– Perdeu, tem Choradeira Mesmo

– Dói muito pela forma como aconteceu, com um gol no último minuto, com um árbitro comprado. Não sei se (Tom Henning) é um árbitro ou um ladrão – disse Bosingwa em entrevista à emissora de TV portuguesa “RTP”.

Não é mais exclusividade de brasileiro reclamar da arbitragem. Ontem, após a eliminação na Liga dos Campeões da Europa, o inglês Chelsea reclamou veementemente contra o árbitro norueguês. E foram fortes. Veja só mais frase de efeito pós-jogo:

Extraído de: http://globoesporte.globo.com/Esportes/Noticias/Futebol/liga_dos_campeoes/0,,MUL1111845-9849,00.html

O lateral português Bosingwa, do Chelsea, não mediu suas palavras e fez grave acusação contra o árbitro norueguês Tom Henning depois da eliminação de sua equipe pelo Barcelona, nesta quarta-feira, nas semifinais da Liga dos Campeões

– Dói muito pela forma como aconteceu, com um gol no último minuto, com um árbitro comprado. Não sei se (Tom Henning) é um árbitro ou um ladrão – disse Bosingwa em entrevista à emissora de TV portuguesa “RTP”.

O lateral afirmou que os jogadores do Chelsea estão muito tristes e que a partida contra o Barcelona, que terminou empatada em 1 a 1, foi muito disputada, e cada uma das equipes mostrou suas armas com diferentes estilos de jogo, até que Henning “estragou tudo”.

 Bosingwa cobrou o árbitro por não ter marcado quatro pênaltis que o Chelsea teria sofrido na partida e disse que a maneira como o norueguês dirigiu o duelo não foi a mais correta.

Este árbitro não devia voltar a apitar uma partida de futebol. O que aconteceu foi uma vergonha – vociferou o português.

Agora  outra matéria, extraída de: http://diariodigital.sapo.pt/news.asp?section_id=126&id_news=386663

O português José Bosingwa, jogador do Chelsea, acusou Tommy Ovrebo de ser «um árbitro encomendado» para prejudicar a sua equipa, após o jogo com o Barcelona (1-1) da segunda mão das meias-finais da Liga dos Campeões, na quarta-feira, que colocou os espanhóis na final, depois do 0-0 da primeira mão, em Espanha.

«Não sei se é árbitro ou se é ladrão», continuou o internacional português, visivelmente inconformado com o resultado, acrescentando que não encontra palavras «para descrever a pessoa que esteve em campo», no Estádio de Stamford Bridge, em Londres, capital do Reino Unido.

O ambiente no balneário do Chelsea é de «grande tristeza», pelas «grandes penalidade que não foram assinaladas», uma informação já avançada pelo treinador da equipa britânica, Guus Hiddink, que falou em «decepção e indignação», decorrente da sensação de terem sido «roubados» e de que «se cometeu uma injustiça».

Por norma, Hiddink dá «o benefício da dúvida aos árbitros», mas, no caso do norueguês Tommy Ovrebo, defende que foi protagonista «de três ou quatro lances susceptíveis de penalties», que deixou passar, nomeadamente o lance em que Malouda «foi empurrado dentro da área» e foi assinalada uma falta «fora da área», estando o árbitro «em boa posição para ajuizar», assim como a mão na bola de Piqué e Touré.

«Nunca vi uma actuação pior do que esta a um árbitro em toda a minha carreira», acusou o treinador, inconformado, «mas o futebol é assim» e «todos cometem erros, treinadores, jogadores e árbitros», portanto «há que respeitar», rejeitando entrar na «teoria da conspiração» por parte da UEFA, que, segundo alguma imprensa britânica, não queria ver novamente duas equipas inglesas na final da Liga dos Campeões.

– 13 anos de apito

Há exatos 13 anos, apitei minha primeira partida de futebol oficialmente. Conto meus jogos a partir desta data, onde, me lembro, estreiei meu uniforme da “nr” (nem existe mais esta marca esportiva), e fiquei todo pimpão! Afinal, era a primeira vez que entrava em campo devidamente uniformizado e para algo que valesse.

A partida foi um jogo Sub 15, válido pela Copa do Trabalhador Campineiro, entre Grêmio Sanasa 2 X 0 Expresso Taquaral. Recebi R$ 25,00, devo ter errado muitos impedimentos (pois nesses jogos não costumam ter bandeiras, para economia, e o árbitro se encarrega de marcar esses lances também), e o jogo foi no tradicional Estádio da Mogiana, hoje Cerecamp, em Campinas-SP.

O que começou como um inocente aprimoramento de regras para aprofundar os conhecimentos de futebol, numa desejável carreira no jornalismo esportivo, despertou a talvez sempre vontade de exercer tal sacerdócio (mas isso é outra história…).

Passado tanto tempo, de lá para cá trabalhei seja como quarto árbitro ou como árbitro principal em todo o tipo de jogo: Amador de Campinas, Itu, Jundiaí; Amador da FPF; Campeonatos Inusitados: de clubes, de ligas, de veteranos, de circo (pois é, apitei campeonato de circo; neste, o juizão é o palhaço… rsrs). Profissionalmente, cheguei à B1B e B1A, que depois viraram B3, B2 e B1 (B3 era a sexta divisão!), daí para A3, A2 e A1 (na A1, como quarto árbitro – por enquanto!). Já tive a oportunidade de trabalhar muitas vezes no Canindé, Morumbi e Palestra Itália; também de conhecer, creio eu, todos os estádios profissionais de todas as divisões profissionais de SP. “Tomei conta” do Emerson Leão, do Muricy Ramalho e do Vanderelei Luxemburgo. Contracenei em Reality Show futebolístico no papel de “Juiz ladrão“. Fiz parte da história positiva e negativa: presenciei ao vivo o “Gol de Gândula” que nunca existiu (a propósito, uma injustiça à árbitra Sílvia Regina). Sai de camburão 2 vezes (é pouco) e escoltado outras. Apitei partidas com jogadores famosos quando ilustres anônimos – do Kaká nas categorias de base ao Robinho. Presenciei profissionalmente grandes nomes do futebol brasileiro trabalhando na arbitragem – Rogério Ceni, Marcos, Ronaldo, Edmundo, entre outros tantos.

Em suma, nem adianta perguntar se valeu. A resposta é: VALE A PENA ! Entre tantas cobranças, alegrias e decepções, irei até o fim da carreira! São quase 700 partidas oficiais em campo (sem nunca ter contado jogos em society), dos quase 350 profissionais.

Neste interim, devo agradecer aos que confiaram na minha carreira desde o começo: o Marcão da Liga Campineira (primeiro professor de arbitragem); ao Luis Antonio de Oliveira/Cobrinha (que sempre me arranjou jogos para apitar); ao Adilson Freddo (que deu uma força danada e praticamente me trouxe para apitar em Jundiaí, intermediando uma conversa entre mim e o Daniel P. Nielsen, da Liga Jundiaiense); à todos os dirigentes de arbitragem da FPF (seria injusto citar nomes pois poderia esquecer de alguém); ao amigo José Mauro Leite (que me inspirou, mesmo sempre apitando mal e roubando para o time do Barroca), e, é claro, aos meus pais – Meu pai que sempre esteve comigo em diversas aventuras no mundo da bola (aventuras mesmo, pois temos histórias engraçadíssimas que um dia contaremos!) e à minha mãe, que veja só, assistiu a uma única vez um jogo meu (o pior de todos), mas que do Céu assiste a todos e torce e ora por mim)

Obrigado Senhor, pela possibilidade de me deixar viver tudo isso! É tudo muito bom!

Obrigado Nossa Senhora Aparecida, patrona dos Árbitros de Futebol, por essa graça!

– Quando a Arbitragem é a atração na Rodada (mesmo não sendo)

O Futebol é o esporte mais popular do planeta devido, talvez, ao fator POLÊMICA. A boa e a má fase de equipes dá audiência, e se diga ao mesmo para a arbitragem. Assim como um jogador praticamente ganha um jogo sozinho em alguma atuação memorável, na rodada seguinte ele pode ser eleito o “pereba” do jogo. Árbitro também! Pode arrebentar em um jogo e na partida seguinte “ser arrebentado”. A questão é: justa ou injustamente.

Na final entre Ceará X Fortaleza, Carlos Eugênio Simon deu um pênalty reclamado por todos como inexistente. O zagueiro depois diz que “tocou sim no jogador, mas que foi sem intenção”… Ora, então foi imprudência, cara-pálida, aprenda a regra!

Entre Santos X Corinthians, houve reclamações de impedimentos inexistentes do lado do amigo e bom assistente Everson Luchessi, contra o Santos. Ora, o Kleber Pereira ficou o jogo inteiro impedido, e nos lances duvidosos, em distâncias de poucos centímetros, em lances de extrema dificuldade, os comentaristas dizem: “Errou! Estava em condição e o bandeira errou!” E afirmam estufando o peito… Ora, lá dentro de campo é outra coisa…

No Cruzeiro X Atlético, ouvindo um programa esportivo, houve o comentário de que Paulo César de Oliveira errou ao não advertir o atacante Kléber Gladiador, pois o cruzeirense houvera provocado o Atlético comemorando o seu gol imitando um galo… Tenha dó! Criticar a arbitragem por esse fato é covardia ou má vontade!

No fundo, quando está tudo sobre controle, haverá um espírito de porco querendo polemizar. Arranjar “pêlo em ovo”, ou motivos para contrariar o trabalho de outrém. Dos pontos positivos ninguém se lembra. Dos acertos do jogo, esqueça-se. Afinal, tudo isso é obrigação. Mas ter tolerância com os erros (quando eles existem), é importante. Não é só respeito, mas profissionalismo por parte de quem está na mídia.

E já que este post é “arbitragem como atração”, nesta quarta e quinta-feira o futebol terá muitas: destaque para o interessantíssimo Colo-Colo X Palmeiras com Carlo Torres, que está em ótima fase, e o nosso amigo Seneme na Bombonera, no Boca Jrs X Tachira. Além do Paulo césar, ostentando a boa arbitragem brasileira na Libertadores.

A torcida para a boa arbitragem é constante e sincera. Boa sorte aos amigos que atuarão nesta rodada, pois divulgam nossa nobre e difícil carreira.

– A Soneca do Juizão

No Campeonato Argentino, veja só, o árbitro deu um WO na partida! Mas, ao ler a matéria, questione: quem errou: o árbitro, a AFA, ou os dois?

Extraído de: http://esportes.terra.com.br/interna/0,,OI3714001-EI2036,00-Arbitro+dorme+em+casa+e+jogo+na+Argentina+e+cancelado.html

Árbitro dorme em casa e jogo na Argentina é cancelado

O Alumni de Villa Maria entrou em campo às 11h de domingo para enfrentar o rival local Racing de Córdoba, pela terceira divisão do Campeonato Argentino. Cerca de mil torcedores das duas equipes também estavam no estádio para acompanhar o jogo. Mas todos os atletas envolvidos tiveram que retornar ao vestiário pouco tempo depois. Tudo porque o árbitro escalado para a partida não apareceu: estava dormindo, em casa na cidade de Tucumán, a 600 km do local do confronto.

O acontecimento que marcou o final de semana da terceira divisão do país vizinho se deu por conta de uma falha lastimável da Associação do Futebol Argentino (AFA).

Inicialmente, César Walker fora escalado para apitar a partida, mas a entidade recuou ao se lembrar de que um árbitro não pode dirigir dois jogos seguidos entre dois clubes. Ariel Montero, então, foi designado. Só não foi avisado.

“O bandeirinhas estavam no hotel às 9h e começaram a se preocupar porque o Montero não chegava. Então, ligaram para ele, que não sabia de nada. Estava dormindo e acordou quando o telefone tocou”, explicou Guillermo Morelatto, presidente do Alumni. A casa de Montero é em Tucumán, cidade no norte da Argentina, a cerca de 600 km da região cordobense, no centro do país.

Para não evitar um papelão tão grande, o Alumni propôs que o primeiro auxiliar Carlos Boccolini fosse “promovido” a juiz e o quarto árbitro assumisse a bandeira na lateral do campo. Por hora, chegou-se até a pensar que o renomado Hector Baldassi, que estava nas proximidades, fosse convidado. Mas a ousadia não saiu do papel. O Racing, por fim, se recusou a jogar a partida.

– Um treino de Árbitros: o que acontece nesse evento?

Como é importante compartilhar conhecimento, divido com os amigos o treino dos árbitros da FPF, suas orientações e curiosidades, ocorridos neste 14/04, que foi já realizado igualmente na última terça-feira aos árbitros das finais do Campeoanto Paulista:

Nesta terça-feira, tive a oportunidade de participar do treino (ou como o nome oficial consta: aprimoramento) dos árbitros da FPF. Foram 6 trios de arbitragem, que ainda participarão de outros encontros destes, visando acertar algumas dificuldades observadas. Na última semana, os árbitros pré-selecionados para as finais da série A1 fizeram essa mesma atividade; agora, fomos nós, árbitros que trabalharão na próxima rodada da segunda divisão de profissionais. Mas o mote do treino foi o mesmo: uniformização de critérios e procedimentos.

E o que se falou e trabalhou? Veja que bacana: costumamos reclamar em demasia sobre alguns aspectos da nossa carreira, mas é importante ressaltar e reconhecer que este trabalho de aprimoramento é muito bom. Então vamos lá:

Num primeiro momento, foi abordado sobre os relatos e a formação dos observadores de arbitragem. Um problema comum no nosso meio, é o fato de que um árbitro pode ser escalado em 30 jogos, e de repente só é observado em 5 ! Quer dizer que em apenas 1/6 dos seus jogos ele teve nota oficial… mas… e os demais? Além, é claro, do fato da qualidade desses observadores. Um talento pode ser desperdiçado e injustamente sacado de escalas por uma falsa impressão, já que a atuação durante o ano é muito inconstante. Houve a feliz promessa de um trabalho, via Coafesp, de que os árbitros serão avaliados em todos os jogos, por pessoas independentes e mais presentes.

Na segunda etapa, discutimos vídeos do Paulistão 2009, com um elenco de lances de arrepiar! Por exemplo, trabalhamos nesta tarde com lances de situação manifesta de gol, onde popularmente se diz: “é último homem, fez a falta tem que expulsar”. Alto lá, não é bem assim… Não existe “último homem”, existem lances claros de gol, onde impedir o atacante de tentar concretizá-lo é motivo para cartão vermelho. No vídeo, alguns jogos interessantes: Paulista X Bragantino (lance no atacante Enilton, onde ele fica de frente para o gol, mas o zagueiro faz o pênalty, e o árbitro dá cartão amarelo – motivo: não havia domínio pleno do centroavante jundiaiense), Mirassol X Palmeiras (onde duas expulsões foram acertadas – dois lances em que os jogadores se preparavam para chutar ao gol, estavam de frente para a meta e em posição privilegiada e foram interceptados no corpo), Guaratinguetá X Corinthians (onde o jogador do Corinthians domina uma bola má recuada pelo zagueiro adversário e este é tocado pelo goleiro – que recebe o cartão amarelo pois o corinthiano não estava tão de frente ao gol- a tentativa ou não do gol era uma incógnita), e Paulista X Noroeste, onde o jogador Alex Oliveira cruza uma bola ao centroavante Zé Carlos, que entrava sozinho na área, mas a mesma é interceptada pela mão do zagueiro do Norusca – e o árbitro aplica o cartão amarelo, pois não se tem a certeza de que o centroavante do Paulista a dominaria ou não), entre outros jogos discutidos.

Terceira etapa: treino prático, coletivo mesmo! Estávamos nas dependências do estádio Nicolau Alayon, e as categorias de base do Nacional serviram de teste para os árbitros treinarem posicionamento, visão, leitura do jogo e trabalho em equipe.

Por fim, após os trabalhos, correção dos lances e postura em campo.

É claro que outros assuntos foram abordados, e dentre eles, os lances de Corinthians X São Paulo, que me reservo a não comentá-los pois óbvios motivos me impedem… rsrsrs. Assim, se lances dessa natureza e com tais magnitudes de discussão ocorrerem neste final de semana pelas semifinais do Paulistão ou na rodada da Segunda Divisão, não há desculpas para nós, árbitros, não acertarmos…

Mas o fato é de que uma maior frequência dessas atividades ajudaria ainda mais. O grande problema é que tais ações profissionais se direcionam àqueles são os únicos não-profissionais no futebol profissional: os árbitros. Ou será que ninguém “perdeu dia de serviço”? É claro que nós o fizemos com gosto. Mas vale a reflexão: até onde pode se exigir o profissionalismo daqueles que de fato não são, mas devem agir como tais?

– O Veto, a Reação e a Lembrança do Caju

Leio que após reclamações da equipe do Gama-DF, os árbitros locais se recusam a apitar partidas por lá. Também no Ceará, a equipe do Ceará-CE fez a mesma coisa e os árbitros cearenses, num primeiro momento, também protestaram.

Mas… e se o movimento ganhasse repercussão nacional? Se a cada reclamação de equipes os árbitros estaduais resolvessem boicotar as escalas das agremiações? É claro que é exagero e a idéia é anarquista e utópica, pois provavelmente surgiriam árbitros, de mesma ou outra praça, dispostos a trabalhar em tais jogos. E no exercício da futurologia e do “achismo’, a proposta não vingaria…

A questão é: torna-se fácil criticar a atuação dos apitadores, e menos lógico aceitar os defeitos de cada equipe. É fácil observar tais indicadores: a cada rodada, verifique os discursos de cada equipe e tabule os resultados:

– Quantos dirigentes, atletas ou treinadores justificaram que:

a) o time perdeu porque o árbitro foi mal;

b) o time perdeu porque o presidente planejou mal a temporada e colhe os frutos agora;

c) o time perdeu pois o treinador armou mal o esquema tático;

d) o time perdeu porque os atletas não se esforçaram o suficiente;

e) o time perdeu pois o gramado não estava em boas condições;

f) outras justificativas.

Por isso, compartilho um comentário, do final do ano passado, já publicado anteriormente, do ex-atleta PC Cajú, que beira a perfeição neste relato;

Abaixo, extraído de: http://professorrafaelporcari.blog.terra.com.br/?s=caju

A Culpa é da Bola. Será mesmo?

 

Àqueles que gostam de futebol, é inegável dizer que Paulo Cézar Caju foi uma figura ímpar na história do futebol brasileiro. É público o seu depoimento que, depois do término da sua carreira, afundou-se nas drogas lícitas e ilícitas. Há pouco tempo, amparado por amigos, recuperou-se e hoje presta relevante serviço como palestrante inveterado contra o uso de drogas. Louvável iniciativa. Tão louvável é a sua última coluna escrita no “Jornal da Tarde” (a propósito, eu que não sou contemporâneo do jogador PC Caju, estou me deliciando pelos ótimos artigos escritos pelo culto atleta).

Nesta quarta, ele procurou abordar as desculpas dos treinadores frente as derrotas.  Eis um pequeno trecho para uma grande reflexão:

 “Em gerações passadas, jogávamos com uma bola chamada G18, que significa 18 gomos. Era de couro duro e dava um trabalho danado para os roupeiros durante a semana de treinos e após os jogos. Passar sebo, reforçar costuras e colocar no sol era a rotina diária. Talvez seja por isso que fazíamos questão de tratá-la com tanto carinho. E hoje ainda tenho que escutar treinadores reclamando da bola! Depois de reclamar do plantel, das arbitragens e dos gramados, agora sobrou para a bola, que hoje é desenvolvida com a melhor das tecnologias do planeta (…) Os “professores” deveriam, isso sim, ir pra campo, sem descanso, e aprimorar fundamentos e corrigir os defeitos de seus jogadores. Só assim eles vão aprender a passar, dominar e finalizar, e aí, deixar a bola feliz!

Pois bem, rápidas considerações sobre esse trecho:

Quando o time perde, segundo Caju na íntegra do seu texto, ele retrata que as desculpas comuns são:

– O plantel é reduzido e limitado;

– A arbitragem prejudicou;

– O gramado é ruim;

– A bola não é boa.

Poderia, caro Caju, lembrar de outros aspectos citados pelos treineiros nas derrotas, como:

– A maratona de jogos atrapalhou o time;

– Não havia boas condições no estádio, atirou-se de tudo no campo;

– A comida do hotel trouxe indisposição alimentar;

– O frio demasiado;

– O forte calor;

– A tabela que prejudicou a seqüência de jogos;

– Os desfalques por cartões;

– Ou desfalques por convocações à Seleção.

Ufa! Cansou tanta desculpa. Mas certamente você NÃO OUVIRÁ as seguintes colocações:

– Meu time perdeu porque escalei mal;

– Meu esquema de jogo foi mal elaborado;

– Jogamos na retranca porque não queria deixar os alas avançarem;

– Errei redondamente na preleção;

– Substimei o adversário;

– Desmontei o time nas substituições.

É claro que há muita ironia neste texto. E nem podemos generalizar as reclamações dos treinadores, pois, afinal das contas, eles querem ganhar os jogos para sua sobrevivência no cargo. E estão “fazendo a parte deles”. Os jogadores, idem. Os árbitros idem, a imprensa idem. O problema é a irresponsabilidade de acusar os outros para salvar a própria pele. Se pegar os jornais de segunda-feira, qual seja ele, haverá muitas dessas reclamações em diversas páginas de diversos jogos. O grande exemplo disso (e não estou julgando-o mas apenas relatando o fato), foi o atacante Kléber do Palmeiras, que após receber bisonhamente um cartão, foi instigado por um repórter se era perseguição, e de pronto comprou a idéia. E, claro, a polêmica se formou.

Dessa vez, caro Caju, a culpa não foi da bola (apesar de ela ser redonda demais para alguns), mas sim do árbitro. Cumpriu a regra, o juizão está condenado. Pelo menos, em casos como esse em que ninguém assume a irresponsabilidade das decisões!

Gostaria de saber sua opinião: de quem é a culpa, afinal das contas?

 

– Fair Play do atacante que salvou o juizão!

Nesta semana, no Campeonato Romeno da Primeira Divisão, um lance inusitado na partida: o árbitro marcou pênalty, e o atacante que houvera sofrido a falta foi em direção ao apitador e disse: “não foi não…”. O árbitro voltou atrás, e reiniciou a partida com bola ao chão!

Detalhe: era um clássico local! A título de comparação (desproporcional devido ao nipe das equipes), imagine aqui no Brasil, Corinthians X São Paulo, onde o zagueiro Chicão divide com o centroavante Washington; este cai e o juiz marca pênalty. O centroavante são-paulino vai até o árbitro e diz que caiu sozinho. O juiz muda sua decisão e o SPFC, na volta com um bola ao chão, devolve com um tiro de meta aos corinthianos.

Consciente e realísticamente, inimaginável.

Textualmente, de acordo coma regra, discutível. E discutível por quê?

Simplesmente pelo fato de quê, sabemos, se o árbitro tem dúvida no lance, deve marcar a favor da equipe que ataca. Entretanto, se ele marcou o pênalty (indubitavelmente para ele), como acreditar na palavra do jogador? Não há recurso eletrônico para dirimir a dúvida… Mais: o jogador entende perfeitamente de regra?

Pelas imagens abaixo, o árbitro acertou em reconsiderar sua decisão (já que não reiniciou o jogo), o atleta deu um exemplo ímpar de fair play, e tudo bem! Mas repito: e se fosse conosco?

Melhor não desejar tal lance, embora devamos estar preparados!

Olha o lance nesse link:

http://www.youtube.com/watch?v=vu-3m51qdLs&eurl=http%3A%2F%2Fcolunas%2Eepoca%2Eglobo%2Ecom%2Fbombounaweb%2F&feature=player_embedded

 No jogo entre Rapid Bucareste e Otelul Galati, na Romênia, o atacante Costin Lazar, do Rapid, deu uma demonstração extrema de fair play. Ele se chocou com um zagueiro do Otelul na área. O árbitro deu pênalti. Lazar avisou que a queda fora acidental, e o juiz voltou atrás. O vídeo foi visto 215 mil vezes.

– Para alguns, muitos. Para outros, poucos! A polêmica sobre a aplicação de cartões no futebol brasileiro

O jornalista Décio Lopes, da Sportv, escreveu um belíssimo texto em sua coluna no GloboEsporte.com, onde defende os critérios de aplicação de cartões amarelos e vermelhos dos árbitros de futebol brasileiros. E argumenta teses interessantes contra os críticos que costumam querer comparar Europa com América Latina. Compartilho o interessante material com os amigos:

(extraído de: http://colunas.sportv.com.br/expressodabola/2009/03/26/a-sindrome-dos-cartoes-contra-o-dragao-do-anti-jogo/)

A síndrome dos cartões contra o dragão do anti-jogo

O futebol brasileiro vem sendo assolado por um mar de cartões amarelos e vermelhos. Muitos protestam, acham exagero, mas quer saber? Danem-se aqueles que usam a falta como esquema tático. 

 

Tudo começou com as péssimas arbitragens e erros ridículos que infelizmente desacreditaram os “homens de preto” no futebol brasileiro. A partir daí, dentro da anti-lógica estúpida de que um erro justifica o outro, os maus jogadores cresceram, ganharam razão, começaram a protestar como se fossem ativistas lutando pelas mais nobres causas. Hoje vemos nos nossos gramados um monte de botinudos e especialistas em faltas reclamando de braços abertos, abrindo bocas gigantescas, indignados. 

O fato é que há uma enxurrada de cartões amarelos e vermelhos nos estaduais. Quase sempre acompanhados por chiliques de protesto. Nesta onda (e também baseados na constância de erros dos árbitros) parte da torcida e da imprensa embarca no teatro dos brucutus “indignados” e também joga toneladas de xingamentos nos juízes das partidas de futebol.

Pois eu digo: na minha opinião os árbitros têm acertado ao distribuirem grande quantidade de cartões. Não digo todos, mas muitos.

Está claro que diversos times fazem rodízios de faltas, praticam a feiúra e a violência, em nome de um pretenso futebol pragmático. Mentira. Isso não é futebol nem pragmático. É anti-jogo. É o oposto do esporte e do espetáculo.

Os caras fazem faltas sem parar e não querem receber cartões? Param todas as jogadas do adversário e acham normal? Aí, na décima falta seguida – mesmo sem fraturas ou caratês – aparece o cartão. Eles reclamam aos berros. O treinador, lá de longe, grita mais forte ainda- quase sempre xingando mas, até para isso, com um discurso empolado, digno de “professor”.

Mais jogo e mais faltas chegam por todos os lados. Na vigésima, aparece outro amarelo e o jogador é expulso. Aí, ele soca a grama, leva as mãos às têmporas, sacode de indignação como se fosse um mártir cristão perseguido por romanos, como se fosse um ativista perseguido na luta pelos direitos civis.

O pior é que tem gente que cai nessa. Defende os agressores, diz que a falta que ocasionou o segundo cartão e a consequente expulsão não foi grave, que o jogador não merecia, que os pequenos (normalmente os que mais praticam o rodízio de faltas) são perseguidos…

Discordo em quase todos os casos que temos visto nos gramados do país.

Rodízio de falta é gravíssimo. É feio. Mata o futebol. É um perigoso inimigo a longo prazo. Deve ser combatido. Cartão neles! Enquanto não há novidades – como, por exemplo, tirar pontos na tabela dos times mais faltosos (o que seria o ideal) – fiquemos apenas com os cartões. Melhor ter um jogo com 4 ou 5 expulsos do que vermos 22 jogadores em campo mas sem conseguirem jogar, travados por faltas, pela “malandragem”, pela picaretagem de quem quer levar vantagem a qualquer custo.

Futebol, por favor. Jogo limpo, sim.

– As 10 Maiores dores de cabeça de um Árbitro

Muitos amigos perguntam: qual a maior dificuldade em um jogo de futebol? Digo que cada jogo tem um conjunto de detalhes diferentes do que outro, embora possam ser comuns em determinados lances. Assim, dependendo da concentração, jogo fácil fica difícil e vice-versa. 

Uma pesquisa revelou: quais as 10 maiores dificuldades de um juiz? (Em: http://tribunadonorte.com.br/noticias/100257.html)

 

As dez maiores dores de cabeça de um árbitro
08/02/2009 – Tribuna do Norte , por Everaldo Lopes – Repórter e Pesquisador 
  

Quais as reclamações mais comuns entre torcedores, dirigentes e os próprios jogadores após os 90 minutos de uma partida? É evidente que as mais corriqueiras têm sido os impedimentos, os agarra-agarra na área, e a dúvida permanente sobre ser bola na mão ou mão na bola. (…). Ao todo, são 10 os maiores problemas para o trio atuando no gramado. Nessa enquete, o quarto árbitro não participou porque não interfere diretamente da movimentação no gramado.

A pesquisa também indagou dos árbitros o que eles temem mais durante seu trabalho no gramado mas, que, infelizmente, independem da sua atuação. Citaram as penalidades máximas duvidosas (de difícil interpretação), um gol assinalado mas que ficou a dúvida se a bola efetivamente transpôs a linha fatal, e a simulação. Esse tipo de lance aconteceu recentemente envolvendo o veterano Carlos Simon, quando deixou de dar penalidade máxima a favor do Flamengo, mas que uma câmera comprovou que o jogador rubro negro não foi tocado pelo adversário, tendo simulado justamente o contrário. A sorte de Carlos Simon foi justamente a câmera que flagrou o momento capital da jogada. E livrou o árbitro de críticas injustas.

1- A bola entrou?

Com base no que aconteceu na decisão do Mundial de 66, na Inglaterra, quando o “English Team” ficou com a taça graças, em parte, a um gol cuja bola não transpôs a linha fatal mas o árbitro suíço Gottfried Dienst validou. O jogo foi concluído com empate de 2×2, forçando uma prorrogação de 30 minutos. Mais tarde, com a “desgraça” já feita, as câmeras mostraram que a bola, efetivamente, não cruzou toda a linha abaixo do travessão, os ingleses fizeram ainda mais um gol na prorrogação, terminando 4×2. A gaffe valeu o título (único, até agora) dos ingleses. O lance gera pressões até hoje para que a Fifa para que admita a utilização da eletrônica para evitar erro igual em outra Copa.

2- Paradinha

O lance é relativamente novo, ao que consta, lançado por Pelé ao cobrar uma penalidade máxima, antes de chutar deu um rápida paradinha, na tentativa de enganar o goleiro. Deu certo e, até hoje muitos cobradores a adotam. Para muitos, é uma tremenda desigualdade no duelo cobrador x goleiro. Ao tentar a sorte saltando para a esquerda ou para a direita, o goleiro pode dar-se ao ridículo de cair para um lado e a bola ser dirigida para o outro. Apesar do árbitro não ter interferência, já que a Fifa nada vê de errado na paradinha, às vezes o cobrador exagera na freada, e o árbitro, rápido, manda repetir. Não deixa de ser um problema a mais.

3- O fim do jogo

É sempre complicado para o árbitro o jogo que tem muitas paralisações. Existem nos anais do futebol muitas partidas que tiveram gols “em cima da hora”, deixando o árbitro sob suspeita, pelo fato de ter deixado a bola rolar mais alguns segundos. O ideal, mesmo, evitar essas pequenas compensações, encaminhando-se sem mais delongas para o centro do gramado, pondo fim na expectativa do público e da imprensa.

4- Estava impedido?

Quem está pagando pela modernidade da televisão são os assistentes. Antigamente, havia no máximo duas ou quatro câmeras no estádio, sendo raros os impedimentos duvidosos que livravam a cara dos auxiliares do árbitro. Hoje, só a Globo coloca 18 a 20 câmeras no estádio, preferencialmente “de olho” nas pequena e grande áreas, locais comuns para flagrar o jogador impedido. Recentemente, jogo Flamengo x Volta Redonda foi anulado gol absolutamente correto da equipe interiorana, devido um erro monumental de um dos assistentes. Fosse anos atrás, ele podia ir dormir tranquilo pois nenhuma câmera havia flagrado nada.

5- O goleiro avançou

A posição de goleiro, por si só, já é ingrata e – segundo alguns, até amaldiçoada. E acrescentam que a maior prova é que nem grama nasce naquele lugar. O fato é que goleiro sofre, é o único que não pode falhar. Na hora da penalidade máxima, o único benefício que tem é poder se mexer para os lados. Pra frente, nada! Mas, apesar disso, há árbitro um tanto liberal que permite um pequeno avanço do pobre goleiro. De qualquer forma,. É mais um problema para o árbitro.

6- Os temíveis acréscimos

Nem mesmo os moderníssimos cronômetros resolvem o eterno problema dos acréscimos. Na maioria das partidas, o pessoal da imprensa fica de olho na sinalização do árbitro para o quarto árbitro, de quanto será o tempo a acrescentar. Numa partida dramática, 10 segundos podem decidir um jogo e/ou um título. Apesar disso, é um dos poucos instantes em que o árbitro só erra se quiser, já que o tempo de jogo está rigorosamente sob seu controle.

7- Houve mesmo impedimento?

Sem dúvida alguma, depois da penalidade máxima, nenhuma outra dor de ca- beça pode infernizar o trabalho de um árbitro do que a dúvida do impedimento. É bem verdade que a carga maior é do assistente que corre daquele lado. Se é um lance crítico, o árbitro tem de decidir em fração de segundo se confirma ou não o aceno do assistente. Às vezes, o árbitro acha que é impedimento, porém o assistente nada assinalou. E aí? Mais uma dor de cabeça.

8- A barreira andou

O problema da barreira andar foi parcialmente resolvido com o uso do spray, mas de tempos em tempos os jogadores descobrem algum macete para enganar o árbitro. É evidente que, dos problemas de uma arbitragem, é o mais “light” de todos. Muito mais cuidado exige o empurra empurra, principalmente se a bola parte das laterais. Não está no rol dos problemas insolúveis.

9- Simulação

Este é o entrave criado peloss jogadores considerados “bandidos”. Cada time tem seu “bandido”. Após um encontrão, uma falta um pouco mais forte, joga-se ao gramado, gritando e levando as duas mãos ao local “hipoteticamente atingido”. São perigosos porque jogam o árbitro contra o torcedor, chegando até a inibir a atuação do mediador. A simulação complica o brilhantismo de qualquer clássico, estimulando o cai cai, irritando o árbitro e o torcedor. O craque da simulação é nocivo à equipe, pois é capaz de tudo pra não perder.

10- Agarra agarra

O agarra agarra é uma das situações que evoluíram com o aprimoramento dos fundamentos. Claro, os treinadores que trabalham com as bases, logo cedo ensinam os macetes, a maneira de cruzar sobre a pequena área, como escapar da marcação homem a homem dos zagueiros, as melhores posições para aguardar a bola que vem pelo alto. Com isso, os zagueiros têm de apelar para os “abraços”, gerando lances que, mostrados no câmera lenta, chegam a ser cômicos. Os árbitros mais maceteados, preferem resolver o assunto apitando falta. Não precisa nem apontar de quem foi. É só apitar e correr para o centro de campo.

Você insinuaria seu filho a ser Juiz de futebol?

Amigos, compartilho belíssimo artigo redigido pelo árbitro Fifa Carlos Eugênio Simon (que representou o Brasil nas Copas de 2002, 2006 e pré-selecionado para 2010), publicado no jornal Zero Hora de Porto Alegre.

Em seu texto, o mundialista se presta a um interessante debate sobre o título de “Críticas Sim, Ofensas Não”, propondo uma análise da carreira do árbitro de futebol.

Ao final, o jornal propõe a seguinte pergunta: Você desestimularia seu filho a ser Juiz de Futebol?

Refaço a questão pelo outro lado da coisa, e quero sua opinião: você incentivaria seu filho a ser juiz de futebol?

Abaixo, o artigo (extraído de: http://zerohora.clicrbs.com.br/zerohora/jsp/default2.jsp?uf=1&local=1&source=a2331241.xml&template=3898.dwt&edition=11288§ion=1012) e da enquete do jornal em : http://zerohora.clicrbs.com.br/zerohora/jsp/interatividade.jsp?uf=1&local=1&newsID=DYNAMIC,itools.xml.ItoolsDelivery3,getMuralMensagensXml&template=3838.dwt&forumid=84609&groupid=3653§ion=Mural&tp)

 

14 de dezembro de 2008 | N° 15819

TEMA PARA DEBATE

 
Críticas, sim. Ofensas, não, por Carlos Eugênio Simon*

A cena é comum, já aconteceu milhares de vezes e voltará a ocorrer enquanto se jogar uma partida de futebol. Tarde de domingo, estádio lotado. Um pouco antes das equipes, o trio de arbitragem entra em campo. Verifica-se então um dos raros momentos de união de torcidas rivais: entre apupos e palavrões variados, os homens do apito e das bandeiras são saudados com vaias e ironias.

A ofensa ao árbitro é uma das tradições mais enraizadas entre os torcedores nos estádios de futebol. Faz parte da cultura do esporte e não deve ser levada em conta, mas entendida como uma manifestação catártica, fruto das paixões exacerbadas despertadas pelo futebol. Assim, antes mesmo de iniciar a partida, muitas vezes o mediador já está condenado: se não comete nenhum equívoco, não fez mais que a obrigação; caso contrário, ou é incompetente ou se vendeu. Não é o melhor dos mundos, mas faz parte do jogo. Para referir Galeano: “O árbitro é o álibi de todos os erros, se perdem é por causa dele, se ganham é apesar dele. Mas, com certeza, se ele não existisse, teriam que inventá-lo”.

No entanto, não se pode assistir calado quando as ofensas descem das arquibancadas e ocupam lugar nas colunas de jornais, microfones de rádios e mesas de debates televisivos. Reivindicamos o respeito pessoal e profissional de jogadores, comentaristas e dirigentes esportivos. Felizmente, a maioria não permite que eventuais desacordos com as marcações da arbitragem ultrapassem a fronteira da discordância por vezes dura, mas civilizada, e ingressem no terreno da deslealdade e da ofensa à honra.

Porém, recentemente, tive o desprazer de ser alvo de uma intensa campanha injuriosa em razão de um suposto pênalti que teria deixado de marcar a favor do Flamengo, no jogo contra o Cruzeiro. Apesar de as imagens da televisão mostrarem de forma irrefutável que não houve a penalidade máxima reclamada pelos apaixonados corações flamenguistas, há quem se recuse até hoje a admitir erro da sua avaliação e o acerto da minha decisão.

O companheiro Wagner Tardelli igualmente passou por momentos difíceis ao ser envolvido, à sua revelia, em uma suposta tentativa de suborno que, mesmo não tendo sido concretizada, o alijou da arbitragem do jogo entre Goiás e São Paulo, decidindo o Campeonato Brasileiro de 2008.

Estes dois episódios revelam o fio da navalha por onde caminha o árbitro de futebol no exercício da sua profissão.

Como qualquer ser humano, não somos infalíveis, estamos sujeitos a equívocos e erros de interpretação. Por isto, precisamos reafirmar pública e constantemente a nossa honestidade através de palavras e ações concretas.

Desta forma, entendo que é sempre oportuno enfatizar que a arbitragem brasileira é séria, competente e honesta, como declarei na última segunda-feira na entrega do prêmio Craque Brasileirão 2008. Neste aspecto, cabe ressaltar que os profissionais do Rio Grande do Sul estão entre os melhores do Brasil, como ficou comprovado na cerimônia de premiação promovida pela CBF, na qual os três finalistas na categoria arbitragem foram profissionais do nosso Estado.

Diante de tudo isto, fica a pergunta: que conselho você daria ao seu filho se um dia ele anunciasse: “Paiê, quando crescer quero ser juiz de futebol.”

ZERO HORA.com

Você desestimularia um filho seu a ser juiz de futebol?

*Árbitro gaúcho do quadro da Fifa

 

Não esqueça, quero sua opinião: Você estimularia seu filho a ser juiz de futebol?

Carisma que se Compra, que se Vende e se Conquista

 Há séculos, a expressão carisma era utilizada para designar um dom extraordinário, algo que Deus dá às pessoas especiais. Ao longo do tempo, o uso do vocábulo modificou-se para “pessoa que traz empatia e influencia”. O termo religioso veio do apóstolo Paulo (São Paulo, falando sobre o termo em uma de suas cartas). O termo do jeito que o tratamos, atualmente, foi designado por Max Weber na “Sociologia da Burocracia”.

Na sociedade, tivemos exemplos magníficos de Carismáticos: tanto para o bem, como para o mal.. Madre Teresa de Calcutá, John Kennedy, Getúlio Vargas, Adolph Hittler, João Paulo II, entre tantos, são exemplos vivos de líderes carismáticos.

No futebol, outros empáticos se destacaram: talvez Pelé seja o expoente disso, pelo carisma e capacidade técnica.

Atualmente, três manifestações me fazem lembrar do termo Carisma no esporte: a contratação do jogador Ronaldo pelo Corinthians, as declarações do treinador Vanderley Luxemburgo, e as manifestações pouco simpáticas à arbitragem no prêmio Brasileirão 2008.

Pois bem: Vejamos um Carismático autêntico, que se vende (positivamente) como produto de marketing, agrega, polemiza e se torna salutar: Ronaldo Nazário. O atleta jogará em 2008 pelo Corinthians, quase a “Custo Zero” pelos benefícios que trará ao clube. Que Ronaldo está entre os maiores de todos os tempos, não há dúvida. Se rendará o mesmo que antes como jogador, também não há dúvida: é claro que não. Seu judiado joelho, bem como o histórico de recuperação, mostram claramente que não dá para jogar como fizera no Barcelona, por exemplo. Mas a luta pela recuperação, a volta por cima, as ações solidárias que ele pratica, acabam sobrepondo os erros que envolvem sua vida efetiva e conturbações sociais particulares. É um ídolo para as crianças, sejam elas de qualquer nacionalidade. Venderá muitos produtos com a grife Ronaldo-Corinthians, sem precisar entrar em campo. “Baleado”, ainda é melhor que muito jogador em condições saudáveis. É um Carisma Real, autêntico, e que se Vende.

O segundo modelo de Carisma, é aquele que se compra. Aglutina-se por planejamento, por aparência e necessidade. Vejamos o caso do campeoníssimo Vanderley Luxemburgo. Alguém duvida que seu carisma e competência fazem com que os jogadores sejam ávidos em trabalhar com o treineiro? O homem influencia, e assim como o caso Ronaldo, cria polêmica, traz mídia, e encanta. Mas, diferentemente, através de investimentos, onde o parceiro gasta para obtê-lo. O custo-benefício é caro, como o próprio Luxemburgo declarou ontem (leia abaixo sua declaração). É o Carisma Temporal, montado, e que se Compra.

 

Finalmente, as vaias levadas pelo gaúcho Simon na última segunda-feira, durante a premiação do Campeonato Brasileiro, onde as mesmas não foram direcionadas exclusivamente à pessoa dele. Ali se representava a categoria e aos erros dela, independente se voluntários ou não. Seria isso um anti-carisma? E aos que vivem da arbitragem, sabem e sentem que é o inverso em relação aos amigos e familiares: o Carisma intra-relacional existirá, enquanto que o extra-corporis estará na busca contínua da atividade, da própria figura do árbitro de futebol. Isso explica porque Vuaden e Gaciba, também premiados, foram, de certo modo, “poupados na premiação”. – É claro que o fator Obina-Flamengo também deve ser levado em conta – devida ou indevidamente. Mas é o Carisma Utópico, que se batalha para a Conquista, difícil mas não impossível.

 

Encerrando, o Carisma e suas variações + observações foram presentes no futebol nos últimos dias. Dele, se trouxe até mesmo um pouco de compaixão pelo Wagner Tardelli, por meio da imprensa, através do episódio da possível ou não manipulação. O sentimento de piedade trouxe um carisma inesperado, fruto até de um misto de desentendimento de causas reais. E aí surge um jargão tradicional e batido: não precisa ser honesto, tem que parecer ser honesto. A falta ou sobra de Carisma regularão essa necessidade, a que muitos chamam, daqui do interior, de “PANCA”.

 

A seguir, os links de matérias que retratam os 3 carismas abordados:

 

 A Chegada de Ronaldo ao Corinthians, sob o título: “Farei parte de um bando de loucos”: Cilque em:

http://esportes.terra.com.br/interna/0,,OI3382932-EI2011,00-Vou+fazer+parte+de+um+bando+de+loucos+diz+Ronaldo.html

 

As declarações de Luxemburgo, sob o título: “Luxa deixa a modéstia de lado: ‘sou barato pelo retorno que trago ao clube’.”. Clique em:

http://globoesporte.globo.com/Esportes/Noticias/Futebol/0,,MUL917199-9825,00-LUXA+DEIXA+A+MODESTIA+DE+LADO+SOU+BARATO+PELO+RETORNO+QUE+DOU+AO+CLUBE.html

 

Material referente à premiação do Brasileirão com vaias à arbitragem, com  declarações do presidente da CA, Sérgio Corrêa, e vídeo de Carlos E. Simon, clique em:

http://globoesporte.globo.com/Esportes/Noticias/Futebol/0,,MUL915874-9825,00.html

 

Critério para Árbitro, Critério para técnico

A coerência deve ser uma das grandes virtudes do ser humano. E não é isso que se vê por parte de muitos. Cobrar coerência, todos cobrarm. Praticar essa coerência, aí é difícil…

Mano Menezes, se sentindo “prejudicado” no último jogo do Corinthinas no Campeoanto Brasileiro da Série B, ironizou a atuação do árbitro gaúcho Carlos Eugênio Simon, dizendo que, como ele (Mano) achava que o Simon errara contra o Corinthians, por coerência, deveria ser rebaixado para a série C.

Ora, nesse tolo nível de discussão, a coerência cobra o mesmo do treinador mosqueteiro: sua queda para as categorias de base. Afinal, quantos erros de substituições ele cometeu ao longo da temporada? A escalação de um time mesclado de reservas e juniores não levou o time à derrota?

Lamentavelmente, não ouviremos a coerência perfeita dos treineiros. É inútil e utópico acreditar nisso.

Já imaginaram o dia em que o treinador disser: “Perdemos pois errei na escalação”? Ou: “Substitui mal, e aí o time não rendeu”?. Por fim: “meu esquema tático foi péssimo, matei o time colocando todo mundo na retranca”…

Cenas de um futebol onde ninguém quer perder, e a culpa sempre cai sobre aqueles que não tem um microfone amigo.

 

 Extraído do Terra Esporte:

 

Mano sugere novo “rebaixamento” para Simon

O técnico Mano Menezes ironizou a “punição” imposta ao árbitro Carlos Eugênio Simon, escalado para apitar na segunda divisão após a polêmica de um suposto erro no jogo entre Cruzeiro e Flamengo. O juiz gaúcho trabalhou na derrota por 2 a 0 do Corinthians para o América-RN, neste sábado, no Estádio Machadão.

“Ele apitou bem o jogo, mas cometeu um erro. Se o comandante dele for seguir o mesmo critério de antes, vai ter que colocá-lo na Série C”, sugeriu Mano, referindo-se ao segundo gol do América-RN, marcado em penalidade convertida por Aloísio.

Apesar das críticas a Simon durante a semana, uma imagem de outro ângulo, veiculada pela ESPN Brasil mostraria que Tardelli não sofreu pênalti contra o Cruzeiro.

“Agora, espero que as pessoas de boa índole retifiquem suas opiniões”, desabafou o experiente árbitro. Ele é um dos três indicados ao prêmio de melhor árbitro da Série A do Campeonato Brasileiro.

A Câmera Reveladora de Flamengo X Cruzeiro

 Lembram que, na Copa de 98 na França, em uma transmissão com 20 câmeras de TV, no jogo Brasil X Noruega, um árbitro americano marcou um suposto pênalti cometido pelo Júnior Baiano, e o mundo o criticou? Após dois dias, uma imagem de uma câmera suiça “perdida” no estádio tinha o exato momento em que o zagueiro brasileiro praticava infantilmente a infração dentro da área. Ninguém pediu desculpa ao juizão, que acertara na ocasião.

No último domingo, o Flamengo reclamou veementemente contra Carlos Eugênio Simon, em um lance que pelas imagens da Globo e Bandeirantes era claríssimo pênalti a favor do Mengão (o atacante era Tardelli). Como um árbitro do nível do Simon deixara de marcar? O Flamengo reclamou, esperneou, brigou e disse ter mandado uma fita à FIFA para vetá-lo na Copa de 2010 na África do Sul !

E não é que o Simon acertou o lance? Ontem, no Sportscenter da ESPN Brasil, uma despretenciosa câmera flagrou perfeitamente que o atacante Diego Tardeli PISA BISONHAMENTE NA BOLA, e não é tocado por ninguém do Cruzeiro!

Àqueles que acompanharam a polêmica vão rir do lance. É uma verdaderia trapalhada do Diego Tardelli.

E como fica o Flamengo? Vai mandar uma outra fita à FIFA recomendando o Simon para a Copa? E os “comentaristas de arbitragem” que detonaram o árbitro gaúcho?

O lance já está no You Tube. Veja:

http://br.youtube.com/watch?v=FC3nomUzmZI

 

De onde virão os Homens de Preto?

A coisa tá ficando difícil. Nesta última rodada do Brasileirão, todos puderam acompanhar como os treinadores – e alguns “pseudo jornalistas”  – apelaram contra a arbitragem. A equipe do Palmeiras-SP reclamou nas rádios da arbitragem do Gaciba (que foi bem no jogo) alegando o fato de ser gaúcho e o Grêmio-RS estar envolvido na briga pelo título (nos jogos que o Vuaden apitou não houve reclamação dos palmeirenses – ops: ele também não é Gaúcho?). Já o Santos reclamou de Marcelo de Lima Henrique (não assisti o jogo), através do discurso de que ele é carioca e o Vasco-RJ e Fluminense-RJ estão na briga contra o rebaixamento!

Em suma, dirigentes reclamam que árbitros que são de estados da federação que tenham equipes envolvidas tanto no acesso ou no rebaixamento estariam de caso pensado prejudicando os adversários em prol dos interesses das equipes compatriotas.

Não é extremamente ofensivo, a nós, árbitros? Coloca-se em xeque a nossa honestidade, a LISURA do campeonato e toda a sua seriedade com um mero (e por que não, preconceituoso) fator geográfico!

Infelizmente, quando tais questionamentos passam para a imprensa, o estrago pode ser maior. No último sábado, voltava de uma partida que apitei em Franca-SP, e coincidiu do retorno ser próximo do horário da partida entre Flamengo-RJ X Atlético-MG. Naquela região e pelo horário, as ondas de rádio AM cariocas pegavam muito bem, e ouvia a narração pela Globo AM 1220 (RJ). Na escalação, o repórter de campo da emissora (que não sei o nome – mas cobria o Flamengo na ocasião), quando foi anunciar a arbitragem da partida, disse : “Ah, a arbitragem para esse jogo é suspeita, já que esse jogo interessa ao Palmeiras e São Paulo que brigam pelo título contra o Mengão. Apita o paulista Paulo César de Oliveira; os assistentes Ednilson Corona e Carlos Augusto Nogueira; todos de SP (…)”.

Virou adjetivo pejorativo ser paulista para o “repórter desconfiado”?

Quem conhece o trio paulista que apitou o jogo, sabe da barbaridade que o péssimo jornalista falou.

A propósito, na volta, ouvia os comentários da partida na Rádio Tupi AM 1280 (RJ), e o comentarista Jorge Nunes disse: “ninguém pode reclamar nada do juiz, o Atlético poderia ter enfiado 7 ou 8 a zero; o Flamengo não jogou nada, o Ibson acha que é dono do time e o Caio Júnior teve uma pane na cabeça dele, deu um curto-circuito e saiu tudo errado“.

Amigos, o que podemos fazer contra as injúrias pré-dispostas?

Seguindo essa lógica, já que o Campeonato Brasileiro está empolgante, com todas as equipes brigando por algo, só poderão apitar jogos os árbitros de estados que não tenham clubes na série A. Respeitosamente, esses “donos-da-verdade” devem estar querendo (sem demérito dos colegas) árbitros do AP, RO, RR, AC… E depois vão reclamar da distância e dos custos da arbitragem!