Conta-se que a presidente do Palmeiras é, de nascimento, vascaína. Que Neymar era palmeirense. Que Sócrates, isso é sabido, era santista. E tantos outros casos de pessoas do futebol que marcaram com um clube, embora torcessem por outro.
Igual a árbitro de futebol: ninguém lembra que tem time do coração com o apito na boca, você pensa na sua carreira. E, posteriormente, perde o vínculo de torcedor.
Digo isso pois o Globoesporte.com traz em suas redes sociais a seguinte manchete:
(Recorte da página do GE no Blue Sky)
Fico imaginando: seu enteado (portanto, filho do seu marido) é / será em breve o dono da SAF do Vasco da Gama, com muito dinheiro. O esposo dela, o Dr José Roberto Lamacchia, é ativo na vida do Palmeiras (clube que é presidido por ela). Não se configura conflito de interesses?
Vejo tanta gente tentando criar argumentos para se dizer que “não tem nada a ver” tal relação. Ora, se é proibido (e é), cumpra-se a Lei.
Digamos que a Leila, ao final do seu mandato, resolva ir ao Vasco da Gama trabalhar como dirigente (por gosto, por querer estar no futebol, ou por qualquer outro motivo, já que ela é uma senhora muito bem resolvida financeiramente). Poderia?
Em grandes empresas, há na maioria dos casos a exigida quarentena (prazo não necessariamente de 40 dias) para o executivo que saia de uma organização, não trabalhar num outro empreendimento de mesma natureza (a fim de se evitar que se leve segredos corporativos, estratégias traçadas e ou negócios em andamento à sua nova empresa).
Se sair do Palmeiras e ir ao Vasco, o torcedor palmeirense não se sentiria traído? O próprio Palmeiras não poderia impedir essa ida (como muitos fazem no mundo dos negócios)?
Taí a grande questão: a SAF do Vasco da Gama parece que se concretizará e a relação com a SE Palmeiras entre os envolvidos é nítida. Marco Faria Lamacchia, que é neto de Aloysio Faria (ex-banco Real e dono do conglomerado Alpha) é filho de José Roberto Lamacchia. Portanto, a madrasta e o pai estão num clube concorrente. Estarão concomitantemente trabalhando em seus clubes; ele, pela Almirante participações (dona da SAF do Vasco) e ela pelo Palmeiras. Se isso pode infringir o compliance do Brasileirão 2027, imagine se ela for em 2028 ao Vasco? Aí, já passa por questão ética…
Aguardemos!

