– A reza / prece / oração a Deus, faz seu time ganhar um jogo?

Eu tenho muito cuidado com esse assunto, pois sei que há a famosa tríade popular de que “Futebol, Política e Religião” não se discutem. Ora, discute-se sim, com tolerância e respeito. E a combinação de dois desses elementos, o Futebol e a Religião, tem me chamado a atenção bastante.

Dias atrás, comentando um jogo da 4ª divisão paulista, ouvi um treinador dizendo em entrevista que “Profetizei a vitória de Deus contra o adversário” e que o “Senhor é fiel em suas promessas, sendo a vitória dEle”. Respeitosamente, mas Deus não quer disputar a A3 da FPF, ele tem muita coisa importante a fazer. Se ele dá o livre arbítrio às pessoas (e por isso há as guerras – não por culpa de Deus, mas dos próprios homens), por que iria favorecer a equipe A e prejudicar a equipe B?

Calma, não estou desdenhando do boleiro que pediu ajuda a Deus, nem duvidando da sua fé. Não é um comentário ateísta, mas apenas levantando a seguinte situação: do outro lado, há jogadores que acreditam no mesmo Deus. Qual razão Deus favorece um time e desfavorece outro? Não vale responder que uma equipe teve mais fé do que a adversária, pois, sabemos, a resposta é lógica: “Se macumba ganhasse jogo, o BaVi terminaria sempre empatado”.

Aqui no Brasil, temos uma “febre de fé no futebol”. Telê Santana, no começo dos anos 90, mostrou-se preocupado com o movimento “Atletas de Cristo”, pois falava-se à boca pequena que alguns atletas não fariam falta no jogo por entenderem ser pecado… Coisa do passado. Sempre existiu a religião e a religiosidade no futebol, ou seja: a fé e o rito, muitas vezes, supersticioso! Ou não é costumeiro ver padres e pastores visitando as agremiações e vestiários, e irônica e concomitantemente, esses mesmos clubes jogam sal grosso aos pés de uma trave e tem seus “pais-de-santos” oficiais?

Em 2009, após a conquista da Copa das Confederações pela Seleção Brasileira, a BBC da Inglaterra produziu uma matéria chamada “DIVINO FUTEBOL”, onde dizia que: “As pessoas que acompanharam a final [Brasil x EUA] não estavam preparadas para a reza coletiva, com todos jogadores brasileiros ajoelhados, de mãos dadas, num círculo feito em pleno gramado que incluiu até a comissão técnica. Em um lugar como a Grã-Bretanha, onde o povo está acostumado a conviver respeitosamente com diferentes religiões, surpreende o fato de atletas usarem a combinação entre um veículo de grande penetração como a televisão e a enorme capacidade de marketing da Seleção Brasileira, para divulgar mensagens ligadas a crenças, seitas ou religiões”.

Insisto: os jogadores têm sua religião (ou não a têm, são agnósticos ou ateus) e devem ser respeitados. Mas Deus (ou os deuses, dependendo da sua crença) tem coisa mais importante para fazer do que decidir um placar. Deve-se em oração pré-jogo pedir saúde, proteção contra lesões, um bom trabalho, sucesso profissional… mas placares, não! Afinal, quando o time ganha, para muitos, é pela benção de Deus. Mas e o que houve ao time que perdeu e também rezou?

Por fim: saibamos creditar as derrotas e vitórias ao trabalho dos jogadores, treinadores e demais envolvidos, e a Deus o dom da vida para exercer a sua profissão.

Ops: para que não se ache que esse texto foi averso a fé (citei no início que é uma reflexão sobre a maturidade religiosa), eu também pedi luz ao Espírito Santo para escrevê-lo sem ofensa a qualquer pessoa religiosa ou entidade.

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