– A Frase de Felipão, o Futebol como Ciência e Estrangeiros na Seleção

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Semanas atrás, surgiu a idéia do treinador Dunga trocar conhecimentos com ex-treinadores da Seleção Brasileira. Dos quais conversou, destaque para Ernesto Paulo (apenas 1 jogo) ou Zagallo (campeoníssimo, mas de idade avançada e que discursou ufanisticamente).

Agora, sugere-se que Dunga converse com treinadores estrangeiros, como Jorge Sampaoli, campeão da Copa América com o Chile.

Por quê não contratamos alguém de fora para ser o treinador de fato da Seleção Brasileira, ao invés de convites para bate-papos?

Dunga e Felipão, o recente e o último treinadores, demonstram ranso, mágoa, raiva e incômodo a cada entrevista. Parecem ser inimigos dos jornalistas, do povo e de quem não concorda com eles. Aliás, Felipão declarou na China que “os alemães o respeitam mais do que muitos dos brasileiros”.

Ora, será que eternamente Scolari e Dunga não saberão lidar com as críticas? Vencedores e milionários, deveriam entender todo esse momento crítico da Seleção Brasileira. E o interessante é que o anti-carisma de ambos contagia seus comandados.

Alguém ouviu falar de trabalho psicológico na Seleção Brasileira? Nada, neca de pitibiriba. Apenas se ouve falar em “palestras de psicólogos”, vez ou outra. Ora, tal trabalho deveria ser feito continuamente aos jogadores e claramente aos treinadores! Sim, visivelmente Dunga, Felipão e tantos outros precisam desse tipo de ajuda pessoal e profissional.

A propósito, alguns torcedores brasileiros precisam não só de psicologia, mas de reeducação esportiva. Precisamos parar de ter aversão ao estudo científico no futebol, ao medo de intercâmbio e à repulsa do aceite de treinadores estrangeiros. Ressaltando: aos bons de fora, pois não é a nacionalidade que define a competência.

Vide a invasão de treinadores de outros países que melhoraram o esporte nacional, com conquistas e avanços em importantes competições: na Seleção de Basquetebol Masculino, temos o argentino Rubens Magnano; na de Handebol Masculino, o espanhol Jordi Ribeira; na de Handebol Feminino, o dinamarquês Morten Soubak; na de Luta Olímpica, o cubano Angel Torres; na de Judô, a japonesa Yuko Fujii; na de Tiro Esportivo, o italiano Eros Fauni; na de Canoagem, o espanhol Jesús Mórlan; na de Atletismo, o ucraniano Vitaly Petrov; na de Esgrima, o russo Alkhas Lakerbai; na de Ginástica Artística Feminina, a bielorrussa Margarita Vatkin; na de Hipismo, o francês Maurice Bonneau; na de Ciclismo, o neozelandês Thimoty Carswell, na de Levantamento de Peso, o romeno Dragos Stanica; e por aí vai…

Por quê tanta autossuficiência demonstramos? Cremos piamente que Dunga é melhor que Guardiola, José Mourinho, Jürgen Klopp?

Qual é o grande problema: a vaidade tupiniquim ou a necessidade de dar independência a esses estrangeiros que aqui chegarem?

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– Quem é o culpado pela crise do Futebol Brasileiro?

Se existisse (e deveria existir) uma disciplina chamada “Futebolologia” – a ciência do estudo do futebol – de maneira acadêmica, como os Futebolologistas experientes, com todo o seu know-how, explicariam o atual momento em que o esporte bretão passa em terras tupiniquins?

Certamente, envolveriam todos os atores do futebol: treinadores, jogadores, dirigentes e arbitragem. A começar:

1) TREINADORES: se olharmos nas fichas técnicas, há 21 anos giramos com os mesmos nomes à frente das Seleções Brasileiras em mundiais. Vide:

1994 – Parreira, com Zagalo coordenador.

1998 – Zagalo.

2002 – Felipão.

2006 – Parreira, com Zagalo coordenador.

2010 – Dunga.

2014 – Felipão, com Parreira coordenador.

2018 – Dunga?

Parreira foi o pragmático treinador que um dia ousou dizer que o gol era só um detalhe. Recentemente disse que “a CBF era o Brasil que dava certo”. Mas é inegável que nos 90, como estudioso que sempre foi, conseguiu quebrar o jejum de 24 anos de títulos. Com a ajuda de Romário, é claro, em seu melhor momento na carreira.

Zagalo foi um herói, que em 70 conseguiu juntar uma constelação de jogadores e montar a melhor Seleção da história. Mas depois disso, já bem idoso, tornou-se um motivador. Apenas isso. Pelo passado glorioso e de dedicação ao futebol brasileiro, deveria ter uma estátua e ser chamado de ídolo! Lógico, precisava ter sido poupado dos cargos aos quais foi convidado em um passado recente.

Felipão viveu seu auge em 2002, vencendo 7 jogos com Ronaldo Fenômeno, Ronaldinho Gaúcho e Rivaldo “comendo a bola”! Mas em 2014, após sua passagem pelo Uzbequistão e pelo rebaixamento do Palmeiras, mostrou que sua volta ao selecionado foi um equívoco.

Dunga fez um bom trabalho em 2010, mas 5 anos depois, o que ele fez como treinador? Ganhou o quê no pós-Copa da África?

2) JOGADORES: onde estão os atletas que deveriam bater no peito e chamar a responsabilidade?

Em 98, tínhamos muitos atacantes: Romário, Bebeto, Ronaldo, Amoroso, Evair, Elber, Edmundo, Jardel… em 2014, fomos à Copa com Fred e Jô! E hoje?

A safra é fraca ou algo está errado? As categorias de base revelam talentos ou treinam roboticamente jogadores empresariados? O processo de aceite dos jovens se dá pelos méritos futebolísticos ou por indicações e percentuais de direitos econômicos? Treinamos “a lá Europa” ou achamos que “europizamos” os esquemas táticos locais simplesmente por impedir o individualismo e a capacidade de improviso, marcas que identificam um atleta brasileiro em qualquer lugar do mundo e que eram nossas positivas diferenças no futebol?

Se encontrarmos Douglas Costa ou Fred do Shaktar na rua, não os reconheceríamos. Também pecamos no carisma de atletas não identificados com o próprio país? Criamos a Neymardependência ao privilegiarmos apenas um atleta como referência e jogarmos sobre ele toda a responsabilidade, com apenas 23 anos?

3) DIRIGENTES: se tentarmos elencarmos 5 nomes considerados “bons cartolas”, perderemos horas… Há quantos anos vimos Teixeiras, Farahs, Marins e Del Neros mandando e desmandando no futebol brasileiro, criando amizades em diversos setores da sociedade, em especial na Política e na Polícia. Mais: sendo apoiados com unanimidade com todos os demais presidentes de times e de federações, em um beija-mão sem fim! A não renovação e os esquemas viciados – incluindo os de provada corrupção – acabaram com a CBF, que se tornou uma entidade pejorativamente falada.

4) ARBITRAGEM: não passaria incólume! Grandes jogos e grandes jogadores forçam a criação de grandes nomes do apito. E isso não tem acontecido. Árbitros que em determinado momento se tornam mediadores, mimam atletas e perdem a coragem. E, repentinamente, confundem a liberdade dada no Brasileirão (que era na verdade uma grande anarquia) com autoridade explícita (que se tornou autoritarismo). Vide os cartões com assustador excesso aplicados no Brasileirão. Pudera, a Comissão de Árbitros sofre com o militarismo crônico: depois de Armando Marques, tivemos Sérgio Correa da Silva (Aeronáutica), Dr Edson Rezende (Polícia), Aristeu Tavares (Exército), Sérgio Correa de novo. Que categoria é essa que também não se renova? Os últimos grandes FIFAs do Brasil, que surgiram apenas pelos seus próprios méritos, sabem como se rareiam novos nomes com tal gestão.

Enfim: não temos um culpado, mas vários responsáveis! Na semana em que a Seleção Brasileira Sub 20 perdeu seu título para a Sérvia (um país em reconstrução) e a Seleção Brasileira Feminina foi eliminada na Copa do Mundo pela Austrália (um país sem tradição no futebol), ver que a Seleção Brasileira às duras penas se classificou para as Oitavas de Final da Copa América parece se tornar motivo de glória!

Saudades do tempo em que o Escrete Canarinho era sinônimo de futebol-arte em todas as categorias e idades! Hoje, não colocamos medo em ninguém…

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– Salários de Professores mundo afora

Coitados dos professores brasileiros… no país chamado pela Presidente Dilma de “Pátria Educadora”, os Mestres são heróis!

Abaixo, o comparativo de salários dos professores no resto do mundo (extraído dos dados da Organização para a Cooperação Desenvolvimento Econômico, na Veja.com):
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– Cinquentão de bicho não é demais?

Leio em uma coluna do Jorge Nicola no Bom Dia/ Diário de São Paulo, em publicação de dias atrás (está em: http://is.gd/X8aAxV) que o Corinthians pagou R$ 50.000,00 de premiação (o popular “bicho”) a cada jogador pela vitória contra o São Paulo no jogo que abriu a fase de grupos da Libertadores (foram 14 jogadores que atuaram)!

Uau…

Deve estar sobrando dinheiro no Parque São Jorge. E se o Coringão ganhar do Tricolor no Morumbi? Quando pagará a cada jogador?
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– Campeonatos Jabuticabas

Daqui alguns dias começarão os Campeonatos Regionais. Tirando os de São Paulo e o do Rio de Janeiro, os demais não dão chances aos pequenos. E esses mesmos pequenos paulistas e cariocas, todos sabemos, estão falidos.

Os pequenos precisam das verbas desses torneios para sobreviverem, e elas existem não por eles, mas pelos grandes.

É sabido que as potências não querem jogar os Campeonatos Estaduais. Mas também não se movem para evitá-los (com exceção, o Atlético Paranaense que tem disputado em seu estado com o Sub 23).

Será que esses torneios não poderiam ser melhor espaçados no calendário? Ou que fossem divisões locais de acesso às nacionais?

Na Inglaterra, existe a Northern Premier League, que congrega times regionais das 7a e 8a divisões e que permitem aos clubes (se tiverem condições financeiras e técnicas) a chegarem à badaladíssima Premiere League (1a divisão). Por quê não podemos ter série E, F, G representando os Regionais? Cravo que um jogo entre Paulista de Jundiaí x Bragantino valendo acesso da 6a divisão para a 5a Nacional levaria mais público do que valendo a queda da 1a divisão para a 2a do Estadual.

Para mim, a resposta para que não se discuta para valer o fim dos regionais (os quais, confesso, sou apaixonado mas entendo a dificuldade financeira do modelo) é clara: a perda de Poder das Federações Estaduais!

No ano passado, Rogério Ceni questionou:

O que vale ganhar o Paulista?

Vencer o Paulistão só vale o status. Mas se perder… o time grande sofre com a pressão!

Algo tem que ser feito. Não dá para abrir um Morumbi para o São Paulo jogar com público de 5.000 pagantes contra o Monte Azul, enquanto o clube gostaria de estar excursionando pela Ásia ganhando dinheiro e treinando. Ao mesmo tempo, não dá também para XV de Piracicaba, Noroeste, América de Rio Preto e tantos outros times tradicionais montarem times para apenas 3 meses e fecharem as portas.

Quem aceitará ceder? Os times grandes continuando com o assistencialismo, clubes pequenos fechando as portas de vez ou as federações estaduais abrindo mão do poder?

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– O “Salário” dos Árbitros será justo para 2015?

Ser árbitro de futebol tem seus percalços costumeiros na carreira. Mas financeiramente vale a pena?

Você sabia que um árbitro ganha por jogo, não por remuneração mensal?

Pois é: se ele apitar, recebe. Se ficar em casa o mês inteiro (mesmo que tenha treinado 31 dias, ido às enfadonhas reuniões e reciclagens), não recebe nada.

E isso aqui é para discutir: considerem que no Paulistão um árbitro de ponta apite 2 ou 3 jogos por mês. Se for da FIFA, receberá R$ 2.770,00 por partida apitada (valores atuais). Se não for, ganha R$ 2.215,00. Mas o Campeonato Paulista tem somente 3 meses… E aí você tem que pagar INSS, ISS, IRPF e Sindicato dos Árbitros, além da taxa de inscrição anula dos árbitros.

Se você se machucar, vai para o “INPS”… E o custo dos seus treinos é por conta própria (equipamentos, tênis, pomadas, alimentação específica, personal trainer, etc).

Na A2, que dura pouco tempo também, o árbitro apita 2 jogos/mês e olha lá (afinal, tem muita gente no quadro de árbitros) e ganha menos: R$ 1.050,00. Na A3, R$ 775,00. E na Copa Paulista, R$ 390,00!

Considere que um árbitro mediano (fora do restrito quadro nacional da CBF) apite 4 jogos da A1, 4 da A2 e 4 da A3. Faça uns 5 jogos da série B e fique 1 mês na geladeira (pensa que não tem gancho ou veto?). Apite depois alguns jogos do Sub 20 e Sub 17. Este árbitro arrecadará mais ou menos R$ 22.000,00/ano. Se a alíquota do ISS é de 5%, lembrando que a do IRPF também é alta, que o Sindicato desconta alguns trocados (e se for do quadro nacional, paga ANAF)… Se bobear, não sobra líquido R$ 1.400,00 mensais (sem subtrair o custo-treino citado) e sem direito a 13o, Férias ou FGTS (claro, a FPF prefere agir assim do que fazer o correto, que seria ter seus árbitros, em número limitado, como profissionais dedicados e pagar seus direitos trabalhistas). E esses árbitros assinam um documento dizendo que recebem dos times mandantes dos jogos como prestadores de serviços e que são autônomos (para fugir do vínculo empregatício).

Avalie: Jogam Corinthians x São Paulo na final da A1 e o jogo está 0 x 0. Aos 48m do 2o tempo, Rogério Ceni divide com Paolo Guerrero e um suposto pênalti pode decidir o título. Cada um recebe por mês quase R$ 500 mil, e quem decide se foi falta ou não recebe um pouco mais de “1 Barão”, se colocar na ponta do lápis. Irônico?

A estratégia é muito boa: Sindicato nunca têm rugas com a FPF e todos são felizes. Ou já viu greve, manifestação ou algo que o valha?

Isso é… Brasil-sil-sil!

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– Que nota você daria para os árbitros em 2014? Acredite: a Arbitragem do Brasileirão (oficialmente) foi a melhor dos últimos 7 anos!

No judaísmo, o 7 era o número que representava o infinito: Perdoai 70 X 7, disse Jesus ao ser questionado. Aos supersticiosos, o 7 é um número cabalístico de sorte. Além disso, um antigo dito popular diz que “7 é conta de mentiroso”…

Talvez seja por esse emotivo que é difícil acreditar que, justo no ano em que tivemos as marcações polêmicas de bola na mão transformadas em mão na bola, a arbitragem do Campeonato Brasileiro tenha sido, aos olhos dos dirigentes do apito da CBF, a melhor dos últimos 7 anos, através das notas avaliadas.

Cá entre nós: crer que dos 380 jogos do Campeonato Brasileiro, pela primeira vez nenhum árbitro tirou nota abaixo de 6.00, é ingenuidade (embora as notas oficiais recebidas justifiquem). Pela primeira vez nos últimos 7 anos, nenhum árbitro levou nota “ruim” e tivemos o melhor percentual de notas “ótimo” nos mesmos 7 anos.

A média geral das notas dadas pelos observadores de árbitros da CBF foi de 8.44, sendo que 98,6% foram consideradas boas, ótimas e excelentes; só 1,4% foram notas consideradas de atuações “aceitáveis”.

Repito: são notas registradas e oficiais. Mas na prática, foram justas?

Nem mesmo o maior entusiasta do apito acreditaria nesse número, tampouco os próprios árbitros.

O problema é que a “maquiagem” dessas avaliações se dá não pela cartolagem, mas por observadores ultrapassados, medrosos ou que não queiram ser taxados de rigorosos e sejam vetados. Esses senhores acabam dando notas pela amizade, pelo comodismo ou até por incompetência do julgamento ou imparcialidade. E que ganham R$ 500,00 só para fazerem isso!

Os dados foram apurados pelos jornalistas Raphael Zarko e Vicente Seda pelo GloboEsporte.com (link da matéria em: http://is.gd/339UhZ). O gráfico está abaixo:

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– As exigências burocráticas para o árbitro apitar!

Desde a década de 90, árbitro de futebol tem que ter o “nada consta” no Serasa e na Justiça para apitar futebol, e abrir mão dos seus direitos empregatícios em carta.

Entretanto, os métodos para que as entidades – como FPF e CBF – não assumirem a responsabilidade sobre seus árbitros (na verdade, prestadores de serviço autônomos, como elas os chamam) é assustador.

Abaixo, uma republicação deste blog de 2011. De lá para cá, a Cooperativa dos Árbitros foi fechada e toda a sua atividade centralizada no Sindicato dos Árbitros, sobre o comando de praticamente as mesmas pessoas.

Em tempo: o link com a carta-modelo onde o árbitro declara que é autônomo e tem que destacar que “não quer e nem possui vínculo empregatício, recebendo as taxas diretamente dos clubes de futebol” foi apagada do site, só o próprio árbitro a recebe. Na verdade, a FPF paga os árbitros via sindicato, dizendo que “desconta dos clubes”.

Extraído de: https://professorrafaelporcari.com/2011/10/19/a-fpf-e-a-reinscricao-de-seus-arbitros/

A FPF E A REINSCRIÇÃO DOS ÁRBITROS, 19/10/2011.

A FPF liberou a relação de documentos e de procedimentos para os árbitros que pertencem ao quadro atual, a fim de que permaneçam trabalhando para a entidade em 2012.

Como todo ano, para os árbitros que já apitaram ou bandeiraram pela casa, tem que ocorrer a aprovação nos testes físicos e escritos, além de exames cardiológicos e oftalmológicos.

Até aí tudo bem.

Mas outros documentos exigidos são curiosos: as certidões negativas do Serasa e do SPC, além das declarações cível e criminal de que na Justiça nada consta. Não questiono; a justificativa é que árbitro endividado e sofrendo processo não estaria apto para apitar.

Ok, entendo tal situação. Mas se exigisse tais documentos aos dirigentes envolvidos… aí sim teríamos a perfeição no relacionamento.

Porém, é nos seguintes itens que a coisa pega:

A exigência de declaração de próprio punho de que o árbitro é um prestador de serviço autônomo, sem vínculo algum com a Federação Paulista de Futebol, recebendo as taxas dos clubes filiados à FPF, CBF, Conmebol e FIFA. E, claro, com a assinatura de dois árbitros do quadro atual como testemunhas. Um modelo dela pode ser encontrado no próprio site da FPF

(aqui, o último modelo que tiver que redigir, enquanto árbitro: http://futebolpaulista.com.br/arquivos/CartaModelo2009.pdf ).

Perceba que as taxas são pagas via Cooperativa dos Árbitros PELOS CLUBES. Mas , na verdade, o depósito é feito pela FPF… Sensacional, né?

Em suma: se você não for cooperado, não há como receber as taxas. A Cooperativa de Árbitros não é administrada nos cargos executivos pelos árbitros propriamente ditos, mas por ex-árbitros (através de eleição dos cooperados). Hoje, tem como seu presidente Silas Santana, Ouvidor da própria FPF, e o tesoureiro Arthur Alves Júnior, também funcionário da FPF (trabalha na Comissão de Árbitros).

Alguém tem dúvida que tal exigência é uma forma da FPF não se responsabilizar pelos árbitros? Tira-se toda a responsabilidade de pagamento de FGTS, INSS, ou qualquer vínculo empregatício

No final de 2008, Marco Polo Del Nero baixou uma resolução que OBRIGAVA os árbitros a se filiarem à Cooperativa e ao Sindicato (pagando taxas em dobro!). O documento era o de número 27/08. Porém, após a matéria-denúncia da Folha de São Paulo, Ed 22/01/2009, por Ricardo Perrone e Gustavo Alves, a resolução caiu.

Na matéria, há a afirmação do presidente da CEAF-SP, Coronel Marcos Marinho, que tais medidas eram permitidas, já que a FPF tem o direito de se resguardar (a velha história de que é uma entidade de direito privado…)

Hoje, o que mudou é que os árbitros não precisam mais ser sindicalizados. Entretanto, curiosamente, o Sindicato é presidido por Arthur Alves Júnior, vinculado à Cooperativa dos Árbitros e membro da Comissão de Árbitros da FPF.

E aí fica a questão: por quanto tempo os árbitros terão que aceitar a promiscuidade de tal situaçãoa da afirmação do amadorismo e de abrir mão dos direitos trabalhistas para continuar apitando?

Assim como eu também passei por tal constrangedora situação, 100% dos árbitros que lá estão também terão que aceitar. Quem discordar, está fora.

Tudo isso não aconteceria se tivéssemos Sindicato ou Cooperativa realmente forte e independente para defender a categoria. Sozinho, o árbitro não tem como fazer oposição ou manifestar sua insatisfação.

Já imaginaram um movimento com os principais árbitros da categoria (os nomes fortes, conhecidos e necessários para os campeonatos) pedindo profissionalização e independência já?

Utopia. Eles também seriam retirados dos seus jogos de destaque. E assim a arbitragem segue no Brasil, sem defesa, ao Deus-dará, desunida e, sobretudo, amedrontada pelo sistema.

Quem quiser acessar a matéria citada da Folha de São Paulo, abaixo:

FPF É ACUSADA NO MINISTÉRIO PÚBLICO

Para árbitros, federação fere Constituição ao obrigá-los a se filiar a sindicato e a cooperativa; outra queixa é a de pagamentos defasados

POR GUSTAVO ALVES (COLABORAÇÃO PARA A FOLHA) e RICARDO PERRONE 

O Paulista-2009 começou em meio a uma silenciosa crise entre Federação Paulista de Futebol e árbitros. Os juízes reclamam de que a entidade fere a constituição ao obrigá-los a se filiar a uma cooperativa e a um sindicato para atuarem.

Com medo de sofrerem retaliações, eles não falam publicamente sobre o assunto, mas uma denúncia anônima já foi feita ao Ministério Público do Trabalho de São Paulo.

Os árbitros se baseiam no artigo 5º da Constituição, que determina que ninguém poderá ser compelido a associar-se ou a permanecer associado a um sindicato ou entidade.

A principal queixa é a de que os juízes gastam mais, pois pagam taxas ao Safesp (Sindicato dos Árbitros de Futebol de SP) e à Coafesp (Cooperativa dos Árbitros de SP). A cooperativa ainda fica com 5% do que o árbitro recebe por partida.

“A federação colocou essa condição para o árbitro poder apitar. E ela tem esse direito. Mas não obrigamos ninguém a nada”, afirma o presidente da Comissão de Arbitragem da FPF, Marcos Marinho.

Marcílio Krieger, especialista em direito esportivo ouvido pela Folha, diz que “obrigar os árbitros à filiação é ilegal e inconstitucional”. A anuidade do sindicato é de R$ 220, pagos em até duas parcelas. É cobrada ainda taxa de readmissão no início do ano no valor de R$ 75.

Já para a cooperativa a contribuição é de R$ 20 mensais, mais R$ 80 por ano.

Até julho de 2008 só existia o sindicato, que cuidava dos pagamentos aos árbitros. Mas foi criada a Coafesp, presidida por Silas Santana, ouvidor da FPF para a arbitragem.

Ele conta no site da cooperativa que Marco Polo Del Nero, presidente da federação, sugeriu a criação da Coafesp como “conquista na busca da excelência na prestação de serviço de arbitragem de futebol”.

Na ocasião, a Comissão de Arbitragem da FPF estava em rota de colisão com Sérgio Corrêa da Silva, presidente da comissão nacional. Muitos juízes se desfiliaram do sindicato.

Com a nova entidade, o dinheiro (5%) que era descontado do pagamento dos juízes e era repassado ao sindicato passou a ir para a cooperativa.

Em julho, Del Nero assinou a resolução 27/08 determinando que “o árbitro que não for sócio da Coafesp e não for filiado ao Safesp estará impossibilitado de trabalhar no ano seguinte”.

A FPF mantém em seu site lista com as resoluções, mas a que obriga a dupla filiação não está mais lá. “Não há necessidade de ficar na lista porque está no regulamento geral das competições”, diz Marinho.

Os juízes também reclamam do congelamento no valor das taxas pagas a eles.

Conforme tabela da cooperativa, árbitros Fifa ganham R$ 2.200 por jogo no Paulista. Os demais recebem R$ 1.700.

As taxas reduzem conforme a divisão do torneio. Quem mais critica são os que apitam fora da elite. É para eles que a filiação dobrada pesa mais.

ENTIDADE CRIA MEDIDA CONTRA AÇÃO TRABALHISTA

Na lista de documentos exigida pela Federação Paulista de Futebol para a readmissão em 2009, consta que deve ser entregue também uma declaração, feita de próprio punho pelo árbitro, relatando que são remunerados pelos clubes, sem vínculo com a federação.

“É uma medida para nos resguardar”, afirma o presidente da Comissão de Arbitragem da FPF, Marcos Marinho. “Tivemos muitos problemas no passado com árbitros que assinavam uma declaração semelhante à essa, só que feita no computador. Eles entravam na justiça do trabalho, diziam que tinham vínculo empregatício com a FPF e que assinaram o documento sem conhecer o conteúdo”, explicou Marinho.

A medida, porém, fere o Estatuto do Torcedor, que traz no Artigo 30, parágrafo único, a informação que “a remuneração do trio de arbitragem é de responsabilidade da entidade de administraçãodo desporto ou da liga organizadora do evento”. Para Marcílio Krieger, advogado especialista em direito esportivo, a exigência do documento pela FPF já indica o vínculo com o árbitro.“Em juízo, o documento pode ser anulado, pois demostra pressão da Federação sobre os árbitros”, disse Krieger.

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– O Mau perdedor do ano!

Li que o volante Mercier, do San Lorenzo, reclamou muito do comportamento dos jogadores do Real Madrid na final do Mundial de Clubes FIFA 2014. Ao diário esportivo Olé, disse:

São umas meninas, era só encostar que caiam”.

Tá de sacanagem, não?

Ora, quem assistiu a partida, percebeu o anti-jogo e pancadaria promovidos com muita catimba pelos argentinos contra um time que só queria jogar. E o árbitro, fraco, deixava isso acontecer sem coibir adequadamente.

Para mim, desculpa de mau perdedor! Se alguém tem que reclamar é o Real Madrid pela falta de autoridade do juizão. Ademais, se jogasse sério, o San Lorenzo tomava “um vareio de bola” como o Santos tomou do Barcelona no Japão.

Cara de pau o hermano, não?

O Papa Francisco, torcedor ilustre do time, deveria dar indulgência plena por tanta sandice a esse pobre de espírito…
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– FIFA troca árbitro da final. De novo!

Na Copa do Mundo de Seleções 2014 no Brasil, a FIFA houvera divulgado o árbitro sueco Erickson como nome para a final entre Argentina x Alemanha. Os hermanos reclamaram e o escalado mudou! Na oportunidade, o italiano Nicola Rizzoli foi para a finalíssima.

Agora, na Copa do Mundo de Clubes 2014 no Marrocos, a FIFA houvera indicado o árbitro português Pedro Proença para San Lorenzo x Real Madrid. Após reclamações públicas do presidente do time argentino contra arbitragem europeia, mudou-se a escala para o árbitro guatemalteco Walter Lopes.

Contrariando as últimas escalas em Mundiais de Clubes, onde sempre o mais conceituado juiz era o escolhido para a final (desde que não fosse da mesma nacionalidade que o time da decisão), a FIFA mostra um total desrespeito à competência e meritocracia.

Pura política!

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– Messi renovou ou não? Quanto ganhará? E se Pelé ainda jogasse?

Lionel Messi está em vias de acertar o seu futuro. Na negociação de renovação com o Barcelona (que está em andamento), há a preocupação com as ofertas dos “novos ricos bancados por mecenas”: Manchester City, Chelsea e PSG, que estariam interessados no craque. Agora, surgiu um suposto interesse no arquirrival Real Madrid.

Boato ou não?

E os valores?

Especula-se que as cifras do novo contrato do argentino com o time catalão seriam de € 20 milhões por ano; ou, se facilitar para entender quão grande é esse montante, daria 1.6 milhões de euros por mês. Se preferir, saiba que isso dá € 59.523,00 por dia de serviço.

Agora, transforme isso em reais e perceba: enquanto você leu esse texto (mais ou menos 1 minuto de leitura), Messi embolsaria R$ 160,00 (o que dá quase € 2.500 por hora – e não é “hora trabalhada”, é simplesmente por hora mesmo).

O futebol perdeu a noção do dinheiro, sem dúvida alguma. Nessa lógica, no auge da carreira, quanto ganharia Pelé nos dias atuais?

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– Arbitragens com Critérios Geográficos?

Quando mais se aproxima das finais dos campeonatos (de quaisquer divisões), mais fica difícil escalar árbitros.

Seja pelo número diminuto em decorrência da competência, seja pelos vetados (tenha certeza: clube veta sim!), seja pelos reprovados em teste físico ou ainda… pelo estado em que o juiz nasceu!

Pois é: na série C dias atrás, Guarani x Caxias jogariam com arbitragem de um árbitro carioca. Porém, como o Madureira também era interessado pelo placar, a Comissão de Árbitros mudou a escala.

Imagine no Brasileirão: se escalar paulista em jogo do Cruzeiro, se existir erro, poderão dizer que há interesse da Federação Paulista em ajudar o São Paulo, seu filiado (Raphael Claus que o diga no pênalti não marcado no jogo da Raposa contra o Vitória). Se for mineiro que apite jogo do Tricolor, idem na relação inversa. Ou se for gaúcho no jogo do Atlético Mineiro, conspiração pró-Grêmio e Internacional.

E o que fazer? Imagine na Zona do Rebaixamento, onde o desespero em não cair talvez seja maior do que a vontade de classificar…

O que se vem promovendo – e contesto isso – é a escala de árbitros de estados que não estejam na série A. Vide o número de árbitros e bandeiras de federações cujos principais clubes estão na série B, C ou D.

Quer exemplo? O FIFA “Chicão de Alagoas”, o aspirante mato-grossense Wagner Reway, o paraense Dewson… todos sortudos no globinho da CBF.

Me recordo que, em determinado período, o sergipano Sidrack Marinho era escalado em quase toda a rodada. O rei dos clássicos do eixo Rio – São Paulo!

EU PREFIRO A MERITOCRACIA E A INDEPENDÊNCIA. Quando a cultura do futebol obriga a escolher árbitros de estados fora da briga pelo rebaixamento ou título, me preocupa muito!

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– E Paulo César de Oliveira oficialmente encerrou a carreira!

Já havíamos escrito diversas vezes sobre as baixas dos árbitros FIFA do Estado de São Paulo: Sálvio Spínola, Wilson Seneme e de Paulo César (este último, a confirmar). E o bom árbitro PC deu baixa em seu prontuário na FPF nesta 5a feira e aposentou o apito.

Desde 1996, Paulo foi destaque na arbitragem. Me recordo quando saiu de camburão do Parque Antártica em um jogo do Palmeiras após cumprir a regra e não deixar Djalminha e seus companheiros crescerem para cima dele, um iniciante ainda bem jovem e mirrado. Naquele tempo, a FPF dava respaldo ao árbitro e, ao invés de veto ou geladeira, foi aplaudido pela casa.

PC teve 3 oportunidades para ir a uma Copa do Mundo. Em duas poderia realmente ter ido pelo seu desempenho; em outra a concorrência estava difícil, pois Carlos Eugênio Simon estava em elevadíssima fase.

Me parece que nos últimos tempos ele estava desmotivado. De que adiantava ótimos testes físicos, boas atuações ou comportamento irrepreensível fora de campo? Os jogos importantes estavam se rareando, perdendo espaço para novatos que não se firmavam e que subiam sabe-lá-como.

O trabalho da atual CEAF-SP é fraquíssimo. Prova disso é que, mesmo com a dupla Marin & Marco Polo no poder, não temos mais nenhum árbitro paulista no quadro da FIFA. Isso é incrível!!! Um dia a FPF foi referência no número e na qualidade de juízes de futebol…

Arrisco-me a dizer que o grande pecado de Paulo César de Oliveira nestes últimos anos foi não se meter na política do apito. E digo isso com pesar: ser neutro politicamente e desejar a meritocracia passou a ser defeito!

O folclórico “Zé Boca de Bagre”, amigo do Professor Reinaldo Basile, advogado renomado e jornalista ícone aqui de Jundiaí, diria que “se PC tivesse participado daquelas reuniões marcadas pelas cervejadas de um poderoso dirigente sindical, tudo teria sido diferente”.

Será?

Como não creio na existência desse viés e acredito no árduo trabalho desses dirigentes do apito (com incompetência, mas intenso), quero crer que faltou simplesmente a oportunidade.

Boa sorte na nova vida como comentarista de arbitragem da Rede Globo, PC. Torço por você!

(ops: abaixo, o Copo de Budweiser na mão, recolhido num Flamengo X Coritiba em Brasília, é sim uma imagem mais emblemática do que parece. Coincidente mensagem subliminar?)

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– Uma Cáca arbitrada que vale até a CBF?

Comentamos em nossa última análise de arbitragem do Campeonato Paulista a má atuação do árbitro Adriano de Assis Miranda no jogo entre Mogi Mirim x Paulista FC. E eis que a FPF premia o juizão: fará parte da elite do estado de São Paulo, composta por 18 nomes para trabalhar na CBF em jogos do Brasileirão nas suas 4 divisões. Lembrando que na relação há a árbitra Regildênia de Holanda Moura, que se aprovada poderá apitar jogos masculinos, além de Paulo César de Oliveira que deverá anunciar a aposentadoria nos próximos dias, segundo o noticiário.

Para mim, surpreendente a lista por dois fatos: alguns bons nomes ficaram de fora, como Marcelo Rogério (justificativa: pelo regulamento da CBF, ele é “velho”, mesmo que outros árbitros da mesma idade do que ele estejam no quadro) e a quantidade pequena de nomes escolhidos. Já tivemos 40 bons árbitros na relação na década de 90, todos com boas condições de aturarem na série A. E desses 18, todos têm condição de apitar um Fla-Flu ou Gre-Nal?

Abaixo a lista:

Adriano de Assis Miranda

Antonio Rogério Batista do Prado

Aurélio Santanna Martins

Flavio Rodrigues Guerra

Flavio Rodrigues de Souza

Guilherme Cereta de Lima

Jose Claudio Rocha Filho

Leandro Bizzio Marinho

Luiz Flavio de Oliveira

Marcelo Aparecido Ribeiro de Souza

Marcelo Prieto Alfieri

Marcio Henrique de Gois

Paulo Cesar Oliveira

Raphael Claus

Regildenia de Holanda Moura*

Rodrigo Guarizo Ferreira do Amaral

Thiago Duarte Peixoto

Vinicius Furlan

Importante: já que citamos o jogo referido do Estadual envolvendo Mogi Mirim x Paulista, olha que loucura – na partida, criticamos a expulsão do atleta Gabriel Firmino pelo segundo e injusto cartão amarelo por falta simples (está em: http://is.gd/l2pRzU). Mas para surpresa geral, ao ler a súmula, ele foi expulso POR SIMULAÇÃO DE PÊNALTI!

Um verdadeiro “samba do crioulo doido”: o atacante entra na área e faz uma falta simples. Para todos que assistiram o jogo, o Amarelo deveu-se a esse excesso de rigor. Mas não! O árbitro considerou essa jogada lance legal. Na sequência, o zagueiro chuta o atacante, e como o jogo não estava parado, seria pênalti para o Paulista. Aí ele erra de novo: não marca a infração e entende como simulação, mesmo sem ter sido e o expulsa.

Durma-se com um barulho desse: o cara faz essa lambança e no outro dia é indicado à CBF…

Na verdade, a culpa não é do árbitro; é de quem o escalou sem o ter preparado adequadamente nem feito um plano de carreira: a própria Comissão de Árbitros. E, infelizmente, ela pode tudo e ninguém a muda. Pudera, esperar o quê de Marco polo Del Nero, presidente da CBF e futuro mandatário-mor da CBF?

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– Desprestígio Paulista na FIFA. Dá-lhe FPF…

Marcelo Damato, jornalista bem informado e que não costuma cometer gafes em sua coluna “De Prima” do Jornal Lance, publicou na última 5a feira uma nota que arrepiou muita gente: Paulo César de Oliveira poderá pendurar o apito!

Que coisa… Depois de Sálvio Spínola Fagundes Filho ter largado a carreira por não poder aspirar muita coisa de acordo com os planos da Comissão de Árbitros brasileira, após Wilson Luís Seneme também abandonar a FIFA (e consequentemente a CBF e a FPF) para assumir um cargo representativo na Conmebol, agora PC poderá deixar a carreira e se tornar comentarista da Rede Globo de Televisão.

Parabéns a ele! Seria um tapa com luva de pelica àqueles que o esnobaram no auge. PC teve dois momentos importantes: o da Copa de 2006, em que tecnicamente empatava com Carlos Eugênio Simon em alto nível de arbitragem, mas não foi escolhido; e em 2010, onde já não rendia a mesma coisa e estava sendo contestado (em alguns jogos justa, e em outros injustamente). Para 2014, foi literalmente escanteiado e não lembrado. A verdade é que Paulo César teve um brilhante começo de carreira, trabalhou com certa irregularidade nas últimas temporadas e foi esquecido pelos cartolas. Abandonar a cartolagem do apito e ir para a Globo é uma oportunidade ímpar.

Fica o detalhe: há quantas décadas São Paulo não ficava sem árbitro da FIFA em seu quadro? Tínhamos 3 efetivos e outros tantos para assumir a honraria (lembrando que Anselmo da Costa, Cleber Wellington Abade, Rodrigo Braguetto e outros não foram por falta de oportunidade e, claro, por politicagem). Agora, não teremos nenhum, caso se concretize.

Desejo boa sorte ao amigo PC. E fico imaginando a CBF só com 8 árbitros da FIFA e a FPF sem nenhum árbitro internacional até 2015. Belo trabalho de Marco Polo Del Nero e do presidente da CEAF Coronel Marinho… O estado de São Paulo regrediu!

Resta a Luiz Flávio de Oliveira, Guilherme Ceretta de Lima e Raphael Claus brigarem pelas duas vagas, lembrando que Claus ainda não é aspirante ao quadro da FIFA, mas aposto que será em breve.

Para mim, no ano que vem, teremos Claus e Luiz Flávio. Mero palpite. E para você?

PC, sem dúvida, abriu os olhos na hora certa…

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– Prêmio pelo Fracasso?

Gozação? Pegadinha? Brincadeira?

Pois é, leio em destaque do Site Esporte Jundiaí, do jornalista Thiago Baptista de Olim: José Macena será o novo treinador do Oeste de Itápolis!

Depois da péssima passagem em Jundiaí na área administrativa, ajudando a afundar o Paulista Futebol Clube e dando dores de cabeça aos esforçados Cristiano Mingoti e Djair Boccanela, vai tentar salvar o time do interior em dois jogos?

Como é que esses caras conseguem sempre estar em evidência mesmo quando estão em péssima fase…

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– Eleições na FPF. Os candidatos são bons?

O que você acha do trabalho da Federação Paulista de Futebol?

– Os campeonatos estão rentáveis?

– Os times estão felizes?

– Os árbitros são revelados as dezenas?

– Os estádios paulistas são confortáveis?

– A violência acabou?

Enfim, o trabalho do atual presidente da FPF, Marco Polo Del Nero (e de seu vice, Reinaldo Carneiro Bastos) é louvável?

Se sim, saiba que eles serão novamente candidatos à Reeleição. E serão únicos.

Questiono: não existe oposição por falta de nomes ou por algum receio? O interessante é que, caso Marco Polo não consiga se eleger na CBF, continua garantido no cargo de dirigente da Federação mais rica do Brasil. Ou seja, a “boquinha realmente é boa”.

A eleição será em breve, dia 20 próximo. Alguém duvida da aclamação dos nomes deles? Ah, e Vicente Cândido, o deputado petista da bancada da bola, deverá continuar sendo um dos vices indicados (ainda mais forte).

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– Quem foi o melhor árbitro do mundo em 2013?

Em breve saberemos quem será eleito o melhor jogador do mundo: Cristiano Ronaldo, Lionel Messi ou Ribery?

Fazer listas e rankings é algo difícil. Carece-se de critério, bom senso, e eleitores e/ou aconselhantes isentos. Permitir voto pela Internet é algo surreal, pois, respeitosamente, sabe-se que se existir uma boa campanha um azarão ganha pela simpatia num pleito eletrônico.

E se a lista for para a escolha daqueles que tem pouca torcida e muita antipatia?

Pois é: eleger o melhor árbitro de um campeonato estadual tem grau de dificuldade médio. O de um país, a dificuldade aumenta. E do mundo?

Não dá para assistir jogos do planeta inteiro, quiçá um ou outro das principais ligas da Europa. Mas todas as partidas, impossível.

A grosso modo, você pode se basear nas grandes partidas e competições internacionais. E leio num desses blogs especializados do assunto (link enviado pelo árbitro Maicon Maia), o “Football Refereeing”, elegeu os 3 melhores do planeta em 2013: Björn Kuipers , Howard Webb e Sandro Meira Ricci.

Kuipers é o holandês que apitou os principais jogos da Champions League e a final da Liga Europa. Seu ápice foi a final a Copa das Confederações (Brasil x Espanha no Maracanã). Escolha justa.

Webb é o inglês que apitou a final da Copa de 2010 e de tantos outros jogos importantes. Tem muita personalidade e sempre figura entre os melhores.

Ricci é o brasileiro que entrou na lista da FIFA para representar o Brasil na Copa do Mundo em 2014. Quando apitou os principais e mais difíceis jogos do Brasileirão ainda como aspirante a FIFA, foi preterido, dizem, por motivos políticos. No ano seguinte entrou para o quadro internacional. Alguns o criticam por ter sido escolhido como árbitro da Copa por ser justamente “político demais”. Ora, se assim fosse, estaria a mais tempo no quadro da FIFA e de bate-pronto escolhido para o Mundial. A vaga era de Seneme que se lesionou, passou para Vuaden que reprovou no teste físico e ficou pingando para Ricci, que a agarrou. Acho justo. Quem está melhor do que ele hoje para a vaga? Heber Roberto Lopes? A torcida são-paulina não se esquece do fatídico SPFC x Grêmio deste ano. Paulo César? O admiro, mas sua vez já foi. Ricardo Marques Ribeiro, Péricles Bassols, Chicão de Alagoas ou Wilton Sampaio? Esqueça. Sobrou Marcelo de Lima Henrique para dividir a preferência.

Mas o mote é: Ricci é o 3o do mundo?

Nesse ano, não apitou os principais jogos do Brasileirão, mas em compensação esteve nas principais competições internacionais: Eliminatórias, Libertadores, Copa do Mundo Sub 20 e Mundial de Clubes, onde apitou a final da competição. Talvez isso o tenha tornado o mais importante árbitro da América do Sul.

Repito: não é fácil criar rankings, principalmente os de arbitragem. As vezes temos muita má vontade com os nossos árbitros. Carlos Eugênio Simon foi a 3 Copas do Mundo, e ainda assim o criticam. Marsiglia, Wright, Arnaldo e Romualdo fizeram bonito lá fora, mas o reconhecimento é pouco. O “complexo de vira-lata”, tão presente na Seleção Canarinho até a metade do Século XX, persiste no meio do apito. Por quê tantas críticas aos árbitros locais, se eles estão na média mundial?

Quando foi a Nazaré, sua terra natal, Jesus não realizou grandes milagres pela falta de fé do povo. Disse então que “um profeta não é reconhecido pelo seu próprio povo”. Foi daí que se eternizou o dito “Santo de casa não faz milagre”.

Sandro Meira Ricci não é Jesus Cristo para se chamar de santo ou perfeito e fazer milagres em campo. Tampouco para ser crucificado. Assim, que tal olharmos com bons olhos para tal destaque e torcermos para que o árbitro brasileiro apite a decisão do 3o e 4o lugar da Copa de 2014? Claro, não o queremos na final, pois lá estará a Seleção Brasileira contra qualquer outra; afinal, neste ano, Felipão afirmou que “O Brasil será campeão”.

Ou está tudo errado? Previsão de Scolari, escolha do árbitro, ranking e tudo mais?

E você, o que pensa sobre isso? Deixe seu comentário:

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Observação 1: Novamente, não teremos árbitro central paulista na Copa (mas sim bandeira). Veja a relação completa:

1930 – Gilberto de Almeida Rego-RJ (árbitro, com 49 anos)

1934 – nenhum

1938 – nenhum

1950 – Mário Vianna-RJ (árbitro, com 42 anos), Alberto da Gama Malcher e Mário Gardelli (auxiliares)

1954 – Mário Vianna-RJ (árbitro, com 46 anos)

1958 – nenhum

1962 – João Etzel Filho-SP (árbitro, com 46 anos)

1966 – Armando Marques-RJ (árbitro, com 36 anos)

1970 – Ayrton Vieira de Moraes-RJ (árbitro, com 46 anos)

1974 – Armando Marques-RJ (árbitro, com 44 anos)

1978 – Arnaldo Cézar Coelho-RJ (árbitro, com 35 anos)

1982 – Arnaldo Cézar Coelho-RJ (árbitro, com 39 anos)

1986 – Romualdo Arppi Filho-SP (árbitro, com 47 anos)

1990 – José Roberto Wright-RJ (árbitro, com 46 anos)

1994 – Renato Marsiglia-RS (árbitro, com 43 anos) e Paulo Jorge Alves (assistente)

1998 – Márcio Rezende de Freitas-MG (árbitro, com 38 anos) e Arnaldo Pinto (assistente)

2002 – Carlos Eugênio Simon-RS (árbitro, com 37 anos) e Jorge Paulo Gomes (assistente)

2006 – Carlos Eugênio Simon-RS (árbitro, com 41 anos), Aristeu L Tavares e Ednilson Corona (assistentes)

2010 – Carlos Eugênio Simon-RS (árbitro, com 45 anos), Altemir Haussman e Roberto Braatz (assistentes).

2014 – Sandro Meira Ricci-MG (árbitro, com 40 anos), Emerson Augusto Carvalho e Alessandro Rocha Matos (assistentes).

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Observação2: A matéria do texto-base pode ser acessada em: http://footballrefereeing.blogspot.com.br/2013/12/the-3rd-team-referee-of-year-2013-bjorn.html?m=1 (abaixo):

THE 3RD TEAM REFEREE OF THE YEAR 2013: BJÖRN KUIPERS

“From zero to hero” – that was a phrase issued by one member of this blog’s community that perfectly circumscribes the past year 2013 for Dutch referee Björn Kuipers. He is today honoured by The Third Team and its community as the world’s best Referee of the Year 2013.

Many people expected that EURO 2012 might have been a caesure for Kuipers’ referee career. Having been sent home after the group stage as one of four referees, he was somehow punished for his rather weak performances in Ireland – Croatia and Ukraine – France. It was indeed a caesura – but a positive one. In 2012/13, Kuipers outperformed all expectations and rapidly improved his skills on the pitch. Or, to formulate it differently, he finally managed to put his skills onto the pitch visible for everyone.

This culminated in a well-deserved semifinal in UEFA Champions League between Borussia Dortmund and Real Madrid which he handled almost faultlessly. He was then selected to take charge of UEFA Europa League Final 2013 in his home country – in Amsterdam Arena – between SL Benfica and Chelsea FC. The performance of his whole team including assistant referees Van Roekel and Zeinstra as well as the additional assistant referees Van Boekel and Liesveld has been impressive. As a logical consequence, Kuipers furthermore took control over the heated and combatted final at FIFA Confederations Cup between hosts Brazil and World Champions Spain. There is no need to say that this performance was very good as well. In the end, Kuipers has established at the peak of European refereeing which has led us to this award. Congratulations. He is following in the footsteps of Ravshan Irmatov and Cüneyt Çakır, who have been awarded this small prize in 2011 and 2012 respectively.

English Howard Webb has landed on the second place. Certainly, 2013 has been one of the best years of his career and probably the best year after 2010.

Brazilian Sandro Ricci has shown great progress over the last couple of months being somehow pushed into the role to represent the hosting nation Brazil at the next World Cup in 2014. He has coped well with these expectations and this pressure and has proven to be a very good referee at FIFA U-20 World Cup, where he handled four matches, and FIFA Club World Cup, where he took charge of the final between Bayern München and Raja Casablanca (last week).

Djamel Haimoudi of Algeria has been elected as the best African referee of the year, while Nawaf Shukrallah of Bahrain managed to do so as the best Asian official. While Haimoudi handled important matches within his confederation (CAF), such as the AFCON 2013 final in South Africa, and the third place match at Confederations Cup 2013 between Italy and Uruguay, Shukrallah very likely has qualified for next year’s World Cup by multiple achievements: he refereed the World Cup qualifier between Japan and Australia in a very good manner and was able to confirm this positive impression at FIFA U-20 World Cup where he, among others, took charge of a semifinal. In addition, he very well controlled the AFC Champions League Final between Guangzhou Evergrande and FC Seoul.

Mexico’s Roberto García has been elected as the best CONCACAF referee of the year. Certainly, his final appointment and performance at U-20 World Cup (Uruguay – France) were one vital reason for this vote.

This is the complete list. Every voter had sent a top 15. Every place (1 to 15) was linked to a certain amount of points that have been added so that a final list came into existence:

1. Björn Kuipers – Netherlands – 1973 – 370 points

2. Howard Webb – England – 1971 – 273 points

3. Sandro Ricci – Brazil – 1974 – 258 points

4. Jonas Eriksson – Sweden – 1974 – 218 points

5. Nawaf Shukralla – Bahrain – 1976 – 172 points

6. Djamel Haimoudi – Algeria – 1970 – 170 points

7. Roberto García – Mexico – 1974 – 162 points

8. Joel Aguilar – El Salvador – 1975 – 160 points

9. Wilmar Roldán – Colombia – 1980 – 158 points

10. Enrique Osses – Chile – 1974 – 138 points

11. Felix Brych – Germany – 1975 – 122 points

12. Milorad Mažić – Serbia – 1973 – 108 points

13. Svein Oddvar Moen – Norway – 1979 – 84 points

14. Bakary Gassama – Gambia – 1979 – 64 points

15. Benjamin Williams – Australia – 1977 – 57 points

16. Damir Skomina – Slovenia – 1976 – 54 points

17. Pedro Proença – Portugal – 1970 – 43 points

18. Cüneyt Çakır – Turkey – 1976 – 42 points

19. Yuichi Nishimura – Japan – 1972 – 37 points

20. Néstor Pitana – Argentina – 1975 – 31 points

21. Roberto Moreno – Panama – 1969 – 30 points

22. Ravshan Irmatov – Uzbekistan – 1977 – 29 points

23. Nicola Rizzoli – Italy – 1971 – 28 points

24. Abdul Bashir – Singapore – 1968 – 27 points

….. Alireza Faghani – Iran – 1978 – 27 points

26. Néant Alioum – Cameroon – 1982 – 18 points

27. Mark Geiger – USA – 1974 – 14 points

….. Antonio Arias – Paraguay – 1972 – 14 points

29. Craig Thomson – Scotland – 1972 – 13 points

30. Víctor Carrillo – Peru – 1975 – 12 points

….  Marco Rodríguez – Mexico – 1973 – 12 points

32. Courtney Campbell – Jamaica – 1968 – 11 points

33. Viktor Kassai – Hungary – 1975 – 10 points

34. Bouchaib El Ahrach – Morocco – 1972 – 9 points

33. Carlos Vera – Ecuador – 1976 – 8 points

….. Badara Diatta – Senegal – 1969 – 8 points

35. Roberto Silvera – Uruguay – 6 points

36. Daniel Bennett – South Africa – 1976 – 4 points

37. Stéphane Lannoy – France – 1969 – 3 points

….. Peter O’Leary – New Zealand – 1972 – 3 points

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