exemplo. Dá medo ser o primeiro a romper com o estereótipo – afirmou.

O jogador, que chegou a ser capitão da seleção galesa, disse ter descoberto sua homossexualidade aos 18 anos, mas chegou a se casar com uma namorada da adolescência. No entanto, em 2006, se assumiu gay e se divorciou.

– É bem difícil para ser o único jogador internacional de rúgbi preparado para quebrar o tabu. Estatisticamente, posso não ser o único, mas não sei de nenhum outro jogador gay ainda atuando. Espero que se, minha mensagem tiver sido clara, mais um estereótipo tenha sido quebrado e que num futuro próximo alguém de 18 anos, que aos 16 descobriu que era gay e pendurou as chuteiras possa voltar a jogar rúgbi e se torne um jogador talentoso. Ele talvez possa vir a ser aceito como um bom jogador de rúgbi gay.

                 Gareth Thomas em ação pelo Cardiff Blues

Foto: agência Gatthy Images (Gareth é o de azul)

– Violência e Preconceito no Futebol Feminino

Foram 5 oportunidades para expulsar o “becão”, mas nenhum vermelho…

Imagine como seria esse truculento zagueiro: um jogador que na mesma partida dá um soco no lombo do adversário; depois, em outro lance, puxa o cabelo do centroavante pelo rabo de cavalo e o derruba; ainda no primeiro tempo divide a bola e chuta o peito. No segundo tempo, carrinho nas pernas e dá tapa na cara!

Pois é, esse jogador não é zagueiro, mas zagueira: Lisa Lambert, que protagonizou uma das piores e mais violentas partidas do futebol. Entretanto, ela reclamou ser vítima de preconceito: “Eu definitivamente acho que porque sou mulher isso atraiu muito mais atenção do que se fosse um homem”, disse Lambert. “É mais comum que um homem seja bruto. A mulher ainda é vista como se apenas chutasse a bola de um lado para o outro para marcar um gol. Mas não é assim. Nós treinamos muito para chegar ao nível mais alto possível. O aspecto físico aumentou com os anos. Eu não quero dizer que isso é ruim. É um jogo. Esportes são práticas físicas”.

Veja os lances violentos dessa atleta, uma verdadeira seleção de botinadas. Clique em: LISA LAMBERT AND SOCCER

Obs; o juizão não a expulsou… geladeira nele!

– Maurício de Sousa cria seu 1o. personagem gay

Maurício de Sousa tem uma gama de personagens sensacionais. Buscando tratar de temáticas interessantes e outras inocentes, ele já criou deficientes, negros, orientais. Agora, ele resolveu tratar de um assunto polêmico: criou Caio, um jovem gay.

Extraído de: http://mulher.terra.com.br/interna/0,,OI4113620-EI1377,00-Gibi+abre+discussao+sobre+como+falar+de+homossexualidade.html

GIBI ABRE DISCUSSÃO SOBRE COMO FALAR DE HOMOSSEXUALIDADE

As criações de Mauricio de Sousa acabam de ganhar seu primeiro personagem aparentemente gay. O tema é tabu em muitos lares, principalmente em relação a como se conversar a respeito com as crianças e adolescentes. Pois bem, mesmo que a interpretação sobre a opção do personagem fique por conta do leitor, o número 6 da revista Tina, que está nas bancas esta semana, é uma boa chance para os pais colocarem o assunto na mesa.

A revista apresenta aos leitores Caio, um amigo de Tina, personagem criada nos anos 1960 com apelo hippie. Quando indagado sobre um possível namoro, no meio de uma das historinhas, ele aponta para outro menino. O episódio gerou polêmica e o Twitter do autor, Maurício de Sousa, bombou de mensagens, com elogios e críticas a respeito da novidade.

O autor explicou em nota que a interpretação depende do leitor e que a revista não é dirigida para o público infanto-juvenil, como as da Turma da Mônica, mas para os jovens. “A história intitulada ‘O Triângulo das Confusões’ deve ser lida e interpretada pelo leitor. Não há qualquer afirmação sobre a sexualidade deste ou daquele personagem”, afirmou Mauricio de Sousa.

De qualquer forma, a discussão está lançada. Segundo o psicólogo Nelson Alvarenga, o gibi é apenas mais um dos meios de comunicação aos quais crianças e adolescentes têm acesso e que trazem informações sobre assuntos diversos. E, a partir dessa exposição, caso chegue à mão das crianças menores, é muito natural que comecem a questionar sobre o tema. Então, o ideal é que os pais já estejam preparados para responder eventuais perguntas.

“A homossexualidade, ou qualquer outro assunto relacionado ao sexo, deve ser tratado com naturalidade e verdade. É importante ter em mente que o filho não se ‘tornará’ um homossexual só porque conversa com os pais sobre isso. Uma criança educada corretamente se tornará um adulto saudável e pronto para a vida e para aceitar as diferenças que existem no mundo”, disse.

Para entrar no assunto, não existe idade certa. Mas os pais podem esperar que o filho manifeste interesse em entender a questão. De qualquer forma, é importante que todas as dúvidas sejam respondidas, qualquer que seja a idade da criança. Ainda segundo o psicólogo, o ideal é que o relacionamento entre pessoas do mesmo sexo não seja mostrado como algo errado. “Isso é importante para que o filho se desenvolva livre de preconceitos”, afirmou.