– Bahrein compra a Alienação da F1

Coisas que o dinheiro compra: a insegurança, a alienação política, o apoio à ditadura e a fantasia dos sheiks. Ao menos, é que o Bahrein faz com a F1.

Com a população querendo reviver a Primavera Árabe tunisiana e egípcia, por que os pilotos e equipes aceitam correr em favor do ditador?

Isso me enoja.

– Restrições Irrestritas ou Irrisórias?

A Federação Paulista de Futebol divulgou os árbitros sorteados para as Quartas-de-Final do Paulistão 2012. E uma escala certamente fará a alegria dos trollers e dos adeptos da Teoria da Conspiração: Rodrigo Braguetto apitará Corinthians X Ponte Preta.

Em Fevereiro, o jornalista Daniel Lian trouxe a público que Braguetto prestou serviços ao Corinthians através de sua empresa de eventos e arbitragem. Na oportunidade, discutiu-se a questão ética e implicações da relação comercial entre árbitros e clubes (para relembrar o caso, acesse o link: http://is.gd/profissionalpoderia).

Durante o restante do Paulistão, Rodrigo Braguetto não foi sorteado para jogos importantes do Corinthians, tendo trabalhado apenas no jogo contra o time da Catanduvense, no Pacaembu.

Agora, na fase eliminatória do Campeonato Paulista, os árbitros da Categoria Especial foram sorteados, excluindo Paulo César de Oliveira (por restrição ‘judicial’, já que processa o treinador palmeirense Luís Felipe Scolari) e Antonio Rogério Batista do Prado (por restrição ‘natalícia’, já que é campineiro e quer evitar Guarani e Ponte Preta). Braguetto não deveria ser excluído por restrição ‘comercial’?

Confio no ótimo trabalho de Rodrigo Braguetto, mas não podemos nos esquecer que, na última rodada, no Estádio Moisés Lucarelli (após o jogo que encerrou a primeira fase, coincidentemente Ponte Preta X Corinthians), o treinador pontepretano Gilson Kleina alardeou que a Ponte Preta, segundo ele, estaria sendo perseguida pela arbitragem e o Corinthians favorecido. Após indagação do jornalista Renato Otranto sobre possível má fé dos árbitros, o treinador policiou-se e disse que não “acreditava em ‘esquema’, mas equívocos, e que os torcedores deveriam ficar atentos”.

Claro que o Corinthians é favorito pelo futebol apresentado até agora (afinal, com o time reserva já ganhou da Ponte Preta em Campinas). Mas se tivermos erros involuntários no próximo confronto, imaginaram o fuzuê que será criado pelos mais críticos?

Boa sorte ao árbitro Rodrigo Braguetto e seus companheiros de arbitragem.

Sobre o tema discutido na oportunidade, está em:

http://professorrafaelporcari.blog.terra.com.br/2012/02/03/o-caso-braguetto-corinthians-arbitro-pode-ou-nao-ter-relacao-comercial-com-clube/

O CASO BRAGUETTO & CORINTHIANS: ÁRBITRO PODE OU NÃO TER RELAÇÃO COMERCIAL COM CLUBE? (03/02/2012)

Ontem, na matéria de Daniel Lian, o árbitro da FPF e da CBF Rodrigo Braguetto declarou que sua empresa de arbitragem prestou serviços ao Corinthians no último final de semana. Sua entrevista está disponível no link http://is.gd/arbitro.

A questão discutida ficou sendo: o árbitro de futebol pode ter relação comercial com um clube, cujo time pode estar envolvido nas competições que apita? É legal? É moral? Há alguma consideração contrária?

Vamos lá: no exercício da arbitragem de futebol, o indivíduo se torna um verdadeiro sacerdote na função- tem regramentos exclusivos, necessidade de se policiar e cuidados extremados que talvez nenhum outro elemento envolvido no futebol tenha que ter.

O árbitro não deve apenas ser honesto; deve parecer ser honesto! Como ficarão as explicações para os demais envolvidos no futebol sobre a relação comercial entre árbitro e clube (aqui, independe se é Braguetto e Corinthians, mas poderia ser qualquer outro árbitro e qualquer outro clube)? Torcedor enfurecido não quer saber se a ação comercial foi profissional e independente, ele mistura a coisa. E não adianta fazer vistas grossas, pois a repercussão sempre é grande. Sendo assim, para quê o desgaste?

Imaginem 2 jogos envolvendo Corinthians X Palmeiras:

1) na semifinal do último campeonato paulista, Paulo César de Oliveira foi criticado por sua atuação, mesmo fazendo uma grande arbitragem em jogo difícil. A expulsão de Scolari é lembrada até hoje. E se o árbitro fosse Braguetto? Infelizmente, alegariam que o vínculo da sua empresa de arbitragem teria influência na sua atuação.

2) no último jogo entre ambos, pelo Campeonato Brasileiro: Seneme expulsou Valdívia em lance sobre Jorge Henrique. E se tivesse sido Braguetto?

Diante de tudo isso, não há como negar que é um desgaste impreciso. Concordo que o árbitro é um prestador de serviços autônomo, que não tem sua atividade reconhecida profissionalmente, que não é considerado funcionário da Federação Paulista de Futebol, e, por isso, todo trabalho honesto realizado fora dos campeonatos oficiais não deva ser contestado. Mas dentro da sua atividade, moral e eticamente, muitos cuidados devem ser tomados. E se manter longe de vínculos mais próximos com os clubes se faz necessário.

Lembro fato semelhante ocorrido anos anteriores, já na gestão da atual Comissão de Árbitros: o árbitro Anselmo da Costa foi contratado pelo Instituto Wanderley Luxemburgo para lecionar aulas de arbitragem em seus cursos. O Cel Marinho, presidente da CEAF-SP, não escalou mais o árbitro em partidas nas quais o treinador estivesse envolvido, como que se rotulasse Anselmo a um subordinado de Luxemburgo, mesmo como árbitro.

E agora, nesse episódio?

Se escalar Braguetto em jogos do Corinthians, terá sido uma decisão contraditória à tomada no episódio Anselmo.

Se não escalar, acaba aceitando o argumento que o árbitro está envolvido com o clube e impedido de atuar em jogos da equipe.

Um problema a mais para a Comissão de Árbitros. Nessa próxima rodada, na qual alguns árbitros TOPs enfim estrearão (terá sido pelo excesso de reclamações das primeiras rodadas?), mais um assunto para ser discutido…

Um detalhe: Braguetto afirmou na entrevista que se isso for um problema, se aposentará.

E você, o que pensa sobre isso? Deixe seu comentário:

Visite esse post e outros no Blog do Portal Bom Dia / Diário de São Paulo, em:

http://www.redebomdia.com.br/blog/lista/109/Rafael+Porcari

 

– Marco Polo aconselha Rubens Lopes

Pela correria dos últimos dias, quase passou batido: e os aconselhamentos de Marco Polo Del Nero a Rubens Lopes?

Numa boa entrevista feita por Benjamim Bach (Lance, pg 26 e 27, 19/04/2012), o jornalista questionou o presidente da FPF sobre o que ele diria ao seu colega carioca, caso o encontrasse num elevador. E a resposta foi um conselho:

Rubinho, calma. Trabalhe direitinho, respeite as equipes, faça um bom trabalho na arbitragem e na administração que sua vez vai chegar. É até capaz que a gente se abrace.”

A dica é ótima. O futebol do Rio de Janeiro precisa de uma gestão assim. Tanto quanto São Paulo. Mas já que Marco Polo mostrou o caminho, quando é que ele próprio poderá praticar o que sugere por aqui?

– Londres 2012 sem superfaturamento e em dia. E o RJ?

Londres está praticamente pronta para os Jogos Olímpicos de 2012. Faltando 99 dias, os eventos testes já foram realizados.

Fico pensando: e aqui no Rio de Janeiro, em 2016? Estaremos com antecedência entregando as obras? Elas custarão o que foi orçado? Não haverá contratos emergenciais? Nenhum ‘elefante branco’ sobrará?

Doce ilusão… Se bobear, a Rússia se apronta para a Copa de 2018 antes do Brasil em 2014…

– Palmeiras e Flamengo em má Consideração

Laura Capanema, jornalista da Revista Placar, foi a Istambul entrevistar o meia Alex, do Fenerbahce. E o atleta escancarou sobre dois grandes clubes brasileiros em que jogou:

Hoje a gente conversa entre os jogadores e a maioria não quer ir para o Palmeiras, todos sabem que lá é complicado de jogar e difícil de trabalhar (…) No Flamengo eu me arrependi de ter ido pra lá logo no primeiro dia em que cheguei. Era uma bagunça. Era horrível, o campo de treinamento, o ritmo de trabalho, o vestiário, o grupo dos jogadores. A concentração era marcada às 18h, meu companheiro de quarto chegava meia-noite. E ninguém falava nada… Era tudo empurrado com a barriga.”

E aí: esse é um retrato fiel destes clubes, ou o atleta exagerou nas suas palavras?

Deixe seu comentário:

– Psicologia sem Psicólogo: a Inovação Palmeirense

Leio no “Marca”, em matéria de Daniel Carmona (18/04, pg12), que o Palmeiras vai de “psicologia do bate-papo” para se superar, onde o psicólogo improvisado será o treinador Scolari. Mas olha que interessante: o clube não tem psicólogo, e a justificativa do gerente César Sampaio foi a seguinte:

Quando você traz alguém que o grupo não quer, o ambiente pode até piorar. O jogador de futebol tem um jeito diferente de ver as cosias. Vai pensar: ‘quem é esse cara que não entra em campo para dizer o que eu vou fazer’? Não é uma rejeição, mas ele tem uma avaliação negativa num primeiro momento de alguém que vem de fora”.

E o que o Palmeiras está fazendo para tentar um “segundo momento”, o do aceite? Parece que nada… É o Profissionalismo do Improviso!

– A Triste Sina de quem não se classificou no Paulistão.

Saldo do Paulistão: equipes inativas por um longo período, devido ao formato das competições da FPF; clubes ioiô (subiram da A2 e caem da A1 no ano seguinte), falta de atletas revelados na competição, baixas rendas e desestruturação de equipes.

Desestruturação por quê? Veja só: em dezembro, a Portuguesa era chamada de “Barcelusa” (em alusão ao Barcelona). Ao término do Paulistão, a Lusa (que havia subido da B para a A do Nacional) foi rebaixada para a A2 do Estadual. Melhor que não tivesse existido Paulistão a ela.

Curiosamente, o Guarani, que não subiu no Brasileirão, se classificou para as oitavas. Vá entender…

E um fator positivo: nenhuma equipe usou o fator “salário” no regulamento. Quem atrasasse salários perderia pontos no torneio. Os 20 clubes devem estar em dia…

Boa sorte ao torneio, que para mim, começa de verdade agora. Digo isso com infelicidade, pois, vide a derradeira rodada para o meu glorioso Galo da Terra da Uva… Não classificou-se para a série D e vai ter que esperar a Copa Paulista.

– Real e Barça, Paulistão e Outros Papos!

Como o Paulistão terá a sua última rodada neste domingo, todos os jogos estão marcados para o mesmo horário. Sendo assim, ontem, espaço total para jogos do Campeonato Espanhol na mídia. E, claro, destaque para Barcelona e Real Madrid.

Como eles estão sobrando no torneio, não? Quase o dobro de pontos do 3º colocado, Cristiano Ronaldo e Messi com média próxima a 1 gol por jogo (incrível) e jogam por música. Parece que ganham o jogo na hora que quiserem.

É verdade que tomaram um susto ontem, pois suas vitórias vieram de viradas. Mas, do resto, nada de anormal.

E se a dupla Barça e Madrid jogasse no Campeonato Inglês?

Provavelmente, também estariam na frente, mas nada de disparar na tabela e nem com esses monstruosos números de Messi e Cristiano Ronaldo. Idem se estivessem no Brasileirão.

Na verdade, o Espanhol parece um Paulistão com mais grana: respeitosamente, mas Gijón seria maior que o Guarani? Claro que não. O Rayo Valecano tem mais importância (e futebol) que a Ponte Preta? Ou ainda o Levante seria mais representativo do que o Paulista de Jundiaí?

Time fraco existe em todo lugar. A verdade é que o Campeonato Espanhol tem 2 times bons e alguns poucos medianos. O resto é ruim. Idem no Paulistão: 4 grandes e o restante nivelado.

E sobre o Campeonato Paulista: tanto jogo para chegarmos à rodada derradeira com os principais clubes já classificados e os demais como figurantes. Sem contar a média de público…

Trocando em miúdos: emoção somente no rebaixamento e na luta pela vaga na série D no Brasileiro.

Quer prova disso? Responda rápido: quais as grandes revelações do Campeonato Paulista?

.

Demorou para responder…

– A FIFA e o Lucro sobre em cima da Copa do Mundo no Brasil

O deputado federal Chico Alencar, do PSOL-RJ, foi perfeito no seu artigo publicado hoje pela Folha de São Paulo (pg 3) sobre a FIFA e a Copa. Disse que o futebol se transforma “de caixinha de surpresas para caixa-registradora”.

Ainda, fala sobre as “zonas de exclusão” nas quais a FIFA atuará e se beneficiará, contrariando interesses do país. Abaixo:

ESTADO FUTEBOLÍSTICO DE EXCEÇÃO

por Chico Alencar, do PSOL-RJ

O manifesto dos tenentes rebelados em São Paulo, em 1924, denunciava: “O Brasil está reduzido a verdadeiras satrapias, desconhecendo-se completamente o merecimento dos homens e estabelecendo-se como condição primordial, para o acesso às posições de evidência, o servilismo contumaz”.

Passados 88 anos, um anacrônico servilismo emoldura as iniciativas nas 12 cidades-sede da Copa de 2014 e nas alterações legais que o Congresso Nacional está votando para receber o megaevento.

Sobra subserviência, falta transparência: os compromissos do governo com a Fifa, assinados em 2007, seguem cercados de mistério. As informações sobre gastos e etapas das obras, nos portais oficiais, são contraditórias e incompletas.

O processo de remoção de moradias, que pode afetar 170 mil pessoas, desrespeita o princípio do “chave por chave”, que diz que ninguém pode ser despejado de sua casa sem receber outra, próxima e melhor.

O projeto da Lei Geral da Copa – bem mais do que uma “lei do copo de cerveja” nas partidas – transforma o Brasil em protetorado de interesses mercantis.

Ele “expulsa de campo” a legislação nacional que regula concorrência, patentes, direitos do consumidor, transmissões esportivas, gastos orçamentários, publicidade, punição a delitos e até calendário escolar. A lei das licitações já fora “escanteada” pelo Regime Diferenciado de Contratações. Uma entidade privada internacional impõe legislação excepcional, garantindo isenções fiscais a mais de mil produtos!

O projeto aprovado na Câmara assegura megaprivilégios à Fifa. O Inpi vira um “cartório particular”, com regime especial para pedidos de registro de “marcas de alto renome” apresentadas pela entidade.

Libera-se uma associação suíça de direito privado do pagamento de custos e emolumentos exigidos a todos que requerem registro de marca no Brasil. Trata-se de uma renúncia fiscal longa e onerosa!

O projeto afronta até um preceito defendido pelos liberais de todos os matizes: o da livre iniciativa.

Isto é evidenciado ao se “assegurar à Fifa e às pessoas por ela indicadas a autorização para, com exclusividade, divulgar suas marcas, distribuir, vender, dar publicidade ou realizar propaganda de produtos e serviços, bem como outras atividades promocionais ou de comércio de rua, nos locais oficiais de competição, nas suas imediações e principais vias de acesso”.

Prevê-se também que será objeto de sanções -como prisão de três meses a um ano- a “oferta de provas de comida ou bebida, distribuição de panfletos ou outros materiais promocionais (…), inclusive em automóveis, nos locais oficiais de competição, em suas principais vias de acesso ou em lugares que sejam claramente visíveis a partir daqueles”.

O “Estado Futebolístico de Exceção” cria suas “zonas de exclusão”.

A União fica também obrigada a disponibilizar, sem quaisquer custos para a Fifa, “a segurança, serviços de saúde, vigilância sanitária e alfândega e imigração”.

Além de disponibilizar gratuitamente todos esses serviços para um evento privado, o Brasil também se responsabiliza por quaisquer acidentes que venham a ocorrer.

A Fifa, que ganhou na África do Sul mais de R$ 7,2 bilhões só com radiodifusão e marketing, “marca sob pressão” as nossas autoridades. Em 2011, já faturou R$ 1,67 bilhão com vendas vinculadas à Copa de 2014. Medidas provisórias poderão ser editadas “na prorrogação” para garantir os resultados esperados.

No lugar de caixinha de surpresas, o futebol se transforma em um instrumento para nutrir a caixa-registradora da Fifa e dos seus sócios.

– F1 na China? Esqueça o Prazer…

Acho que o pé gelado sou eu. Sentei no sofá para assistir a largada da corrida desta madrugada, e o Galvão Bueno começou “para o Massa, o campeonato começa hoje”. Xiiii.

Felipe Massa, fora as 3 equipes que não saem do 21-26º lugar, é o único piloto que não pontuou até agora. Acho que sua batata está assando.

Saí um pouco, voltei, e o Hamilton passou o Massa. Na sequência, Maldonado passou Senna. Depois, Webber também passou Massa. Ô louco…

Meno-male que Senna acabou em 7º, mas está difícil torcer.

Perez e Maldonado, aliás, são um show a parte. Correm como nunca, mas dão cada trombada!

Detalhe para Shangai: meu cunhado está lá e disse que a névoa que víamos na corrida nada mais é do que… poluição! É mole?

Outro detalhe: perceberam que os pilotos não tuitam de lá? Na China, Twitter e Facebook nem pensar. O Partido comunista não deixa, e olha que o Zuckemberg, depois de comprar o Instagram, passou por lá para passear.

Por fim: parabéns à Mercedes. Ué: ganhou a corrida com sua escuderia, e colocou em 2º e 3º lugares dois carros com seus motores.

– Lima Barreto contra os Torcedores Briguentos de Futebol

Há 90 anos, o brilhante escritor Lima Barreto (quem nunca leu a brilhante obra “Triste Fim de Policarpo Quaresma”?) escrevia sobre algo perfeito dos dias atuais: a briga entre Torcedores de Futebol!

Incrível, parece atual, mas foi escrito em 1922! Extraído do Blog do Paulinho (blogdopaulinho.net), de onde li esse belo texto:

FOOT-BALL (Da revista “CARETA”, em 1922)

Por Lima Barreto

Não é possível deixar de falar no tal esporte que dizem ser bretão.

Todo dia e toda a hora ele enche o noticiário dos jornais com notas de malefícios, e mais do que isto, de assassinatos.

Não é possível que as autoridades públicas não vejam semelhante cousa.

O Rio de Janeiro é uma cidade civilizada e não pode estar entregue a certa malta de desordeiros que se querem intitular sportmen.

Os apostadores de brigas de galos portam-se melhor. Entre eles, não há questões, nem rolos.

As apostas correm em paz e a polícia não tem que fazer com elas; entretanto, os tais footballers todos os domingos fazem rolos e barulhos e a polícia passa-lhe a mão pela cabeça.

Tudo tem um limite e o football não goza do privilégio de cousa inteligente.

– A Copa do Mundo começou para o Apito Brasileiro!

Se a Seleção de Mano Menezes ainda não convenceu de que estará afinada para o Mundial de 2014, ao menos teremos por quem torcer: Wilson Luís Seneme está na eminência de ser o árbitro brasileiro na próxima Copa do Mundo.

Segundo o comentarista da Rede Globo, o ex-árbitro Leonardo Gaciba, fonte fidedigna lhe confidenciou a lista de 10 nomes que a CONMEBOL entregou a FIFA. Para 2014, 5 dos árbitros abaixo trabalharão na competição:

DIEGO ABAL (ARG)

RAUL OROSCO (BOL)

WILSON SENEME (BRA)

ENRIQUE OSSES (CHI)

WILMAR ROLDAN (COL)

CARLOS VERA (ECU)

ANTONIO ARIAS (PAR)

VICTOR CARRILLO (PER)

ROBERTO SILVERA (URU)

JUAN SOTO (VEN)

Pela relação, as especulações de que o Brasil poderia ter 2 representantes se encerram. Em 2002, a briga era entre Carlos Eugênio Simon e Paulo César de Oliveira, e deu Simon. Em 2006, repetiu-se as mesmas especulações. Paulo César estava em melhor fase, mas deu Simon novamente. Em 2010, a briga ficou entre Simon, Sálvio e Gaciba, e Simon fez a trinca.

Para 2014, os nomes pré-selecionados eram Wilson Seneme, Paulo César e Heber Roberto Lopes. Corriam por fora Vuaden, Sandro Ricci e até mesmo Marcelo de Lima Henrique.

Pelas atuações nas competições internacionais, o nome não poderia ser outro: Seneme tem sido escalado com mais frequência nas competições promovidas pela Conmebol. O competente árbitro de São Carlos/SP era a bola da vez e parece confirmar seu favoritismo.

Agora, fica a questão: quem serão os 5 representantes sulamericanos para a Copa do Mundo 2014?

O uruguaio Roberto Silveira e o brasileiro Wilson Luís Senemes são os 2 tops da relação, indiscutíveis. Orosco (da Bolívia), Osses (do Chile) e Roldan (da Colômbia) estão bem cotados, se o Mundial fosse hoje (vide o número de escalas e suas boas atuações). Carlos Vera também tem o nome bem apreciado. O peruano Carrillo, o venezuelano Soto e o paraguaio Arias não seriam unanimidades. E, para surpresa geral, sobraria o argentino Alba, ilustre novato em competições internacionais.

Pelos critérios técnicos, surpreendentemente, poderemos ter uma Copa do mundo sem árbitro da Argentina! Claro que nossos hermanos tem força política. Será ela suficiente para levar seu representante para o Mundial?

Apostem suas fichas! A Copa está a todo vapor no apito…

– O Que é Tranco Legal?

Objetiva na regra, mas subjetiva na aplicação, a questão do “Tranco Legal” se torna cada vez mais discutível nos gramados.

Na Europa, crê-se que os árbitros têm mais tolerância para jogadas de contato físico, como o tranco. Mas será que tem?

Considere:

1- O berço do futebol moderno é a Inglaterra; foi de lá que o futebol moderno e o rúgbi, irmãos, tiveram o cordão umbilical cortado das diversas práticas de football do século XIX. Portanto, é entendível que se admita maior força física no jogo de futebol.

2- Os atletas europeus costumam lutar pela posse de bola com mais virilidade do que os brasileiros; só desistem quando recebem a falta. Aqui, nossos jogadores abdicam da contínua tentativa da disputa pela bola, tentando trocar o último empenho pela falta cavada. Culturalmente, os árbitros daqui entendem que um primeiro lance supostamente faltoso já seja suficiente para sancionar a infração. Os de lá, esperam até o último momento da disputa de bola para decidirem se o atleta realmente sofreu uma falta decisiva para a posse de bola (trocando em miúdos: os brazucas tentam cavar faltas ao primeiro contato físico).

3- Na Libertadores da América, vemos que o tranco viril é mais aceito. De fato, argentinos e uruguaios fazem valer essa verdade. Mas repare que são atletas eurodescendentes, e carregam arraigada essa cultura futebolística. Os brasileiros, miscigenados, com atletas afrodescendentes e de outras etnias, possuem outra cultura: a da fuga do contato físico. Portanto, é natural que não aceitem o tranco e caiam com mais frequência; afinal, tendem a tentar mais o drible.

4- Repare que, se em sua cultura há mais predisposição em usar o tranco e se em outra não há, teremos uma questão comportamental decisiva para ajudar (ou atrapalhar) os árbitros em suas decisões: o “saber disputar um tranco”. Explico: na Bundesliga, PremierLeague ou outra importante Liga Européia, numa bola que está sendo disputada entre zagueiro e centroavante, ambos estão prontos para trancar e conquistar o domínio da bola. No Brasil (pela questão cultura citada), no Peru ou na Bolívia (com descendentes indígenas), o zagueiro é o único que está pronto para trancar, já que o centroavante quer ganhar a bola pela velocidade e não pela força física. Repare que a quantidade de trancos numa partida europeia é muito maior que nos jogos brasileiros. E estes, quando aqui ocorrem, sempre mostram zagueiros que ganham a bola trancando centroavantes, que normalmente caem e pedem falta (e as vezes a conquistam). O problema é: atacante brasileiro não costuma usar o tranco, pois quer velocidade e drible, e acha que sofreu infração ao ser trancado.

Portanto, é válido responder a indagação inicial desse artigo em 2 partes:

SIM, árbitros europeus interpretam mais corretamente o tranco; árbitros argentinos e uruguaios também, e árbitros brasileiros, quando em partidas continentais, fazem valer a certeira aplicação da regra.

– Porém, a diferença dos árbitros brasileiros em competições domésticas é que, sabedores da busca de faltas cavadas em trancos sofridos por centroavantes, da impopularidade do tranco na cultura nacional, por acomodação costumam apitar esses lances.

Fica aqui o mea culpa da nossa arbitragem. Um dia, Wilson de Souza Mendonça começou a aceitar o tranco, mas se perdeu ao longo dos jogos por outras questões técnicas (e até folclóricas). Recentemente, tivemos o efeito Vuaden, onde foi criticado pois alguns entendiam que ele não marcava faltas reais (e que depois mudou visivelmente seu estilo).

Enfim: alguns amigos sempre perguntam, nos bate-papos e nas rodas, o que é tranco. Ora, a Regra explica claramente o que pode num tranco ou não, mas deixa no ar alguma subjetividade.

Vamos lá:

Em “Diretrizes das Regras do Jogo”, na regra 12, nos é dito que:

O ato de dar um tranco em um adversário representa uma disputa por espaço, usando o contato físico, mas sem usar braços ou cotovelos, e com a bola a uma distância de jogo.

É uma infração dar um tranco em um adversário:

– de maneira imprudente (significa que o jogador mostra desatenção ou desconsideração na disputa de um adversário, ou atua sem precaução). Não será necessária punição disciplinar se a falta for imprudente;

– de maneira temerária (significa que o jogador age sem levar em consideração o risco ou as consequências para seu adversário). Deverá ser punido disciplinarmente com cartão amarelo.

– com uso de força excessiva (significa que o jogador excedeu na força empregada, correndo o risco de lesionar gravemente seu adversário). Deverá ser punido disciplinarmente com cartão vermelho.”

Imagine a situação hipotética entre o forte zagueiro da equipe do Linense Fabão, com mais de 2 metros de altura, trancando o centroavante Liedson, apelidado de “Levezinho”. O tranco legal é ombro a ombro, conforme a regra. Qualquer tentativa de trancar Liedson, pela diferença física, o levará a um risco de queda.

A Regra de Jogo seria discriminatória aos mais fortes ou mais fracos?

Não. Fabão não pode ser punido por ser mais viril, nem Liedson beneficiado por ser mais franzino. A queda é algo natural do jogo de futebol, pois há contato físico (permitido pelo tranco, como as diretrizes retratam). Na disputa de espaço, se Liedson não estiver pronto para receber a falta, sempre cairá. O que deve ser sancionado é o fato do zagueiro usar força acima do que se considera necessário para disputar a bola, caso o faça. E é aí o grande problema: como mensurar até onde a força foi desproporcional? É muita subjetividade.

Finalizando: o tranco é válido e usual no futebol; jogador cair em tranco não é indicador de falta; o limite do tranco é relativo, caberá à boa vontade do árbitro, que pode desconsiderar falta ou até marcá-la, dependendo da intensidade, com expulsão!

– Ministro do Esporte quer Ingresso Grátis para Bolsa-Família

Eu pago meus impostos em dia. E Religiosamente nunca atrasei.

Eu gosto de futebol, mas sei que custa caro.

Eu tenho prazer em assistir nos estádios, mas muitas vezes não dá.

Eu trabalho de sol a sol, e ninguém me dá ajuda.

Por que o Ministro Aldo Rebelo quer dar ingresso de graça aos beneficiários do Programa Bolsa-Família?

Por que não a mim, a você…

São essas coisas que revoltam. Quem paga imposto e sustenta esses políticos demagogos, sempre perdem nesse país!!!

– A Vergonha da FERJ nos Cartões Vermelhos de Vasco X Flamengo

Um episódio lamentável, condenável e repugnante no futebol carioca: na última rodada, no “Clássico dos Milhões” (Vasco da Gama X Flamengo), Wagner dos Santos Rosa expulsou 5 jogadores vascaínos após o término da partida. Pelas brigas e confusões naquele momento, não pode mostrar o Cartão Vermelho e relatou na súmula. Tudo ok.

O árbitro pode expulsar atletas antes, durante, no intervalo e após o término de um jogo. Mostrar o cartão vermelho é uma sinalização/convenção para que todos entendam o ocorrido. Quando acontece a impossibilidade de mostrar o cartão (seja ele amarelo ou vermelho) por um fator complicador (tumulto generalizado), o árbitro deve relatar na súmula o acontecido, e a equipe informada na Comunicação de Penalidades (é o documento que contém o relato dos cartões do jogo, assinado pelo árbitro e pelos capitães após a partida).

Sendo assim, se houve uma briga no término da partida e o árbitro não pode mostrar o Cartão Vermelho, deve proceder como acima relatado: ou seja, comunicar a penalidade no documento.

Fico pasmo ao saber que no Rio de Janeiro os documentos ainda são manuais, e as penalidades / súmulas / demais documentos estão marcados em papel, não-informatizados.

Assusto mais ainda ao saber que, após a discussão das expulsões, a FERJ rasurou por conta própria a súmula e apagou com corretivo as marcações do árbitro!

Para quem não viu, eis a súmula entregue pelo árbitro (no site da FERJ):

 

E a mesma súmula “corrigida” pela FERJ: (Repare que os cartões veremlhos foram apagados!)

 

O que dá para dizer? Se a súmula estava lá dentro da FERJ, quem a adulterou?

No modelo original, vê-se que os atletas foram expulsos e que devem cumprir a suspensão automática. Se o adulterador foi membro da CEAF-RJ, diretor, supervisor, seja lá quem for, deve ser punido seriamente!

Triste. Justo na Capital da Copa 2014!

– O que Influencia um Árbitro na Tomada de Decisão?

Vejam só: estupendo trabalho de pesquisa, publicado pelo ótimo site da Universidade do Futebol (citação abaixo), mostra: numa partida de futebol, o árbitro é influenciado por:

1) Presença de barulho da multidão condicionando a marcação de infrações (um árbitro inexperiente deixa de marcar faltas do time da casa, mas continua marcando as do time visitante).

2) desvantagem do time anfitrião no marcador (a intimidação à agressão levaria um árbitro a ser mais caseiro),

3) tempo de acréscimo (menor ou maior conforme o controle do árbitro na partida) e

4) pagamentos sociais, que têm relação direta com a atuação (o reconhecimento à sua atuação, valorização da carreira e do nome).

Além disso, há outras explicações sobre motivação e desmotivação da carreira.

Abaixo, extraído da Universidade do Futebol, em: http://is.gd/ZMc7Y1

Importante: o trabalho não levou em conta Influência de Dirigentes / Clubes / Federações.

E você, o que acha dos dados acima e das explicações que estão abaixo?

FATORES QUE PODEM INTERFERIR NA TOMADA DE DECISÃO DO ÁRBITRO DE FUTEBOL

Por Alberto Inácio da Silva* e Mario Cesar Oliveira**

Os árbitros de futebol são preparados para interpretar as regras do futebol de forma imparcial durante uma partida. Porém, eles podem mostrar um poder discricionário considerável, em particular ao acrescentar tempo extra, marcar penalidades, usar os cartões amarelos ou vermelhos e decidir os tiros livres ou impedimentos. Como consequência, os árbitros têm uma influência muito importante no resultado final de uma partida de futebol.

Vários estudos publicados em revistas científicas demonstraram uma gama de fatores que podem interferir na toma de decisão do árbitro no transcorrer de uma partida. Portanto, o objetivo deste trabalho foi fazer um levantamento destes estudos e apresentar de forma resumida suas conclusões.

Recentemente o técnico de futebol Vanderlei Luxemburgo comentou em várias emissoras de televisão que ele havia observado e tinha gravado em uma fita de vídeo uma partida de futebol sem a presença de torcedores. Nesta partida o árbitro apresentou menos cartões e várias faltas sinalizadas pelos árbitros quando o estádio esta cheio de torcedores lá não foram marcadas. Ou seja, na prática ele observou que o comportamento do árbitro durante uma partida sem torcida era totalmente diferente do seu comportamento quando o estádio estava tomado por uma multidão. Esta observação foi objeto de alguns estudos.

A presença do barulho da multidão tem efeito dramático nas decisões tomadas pelos árbitros. Nevill et al. (2002) forneceram evidência experimental de que os árbitros de futebol são afetados pelo barulho da torcida. Eles mostraram algumas disputas de bola ocorridas em jogos da Primeira Liga Inglesa, gravadas em vídeo, para dois grupos de árbitros qualificados que tiveram que decidir se marcariam ou não uma falta. Um grupo assistiu o videoteipe sem o barulho da torcida, enquanto o outro grupo ouviu o barulho. Aqueles que enfrentavam os desafios com o barulho da multidão de fundo ficavam mais inseguros no momento de tomar a decisão e marcaram significativamente menos faltas (15,5%) contra o time da casa, quando comparado com os que assistiram em silêncio. É notável que as decisões tomadas pelo grupo de árbitros que ouviu o barulho estejam significativamente mais de acordo com as decisões tomadas pelo árbitro original da partida do que as decisões tomadas pelo grupo que assistiu as entradas silenciosamente.

Com respeito a um julgamento tendencioso em potencial na tomada de decisão, o árbitro pode colocar importância igual na informação audível da torcida e na informação visual, levando a desequilíbrio de decisões a favor do time da casa. Pesquisas anteriores sugerem que a experiência pode ajudar a reduzir potencialmente efeitos negativos de estresse no desempenho (Janelle et al., 1999; Williams e Elliott, 1999). Árbitros experientes provavelmente teriam maior controle sobre suas emoções (Hardy et al., 1996) e bases de conhecimento de tarefa específica ampliadas que facilitam a tomada de decisão com habilidade em ambientes com alto nível de estresse (Williams et al., 1999).

De forma interessante, o estudo de Nevill et al. (2002) indicou que o efeito dominante do barulho da torcida era para reduzir significativamente o número de infrações marcadas contra o time da casa, em lugar de aumentar o número de infrações contra o time visitante.

Dado que fazer uma marcação ruim e o barulho da torcida elevarão os níveis de tensão nos árbitros do grupo exposto ao barulho, de modo semelhante ao do árbitro da partida (fontes de tensão percebidas como difíceis de controlar), a estratégia para lidar com isso é provavelmente evitá-la. Como é provável que a torcida deixe claro que eles sentem que a decisão foi ‘errada’, evitar isso poderia ser interpretado como simplesmente não tomar a decisão impopular para penalizar o time da casa ao avaliar os desafios menos claros ou contenciosos. Sempre que um jogador da casa comete uma infração, a reação da torcida é capaz de ativar uma tensão potente de fazer marcação ruim, assim aumentando o nível de incerteza ou indecisão dos árbitros, resultando em nenhuma decisão (evitar) e menos infrações contra o time de casa (Nevill et al., 2002).

Observa-se constantemente na imprensa algumas pessoas palpitando que seria prudente interromper o jogo em determinados lances para que uma equipe decidisse o lance. Desta forma, seria prudente que, se os corpos administrativos, como a Fédération Internationale de Football Association (FIFA), considerarem empregar o replay do vídeo para ajudar os árbitros em campo, fosse empregado mais de um árbitro para ajudar a julgar tais replays contenciosos e, mais importante: os árbitros deveriam julgar em uma cabine à prova de som, evitando a influência da torcida.

Nos estudos apresentados acima, houve um desequilíbrio significativo nas decisões tomadas, por árbitros experientes, com e sem barulho da torcida, demonstrando que árbitros mais experientes são menos afetados pelas vaias da torcida. Os anos de experiência tiveram efeito significativo no número de infrações marcadas pelos árbitros contra os jogadores do time da casa, aumentando com os anos de experiência até um pico aos 16 anos de experiência (aproximadamente) e, depois disso, foi observado um declínio (Nevill et al., 2002). O outro efeito principal da experiência do árbitro foi aumentar significativamente o número de decisões incertas pelos árbitros experientes, ou seja, mais velhos.

Dohmen (2008) afirma que sociólogos e psicólogos sociais reconhecem que as decisões dos indivíduos não só são governadas pelos pagamentos materiais (dinheiro), mas também por pagamentos sociais (reconhecimento) não-materiais que surgem no ambiente social dos tomadores de decisão; por exemplo, na forma de aprovação social ou de sanções sociais. Este tipo de pressão social pode fazer com que os árbitros tomem decisões que acomodem as preferências de um grupo social (torcida) até mesmo se eles não estiverem de acordo com os próprios interesses do tomador de decisões (árbitro). Dohmen (2008) se refere a este ponto de vista como a “hipótese da pressão social”.

Em uma partida de futebol, é de interesse particular do árbitro ser imparcial, enquanto os torcedores querem o sucesso de seu time e, portanto, deveriam ter interesse em trabalhar por um objetivo comum, entretanto contestam as decisões do árbitro que não favorecem seu time e aprovando somente as decisões favoráveis, em uma atitude totalmente parcial e irracional.

Dohmen (2008) desenvolveu estudo que forneceu evidência complementar do comportamento tendencioso do árbitro com base nos dados de 3.519 jogos da Primeira Bundesliga (Campeonato Alemão), que apóia a visão de que o ambiente social pode afetar as decisões do árbitro. A análise empírica que confirma que árbitros profissionais que são designados e pagos pela Associação de Futebol Alemão (DFB) e de quem se espera que sejam imparciais, na realidade sistematicamente favorecem o time da casa. O favoritismo é manifestado no tempo de acréscimo, marcação de gols e cobranças de pênalti. Os dados também forneceram evidências de que características da torcida, tais como a composição da torcida e a distância do campo de futebol que esta se posiciona, prejudicam as decisões dos árbitros, de forma que é consistente com a hipótese de pressão social; quer dizer, que as forças sociais influenciam o comportamento do árbitro.

Dohmen (2008) relata que a extensão do comportamento tendencioso depende da composição da torcida: a parcialidade da casa tende a ser menor quando mais partidários do time visitante assistem à partida. Isto é consistente com a ideia de que a aprovação social e as sanções sociais têm efeito de valor contrário em recompensas sociais líquidas. Os partidários de cada time, que têm o interesse comum, que o time preferido deles alcance sucesso, trabalham para este objetivo aclamando decisões favoráveis do árbitro e expressando descontentamento com as decisões desfavoráveis. Os julgamentos dos árbitros evocam a aprovação social dos torcedores do time favorecido e sanções sociais do time oposto. Espera-se que um árbitro que não é influenciado, quer dizer, que não deriva utilidade intrínseca de uma determinada partida e valoriza pagamentos sociais, pense nos custos e benefícios sociais do acontecimento esportivo.

Outro dado importante desta pesquisa foi perceber que o favoritismo do time da casa é mais forte quando a partida acontece em um estádio sem pista de atletismo ao seu redor, ou seja, quando a torcida fica fisicamente mais próxima do campo e do árbitro – nesse caso há uma intensidade da pressão social indiscutivelmente maior. Essa descoberta empresta suporte para a conjetura que forças sociais influenciam a decisão dos árbitros, seja por causa da pressão social da torcida, diretamente acionando o julgamento parcial da arbitragem, ou por um canal mais oblíquo, no qual, por exemplo, a torcida cria uma atmosfera que encoraja os jogadores no campo para exercer pressão sobre o árbitro. Portanto, times da casa que jogam em estádios com uma pista de atletismo são afetados de forma diferente do que os times que jogam em estádios sem uma pista ao redor do campo (Dohmen, 2008).

O árbitro acrescenta mais tempo na partida se o time da casa está perdendo (Dohmen, 2008). De forma interessante, torcedores têm incentivos muito mais fracos para influenciar o árbitro em partidas decididas na qual o último resultado da partida é improvável que mude durante o tempo de acréscimo. Analisando dados de duas temporadas da Primeira Liga de Futebol Espanhol, Garicano, Palacios-Huerta e Prendergast (2005) perceberam que os árbitros espanhóis favoreciam o time da casa prolongando o tempo da partida em quase 2 minutos quando o time da casa estava perdendo por um gol, quando comparado à situação na qual o time da casa está ganhando por um gol. Eles também investigaram se o tamanho da torcida e a proporção de frequência-capacidade fazia diferença e descobriram que o aumento no desvio padrão na frequência aumenta a parcialidade em cerca de 20%, enquanto uma proporção de frequência-capacidade mais alta reduz a tendência à parcialidade. Eles concluíram que incentivos não monetários, em particular a pressão social da multidão, provocam o tratamento preferencial.

Sutter e Kocher (2004) destacam que, como são os árbitros que decidem a quantidade de tempo extra a favor ou não do time da casa, não há nenhuma razão pela qual os árbitros deveriam acrescentar mais tempo extra quando o time da casa está perdendo por um gol depois dos primeiros 45 min, porque ainda há o segundo tempo a ser jogado. Em vez disso, os árbitros poderiam ficar tentados a acrescentar menos tempo extra se o time da casa estiver perdendo por um gol no primeiro tempo para evitar mais danos (o time visitante poderia marcar mais um gol) e dar ao time da casa a oportunidade de se reorganizar o mais rápido possível durante o intervalo.

Outra informação a ser destacada no estudo de Dohmen (2008) diz respeito à marcação de faltas. Este autor observou diferença estatisticamente significativa, que implica que times da casa tiveram mais gols marcados incorretamente ou discutíveis a seu favor, em relação aos times visitantes. Notavelmente, é menos provável que gols concedidos sejam corretamente marcados quando um time está perdendo, especialmente quando o time da casa está perdendo. É particularmente provável que o time da casa receba a marcação de gol com base em uma decisão errada ou discutível se estiver perdendo por um ou dois gols.

Os árbitros também parecem favorecer os times da casa em decisões de cobrança de pênalti. Os dados brutos revelam que uma fração menor de pênaltis para o time da casa é corretamente marcada (65,20% vs 72,57%). Diferenças observadas nas frequências de decisões injustas, corretas e discutíveis foram estatisticamente significativas. Novamente, a fração de decisões erradas ou discutíveis a favor do time da casa é maior quando o time da casa está perdendo. Porém, deve ser notado que os árbitros também tomam mais decisões discutíveis a favor do time visitante, quando o time visitante está perdendo por apenas um gol. Foi constatado que o time da casa recebe significativamente mais gols ilegítimos do que o time visitante. Também foi observado que é mais provável que os times visitantes tenham negados um gol ou uma cobrança de pênalti legítimos ou discutíveis, pois o time visitante teve um pênalti legítimo injustamente negado em 35,75% dos casos; mas com o time da casa isso só aconteceu em 29,59% dos casos. No caso de decisões a respeito de pênaltis discutíveis, a evidência do favoritismo do time da casa é ainda mais pronunciada: os times da casa têm 28,67% dos pênaltis discutíveis marcados, mas os times visitantes têm apenas 20,27%. Portanto, os dados indicaram que é significativamente mais provável que os times da casa recebam uma cobrança de pênalti quando esta deveria objetivamente ser marcada e quando uma marcação de pênalti é discutível. As estimativas também mostram que os árbitros tendem a marcar menos cobranças de pênalti discutíveis e injustificadas quando a torcida está separada do campo por uma pista de atletismo.

Outra diferença ocorre quando a análise envolve situações ambiguas, em que até mesmo a subsequente análise do vídeo não pôde determinar claramente se esta situação deve ser punida com penâlti. Nestas situações ambíguas, a equipe da casa teve frequentemente mais pênaltis marcados do que a equipe adversária (Dohmen, 2008). Esta é uma prova de que o árbitro, em situações ambíguas, não decide casualmente, mas contraditoriamente. No caso da vantagem da equipe da casa, poderiam os gritos da plateia ter estimulado o árbitro a realizar esta sinalização. Askins (1978) sustentou que durante o curso de qualquer competição há muitos incidentes que parecem ambíguos, até mesmo para os árbitros mais veteranos. Quando isto acontece, os árbitros fazem o que todos os humanos fazem, basicamente, em tal situação: eles buscam esclarecer a situação por qualquer meio disponível. A reação da torcida às vezes pode fornecer a dica que incita a decisão.

Dohmen (2008) afirma ter ficado evidenciado que os árbitros mais experientes tendem a ser menos parciais, o que sugere que os indivíduos podem aprender a resistir à pressão social.

Na ampla literatura sobre a vantagem do time da casa em esportes nos quais ocorre o enfretamento entre duas equipes, a pressão social exercida pela torcida mostrou ser de grande importância (Courneya e Carron, 1992; Nevill e Holder, 1999). Há dois canais principais pelos quais o fator torcida se torna efetivo. Primeiro, as torcidas podem estimular o time da casa a se desempenhar melhor. Embora a literatura não seja conclusiva nesse aspecto, um recente estudo realizado por Neave e Wolfson (2003) pôde unir a composição da torcida à reação fisiológica dos jogadores. Mais especificamente, eles mostram que os jogadores têm um nível de testosterona significativamente mais alto nos jogos realizados em casa do que quando jogam fora de casa, o que poderia ser causado por um desejo natural de defender seu próprio território. Em segundo lugar, o barulho criado pela torcida pode influenciar o árbitro para, subconscientemente, favorecer o time da casa. As torcidas liberam sua raiva em grande parte e bastante depressa nos árbitros por causa de decisões que não favorecem seu time (Sutter e Kocher, 2004).

Exames estatísticos de registros de jogo indicam que os times da casa ganham mais frequentemente que os times de fora; os times da casa recebem mais penalidades favoráveis e recebem menos cartões (Nevill et al., 1996). Por exemplo, em um estudo sobre o número de penalidades marcadas a favor dos times da casa nas ligas inglesas e escocesas, os resultados mostraram evidências claras de que os times da casa com grandes torcidas recebem mais penalidades a seu favor, enquanto os times de fora recebem mais penalidades contra, com mais jogadores sendo expulsos (Nevill et al., 1996).

Folkesson et al. (2002) mostraram que a concentração e o desempenho dos árbitros, particularmente dos mais jovens, foram influenciados pelas ameaças e agressões dos jogadores, dos treinadores e do público. Reforçando esta afirmação, McMahon e Ste-Marie (2002) mostraram que as decisões dos árbitros de rúgbi eram tomadas em função da experiência – e não tanto pela descoberta de infrações decorrentes de fatores que não estavam presentes na jogada, ou seja, de informações extracampo.

Coulomb-Cabagno et al. (2005) publicaram um estudo que teve como objetivo examinar a agressão exibida pelos jogadores e analisar as decisões dos árbitros sobre estes comportamentos como uma função do gênero dos jogadores no futebol francês. Foi percebido que os jogadores do sexo masculino praticaram atos agressivos mais violentos que os jogadores do sexo feminino. Não obstante, em relação ao número total de punições aos atos agressivos cometidos, os árbitros penalizaram mais as mulheres do que os homens. Estereótipos de gênero poderiam ser uma explicação pertinente para estes resultados, uma vez que o futebol geralmente é percebido como um esporte do tipo masculino, particularmente na França, e a agressão como uma característica tipicamente masculina, afirmam os autores.

No contexto desportivo, há também uma evidência crescente de que os homens são mais agressivos ou percebem a agressão como sendo mais legítima do que as mulheres o fazem (Conroy et al., 2001; Tucker e Parks, 2001). Este fato poderia justificar o porque das mulheres serem mais penalizadas por infrações às regras em faltas similares cometidas pelos homens durante uma partida de futebol.

Apesar da falta de consenso na definição do que é agressão no esporte, uma que é frequentemente aceita é o comportamento que transgride as regras da atividade considerada com a intenção de prejudicar ou ferir alguém (Tenenbaum et al., 1996). Os árbitros estão diretamente preocupados com a agressão porque eles são responsáveis por fazer com que as regras sejam cumpridas adequadamente, pois o risco de um jogador sofrer ferimento é cerca de 1.000 vezes maior do que o encontrado na maioria de outras profissões (Fuller et al., 2004).

Investigações de atos de agressão do espectador e observações de torcedores demonstram uma relação entre a agressão do torcedor e as atividades dos jogadores no campo. Smith (1983) sugerem que quando o desempenho dos jogadores no campo for percebido como violento, os espectadores e os partidários do esporte tendem a agir ambos violentamente durante e após a partida.

As regras do jogo instruem os árbitros em como eles deveriam responder quando jogadores, substitutos, substituídos ou oficiais de equipe se utilizam de um linguajar abusivo e/ou gestos no sentido de contrariar a sua decisão. Um estudo, que teve como objetivo verificar a relação da aplicação dos cartões amarelo e vermelho, frente a uma agressão verbal, levando em consideração o disposto no item que trata de faltas e incorreção do caderno de regras da FIFA, mostrou que somente 55,7% dos árbitros teriam tomado uma atitude correta relacionada à ofensa verbal ocorrida no transcurso de uma partida (Praschinger et al., 2011), apesar da literatura mostrar que o abuso verbal dos jogadores nos árbitros é percebido como uma das situações mais embaraçosas em um jogo (Kaissidis e Anshel, 1993). Em outras palavras, a regra 12 não estaria sendo cumprida em sua plenitude.

O estudo desenvolvido por Praschinger et al. (2011) demonstrou que os árbitros são inconsistentes em suas aplicações das regras em relação a ofensas verbais, vindas de dentro ou de fora do campo de jogo. A mesma palavra sendo dita para dois árbitros diferentes pode desencadear reações diferentes, embora as regras do jogo sejam idênticas em relação à situação de agressão verbal.

Entretanto, de um lado temos as regras do jogo, as quais os árbitros devem seguir, do outro lado, nós temos uma situação altamente complexa e dinâmica: uma partida de futebol. Os árbitros parecem resolver este dilema aplicando a “administração do jogo” (Praschinger et al., 2011). Eles balanceiam suas decisões através da sua sensibilidade a várias influências, por exemplo: tempo de jogo, nível de agressividade dos jogadores dentro da partida, tamanho da torcida presente no estádio, se a partida está sendo televisionada, se há policiamento no campo de jogo, os antecedentes do jogador etc. A administração do jogo parece ser um pré-requisito necessário para a aplicação das regras do jogo, apesar de, em algumas situações, contrariar o que esta escrito nas regras, sendo aplicada de maneira diferente em situações específicas durante uma partida.

Folkesson et al. (2002) examinaram as circunstâncias pertinentes a ameaças e agressão (físicas ou verbais) durante as partidas de futebol que foram vivenciadas por 107 árbitros da Associação de Futebol da Província de Värmland (região ocidental da Suécia). Foram identificadas três fontes de agressão: (1) jogadores de futebol, (2) técnicos/treinadores e (3) espectadores. A incidência de ameaças e agressão teve efeito na concentração, no desempenho e na motivação, inclusive nas preocupações antes da partida. Além disso, descobriu-se que os resultados foram afetados pela idade, pelo grau de experiência e pela orientação de vida dos árbitros. Percebeu-se que os árbitros mais jovens eram os mais sujeitos a ameaças e agressão. Com relação à motivação para arbitrar uma partida, este estudo concluiu que os árbitros com orientação geralmente pessimista experimentaram menos motivação, desempenho pior e maiores problemas para enfrentarem o comportamento agressivo dos torcedores, quando comparados com árbitros com orientação geralmente otimista.

Rainey (1994, 1995) examinou fontes de tensão entre 782 árbitros qualificados (certificados) de beisebol e de softboll. Foram revelados quatro fatores correlacionados: medo de fracasso, medo de dano físico, pressão do tempo e conflito interpessoal. O estudo sugeriu que esses fatores podem ser fontes comuns de tensão entre os árbitros e que há necessidade de se pesquisar as fontes de tensão em árbitros de outros jogos esportivos.

Andersson (1983) examinou os motivos que levam os árbitros de futebol a continuarem arbitrando partidas de futebol apesar de ser um trabalho aparentemente ingrato. Este estudo incluiu 36 árbitros de futebol da Associação da região de Göteborg, Suécia, para os quais foi pedido que respondessem perguntas organizadas na forma de um questionário. Os resultados indicaram que dois terços dos árbitros tiveram intenção de desistir do seu trabalho como árbitro. A razão mais comum para isto era que arbitrar ocupava muito de seu tempo e que eles tinham se cansado de toda a crítica que eles tiveram que aceitar no papel de árbitro. Geralmente, eles também percebiam as exigências feitas a eles como sendo irracionais. Vinte por cento dos respondentes (7 entre 36) tinham ficado tão chateados por causa das críticas que consideraram a possibilidade de renunciar ao trabalho. Vários árbitros (aproximadamente 30%) queriam que os jogadores e os treinadores recebessem uma formação melhor e ensinamentos a respeito das regras e regulamentos do jogo. A razão principal pela qual os árbitros continuaram arbitrando, apesar de tudo, foi o amor que tinham pelo jogo.

Em um estudo que examinou as razões dos árbitros de futebol e seus motivos para atuar como árbitro (Isberg, 1978); 80 árbitros de associação e de distrito participaram do estudo. Os resultados mostraram que a razão mais importante para se tornar um árbitro de futebol era manter o contato com o esporte depois de uma carreira ativa como um jogador de futebol. Um forte interesse pelo jogo também foi um fator crítico. O desejo contínuo de se tornar um árbitro melhor era um dos motivos para eles continuarem atuando como árbitros de futebol. Foram listadas oportunidades de contato humano e chances de melhoria na função de árbitro entre as experiências positivas deles. Entre as experiências negativas deles figurou o nível elevado de crítica gerada pela mídia e pelos técnicos.

Os resultados do estudo de Friman et al. (2004) descrevem as percepções de ameaças e agressões vivenciadas pelos árbitros. Apesar disto, e de certa forma surpreendentemente, muitos deles declararam que é divertido ser árbitro de futebol. Por exemplo, em comunidades pequenas o valor do sucesso é muito importante. Da mesma forma, uma decisão que não favorece o time da casa foi relacionada a reações emocionais fortes (irritação e agressão) entre o público que assiste ao jogo. Uma possível explicação para as ameaças e as agressões que os espectadores dirigiram ao árbitro pode ser por falta de conhecimento sobre as regras do jogo. Por exemplo, vários participantes validam a raiva que os jogadores, os técnicos e a torcida expressaram em situações quando eles não estavam completamente certos das regras ou da mais recente interpretação das regras (Friman et al., 2004). Segundo Mack (1980), pode-se garantir que menos de um porcento da população brasileira leu uma regra de futebol – e isto, sem dúvida nenhuma, dificulta a atuação do árbitro durante uma partida, tendo em vista os fatos mencionados anteriormente.

A atenção é um aspecto importante do comportamento do árbitro. Quando o árbitro não corre no campo como se espera que faça, os jogadores ficam obviamente aborrecidos. Se o árbitro frequentemente perder situações importantes, os jogadores eventualmente perderão a confiança no árbitro e começarão a agir agressivamente e ameaçadoramente.

Friman et al. (2004) afirmam que há esperança de que um treinamento mais extensivo de jogadores e técnicos sobre as regras e os regulamentos do jogo reduziriam as experiências negativas causadas por ameaças e agressões. Além disso, os resultados realçam a importância de se espaçar as partidas. Muitos jogos por semana parecem afetar a atenção dos árbitros.

Todos estes resultados apóiam a evidência de que atitudes tendenciosas podem estar presentes no processo de tomada de decisão dos árbitros. Este fato também é confirmado por outros estudos que incluíram variáveis como a cor dos uniformes, a reputação dos times ou as decisões anteriores dos árbitros. Assim, Frank e Gilovich (1988) indicaram que os árbitros de futebol e hóquei no gelo percebiam os jogadores com uniformes pretos como sendo mais agressivos. Por conseguinte, eles também tenderam a penalizar mais esses jogadores, talvez porque a cor preta seja associada com agressividade. Jones et al. (2002) estudaram o impacto da reputação agressiva de um time nas decisões tomadas por árbitros de futebol. Cinquenta incidentes, divididos entre cinco categorias – faltas manifestas cometidas pelo time; faltas ambíguas cometidas pelo time; faltas manifestas cometidas contra o time; faltas ambíguas cometidas contra o time. e nenhuma falta cometida –, foram mostrados a 38 árbitros, primeiro com informação explícita sobre reputação agressiva do time, depois sem qualquer informação a respeito da reputação do time. O último grupo apenas teve que julgar cada incidente em seu próprio mérito. Os resultados revelaram que a informação sobre a reputação agressiva do time afetou o número de cartões amarelos e vermelhos (a severidade da sanção), mas não o número total de decisões marcadas. O time com reputação agressiva foi penalizado mais severamente do que o outro time. Finalmente, Plessner e Betsch (2001) informaram que as decisões também podem ser influenciadas por decisões anteriores; era menos provável que os árbitros marcassem uma penalidade para um time se eles tivessem marcado uma penalidade para o mesmo time antes, e era mais provável que marcassem uma penalidade para um time se eles tivessem marcado para o outro time antes. Ou seja, uma vez que o árbitro concedeu um pênalti a uma equipe, ele supostamente muda seu critério de conceder pênalti ao mesmo time para um nível mais alto em situações subsequentes.

Na ótica de Buther (2000), o estado emocional influencia o comportamento de técnicos, atletas, torcedores, árbitro e assistentes durante o desenvolvimento de um jogo. Ninguém tem a noção exata da natureza, extensão e profundidade dos impactos dos fenômenos sociológicos e psicológicos sobre o comportamento dos indivíduos dentro dos estádios de futebol.

Os árbitros mais jovens estão mais expostos e são mais vulneráveis à ameaça e à agressão. Uma possível explicação para esta situação pode ser que os árbitros mais jovens tenham frequentemente menos experiência em arbitragem de partidas de futebol (Folkesson et al., 2002).

Poderia se especular que um tipo diferente de experiência seja relevante, alguma maneira de “experiência de vida” que permite que o árbitro mais velho apresente maior eficácia para desarmar as tendências à ameaça e à agressão em uma fase inicial. Outra explicação pode ser que os jogadores de futebol, os técnicos e o público podem perceber um árbitro mais velho como sendo mais merecedor de respeito que um árbitro mais jovem, i.e., sugerindo a existência de algum mecanismo “patriarcal” (Folkesson et al., 2002).

Por outro lado, o fator idade não parece influenciar a motivação e o desempenho dos árbitros. Ambos os árbitros com orientação pessimista e orientação otimista se sentiram expostos à ameaça e à agressão a um grau equivalente, mas os árbitros pessimistas sofreram mais com os efeitos. Os árbitros com orientação pessimista tiveram maiores problemas de motivação – e o seu desempenho tendeu a se deteriorar quando comparado com árbitro com orientação otimista. Além disso, os árbitros pessimistas tiveram maiores problemas para lidar com o comportamento agressivo dos espectadores. Parece ser o caso de que uma perspectiva de vida otimista pode afetar em grande parte a forma como a pessoa lida com as tensões e as exigências dos jogos esportivos fisicamente e psicologicamente (Folkesson et al., 2002).

Na Suíça existem duas comunidades, divididas em língua francesa e língua alemã (Messner e Schmid (2007). Estes autores desenvolveram um estudo com o intuito de verificar se uma equipe possui alguma vantagem quando se trata da mesma cultura do árbitro. Foram analisados 1.033 jogos do campeonato da primeira divisão de futebol suíço (masculino). Verificou-se que uma equipe tem vantagem quando se trata da mesma cultura do árbitro. O benefício foi evidente no número de vitórias, a quantidade de pontos ganhos, o número de cartões amarelos e o número de expulsões.

Outra característica especial do árbitro é o poder discricionário entre diferentes punições. No uso da advertência verbal ou do cartão amarelo ou do cartão vermelho é necessário o critério do árbitro. Contudo, espera-se que a equipe defensiva seja com mais frequência punida. Uma equipe visitante tem jogo defensivo mais do que uma equipe da casa. Por isso, espera-se que uma equipe visitante seja penalizada com mais frequência do que a equipe da casa (Courneya & Carron, 1992; Pollard, 2006). E, portanto, recebe a equipe da casa menor número de cartões amarelos e menos expulsões do que a equipe visitante (Sutter & Kocher, 2004).

A vantagem de uma equipe numa partida pela proximidadade cultural não é bem clara. Neste ponto a pesquisa difere de um estudo no futebol australiano. Mohr e Larsen (1998) encontraram maior número de jogos do campeonato australiano nos quais os tiros livres diretos eram favoraveis às equipes de regiões tradicionais do futebol australiano do que em comparação com as equipes das regiões em que o esporte foi introduzido mais tarde. Eles explicam este efeito pela condição social do árbitro, pois os árbitros provêm, na maioria das vezes, de áreas tradicionais.

Outros fatores podem influenciar na atenção concentrada, conforme análises resultantes dos estudos de Maughan e Leiper (2006), os quais relatam que houve interferência na performance em testes de função cognitiva quando o nível de desidratação alcançou 2% do peso corporal inicial. A desidratação dos árbitros durante a partida foi estudada no Brasil. No primeiro estudo constatou-se que a perda total de água corporal pelo árbitro durante a partida era equivalente a 2,05% do seu peso corporal (Da Silva e Fernández, 2003). Já, em outro estudo, foi constatado que a perda hídrica estimada do árbitro foi de 2,16% do peso corporal (Roman et al., 2004). Entretanto, estes dois estudos foram desenvolvidos na região sul do Brasil, mais especificamente no Paraná. Na literatura consta que a perda hídrica média do árbitro de futebol atuando no Estado de São Paulo é, de 3,20% do peso corporal (Da Silva et al., 2010).

As regras do jogo constituem a base de cada esporte. Os jogadores poderiam conhecê-las e os árbitros deveriam apenas supervisioná-las durante o jogo, pronunciar julgamentos com o intuito de apenas sancionar as ações permissivas. Contudo, uma vez que o árbitro sofre influência intra e extracampo, o que inclui jogadores, treinadores e torcida, ele deve apresentar um nível de tolerância para a condução de uma partida. A tarefa dos árbitros é de difícil execução, pelo fato de que cada decisão tomada não pode ser explicitada por escrito. Os árbitros devem controlar a partida, a qual inclui interações sociais e psicológicas (fatores como dinâmica de grupo e liderança) (Praschinger et al., 2011). Possivelmente, porque um jogo de futebol requer administração do jogo ao invés de uma simples aplicação das regras pelo árbitro.

Apesar da regra 5 estabelecer que o árbitro fará cumprir a regra do jogo durante uma partida de futebol, Mascarenhas et al. (2002) discutem que os árbitros aplicam certo tipo de administração do jogo. Isto significa que os árbitros em geral estão dispostos a aplicar as regras de jogo, mas durante uma partida eles têm de ser sensíveis para com a fluência do jogo. Isto os leva a situações nas quais não aplicam as regras de acordo com o propósito que estas indicam. Segundo Praschinger et al. (2011), os árbitros se consideram como os administradores do jogo, ao invés de se considerarem como administradores das regras do jogo.

Como foi possível observar nesta revisão, são inúmeros os fatores que podem interferir no momento da formulação da decisão de um árbitro de futebol no instante que ele tem que interferir na partida. Estas informações são importantíssimas para os profissionais que trabalham com psicologia do esporte, pois há necessidade de se desenvolver metodologias de trabalho para minimizar a influência destes fatores, para que as decisões dos árbitros sejam cada vez mais imparciais e, desta forma, se reduzindo a responsabilidade do árbitro no resultado da partida.

Durante este estudo, não foram abordados tema com corrupção, suborno, que envolve constantemente dirigentes de clubes e federações, membros de Comissão de Arbitragem, e árbitros de futebol. Estes temas são encontrados freqüência em jornais, revistas e telejornais. Como inúmeras vezes denunciado, a decisão de um árbitro de futebol pode também sofrer influencia de suborno, recomendações, e interesse de subir na carreira, já que os critérios para que um árbitro de futebol saia do nível regional para o nível internacional são obscuros, sendo constantemente denunciado que para este avanço na carreira alguns árbitros, conduzem uma partida de futebol de acordo com interesses pessoais ou de terceiros. Para uma melhor compreensão sobre o tema corrupção, suborno no meio futebolístico, recomendasse a leitura dos artigos intitulados “Árbitro de futebol e legislação esportiva aplicável” e “Ética no futebol: será possível?”.

*Professor do Departamento de Educação Física da Universidade Estadual de Ponta Grossa – UEPG, Paraná
**Prof. Universidade Federal de São Paulo, Programa de Pós-Graduação, Centro de Estudos em Medicina da Atividade Física e do Esporte – CEMAFE

Referencial bibliográfico————————————————–

Andersson, B. Hur orkar dom? En studie av fotbollsdomare i Göteborg. Sports Pedagogical Reports, 10, Göteborg, Sweden: Göteborg University, Department of Education, 1983.

Askins, R. L. Observations: The official reacting to pressure. Referee, 4, 17–20, 1978.

Buther, R.J. Sports psychology in action. New York: Oxford University Press, 2000.

Conroy, D. E., Silva, J. M., Newcomer, R. R., Walker, B. W., & Johnson, M. S. Personal and participatory socializers of the perceived legitimacy of aggressive behavior in sport. Aggressive Behavior, 27, 405–418, 2001.

Coulomb-Cabagno, G. Rascle, O. Souchon, N. Players’ Gender and Male Referees’ Decisions About Aggression in French Soccer: A Preliminary Study. Sex Roles, Vol. 52, Nos. 7/8, April, 2005.

Courneya, K. S., & Carron, A. V. The home advantage in sport competitions: A literature review. Journal of Sport and Exercise Psychology, 14, 13–27, 1992.

Da Silva, A. I., Fernández, R. Dehydration of football referees during a match. Br J of Sport Med. 37:502-506, 2003.

Da Silva, A. I., Fernandes, L. C., Oliveira, M. C. Neto, T. L. B. Nível de desidratação e desempenho físico do árbitro de futebol no Paraná e São Paulo. Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício. 9 (3), 148 – 155, 2010.

Dohmen, T. J. The influence of social forces: evidence from the behavior of football referees Economic Inquiry. 46(3), 411-424, July 2008.

Folkesson, P., Nyberg, C., Archer, T., & Norlander, T. Soccer referees’ experience of threat and aggression: Effects on age, experience, and life orientation on outcome of coping strategy. Aggressive Behavior, 28, 317–327, 2002.

Frank, M. G., & Gilovich, T. The dark side of self and social perception: Black uniforms and aggression in Professional sports. Journal of Personality and Social Psychology, 54, 74–85, 1988.

Friman, M. Nyberg, C. Norlander, T. Threats and Aggression Directed at Soccer Referees: An Empirical Phenomenological Psychological Study. The Qualitative Report. 9(4) 652-672, Dec 2004.

Fuller, C. W.; Junge, A.; Dvorak, J. An assessment of football referees´ decisions in incidents leading to player injuries. The American Journal of Sports Medicine, 32, 1 suppl. 17s-21s, 2004.

Garicano, L., I. Palacios-Huerta, and C. Prendergast. “Favoritism Under Social Pressure”. Review of Economics and Statistics, 87, 208-16, 2005.

Hardy, L., Jones, J. G. & Gould, D. Understanding psychological preparation for sport: Theory and practice of elite performers. Chichester, UK: Wiley, 1996.

Isberg, L. Arbetsuppgifter, krav och utbildning. Uppsala, Sweden: Almqvist & Wiksell International Stockholm, 1978.

Janelle, C. M., Singer, R. N., & Williams, A. M. External distraction and attentional narrowing: Visual search evidence. Journal of Sport and Exercise Psychology, 21, 70–91, 1999.

Jones, M. V., Paull, G. C., & Erskine, J. The impact of a team’s aggressive reputation on the decisions of association football referees. Journal of Sports Sciences, 20, 991– 1000, 2002.

Kaissidis, A.N. Anshel, M.H. Sources and intensity of acute stress in adolescent and adult Australian basketball referees: A preliminary study. The Australian Journal of Science & Medicine in Sport 25, 97-103, 1993.

Mack, R. C. V. Futebol empresa. Rio de Janeiro: Palestra Edições, 1980.

McMahon, C., Ste-Marie, D. M. Decision-making by experienced rugby referees: Use of perceptual information and episodic memory. Perceptual and Motor Skills, 95, 570–572, 2002.

Mascarenhas, D.R., Collins, D. Mortimer, P. The art of reason versus the exactness of science in elite refereeing: Comments on Plessner and Betsch (2001). Journal of Sport & Exercise Psychology 24, 328-333, 2002.

Maughan, R. J., Leiper, J. B. Fluid replacement requirements in soccer. J Sports Sci. 12 Spec S29-34, 2006.

Messner, C. Schmid, B. Über die Schwierigkeit, unparteiische Entscheidungen zu fällen: Schiedsrichter bevorzugen Fußballteams ihrer Kultur. Zeitschrift für Sozialpsychologie, 38 (2), 105–110, 2007.

Mohr, P. B. & Larsen, K. Ingroup favoritism in umpiring decisions in Australian Football. The Journal of Social Psychology, 138, 495–504, 1998.

Neave, N., & Wolfson, S. Testosterone, territoriality, and the home advantage. Physiology and Behaviour, 78, 269–275, 2003.

Nevill, A.M., Newell S. and Gale, S. Factors associated with home advantage in English and Scottish Soccer”. Journal of Sports Sciences 14, 181-186, 1996.

Nevill, A. M., & Holder, R. L. Home advantage in sport: An overview of studies on the advantage of playing at home. Sports Medicine, 28, 221–236, 1999.

Nevill, A. M., Balmer, N. J., & Williams, A. M. The influence of crowd noise and experience upon refereeing decisions in football. Psychology of Sport and Exercise, 3, 261–272, 2002.

Plessner, H., & Betsch, T. Sequential effects in important referee decisions: The case of penalties in soccer. Journal of Sport and Exercise Psychology, 23, 200–205, 2001.

Pollard, R. Home Advantage in Soccer: Variations in its Magnitude and a Literature Review of the Inter-related Factors Associated with its Existence. Journal of Sport Behavior, 29, 169–189, 2006.

Praschinger, A. Pomikal, C. Stieger, S. May I curse a referee? Swear words and consequences. Journal of Sports Science and Medicine. 10, 341-345, 2011.

Rainey, D. W. Magnitude of stress experienced by baseball and softball umpires. Perceptual and Motor Skills, 79, 255-258, 1994.

Rainey, D. W. Sources of stress among baseball and softball umpires. Journal of Applied Sport Psychology, 7, 1-10, 1995.

Roman, E. R., Arruda, M., Gasparin, C. E. B., Fernadez, R. P., & Da Silva, A. I. Estudo da desidratação, intensidade da atividade física do árbitro de futebol durante a partida. Rev Brasileira de Fisiologia do Exer. 3(2), 161-171, 2004.

Smith, M. Violence and sport. Toronto, Canada: Butterworths. 1983.

Sutter, M. & Kocher, M. G. Favoritism of agents. The case of referees’ home bias. Journal of Economic Psychology, 25, 461–469, 2004.

Tenenbaum, G., Stewart, E., Singer, R. N., & Duda, J. Agresión and violence in sport: An ISSP position stand. Internacional Journal of Sport Psychology, 27, 229–236, 1996.

Tucker, L. W., & Parks, J. B. Effects of gender and Sport type on intercollegiate athletes’ perceptions of the legitimacy of aggressive behaviors in sport. Sociology of Sport Journal, 18, 403–413, 2001.

Williams, A. M., & Elliott, D. Anxiety and visual search strategy in karate. Journal of Sport and Exercise Psychology, 21, 362–375, 1999.

– Marin: o Homem das Gafes?

Depois de afanar uma medalha da Copa SP, o presidente da CBF José Maria Marin deu ‘outra pisada de bola’: cometeu uma gafe preconceituosa contra a presidente do Flamengo, Patrícia Amorim.

Após anunciar que a mandatária rubro-negra chefiaria a Seleção Feminina nas Olimpíadas, disse: “Conversando com nosso representante lá fora, ele disse que tínhamos de nos preocupar com a cozinha, porque a comida lá é ruim. Tem de levar cozinheiro, para garantir tudo bem. Você (Patrícia) não vai cozinhar lá não, tá?

Devia ficar quieto… o sorriso amarelo de Patrícia foi nítido!

– CBF oficializa Listas com os Árbitros 2012

A CA-CBF divulgou a relação de árbitros para as competições 2012, com os FIFAs, os aspirantes a FIFA, CBF 1 e CBF 2, além dos quadros especial e feminino.

Se restringíssemos aos árbitros de São Paulo, poderíamos dissertar sobre os nomes, como a boa novidade Guilherme Ceretta de Lima entrando no quadro de aspirantes, ou a surpreendente saída da FIFA da assistente Maria Elisa Correa Barbosa. Mas não é esse o propósito desse artigo, e sim de questionar a tal “integração nacional” alardeada.

A CBF entende que deve promover a integração do país. Assim, todos os cantos do Brasil devem estar representados no futebol nacional. Ok, é uma linha de pensamento. Mas não podemos fazer como nos tempos da ditadura: integrar para ter apoio político, sem se ter merecimento para tal. Ou esquecemos dos tempos quando “onde a Arena vai mal, mais um time no Nacional?”

Integrar é manter em contato; mas se deve fazer com PROPORCIONALIDADE adequada. Na lista divulgada (link em: http://is.gd/ARBITROS2012), vemos que estados de pouca representatividade tem um grande percentual na arbitragem. E aqui temos que ser justos – sem demagogia (e que não venham com discursos de discriminação): mas estados mais fortes futebolisticamente, economicamente, estruturalmente, não devem ter maior proporcionalidade do que outros? Alguns estados acabam sendo generosamente alavancados sem ter clubes ou árbitros de boa qualidade (sempre falando em números relativos / proporcionais).

Carece-se urgentemente repensarmos o cenário e critérios da arbitragem nacional. Pesa-me ver que o critério político pode atrapalhar o critério meritocrático. Para isso, deve-se responder: os 10 árbitros FIFA do quadro, são verdadeiramente os 10 melhores do Brasil? Os aspirantes que o seguem, são pela sequência o 11º, 12º, 13º melhores?

 

RENAF MASCULINA 2011/12

CNA ÁRBITROS – FIFA  UF  DT_NASC  OBS

1  HEBER ROBERTO LOPES  PR  13/07/72  

2  PAULO CESAR OLIVEIRA  SP  16/12/73

3  WILSON LUIZ SENEME  SP  28/08/70

4  MARCELO DE LIMA HENRIQUE  RJ  26/08/71

5  SANDRO MEIRA RICCI  PE  19/11/74

6  LEANDRO PEDRO VUADEN  RS  29/06/75

7  EVANDRO ROGERIO ROMAN   PR  03/03/73

8  RICARDO MARQUES RIBEIRO  MG 18/06/79  

9  PERICLES BASSOLS PEGADO CORTEZ  RJ  03/07/75

10  FRANCISCO CARLOS DO NASCIMENTO  AL  09/10/77

 

CNA ÁRBITROS ESPECIAL – 1  UF  DT_NASC  OBS

1  ALICIO PENA JUNIOR  MG 01/02/68  

       

CNA ÁRBITROS ASPIRANTES-FIFA  UF  DT_NASC  OBS

1  WILTON PEREIRA SAMPAIO  GO  21/12/81  

2  LUIZ FLAVIO DE OLIVEIRA  SP  13/06/77

3  WAGNER REWAY  MT  14/05/81

4  CELIO AMORIM  SC  08/02/79

5  MARCIO CHAGAS DA SILVA  RS  05/07/76

6  PABLO DOS SANTOS ALVES  ES  03/06/76

7  CLAUDIO LUCIANO MERCANTE JUNIOR  PE  19/02/76

8  FELIPE GOMES DA SILVA  RJ  16/03/79

9  GUILHERME CERETA DE LIMA  SP  25/11/83

10  CLAUDIO FRANCISCO LIMA E SILVA  SE  26/04/80

       

CNA ÁRBITROS ESPECIAL-2  UF  DT_NASC  OBS

1  ANDRE LUIZ DE FREITAS CASTRO  GO  08/06/74  

2  NIELSON NOGUEIRA DIAS  PE  14/09/74

3  JAILSON MACEDO FREITAS  BA  09/01/71

4  ARILSON BISPO DA ANUNCIAÇAO  BA  08/02/73

5  ELMO ALVES RESENDE CUNHA  GO  18/12/74

6  FRANCISCO DE ASSIS ALMEIDA FILHO  CE  25/05/78

7  JOSE HENRIQUE DE CARVALHO  SP  13/03/74

       

CNA ÁRBITROS CBF-1 (UM TERÇO: 1/3)  UF  DT_NASC  OBS

1  PAULO H DE GODOY BEZERRA  SC  27/01/69  

2  RODRIGO NUNES DE SA  RJ  28/03/79  (*)

3  EDIVALDO ELIAS DA SILVA   PR  30/06/73  

4  FABRICIO NEVES CORREA  RS  08/05/74

5  DEVARLY LIRA DO ROSARIO  ES  28/06/76  (*)

6  MARCOS ANDRE GOMES DA PENHA  ES  10/01/75  

7  MARCOS MATEUS PEREIRA  MS  10/09/79  (*)

8  ANTONIO F DE CARVALHO SCHNEIDER  RJ  28/08/76  (*)

9  RENATO CARDOSO DA CONCEIÇAO  MG 18/09/72  

*  JOSE DE CALDAS SOUZA  DF  01/09/67

10  RODRIGO BRAGHETTO  SP  30/06/75

11  MARCELO APA RIBEIRO DE SOUZA  SP  20/10/72

12  JEAN PIERRE GONÇALVES LIMA  RS  13/07/79  (*)

13  ANTONIO HORA FILHO  SE  23/07/68  

14  ANDERSON DARONCO  RS  05/01/81  (*)

15  JEFFERSON SCHMIDT  SC  07/10/69  

16  EMERSON DE ALMEIDA FERREIRA  MG 25/08/78  (*)

17  ROGERIO LIMA DA ROCHA   SE  05/12/70  

18  ANTONIO DENIVAL DE MORAIS  PR  03/07/70

19  JOAO BATISTA DE ARRUDA  RJ  24/06/74

20  CHARLES H CAVALCANTE FERREIRA  AL  19/07/79  (*)

21  JOAO BOSCO SATIRO NOBREGA  PB  22/08/79  (*) CA-CBF

22  WAGNER DOS SANTOS ROSA  RJ  18/04/69  

23  RAPHAEL CLAUS  SP  06/09/79  (*)

24  EDUARDO TOMAZ VALADAO  GO  22/02/78  (*)

25  CLEISSON VELOSO PEREIRA  MG 13/07/79  (*)

26  MANOEL NUNES LOPO GARRIDO  BA  01/10/69  

27  WLADYERISSON SILVA OLIVEIRA   CE  17/10/76  (*)

28  SUELSON DIOGENES DE FRANÇA MEDEIROS  RN  21/02/78  (*)

29  MARIELSON ALVES SILVA  BA  14/05/82  (*)

30  WAGNER DO NASCIMENTO MAGALHAES  RJ  22/06/79  (*)

31  ANDREY DA SILVA E SILVA  PA  24/06/78  (*)

32  ARNOLDO VASCONCELO FIGARELA  RO  13/07/69  

*  VINICIUS COSTA DA COSTA  RS  19/09/67

33  EDMUNDO ALVES DO NASCIMENTO  SC  19/05/69

34  EMERSON LUIZ SOBRAL  PE  23/06/74

35  RODRIGO MARTINS CINTRA  SD  04/10/76  (*)

36  PATHRICE W CORREIA MAIA  RJ  21/04/84  (*)

37  ADRIANO MILCZVSKI  PR  29/07/75  

38  ANTONIO R BATISTA DO PRADO  SP  04/06/71

39  JANIO PIRES GONÇALVES   TO  16/01/77  (*)

40  RODRIGO G FERREIRA DO AMARAL  SP  25/10/76  (*)

42  GLEIDSON SANTOS OLIVEIRA  BA  19/03/72  

42  ITALO MEDEIROS DE AZEVEDO  RN  19/02/75

43  ALINOR SILVA PAIXAO  MT  31/12/79  (*)

44  JOSE ACACIO DA ROCHA  SC  17/03/72  

45  MAYRON F DOS REIS NOVAES  MA 23/08/77  (*)

46  WELLINGTON BRANQUINHO  GO  23/04/77  (*)

47  ROBSON MARTINS FERREIRA  MA 06/11/72  

48  LUCIO JOSE SILVA ARAUJO   BA  26/04/70

49  NILO NEVES DE SOUZA JUNIOR  PR  18/10/74

50  JOSE R ALBUQUERQUE SOARES  PB  03/10/69

51  JOAO LUPATO  MS  12/04/78  (*)

52  EDMAR CAMPOS ENCARNAÇAO  AM 02/01/74  

53  MARCELO ALVES DOS SANTOS  MT  19/07/75

       

CNA ÁRBITROS CBF-2 (DOIS TERÇOS: 2/3)  UF  DT_NASC  OBS

1  CARLOS RONNE CASAS DE PAIVA  AC  06/03/73  

2  FLAVIO FEIJO DE OMENA  AL  01/09/69

3  DEWSON FERNANDO F. DA SILVA   PA  27/02/81

4  FABRICIO NERY TRINDADE  GO  04/08/77

5  DIEGO POMBO LOPEZ  BA  07/08/86

6  SEBASTIAO RUFINO NETO  PE  02/09/78

7  FLAVIO RODRIGUES GUERRA  SP  30/06/79

8  RODRIGO BATISTA RAPOSO  DF  22/07/79

9  JOAQUIM WEBESTHER F MARTINS  CE  03/01/73

10  JOSE CLEUTON DE SOUZA LIMA  CE  03/12/76

11  LEONARDO GARCIA CAVALEIRO  RJ  28/10/74

12  MARCIO C BRUM CORUJA  RS  05/08/72

13  CLAUDIONOR DOS SANTOS JUNIOR  SE  18/04/75

*  FRANCISCO LEONE DE OLIVEIRA  TO  14/01/67

14  PAULO SERGIO SANTOS MOREIRA   MA 28/01/76  

15  FRANCISCO SANTOS SILVA NETO  RS  01/12/71

16  CARLOS EDUARDO VIEIRA AREAS  SC  16/06/76

17  ELIVALDO CASSIO DOS SANTOS  AP  10/07/75

18  VINICIUS FURLAN  SP  15/12/79

19  LUIZ APARECIDO DA SILVA   MS  10/03/69

20  JOSE ANTONIO DE ALMEIDA PINHEIRO  AC  26/07/72

21  GLEYDSON FERREIRA LEITE  PE  31/07/76

22  COSME IRAN SABINO DE ARAUJO  BA  08/11/72

23  CLAUBER JOSE MIRANDA  PA  26/06/70

24  OSIMAR MOREIRA DA SILVA JR  GO  27/03/81 CA-CBF

25  FABIUS FILIPUS  PR  09/04/80  

26  LEANDRO S DANTAS DE OLIVEIRA  RN  26/03/83

27  ANTONIO N DO REGO COSTA  AC  14/12/76

28  JOSE MARIO DE S DA COSTA  AP  19/07/77

29  FLEDES RODRIGUES SANTOS  RO  16/11/79

30  ROGERIO JOSE BUENO  DF  07/03/76

31  JOSIMAR SOUZA DE ALMEIDA  AC  12/05/70

32  EDUARDO CORDEIRO GUIMARAES  RJ  16/12/81

33  ANTONIO C PEQUENO FRUTUOSO  AM 17/09/80  

34  EVANDRO TIAGO BENDER  SC  05/12/83

35  CLEBER VAZ DA SILVA  GO  05/03/79

36  EDER CAXIAS MENEZES  PB  08/12/81

37  GLEYSTO GONÇALVES DA SILVA  CE  07/11/78

38  WALES MARTINS DE SOUZA  DF  25/03/79

39  ANTONIO J L TRINDADE DE SOUZA  PI  17/02/73

40  JOSE E ARAUJO ALCANTARA  PE  07/07/76

41  CARLOS EDUARDO NUNES BRAGA  RJ  19/02/80

42  RODRIGO CARVALHAES DE MIRANDA  RJ  19/01/80

43  GILBERTO R CASTRO JUNIOR  PE  29/05/80

44  FELIPE DUARTE VAREJAO  ES  11/06/83

45  CLIZALDO L M DI PACE FRANÇA  PB  30/06/83

46  FLAVIO H COUTINHO FERREIRA  MG 25/05/80  

47  LEANDRO BIZZIO MARINHO  SP  26/09/78

48  AVELAR RODRIGO DA SILVA  CE  24/03/74

49  LUIZ CARLOS PEREIRA   SC  20/03/78

50  MARCOS VINICIUS DE SA DOS SANTOS  MG 21/05/79  

51  JOHNN HERBERT ALVES BISPO  BA  23/11/73

52  LUCIANO OLIVEIRA DOS SANTOS  TO  24/03/74

53  GERVALIO TAIGO DE CARVALHO LIRA  RR  18/11/70

54  RENAN ROBERTO DE SOUZA  PB  14/08/86

55  CLAUDINEI FORATI DA SILVA  SP  08/01/82

56  DYORGENES J PADOVANI DE ANDRADE  ES  24/10/79

57  FLAVIO RODRIGUES DE SOUZA  SP  29/07/80

58  ELVIS SIQUEIRA DE ALMEIDA  ES  30/01/80

59  RONAN MARQUES DA ROSA  SC  08/07/85

60  LEANDRO JUNIOR HERMES  PR  30/07/79

61  PABLO RAMON GONÇALVES PINHEIRO  RN  12/11/86

62  PHILIP GEORG BENNETT   RJ  10/02/86

63  PAULO H SCHLEICH VOLKOPF  MS  07/04/85

64  ANTONIO DIB MORAES DE SOUZA  PI  15/08/82

65  JOAO BATISTA CUNHA BRITO  AM 16/07/80  

66  GILBERTO FREIRE DE FARIAS  PE  23/09/78

67  JOSEVALDO BISARRIA DE MELO  AL  20/10/83

68  ANTONIO SANTOS NUNES  PI  17/11/72

69  ENEIAS FERREIRA LEITE OLIVEIRA  PE  02/11/81

70  FRANCISCO PEREIRA DE LIMA JR  PI  26/02/82

71  RAFAEL ODILIO RAMOS DOS SANTOS  MT  16/03/83

72  ANTONIO M BELMONTE VIEIRA  BA  03/06/73

73  ARNILDO PEREIRA OLIVEIRA  RO  10/08/75

74  WASLEY DO COUTO LEON  PA  01/02/84

75  GRAZIANNI MACIEL ROCHA  RJ  17/12/82

76  DANIEL DE SOUSA MACEDO   RJ  04/10/82

77  DANIEL MARTINS DOS SANTOS  MT  08/09/77

78  JOAQUIM RIBEIRO DE SOUZA JR  MT  03/11/85

79  ROBERTO GIOVANNY OLIVEIRA SILVA  GO  05/05/78

80  EMANUEL DINIZ DE ARAUJO  PB  20/01/79

81  ROGER GOULART  RS  03/06/82

82  JOSE CLAUDIO ROCHA FILHO  SP  03/04/78

– Atlético/PR 1 X 1 Criciúma: o Gol da Posse de Bola Perdida?

O lance pastelão protagonizado na Copa do Brasil no meio dessa semana, na partida entre Atlético X Criciúma, nos mostra que até os árbitros têm dificuldade em interpretar “Posse de Bola” dos goleiros.

No jogo, o goleiro está quicando a bola e o atacante a rouba, de cabeça, fazendo o gol. O bandeira avisa o árbitro do ocorrido, mas este entende que o gol é legal e valida. Para quem não viu o lance, clique no link abaixo:

http://www.youtube.com/watch?v=Al4ZKa3gZC8&feature=relmfu

Qual é a irregularidade da jogada?

O erro é: quando o goleiro tem a posse de bola com as mãos, ele tem 6 segundos para a repor em jogo. Entende-se, pela Regra do Jogo, que essa posse compreende também o ato de quicar a bola para lançá-la. Sendo assim, estando o goleiro com a posse de bola com as mãos (com o pé é diferente), ela não pode ser disputada até ser efetivamente colocada em jogo.

Portanto, é infração o fato do atacante cabecear a bola durante o quicar da mesma, já que ela estava na posse do goleiro.

Se o goleiro a colocasse no chão, aí a bola estaria em condição de disputa. Ele estaria com a posse de bola (e não tem mais a preocupação dos seis segundos, pois já a repôs ao jogo), sendo que nada haveria de irregular em roubá-la (o goleiro não poderia mais segurá-la com as mãos a partir desse momento). Um exemplo de tal lance: a famosa roubada de bola de Ronaldo (Cruzeiro) em cima de Rodolfo Rodriguez (Bahia), em 1994.

Errou o árbitro, acertou o bandeira, que acabou sido desprezado.

– Sinais dos Novos Tempos… Globalização do Futebol

Chelsea e Benfica jogaram pelas Quartas-de-Final da Liga dos Campeões da Europa, nesta semana. Deu Chelsea (que, na minha opinião, ficará no caminho, pois a tão sonhada final entre Madrid X Barcelona deverá acontecer).

Mas o fato curioso: o lisboeta Benfica não jogou com nenhum atleta português! No ano passado, o londrino Arsenal disputou uma partida sem nenhum atleta inglês, e no retrasado, o milanês Internazionale jogou sem italianos.

Ok, vivemos período de intensa globalização. Mas não é curioso que o dito time mais forte do mundo, o espanhol Barcelona, conte com jogadores revelados na catalã La Masia?

Quem está certo: o que contrata os melhores de fora ou quem cria cultura interna e os prestigia?

Deixe seu comentário:

– Análise da Arbitragem de Internacional X Santos, Libertadores 2012

Antes do jogo, uma consideração importante: muito se questionou sobre a escala de Sandro Meira Ricci para esta partida, que hoje atua como FIFA-PE. Ótimo árbitro, bom caráter e que um dia processou na Justiça (e venceu) Neymar por ofensas pós-jogo contra sua pessoa, via Twitter. Num país democrático e civilizado, tudo bem. Seria normal, mas… falamos do futebol, um mundo a parte, onde se apela de todas as formas. Assim, o Santos chiou, através de Muricy Ramalho, por um “desafeto de Neymar” em ser escalado. Já o Internacional devolveu a crítica também reclamando através do seu diretor Fernandão, pois o árbitro escalado era um “sujeito pressionado pelo Santos”.

Ora, a Sulamericana poderia ter evitado tal escala, sabedora que a cultura do futebol utiliza tais fatos para pressionar a arbitragem.

Cabeça de árbitro: se errar a favor do Santos, dirão que a pressão funcionou; se errar contra, foi revanchismo. E aí?

Como a desculpa oficial é de que não temos tantos árbitros disponíveis, fica a questão: tirando os FIFAs de SP e RS (que não podem apitar tal confronto), não há ninguém competente para um confronto doméstico? Então, que estes árbitros devolvam o escudo, já que a razão de ser de um árbitro FIFA é apitar qualquer jogo internacional mundo afora.

Vamos ao jogo!

Com 30 segundos, já vimos que o Internacional estava ligado. Num escanteio a favor do Inter, o gandula (que sempre é funcionário do time da casa) colocou a bola na marca do tiro de canto imediatamente a saída da bola pela linha de meta. Incrível, a bola saiu e 2 segundos após ela estava posicionada pelo gandula e com 5 segundos foi rapidamente cobrada (não precisa esperar o apito do árbitro). Por curiosidade: o primeiro escanteio a favor do Santos, por volta dos 10 minutos, teve a bola posicionada em 12 segundos e cobrada com 26s após sua saída (tal artimanha foi copiada do jogo Once Caldas X Internacional, pela Pré-Libertadores, onde os gaúchos sofreram tal estratégia na Colômbia)

Logo aos 3 minutos, houve a primeira advertência verbal, que não foi a um jogador, mas ao treinador colorado Dorival Júnior. Jogo pegado e pesado, o árbitro quer manter o controle da partida e mostrar que ele está atento na primeira oportunidade. Foi nítida a imagem do treinador dizendo ao quarto-árbitro Péricles Bassols que não reclamara com o árbitro, mas com Tinga, seu atleta. Desculpa esfarrapada e comum pós-bronca…

O primeiro erro de Sandro Ricci ocorreu aos 5 minutos, numa falta clara sobre Leandro Damião, que avançava ao ataque. O erro só aconteceu pois o árbitro estava encoberto exatamente pelos dois jogadores santistas que estavam no lance da falta. Certamente, pelo seu posicionamento, viu a queda mas não o ato faltoso. Errou.

Como atletas experientes sabem explorar possíveis fragilidades de um árbitro (e a pressão pré-jogo era o problema na partida), aos 7 minutos Dagoberto avança no ataque e Durval o para obstruindo (sendo a falta que originou o gol). Nada de violência, nem de dizer que matou o contra-ataque. Falta normal, sem cartão. Porém, Dagoberto dá uma cambalhota forçada na queda e já se vira pedindo cartão amarelo ao zagueiro santista. Não era para tal, acertou o árbitro. Neste momento, 5 jogadores rodeiam o árbitro com o típico sinal de “pedir cartão”. Que coisa! Parecia ensaiado.

Aos 20 minutos, grande acerto técnico do árbitro e exemplo de falta de fair play: Juan levanta demais a perna em disputa de bola com Leandro Damião (portanto, tiro livre indireto). Damião não é atingido mas cai simulando ter sido acertado no rosto. Ricci nem deu bola. Porém, se houve acerto técnico, houve erro disciplinar: teria que dar cartão amarelo para Leandro Damião pela descarada simulação de agressão, já que tentou iludir o árbitro e consequentemente jogar um estádio todo contra ele.

A sequência de faltas/cartões perfeita de Ricci: aos 23m, Sandro Silva faz falta e leva advertência verbal, e exatamente 1 minuto depois, repete a mesma falta, agora em Ganso. Cartão amarelo bem aplicado. Aos 25m, Nei apela e “desce o sarrafo” em Neymar. Amarelo clássico, sem contestação. Isso é clara intimidação pela violência. Aos 29m, no meio de campo, Neymar dá um carrinho desnecessário em Sandro Silva e recebe amarelo. Acertou o árbitro novamente, e fica a observação: Neymar já não é experiente o suficiente para saber que atacante não pode cometer tal infração desnecessariamente, pois corre o risco de receber cartão?

Erro do bandeira goiano Fabrício Vilarinho: Após cobrança-relâmpago de escanteio pelo Internacional, bate e rebate onde Damião recebe a bola em posição legal e o assistente, num erro grosseiro, impugna a jogada.

Dos 30 minutos até o final do primeiro tempo, os atletas se comportaram melhor (ou seja, afrouxaram a marcação e reduziram as faltinhas anti-jogo) e visivelmente o jogo fluiu melhor. O árbitro, consequentemente, soltou mais o jogo (que no linguajar da arbitragem é: deixou correr um pouco mais).

Sem pecados capitais, a primeira etapa se encerrou tranquilamente para a arbitragem.

Após o intervalo…

Como no primeiro tempo, o segundo começou também pegado, com muito contato físico e Sandro Ricci voltando a apitar tudo (estratégia correta nos momentos iniciais). Elton, logo no início, fez falta forte em Neymar e levou correto cartão amarelo.

Por 15 minutos, o jogo ficou fácil para a arbitragem, com jogadores se respeitando e nenhuma jogada ríspida, embora 2 ou 3 lances de lesões por lances involuntários, sem reclamações ao árbitro.

Porém, aos 65 minutos, após o gol do Santos, o Internacional respondeu com pressão no ataque. Nos minutos 66 e 67, em dois ataques, jogadores colorados caem na área penal. No primeiro, queda por força da jogada; no segundo, o atacante gaúcho fica no chão tentando cavar.

Neste ínterim, um lance onde a bola supostamente bate na mão do zagueiro Edu Dracena, dentro da área. Se pegou ou não, nem importa, pois o lance é totalmente involuntário. Jogador está no chão, sem intenção de tocá-la. Portanto, irrelevante.

O lance mais polêmico ocorreu aos 84 minutos: lance para cartão vermelho, onde o colorado Rodrigo dá um carrinho com o pé erguido em Neymar, que pula. Na frente do banco santista, muita reclamação, pois o jogador do Internacional recebe apenas o Amarelo. Importante: é regra – carrinho não precisa atingir o atleta, é dar ou tentar  – e a punição deve ser feita com expulsão do atleta.

Aos 87 minutos, o mesmo Rodrigo Moledo atinge Neymar com um pontapé nas pernas, em disputa de bola. Novo amarelo, e consequentemente Vermelho.

Em suma: excelente arbitragem de Sandro Meira Ricci em jogo que entrou muito pressionado. Foi competente em campo, equilibrado emocionalmente, e nos poucos erros que cometeu, nada que comprometesse, contando até mesmo com a sorte para corrigir equívocos. A única queixa: o jogo parou muito no segundo tempo; e os acréscimos (que foram poucos: 2 minutos) duraram apenas 1m27s…

Ricci segurou a pressão por 90 minutos, mas como existe um ditado no futebol que ‘acréscimo não consagra árbitro…’ fazer o quê!

– O Sumiço dos Camisas 10, segundo Sílvio Luiz

Sílvio Luiz, folclórico e consagrado narrador esportivo, esteve na última segunda-feira no programa Roda Viva, da TV Cultura. E dentre muitas questões realizadas pelos entrevistados, uma me chamou atenção: quando indagado sobre quem era o melhor do mundo de todos os tempos, se recusou a comparar atletas de épocas diferentes e preferiu se reportar à atualidade. Disse que:

Não temos mais camisas 10. Sumiram. Temos na Espanha um jogador objetivo, trabalhador, perfeito, que faz tudo certinho e que não se discute [Messi] e outro aqui no Brasil, irreverente e exibicionista [Neymar]. Ambos são os 10 que seus times devem jogar a bola para resolver o jogo. O futebol mundial não tem mais camisas 10 de boa qualidade.”

E aí? Para ele, dentro das características de cada um, Messi e Neymar reinam com a mítica “posição de camisa 10”, na essência do seu simbolismo (nos anos 50, o craque era o 5; em outros períodos, o craque simbolizava a camisa 8 – Pelé transformou o numeral “mágico” para 10). O que você acha disso: Não temos mais craques no. 10, sendo que Sílvio Luiz exagerou, ou ele tem razão? Deixe seu comentário:

– A Difícil Missão em ser “Comentarista de Arbitragem”

Cada vez mais vemos a figura do Analista de Árbitros nas transmissões esportivas. Missão ingrata para quem exerceu a profissão; inglória para quem nunca apitou.

Gosto do Godói, sempre taxativo. Gostava dos comentários do Cerdeira, em tom professoral e didático. Hoje, admiro Gaciba no seu trabalho, embora, ressalto, acho que o quadro que ele mantém no programa pós-jogo na Sportv é excepcional e melhor que a sua própria participação durante as partidas. Já Arnaldo, Marsiglia e Wright, experientes em Copas do Mundo, com conhecimento muito grande, em alguns momentos ousam “brigar com a imagem”. Fazer mea culpa é difícil para o ser humano…

Sem desrespeitar qualquer um deles, mas o comentário do Arnaldo César Coelho no primeiro pênalti de Barcelona X Milan (jogo de volta da Liga dos Campeões da Europa), é daqueles que atrapalham o aprendizado do torcedor. O jogador milanista perde o tempo da bola e toca imprudentemente o pé de Messi (não é casualidade de jogada, mas imprudência do zagueiro); dentro da área, tiro penal sem aplicação de cartão amarelo. Mas o comentarista alegou que Messi pulou antes, mesmo com os replays mostrando que com a bola dominada, Messi foi tocado no pé de apoio (detalhe – tudo isso se Messi estava em condição legal de jogo na hora do lançamento a ele).

O torcedor, em geral, não conhece Regra de Futebol. E nem deve ser obrigado a conhecer, já que o futebol deve ser algo lúdico a ele. Mas se é um lance decisivo de título num Flamengo X Corinthians, imaginaram os mais fanáticos? Influenciados por um comentário descuidado, pode trazer confusões.

Tenho acompanhado grandes jogadores de futebol, como Neto e Muller. Ficam devendo quando comentam arbitragem. Excepcionais dentro de campo, escorregam quando falam de algo que não são especialistas. E aí, logo após as partidas, temos aqueles comentários mais estapafúrdios. Poucos são aqueles que buscam conhecer o assunto: na TV a cabo, temos Paulo Calçade. Nas rádios, Mauro Betting, Flávio Prado, Fernando Sampaio, Rogério Assis, entre outros. Nos jornais, quase não há ninguém especialista no assunto. Pior: nos “minuto a minuto” da Internet, nada!

Fica uma sugestão: que tal quadros / esquetes de poucos minutos, numa linguagem rápida e didática, do tipo: “Conheça a Regra”? Muitos torcedores desconhecem que o futebol tem 17 regras, não sabem que vale gol direto de um chute no bola ao chão (não é “bola ao ar”) ou que quem pode exigir barreira é o cobrador de faltas, não o goleiro.

A propósito: cheia de detalhes que a Regra do Jogo é, que tal elaborar uma prova de conhecimentos básicos aos jogadores sobre as 17 regras? Certamente, ficaríamos decepcionados ao vermos que muitos desconhecem detalhes fundamentais do próprio ofício que exercem…

– Jogo de Torcidas Organizadas é febre na Internet

Enquanto uns querem (talvez e infelizmente de maneira utópica) acabar com a violência nos gramados, outros lucram e se beneficiam dela.

Leio com pesar a interessante matéria do Blog do Ricardo Perrone, no UOL (citação em: http://is.gd/AJWRk8) sobre o sucesso do GTA (jogo violento eletrônico) das torcidas brasileiras. Imbecis propagam pela Internet o game onde torcedores do São Paulo, Corinthians e Palmeiras, todos armados, armam emboscadas para os adversários! Vence quem lutar / bater mais.

Apologia à violência não é crime no Brasil?

É triste ver que a luta pela paz nos estádios parece inglória.

Repare, na ótima reportagem do jornalista (abaixo), que os personagens do jogo vestem camisas dos clubes estampando antigos patrocinadores (LG, Pirelli e Samsung). Fico imaginando: o quê importantes empresas ficam pensando, através de seus departamentos de marketing, quando observam suas marcas associadas a bandidos armados e cenas de irresponsabilidade social? Provavelmente, devem pensar mais de uma vez quando decidirem patrocinar o futebol…

Pior são os clubes, que nada fazem sobre isso, dando de ombros e achando que não é com eles…

NA CONTRAMÃO DE COMBATE À VIOLÊNCIA, JOGOS FAZEM SUCESSO COM EMBOSCADAS DE TORCIDAS

Ao mesmo tempo em que se discute o fim da violência entre uniformizadas, bomba na internet o GTA de torcidas organizadas. O GTA é uma série de jogos violentos para computadores com sucesso mundial.

A versão com as torcidas na maioria das vezes simula emboscadas. Tem para todos os gostos, Gaviões da Fiel x Independente, Mancha x Gaviões, colorados contra gremistas, brigas entre torcedores com a camisa do clube, estampando o patrocinador, e até confrontos entre torcidas de Estados diferentes, como um duelo com fãs de Bahia e Coritiba.

Os gritos de guerra são os mesmos entoados nos estádios e os enredos dos jogos seguem  o que se vê nas brigas, como  roubos de faixas e ciladas pra lá de traiçoeiras. A violência virtual é uma cópia fiel da brutalidade real, já fora de controle. Abaixo, imagens disponíveis na internet.

– Mudança de Mando que prejudica o Campeonato

A equipe do Oeste de Itápolis (não importa os motivos) mandou sua partida no Paulistão 2012 contra o São Paulo na cidade de Presidente Prudente. Fará o mesmo no próximo domingo contra o Corinthians.

É claro que na partida já realizada, tanto quanto a que se irá realizar, a torcida do time grande será maior. O estádio Farahzão é excepcional para a equipe visitante.

Já apitei jogos tanto em Itápolis quanto em Presidente Prudente. Não há comparação. No Estádio dos Amaros, as condições são precárias, e a equipe adversária sente muito a pressão. O campo pequeno provoca muitas faltas, o que é ruim para o árbitro. Bem como a qualidade dos vestiários e acomodações gerais ficam a desejar. Já no “Farahzão”, o campo é neutro. Ótimas dimensões, gramado bom, segurança aos times e a arbitragem.

Fica a dúvida: não é inversão de mando?

Querem um exemplo? O Paulista de Jundiaí jogou contra o Oeste em Itápolis: o jogo ficou paralisado por falta de energia; o campo diminuto provocou muito contato físico, levando a excessivas faltas e expulsão de atletas; as dependências estavam em péssimo estado. Até a imprensa sofreu.

Qual seria o resultado da partida caso o Oeste jogasse em Prudente contra o Galo de Jundiaí?

Qual seria o resultado da partida caso o Oeste jogasse em Itápolis contra o São Paulo FC?

São essas coisas que a Federação Paulista precisa explicar…

– Brasileirão-2012 terá Árbitros Adicionais e Outras Novidades

Teremos 3 novidades para o Campeonato Brasileiro 2012 em relação à arbitragem:

– Prometido aos clubes de futebol a criação da Corregedoria da Arbitragem, a fim de investigar a conduta dos árbitros dentro e fora de campo;

– Prometido aos Torcedores a Criação de uma Ouvidoria de Arbitragem, para analisar as atuações;

– Anunciada a experiência de 2 árbitros de meta no torneio.

Incrível. José Maria Marin repete na CBF exatamente o que Marco Polo Del Nero fez na FPF no episódio “Máfia do Apito”. Na ocasião, criou a Corregedoria com o Dr Bento da Cunha, implantou a Ouvidoria com Silas Santana (que curiosamente é presidente da Cooperativa dos Árbitros) e, recentemente, adotou a experiência de dois árbitros no Paulistão.

Em São Paulo, publicamente o Cel Marcos Marinho disse que já comunicou à FIFA o fracasso da ideia. Na CBF, Sérgio Correa sempre fez questão em dizer que o ganho com os Árbitros Adicionais é irrelevante e que não gosta da experiência.

Gostando ou não, a ideia é ótima pelos motivos que já escrevi, em: http://is.gd/BomDiaeDiario

– Título Evitável e Não Concedido com Louvor

O estado de Amazonas quís homenagear, ano passado, Ricardo Teixeira, presidente da CBF, com o título de CIDADÃO AMAZONENSE. Na oportunidade, o deputado estadual Marcelo Ramos declarou que:

Já temos nossos gângsters aqui, não precisamos importar mais”.

Matou a pau…

– Pré-Análise da arbitragem de Paulista X Palmeiras

Após tantas reclamações da arbitragem nos jogos do Galo no Paulistão, foi sorteado para o confronto contra o Palmeiras o árbitro Demétrius Pinto Candançan!

Conheço-o do tempo em que ele fazia jogos como quarto-árbitro. Está com 39 anos, trabalha como professor de Educação Física. É boa pessoa, tem bom porte físico e é razoável tecnicamente. Não costuma correr muito, mas se posiciona bem em campo. Marca muitas faltas e costuma segurar o jogo.

No Paulistão 2012, estreou apenas na última rodada (São Caetano 0 X 1 Catanduvense).

Um detalhe: nesta partida, o árbitro adicional será novamente Flávio Rodrigues Guerra, que esteve na partida contra o XV de Piracicaba e que não auxiliou Rodrigo Braguetto no polêmico pênalti daquela tarde/noite (já que o lance foi em sua frente).

Sobre o fato do árbitro ser um ilustre desconhecido para a grande mídia: aos mais otimistas, dirão que o árbitro pode sentir pressão em Jayme Cintra, supondo que pela inexperiência sinta a pressão do time em casa. Já os mais pessimistas dirão que justamente pelo noviciado em jogos de maior dificuldade tenderá a aceitar pressão do time grande e de seu treinador, Scolari.

Que tenhamos uma boa partida nessa quarta à noite, e que a arbitragem não influencie no placar.

– O que Acontece na Relação “Galo X Arbitragem”?

O Paulista FC está vivendo um claro litígio com a Arbitragem no Paulistão. Acompanhando as partidas, fica nítido que a causa se deve a 3 fatores:

1)- Atuações ruins dos árbitros escalados: o experiente Rodrigo Braguetto equivocou-se num absurdo pênalti na semana passada, onde o atleta do XV de Piracicaba tropeçou nas próprias pernas. Ontem, em Itápolis, visivelmente o árbitro Edson Reis Pavani sentiu a pressão no Estádio dos Amaros, em especial no pênalti a favor do Oeste.

2)- Falta de zelo por parte da Comissão de Árbitros na confecção das escalas: No Jayme Cintra, árbitros mais rigorosos e experientes são escolhidos (e que não aceitam pressão). Na condição de visitante, árbitros jovens e mais suscetíveis à pressão acabam apitando. A desculpa dos nomes escalados será a do sorteio; mas já que o sorteio também pode ser direcionado (vide escala de clássicos), por que não ter um pouco mais de carinho com o Galo e colocar no “globinho da sorte” árbitros mais renomados também em jogos fora de Jundiaí? Afinal, vale vaga para a série D do Brasileirão!

3)- Vacilos dos jogadores do próprio Paulista. Perceberam que alguns cartões “bobos” são recebidos por falta de equilíbrio emocional? Muitas faltas são evitáveis, além de reclamações abusivas dos atletas. Carece-se de que nossos jogadores aprendam um pouquinho mais de Regra do Jogo para evitar Cartões Amarelos/Vermelhos desnecessários, bem como tirar proveito de detalhes a seu favor.

Estamos a quatro rodadas do final da 1ª fase. Cada ponto perdido, cartão recebido ou pênalti indevido podem custar muito caro.

– Análise da Arbitragem de Corinthians X Palmeiras, Paulistão, 25/02/2012

Antes de falar sobre o jogo, uma breve análise sobre a guerra dos torcedores organizados: De que adianta o Corinthians promover campanha contra motoristas embriagados e o Palmeiras homenagear Chico Anísio, se lá fora do estádio as suas torcidas se matam e os dirigentes dessas equipes nada fazem? Vestir a camisa por uma causa é fácil. Praticar a verdadeira ação de responsabilidade social é outra história.

Vamos ao jogo:

Jogo cansativo para a arbitragem. Desgastante, e explico: a atenção exigida e a tensão a ser disfarçada é grande.

Atenção pelas dificuldades que um importante jogo como esse ocasionam. Tensão pelo cansaço emocional e pela preocupação para que todos vejam nele o mais centrado, tranquilo e equilibrado do jogo.

A partida de hoje contrariou o que um torcedor apreciador de futebol-arte gostaria de ver: não tivemos lances de beleza, tampouco de “jogo limpo”. Digo isso pelo excessivo número de faltas na partida: no 1º tempo, equilíbrio de faltas cometidas e absurdas 24 infrações em 45 minutos. No segundo tempo, o número de infrações praticadas pelo Palmeiras disparou! Certamente, tivemos muito mais tempo de bola parada do que de bola rolando. Em 3 faltas do jogo, demorou-se praticamente 2 minutos para a cobrança de cada uma delas! Numa delas, aos 43m, Valdívia recebeu uma falta boba e o jogo foi retomado aos 45m15s. Muita demora… Em outra situação, aos 63m, ocorreram 3 faltas no mesmo minuto de jogo!

No lance polêmico de Liedson aos 23 minutos, impedido, ele prossegue a jogada, o bandeira atrasa um pouco a marcação, e o corinthiano, com o pé erguido, atinge o goleiro palmeirense Deola. Eu entendi como lance imprudente (onde não se quer fazer a falta mas acaba fazendo, sem aplicação de cartão amarelo), apesar de plasticamente a imagem ser violenta. O árbitro entendeu como ação temerária (quando o atleta sabe que pode fazer a falta e corre o risco, com aplicação de cartão amarelo), e tal interpretação não seria um exagero. O que não poderia era expulsar, como reclamado pelo Corinthians, pois aí seria força excessiva (quis atingir o adversário propositalmente, levando a uma possível lesão). E vale o lembrete: ali, não foi falta, pois o jogo já estava parado (falta só existe com a bola rolando). Reiniciou-se com o tiro livre indireto pelo motivo de Liedson estar impedido. Nestas situações, vale a sanção disciplinar, mas não se pune tecnicamente.

No tumulto citado acima, Cicinho e Jorge Henrique se empurraram, fora da visão da arbitragem, e deveriam ter recebido o Amarelo.

Em suma: Marcelo Rogério esteve muito bem tecnicamente, e pelo número absurdamente alto de faltas, deve ter quebrado o recorde de infrações corretamente marcadas. Disciplinarmente, aplicou bem os cartões amarelos nas faltas cometidas, e soube adverter verbalmente quando necessário porém, a desejar em 3 situações de indisciplina: A intimidação de Ralph após faltas cometidas (reclamou em excesso, além de faltas reincidentes); simulação de Valdívia (em determinado lance, abdicou do jogo para cavar faltas a Assunção) e uso das mãos de Emerson em disputa de bola empurrando Cicinho (onde Cicinho simulou ter recebido um golpe de MMA, talvez o motivo de Emerson não ter sido punido)- ali, deveriam ter levado o amarelo. Fisicamente, esteve muito bem no jogo.

Àqueles que gostam de aprender sobre arbitragem, uma observação bacana: aos 63 minutos, num dos raros lances de boa qualidade técnica da partida, o Corinthians fez uma rápida troca de passes no campo de defesa do Palmeiras, virando o jogo com muita constância. O árbitro, posicionando-se bem, esquivou-se perfeitamente de possíveis trombadas e se recolocava muito bem! Uma aula aos jovens árbitros sobre noção de espaço em campo.

E você, o que achou do jogo? Deixe seu comentário:

************

Abaixo, os comentários lance-a-lance realizados durante a partida no Twitter (twitter.com/rafaelporcari):

4segundos – primeira falta. O que esperaremos desse jogo? Muita pegada, é claro.

2minutos – pelas demoras, não tivemos 30 seg de bola rolando. As broncas nos agarra-agarra mostra que os AAA estão atentos.

2m30s – segunda falta. A média é boa: 1 falta por minuto.

5m – jogo amarradíssimo, quando começarão a jogar?

6m – escanteio para o Corinthians, mas nem AAA, nem bandeira e nem árbitro viram o resvaçlão em Barcos.

7m- nova falta, bem marcada. Nada de violência, mas de marcação anti-jogo.

8m – lance difícil do ataque palmeirense, corinthianos pedem impedimento de Barcos, mas a bandeira Tatiane Sacilotti acerta.

10m- Castan empurra Valdívia. Nova falta. Jogo chato pra jogador e árbitro.

11m – Depois de quase 1 minuto para se cobrar a falta, a barreira anda e o atento Marcelo Rogério chama a atenção. Acertou.

12m – falta no meio campo para o Corinthians. O jogo não rende! A bola rola um pouquinho, fazem falta e fica meia hora parado.

13m – enésima falta. Se eu sou torcedor, devolvo o ingresso.

14m – idem ao 13º, idem ao 12º, idem ao 10º… nova falta!

15m – adivinha? Nova falta, agora me Emerson. Se reincidência é amarelo, o que vemos é anti-jogo puro.

16m- falta de novo. Ficou repetitivo.

17m – no primeiro lance de futebol mesmo, Marcos Assunção chuta e a bola desvia. Gol legal, matou o goleiro.

Marcos Assunção imitando o Prof Raimundo (e o salário, ó…) tudo bem. Mas e o Fred ontem? Ganha 700 mil por mês e reclama do salário? rsrs

18m20s – voltamos à normalidade. Falta. Só é cobrada aos 19m20s. De novo Marcelo Rogério chama a atenção na área. Trauma de SCCP X Linense?

19m50s – outra falta!

22m – Estamos quebrando um recorde. Quase 2 minutos sem falta!

23m – Liedson impedido, tenta o domínio da bola, ela escapa e a sola atinge no alto o peito do goleiro Deola. Lance plasticamente feio, mas nada de violência explícita. Falta por imprudência. Tumulto, e na sequência, Jorge Henrique e Cicinho se estranham e a arbitragem não vê.

Cartão amarelo para Jorge Henrique (eu não aplicaria), e nada para Jorge Henrique e Cicinho (mereciam amarelo).

25m- jogo recomeça com falta (pra variar)

26m – é rotina: falta.

28m – falta normal de ataque do Barcos, Castán fica bravo mas não é pra tanto.

30m – estou cansando de escrever: foi falta. E foi cobrada somente aos 30m41seg…

33m – falta para o Corinthians, mas o árbitro observa ótima vantagem e manda seguir.

35m – falta dura de Chicão em Barcos. Cartão amarelo bem aplicado. Nem visou a bola, era para parar o lance.

Lembra da falta aos 35m? Foi cobrada aos 37m05seg! incrível, não tem jogo.

39m – no ataque, Emerson empurra o peito de Cicinho, que põe a mão no rosto simulando ter recebido um golpe de MMA. Cara-de-pau…

40m – nova falta, agora em Jorge Henrique. No chão, JH tenta devolver. Árbitro não vê o primeiro lance e corrige corretamente a marcação.

41m – falta de Márcio Araújo em Danilo. Jogo horrível.

42m – replay: idêntica falta de Márcio Araújo em Danilo. Acertou ao aplicar amarelo.

43m – falta de Paulinho em Valdívia. O chileno poderia continuar o lance, mas abdicou para ter o direito de bater falta. Acertou o árbitro.

Lembra da falta aos 43m? Foi cobrada aos 45m15s!

47m – Emerson cai na área, ameaça reclamar e se segura. Se pede pênalti, tem que dar amarelo por simulação.

48m – Ufa! A tortura acabou, jogo feio, faltoso, onde a bola não rolou.

Se não errei nenhuma marcação: 24 faltas em 45 minutos. Muita demora, a bola não rola. Várias faltas tiveram quase 2 minutos de demora para serem cobradas! Isso é futebol?

Árbitro está bem na partida: não demonstra nervosismo, é senhor do jogo. Corre e se posiciona bem. E, espertamente, não faz questão de acelerar as cobranças de falta. Prefere que os ânimos esfriem.

O problema agora é: ter que assistir ao segundo tempo… Sofrível. Não se tem fair play, é a tática do anti-jogo. Sem violência, mas não tem bola rolando.

Começa o segundo tempo. Com 46m, falta de Barcos em Edenilson. Repetiremos o primeiro tempo faltoso?

48m- falta pró-Corinthians, que resulta no gol de Paulinho.

50m – Outra falta, Marcelo Rogério adverte o faltoso verbalmente. E nessa nova falta, nasce o segundo gol do Corinthians, de desvio palmeirense. Gol contra de Márcio Araújo.

Bom, já que o Palmeiras está inferiorizado no placar, é de se esperar que o Felipão comece a cornetar o árbitro.

54m – nova falta para o Corinthians. Perceberam que o Palmeiras é líder absoluto em faltas nesse 2º tempo?

55m – leitura labial: Marcos Assunção nitidamente encarou Chicão, chamou-o por nomes deselegantes e chamou pra briga na rua! Ô louco… O que será que ele fez?

57m – Palmeiras comete outra falta normal, de jogo. Mas pela enésima reincidência em falta, só tem 1 amarelo. Incrível, né? 

59m – Amadorismo do futebol brasileiro: gandula (que é do Corinthians) retarda propositalmente o jogo. Isso ainda existe…

Lembram de um gol olímpico do Roberto Carlos contra a Portuguesa? A favor, os gandulas são rapidíssimos na reposição.

61m: falta pró-Palmeiras 2 X no mesmo minuto. Na cobrança, João Vitor fez outra. Foram 3 faltas num mesmo minuto.

Só pra lembrar: cadê a bombinha do Felipão, prometida no último sábado? Ele disse que denunciaria algo contra a arbitragem.

Aos 63m, numa troca rápida de passes do SCCP, fica claro o ótimo posicionamento do Marcelo Rogério. Ele se esquiva muito bem! Parabéns.

65m – Henrique deu um pontapé (com gosto) em Jorge Henrique. Árbitro deu a vantagem e posteriormente o Amarelo. Acertou de novo.

66m: falta pró-Palmeiras na frente do Scolari. Adivinha se não pediu cartão?

69m: Palmeiras no ataque, Valdívia cai no lance, dentro da área. Segue o jogo.

71m: Marcos Assunção desceu o sarrafo em Danilo e levou amarelo. Acertou.

73m: Falta de Henrique em Paulinho. Jogadores pedem novo amarelo (claro, querem vermelho). Nada, acertou o árbitro.

77m: jogador do Palmeiras recua de peito a Deola, e a torcida pede recuo de bola. De peito, vale.

77m: outra falta no jogo. Apesar de tantas, Marcelo Rogério acertou todas. Deve ser o maior número de faltas corretas marcadas numa partida.

80m: Ricardo Bueno faz falta dura e recebe Amarelo. Acertou.

82m: nova falta do Palmeiras. Caramba!

87m: falta ao Palmeiras, bem marcada. Momentos decisivos.

89m: falta dura em Douglas, bem marcada. Partida sem polêmicas, não?

92 e 93m: adivinha o que vou escrever? Falta, lógico!

93m: última falta do jogo? Saiu um amarelinho, não consegui visualizar. Na sequencia, fim de jogo.

– Felipe Massa e Bruno Senna na Malásia

Sorte/Azar ou Competência/Incompetência?

Por mais que você torça, torça, torça… às vezes cansa!

É fato que Felipe Massa não consegue o mesmo desempenho depois do acidente nos treinos do GP da Hungria, anos atrás. Hoje, foi péssimo na largada (e o Galvão Bueno disse que foi ‘prudente’ devido a chuva…). Parece que nada dá certo a ele!

Bruno Senna também fez suas peripécias. Menos mal que chegou à zona de pontuação.

Tempos de Emerson, Ayrton ou Piquet parecem não voltar nunca mais…

É inevitável a brincadeira: depois da corrida, entra no ar a propaganda do Santander onde Massa diz que “levava rango aos pilotos no começo da carreira”. Muitos dirão que seu futuro, como piloto, será o de entregador novamente…

Claro que é um exagero, pois se ele não fosse bom, não estava lá. Mas o que dizer do seu companheiro Alonso, que mesmo sem carro ganhou a prova?

– Hoje é dia de Corinthians X Palmeiras. O que esperar?

No Derby de hoje a tarde, com os dois rivais bem pontuados, é de se esperar um grande jogo. Muitas emoções, e penso que a partida acabará com expulsões.

Motivo?

Jogadores que provocam muito (Valdívia e Jorge Henrique), técnico com grande desequilíbrio emocional (Felipão) e árbitro de boa qualidade em campo (Marcelo Rogério).

Para quem gosta de jogo disputado, vale a pena assistir. Destaque para o ótimo assistente FIFA Marcelo Van Gassen (que vem atuando muito bem), e para a assistente Tatiane Sacilotti (talvez o maior jogo da competente moça em sua carreira).

Boa sorte a todos!

– Quando “Pular” pode Valer uma Falta a favor?

Ontem, na partida realizada no Pacaembu entre Santos X Juan Aurich, pela Libertadores da América, Neymar declarou, em relação às faltas violentas do adversário:

Se não pulo, estaria no hospital.”

É nesse ponto que devemos ter atenção quanto às marcações das faltas: Quando é que o fato do atleta “Pular” invalida ou não uma infração?

A Regra 12 (Infrações e indisciplinas) diz que todo ato faltoso (dar um pontapé, agredir, cuspir) independe se atingiu ou não o atleta. O jogador que DAR ou TENTAR praticar a infração deve ser punido.

Se na disputa de bola, um zagueiro pratica um carrinho e, na iminência de atingir as pernas do seu adversário, este atacante pula para não se machucar, deve-se considerar falta (a mesma marcação de como se tivesse atingido), por essa condição da regra. A Regra do Jogo permite isso, pois, logicamente, se o atleta permanecesse esperando as travas de uma chuteira, fatalmente se lesionaria gravemente.

Portanto, pular para não ser atingido pode; e ainda ganha a falta ao seu favor.

O que não pode:

– Pular depois de perder uma disputa de bola, simulando a infração, tentando ludibriar a arbitragem/torcedores.

– Pular antes da disputa de bola se efetivar, abdicando da tentativa de domínio, deixando de jogar para tentar cavar uma falta.

A primeira situação, a da simulação, é um problema cultural brasileiro, onde os jogadores preferem enganar a arbitragem do que disputar lealmente o jogo, fato que não ocorre em torneios como a europeia Champions League

A segunda situação, a da abdicação do jogo, é outro problema tupiniquim, o de achar que “tudo é falta”, onde “encostou tem que parar o jogo”. Remete até mesmo a uma certa frouxidão, não obervada em torneios como a sulamericana Libertadores da América.

Portanto, pular para se preservar no momento de ser atingido, pode. Antes ou depois, não.

Claro, os jogadores agem aqui no Brasil dessa forma, e nas partidas internacionais, mudam de comportamento. É visível. Também os árbitros procedem da mesma forma, diferenciando o comportamento em partidas domésticas e internacionais. Um dia, Leandro Pedro Vuaden ousou mudar esse mesmo comportamento. Parece que não deu certo…

– 4 considerações sobre Marco Polo Del Nero na FIFA

1-Considerando que Ricardo Teixeira era membro do comitê da FIFA, e em especial, o executivo chefe de Massimo Busaca, o responsável pela arbitragem,

2-Considerando que Marco Polo sempre teve ótimo trânsito na Sulamericana,

3-Considerando que o filho de Nicolas Leóz, presidente da Conmebol, já veio até participar da pré-temporada dos árbitros de futebol da FPF,

4-Considerando que a Conmebol indicaria um sucessor de Ricardo Teixeira ao cargo já dito acima,

Qual a surpresa no nome do mandatário da FPF na indicação de hoje à FIFA?

Marco Polo, José Maria Marín… sangue novo no futebol!

– Heleno de Freitas? Só em Sampa!

Se elogiei a temporada de teatro em Jundiaí no post anterior, agora, vale a crítica ao circuito de filmes. Cadê “Heleno”? Aqui em Jundiaí, não está no cinema!

Para os amantes do futebol como eu, a história dramática do botafoguense Heleno de Freitas é imperdível! Bem definiu o biógrafo de Heleno, Marcos Eduardo Neves:

Ele era temperamental como Edmundo, bonito como Raí, mulherengo como Renato Gaúcho, artilheiro como Romário, boêmio como Ronaldinho Gaúcho, inteligente como Tostão, de boa família como Kaká, elegante como Falcão e problemático como Adriano.”

GALÃ, LOUCO E GÊNIO DO FUTEBOL (Época, ed 21/03/2012, pg62-63)

Quem foi Heleno de Freitas, craque dos anos 1940 que virou filme

por Humberto Maia Junior

Heleno de Freitas foi um dos maiores artilheiros do Botafogo: fez 209 gols em 235 jogos. Tinha tanta vontade de vencer que, além de brigar com adversários, xingava os próprios companheiros de equipe, cujos erros não tolerava. Colecionou expulsões dentro de campo. Fora, chamava a atenção pela elegância, pelo sucesso com as mulheres e por um tipo de comportamento que faz Ronaldinho Gaúcho – um conhecido farrista – parecer aluno de colégio de freira. Integrante do Clube dos Cafajestes, grupo de playboys cariocas da década de 1940, era presença constante nas festas no Copacabana Palace e nos cassinos da elite do Rio de Janeiro, onde bebia, fumava, cheirava éter e raramente saía sem estar de braços dados com uma cantora ou beldade da alta sociedade. “Foi a personalidade mais dramática que conheci nos estádios”, dizia o cronista esportivo Armando Nogueira, botafoguense como Heleno.

É essa personalidade exuberante, misto de galã e badboy, que o diretor José Henrique Fonseca apresenta aos brasileiros no filme Heleno, que estreia dia 30 de março nos cinemas e tem Rodrigo Santoro no papel principal. Ele está há cinco anos envolvido no projeto do filme, que consumiu R$ 8,5 milhões.“Heleno é um dos personagens mais marcantes do futebol”, diz Santoro. “Ele foi um mito, mas hoje poucos conhecem sua história.”

Na década de 1940, jogadores de futebol formavam uma subclasse de homens pouco instruí­dos, malvista pela elite. Heleno era exceção. Filho de um industrial rico de São João Nepomuceno, Minas Gerais, era advogado formado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). O escritor colombiano Gabriel García Márquez, que o viu jogando na Colômbia, se referia a Heleno em suas crônicas como “Dr. de Freitas”. Vaidoso, só andava de carro conversível e vestia ternos cortados por Di Cicco, o mesmo alfaiate de Getulio Vargas. Na concentração, enquanto os outros apostavam dinheiro no carteado, Heleno passava o tempo jogando xadrez ou discutindo política com os dirigentes dos clubes, a quem dava carona em seus carrões. “Os dirigentes se sentiam inferiorizados perto dele”, diz o jornalista Marcos Eduardo Neves, autor de Nunca houve um homem como Heleno (Zahar, 328 páginas, R$ 44), relançado na semana passada. Neves conta uma cena de 1943, quando o presidente do Botafogo, Augusto Schmidt, passou instruções para Heleno à beira do campo. O craque, que jamais aceitava críticas, jogou a camisa na direção do cartola e disse: “Venha aqui correr no meu lugar, seu filho da p…”. Schmidt abaixou a cabeça e Heleno saiu impune.

Heleno foi punido pelos seus excessos. Contraiu sífilis. Por causa da doença, que jamais foi tratada, o comportamento errático evoluiu para atos de loucura que levaram ao declínio dentro e fora dos campos. Uma vez, ele deu um tiro no pé ao tentar acender um cigarro à bala, como faziam os personagens dos filmes de John Wayne. Devastado pela doença, Heleno passou os últimos anos de vida num sanatório em Barbacena, Minas Gerais. Lá, morreu em novembro de 1959, aos 39 anos. Como diz Neves, seu biógrafo, Heleno é um dos personagens mais complexos da história do futebol. Não pode ser comparado a um, mas a vários jogadores. “Ele era temperamental como Edmundo, bonito como Raí, mulherengo como Renato Gaúcho, artilheiro como Romário, boêmio como Ronaldinho Gaúcho, inteligente como Tostão, de boa família como Kaká, elegante como Falcão e problemático como Adriano”, diz ele. “Heleno foi tudo isso.”