Em breve a Copa do Mundo 2026 se encerrará. Apesar da mesma ser na América do Norte (lembremos-nos: oficialmente é o Mundial Canadá – Estados Unidos – México), ganhou destaque (pela maioria dos jogos) a figura política de Donald Trump. Virou “Copa dos EUA”.
Gianni Infantino, em momento algum entrou em embate com o presidente norte-americano. Se calou quando o árbitro somali Omar Abdulkadir Artan (eleito o melhor juiz de futebol africano da atualidade) foi proibido de entrar no país. Nenhuma atitude quando as dificuldades da delegação do Irã foram latentes e ela tinha que fazer “bate-e-volta” do México para os EUA. Pudera, vale recordar que, antes da Copa começar, a FIFA criou um “Prêmio da Paz da Família do Futebol” e entregou a Trump (justamente dias depois do próprio Trump reclamar que merecia um Prêmio Nobel da Paz)…
Mas a subserviência do futebol à política é contemporânea e diz muitas coisas sobre as duas próximas edições do Mundial de Futebol (2030 e 2034), além de 2038.
Não podemos nos esquecer: tudo começou com a escolha do Catar para a Copa 2022. O projeto do emir Tamim bin Hamad Al-Thani (comprando a principal emissora de TV francesa e turbinando o então modesto Paris Saint-Germain), era de entrar no mundo esportivo e levar uma Copa do Mundo ao seu país. Turbinado por petrodólares, conseguiu por corrupção os votos necessários para a escolha de sua sede. Eis que eles concorriam com os próprios Estados Unidos! Na época, o presidente Barack Obama determinou uma mega investigação que resultou na prisão de importantes dirigentes esportivos, no episódio que ficou conhecido como “Fifagate”. Do presidente da FIFA, Joseph Blatter, ao presidente da CBF, José Maria Marin, vários cartolas estiveram presos por receberem propina para escolher o pequeno país para sediar um Mundial. Curiosamente, na Copa seguinte ao Catar… deu EUA como sede.
Porém, outro desdobramento ocorreu: a Arábia Saudita, inimigo político e cultural do Catar, não se consolava em ver uma Copa se desenrolar lá. E entrou com muita força financeira para ter o seu país escolhido para um Mundial. O Príncipe Mohammed bin Salman (MBS), mandatário local, revolucionou o futebol doméstico, através da compra dos 4 principais times árabes e cessão aos seus próprios primos enriquecidos. Trouxe jogadores renomados para as equipes (Benzema, Cristiano Ronaldo e Neymar, entre outros) e procurou se fortalecer. A promessa é de que a Saudi League Pro se torne uma espécie de “Liga das Estrelas”. Mas no extra-campo…
O príncipe MBS custeou parte dos gastos com o Mundial de Clubes 2025 da FIFA, ajudando na premiação e na indireta negociação dos Direitos de Transmissão, pagando uma fortuna por eles, agradando Gianni Infantino e esperando reconhecimento à Arábia pelo esforço financeiro.
Conclusão: como existe o rodízio de sedes por continente (a FIFA tem a América dividida em 2 confederações: a Concacaf para América do Norte e Caribe, e a Conmebol para os principais países sulamericanos), algo precisava ser feito. Afinal, depois do Catar 2022 e EUA 2026, precisava ir para a África em 2030, América do Sul em 2034, Europa em 2038 e Ásia em 2042.
E não é que o “golpe” foi feito: para 2030, a Copa começará no Uruguai, passará pelo Paraguai e pela Argentina; atravessará o Atlântico e irá para Marrocos; subirá a Ibéria para se jogar em Portugal e terminar na Espanha. Ou seja: 12 anos de encurtamento de caminho, por fazer uma copa multi-sede continental!
Como isso acontecerá (pois está certo), pense: se em 2034 já será na Ásia de novo (Arábia Saudita), a de 2038, que pela sequência deverá ser em algum país da Concacaf, será disputada provavelmente… nos EUA?
A lógica diz que sim. E o próprio Trump disse que, ao terminar a Copa 2026, se reunirá com a FIFA pelo desejo de repetir em 38 mais um Mundial.

