– Quem será o novo árbitro FIFA do Brasil?

Em meio ao alvoroço pós-Copa do Mundo, algumas notícias sobre bastidores do futebol acabam encobrindo um debate necessário sobre quais os motivos que levaram a Seleção Brasileira a uma eliminação indesejada. O anúncio do novo treinador da Seleção Canarinho, a queda ou não de treinadores de grandes equipes (como o caso do Ricardo Gomes no São Paulo Futebol Clube) e as reuniões sobre estádios da Copa auxiliam para esse “esquecimento”.

Entretanto, um assunto dito marginal pela relevância, mas importantíssimo para quem milita na arbitragem de futebol: A ESCOLHA DO NOVO ÁRBITRO FIFA BRASILEIRO.

Carlos Eugênio Simon pendurará o apito no final do ano, devido a idade-limite. E nesta quinta-feira, a CA-CBF divulgou os 10 candidatos à certeira vaga do árbitro gaúcho. Eis os nomes:

 

1

SANDRO MEIRA RICCI

DF

19/11/74

2

ARILSON BISPO DA ANUNCIAÇÃO

BA

08/02/73

3

CÉLIO AMORIM

SC

08/02/79

4

CLÁUDIO LUCIANO MERCANTE JÚNIOR

PE

19/02/76

5

GUTEMBERG DE PAULA FONSECA

RJ

10/07/73

6

WILTON PEREIRA SAMPAIO

DF

21/12/81

7

ANDRÉ LUIZ DE FREITAS CASTRO

GO

08/06/74

8

LUIZ FLÁVIO DE OLIVEIRA

SP

13/06/77

9

NIELSON NOGUEIRA DIAS

PE

14/09/74

10

FRANCISCO CARLOS DO NASCIMENTO

AL

09/10/77

 

Pela perspectiva, observa-se que o RS ficará somente com a atual vaga de Leandro Pedro Vuaden. O DF concorre com 2 nomes; a região NE com 4 aspirantes; e SP com 1 postulante.

 

Quem será o novo FIFA?

 

No ano passado, apesar do Campeonato Brasileiro irrepreensível, Sandro Meira Ricci-DF não levou o escudo, perdeu-o para Péricles Bassols-RJ (na minha modesta opinião, Sandro foi o destaque de 2010, atrás apenas de Herbert Roberto Lopes-PR  e Wilson Luís Seneme-SP em número de atuações e desempenho nos jogos de grande dificuldade).

 

Para 2011, mantendo o ritmo, penso que dará Sandro. Mas apesar disso, confesso torcer para que o amigo Luiz Flávio de Oliveira leve a honraria. Pelas boas atuações (estou escrevendo isso antes do clássico do próximo domingo, não me decepcione LF! rsrs), pela amizade e por conhecer o seu esforço.

 

Na primeira vez que trabalhamos juntos, Luiz Flávio foi meu bandeirinha num jogo da antiga B1B (5ª. Divisão do campeonato Paulista), no jogo Itaquaquecetuba X Osasco (faz tempo…). Uma cadeira quase voou nas costas dele na ocasião! Depois disso, trabalhamos muitas vezes juntos e até ficamos 10 dias no mesmo quarto em pré-temporada da FPF. Hoje, beira a FIFA.

 

Algo que já tive a oportunidade de lhe dizer: pesa sempre a comparação com o seu irmão Paulo César de Oliveira. Embora irmãos, apitam com estilos diferentes, mantendo a boa qualidade. Ser irmão de gente competente às vezes é um fardo.

 

Boa sorte ao amigo.

 

E você, dos 10 nomes, quem escolheria para novo árbitro FIFA?

 

Obs: meus lamentos ao também amigo José Henrique de Carvalho, que vejo não figurar mais na relação. É vida que segue..

– As 4 Potências do Apito nas Copas do Mundo

Enviado pelo Professor, Jornalista e amigo Robson Marcelo via Twitter.

 

Extraído de: http://super.abril.com.br/blogs/superlistas/as-4-potencias-do-apito-em-copas-do-mundo/

AS 4 POTÊNCIAS DO APITO EM COPAS DO MUNDO

Por Bráulio Lorentz (Revista Superinteressante, citação acima)

O time da Inglaterra foi campeão da Copa do Mundo uma só vez, mas os inventores do futebol são tetra quando o assunto é arbitragem, graças à escalação do inglês Howard Webb para a final do próximo domingo (dia 11). É ele quem comanda Holanda e Espanha, partida que decide o Mundial. Juízes de 13 países diferentes já foram escalados para finais de Copa, sendo que em quatro delas o escolhido foi um da terra da Rainha. França, Itália e Brasil – na segunda posição entre as potências do apito – só tiveram dois juízes em finais.

Bélgica (Jean Langenus, em 1930), Suécia (Ivan Eklind, em 1934), a então União Soviética (Nikolaj Latychev, em 1962), Suíça (Gottfried Dienst, em 1966), Alemanha (Rudolf Gloeckner, em 1970), México (Edgardo Codesal Mendez, em 1990), Hungria (Sandor Puhl, em 1994), Marrocos (Said Belqola, em 1998) e Argentina (Horacio Elizondo, em 2006) têm uma indicação apenas.

É com uma mãozinha das confederações de cada continente que a Fifa elege os árbitros para cada Copa do Mundo. Por isso, todas as confederações são representadas, o que explica a presença de juízes de países nada relevantes no mapa do futebol. Nas quartas de final deste ano, estavam lá árbitros da Guatemala (Carlos Batres comandou Paraguai e Espanha) e Uzbequistão (Ravshan Irmatov apitou Argentina X Alemanha).

Veja quais são as potências do apito:

Inglaterra –

 quatro finais

Além de Webb, que apita a final deste ano, outros três foram agraciados. Em 1950, George Reader apitou Brasil e Uruguai. O triunfo britânico é completado por William Ling (1954) e John Taylor (1974).

 

Brasil –

duas finais

Ninguém conseguiu repetir a dose como o Brasil, único bicampeão na sequência. Em 1982, o escalado foi Arnaldo Cézar Coelho (hoje comentarista da Rede Globo). Na competição seguinte, em 1986, foi a vez de Romulado Arppi Filho.

 

França –

duas finais

As escalações de juízes franceses em disputas de títulos são separadas por 20 anos. Em 1938, o homem de preto da final foi George Capdeville. Já em 1958, o primeiro título do Brasil teve a presença de Maurice Guigue.

 

Itália –

duas finais
Foi com a assoprada de Sergio Gonella que os argentinos comemoraram sua primeira conquista de Copa do Mundo, em 1978. O carequinha Pierluigi Collina fechou a dobradinha italiana em 2002, na final entre Brasil e Alemanha.

Obs: Convido a clicar no post anterior (Politicagem na Final da Copa do Mundo) sobre minhas considerações em relação à escala de Webb.

– Novas Mudanças na Regra do Futebol

Reproduzo e compartilho as modificações da Regra de Jogo, válidas a partir de 1 de julho, extraídas do site da Federação Paulista de Futebol (http://www.futebolpaulista.com.br/arbitragem.php?sec=41&sub=&cod=39358)

 

AOS MEMBROS DA FIFA

 

Circular nº 1224 (traduzida do espanhol)

 

Zurique, 19 de maio de 2010

SG/jot-est

 

Emendas às Regras de Jogo 2010-2011

 

Senhoras e Senhores:

 

A 124ª Reunião Geral Anual do International Football Association Board ocorreu em 6 de março de 2010, em Zurique. Em continuação, comunicamos as emendas às Regras de Jogo aprovadas na reunião, bem como as diversas instruções e diretrizes promulgadas.

 

EMENDAS ÀS REGRAS DE JOGO E DECISÕES DO BOARD

 

1. Regra 1 – O Campo de Jogo

(apresentada pela FIFA)

 

Metas

 

Texto Atual

 

Novo Texto

Os postes de meta e o travessão serão de madeira, metal ou outro material apropriado.

Poderão ter forma quadrada, retangular, redonda ou elíptica e não deverão constituir nenhum perigo para os jogadores.

 

Os postes de meta e o travessão serão de madeira, metal ou outro material apropriado.

Deverão ter forma quadrada, retangular, redonda ou elíptica e não deverão constituir nenhum perigo para os jogadores.

 

Motivo

Esclareceu a definição atual, a fim de indicar que não são permitidos postes de qualquer outra forma.

 

2. Regra 5 – O Árbitro

(apresentada pela Associação de Futebol da Escócia)

 

Interpretação das Regras do Jogo e Diretrizes para Árbitros

 

Jogadores lesionados

 

Texto Atual

 

Novo Texto

As exceções a esse procedimento serão feitas somente quando:

·        um goleiro estiver lesionado

·        um goleiro e um jogador de linha se chocarem e necessitarem de atendimento imediato

·        ocorrer uma lesão grave, por exemplo, engolir a língua, choque violento entre jogadores, que atinja a cabeça, fratura de perna etc.

 

As exceções a esse procedimento serão feitas somente quando:

·        um goleiro estiver lesionado

·        um goleiro e um jogador de linha se chocarem e necessitarem de atendimento imediato

·        jogadores da mesma equipe se chocarem e necessitarem de atendimento imediato

·        ocorrer uma lesão grave, por exemplo, engolir a língua, choque violento entre jogadores, que atinja a cabeça, fratura de perna etc.

 

Motivo

Considera-se injusto que jogadores da mesma equipe que se choquem entre si tenham de sair do campo de jogo para receber atendimento, deixando assim sua equipe com inferioridade numérica.

 

3. Regra 5 – O Árbitro

(apresentada pela Associação de Futebol da Escócia)

 

Interpretação das Regras do Jogo e Diretrizes para Árbitros

 

Jogadores lesionados

 

Texto Atual

 

Novo Texto

·        os maqueiros entrarão no campo de jogo ao mesmo tempo dos médicos, a fim de acelerar o transporte do jogador.

 

·        os maqueiros entrarão no campo de jogo com uma maca depois do sinal do árbitro.

 

Motivo

O ingresso obrigatório dos maqueiros no campo de jogo para qualquer tipo de lesão quando se solicitava um médico atrasava o reinício do jogo desnecessariamente.

 

Outras Decisões do IFAB

 

1. Regra 1 – O Campo de Jogo

 

Interpretação das Regras do Jogo e Diretrizes para Árbitros

 

Logotipos e Emblemas

 

O IFAB reiterou que está proibida a reprodução real ou virtual de logotipos ou emblemas representativos da FIFA, Confederações, Associações-Membro, Ligas, Clubes ou outros órgãos no campo de jogo e em seus arredores, nas redes e áreas por elas abrangidas, nas metas, nos postes de bandeirinha e nas bandeirinhas durante o tempo de jogo.

 

Salientou-se que tais logotipos não podem ser reproduzidos nos postes de bandeirinha de canto.

 

2. Tecnologia da linha de meta

(continuação do debate iniciado na 122ª Reunião Geral Anual)

 

O uso da tecnologia da linha de meta e da tecnologia em geral nas partidas foi rejeitada por decisão majoritária.

 

3. Idioma Oficial das Regras do Jogo

 

Foi ratificado que, no caso de divergências entre as traduções das Regras do Jogo, o texto em inglês prevalecerá.

 

4. Instruções Adicionais aos Árbitros e Assistentes

 

Constatou-se que algumas Confederações e Associações Nacionais emitem em seus respectivos territórios suas próprias instruções e recomendações aos árbitros em relação à aplicação das Regras do Jogo, fazendo com que aumentem as possibilidades de que haja diferentes interpretações ao redor do mundo. Por isso, reiteramos que o IFAB é o único órgão autorizado a emitir instruções adicionais concernentes às Regras do Jogo, de modo a assegurar sua aplicação uniforme no mundo inteiro.

 

Além disso, foi celebrada uma reunião extraordinária do IFAB em 18 de maio de 2010, em Zurique. Em continuação, comunicamos as emendas às Regras do Jogo aprovadas na reunião.

 

EMENDAS ÀS REGRAS DE JOGO E DECISÕES DO BOARD

 

1. Regra 14 – O Tiro Penal

(apresentada pela FIFA)

 

Interpretação das Regras do Jogo e Diretrizes para Árbitros

 

Procedimento

 

Texto Atual

 

Novo Texto

O ato de utilizar fintas na execução de um tiro penal para confundir os adversários faz parte do futebol e está permitido. Todavia, o árbitro deverá advertir o jogador se considerar que tal finta representa uma conduta antidesportiva.

 

O ato de utilizar fintas durante a corrida até o ponto penal para confundir os adversários faz parte do futebol e está permitido. Todavia, utilizar fintas ao chutar a bola uma vez que o jogador tenha concluído sua corrida até o ponto penal é considerado uma infração à Regra 14 e uma conduta antidesportiva, pelo que o árbitro deverá advertir o jogador.

 

Motivo

Considerando a crescente tendência dos jogadores de fintar na hora de executar o tiro penal para enganar o goleiro, é necessário esclarecer o que está permitido e que ação deve tomar o árbitro no caso de infração.

 

2. O Quarto Árbitro

(apresentada pela Associação de Futebol da Escócia)

 

O Quarto Árbitro e o Árbitro Assistente reserva (ponto 7)

 

Texto Atual

 

Novo Texto

Indicará ao árbitro se este adverte o jogador errado por uma confusão de identidade, se não expulsa o jogador que tenha recebido o segundo cartão amarelo, ou se ocorre uma conduta violenta fora do campo visual do árbitro e dos árbitros

assistentes. Entretanto, o árbitro mantém sua autoridade para decidir sobre qualquer fato relacionado ao jogo.

 

Ajudará o árbitro a dirigir o jogo conforme as Regras do Jogo. Entretanto, o árbitro mantém sua autoridade para decidir sobre qualquer fato relacionado ao jogo.

 


Motivo

Considera-se que deva ser ampliada a competência do quarto árbitro de auxiliar o árbitro, a fim de permitir que o quarto árbitro lhe ofereça ajuda e informação não apenas em um número liimitado de situações, atualmente estabelecidas nas Regras do Jogo.

 

Entrada em vigor das Regras do Jogo 2010/2011

 

O IFAB decide por unanimidade que as decisões da 124ª Reunião Geral Anual e da reunião extraordinária de 18 de maio de 2010 entrarão em vigor a partir de 1º de junho de 2010 e, portanto, são válidas para a Copa do Mundo da FIFA na África do Sul.

 

Atenciosamente,

 

FEDERATION INTERNATIONALE DE FOOTBALL ASSOCIATION

Jérôme Valcke

Secretário-Geral

– A Tecnologia para o Árbitro de Futebol: a Demagogia e a Realidade

Nesta Copa do Mundo, muitos erros de arbitragem têm sido observados. É verdade que as super-câmeras podem mostrar lances mais detalhados, e até ludibriar o telespectador (uma mão nas costas pode dar a impressão de falta em slow-motion, o que na dinâmica do jogo pode não ter ocorrido, por não se ter a noção de força exercida no lance). Mas a observação de erros provindos de flagrantes da câmera lenta e de erros grotescos que dispensariam qualquer câmera mostra que a preparação para a Copa do Mundo foi falha e que, acima, disso, chegamos no exato momento em que a tecnologia deve entrar em auxílio da arbitragem.

Muitos têm medo da introdução de recursos tecnológicos. Se ela chegar de maneira radical, mudará o esporte, é claro! Mas ninguém quer mudanças abruptas. A tecnologia vem chegando de mansinho, e veja os exemplos: bandeiras eletrônicas e rádios-comunicadores para o quarteto de arbitragem. Desafio qualquer árbitro que negue a ajuda sensível que esses equipamentos nos trazem!

Por que não permitir que o capitão de uma equipe peça a revisão de uma decisão do árbitro em algum momento capital? Dê a cada equipe o direito de um pedido revisional, isso não diminui a autoridade do árbitro.

Tomemos como exemplo o jogo Argentina X México: Após o lance do gol argentino (em claríssimo impedimento e erroneamente confirmado), e antes do reinício do jogo (essa deve ser uma condição sine qua non), o capitão mexicano Rafa Marques poderia pedir ao árbitro que avaliasse com seus bandeiras e o quarto árbitro a decisão tomada, através do replay no telão ali mesmo já instalado.

Pensou que emoção adicional à partida? Ao público? À audiência da TV?

A sugestão seria essa: um pedido por equipe, em situações de gol confirmado ou não, antes do reinício do jogo. Em impedimentos paralisados sem a conclusão da jogada, interpretações de pênaltis ou avaliação de aplicação de cartões, não caberia o pedido (pelo fato de serem situações interpretativas e mais subjetivas).

 

Avalie o que a simples medida teria evitado:

1)      Salvaríamos a Irlanda da desclassificação da Copa do Mundo,

2)      anularíamos o gol do Luis Fabiano na segunda rodada,

3)      não anularíamos o gol norte-americano pelo árbitro de Mali,

4)      confirmaríamos o gol da Inglaterra contra a Alemanha, e

5)      não daríamos o gol irregular da Argentina.

 

Quanta coisa ‘consertada’ em uma única Copa!

 

Na minha carreira como árbitro, sempre ouvi falar que o empecilho é a universalização da regra. Ora, bandeira eletrônica e rádio não estão na regra, mas são usados em campeonatos de maior prestígio. A Copa do Mundo é o torneio de maior prestígio existente, e lá se incluem o quarto e o quinto árbitro em alguns jogos, devido à sua importância. Assim sendo, por que não permitir o recurso televisivo? O custo financeiro seria zero, justamente pelos estádios já terem telões, e o ganho moral seria altíssimo!

 

Tecnologia já, dona FIFA. Por favor.

 

E você, o que pensa sobre isso? Gostaria da sua opinião!

 

Você pode ler esse post e outros em meu blog no Portal da Rede Bom Dia: http://blog.redebomdia.com.br/blog/rafaelporcari/comentarios.php?codpost=3173&blog=6&nome_colunista=963

– Confidências de um Árbitro

Ainda repercute a conversa risonha do árbitro Stephane Lannoy para com o Luís Fabiano, após o gol polêmico da partida Brasil X Costa do Marfim.

O que teria dito? O que conversavam? Isso é imoral?

Para aqueles que estão fora do mundo da arbitragem, uma revelação: fatos como esse são corriqueiros! É que o francês escancarou a abordagem…

Explico: quando se tem um lance de gol duvidoso, e até então não há mais complicadores no jogo, o árbitro, disfarçadamente, procura o envolvido para se tirar a dúvida. Um exemplo simples: bola cruzada na área e os atletas 7 e 9 cabeceiam a bola. Ambos comemoram o gol como se fossem os marcadores. Depois de um certo tempo (nunca no frescor do lance) o árbitro se aproxima ou do 7 ou do 9 (longe da jogada, desapercebidamente) e pergunta quem finalizou. É claro que a resposta nunca será confiável, mas serve para ajudar o árbitro a decidir para quem vai dar o gol.

No lance de domingo (Luís Fabiano inicia a jogada após um toque da bola na sua mão (não intencional, portanto, legal) e finaliza a jogada com um chute após dominar a bola com o antebraço intencionalmente (mão, no futebolês, quer dizer também braço e antebraço). Lance ilegal e não visto pelo árbitro por ser um ponto cego para ele. Era lance para o bandeira, que pela imagem da TV, vê-se que estava encoberto por um zagueiro da Costa do Marfim.

O movimento do braço de Luís Fabiano leva o árbitro a acreditar que poderia ter sido irregular, embora ele não consiga ver se houve ou não o toque. Como em dúvida a decisão deve ser pró-ataque (e talvez a pintura da jogada tenha inibido uma anulação do lance), o fraco árbitro validou o gol sem ter certeza da legalidade.

É natural que o árbitro, depois de passado um tempo e fora do lance de jogo, se aproximasse do Luís Fabiano e dissesse: “pra mim você dominou no peito, já dei o gol, tudo bem. Mas diga a verdade: foi mão ou não? Não vai mudar nada, não vou dar cartão, mas fale a verdade”.

Parece inacreditável que isso aconteça, e mais incrível que o árbitro espere uma resposta sincera, mas é assim que acontece com árbitros que vacilam e não tem personalidade. Ele sabe que errou, e quer ouvir uma versão contrária do seu erro, a fim de tranqüilizar-se!

Você não veria um Dulcídio W Boschilla na mesma situação (ainda mais com o sorriso do francês), ou ainda um Paulo César de Oliveira. Mas tanto é verdade que Lannoy teve dúvidas, que persistiu em “compensar” seu erro na arbitragem. Cabeça de árbitro fazedor-de-média: “Se eu expulsar alguém da Costa do Marfim, reclamarão que além do gol duvidoso, prejudiquei os marfinenses expulsando-os”. Isso explica a não expulsão em jogadas violentas sobre os brasileiros.

Enfim, lembremo-nos de que o Campeonato Francês não é um primor… Confusões provindas de um árbitro que mostrou falta de personalidade num jogo de Copa do Mundo.

– Comprovando ou não a tese: Árbitro Forte surge de Campeonato Forte?

Amigos, nós estamos vendo graves erros de arbitragem na Copa do Mundo. E aí surgem comentários e teorias conspiratórias das mais diversas, tentando explicar pela ótica do torcedor os motivos de péssimas atuações: Fraudes, Incompetência ou Pessoalidades?

 

O fato relevante na Copa é a escolha tecnicamente equivocada de árbitros inexperientes e incompetentes oriundos de países com pouca ou inexpressiva tradição.

 

Mas existe uma tese, que discutiremos se é verdadeira ou não: Os árbitros se equivalem à força dos campeonatos de seus países?

 

Hipoteticamente, isso pode ser até lógico. Mas vamos tentar comprovar?

 

O Campeonato Inglês é forte. Por tabela, os árbitros ingleses são muito bons. Isso não se discute. Idem para a Argentina. Idem para o Brasil.

Faça ainda a mesma analogia para com o Campeonato Italiano; mas não a faça para o Campeonato Espanhol. Historicamente os árbitros da Espanha são os mais fracos da Europa. E daí você perguntará: mas o Campeonato de lá não é forte?

– Claro que não!

Como podemos dizer que é forte um campeonato de 2 times? O jogo que faz o Campeonato forte é Barcelona X Real Madrid, o resto é fácil de apitar. Vide os erros de arbitragem costumeiramente pró-Real ou pró-Barça.

 

Nossa tese de Campeonato Forte & Árbitro Forte está se comprovando… Continuemos?

 

Você poderá questionar: mas num passado bem recente tivemos o húngaro Sandor Puhl (apitando a final da Copa de 94) ou o dinamarquês Kim Nielsen. E atualmente, temos o colombiano Oscar Ruiz. Esses ótimos árbitros são de países que tem Campeonatos Nacionais fortes?

– Evidente que são bons árbitros de competições locais fracas.

A questão não é Campeonato Local, mas Torneio! Vamos ao exemplo do húngaro citado: a quanto tempo um time da Hungria não disputa a Champions League? Assim, um árbitro da Hungria está livre para ser escalado em qualquer partida da Copa Européia, e terá oportunidade de apitar jogos do Manchester United contra Real Madrid, Internazionale, Bayern… é bem diferente apitar Grande X Grande do que Grande X Pequeno. Faça valer o mesmo para Oscar Ruiz: ele não é bom por ter experiência apitando na Colômbia, mas sim pela Libertadores da América.

 

Então, podemos concluir que países que possuem um grande número de times grandes (Inglaterra, Itália, Brasil) naturalmente terão um grande número de bons árbitros, já que há frequência de clássicos locais. E países com poucos grandes clubes (Espanha, França, Uruguai) tem maior dificuldade em ter grandes árbitros, já que há poucos clássicos domésticos. Países periféricos dos centros futebolísticos que não tem grandes clássicos podem ter grandes árbitros pela freqüência de escalas dos árbitros (e por serem neutros num torneio), como Colômbia, Suécia, Dinamarca.

 

Tranquilamente dá para afirmar que Grandes Árbitros surgem de Grandes Torneios (nacionais ou continentais). Dessa forma, podemos também dizer que um árbitro da Guatemala não poderá ser um grande árbitro apitando o campeonato guatemalteco ou a Copa dos Campeões da Concacaf. Vale o mesmo para árbitros de Mali, El Salvador, Benin, Seychelles, Angola ou Nova Zelândia.

 

O curioso é que todos esses países elencados acima têm árbitros na Copa! Claro, o fator competência é irrelevante para a FIFA, vale o fator político. Se a idéia é universalizar a Copa, mostrar que é um evento global, torna-se interessante colocar, se não seleções, árbitros de todos os cantos! O primeiro critério para a escalação na Copa é o de colocar um trio de arbitragem do mesmo país (árbitro e bandeiras italianos, por exemplo). O segundo critério é o de falar a mesma língua (por exemplo, árbitro paraguaio, bandeira espanhol e bandeira chileno). Nessas combinações, sobrarão elementos que foram para a Copa unicamente por política, e aí vem o terceiro critério: o de juntar elementos desparcerados, como por exemplo, o trio de EUA X ESL: árbitro de Mali, bandeira marroquino e bandeira angolano. Deu no que deu…

 

E você, o que está achando da arbitragem na Copa do Mundo?

 

(Isso não quer dizer que exista perfeição na arbitragem de bons árbitros. Veja o erro de ontem, na partida entre GAN X AUS: Rosseti, bom e experiente árbitro italiano, interpretou uma bola que bateu na mão de um australiano como um toque intencional que evitaria o gol, deu pênalti e expulsou o atleta. Ali era um lance para mandar seguir a jogada… não foi infração!)

 

Você também pode acessar esse post e outros no meu blog no Portal da Rede Bom Dia, clique em: http://blog.redebomdia.com.br/blog/rafaelporcari/comentarios.php?codpost=3083&blog=6&nome_colunista=963

– É hoje!

A Estréia do Brasil é daqui a pouco! Será que verdadeiramente estaremos “rumando ao hexacampeonato”?

 

Tomara! Estarei comentando o jogo, mas principalmente a arbitragem, que é a minha praia, pelo Twitter (ou tentarei), salvo imprevisto de última hora. Para seguir, acesse: www.twitter.com/rafaelporcari

 

Espero você!

– Golpe Norte-Coreano, Contra-Golpe da FIFA

Que não há santos no mundo do futebol, isso é sabido. Então vamos lá: a FIFA exige que as seleções que disputarão a Copa do Mundo inscrevam 23 jogadores, sendo eles 3 goleiros. Mas como a Coréia do Norte é um país fechado, cujos jogadores em sua maioria são ilustres desconhecidos, a Federação Local inscreveu o atleta Kim Myong-won, do Amrokgang de Poyangyang, como o terceiro goleiro. Acontece que ele é centroavante, e como ninguém conhece a fundo os norte-coreanos, só agora a burla veio à tona.

A seleção asiática alega ter inscrito 20 jogadores de linha e 3 goleiros; a FIFA alega que ela inscreveu 21 jogadores de linha e 2 goleiros DE OFÍCIO. Assim, para que a equipe não tire proveito desse golpe, a entidade que organiza a Copa da África tomou uma atitude inusitada, e que vai contra as regras dentro de campo: anunciou que “os 3 jogadores listados como goleiros só poderão jogar nesta posição durante a Copa do Mundo”. Avisou ainda que comunicará aos times no momento de sua chegada à África (nem todas as equipes já estão no continente) e reforçará o aviso no dia do jogo.

 

Tudo seria muito bom se não existisse um enorme problema: tal determinação vai contra a regra do jogo!

 

Entendamos o seguinte: a Regra 3 (Jogadores), fala de 11 atletas em campo (com um mínimo de 7 para se iniciar um jogo – esse mínimo depende de cada país, na Argentina é apenas 3 durante a partida, para se evitar o cai-cai quando há muitos expulsos), sendo que um deles será o goleiro. A Regra 4 (Equipamento dos Atletas) fala que o goleiro deve vestir roupas diferentes dos seus companheiros de linha, dos adversários e dos árbitros, a fim de distingui-lo, pelo fato dele poder usar as mãos em determinadas situações. Fora isso, o goleiro é um jogador como outro qualquer.

 

1) Imaginem a hipotética situação: no Campeonato Brasileiro, o São Paulo FC, por exemplo, conquista o torneio com antecipação, e na última partida no Estádio do Morumbi, após uma vitória parcial de 5 X 0, o treinador resolve homenagear o Rogério Ceni e o manda para a linha: sai o meio-campista Marlos e entra Bosco. Bosco será identificado como novo goleiro (ou seja, atleta com permissão de usar as mãos em determinadas situações) e Rogério perde a possibilidade de usar as mãos (por isso deve vestir uma camisa de linha; senão uma branca, original com o seu número 1, qualquer outra (com aviso que ele continua como número 1 embora não esteja estampado) e o árbitro será avisado que a partir de agora ele não é mais goleiro.

 

2) Imaginem outra situação: por ter queimado as 3 substituições, nesse mesmo jogo hipotético, e querendo homenagear RC, o atleta Richarlysson (acreditemos que tenha facilidade em jogar no gol) troca de posição com o Rogério para que ele jogue na linha. Num momento em que a bola esteja parada, Ricky põe uma camisa diferente dos demais atletas de linha e assume o gol; Rogério veste uma branca (como citado acima, e seus números permanecem iguais para efeito de marcação do árbitro, independendo da alteração) e tudo bem. Rogério não poderá mais usar as mãos e Richarlysson fará uso dessa faculdade, por ser o novo goleiro. E esse troca-e-destroca poderá acontecer ao longo do jogo, pois goleiro é posição, qualquer atleta pode fazê-lo a qualquer instante, desde que se comunique o árbitro (se não o fizer, aplica-se o cartão amarelo, mas a troca continua).

 

3) Imaginem uma terceira situação, mais improvável: Rogério sai da grande área e fica jogando no meio campo, com o mesmo Ricky no gol, mas sem trocarem efetivamente de posição. RC continua sendo o goleiro, embora esteja numa posição do campo não habitual, sendo ele o único do time do SPFC que pode usar as mãos; Richarlysson, embora esteja embaixo da trave, ainda é jogador de linha e não pode usar as mãos. Seus uniformes permanecem os mesmos, e apesar do risco e do inusitado, o jogo segue normalmente.

 

A regra permite tudo isso. Está nas leis do jogo. A decisão da FIFA é equivocada. Lembram-se do goleiro mexicano Jorge Campos, que vestia roupas exóticas? Ele abandonava o gol, o treinador do México colocava o goleiro reserva em campo no lugar do centroavante e Jorge Campos ia para a linha. Com essa determinação anunciada, isso não poderia ocorrer.

 

Não seria melhor que a FIFA excluísse Kim Myong-won da competição, como punição à tentativa de burla, deixando a Coréia com 20 atletas de linha e 2 goleiros de ofício? Seria algo mais sensato e justo, além de não mexer na Regra do Futebol para o evento em que se espera, ela seja cumprida na integridade (afinal, é na Copa que se quer ver conhecimento maior de regras e melhores jogos, já que teoricamente os melhores jogadores e melhores árbitros lá estarão).

 

O que você pensa sobre isso? Alguém tem razão em reclamar? Gostaria da sua opinião.

– Mão na Bola ou Bola na Mão?

Ontem, no jogo Goiás X São Paulo, um pênalti polêmico foi marcado na partida. E tal lance, justamente pela polêmica, nos dá uma bom exemplo de como interpretar os lances que envolvam toque com as mãos na bola numa partida de futebol:

Para marcar uma falta ou pênalti por uso indevido das mãos na bola, o árbitro deverá levar em consideração as seguintes circunstâncias (extraídas da Regra 12):

o movimento da mão em direção à bola, e não da bola em direção à mão (intenção ou não de usar a mão para pegar ou parar a bola);
a distância entre o adversário (dá tempo da mão “desaparecer” da jogada para que ela não bata);
– e a bola que chega de forma inesperada (bateu no susto?).

Portanto, esqueça alguns ditos de que é necessário verificar a posição das mãos ou braços: a posição da mão não pressupõe necessariamente uma infração (braço colado, braço aberto, mão em punho ou riste… tudo bobagem e folclore!). Esqueça também ditos populares de que a bola ía para o gol, impediu um cruzamento, entre outras crendices.

Importante – é a única infração em que vc exclusivamente avalia INTENÇÃO, pois não há a possibilidade de avaliar as outras nuânces da regra, que são a imprudência ou uso de força excessiva.

Assim, vamos falar especificamente do lance do Richarlyson, tão reclamado pelos jogadores sãopaulinos na partida de ontem, válida pelo Campeonato Brasileiro. Caro leitor, perceba o seguinte: o jogador escorrega sozinho na jogada, e como é difícil “cair no chão” de braço fechado, não há tempo de evitar o contato. Ricky, instintivamente, tenta tirar o braço para a bola não bater nele, durante a queda. Não houve intenção nenhuma dele colocar a mão, não dava para marcar pênalti (avalie o desiquilíbrio, a distância e a velocidade da jogada).

Como foi um lance isolado de bola na mão, por conveniência, muitas vezes os árbitros acabam marcando o pênalti simplesmente porque o contato foi claro (sem se preocupar com intenção ou não). Num erro como esse, existem 3 prontas desculpas para a arbitragem justificar uma marcação equivocada (não estou dizendo que o árbitro de ontem as usou, não confunda as coisas). São elas:

– A primeira desculpa é “que a mão foi clara” (não é porque todo mundo viu um contato que deve ser marcar pênalti);

– a segunda desculpa do árbitro será: “acho que ele deixou a bola bater na mão dele, não a tirou de propósito” (como se um braço ou mão desaparecesse de imediato);

– e a terceira desculpa é: “na dúvida temos que marcar o lance pró-ataque“.
 
Nenhuma delas serve caso não exista a intenção clara de colocar a mão na bola para impedir uma jogada.

Depois da explanação, você ainda marcaria o pênalti?

– Entendendo um Impedimento por Lançamento Involuntário

Futebol é apaixonante por certos detalhes. Ontem, no jogo Corinthians X Santos, o atacante santista Marquinhos estava em impedimento a 44 cm. Distância significativa, não dá para reclamar, gol bem anulado.

Mas vejo com surpresa uma reclamação que mostra certo desconhecimento da regra. A de que embora o bandeira Ednilson Corona tenha acertado no impedimento pela posição do jogador, o árbitro Sálvio Spinola houvera errado por não perceber que a bola partiu da zaga corinthiana.

Quem usa desse argumento, reclama por conhecer PARCIALMENTE a Regra 11, que se refere ao impedimento. Essa regra é uma das mais curtinhas do futebol, e justamente por isso você tem que dar muita importância a cada palavra do seu texto.

Vamos usar alguns exemplos simples, comparando com o lance reclamado:

 

1- Zagueiro recua a bola para o goleiro e esta é interceptada por um atacante adversário impedido, que domina a bola (segue o jogo, bola que vem do adversário não tem impedimento).

2- Zagueiro chuta a bola pra frente, bate na cabeça do seu COMPANHEIRO e sobra para o atacante adversário impedido (segue o jogo, o desvio não muda nada, valia o chute no momento da POSSE DE BOLA do zagueiro).

3- Zagueiro chuta a bola pra frente, bate na cabeça do seu ADVERSÁRIO e sobra para o atacante impedido (não segue o jogo; marca-se impedimento, lembrando que o desvio de um atleta da equipe que ataca é diferente do desvio de um atleta que defende; valia o momento do TOQUE/DESVIO NA BOLA do atacante).

 

Poucos se atentaram ao fato de que um jogador não estará em impedimento se a bola é “lançada” pelo seu adversário, mas estará em impedimento se for “lançada ou tocada” por seu companheiro. A palavra “tocada” é desprezada por muitos, mas é ela quem faz a diferença! Na regra, lançar ou tocar tem interpretações diferentes. Ela significa que se a bola for desviada ou resvalada num atacante, e por conta do desvio cair no pé de um atacante que estava em posição de outrora impedimento passivo, imediatamente este mesmo atacante passa a estar em impedimento ativo.

 

Resumindo: uma bola que seja lançada deliberadamente ou tocada sem intenção através de um desvio para o seu companheiro em impedimento, tem o mesmo peso para a sanção técnica.

 

Assim, tanto Sálvio quanto Corona acertaram na marcação e mostraram conhecer bem as regras do jogo, neste lance específico

 

Cá entre nós… será que os jogadores, torcedores, treinadores, jornalistas e até nós, que militamos na arbitragem de futebol, sabemos de todos os detalhes da regra?

– O Lance do Gaciba, didaticamente

Caros blogonautas e futebolistas, lance curioso o do árbitro Leonardo Gaciba no jogo de ontem Corinthians X Fluminense, realizado no Pacaembu e válido pelo Brasileirão. Lembrei-me de imediato de um lance parecidíssimo que ocorreu comigo há algum tempo, válido pela A2 do Campeonato Paulista (Guarani X São Bernardo). Felizmente, tanto eu como Gaciba acertamos na decisão em nossos jogos.

 

Vamos falar especificamente do lance de ontem: o Fluminense reclama sem razão desse episódio, já que o árbitro e seu assistente acertaram.

 

O atacante do Fluminense entra na área (em posição de impedimento ativo) e é derrubado pelo goleiro Felipe. O árbitro não percebe de imediato a sinalização do bandeira e marca pênalti, aplicando cartão amarelo para o corinthiano (interpretou ser uma falta para esse tipo de advertência; se entendesse ser situação clara de gol o expulsaria). Após alguns instantes, percebe que o bandeira que está lá firme, com seu instrumento levantado. Como o jogo não foi reiniciado com a cobrança, pode voltar tranquilamente a sua decisão e remarcar qualquer outra coisa. Assim, ele anula o pênalti marcado para os cariocas e remarca o lance confirmando o impedimento, além de cancelar o cartão amarelo aplicado ao Felipe. Tudo certo; quem reclamou desconhece a regra.

 

Mas imaginemos uma outra situação: se o pênalti fosse cometido por um zagueiro com um carrinho violento? O pênalti seria anulado, se reinicia com o tiro livre indireto (afinal, marcou impedimento), mas NÃO CANCELA O CARTÃO, já que este foi aplicado pela violência do lance, estando a jogada valendo ou não (para ser falta, você precisa ter 3 condições: ser dentro de campo, entre os jogadores e com a partida valendo – como o impedimento estava marcado, mesmo o árbitro não vendo o bandeira levantado e confirmando-o posteriomente, não existiu falta, mas sim um lance violento).

 

Imagine ainda se um zagueiro tirasse a bola com a mão, cabeceada pelo atleta impedido e fosse expulso! “Desexpulsa-se” o atleta, já que como estava impedido, sua mão não impediu o gol, mas um lance inválido, já que o gol não valeria caso a bola entrasse.

 

Fantástico, não?

 

Mas a imagem marcante foi a do Muricy Ramalho, flagrado pela câmera dizendo ao correto assistente (perdoem-me não citar o nome dele pois não o tenho de pronto): “Você tá querendo apitar o jogo! Ta louco, etc etc etc.” Ué, mas ele foi perfeito! O Árbitro Assistente fez o serviço que é função dele com exatidão! Muricy pedirá desculpas a ele?

 

Já imaginaram se Muricy estivesse em um jogo já com os novos árbitros de meta, permitidos para teste pela FIFA? Os coitados não poderiam fazer nada, pois, segundo a lógica muricyana, só o árbitro pode mandar em campo e não deve aceitar os assistentes de linha.

 

Para não parecer corporativista: Houve prejuízo ao Fluminense por um gol anulado, mas também houve ao Corinthians prejuízo pelo pênalti não marcado em Defederico. No fiel da balança, ficou elas-por-elas.

 

Em tempo: o presidente Roberto Horcades foi extremamente infeliz ao reclamar do árbitro. Ele não errou nada contra o Fluminense, já que o lance polêmico é de responsabilidade maior do bandeira. É covardia falar sobre a perda do escudo FIFA do Gaciba por incompetência (foi por uma dolorosa não aprovação física no dificílimo FIFA TEST, onde o gaúcho não conseguia terminar a prova, mesmo estando bem fisicamente – um triste bloqueio psicológico).

– Cai-cai, Malandragem e Libertinagem em Campo

Olá amigos. Hoje escreverei sobre um tema que sou apaixonado, até pelo fato de ter vivido muito tempo nele: Arbitragem de Futebol. Mas o assunto será especificamente: Árbitros versus Neymar!

O garoto santista é um artista. Da bola e do cinema. Além de jogar muita bola, ele “se joga demais”. Encena como um Tony Ramos dos gramados. É o típico cai-cai. Se ficasse mais tempo em pé, seria ainda mais craque e produtivo para seu time.

Tive a oportunidade de ver Neymar em campo. Dá um trabalhão para a arbitragem, pois você nunca sabe quando ele sofreu a falta ou quando simula ter sofrido infração. E se sofreu falta mesmo, tentar descobrir se as caretas de dor são verdadeiras ou se está exagerando.

Sabe com quem Neymar se parece no jeito de cavar as faltas? Com o atacante Nenê, que nasceu para o futebol no Paulista FC e foi para Santos e Palmeiras, depois Espanha e hoje no Mônaco. Apitei alguns jogos do Nenê no começo da carreira. Era especialista em simulação, além de ser bom jogador. Lá na Europa ele parou de simular e está fazendo sucesso.

Mas algumas coisas importantes devem ser ditas: o espírito da regra de jogo manda proteger o craque. Assim, muita atenção nas faltas cometidas contra o santista. Mas esse tipo de proteção deve ser o cumprimento fiel da regra, ou seja, marcar falta quando realmente for falta. E esse mesmo espírito da regra manda coibir o unfair-play, que é a atitude antidesportiva. E é justamente aí que a arbitragem do Paulistão pecou: não aplicar nenhum cartão amarelo por simulação para o Neymar! Passamos um campeonato inteiro falando do vício negativo do Neymar, mas ele não foi punido nenhuma vez. Claro, nada de caso pensado ou planejado, mas sim pelo furacão que se tornou a tal de Neymarmania. O árbitro vacila em dar cartão para não ser taxado de vilão ou estraga-prazer (o que é um pensamento errado).

Se Neymar não se cuidar, algum adversário vai perder a cabeça e se irritar pra valer com simulações. Aí não terá árbitro que o proteja…

Em tempo: Neymar foi afastado do time ontem, por indisciplina… lamentável. O jovem garoto precisa de orientação!

– As Mudanças da FIFA darão resultado quanto à Paradinha?

A FIFA divulgou algumas alterações sobre as Regras do Jogo de Futebol, sobre 4 tópicos abordados. Na verdade, após a conclusão dos trabalhos, percebo que elas poderiam ser classificadas como 1 autorização para teste, 1 sugestão futura, 1 recomendação e 1 norteamento da regra. Vamos, didaticamente, pela ordem:

– A AUTORIZAÇÃO: se refere a permissão de que quaisquer campeonatos profissionais possam continuar com a experiência de 2 árbitros de meta. Nada de obrigação, é opção! Afinal, precisaria se definir se esses dois árbitros seriam, caso regularizados, simplesmente árbitros (Regra 5), ou árbitros assistentes adicionais (Regra 6), ou ocasionais (como se faz com 4º ou 5º árbitro – agora até 6º).

– A SUGESTÃO: se revisionará após a Copa do Mundo, através da impressão dos envolvidos no futebol, as faltas e infrações que requerem cartão vermelho. Ou seja, as recomendações da Regra 12 serão rediscutidas. A principal: evitar uma situação clara e manifesta de gol realmente mereceria a expulsão do atleta?

– A RECOMENDAÇÃO: a FIFA fez uma adição ao texto da regra que pede maior participação do quarto árbitro na partida, sendo ele um consultor do árbitro e o árbitro podendo aceitar ou não sua informação. O poder decisivo é do apitador. Ora, isso já acontece (como o poder de assistência dos ‘banderinhas’). Tal medida foi apenas para a melhora redacional do texto da regra.

– O NORTEAMENTO DA REGRA: pela primeira vez, vejo a FIFA usar o termo “paradinha” em documento oficial. Se você acessar o site da FIFA, e comparar o texto em inglês e o português, se vê claramente que a preocupação veio em relação aos cobradores de pênaltis do Brasil. Mas o que de fato foi feito? Veja só: o texto da regra 14 (tiros penais) diz que “o cobrador tem a permissão de realizar fintas durante a cobrança, desde que não sejam excessivas”. Enganar o goleiro com a paradinha pode. O excesso não pode. Mas como nós, árbitros, considerávamos o excesso? É subjetiva a interpretação do que é excessivo ou não. Poderíamos até tentar dar um padrão: parar e passar o pé por cima da bola antes de chutá-la seria um excesso; freiar na corrida e chutar na sequência, não.
O que a FIFA propõe? No novo texto da regra, ela tenta dizer o que é permitido, não o que é excessivo. Ela continua permitindo fintas (não só a paradinha), mas nortei-a, regra-a, disciplina-a com os dizeres: “a finta durante a aproximação para a cobrança do pênalti com o objetivo de confundir o adversário é permitida”. Este é o novo texto da regra. A interpretação é a seguinte: você pode correr, e durante a corrida alternar a velocidade e até parar; mas não pode fazer tudo isso na cobrança. NA APROXIMAÇÃO PODE, MAS NA EXECUÇÃO, NÃO.

Vamos falar de maneira bem clara? O árbitro autorizou, o batedor pode fazer a paradinha durante a corrida, mas não na hora de chutar. Ele está permitido a antecipar a paradinha. Se aproximou da bola, tem que chutar, não pode parar.

Cairemos numa nova subjetividade: qual a aproximação ideal? Teremos e inventaremos desculpas e teorias para as nossas confirmações ou não de cobrança, mas prefiro uma definição que ouvi do jornalista Fernando Sampaio, durante o Programa Esporte Em Discussão, da Rádio Jovem Pan, na última segunda-feira: “quando o atleta firmar o pé-de-apoio para cobrar o pênalti, não vai poder dar a paradinha”.

Perfeito! É isso que a regra pede mas não teve a clareza de delimitar.

Importante lembrar duas coisas: A primeira é que para os campeonatos iniciados antes de 01 de junho deste ano, esse texto não vale. Como o Brasileirão começou em Maio, os batedores podem dar a paradinha abrupta na hora de chutar. Durante a Copa do Mundo, eles estarão limitados a dar a paradinha no trajeto da cobrança. A segunda: algumas dúvidas foram geradas sobre o fato do pênalti ser uma lance que resulta de uma infração. Estariam as faltas fora da área também norteadas pela nova determinação? NÃO! A origem de lance que origina uma infração (dentro ou fora da área) é a Regra 12 (Infrações e indisciplina); a cobrança desses lances pode ser por Tiros Livres Diretos ou Indiretos (Regra 13) ou por Tiro Penal (Regra 14). A determinação se dá exclusivamente para esta última regra citada.

Os efeitos reais e a praticabilidade de tudo isso, creio eu, só teremos com certeza após assistirmos a Copa do Mundo e as Federações afiliadas à FIFA transmitirem as orientações e multiplicarem aos instrutores sua decisão.

– Dupla Paradinha

Amigos, depois do término da minha carreira como árbitro da FPF, este será meu primeiro post envolvendo arbitragem de futebol, sem os constrangimentos éticos e impedimentos que eu poderia incorrer. Confesso não estar bem a vontade; entretanto, não é por isso que a ética ou os cuidados irão faltar!

Gostaria de falar sobre a Dupla Paradinha, criada pelo Neymar no jogo de ontem. Confesso nunca ter visto isso! Veja só: dar paradinha, pode. A regra permite. O que não pode é o excesso da finta. Textualmente, a Regra 14 diz que você “pode utilizar fintas, desde que não sejam excessivas“. Entende-se que você correr, alterar a velocidade da corrida e chutar, é permitido. No Brasil, criou-se o hábito de se parar de vez, e em alguns casos, até passar o pé sobre a bola! Isso não é permitido.

Na partida entre Santos X Ceará, pelo Brasileirão, Neymar correu e… parou. Correu mais um pouco… parou de novo! E chutou. Até pela leitura você vê excesso na paradinha. Aqui não é “paradona”, é dupla paradinha, algo inédito. Talvez o árbitro não tenha anulado a cobrança pelo fato do lance ser inusitado. Eu, particularmente, entendo que a cobrança foi irregular. O goleiro Diego se adiantou, caiu, e ficou perdido no canto do gol. Sabe o que acontece se ele defende? Volta a cobrança! Se o árbitro aceitou a cobrança do Neymar, caso ele entenda que o lance é válido, voltaria a bater o tiro penal pois Diego se adiantou, mesmo sendo por ato reflexo da paradinha.

Coisas da Regra do Jogo. Está fácil voltar um lance como esse. Não sei porque nossos colegas têm vacilado nisso. Concordo que há a rapidez e dinâmica dos lances, além da necessidade de uma imediata tomada de decisão. Mas…

– A Bola Camaleão

Compartilho interessante material do site “Universidade do Futebol”, produzido por Eduardo Fontato, a respeito da tecnologia nos campos de futebol como ferramenta para a arbitragem. A novidade é a “bola camaleão”, que muda de cor ao passar a linha de meta.

Pela conduta da FIFA, provavelmente não será uma ideia aproveitada. Mas por que não pensar na possibilidade?

Extraído de: UNIVERSIDADE DO FUTEBOL

A BOLA CAMALEÃO

Por que uma empresa investe tanto num produto sendo que sua principal vitrine e consumidora, a Fifa, é uma entidade que caminha justamente no sentido oposto à adoção de novas tecnologias?

Olá, amigos!

A ideia desta terça era diversificar o tema, já que nas últimas semanas tratamos de maneira aprofundada das questões relacionadas à tecnologia como ferramenta dos árbitros de futebol.

Pego carona na informação do colega Thiago Lavinas, e apresento a tecnologia desenvolvida por uma empresa mexicana, na qual a bola (CTRUS) é dotada de uma tecnologia baseada no GPS, para mudar de cor quando ultrapassa a linha de jogo.

Sem querer entrar na já debatida aceitação ou recusa por parte do futebol em relação às inovações, refletiremos.

Antes, segue o vídeo de divulgação: http://www.youtube.com/watch?v=vKlzfwm4olQ&feature=player_embedded

Vejam que o tema da divulgação é o Fair Play e a transparência no futebol. Temas que são sempre defendidos por quem é favorável e recebe críticas, sobretudo no quesito de investimento necessário para aqueles que criticam.

Para quem gosta de ver mais detalhes, segue também o vídeo de desenvolvimento e designer da bola, divulgado também pela própria empresa: http://www.youtube.com/watch?v=3qJW3gcMbbw&feature=player_embedded

Muito interessante e bem produzido, porém…

Sempre existem os tais “poréns”, não é verdade?

Por que uma empresa investe tanto num produto sendo que sua principal vitrine e consumidora, a Fifa, é uma entidade que caminha justamente no sentido oposto à adoção de novas tecnologias, inclusive posicionando abertamente desta forma, através de seus presidentes?

Não seria um investimento em um produto com prazo de validade certo, ou melhor, um produto que nem sequer pode ter seu prazo estipulado uma vez que nem entrará em “campo”?

Não posso responder pela empresa, apenas especular. Então vamos lá às hipóteses:

• A empresa tem uma demanda vinculada a importantes órgãos do futebol que lhe garante o retorno de tal investimento;

• A empresa aposta que não tem como o futebol não evoluir para esse caminho;

• A empresa vê outros potenciais mercados independentemente da aceitação ou não da entidade máxima que controla o futebol;

• A empresa utiliza um tema polêmico para se promover frente a um mercado amplo e competitivo que é o mercado tecnológico como um todo;

• Os donos das empresas resolveram desenvolver porque acreditam nas ideias, independente de ter o retorno de investimento (embora eu ache difícil, mas vai saber né?).

E você, o que acha da CTRUS?

O que moveu a empresa a investir nesse projeto?

Fonte:
http://www.destroyafteruse.com/
http://colunas.globoesporte.com/primeiramao/

Para interagir com o autor: fantato@universidadedofutebol.com.br

– Jogador Croata Morre em Campo e recebe Cartão Amarelo

Seria cômico se não fosse trágico: na Croácia, o atacante driblou o primeiro, driblou o segundo, partiu para o gol, encontrou o zagueiro e… desabou na área. O árbitro, atento, mandou que levantasse, esbravejou e lhe deu o cartão amarelo por simulação. E o atacante não reclamou. Nem se mexeu… acontece que ele não tinha simulado! Na hora de chutar para o gol, simplesmente ele teve uma parada cardíaca e morreu.

Extraído de Terra Esportes (clique acima para link)

JOGADOR MORRE E TOMA CARTÃO AMARELO NA CROÁCIA

O defensor Goran Tunjic, da modesta equipe do MK Mladost, integrante da quinta divisão do futebol na Croácia, sofreu um infarto e morreu durante partida disputada contra o Hratski Sokola.

Segundo apurou o jornal espanhol Marca na edição desta quinta-feira, o árbitro da partida acreditou que o atleta simulava uma contusão no momento da queda e lhe aplicou um cartão amarelo antes de perceber a gravidade da situação, iniciando grande polêmica no país.

O atleta era filho de um famoso jogador croata e trabalhava em uma loja da cidade. Segundo fontes de seu clube, ele não havia demonstrado problemas cardíacos antes do ocorrido.

Caído no gramado, Goran Tunjic foi rapidamente atendido pelos médicos e recebeu massagem cardíaca ainda no local. No entanto, o defensor deu entrada em um hospital próximo ao estádio já sem vida. Em seguida, torcedores foram ao campo prestar homenagens ao atleta com velas nas mãos.

Ao serem informados da morte de Tunjic, representantes da Federação Croata de Futebol desmentiram a informação que o zagueiro recebeu cartão amarelo por simulação e classificaram a acusação como “invenção”. Para isentar o apitador, os membros da entidade disseram que o árbitro Marko Maruncek foi o primeiro a socorrer a vítima. Segundo relatos, o atleta já estava inconsciente quando recebeu os primeiros atendimentos.

– Meu Adeus à Função de Árbitro de Futebol

         Amigos, gostaria de agradecer a todos que sempre me apoiaram na minha jornada como árbitro de futebol, ao longo desses anos. Após muito pensar, refletir, discutir com a família e com Deus, resolvi encerrar minha vida dentro dos gramados nessa função. Não deixarei de ser árbitro, pois assumir essa condição é igual ao sacerdócio: um padre, mesmo quando abandona a batina, continua sendo sacerdote, sem exercer sua função eclesiástica; assim, um árbitro, ao “pendurar seu apito”, permanece árbitro, pois as imposições da carreira assim o tornam.

 

Apitando futebol desde 1994, nesses 16 anos de luta, entrei para a Federação Paulista de Futebol em 1996. Ao longo da carreira, foram  várias temporadas, 703 jogos trabalhados (sendo 368 oficiais), 30 testes físicos, algumas comissões de arbitragem, inúmeros monitoramentos, incontáveis reuniões e… uma satisfação muito grande!

 

Em todo esse período, a arbitragem de futebol me permitiu muitas coisas: conheci estádios humildes como o das antigas traves quadradas do Municipal de Amparo ao monumental e belíssimo Morumbi; trabalhei em partidas desde a longínqua Osvaldo Cruz à minha querida casa Jundiaí; dividi gramados com nomes humildes e desconhecidos até os consagrados amigos Paulo César de Oliveira, Wilson Luís Seneme e Cléber Wellington Abade, entre outros. Presenciei gols de canela, de bicicleta, de mão e de barriga; gols de goleiros e de centroavantes natos; gols contras; golaços e frangaços; e até pseudos-gols como o famigerado “gol de gandula” atribuído injustamente à competentíssima e desbravadora força feminina do apito, Sílvia Regina; colecionei amigos “bandeirinhas” aos montes, do folclórico Sílvio Lira aos laureados Marinaldo Silvério, Flávio Lúcio Magalhães, Ednilson Corona, Valter José dos Reis e Ana Paula da Silva Oliveira. Convivi com dois indubitavelmente maiores instrutores de arbitragem do país, Gustavo Caetano Rogério e Roberto Perassi. Tive a honra de ser avaliado algumas vezes por figuras ímpares da história da arbitragem: Milton Caetano e Abel Barroso Sobrinho. Presenciei grandes craques em campo, do final de carreira do Raí até o surgimento da atual geração, como Diego, Kaká, e outros grandes jogadores do futebol nacional. Pude “tomar conta” de muitos treinadores em campo, desde o “desconhecido professor João Paulo”, que se achava no direito de reclamar com o árbitro porque “jogou junto com o Geraldão do Corinthians”, aos emergentes Mancini, Giba e Luis Carlos Ferreira, culminando nos vitoriosos Muricy, Leão, Luxemburgo, Parreira… Vi de craques a cabeças-de-bagre. Dos clássicos, aos botinudos.

 

Apitei jogos entre líderes e entre lanternas. De domingo a domingo (já apitei às segundas-feiras) de jogos às 7:00 até os noturnos das 22:00. Com sol, com frio, com chuva, com iluminação capenga, no escuro e no clarão! Já trabalhei em Atibaia no sábado às 16:00 e no outro dia em Araçatuba às 10:00h. E sempre com alegria, pois todo árbitro quer uma única coisa: ser escalado! Seja na A1 como Quarto Árbitro ou apitando A2, A3, B1, B2, B3, B1-A, B1-B, Feminino 1ª, Feminino 2ª, Sub20, Sub 17, Sub 15, Amistoso, Copa Cingapura e até mesmo Campeonato de Circo. Já passei por tudo isso!

 

Vi racismo e solidariedade em campo; alguns externados, outros encobertos pela mídia. Corri em gramados sem grama e outros como mesa de bilhar; vestiários sem porta e outros como suítes; jogadores empenhados em derrubar seus treineiros e outros que davam o sangue pela bola. Árbitros, árbitros assistentes e árbitros reservas motivados e outros jogando contra os próprios companheiros. Gente chegando no horário do jogo e gente nem chegando. Motoristas da FPF ajudando o árbitro e outros se sacrificando para dupla jornada. Figurantes, protagonistas e antagonistas do futebol. Na maior parte, ouvi vaias. Claro, faz parte do espetáculo e elas são normais e culturais. Mas tive 3 momentos curiosos: aplaudido pela torcida em Catanduva pela 5ª. Divisão, ovacionado em Guarulhos pela 3ª, e premiado como melhor em campo pela rádio local com um pacote de bolachas Dunga em Matão (bons tempos em que se ganhava Motorádio…)

 

Vi de tudo. Convivi com tudo. Respeitei a tudo e a todos. E para não dizer que tudo foram maravilhas, seria hipocrisia não lembrar daqueles que sempre foram um malefício para o futebol: árbitros que tive a oportunidade de conhecer, ficar hospedado com eles em hotéis para jogos e para reuniões, e que posteriormente se envolveram em máfias; árbitros que desprezavam seus companheiros; árbitros que viajavam 500 km sem abrir a boca com o seu então iniciante companheiro de apito… Dirigentes vaidosos e inescrupulosos, de clubes – e diga-se de passagem – de árbitros! Alguns o tempo já incumbiu de afastá-los e a própria sociedade também o fez; outros, ainda persistem nas suas artimanhas. Vide os lobos em pele de cordeiro (talvez um lobo “Sem Sal, Sem Açúcar”, e os honestos sabem disso), que querem atacar os árbitros mediando relações entre clubes, e depois afagam os apitadores. A estes (ou este), sorrirei educadamente apenas como simbólico perdão à sua pobreza de espírito…

 

Por fim, sentirei saudades das aventuras e desventuras dos jogos. As saídas pela porta da frente, por trás, por escolta, por camburão… As situações cômicas, curiosas e até mesmo as tristes que vivi. Talvez um dia as relate em livro, como as sensacionais ofertas pós-jogo da “Toca da Tigresa” ou dos “Caldos de Bode” que aconteceram.

 

Ao longo desde período, sempre fui profissional, cumprindo corretamente minhas escalas, reuniões e convocações. É verdade que não tenho o mesmo condicionamento físico de quando tinha 18 anos (quando emagreci de 92k para 68k, motivado pelo desejo da arbitragem), mas que ainda me permite correr muito pelos campos de futebol!

 

Minha decisão se deve a uma série de fatores, e já descarto que não se deve a nenhuma especulação sobre problemas de relacionamento ou condição física. Simplesmente, preciso pensar na minha qualidade de vida. Tenho trabalhado intensamente em 3 searas, e abdicado em demasia da minha família. Durmo 5 horas por noite, e trabalho de segunda-a-segunda. É hora de repensar, de dar um pouco mais de aconchego à minha esposa (pois carinho não falta) e curtir o crescimento da minha filha Marina. Neste último ano, para cumprir todas as minhas obrigações, sacrifiquei muita coisa. Cá entre nós, é um esforço exagerado que necessita ser repensado, reavaliado… E com dor no coração, abrirei mão de estar apitando futebol, já que as exigências profissionais são cada vez maiores para tal atividade. Neste ano, cheguei a treinar aos domingos pela 5 da matina!

 

Portanto, agradeço a todos os amigos que trabalharam e conviveram comigo.

A Deus pela oportunidade;

ao meu pai, Milton Porcari pelo companherismo;

à minha esposa, Andréia de Melo Porcari pela compreensão;

aos amigos Adilson Freddo (que desprovido de qualquer interesse me ajudou no início da carreira e até hoje o faz – lembro-me como hoje quando eu era ainda estagiário na CEF e ele me convidou a ir à Rádio Cidade) e Luiz Antonio de Oliveira- “Cobrinha” (sempre atuante no futebol amador e grande amigo incentivador, conseguiu muitos bons jogos para eu apitar e aprender com boa prática);

e às comissões de árbitro nas quais fui subordinado, além dos mestres da EAFI que me ensinaram muito (novamente referência ao sr Gustavo e também ao Antonio Cláudio Ventura);

 

Desejando boa sorte ao trabalho árduo do Coronel Marinho, que teve sempre muita disposição em trabalhar e viver a arbitragem (mesmo com a minha sincera ressalva quanto à não abertura pública da pontuação do ranking, que tenho certeza que respeitosa e democraticamente é entendida), e os mesmos votos aos integrantes da CEAF, Arthur Alves Júnior e Roberto Perassi. Sei das dificuldades hercúleas do cargo, já que o alto número de árbitros corresponde ao mesmo alto número de personalidades, interesses e objetivos que se deve administrar e que praticavelmente não se pode contentar.

 

Me afastando do centro do gramado, mas não da arbitragem por definitivo (e muito mesmo do futebol como um todo), agradeço derradeiramente. Não quero perder o vínculo com o esporte bretão, muito menos da nobre atividade que é fazer cumprir as regras do jogo. A isso se resume o árbitro.

 

Só quem esteve dentro de campo, como único elemento a encarar duas equipes, uma plateia e a indisposição pública, tendo como seus instrumentos o apito e as 17 regras, sabe o quão prazeroso é tal desafio. Alguns dirão que é loucura ou masoquismo; prefiro dizer que é paixão pelo futebol correto, pela lealdade e jogo limpo.

 

Indescritível. É isso que contraditoriamente descreve a sensação do árbitro.

 

Foi muito bom. Obrigado a todos e sucesso na carreira e na função de cada integrante da família do futebol.

 

PPPPRRRRIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIII.

Apito Final. Fim de Jogo.

Ou, quem sabe, apito inicial para uma nova jornada…

 

(lembrando, estou estudando algumas propostas que outrora abri mão pela não-compatibilidade com a função de árbitro)

– Tiro Penal com Giro de 360 graus!

A paradinha tem sido muito discutida no Brasil. A cada cobrança mais excessiva (as ironizadas “paradonas”), se retoma o assunto.

Embora não ocorreu no futebol de campo profissional, mas no Showball, uma cobrança me chamou a atenção: a cobrança com giro em 360 graus!

É claro que não tomou tanto destaque pelo lance ser em categoria amadora. Mas esse tipo de cobrança de tiro penal, se ocorrido no futebol de campo profissional, seria válido?

O protagonista foi Djalminha, na partida Flamengo X São Paulo, semana passada.

Veja o lance ‘maluco’ e corajoso (defendido pelo goleiro!) em: http://www.youtube.com/watch?v=UC6kq9m12Mw

Responda: você validaria a cobrança se fosse no Futebol Profissional? (a regra não fala em paradinha, giro, cambalhota, nada disso… fala em fintas excessivas. As fintas, dentro de um certo limite, são permitidas. Mas e esta?)

– Mais Árbitros Banidos por Corrupção na UEFA

Mais uma vez, notícias sobre corrupção no futebol. Infelizmente, os casos têm aparecido semanalmente na grande mídia e revelam muita sujeira. Semana passada, houve o episódio da criação de “campos de concentração” para árbitros e treinadores, devido a manipulação de resultados na China (clique aqui para ler o assunto). Agora, a UEFA resolveu banir um árbitro ucraniano, pelo seu envolvimento em fabricação de placares. Dias atrás, a UEFA já houvera punido 3 outros árbitros, devido a relatórios da polícia alemã.

Abaixo, extraído do próprio site da UEFA (clique acima para citação)

AFASTAMENTO DE ÁRBITRO DECIDIDO EM 18 DE MARÇO

A UEFA anunciou que o árbitro ucraniano Oleh Orekhov foi banido de todas as actividades futebolísticas de forma vitalícia, depois de ter sido acusado de violar os Regulamentos Disciplinares da UEFA.

O Comité de Controlo e Disciplina da UEFA baniu o árbitro ucraniano Oleh Orekhov de todas as actividades futebolísticas de forma vitalícia.

Baseado em informações das investigações decorrentes da polícia alemã, sobre viciação de resultados e corrupção, o Comité de Controlo e Disciplina tomou a decisão esta quinta-feira, quando examinou o caso de Orekhov, que esteve suspenso provisoriamente o mês passado, durante 30 dias.

O árbitro ucraniano foi acusado de ter violado os princípios de lealdade e integridade, sob o Artigo 5 dos Regulamentos Disciplinares da UEFA. O parecer da UEFA está sujeito a recurso, no prazo de três dias após o conhecimento dos motivos da decisão.

As decisões tomadas pelo Comité de Controlo e Disciplina são desportivas, instigadas pela UEFA, permitidas pelos Estatutos da UEFA e geridas pelos Regulamentos Disciplinares do organismo, edição de 2008. Por isso, são decisões desportivas separadas, sem relação com as investigações policiais e procedimentos criminais em curso, conduzidos pelas autoridades policiais de Bochum.

DECISÕES SOBRE ÁRBITROS INVESTIGADOS EM 18 DE FEVEREIRO

O Comité de Controlo e Disciplina da UEFA tomou decisões sobre três árbitros europeus, com base na investigação em curso da polícia alemã sobre viciação de resultados de jogos e corrupção.

O Comité de Controlo e Disciplina da UEFA tomou decisões na quinta-feira, dia 18 de Fevereiro, respeitantes a três árbitros europeus, com base na investigação em curso da polícia alemã sobre viciação de resultados de jogos e corrupção. Os três árbitros foram acusados de quebrarem os princípios da lealdade e integridade descritos no Artigo 5º dos Regulamentos de Disciplina da UEFA.

Novo Panic, árbitro da Bósnia-Herzegovina, foi banido para sempre de qualquer actividade relacionada com o futebol. Panic apresentou um recurso junto da UEFA contestando o veredicto, sendo que a respectiva data da audiência será comunicada em devido tempo. Tomislav Setka, árbitro assistente da Croácia, foi suspenso até 30 de Junho de 2011. Oleg Oriekhov, árbitro da Ucrânia, foi suspenso provisoriamente durante 30 dias [e banido, conforme relato atual acima].

Noutro caso, o Comité de Controlo e Disciplina da UEFA decidiu que nenhuma acção será intentada contra o árbitro búlgaro Anton Genov, na sequência de investigações ligadas a padrões de apostas ilegais.

A propósito, um árbitro suspenso por corrupção por 1 ano e 3 meses, como o croata citado, tem direito a voltar a apitar?

– Escola Anti-Corrupção para Árbitros e Treinadores

Na última semana, um escândalo no futebol da China resultou na denúncia envolvendo 4 árbitros de futebol. Ao longo da mesma semana, foram presos dois vice-presidentes da Federação Chinesa de Futebol, o presidente da Comissão de Árbitros da China e 3 árbitros de futebol (incluindo o árbitro que apitou a Copa de 2002).

Como medida corretiva, as autoridades locais criaram dois campos para reeducação. Um que servirá para árbitros (200 oficiais) e outro para os treinadores. Neles, segundo o presidente da Federação Chinesa de Futebol, Wei Dei, os “alunos” em regime de concentração poderão ter a “oportunidade de redenção dos seus problemas”. Em outras palavras, a chance de confessar crimes, desistir da carreira ou provar sua lisura.

Extraído de: http://www.lusa.pt/lusaweb/user/showitem?service=310&listid=NewsList310&listpage=1&docid=10797888

ÁRBITROS E TREINADORES EM REEDUCAÇÃO PARA CONFESSAREM DELITOS DE CORRUPÇÃO

Pequim, 13 mar (Agência Lusa) – As autoridades chinesas decidiram concentrar centenas de árbitros e treinadores para reeducação e para que confessem os seus delitos, na sequência de um escândalo de corrupção a todos os níveis na liga de futebol.

O diário South China Morning Post revela hoje que foram criados dois “campos de retificação de educação anti-corrupção”, um nos arredores da capital chinesa, para onde foram enviados 200 árbitros de futebol, e outro no sul da província de Cantão, onde se encontram treinadores da maioria das equipas da liga de futebol chinesa.

Segundo o jornal, estas concentrações são “a última oportunidade para confessarem os seus delitos em troca de sanções menos duras”.

O novo presidente da federação chinesa da modalidade, Wei Di, afirmou que o campo de retificação é “uma oportunidade de redenção para os que têm problemas” e advertiu que aqueles que confessem os delitos depois de passado o “período de graça” serão duramente punidos.

O mundo do futebol transformou-se numa área de experimentação na luta contra a corrupção na China, depois de o presidente Hu Jintao expressar no ano passado a sua preocupação com o mau estado institucional daquela modalidade e com os péssimos resultados internacionais da seleção chinesa de futebol.

Desde então, rara tem sido a semana em que não há notícias sobre treinadores, jogadores, dirigentes ou árbitros envolvidos em redes de manipulação de resultados desportivos e em apostas ilegais.

A campanha anti-corrupção já levou às prisões do país dois ex vice-presidentes da federação de futebol chinesa (Nan Yong e Yang Yimin), de Zhang Jianqiang, diretor do comité de árbitros e três conhecidos árbitros de futebol, um dos quais apitou no campeonato mundial de futebol de 2002.

FVZ.

– O Gol do Vento (Irregular) no Campeonato Alemão

Para aqueles que frequentam cursos de arbitragem de futebol, sabem que há alguns lances folclóricos discutidos que trazem muitas gozações. Um dos mais comuns é o famoso “gol do vento“, onde alguém cobra o tiro de meta e a bola, tomada por uma rajada de ar, entra no próprio gol. Comenta-se que tal lance seria impossível de se acontecer, tamanha a raridade.

Mas tal lance inusitado aconteceu em uma patida na Alemanha. Na partida entre Wimshein 2 X 1 Grunbach, por um campeonato regional, o zagueiro do Grunbach cobra o tiro de meta com um chutão para a frente, a bola sai da grande área, o forte vento a segura no ar, e a bola começa a fazer o caminho de volta até… entrar no ângulo, sem ter sido tocada por ninguém (a não ser pelo “goleador” vento)!

O árbitro validou o lance, ninguém reclamou e o gol foi determinante na vitória do Wimshein.

Apesar de inusitado e engraçado, o lance é irregular.

Vamos ilustrar? Veja o lance clicando no link a seguir, extraído do YouTube: http://www.youtube.com/watch?v=tYJttBJq6lw&feature=player_embedded.

Sobre o lance:

– É válido um gol por cobrança de tiro de meta, desde que no gol adversário, ou seja, gol contra de tiro de meta não vale.

– Para a bola entrar em jogo após a cobrança de tiro de meta, ela deve ter saído da área penal, seja por terra ou ar. O folclore de que precisa “pingar” não existe. Portanto, a bola entrou em jogo. Se alguém a tocá-la antes de sair da área penal, repete-se a cobrança.

– Se a bola entrar diretamente no gol sem ter sido tocada por ninguém (como o ocorrido), é tiro de canto. PORTANTO, O LANCE FOI CONFIRMADO ERRONEAMENTE. DEVERIA-SE MARCAR ESCANTEIO PARA O ADVERSÁRIO.

O gol só seria válido se qualquer jogador adversário ou qualquer jogador da equipe que cobrou o tiro de meta (exceto o zagueiro que chutou a bola) a tocasse com alguma parte válida do corpo para se jogar. Se o zagueiro a tocasse com alguma parte válida (com o pé, por exemplo) se marcaria tiro livre indireto ao adversário, já que se consideraria que tocou duas vezes na bola na cobrança do tiro de meta. Se esse mesmo jogador colocasse a mão na bola (que é uma parte inválida para se jogar), se marcaria pênalti, pois a mão intencional na bola é uma infração mais grave naquele momento. Não se expulsa o atleta, pois ali ele não impediu uma situação clara e manifesta de gol. A bola entraria na meta, caso ele não colocasse a mão na bola, mas não seria gol… Portanto, não impediu um gol! Se marca pênalti por uso indevido das mãos na bola, mas não se mostra o cartão vermelho.

A regra de jogo é fantástica, não? Pena que o erro do nosso colega europeu foi determinante para a derrota do Grunbach. Talvez por desconhecimento, por desatenção, ou até mesmo pelo susto do ineditismo do lance!

*ATENÇÃO: VEJA A DATA DA POSTAGEM, POIS AS REGRAS MUDAM.

– Esperteza ou Moleza dos Boleiros?

Na quarta-feira (17), um lance inusitado na partida Porto (POR) X Arsenal (ING): Após um recuo de bola do time inglês ao seu goleiro, o árbitro sueco Martin Hansson (aquele mesmo de França X Irlanda, do gol de mão de Henry – que fase, hein juizão!) assinalou tiro livre indireto a favor dos portugueses. O esperto centroavante pegou a bola, colocou no chão e cobrou rapidamente, fazendo o gol. Naquele momento, o goleiro e a defesa do Arsenal estavam desarrumados e desatentos. O gol foi confirmado.

Veja o lance: http://globoesporte.globo.com/Esportes/Noticias/Futebol/portugues/0,,MUL1495243-9850,0.html

E a pergunta: pode?

Claro que pode, e aí uma curiosidade: Quem é que disse que precisa esperar a barreira? Onde está a barreira na regra? E o apito do árbitro, tem que esperar?

Vamos lá: o time que cobra a falta tem o direito de exigir as 10 jardas de distâncias (9,15m). Nada impede que ele abra mão desse direito. Se o fizer, e a bola atingir o defensor, segue o jogo. Afinal, o adversário não teve tempo de se posicionar a 9,15 metros. Não teve culpa. Não precisa esperar o apito.

Entretanto, se o adversário se posicionar em frente a bola, e impedir propositalmente a cobrança, ficando a menos de 9,15m, e a bola bater nele, repete-se a cobrança e aplica-se o cartão amarelo por não manter a distância regulamentar e/ou retardar o reinício de jogo.

Perceba que são situações diferentes: no primeiro lance, ele não teve tempo de se posicionar. No segundo lance, ele fez questão de não se posicionar.

Mas e quando o time que fez a falta “pede barreira“? Aí outro mito do futebol: o infrator não tem esse direito, ele tem o dever de dar a distância. O que acontece muitas vezes é que os batedores de falta exigem a distância de 9,15m, e as defesas se agrupam como “paredões”, “muralhas” ou, como conhecemos, “barreiras”. As barreiras não existem na regra; é que a própria regra não vê nada de ilegal no fato dos atletas se agruparem a 9,15m.

Outra curiosidade que você não costuma observar: se o atleta quer bater a falta rapidamente, e o adversário fica na sua frente, ele pode tirar grande proveito disso: a regra permite que ele “tabele’ com o adversário, ou seja, posso chutar nesse atleta que está me atrapalhando, a fim de recebê-la de volta e sair eu mesmo jogando! Quantas vezes você viu esse lance em campo? Dizem que Pelé fazia isso, mas com a bola rolando, não em lance de bola parada.

E quando vemos o gesto do árbitro mandando esperar o apito para cobrar a falta?

– Normalmente ocorre pela exigência da equipe que cobrará a falta em querer a distância. O árbitro indica que irá contar a barreira, e por estar de costas e o jogo paralisado, precisa indicar aos atletas quando o jogo deve ser reiniciado (ou melhor, a falta cobrada). Alguns batedores de falta exigem a barreira, por ela ser um ponto de referência a eles. Usam e treinam com esse artifício. Vale lembrar que também o árbitro poderá desautorizar a cobrança caso tenha que tomar alguma providência (como o atendimento a um atleta que se lesiona gravemente, por exemplo). O atacante não precisa esperar nem para a aplicação de cartão amarelo a um adversário, caso deseje cobrar rapidamente a falta (o árbitro aplica o cartão na primeira paralisação seguinte).

Tal texto pertence as diretrizes da regra 5, no texto USO DO APITO: “O apito não é necessário para reiniciar o jogo mediante um tiro livre (…) O uso do apito é necessário para reiniciar o jogo mediante um tiro livre após determinar a distância correta de uma barreira“.

Mas o que a zaga deve fazer? Resposta simples: estar atenta! Ou se arrisca em tomar um cartão amarelo de árbitro que cumpra fielmente as regras do jogo, permanecendo em frente a bola e torcendo para que o adversário exija a barreira (se o adversário chutar, toma o amarelo e aí tem que esperar a barreira e o uso do apito mesmo, não pode mais cobrar rapidamente).

Parece severo, mas atende ao Espírito do Jogo, que juntamente com as Regras, norteiam o futebol: nunca beneficiar o infrator!

Assim, vale a pena os atacantes estarem espertos e estudarem a regra. Poderiam marcar mais gols.

Especificamente, no lance do Porto X Arsenal: um amigo me perguntou se vale o gol, já que o árbitro não teve tempo de levantar o braço para indicar tiro livre indireto. Vale sim! É que quando há tiro livre indireto e a bola é chutada direto ao gol, sem o braço do árbitro estar levantado, volta a cobrança (pois, teoricamente, o atleta não foi informado pelo árbitro que era em 2 lances). Se o braço estivesse levantado e a bola entrar no gol diretamente, tiro de meta. (Claro, como o lance foi dentro da área e a bola foi tocada, tudo bem).

Vale a lúcida colocação do atacante do time londrino, Fábregas: “Nós estávamos desatentos…”

– Deus e o Diabo em Campo na Itália

Há dias, tratamos de um tema interessante: a proibição de que os jogadores proferissem palavrões durante as partidas de futebol na Itália, independente do motivo (para ler a matéria, clique aqui: PALAVRÃO RESULTARÁ EM CARTÃO VERMELHO). E não é só de palavrões que a norma trata: também das questões religiosas: usar o nome de Deus (e de qualquer crença) ou divulgar mensagens de amor em camisetas e/ou mensagens políticas, também valerá a punição. Sobre esse assunto, tratamos na oportunidade em que a FIFA resolveu dar atenção ao proselitismo religioso durante os festejos da Seleção Brasileira na Copa das Confederações-09 (para ler a matéria, clique aqui: A FIFA E A MANIFESTAÇÃO RELIGIOSA NO FUTEBOL BRASILEIRO).

Assim, embora realmente a medida seja polêmica (e a qual particularmente considero incabível e impraticável), a nova lei poderá fazer sua primeira vítima: o goleiro juventino Buffon, que blasfemou ao falhar no gol sofrido contra o Gênova, no último domingo. O árbitro não tomou providências no lance (a recomendação é a expulsão), mas o Comitê Disciplinar tomou as devidas medidas e irá julgar o goleiro, pela leitura labial!

Incrível e desnecessário, não? O cara erra um lance, e não pode desabafar consigo próprio?
 
Abaixo, extraído do Estadão com as citações no link: 

http://www.estadao.com.br/noticias/esportes,goleiro-buffon-pode-ser-punido-por-blasfemia,511725,0.htm

GOLEIRO BUFFON PODE SER PUNIDO POR BLASFÊMIA 

Jogador é acusado de proferir o nome de Deus em vão após falhar no segundo gol do Genoa

TURIM – Gianluigi Buffon, da Juventus, pode ser o primeiro jogador a ser punido por má conduta em campo pelo Campeonato Italiano. O goleiro do time de Turim e da seleção italiana é acusado de proferir o nome de Deus em vão após falhar no segundo gol do Genoa, marcado por Rossi, na vitória da Juventus, no último domingo, por 3 a 2.

Pela nova legislação promulgada pela Federação Italiana de Futebol, a blasfêmia, se ouvida dentro do campo, deve ser punida pelo árbitro com cartão vermelho ou outros tipos de sanções após teste de leitura labial pela televisão. Os jogadores que falarem palavrão em campo também deverão ser expulsos.

A postura radical contra esse tipo de atitude foi adotada na semana passada pela Federação Italiana por sugestão do presidente do Comitê Olímpico Italiano. Também deverão punidos pela federação os jogadores que mostrarem nos jogos camisetas com mensagens pessoais de amor ou religião. Segundo os dirigentes, esta é uma forma de dar exemplo aos jovens.

Buffon, no entanto, não acredita que será punido. “A ideia pode ser justa, mas difícil de implementar. O esporte profissional, às vezes, cria situações de pressão que podem fazer você perder a lucidez. Não sei como poderão provar se o jogador poderá dizer Dio [Deus], Zio [Tio] ou Dino”.

– Palavrão resultará em Cartão Vermelho!

Cada vez mais, observamos jogadores soltando palavrões por um gol perdido. Muitas vezes, o lamento se torna um ato teatral. Mãos abertas, socos no ar, e até mesmo uma espécie de “satisfação à torcida”. Mas não só a perda de um lance provoca essas reações: também nos acertos! Está na moda goleiro comemorar como se fosse um gol feito a cada defesa realizada, o lateral vibrar com um carrinho certeiro na bola e até sinal-da-Cruz para bola na trave vale!

Dito isso, vejo que a FIGC (Federazione Italiana di Gioco di Calcio) proibiu jogadores de xingar em campo. Qualquer palavrão dito, mesmo como ato reflexo, valerá cartão vermelho.

Particularmente, acho uma medida exagerada. Os bocas-sujas que se cuidem, pois a suspensão poderá ser imposta mesmo se o árbitro não expulsar o atleta mas se o vídeo permitir leitura labial.

Obs: quero ver para os estrangeiros que jogam na Liga, como serão punidos? O repertório de palavrões em português, sérvio, russo, togolês, hutu e outras línguas é de conhecimento dos árbitros? Assim, só valerá expulsão para quem xingar em italiano. Valerá dizer “Mama mia“, ao invés de “Porca miseria“!

Extraído de: http://globoesporte.globo.com/Esportes/Noticias/Futebol/italiano/0,,MUL1483722-9848,00.html

PALAVRÃO EM CAMPO SERÁ PUNIDO COM CARTÃO VERMELHO EM CAMPO

Federação anuncia ainda que vai usar vídeos dos jogos para punir aqueles que xingarem e não forem flagrados pela arbitragem

Nada de praguejar quando perder um gol, xingar quando um companheiro errar um passe, muito menos se referir a adversários ou à arbitragem com palavrões. A Federação Italiana anunciou nesta terça-feira que tornará oficial a decisão de que os jogdores “boca-suja” serão punidos com cartão vermelho nos jogos do Campeonato Italiano.A nova recomendação deverá ser cumprida pelos árbitros e, quando não forem, poderão ser avaliadas por uma comissão no dia seguinte. Os xingadores que não forem expulsos poderão também ser punidos com base nos vídeos dos jogos.

– A ideia é melhorar o comportamento dentro de campo – explicou o presidente da federação, Giancarlo Abete.

A Federação Italiana vai apertar o cerco também aos jogadores que exibem camisas com mensagens por baixo do uniforme do clube. Além do habitual cartão amarelo, eles serão também multados.

– Árbitros com Apito e Termômetro

Em São Paulo, a Federação Paulista de Futebol determinou que haja uma parada para hidratação aos 65 minutos de jogo, devido ao forte calor durante as partidas de futebol. Tal medida é válida para as partidas iniciadas às 10h, 11h, 15h e 16h. Jogos depois desse horário não sofrerão essa paralisação. Essa determinação partiu da presidência e vale até 31 de março deste ano.

No Rio Grande do Sul, a Justiça determinou que os jogos comecem após as 18h, devido ao forte calor. Mas com uma grande novidade: o árbitro adentrará em campo com um termômetro, e se a temperatura estiver além dos 35ºC, o jogo deve ter seu início atrasado, a fim de esperar a queda da temperatura. Só daí o meteorologista, ops, o árbitro dará o apito inicial!

Extraído de Globoesporte.com (clique aqui para a citação e link)

ÁRBITROS TERÃO DE USAR TERMÔMETRO NO RS

Horários dos jogos do Gauchão e da Copa do Brasil vão depender do calor. Partidas marcadas para 18h só serão realizadas com menos de 35ºC

por Richard Souza

A liminar da Justiça do Trabalho que proíbe a realização de jogos das séries A e B do Campeonato Gaúcho entre 10h e 18h está mantida, foi ampliada e fica ainda mais rigorosa. Nesta segunda-feira, o Juiz do Trabalho Rafael da Silva Marques proibiu a realização de qualquer partida de futebol profissional no Estado do Rio Grande do Sul, incluindo jogos da Copa do Brasil, entre 18h01m e 19h29m, quando a temperatura atingir ou for superior a 35ºC. Os árbitros das partidas serão os responsáveis pelo controle do calor e terão de usar termômetros. Em caso de descumprimento, a pena inicial de R$ 150 mil por jogo e R$ 5 mil por atleta está mantida. A Federação Gaúcha de Futebol (FGF) e a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) já foram informadas sobre a decisão.

Por conta do calor intenso, o Sindicato dos Atletas Profissionais do Rio Grande do Sul moveu uma ação cautelar na quinta-feira passada para impedir os jogos entre 10h e 18h. A Justiça acatou o pedido e ordenou as mudanças. No domingo, a partida entre Grêmio e Universidade, pela sétima rodada da Séria A, inicialmente marcada para 17h, passou para 19h. Todos os confrontos da Série B foram suspensos pela FGF, já que muitos estádios dos times não têm iluminação artificial.

Tudo começou na última quarta-feira, depois que Grêmio e São Luiz de Ijuí se enfrentaram no estádio Olímpico, às 17h, com temperatura na casa dos 40º C. Alguns jogadores do Tricolor, como os zagueiros Rafael Marques e Mário Fernandes, passaram mal. O comentarista e ex-jogador Batista desmaiou antes da transmissão da partida.

A Federação Gaúcha de Futebol tentou cassar a liminar, mas não obteve sucesso. Nesta segunda-feira, o presidente da entidade, Francisco Novelletto, disse que nem um acordo entre a FGF e o Sindicato dos Atletas será capaz de mudar a decisão judicial.

Com a nova determinação, a partida entre Cerâmica-RS e Paraná, pela primeira fase da Copa do Brasil, marcada para a próxima quarta-feira, passa de 16h para 18h (de Brasília), no estádio Passo D’Areia, em Porto Alegre.

Todos os duelos do próximo sábado, pela oitava rodada do primeiro turno do Gauchão, estão previstos para 17h. Com a decisão da Justiça do Trabalho, terão de ser alterados.

Decisão surpreende árbitros

O presidente do Sindicato dos Árbitros do Rio Grande do Sul, Ciro Camargo, reconheceu que a decisão judicial o surpreendeu. Segundo ele, os árbitros precisam de qualificação para medir a temperatura antes dos jogos. Como a decisão é inédita, não consta dentro do quadro do Estado alguém especializado no assunto.

– Tenho certeza de que nenhum de nós está habilitado e qualificado para aferir temperatura. Somos quase 400 e não conheço ninguém que entenda de meteorologia. Teremos de tomar ciência, levar esta determinação do juiz ao nosso departamento jurídico. Vamos cumprir, mas precisamos saber como deve ser feito, em que local do campo devemos usar o termômetro. É muito subjetivo. Trata-se de uma novidade, de uma situação atípica – explicou, por telefone, ao GLOBOESPORTE.COM.

– Paradinha liberada para a Copa do Mundo 2010

Paradinha liberada no Mundial da África. Atenção, PARADINHA, não PARADONA

Compartilho interessante material com uma entrevista do árbitro Carlos Eugênio Simon ao jornalista Diogo Oliver, do Zero Hora, a respeito do que será ou não permitido em relação à “paradinha” na próxima Copa. A propósito, segundo a coluna reproduzida abaixo, na próxima 6a. feira Simon será confirmado como árbitro na Copa do Mundo da África do Sul. Parabéns ao nosso colega brasileiro, torceremos por ele!

Extraído de: http://zerohora.clicrbs.com.br/zerohora/jsp/default.jsp?uf=1&local=1&newsID=a2798225.xml&channel=13&tipo=1&section=Geral&source=widget

SIMON AVISA: PARADINHA ESTÁ LIBERADA NA COPA

Boa, muito boa notícia para a Seleção Brasileira que vai disputar a Copa da África. A paradinha está liberada na Copa do Mundo da África do Sul.Sabe aquela polêmica sobre a paradinha ser uma humilhação, quase um crime cometido pelo atacante contra o indefeso goleiro na hora do pênalti? E que, sendo assim, seria extirpada do futebol para todo e sempre? O presidente da Fifa, Joseph Blatter, chegou a colocar a discussão nestes termos, ao defender o fim do artifício.

Ficou só nisso. Não teve reunião da International Board, a entidade encarregada de regular as normas de arbitragem, nenhuma circular foi despachada para os árbitros da Fifa mundo afora, nada aconteceu desde então.

É o que garante Carlos Simon, que será anunciado na sexta-feira pela terceira vez seguida como um dos árbitros da Copa do Mundo. Feito, aliás, histórico. Um recorde para a arbitragem gaúcha e brasileira.

No Mundial de Clubes da Fifa, realizado em Dubai, nos Emirados Árabes, o assunto foi amplamente debatido pelos juízes em um encontro, antes de a bola rolar. O próprio Simon levantou o assunto para debate, já que a paradinha praticamente só acontece no Brasil.

Mais ainda: ele mesmo, Carlos Simon, com a experiência de quem já viu toda sorte de formas de cobrar o pênalti desta forma no Brasil, reino da paradinha, simulou com seus companheiros situações no campo.

— Tá liberado. Fica valendo a habilidade do batedor do pênalti, como diz a regra 14: é permitido fazer finta no tiro penal. Não pode ser aquele exagero, que configure conduta antidesportiva. Mas pode ter paradinha, sim — afirma Simon.

Portanto, tudo vai depender da interpretação de cada árbitro na Copa. Simon, por exemplo, já definiu alguns limites:

— Claro que não vou deixar dançar a chula antes de chutar. Nem ultrapassar a linha de bola, volta e bater. Mas parar, de repente chutar o chão antes de cobrar, pode — ensina Simon, que vai largar o apito após a Copa e não apenas sonha como fará de tudo para ajudar o amigo Leonardo Gaciba, de quem foi o principal incentivador na carreira, a herdar o seu escudo da Fifa.

Então, ficamos assim: a paradinha, inventada por Pelé, que ganhou contornos polêmicos depois dos exageros cometidos por alguns na tentativa de enganar os goleiros, está liberada para a Copa. Até ordem em contrário.

– Um Bandeirinha Atropelado!

Para quem assistiu hoje a Manchester United X Hull, direto de Manchester, um lance inusitado: numa disputa de bola, o bandeira é literalmente atropelado, cai, desfalece, precisa de paramédicos e médicos, recebe o consolo dos jogadores de ambas equipes e volta ao jogo.

Curiosidade: o quarto-árbitro chega a começar o aquecimento para substitui-lo. Na imagem, ele está de agasalho por completo, gorro e luvas! Quarto-árbitro de gorro sentado no banco… ah, não dá!

O vídeo está disponível neste link: http://esporteinterativo.uol.com.br/noticia.aspx?idNoticia=17923

 

– A intervenção federal nas regras dos esportes!

Parece (e é) absurdo o projeto de lei da deputada federal Gorete Pereira (PR do CE) que busca a intervenção tecnológica nos esportes. A proposta da deputada (já em pauta, sob o número 5759/04), obriga as federações esportivas a filmarem os eventos esportivos promovidos por elas, e caso o capitão de alguma equipe se sinta prejudicado por alguma decisão do árbitro, terá o direito de pedir interrupção do evento (em 2 oportunidade de 5 minutos cada) para que o árbitro reveja sua marcação.

Como fazer com os esportes individuais? Como mudar as regras de todos os esportes? Como adequar paralisações no futebol, futsal, boxe, judô ou badminton?

Claro que há  a inconstitucionalidade no projeto da deputada, e evidente que mostra como o dinheiro público é mal gasto por alguns nobres parlamentares…

Material extraído de: http://www.apitonacional.com.br/noticias/jogosfilmados.htm

Jogos poderão ser filmados para auxiliar árbitros

 

Segundo proposta que tramita na Câmara dos Deputados, o capitão do time que se sentir prejudicado por uma decisão do juiz pode pedir a interrupção da partida para verificação das imagens. 

As federações esportivas brasileiras que promovem campeonatos profissionais poderão ser obrigadas a filmar os jogos oficiais para auxiliar os árbitros, no momento da partida, na aplicação das regras. A determinação consta no Projeto de Lei 5754/09, da deputada Gorete Pereira (PR-CE), em tramitação na Câmara. O texto altera o Estatuto de Defesa do Torcedor (Lei 10.671/03).  Segundo a proposta, o capitão do time que se sentir prejudicado por uma decisão do juiz pode pedir a interrupção da partida para verificação das imagens. Nas modalidades individuais, o pedido será do atleta.

A paralisação para verificação do lance duvidoso terá duração máxima de cinco minutos, limitada a duas por jogo, e será julgada pelo juiz e árbitros auxiliares. O PL 5754/09 determina que se o lance não for solucionado no tempo previsto, será considerada válida a aplicação original do juiz.

A deputada Gorete Pereira explica que proposta similar foi apresentada em 2004 pelo ex-deputado Roberto Pessoa (CE), tendo sido rejeitada. Ela decidiu reapresentar o texto por achar  que tem crescido o número de erros das arbitragens, “com visíveis e diretas repercussões no resultado das partidas”. Gorete acredita que a medida poderá até reduzir a violência nas partidas, que muitas vezes tem como estopim uma decisão do árbitro. Ele destaca que o futebol americano já usa as filmagens para a correção de erros da arbitragem.

– Ranking dos Árbitros Mundiais

Existe um polêmico instituto de história e estatística do futebol, IFFHS, que frequentemente divulga polêmicos rankings do futebol. Ontem, um me chamou a atenção: o ranking dos melhores árbitros do mundo. O ponteiro da lista é o ítalo-suiço Massimo Bussaca, o mesmo que neste último ano fez xixi em campo no Catar, entre tantas ações polêmicas. O curioso é que neste mesmo ranking não há nenhum voto a brasileiros (quem será que votou nesta lista?). O 15o. é do Uzbequistão. E tem até de Seicheles na votação!

Abaixo, a relação dos melhores do mundo, segundo a IFFHS, os pontos conquistados, e uma curiosidade: o mesmo instituto escolheu Pierluigi Colina como o melhor de todos os tempos, e José Roberto Wright como o melhor brasileiro até hoje, sendo o 22o. colocado do mundo na história do futebol.

Extraído de: http://www.iffhs.de/?28e43c03f32b00f31504e52d17f7370eff3702bb1c2bbb6e0b

1. Massimo Busacca Schweiz 225
2. Roberto Rosetti Italia 147
3. Howard Melton Webb England 52
4. Jorge Luis Larriondo Uruguay 47
5. Frank De Bleeckere Belgique 45
6. Luis Medina Cantalejo España 25
7. Manuel Enrique Mejuto González España 22
8. Carlos Luis Chandía Alarcon Chile 19
  Wolfgang Stark Deutschland 19
10. Héctor Walter Baldassi Argentina 17
11. Claus Bo Larsen Danmark 15
12. Carlos Arecio Amarilla Paraguay 12
  Alberto Udiano Mallenco España 12
14. Martin Atkinson England 11
  Ravshan Irmatov Uzbekistan 11
16. Oscar Julián Ruiz Acosta Colombia 10
  Ali Hamad Madhad Saif Al-Badwawi UAE 10
18. Benito Armando Archundia México 9
  Martin Hansson Sverige 9
  Tom Henning Övrebö Norge 9
21. Terje Hauge Norge 7
22. Dr. Felix Brych Deutschland 6
23. Herbert Fandel Deutschland 5
  Eddy Allen Maillet Seychelles 5
  Marco Antonio Rodríguez Moreno México 5
  Florian Meyer Deutschland 5

Eu não creio nesse ranking, que nem metodologia apresenta. Mas para quem gosta…

– O Simbolismo da Contratação de Tardelli: Modismo, Necessidade ou Modernidade?

Leio e ouço pela mídia que o Clube Atlético Mineiro contratou o (agora ex) árbitro Wagner Tardelli para fazer parte da sua Comissão Técnica, chefiada pelo treinador Wanderlei Luxemburgo.

Um especialista em arbitragem para fazer parte de uma equipe de futebol. Seria novidade? Talvez. Mas, sinceramente, tal adoção de um profissional que entenda das Regras do Jogo não deveria ser uma necessidade? Há poucos meses, o Real Madrid tentou contratar um árbitro da Liga Espanhola, mas a ideia acabou não vingando.

Wagner Tardelli pendurou o apito neste ano. Está livre e desimpedido para novos desafios. Não há nenhum empecilho ético, já que assume tal condição. Nos primórdios do futebol, a situação era contrária: os ex-jogadores é que viravam árbitros (Já imaginou Marcelinho Carioca, Viola, Djalminha ou Raí apitando jogos? Seria curioso, mas neste tempo e realidade, improvável…). A única condição que poderia trazer discussões seria se ele fosse árbitro atuante e desse consultoria à equipe mineira. Claro, situação incompatível.

Mas por que os clubes de futebol não tem em suas comissões técnicas um profissional de arbitragem? Cultura, despreocupação com a regra ou comodismo?

Em todas as atividades profissionais, a pessoa deve estudar cada vez mais para melhorar seu rendimento e ter ascensão na carreira. O futebol talvez seja uma das poucas atividades em que os profissionais pouco sabem sobre as regras do seu ofício. Pergunte a um jogador quantas regras o futebol possui? Boa parte poderá acertar a resposta: 17 regras. Mas não pergunte quais são… Se você perguntar de bate-pronto qual a Regra 9, a chance de acerto é quase nula!

Por fazer parte do meu universo profissional, gosto de comparar temáticas da Administração de Empresas com as do Futebol. E o exemplo que vou citar é perfeito quanto ao significado da contratação de Tardelli:

Em meados da década de 10, no século passado, o turco radicado francês Henry Fayol, um dos pais da Administração Moderna (Abordagem Clássica da Adm), cuja formação era a Engenharia, questionou: Por que não ensinamos a Administração em universidades? (naquele tempo, não existiam cursos acadêmicos de tal ciência). E isso impulsionou a criação das primeiras faculdades de Adm. Entretanto, surgiram dúvidas: ADMINISTRAÇÃO É CIÊNCIA, ARTE OU TÉCNICA?

Refaça essa mesma pergunta para o esporte bretão que tanto admiramos: FUTEBOL É CIÊNCIA, ARTE OU TÉCNICA?

Entenda os 3 termos para poder responder:

– CIÊNCIA é o conjunto de estudos necessários para a compreensão de um assunto ou fenômeno;

– ARTE é a vocação, o dom, a habilidade inerente ao ser;

– TÉCNICA é a prática adquirida pelo costume e o exercício da atividade.

Hoje, na Administração, os autores enfatizam um ou outro desses 3 fatores; mas para o perfeito exercício profissional, deve-se ter a harmonia e a existência deles.

No futebol, vemos claramente a ARTE (afinal, o jogador tem que ter algum dom, gostar de exercer o ofício e certa habilidade) e também a TÉCNICA (que é o treinamento, o aprimoramento e a prática do jogo de futebol). Mas e a CIÊNCIA, onde fica? Fica para os profissionais que assessoram os jogadores (nutricionistas, fisioterapeutas, preparadores físicos). Mas o próprio atleta não se preocupa com a CIÊNCIA, o estudo do seu ofício, que é conhecer as regras do futebol.

Canso de debater com colegas de arbitragem e amigos de jogo, o quão diferente seria o futebol se jogadores e treinadores conhecessem detalhes da regra. Novas jogadas ensaiadas surgiriam, um número menor de cartões amarelos e vermelhos, talvez menos reclamações em campo e maior prazer no esporte. Quanto se economizaria em advogados nos tribunais, por cartões e suspensões que poderiam ser evitados? Quanto se prejudica a um clube uma atitude inconveniente causada por desconhecimento da regra?

Costumo ouvir falar se as opções táticas no futebol e se os esquemas de jogo estão esgotados. Dá para fazer algo novo no futebol ou não?. Talvez dê, dependendo do treinador e do seu nível de conhecimento de regra. Não estão exauridos novos sistemas, se repensarmos as possibilidades e permissões das regras do futebol.

O Atlético Mineiro inova, naquilo que é uma necessidade não percebida pelos clubes e se torna uma modernidade. Teremos novos anúncios de contratação de ex-árbitros em comissões técnicas? Abrir-se-á um novo campo de trabalho? A ideia vingará com bons resultados a médio e longo prazo?

A resposta não sei. Mas torço para que dê certo e desejo o sucesso ao pioneirismo da empreitada de Wagner Tardelli. Boa sorte à ele.

Finalizando, a pergunta inevitável que já surgiu: teria sido a contratação de Tardelli um artifício para a conquista da simpatia de árbitros por parte do clube? Ora, grande bobagem pensar nisso. O árbitro está preocupado em seu trabalho, não em fazer graça para amigo ou simpatizante. O profissionalismo deve estar acima de tudo, e sua carreira e desejo próprio de realização comprovam esse pensamento no meio da arbitragem.

– O Simbolismo da Contratação de Tardelli: Modismo, Necessidade ou Modernidade?

Leio e ouço pela mídia que o Clube Atlético Mineiro contratou o (agora ex) árbitro Wagner Tardelli para fazer parte da sua Comissão Técnica, chefiada pelo treinador Wanderlei Luxemburgo.

Um especialista em arbitragem para fazer parte de uma equipe de futebol. Seria novidade? Talvez. Mas, sinceramente, tal adoção de um profissional que entenda das Regras do Jogo não deveria ser uma necessidade? Há poucos meses, o Real Madrid tentou contratar um árbitro da Liga Espanhola, mas a ideia acabou não vingando.

Wagner Tardelli pendurou o apito neste ano. Está livre e desimpedido para novos desafios. Não há nenhum empecilho ético, já que assume tal condição. Nos primórdios do futebol, a situação era contrária: os ex-jogadores é que viravam árbitros (Já imaginou Marcelinho Carioca, Viola, Djalminha ou Raí apitando jogos? Seria curioso, mas neste tempo e realidade, improvável…). A única condição que poderia trazer discussões seria se ele fosse árbitro atuante e desse consultoria à equipe mineira. Claro, situação incompatível.

Mas por que os clubes de futebol não tem em suas comissões técnicas um profissional de arbitragem? Cultura, despreocupação com a regra ou comodismo?

Em todas as atividades profissionais, a pessoa deve estudar cada vez mais para melhorar seu rendimento e ter ascensão na carreira. O futebol talvez seja uma das poucas atividades em que os profissionais pouco sabem sobre as regras do seu ofício. Pergunte a um jogador quantas regras o futebol possui? Boa parte poderá acertar a resposta: 17 regras. Mas não pergunte quais são… Se você perguntar de bate-pronto qual a Regra 9, a chance de acerto é quase nula!

Por fazer parte do meu universo profissional, gosto de comparar temáticas da Administração de Empresas com as do Futebol. E o exemplo que vou citar é perfeito quanto ao significado da contratação de Tardelli:

Em meados da década de 10, no século passado, o turco radicado francês Henry Fayol, um dos pais da Administração Moderna (Abordagem Clássica da Adm), cuja formação era a Engenharia, questionou: Por que não ensinamos a Administração em universidades? (naquele tempo, não existiam cursos acadêmicos de tal ciência). E isso impulsionou a criação das primeiras faculdades de Adm. Entretanto, surgiram dúvidas: ADMINISTRAÇÃO É CIÊNCIA, ARTE OU TÉCNICA?

Refaça essa mesma pergunta para o esporte bretão que tanto admiramos: FUTEBOL É CIÊNCIA, ARTE OU TÉCNICA?

Entenda os 3 termos para poder responder:

– CIÊNCIA é o conjunto de estudos necessários para a compreensão de um assunto ou fenômeno;

– ARTE é a vocação, o dom, a habilidade inerente ao ser;

– TÉCNICA é a prática adquirida pelo costume e o exercício da atividade.

Hoje, na Administração, os autores enfatizam um ou outro desses 3 fatores; mas para o perfeito exercício profissional, deve-se ter a harmonia e a existência deles.

No futebol, vemos claramente a ARTE (afinal, o jogador tem que ter algum dom, gostar de exercer o ofício e certa habilidade) e também a TÉCNICA (que é o treinamento, o aprimoramento e a prática do jogo de futebol). Mas e a CIÊNCIA, onde fica? Fica para os profissionais que assessoram os jogadores (nutricionistas, fisioterapeutas, preparadores físicos). Mas o próprio atleta não se preocupa com a CIÊNCIA, o estudo do seu ofício, que é conhecer as regras do futebol.

Canso de debater com colegas de arbitragem e amigos de jogo, o quão diferente seria o futebol se jogadores e treinadores conhecessem detalhes da regra. Novas jogadas ensaiadas surgiriam, um número menor de cartões amarelos e vermelhos, talvez menos reclamações em campo e maior prazer no esporte. Quanto se economizaria em advogados nos tribunais, por cartões e suspensões que poderiam ser evitados? Quanto se prejudica a um clube uma atitude inconveniente causada por desconhecimento da regra?

Costumo ouvir falar se as opções táticas no futebol e se os esquemas de jogo estão esgotados. Dá para fazer algo novo no futebol ou não?. Talvez dê, dependendo do treinador e do seu nível de conhecimento de regra. Não estão exauridos novos sistemas, se repensarmos as possibilidades e permissões das regras do futebol.

O Atlético Mineiro inova, naquilo que é uma necessidade não percebida pelos clubes e se torna uma modernidade. Teremos novos anúncios de contratação de ex-árbitros em comissões técnicas? Abrir-se-á um novo campo de trabalho? A ideia vingará com bons resultados a médio e longo prazo?

A resposta não sei. Mas torço para que dê certo e desejo o sucesso ao pioneirismo da empreitada de Wagner Tardelli. Boa sorte à ele.

Finalizando, a pergunta inevitável que já surgiu: teria sido a contratação de Tardelli um artifício para a conquista da simpatia de árbitros por parte do clube? Ora, grande bobagem pensar nisso. O árbitro está preocupado em seu trabalho, não em fazer graça para amigo ou simpatizante. O profissionalismo deve estar acima de tudo, e sua carreira e desejo próprio de realização comprovam esse pensamento no meio da arbitragem.

– O Simbolismo da Contratação de Tardelli: Modismo, Necessidade ou Modernidade?

Leio e ouço pela mídia que o Clube Atlético Mineiro contratou o (agora ex) árbitro Wagner Tardelli para fazer parte da sua Comissão Técnica, chefiada pelo treinador Wanderlei Luxemburgo.

Um especialista em arbitragem para fazer parte de uma equipe de futebol. Seria novidade? Talvez. Mas, sinceramente, tal adoção de um profissional que entenda das Regras do Jogo não deveria ser uma necessidade? Há poucos meses, o Real Madrid tentou contratar um árbitro da Liga Espanhola, mas a ideia acabou não vingando.

Wagner Tardelli pendurou o apito neste ano. Está livre e desimpedido para novos desafios. Não há nenhum empecilho ético, já que assume tal condição. Nos primórdios do futebol, a situação era contrária: os ex-jogadores é que viravam árbitros (Já imaginou Marcelinho Carioca, Viola, Djalminha ou Raí apitando jogos? Seria curioso, mas neste tempo e realidade, improvável…). A única condição que poderia trazer discussões seria se ele fosse árbitro atuante e desse consultoria à equipe mineira. Claro, situação incompatível.

Mas por que os clubes de futebol não tem em suas comissões técnicas um profissional de arbitragem? Cultura, despreocupação com a regra ou comodismo?

Em todas as atividades profissionais, a pessoa deve estudar cada vez mais para melhorar seu rendimento e ter ascensão na carreira. O futebol talvez seja uma das poucas atividades em que os profissionais pouco sabem sobre as regras do seu ofício. Pergunte a um jogador quantas regras o futebol possui? Boa parte poderá acertar a resposta: 17 regras. Mas não pergunte quais são… Se você perguntar de bate-pronto qual a Regra 9, a chance de acerto é quase nula!

Por fazer parte do meu universo profissional, gosto de comparar temáticas da Administração de Empresas com as do Futebol. E o exemplo que vou citar é perfeito quanto ao significado da contratação de Tardelli:

Em meados da década de 10, no século passado, o turco radicado francês Henry Fayol, um dos pais da Administração Moderna (Abordagem Clássica da Adm), cuja formação era a Engenharia, questionou: Por que não ensinamos a Administração em universidades? (naquele tempo, não existiam cursos acadêmicos de tal ciência). E isso impulsionou a criação das primeiras faculdades de Adm. Entretanto, surgiram dúvidas: ADMINISTRAÇÃO É CIÊNCIA, ARTE OU TÉCNICA?

Refaça essa mesma pergunta para o esporte bretão que tanto admiramos: FUTEBOL É CIÊNCIA, ARTE OU TÉCNICA?

Entenda os 3 termos para poder responder:

– CIÊNCIA é o conjunto de estudos necessários para a compreensão de um assunto ou fenômeno;

– ARTE é a vocação, o dom, a habilidade inerente ao ser;

– TÉCNICA é a prática adquirida pelo costume e o exercício da atividade.

Hoje, na Administração, os autores enfatizam um ou outro desses 3 fatores; mas para o perfeito exercício profissional, deve-se ter a harmonia e a existência deles.

No futebol, vemos claramente a ARTE (afinal, o jogador tem que ter algum dom, gostar de exercer o ofício e certa habilidade) e também a TÉCNICA (que é o treinamento, o aprimoramento e a prática do jogo de futebol). Mas e a CIÊNCIA, onde fica? Fica para os profissionais que assessoram os jogadores (nutricionistas, fisioterapeutas, preparadores físicos). Mas o próprio atleta não se preocupa com a CIÊNCIA, o estudo do seu ofício, que é conhecer as regras do futebol.

Canso de debater com colegas de arbitragem e amigos de jogo, o quão diferente seria o futebol se jogadores e treinadores conhecessem detalhes da regra. Novas jogadas ensaiadas surgiriam, um número menor de cartões amarelos e vermelhos, talvez menos reclamações em campo e maior prazer no esporte. Quanto se economizaria em advogados nos tribunais, por cartões e suspensões que poderiam ser evitados? Quanto se prejudica a um clube uma atitude inconveniente causada por desconhecimento da regra?

Costumo ouvir falar se as opções táticas no futebol e se os esquemas de jogo estão esgotados. Dá para fazer algo novo no futebol ou não?. Talvez dê, dependendo do treinador e do seu nível de conhecimento de regra. Não estão exauridos novos sistemas, se repensarmos as possibilidades e permissões das regras do futebol.

O Atlético Mineiro inova, naquilo que é uma necessidade não percebida pelos clubes e se torna uma modernidade. Teremos novos anúncios de contratação de ex-árbitros em comissões técnicas? Abrir-se-á um novo campo de trabalho? A ideia vingará com bons resultados a médio e longo prazo?

A resposta não sei. Mas torço para que dê certo e desejo o sucesso ao pioneirismo da empreitada de Wagner Tardelli. Boa sorte à ele.

Finalizando, a pergunta inevitável que já surgiu: teria sido a contratação de Tardelli um artifício para a conquista da simpatia de árbitros por parte do clube? Ora, grande bobagem pensar nisso. O árbitro está preocupado em seu trabalho, não em fazer graça para amigo ou simpatizante. O profissionalismo deve estar acima de tudo, e sua carreira e desejo próprio de realização comprovam esse pensamento no meio da arbitragem.

– O Simbolismo da Contratação de Tardelli: Modismo, Necessidade ou Modernidade?

Leio e ouço pela mídia que o Clube Atlético Mineiro contratou o (agora ex) árbitro Wagner Tardelli para fazer parte da sua Comissão Técnica, chefiada pelo treinador Wanderlei Luxemburgo.

Um especialista em arbitragem para fazer parte de uma equipe de futebol. Seria novidade? Talvez. Mas, sinceramente, tal adoção de um profissional que entenda das Regras do Jogo não deveria ser uma necessidade? Há poucos meses, o Real Madrid tentou contratar um árbitro da Liga Espanhola, mas a ideia acabou não vingando.

Wagner Tardelli pendurou o apito neste ano. Está livre e desimpedido para novos desafios. Não há nenhum empecilho ético, já que assume tal condição. Nos primórdios do futebol, a situação era contrária: os ex-jogadores é que viravam árbitros (Já imaginou Marcelinho Carioca, Viola, Djalminha ou Raí apitando jogos? Seria curioso, mas neste tempo e realidade, improvável…). A única condição que poderia trazer discussões seria se ele fosse árbitro atuante e desse consultoria à equipe mineira. Claro, situação incompatível.

Mas por que os clubes de futebol não tem em suas comissões técnicas um profissional de arbitragem? Cultura, despreocupação com a regra ou comodismo?

Em todas as atividades profissionais, a pessoa deve estudar cada vez mais para melhorar seu rendimento e ter ascensão na carreira. O futebol talvez seja uma das poucas atividades em que os profissionais pouco sabem sobre as regras do seu ofício. Pergunte a um jogador quantas regras o futebol possui? Boa parte poderá acertar a resposta: 17 regras. Mas não pergunte quais são… Se você perguntar de bate-pronto qual a Regra 9, a chance de acerto é quase nula!

Por fazer parte do meu universo profissional, gosto de comparar temáticas da Administração de Empresas com as do Futebol. E o exemplo que vou citar é perfeito quanto ao significado da contratação de Tardelli:

Em meados da década de 10, no século passado, o turco radicado francês Henry Fayol, um dos pais da Administração Moderna (Abordagem Clássica da Adm), cuja formação era a Engenharia, questionou: Por que não ensinamos a Administração em universidades? (naquele tempo, não existiam cursos acadêmicos de tal ciência). E isso impulsionou a criação das primeiras faculdades de Adm. Entretanto, surgiram dúvidas: ADMINISTRAÇÃO É CIÊNCIA, ARTE OU TÉCNICA?

Refaça essa mesma pergunta para o esporte bretão que tanto admiramos: FUTEBOL É CIÊNCIA, ARTE OU TÉCNICA?

Entenda os 3 termos para poder responder:

– CIÊNCIA é o conjunto de estudos necessários para a compreensão de um assunto ou fenômeno;

– ARTE é a vocação, o dom, a habilidade inerente ao ser;

– TÉCNICA é a prática adquirida pelo costume e o exercício da atividade.

Hoje, na Administração, os autores enfatizam um ou outro desses 3 fatores; mas para o perfeito exercício profissional, deve-se ter a harmonia e a existência deles.

No futebol, vemos claramente a ARTE (afinal, o jogador tem que ter algum dom, gostar de exercer o ofício e certa habilidade) e também a TÉCNICA (que é o treinamento, o aprimoramento e a prática do jogo de futebol). Mas e a CIÊNCIA, onde fica? Fica para os profissionais que assessoram os jogadores (nutricionistas, fisioterapeutas, preparadores físicos). Mas o próprio atleta não se preocupa com a CIÊNCIA, o estudo do seu ofício, que é conhecer as regras do futebol.

Canso de debater com colegas de arbitragem e amigos de jogo, o quão diferente seria o futebol se jogadores e treinadores conhecessem detalhes da regra. Novas jogadas ensaiadas surgiriam, um número menor de cartões amarelos e vermelhos, talvez menos reclamações em campo e maior prazer no esporte. Quanto se economizaria em advogados nos tribunais, por cartões e suspensões que poderiam ser evitados? Quanto se prejudica a um clube uma atitude inconveniente causada por desconhecimento da regra?

Costumo ouvir falar se as opções táticas no futebol e se os esquemas de jogo estão esgotados. Dá para fazer algo novo no futebol ou não?. Talvez dê, dependendo do treinador e do seu nível de conhecimento de regra. Não estão exauridos novos sistemas, se repensarmos as possibilidades e permissões das regras do futebol.

O Atlético Mineiro inova, naquilo que é uma necessidade não percebida pelos clubes e se torna uma modernidade. Teremos novos anúncios de contratação de ex-árbitros em comissões técnicas? Abrir-se-á um novo campo de trabalho? A ideia vingará com bons resultados a médio e longo prazo?

A resposta não sei. Mas torço para que dê certo e desejo o sucesso ao pioneirismo da empreitada de Wagner Tardelli. Boa sorte à ele.

Finalizando, a pergunta inevitável que já surgiu: teria sido a contratação de Tardelli um artifício para a conquista da simpatia de árbitros por parte do clube? Ora, grande bobagem pensar nisso. O árbitro está preocupado em seu trabalho, não em fazer graça para amigo ou simpatizante. O profissionalismo deve estar acima de tudo, e sua carreira e desejo próprio de realização comprovam esse pensamento no meio da arbitragem.

– O Simbolismo da Contratação de Tardelli: Modismo, Necessidade ou Modernidade?

Leio e ouço pela mídia que o Clube Atlético Mineiro contratou o (agora ex) árbitro Wagner Tardelli para fazer parte da sua Comissão Técnica, chefiada pelo treinador Wanderlei Luxemburgo.

Um especialista em arbitragem para fazer parte de uma equipe de futebol. Seria novidade? Talvez. Mas, sinceramente, tal adoção de um profissional que entenda das Regras do Jogo não deveria ser uma necessidade? Há poucos meses, o Real Madrid tentou contratar um árbitro da Liga Espanhola, mas a ideia acabou não vingando.

Wagner Tardelli pendurou o apito neste ano. Está livre e desimpedido para novos desafios. Não há nenhum empecilho ético, já que assume tal condição. Nos primórdios do futebol, a situação era contrária: os ex-jogadores é que viravam árbitros (Já imaginou Marcelinho Carioca, Viola, Djalminha ou Raí apitando jogos? Seria curioso, mas neste tempo e realidade, improvável…). A única condição que poderia trazer discussões seria se ele fosse árbitro atuante e desse consultoria à equipe mineira. Claro, situação incompatível.

Mas por que os clubes de futebol não tem em suas comissões técnicas um profissional de arbitragem? Cultura, despreocupação com a regra ou comodismo?

Em todas as atividades profissionais, a pessoa deve estudar cada vez mais para melhorar seu rendimento e ter ascensão na carreira. O futebol talvez seja uma das poucas atividades em que os profissionais pouco sabem sobre as regras do seu ofício. Pergunte a um jogador quantas regras o futebol possui? Boa parte poderá acertar a resposta: 17 regras. Mas não pergunte quais são… Se você perguntar de bate-pronto qual a Regra 9, a chance de acerto é quase nula!

Por fazer parte do meu universo profissional, gosto de comparar temáticas da Administração de Empresas com as do Futebol. E o exemplo que vou citar é perfeito quanto ao significado da contratação de Tardelli:

Em meados da década de 10, no século passado, o turco radicado francês Henry Fayol, um dos pais da Administração Moderna (Abordagem Clássica da Adm), cuja formação era a Engenharia, questionou: Por que não ensinamos a Administração em universidades? (naquele tempo, não existiam cursos acadêmicos de tal ciência). E isso impulsionou a criação das primeiras faculdades de Adm. Entretanto, surgiram dúvidas: ADMINISTRAÇÃO É CIÊNCIA, ARTE OU TÉCNICA?

Refaça essa mesma pergunta para o esporte bretão que tanto admiramos: FUTEBOL É CIÊNCIA, ARTE OU TÉCNICA?

Entenda os 3 termos para poder responder:

– CIÊNCIA é o conjunto de estudos necessários para a compreensão de um assunto ou fenômeno;

– ARTE é a vocação, o dom, a habilidade inerente ao ser;

– TÉCNICA é a prática adquirida pelo costume e o exercício da atividade.

Hoje, na Administração, os autores enfatizam um ou outro desses 3 fatores; mas para o perfeito exercício profissional, deve-se ter a harmonia e a existência deles.

No futebol, vemos claramente a ARTE (afinal, o jogador tem que ter algum dom, gostar de exercer o ofício e certa habilidade) e também a TÉCNICA (que é o treinamento, o aprimoramento e a prática do jogo de futebol). Mas e a CIÊNCIA, onde fica? Fica para os profissionais que assessoram os jogadores (nutricionistas, fisioterapeutas, preparadores físicos). Mas o próprio atleta não se preocupa com a CIÊNCIA, o estudo do seu ofício, que é conhecer as regras do futebol.

Canso de debater com colegas de arbitragem e amigos de jogo, o quão diferente seria o futebol se jogadores e treinadores conhecessem detalhes da regra. Novas jogadas ensaiadas surgiriam, um número menor de cartões amarelos e vermelhos, talvez menos reclamações em campo e maior prazer no esporte. Quanto se economizaria em advogados nos tribunais, por cartões e suspensões que poderiam ser evitados? Quanto se prejudica a um clube uma atitude inconveniente causada por desconhecimento da regra?

Costumo ouvir falar se as opções táticas no futebol e se os esquemas de jogo estão esgotados. Dá para fazer algo novo no futebol ou não?. Talvez dê, dependendo do treinador e do seu nível de conhecimento de regra. Não estão exauridos novos sistemas, se repensarmos as possibilidades e permissões das regras do futebol.

O Atlético Mineiro inova, naquilo que é uma necessidade não percebida pelos clubes e se torna uma modernidade. Teremos novos anúncios de contratação de ex-árbitros em comissões técnicas? Abrir-se-á um novo campo de trabalho? A ideia vingará com bons resultados a médio e longo prazo?

A resposta não sei. Mas torço para que dê certo e desejo o sucesso ao pioneirismo da empreitada de Wagner Tardelli. Boa sorte à ele.

Finalizando, a pergunta inevitável que já surgiu: teria sido a contratação de Tardelli um artifício para a conquista da simpatia de árbitros por parte do clube? Ora, grande bobagem pensar nisso. O árbitro está preocupado em seu trabalho, não em fazer graça para amigo ou simpatizante. O profissionalismo deve estar acima de tudo, e sua carreira e desejo próprio de realização comprovam esse pensamento no meio da arbitragem.

– O Simbolismo da Contratação de Tardelli: Modismo, Necessidade ou Modernidade?

Leio e ouço pela mídia que o Clube Atlético Mineiro contratou o (agora ex) árbitro Wagner Tardelli para fazer parte da sua Comissão Técnica, chefiada pelo treinador Wanderlei Luxemburgo.

Um especialista em arbitragem para fazer parte de uma equipe de futebol. Seria novidade? Talvez. Mas, sinceramente, tal adoção de um profissional que entenda das Regras do Jogo não deveria ser uma necessidade? Há poucos meses, o Real Madrid tentou contratar um árbitro da Liga Espanhola, mas a ideia acabou não vingando.

Wagner Tardelli pendurou o apito neste ano. Está livre e desimpedido para novos desafios. Não há nenhum empecilho ético, já que assume tal condição. Nos primórdios do futebol, a situação era contrária: os ex-jogadores é que viravam árbitros (Já imaginou Marcelinho Carioca, Viola, Djalminha ou Raí apitando jogos? Seria curioso, mas neste tempo e realidade, improvável…). A única condição que poderia trazer discussões seria se ele fosse árbitro atuante e desse consultoria à equipe mineira. Claro, situação incompatível.

Mas por que os clubes de futebol não tem em suas comissões técnicas um profissional de arbitragem? Cultura, despreocupação com a regra ou comodismo?

Em todas as atividades profissionais, a pessoa deve estudar cada vez mais para melhorar seu rendimento e ter ascensão na carreira. O futebol talvez seja uma das poucas atividades em que os profissionais pouco sabem sobre as regras do seu ofício. Pergunte a um jogador quantas regras o futebol possui? Boa parte poderá acertar a resposta: 17 regras. Mas não pergunte quais são… Se você perguntar de bate-pronto qual a Regra 9, a chance de acerto é quase nula!

Por fazer parte do meu universo profissional, gosto de comparar temáticas da Administração de Empresas com as do Futebol. E o exemplo que vou citar é perfeito quanto ao significado da contratação de Tardelli:

Em meados da década de 10, no século passado, o turco radicado francês Henry Fayol, um dos pais da Administração Moderna (Abordagem Clássica da Adm), cuja formação era a Engenharia, questionou: Por que não ensinamos a Administração em universidades? (naquele tempo, não existiam cursos acadêmicos de tal ciência). E isso impulsionou a criação das primeiras faculdades de Adm. Entretanto, surgiram dúvidas: ADMINISTRAÇÃO É CIÊNCIA, ARTE OU TÉCNICA?

Refaça essa mesma pergunta para o esporte bretão que tanto admiramos: FUTEBOL É CIÊNCIA, ARTE OU TÉCNICA?

Entenda os 3 termos para poder responder:

– CIÊNCIA é o conjunto de estudos necessários para a compreensão de um assunto ou fenômeno;

– ARTE é a vocação, o dom, a habilidade inerente ao ser;

– TÉCNICA é a prática adquirida pelo costume e o exercício da atividade.

Hoje, na Administração, os autores enfatizam um ou outro desses 3 fatores; mas para o perfeito exercício profissional, deve-se ter a harmonia e a existência deles.

No futebol, vemos claramente a ARTE (afinal, o jogador tem que ter algum dom, gostar de exercer o ofício e certa habilidade) e também a TÉCNICA (que é o treinamento, o aprimoramento e a prática do jogo de futebol). Mas e a CIÊNCIA, onde fica? Fica para os profissionais que assessoram os jogadores (nutricionistas, fisioterapeutas, preparadores físicos). Mas o próprio atleta não se preocupa com a CIÊNCIA, o estudo do seu ofício, que é conhecer as regras do futebol.

Canso de debater com colegas de arbitragem e amigos de jogo, o quão diferente seria o futebol se jogadores e treinadores conhecessem detalhes da regra. Novas jogadas ensaiadas surgiriam, um número menor de cartões amarelos e vermelhos, talvez menos reclamações em campo e maior prazer no esporte. Quanto se economizaria em advogados nos tribunais, por cartões e suspensões que poderiam ser evitados? Quanto se prejudica a um clube uma atitude inconveniente causada por desconhecimento da regra?

Costumo ouvir falar se as opções táticas no futebol e se os esquemas de jogo estão esgotados. Dá para fazer algo novo no futebol ou não?. Talvez dê, dependendo do treinador e do seu nível de conhecimento de regra. Não estão exauridos novos sistemas, se repensarmos as possibilidades e permissões das regras do futebol.

O Atlético Mineiro inova, naquilo que é uma necessidade não percebida pelos clubes e se torna uma modernidade. Teremos novos anúncios de contratação de ex-árbitros em comissões técnicas? Abrir-se-á um novo campo de trabalho? A ideia vingará com bons resultados a médio e longo prazo?

A resposta não sei. Mas torço para que dê certo e desejo o sucesso ao pioneirismo da empreitada de Wagner Tardelli. Boa sorte à ele.

Finalizando, a pergunta inevitável que já surgiu: teria sido a contratação de Tardelli um artifício para a conquista da simpatia de árbitros por parte do clube? Ora, grande bobagem pensar nisso. O árbitro está preocupado em seu trabalho, não em fazer graça para amigo ou simpatizante. O profissionalismo deve estar acima de tudo, e sua carreira e desejo próprio de realização comprovam esse pensamento no meio da arbitragem.