– O Ministro Carlos Minc e a Defesa da Maconha

Nada contra o figurino hippie do Ministro do Meio Ambiente Carlos Minc. Apesar de um figurino diferente, de parecer meio diferente da maior parte dos ministros, seu trabalho é considerado bom na frente do Ministério. Entretanto, neste mês ele participou de uma passeata em defesa da liberação da Maconha no Rio de Janeiro.

Ora, não usarei meias palavras: errou, e errou feio em participar de tal ato. Não concordo que um ministro do meu país defenda o nefasto argumento que liberar as drogas acabará com a violência do tráfico. Isso é desculpa esfarrapada, inconsequente e irresponsável.

Em qualquer debate sobre drogas, minha posição sempre será contrária. E acredito que os pais e amigos de pessoas vítimas do uso de drogas também. Manifestações como a do Ministro Minc são claramente apologias ao uso. E isso é crime no país.

Agora, Carlos Minc será convidado a depor sobre sua participação na passeata, mas pelo visto, não parece muito preocupado…

Extraído de: http://www.dci.com.br/noticia.asp?id_editoria=5&id_noticia=286234

BRASÍLIA – A Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado decidiu na quarta-feira (20) convocar o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, para prestar esclarecimentos sobre sua participação na Marcha da Maconha.

O autor do Requerimento 143/09, deputado Laerte Bessa (PMDB-DF), acredita que, “ao pregar a liberalização da maconha, o ministro faz apologia ao crime, delito previsto no Código Penal”.

O deputado ressalta que “não se quer, de forma alguma, cogitar proibição à liberdade de expressão, no entanto, imaginar que se possa permitir a um ministro de Estado induzir e instigar crime contra a saúde pública significa decretar a anarquia no País”.

Minc participou da Marcha da Maconha realizada no Rio de Janeiro no dia 9 deste mês. A marcha ocorreu em também em outras 250 cidades do mundo.

A data da audiência ainda será definida.

“Não é porque eu sou ministro que ia deixar de fazer o que eu acredito. Grande parte da violência que nós sofremos é por causa do tráfico. Usuário não pode ser tratado como criminoso”, disse Minc na passeata, segundo a imprensa.

– A Cocaína Abreviando a Carreira de Esportistas

Como o nefasto uso de drogas pode acabar com a vida de profissionais de sucesso! O centroavante Jardel, detentor da incrível marca de 1 gol por jogo nas suas temporadas na Europa, eleito Chuteira de Ouro e melhor estrangeiro de todos os tempos a jogar em Portugal, fala como a Cocaína acabou com sua carreira. Depois de perder tudo o que ganhou, de passar 8 dias acordado sobre efeitos da droga, de torrar sua grana com mulheres e cocaína, de perder a família, ele tenta voltar a campo, pela Segundona Carioca, defendendo o Olaria!

Extraído de: http://www.terra.com.br/istoe/edicoes/2061/artigo133567-2.htm

“A cocaína destruiu o meu lar”
Um dos maiores artilheiros da história do futebol europeu, o brasileiro Jardel conta como superou o vício em álcool e drogas.

Por Rodrigo Cardoso

Neste ano, o jornal A Bola, tradicional diário esportivo de Portugal, quis saber da imprensa especializada e dos leitores quem foi o melhor estrangeiro de todos os tempos a pisar nos campos lusos. O vencedor foi o centroavante Mário Jardel Almeida Ribeiro, o brasileiro Jardel, conhecido lá como Super Mário. Não pela estatura (1,88 metro), mas por ter anotado 186 gols em 186 jogos naquele país. Jardel despontou para o futebol no Vasco da Gama, conquistou títulos no Grêmio e fez fama em Portugal, no Porto e no Sporting, principalmente. Lá, ganhou cinco troféus Bola de Prata de maior artilheiro do campeonato português e duas Chuteiras de Ouro (maior artilheiro da Europa). Era um fenômeno dentro da área, especialista em gols de cabeça. A Copa do Mundo parecia ser um caminho natural, mas ele foi preterido por Felipão, em 2002, quando o Brasil conquistou o penta. Ele, que na época já não conseguia vencer a dependência de álcool e cocaína, afundou de vez.

Terminou o casamento, se afastou dos filhos e passava noites em claro cercado de mulheres, bebida e drogas. Hoje, aos 35 anos, deitado em uma rede na sua casa em Fortaleza, Jardel contou à ISTOÉ por que se considera recuperado do vício há cerca de um ano e meio. Como Ronaldo, que acaba de conquistar um título no retorno ao futebol brasileiro, procura um clube que lhe dê a chance de se superar dentro de campo – como fez na vida pessoal.

ISTOÉ – A história de superação do Ronaldo tem semelhança com a sua perseverança para continuar jogando depois de se livrar da dependência de cocaína?
Jardel – Sim, no sentido que, se a gente tiver fé e for atrás, vence qualquer adversário. Estou feliz por Ronaldo ter voltado a jogar e, principalmente, estar se sentindo bem nessa nova fase. É exatamente o que está acontecendo comigo. Os altos e baixos são comuns, principalmente na carreira de um jogador. Comigo, a tristeza e a depressão fizeram com que eu me deixasse levar por gente com energia negativa. E acabei fazendo coisas que não deveria. Mas o mais importante é perceber o que você fez de errado e demonstrar que pode dar a volta por cima. Por isso, o Ronaldo está de parabéns e estou feliz por ele.

ISTOÉ – O que você procurava no álcool e na cocaína?
Jardel – Eu me tornava um cara confiante. Fico pensando por quê. Mas não sei, não sabia… Por que eu fiz isso? Por que buscava isso? Eu sentia um vazio. E algumas amizades o levam para o mau caminho. Também, depois de dez, 12 anos jogando futebol no auge, como titular, não aceitava ficar no banco. Aí, ficava chateado e usava drogas e bebia. E depois que passava o efeito delas, batia aquela angústia, solidão, tristeza, tudo junto. E consumia mais para sair desse estado. E continuava e continuava. Era uma bola de neve.

ISTOÉ – Quando você experimentou cocaína pela primeira vez?
Jardel – Foi em 1999. Eu jogava no Futebol Clube do Porto, de Portugal, mas experimentei por curiosidade em uma festa no Brasil. A cocaína destruiu o meu lar, a minha família. A rotina em casa passou a ser de brigas.

Ficava alterado, não cumpria as obrigações como pai. Meus filhos (Jardel Filho, 12 anos, e Victoria, 10, do casamento com a ex-mulher Karen Ribeiro Matzenbacher) sentiam falta do pai. Eu errei com eles. Meus filhos ficaram sabendo no colégio que as pessoas falavam que o pai deles era drogado. Às vezes, eu acordava bom e pensava: “O que estou fazendo na minha vida?” Eu tinha consciência de que eu saía dos trilhos, saía com outras mulheres. Hoje, não tenho muito contato com a Karen.

ISTOÉ – E seus filhos com a Karen, você mantém contato?
Jardel – Eles moram em Portugal com ela. Logo, logo vou para lá, vou vê-los. Não os vejo há oito meses e estou com saudades. Falamos por telefone, dizem que sentem saudade, eu pergunto como andam no colégio. Enfim, conversa de pai babão. Acabei de ser pai novamente (com a atual mulher, Tatiana Bezerra, 23 anos). A Tainá tem dois meses. A gente tem babá, mas, às vezes, ajudo também.

ISTOÉ – Você já consumiu drogas antes de alguma partida?
Jardel – Nunca usei cocaína em competição. Nunca! Nunca joguei dopado por ter cheirado. Nunca! Sempre consumia nas férias, para curtir, em Fortaleza.

ISTOÉ – Você fez terapia?
Jardel – Passei por um psiquiatra. Durante um mês eu conversei com o médico. Tirava algumas dúvidas sobre o porquê de acontecer isso comigo, mas quem ajuda mesmo é a própria pessoa. Não tem esse negócio de ajuda de clínica ou de médico. É a pessoa que tem de bater o pé e pronto.

ISTOÉ – O Adriano, ex-jogador da Inter, de Milão, recusou um tratamento psicológico. Ele largou o futebol na Itália para ficar mais perto da favela onde nasceu, no Rio de Janeiro. Como vê essa decisão dele?
Jardel – Só o Adriano deve saber o que estava sentindo quando tomou a decisão. Foi carência de alguma coisa. Vejo como uma fuga.

ISTOÉ – A atitude mais correta é parar e colocar a cabeça em ordem?
Jardel – Treinar e ir para o jogo é também uma terapia. Procurar um terapeuta ou não, depende de como a pessoa acha que pode resolver o seu problema fora do campo. Estou torcendo para que o Adriano dê a volta por cima, faça como o Ronaldo.

ISTOÉ – Alguém da sua família teve histórico de consumo de álcool ou alguma outra droga?
Jardel – A bebida era um mal de família. Meu pai e minha mãe bebiam.

ISTOÉ – Seu corpo dava sinais de que você deveria parar de vez?
Jardel – Claro! Quando acordava mal, com depressão, era meu organismo que estava destruído. Eu pedi muito a Deus para ele me dar forças, luz, para eu conseguir reagir. Pegava a Bíblia, ajoelhava, orava e chorava. Não virei evangélico. Vou à igreja uma vez ou outra. Tenho minha fé pessoal.

ISTOÉ – Como adquiria a cocaína?
Jardel – Tinha gente que levava até mim. O cara tinha o meu telefone, eu tinha um ou dois dele. Em Portugal, eu consumia em casa noturna.

ISTOÉ – Gastou muito com farra?
Jardel – Sim. Com festas, noite, mulheres. Cheguei a gastar R$ 2 mil por noite. Com drogas, não, porque ou usava pouco ou me davam.

ISTOÉ – Qual foi sua maior extravagância?
Jardel – Certa vez, fiquei oito dias acordado depois de uma farra com mulheres, bebidas, cocaína, em Fortaleza. Já estava separado e, nessa época, todo dia era uma mulher diferente.

ISTOÉ – Há quanto tempo você se considera um ex-viciado em cocaína?
Jardel – Há mais ou menos um ano e meio decidi que não queria mais. Foi força de vontade. Fui me afastando dos diabinhos na minha vida.

ISTOÉ – O Casagrande internou-se para tratar do vício em drogas e está voltando a ser comentarista esportivo.
Jardel – Não dá para pensar que se livra facilmente da cocaína. É uma luta diária, que não acaba nunca. Eu conheço o Casagrande. Ele é uma boa pessoa.

ISTOÉ – A tentação ainda o cerca?
Jardel – Sim. O diabo manda seus mensageiros para me atiçar. Você tem de ser forte. Ainda tem gente que aparece e diz: “Quer um pozinho? Dar uma cheiradinha?” Já solto logo um palavrão, o bicho pega para quem se atreve. E só bebo socialmente.

ISTOÉ – Em 2002, você tinha muita chance de ser convocado para a Copa do Mundo. Não ter sido o deixou mais deprimido?
Jardel – Eu fiquei péssimo, péssimo por não ter sido convocado pelo Felipão para a Copa de 2002. Mesmo assim, torci por ele e pelo Brasil.

ISTOÉ – Mas esse fato contribuiu para o seu vício? Jardel – Sim, com certeza contribuiu. Porque fiquei mais deprimido, triste.

ISTOÉ – Como nasceu essa depressão?
Jardel – Foi um pacote de coisas ruins. O meu processo de separação, a minha não convocação para a Copa e o fato de eu jogar pouco no Bolton (time inglês que ele defendeu em 2003).

ISTOÉ – Há vaga para o Ronaldo na Seleção?
Jardel – Tenho quase certeza de que o Ronaldo vai para a Copa no ano que vem. Eu era reserva dele. Por isso não jogava: ele era o fenômeno.

ISTOÉ – Quem é melhor: você ou ele?
Jardel – Eu sou tipo bananeira, paradinho dentro da área. Dentro dela eu sou melhor do que o Ronaldo. Não tenho dúvida nenhuma, não!

ISTOÉ – Se, hoje, você estivesse jogando como na época da Copa de 2002, você teria vaga na Seleção do Dunga?
Jardel – Sem dúvida nenhuma, sim!

ISTOÉ – Por que o Felipão não o convocou?
Jardel – Não sei. Nunca perguntei a ele. Acho que seria antiético da minha parte. Mas falta de gol não foi.

ISTOÉ – Você guarda mágoa dele?
Jardel – Não. As pessoas fazem opções na vida. Apesar de eu ficar de fora sendo o artilheiro da Europa, torci por ele. E o Felipão mereceu.

ISTOÉ – Você vai jogar no Olaria, da segunda divisão do Rio de Janeiro?
Jardel – Um dirigente me procurou. Um grupo de empresários comprou o clube e ficamos de conversar.

ISTOÉ – O mal dos atacante brasileiros, hoje, parece ser o peso. Você tem feito algum tipo de preparação física?
Jardel – O Jardel aqui está comendo buchada, essas coisas bem leves, sabe? Estou em forma… de bola! Estou brincando: tô no peso. Tenho treinado, estou jogando bola no meu campo quase todos os dias. Perdi sete quilos, estou com 88 quilos. Não estou 100% fisicamente, mas…

ISTOÉ – Não precisa correr muito para fazer gol. Veja o Romário.
Jardel – Preciso correr não, cara! Resolvo dentro da área! Dentro dela, sou um matador, um leão. Fora da área, sou um gatinho.

ISTOÉ – Está perto da aposentadoria?
Jardel – Penso em jogar mais dois ou três anos e depois talvez fazer um curso para treinador ou empresário. Não tenho histórico de lesões. Preciso que o treinador confie em mim e me coloque para jogar.

– A Inteligência e as Drogas

Interessante, e ao mesmo tempo preocupante, a reportagem da Revista Época, ed 573 de 11 de maio de 2009, sobre as drogas que as pessoas tomam para se tornarem mais inteligentes.

Nela, há uma sequência de ações e efeitos colaterais daqueles que se tornam dependentes químicos, buscando reações psíquicas a respeito da tentativa de “turbinar o cérebro”. Há uma narrativa das drogas utilizadas para o aumento da inteligência, e personalidades que fazem uso de tais artifícios, que vão desde a Cocaína (erroneamente utilizada) a drogas sintéticas (no final da matéria).

Extraído de: Revista Época, ed 513

Existe Remédio para ficar mais inteligente?

Maurício não é um workaholic. Engenheiro de 40 anos, gerente de uma seguradora, ele acredita que a esta altura da vida tem direito a aproveitar suas horas livres nas baladas, viagens, leituras, esportes e namoros. É por isso que ele toma Ritalina, um remédio indicado para portadores de síndrome de deficit de atenção (TDAH). Maurício não sofre de deficit de atenção. Mas diz que, quando toma a droga, sua capacidade de concentração aumenta e ele trabalha seis horas sem intervalos. “Sou chefe de 40 funcionários e preciso funcionar a qualquer custo.”

Maurício (o nome é fictício, para proteger sua identidade) diz tomar Ritalina apenas uma vez por semana, quando seus prazos para a entrega de relatórios apertam. Ele afirma que a droga o ajuda a encarar planilhas recheadas de números, elaborar relatórios com rapidez e falar com desinibição em reuniões. “Como me recuso a trabalhar mais de nove horas por dia, preciso render mais nesse tempo.” Ritalina é um remédio de tarja negra. Deveria ser consumido apenas por pessoas que precisam dele e têm uma receita médica para provar isso. Mas conseguir a receita não é muito difícil. Maurício obteve a sua de um amigo psiquiatra. Outros usuários pesquisam os sintomas conhecidos do deficit de atenção, marcam consulta com um psiquiatra e dizem sentir aquilo. Alguns compram cartelas de amigos. Ou pela internet.

A Ritalina – que atua como um estimulante do sistema nervoso central (entenda seu funcionamento no quadro) – está longe de ser a única droga usada para incrementar a eficiência do cérebro. Há milênios o ser humano testa receitas de vários tipos. Entre aquelas em voga hoje está o Gingko biloba (uma erva de origem chinesa que supostamente melhora a circulação de sangue no cérebro e a transmissão de impulsos entre os neurônios), a cafeína (um estimulante que melhora a concentração), a nicotina e diversas anfetaminas. Também vem ganhando adeptos no mundo um estimulante genericamente conhecido como modafinil, desenvolvido para tratar narcolepsia (uma sensação de sonolência exagerada). O modafinil, assim como o café, restaura o desempenho cognitivo em pessoas com sinais de fadiga.

No Brasil, o remédio que tem por base o modafinil se chama Stavigile. “Como a droga é nova aqui, muitos médicos ainda não a conhecem e por isso não a receitam”, diz a neurologista Rosa Hasan, coordenadora do Departamento de Sono da Academia Brasileira de Neurologia. “A Anvisa autorizou seu uso para tratamento de narcolepsia, mas em muitos países ela é usada por pessoas que têm trabalhos noturnos.” Ou executivos que precisam evitar os efeitos do fuso horário em viagens de negócios.

Outra droga capaz de incrementar o funcionamento do cérebro é o donepezil, vendido sob a marca Aricept. Ele é um dos remédios aprovados pela FDA (Food and Drug Administration, o órgão regulador de medicamentos nos Estados Unidos) para reduzir a perda de memória característica do mal de Alzheimer. Um estudo publicado em 2002 na revista Neurology concluiu que pilotos que tomaram donepezil melhoraram seu desempenho. Eles fizeram manobras complicadas com mais precisão e reagiram a situações de emergência melhor que os demais pilotos da experiência, a quem foi dada uma dose de placebo (comprimidos sem droga nenhuma).

Há mais de 600 drogas para distúrbios neurológicos em
desenvolvimento. Várias estarão prontas em alguns anos

E esses são apenas os remédios disponíveis hoje. Segundo uma recente pesquisa da Universidade de Cambridge, no Reino Unido, cientistas de diversos laboratórios estão trabalhando em mais de 600 drogas para distúrbios neurológicos. A maioria delas deverá ser reprovada pelos órgãos reguladores de saúde, mas é provável que muitas estejam em farmácias do mundo inteiro nos próximos anos. Cada uma dessas drogas mexe com algum dos processos químicos que regulam a atenção, a percepção, o aprendizado, a memória recente, a memória de fundo, a capacidade de tomar decisões, a linguagem. Espera-se que, com elas, pacientes com deficiências como Alzheimer, demência ou deficit de atenção consigam levar uma vida mais próxima do normal. Mas remédios desse tipo costumam atrair um mercado bem além do seu público-alvo original.

“O uso das drogas psicoativas por indivíduos saudáveis vai se tornar um evento crescente em nossa vida”, disse o pesquisador Gabriel Horn, que liderou a pesquisa de Cambridge. Foi o que aconteceu, por exemplo, com o Viagra e seus congêneres. Originalmente destinados a homens com problemas de ereção, tornaram-se rapidamente campeões de venda porque milhões de pessoas sem sintomas decidiram experimentá-los, seja para garantir o desempenho depois de uma balada, seja para incrementar a rotina com uma parceira.

O mesmo parece estar ocorrendo com a Ritalina. Suas vendas no Brasil triplicaram em cinco anos, atingindo mais de 1 milhão de caixas em 2006. Existem pelo menos 12 comunidades dedicadas à Ritalina no site de relacionamentos Orkut, com quase 5 mil participantes. Muitos estão nessas comunidades para discutir os problemas reais de deficit de atenção que os acompanham desde a infância. Mas sobram comentários sobre os efeitos da Ritalina no organismo de uma pessoa sem deficiência. “Mesmo depois de ter acabado com duas cartelas, fiquei com vontade de tomar mais”, diz um adolescente na comunidade Amigos da Ritalina, cuja foto de identificação é um garoto sorrindo dentro de uma caixa de cereal.

Em outras comunidades, encontram-se anúncios de venda do remédio. “Vendemos pela internet há mais de três anos”, diz um deles. A demanda parece corresponder. “Preciso comprar esse medicamento, mas não tenho receita médica…”, diz uma adolescente. Por R$ 25, compra-se uma caixa do remédio, despachado pelo correio.

Segundo o neurologista Anjan Chaterjee, da Universidade da Pensilvânia, nos Estados Unidos, estamos diante de um novo fenômeno social, que em 2004 ele apelidou de “neurocosmética”. Ele acredita que daqui a alguns anos o uso de drogas para melhorar o raciocínio será tão aceitável quanto a cirurgia plástica. Não há dúvida de que existe demanda para isso. Dos idosos ávidos por combater os sinais de envelhecimento; dos trabalhadores submetidos a uma pressão crescente pela produtividade; até dos pais e mães que fazem questão de dar o máximo de oportunidades a seus filhos. Se é verdade que vivemos hoje na era do conhecimento, como dizem tantos gurus e sociólogos, é natural que as pessoas cobicem a ferramenta dessa era: cérebros melhores.

Em alguns ambientes, essa competição já está em curso. Um estudo da Universidade de Michigan, citado em reportagem recente da revista New Yorker, concluiu que 4,1% dos universitários de 119 faculdades americanas usaram estimulantes sem receita médica em 2004. A revista científica Nature fez no início do ano passado uma pesquisa informal com seus leitores (a maioria cientistas). Das 1.400 pessoas que responderam, 20% disseram que já haviam tomado Ritalina, modafinil ou algum betabloqueador (droga que reduz a ansiedade) com o intuito de estimular a memória ou melhorar a concentração. A pressão por resultados explica essa tendência. Nem sempre o intuito é melhorar o desempenho. Muitas vezes, trata-se de manter o desempenho normal e conseguir uma energia extra para usar na vida social. É o caso de Maurício, citado no início da reportagem. Ou de Fábio (também nome fictício), um estudante de engenharia de Campina Grande, na Paraíba. Ele diz tomar cinco comprimidos de Ritalina por dia. “Acho que as 24 horas do dia são muito pouco para quem precisa estudar o que estudamos.” Ele diz usar o remédio para se concentrar nos trabalhos da faculdade durante a semana. O rendimento extra proporcionado pela Ritalina serve para deixá-lo livre no fim de semana.

O uso de drogas para melhorar o desempenho suscita questões éticas, além das médicas. A prática não seria equivalente ao doping dos atletas, tão condenado? Mais: na pesquisa informal da Nature, a maioria dos 1.400 respondentes se disse contra a oferta de remédios para as crianças que não tivessem deficiências, mas cerca de um terço afirmou que ficaria tentado a dar drogas a seus filhos se descobrisse que os pais das demais crianças estivessem dando. Numa sociedade já tão competitiva, não estaríamos todos pressionados demais a nos drogar? Como diz Elaine (de novo, um nome fictício), gerente na mesma seguradora de Maurício, que também faz uso da Ritalina: “Eu recomendaria o remédio para alguns dos meus funcionários mais lentos, para que eles acompanhassem meu ritmo”.

No entanto, há um bom grupo de defensores dos neurocosméticos. Em dezembro, acadêmicos renomados como os neurologistas Michael Gazzaniga, da Universidade da Califórnia, e Martha J. Farah, da Universidade da Pensilvânia, publicaram um artigo na Nature em defesa do “uso responsável” de medicamentos para aumentar a concentração, assim como estímulos para que os alunos durmam melhor e pratiquem exercícios físicos. “As sociedades têm usado drogas para potencializar o cérebro durante toda a história”, diz o neurocientista inglês Steven Rose, autor do livro O cérebro no século XXI – como entender, manipular e desenvolver a mente? (Editora Globo). “Se há pessoas que cursam escolas de elite ou usam o privilégio de uma classe social mais elevada para alcançar o sucesso, por que os estimulantes para o cérebro deveriam ser proibidos?” Em recente reportagem sobre drogas para o cérebro, a revista The Economist defendeu seu uso: “Se os cientistas conseguirem desvendar os segredos do Universo com auxílio da química, tanto melhor. Se a química ajudar a aumentar o espectro da vida humana, os benefícios poderiam ser enormes”.

A principal questão, aí, seriam os efeitos colaterais. O café – um relativamente poderoso estimulante – tem vários efeitos colaterais e é aceito há séculos pela sociedade. Como disse Larry Squire, um pesquisador da área de memória da Universidade da Califórnia, à revista Scientific American: “Pode-se dizer que toda a história desse campo de pesquisa tem se concentrado no controle dos efeitos colaterais de drogas que já conhecemos”.

Há outra questão que o uso de remédios levanta, e ela é ainda mais difícil de responder. Afinal, o que é inteligência? Vários usuários de Ritalina afirmam que seus efeitos estão no campo da concentração, na velocidade e disposição com que se entregam ao trabalho. Dizem que, uma vez ordenadas as ideias, a droga ajuda a pô-las em prática. Mas afirmam que, se as ideias não estão lá, o remédio apenas cria uma disposição infrutífera. “Você não cria nada, só executa melhor”, diz Maurício. Há até o risco de executar demais: tornar-se prolixo, falar mais alto que o desejável, ficar aflito. Disso eu posso falar com conhecimento de causa. Para escrever esta reportagem, tomei dois comprimidos de Ritalina. À primeira vista, o efeito foi positivo. Eu me senti confiante para executar a tarefa, as palavras saíam fáceis, o bloco de anotações quase podia ser deixado de lado – eu lembrava de tudo. O chato foi reler o que escrevi. Na primeira revisão, desfez-se a minha ilusão de brilhantismo. Percebi que a memória não tinha melhorado tanto quanto a impressão de que ela tinha melhorado. Não sei dizer se minha confiança vinha do aumento da capacidade ou da diminuição da autocrítica. Percebi que meus reflexos melhoraram muito – mas meus dotes analíticos, não. Tive de refazer todo o texto.

Segundo a neurologista Martha J. Farah, esse resultado decepcionante se explica porque os efeitos dos estimulantes cerebrais em algumas formas vitais de inteligência, como pensamento abstrato e criatividade, foram muito pouco estudados até agora. “A literatura disponível trata de tipos de raciocínio enfadonhos: quanto tempo você consegue ficar em vigília enquanto olha para uma tela à espera de uma luz piscar”, disse ela à New Yorker.

Mesmo assim, os avanços da ciência rumo à melhoria do funcionamento do cérebro são incontestáveis. Uma das maiores promessas para o desenvolvimento de novas drogas são os ampakines, compostos que atuam sobre o neurotransmissor glutamato, essencial nos circuitos ligados à memória. Curiosamente, drogas à base de ampakines servem tanto para melhorar a memorização quanto para apagar fatos do cérebro (isso acontece porque o processo de desaprender algo é similar ao de aprender, segundo os neurologistas). O esquecimento pode ser muito útil não para apagar um caso de amor não correspondido, como no filme Brilho eterno de uma mente sem lembranças, com Jim Carrey, mas para tratar distúrbios pós-traumáticos ou mesmo reprogramar o cérebro para se livrar de um vício.

O segredo para o desenvolvimento de drogas assim não é tanto o estudo de substâncias químicas, e sim os avanços no entendimento de como funciona o cérebro humano. Esse é o tema da próxima reportagem.

As drogas dos gênios

 FRANCIS BACON (1561-1626)
Além de fumar
cachimbo , o filósofo, político e escritor costumava usar o tempero de açafrão para estimular o cérebro. Ele acreditava que o consumo da especiaria ajudava a deixar os ingleses “animados”

           

HONORÉ DE BALZAC (1799-1850)
O
café era usado pelo escritor francês para dedicar até 16 horas seguidas ao trabalho. Especula-se que o consumo excessivo tenha agravado os problemas cardíacos que o mataram

           

JEAN-PAUL SARTRE (1905-1980)
O filósofo francês fumava dois maços de cigarro por dia, quando não os trocava por charutos ou pelo cachimbo. Alguns trechos de seu livro
O ser e o nada são dedicados ao tabaco

           

SIGMUND FREUD (1856-1939)
Aos 28 anos, o criador da psicanálise publicou um artigo sobre os benefícios da
cocaína – droga que ele chegou a consumir e receitar para pacientes. A substância ainda não era ilegal, nem se sabia quanto viciava

           

CHARLES BAUDELAIRE (1821-1867)
O poeta autor de
Flores do mal e Paraísos artificiais usava ópio , éter e haxixe para aliviar as dores da sífilis, doença que contraiu ainda jovem. As drogas têm um papel de destaque em sua obra

           

ALDOUS HUXLEY (1894-1963)
O escritor inglês, autor de
Admirável mundo novo, indicou as substâncias alucinógenas para expandir os limites da mente no livro As portas da percepção. Inspirou Jim Morrison, do grupo The Doors                                                                                     

– O Drama do Casão

Há exatamente um ano, Casagrande contava o seu drama em relação à dependência de drogas.

Como não se pode esquecer dos malefícios das drogas, relembro o depoimento comovente do craque:

Abaixo, o drama do ex-jogador e atual comentarista da Globo, Casagrande. Há uns 4 anos, tive a oportunidade de conhecê-lo pessoalmente na USP, e, com todas as letras, havia afirmado que “tudo poderia ter dado errado na vida dele, se não fosse o futebol para tirá-lo das drogas”. Pacrece que acabou o futebol, acabou sua força… Boa sorte na recuperação, Casão.

Casagrande está internado para se livrar das drogas, informa revista

A edição de abril da revista Placar revela que o ex-jogador e comentarista da Rede Globo foi internado em uma clínica para dependentes de drogas na Grande São Paulo, pouco depois ter sofrido um acidente automobilísticoSÃO PAULO – Onde está Casagrande, o ex-jogador de Corinthians, São Paulo e Flamengo, mais recentemente comentarista de futebol da Rede Globo de televisão? A resposta: internado em uma clínica para dependentes de drogas, na Grande São Paulo, segundo informa a próxima edição da revista Placar, que começa a chegar às bancas do País nesta sexta-feira.páginas da revista.
Entre as fontes ouvidas pela Placar está o clínico geral e infectologista Artur Timerman, médico pessoal de Casagrande há mais de dez anos, que falou sobre a previsão de alta do comentarista. “Eu não consigo fazer previsões, mas deve demorar, infelizmente”, afirmou. A Globo não se manifesta sobre um de seus principais comentaristas, limitando-se a dizer que Casagrande está em “licença médica”.
Além do recente drama de Casagrande, a revista também apurou detalhes sobre o histórico dos problemas profissionais e pessoais que as drogas e bebidas causaram ao ex-jogador. Entre eles, uma internação em 2006 e o fim do casamento de 21 anos com a ex-mulher Mônica, mãe de seus três filhos.
Walter Casagrande Jr., que tem contrato de comentarista com a Rede Globo até 2010, jogou por Corinthians, Caldense, São Paulo, Porto (POR), Ascoli (ITA), Torino (ITA), Flamengo, Corinthians, Paulista e São Francisco.

 

No dia 22 de setembro do ano passado, Walter Casagrande Jr., 44 anos e três filhos, capotou sua Cherokee em uma rua do bairro da Lapa, em São Paulo, e foi internado na UTI do Hospital Albert Einsten. Depois disso, desapareceu da mídia. A reportagem da Placar, assinada pelo jornalista Tarso Araújo, ouviu 16 pessoas ligadas ao ex-atleta para descobrir o paradeiro de Casagrande, que hoje depende de liberação dos médicos para deixar a clínica em que está internado — não pode fazê-lo por vontade própria.

As fontes ouvidas pela Placar confirmaram que o jogador consumia cocaína e até heroína. E que sua dependência havia piorado nos últimos tempos. “Internado há pouco mais de seis meses, o comentarista ainda não recebe os poucos amigos. Nessa etapa, só a família pode ir até a clínica, mas o contato, no início, é por meio de um vidro”, informa a reportagem de sete

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A reportagem completa da Placar estará disponível apenas na revista. Para ler outros trechos da matéria e a íntegra da entrevista com o médico pessoal do jogador, ver galerias de fotos de Casagrande dentro e fora de campo e conhecer a opinião dos editores da revista sobre o caso, acesse o site da Placar

  

Extraído de  “último segundo – esportes”

Extraído de  “último segundo – esportes”