– Quando a regra é clara ou não: os lances de Cusco vs Flamengo e Barranquilla x Palmeiras:

Duas coisas atrapalham a prática da Regra do Jogo: a subjetividade das interpretaçõese a falta de uniformidade de critérios. E uma terceira, mais humana: a vaidade do VAR!

Falamos assim de 3 lances da Libertadores da Ameerica ocorridos ontem:

1- O lance de Gustavo Goméz: quando ele vai disputar a bola, ele o faz com força excessiva contra o seu adversário. Veja que ele pára a jogada atingindo a perna do oponente de maneira brusca. Existe uma orientação da CBF, desde o tempo de Seneme, que na altura da canela, é para Vermelho; pisou no pé, é para Amarelo. Porém, isso não está explícito na Regra do Jogo, que fala sobre “colocar em risco a integridade física”. Vide o texto da Regra 12 abaixo:

(o vídeo com a ação, atingindo a canela, em: https://x.com/michelcosta_/status/2042227131522973710?s=48).

2- O lance de Plata: o flamenguista vai disputar a bola sem tentar atingir o adversário; porém, perde o tempo da bola e o atinge pisando acidentalmente no pé dele. É o que a Regra fala de “Imprudência”, que significa: não queria fazer a falta, mas faz. Não é para Cartão Vermelho (Lance imprudente não necessita cartão, mas se o árbitro entendeu temerário, é para Amarelo).

3- O impedimento do gol flamenguista: todas as imagens circulantes na Web não me convencem. Pela perpendicularidade, efeito paralaxe, pixels e outras nuances, é inconclusível. Sendo assim, deve prevalecer a decisão de campo (ou seja: o que o bandeira marcou). E ele deu gol!

Existe a orientação de que, em lances difíceis, os bandeiras levantem seu instrumento no último momento (caso exista dúvida do impedimento) para o VAR e os AVARs checarem. Se tiver certeza absoluta do impedimento, levante imediatamente. Se tiver certeza da condição de jogo, não levante e confirme o gol.

A questão é: o lance não é conclusível, e o árbitro assistente deu o gol. Deveria-se confirmar o tento marcado (no mundo, em um lance como esse, o pessoal da cabine verifica que é difícil decidir com rapidez e, para não se perder a dinâmica do jogo, respeita-se a decisão de campo). No Brasil e em alguns lugares da América do Sul, à contramão da orientação, leva-se um tempo enorme para discussão, se faz uma mesa-redonda e conclui-se qualquer coisa (certa ou errada). Afinal, como justificar tanta gente “ganhando bem” e olhando o vídeo, se for para dizer que não é conclusível?

 

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