Eu fico assustado quando vejo o tempo de bola rolando dos campeonatos europeus e os da América do Sul. Nós simplesmente abdicamos quase metade de um tempo inteiro de futebol (45 minutos) em paralisações e “jogo morto”.
É a cultura do unfair-play. Na Argentina, da milonga. No Brasil, do “jeitinho brasileiro”, do querer levar vantagem em tudo.
Na Copa do Mundo 2026 nós vimos: ninguém podia contestar o árbitro, mas somente o capitão conversava com ele, educadamente. Aqui, por duas rodadas do Brasileirão conseguiu-se um pouco de ordem. Depois… tudo voltou a ser como era antes.
Na partida Corinthians 0x1 Estudiantes de La Plata, pela Libertadores da América, o árbitro venezuelano Jesus Valenzuela não marcou um pênalti claríssimo de mão intencional, a favor do Timão. O time inteiro dos brasileiros foi para cima dele, cercando-o. Imediatamente, o adversário argentino (com todos os seus jogadores de linha) partiu para cima do juizão, como “pressão anti-pressão”.
Mas e a regra que “somente o capitão pode conversar”?
Por fim, o árbitro de vídeo comunicou que havia checado o lance e que sugeria uma revisão. Eis que Valenzuela correu para o monitor, e “meia dúzia de atletas” (de ambas equipes) o acompanharam! Pode?
Pior do que isso: o monitor do VAR estava do outro lado do campo… todos correram para o lugar errado! Que várzea…
Mas além desse péssimo comportamento encontrado aqui, há outras formas de desrespeitar a regra. Por exemplo: você tem 5 segundos para cobrar um tiro de meta e outros 5 segundos para arremesso lateral. O goleiro repor uma bola em jogo, são 8 segundos. Porém, como os atletas perceberam que a contagem começa depois do equilíbrio, vão “com o freio de mão puxado” pegar e posicionar a bola para cobrança. Ou seja: a demora continua, mas somente mudaram o momento de retardar o reinício do jogo.
Repare na maior das picaretagens: a FIFA esqueceu de regrar o tempo de cobrança de uma falta. Em certos casos, perde-se tempo em diversos momentos. Por exemplo: quando a barreira se mexe, onde se fica arrumando a bola na marca de tiro, ou ainda quando há alguma queixa. E essas cobranças de falta são efetuadas depois de 1 minuto (ou mais) de paralisação. É muito jogo parado!
Isso irrita o público, a imprensa e… aos jogadores (quando estão perdendo). Mas quando um time está ganhando, faz a mesma coisa.
Eu achava que as novas regras melhorariam a dinâmica do jogo. Em algumas poucas partidas, melhorou. Mas aí vem o goleiro Weverton, do Grêmio, e reclama que o jogo ficou “acelerado demais”. Ora, não é justamente isso que se reclama no futebol brasileiro, a falta de intensidade?
Outro incômodo muito grande: O treinador Abel Ferreira tem mais expulsões do que jogadores de linha no Brasil! E quando ele não recebe o Cartão Vermelho ou o Cartão Amarelo, seu auxiliar João Martins encarrega-se disso. Aliás quando surgiu a permissão de uma área técnica no futebol, a ideia era para o treinador ir à beira do campo, passar ordens e voltar ao banco. Aqui no Brasil, começamos a ficar em pé o tempo todo (anos mais tarde, a FIFA permitiu isso). Hoje, os treinadores ficam mais virados ao quarto-árbitro pulando, gesticulando e reclamando da arbitragem, do que dirigindo os seus clubes. Pode?
Enfim: dar extensos minutos ao final das partidas, como tentativa de aumentar o tempo de bola rolando, não funcionou também. Pois se “mata ainda mais tempo” nesses momentos.
São dois dilemas que os especialistas enfrentarão:
1- Como dinamizar mais o futebol, aumentando o tempo de bola rolando (tentando travar o cronômetro a cada paralização), e
2- Como ser atrativo por tanto tempo. Afinal, há jogo tão brigado, reclamado e pouco jogado, que 90 minutos parecem ser um tempo interminável… e não desperta interesse e/ou entusiasmo algum.

