– Comparações de Professor Universitário Brasileiro com Canadense

Compartilho interessante matéria da Folha de São Paulo deste domingo (Cotidiano, pg C5, por Sabrine Righetti), sobre os salários e a carreira de professor universitário no Brasil e no Canadá.

Além da maior estabilidade para o docente, ele ganha o dobro!

SALÁRIO DE DOCENTE NO CANADÁ PAGA 2 NO BRASIL

Professor universitário brasileiro vive ‘sem conforto’, segundo estudo internacional que fez pesquisa em 28 países. Levantamento compara salários de instituições dos cinco continentes; no Brasil, instituições públicas pagam melhor.

Ser professor universitário no Brasil pode não ser mais tão vantajoso. Um estudo inédito que compara o salário de docentes de 28 países mostra que as universidades por aqui têm bons benefícios, mas deixam a desejar nos holerites.

Em média, um professor universitário no Brasil ganha U$S 4.550 mensais (cerca de R$ 8.500) quando atinge o topo da sua carreira.

Isso corresponde a cerca de metade do que receberia em instituições do Reino Unido ou do Canadá

Considerando o custo de vida local, um docente brasileiro não consegue viver “com conforto”, afirma o trabalho.

A compilação está no livro “Paying the Professoriate” (Pagando os Professores, Ed. Routledge), lançado neste mês. O trabalho foi coordenado pelo Centro Internacional de Ensino Superior da Boston College (EUA) e pela Universidade Nacional de Pesquisa de Moscou (Rússia).

No Brasil, os maiores salários estão nas universidades públicas, que concentram 91,6 mil dos 132,4 mil professores com dedicação integral.

Apesar de receberem mais, os docentes dessas instituições têm o pagamento padronizado conforme cargo e formação. Ou seja: professores titulares de universidades estaduais paulistas, por exemplo, terão o mesmo holerite.

“Os salários fixos são um problema quando se quer trazer pessoas excepcionais para o ensino superior nacional”, analisa o sociólogo e cientista político Simon Schwartzman, autor do capítulo brasileiro do estudo.

Universidades públicas de países como China e EUA, por exemplo, podem fazer propostas e contratar docentes conforme desejarem -inclusive estrangeiros.

Isso cria um ambiente de competitividade que, dizem especialistas, pode ser benéfico para as universidades.

Os salários analisados no trabalho, porém, não consideram alguns benefícios. Docentes com cargos administrativos, como chefia de departamento, recebem extras.

BOLSA E APOSENTADORIA

Se a produtividade científica for alta, o complemento vem do CNPq (Conselho Nacional de Pesquisa e Desenvolvimento), que paga uma bolsa mensal de R$ 1.300,00.

“Em geral, as condições de trabalho na universidade brasileira são boas e atrativas”, analisa Schwartzman.

Além disso, vantagens como a estabilidade de emprego e a aposentadoria integral também atraem os docentes às instituições públicas.

A pesquisa destaca ainda que o “engessamento” de salários evita desníveis entre regiões do país, áreas do conhecimento ou gênero.

É o que ocorre, por exemplo, no Canadá. Lá, uma professora ganha 20% menos do que um colega homem.

NO PAÍS, ENSINO SUPERIOR PRIVADO FICA PARA TRÁS

Apesar de os maiores salários estarem nas universidades públicas, a maioria dos alunos do país (75%) está nas instituições privadas.

Nessas, a prevalência é de docentes com dedicação parcial (81%). Ou seja: eles têm mais de um emprego.

A capacitação também é melhor nas públicas -48% dos professores têm doutorado. Nas privadas, são 8%.

Para o sociólogo Simon Schwartzman, autor da parte brasileira do estudo, nas privadas a ordem é o ensino ser barato. “Significa pagar pouco a docentes e investir pouco na infraestrutura.”

– Psicologia sem Psicólogo: a Inovação Palmeirense

Leio no “Marca”, em matéria de Daniel Carmona (18/04, pg12), que o Palmeiras vai de “psicologia do bate-papo” para se superar, onde o psicólogo improvisado será o treinador Scolari. Mas olha que interessante: o clube não tem psicólogo, e a justificativa do gerente César Sampaio foi a seguinte:

Quando você traz alguém que o grupo não quer, o ambiente pode até piorar. O jogador de futebol tem um jeito diferente de ver as cosias. Vai pensar: ‘quem é esse cara que não entra em campo para dizer o que eu vou fazer’? Não é uma rejeição, mas ele tem uma avaliação negativa num primeiro momento de alguém que vem de fora”.

E o que o Palmeiras está fazendo para tentar um “segundo momento”, o do aceite? Parece que nada… É o Profissionalismo do Improviso!

– Bom Fotógrafo em Momento Emblemático

Os ônibus espaciais foram aposentados. Mas parece que os americanos irão ao espaço através de inventos da iniciativa privada. E ontem, uma foto impressionou pela boa qualidade: a foto do Discovery sendo transportado pelo Boeing da Nasa, onde ele está exatamente sobre o marco de Washington!

 

Simbolismo total!

– A Pior Fase do Ensino Brasileiro

Amigos, compartilho ótimo material a respeito do pior dos níveis de ensino no Brasil: o Ensino Médio.

De 9,4 milhões de jovens entre 14 e 17 anos, 1 milhão está fora da escola.

Dos que estudam, 49,8% não concluem o Ensino Médio.

Daquele que concluem, apenas 10% tem desempenho verdadeiramente aceitável.

Estarrecedor!

Extraído de: http://is.gd/g37aX8

ENSINO MÉDIO: A PIOR FASE DA EDUCAÇÃO DO BRASIL

Por Cinthia Rodrigues

Há duas avaliações possíveis em relação à educação brasileira em geral. Pode-se ressaltar os problemas apontados nos testes nacionais e a má colocação do País nos principais rankings internacionais ou olhar pelo lado positivo, de que o acesso à escola está perto da universalização e a comparação de índices de qualidade dos últimos anos aponta uma trajetória de melhora. Já sobre o ensino médio, não há opção: os dados de abandono são alarmantes e não há avanço na qualidade na última década. Para entender por que a maioria dos jovens brasileiros entra nesta etapa escolar, mas apenas metade permanece até o fim e uma pequena minoria realmente aprende o que deveria, o iG Educação apresenta esta semana  uma serie de reportagens sobre o fracasso do ensino médio.

O problema é antigo, mas torna-se mais grave e urgente. As tecnologias reduziram os postos de trabalho mecânicos e aumentaram a exigência mínima intelectual para os empregos. A chance de um jovem sem ensino médio ser excluído na sociedade atual é muito maior do que há uma década, por exemplo. “Meus pais só fizeram até a 5ª série, mas eram profissionais bem colocados no mercado. Hoje teriam pouquíssimas e péssimas chances”, resume Wanda Engel, superintendente do Instituto Unibanco, voltado para pesquisas educacionais.

Ao mesmo tempo, a abundância de jovens no País está com tempo contado, segundo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE). O Brasil entrou em um momento único na história de cada País em que há mais adultos do que crianças e idosos. Os especialistas chamam o fenômeno de bônus demográfico, pelo benefício que traz para a economia. Para os educadores, isso significa que daqui para frente haverá menos crianças e adolescentes para educar.

“É agora ou nunca”, diz a doutoranda em Educação e presidente do Centro de Estudos e Memória da Juventude, Fabiana Costa. “A fase do ensino médio é crucial para ganhar ou perder a geração. Ali são apresentadas várias experiências aos adolescentes. Ele pode se tornar um ótimo cidadão pelas décadas de vida produtiva que tem pela frente ou cair na marginalidade”, afirma.

HISTÓRIA DESFAVORÁVEL

O problema do ensino médio é mais grave do que o do fundamental porque até pouco tempo – e para muitos até agora – a etapa não era vista como essencial. A média de escolaridade dos adultos no Brasil ainda é de 7,8 anos e só em 2009 a constituição foi alterada para tornar obrigatórios 14 anos de estudo, somando aos nove do ensino fundamental, dois do infantil e três do médio. O prazo para a universalização dessa obrigatoriedade é 2016.

Por isso, governo, ONGs e acadêmicos ainda concentram os esforços nas crianças. A expectativa era de que os pequenos bem formados fizessem uma escola melhor quando chegassem à adolescência, mas a melhoria no fundamental não tem se refletido no médio.

Para o coordenador da Campanha Nacional pelo Direito à Educação, Daniel Cara, a questão envolve dinheiro. Quando o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental (Fundef) foi criado, em 1996, repassava a Estados e municípios verba conforme o número de matrículas só naquela etapa. “O dinheiro não era suficiente para investir em tudo e foi preciso escolher alguma coisa”, diz o especialista.

A correção foi feita em 2007, quando o “F “da sigla foi trocado por um “B”, de Educação Básica, e os repasses de verba passaram a valer também para o ensino médio. “Só que aí, as escolas para este público já estavam sucateadas”, lamenta Cara.

A diferença é percebida pelos estudantes. Douglas Henrique da Silva, de 16 anos, estudava na municipal Guiomar Cabral, em Pirituba, zona oeste de São Paulo, até o ano passado quando se formou no 9º ano. Conta que frequentava a sala de informática uma vez por semana e o laboratório de ciências pelo menos uma vez por mês.

Em 2010, no 1º ano do ensino médio, conseguiu vaga na escola estadual Cândido Gomide, que fica exatamente em frente à anterior. Só pelos muros de uma e outra, qualquer pessoa que passa por ali já pode notar alguma diferença de estrutura, mas os colegas veteranos de Douglas contam que ele vai perceber na prática uma mudança maior.

“Aqui nunca usam os computadores e não tem laboratório de ciências”, afirma Wilton Garrido Medeiros, de 19 anos, que também estranhou a perda de equipamentos quando saiu de uma escola municipal de Guarulhos, onde estudou até 2009. Agora começa o 2º ano na estadual de Pirituba, desanimado: “Lá também tinha mais professor, aqui muitos faltam e ninguém se dedica.”

Até a disponibilidade de indicadores de qualidade do ensino médio é precária. Enquanto todos os alunos do fundamental são avaliados individualmente pela Prova Brasil desde 2005, o ensino médio continua sendo avaliado por amostragem, o que impossibilita a implantação e o acompanhamento de metas por escola e aluno e um bom planejamento do aprendizado.

A amostra, no entanto, é suficiente para produzir o Índice da Educação Básica (Ideb), em que a etapa é a que tem pior conceito das avaliadas pelo Ministério da Educação. Foi assim desde a primeira edição em 2005, quando o ensino médio ficou com nota 3,4; a 8ª série, 3,5; e a 4ª série, 3,8; em uma escala de zero a 10. Se no ensino fundamental ocorreu uma melhora e em 2009 o conceito subiu, respectivamente, para 4 e 4,6, os adolescentes do ensino médio não conseguiram passar de 3,6.

“A etapa falha na escolha do conteúdo, que não é atrativo para o estudante, e também não consegue êxito no ensino do que se propõe a ensinar”, diz Mateus Prado, presidente do Instituto Henfil e colunista do iG que escreverá artigos especialmente para esta série, que durante os próximos dias conduzirá o leitor a conhecer o tamanho do problema e refletir sobre possíveis soluções.

– Acreditar sem Ver? Só mesmo pela Fé!

O Evangelho de hoje traz a leitura de São João, onde Tomé duvidava da Ressurreição. Disse Jesus:

Você acreditou porque viu. Felizes os que creem ser ter visto”.

Aí, vem a discussão da “Fé X Ciência” e do “Acreditar na Conveniência”.

Ciência não é incompatível com a fé. Juntas, elas explicam a maravilha da Criação pelos conhecimentos do homem e pela sabedoria do coração. O problema é quando cremos e vivemos isso somente quando nos convém…

– Beatles viram Ciência na PUC!

Para os beatlemaníacos, um curso melhor como esse não há: a PUC/RJ acaba de criar uma especialização em Beatles!

Extraído de: http://is.gd/9EsK8G

PUC/RJ INOVA E CRIA ESPECIALIZAÇÃO SOBRE BEATLES

Curso de extensão aborda a história, a evolução artística e a influência cultural do conjunto inglês na sociedade pós-moderna

Por Luisa Girão

Roger Waters e Pink Floyd criticam o sistema em “Another Brick In The Wall”. Alice Cooper celebra – de uma forma bem rebelde – a formatura em “School’s Out”. A sala de aula e o Rock n’Roll têm uma relação complicada e não faltam exemplos. Mas desde a última semana a tradicional faculdade PUC- Rio mostra que está disposta a romper com o tabu e oferece em sua grade um inusitado curso de extensão inteiramente dedicado a uma das principais bandas da história: Os Beatles.

“Beatles: história, arte e legado”, ministrado pelo departamento de Letras da universidade, aborda toda a história, evolução artística e influência cultural e midiática do conjunto na sociedade pós-moderna. “Pretendemos cobrir toda a história dos Beatles, através dos discos e músicas mais relevantes, utilizando de clipes a trechos de filmes e aproximando o grupo da história do seu tempo. Além da história, vamos entender a filosofia do grupo inglês e, por exemplo, como a banda influenciou o movimento tropicalista aqui no Brasil”, explica o doutor em Literatura Brasileira pela PUC, pós-doutor pela Universidad de Salamanca, na Espanha, e coordenador do curso, o professor Júlio Diniz.

A ideia da especialização surgiu depois que  Eduardo Brocchi, professor de Engenharia na PUC e beatlemaníaco confesso, descobriu que a Universidade de Liverpool, na Inglaterra, tem um mestrado sobre o quarteto. “Eu e alguns amigos ficamos com vontade de fazer, mas o curso demora quatro anos. Então, pensamos: temos que fazer isso aqui no Brasil!”, disse ele, que tem mais de 400 livros sobre o Fab Four e uma coleção de apetrechos raros como CDs, vinis etc.

São sete professores com as profissões mais distintas. Tem filósofo, jornalista e até dentista. Todos usando o seu connhecimento adquirido em livros, viagens e pesquisas sobre o quarteto de Liverpool. “Somos aficionados pelo universo dos quatro músicos mais importantes da segunda metade do século passado”, afirma o professor Luis Otávio Pinheiro, que também é titular no curso de Engenharia da PUC.

– Estudar garante Emprego?

Segundo a Rádio Band News, uma pesquisa do Departamento Intersindical de Estudos de Porto Alegre mostra um dado alarmante: quanto mais você estuda, mais difícil será arranjar emprego!

Calm. A lógica é a seguinte: Quanto menor a escolaridade, mais sujeita a pessoa fica ao desemprego. Assim, aceita ganhar salários menores e se sujeita às atividades profissionais sem exigir muito. Em contrapartida, quanto mais graduada, maior a exigência ao aceite de empregos.

Se não estudar, “faz-se qualquer coisa”. Se estudar, não se aceita qualquer emprego. Que dilema, não?

É claro que devemos estudar. Sempre, sempre e sempre…

– O que Influencia um Árbitro na Tomada de Decisão?

Vejam só: estupendo trabalho de pesquisa, publicado pelo ótimo site da Universidade do Futebol (citação abaixo), mostra: numa partida de futebol, o árbitro é influenciado por:

1) Presença de barulho da multidão condicionando a marcação de infrações (um árbitro inexperiente deixa de marcar faltas do time da casa, mas continua marcando as do time visitante).

2) desvantagem do time anfitrião no marcador (a intimidação à agressão levaria um árbitro a ser mais caseiro),

3) tempo de acréscimo (menor ou maior conforme o controle do árbitro na partida) e

4) pagamentos sociais, que têm relação direta com a atuação (o reconhecimento à sua atuação, valorização da carreira e do nome).

Além disso, há outras explicações sobre motivação e desmotivação da carreira.

Abaixo, extraído da Universidade do Futebol, em: http://is.gd/ZMc7Y1

Importante: o trabalho não levou em conta Influência de Dirigentes / Clubes / Federações.

E você, o que acha dos dados acima e das explicações que estão abaixo?

FATORES QUE PODEM INTERFERIR NA TOMADA DE DECISÃO DO ÁRBITRO DE FUTEBOL

Por Alberto Inácio da Silva* e Mario Cesar Oliveira**

Os árbitros de futebol são preparados para interpretar as regras do futebol de forma imparcial durante uma partida. Porém, eles podem mostrar um poder discricionário considerável, em particular ao acrescentar tempo extra, marcar penalidades, usar os cartões amarelos ou vermelhos e decidir os tiros livres ou impedimentos. Como consequência, os árbitros têm uma influência muito importante no resultado final de uma partida de futebol.

Vários estudos publicados em revistas científicas demonstraram uma gama de fatores que podem interferir na toma de decisão do árbitro no transcorrer de uma partida. Portanto, o objetivo deste trabalho foi fazer um levantamento destes estudos e apresentar de forma resumida suas conclusões.

Recentemente o técnico de futebol Vanderlei Luxemburgo comentou em várias emissoras de televisão que ele havia observado e tinha gravado em uma fita de vídeo uma partida de futebol sem a presença de torcedores. Nesta partida o árbitro apresentou menos cartões e várias faltas sinalizadas pelos árbitros quando o estádio esta cheio de torcedores lá não foram marcadas. Ou seja, na prática ele observou que o comportamento do árbitro durante uma partida sem torcida era totalmente diferente do seu comportamento quando o estádio estava tomado por uma multidão. Esta observação foi objeto de alguns estudos.

A presença do barulho da multidão tem efeito dramático nas decisões tomadas pelos árbitros. Nevill et al. (2002) forneceram evidência experimental de que os árbitros de futebol são afetados pelo barulho da torcida. Eles mostraram algumas disputas de bola ocorridas em jogos da Primeira Liga Inglesa, gravadas em vídeo, para dois grupos de árbitros qualificados que tiveram que decidir se marcariam ou não uma falta. Um grupo assistiu o videoteipe sem o barulho da torcida, enquanto o outro grupo ouviu o barulho. Aqueles que enfrentavam os desafios com o barulho da multidão de fundo ficavam mais inseguros no momento de tomar a decisão e marcaram significativamente menos faltas (15,5%) contra o time da casa, quando comparado com os que assistiram em silêncio. É notável que as decisões tomadas pelo grupo de árbitros que ouviu o barulho estejam significativamente mais de acordo com as decisões tomadas pelo árbitro original da partida do que as decisões tomadas pelo grupo que assistiu as entradas silenciosamente.

Com respeito a um julgamento tendencioso em potencial na tomada de decisão, o árbitro pode colocar importância igual na informação audível da torcida e na informação visual, levando a desequilíbrio de decisões a favor do time da casa. Pesquisas anteriores sugerem que a experiência pode ajudar a reduzir potencialmente efeitos negativos de estresse no desempenho (Janelle et al., 1999; Williams e Elliott, 1999). Árbitros experientes provavelmente teriam maior controle sobre suas emoções (Hardy et al., 1996) e bases de conhecimento de tarefa específica ampliadas que facilitam a tomada de decisão com habilidade em ambientes com alto nível de estresse (Williams et al., 1999).

De forma interessante, o estudo de Nevill et al. (2002) indicou que o efeito dominante do barulho da torcida era para reduzir significativamente o número de infrações marcadas contra o time da casa, em lugar de aumentar o número de infrações contra o time visitante.

Dado que fazer uma marcação ruim e o barulho da torcida elevarão os níveis de tensão nos árbitros do grupo exposto ao barulho, de modo semelhante ao do árbitro da partida (fontes de tensão percebidas como difíceis de controlar), a estratégia para lidar com isso é provavelmente evitá-la. Como é provável que a torcida deixe claro que eles sentem que a decisão foi ‘errada’, evitar isso poderia ser interpretado como simplesmente não tomar a decisão impopular para penalizar o time da casa ao avaliar os desafios menos claros ou contenciosos. Sempre que um jogador da casa comete uma infração, a reação da torcida é capaz de ativar uma tensão potente de fazer marcação ruim, assim aumentando o nível de incerteza ou indecisão dos árbitros, resultando em nenhuma decisão (evitar) e menos infrações contra o time de casa (Nevill et al., 2002).

Observa-se constantemente na imprensa algumas pessoas palpitando que seria prudente interromper o jogo em determinados lances para que uma equipe decidisse o lance. Desta forma, seria prudente que, se os corpos administrativos, como a Fédération Internationale de Football Association (FIFA), considerarem empregar o replay do vídeo para ajudar os árbitros em campo, fosse empregado mais de um árbitro para ajudar a julgar tais replays contenciosos e, mais importante: os árbitros deveriam julgar em uma cabine à prova de som, evitando a influência da torcida.

Nos estudos apresentados acima, houve um desequilíbrio significativo nas decisões tomadas, por árbitros experientes, com e sem barulho da torcida, demonstrando que árbitros mais experientes são menos afetados pelas vaias da torcida. Os anos de experiência tiveram efeito significativo no número de infrações marcadas pelos árbitros contra os jogadores do time da casa, aumentando com os anos de experiência até um pico aos 16 anos de experiência (aproximadamente) e, depois disso, foi observado um declínio (Nevill et al., 2002). O outro efeito principal da experiência do árbitro foi aumentar significativamente o número de decisões incertas pelos árbitros experientes, ou seja, mais velhos.

Dohmen (2008) afirma que sociólogos e psicólogos sociais reconhecem que as decisões dos indivíduos não só são governadas pelos pagamentos materiais (dinheiro), mas também por pagamentos sociais (reconhecimento) não-materiais que surgem no ambiente social dos tomadores de decisão; por exemplo, na forma de aprovação social ou de sanções sociais. Este tipo de pressão social pode fazer com que os árbitros tomem decisões que acomodem as preferências de um grupo social (torcida) até mesmo se eles não estiverem de acordo com os próprios interesses do tomador de decisões (árbitro). Dohmen (2008) se refere a este ponto de vista como a “hipótese da pressão social”.

Em uma partida de futebol, é de interesse particular do árbitro ser imparcial, enquanto os torcedores querem o sucesso de seu time e, portanto, deveriam ter interesse em trabalhar por um objetivo comum, entretanto contestam as decisões do árbitro que não favorecem seu time e aprovando somente as decisões favoráveis, em uma atitude totalmente parcial e irracional.

Dohmen (2008) desenvolveu estudo que forneceu evidência complementar do comportamento tendencioso do árbitro com base nos dados de 3.519 jogos da Primeira Bundesliga (Campeonato Alemão), que apóia a visão de que o ambiente social pode afetar as decisões do árbitro. A análise empírica que confirma que árbitros profissionais que são designados e pagos pela Associação de Futebol Alemão (DFB) e de quem se espera que sejam imparciais, na realidade sistematicamente favorecem o time da casa. O favoritismo é manifestado no tempo de acréscimo, marcação de gols e cobranças de pênalti. Os dados também forneceram evidências de que características da torcida, tais como a composição da torcida e a distância do campo de futebol que esta se posiciona, prejudicam as decisões dos árbitros, de forma que é consistente com a hipótese de pressão social; quer dizer, que as forças sociais influenciam o comportamento do árbitro.

Dohmen (2008) relata que a extensão do comportamento tendencioso depende da composição da torcida: a parcialidade da casa tende a ser menor quando mais partidários do time visitante assistem à partida. Isto é consistente com a ideia de que a aprovação social e as sanções sociais têm efeito de valor contrário em recompensas sociais líquidas. Os partidários de cada time, que têm o interesse comum, que o time preferido deles alcance sucesso, trabalham para este objetivo aclamando decisões favoráveis do árbitro e expressando descontentamento com as decisões desfavoráveis. Os julgamentos dos árbitros evocam a aprovação social dos torcedores do time favorecido e sanções sociais do time oposto. Espera-se que um árbitro que não é influenciado, quer dizer, que não deriva utilidade intrínseca de uma determinada partida e valoriza pagamentos sociais, pense nos custos e benefícios sociais do acontecimento esportivo.

Outro dado importante desta pesquisa foi perceber que o favoritismo do time da casa é mais forte quando a partida acontece em um estádio sem pista de atletismo ao seu redor, ou seja, quando a torcida fica fisicamente mais próxima do campo e do árbitro – nesse caso há uma intensidade da pressão social indiscutivelmente maior. Essa descoberta empresta suporte para a conjetura que forças sociais influenciam a decisão dos árbitros, seja por causa da pressão social da torcida, diretamente acionando o julgamento parcial da arbitragem, ou por um canal mais oblíquo, no qual, por exemplo, a torcida cria uma atmosfera que encoraja os jogadores no campo para exercer pressão sobre o árbitro. Portanto, times da casa que jogam em estádios com uma pista de atletismo são afetados de forma diferente do que os times que jogam em estádios sem uma pista ao redor do campo (Dohmen, 2008).

O árbitro acrescenta mais tempo na partida se o time da casa está perdendo (Dohmen, 2008). De forma interessante, torcedores têm incentivos muito mais fracos para influenciar o árbitro em partidas decididas na qual o último resultado da partida é improvável que mude durante o tempo de acréscimo. Analisando dados de duas temporadas da Primeira Liga de Futebol Espanhol, Garicano, Palacios-Huerta e Prendergast (2005) perceberam que os árbitros espanhóis favoreciam o time da casa prolongando o tempo da partida em quase 2 minutos quando o time da casa estava perdendo por um gol, quando comparado à situação na qual o time da casa está ganhando por um gol. Eles também investigaram se o tamanho da torcida e a proporção de frequência-capacidade fazia diferença e descobriram que o aumento no desvio padrão na frequência aumenta a parcialidade em cerca de 20%, enquanto uma proporção de frequência-capacidade mais alta reduz a tendência à parcialidade. Eles concluíram que incentivos não monetários, em particular a pressão social da multidão, provocam o tratamento preferencial.

Sutter e Kocher (2004) destacam que, como são os árbitros que decidem a quantidade de tempo extra a favor ou não do time da casa, não há nenhuma razão pela qual os árbitros deveriam acrescentar mais tempo extra quando o time da casa está perdendo por um gol depois dos primeiros 45 min, porque ainda há o segundo tempo a ser jogado. Em vez disso, os árbitros poderiam ficar tentados a acrescentar menos tempo extra se o time da casa estiver perdendo por um gol no primeiro tempo para evitar mais danos (o time visitante poderia marcar mais um gol) e dar ao time da casa a oportunidade de se reorganizar o mais rápido possível durante o intervalo.

Outra informação a ser destacada no estudo de Dohmen (2008) diz respeito à marcação de faltas. Este autor observou diferença estatisticamente significativa, que implica que times da casa tiveram mais gols marcados incorretamente ou discutíveis a seu favor, em relação aos times visitantes. Notavelmente, é menos provável que gols concedidos sejam corretamente marcados quando um time está perdendo, especialmente quando o time da casa está perdendo. É particularmente provável que o time da casa receba a marcação de gol com base em uma decisão errada ou discutível se estiver perdendo por um ou dois gols.

Os árbitros também parecem favorecer os times da casa em decisões de cobrança de pênalti. Os dados brutos revelam que uma fração menor de pênaltis para o time da casa é corretamente marcada (65,20% vs 72,57%). Diferenças observadas nas frequências de decisões injustas, corretas e discutíveis foram estatisticamente significativas. Novamente, a fração de decisões erradas ou discutíveis a favor do time da casa é maior quando o time da casa está perdendo. Porém, deve ser notado que os árbitros também tomam mais decisões discutíveis a favor do time visitante, quando o time visitante está perdendo por apenas um gol. Foi constatado que o time da casa recebe significativamente mais gols ilegítimos do que o time visitante. Também foi observado que é mais provável que os times visitantes tenham negados um gol ou uma cobrança de pênalti legítimos ou discutíveis, pois o time visitante teve um pênalti legítimo injustamente negado em 35,75% dos casos; mas com o time da casa isso só aconteceu em 29,59% dos casos. No caso de decisões a respeito de pênaltis discutíveis, a evidência do favoritismo do time da casa é ainda mais pronunciada: os times da casa têm 28,67% dos pênaltis discutíveis marcados, mas os times visitantes têm apenas 20,27%. Portanto, os dados indicaram que é significativamente mais provável que os times da casa recebam uma cobrança de pênalti quando esta deveria objetivamente ser marcada e quando uma marcação de pênalti é discutível. As estimativas também mostram que os árbitros tendem a marcar menos cobranças de pênalti discutíveis e injustificadas quando a torcida está separada do campo por uma pista de atletismo.

Outra diferença ocorre quando a análise envolve situações ambiguas, em que até mesmo a subsequente análise do vídeo não pôde determinar claramente se esta situação deve ser punida com penâlti. Nestas situações ambíguas, a equipe da casa teve frequentemente mais pênaltis marcados do que a equipe adversária (Dohmen, 2008). Esta é uma prova de que o árbitro, em situações ambíguas, não decide casualmente, mas contraditoriamente. No caso da vantagem da equipe da casa, poderiam os gritos da plateia ter estimulado o árbitro a realizar esta sinalização. Askins (1978) sustentou que durante o curso de qualquer competição há muitos incidentes que parecem ambíguos, até mesmo para os árbitros mais veteranos. Quando isto acontece, os árbitros fazem o que todos os humanos fazem, basicamente, em tal situação: eles buscam esclarecer a situação por qualquer meio disponível. A reação da torcida às vezes pode fornecer a dica que incita a decisão.

Dohmen (2008) afirma ter ficado evidenciado que os árbitros mais experientes tendem a ser menos parciais, o que sugere que os indivíduos podem aprender a resistir à pressão social.

Na ampla literatura sobre a vantagem do time da casa em esportes nos quais ocorre o enfretamento entre duas equipes, a pressão social exercida pela torcida mostrou ser de grande importância (Courneya e Carron, 1992; Nevill e Holder, 1999). Há dois canais principais pelos quais o fator torcida se torna efetivo. Primeiro, as torcidas podem estimular o time da casa a se desempenhar melhor. Embora a literatura não seja conclusiva nesse aspecto, um recente estudo realizado por Neave e Wolfson (2003) pôde unir a composição da torcida à reação fisiológica dos jogadores. Mais especificamente, eles mostram que os jogadores têm um nível de testosterona significativamente mais alto nos jogos realizados em casa do que quando jogam fora de casa, o que poderia ser causado por um desejo natural de defender seu próprio território. Em segundo lugar, o barulho criado pela torcida pode influenciar o árbitro para, subconscientemente, favorecer o time da casa. As torcidas liberam sua raiva em grande parte e bastante depressa nos árbitros por causa de decisões que não favorecem seu time (Sutter e Kocher, 2004).

Exames estatísticos de registros de jogo indicam que os times da casa ganham mais frequentemente que os times de fora; os times da casa recebem mais penalidades favoráveis e recebem menos cartões (Nevill et al., 1996). Por exemplo, em um estudo sobre o número de penalidades marcadas a favor dos times da casa nas ligas inglesas e escocesas, os resultados mostraram evidências claras de que os times da casa com grandes torcidas recebem mais penalidades a seu favor, enquanto os times de fora recebem mais penalidades contra, com mais jogadores sendo expulsos (Nevill et al., 1996).

Folkesson et al. (2002) mostraram que a concentração e o desempenho dos árbitros, particularmente dos mais jovens, foram influenciados pelas ameaças e agressões dos jogadores, dos treinadores e do público. Reforçando esta afirmação, McMahon e Ste-Marie (2002) mostraram que as decisões dos árbitros de rúgbi eram tomadas em função da experiência – e não tanto pela descoberta de infrações decorrentes de fatores que não estavam presentes na jogada, ou seja, de informações extracampo.

Coulomb-Cabagno et al. (2005) publicaram um estudo que teve como objetivo examinar a agressão exibida pelos jogadores e analisar as decisões dos árbitros sobre estes comportamentos como uma função do gênero dos jogadores no futebol francês. Foi percebido que os jogadores do sexo masculino praticaram atos agressivos mais violentos que os jogadores do sexo feminino. Não obstante, em relação ao número total de punições aos atos agressivos cometidos, os árbitros penalizaram mais as mulheres do que os homens. Estereótipos de gênero poderiam ser uma explicação pertinente para estes resultados, uma vez que o futebol geralmente é percebido como um esporte do tipo masculino, particularmente na França, e a agressão como uma característica tipicamente masculina, afirmam os autores.

No contexto desportivo, há também uma evidência crescente de que os homens são mais agressivos ou percebem a agressão como sendo mais legítima do que as mulheres o fazem (Conroy et al., 2001; Tucker e Parks, 2001). Este fato poderia justificar o porque das mulheres serem mais penalizadas por infrações às regras em faltas similares cometidas pelos homens durante uma partida de futebol.

Apesar da falta de consenso na definição do que é agressão no esporte, uma que é frequentemente aceita é o comportamento que transgride as regras da atividade considerada com a intenção de prejudicar ou ferir alguém (Tenenbaum et al., 1996). Os árbitros estão diretamente preocupados com a agressão porque eles são responsáveis por fazer com que as regras sejam cumpridas adequadamente, pois o risco de um jogador sofrer ferimento é cerca de 1.000 vezes maior do que o encontrado na maioria de outras profissões (Fuller et al., 2004).

Investigações de atos de agressão do espectador e observações de torcedores demonstram uma relação entre a agressão do torcedor e as atividades dos jogadores no campo. Smith (1983) sugerem que quando o desempenho dos jogadores no campo for percebido como violento, os espectadores e os partidários do esporte tendem a agir ambos violentamente durante e após a partida.

As regras do jogo instruem os árbitros em como eles deveriam responder quando jogadores, substitutos, substituídos ou oficiais de equipe se utilizam de um linguajar abusivo e/ou gestos no sentido de contrariar a sua decisão. Um estudo, que teve como objetivo verificar a relação da aplicação dos cartões amarelo e vermelho, frente a uma agressão verbal, levando em consideração o disposto no item que trata de faltas e incorreção do caderno de regras da FIFA, mostrou que somente 55,7% dos árbitros teriam tomado uma atitude correta relacionada à ofensa verbal ocorrida no transcurso de uma partida (Praschinger et al., 2011), apesar da literatura mostrar que o abuso verbal dos jogadores nos árbitros é percebido como uma das situações mais embaraçosas em um jogo (Kaissidis e Anshel, 1993). Em outras palavras, a regra 12 não estaria sendo cumprida em sua plenitude.

O estudo desenvolvido por Praschinger et al. (2011) demonstrou que os árbitros são inconsistentes em suas aplicações das regras em relação a ofensas verbais, vindas de dentro ou de fora do campo de jogo. A mesma palavra sendo dita para dois árbitros diferentes pode desencadear reações diferentes, embora as regras do jogo sejam idênticas em relação à situação de agressão verbal.

Entretanto, de um lado temos as regras do jogo, as quais os árbitros devem seguir, do outro lado, nós temos uma situação altamente complexa e dinâmica: uma partida de futebol. Os árbitros parecem resolver este dilema aplicando a “administração do jogo” (Praschinger et al., 2011). Eles balanceiam suas decisões através da sua sensibilidade a várias influências, por exemplo: tempo de jogo, nível de agressividade dos jogadores dentro da partida, tamanho da torcida presente no estádio, se a partida está sendo televisionada, se há policiamento no campo de jogo, os antecedentes do jogador etc. A administração do jogo parece ser um pré-requisito necessário para a aplicação das regras do jogo, apesar de, em algumas situações, contrariar o que esta escrito nas regras, sendo aplicada de maneira diferente em situações específicas durante uma partida.

Folkesson et al. (2002) examinaram as circunstâncias pertinentes a ameaças e agressão (físicas ou verbais) durante as partidas de futebol que foram vivenciadas por 107 árbitros da Associação de Futebol da Província de Värmland (região ocidental da Suécia). Foram identificadas três fontes de agressão: (1) jogadores de futebol, (2) técnicos/treinadores e (3) espectadores. A incidência de ameaças e agressão teve efeito na concentração, no desempenho e na motivação, inclusive nas preocupações antes da partida. Além disso, descobriu-se que os resultados foram afetados pela idade, pelo grau de experiência e pela orientação de vida dos árbitros. Percebeu-se que os árbitros mais jovens eram os mais sujeitos a ameaças e agressão. Com relação à motivação para arbitrar uma partida, este estudo concluiu que os árbitros com orientação geralmente pessimista experimentaram menos motivação, desempenho pior e maiores problemas para enfrentarem o comportamento agressivo dos torcedores, quando comparados com árbitros com orientação geralmente otimista.

Rainey (1994, 1995) examinou fontes de tensão entre 782 árbitros qualificados (certificados) de beisebol e de softboll. Foram revelados quatro fatores correlacionados: medo de fracasso, medo de dano físico, pressão do tempo e conflito interpessoal. O estudo sugeriu que esses fatores podem ser fontes comuns de tensão entre os árbitros e que há necessidade de se pesquisar as fontes de tensão em árbitros de outros jogos esportivos.

Andersson (1983) examinou os motivos que levam os árbitros de futebol a continuarem arbitrando partidas de futebol apesar de ser um trabalho aparentemente ingrato. Este estudo incluiu 36 árbitros de futebol da Associação da região de Göteborg, Suécia, para os quais foi pedido que respondessem perguntas organizadas na forma de um questionário. Os resultados indicaram que dois terços dos árbitros tiveram intenção de desistir do seu trabalho como árbitro. A razão mais comum para isto era que arbitrar ocupava muito de seu tempo e que eles tinham se cansado de toda a crítica que eles tiveram que aceitar no papel de árbitro. Geralmente, eles também percebiam as exigências feitas a eles como sendo irracionais. Vinte por cento dos respondentes (7 entre 36) tinham ficado tão chateados por causa das críticas que consideraram a possibilidade de renunciar ao trabalho. Vários árbitros (aproximadamente 30%) queriam que os jogadores e os treinadores recebessem uma formação melhor e ensinamentos a respeito das regras e regulamentos do jogo. A razão principal pela qual os árbitros continuaram arbitrando, apesar de tudo, foi o amor que tinham pelo jogo.

Em um estudo que examinou as razões dos árbitros de futebol e seus motivos para atuar como árbitro (Isberg, 1978); 80 árbitros de associação e de distrito participaram do estudo. Os resultados mostraram que a razão mais importante para se tornar um árbitro de futebol era manter o contato com o esporte depois de uma carreira ativa como um jogador de futebol. Um forte interesse pelo jogo também foi um fator crítico. O desejo contínuo de se tornar um árbitro melhor era um dos motivos para eles continuarem atuando como árbitros de futebol. Foram listadas oportunidades de contato humano e chances de melhoria na função de árbitro entre as experiências positivas deles. Entre as experiências negativas deles figurou o nível elevado de crítica gerada pela mídia e pelos técnicos.

Os resultados do estudo de Friman et al. (2004) descrevem as percepções de ameaças e agressões vivenciadas pelos árbitros. Apesar disto, e de certa forma surpreendentemente, muitos deles declararam que é divertido ser árbitro de futebol. Por exemplo, em comunidades pequenas o valor do sucesso é muito importante. Da mesma forma, uma decisão que não favorece o time da casa foi relacionada a reações emocionais fortes (irritação e agressão) entre o público que assiste ao jogo. Uma possível explicação para as ameaças e as agressões que os espectadores dirigiram ao árbitro pode ser por falta de conhecimento sobre as regras do jogo. Por exemplo, vários participantes validam a raiva que os jogadores, os técnicos e a torcida expressaram em situações quando eles não estavam completamente certos das regras ou da mais recente interpretação das regras (Friman et al., 2004). Segundo Mack (1980), pode-se garantir que menos de um porcento da população brasileira leu uma regra de futebol – e isto, sem dúvida nenhuma, dificulta a atuação do árbitro durante uma partida, tendo em vista os fatos mencionados anteriormente.

A atenção é um aspecto importante do comportamento do árbitro. Quando o árbitro não corre no campo como se espera que faça, os jogadores ficam obviamente aborrecidos. Se o árbitro frequentemente perder situações importantes, os jogadores eventualmente perderão a confiança no árbitro e começarão a agir agressivamente e ameaçadoramente.

Friman et al. (2004) afirmam que há esperança de que um treinamento mais extensivo de jogadores e técnicos sobre as regras e os regulamentos do jogo reduziriam as experiências negativas causadas por ameaças e agressões. Além disso, os resultados realçam a importância de se espaçar as partidas. Muitos jogos por semana parecem afetar a atenção dos árbitros.

Todos estes resultados apóiam a evidência de que atitudes tendenciosas podem estar presentes no processo de tomada de decisão dos árbitros. Este fato também é confirmado por outros estudos que incluíram variáveis como a cor dos uniformes, a reputação dos times ou as decisões anteriores dos árbitros. Assim, Frank e Gilovich (1988) indicaram que os árbitros de futebol e hóquei no gelo percebiam os jogadores com uniformes pretos como sendo mais agressivos. Por conseguinte, eles também tenderam a penalizar mais esses jogadores, talvez porque a cor preta seja associada com agressividade. Jones et al. (2002) estudaram o impacto da reputação agressiva de um time nas decisões tomadas por árbitros de futebol. Cinquenta incidentes, divididos entre cinco categorias – faltas manifestas cometidas pelo time; faltas ambíguas cometidas pelo time; faltas manifestas cometidas contra o time; faltas ambíguas cometidas contra o time. e nenhuma falta cometida –, foram mostrados a 38 árbitros, primeiro com informação explícita sobre reputação agressiva do time, depois sem qualquer informação a respeito da reputação do time. O último grupo apenas teve que julgar cada incidente em seu próprio mérito. Os resultados revelaram que a informação sobre a reputação agressiva do time afetou o número de cartões amarelos e vermelhos (a severidade da sanção), mas não o número total de decisões marcadas. O time com reputação agressiva foi penalizado mais severamente do que o outro time. Finalmente, Plessner e Betsch (2001) informaram que as decisões também podem ser influenciadas por decisões anteriores; era menos provável que os árbitros marcassem uma penalidade para um time se eles tivessem marcado uma penalidade para o mesmo time antes, e era mais provável que marcassem uma penalidade para um time se eles tivessem marcado para o outro time antes. Ou seja, uma vez que o árbitro concedeu um pênalti a uma equipe, ele supostamente muda seu critério de conceder pênalti ao mesmo time para um nível mais alto em situações subsequentes.

Na ótica de Buther (2000), o estado emocional influencia o comportamento de técnicos, atletas, torcedores, árbitro e assistentes durante o desenvolvimento de um jogo. Ninguém tem a noção exata da natureza, extensão e profundidade dos impactos dos fenômenos sociológicos e psicológicos sobre o comportamento dos indivíduos dentro dos estádios de futebol.

Os árbitros mais jovens estão mais expostos e são mais vulneráveis à ameaça e à agressão. Uma possível explicação para esta situação pode ser que os árbitros mais jovens tenham frequentemente menos experiência em arbitragem de partidas de futebol (Folkesson et al., 2002).

Poderia se especular que um tipo diferente de experiência seja relevante, alguma maneira de “experiência de vida” que permite que o árbitro mais velho apresente maior eficácia para desarmar as tendências à ameaça e à agressão em uma fase inicial. Outra explicação pode ser que os jogadores de futebol, os técnicos e o público podem perceber um árbitro mais velho como sendo mais merecedor de respeito que um árbitro mais jovem, i.e., sugerindo a existência de algum mecanismo “patriarcal” (Folkesson et al., 2002).

Por outro lado, o fator idade não parece influenciar a motivação e o desempenho dos árbitros. Ambos os árbitros com orientação pessimista e orientação otimista se sentiram expostos à ameaça e à agressão a um grau equivalente, mas os árbitros pessimistas sofreram mais com os efeitos. Os árbitros com orientação pessimista tiveram maiores problemas de motivação – e o seu desempenho tendeu a se deteriorar quando comparado com árbitro com orientação otimista. Além disso, os árbitros pessimistas tiveram maiores problemas para lidar com o comportamento agressivo dos espectadores. Parece ser o caso de que uma perspectiva de vida otimista pode afetar em grande parte a forma como a pessoa lida com as tensões e as exigências dos jogos esportivos fisicamente e psicologicamente (Folkesson et al., 2002).

Na Suíça existem duas comunidades, divididas em língua francesa e língua alemã (Messner e Schmid (2007). Estes autores desenvolveram um estudo com o intuito de verificar se uma equipe possui alguma vantagem quando se trata da mesma cultura do árbitro. Foram analisados 1.033 jogos do campeonato da primeira divisão de futebol suíço (masculino). Verificou-se que uma equipe tem vantagem quando se trata da mesma cultura do árbitro. O benefício foi evidente no número de vitórias, a quantidade de pontos ganhos, o número de cartões amarelos e o número de expulsões.

Outra característica especial do árbitro é o poder discricionário entre diferentes punições. No uso da advertência verbal ou do cartão amarelo ou do cartão vermelho é necessário o critério do árbitro. Contudo, espera-se que a equipe defensiva seja com mais frequência punida. Uma equipe visitante tem jogo defensivo mais do que uma equipe da casa. Por isso, espera-se que uma equipe visitante seja penalizada com mais frequência do que a equipe da casa (Courneya & Carron, 1992; Pollard, 2006). E, portanto, recebe a equipe da casa menor número de cartões amarelos e menos expulsões do que a equipe visitante (Sutter & Kocher, 2004).

A vantagem de uma equipe numa partida pela proximidadade cultural não é bem clara. Neste ponto a pesquisa difere de um estudo no futebol australiano. Mohr e Larsen (1998) encontraram maior número de jogos do campeonato australiano nos quais os tiros livres diretos eram favoraveis às equipes de regiões tradicionais do futebol australiano do que em comparação com as equipes das regiões em que o esporte foi introduzido mais tarde. Eles explicam este efeito pela condição social do árbitro, pois os árbitros provêm, na maioria das vezes, de áreas tradicionais.

Outros fatores podem influenciar na atenção concentrada, conforme análises resultantes dos estudos de Maughan e Leiper (2006), os quais relatam que houve interferência na performance em testes de função cognitiva quando o nível de desidratação alcançou 2% do peso corporal inicial. A desidratação dos árbitros durante a partida foi estudada no Brasil. No primeiro estudo constatou-se que a perda total de água corporal pelo árbitro durante a partida era equivalente a 2,05% do seu peso corporal (Da Silva e Fernández, 2003). Já, em outro estudo, foi constatado que a perda hídrica estimada do árbitro foi de 2,16% do peso corporal (Roman et al., 2004). Entretanto, estes dois estudos foram desenvolvidos na região sul do Brasil, mais especificamente no Paraná. Na literatura consta que a perda hídrica média do árbitro de futebol atuando no Estado de São Paulo é, de 3,20% do peso corporal (Da Silva et al., 2010).

As regras do jogo constituem a base de cada esporte. Os jogadores poderiam conhecê-las e os árbitros deveriam apenas supervisioná-las durante o jogo, pronunciar julgamentos com o intuito de apenas sancionar as ações permissivas. Contudo, uma vez que o árbitro sofre influência intra e extracampo, o que inclui jogadores, treinadores e torcida, ele deve apresentar um nível de tolerância para a condução de uma partida. A tarefa dos árbitros é de difícil execução, pelo fato de que cada decisão tomada não pode ser explicitada por escrito. Os árbitros devem controlar a partida, a qual inclui interações sociais e psicológicas (fatores como dinâmica de grupo e liderança) (Praschinger et al., 2011). Possivelmente, porque um jogo de futebol requer administração do jogo ao invés de uma simples aplicação das regras pelo árbitro.

Apesar da regra 5 estabelecer que o árbitro fará cumprir a regra do jogo durante uma partida de futebol, Mascarenhas et al. (2002) discutem que os árbitros aplicam certo tipo de administração do jogo. Isto significa que os árbitros em geral estão dispostos a aplicar as regras de jogo, mas durante uma partida eles têm de ser sensíveis para com a fluência do jogo. Isto os leva a situações nas quais não aplicam as regras de acordo com o propósito que estas indicam. Segundo Praschinger et al. (2011), os árbitros se consideram como os administradores do jogo, ao invés de se considerarem como administradores das regras do jogo.

Como foi possível observar nesta revisão, são inúmeros os fatores que podem interferir no momento da formulação da decisão de um árbitro de futebol no instante que ele tem que interferir na partida. Estas informações são importantíssimas para os profissionais que trabalham com psicologia do esporte, pois há necessidade de se desenvolver metodologias de trabalho para minimizar a influência destes fatores, para que as decisões dos árbitros sejam cada vez mais imparciais e, desta forma, se reduzindo a responsabilidade do árbitro no resultado da partida.

Durante este estudo, não foram abordados tema com corrupção, suborno, que envolve constantemente dirigentes de clubes e federações, membros de Comissão de Arbitragem, e árbitros de futebol. Estes temas são encontrados freqüência em jornais, revistas e telejornais. Como inúmeras vezes denunciado, a decisão de um árbitro de futebol pode também sofrer influencia de suborno, recomendações, e interesse de subir na carreira, já que os critérios para que um árbitro de futebol saia do nível regional para o nível internacional são obscuros, sendo constantemente denunciado que para este avanço na carreira alguns árbitros, conduzem uma partida de futebol de acordo com interesses pessoais ou de terceiros. Para uma melhor compreensão sobre o tema corrupção, suborno no meio futebolístico, recomendasse a leitura dos artigos intitulados “Árbitro de futebol e legislação esportiva aplicável” e “Ética no futebol: será possível?”.

*Professor do Departamento de Educação Física da Universidade Estadual de Ponta Grossa – UEPG, Paraná
**Prof. Universidade Federal de São Paulo, Programa de Pós-Graduação, Centro de Estudos em Medicina da Atividade Física e do Esporte – CEMAFE

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– O Antiteísmo Alavanca

Cresce cada vez mais pessoas que buscam provar a inexistência de Deus. Diferente de um ateu (que não crê), o antiteísta é aquele que busca aniquilar a crença num Criador.

Depois do biólogo Richard Dawkins e do físico Stephen Hawking, surge outra estrela intelectual nessa mesma linhagem: o cosmologista Lawrence Krauss.

À Época (Ed 09/04/2012, por Peter Moon), disse que:

Os religiosos dizem que Deus criou o Universo. Isso é preguiça intelectual

É a militância dos ateus crescendo no século XXI. Se não crê, respeite quem tem fé!

– Educação no Brasil: números assustadores!

Leio com pesar alguns dados do Movimento “Todos pela Educação”. Baseados em números do MEC, descobriu-se que 3,8 milhões de crianças e jovens ainda estão fora das escolas no Brasil.

Quer número pior?

No Maranhão, quando os alunos encerram o Ensino Médio, apenas 4,3% da matéria foi aprendida como deveria (em Matemática). A média Brasil é de apenas 11% de aproveitamento.

Sem dúvida, um número ainda mais impressionante: um país desenvolvido investe quase 9 mil dólares por aluno/ano. No Brasil, o Governo investe apenas 2,4 mil…

Frase de efeito do ex-reitor de Harvard, Derek Bok:

Se você acha que a educação é cara, experimente a ignorância

Perfeito.

– Ipad Nova Geração: esgotado…

Ora, ora… dia 16 de março os novos IPads serão colocados à venda nos EUA e em mais 9 países (aqui no Brasil, não se tem data prevista). E já se esgotaram!

Naqueles países, quem quiser o Ipad da 3ª geração pode entrar numa fila de espera e solicitar, no máximo, 2 aparelhos!

A Apple é uma máquina de ganhar dinheiro ou não? Claro, gasta uma fortuna em P&D, e o retorno compensa!

– Ressurreição por via da Ciência

Incrível.

E não é que na Rússia, cientistas descobriram sementes congeladas de uma planta extinta há 2000 anos na Sibéria, 38 metros abaixo de uma superfície de gelo, e conseguiram fazê-las brotar?

A planta se chama Silene Stenophyla, e tal ressurreição nos faz pensar naquele cenário apocalíptico de Jurassic Park: um dia ressuscitaremos animais como dinossauros, entre outros?

O limite da inteligência humana é algo impressionante…

– E se um Supervírus Letal fosse Criado?

Na tentativa de criar um supervírus de laboratório, a fim de estudar vacinas e medicamentos, os cientistas foram barrados pelo governo dos EUA. Motivo: o medo de tal vírus cair na mão de terroristas. Porém, as pesquisas retomarão.

Conheça o supervirus que pode dizimar grande parte do planeta:

Extraído de Superinteressante, Ed Março 2012, pg 12

CIENTISTAS VOLTAM A TRABALHAR EM SUPERVÍRUS

Estudo polêmico, que havia sido interrompido a pedido dos EUA, será retomado este mês – e pode criar uma grande ameaça à humanidade.

Por Salvador Nogueira e Bruno Garattoni

Usando técnicas de manipulação genética, cientistas criam um supervírus capaz de eliminar grande parte da humanidade. Parece um roteiro de filme, mas está acontecendo de verdade. Dois grupos de pesquisadores, na Holanda e nos EUA, acabam de desenvolver esse vírus.

“É um dos tipos mais perigosos que poderiam ser criados”, admitiu publicamente o líder de uma das equipes, Ron Fouchier. Trata-se de uma versão mutante do H5N1, que causa a gripe aviária e gerou preocupação durante um surto em 2005. A doença é letal, mas o vírus não se propaga facilmente entre humanos. Só que cientistas desenvolveram um H5N1 turbinado, que pode ser transmitido pelo ar – extamente como o vírus da gripe comum, que contamina 700 milhões de pessoas no mundo todos os anos. Se escapasse do laboratório, o novo H5N1 poderia causar um número enorme de mortes. Também há o receio de que terroristas aprendam a recriar o supervírus. Por isso, a comunidade científica e os Institutos Nacionais de Saúde dos EUA pediram que o estudo não fosse publicado e os responsáveis pela pesquisa interrompessem seus trabalhos durante 60 dias.

A idéia era ganhar tempo para montar estratégias de defesa. Mas agora, em março, o embargo termina – e a pesquisa será reiniciada. Os cientistas se defendem dizendo que o estudo é necessário e seria mais perigoso não retomá-lo: pois, conhecendo o vírus mutante, é possível trabalhar desde já para desenvolver vacinas contra ele.

– Hipnólogo ajudará o Paulista de Jundiaí

As comissões técnicas das equipe de futebol possuem os mais diversos profissionais: fisiologistas, estatísticos, psicólogos, entre outros. Mas o Paulista de Jundiaí resolveu inovar: contratou um hipnólogo!

Após um início de campeonato com vitórias seguidas, o clube amargurou derrotas consecutivas. A diretoria resolveu prestigiar o treinador Sérgio Baresi, estuda a dispensa de diversos jogadores e reforçou a comissão técnica com Olimar Tesser, profissional de Hipnose.

Segundo Olimar, seu objetivo junto aos atletas é:

Não vou ensiná-los a jogar bola, mas vou mudar o comportamento deles”.

Em 2010, com a equipe correndo risco de rebaixamento, Olimar Tesser foi contratado para as últimas rodadas, e adaptou a hipnose ao futebol envolvendo o trabalho técnico, físico e emocional. Resultado: conseguiu uma arrancada fundamental nas últimas rodadas, escapando da degola à A2.

Agora, o hipnólogo volta ao clube não mais como um profissional a parte, mas integrante fixo da Comissão Técnica.

E você, o que pensa sobre isso? A hipnose é válida na busca de bons resultados no futebol? Deixe seu comentário:

– Incêndio no Gelo

No último sábado, um grande incêndio aconteceu na base brasileira na Antártica. Cerca de 40% das pesquisas científicas foram perdidas, além de 70% das construções. Mas isso é o de menos: o grande valor irrecuperável é a vida dos 2 militares mortos por lá. Isso, realmente não há o que fazer…

– Se Renê é Bom, por que outros em mesma condição não podem ser?

Há certas ilusões no mundo profissional. Mitos e conceitos a serem rediscutidos.

Vanderley Luxemburgo como atleta foi um simples jogador. Como treinador, no auge, um dos melhores que vi.

Pelé, o maior atleta de todos os tempos, nunca se arriscou a ser treinador de fato. Diego Maradona, o segundo maior, o fez e foi criticado.

Quem disse que no futebol para ser bom em uma atividade, necessariamente deve-se ser vitorioso em outra?

Renê Simões é professor literalmente. Boa pessoa, didático, ótimo papo. Nunca ganhou títulos de relevância, mas tem experiência profissional ímpar (ou vamos nos esquecer da Jamaica ou do Feminino Nacional?). Um estudioso do futebol. Será coordenador das categorias de base do São Paulo Futebol Clube.

Vai dar certo. O futebol precisa disso: pessoas estudiosas, abertas à inovação e ao aprendizado.

Tomara que mais um mito do futebol caia: o de que pessoas inteligentes e que dominam a teoria não tem competência para certas atividades, seja de campo ou de análise.

– Unicamp e a Não-Inscrição de Quase Metade dos Aprovados!

Um número que impressiona: quase metade dos estudantes aprovados na Unicamp não se matricula!

Cerca de 45% das vagas ficaram abertas para a segunda chamada. Como explicar tal fato?

Alguns alegam que é pela concorrência de outras instituições; outros, pelo fato da Universidade de Campinas não ser a primeira opção em determinados cursos. Ainda, o fato de treineiros estarem inscritos.

Bobagem. Para quem conhece a Unicamp, sabe da sua excelência. Mas fica a dúvida: como interpretar tal número?

Extraído de: http://is.gd/UXfhUs

UNICAMP CONVOCA PARA QUASE METADE DAS VAGAS NA SEGUNDA CHAMADA

A segunda chamada do vestibular da Unicamp tem 1565 candidatos convocados, 45% das 3.444 vagas disponíveis para o primeiro semestre de 2012. A lista de estudantes que conquista a vaga porque os primeiros chamados não foram realizar matrícula está disponível no saguão do Ciclo Básico II da universidade e na página www.comvest.unicamp.br. Nesta quarta-feira, dia 8, também foram divulgadas as notas de todos os concorrentes.

– O que os Estudantes preferem e quais seus Hábitos

Uma interessante matéria na Veja SP (citação abaixo), traz uma combinação de pesquisas realizadas pela Abril Mídia, IBGE e Ibope com estudantes entre 12 e 17 anos das redes público e privada de ensino, sobre comportamento dos estudantes. E nela, resultados interessantes: mais da metade dos alunos nunca seria professor; a minoria gosta de Química; quase 10% já usaram drogas ilícitas e 9% se apaixonaram por seus mestres.

Outros números sobre a realidade de ensino nessa faixa etária, abaixo:

Extraído de Revista Veja SP, Ed 0/02/2011, pg 31

AS PREFERÊNCIAS E HÁBITOS EM NÚMEROS

54% dos alunos não seriam professores;

23% experimentaram cigarro;

9% experimentaram drogas;

85% já colaram em provas;

18% consomem bebida alcoólica regularmente;

42% possuem smartphones;

9% se apaixonam pelos professores;

22% perderam a virgindade antes dos 15 anos;

55% praticam esportes;

29% foram vítimas de assalto;

40% sofreram com bullying;

21% causaram bullying;

9% preferem química, 12% português, 13% história; 16% idiomas, 17% matemática e 33% outras disciplinas;

38% seguirão carreira em Humanas, 18% exatas, 10% biológicas, 17% outras e 17% não sabem.

– Acreditar e Buscar, Confiar e Pesquisar

Fé e Razão: Duas Asas que nos Elevam para o Céu

Papa João Paulo II

Nada existe entre a Ciência e a Religião que possa afastar os homens de Deus. Conciliar a crença e o estudo se faz necessário.

Santas e inspiradas palavras, não?

– A Enciclopédia Ultrapassada

Minha esposa Andréia sempre costuma questionar a validade das enciclopédias mediante os avanços científicos. Tem lógica, afinal, elas se desatualizam.

E não é que a Folha de São Paulo (22/01/2011, Caderno Ciência, pg C1) traz uma matéria do que seriam embriões de enciclopédia com registros inválidos e curiosos? Por exemplo, o relato do Homo Sylvestris, que nada mais era a anotação científica do Lobisomem (data de 1622). Outra: Homens sem cabeça e com olhos e bocas no peito, índios guerreiros da Amazônia de 1601. E com ilustrações!

Abaixo, a interessante matéria:

LOBISOMEM DE 1662 TINHA NOME CIENTÍFICO

Por Giuliana Miranda

Relatos científicos sobre a fauna da época incluíam até o chupa-cabra e serão tema de uma exposição no Rio

Muito antes de aterrorizar mocinhas no cinema, a anaconda, ou sucuri gigante da Amazônia, já tirava o sono de vários europeus. Índios canibais sem cabeça e até o chupa-cabra, também.

Esses e outros mitos e monstros saíram do Novo Mundo direto para as bibliotecas das metrópoles, em publicações que misturavam ciência, fantasia e ficção.
Para explicar os mistérios dos territórios recém-descobertos -e valorizar ainda mais suas conquistas-, muitos exploradores criavam narrativas que deixariam Darwin de cabelos em pé.

“A realidade dos europeus era completamente diferente. Então, quando eles viam animais, plantas e até pessoas tão incomuns, taxavam-nas de monstros e criavam explicações mirabolantes”, diz Ana Virginia Pinheiro, chefe do departamento de obras raras da Biblioteca Nacional, no Rio de Janeiro.

Entre 14 de fevereiro e 15 de abril, algumas dessas histórias poderão ser vistas na exposição “Monstros: Memórias da Ciência e da Fantasia”, na sede da instituição.
Os autores eram variados: iam desde cientistas participando de expedições até piratas com pouca instrução, tendo ainda alguns escritores que nunca tinham saído da Europa, apenas ouviram uma lenda e a “recontaram”.

Alguns dos mitos de origem europeia também marcam presença no acervo, como a história do lobisomem.

Um livreto de 1662, escrito pelo teólogo Gaspar Schott, traz descrições minuciosas sobre a anatomia e, por mais incrível que pareça, atribui um nome científico à criatura: Homo sylvestris. Algo como homem da floresta.

Esses relatos, afirma Pinheiro, provavelmente se basearam em um encontro com pessoas que tinham hipertricose -uma doença sem cura que causa o crescimento excessivo de pelos grossos praticamente no corpo inteiro.

Outra anomalia, hoje conhecida como gêmeo parasita (fetus in fetu), também deu origem a um mito bizarro: o homem “grávido”.

Publicações do século 17 relatam alguns desses casos e, por incrível que pareça, davam instruções para a cura.

A doença provoca uma espécie de gêmeos siameses ao extremo. Enquanto um dos bebês se desenvolve, o outro cresce atrofiado dentro do corpo do irmão, ficando completamente dependente. Um verdadeiro parasita.

Na maioria dos casos, o feto parasita fica na região abdominal, causando uma espécie de barriga que lembra a de uma mulher grávida.

Caso queira ver fotos, o site CONTEÚDO LIVRE as publicou. Fotos em: http://sergyovitro.blogspot.com/2011/01/lobisomem-de-1662-tinha-nome-cientifico.html

– Boa Indicação para Trabalhos Acadêmicos

Conheci pelo professor universitário Alejandro Knaesel Arrabal, um ótimo blog sobre Pesquisas, Monografias e Dissertações. Chama-se “Prática da Pesquisa”, cujo link é: http://www.praticadapesquisa.com.br/

A nós, professores e alunos, mais um bom endereço na Web para facilitar nossos trabalhos e dirimir dúvidas sobre normas de publicação, metodologias e dicas em geral.

– Formação de Professores a Distância superará a de Docentes Presenciais

O “Estado de São Paulo” trouxe no caderno Opinião (06/01/2011) uma matéria interessante sobre a Formação dos Professores do Ensino Básico. Nela, há a informação que em 2015, a maioria dos docentes brasileiros terá se formado em Cursos On-Line de Ensino a Distância (EAD), superando os professores formados em cursos presenciais de faculdades.

Quais as implicações que isso pode trazer? Abaixo, compartilho o texto:

FORMAÇÃO DE PROFESSORES

Com a expansão do ensino a distância, é cada vez maior o número de professores de ensino básico que estão se formando por meio de cursos online, com as aulas transmitidas por computadores e televisão. O sistema funciona por meio da distribuição de apostilas e livros e de uma plataforma na internet, que permite aos estudantes acessar aulas e sugestões bibliográficas. Ao final do período letivo, vários cursos aplicam provas escritas e provas práticas presenciais, enquanto outros se limitam a pedir fichamentos de leituras, relatórios de atividades de pesquisa e um trabalho de conclusão.

Em 2005, 11 mil pessoas concluíram licenciaturas a distância. Em 2010, foram quase 72 mil. Nesse período, o número de professores de ensino básico formados em cursos presenciais caiu, em média, 3,6% ao ano. Atualmente, os alunos de cursos a distância representam 30% do total de estudantes matriculados em licenciaturas. Há cinco anos, eles eram 5%.

Se esse ritmo se mantiver, em 2015 o número de professores de ensino básico graduados em licenciaturas online será maior do que o número de docentes formados nos tradicionais cursos presenciais. Por terem mensalidades muito baixas, os cursos a distância são os mais acessíveis para grande parcela da população, especialmente nas cidades do interior. Mas, se por um lado, a expansão das licenciaturas a distância permitirá ao País atender quantitativamente à demanda por professores de português, matemática, física, química, geografia e história, por outro lado, muitos especialistas encaram os cursos online com reservas, questionando a qualidade da formação por eles oferecida.

Segundo o Anuário Estatístico de Educação Aberta e a Distância, do MEC, o aluno de um curso a distância está na faixa etária de 30 a 35 anos, é casado, fez o ensino básico numa escola pública, trabalha de dia e tem um rendimento mensal de até três salários mínimos. Os defensores do ensino a distância dizem que o sistema ganhou credibilidade e que há cursos online tão bons quanto os tradicionais cursos presenciais. Mas, há três anos, o MEC suspendeu cursos de graduação a distância de quatro instituições públicas e privadas de ensino superior que, juntas, atuavam em mais de 1,2 mil municípios e atendiam quase 55% do total de alunos dessa modalidade educacional. Os cursos estavam defasados, a infraestrutura era precária e as apostilas eram fracas.

“Ninguém é contra o ensino a distância. Acontece que há um grande arsenal de conteúdo e tecnologia, mas que não é usado. Por exemplo, as instituições não dispõem de equipes suficientemente adequadas para o desenvolvimento dos cursos”, diz a professora Bernardete Gatti, da Fundação Carlos Chagas. “As críticas à qualidade do ensino a distância são generalizações sem evidência. Inverto a pergunta. Como está a qualidade no curso presencial?”, afirma o presidente da Associação de Educação a Distância, Fredric Michael Litto.

Lançada no País há 30 anos pela Universidade de Brasília, com base em experiência desenvolvida por universidades inglesas, a educação a distância teve um crescimento vertiginoso na última década. Em 2000, havia 10 cursos desse tipo na graduação, com um total de apenas 8 mil alunos. Em 2008, estavam credenciados no MEC 349 cursos de graduação, com 430 mil estudantes matriculados, e 255 cursos de pós-graduação lato sensu, com 340 mil estudantes.

No início, a educação a distância se limitava a cursos de especialização e fazia parte de programas de extensão universitária. Com o tempo, o número de cursos de especialização foi suplantado pelo número de cursos de graduação criados com o objetivo de formar professores para as escolas da rede pública de ensino fundamental e médio situadas em cidades do interior ou em zonas rurais.

Para os especialistas, o que deflagrou a expansão do ensino a distância foram os programas de substituição, na rede pública, dos docentes que não tinham diploma por professores devidamente graduados. Vencida essa etapa, o desafio agora é assegurar às licenciaturas a distância a mesma qualidade dos cursos presenciais.

– Por mais de 1 bilhão, Kroton compra Unipar

O grupo Kroton, dono de importantes instituições de ensino como a Faculdade Pitágoras, se torna o segundo maior no ramo educacional, ao comprar a Universidade do Norte do Paraná.

Agora, a Anhanguera (SP) é a número 1 do Brasil, com 281 mil alunos, seguida pelo Kroton (MG) com 264 mil e pela Estácio de Sá (RJ), com 247 mil.

Cá entre nós: a cifra de R$ 1.300.000.000,00 é impressionante, não? Negócio assustador, de quem realmente tem ‘bala na agulha’!

NEGÓCIO BATE RECORDE NO SETOR DE EDUCAÇÃO

Empresa mineira investe R$ 1,3 bilhão em busca da liderança do emergente mercado de turmas à distância. Kroton e Unopar terão receita de R$ 1,1 bi e 2º lugar do ensino superior privado, atrás da rival Anhanguera

Por Toni Sciarreta

O ensino superior privado brasileiro teve ontem a conclusão do maior negócio já feito no país.

A mineira Kroton Educacional fechou a compra da Unopar, instituição do norte do Paraná focada no ensino superior à distância, por R$ 1,3 bilhão -cifra que impressionou analistas e bancos de investimento, que viram as fusões e aquisições minguarem no segundo semestre por causa da crise global.

É o segundo meganegócio em menos de três meses do ensino privado brasileiro, setor visto como imune a crises potenciais e que caminha com o aumento de renda da classe média emergente.

Em setembro, a paulista Anhanguera comprou a Uniban por R$ 510,6 milhões.

A aquisição da Unopar fará a Kroton somar mais 162 mil alunos (145 mil de ensino superior à distância e o restante presencial) aos atuais 102 mil. Fica atrás em total de estudantes do ensino superior só da rival Anhanguera, que tem cerca de 281,7 mil alunos. A fluminense Estácio de Sá é a terceira no ranking, com 248 mil estudantes.

O ensino à distância é uma “mina” de geração de caixa, segundo Rodrigo Galindo, presidente da Kroton.

“A principal característica desse negócio é a forte geração de caixa e de elevado crescimento. O ensino à distância cresce mais rápido do que o presencial no Brasil”, disse Galindo, para explicar a aquisição aos analistas.

Neste ano, somente os 145 mil alunos de educação à distância deram uma receita estimada em R$ 416 milhões à Unopar. Somados ao faturamento de R$ 699 milhões da própria Kroton, a nova empresa terá receitas combinadas de R$ 1,1 bilhão.

A Unopar é a maior instituição de ensino à distância no país, à frente da Anhanguera, que tem 83 mil alunos nessa modalidade.

O trabalho é desenvolvido a partir de 469 polos de ensino à distância, verdadeiros centros de tecnologia, em 422 municípios do país.

Todos têm o aval do Ministério da Educação.

Além do ensino à distância, a Unopar tem 16 mil alunos de graduação e pós presencial nos campi de Londrina, Arapongas e Bandeirantes, no norte do Paraná.

CONSOLIDAÇÃO

A aquisição foi costurada pelo Itaú BBA, maior banco de investimento no ramo de fusões, e será feita por meio da editora da Kroton.

Do total de R$ 1,3 bilhão, 80% serão pagos em três parcelas -R$ 650 milhões à vista, R$ 260 milhões em março de 2012 e os R$ 130 milhões restantes em um ano- e 20% em papéis da Kroton, que ontem recuaram 3,09%.

Para a rival Anhanguera, a consolidação da educação privada está só começando e terá novas operações.

“O mercado educacional brasileiro ainda está em processo de consolidação e são positivas essas movimentações, que demonstram a confiança do investidor na alta atratividade e na geração de valor”, disse, em nota.

– O Inteligentíssimo Hawking e o seu Ceticismo Burro

Há pessoas que têm inteligência acima da média. O famoso físico britânico Hawking é um deles. Mas às vezes tanto conhecimento científico cega algumas pessoas à Luz da Fé.

Infelizmente, para muitos, há uma dificuldade de se conciliar Fé e Razão.

Leiam esse artigo sobre a criação do universo, recentemente publicado sobre o pesquisador tão renomado:

Extraído de: http://www.estadao.com.br/noticias/vidae,nao-e-preciso-um-deus-para-criar-o-universo-diz-hawking,639475,0.htm

“NÃO É PRECISO UM DEUS PARA CRIAR O UNIVERSO”, DIZ HAWKING

Cientista britânico polemiza papel da religião na criação do universo em seu novo livro

Em seu mais recente livro, “The Grand Design” (O Grande Projeto, em tradução livre), o cientista britânico Stephen Hawking, afirma que “não é preciso um Deus para criar o Universo”, pois o Big Bang seria “uma consequência” de leis da Física.

“O fato de que nosso Universo pareça milagrosamente ajustado em suas leis físicas, para que possa haver vida, não seria uma demonstração conclusiva de que foi criado por Deus com a intenção de que a vida exista, mas um resultado do acaso”, explicou um dos tradutores da obra, o professor de Física da Matéria Condensada David Jou, da Universidade Autônoma de Barcelona.

Há 22 anos, em seu livro “Uma Nova História do Tempo”, Hawking via na racionalidade das leis cósmicas uma “mente de Deus”. O cientista inglês acredita agora que as próprias leis físicas produzem universos sem necessidade de que um Deus exterior a elas “ateie fogo” às equações e faça com que suas soluções matemáticas adquiram existência material.

Assim, aquela “mente que regia nosso mundo” se perde na distância dessa multiplicidade cósmica, segundo o tradutor.

Hawking admite a existência das equações como fundamento da realidade, mas despreza se perguntar se tais equações poderiam ser obras de um Deus que as superasse e que transcendesse todos os universos.

– Combustíveis Alternativos

O Diesel de cana-de-açúcar, por incrível que pareça, já é uma realidade. Também o de girassol, soja ou mamona. Mas as novidades não param aí: em breve teremos diesel de café, gordura de crocodilo, frango, pinhão e… maconha!

Extraído da Revista Galileu, Ed 2441, pg 32.

COMPLETA DE CROCODILO, CHEFIA

Gordura do réptil vira alternativa barata de biodiesel

Por Ingrid Tavares

Em algumas cidades brasileiras, os ônibus movidos a diesel de cana já são uma realidade. Nos Estados Unidos, é possível que vejamos, daqui a algum tempo, o ônibus movido a diesel de crocodilo. É que a Universidade de Louisiana, estado onde é comum criar o bicho em cativeiro para comer, pesquisadores descobriram que 7 mil toneladas de gordura da carne do predador não são aproveitadas a cada ano. Foi assim que o grupo chefiado pelo engenheiro químico Rakesh Bajpai deu um fim mais nobre às sobras do jantar do que a lata de lixo: o tanque do carro.
Com solventes e um micro-ondas potente, o grupo extraiu 60% de lipídios de amostras congeladas para, então, transformar o resíduo em óleo essencial de ácido graxo, a base do biodiesel. O estudo afirma que a descoberta gordurosa evita o desperdício de alimentos, polêmica associada à soja brasileira, e nutre a demanda dos Estados Unidos em energia alternativa, além de ser uma opção mais barata para os combustíveis renováveis atuais. “A gordura do crocodilo pode render cerca de 1,25 milhão de galões de biocombustível, ao custo de US$ 3 cada”, diz Bajpai.

– Enquanto uns brigam, outros estudam…

Enquanto os rebeldes da FFCHL da USP fazem arruaça, outros estudam e mostram competência.

Veja: estudante de Química da USP desmente cientista que levou o Prêmio Nobel de Química. Abaixo, extraído de: http://gppusp.blogspot.com/

ESTUDANTE BRASILEIRO DESMENTE PRÊMIO NOBEL DE QUÍMICA

Ricardo Kita Nomiyama, estudante do quarto ano do curso de graduação em química, conseguiu realizar um feito que poucos cientistas ostentam em seus currículos.

ESTUDO DE METAL NOBRE

Ricardo Kita Nomiyama, estudante do quarto ano do curso de graduação em química da Universidade de São Paulo (USP), no campus de São Carlos, conseguiu realizar um feito que poucos alunos de graduação ostentam em seus currículos acadêmicos.

O trabalho de iniciação científica de Nomiyama acaba de ser publicado na edição on-line da revista Physical Review B, da American Physical Society, em uma das seções de maior destaque da publicação.

Intitulado “Propriedades estruturais de óxidos usando a teoria funcional da densidade funcional”, o estudo foi realizado durante o terceiro ano de graduação.

Nomiyama utilizou uma ferramenta computacional – conhecida como teoria do funcional da densidade implementada no código VASP – para estudar estruturas atômicas de óxido de platina.

Ele descobriu uma estrutura de monóxido de platina com energia mais baixa do que outra proposta há 70 anos pelo norte-americano Linus Pauling (1901-1994), ganhador do Nobel de Química.

Além desta, ele descobriu duas outras estruturas atômicas de dióxido de platina tão estáveis quanto as já existentes.

“Com o conhecimento que Nomiyama possuía no terceiro ano de graduação e com o auxílio da ferramenta computacional, ele teve condições de dar uma contribuição científica muito relevante para um problema que vem sendo estudado há anos”, disse o pesquisador Juarez Lopes Ferreira da Silva, que orientou o estudante.

– A Incrível Falta de Professores da USP

Sobram vagas para professores de Economia na USP?

É mais ou menos isso… A redução no quadro docente e a falta de especialistas em algumas áreas tem feito a USP mudar a grade curricular para poder tocar seus cursos. 

Extraído de OESP, 08/08/2011, pg A15 

FEA-USP PERDE DOCENTES E REVÊ GRADE DE CURSO

Por Carlos Lordelo

A Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade (FEA) da USP vai enxugar a grade do curso de Economia em razão da falta de professores para lecionar matérias optativas eletivas. Das 50 disciplinas à disposição dos alunos, cerca de metade é oferecida com regularidade. Os estudantes precisam cursar entre 9 e 13 para se formar.

Departamento de Economia da FEA tem hoje 69 professores. Desses, 17 já passaram da idade de se aposentar e 3 estão licenciados. Há duas décadas, estima-se em 120 o número de docentes. À medida que o contingente foi diminuindo, algumas disciplinas praticamente deixaram de existir, pois haviam sido criadas como resultado de pesquisas de professores.

Alunos dizem que matérias como Economia Agrícola, Economia do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais e Economia e Responsabilidade Social não abrem turmas há pelo menos três anos.

A faculdade enfrenta dificuldades para recompor o quadro de professores, entre outros motivos, por causa do aquecimento da economia. Profissionais bem formados estão sendo disputados pelas empresas. Além disso, a FEA sofre concorrência de instituições privadas – como a Fundação Getulio Vargas (FGV) e o Insper – que também atraem professores iniciantes. No ano passado, a USP não conseguiu preencher duas vagas abertas para docentes de Economia.

A reportagem tentou contato com o diretor da FEA, Reinaldo Guerreiro, mas ele está viajando. O chefe do Departamento de Economia, Denisard Alves, e a coordenadora do curso, Vera Fava, não quiseram se manifestar.

Os professores do departamento têm até o dia 2 de setembro para votar as mudanças na grade. As alterações ainda devem ser apreciadas por órgãos colegiados da FEA e da universidade. Se aprovadas, passarão a valer para os ingressantes a partir de 2013.

Duas propostas estão em jogo. A primeira, da coordenadora Vera Fava, prevê a reorganização das eletivas em 10 módulos – matérias de seis créditos-aula e dois créditos-trabalho que seriam ministradas por entre dois e quatro professores. Além das obrigatórias, o aluno cursaria cinco módulos para se formar. Hoje, duas matérias funcionam nesse esquema: Organização Industrial e Antitruste e Avaliação de Políticas Sociais. Créditos-trabalho servem para compensar o aluno pelas atividades extraclasse.

A outra sugestão veio do professor Rodrigo De Losso. A ideia é adicionar dois créditos-trabalho às obrigatórias centrais do curso (Macroeconomia, Microeconomia e Econometria), o que implicaria a redução da carga horária destinada às matérias optativas de 26% da grade para 16%. “Temos muito mais eletivas no currículo do que seria salutar, considerando o número de professores do departamento”, disse o docente ao Estadão.edu.

Pela proposta, a FEA também teria de fazer uma faxina nas optativas de Economia, sendo obrigada a oferecer 15 disciplinas todo ano. Para colar grau, o aluno precisaria pegar oito. “Queremos que nosso aluno seja um exemplo de formação em Economia.” Segundo De Losso, as mudanças vão aumentar a eficiência do departamento. “Hoje é uma confusão, porque tem um monte de disciplinas em que professores ministram aulas para 10, 12 alunos.”

DEBATE: Estudantes ouvidos pela reportagem sob a condição de anonimato fizeram ressalvas às duas propostas, mas dizem preferir a do professor De Losso. Eles acham a ideia dos módulos difícil de ser executada porque exige sintonia entre os docentes que lecionam a mesma disciplina. “Além disso, acabaria com as matérias atuais e passaríamos a ter eletivas totalmente novas”, afirmou uma aluna do 2.º ano.

Por outro lado, disse essa mesma estudante, a limpeza proposta por De Losso facilitaria a vida do aluno na hora de planejar sua formação. “Da forma como é hoje, não dá para saber quais e quando as eletivas serão oferecidas.”

Apesar de não ter feito nenhuma optativa até agora, um calouro acredita que a mudança do currículo vai afetar a “pluralidade” do curso. “A universidade deveria ser um espaço de debate. Quanto menos professores e matérias, menos espaço para a circulação de ideias.”

Outro aluno, do 3.º ano, se diz preocupado porque a faxina na grade poderia deixar de fora disciplinas que são ministradas por docentes aposentáveis, a exemplo de Economia Política Contemporânea e Metodologia da Economia. “As propostas são uma ameaça à diversidade que poderíamos ter em nossa formação. Mas a falta de professores talvez seja uma realidade a que temos de nos adaptar.”

– Novas Graduações nas Faculdades

Administração e Direito são os cursos universitários mais oferecidos no mercado.

Entretanto, na segunda década do século XXI, surgem novas oportunidades, como cursos de Graduação em Biodiversidade e Energia Renováveis.

Extraído de: OESP, 11/04/2011, pg 12C

NOVAS GRADUAÇÕES SOB MEDIDA PARA O MERCADO

Por Ocimara Balmante 

Tradicionais nos catálogos das universidades, os cursos de Direito e de Administração têm ganhado, ano a ano, companheiros bem inusitados. Primeiro vieram os cursos de graduação tecnológica, com um cardápio que incluía de Quiropraxia a Irrigação. Nos últimos anos, começam a figurar os bacharelados não convencionais. A Universidade Federal da Bahia (UFBA), por exemplo, oferece o bacharelado em Estudos de Gênero e Diversidades. Na Universidade Estadual de Minas Gerais (UEM), o vestibulando pode optar pelo curso de Ciência e Tecnologia de Laticínios.

Os bacharelados buscam atender a novas demandas do mercado – principalmente em áreas como biodiversidade e energias renováveis – com currículos que obedecem à peculiaridades regionais, como é o caso do curso de Agroecologia da Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa), que teve a primeira aula no mês passado em Belém.

“Na Região Norte, o engenheiro chega para fazer o inventário florestal e a população pergunta como faz para resolver o problema de um animal”, diz João Ricardo Vasconcellos Gama, diretor do Instituto de Biodiversidade e Florestas. “Por isso, criamos um curso que mescla temas como agronomia e zootecnia. O profissional sai especializado em agricultura familiar.”

Para garantir a empregabilidade dos egressos, o projeto pedagógico foi submetido à consulta pública, da qual participaram ONGs, Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), fazendeiros e industriais.

Energia renovável. No outro extremo do País, de olho nos parques eólicos que estão sendo construídos nas redondezas, a Universidade Federal do Pampa (Unipampa) criou o curso de Engenharia de Energias Renováveis e Ambiente, no câmpus de Bagé (RS). “Tivemos uma explosão dessa área aqui na região, criamos o curso e agora já há outras universidades pedindo para usar o nosso currículo e até o nosso nome”, diz a coordenadora do curso, Cristine Schwanke.

O objetivo é que o engenheiro saia com competência para atuar da geração à gestão da energia. “Hoje, as empresas contratam empresas onde cada um faz um pouco. O nosso profissional vai desempenhar o trabalho sozinho.”

Motivado por esse mercado sustentável, João Marcos Druzian, de 21anos, decidiu estudar Engenharia Mecânica: Energias Renováveis e Tecnologia Não Poluente. É aluno da primeira turma do curso na Universidade Anhembi Morumbi, de São Paulo. Começou no ano passado, impulsionado pelo Erbanol, o carro projetado pelo Núcleo de Estudos em Produção mais Limpa que roda 140 km com um litro de etanol. “As empresas estão investindo em novas tecnologias. Optei por um mercado promissor.”

Faltam interessados. Na hora de lançar um novo curso, no entanto, não basta avaliar o mercado e desenhar um bom currículo. É preciso encontrar quem esteja disposto a se embrenhar na nova área, principalmente quando ela foge totalmente do convencional. Apesar de gratuito, o bacharelado em Estudos de Gênero e Diversidades da UFBA, oferecido há três anos, ainda não consegue preencher as 50 vagas oferecidas anualmente.

“Estamos pagando um preço pelo pioneirismo. As pessoas ainda acham que gênero é uma coisa muito específica”, afirma Márcia Macedo, coordenadora do Núcleo de Estudos Interdisciplinares sobre a Mulher.

O currículo do bacharelado inclui temas como feminismo, etnia, relações de poder e orientação sexual. A sala de aula reúne, entre outros, advogados, assistentes sociais, sindicalistas e militantes do movimentos negro. “A diversidade não está só no nome do curso. Precisamos ocupar nosso espaço”, diz Márcia.

Em São Paulo, a Universidade Cruzeiro do Sul não conseguiu alunos suficientes para viabilizar o bacharelado em Bioinformática, oferecido no vestibular do início do ano e com a descrição ainda no ar no site da instituição. “Queremos acompanhar as tendências do mercado, mas os alunos brasileiros ainda preferem uma carreira mais tradicional”, afirma Luiz Henrique Amaral, pró-reitor de graduação.

Para aumentar o número de interessados no processo seletivo do meio do ano, a estratégia da instituição é dar prioridade à divulgação em anúncios e propagandas. “Acreditamos no curso. Só precisamos explicar melhor, porque pouco se sabe sobre o assunto. É uma profissão do futuro”, completa Amaral.

Foco. Apesar de as universidades terem autonomia para oferecer novos cursos, em alguns casos falta bom senso, pondera o consultor Carlos Monteiro, da CM consultoria em Educação.

O principal erro, segundo ele, está na modalidade de graduação. “Equivocadamente, ainda somos o País dos bacharéis. Sempre fazemos o curso ficar maior do que precisa sem pensar que, em muitos dos casos, o melhor seria oferecer a graduação tecnológica, mais curta e focada.”

A escolha errada traz consequências sérias: o bacharelado pode não sobreviver a mais de uma turma ou registrar altos índice de evasão.

PRESTE ATENÇÃO

1. Escolha. Antes de se matricular em um curso novo, informe-se sobre o mercado de trabalho.

2. Análise. Veja se currículo e formação dos docentes são coerentes com o curso.

3. Parcerias. Ganha pontos a instituição que tiver convênios estabelecidos.

4. Coerência. Confira se não é um curso tradicional travestido de outro nome.

– DuPont: a Empresa Exemplo em Inovação e Empreendedorismo na Química

A DUPONT, empresa que detém o pioneirismo em algumas tecnologias, como o Teflon, a Lycra e o Nylon, lança desde 1802 uma patente a cada 2 dias! Possui 8.500 cientistas, dos químicos a outros profissionais, todos empenhados em INOVAR!

Impressionante.

Extraído de: http://epocanegocios.globo.com/Revista/Common/0,,EMI185225-16642-1,00-A+REINVENCAO+DA+POLVORA.html

A REINVENÇÃO DA PÓLVORA

A profissão mais gratificante na pacata Wilmington é a de professor de ciências. Cada experiência científica em sala de aula é acompanhada com grande entusiasmo pelos alunos, ávidos por entender, detalhadamente, como aquilo tudo funciona. Os professores ensinam um novo conteúdo e, ao final da explicação, uma enxurrada de mãos se levanta, querendo saber mais. No geral, os alunos de Wilmington não estão interessados em ter profissões corriqueiras – eles falam em ser engenheiros genéticos, pesquisar a natureza dos polímeros ou dedicar-se à nanometria. É por isso que a menina Natasha Patnaik, de 8 anos, destoou do grupo quando comentou na escola sobre seu sonho em trabalhar com golfinhos. Humm… O que poderia se tornar? Poucos dias depois, ela apareceu dizendo que iria estudar engenharia marítima. Esperta, a Natasha.

Um olhar atento à demografia de Wilmington ajuda a entender o motivo da fixação das crianças por ciências. Com apenas 72 mil habitantes e distante 200 quilômetros de Nova York, a maior cidade do estado de Delaware é cravejada de cientistas. Cerca de 30% das famílias têm pelo menos um pesquisador em casa. Nesta cidade, onde o passatempo de domingo é ir a um shopping, existem laboratórios que formam e atraem cientistas com bons salários e incentivos para seguir uma promissora carreira de pesquisador. Eles mudam-se para Wilmington com o objetivo de trabalhar na sede de uma das maiores empresas de ciência do mundo, a DuPont.

Fundada às margens do rio Brandywine em 1802 pelo imigrante francês Eleuthère Irénée du Pont, pupilo do célebre químico Antoine-Laurent de Lavoisier, que lhe ensinou a manusear a pólvora, a presença da DuPont em Wilmington marcou a região. Quem não trabalha na empresa conhece alguém que dá expediente por lá ou que tem ligação com o fascinante mundo das pesquisas e inovações. E isso tem uma influência positiva sobre as crianças. “Minha filha chegou em casa dizendo que tinha o sonho de trabalhar com golfinhos. Eu então sugeri: por que você não estuda engenharia marítima? Vai poder pesquisar os golfinhos, entender como eles são, brincar com eles – e ainda ganhar dinheiro”, diz o indiano Ranjan Patnaik, pai de Natasha e cientista da DuPont há sete anos.

Às vésperas de completar 210 anos, a DuPont já faz parte da história das grandes corporações como uma das mais antigas do mundo. Por sua longevidade, é possível encontrar famílias cuja trajetória está intimamente ligada a ela. David Miller, 55 anos, faz parte da quinta geração de seu clã a trabalhar na empresa. “O sucesso para se manter durante tanto tempo é que a matéria-prima da DuPont é a oportunidade, o que estimula quem trabalha com conhecimento e inovação”, diz Miller, na empresa há 25 anos e hoje presidente da área de Eletrônicos e Comunicações. Segundo o executivo, a DuPont de hoje é totalmente diferente daquela em que seus antepassados trabalhavam. O bisavô de Miller, por exemplo, morreu em 1865, numa explosão ocorrida quando a empresa ainda estava ligada ao seu negócio inicial: a fabricação de explosivos.

Da pólvora ao espaço

Muita coisa mudou desde que foi pelos ares a oficina onde o bisavô de Miller trabalhava. A DuPont transformou-se numa multinacional com faturamento de US$ 26 bilhões e 58 mil funcionários espalhados por 80 países. Longe de ser uma fabricante de pólvora, ela hoje atua em 13 áreas de negócios diferentes, desenvolvendo produtos que vão de pesticidas a componentes para a montagem de espaçonaves.

Ao longo de seus mais de 200 anos, a DuPont foi responsável por dar à humanidade invenções que mesmo depois de décadas seguem revolucionárias. Uma delas é o Teflon, substância que, além de permitir que os ovos não grudem na frigideira, também é usada em escala industrial, como na produção de canos para plataformas marítimas. Também criou o Nylon – o polímero sintético mais utilizado do mundo – e desenvolveu a Lycra, que revolucionou o setor de vestuário. Os astronautas, por sua vez, só chegaram ao espaço graças aos uniformes feitos com Nomex, tecido que resiste a temperaturas extremas. E os bancos só podem transportar grandes somas em dinheiro por causa da blindagem dos veículos – feita com Kevlar. Estimativas da própria DuPont mostram que, ao longo de sua história, a companhia registrou uma nova patente a cada dois dias, e hoje já somam mais de 34 mil. Esse histórico de invenções coloca a DuPont no rol das empresas mais inovadoras do mundo – e o melhor espelho disso está em seus resultados. Cerca de 40% do faturamento de 2009 foi proveniente de produtos lançados nos últimos cinco anos. Só no ano passado, quatro inovações por dia saíram de seus laboratórios.

 

Berçário de sementes 

A DuPont aplicou, em 2009, US$ 1,4 bilhão em pesquisa e desenvolvimento, sendo que 75% desse valor é destinado aos projetos voltados para o que a empresa chama de megatendências. Trata-se do resultado de um trabalho de mais de dois anos conduzido por Mark Vergnano, vice-presidente executivo, em conjunto com uma equipe de seis executivos. Eles se reuniram com analistas de mercado e consultores de institutos de pesquisa para entender quais seriam as grandes questões que o mundo teria de enfrentar nos próximos anos e como a DuPont poderia desenvolver soluções dentro de suas especialidades. O resultado da imersão da equipe de Vergnano surgiu no começo de 2008, quando a empresa mapeou as quatro grandes prioridades para os anos seguintes: aumentar a produção de alimentos, reduzir a dependência de recursos fósseis, promover maior proteção às pessoas e ao meio ambiente e desenvolver produtos para mercados emergentes.

A mais importante delas atualmente é a produção de alimentos, para a qual a empresa destinou no ano passado a metade dos recursos destinados à pesquisa – US$ 700 milhões. O motivo para tanto investimento está embasado no cruzamento de números divulgados recentemente pela Organização das Nações Unidas. Segundo a ONU, o planeta atingirá 9 bilhões de habitantes até 2050 – número 35% superior ao da população atual. Isso exigirá aumento na produção de alimentos. O problema reside no fato de que não é possível expandir as áreas disponíveis para plantio no mesmo ritmo do aumento populacional simplesmente porque não existe terra fértil em quantidade suficiente. As pesquisas da DuPont nesta área, portanto, concentram-se em aumentar a produção de alimentos aproveitando ao máximo a área plantada. A ideia é fazer com que as plantas cresçam mais rapidamente e resistam a geadas e secas.

“Olhe para esses pequenos bebês”, diz David Warner, referindo-se às mudas de milho que passam por uma esteira no laboratório da Pionner Hi-Bred, o braço de sementes adquirido pela DuPont em 1997, localizado em Des Moines, no interior do estado de Iowa. “Em breve vamos saber quais genes implantados as farão sobreviver e quais não terão impacto positivo.” De camisa polo verde e calça cinza, uma espécie de uniforme dos cientistas em campo, Warner passa despercebido em meio aos outros 20 pesquisadores que trabalham cuidando especificamente da área de grãos geneticamente modificados. Mas é ele o chefe, responsável por levar adiante esta que é considerada uma das maiores inovações na área de grãos dos últimos tempos. Trata-se de modificar os genes do milho de modo que ele fique mais resistente à ação da seca. Estima-se que US$ 13 bilhões seja o valor de plantações perdidas por causa da seca ao redor do mundo. E só nos Estados Unidos, 85% delas sofrem com o problema da escassez de água. Desenvolver sementes mais fortes, portanto, representa um mercado de bilhões de dólares a cada ano.

Não é à toa que a equipe de Warner trata as plantas com o carinho de quem cuida de um berçário. Na estufa por onde passam as mudas sobre uma esteira estão instaladas câmeras em 3D, por meio das quais é possível monitorar a resposta das plantas à inserção de genes em suas sementes. São esses genes que as tornarão mais fortes e resistentes à aridez sem perder suas propriedades naturais. As primeiras mudas já deixaram a estufa e estão em fase de testes em Des Moines. O milho mais resistente deverá chegar às plantações do mundo todo até 2015. “Desenvolver uma planta que consegue crescer com pouca água parece coisa de ficção científica. Mas esqueça a ficção. É só científico”, diz Warner.

Numa outra linha de pesquisas de ponta da DuPont que mescla duas macrotendências – alimentação e proteção do meio ambiente –, há o desenvolvimento do ômega 3, substância encontrada em salmões e sardinhas, cuja ingestão ajuda no combate ao colesterol. A DuPont conduziu um levantamento e descobriu dois dados que ajudaram a levar adiante a ideia de reproduzir a substância em laboratório, reduzindo drasticamente a necessidade de pescar os peixes. O primeiro mostra que apenas 10% das pessoas consomem a quantidade de peixe necessária para que o ômega 3 traga benefícios. Outra curiosa informação é que muitas outras o ingerem por meio de pílulas e alimentos enriquecidos com o óleo extraído dos peixes. “Nosso produto trará grande impacto para as pessoas, que terão novas formas de acesso à substância, e também para o meio ambiente”, resume Ana Goes, brasileira que integra a equipe de coordenadores da pesquisa de ômega 3. Outro impacto importante deve ocorrer nas finanças da DuPont. O mercado de ômega 3 movimenta cerca de US$ 2,5 bilhões ao ano somente nos Estados Unidos.

Lugar de Nobel

Grande parte das novidades que saem das fábricas da DuPont é concebida em um local que pode ser considerado o pai dos laboratórios de pesquisa de inovação do mundo: a Estação Experimental, que serviu de inspiração para quase todos os laboratórios que surgiram depois dele. Quando foi criado, em 1903, apenas a GE havia construído espaço semelhante dedicado exclusivamente à pesquisa e inovação.

A área da Estação Experimental equivale a 60 campos de futebol e abriga, ao todo, 50 prédios. Pesquisadores de diferentes nacionalidades (chineses, americanos, indianos, africanos) circulam por esse condomínio, cujas alamedas e ruas recebem nomes de cenários de livro de ficção científica, como Laboratory Road. A diversidade de estilos lembra uma avenida movimentada de grande metrópole: alguns profissionais vestidos de maneira mais formal (sapato, camisa e calça sociais), outros à vontade (jeans e tênis) e aqueles que não deixam dúvidas sobre suas atribuições, paramentados com o indefectível jaleco de laboratório. Neste campo, situado a 15 minutos de Wilmington, trabalham 2 mil profissionais – um quarto dos pesquisadores do quadro mundial da DuPont.

Ao longo de mais de um século de existência, a Estação Experimental colecionou milhares de patentes e formou até um prêmio Nobel. Foi entre os microscópios e tubos de ensaio do centro de P&D da DuPont que Charles Pedersen, recrutado pouco depois de receber seu título de mestre pelo MIT, construiu toda a sua carreira. Seus 42 anos de trabalho na empresa renderam 65 patentes. Depois de se aposentar e começar a se dedicar à jardinagem e poesia, seus hobbies favoritos, Pedersen teve seu trabalho reconhecido com a premiação máxima que um cientista pode receber. Em 1987, ele ganhou o Prêmio Nobel de Química por seus estudos de moléculas artificiais que imitam reações químicas naturais do corpo.

A história de Pedersen lança luz sobre uma importante característica da DuPont no gerenciamento da inovação: seu modelo para recrutar, reter e formar os melhores cientistas. A exemplo do que ocorreu com Pedersen, cerca de 70% da mão de obra dos laboratórios é recrutada no momento em que termina a faculdade ou cursos de especialização – de preferência nas melhores universidades.

Os pesquisadores mudam-se para a pacata Wilmington atraídos por uma série de benefícios. Um deles, obviamente, é o salário – um Ph.D. em início de carreira ganha cerca de US$ 100 mil ao ano. Mas além dos salários, os pesquisadores são incentivados e reconhecidos com prêmios como o Engineering Excellence Award e o Lavoisier Medal, concedidos uma vez ao ano para os projetos e pesquisadores de destaque. E, a exemplo do que já ocorre nos níveis administrativos, inovações no ambiente de trabalho também são premiadas. Existe, por exemplo, o chamado “Night on the Town”, em que o pesquisador recebe um prêmio de US$ 100 para jantar fora. “Boas ideias precisam de um ambiente que as nutra”, diz o pesquisador francês Stephane Bazzana, especialista em biocombustíveis de 35 anos, e há seis na DuPont.

Mas a remuneração e o reconhecimento são apenas uma fração do que move cientistas como Bazzana a se instalarem na DuPont. Outro componente-chave para arrebanhar jovens talentos diz respeito ao histórico da empresa. Por ter se tornado referência nas áreas em que atua, ela construiu uma reputação no mundo dos pesquisadores – e é almejada por eles. “A DuPont era referência bibliográfica de todos os livros que eu estudei na faculdade. Quando eu recebi a proposta de trabalho, era como se estivesse realizando um sonho”, diz Bazzana, que foi selecionado assim que recebeu o diploma de Ph.D. em nanotecnologia na

Universidade da Califórnia.

Bazzana deixa claro que não hesitou em se mudar para a cidade, de onde até a atual presidente da DuPont, Ellen Kullman, precisou sair aos 18 anos porque “morria de tédio”. O pesquisador justifica, com sotaque francês: “Não estamos longe dos grandes centros, como Filadélfia e Nova York. Mas, por outro lado, não enfrentamos os problemas de cidade grande. Demoro cinco minutos para ir ao trabalho”. E faz um adendo, com precisão científica: “Seis minutos, se pegar sinal fechado”.

Para recrutar e reter os melhores cientistas em seu quadro de funcionários, a DuPont faz uso de mais um trunfo. Ela desenha um plano de carreira nos mesmos moldes e com o mesmo rigor com que o faz na área gerencial. Assim, ao ingressar na empresa, um Ph.D. consegue ter uma ideia sobre como deve conduzir sua trajetória profissional e aonde poderá chegar. Da mesma maneira que ocorre com executivos, os pesquisadores também são submetidos a uma avaliação em 360 graus. Eles são avaliados pelos subordinados, por seus pares e pelo chefe. Aqueles que se destacam entram para um seleto time chamado Top Talents.

O acaso

O grupo de talentos é monitorado diretamente por um conselho formado por diretores e vice-presidentes. Uma vez por mês, essa equipe se reúne para avaliar o andamento profissional do grupo e atribuir a cada um dos talentos novos desafios. “Assim, as pessoas se sentem constantemente estimuladas”, diz Ana Cristina Piovan, diretora de Recursos Humanos da subsidiária brasileira, que também aplica essa metodologia. Se um dos integrantes do Top Talents sai da empresa, seu chefe tem de dar explicações ao restante do conselho. Perder um cientista brilhante pode custar milhões de dólares a uma empresa que vive da produção de inovações e que construiu, ao longo de dois séculos, um dos mais afinados processos de sinergia entre a academia e o mundo dos negócios.

Chega a soar quase antagônico o atual slogan da DuPont, “os milagres da ciência”. Milagre, afinal, pressupõe a presença de algo sobrenatural e inexplicável – quando na verdade não há nenhum milagre por trás das inovações científicas. Há técnicas e processos.

Nessa seara, a experiência acumulada em mais de dois séculos é de alguma ajuda. Um dos conceitos bem assimilados na DuPont é que a ideia inicial de um projeto não depende de um processo estruturado. Ela pode acontecer em qualquer lugar e não há como ser controlada – e nem é bom que seja. O que acontece depois da ideia inicial, sim. Precisa seguir métodos e processos em duas vertentes: a tecnológica, que permita seu desenvolvimento, e a comercial, que permita sua inserção no mercado. A história por trás da invenção de uma de suas marcas registradas mais reconhecidas ajuda a ilustrar como ocorreu esse aprendizado.

O teflon, criado na década de 30, é o material com o menor índice de abrasão do mundo – e foi descoberto por acaso. O pesquisador Roy J. Plunkett realizava experiências com gases para refrigeração. Deixou um dos experimentos “dormindo” da noite para o dia. Na manhã seguinte, quando chegou ao laboratório, percebeu que o gás havia sumido e espontaneamente gerado uma substância branca e pegajosa. Ele levou adiante as experiências para investigar a fundo o processo e, sete anos de estudos depois, a DuPont transformou a substância, batizada de Teflon, em patente, e passou a comercializá-la na fabricação de máquinas e em plantas industriais.

Mas a forma mais conhecida e utilizada do teflon em todo o mundo – seu uso em utensílios domésticos – só ocorreu em 1954. E não foi invenção da DuPont. Foi fruto de uma briga de casal. O engenheiro francês Marc Grégoire passava teflon na linha de pescar para que ela não emaranhasse quando fosse guardada. Irritada com tamanha dedicação do marido à pescaria, a mulher pediu que ele usasse o tal produto para algo mais útil: suas panelas. Como o material não gruda em nada, o desafio era fazê-lo aderir ao ferro da panela – algo que o francês conseguiu mecanicamente, por meio de pequenas reentrâncias feitas no utensílio. O fato de ninguém na DuPont ter descoberto um uso doméstico e uma outra finalidade de comercialização do teflon atenta para um formato de pesquisa que precisou ser refinado ao longo do tempo. Lição aprendida: sim, a experimentação e o incentivo às novas ideias são fundamentais para a inovação. Mas igualmente importante é a aplicação prática dessas pesquisas.

Isso mudou na segunda grande reinvenção da DuPont, ocorrida há pouco mais de dez anos. De uma empresa química, tornou-se uma empresa de ciência. E, para tanto, passou a direcionar como nunca as suas pesquisas para o mercado.

Para chegar a um produto final, o desenvolvimento de uma nova ideia cumpre etapas. Em todas elas o projeto é avaliado por grupos multidisciplinares, formados por pessoas de diferentes áreas, incluindo a comercial e o marketing. Os projetos precisam passar pelo crivo desse time de avaliadores – se são reprovados, desiste-se de tocá-los adiante. No ano passado, para criar 1,4 mil novos produtos, o processo de inovação descartou outras 30 mil ideias e abortou 5 mil projetos já em andamento. “A coisa mais difícil do mundo é ‘matar’ um projeto”, diz John Jansen, vice-presidente de pesquisa e desenvolvimento para a América Latina. “Mas é preciso fazer isso para selecionar as pesquisas que realmente vão trazer algum retorno para a companhia.” 

Ciência prática

Soa mercadológico demais para atrair cientistas? Pelo contrário. O fato de desenvolver pesquisas que tenham a ver com problemas reais que necessitem de solução é um apelo e tanto para despertar nos pesquisadores a chance de ver seu trabalho sendo aplicado à prática.

Um ambiente que crie esse tipo de oportunidade acaba atraindo até cientistas com carreiras já consolidadas. Se os 70% de pesquisadores são recrutados quando saem do mundo acadêmico, os outros 30% vêm do mercado, como o indiano Patnaik, de 41 anos. O engenheiro entrou na DuPont bem depois de ter conseguido seu Ph.D. e ter nas costas uma estrada de sete anos trabalhados em empresas e universidades no estado do Texas. Mudou para a DuPont porque sentiu-se atraído, entre outras coisas, pela possibilidade de fazer pesquisas casadas com a prática. E não só em sua área, a de biocombustíveis. “Ninguém aqui trabalha em ilhas. Temos portas abertas para construir projetos em conjunto com colegas que tenham outras habilidades. Isso abre um leque de possibilidades para experimentar e aprender”, afirma Patnaik, que recentemente passou dez dias no Brasil estudando sobre cana-de-açúcar e etanol. “A conexão em diferentes áreas é um fator decisivo à inovação. Muitos projetos lá fora andam 90% e falham nos últimos 10% do caminho porque falta essa ligação.”

A facilidade de transitar por áreas e a necessidade de desenvolver projetos em parceria explica o jeito com que a DuPont vai até o mercado recrutar os profissionais mais qualificados. A empresa fez um mapa com 26 competências em que atua, como biotecnologia, nanotecnologia e engenharia de processos, e procura um perfil que se encaixe em alguma delas. Ou seja, não busca pessoas com linhas de pesquisa ou formação específicas. Dentro da empresa, conforme o profissional vai se desenvolvendo na carreira de pesquisador, ele começa também a transitar por outros campos, o que lhe dá conhecimento sobre áreas diferentes e a possibilidade de mudar de setor.

Essa maleabilidade na carreira explica em grande parte um fenômeno que se observa dentro da empresa: o tempo de casa de muitos pesquisadores, que pode ser contado em décadas. A engenheira taiwanesa Shu-Chien Liang, de 42 anos, chegou há 15 na DuPont – a cada cinco anos passou por uma área diferente. Começou com a proteção de plantações, passou para soluções químicas e agora está na área de biociências. “Não tenho tempo para ficar entediada de meu trabalho porque me sinto constantemente desafiada.” A cientista está hoje naquele projeto de desenvolvimento de ômega 3 em laboratório, com a brasileira Ana Goes, Ph.D. em engenharia bioenergética.

Ana, por sua vez, reflete uma outra face do caminho profissional dos pesquisadores na DuPont: eles podem seguir carreiras mais voltadas aos negócios. Há dois anos e meio na empresa, ela se tornou uma espécie de executiva-pesquisadora. É encarregada de fazer o meio de campo entre os laboratórios de pesquisa e a fabricação dos inventos em larga escala. “Quando eu fazia meu Ph.D. eu sempre disse aos meus professores que queria ver meu trabalho concretamente”, diz Ana.

A poderosa Ellen

Nos últimos dois anos, o processo de pesquisa voltado ao mercado ganhou ainda mais fôlego com a chegada de Ellen Kullman, a atual CEO. Loira, olhos azuis, 52 anos de idade e 20 de DuPont, ela assumiu o cargo em tempos turbulentos. Sob suas mãos bem cuidadas, com as unhas sempre pintadas de vermelho, a empresa superou a recente recessão americana, o momento mais difícil desde a Grande Depressão de 1929. O feito de Ellen a colocou em sétimo lugar na lista das 100 mulheres mais poderosas do mundo da revista americana Forbes.

A recente recessão atingiu a empresa de forma brutal. Para se ter uma ideia da dimensão do problema, 40% dos carros produzidos nos Estados Unidos são pintados com tintas feitas pela DuPont, fabricadas dois dias antes sob demanda. De uma hora para a outra essa demanda zerou, por causa da derrocada das gigantes do mundo automobilístico. Foi um baque nas contas da corporação de Wilmington. Além de enfrentar a recessão, Ellen também precisou aparar arestas deixadas por seu predecessor. Charles Holliday, que ficou no comando desde 1998, foi o responsável pelo passo inicial de transformar a DuPont, então uma empresa química, em uma companhia de pesquisa e inovação. Foi bem-sucedido por um lado: a empresa entrou em novos negócios e tornou-se referência em sustentabilidade. Em 2005, em um ranking feito pela revista BusinessWeek, foi citada como a companhia que implementou as melhores práticas de corte de emissão de gás carbônico, reduzindo-a em 65% em dez anos. Em outros aspectos, a gestão de Holliday foi um pouco atabalhoada, de acordo com os analistas que acompanham este mercado. Um deles foi direcionar os negócios para áreas nas quais a DuPont não tinha nenhum conhecimento, como a de sementes, e deixar para trás algumas outras onde havia anos de expertise, como a de fios. “Foi uma aposta arriscada, que precisava de tempo para amadurecer. Só agora é que o mercado vai saber se foi acertada”, disse a Época NEGÓCIOS John Roberts, analista da Buckingham Research.  

Esse momento de transição, somado à econômica, rendeu resultados pouco felizes: o crescimento estancou, as vendas declinaram e a empresa perdeu valor de mercado. Em 2009, o preço das ações da DuPont despencou 30% e a companhia registrou lucro de US$ 200 milhões, ínfimo para seus padrões. Ellen foi obrigada a anunciar drásticas medidas de redução de custos: demitiu 4,5 mil funcionários, deu férias não remuneradas e cortou os custos fixos anuais em mais de US$ 270 milhões. Também diminuiu US$ 200 mil do próprio salário anual, de US$ 1,7 milhão. “O primeiro movimento dela foi corajoso. Ela bancou uma medida radical, que soava muito impopular, mas que foi crucial para recuperar a saúde financeira da empresa”, diz Jeffrey Zekauskas, analista da consultoria JPMorgan. A recuperação veio neste ano, graças, sobretudo, ao aumento de vendas para os mercados emergentes. O segundo trimestre de 2010 foi o melhor dos últimos cinco anos, com um lucro de US$ 1,1 bilhão – quase três vezes mais que o do mesmo período de 2009. O bom desempenho trouxe de volta a confiança do mercado e fez as ações voltarem a subir. A previsão é que o faturamento deste ano aumente 15% em relação a 2009, chegando aos US$ 30,8 bilhões.

Chama a atenção, no entanto, que as severas medidas de Ellen pouco impacto tiveram na vida dos pesquisadores. Nem um centavo foi mexido nos investimentos de US$ 1,4 bilhão destinados a pesquisa e desenvolvimento. Ao contrário. “Durante a crise decidimos que, enquanto todo mundo estava retirando investimento em pesquisa, deveríamos mantê-los”, disse Ellen a Época NEGÓCIOS (veja a entrevista exclusiva na página 168). “A inovação está no cerne de nosso negócio. É a partir dela que conseguimos fazer a diferença na vida das pessoas e dos clientes ao redor do mundo. Não poderíamos deixar de investir.”

No fim das contas, o ano mais difícil foi também o mais inovador. Em 2009, a empresa conseguiu bater um recorde histórico de seus 200 anos, depositando mais de 2 mil pedidos de patente – 8% a mais do que no ano anterior. Hoje, seis de cada dez inovações saídas dos laboratórios são para substituir um produto antigo. A meta de Ellen é reduzir este número e fazer com que pelo menos 50% das inovações feitas nos laboratórios sejam lançamentos. Alguns deles, vindos de novos celeiros de pesquisas, como o Brasil.

Mercados Emergentes

“Desculpe o barulho, viu?”, diz a engenheira química Ariana Azevedo Bottura, fechando a janela. “E desculpe essa tremedeira toda. Você está sentindo?” O barulho e a tremedeira na sala, causados pelas retroescavadeiras que trabalham ali perto, dão a noção de que alguma coisa está em transformação no terreno onde a DuPont montou seu laboratório de pesquisas no Brasil. Instalado na cidade de Paulínia, a 120 quilômetros de São Paulo, o lugar, batizado de Centro de Inovação Tecnológica, é a versão brasileira da Estação Experimental. Foi construído em plena crise e inaugurado no fim do ano passado. Engenheira formada pela Unicamp e ex-trainee da DuPont, Ariana é encarregada da infraestrutura da obra de Paulínia, onde até 2012 terão sido investidos R$ 14 milhões para a ampliação e construção de novos prédios – o que colocará o Brasil no mapa das pesquisas mundiais da companhia. O país, junto com as economias emergentes, ganhou uma importância estratégica inédita para a DuPont. Hoje, os emergentes respondem por 30% do faturamento, e devem alcançar 35% em 2012.

Antes, a criação de novos produtos era feita somente nos países desenvolvidos, onde havia mercado para eles. Depois, as inovações eram adaptadas para os mercados, digamos, menos robustos. Agora a lógica é outra – e o laboratório de Paulínia é um exemplo disso. De lá já estão saindo produtos concebidos especificamente para o mercado latino-americano, como o Armura, uma blindagem popular para automóvel que custa a metade do preço de uma tradicional. “A Armura jamais teria sido inventada por uma pessoa que não estivesse na nossa realidade. Por isso acreditamos que algumas inovações precisam ser criadas nos próprios países”, diz Ricardo Vellutini, presidente da DuPont no Brasil. A preocupação em trazer mão de obra qualificada de diversas áreas deverá aumentar nos próximos anos. Paulínia é o único dos 75 laboratórios da DuPont – excluindo Wilmington – que terá pesquisas em todas as áreas de negócios da empresa. Para tanto, segue o mesmo parâmetro de recrutamento de cientistas.

Natália Barros entrou na DuPont há quatro anos como estagiária, quando ainda era aluna de graduação em engenharia química na Unicamp. Hoje, aos 26 anos, cursa mestrado. Ela trabalha na área de embalagens e selagem. Duas vezes por semana é liberada para frequentar as aulas, já que a pesquisa de seu trabalho acadêmico é exatamente em polímeros de embalagem, assunto de grande interesse para a DuPont. Ela provoca, em tom professoral: “Você sabia que em um pedaço de plástico comum podem haver até sete camadas?”. E vibra enquanto corre ao computador para mostrar, em zoom microscópico, uma por uma as camadas de um plástico.

Questão de valores

Como se não bastasse formar e contratar pessoas com competências técnicas a DuPont também precisa recrutar cientistas com brilho nos olhos, como Natália. “Gastamos a sola do sapato e não poupamos esforços para encontrar as pessoas certas. Se encontramos, realmente vamos atrás para conseguir trazer para nós. E se não encontramos, preferimos deixar a vaga em aberto”, diz o indiano Patnaik, que faz parte do time de recrutamento da empresa nos Estados Unidos. E por encontrar a pessoa certa Patnaik não se refere apenas a conhecimento técnico. Ele se refere primeiro a uma lista de valores cultivados na empresa desde sua fundação e seguidos com um rigor quase religioso, como respeito à diversidade, ética nos negócios e preservação do meio ambiente.

Outra preocupação, quase paranoica, diz respeito à segurança. Não tente subir uma escada com as mãos livres dentro da DuPont. Alguém lhe falará gentilmente para colocar uma delas no corrimão. Nem pensar em começar uma reunião com o assunto principal da lista: todo encontro é iniciado com uma discussão de cinco a dez minutos sobre segurança. A preocupação com o assunto foi tanta ao longo do tempo que virou até uma área de negócios. A consultoria em segurança do trabalho, que já fatura US$ 400 milhões ao ano. A segurança é uma questão que remonta à origem da empresa. É necessário lembrar que o início da DuPont esteve ligado à delicada manipulação da pólvora, um material altamente perigoso. Mas a obsessão pelo assunto se intensificou ainda mais depois que uma tragédia assolou a família du Pont (a grafia do nome da empresa mudou e se transformou em uma palavra só). Como prova de que sua empresa era segura para os trabalhadores, Eleuthère du Pont construiu sua casa dentro do terreno onde se fabricavam os explosivos. A mansão de três andares ficava no topo de um morro, de onde ele podia observar o trabalho e também sentir o forte cheiro de enxofre. Em 1857, Alexis, o filho mais novo do patriarca, de 41 anos, morreu em uma explosão ocorrida em um dos galpões da empresa onde estavam fabricando pólvora. Resquícios, portanto, de uma época em que seu produto principal era de alta periculosidade, a segurança até hoje permanece como um dos valores fundamentais para a empresa. E tão arraigado que acaba se estendendo para a vida pessoal de quem trabalha na empresa. “Não consigo mais subir em uma escada se ela não tiver um ângulo perfeito de 60 graus”, diz a cientista Shu-Chien.

Se é certo dizer que a DuPont de hoje é uma empresa totalmente diferente do que era quando foi fundada graças à inovação, também é correto dizer que algumas de suas crenças permaneceram as mesmas ao longo de todos esses anos. Lição de centenária: não se consegue ultrapassar 200 anos sem inovação – mas também não se consegue ultrapassá-los sem uma forte lista de valores.

– Fé e Razão!

“Fé e Razão: duas asas que nos elevam para o Céu”

Papa João Paulo II

Perfeita percepção…

– Revoluções e Analfabetismo Digital

Em atividade com alunos do Segundo Semestre de Adminsitração de Empresas, debatemos sobre as revoluções do século XXI. E, diferente da Revolução Industrial da virada do século XXI/XX, onde as mesmas eram paulatinas, a Revolução Tecnológica que vivemos diariamente causa certo temor aos discentes, e por um motivo: A VELOCIDADE DA MESMA.

Um consenso: quem não se atualizar, será analfabeto digital e estará em desvantagem no mercado de trabalho. Sinal dos tempos.

– Não Faltará Água no Futuro. Ao menos, no Espaço!

 

Ninguém deu atenção à uma fantástica descoberta: o Instituto de Tecnologia da Califórnia encontrou uma nuvem de vapor (água em estado gasoso) há 48 milhões de km da Terra. É a maior reserva de água do Universo, equivalente à soma de 140 milhões de vezes a quantidade de água dos oceanos.

 

Explorá-la é outra história…

– Fé e Razão

 

Fé e Razão: duas asas que nos elevam para o Céu!”

 

Papa João Paulo II

– Somente 12% de Advogados passaram no exame da OAB. Mas em Jundiaí…

 

Lamentavelmente, Faccamp (Campo Limpo Paulista) e Anhanguera (Jundiaí) não conseguiram aprovar nenhum formado em Direito no exame da OAB.

 

Triste.

 

Extraído do Bom Dia Jundiaí, em: http://is.gd/ERj4Tk

 

DUAS FACULDADES DA REGIÃO NÃO APROVAM NINGUÉM

 

A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) divulgou nesta terça-feira (5) a lista das faculdades que não aprovaram ninguém no último exame da ordem. Na lista, há duas instituições da região: a UniAnhanguera (Jundiaí), e a FACCAMP (Campo Limpo Paulista).

Das 610 instituições de ensino que participaram do último exame, 90 não tiveram nenhum aluno aprovado – e todas elas são privadas. No total, 88% dos 106 mil inscritos foram reprovados na prova.

Para tirar o registro profissional e trabalhar como advogado, o estudante que conclui o curso de direito precisa ser aprovado no exame da OAB. Dos 106 mil inscritos, apenas 25% passaram da primeira etapa e 11,7% conseguiram o resultado satisfatório na segunda fase

 

O que você acha: ensino fraco das faculdades de Direito no Brasil ou prova difícil por parte da OAB? Deixe seu comentário:

– E se o PI estiver errado e o TAU for o correto?

 

Uma revolução matemática?

 

Estudiosos dizem que o valor do Pi (importante número matemático) estaria errado, e o ideal para a matemática seria o Tau!

 

Fizemos contas, cálculos e projeções erradas até hoje?

 

Ainda bem que a minha área é a de Ciências Gerenciais…

 

Extraído de: http://is.gd/blBqPj

 

MATEMÁTICOS ACREDITAM QUE O “PI” ESTÁ ERRADO E CRIAM NOVO NÚMERO

 

Por Daniel Pavani

 

Há 10 anos, um matemático da Universidade de Utah, nos Estados Unidos, afirmou que o número Pi, tão conhecido por todos, poderia estar errado. Segundo ele, o verdadeiro “número sagrado” para a matemática das circunferências é o 2Pi, ou seja, o seu dobro. A partir de então, começou um movimento para a criação de outro número, o Tau.

O site Live Science conta que, em 2001, o matemático Bob Palais afirmou que poderia estar cometendo uma blasfêmia, mas acreditava que o Pi estava errado. O ponto em que se apoiou o matemático é que o Pi (3,14, aproximadamente) é a razão entre o comprimento e o diâmetro de uma circunferência, enquanto o seu dobro (6,28, aproximadamente), é a razão entre a comprimento e o raio, que é, segundo Palais, uma grandeza muito mais importante que o diâmetro.

A partir de 2001, os seguidores da teoria de Palais passaram a aumentar, surgindo a ideia de substituir o nome de 2Pi para Tau, que passaria a ser o “verdadeiro número sagrado” da matemática. A ideia é passar a adotar o Tau em livros e calculadoras e os entusiastas até mesmo comemoraram o Dia Mundial do Tau em 28 de junho. Vale lembrar que o Pi também possui o seu dia, comemorado todo ano em 14 de março.