Ouvi há pouco uma entrevista do treinador italiano Carlo Ancelotti. Como ele está falando bem a Língua Portuguesa!
É muito bom ver pessoas que buscam conhecimento e aprendem fácil o idioma local. Muito bom.
Eu tenho muito cuidado com esse assunto, pois sei que há a famosa tríade popular de que “Futebol, Política e Religião” não se discutem. Ora, discute-se sim, com tolerância e respeito. E a combinação de dois desses elementos, o Futebol e a Religião, tem me chamado a atenção bastante.
Antes de tudo: tenho a minha religião (é público, sou católico praticante, trabalhei em pastorais e em ações voltadas ao ecumenismo, que nada mais é do que o tão necessário diálogo interreligioso) e não faço proselitismo ou crítica a qualquer outra. A importância de quem vive uma crença é: a maturidade e “racionalidade da fé” (parece um termo contraditório, mas não é). Ciência e Fé são complementares, e não concorrenciais. O fanatismo (em qualquer crença) deturpa tudo isso. Assim, ser maduro e ser racional são condições necessárias para esse assunto.
Dias atrás, comentando um jogo da 4ª divisão paulista, ouvi um treinador dizendo em entrevista que “Profetizou a vitória de Deus contra o adversário” e que o “Senhor é fiel em suas promessas, sendo a vitória dEle”. Respeitosamente, mas Deus não quer disputar a A3 da FPF, ele tem muita coisa importante a fazer. Se ele dá o livre arbítrio às pessoas (e por isso há as guerras – não por culpa de Deus, mas dos próprios homens), por que iria favorecer a equipe A e prejudicar a equipe B?
Milhares de pessoas morrendo injustamente, e qual o motivo para Deus dar mais importância a um jogo de futebol do que à resolução dos conflitos Rússia – Ucrânia ou Hamas – Israel?
Calma, não estou desdenhando do boleiro que pediu ajuda a Deus, nem duvidando da sua fé. Não é um comentário ateísta, mas apenas levantando a seguinte situação: do outro lado, há jogadores que acreditam no mesmo Deus. Qual razão Deus favorece um time e desfavorece outro? Não vale responder que uma equipe teve mais fé do que a adversária, pois, sabemos, a resposta é lógica: “Se macumba ganhasse jogo, o BaVi terminaria sempre empatado”. E óbvio que alguém vai dizer que o Deus dos Cristãos não é o mesmo que os deuses das crenças africanas, mas a analogia serve para o mesmo propósito.
Aqui no Brasil, temos uma “febre de fé no futebol”. Telê Santana, no começo dos anos 90, mostrou-se preocupado com o movimento “Atletas de Cristo”, pois falava-se à boca pequena que alguns atletas não fariam falta no jogo por entenderem ser pecado… Coisa do passado. Sempre existiu a religião e a religiosidade no futebol, ou seja: a fé e o rito, muitas vezes, supersticioso! Ou não é costumeiro ver padres e pastores visitando as agremiações e vestiários, e irônica e concomitantemente, esses mesmos clubes jogam sal grosso aos pés de uma trave e tem seus “pais-de-santos” oficiais?
Certa vez, ainda jovem, apitei pela antiga B1B (a 5ª divisão paulista) o “Clássico do Avião”: Guapira do Jaçanã vs AD Guarulhos (os dois estádios estão na rota de Cumbica e os aviões de grande porte passam à baixa altura sobre eles). Na hora do sorteio, um capitão falou ao outro: “que Deus te abençoe, te dê a paz, e honre a promessa feita a Abraão”. Nunca mais esqueci, achei diferente. E o jogo atrasou pois rezou-se um Pai-Nosso e uma Ave-Maria por parte daquela equipe em campo (se faz isso no vestiário, não fora dele). No primeiro lance, esse mesmo capitão deu um pontapé violento no próprio capitão que ele desejou a paz e o “pau comeu”! Foi um dos cartões vermelhos mais rápidos (e justos) que apliquei numa partida…
Em 2009, após a conquista da Copa das Confederações pela Seleção Brasileira, a BBC da Inglaterra produziu uma matéria chamada DIVINO FUTEBOL, onde dizia que:
“As pessoas que acompanharam a final [Brasil x EUA] não estavam preparadas para a reza coletiva, com todos jogadores brasileiros ajoelhados, de mãos dadas, num círculo feito em pleno gramado que incluiu até a comissão técnica. Em um lugar como a Grã-Bretanha, onde o povo está acostumado a conviver respeitosamente com diferentes religiões, surpreende o fato de atletas usarem a combinação entre um veículo de grande penetração como a televisão e a enorme capacidade de marketing da Seleção Brasileira, para divulgar mensagens ligadas a crenças, seitas ou religiões. Se arriscam a serem confundidos com emissários de pregadores dispostos a aumentar o número de ovelhas de seus rebanhos às custas do escrete canarinho, como emissários evangélicos em missão.”
Por esse mesmo episódio, a Associação de Futebol da Dinamarca pediu atenção à FIFA, que segundo matéria do Estadão:
“A Fifa confirmou à Agência Estado que mandou um alerta à CBF pedindo moderação na atitude dos jogadores mais religiosos, mas indicou que por enquanto não puniria os atletas, já que a manifestação ocorreu após o apito final. Ao final do jogo contra os EUA, os jogadores da Seleção Brasileira fizeram uma roda no centro do campo e rezaram. A Associação Dinamarquesa de Futebol é uma das que não estão satisfeitas com a Fifa e quer posição mais firme. Pede punições para evitar que isso volte a ocorrer. Com centenas de jogadores africanos, vários países europeus temem que a falta de uma punição por parte da Fifa abra caminho para extremismos religiosos e que o comportamento dos brasileiros seja repetido por muçulmanos que estão em vários clubes da Europa. Tanto a Fifa quanto os europeus concordam que não querem que o futebol se transforme em um palco para disputas religiosas, um tema sensível em várias partes do mundo. Mas, por enquanto, a Fifa não ousa punir o Brasil. ‘A religião não tem lugar no futebol’, afirmou Jim Stjerne Hansen, diretor da Associação Dinamarquesa. Para ele, a oração promovida pelos brasileiros em campo foi exagerada. ‘Misturar religião e esporte daquela maneira foi quase criar um evento religioso em si. Da mesma forma que não podemos deixar a política entrar no futebol, a religião também precisa ficar fora’, disse o dirigente ao jornal Politiken, da Dinamarca. À Agência Estado, a entidade confirmou que espera que a Fifa tome ‘providências’ e que busca apoio de outras associações”.
Insisto: os jogadores têm sua religião (ou não a têm, são agnósticos ou ateus) e devem ser respeitados. Mas Deus (ou os deuses, dependendo da sua crença) tem coisa mais importante para fazer do que decidir um placar. Deve-se em oração pré-jogo pedir saúde, proteção contra lesões, um bom trabalho, sucesso profissional… mas placares, não! Afinal, quando o time ganha, para muitos, é pela benção de Deus. Mas e o que houve ao time que perdeu e também rezou?
Por fim: saibamos creditar as derrotas e vitórias ao trabalho dos jogadores, treinadores e demais envolvidos, e a Deus o dom da vida para exercer a sua profissão.
Ops: para que não se ache que esse texto foi averso a fé (citei no início que é uma reflexão sobre a maturidade religiosa), eu também pedi luz ao Espírito Santo para escrevê-lo sem ofensa a qualquer pessoa religiosa ou entidade.
Curiosidade: árbitro de futebol também tem fé e até a sua oração oficial, reconhecida pela Igreja Católica em 2002, graças à ajuda do bispo Dom Amaury Castanho, que generosamente me recebeu com o padre Antonio Ferreira e nos possibilitou esse agrado. Abaixo:
ORAÇÃO DO ÁRBITRO DE FUTEBOL
Senhor Jesus Cristo,
Tu, que conheces o íntimo de cada um de nós, tem piedade de todo o teu povo.
Pedimos tuas bênçãos para todas as pessoas que estão envolvidas na prática esportiva: árbitros e jogadores, torcedores e policiais, gandulas e jornalistas, fiscais e dirigentes das nossas federações.
Nós te amamos, mas sabemos de nossas fraquezas. Humildemente, te suplicamos a proteção, visando não as vitórias ou honrarias humanas, mas a um bom, honesto e seguro trabalho. Acima de tudo, que seja feita a tua santa e bendita vontade.
Tudo isso te pedimos por intercessão de Maria Santíssima, a quem carinhosamente temos por mãe, invocada como Nossa Senhora Aparecida, Padroeira do Brasil e Patrona dos Árbitros de Futebol. Amém.
COM APROVAÇÃO ECLESIÁSTICA DO SR BISPO DA DIOCESE DE JUNDIAÍ, DOM AMAURY CASTANHO, EM 04/12/2002
Marcinho (Chapecoense) foi derrubado na área por Yan Souto (Criciúma), e o árbitro Felipe Fernandes de Lima (o mesmo do polêmico Athletico x SPFC pela Copa do Brasil) marcou pênalti ao time alviverde.
Eis que o pênalti é cobrado e a bola entra no gol. Mas um pouco antes, Gabriel Inocêncio (Chapecoense) agride Felipinho (Criciúma) e o VAR chama o árbitro (procedimento correto, o árbitro de vídeo tem essa responsabilidade).
O que deve fazer o juizão?
Repare que: a agressão ocorreu depois que o cobrador tocou na bola, e antes dela entrar no gol (a bola entra em jogo a partir do toque do atleta, não do apito do árbitro, que serve para autorizar a cobrança). Portanto, a bola está em jogo. Sendo assim, o gol deve ser anulado pois ocorreu uma agressão do companheiro do cobrador, o atleta infrator deve receber Cartão Vermelho e o jogo reiniciado com tiro livre direto à equipe do agredido, no local da agressão (correto o procedimento do árbitro).
IMPORTANTE: alguém pode alegar que ambos atletas invadiram a área, mas lembre-se: a regra mudou. Só se anula o gol se a invasão tiver impacto no resultado da cobrança.
E se a bola já estivesse entrado no gol, antes da agressão?
O gol deveria ser validado, e o agressor expulso (pois daí teria sido uma agressão com o jogo parado).
Que cáca o glorioso Inocêncio cometeu, não?
O jogador flamenguista Bruno Henrique teve uma pena justa?
Falamos sobre ela, e os outros casos envolvendo manipulação de cartões (cuidadosamente distinguindo-os), em: https://youtu.be/qCFF9iM_rsU?si=JpAfwAlCmc4gqHuz
Para muitos, Bolívia x Brasil na altitude de El Alto é apenas um amistoso, já que a Seleção Brasileira já está classificada.
Vá dizer isso para os atletas que foram chamados por Carlo Ancelotti para serem testados! O treinador, na convocação, havia dito que trouxe alguns jogadores para ele sentir como eles reagem em campo. E, para esses nomes, é jogo que vale “Copa do Mundo”.
Como estando testado, e não der a vida para ser convocado ao Mundial 2026?
Para quem está acompanhando “A Máfia do Apito”, série documental da Sportv, saiba: hoje, 19h30, o 3º e último episódio.
Já para quem perdeu os anteriores, aqui: https://globoplay.globo.com/v/13902605/
.
Estou nessa produção também. Conto com sua audiência.

O futebol é um microcosmo social. Portanto, nele e em volta dele, acontece de tudo:
Se continuar o relato, perceberemos que, se usarmos da racionalidade, o futebol não é um esporte que dá prazer, mas sim um negócio suspeito da indústria do entretenimento. Mas… ainda assim a gente gosta de ver a bola rolar!
E você: no que acredita ou desacredita no futebol?

Imagem extraída da Web, autoria desconhecida.
Para quem perdeu o 1º dos 3 episódios de “A Máfia do Apito” (Canastra Real), o link da Globoplay em: https://globoplay.globo.com/v/13902176/

Eu tenho muito cuidado com esse assunto, pois sei que há a famosa tríade popular de que “Futebol, Política e Religião” não se discutem. Ora, discute-se sim, com tolerância e respeito. E a combinação de dois desses elementos, o Futebol e a Religião, tem me chamado a atenção bastante.
Antes de tudo: tenho a minha religião (é público, sou católico praticante, trabalhei em pastorais e em ações voltadas ao ecumenismo, que nada mais é do que o tão necessário diálogo interreligioso) e não faço proselitismo ou crítica a qualquer outra. A importância de quem vive uma crença é: a maturidade e “racionalidade da fé” (parece um termo contraditório, mas não é). Ciência e Fé são complementares, e não concorrenciais. O fanatismo (em qualquer crença) deturpa tudo isso. Assim, ser maduro e ser racional são condições necessárias para esse assunto.
Dias atrás, comentando um jogo da 4ª divisão paulista, ouvi um treinador dizendo em entrevista que “Profetizou a vitória de Deus contra o adversário” e que o “Senhor é fiel em suas promessas, sendo a vitória dEle”. Respeitosamente, mas Deus não quer disputar a A3 da FPF, ele tem muita coisa importante a fazer. Se ele dá o livre arbítrio às pessoas (e por isso há as guerras – não por culpa de Deus, mas dos próprios homens), por que iria favorecer a equipe A e prejudicar a equipe B?
Milhares de pessoas morrendo injustamente, e qual o motivo para Deus dar mais importância a um jogo de futebol do que à resolução dos conflitos Rússia – Ucrânia ou Hamas – Israel?
Calma, não estou desdenhando do boleiro que pediu ajuda a Deus, nem duvidando da sua fé. Não é um comentário ateísta, mas apenas levantando a seguinte situação: do outro lado, há jogadores que acreditam no mesmo Deus. Qual razão Deus favorece um time e desfavorece outro? Não vale responder que uma equipe teve mais fé do que a adversária, pois, sabemos, a resposta é lógica: “Se macumba ganhasse jogo, o BaVi terminaria sempre empatado”. E óbvio que alguém vai dizer que o Deus dos Cristãos não é o mesmo que os deuses das crenças africanas, mas a analogia serve para o mesmo propósito.
Aqui no Brasil, temos uma “febre de fé no futebol”. Telê Santana, no começo dos anos 90, mostrou-se preocupado com o movimento “Atletas de Cristo”, pois falava-se à boca pequena que alguns atletas não fariam falta no jogo por entenderem ser pecado… Coisa do passado. Sempre existiu a religião e a religiosidade no futebol, ou seja: a fé e o rito, muitas vezes, supersticioso! Ou não é costumeiro ver padres e pastores visitando as agremiações e vestiários, e irônica e concomitantemente, esses mesmos clubes jogam sal grosso aos pés de uma trave e tem seus “pais-de-santos” oficiais?
Certa vez, ainda jovem, apitei pela antiga B1B (a 5ª divisão paulista) o “Clássico do Avião”: Guapira do Jaçanã vs AD Guarulhos (os dois estádios estão na rota de Cumbica e os aviões de grande porte passam à baixa altura sobre eles). Na hora do sorteio, um capitão falou ao outro: “que Deus te abençoe, te dê a paz, e honre a promessa feita a Abraão”. Nunca mais esqueci, achei diferente. E o jogo atrasou pois rezou-se um Pai-Nosso e uma Ave-Maria por parte daquela equipe em campo (se faz isso no vestiário, não fora dele). No primeiro lance, esse mesmo capitão deu um pontapé violento no próprio capitão que ele desejou a paz e o “pau comeu”! Foi um dos cartões vermelhos mais rápidos (e justos) que apliquei numa partida…
Em 2009, após a conquista da Copa das Confederações pela Seleção Brasileira, a BBC da Inglaterra produziu uma matéria chamada DIVINO FUTEBOL, onde dizia que:
“As pessoas que acompanharam a final [Brasil x EUA] não estavam preparadas para a reza coletiva, com todos jogadores brasileiros ajoelhados, de mãos dadas, num círculo feito em pleno gramado que incluiu até a comissão técnica. Em um lugar como a Grã-Bretanha, onde o povo está acostumado a conviver respeitosamente com diferentes religiões, surpreende o fato de atletas usarem a combinação entre um veículo de grande penetração como a televisão e a enorme capacidade de marketing da Seleção Brasileira, para divulgar mensagens ligadas a crenças, seitas ou religiões. Se arriscam a serem confundidos com emissários de pregadores dispostos a aumentar o número de ovelhas de seus rebanhos às custas do escrete canarinho, como emissários evangélicos em missão.”
Por esse mesmo episódio, a Associação de Futebol da Dinamarca pediu atenção à FIFA, que segundo matéria do Estadão:
“A Fifa confirmou à Agência Estado que mandou um alerta à CBF pedindo moderação na atitude dos jogadores mais religiosos, mas indicou que por enquanto não puniria os atletas, já que a manifestação ocorreu após o apito final. Ao final do jogo contra os EUA, os jogadores da Seleção Brasileira fizeram uma roda no centro do campo e rezaram. A Associação Dinamarquesa de Futebol é uma das que não estão satisfeitas com a Fifa e quer posição mais firme. Pede punições para evitar que isso volte a ocorrer. Com centenas de jogadores africanos, vários países europeus temem que a falta de uma punição por parte da Fifa abra caminho para extremismos religiosos e que o comportamento dos brasileiros seja repetido por muçulmanos que estão em vários clubes da Europa. Tanto a Fifa quanto os europeus concordam que não querem que o futebol se transforme em um palco para disputas religiosas, um tema sensível em várias partes do mundo. Mas, por enquanto, a Fifa não ousa punir o Brasil. ‘A religião não tem lugar no futebol’, afirmou Jim Stjerne Hansen, diretor da Associação Dinamarquesa. Para ele, a oração promovida pelos brasileiros em campo foi exagerada. ‘Misturar religião e esporte daquela maneira foi quase criar um evento religioso em si. Da mesma forma que não podemos deixar a política entrar no futebol, a religião também precisa ficar fora’, disse o dirigente ao jornal Politiken, da Dinamarca. À Agência Estado, a entidade confirmou que espera que a Fifa tome ‘providências’ e que busca apoio de outras associações”.
Insisto: os jogadores têm sua religião (ou não a têm, são agnósticos ou ateus) e devem ser respeitados. Mas Deus (ou os deuses, dependendo da sua crença) tem coisa mais importante para fazer do que decidir um placar. Deve-se em oração pré-jogo pedir saúde, proteção contra lesões, um bom trabalho, sucesso profissional… mas placares, não! Afinal, quando o time ganha, para muitos, é pela benção de Deus. Mas e o que houve ao time que perdeu e também rezou?
Por fim: saibamos creditar as derrotas e vitórias ao trabalho dos jogadores, treinadores e demais envolvidos, e a Deus o dom da vida para exercer a sua profissão.
Ops: para que não se ache que esse texto foi averso a fé (citei no início que é uma reflexão sobre a maturidade religiosa), eu também pedi luz ao Espírito Santo para escrevê-lo sem ofensa a qualquer pessoa religiosa ou entidade.
Curiosidade: árbitro de futebol também tem fé e até a sua oração oficial, reconhecida pela Igreja Católica em 2002, graças à ajuda do bispo Dom Amaury Castanho, que generosamente me recebeu com o padre Antonio Ferreira e nos possibilitou esse agrado. Abaixo:
ORAÇÃO DO ÁRBITRO DE FUTEBOL
Senhor Jesus Cristo,
Tu, que conheces o íntimo de cada um de nós, tem piedade de todo o teu povo.
Pedimos tuas bênçãos para todas as pessoas que estão envolvidas na prática esportiva: árbitros e jogadores, torcedores e policiais, gandulas e jornalistas, fiscais e dirigentes das nossas federações.
Nós te amamos, mas sabemos de nossas fraquezas. Humildemente, te suplicamos a proteção, visando não as vitórias ou honrarias humanas, mas a um bom, honesto e seguro trabalho. Acima de tudo, que seja feita a tua santa e bendita vontade.
Tudo isso te pedimos por intercessão de Maria Santíssima, a quem carinhosamente temos por mãe, invocada como Nossa Senhora Aparecida, Padroeira do Brasil e Patrona dos Árbitros de Futebol. Amém.
COM APROVAÇÃO ECLESIÁSTICA DO SR BISPO DA DIOCESE DE JUNDIAÍ, DOM AMAURY CASTANHO, EM 04/12/2002
A série documental “A MÁFIA DO APITO“, sobre os 20 anos do maior escândalo do futebol brasileiro, irá ao ar em 3 episódios nos dias 05, 06 e 07 de setembro (6a, sábado e domingo) pela SPORTV, sempre às 19h30.
A partir de segunda, dia 08, também disponível no catálogo da GLOBOPLAY.
Nela, Edilson Pereira de Carvalho faz revelações até hoje inéditas. Pela primeira vez, o apostador Gibão falará sobre como assediou Edilson e Paulo Danelon.
Há depoimentos das autoridades policiais e esportivas, dos jornalistas André Rizek e Thaís Oyama, e dos ex-árbitros Rafael Porcari e Renato Fazanaro Canadinho.
O Trailer aqui:
Carlos Kaiser, o jogador que nunca jogou, figura folclórica do futebol brasileiro, deu uma entrevista muito bacana ao The Noite!
Ele tem 25 títulos de campeão sem nunca entrar em campo… simulava contusões, fazia malandragem e outras peripécias. Passou por Palmeiras, Botafogo (onde foi convocado para a Seleção), Vasco, Bangu, entre outros.
Imperdível! E veja que curioso: ele foi viúvo 3 vezes, nunca bebeu, gosta de farras e até comprou cocaína para Diego Maradona na Rocinha. Foi desmascarado na carreira de “nunca jogar”, segundo ele, pelo jornalista Flávio Prado que o “entregou” ao Treinador Ernesto Paulo.
Em: https://youtu.be/Jr1KbFJHwzw?si=vlpHF-OnnkjobLun
Jorge Sampaoli é o novo treinador do Atlético Mineiro. Em suas últimas campanhas (ao contrário dos anos em que estava no auge), fez trabalhos ruins e sempre arranjando confusão. O que leva o Galo de Minas Gerais contratá-lo? Seria… saudosismo?
O futebol brasileiro não é coerente na contratação de treinadores. Não há filosofia definida, o que faz, por exemplo, o Santos FC ter técnicos arrojados e outros conservadores no mesmo ano. De Diniz a Carille em pouco tempo. Ou o Fluminense, ao trocar (olhe ele de novo) Diniz por Mano Menezes.
Voltando ao Atlético: Cuca, vitorioso no clube, voltou mesmo não estando em boa fase. Agora, o mesmo acontece com Sampaoli. E pior: contrato até final de 2027! Qual o valor da multa? Afinal, em algum momento até essa data, ela terá que ser paga. Mas a pergunta é: o que credencia o treinador argentino hoje? Seu gênio difícil de se lidar nos corredores, certamente não é.
Pense: até o Fortaleza, que tem sido elogiado, sofre para acertar. Teve 4 anos com Vojvoda e 10 jogos com o improvável Renato Paiva.
A culpa de tudo isso deve ser a estrutura do clube. Não ter um diretor de futebol afiado com a história ou tendência da agremiação, que defina uma linha de trabalho perene, é a causa. Não precisa ser como a La Masia do Barcelona, mas algo que defina norte. E, sabemos, poucos têm.
Será que só eu creio que Sampaoli vai arranjar uma confusão e não chegará até dezembro de 2027?
Jorge Sampaoli is the new head coach of Atlético Mineiro. In his last campaigns (unlike the years he was at his peak), he’s had poor results and has always caused trouble. What led the “Galo” of Minas Gerais to hire him? Could it be… nostalgia?
Brazilian football isn’t consistent in hiring coaches. There’s no defined philosophy, which is why, for example, Santos FC has daring coaches and then conservative ones in the same year. From Diniz to Carille in a short time. Or Fluminense, when they switched (look, him again) Diniz for Mano Menezes.
Returning to Atlético: Cuca, a winner at the club, came back even when he wasn’t in a good phase. Now, the same thing is happening with Sampaoli. And what’s worse: a contract until the end of 2027! What’s the buyout clause? After all, at some point before that date, it will have to be paid. But the question is: what qualifies the Argentine coach today? His difficult-to-deal-with personality behind the scenes certainly isn’t it.
Think about it: even Fortaleza, which has been praised, struggles to get it right. They had 4 years with Vojvoda and 10 games with the unlikely Renato Paiva.
The blame for all of this must be the club’s structure. Not having a director of football who is in tune with the club’s history or tendencies, who defines a perennial work plan, is the cause. It doesn’t have to be like Barcelona’s La Masia, but something that provides a sense of direction. And, we know, few have that.
Am I the only one who believes that Sampaoli will cause trouble and won’t make it to December 2027?
A Seleção Brasileira jogará logo mais contra o Chile pelas Eliminatórias da Copa do Mundo, já classificada e sem Neymar.
Houve a polêmica de Carlo Ancelotti não o ter convocado por lesão ou por questão técnica, sendo confirmado que ele realmente não foi chamado por opção do treinador.
Eu não sei se vale a pena levar Neymar para a Copa do Mundo. Que ele é craque, óbvio. Mas o custo-benefício (polêmicas extra-campo, lesões, individualismo, entre outras coisas que temos visto) vale a pena?
IN ENGLISH –
The Brazilian national team will play against Chile soon in the World Cup Qualifiers; they have already qualified and will be without Neymar.
There was a controversy about Carlo Ancelotti not calling him up due to injury or a technical decision, and it was confirmed that he really wasn’t called up by the coach’s choice.
I don’t know if it’s worth taking Neymar to the World Cup. That he’s a star player is obvious. But is the cost-benefit (off-the-field controversies, injuries, individualism, among other things we’ve been seeing) worth it?
Estreia amanhã pela Sportv (e segunda pela Globoplay):
Participo dessa produção, junto com outros árbitros e personagens diversos.
Sobre o documentário dos 20 anos da Máfia do Apito, em: https://wp.me/p4RTuC-1a2v
A série documental “A MÁFIA DO APITO“, sobre os 20 anos do maior escândalo do futebol brasileiro, irá ao ar em 3 episódios nos dias 05, 06 e 07 de setembro (6a, sábado e domingo) pela SPORTV, sempre às 19h30.
A partir de segunda, dia 08, também disponível no catálogo da GLOBOPLAY.
Nela, Edilson Pereira de Carvalho faz revelações até hoje inéditas. Pela primeira vez, o apostador Gibão falará sobre como assediou Edilson e Paulo Danelon.
Há depoimentos das autoridades policiais e esportivas, dos jornalistas André Rizek e Thaís Oyama, e dos ex-árbitros Rafael Porcari e Renato Fazanaro Canadinho.
O Trailer aqui:
No segundo tempo do Derby Paulista, no último domingo, Vitor Roque entrou na área e viu seu marcador se aproximar. Na sequência, se jogou descaradamente. O árbitro mandou corretamente a jogada seguir e ignorou a queixa de pênalti. O atacante ainda reclamou no chão, levantou-se e em seguida sorriu.
É simulação, e DEVERIA ser advertido com cartão amarelo, mas ninguém comentou isso. É a regra! Aceitamos a simulação como algo cultural? E não punir (desrespeitando a regra), idem?
Lá na Espanha, ele seria punido (tanto se jogou lá que os clubes nos quais jogou o criticaram). Simulação, na Inglaterra, é Cartão Amarelo (como a regra manda) acompanhado de vaia da torcida, que não gosta disso.
Até quando aceitaremos pênaltis inexistentes de bola que batem na mão e viram infração à brasileira, simulações, ceras dos goleiros e tudo mais que não deveria ser feito? Normalizar é algo muito ruim.
IN ENGLISH –
In the second half of the Paulista Derby last Sunday, Vitor Roque entered the box and saw his marker approach. He then dived shamelessly. The referee correctly let the play continue and ignored the penalty claim. The forward still complained on the ground, got up, and then smiled.
It was a simulation, and he SHOULD have been cautioned with a yellow card, but nobody commented on it. It’s the rule! Do we accept simulation as something cultural? And not punishing it (disregarding the rule), likewise?
Over in Spain, he would be punished (he dived so much there that the clubs he played for criticized him). In England, simulation is a Yellow Card (as the rule dictates) accompanied by boos from the fans, who don’t like it.
How long will we accept non-existent penalties for balls that hit the hand and become a foul the ‘Brazilian way,’ simulation, goalkeepers’ time-wasting, and everything else that shouldn’t be done? Normalizing is a very bad thing.
O São Paulo FC tentou “furar o olho” dos príncipes do Al Hilal, tentando forçar uma contratação supostamente sem custos de Marcos Leonardo?
Muito pueril achar que pagariam o salário milionário para jogar em outro país… ou que o jogador abriria mão de valores milionários por uma mera vaidade.
Os árabes têm dinheiro, mas nem sempre eles rasgam os petrodólares…
Parece-me que o SPFC quis criar um fato, primeiro permitindo que se falasse de jogador a custo zero, depois de salário rachado e por último, fazendo o atleta forçar sua saída com o time. Como se o mundo não soubesse como é difícil negociar com príncipes, sheiks ou emir endinheirados. Mas o curioso é: houve uma narrativa positiva, otimista e… ilusória. E de ilusão o futebol profissional não pode viver.
IN ENGLISH – Did São Paulo FC try to “poke the eye” of the Al Hilal princes, trying to force a supposedly free signing of Marcos Leonardo?
It’s very childish to think they would pay a million-dollar salary to play in another country… or that the player would give up millions of dollars for mere vanity.
The Arabs have money, but they don’t always tear up the petrodollars…
It seems to me that São Paulo FC wanted to create a fabrication, first by allowing talk of a free player, then of a split salary, and finally, by forcing the athlete to leave the team. As if the world didn’t know how difficult it is to negotiate with wealthy princes, sheiks, or emirs. But the curious thing is: there was a positive, optimistic, and… illusory narrative. And professional football cannot live on illusions.
A Seleção Brasileira jogará logo mais contra o Chile pelas Eliminatórias da Copa do Mundo, já classificada e sem Neymar.
Houve a polêmica de Carlo Ancelotti não o ter convocado por lesão ou por questão técnica, sendo confirmado que ele realmente não foi chamado por opção do treinador.
Eu não sei se vale a pena levar Neymar para a Copa do Mundo. Que ele é craque, óbvio. Mas o custo-benefício (polêmicas extra-campo, lesões, individualismo, entre outras coisas que temos visto) vale a pena?
IN ENGLISH –
The Brazilian national team will play against Chile soon in the World Cup Qualifiers; they have already qualified and will be without Neymar.
There was a controversy about Carlo Ancelotti not calling him up due to injury or a technical decision, and it was confirmed that he really wasn’t called up by the coach’s choice.
I don’t know if it’s worth taking Neymar to the World Cup. That he’s a star player is obvious. But is the cost-benefit (off-the-field controversies, injuries, individualism, among other things we’ve been seeing) worth it?
Jorge Sampaoli é o novo treinador do Atlético Mineiro. Em suas últimas campanhas (ao contrário dos anos em que estava no auge), fez trabalhos ruins e sempre arranjando confusão. O que leva o Galo de Minas Gerais contratá-lo? Seria… saudosismo?
O futebol brasileiro não é coerente na contratação de treinadores. Não há filosofia definida, o que faz, por exemplo, o Santos FC ter técnicos arrojados e outros conservadores no mesmo ano. De Diniz a Carille em pouco tempo. Ou o Fluminense, ao trocar (olhe ele de novo) Diniz por Mano Menezes.
Voltando ao Atlético: Cuca, vitorioso no clube, voltou mesmo não estando em boa fase. Agora, o mesmo acontece com Sampaoli. E pior: contrato até final de 2027! Qual o valor da multa? Afinal, em algum momento até essa data, ela terá que ser paga. Mas a pergunta é: o que credencia o treinador argentino hoje? Seu gênio difícil de se lidar nos corredores, certamente não é.
Pense: até o Fortaleza, que tem sido elogiado, sofre para acertar. Teve 4 anos com Vojvoda e 10 jogos com o improvável Renato Paiva.
A culpa de tudo isso deve ser a estrutura do clube. Não ter um diretor de futebol afiado com a história ou tendência da agremiação, que defina uma linha de trabalho perene, é a causa. Não precisa ser como a La Masia do Barcelona, mas algo que defina norte. E, sabemos, poucos têm.
Será que só eu creio que Sampaoli vai arranjar uma confusão e não chegará até dezembro de 2027?
Jorge Sampaoli is the new head coach of Atlético Mineiro. In his last campaigns (unlike the years he was at his peak), he’s had poor results and has always caused trouble. What led the “Galo” of Minas Gerais to hire him? Could it be… nostalgia?
Brazilian football isn’t consistent in hiring coaches. There’s no defined philosophy, which is why, for example, Santos FC has daring coaches and then conservative ones in the same year. From Diniz to Carille in a short time. Or Fluminense, when they switched (look, him again) Diniz for Mano Menezes.
Returning to Atlético: Cuca, a winner at the club, came back even when he wasn’t in a good phase. Now, the same thing is happening with Sampaoli. And what’s worse: a contract until the end of 2027! What’s the buyout clause? After all, at some point before that date, it will have to be paid. But the question is: what qualifies the Argentine coach today? His difficult-to-deal-with personality behind the scenes certainly isn’t it.
Think about it: even Fortaleza, which has been praised, struggles to get it right. They had 4 years with Vojvoda and 10 games with the unlikely Renato Paiva.
The blame for all of this must be the club’s structure. Not having a director of football who is in tune with the club’s history or tendencies, who defines a perennial work plan, is the cause. It doesn’t have to be like Barcelona’s La Masia, but something that provides a sense of direction. And, we know, few have that.
Am I the only one who believes that Sampaoli will cause trouble and won’t make it to December 2027?
Wesley, Luan, Lucas, Matheus, Douglas, Thiago… há tantos jogadores com mesmo nome, que fica difícil saber quem é quem no futebol brasileiro.
Quantos Vitinhos temos atualmente? E Luans? E os nomes parecidos, como Douglas Santos, Douglas Silva, Douglas Souza ou Douglas não sei o quê?
Tá faltando criativiadade para a boleirada… Ou marketing pessoal de melhor qualidade! Vampeta, Pelé, Zico… ninguém confunde. Mas Gabriel se pergunta: o Silva, o Martineli, o Souza ou o Oliveira.
Não deixem o Gui Negão virar mais um dos muitos Guilhermes, por favor.
Agradeço ao Mauro Cezar Pereira pelo gentil convite para escrever um artigo sobre as raízes dos problemas da arbitragem brasileira, em sua coluna no UOL.
O link esta disponível em: https://www.uol.com.br/esporte/futebol/colunas/mauro-cezar-pereira/2025/09/02/a-geopolitica-do-apito-e-a-inercia-dos-arbitros-explicam-erro-de-zanovelli.htm

Já falamos, mas vale repetir: Rafael Guanaes é, para mim, o treinador sensação do Campeonato Brasileiro 2025. Como explicar o sucesso do Mirassol, caçulinha da divisão?
Com tantos times e atletas badalados, sem dúvida o humilde profissional vem fazendo sucesso.
Amigos, o mundo está enlouquecido.
As crianças deveriam ter no esporte algo lúdico e educativo. Os pais deveriam se valer do futebol como algo disciplinador para as mesmas. As entidades esportivas deveriam se regozijar pelas virtudes da atividade saudável.
Porém…
Leio que a FPF proíbe não só torcida única, mas qualquer torcedor em jogos das categorias sub 11 e sub 12 da entidade, por recomendação do TJD-SP.
Abaixo:
PORTÕES FECHADOS!
O futebol de crianças deve ser sinônimo de aprendizado, convivência, diversão e alegria.
Quando atitudes de torcedores ameaçam este ambiente, precisamos agir.
Por causa do mau comportamento dos adultos, as crianças do Paulista Sub-11 e Sub-12 jogarão com portões fechados por duas rodadas. A medida, em caráter educativo, é uma decisão da Federação Paulista de Futebol por recomendação do Tribunal de Justiça Desportiva do Futebol Paulista, em decorrência do crescente número de casos de violência, hostilidade e até ofensas racistas e homofóbicas contra as crianças.
Friends, the world is insane.
Children should have in sports something fun and educational. Parents should use football as a disciplining tool for them. Sports organizations should rejoice in the virtues of healthy activity.
However…
I read that the FPF has not only banned single-team fan sections but also any fans at all from U-11 and U-12 games, on the recommendation of the TJD-SP.
BELOW:
CLOSED GATES!
Children’s football should be a synonym for learning, social interaction, fun, and joy.
When the attitudes of fans threaten this environment, we need to act.
Because of the bad behavior of adults, the children in the Paulista U-11 and U-12 categories will play with closed gates for two rounds. The measure, of an educational nature, is a decision by the Paulista Football Federation upon recommendation from the Paulista Football Sports Justice Court, due to the growing number of cases of violence, hostility, and even racist and homophobic offenses against the children.
Para o torcedor comum, foi “só mais um erro de ruindade do juizão” em Flamengo 1 vs 1 Grêmio (pênalti decisivo e inexistente de Ayrton Lucas). Mas o problema, em si, não é a baixa capacidade técnica dos árbitros brasileiros. A raiz do problema é outra…
Sabemos que a formação dos “homens de preto” é ruim no Brasil. Não há uma Escola Nacional de Arbitragem, como na maioria do mundo, mas sim um “punhado de árbitros” indicados pelas federações estaduais (que são formados por elas mesmo) e que a CBF os recebe.
Perceba o seguinte: não é a CBF que descobre um árbitro no interior do Piauí e o integra ao quadro nacional por considerá-lo um talento, mas sim a Federação do Piauí (ou de Tocantins, de São Paulo e de todos os demais estados – e são elas que formam os nomes que a Comissão de Árbitros trabalhará). E chegam ao Brasileirão formados com suas características regionais: um estado mais rigoroso, outro que deixa o jogo rolar mais, e cada um “com o seu jeitão”. A CBF, eventualmente, tenta uniformizar os critérios e não consegue.
A verdade é que tudo isso se tornou conveniente por dois problemas sérios: a falta de meritocracia dos árbitros que ascendem aos principais jogos (ocorrida por interesses políticos) e as más orientações que recebem (e que, muitas vezes os árbitros sabem que há equívocos, mas se calam).
Vide:
No mundo ideal, os melhores apitariam, os árbitros seriam formados e treinados por pessoas competentes da CBF e não pelas suas federações, e os aspectos políticos deixados de lado. Óbvio, os pênaltis inexistentes e os “jogos picados por excessivas faltas” (todo contato físico é infração no Brasil, é uma loucura) não existiriam. O problema é: onde estão as pessoas competentes e livres de amarras para fazerem isso?
Assista algum jogo da Premiere League e reveja Cruzeiro vs São Paulo, apitado por Anderson Daronco no último sábado (ou Corinthians vs Palmeiras, no domingo, apitado por Ramon Abatti Abel): é outro esporte, é outro tempo de bola rolando e outra dinâmica.
Não podemos normalizar os pênaltis “a lá brasileira”, da Regra 12B, nem aceitar sem contestar os jogos maltratados por inúmeras faltinhas no meio de campo, sem bola rolando.
————
Visite meus blogs:
Blog Pergunte Ao Árbitro, dedicado à arbitragem de futebol: https://pergunteaoarbitro.wordpress.com
Blog Discutindo Contemporaneidades, sobre assuntos gerais: https://professorrafaelporcari.com
No segundo tempo do Derby Paulista, no último domingo, Vitor Roque entrou na área e viu seu marcador se aproximar. Na sequência, se jogou descaradamente. O árbitro mandou corretamente a jogada seguir e ignorou a queixa de pênalti. O atacante ainda reclamou no chão, levantou-se e em seguida sorriu.
É simulação, e DEVERIA ser advertido com cartão amarelo, mas ninguém comentou isso. É a regra! Aceitamos a simulação como algo cultural? E não punir (desrespeitando a regra), idem?
Lá na Espanha, ele seria punido (tanto se jogou lá que os clubes nos quais jogou o criticaram). Simulação, na Inglaterra, é Cartão Amarelo (como a regra manda) acompanhado de vaia da torcida, que não gosta disso.
Até quando aceitaremos pênaltis inexistentes de bola que batem na mão e viram infração à brasileira, simulações, ceras dos goleiros e tudo mais que não deveria ser feito? Normalizar é algo muito ruim.
IN ENGLISH –
In the second half of the Paulista Derby last Sunday, Vitor Roque entered the box and saw his marker approach. He then dived shamelessly. The referee correctly let the play continue and ignored the penalty claim. The forward still complained on the ground, got up, and then smiled.
It was a simulation, and he SHOULD have been cautioned with a yellow card, but nobody commented on it. It’s the rule! Do we accept simulation as something cultural? And not punishing it (disregarding the rule), likewise?
Over in Spain, he would be punished (he dived so much there that the clubs he played for criticized him). In England, simulation is a Yellow Card (as the rule dictates) accompanied by boos from the fans, who don’t like it.
How long will we accept non-existent penalties for balls that hit the hand and become a foul the ‘Brazilian way,’ simulation, goalkeepers’ time-wasting, and everything else that shouldn’t be done? Normalizing is a very bad thing.
Wesley, Luan, Lucas, Matheus, Douglas, Thiago… há tantos jogadores com mesmo nome, que fica difícil saber quem é quem no futebol brasileiro.
Quantos Vitinhos temos atualmente? E Luans? E os nomes parecidos, como Douglas Santos, Douglas Silva, Douglas Souza ou Douglas não sei o quê?
Tá faltando criativiadade para a boleirada… Ou marketing pessoal de melhor qualidade! Vampeta, Pelé, Zico… ninguém confunde. Mas Gabriel se pergunta: o Silva, o Martineli, o Souza ou o Oliveira.
Não deixem o Gui Negão virar mais um dos muitos Guilhermes, por favor.
Vou ser bem conservador: de nada adianta mudar a fórmula da Liga dos Campeões da Europa, pois os favoritos serão sempre os mesmos: Real Madrid, Manchester City, Bayern…
Veja a composição dos grupos: alguém pode surpreender?
De novo um erro do árbitro Paulo Zanovelli em jogo importante, agora em Flamengo x Grêmio. Antes da partida, “cantamos a bola” que era uma ruim escalação e justificamos aqui: https://professorrafaelporcari.com/2025/08/29/sobre-alguns-arbitros-do-brasileirao-nesse-final-de-semana/
Sobre o tiro penal equivocado ao Grêmio, pela enésima vez, explicamos brevemente como se avalia o pênalti por mão na bola:
1) A intenção deliberada.
2) O movimento antinatural, fisiologicamente anormal, do jogador que quer “dar migué” e se aproveitar.
O jogador flamenguista fez isso? Não. Foi uma bola casual em movimento natural.
Lembro-me de Mássimo Bussaca, enquanto chefe dos árbitros da FIFA, que disse sobre os árbitros brasileiros:
“Um jogador precisa de sua mão e de seu braço para correr, se equilibrar e saltar. Não se pode jogar sem a mão. O árbitro precisa fazer a leitura correta do lance. Não se pode dar falta a qualquer toque na mão. Isso é um absurdo. O árbitro deve ver se a mão estava no local de forma natural ou não-natural. Tem que ser avaliado se o toque (da mão na bola) foi intencional ou não. Quando um jogador tenta fazer seu corpo maior usando a mão, isso deve ser punido. O juiz não pode só pensar como juiz e aplicar o que está escrito. Precisa se colocar no lugar do jogador para entender o movimento”.
Se preferir, veja esse texto de como a Premier League orienta os árbitros para NÃO DAREM esses pênaltis que só aqui existem: https://professorrafaelporcari.com/2025/08/14/as-regras-do-futebol-na-premier-league-e-as-nossas-regras-brasileiras/
Há pouco, no jogo do Fluminense, Neymar já tinha cartão amarelo e deu um bico para longe na bola, em reclamação à arbitragem. Deveria ter recebido o segundo cartão amarelo e Wilton Pereira Sampaio contemporizou. Errou, e o “Menino Ney” não foi expulso.
O que acontece com ele?
Aliás, a pergunta pertinente: supostamente ele não foi convocado para a Seleção por estar lesionado (mesmo não tendo uma palavra clara de Ancelotti sobre isso), só que jogou hoje. Sarou antes da hora?
Nada de polêmico na arbitragem de Thiago Lourenço de Mattos. O único lance mais chamativo foi o pênalti ao Primavera, corretamente marcado.
O goleiro Lee, que até então estava fechando o gol no “abafa” que o adversário provocava, cometeu um pênalti por imprudência. O atacante Paulinho adiantou a bola, possivelmente seria tiro de meta ao Galo, mas Lee acabou atingindo ele ao sair afoito. A regra manda: pênalti, sem cartão.
Infelizmente, encerra-se o ano para as competições profissionais do Paulista FC.
Muita confusão no jogo União São João x Noroeste. Mais de 40 minutos de jogo parado, jogador expulso, desexpulso e expulso novamente.
O acontecido nessa partida (que não tem VAR), no texto do UOL em: https://www.uol.com.br/esporte/ultimas-noticias/agencia/2025/08/30/arbitro-paralisa-jogo-da-copa-paulista-por-48-minutos-para-decidir-penalti-e-expulsao.htm
O que deveria ser feito, pela Regra do Jogo, no vídeo em: https://youtu.be/yTOyzZzCv20?si=LQxfEF8ubzGC1xCq
De novo um erro do árbitro Paulo Zanovelli em jogo importante, agora em Flamengo x Grêmio. Antes da partida, “cantamos a bola” que era uma ruim escalação e justificamos aqui: https://professorrafaelporcari.com/2025/08/29/sobre-alguns-arbitros-do-brasileirao-nesse-final-de-semana/
Sobre o tiro penal equivocado ao Grêmio, pela enésima vez, explicamos brevemente como se avalia o pênalti por mão na bola:
1) A intenção deliberada.
2) O movimento antinatural, fisiologicamente anormal, do jogador que quer “dar migué” e se aproveitar.
O jogador flamenguista fez isso? Não. Foi uma bola casual em movimento natural.
Lembro-me de Mássimo Bussaca, enquanto chefe dos árbitros da FIFA, que disse sobre os árbitros brasileiros:
“Um jogador precisa de sua mão e de seu braço para correr, se equilibrar e saltar. Não se pode jogar sem a mão. O árbitro precisa fazer a leitura correta do lance. Não se pode dar falta a qualquer toque na mão. Isso é um absurdo. O árbitro deve ver se a mão estava no local de forma natural ou não-natural. Tem que ser avaliado se o toque (da mão na bola) foi intencional ou não. Quando um jogador tenta fazer seu corpo maior usando a mão, isso deve ser punido. O juiz não pode só pensar como juiz e aplicar o que está escrito. Precisa se colocar no lugar do jogador para entender o movimento”.
Se preferir, veja esse texto de como a Premier League orienta os árbitros para NÃO DAREM esses pênaltis que só aqui existem: https://professorrafaelporcari.com/2025/08/14/as-regras-do-futebol-na-premier-league-e-as-nossas-regras-brasileiras/

A série documental *MÁFIA DO APITO, os 20 anos do maior escândalo do futebol brasileiro*, irá ao ar em 3 episódios nos dias 05, 06 e 07 de setembro (6a, sáb e dom) pela SPORTV, sempre às 19h30.
A partir de segunda, dia 08, também disponível no catálogo da GLOBOPLAY.
Nela, Edilson Pereira de Carvalho faz revelações até hoje inéditas. Pela primeira vez, o apostador Gibão falará sobre como assediou Edilson e Danelon.
Há depoimentos das autoridades policiais e esportivas, dos jornalistas André Rizek e Thaís Ohyama, e dos ex-árbitros Rafael Porcari e Renato Fazanaro Canadinho.